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ELIANE MARIA CHERULLI CARVALHO

PLANEJAMENTO EDUCACIONAL

1ª Edição

Brasília/DF - 2020
Autores
Eliane Maria Cherulli Carvalho

Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e
Editoração
Sumário
Organização do Livro Didático........................................................................................................................................4

Introdução...............................................................................................................................................................................6

Capítulo 1
Planejamento: percepção de futuro.........................................................................................................................9

Capítulo 2
Epistemologia e história do planejamento: o que entender sobre isso: o antes, o depois e o
agora?.............................................................................................................................................................................. 34

Capítulo 3
O planejamento como instrumento de política pública da Educação...................................................... 51

Capítulo 4
Organização da Educação brasileira: caminhos e possibilidades.............................................................. 65

Capítulo 5
Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica................... 84

Capítulo 6
Planejar na educação, transformar o social.....................................................................................................119

Referências.........................................................................................................................................................................132
Organização do Livro Didático
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em capítulos, de forma didática, objetiva e
coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre outros
recursos editoriais que visam tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também,
fontes de consulta para aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares.

A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização do Livro Didático.

Atenção

Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a


síntese/conclusão do assunto abordado.

Cuidado

Importante para diferenciar ideias e/ou conceitos, assim como ressaltar para o
aluno noções que usualmente são objeto de dúvida ou entendimento equivocado.

Importante

Indicado para ressaltar trechos importantes do texto.

Observe a Lei

Conjunto de normas que dispõem sobre determinada matéria, ou seja, ela é origem,
a fonte primária sobre um determinado assunto.

Para refletir

Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa
e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio.
É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus
sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas
conclusões.

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Organização do Livro Didático

Provocação

Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor
conteudista.

Saiba mais

Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões


sobre o assunto abordado.

Sintetizando

Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o


entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.

Sugestão de estudo complementar

Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo,


discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.

Posicionamento do autor

Importante para diferenciar ideias e/ou conceitos, assim como ressaltar para o
aluno noções que usualmente são objeto de dúvida ou entendimento equivocado.

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Introdução
O ato de planejar significa desempenhar uma atividade engajada e intencional, num processo
contínuo de reflexão. As peculiaridades de prever ações e racionalizar os meios materiais e os
recursos humanos visam ao alcance de determinados objetivos de modo mais eficiente

A construção de um plano educacional requer o compartilhamento de ideias e de interações


entre os vários atores envolvidos, pressupondo uma ação comunicativa, devendo, por isso,
priorizar a participação eticamente correta entre todos.

Nesse processo, devido às suas particularidades, julgou-se cabível, por meio das reflexões
aqui propostas, a fundamentação teórica sobre planejamento, de forma objetiva, porém
abrangente e apropriada para uma compreensão crítica.

Dessa maneira, no compartilhamento de ideias estão alguns conceitos teóricos e reflexivos


sobre Planejamento, indicando contribuições para que você, sujeito do estudo e objeto
do conhecimento, seja priorizado numa maior interatividade, desenvolvendo, contínua e
qualitativamente, o seu protagonismo, estudando os seis capítulos assim organizados.

No capítulo 1 estão destacados alguns conceitos de Planejamento, também as concepções,


dimensões e níveis básicos para o processo educacional.

No capítulo 2 foram abordados o histórico e os pressupostos epistemológicos do


Planejamento, cuja perspectiva é a de enfatizar a compreensão de que o planejamento
é um ponto de partida, e, por se tratar especificamente do educacional, dá o significado
de aplicabilidade por meio de abordagem racional e cientificamente correta.

Posteriormente, nos capítulos 3, 4, 5 e 6, intencionou-se a apresentação de informações


sobre a relação do planejamento enquanto política pública da educação essencial na práxis
didático-pedagógica, como os Planos e Projetos Educacionais, visando, numa perspectiva
humana, à construção da identidade e valorização docente.

Válido destacar que este estudo não esgota as diversas possibilidades de complementação
de aprendizagens, compreendendo outras abordagens fornecidas na área de Educação
em Planejamento Educacional, por meio de diferentes leituras e recursos apontados
durante, ou ao final dos textos ou estações, bem como nas referências bibliográficas,
vídeos, artigos.

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Objetivos

» Compreender o planejamento como processo, percebendo que sua finalidade


junto à intersubjetividade do conhecimento humano colabora para situá-lo
como objeto de estudos científicos e reflexões filosóficas, das mais simples às
mais complexas.

» Reconhecer que o Planejamento da Educação prossegue para as redes e sistemas


de ensino, e que suas ramificações vão do Direito à Economia, da Filosofia à
Administração, da Didática à Política.

» Identificar os elementos necessários para a construção de um Planejamento


Educacional, desde as esferas macropolíticas de gestão (Governo Federal, estadual
e municipal) que orientam as políticas públicas, até o nível micro (local), que afetam
a vida dos sujeitos na comunidade educativa.

» Instrumentalizar gestores e docentes para a consecução de planejamentos


educacionais escolares.

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CAPÍTULO
PLANEJAMENTO: PERCEPÇÃO DE
FUTURO 1
Introdução

Nos últimos anos e em consequência da pluralidade de informações no mundo político,


social, econômico, cultural e outros espaços, a necessidade de planejar tem assumido
real importância para a lida com as situações surgidas nesse contexto, mais ainda com
a complexidade dessas situações. Daí a percepção de que nesse cenário não se pode
antecipar um planejamento como previsão de futuro a partir de ‘‘achismos’’, mas, sim,
de um planejamento para ações futuras bem elaborado e tendo como referência estudos
e informações teóricas consistentes e validadas por especialistas.

Desse modo, o importante é considerar dados e informações do histórico, análise de uma


situação atual e, assim, prever, determinar objetivos, analisar recursos, definir metas
e consequências com maiores chances de acerto. E isso só será possível por meio do
planejamento.

O planejamento precisa de um ponto de partida e, principalmente sendo o educacional,


significa aplicar à educação uma abordagem racional, reflexiva e científica dos problemas,
num processo de avaliação eficaz e contínuo.

No o capítulo 1, propomos que você leia atentamente a situação apresentada, , reflita e


explique por que o sucesso é possível quando se planeja algo, atentando, antes, para os
objetivos do capítulo.

Objetivos

» Refletir cientificamente sobre os contextos de educação, considerando, numa


abordagem racional e sistemática, as questões da educação, priorizando conceitos
por meio de critérios sobre a eficácia e a efetividade do sistema educacional
brasileiro, sob diferentes olhares.

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CAPÍTULO 1 • Planejamento: percepção de futuro

» Priorizar o processo de planejamento integral da educação, reconhecendo seus


fins essenciais que contribuem para a dignidade humana e seu desenvolvimento
social, econômico e cultural.

» Destacar a importância de ações eticamente corretas para subsidiar as questões


fundamentais do Planejamento Educacional, priorizando as necessidades a
serem alcançadas a curto, médio e longo prazo.

» Delinear como pressuposto básico a filosofia da educação brasileira, destacando


valores essenciais da pessoa, da escola e da sociedade.

Importância de compreender a ação de Planejar a


Educação

Para refletir

O sucesso na ação de planejar de acordo com Madalena Freire

Sonhar não é proibido

Eu sou um menino muito sonhador. Me chamo Luiz Fernando. Sonho dormindo ou acordado, pois sonhar não é
errado. Tem vezes que eu quero ser um pássaro, para voar e sentir o vento. Outras vezes quero ser um super-herói que
pudesse fazer o bem e matar meus inimigos, ou um gênio maluco, para criar vários monstros. Também posso ser um
aventureiro, igualzinho ao Indiana Jones, para procurar tesouros. Ser um pirata para comandar meu navio. Até um
Peter Pan, para ficar na Terra do nunca. Mas não penso só em fantasia. Penso também na vida real. O que eu quero
mesmo é ser um médico ou engenheiro eletrônico. Com dezessete anos quero começar afazer cursos para ser alguma
coisa na vida. Você não deve pensar: Eu não consigo, pois sonhar é fácil.

Figura 1. Madalena Freire.

Fonte: http://joseliamaria.com/wp-content/uploads/2018/07/madalena-freire-ressalta-a-garra-das-alunas-do-pro-
saber-30-8-2017-14-31-25-3519.png. Acesso 29 julho de 2019.

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Planejamento: percepção de futuro • CAPÍTULO 1

Provocação

Agora é com você!


Repense e transfira esse sonho para a realidade:

» O que é possível fazer por meio de querer fazer, organizar, sistematizar, para o alcance de um objetivo real de vida.

Conceitos: concepções, dimensões e suas especificidades


no ato de planejar

Pelas definições preliminares do tema em pauta importa tratar de planejamento educacional


e de suas terminologias, definindo, inicialmente, o que seja educação no mundo moderno.

De acordo com Santos (2016, p. 157), apresenta a seguinte definição:

diz respeito ao processo a partir do qual o ser humano se desenvolve,


consegue comunicar-se com outros, participa dos grupos sociais e culturais
que o cercam, mesmo que opte por isolar-se, e aprende a manusear os
signos e símbolos da cultura, dando-lhes significado e sentido no processo
de apreensão do mundo.

Desse modo e tratando-se de educação é válido retomar a questão, do:

» Para que planejamos algo?

Analisando-se o Planejamento Educacional como uma área do conhecimento alicerçada


na educação, no ensino, na escola, especialmente na sala de aula, espera-se entender que
o planejamento ajusta dados científicos e filosóficos, uma vez que, cada abordagem de
conhecimento que lhe é feita, possui artifícios de controle e averiguação experimental
e, ao mesmo tempo, subsídios reflexivos que, considerados na prática específica de
cada segmento e de suas condições reais, são abastecidos de criatividade e diversidade
relativos às suas especificidades.

Importante destacar que numa raridade de ações desenvolvidas em nossos meios sociais
e, essencialmente em nossas vidas, poucas são aquelas que independem de planejamento,
desde itens mais simples, às providências básicas a serem tomadas no que concerne às
decisões dentro das administrações nacionais com vistas futuras de operacionalizações
de decisões e ações políticas, econômicas sociais, que isoladas, e/ou conjuntamente,
atuem para o bem comum.

Planejar é uma etapa extremamente importante para todas as atividades desenvolvidas


pelo homem e isso tem assumido, devido à complexidade das informações com as

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CAPÍTULO 1 • Planejamento: percepção de futuro

quais se tem que trabalhar, relevância significativa na atualidade. Como planejamento


consideram-se hoje, diversas definições, que convergem para um ponto comum, ou
seja, a organização dos passos que serão dados para se chegar a determinado objetivo.

Mas, o que é Planejamento?

Há que se definir o planejamento como um método para o qual seja indicada uma
circunstância de futuro esperado. Para tanto, há necessidade de avaliar assiduamente o
contexto cuja pretensão seja de: o que quero fazer, como, quando, quanto, para quem,
por que, por quem, onde será feito e por quanto tempo?

Em Carnoy (2002, p. 17) depreende-se que:

o planejamento da educação assumiu uma nova envergadura: além


das formas institucionais da educação, ele incide presentemente sobre
todas as outras atividades educacionais importantes, desenvolvidas fora
da escola. O interesse dedicado à expansão e ao desenvolvimento dos
sistemas educacionais é completado e inclusive, substituído pela crescente
preocupação em aprimorar a qualidade de todo o processo educativo e
avaliar os resultados obtidos.

Nos dicionários Koogan/Houaiss (1999), planejamento é o ato ou efeito de planejar; plano


de trabalho pormenorizado; função ou serviço de preparação do trabalho. Já em Aurélio
(2014), o planejamento é o ato ou efeito de planejar. É o processo que leva ao estabelecimento
de um conjunto coordenado de ações, visando à consecução de determinados objetivos.
Planejar é elaborar um roteiro de ações para se atingir determinado fim. Realmente, ninguém
planeja alguma coisa para o nada, ou a partir do nada. Ninguém planeja alguma coisa se
não tiver objetivos simples e claros para serem atingidos.

Freire et al. (1997, p. 55) afirmam que “Planejamento é um processo ininterrupto,


processual, organizador da conquista prazerosa dos nossos desejos onde o esforço, a
perseverança, a disciplina, são armas de luta cotidiana para a mudança pedagógica”.

Haydt (2006, p. 94) afirma que

planejar é analisar dada realidade, refletindo sobre as condições existentes,


e prever as formas alternativas de ação para superar dificuldades ou
alcançar os objetivos desejados. Portanto, o planejamento é um processo
mental que envolve análise, reflexão e previsão. Nesse sentido, planejar
é uma atividade tipicamente humana.

Para Gandin (2001, p. 83):

[...] é impossível enumerar todos os tipos e níveis de planejamento


necessários à atividade humana. Sendo a pessoa humana condenada, por
sua racionalidade, a realizar algum tipo de planejamento, está sempre

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Planejamento: percepção de futuro • CAPÍTULO 1

ensaiando processos de transformar suas ideias em realidade. Embora


não o faça de maneira consciente e eficaz, a pessoa possui uma estrutura
básica que a leva a divisar o futuro, a analisar a realidade e a propor ações
e atitudes para transformá-la.

Para Libâneo (1994, p. 22), o planejamento tem grande importância por tratar-se de: “um
processo de racionalização, organização e coordenação da ação docente, articulando a
atividade escolar e a problemática do contexto social”.

Luckesi (2011, p. 19) afirma que:

podemos definir o planejamento como a aplicação sistemática do


conhecimento humano para prever e avaliar cursos de ação alternativos,
com vista à tomada de decisões adequadas e racionais, que sirvam de base
para a ação futura. Planejar é decidir antecipadamente o que deve ser feito,
ou seja, um plano é uma linha de ação pré-estabelecida.

Segundo Oliveira (2007, p. 21),

[...] o ato de planejar exige aspectos básicos a serem considerados. Um


primeiro aspecto é o conhecimento da realidade daquilo que se deseja
planejar, quais as principais necessidades que precisam ser trabalhadas;
para que o planejador as evidencie faz-se necessário fazer primeiro um
trabalho de sondagem da realidade daquilo que ele pretende planejar, para
assim, traçar finalidades, metas ou objetivos daquilo que está mais urgente
de se trabalhar.

Nessas reflexões, o termo planejamento, também, aponta para o ato ou efeito de


planejar, criar algo para se alcançar um objetivo, portanto, é uma ação com caráter
multidisciplinar individual ou coletiva que pode envolver diferentes áreas como o
econômico, financeiro, familiar, educacional, dentre outros e essencial na tomada
de decisões.

Comprovadamente, o sujeito que decide pelo planejamento como instrumento de


trabalho, demonstrando interesse em prever e organizar suas ações e processos que
acontecerão no futuro cresce em competência porque age com eficácia e racionalidade.

Por meio do estudo sobre Sistemas como proposto por Bertalanffy (2008), há indicação
de três níveis de planejamento, como o estratégico, o tático e operacional, abalizando
para reais melhorias no campo tecnológico do planejamento, revolucionando, assim, a
educação, a organização militar e a forma de abordagem para as dificuldades ecológicas.

Sobre esses planejamentos entendeu-se que o planejamento econômico surgiu no


ocidente depois da Segunda Guerra Mundial, buscando determinar objetivos e meios
dentro de uma empresa, indicando estratégias que beneficiem essa mesma instituição.

