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Pós-graduação – Faculdade

LEGALE

DIREITO CONSTITUCIONAL
APLICADO
Probidade administrativa e princípios regentes da
Administração Pública. Abuso de Autoridade e Abuso de
Poder. A nova Lei de Abuso de Autoridade - Lei 13.869/19.

Prof. Ricardo A. Andreucci

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Fundamento constitucional da
probidade administrativa
 A Constituição Federal consagrou
diversos princípios e preceitos
referentes à gestão da coisa pública.
 Dentre eles, merecem destaque os
princípios da legalidade, da
impessoalidade, da moralidade, da
publicidade e da eficiência (art. 37 da
CF).

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Finalidade dos princípios
constitucionais
 Os princípios constitucionais têm por
finalidade limitar o poder estatal,
fixando instrumentos de controle e
meios de responsabilização dos
agentes públicos, como garantia de
transparência e probidade na
administração, buscando o combate à
corrupção.

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Conceito de Administração
Pública
 Administração Pública é o conjunto de
serviços e entidades incumbidos de
concretizar as atividades administrativas,
ou seja, da execução das decisões
políticas e legislativas.
 É a gestão de bens e interesses
qualificados da comunidade no âmbito
dos três níveis de governo (federal,
estadual ou municipal), segundo
preceitos de Direito e da Moral, visando
o bem comum. 4
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Natureza da Administração
Pública
 É encargo de guarda, conservação e
aprimoramento dos bens, interesses e
serviços da coletividade, que se
desenvolve segundo a lei e a
moralidade administrativa.

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Finalidade da Administração
Pública
 A Administração Pública tem por
finalidade o bem comum da
coletividade e o interesse público.

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Princípios da Administração
Pública
 A Administração Pública é regida
pelos princípios:
 da legalidade,
 da impessoalidade,
 da moralidade,
 da publicidade e
 da eficiência.

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Conceito de patrimônio
público
 O conceito de patrimônio público é
decorrente das disposições
constantes do art. 1º da Lei n.
4.717/65 (Ação Popular) e da Lei n.
8.429/92 (Improbidade
Administrativa).
 Art. 1º, § 1º - Consideram-se patrimônio
público para os fins referidos neste artigo,
os bens e direitos de valor econômico,
artístico, estético, histórico ou turístico.
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Conceito de patrimônio
público
 É o conjunto de bens e direitos de valor
econômico, artístico, estético, histórico e
turístico da União, Estados, Municípios e
Distrito Federal, e também das
autarquias, fundações instituídas pelo
Poder Público, empresas públicas,
sociedades de economia mista,
empresas incorporadas ao patrimônio
público e com participação do erário, e
de pessoas jurídicas ou entidades
subvencionadas pelos cofres públicos.
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Definição de Improbidade
 Improbidade é desonestidade,
indicando qualquer ato que infringe a
moralidade pública.
 O ato de improbidade administrativa
afronta a honestidade, a boa-fé, o
respeito à igualdade, às normas de
conduta aceitas pelos administrados,
o dever de lealdade, além de outros
postulados éticos e morais.

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Lei de Improbidade
Administrativa
 A Lei n. 8.429/92 define os atos de
improbidade administrativa, que ocorrem
quando são praticados atos que
ensejam enriquecimento ilícito, causam
prejuízo ao erário ou atentam contra os
princípios da administração.
 Essa lei estabelece as sanções
aplicáveis aos agentes públicos nos
casos de enriquecimento ilícito no
exercício do mandato, cargo, emprego
ou função Administrativa Pública direta,
indireta ou fundacional, dando outras
providências.
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Consequências
 Os atos de improbidade implicarão na
suspensão dos direitos políticos, na
perda da função pública, na
indisponibilidade dos bens e no
ressarcimento ao erário, de
conformidade com a forma e a
gradação prevista na lei.

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Responsabilidade subjetiva do
administrador público

 A Lei n. 8.429/92 consagrou a


responsabilidade subjetiva do servidor
público, exigindo o dolo nas três
espécies de atos de improbidade
(arts. 9º, 10 e 11) e permitindo, em
uma única espécie (art. 10), também a
responsabilidade a título de culpa.

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Responsabilidade objetiva do
administrador público

 A responsabilidade objetiva do
administrador público foi afastada pela
lei de improbidade.

 A lei visou alcançar apenas o


administrador desonesto, não o inábil.

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Características dos atos de
improbidade administrativa

 São características dos atos de


improbidade administrativa:
 a natureza civil e
 a necessidade de tipificação em
lei federal.

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Natureza civil dos atos de
improbidade administrativa

 A natureza civil dos atos de


improbidade administrativa decorre da
Constituição Federal (art. 37, § 4º),
consagrando a independência da
responsabilidade civil por ato de
improbidade administrativa e a
possível responsabilidade penal,
derivadas da mesma conduta.