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CAPÍTULO 1 • Planejamento: percepção de futuro

O conceito de planejamento financeiro, indicado por meio de um orçamento mensal ou


poupança com o objetivo de compra são tarefas desse tipo de planejamento.

Na atualidade, o planejamento estratégico é elemento crucial para o sucesso de uma


instituição, pois facilita, sobremaneira, a gestão dela. Pensar estrategicamente é primordial
para o empreendedorismo porque ajuda na determinação de objetivos e suas estratégias
para o alcance desses mesmos objetivos; significa prever a utilização dos recursos
disponíveis de forma eficaz, com vistas à melhoria da qualidade e da produtividade do
indivíduo e, consequentemente, da empresa.

Já existem indicativos positivos quanto à eficácia, inclusive do planejamento estratégico


pessoal, que é o ato de pensar a vida pessoal de forma estratégica, identificando a sua
missão e valores, conjuntamente às metas e objetivos pessoais para o que se pretende
alcançar.

Figura 2. Constituição Federal brasileira.

Fonte: http://www.ebc.com.br/infantil/verde-amarelo/2013/10/5-de-outubro-aniversario-da-constituicao-federal. Acesso


em: 29 junho de 2019.

Nesse contexto de estudos, é importante destacar que o planejamento familiar está


garantido pela Constituição Federal do Brasil (CF/1988), e é representado pelo conjunto
de medidas que auxiliam as pessoas a planejarem a gestão do tamanho de sua família,
ou seja, se querem mais filhos ou não.

Observe a lei

A título de conhecimento
O princípio do planejamento familiar foi consagrado tanto em sede legal (art. 1.565, § 2o, do CC de 2002), quanto
constitucional (art. 226, § 7o, da CF/1988), senão vejamos:

O planejamento familiar é de livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar


recursos educacionais e financeiros para o exercício desse direito, vedado qualquer
tipo de coerção por parte de instituições privadas ou públicas (CC, art. 1.565, § 2o).

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Planejamento: percepção de futuro • CAPÍTULO 1

Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade


responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao
Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito,
vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas (CF,
art. 226, § 7o).

O referido princípio encontra-se regulamentado na Lei no 9.263/1996, que assegura a todo cidadão, não só ao casal,
o planejamento familiar de maneira livre, não podendo nem o Estado, nem a sociedade ou quem quer que seja,
estabelecer limites ou condições para o seu exercício dentro do âmbito da autonomia privada do indivíduo.

A Lei no 9.263/1996, em seu art. 2o, considera como planejamento familiar o conjunto de ações de regulação de
fecundidade que garante direitos iguais de constituição, limitação ou aumento da prole pela mulher, pelo homem e
pelo casal. Trata-se de uma legislação mais voltada à implementação de políticas públicas de controle de natalidade e
da promoção de ações governamentais dotadas de natureza promocional, que garantam a todos o acesso igualitário
às informações, meios, métodos e técnicas disponíveis para a regulação da fecundidade.

O planejamento deve ser percebido como um método de equilíbrio entre os


elementos de funcionamento de empresas, instituições, setores de trabalho,
organizações grupais e outras atividades humanas. A ação de planejar
é consecutivamente um processo de reflexão para tomada de decisão
sobre a ação. É um método de antevisão do uso de meios (materiais) e
recursos (humanos) disponíveis, visando à realização de escopos, em tempos
determinados e fases definidas, considerando os efeitos das avaliações
(PADILHA, 2001, p. 30).

Quanto ao Planejamento Educacional, esse é um processo sistêmico com abrangência


maior, pois trata das questões políticas e filosóficas do ato de ensinar em determinada
sociedade e deve acontecer em nível nacional, estadual ou local. Para exemplificar
pensemos no Brasil que, previsto em lei, oferece a Educação Básica em suas etapas de
Ensino Fundamental (segmentos I e II) e o Ensino Médio.

No quadro a seguir organizado por Padilha (2001), pode-se perceber melhor, a definição
do que caracteriza o Planejamento Educacional.

Quadro 1. Características do planejamento educacional.

Categorias Tipos Características


1. Global / de conjunto Para todo o sistema
2. Por setores Graus do sistema escolar
Níveis
3. Regional Por divisões geográficas
4. Local Por escola
1. Técnico Por utilizar metodologia de análise/previsão/programação
2. Político Por permitir tomada de decisão
3. Administrativo Por coordenar atividades administrativas
Categorias
4. Sistêm. estratégico Visão total do sistema educacional. (recursos e oportunidades)
Abrange todos projetos/subordinados ao Planejamento
5. Tático
Estratégico

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CAPÍTULO 1 • Planejamento: percepção de futuro

Categorias Tipos Características


1. Curto prazo Um a dois anos
Quanto ao prazo 2. Médio prazo Dois a cinco anos
3. Longo prazo Cinco a quinze anos
1. Demanda Base nas demandas individuais de educação
Enquanto
2. Mão de obra Base nas necessidades de mercado
método
3. Custo e benefício Base nos recursos disponíveis

Criado pela autora com base em: “Quadro-síntese” (Fonte: PADILHA, 2003, p. 57).

[...]

planejar é um processo que visa responder a uma questão, estabelecendo


fins e meios que apontem para sua solução e superação, ou seja, atingir
objetivos propostos anteriormente que levem em conta a historicidade e a
prospecção futura. Deste modo, organizar e planejar as atividades no âmbito
escolar e educacional significa compreender as relações institucionais,
interpessoais e profissionais que ocorrem na escola, ampliando e avaliando
a participação dos diferentes segmentos.
(PADILHA, 2003, p. 58).

No que tange ao Planejamento Escolar (o que será detalhado em outro capítulo), fica
entendido ser a ferramenta utilizada pelo professor para auxiliar melhor o seu desempenho
didático-pedagógico, visando à melhoria contínua da aprendizagem dos alunos. Por
meio desse planejamento, o docente prevê atividades, ou seja, os procedimentos a serem
propostos, determinando objetivos pretendidos para cada atividade. Nesta área são
consideradas três modalidades de planejamento, quais sejam: plano da escola, plano de
ensino, plano de aula.

A importância da participação como elemento-chave no


planejamento da educação

Nessas premissas importa a relevância que deve ser atribuída à participação ativa da
sociedade no âmbito do planejamento educacional, como processo sistêmico que é, seja
em nível nacional, estadual ou municipal. Melhor seria se todos compreendessem essa
necessidade, certamente os resultados seriam bem mais promissores.

Nessa linha de reflexão pode-se destacar o pensamento de Lück (2009) quando afirma
que são termos intrínsecos a democracia e a participação, pois um remete ao outro.
Infelizmente, apesar de a democracia ser impossível sem participação social, pode haver
participação alheia ao comportamento democrático.

16
Planejamento: percepção de futuro • CAPÍTULO 1

Demo (1999) também manifesta seu pensamento ao relacionar aspectos democráticos e


participativos, mas antecipa que a participação se não deveria ser treinamento democrático.
Com relação a isso, esse autor aponta que:

[...] através dela aprendemos a eleger, a deseleger, a estabelecer rodízio de


poder, a exigir prestação de contas, a desburocratizar, a forçar os mandantes
a servirem à comunidade, e assim por diante. Sobretudo, aprendemos
que é tarefa de extrema criatividade formar autênticos representantes da
comunidade e mantê-los como tais (BOBBIO apud DEMO, 1999, p. 71).

Tal importância ocorre pelo fato de se considerar a participação como um processo ativo
e cooperativo entre os pares, caracterizado pela partilha e presença nas ações do dia a
dia nos processos de gestão da educação, objetivando a superação dos desafios e demais
impedimentos, assim como da realização de seu papel e do desenvolvimento de sua
identidade.

Ainda de acordo com Demo (1999, p. 18), a participação não deve ser entendida como
presente ou uma concessão de alguma coisa preexistente, mas, entendida como uma
conquista de superação de atitudes e modismos individuais que tem como meta impulsionar
as tarefas em grupo.

Dizemos que participação é conquista para significar que é um processo,


no sentido legítimo do termo: infindável, em constante vir-a-ser, sempre
se fazendo. Assim, participação é em sua essência autopromoção e existe
enquanto conquista processual. Não existe participação suficiente, nem
acabada. Participação que se imagina completa, nisto mesmo começa a
regredir.

Nesse entendimento há que se concordar com vários autores consultados, o fato de


recaírem nos aspectos social e cultural as principais ênfases do planejamento participativo.
Os conceitos que o sustentam foram criados por cientistas sociais, contestadores do
pensamento científico tradicional, racionalista e positivista, cujo principal foco da
participação é a procura e o encontro de significados.

O significado não representa o que o planejador tem em mente, mas o sentido que os sujeitos
conferem às próprias percepções, vivências e conhecimentos relacionados aos fatos e dados
que o rodeiam.

Saiba mais

A sistematização como linha de ação para a elaboração de um plano de educação


Sabe-se que para a elaboração de uma política pública educacional necessita-se da participação da comunidade
escolar para que esta política seja eficaz e denote a qualidade da educação que se visa. Assim, a elaboração de um
plano de educação requer atenção especial no seu processo de construção para que a participação popular não
seja uma participação camuflada, em que os atores sociais participam apenas de corpo presente, sem emitir suas
opiniões.

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CAPÍTULO 1 • Planejamento: percepção de futuro

Como investigação no processo de elaboração de um plano de educação, propomos alguns elementos da


metodologia da sistematização. Esta metodologia se caracteriza por permitir as falas dos sujeitos envolvidos no
processo de planejamento. Trata-se de uma linha de ação que oportuniza a expressão de experiências de vida que
levam a práticas reflexivas que se transformam em ensejo de vida, de novas aprendizagens e de crescimento pessoal e
coletivo.

São práticas apoiadas na liberdade como um valor que instiga a criação e o planejamento por meio do pensar sobre
o passado, o presente e, principalmente, sobre o futuro. As falas são instigadas na perspectiva que interessa aos
intelectuais orgânicos, conceito criado pelo italiano Antonio Gramsci e entendido como o indivíduo intelectual que
se mantém ligado a sua classe social originária, atuando como seu porta-voz; assim também os demais participantes
e à medida que proporcionam algumas respostas e novas perguntas a questões e aspectos envolvidos no processo de
planejamento.

Figura 3. Intelectuais orgânicos.

Fonte: https://passapalavra.info/2012/02/53056/.

Assim, a metodologia produz um conhecimento que resulta do entrelace das perspectivas dos intelectuais orgânicos
e da população. A sistematização é uma proposta metodológica aberta e flexível que rompe com a rigidez formal,
produzindo novo conhecimento pela união do conhecimento do intelectual orgânico e do cidadão comum
pertencente ao local, levando em conta a diversidade dos atores sociais envolvidos com a prática transformada em
objeto de investigação.

Nesse contexto, a sistematização é utilizada para desenvolver as práticas democráticas e participativas construídas
juntamente com o povo, tendo como desafio principal orientar e propor caminhos e ações. Enfim, trata-se de uma
metodologia que busca resgatar a participação ativa da população. Mesmo que a sistematização se constitua como
um processo global, em que o todo deve ser analisado conjuntamente com as partes, ainda pressupõe um processo
no qual fazem parte diferentes momentos reflexivos acerca dos desafios postos, tais como a elaboração de projetos,
a aproximação dos sujeitos envolvidos, a discussão da viabilidade da sistematização, o acesso aos dados (registros e
informações), a construção de narrativas, a reflexão e a teorização, a reconstrução e a elaboração de produtos para a
comunicação (FALKEMBACH, 1997).

Nesse entendimento, fazem parte da sistematização momentos de práticas distintas, entretanto, isto não significa
que a sistematização necessita ser trabalhada a partir de cada momento diferente, uma vez que eles não são
estanques, mas se entrecruzam. Não significa que cada momento tenha que ser trabalhado em um espaço e tempo
diferente; não se trata de separar a reflexão da ação, até mesmo porque a sistematização é um ir e vir em cada
momento integrante do processo. A metodologia da sistematização, como possível, subsidiará a elaboração de um
plano de educação e pressupõe a construção do conhecimento a partir de práticas sociais já vividas, concretas,
fazendo dos sujeitos sociais os próprios protagonistas da construção da política pública.

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Planejamento: percepção de futuro • CAPÍTULO 1

Segundo Falkembach (1997), a partir dos espaços ocupados e dos tempos vivenciados, a sistematização possibilita a
transformação das práticas sociais em objeto de reflexão e de produção de conhecimentos e aprendizagens, sendo
esta ótimo processo educativo capaz de possibilitar uma participação de alta intensidade, já que o ser humano
tende a assumir compromisso apenas com o que ajudou a criar. De acordo com as metodologias participativas, a
elaboração de um plano educacional deverá estar baseada no pressuposto de que todos os cidadãos, independente
de nível intelectual, classe econômica, cor, credo ou etnia, têm o direito de participar, sendo que as organizações
comunitárias não detêm, pelo menos no que diz respeito aos planos educacionais, status ou prerrogativas especiais.

Além disso, a participação deverá ser orientada por uma prerrogativa de regras de democracia direta e representativa.
Postas as metodologias participativas como linha de ação fundamental para a elaboração de um plano de educação,
apresentaremos, a seguir, alguns tópicos que acreditamos serem fundamentais dentro dessa metodologia, visando
garantir a efetiva participação popular na elaboração da política pública.

(Fonte: http://bibliodigital.unijui.edu.br:8080/xmlui/bitstream/handle/123456789/319/Eveline%20Pasqualin%20
Souza.pdf?sequence=1, p. 63).

Prosseguindo com esse assunto, outro fator significativo que diz respeito à participação no
planejamento é a obrigação de compreender a necessidade desse planejamento.

Para refletir

O conceito de Planejamento que estamos construindo traz consigo a exigência da Participação. Concebemos o
planejar como uma oportunidade de repensar todo o fazer da escola, como um instrumento de formação dos
educadores e educandos, bem como de humanização, de desalienação e de libertação. Colocamos como pano de
fundo de todo o processo de planejamento, o desafio da transformação, ou seja, de conseguirmos de fato criar algo,
ousar, avançar, dar um salto qualitativo. O fato de se buscar o planejamento participativo tem a ver com opções de
ordem e de pragmática. A participação é um valor, uma necessidade humana (o homem se torna homem pela sua
inserção ativa no mundo da cultura, das relações etc.). É uma questão de respeito pelo outro, de reconhecimento de
sua condição de cidadão, de sujeito do sentir, pensar, fazer, poder.

Além disso, a participação no planejamento tem a ver com uma questão muito prática: o desejo de que as coisas
planejadas realmente aconteçam. O que muito desgastou o planejamento, como sabemos, foi o fato de se planejar e
depois não acontecer. A atividade educacional é complexa e envolve um rol de determinantes articulados.

A participação, portanto, é um elemento estratégico, é uma forma de diminuir, pela negociação, pela busca de
consenso ou de hegemonia, as resistências dos próprios agentes internos à instituição. Para os educadores de
diferentes realidades, de modo geral, os maiores problemas da escola apontados são da ordem de política interna e
não tanto de proposta pedagógica: pessoas que não querem, não aceitam, não abrem mão, não deixam, controlam,
não mudam. Por isso, quanto maior o nível de participação, maiores as chances de vermos o planejamento realizado.
(VASCONCELLOS, 2009, p. 51).