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Responsabilidade civil e
penal
 Na lei de improbidade administrativa, a
responsabilidade civil independe da
responsabilidade penal.
 As sanções previstas para os atos de
improbidade administrativa são de
natureza civil, distintas daquelas de
natureza penal.
 Portanto, os atos de improbidade
administrativa deverão ser analisados na
esfera da ilicitude dos atos civis e não
dos tipos penais.
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Necessidade de tipificação em
lei federal

 A responsabilização dos agentes


públicos por improbidade
administrativa depende de prévia
previsão legal, que tipifique as
condutas ilícitas, sob pena de violação
aos princípios da reserva legal e
anterioridade.

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Irretroatividade da lei de
improbidade
 Os agentes públicos somente podem
ser responsabilizados pela prática de
atos de improbidade posteriores à Lei
n. 8.429/92, que é irretroativa.
 Isso não afasta a possibilidade de
responsabilização penal, uma vez que
os muitos atos de improbidade
previstos pela lei já eram tipificados
como crime antes da sua edição.

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Controle interno dos atos de
improbidade
 A Administração Pública dispõe de
formas de controle interno dos atos de
improbidade administrativa, exercendo
sobre eles constante fiscalização,
visando resguardar os princípios que
norteiam os atos administrativos em
geral.
 Nesse sentido, dispõe o art. 14 da Lei n.
8.429/92 que qualquer pessoa poderá
representar à autoridade administrativa
competente para que seja instaurada
investigação destinada a apurar a
prática de ato de improbidade.
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Controle legislativo dos atos de
improbidade

 O Poder Legislativo pode realizar o


controle político e financeiro da
Administração Pública, através das
Comissões Parlamentares de
Inquérito e dos Tribunais de Contas.

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Controle judicial dos atos de
improbidade

 Pode o Poder Judiciário, quando


provocado, exercer o controle dos
atos advindos da Administração
Pública, adequando-os aos interesses
sociais e aos princípios
administrativos, principalmente o da
moralidade.

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Sujeito ativo da improbidade
administrativa
 Segundo dispõem os arts. 1º, 2º e 3º da Lei de
Improbidade, sujeito ativo do ato de
improbidade administrativa é o agente público,
servidor ou não, que exerça, embora
transitoriamente, ou sem remuneração, seja por
eleição, nomeação, designação, contratação ou
por qualquer outra forma de investidura ou
vínculo, mandato, cargo, emprego ou função na
Administração direta ou indireta, em empresa
incorporada ao patrimônio público ou em
entidade para cuja criação ou custeio o erário
tenha concorrido ou concorra com mais de
cinquenta por cento do patrimônio ou da receita
anual.

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Sujeito ativo da improbidade
administrativa

 A lei equipara ao agente público, para


fins de responsabilização, todo aquele
que, mesmo não sendo agente
público, induza ou concorra para a
prática do ato de improbidade ou dele
se beneficie sob qualquer forma direta
ou indireta.

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Sujeito passivo da improbidade
administrativa

 Sujeito passivo mediato da


improbidade administrativa é o
Estado, uma vez que se protege o
patrimônio público e a administração
da coisa pública (bens, direitos,
recursos, com ou sem valor
econômico).

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Sujeito passivo da improbidade
administrativa
 O sujeito passivo imediato é a pessoa
jurídica efetivamente afetada pelo ato, desde
que incluída no rol do art. 1º da lei:
 a) órgãos da Administração direta;
 b) órgão da Administração indireta ou
fundacional;
 c) empresa ou entidade para cuja criação o
erário haja concorrido ou concorra com mais
de 50% do patrimônio ou da receita anual;
 d) empresa ou entidade que receba
subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou
creditício, de órgão público;
 e) empresa incorporada ao patrimônio
público.
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Atos de improbidade em
espécie
 No art. 9º da Lei de Improbidade
Administrativa estão tipificados os
atos de improbidade administrativa
que importam em enriquecimento
ilícito.
 São doze condutas (rol
exemplificativo) consistentes em
auferir qualquer tipo de vantagem
patrimonial indevida em razão do
exercício do cargo, mandato, função,
emprego ou atividade nas entidades
mencionadas no art. 1º da lei.
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Atos de improbidade em
espécie
 Para a caracterização desses atos
(art. 9º), há necessidade de dolo do
agente, obtenção de vantagem
patrimonial, vantagem ilícita e nexo
causal entre o exercício funcional e a
vantagem obtida.

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Atos de improbidade em
espécie
 No art. 10 da referida Lei estão
tipificados os atos que causam
prejuízo ao erário.
 São quinze condutas (rol
exemplificativo) consistentes em ação
ou omissão, dolosa ou culposa,
capazes de ensejar perda patrimonial,
desvio, apropriação, malbaratamento
ou dilapidação dos bens ou haveres
das entidades referidas no art. 1º da
lei.
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Atos de improbidade em
espécie
 Para a caracterização desses atos
(art. 10), há necessidade de dolo ou
culpa do agente, conduta ilícita,
prejuízo concreto aos cofres públicos
e nexo causal entre o exercício
funcional e o prejuízo concreto ao
erário público.
 Note-se que a lei não exige a
ocorrência de qualquer vantagem por
parte do agente que dolosa ou
culposamente gerar prejuízo concreto
ao erário público.
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Atos de improbidade em
espécie
 No art. 11, estão tipificados os atos
que atentam contra os princípios da
Administração Pública.
 São nove condutas (rol
exemplificativo) consistentes em ação
ou omissão que viole os deveres de
honestidade, imparcialidade,
legalidade e lealdade às instituições.

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Atos de improbidade em
espécie
 Para a caracterização desses atos, há
necessidade de conduta dolosa do
agente, violação dos deveres de
honestidade, imparcialidade,
legalidade e lealdade e nexo causal
entre o exercício funcional e o
desrespeito aos princípios da
Administração.

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Atos de improbidade em
espécie
 Note-se que, para a caracterização
dos atos de improbidade do art. 11
não há necessidade de
enriquecimento ilícito por parte do
agente, uma vez que o intuito da lei foi
criar um tipo subsidiário para a
responsabilização do agente cuja
conduta ilícita apenas afronta aos
princípios da Administração Pública,
ainda que não haja o enriquecimento
ilícito.
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Sanções por ato de improbidade
administrativa
 A Constituição Federal, no art. 37, §
4º, estabeleceu as seguintes sanções,
de natureza civil, aos atos de
improbidade administrativa,
independentemente da sanção penal
cabível:
 a) suspensão dos direitos políticos (art. 15,
V);
 b) perda da função pública;
 c) indisponibilidade dos bens; e
 d) ressarcimento ao- 15431505866
Cristina Baida Boaventura erário. 34
Forma e gradação das
sanções
 A Lei n. 8.429/92 estabeleceu a forma
e gradação das sanções civis fixadas
constitucionalmente aos atos de
improbidade administrativa.
 No art. 5º, estabeleceu a lei o integral
ressarcimento do dano causado ao
patrimônio público, pelo agente
público ou terceiro (também seus
sucessores até o limite do valor da
herança).
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Forma e gradação das
sanções
 No art. 6º estabeleceu a lei que, no
caso de enriquecimento ilícito,
perderá o agente público ou terceiro
beneficiário (também seus sucessores
até o limite do valor da herança) os
bens ou valores acrescidos ao seu
patrimônio.

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Forma e gradação das
sanções
 Já no art. 12 a lei estabeleceu
detalhadamente as sanções
aplicáveis aos responsáveis pelo ato
de improbidade, devendo o juiz levar
em conta, na fixação delas, a
extensão do dano causado e o
proveito patrimonial obtido pelo
agente.
 Essas sanções podem ser aplicadas
isolada ou cumulativamente, de
acordo com a gravidade do fato.
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Representação administrativa
 Qualquer pessoa do povo poderá
representar à autoridade administrativa
competente para que seja instaurada
investigação destinada a apurar a
prática de ato de improbidade (art. 14).
 Essa representação deverá ser escrita
(ou reduzida a termo) e assinada,
contendo a qualificação do
representante, as informações sobre o
fato e sua autoria e a indicação das
provas de que tenha conhecimento.
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Denunciação caluniosa
 Redação dada pela Lei nº 14.110, de 2020

 Art. 339. Dar causa à instauração de inquérito


policial, de procedimento investigatório criminal,
de processo judicial, de processo administrativo
disciplinar, de inquérito civil ou de ação de
improbidade administrativa contra alguém,
imputando-lhe crime, infração ético-disciplinar ou
ato ímprobo de que o sabe inocente:
 Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.
 § 1º - A pena é aumentada de sexta parte, se o
agente se serve de anonimato ou de nome
suposto.
 § 2º - A pena é diminuída de metade, se a
imputação é de prática de contravenção.
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Denunciação caluniosa

 https://emporiododireito.com.br/leitura/
o-novo-crime-de-denunciacao-
caluniosa#.YAlQYni3fOM.link

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Representação ao Ministério
Público
 Qualquer pessoa do povo poderá
também representar ao Ministério
Público informando a ocorrência de
ato de improbidade administrativa,
podendo o Parquet, além de instaurar
procedimento apuratório no seu
âmbito de atuação, requisitar a
instauração de inquérito policial ou
procedimento administrativo.

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Instauração de procedimento
administrativo
 Recebida a representação, a
autoridade administrativa determinará
a imediata apuração dos fatos.
 Nesse caso, a comissão processante
deverá dar conhecimento da
instauração de procedimento ao
Ministério Público e ao Tribunal de
Contas, que poderão designar
representante para acompanhá-lo.

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Atuação do Ministério Público

 Não sendo o Ministério Público o


autor da ação de improbidade
administrativa, nela intervirá
obrigatoriamente, sob pena de
nulidade, na qualidade de fiscal da lei
(custos legis).