Quanto a isso, a melhoria da qualidade da educação, como ressalta Lück (2009), indica a priorização para
descentralizar, democratizando as gestões, inclusive, a educacional e, para tanto, a participação tornou-se conceito
central, de desempenho consciente de um grupo que reconhece seu poder influenciador nas dinâmicas culturais,
partindo de competência e vontade para compreender, decidir e agir conjuntamente.

19
CAPÍTULO 1 • Planejamento: percepção de futuro

Figura 4. Planejamento Participativo.

Fonte: https://blogdaqualidade.com.br/app/uploads/2013/06/Planejamento-necessidades-blog-da-qualidade.jpg. Acesso


em: 3/3/2020.

Portanto, sob essa ótica entende-se que o planejamento participativo oportunize que:

Fonte: Vasconcellos (2009).

Além disso, é recomendado que a participação ocorra em todas as etapas, quais sejam:
discussão, decisão, colocação em prática, avaliação e resultados do trabalho organizado.

Dessa forma, se o planejamento é processo de tomada de decisões e de comunicação sobre


metas a serem alcançadas no futuro, abalizando para a transformação controlada da realidade,
o planejamento, quando participativo, busca, numa perspectiva múltipla, agregar os diversos
atores envolvidos, para agirem de acordo com as decisões tomadas e, para tal, a presença

20
Planejamento: percepção de futuro • CAPÍTULO 1

de um coordenador torna-se necessária para que exerça liderança, articulando diferentes


interesses e competências dos sujeitos, facilitando o processo na formação dos diferentes
níveis de participação.

A partir dessas considerações é necessário perceber que o planejamento participativo deve


ser opção e instrumento utilizado para que a sociedade atue, sistematicamente, na realidade
por meio de processos avaliativos, uma vez que eles miram o futuro contextualizado e
da realidade social e educacional. Para tanto, deve ser global, coeso, contínuo, flexível e
interdisciplinar.

Nesse espaço, cuja proposta é refletir sobre Planejamento, vale ressaltar a influência dos
estudiosos Taylor e Fayol que tanto se destacaram no estudo da Administração. Dentre seus
constructos teóricos, Taylor e seus seguidores descrevem os Princípios da Administração
Científica, maximizando que a gerência adquire outras contribuições e responsabilidades
quando descrita por esses princípios e métodos, sendo o do Planejamento o primeiro
deles, afirmando que essa ação deveria substituir no trabalho, o critério individual do
funcionário, bem como a improvisação e atuação empírico/prática, por artifícios baseados
em fórmulas científicas, essencialmente substituindo a improvisação pela ciência, por
meio do planejamento das ações e o controle do processo de trabalho.

Com o ideal um tanto revolucionário da administração bem delineada por objetivos, é que
nasce o planejamento estratégico compreendido como processo de especificação, definida
de objetivos das instituições e das decisões, ações e programas que fazem a empresa. Ao final
da década de 1960, essa linha de pensamento foi percebida na prática administrativa como
de Fayol, alertando os administradores para atuações voltadas à estratégia organizacional
relacionada à tomada de decisão, aprovando, então, o planejamento organizacional ou
empresarial que reforça a elaboração do planejamento estratégico.

Segundo Kwasnicka (2003, p. 158),

O planejamento estratégico é um processo contínuo que compreende quatro


preocupações: horizonte tempo maior (longo prazo); amplitude ou abrangência
(administração de cúpula); especificação de metas e objetivos e meios para
alcançá-los; e relacionamento da organização como ambiente externo.

Importante lembrar que foi no mundo do trabalho, ou seja, no contexto das proposições
administrativas das companhias, que as teorias foram sendo organizadas, constituindo as
chamadas escolas de administração e que, atualmente, adorna o espaço da administração
escolar. Neste sentido, diversos teóricos do assunto entenderam que esses princípios
deveriam ser justapostos em qualquer campo social ou produtivo, incluindo a gestão
escolar da educação e da escola.

21
CAPÍTULO 1 • Planejamento: percepção de futuro

Saiba mais

Planejamento da Gestão Escolar


Dessa forma, o Plano de Gestão escolar abarca todos os fazeres da escola, bem como as ações que serão atingidas,
que devem incluir, entre outros itens, a ficha de cadastro da escola, conjunto de alunos, resumo do rendimento
escolar do ano antecedente, discernimentos usados para a aglomeração dos alunos, determinações a serem aceitas
pela escola, período de férias do setor administrativo, calendário escolar, horário de aulas, plano de aplicação das
soluções financeiras, entre outros.

Bem mais do que uma inovação da versão do Plano de Escola, o Plano de Gestão é um documento que individualiza
a dinâmica na medida em que se deve desempenhar o acompanhamento de todos os fatos escolares ao longo de
quatro anos, apontando a operacionalização do Projeto Pedagógico e do Plano de Ensino conjugado. São planejados
os desígnios e os conteúdos, visando à intenção dos alunos do ciclo propriamente dito.

Sendo, assim, um dispositivo de ciclos que embarga a ideia de que todos os alunos aprenderão sem a aceleração do
conteúdo, poupando o ritmo de cada aluno presente.

O mais admirável componente do Plano de Gestão é a operacionalização e acompanhamento das metas e objetivos
do Projeto Pedagógico e do Plano de Ensino, dirigindo a qualidade do ensino que será dada aos alunos. O Plano de
Gestão deve, então, ponderar os objetivos e metas pedagógicos de, no mínimo, um semestre. Se o Plano se acomoda à
escola, este poderá ser efetivado, sendo, assim, a sua real efetivação ao final dos quatro anos.

É importante a reunião de todos os envolvidos, periodicamente, para o julgamento do Plano de Gestão, para que seja
demarcado se houve o empenho de gerenciar. Desse jeito, é possível tornar o plano um documento autêntico e de
utilidade na metodologia pedagógica.

Todo o Plano de Gestão Escolar submerge os aspectos administrativos e pedagógicos, de maneira operacional,
gerenciando os Planos Pedagógicos. Sendo assim, o Plano de Gestão começa a ser um documento que avaliará de
tempos em tempos as metas e os objetivos e admitirá o controle do Plano de Ensino, ao longo de quatro anos. A
maior importância e garantia do Plano de Gestão Escolar é de desempenhar um bom funcionamento do Projeto
Pedagógico e do Plano de Ensino.

Diante disso, o planejamento não deve ser tomado apenas como mais um procedimento
administrativo e burocrático advindo de cobrança superior ou de outra instituição externa,
mas ser entendido como a edificação de procedimentos e união dos vários atores, segmentos
e setores da empresa ou instituição.

“Às vezes, há uma tentação enorme de ficar gastando tempo com problemas menores,
quase sempre da esfera administrativa ou burocrática. Justamente por isso é tão importante
planejar o planejamento.” (VASCONCELLOS, 2002, 86).

Alguns elementos como a não participação, o idealismo e as correntes do pensamento como


a metafísica e a dialética são determinantes ao se elaborar um Planejamento. Segundo
Vasconcellos (2002), ao destacar que o planejamento pode ser utilizado como instrumento
de dominação quando só um pequeno grupo planeja e decide para um grupo de pessoas
que deverá somente executar. Salienta, ainda, que, dessa forma, pode ser iniciado um
processo de alienação e introspecção, quando, na verdade, o indivíduo prefere a unidade
entre o pensar e o fazer, o analisar e o decidir, o construir e o usufruir.

22
Planejamento: percepção de futuro • CAPÍTULO 1

De modo geral e, culturalmente, nossa sociedade age pelo idealismo, com a tendência em
valorizar as ideias em detrimento da prática e supervalorizando o poder das ideias, como
se bastasse uma única ideia clara para provocação da transformação da realidade. Alerta-
se, para isso, a necessidade de que o planejamento não seja engessado e nem visto como
“senhor do futuro”, que por meio dele o sujeito é capaz de prever e controlar, modificando
esquemas preestabelecidos.

Essas contradições mencionadas em breve reflexão remete-nos à uma questão inicial que
é o próprio modo de ver e entender o mundo, em especial, as relações entre os homens e
seus papéis na sociedade, assim como às questões filosóficas básicas, como o existir; é a
própria visão de mundo ou a cosmovisão.

Atualmente podemos perguntar:

» Mas, por onde começar um planejamento educacional com excelência?

A excelência, também, indica para a humanização, soltura das amarras do que já não tem
mais significado eficaz. São muitos os desafios do século XXI que, como sabido, advêm das
mudanças paradigmáticas que nos convidam a repensar o nosso jeito de estar no mundo. Se
antes prevaleciam a linearidade e a certeza das respostas aos questionamentos humanos,
em certos e errados, bons e maus, hoje, nos impacta a complexidade da vida e, mais do
que respostas, estamos a todo o momento nos indagando.

Segundo Morin (2002, p. 35)

Trata-se de uma necessidade histórica-chave: uma vez que a complexidade


dos problemas de nosso tempo nos desarma, torna-se necessário que nos
rearmemos intelectualmente, instruindo-nos para pensar a complexidade,
para enfrentar os desafios da agonia/nascimento desse interstício entre os
dois milênios e para pensar os problemas da humanidade na era planetária.

De acordo com Vasconcellos (2009), dependendo da eficácia dos grupos que o elaboram
é preciso considerar três dimensões básicas a serem respeitadas no planejamento, quais
sejam: a realidade, a finalidade e o plano de ação. Este último pode ser consequência da
articulação entre a realidade e a finalidade ou a vontade do grupo para fazer.

A primeira dimensão – a realidade – orienta que planejar é tentar ‘‘prever’’, enlaçar os


acontecimentos no tempo e ao nosso anseio. Tanto o para quê, como o quê referem-se à
realidade, sendo o ponto de partida e o de chegada, só que já transformada. A atividade
reflexiva que caracteriza esta dimensão é a cognoscitiva que diz respeito ao ato de refletir
uma realidade presente e que se tem a pretensão de conhecer.

Detalhando melhor essas dimensões: quanto à realidade do planejamento importa


a previsão, o ajustamento do tempo futuro ao nosso desejo. Esta deve ser aberta,
dinâmica em um projeto, também, dinâmico. A finalidade aponta para o estado futuro

23
CAPÍTULO 1 • Planejamento: percepção de futuro

de coisas, à direção para transformar o que é naquilo que deve ser. Já a mediação é
a previsão das ações, do movimento, da sequência de operações a serem realizadas
para a transformação da realidade.

Nessa linha de pensamento observa-se que não tem importância, se especificadas primeiro
a realidade e a finalidade ou o desejo. Explicando isso: o profissional pode iniciar seu
planejamento ‘‘sonhando’’, desde que depois esses dados sejam colocados dentro das
possibilidades reais de cada instituição. Não raro acontecer de um grupo demonstrar
incredulidade e descrença quando, ao final de um trabalho, os resultados avaliativos não
sejam os melhores.

De acordo com Vasconcellos (2009), a cada uma dessas dimensões do planejamento


corresponde um tipo de atividade reflexiva: Cognoscitiva, Teleológica e Projetivo-Mediadora.
Dessa forma e para melhor entendimento:

Quadro 2. Dimensões e atividades reflexivas correlatas na elaboração do planejamento.

Dimensão do planejamento Atividade reflexiva


Realidade Cognoscitiva
Finalidade Teleológica
Mediação Projetivo-Mediadora

Fonte: Vasconcellos (2009).

Vásquez (apud Vasconcellos, 2009, p. 45) reafirma a práxis como junção ou articulação
da reflexão com a ação, ou seja, da teoria com a prática. Desse modo, a atividade reflexiva
no conjunto pode ser compreendida como mediadora da ação humana consciente e,
por isso, podemos fazer corresponder à atividade reflexiva, três níveis, a saber:

Figura 5. Três níveis da atividade reflexiva.

Fonte: Desenvolvido a partir dos conseitos de Vasconcellos (2009).

24
Planejamento: percepção de futuro • CAPÍTULO 1

Por exemplo, um professor imagina um Projeto X, mas, esta imaginação fundamenta-se


em suas experiências anteriores, portanto, na própria realidade. Já a Mediação, também,
considera a realidade tanto de experiências anteriores, quanto dos recursos disponíveis
e, assim, sucessivamente.

De acordo com Vasconcellos (2009, p. 48), o verdadeiro processo de planejamento, além de


sua construção, acarreta, explicitamente, uma experiência de realização. O originalmente
humano é, se a partir da realidade houver projeção da finalidade e agir sob influência
determinante tendo como referência essa finalidade.

Quanto a isso, se acontecer a prática comum de projetar a finalidade e, em seguida, o


indivíduo ou grupo esquecer-se dela, não se comprometendo com a sua realização, ou seja,
quando alguns pensam e decidem e outros executam torna-se característica de uma ação
humana dita alienada. Não é suficiente ter finalidade inicial, explica Vasconcellos (2009,
p. 49), “é preciso que ela acompanhe a atividade de concretização, ainda que o resultado,
em função de fatores intervenientes, saia diferente do ideal inicial”.

De acordo com Abreu (apud FRIEDMANN, 2004, p. 34), os predicados utópico, estético e
ético são os fundamentos básicos do planejamento. Por meio deles, quando realizamos
o planejamento podemos sonhar com uma sociedade ética e, qualitativamente, correta
para os indivíduos.

Por meio do Fundamento Utópico acenamos para o sonho, para vontade de no futuro ver
realizadas as aspirações da sociedade. Por ele se tem o desejo de mudar o presente, melhorar
a qualidade de vida das pessoas, conjeturando um futuro melhor.

A utopia é a exploração de novas possibilidades e vontades humanas, por via da


oposição da imaginação à necessidade do que existe, só porque existe, em nome de algo
radicalmente melhor que a humanidade tem direito de desejar e porque vale a pena
lutar (SANTOS,1996 apud VASCONCELLOS, 2000, p. 91).

Quando o sujeito tem como meta alcançar e preocupa-se, constantemente, com o belo, ele
está envolvido pelo Fundamento Estético. Esse é compreendido como uma predefinição
entendida como repetitiva inquietação de quem planeja e deve manter na tomada de
decisão, entendendo que suas ações oportunizam modificações físicas, socioeconômicas
e culturais na sociedade.

Conforme reflete Abreu (apud FRIEDMANN, 2004, p. 35), o Planejamento Estético deve
assegurar a manutenção da harmonia, conforme os padrões culturais da sociedade,
colaborando para o aumento desses padrões culturais, visando, também, à melhoria
da qualidade de vida das pessoas. Atenta-se que a função principal da estética não é

25
CAPÍTULO 1 • Planejamento: percepção de futuro

somente a criação de subsídios paisagísticos, arquitetônicos, cromáticos e outros, mas


oportunizar condições de harmonia que deem ao homem a dignidade para viver..

Agora, bem ampliado é o Fundamento Ético que envolve, além dele mesmo – o ético, o
ideológico e o filosófico. Tal relação ética com o planejamento são essencialmente os
valores que aguçam a verdade, indicando excelência nos fatos e dados que se articulam
em volta da ética. Desde a Grécia antiga, berço das contendas filosóficas, compreende-
se a ética como um pensamento em ação.