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Ação de improbidade e foro
privilegiado
 Não há foro por prerrogativa de função
nos processos por atos de improbidade
administrativa.
 Ressalte-se que o Supremo Tribunal
Federal, nas ADIns 2.797-2 e 2.860-0
(DOU, 26-9-2005, e DJU, 19-12-2006),
por maioria, declarou a
inconstitucionalidade da Lei n.
10.628/2002, que acrescentou os §§ 1º e
2º ao art. 84 do Código de Processo
Penal.
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Destinação das verbas apuradas
na ação

 Segundo o disposto no art. 18 da lei


de improbidade, a sentença que julgar
procedente ação civil de reparação de
dano ou decretar a perda dos bens
havidos ilicitamente determinará o
pagamento ou a reversão dos bens,
conforme o caso, em favor da pessoa
jurídica prejudicada pelo ilícito.

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Prescrição

 No art. 37, § 5º, a Constituição


Federal relegou à lei a fixação dos
prazos prescricionais para os atos de
improbidade administrativa, o que foi
feito pela Lei n. 8.429/92, no art. 23.

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Prescrição
 Assim, as ações destinadas a levar a
efeito as sanções pela prática de ato de
improbidade administrativa podem ser
propostas:
 a) até cinco anos após o término do
exercício do mandato, de cargo em
comissão ou de função de confiança;
 b) dentro do prazo prescricional previsto
em lei específica para faltas disciplinares
puníveis com demissão a bem do
serviço público, nos casos de exercício
de cargo efetivo ou emprego.
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Imprescritibilidade

 A Constituição Federal, no art. 37, §


5º, reservou a imprescritibilidade
apenas às ações para obtenção de
ressarcimento por dano causado ao
erário.

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Abuso de Autoridade
Lei n. 13.869/19

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Nova Lei 13.869/19
 A Lei n. 13.869/19, sancionada pelo
Presidente da República no dia 05 de
setembro de 2019, alcunhada Nova
Lei de Abuso de Autoridade, revogou
expressamente a Lei nº 4.898/65, que
regulava o direito de representação e
o processo de responsabilidade
administrativa, civil e penal, contra as
autoridades que, no exercício de suas
funções, cometessem abusos.

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Vacatio Legis

 A nova lei de abuso de


autoridade teve 19 vetos e
ainda previu um período de
“vacatio legis” de 120 dias.

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Abuso de autoridade
 De acordo com o disposto no art. 1º,
“caput”, a lei define os crimes de
abuso de autoridade, cometidos por
agente público, servidor ou não,
que, no exercício de suas funções
ou a pretexto de exercê-las, abuse
do poder que lhe tenha sido
atribuído.

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Abuso de autoridade
 O abuso de autoridade se caracteriza
como a conduta praticada por agente
público, servidor ou não, que,
ultrapassando os limites do poder que
lhe tenha sido atribuído por lei, atenta
contra os direitos e garantias
fundamentais do cidadão, em regra
praticando excessos e/ou
arbitrariedades, violando o normal
funcionamento da Administração e
desrespeitando os princípios
constitucionais da legalidade, da
impessoalidade, da moralidade, da
publicidade e da eficiência. 53
Cristina Baida Boaventura - 15431505866
Objetividade jurídica
 Com relação ao bem jurídico tutelado,
os tipos penais previstos pela lei são
pluriofensivos, ou seja, visam proteger
não apenas a normalidade e a
regularidade dos serviços públicos,
como também direitos e garantias
individuais, tais como liberdade de
locomoção, liberdade individual,
integridade física, inviolabilidade de
domicílio etc, a depender do crime.
Cristina Baida Boaventura - 15431505866 54
Elemento subjetivo
 O elemento subjetivo presente em
todos os tipos penais da lei de abuso
de autoridade é o dolo, não sendo
prevista nenhuma modalidade delitiva
culposa.
 Agindo com culpa o agente público,
deixando de observar o cuidado
objetivo necessário em sua atuação
funcional, poderá ser responsabilizado
na esfera administrativa e/ou na
esfera cível.
Cristina Baida Boaventura - 15431505866 55
Elemento subjetivo
 Entretanto, além do dolo direto, a lei
estabeleceu, ainda, a necessidade de
um especial fim de agir para a
configuração dos crimes nela previstos,
devendo o agente público praticar as
condutas típicas com a finalidade
específica de prejudicar outrem ou
beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou,
ainda, por mero capricho ou satisfação
pessoal.
 São crimes de tendência intensificada,
crimes de intenção ou crimes de
tendência interna transcendente.
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Elemento subjetivo
 Ausente o elemento subjetivo específico
(especial fim de agir) do agente,
descaracterizado estará o crime de abuso de
autoridade.
 Esse elemento subjetivo específico (dolo
específico), portanto, deverá constar
expressamente da inicial acusatória
(denúncia ou queixa subsidiária), sob pena
de inépcia (art. 395, I, CPP).
 Assim as finalidades específicas previstas na
lei, alternativamente, são as seguintes:
prejudicar outrem; beneficiar a si mesmo;
beneficiar terceiro; por mero capricho;
satisfação pessoal.
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Elemento subjetivo
 Esse elemento subjetivo especial que
anima a vontade do agente e que deve
permear todas as condutas criminosas é
rotulado como animus abutendi.
 A exigência de um dolo e de mais um
requisito subjetivo que o transcende
dificulta a incidência dos tipos penais da
Lei de Abuso de Autoridade.
 Vale ressaltar que, em razão da
necessidade do elemento subjetivo
especial, não se admite o dolo eventual
nos crimes de abuso de autoridade
previstos na Lei n. 13.869/19.
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Sujeito ativo

 Os crimes previstos na Lei nº 13.


869/19 são considerados próprios,
ou seja, somente podem ser
praticados por uma determinada
categoria de pessoas com a qualidade
exigida pelo tipo penal: os agentes
públicos.

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Sujeito ativo
 Nesse aspecto, estabelece o art. 2º
que é considerado sujeito ativo do
crime de abuso de autoridade
qualquer agente público, servidor ou
não, da administração direta, indireta
ou fundacional de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal, dos Municípios e de
Território, compreendendo, mas não
se limitando a
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Sujeito ativo
 I - servidores públicos e militares ou
pessoas a eles equiparadas;
 II - membros do Poder Legislativo;
 III - membros do Poder Executivo;
 IV - membros do Poder Judiciário;
 V - membros do Ministério Público;
 VI - membros dos tribunais ou
conselhos de contas.
 Obs.: trata-se de um rol meramente
exemplificativo.

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Sujeito ativo
 O parágrafo único do art. 2º esclarece
que “reputa-se agente público, para
os efeitos desta Lei, todo aquele que
exerce, ainda que transitoriamente ou
sem remuneração, por eleição,
nomeação, designação, contratação
ou qualquer outra forma de
investidura ou vínculo, mandato,
cargo, emprego ou função em órgão
ou entidade abrangidos pelo ‘caput’
deste artigo.”
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Sujeito ativo
 O particular (extraneus) que, de
qualquer modo, concorrer para o crime
de abuso de autoridade, ciente da
qualidade de agente público de seu
coautor ou partícipe, também
responderá pelo crime funcional, nos
termos do disposto no art. 30 do Código
Penal.
 Nesse caso, a qualidade de agente
público (intraneus) é elementar dos
crimes de abuso de autoridade,
comunicando-se ao particular
(extraneus) que para ele de qualquer
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Sujeito passivo

 Sujeito passivo dos crimes de abuso


de autoridade é a pessoa
eventualmente lesada pela conduta
do agente público.
 Secundariamente, é o Estado.

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Crime de hermenêutica
 Tratou a Lei de Abuso de Autoridade, no art.
1º, §2º, de ressalvar expressamente que
 “a divergência na interpretação da lei ou na
avaliação de fatos e provas não configura
abuso de autoridade”, vedando o que se
convencionou chamar de “crime de
hermenêutica”, expressão cunhada pelo
grande Rui Barbosa, na defesa que fez
perante o Supremo Tribunal Federal do juiz
municipal Alcides de Mendonça Lima, que,
no início da República, se recusou a cumprir
a Lei n. 10/1895, do estado do Rio Grande
do Sul, editada pelo governador Júlio de
Castilhos.
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Crime de hermenêutica
 O dispositivo estampado no art. 1º, §2º, da lei
surgiu da necessidade de salvaguardar a
autoridade, conferindo-lhe um mínimo de
segurança jurídica para decidir, exercendo a
atividade hermenêutica no caso concreto
sem o receio de sofrer represálias e
punições, ainda mais à vista de vários tipos
penais que exigem como elemento normativo
a infringência da lei, como ocorre no art. 9º
(“prazo razoável”, “manifestamente cabível”),
no art. 10 (“manifestamente descabida”), no
art. 20 (“sem justa causa”) etc.

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Crime de hermenêutica

 Trata-se de causa excludente da


tipicidade, eis que a divergência na
interpretação da lei ou na avaliação
dos fatos e provas exclui o dolo
caracterizador do crime de abuso de
autoridade.

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Ação Penal

 De acordo com o disposto no art. 3º


da Lei n. 13.869/19, “os crimes
previstos nesta Lei são de ação penal
pública incondicionada.”

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Ação Penal
 De maneira absolutamente desnecessária, a
lei estabeleceu no §1º que “será admitida
ação privada se a ação penal pública não for
intentada no prazo legal, cabendo ao
Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la
e oferecer denúncia substitutiva, intervir em
todos os termos do processo, fornecer
elementos de prova, interpor recurso e, a
todo tempo, no caso de negligência do
querelante, retomar a ação como parte
principal.”
 Acrescentou, ainda, no §2º que “a ação
privada subsidiária será exercida no prazo de
6 (seis) meses, contado da data em que se
esgotar o prazo para oferecimento da
denúncia.”
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A tríplice responsabilização do
agente

 Na nova lei, as sanções de natureza


civil e administrativa vieram trazidas
no Capítulo V, sendo certo que as
sanções penais são as constantes do
preceito secundário das normas
incriminadoras, todas consistentes em
pena privativa de liberdade de
detenção e multa.