Como relata Abreu (apud FRIEDMANN, 2004, p. 36):

Ser ético, na política e no planejamento, é promover a inversão de alguns


valores que estão invertidos na sociedade, a exemplo: a primazia de ganhos
econômicos em detrimento do meio ambiente ou do bem comum. Ser
ético é ser probo na gestão e aplicação de recursos públicos A ética procura
estabelecer princípios e valores que levem as pessoas a viverem em harmonia
na sociedade. Isto porque relacionam regras de convivência, seguindo
princípios e valores que garantam boa vida aos grupos sociais.

Em Santos (2016), pode-se constatar, numa visão filosófica, o modelo de tridimensionalidade,


com a seguinte leitura a respeito das dimensões do planejamento educacional, às quais o
autor define como pedagógica, administrativa e estratégica, que se agregam intrinsecamente.

Assim, cabe indicar na dimensão pedagógica o destaque para as concepções políticas e


filosóficas relacionadas a quem planeja, ou seja, é a partir dessa dimensão que são elaborados
os objetivos de ensino e na qual estão relacionadas as noções de ensino-aprendizagem,
estratégias pedagógicas, metas, indicadores e demais componentes que são pertinentes
a essa dimensão e para as quais há de se considerar o cunho político, de quem organiza o
planejamento. Por meio da distinção entre matéria e forma citadas por Aristóteles, podemos
compreender que, no planejamento educacional, o ensino-aprendizagem constitui o
conteúdo e os jeitos como a dimensão pedagógica venha a se concretizar agregam a forma.

Atenção

Aristóteles, em sua Metafísica (2004) dividia a investigação filosófica e os processos atinentes à investigação em duas
instâncias: matéria e forma. Enquanto a matéria refere-se ao conteúdo do que se pretende compreender ou abordar,
a forma diz respeito aos aspectos técnicos, teóricos e metodológicos que conduzem a investigação e a colocam
sob um escopo discursivo, passível de ser apreendido pelos outros sujeitos. Para exemplificar, tomemos a seguinte
situação: uma peça de teatro é produzida. A matéria diria respeito ao tema, ao título da peça: a forma referir-se-ia às
encenações, ao figurino e ao cenário dos atores (SANTOS, 2016, p. 11).

De acordo com Santos (2016), na dimensão administrativa há projeção do controle


dos processos, mas tal fato não sugere que esse controle não se prende às técnicas de

26
Planejamento: percepção de futuro • CAPÍTULO 1

gerência, pois, sabendo-se que o planejamento educacional tem as suas especificidades,


assim também acontece com a administração educacional, cujas características induzem
ao entendimento da imprescindibilidade de controle dos processos pedagógicos e suas
atividades-meio.

[...] a administração educacional seria o campo de conhecimento destinado a


investigar e sistematizar o conjunto de processos relativos ao gerenciamento e
ao controle de processos implicados na consecução de objetivos educacionais
(principalmente pedagógicos) nos níveis macro, meso e micro, abrangendo,
dessa forma, processos que vão desde a organização de objetivos de ensino
em um plano de aula até a formulação de programas mundiais para a
educação (SANTOS, 2016, p. 12).

Abalizado nessa definição depreende-se que o planejamento educacional não desaparece


na dimensão administrativa, uma vez que não existindo começos e regras pré-concebidas
a serem seguidas, metas, indicadores e processos perdem o significado. Para melhor
entendimento pode-se detalhar que (conforme a distinção aristotélica), na dimensão
pedagógica sobressai a ‘‘matéria’’ e é na dimensão administrativa que se desenha a ‘‘forma’’
do planejamento educacional.

Dessa forma, e considerando as dimensões mencionadas por Santos (2016) para avaliar
o resultado de um planejamento, torna-se imperativo abordar a visão estratégica, tendo
em vista que as necessidades reais indicam que se tome decisões e/ou emprego de outros
projetos para eliminar os acontecimentos que interferem na administração, infraestrutura
e nos aspectos pedagógicos. Assim, essa dimensão também pode ser condicionante, ou
seja, as estratégias interferem na prática dos assuntos pedagógicos, de infraestrutura e dos
administrativos, no modus operandi do planejamento educacional.

Com isso, o caráter relacional das três dimensões traz outra particularidade, segundo
Santos (2016), que é a noção de que não acontece uma influência irrestrita e decisiva do
planejamento sobre a lógica administrativa (enfoque dialético), ao mesmo tempo em que
não é impossível a logicidade na atividade do planejamento como idealizada sob o ponto
de vista do senso comum (empírico).

Provocação

Então, sabendo que não há planejamento sem pesquisa precedente, o planejamento educacional é uma disciplina ou
um campo do conhecimento?

27
CAPÍTULO 1 • Planejamento: percepção de futuro

Desafios contemporâneos na educação: novos olhares no


planejamento
Figura 6. Futuro exponencial.

Fonte: https://futuroexponencial.com/wp-content/uploads/2018/05/invent-business.jpg. Acesso em: 3/3/2020.

O que se depreende dessas reflexões é que o planejamento constitui um processo de


trabalho que facilita ao sujeito da execução, seja o gestor, professor, chefe de estado, dono
de empresas, que tanto podem conduzir aos acertos como ‘‘naufragar’’ nas intenções de
atrações, vitórias, proveitos, ou aprovações.

Com base em qualquer dimensão que se ocupa é necessário revisitar periodicamente o


jeito de planejar, aplicando-o ao futuro da sociedade, do mundo, do governo, da escola
para o próximo ano, semestre, bimestre e demais tempos.

Nesse contexto é válido pontuar que planejar classicamente é passado, já foi


conhecido, já aconteceu e, dessa forma, não há cooperação para o alcance de
objetivos e nenhuma frente aos desafios dos novos tempos, apontados por mudanças
tão rápidas e difíceis, senão incógnitas e, às vezes, impossíveis de acompanhar.

Agora, planejar prospectivamente amplia a visão do real, ponderando que os indivíduos


e as organizações olhem para a frente, vislumbrando a magnitude de um futuro, para
caminhos novos e mais criativos, mesmo sendo produto de imaginação e do desconhecido,
percebendo o que ainda não aconteceu.

Dessa forma e para atender às chamadas organizações exponenciais, é a prospecção


estratégica exemplo de inovação que atualmente sugere vasto repertório de ideias novas
e devidas possibilidades entendidas como cerne ou essência do planejamento que
responde aos desafios atuais, habilitando o sujeito a se aparelhar qualitativamente frente

28
Planejamento: percepção de futuro • CAPÍTULO 1

às mudanças e/ou antecipar-se a elas, com novo olhar sobre a gestão, desenvolvimento
pessoal, ou ‘‘pensar como fazer diferente’’ os planos, processos e procedimentos.

Saiba mais

O que são organizações exponenciais?


O termo foi introduzido em 2014 por Ismail, Michael S. Malone e Yuri van Geest no livro com o mesmo título e refere-
se ao impacto desproporcionalmente maior que causa quando comparado a empresas de modelo tradicional.

No geral, a capacidade de crescimento de uma organização disruptiva chega a ser dez vezes mais rápida do que a de
suas concorrentes por conta do uso da inovação a favor do negócio.

Por que as organizações exponenciais têm crescimento acelerado?

Número de funcionários maior e estrutura hierárquica mais fixa. Esses são os dois principais motivos pelos quais
empresas tradicionais não conseguem mudar suas formas de atuação e seus métodos de gestão de maneira rápida.
E foi a partir desses pontos que as organizações exponenciais perceberam uma oportunidade para crescerem e se
diferenciarem.

O ponto de partida foi a constatação de que a lógica do mercado mudou. No passado, quanto maior a força de
trabalho de uma empresa, mais ela produzia. Por isso era tão difícil competir com as grandes organizações. Hoje, a
tecnologia não apenas alterou o comportamento do consumidor, mas, também, permitiu agilizar, eliminar processos
manuais e automatizar tarefas repetitivas dentro das empresas.

Nesse cenário, a força de trabalho excessivo passa a ser uma barreira que reduz a velocidade das operações. Sendo
assim, quando o negócio gira em torno da informação, o desenvolvimento da organização entra em crescimento
exponencial, o que significa que a relação preço performance dobra (em média) a cada um ou dois anos.

Resumindo o que são organizações exponenciais: aquelas que se livraram da barreira de uma força de trabalho
excessiva e, por isso, têm uma velocidade de operação e de crescimento muito mais rápida, podendo contribuir
eficazmente com a organização escolar e, consequentemente, facilitando a lida com a elaboração do planejamento
educacional.

Considerando, então, os significativos desafios contemporâneos na educação, é válido conhecer características de


uma organização exponencial para correlacioná-las às questões, por vezes inquietantes sobre o planejamento dentro
das escolas.

Enquanto as organizações tradicionais operam de maneira linear, com uma quantidade-limite de recursos, as
organizações exponenciais podem trabalhar com modelos de propostas didáticas inovadoras e ativas possíveis, com
ganho de desempenho e qualidade desejáveis.

Outro ponto importante: as organizações mais antigas têm clima e estrutura organizacional ainda baseados
fortemente em hierarquia, centralização com baixa tolerância para risco. Já uma organização escolar com
perfil exponencial carrega consigo, desde o seu nascimento, uma cultura de descentralização que valoriza a
experimentação e a autonomia, na adaptação à mudança e ao diálogo com a comunidade educativa, ou seja, com os
principais atores do processo: professores e alunos.

A ênfase do momento é sobrepor o classicismo do planejamento para o planejar com


prospecção, isto é, adotar o futuro como abertura de inovação no presente, trazendo
força fundamental para experimentar, ‘‘dançar’’ diferentes probabilidades, impondo

29
CAPÍTULO 1 • Planejamento: percepção de futuro

limites para as improvisações, maximizando os crivos de avaliação posteriormente à


operacionalização dos projetos.

De acordo com Peter Drucker (1992, p. s/n), grande expoente da Administração moderna,

É total contrassenso querer ser disruptivo sem olhar para o imaginário do


futuro e sem entrar no território do desconhecido. Peter Drucker explicava
como acertava quase sempre em suas apostas que o consagraram como o
grande gênio da administração moderna: ele olhava pela janela, via o que
era visível, mas que ainda ninguém tinha visto. Esse é o desafio para quem
deseja inovar: ver o que é visível, mas que ainda ninguém viu. Para isso existe
o futurismo aplicado: ensinar como captar os sinais da mudança.

Nessas reflexões de mundo novo não são suficientes os planejamentos do passado com
seus modelos, objetivos, estratégias, procedimentos, como instrumentos superados e
metodologias antiquadas, esses não suprem as necessidades do panorama educacional do
Brasil, considerando a rapidez das informações e a facilidade de seu acesso à comunidade
educativa (professores, alunos, pais, demais servidores e vizinhanças) que, cada vez mais
independentes, necessitam revolucionar os jeitos de ensinar para que os alunos possam
construir os seus saberes.

O planejamento não é uma tentativa de predizer o que vai acontecer. O


planejamento é um instrumento para raciocinar agora, sobre que trabalhos
e ações serão necessários hoje, para merecermos um futuro. O produto
final do planejamento não é a informação: é sempre o trabalho (PETER
DRUCKER, 1992, p. s/n.).

Sendo assim, vale considerar a necessidade de divulgação e comentários críticos reflexivos


junto às comunidades sociais sobre aspectos da legislação da educação brasileira em vigor,
citados na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – no 9.394/1996, que versa sobre
itens como a Inclusão, Bullying, Educação de Jovens e Adultos, Educação a Distância,
Educação Especial, Educação Profissional e Tecnológica, Educação Indígena e Educação
Quilombola.

Ora, considerando tais aspectos, como deixar de aludir a necessária atenção para com
os devidos planejamentos, quer em nível nacional, estadual e municipal, incluindo o
Distrito Federal? A pesquisa em âmbito nacional é vasta e, como alerta Santos (2016, p. 30),
“não há planejamento sem pesquisa” e é única quanto às diversas formas e abordagens,
métodos, objetos, tempos, modos e espaços em que ela deve ocorrer, quaisquer que
sejam as abordagens: qualitativa, quantitativa, experimental sob vários enfoques (como
fenomenológico, crítico dialético, neopositivista e histórico) oriundos da coleta de dados
fornecidos pela comunidade.

30
Planejamento: percepção de futuro • CAPÍTULO 1

Posicionamento do autor

Devido a constatações como a acima mencionada é que neste livro optou-se, também, por breves lembretes e
comentários sobre as práticas e alguns aspectos merecedores de atenção para as implantações nos ambientes
educacionais e, por conseguinte, as citações legais que serão detalhadas no terceiro capítulo.

Para refletir

Ambientes de aprendizagem e metodologias ativas: novas trilhas no enfrentamento do


bullying
É fato que os fatores de proteção assumidos pelo professor fazem com que ele exceda seu papel de gestor de
procedimentos e projetos pedagógicos em sala de aula e passe a incluir a providência de segurança em classe,
com vistas a melhorar as respostas individuais a determinados riscos de desadaptação aos quais os alunos estão
diariamente expostos, pelas circunstâncias trabalhosas que enfrentam, dentre elas, o bullying. Na atualidade, o
que se tem percebido é que a escola e a sala de aula foram transformadas num sistema intricado de aprendizagem.
Sistema, porque se forma como um detalhe da vida social e cultural de alunos, professores, pais e demais elementos
da comunidade educativa. Além disso, deve se organizar e ser ambiente propício a lidar com os saberes, regras,
linguagens, códigos e (por que não?) a reorganização das competências sociais dos alunos.

O esperado é que nascesse diariamente, na sala de aula, um compromisso entre o professor e o aluno, relativo ao
respeito entre eles e assentado aos ritmos, necessidades, pensamentos, exigências quanto ao cumprimento de um
programa de ensino moldado numa relação pedagógica dialógica e de reaprendizagens de solidariedade, partilha,
cooperação e busca de solução de problemas do dia a dia. Além disso, o aceitável é que a prática pedagógica ocorra
por meio de ação planejada e organizada e revisitada pelo professor para o seu cotidiano de sala de aula, de modo
que o processo de ensino e aprendizagem seja gratificante e reforçador do desejo de aprender cada vez mais e com
mais autonomia, tanto dele próprio como de seu aluno.

Muito se fala acerca de novos modelos de ensino e aprendizagem. As mudanças requerem urgência, de fato, nos
métodos de ensino e no aprimoramento das práticas pedagógicas. A escola clama por profissionais com habilidades
de trabalhar e coordenar as atividades em grupos cooperativamente organizados, com o objetivo de desenvolver e/
ou reforçar nos alunos a capacidade de tomar decisões, serem críticos, reflexivos, empreendedores e protagonistas
das próprias atitudes. Nessas avaliações são propostas outras metodologias hoje chamadas ativas, pois se firmam
numa visão mais humanista e menos tecnicista da educação, como a sala de aula invertida, os mapas conceituais, a
aprendizagem baseada em problemas com prospecção de cenários, estudos de caso, com o intuito de reorganizar os
espaços físicos e emocionais de aprendizagem, desde a mais simples sala de aula às modernas salas de multimídia.