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A tríplice responsabilização do
agente
 O art. 6º da nova lei dispõe
expressamente que “as penas
previstas nesta Lei serão aplicadas
independentemente das sanções de
natureza civil ou administrativa
cabíveis”, deixando clara a autonomia
de cada espécie de sanção e a
possibilidade de aplicação cumulativa
ao mesmo fato caracterizador do
abuso de autoridade.
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A tríplice responsabilização do
agente

 No art. 7º, a nova lei estabeleceu que


“as responsabilidades civil e
administrativa são independentes da
criminal, não se podendo mais
questionar sobre a existência ou a
autoria do fato quando essas
questões tenham sido decididas no
juízo criminal.”

Cristina Baida Boaventura - 15431505866 72


A tríplice responsabilização do
agente

 https://emporiododireito.com.br/leitura/
a-triplice-responsabilizacao-do-
agente-na-nova-lei-de-abuso-de-
autoridade#.YAlS_O3eFNg.link

Cristina Baida Boaventura - 15431505866 73


Penas restritivas de direitos
 “Art. 5º. As penas restritivas de direitos
substitutivas das privativas de liberdade
previstas nesta Lei são:
 I - prestação de serviços à comunidade ou a
entidades públicas;
 II - suspensão do exercício do cargo, da
função ou do mandato, pelo prazo de 1 (um)
a 6 (seis) meses, com a perda dos
vencimentos e das vantagens;
 III - (VETADO).
 Parágrafo único. As penas restritivas de
direitos podem ser aplicadas autônoma ou
cu-mulativamente.”

Cristina Baida Boaventura - 15431505866 74


Dispositivo vetado

 O vetado inciso III dispunha:


 “III - proibição de exercer funções de
natureza policial ou militar no
Município em que tiver sido praticado
o crime e naquele em que residir ou
trabalhar a vítima, pelo prazo de 1
(um) a 3 (três) anos.”

Cristina Baida Boaventura - 15431505866 75


Razões do veto
 A razão do veto foi a de que
 “A propositura legislativa, ao prever a
proibição apenas àqueles que exercem
atividades de natureza policial ou militar
no município da pratica do crime e na
residência ou trabalho da vítima, fere o
princípio constitucional da isonomia. Po-
dendo, inclusive, prejudicar as forças de
segurança de determinada localidade, a
exemplo do Distrito Federal, pela
proibição do exercício de natureza
policial ou militar.”
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Penas restritivas de direitos

 https://emporiododireito.com.br/leitura/
as-penas-restritivas-de-direitos-na-
nova-lei-de-abuso-de-
autoridade#.YAlTST0FSow.link

Cristina Baida Boaventura - 15431505866 77


Decretação ilegal de restrição de
liberdade
 Art. 9º Decretar medida de privação da
liberdade em manifesta desconformidade com as
hipóteses legais:
 Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
multa.
 Parágrafo único. Incorre na mesma pena a
autoridade judiciária que, dentro de prazo
razoável, deixar de:
 I - relaxar a prisão manifestamente ilegal;
 II - substituir a prisão preventiva por medida
cautelar diversa ou de conceder liberdade
provisória, quando manifestamente cabível;
 III - deferir liminar ou ordem de habeas corpus,
quando manifestamente cabível.

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Decretação descabida de
condução coercitiva

 Art. 10. Decretar a condução


coercitiva de testemunha ou
investigado manifestamente
descabida ou sem prévia intimação de
comparecimento ao juízo:

 Pena - detenção, de 1 (um) a 4


(quatro) anos, e multa.
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Omissão de comunicação de
prisão

 Art. 12. Deixar injustificadamente de


comunicar prisão em flagrante à
autoridade judiciária no prazo legal:

 Pena - detenção, de 6 (seis) meses a


2 (dois) anos, e multa.

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Omissão de comunicação de
prisão
 Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem:

 I - deixa de comunicar, imediatamente, a execução de prisão


temporária ou preventiva à autoridade judiciária que a
decretou;
 II - deixa de comunicar, imediatamente, a prisão de qualquer
pessoa e o local onde se encontra à sua família ou à pessoa
por ela indicada;
 III - deixa de entregar ao preso, no prazo de 24 (vinte e
quatro) horas, a nota de culpa, assinada pela autoridade,
com o motivo da prisão e os nomes do condutor e das
testemunhas;
 IV - prolonga a execução de pena privativa de liberdade, de
prisão temporária, de prisão preventiva, de medida de
segurança ou de internação, deixando, sem motivo justo e
excepcionalíssimo, de executar o alvará de soltura
imediatamente após recebido ou de promover a soltura do
preso quando esgotado o prazo judicial ou legal.

Cristina Baida Boaventura - 15431505866 81


Constrangimento ilegal a exibição do
corpo, vexame ou produção de prova
 Art. 13. Constranger o preso ou o detento,
mediante violência, grave ameaça ou redução de
sua capacidade de resistência, a:

 I - exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exibido


à curiosidade pública;
 II - submeter-se a situação vexatória ou a
constrangimento não autorizado em lei;
 III - produzir prova contra si mesmo ou contra
terceiro:
 Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
multa, sem prejuízo da pena cominada à violência.
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Constrangimento a depoimento
ou a prosseguimento de
interrogatório
 Art. 15. Constranger a depor, sob ameaça de prisão,
pessoa que, em razão de função, ministério, ofício ou
profissão, deva guardar segredo ou resguardar sigilo:
 Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

 Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem


prossegue com o interrogatório:

 I - de pessoa que tenha decidido exercer o direito ao


silêncio; ou
 II - de pessoa que tenha optado por ser assistida por
advogado ou defensor público, sem a presença de seu
patrono.

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Omissão de identificação a
preso
 Art. 16. Deixar de identificar-se ou
identificar-se falsamente ao preso por
ocasião de sua captura ou quando deva
fazê-lo durante sua detenção ou prisão:
 Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois)
anos, e multa.

 Parágrafo único. Incorre na mesma pena


quem, como responsável por interrogatório
em sede de procedimento investigatório de
infração penal, deixa de identificar-se ao
preso ou atribui a si mesmo falsa identidade,
cargo ou função.
Cristina Baida Boaventura - 15431505866 84
Interrogatório policial durante o
período de repouso noturno

 Art. 18. Submeter o preso a interrogatório


policial durante o período de repouso
noturno, salvo se capturado em flagrante
delito ou se ele, devidamente assistido,
consentir em prestar declarações:
 Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2
(dois) anos, e multa.

Cristina Baida Boaventura - 15431505866 85


Impedimento ou retardamento
de pleito de preso
 Art. 19. Impedir ou retardar, injustificadamente,
o envio de pleito de preso à autoridade judiciária
competente para a apreciação da legalidade de
sua prisão ou das circunstâncias de sua
custódia:
 Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
multa.

 Parágrafo único. Incorre na mesma pena o


magistrado que, ciente do impedimento ou da
demora, deixa de tomar as providências
tendentes a saná-lo ou, não sendo competente
para decidir sobre a prisão, deixa de enviar o
pedido à autoridade judiciária que o seja.
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Impedimento de entrevista pessoal
e reservada do preso com seu
advogado
 Art. 20. Impedir, sem justa causa, a entrevista pessoal
e reservada do preso com seu advogado:

 Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e


multa.

 Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem impede


o preso, o réu solto ou o investigado de entrevistar-se
pessoal e reservadamente com seu advogado ou
defensor, por prazo razoável, antes de audiência
judicial, e de sentar-se ao seu lado e com ele
comunicar-se durante a audiência, salvo no curso de
interrogatório ou no caso de audiência realizada por
videoconferência.

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Manutenção de presos de ambos os
sexos na mesma cela ou espaço de
confinamento
 Art. 21. Manter presos de ambos os sexos
na mesma cela ou espaço de confinamento:
 Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro)
anos, e multa.

 Parágrafo único. Incorre na mesma pena


quem mantém, na mesma cela, criança ou
adolescente na companhia de maior de idade
ou em ambiente inadequado, observado o
disposto na Lei nº 8.069, de 13 de julho de
1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).

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Violação de domicílio com abuso
de autoridade
 Art. 22. Invadir ou adentrar, clandestina
ou astuciosamente, ou à revelia da
vontade do ocupante, imóvel alheio ou
suas dependências, ou nele permanecer
nas mesmas condições, sem
determinação judicial ou fora das
condições estabelecidas em lei:

 Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro)


anos, e multa.

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Violação de domicílio com abuso
de autoridade
 § 1º Incorre na mesma pena, na forma prevista
no caput deste artigo, quem:

 I - coage alguém, mediante violência ou grave


ameaça, a franquear-lhe o acesso a imóvel ou
suas dependências;

 II - (VETADO);

 III - cumpre mandado de busca e apreensão


domiciliar após as 21h (vinte e uma horas) ou
antes das 5h (cinco horas).

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Violação de domicílio com abuso
de autoridade

 § 2º Não haverá crime se o ingresso


for para prestar socorro, ou quando
houver fundados indícios que
indiquem a necessidade do ingresso
em razão de situação de flagrante
delito ou de desastre.

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Fraude processual com abuso
de autoridade
 Art. 23. Inovar artificiosamente, no curso de diligência,
de investigação ou de processo, o estado de lugar, de
coisa ou de pessoa, com o fim de eximir-se de
responsabilidade ou de responsabilizar criminalmente
alguém ou agravar-lhe a responsabilidade:
 Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

 Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem pratica


a conduta com o intuito de:
 I - eximir-se de responsabilidade civil ou administrativa
por excesso praticado no curso de diligência;
 II - omitir dados ou informações ou divulgar dados ou
informações incompletos para desviar o curso da
investigação, da diligência ou do processo.