A opção pelas metodologias ativas, como entendidas, poderá ser o caminho apontado para o desenvolvimento das
competências relevantes no século XXI, na expectativa de atendimento aos aspectos pedagógicos, andragógicos e
heutagógicos. A título de complementação, vale lembrar que a pedagogia está ligada aos processos educativos de
crianças e adolescentes, em ambientes nos quais é do professor a maior responsabilidade de coordenar, orientando
as experiências de aprendizagem; a andragogia direciona-se, por sua vez, para a educação dos adultos, já inseridos
no trabalho, considerando principalmente suas motivações e experiências pessoais; a heutagogia surge em resposta
às demandas da era digital, em que há acúmulo de informações disponíveis, dando aos sujeitos autonomia para
decidirem o como, quando e o que aprenderem.

Dessa forma, sobre os ambientes de aprendizagem e metodologias ativas, três abordagens são fundamentais de
serem lembradas aos professores que se predispõem a provocar mudanças ao assumirem outros papéis de liderança
em sala de aula; são as abordagens teóricas que fundamentam as metodologias ativas em contextos de educação, por
considerarem a ligação do binômio ação-reflexão: cognitivismo, socioconstrutivismo e o conectivismo.

31
CAPÍTULO 1 • Planejamento: percepção de futuro

O que esses conceitos significam na educação?

O cognitivismo lembra o conhecimento de como o homem reconhece o mundo por meio dos processos mentais,
ou seja, como o conhecemos... No processo de aprendizagem avalia-se a estrutura cognitiva como a organização e
integração de conteúdos de suas ideias em uma área reservada de conhecimento, resultando na aprendizagem.
O socioconstrutivismo é mais amplo que o construcionismo, incorporando o papel de outros fatores, inclusive
da cultura, no desenvolvimento. Neste sentido, ele também pode ser comparado à teoria do aprendizado social,
enfatizando a interação por meio da observação. Neste entendimento sobre o conhecimento e a aprendizagem que
derivam, principalmente, das teorias da epistemologia genética de Jean Piaget e da pesquisa sócio-histórica de Lev
Vygotsky, parte do princípio de que o homem responde aos estímulos externos agindo sobre eles para construir e
organizar o seu próprio conhecimento, de forma cada vez mais elaborada.
O conectivismo apresenta um modelo de aprendizagem que reconhece as profundas mudanças sociais,
reconhecendo que a aprendizagem não é mais uma atividade interna e individual. A maneira como as pessoas
elaboram e trabalham são ações alteradas quando elas utilizam novas ferramentas. Na educação há lentidão em
reconhecer, tanto o impacto das novas ferramentas de aprendizagem como as mudanças ambientais com o devido
significado aprender. O conectivismo possibilita perceber as habilidades e as tarefas de aprendizagem necessárias
para os aprendizes florescerem na era digital.
Depois de maximizar as questões voltadas para as metodologias, entendeu-se a necessidade de priorizar o como
fazer para o seu sucesso. Ora, sabe-se da importância a ser dada à elaboração do planejamento educacional e dos
objetivos de ensino, antes de qualquer passo que se siga a ele, ou seja, amarrar o conteúdo pretendido e de forma que
esse seja significativo.
Importa lembrar aqui que objetivos e conteúdos determinam os métodos a serem buscados. Esses, por sua vez,
devem assentar-se nos princípios de caráter científico e sistemático serem compreensíveis, com possibilidades de
assimilação; assegurar a relação conhecimento e prática, assentar-se na unidade de ensino/aprendizagem, garantir a
solidez dos conhecimentos e levar à vinculação trabalho coletivo-particularidades individuais. Para completar essas
ponderações julgadas importantes nessas reflexões de rever as ações didático-pedagógicas, com o fim de planejar
estratégias de enfrentamento do bullying na escola, imperioso se faz abordar os ambientes surgidos especificamente
na última década, com o avanço das tecnologias de informação e comunicação, integrados às possibilidades
educacionais, que são os ambientes virtuais de aprendizagem – o chamado ciberespaço: ambiente virtual no qual as
pessoas interagem e se relacionam, possibilitando novas aprendizagens, dentre elas, novos relacionamentos, quem
sabe mais sadios?

Até aqui, ao final desse capítulo foi possível assinalar alguns itens de relevância. Vamos relembrar?

Sintetizando

» A construção de um plano educacional requer a existência de compartilhamento de ideias e de interações de fala


entre os vários atores envolvidos, pressupondo uma ação comunicativa, devendo, por isso, priorizar a participação
eticamente correta entre todos.

» Correlacionar o ato de planejar desde a criação do mundo pertinente ao campo teórico da administração, ao
planejamento como área de conhecimento interdisciplinar assentada na educação, no ensino, na escola e na sala
de aula.

32
Planejamento: percepção de futuro • CAPÍTULO 1

» Analisando o Planejamento Educacional como uma área do conhecimento alicerçada na educação, no ensino,
na escola, especialmente na sala de aula, perspectiva-se entender que o planejamento ajusta dados científicos
e filosóficos, uma vez que, cada abordagem de conhecimento que lhe é feita possui artifícios de controle e
averiguação experimental e, ao mesmo tempo, subsídios reflexivos que, considerados na prática específica de cada
segmento e de suas condições reais, são abastecidos de criatividade e diversidade relativos às suas especificidades.

» Há que se definir o planejamento como um método para o qual seja indicada uma circunstância de futuro
esperado. Para tanto, há necessidade de avaliar assiduamente o contexto cuja pretensão seja de: o que quero fazer,
como, quando, quanto, para quem, por que, por quem, onde será feito e por quanto tempo?

» A importância da participação como elemento-chave no planejamento da educação. Nessas premissas importa


a relevância que deve ser atribuída à participação ativa da sociedade no âmbito do planejamento educacional,
como processo sistêmico que é, tanto em nível nacional, estadual e municipal. Ora, se todos compreendessem essa
necessidade, certamente os resultados seriam bem mais promissores.

» O conceito de Planejamento que estamos construindo traz consigo a exigência da Participação. Concebemos o
planejar como uma oportunidade de repensar todo o fazer da escola, como um instrumento de formação dos
educadores e educandos, bem como de humanização, de desalienação e de libertação. Colocamos como pano de
fundo de todo o processo de planejamento, o desafio da transformação, ou seja, de conseguirmos de fato criar algo,
ousar, avançar, dar um salto qualitativo.

» A ênfase do momento é sobrepor o classicismo do planejamento para o planejar com prospecção, é adotar o futuro
como abertura de inovação no presente, trazendo força fundamental para experimentar, ‘‘dançar’’ diferentes
probabilidades, impondo limites para as improvisações, maximizando os crivos de avaliação posteriormente à
operacionalização dos projetos.

33
CAPÍTULO
EPISTEMOLOGIA E HISTÓRIA DO
PLANEJAMENTO: O QUE ENTENDER
SOBRE ISSO: O ANTES, O DEPOIS E O
AGORA? 2
Introdução

Neste capítulo definiremos e explicaremos a importância de pensar antes sobre o que se


propõe fazer, bem como definir as percepções sobre planejamento e suas especificidades
que tanto podem se ligar a ideias de manutenção de realidades ou circunstâncias
existentes, com vistas ao poder político ou econômico, como ater-se às ideias de inovação
e mudança.

Percorreremos etapas desde o início das civilizações para melhor entendimento e


compreensão de que o homem tem sido desafiado a atuar e alterar as coisas, desde aspectos
da natureza à própria humanidade.

Nas reflexões propostas poderemos compreender todo um percurso feito em função de


alcançar metas de qualidade e sucesso das questões educacionais, visando sempre à
aprendizagem e à capacitação humana para modificar-se e/ou ao seu ambiente por meio
de suas pretensões e elaborações.

Objetivos

» Relacionar a história do planejamento educacional desde o aparecimento do homem


no universo, porquanto ele pensa e reelabora o seu pensar para agir ou realizar uma
atividade que prepara, iniciando do planejamento idealizado.

» Inventariar o desenvolvimento do sistema educacional brasileiro, contextualizando-o


com o desenvolvimento econômico, social, político e cultural do País e de cada região
que o compõe, inserindo nesse processo a existência do planejamento.

» Situar o contexto e o processo de elaboração do planejamento educacional


do Brasil pertinentes ao processo de desenvolvimento e compreensões de sua
história, explanando seus fundamentos básicos, assim como seus elementos e
suas características.

34
Epistemologia e história do planejamento: o que entender sobre isso: o antes, o depois e o agora • CAPÍTULO 2

» Perceber que o planejamento nasce na necessidade do homem organizar algo e


essencialmente as relações existentes na sociedade com vista à convivência social com
o outro e no grupo, fortalecendo relacionamentos.

Aspectos históricos e padrões conceituais

Para refletir

“A história do homem é um reflexo do seu pensar sobre o presente, passado e futuro. O homem pensa sobre o que
fazer; o que deixou de fazer; sobre o que está fazendo e o que pretende fazer. O ato de pensar não deixa de ser um
verdadeiro ato de planejar.” (MENEGOLLA; SANT’ANA, 2003, p. 15).

Numa perspectiva de entendimento traçaremos, imaginariamente, uma linha no tempo,


no intuito de melhor compreensão sobre a história do planejamento, procurando
explicitar, ainda que sucintamente, como ocorreram as fases de construção dele, porque
dificilmente será possível saber quando e onde surgiu o planejamento. No entanto,
podemos analisar que essa história poderá ser relatada desde o aparecimento do homem,
tendo em vista que ele pensa e reflete sobre o seu pensar a fim de realizar algo, tarefa
essa que é iniciada de um projeto previamente imaginado.

Nessa reflexão e sem medo de erro pode ser assegurado que planejar é uma ação
intrínseca a um ser pensante que, desde o início da história, quando vivia em cavernas,
fazia e utilizava ferramental como pedras e madeiras, caçava alimentos e se protegia
do tempo e de outras intempéries com peles dos animais, atentando ainda que o
surgimento do fogo deu-lhe mais capacidade para agir e criar, delineando mudanças,
além de migrar para outras regiões, na busca da melhoria de qualidade de vida.

Segundo Turra et al. (1996, p. 272), do ponto de vista histórico, as informações são de que,
desde o início, o homem é provocado a modificar o ambiente natural, os fatos e, até mesmo,
o seu próprio humano. Primeiramente, essa ascendência foi exercida no princípio da
praticidade, que tanto condicionava a conduta do indivíduo com a natureza, como conduzia
o procedimento entre os homens.

Nesse ponto do princípio prático, o planejamento foi originado, sendo ressaltada a


ênfase norteadora da chamada primeira fase, fazendo ocorrer as primeiras preocupações
com questões técnicas ou o como fazer as coisas, assim como a procura por respostas
que satisfizessem e que fossem passíveis de conferência ou verificação.

Pode ser salientado que nessa primeira fase houve vinculação entre a chamada tecnologia
primitiva e a fase inicial do planejamento chamado instrumental, uma vez que facilitava

35
CAPÍTULO 2 • Epistemologia e história do planejamento: o que entender sobre isso: o antes, o depois e o agora

os desempenhos do homem e essa conceituação de planejamento persistiu até a época


da chamada tecnologia industrial, a eles acrescentada a teoria técnica de planejamento.

Numa fase posterior, o foco é transferido do caráter técnico, prático ou instrumental como
afirma Turra et al. (1996, p. 273), para a elaboração de quadros teóricos de referência,
objetivando a interpretação de precisões e pretensões do homem para conduzir ao
desenvolvimento social e econômico, com mais possibilidades, por meio das teorias
sócio-políticas e econômica do planejamento.

Nessa linha de informações foi sabido que num terceiro momento ou fase, houve
crescimento do pensamento convicto sobre a ideia de planejar sendo aberto às
necessidades humanas, requerendo acordo das interdependências mundiais e da
própria disposição de quem planeja.

Nessa exposição, como ressalta Turra et al. (1996), devido ao seu caráter ético, a consciência
e a intencionalidade, participação e responsabilidade tornam-se elementos-chave para
a nova percepção de planejamento (grifo do autor).

É possível destacar em Vasconcellos (2000, p. 65), sem medo de equívoco, que a base de
sustentação do planejamento é a ação, ou a atuação. Possivelmente, desde a História Antiga
tenha existido planejamentos elaborados com algum comando e métodos avaliativos, o que
se pode comentar devido à existência das pirâmides, monumentos e palácios, as ditas
construções épicas, as grandes batalhas e, ainda, planejamento implica a previsão de
mudanças.

Saiba mais

História Antiga ou Antiguidade foi o período da História que se estendeu desde a invenção da escrita (4000 a.C. a
3500 a.C.) até a queda do Império Romano do Ocidente (476 d.C.) e início da Idade Média (século V).
Fonte: https://www.sohistoria.com.br/ef2/idadeantiga/.

Segundo Evangelista (2010, p. 55):

Os egípcios reconheciam o valor do planejamento das atividades e o orientador


ou supervisor que organizasse os grupos de trabalho. Desenvolveram extensos
projetos arquitetônicos e de engenharia, indo além das pirâmides, como
canais de irrigação, palácios e muitas outras edificações. A gênese da atividade
de planejar perpassa o processo de hominização, visto que o homem, na
sua evolução, foi constituindo personagem principal na transformação do
mundo por sua ação, sempre movido pelo desejo, pela curiosidade e pela
necessidade de interagir com a realidade, através de atividades configuradas
como o trabalho.

36
Epistemologia e história do planejamento: o que entender sobre isso: o antes, o depois e o agora • CAPÍTULO 2

Veja que desde os primórdios da civilização, a noção de participação e partilha vem com
a necessidade de organização, essencialmente das relações sociais, pois o homem precisa
conviver com os outros. Como já abordado na citação acima, os povos egípcios valorizavam
não só o planejar, assim também o sujeito que, sendo o coordenador, organizasse as equipes
de trabalho.

Como relata Evangelista, (2010, p. 56), os egípcios “desenvolveram extensos projetos


arquitetônicos e de engenharia, indo além das pirâmides, como canais de irrigação,
palácios e muitas outras edificações”.

Nessa linha de tempo, importante mencionar a atuação dos filósofos Sócrates, Platão,
Aristóteles, Kant, Karl Marx, Comênio e outros que, por meio dos seus ideais de
organização, direito, sociedade, conhecimento e liberdade tanto contribuíram para a
continuidade do aprimoramento das fundamentações teóricas do planejamento.

Ainda reportando às leituras de Evangelista (2010), pode-se observar a importância


dada ao planejamento após as duas grandes guerras mundiais na segunda metade
do século XX, contribuindo decisivamente para a manifestação dos métodos de
planejamento, como, por exemplo, o aproveitamento na área marcial-bélica,
migrando para outro eixo da sociedade como a industrial, agrícola, comercial, de
comunicação.

Como já referido no capítulo 1, mas tão importante mencionar, os ideais de crescimento


tecnológico revestidos do conhecimento científico, conforme publicado em 1903, em Os
princípios da Administração Científica, imaginado por Frederick Winslon Taylor, no qual
valoriza as três etapas nos atos administrativas, como eliminar os desperdícios e melhorar
a qualidade dos produtos; o processo produtivo com caráter mais científico; e o princípio
da linha de staff de uma organização, formada de especialistas com o dever de planejar a
organização com princípios de eficiência.

Segundo Evangelista (2010, p. 56), para muitos estudiosos, Taylor foi o precursor da
administração por objetivos, depois reorganizada por Peter Drucker nos idos de 1960,
cooperando, assim, para o surgimento do Planejamento Estratégico, cujo foco principal “é
o processo de especificação bem definido dos objetivos da organização e das decisões,
ações e programas que abrangem o composto da empresa”.

Para Evangelista (2010) em Kwasnicka (apud ACKFF, 2003, p. 58):

[...] o planejamento estratégico é um processo contínuo que


compreende quatro preocupações: horizonte tempo maior (longo
prazo); amplitude ou abrangência (administração de cúpula);
e s p e c i f i c a ç ã o d e m e t a s e o b j e t i v o s e m e i o s p a ra a l c a n ç á - l o s ; e
relacionamento da organização como ambiente externo.

37
CAPÍTULO 2 • Epistemologia e história do planejamento: o que entender sobre isso: o antes, o depois e o agora

Assim, importante ressaltar algumas aproximações de datas relacionadas ao assunto até


aqui descrito, na Evolução histórica do planejamento, de acordo com Evangelista (2010).

Quadro 3. Evolução histórica do planejamento.

Períodos Planejamento
1884 Elaborado o plano decenal japonês considerado como o primeiro plano de desenvolvimento feito no
mundo, denominado Kogyo Tken.
1916 Henry Fayol apresenta os cinco elementos do processo administrativo: planejamento, organização,
direção, coordenação e controle, que são utilizados até hoje. Surge o planejamento empresarial.
1920 Criada a Comissão Estadual de Planejamento da URSS-GOSPLAN.
1933/1945 Lançado pelo presidente dos Estados Unidos da América (EUA), é considerado um marco do
planejamento econômico do mundo capitalista ocidental, denominado New Deal.
1946 O comissariado de planejamento elaborou, na França, um plano de recuperação econômica e de
modernização.
1947 Elaborado pelos EUA, o plano de recuperação econômica da Europa e do Japão, sendo conhecido como
Plano Marshall.
1960 Desenvolvido o Modelo de Harvard de análise estratégica, como modelo SWOT (tradução do inglês:
forças, fraquezas, oportunidades e ameaças).
2000 Início do interesse das organizações empresariais para o Planejamento Estratégico.

Fonte: Evangelista (2010).

Nessa rota de informações julgou-se pertinente mais um pouco de história sobre


planejamento para complementar esse gráfico da linha de tempo:

Saiba mais

A cidade de Brasília – um Exemplo de Processo de Planejamento


Figura 7. Registro fotográfico da construção da nova capital do País, Brasília.

Fonte: https://conhecimentocientifico.r7.com/conheca-a-historia-da-construcao-de-brasilia-durante-o-governo-de-jk/.
Acesso em: julho de 2019.
Brasília é mais que uma nova cidade. Representa o resultado de um longo processo, cujas raízes datam de dois
séculos atrás, bem como a realização de um projeto que, durante muito tempo, atraiu a imaginação do povo
brasileiro e que mais recentemente começou a ser interpretado como uma necessidade absoluta para o País. Não
apenas deveria ser descoberta uma válvula de segurança para as crescentes pressões populacionais aglomeradas ao
longo das regiões costeiras do País, mas, também, havia necessidade de tentar criar oportunidades de emprego que,
por sua vez, poderiam reforçar o mercado, dentro do processo de substituição das importações, então em pleno vigor
no Brasil.

38
Epistemologia e história do planejamento: o que entender sobre isso: o antes, o depois e o agora • CAPÍTULO 2

Baseada nestas considerações, Brasília deve ser analisada mais firmemente como a corporificação de fortes crenças
na estratégia dos polos de crescimento do que, simplesmente, como uma nova cidade supermoderna. Suas funções
não eram as tradicionais funções da nova cidade: atração de excessos populacionais das áreas metropolitanas
superpovoadas.
Era, então, bem conhecido o fato de que problemas urbanos nos países subdesenvolvidos não podem ser atacados
nas cidades, mas em suas origens – especificamente no binômio expulsão rural/atração urbana, e que qualquer
nova cidade, por sua própria definição, será ainda mais atrativa que os centros urbanos existentes, gerando, em
consequência, outra fonte de problemas urbanos. De um ponto de vista urbanístico, Brasília deve ser vista apenas
como um monumento e um símbolo ao esforço feito pelos brasileiros em seu processo de desenvolvimento e não
como um modelo ou exemplo de novas tendências urbanísticas.
Brasília foi o resultado de um processo que requeria a expansão das fronteiras do País em direção ao interior. Foi
somente um instrumento para a abertura de um novo processo de interiorização do País, com a cidade de Brasília
atuando tanto como um polo de atração, no sentido das novas cidades, quanto como um polo de crescimento para o
interior brasileiro, irradiando energia para as áreas vizinhas.
Todo o processo poderia ser descrito de forma bastante acurada, pelo modelo de integração urbano-agrícola de
Von Thunem, por meio do qual o surgimento exógeno de um centro urbano leva à geração de anéis concêntricos
mediados por custos de transporte. A construção de estradas associada à nova capital destinava-se a aumentar a
interação da cidade com o resto do País, através do nivelamento do ângulo dos preços de transporte.
Poderíamos caracterizar o processo de planejamento envolvido na construção de Brasília como estrutural em
sua natureza. Ele tentou criar um novo padrão de expansão territorial e econômica. O instrumento utilizado para
alcançar tal objetivo foi a construção de um polo de crescimento no interior do País. A indústria motora escolhida,
cuja função é prover o polo de dinamismo, foi a indústria de maior crescimento no Brasil: a Administração Federal.
O governo é, por várias razões, uma atividade particularmente adequada para agir como propulsor do crescimento –
gera fortes ligações para trás na forma de mercados em crescimento para toda sorte de bens de consumo e serviços,
por meio do crescimento contínuo de seu pessoal, como, também, na forma de consumo direto de serviços, como
transações bancárias, assessoria, comunicações, transporte, e assim por diante; igualmente gera fortes ligações
para frente, especialmente na infraestrutura de serviços de comunicação e transporte, gerando condições à tomada
de impulso para um processo de crescimento. Deu-se grande ênfase à construção de estradas, que, ligando a nova
capital ao resto do País, conseguiram aumentar o grau de acessibilidade ao interior brasileiro.
Como podemos ver, o tipo de planejamento foi claramente de natureza estrutural. Foi uma tentativa de criar outras
ligações que poderiam levar a um crescimento econômico e, também, uma tentativa de introduzir novas variáveis a
fim de atingir o desenvolvimento.
Brasília é um bom exemplo de um processo de planejamento de alcance limitado, apesar de seus efeitos em longo
prazo terem sido bastante abrangentes. Igualmente, o plano de Brasília estava longe de ser amplo, apesar de algumas
importantes diretrizes terem sido estabelecidas. A maior parte do esforço de planejamento concentrou-se na área
central, chamada de plano-piloto, enquanto as cidades-satélites e o Distrito Federal, como região, foram bastante
negligenciados e abandonados a processos de crescimento espontâneo. Da mesma forma, com exceção de algum
planejamento na área de construção das estradas, a maioria dos outros setores não foi planejada.
Como mencionado anteriormente, esta abordagem não é sempre ineficiente, se os planejadores se defrontam com
situações de escassez de recursos e incertezas, tais como as encontradas na construção de Brasília. Em adição, a
estratégia de crescimento desequilibrado, escolhida neste caso, exige tipos de planejamento estrutural bastante
localizados.
Os processos de planejamento podem, muitas vezes, encontrar forte oposição de vários grupos, reduzindo de forma
sensível sua representatividade. No caso de Brasília, este problema foi evitado com sucesso, preservando-se um alto
grau de representatividade. No princípio, a ideia de uma nova capital não foi contra os interesses de ninguém. Muito
pelo contrário, encontrou um largo consenso entre toda a população. O sul industrializado adquiria novos mercados,
a subdesenvolvida região nordestina encontraria novas terras onde parte de sua população crescente poderia se
instalar. A nação como um todo teria uma nova fonte de emprego e orgulho.

39
CAPÍTULO 2 • Epistemologia e história do planejamento: o que entender sobre isso: o antes, o depois e o agora

A oposição ao plano foi habilmente evitada nos últimos estágios do processo de planejamento, por meio de um
conjunto de mecanismos importantes e uma grande habilidade política. O plano era flexível e propositadamente
vago, o que evitou possibilidades de confrontos com qualquer grupo específico.
A falta de projeções financeiras exatas e estimações de custo foram importantes para evitar o medo de grandes
pressões inflacionárias, que seriam inevitáveis se os custos reais tivessem sido prognosticados. Igualmente, a
população de funcionários públicos foi atraída para fora do Rio – a cidade maravilhosa – muito mais pela oferta de
pagamentos dobrados e aposentadoria em tempo mais curto do que através de cruéis decretos executivos. O plano
da cidade foi escolhido de modo a permitir uma grande flexibilidade no desenvolvimento real da cidade, enquanto,
ao mesmo tempo, sugeria um forte simbolismo sobre o qual a imaginação poderia estender-se longamente.
Como resultado de tudo isso, o processo de planejamento caracterizou-se por uma alta representatividade e uma
oposição relativamente fraca e, infelizmente, muito pouco tem sido feito para avaliar os resultados da construção de
Brasília.
A capital e suas cidades-satélites contam, atualmente, com mais de 800 mil habitantes, com alta taxa de crescimento
prevista para o futuro. Seu impacto indireto na migração e colonização não é conhecido. Há, entretanto, evidências
que mostram que ela foi bem-sucedida em atrair a população para o interior do Brasil. Isto se demonstra pelos
maiores índices de crescimento de cidades como Brasília, Goiânia e Cuiabá do que das cidades mais antigas do
litoral, como São Paulo e Rio de Janeiro.
A estrada Belém-Brasília, que corta áreas quase inabitadas nos últimos anos da década de 1960, atraiu uma
população superior a 2 milhões, ao longo de seu percurso. Mais uma vez, os movimentos migratórios foram
completamente espontâneos e a contribuição do Governo limitou-se à construção da rodovia. O mesmo fenômeno
deve ser observado ao longo das outras rodovias que ligam Brasília com as outras capitais estaduais no Brasil o que,
sem dúvida, prova o sucesso de Brasília na colonização do planalto central brasileiro.
Em adição à atração de migrantes para a área, Brasília serviu ao objetivo fundamental de criar um mercado para
produção local. Apesar de seu impacto na industrialização dos estados centrais não ter sido significativo, ela criou
uma oportunidade para um aumento na produção primária e terciária. Além disso, o sucesso da experiência de
Brasília foi, indubitavelmente, um fator primordial na motivação aos mais recentes e, também, mais ambiciosos
projetos de colonização da região amazônica.
(Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-75901977000400001).

Algumas pessoas planejam de forma sofisticada e altamente científica,


obedecendo aos mais rígidos princípios teóricos, e em nada se afastando
dos esquemas sistêmicos que orientam o processo de planejar, executar
e avaliar. Outros, que nem sabem da existência das teorias sobre
planejamento, fazem seus planejamentos, sem muitos esquemas ou
dominações técnicas; contudo são planejamentos que podem ser
agilizados de forma simples, mas com bons e ótimos resultados.
(MENEGOLLA, SANT’ANA, 2003, p. 15 apud EVANGELISTA, 2010, .57).

Importante

Atualizando nossa rota na história do planejamento, ressalta-se que o procedimento, desde o surgimento no
ideário humano, galgou fases definidas no curso histórico desde os períodos racionalista, antiguidade e idades
média, moderna e contemporânea e nesse espaço importa situar ainda o surgimento de fatos como a bomba
atômica, a modernização das guerras, a revolução industrial, a ida do homem à lua, os avanços na tecnologia e das
comunicações.

40
Epistemologia e história do planejamento: o que entender sobre isso: o antes, o depois e o agora • CAPÍTULO 2

Para ampliar seus conhecimentos sugerimos:

» E agora... o que considerar nesse trajeto histórico que retrata o caminho da história
do Planejamento Educacional no Brasil?

Nesta exposição, objetivando melhor entendimento sobre a trajetória histórica do


planejamento educacional no Brasil optou-se por relatar períodos que podemos
chamar ‘‘místicos’’ ou emblemáticos relativos à educação brasileira como no final
dos séculos XX e início do XXI, relacionados ao Manifesto dos Pioneiros da Educação
Nova, da Ditadura Militar, compreendidos dos anos de 1990 aos anos 2000.

É fundamental observar que um século começa no início de um ano 01 e


termina no fim de um ano 00 – por exemplo, o século XX começou em 1 o
de janeiro de 1901 e terminou em 31 de dezembro de 2000 e o século XXI
(atual) começou em 1o de janeiro de 2001 e terminará em 31 de dezembro
de 2100. (Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Século.)

No século XX destacou-se a ideia de agregar o planejamento à institucionalização central.


Nesse entendimento, estado e planejamento ficam na equivalência sob a centralização do
poder absoluto e, por isso mesmo, sendo interpretado por formas bem diferentes.

Na literatura existente pode-se saber que o planejamento era considerado aparelho arranjado
pelo Estado e ligado socialmente aos mais diferentes grupos, tendo por base os movimentos
de centralização e descentralização. Melhor explicando, trata-se da elaboração burocrática
e racional do planejamento, por novas práticas descentralizadas e mais democráticas,
compreendida pela substituição do modelo de acumulação taylorista/fordista para o
modelo chamado flexível, como o trabalho em grupo, a cooperação, a participação direta
nos processos de decisão, a flexibilização e a descentralização.

O panorama brasileiro, quando foram iniciadas as primeiras elaborações de planejamento,


pode ser explicado pelo período dos anos 1930, assinalado pela transição da mudança da
estrutura econômica brasileira que, baseada na agricultura, especialmente nos estados de
Minas Gerais e São Paulo passou pelo desgosto da falência dos agricultores, basicamente
os cafeicultores devido à caída brusca da bolsa nos Estados Unidos ou no chamado crash
da bolsa de Nova Iorque, culminando na revolução de 1930 e, em consequência, mudando
a economia para o modelo conhecido como nacional-desenvolvimentista.

Devido a esse episódio, o país despenca economicamente, sendo obrigado a participar


direta e indiretamente, desde a formulação de regras de desenvolvimento, até a criação e
manutenção de empresas estatais, buscando a substituição de importações como alternativa
ao desenvolvimento industrial.

Assim, como entendido, ocorre a promulgação da Constituição de 1934, e, nesse período,


preparado pelos movimentos sociais dos anos anteriores, é criado o Partido Comunista do
Brasil (1922), ocorrendo, também, as Revoltas Tenentistas (1922 e 1924), que manifestam
descontentamentos contra as oligarquias e o sistema republicano vigente. Nesse período,
o fervor político faz solidificar a Revolução Constitucionalista de 1932.

41
CAPÍTULO 2 • Epistemologia e história do planejamento: o que entender sobre isso: o antes, o depois e o agora

Como percebido nas leituras, é intensa a influência do escolanovismo, demonstrado no


Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova (1932), marco referencial importante do pensamento
liberal com repercussões sobre ideias e reformas propostas em períodos seguintes. Na
Educação surgem reformas em vários estados brasileiros como Ceará, Pernambuco,
Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais; surge o Ministério da Educação e Saúde,
orientando para a reforma do ensino secundário e superior, com a criação do Conselho
Nacional de Educação.