Cristina Baida Boaventura - 15431505866 92


Constrangimento ilegal de
funcionário ou empregado de
instituição hospitalar
 Art. 24. Constranger, sob violência ou
grave ameaça, funcionário ou
empregado de instituição hospitalar
pública ou privada a admitir para
tratamento pessoa cujo óbito já tenha
ocorrido, com o fim de alterar local ou
momento de crime, prejudicando sua
apuração:

 Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro)


anos, e multa, além da pena
correspondente à violência.
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Obtenção ou utilização de prova
ilícita
 Art. 25. Proceder à obtenção de prova, em
procedimento de investigação ou
fiscalização, por meio manifestamente ilícito:

 Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro)


anos, e multa.

 Parágrafo único. Incorre na mesma pena


quem faz uso de prova, em desfavor do
investigado ou fiscalizado, com prévio
conhecimento de sua ilicitude.

Cristina Baida Boaventura - 15431505866 94


Requisição ou instauração de
procedimento investigatório sem
indícios
 Art. 27. Requisitar instauração ou instaurar
procedimento investigatório de infração penal
ou administrativa, em desfavor de alguém, à
falta de qualquer indício da prática de crime,
de ilícito funcional ou de infração
administrativa:
 Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois)
anos, e multa.

 Parágrafo único. Não há crime quando se


tratar de sindicância ou investigação
preliminar sumária, devidamente justificada.

Cristina Baida Boaventura - 15431505866 95


Divulgação ilegal de gravação

 Art. 28. Divulgar gravação ou trecho


de gravação sem relação com a prova
que se pretenda produzir, expondo a
intimidade ou a vida privada ou
ferindo a honra ou a imagem do
investigado ou acusado:

 Pena - detenção, de 1 (um) a 4


(quatro) anos, e multa. 96
Cristina Baida Boaventura - 15431505866
Falsa informação sobre
procedimento

 Art. 29. Prestar informação falsa


sobre procedimento judicial, policial,
fiscal ou administrativo com o fim de
prejudicar interesse de investigado:

 Pena - detenção, de 6 (seis) meses a


2 (dois) anos, e multa.

Cristina Baida Boaventura - 15431505866 97


Deflagração indevida de
persecução penal, civil ou
administrativa
 Art. 30. Dar início ou proceder à
persecução penal, civil ou
administrativa sem justa causa
fundamentada ou contra quem sabe
inocente:

 Pena - detenção, de 1 (um) a 4


(quatro) anos, e multa.
Cristina Baida Boaventura - 15431505866 98
Procrastinação injustificada de
investigação, execução ou conclusão de
procedimento
 Art. 31. Estender injustificadamente a
investigação, procrastinando-a em prejuízo
do investigado ou fiscalizado:

 Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois)


anos, e multa.

 Parágrafo único. Incorre na mesma pena


quem, inexistindo prazo para execução ou
conclusão de procedimento, o estende de
forma imotivada, procrastinando-o em
prejuízo do investigado ou do fiscalizado.
Cristina Baida Boaventura - 15431505866 99
Negativa de acesso a autos de
procedimento investigatório
 Art. 32. Negar ao interessado, seu defensor
ou advogado acesso aos autos de
investigação preliminar, ao termo
circunstanciado, ao inquérito ou a qualquer
outro procedimento investigatório de infração
penal, civil ou administrativa, assim como
impedir a obtenção de cópias, ressalvado o
acesso a peças relativas a diligências em
curso, ou que indiquem a realização de
diligências futuras, cujo sigilo seja
imprescindível:

 Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois)


anos, e multa.
Cristina Baida Boaventura - 15431505866 100
Exigência de informação ou do cumprimento
de obrigação sem amparo legal

 Art. 33. Exigir informação ou cumprimento de


obrigação, inclusive o dever de fazer ou de
não fazer, sem expresso amparo legal:

 Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois)


anos, e multa.

 Parágrafo único. Incorre na mesma pena


quem se utiliza de cargo ou função pública ou
invoca a condição de agente público para se
eximir de obrigação legal ou para obter
vantagem ou privilégio indevido.

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Decretação excessiva de
indisponibilidade de ativos
 Art. 36. Decretar, em processo judicial,
a indisponibilidade de ativos financeiros
em quantia que extrapole
exacerbadamente o valor estimado para
a satisfação da dívida da parte e, ante a
demonstração, pela parte, da
excessividade da medida, deixar de
corrigi-la:

 Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro)


anos, e multa.
Cristina Baida Boaventura - 15431505866 102
Demora demasiada e
injustificada no exame de
processo
 Art. 37. Demorar demasiada e
injustificadamente no exame de
processo de que tenha requerido vista
em órgão colegiado, com o intuito de
procrastinar seu andamento ou
retardar o julgamento:

 Pena - detenção, de 6 (seis) meses a


2 (dois) anos, e multa. 103
Cristina Baida Boaventura - 15431505866
Antecipação de atribuição de
culpa por meio de comunicação

 Art. 38. Antecipar o responsável pelas


investigações, por meio de
comunicação, inclusive rede social,
atribuição de culpa, antes de
concluídas as apurações e
formalizada a acusação:

 Pena - detenção, de 6 (seis) meses a


2 (dois) anos, e multa. 104
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