Posteriormente, de acordo com Saviani (2007), é anunciada a Constituição de 1934, primeira


que em 17 artigos aborda questões educacionais, cabendo à União, “traçar as diretrizes da
educação nacional” (art. 5 o, XIX), “fixar o plano nacional de educação, compreensivo do
ensino de todos os graus e ramos, comuns e especializados, organizar e manter” os sistemas
educativos dos territórios e manter o ensino secundário e superior no Distrito Federal (art.
150), assim como exercer “ação supletiva na obra educativa em todo o País” (art. 150, d e
e); ainda entre as normas estabelecidas para o primeiro Plano Nacional de Educação estão
o “ensino primário integral e gratuito e de frequência obrigatória extensivo aos adultos e
tendências à gratuidade do ensino posterior ao primário, a fim de torna-lo mais acessível”
(art. 150, parágrafo único, a e b);

liberdade de ensino em todos os graus e ramos observadas as prescrições


da legislação federal e da estadual e reconhecimento dos estabelecimentos
particulares de ensino somente quando assegura a seus professores a
estabilidade, enquanto bem servirem, e uma remuneração condigna (art.
150, parágrafo único, c e f);

a oferta do ensino em língua pátria (art. 150, d); a proibição do voto aos analfabetos (art.
108). Finalmente, vale citar dispositivos relativos ao magistério: a isenção de impostos
para a profissão de professor (art. 113, inciso 36) e a exigência de concurso público como
forma de ingresso ao magistério oficial (art. 158).

Desse modo, nossa rota de estudo histórico fica ciente de que, com a Carta de 1937,
inicia-se no Brasil um período caracterizado por uma centralização exacerbada de
poder na esfera federal, com o chamado Estado Novo e que abrange também no
campo educacional, surgindo, nos anos 1940, as reformas educacionais provocadas
pelo poder central, nomeadamente as chamadas Leis Orgânicas de Ensino, em
referência ao título de cada uma e advindo da área específica a que se destinam ,
coerentes em seis decretos-leis idealizados durante a administração de Gustavo
Capanema no Ministério da Educação, e assim denominadas: Lei Orgânica do
Ensino Industrial – (Decreto-Lei n o 4.073/1942), ao secundário (Lei Orgânica do
Ensino Secundário – Decreto-Lei n o 4.244/1942) e ao comercial, (Lei Orgânica do
Ensino Comercial – Decreto-Lei n o 6.141/1943). Também durante esse período
é criado o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai – Decreto-Lei n o
4.048/1942).

42
Epistemologia e história do planejamento: o que entender sobre isso: o antes, o depois e o agora • CAPÍTULO 2

De acordo com Ianni (1996, p. 25):

o que estava em jogo nesse período era uma estratégia política


com base na formulação de novas concepções de desenvolvimento,
industrialização, planejamento, intervencionismo estatal, emancipação
econômica, entre outras, o que dá à educação um direcionamento
para a garantia do desenvolvimento econômico do país.

Assim compreendido foram sendo criadas as condições para o desenvolvimento de


uma tecnoestrutura estatal (grupo organizado de especialistas como engenheiros,
administradores, contabilistas, economistas, matemáticos, estatísticos, analistas etc.)
com abordagem na técnica e na prática do planejamento, especialmente, após o término
da Segunda Guerra Mundial.

Sob esse enfoque de caminhar na história constata-se que o texto da Carta de 1946
retroage à de 1934, com novidades sobre a competência da União que é “legislar sobre as
diretrizes e bases da educação nacional” (art. 5o, XV ), quando as Constituições anteriores
haviam atribuído pertinências no sentido de “traçar as diretrizes” (Constituição de 1934)
ou “fixar as bases [...] traçando as diretrizes” (Constituição de 1937).

Conforme explicita Horta (1982), mesmo não sendo presente a ideia de plano, como
idealizado pelos liberais nos anos 1930, persistiu a definição de plano como um conjunto
de metas para a estruturação do sistema educacional brasileiro. Com isso, foram retomados
alguns itens ‘‘esquecidos’’ na Carta de 1937 consequentes do golpe como a educação
como direito de todos; a descentralização da educação por meio da criação de sistemas
educacionais; a exigência de concurso público para o provimento das vagas destinadas
ao cargo de professor; o financiamento da educação vinculado à arrecadação da União,
dos estados e municípios, aparecendo pela primeira vez em texto oficial, a terminologia
de ‘‘ensino oficial’’ .

Ainda segundo Horta (1982), nos anos 1956/1961, nasce o Programa das Metas (do Plano
de Desenvolvimento Econômico) onde está inclusa a educação como setor necessário,
ou seja, surge como meta setorial específica, num planejamento brasileiro, para o
desenvolvimento do País frente à carência de técnicos devidamente habilitados para
o serviço, depreendendo-se disso a percepção da necessidade de um planejamento
integral da educação associado ao planejamento econômico e social, sendo o exercício
do planejamento por prioridades (dito estatal), aceito no Brasil durante a Segunda Guerra
Mundial juntamente com o Plano de Metas como a primeira experiência de planejamento
governamental, efetivamente praticado no País.

Com relação à Constituição de 1967 e seguindo em frente com nossas informações e


reflexões, só depois de divulgada essa Carta é que são apontadas as principais propostas

43
CAPÍTULO 2 • Epistemologia e história do planejamento: o que entender sobre isso: o antes, o depois e o agora

de reforma do período, importantes porque marcaram de modo significativo o panorama


educativo dos anos seguintes, mesmo o País voltando para uma fase de autoritarismo.

Dessa forma e para dar uma direção às questões do planejamento educacional,


importa alertar que após os muitos anos de contendas e debates entre vários grupos
de poder representados no Congresso Nacional e entre os intelectuais da educação,
especialmente os acompanhantes ao Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb)
foi aprovada, em 20 de dezembro de 1961, a Lei n o 4.024, que entrou em vigor em
1962, como a primeira LDBEN e, posteriormente, em 1996, a atual Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional, n o 9.394/1996 sobre a qual abordaremos nos próximos
capítulos.

Entendemos ser pertinente refazermos esse caminho histórico, lendo o esquema, de


acordo com Oliveira. Disponível em: http://www.anpae.org.br/IBERO_AMERICANO_IV/
GT5/GT5_Comunicacao/ElisangeladosSantosdeOliveira_GT5_integral.pdf . Acesso em:
julho 2019.

Saiba mais

Se o planejamento educacional do País sempre buscou acompanhar seu projeto econômico e político, cabe-nos
questionar se os programas apresentados nos últimos anos configuram, em conjunto, um planejamento educacional,
que se desenvolve de forma orgânica em prol de um projeto de sociedade, ou se esses planos representam programas
isolados e superpostos que não evidenciam um planejamento educacional concreto.

De certa forma, observa-se que no século XXI, o Estado reassume o papel do planejamento econômico e social, o
qual estava em refluxo durante toda a década de 1990, quando se promoveram certas reformas de cunho neoliberal
no intuito de acatar aos anseios internacionais, não atendendo às expectativas educacionais do País. Dentro dessa
lógica, a descentralização entendida como transferência de atribuições e de poder para a tomada de decisão por
diferentes níveis de governo, nem sempre significa maior autonomia para estes níveis.

A Constituição de 1988 buscou atender às reivindicações por maior democratização da gestão pública no País;
mas, por outro lado, a descentralização adotada a partir dos anos 1990 também representou maior participação da
iniciativa privada nos direitos sociais, dando a estes uma característica de serviços sob a lógica de produtividade e
eficiência.

Neste estudo podemos concluir que, se no período ditatorial vivenciamos um Estado centralizador de modo
a garantir menor interferência do poder local nas políticas públicas em prol da continuidade do regime, em
contrapartida, a redemocratização representou a entrada da iniciativa privada e de agências supranacionais no
espaço escolar sob o discurso da descentralização das políticas educacionais.

Assim, durante o século XX, ocorreram movimentos de centralização e descentralização das ações do Estado de modo
a acompanhar as mudanças econômicas e sociais em nível mundial, adequando a educação às necessidades do
mercado. Tais ações, por vezes, representaram a descontinuidade de políticas educacionais configurando-as apenas
como políticas de governo e não como políticas de Estado.

Nesse contexto, o planejamento educacional torna-se um campo de debates políticos e ideológicos entre diferentes
atores sociais que trazem distintas concepções de educação, bem como de qual o objetivo-fim do processo educativo,
de modo que nessa relação de forças, o planejamento educacional assume diferentes finalidades; e a educação,
embora apresente conquistas, destina-se à manutenção da hegemonia dominante.

44
Epistemologia e história do planejamento: o que entender sobre isso: o antes, o depois e o agora • CAPÍTULO 2

Ao iniciarmos o capítulo 2, sugerimos por meio do indicativo de estudos o seguinte tema:


História do Planejamento: o que entender sobre isso – o antes, o depois e o agora?

Pois bem. Já abordamos, resumidamente, informações fundamentais sobre o Planejamento


desde os anos 1930, período considerado como o início de suas aplicações e, sucessivamente,
foi feito, numa linha histórica, o passo a passo planejamento, até a citação da promulgação
da Constituição de 1988, tendo em vista, como já comentado, que o planejamento
educacional no Brasil sempre esteve alinhado às concepções políticas e econômicas de
cada período de nossa história.

Conforme observa Carvalho (2014, p. 50):

É pertinente ressaltar que, com os avanços que se dão no Brasil a partir da


Constituição de 1988, os quais ensejaram espaços de participação e caráter
mais democrático às políticas públicas, discutem-se novas concepções
e experiências de planejamento. O protagonismo de sujeitos, grupos e
comunidades na construção de políticas públicas menos verticalizadas
coloca-se então como desafio para os gestores e técnicos que planejam
e organizam projetos, planos e programas sociais.

E agora, como perceber o planejamento educacional quando as inovações educacionais


borbulham sob vários aspectos técnicos, políticos e econômicos?

Inicialmente, importa lembrar, conforme Filatro (2009), que inovação é processo que orienta
o planejamento, bem como as iniciativas educacionais pioneiras associando atividades
de ensino presenciais, semipresenciais e a distância, previstas na legislação de educação
em vigor e ancoradas por recursos tecnológicos para direcionar especificamente, em qual
desenho de educação se quer chegar.

Em continuidade ao comentário acima ressaltam-se as citações já mencionadas em


Desafios contemporâneos na educação: novos olhares no planejamento, feitas em
momentos anteriores a este Livro de Estudos e complementando tais reflexões julgou-se
importante alertar para o momento educacional advindo na era da globalização, quando
o mundo em modificação, cheio de novidades e transformações rápidas, de diversas
naturezas, têm exigido dos indivíduos, readequações e adaptações contínuas.

Ora, se tudo muda, precisamos mudar a forma como nos posicionamos, pois como
bem o sabemos, o dia continua com as mesmas horas, mas parece às vezes sufocar-nos
na revisão para reajustar o jeito de viver e administrar as mudanças das atividades no
nosso dia a dia, requerendo melhor gestão de tempo e de decisões, ou seja, precisamos
fazer de jeito diferente, as mesmas coisas, já que a cada dia temos algo diferente para
aprender e enfrentar.

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CAPÍTULO 2 • Epistemologia e história do planejamento: o que entender sobre isso: o antes, o depois e o agora

De acordo com Freitas (2015, p. 62):

Um dos maiores sugadores de nosso tempo é a falta de um planejamento


adequado ao cenário no qual estamos inseridos e, consequentemente,
a falta de delegação. Saber planejar e delegar é uma das competências
essenciais para o profissional do século XXI. Diante de tanta informação,
inovação e novidades, precisamos desenvolver a capacidade analítica,
expandir o nosso campo de percepção dos fatos e seus impactos em nossa
vida e nos inúmeros acontecimentos do dia a dia. Já que tudo muda numa
velocidade cada vez mais desconhecida, um dos caminhos para diminuir
esse impacto é planejar o que precisamos fazer, definir como será feito,
quando deverá acontecer e por quanto tempo precisa acontecer. Ou seja,
qual a prioridade que deve acontecer, o que torna imprescindível sabermos
diferenciar o que é importante do que é urgente.

Figura 8. Disrupção.

Fonte: https://www.heflo.com/pt-br/wp-content/uploads/sites/2/2016/12/inova%C3%A7%C3%A3o-disruptiva-exemplo.
jpg. Acesso em: 3/3/2020.

Então, nessa linha de pensamento, é válido alertar que o processo educacional, em seus
diferentes níveis e modalidades, (temas que serão detalhados nos próximos capítulos),
reveja o como as inovações técnicas, culturais, políticas, comerciais, disruptivas e tantas
outras têm exigido dos planejadores e executores do campo educacional alterações
velozes quebrando resistências de ‘‘fazer diferente’’, com vistas à melhoria da qualidade
do ensino-aprendizagem e, consequentemente, na qualidade de vida do ser humano.

Disruptiva significa a transformação de uma tecnologia, produto ou serviço em algo


novo, mais simples, conveniente e acessível.

46
Epistemologia e história do planejamento: o que entender sobre isso: o antes, o depois e o agora • CAPÍTULO 2

Figura 9. Planejar e pensar diferente.

Fonte: https://novaescola.org.br/conteudo/295/planejamento-escolar

Refletindo sobre esses aspectos, podemos insistir na questão do pensar numa visão
comparativa entre paradigmas do planejamento na história e no cenário contemporâneo
indicando, sem hesitar, a revisão das atuações, propondo aprofundamento nos vários
cenários educativos, em suas diversas nuances, quais sejam, os novos ambientes de
aprendizagem por meio das metodologias ativas, os métodos de trabalho independente,
projetos, aulas Invertidas, tecnologias ativas e outros.

Saiba mais

Sem fugir da história torna-se válido mencionar dois educadores que trouxeram elementos de experiências concretas
e inovadoras referentes ao planejamento educacional.

Um deles, Anísio Teixeira ( décadas de 1950-1960), cujas contribuições não se limitaram a livros e artigos, na
idealização de projetos, planos e ações no campo administrativo, dentre eles, planejar a educação brasileira sob as
abas de uma Constituição de política nacional de formação de professores e a organização de uma rede de centros
de pesquisa educacional justaposta para subsidiar escolas e redes de ensino no que competia ao planejamento
educacional.
Disponível em: https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwiz18j16drjAhUyHLkGHaEbBfMQjRx6
BAgBEAU&url=http%3A%2F%2Fwww.educacao.ba.gov.br%2Fmidias%2Ffotos%2Fanisio-teixeira%3Ftipo%3Dprevious%26page%3D92%26tipo
%3Dprevious&psig =AOvVaw31bvdam1sWtqjbdDD72wVC&ust=1564513715795268. Acesso em: julho de 2019.

Figura 10. Anísio Teixeira.

Fonte: https://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2014/02/An%C3%ADsio-Teixeira.jpg. Acesso em: 3/3/2020.

47
CAPÍTULO 2 • Epistemologia e história do planejamento: o que entender sobre isso: o antes, o depois e o agora

Santos (2016, p. 19) afirma que:

Os educadores – sejam professores, especialistas de currículo, de


métodos ou de disciplina, ou sejam administradores – não são,
repitamos, cientistas, mas, artistas, profissionais, práticos (no sentido
de practitioner, do inglês), exercendo, em métodos e técnicas tão
científicas quanto possível, a sua grande arte, o seu grande ministério.
São cientistas como são cientistas os clínicos; mas sabemos que só em
linguagem lata podemos efetivamente chamar o clínico de cientista..

Outro educador brasileiro e reconhecido mundialmente pelos ensinamentos e proposições,


é Paulo Freire.
Figura 11. Paulo Freire.

Fonte: Secretaria de Educação do Estado da Bahia, 2012. https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/


historia-quem-foi-paulo-freire.phtml. Acesso em: 3/3/2020.

Paulo Reglus Neves Freire (décadas 1950-1990). Paulo Freire foi um educador de
importância e destaque no cenário nacional e internacional, pareceu não estar
disposto a fazer de sua história uma história marcada pela acomodação diante de
um mundo caracterizado pela injustiça social, pelo analfabetismo, pela exclusão
cultural e econômica. Seu pensamento e sua ação fizeram-se transformar num
homem que se compreendeu como um ser que podia, de alguma forma, contribuir
para que a história dos homens e das mulheres tivesse outra página. Escolheu o
caminho da Educação. Ensinou e aprendeu. Continua a ensinar. Na vastidão de
seu pensamento, disseminado pelos livros publicados, palestras conferidas, aulas
etc., é possível delimitar, para o propósito desta discussão, dois aspectos – diálogo
e conscientização – que permitem contribuir para as discussões sobre a questão
do diálogo. Isto porque, para Paulo Freire, essa temática torna-se central em sua
compreensão do fenômeno educativo e, a partir dele, tanto homem como mulher,
pelo diálogo, chegam à consciência de ser-no-mundo.

Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-quem-foi-paulo-
freire.phtml

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Epistemologia e história do planejamento: o que entender sobre isso: o antes, o depois e o agora • CAPÍTULO 2

Para refletir

Para visualizar dados e fatos sobre questões da Educação e da Pedagogia, propomos alguns bons filmes: são
produções que pontuam reflexões sobre o valor da educação, do nosso sistema educacional, do aluno e do professor.

Figura 12. Registro de uma das cenas do filme Escritores da Liberdade.

Fonte: http://cinemabh.com/wp-content/uploads/2010/10/escritores-da-liberdade-03.jpg Acesso em: 29 de julho de


2019.

Escritores da Liberdade: “Baseado em uma história real onde uma dedicada


professora acaba de chegar em uma escola marcada e dividida por preconceitos
raciais, ela se vê obstinada a mudar a realidade da escola, ensinando uma turma
de alunos adolescentes que apresentam sérios problemas de aprendizagem. Ela
tenta inspirá-los e acreditarem em si mesmos.”

Figura 13. Cartaz do filme Adágio ao Sol.

Fonte: https://media.fstatic.com/7bdUC1q2eOjh4RYIGVseZH61ujw=/fit-in/210x312/smart/media/movies/covers/2017/07/
Ad%C3%A1gio.jpg. Acesso em: 29 de julho de 2019.

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CAPÍTULO 2 • Epistemologia e história do planejamento: o que entender sobre isso: o antes, o depois e o agora

Adágio ao Sol: No início dos anos 1930, numa fazenda de café no interior de São Paulo,
Júlio (Cláudio Marzo), Angélica (Rossana Ghessa) e Álvaro (Marcelo Moraes) vivem um
intenso triângulo amoroso, tendo como pano de fundo a crise do café, a tomada do poder
por Getúlio Vargas e a revolução constitucionalista de 1932 na qual Álvaro se alista. Uma
curiosidade: para as cenas de multidão, nos momentos pré-revolucionários, o diretor teve
o apoio da população da cidade de Casa Branca, SP, que foi devidamente caracterizada
conforme a moda da época.

Disponível em: https://ensinarhistoriajoelza.com.br/22-filmes-sobre-o-brasil-dos-anos-1930-a-1954/.

Sintetizando

Revendo informações e provocações:

» No capítulo 2 tivemos oportunidade de pontuar itens significativos sobre questões do surgimento e


desenvolvimento do planejamento educacional, desde os primórdios do homem na natureza até a promulgação
da legislação atual de educação ocorrida na década de 1980.

» A partir da segunda metade do século XX, após as guerras mundiais, houve uma necessidade de organização,
por isso o planejamento teve uma importância para a sociedade. Com isso, surgiram novos pensadores, que
contribuíram para métodos de planejamento.

» Por meio de exposições teóricas deixou-se claro que atualmente deve haver seriedade na ação de planejar
maximizando a consciência e a intencionalidade, participação e responsabilidade como elementos-chave para a
nova percepção de planejamento no mundo moderno.

» Também tivemos oportunidade de alertar para novo jeito de ‘‘olhar’’ o ato de planejar como permanente resultado
do processo avaliativo, quer em nível macro, meso ou micro, alertando para o momento educacional advindo na
era da globalização, quando o mundo em modificação, cheio de novidades e transformações rápidas, de diversas
naturezas, têm exigido dos indivíduos, readequações e adaptações contínuas, de modocriativo e significativo.

» Na linha de pensamento proposta para refletir o planejamento educacional e suas especificidades, crenças,
conhecimentos, e limitações, propusemos as questões da participação por meio da conscientização e do diálogo,
cuidando para o melhor desenvolvimento do homem que busca sua qualidade de vida.

» Dependentes das necessidade de mundo moderno como a inclusão, plasmamos o conceito de planejamento
educacional, requerendo sempre a participação como desafio para todos os atores envolvidos nos processos de
elaboração, uma vez que planejar participativamente tem a ver com opções de ordem ética e pragmática.

50
CAPÍTULO
O PLANEJAMENTO COMO
INSTRUMENTO DE POLÍTICA PÚBLICA
DA EDUCAÇÃO 3
Introdução

Provocação

“No campo da educação há uma perigosa falta de acumulação das experiências e das inovações, uma
descontinuidade no esforço criador, que não só provoca um grande desperdício, mas, sobretudo, tira a coragem de
qualquer um.” (FURTER, 1968, p. 200).

Só para recaptular que a ação de planejar está em nossas vidas, implicitamente,


planejamos hora de tudo, ou seja, do acordar, a hora de almoçar, de uma compra, de
formar, de filhos, de uma festa, de uma viagem, do momento de terminar determinado
trabalho, e tantos outros, assim como, políticos, empresários, gestores educacionais,
todos temos necessidades de chegar aos objetivos almejados.

Assim, como o planejamento surge a partir do momento em que desejamos organizar algo,
não diferente, no âmbito educacional, as ações são da mesma forma.

Na perspectiva das políticas públicas de educação, o sistema investiga a qualidade do que


exige um processo constante de planejar/replanejamento, pois é impraticável haver um
modelo de planejamento único, sempre antenado de que o processo do planejamento
acontece em níveis e fases diferentes nos cenários educacionais.

Objetivos

» Caracterizar o público porque é do povo e a ele se destina, sendo esse povo que
designa representantes para a defesa dos seus interesses, e que decisões e políticas
resultantes dos debates, acordos e decisões são chamadas política públicas cujo
objetivo é refletir o equilíbrio desta balança de interesses.

51
CAPÍTULO 3 • O planejamento como instrumento de política pública da Educação

» Refletir criticamente o planejamento educacional numa perspectiva de gestão


pública explicando sucintamente os tipos de planejamento, reconhecido como
estratégico, tático e operacional.

» Analisar a relação entre os conteúdos de um programa, projeto ou plano deverão


assentar-se em quê?, por quê?, para quê?, quem?, como?, onde?, quando?, quanto?
E consubstanciados em um documento, compor o planejamento educacional como
um todo.

Aparências conceituais: planejamento, política e pública


Figura 14. O que são políticas públicas?

Fonte: https://grajaudefato.com.br/wp-content/uploads/2018/02/maxresdefault.jpg. Acesso em: 29 de julho de


2019.

Com a intenção de facilitar o entendimento do assunto tratado neste capítulo


pretende-se que alguns conceitos como planejamento, política e pública situar a
política educacional no contexto geral, uma vez que ela não ocorre isoladamente na
sociedade, mas de modo articulado com seus demais componentes.

Devido às profundas mudanças que ocorrem em todos os setores sociais há urgência


em repensar a educação considerando que as referidas mudanças refletem diretamente
na dinâmica organizacional. Em razão disso, as políticas de educação como existentes
não mais atendem à integralidade das precisões de um sistema educacional como
um todo.

Para acompanhar tais transformações sociais é imperativo que para acompanhar


as transformações da sociedade são solicitadas modificações não só na estrutura
organizacional, mas, acima de tudo, nos paradigmas que embasam a edificação de nova
proposta educacional.

52
O planejamento como instrumento de política pública da Educação • CAPÍTULO 3

Continuamente constata-se os desafios enfrentados para operacionalizar as políticas


de educação que sabidamente deverão nortear os planos, implementando propostas
por meio de ações coerentes para o alcance dos objetivos estabelecidos, num processo
de avaliação contínua e permanente, com eficiência e eficácia à vinculação de recursos
à manutenção e desenvolvimento do ensino, tendo em vista que financiamento e
gestão são processos indissociáveis.

Nessa premissa há que ser entendido que política é um termo explicado de várias formas,
mas o que é mais aplicável é o entendimento de que seja a habilidade no trato de assuntos
ligados às relações humanas para obter resultados desejados em qualquer área do convívio
social, ou seja, politizar é disponibilizar para as pessoas oportunidades de tratar com
diversos objetivos, mas de assuntos comuns que sejam do interesse comum.

Na Educação há oportunidades de debates em todos os segmentos da sociedade que


tenham interesse em participar e cooperar dos setores públicos e particulares, assim
como professores, estudantes pais, funcionários, vizinhos das instituições escolares,
enfim todos os atores ligados direta ou indiretamente às questões de educação, com a
pretensão, consensual de se chegar a uma política, associadas em certificados legais de
planos, projetos e programas.

Como você se imagina fazendo parte de um desses grupos?


Figura 15. Trabalhando em grupo.

Fonte: https://www.politize.com.br/como-discutir-politica-de-forma-saudavel/. Acesso em: 4/3/2020.

Conceitualmente, público significa: do referente, pertencente ou destinado ao povo


ou à coletividade, cujo interesse sempre tem prevalência sobre o particular e se o
regime é democrático, compete à sociedade a responsabilidade de designar alguns

53
CAPÍTULO 3 • O planejamento como instrumento de política pública da Educação

representantes para compor o setor público, formado pelos organismos que representam
a comunidade, ou seja, o interesse público como um todo. .

Por analogia, existem razões óbvias para que o setor público tenha função de liderança
no processo político-educacional, tendo em vista ser o único com características como
ter poder para representar a população, a princípio ser imparcial, e liberdade para aceitar
numa visão de longo prazo para a prática de suas políticas.

Nessa linha de entendimento de definições, com relação ao Planejamento, ele é processo,


inicialmente intelectual que do ponto de vista de conceito que conjectura análise, reflexão
e previsão, visando ao futuro e estabelecendo normas coordenadas de ações para se chegar
à consecução de alguns objetivos nele constituídos.

Para explicar detalhadamente, importante salientar que do planejamento resulta um


plano, programa ou projeto, e nesse aspecto é válido explicitar que planejamento é
diferente de plano que é um dos possíveis resultados do planejamento, assim como os
programas e projetos. Ora, se o planejamento é um processo, o plano, o programa e o
projeto são resultantes deste processo e que há diversos tipos de planejamentos, assim
classificados e detalhados a seguir:

» do econômico (macroeconômico ou microeconômico);

» do administrativo (público, privado ou misto);

» do tempo (longo, médio e curto prazo);

» do espaço (local, municipal, regional, estadual, nacional, continental ou mundial);

» do setorial (setorial, intersetorial, global);

» de abrangência (estratégico, tático ou operacional), assim detalhado, como no quadro


a seguir:

Quadro 4. Tipo de planejamento por abrangência.

Variável Estratégico Tático Operacional

Tempo Longo prazo Médio prazo Curto prazo

Ação para determinado


Espaço Todo o território Parte do território
espaço de tempo

Objetivos Define os gerais Define os específicos -


O plano todo aponta a Transforma-as em ações, embasando as
Diretrizes Operacionalizar
direção a seguir decisões que indicam a direção a seguir

Fonte: Quadro-síntese criado pela autora a partir de Ignarra (2003, p. 81).

54
O planejamento como instrumento de política pública da Educação • CAPÍTULO 3

Saiba mais

De modo geral, quando o indivíduo decide que quer planejar, ele ambiciona respostas para as seguintes perguntas:

» O quê? (define-se o objeto do planejamento);

» Por quê? (definem-se as justificativas do planejamento);

» Para quê? (definem-se os objetivos do planejamento);

» Quem? (definem-se os agentes e os destinatários do planejamento);

» Como? (definem-se os meios para se alcançar os objetivos propostos);

» Onde? (define-se, espacialmente, a localização daquilo que se quer implantar ou transformar);

» Quando? (estabelece-se um cronograma de ações visando atingir os objetivos propostos);

» Quanto? (definem-se e dimensionam-se os recursos humanos, materiais e financeiros necessários para


implementar o objeto de planejamento);
Fonte: Adaptado de Ignarra (2003, pp. 82-83).

Por que o planejamento educacional pode ser considerado


instrumento de política pública na Educação?
Reflita sobre essa questão lendo o texto a seguir:

Para refletir

Se, inicialmente, o planejamento restringia-se à racionalização dos processos de produção industrial nos países
capitalistas, nos moldes da administração taylorista, com a Segunda Guerra Mundial, tornou-se atividade humana
consciente e instrumento racional de intervenção na realidade social, mediante o desenvolvimento de técnicas cuja
finalidade era controlar racionalmente a organização dos grupos sociais.

Entre seus objetivos, o planejamento buscava assegurar a continuidade do sistema, o enriquecimento dos valores
culturais pela revitalização das técnicas sociais tradicionais (como a educação) e o aprimoramento de novas formas
de manipulação de opiniões e atitudes (como a propaganda).

Na América Latina, o planejamento educacional teve importância histórica, nas décadas de 1960 e 1970,
constituindo-se em instrumento de intervenção governamental que possibilitaria a coordenação dos esforços
nacionais para empreender o desenvolvimento econômico e a modernização das estruturas econômicas e sociais,
nos moldes dos países capitalistas desenvolvidos.

Em termos metodológicos, o planejamento utilizado foi o normativo, ou racional-desenvolvimentista, concebido a


partir de uma racionalidade instrumental, em que se obtinha uma sequência rigorosa de etapas, na maior parte das
vezes, descolada das questões políticas e sociais enfrentadas pelos países.

O planejamento educacional, nesse período, veio a ser uma consequência da abordagem econômica e instrumental
do planejamento, e sua finalidade estava calcada na necessidade de preparação de mão de obra, indispensável para o
desenvolvimento capitalista.

Com a crise econômica nos decênios de 1970 e 1980, o papel do Estado no desenvolvimento econômico foi colocado
em discussão, assim como suas formas de atuação na implementação de políticas públicas, mediante o planejamento
econômico e social.

55
CAPÍTULO 3 • O planejamento como instrumento de política pública da Educação

Repercutindo diretamente nas políticas públicas, em particular nas políticas educacionais, a crise dos estados
capitalistas foi abordada numa série de encontros e ações internacionais ao longo dos anos de 1980 e 1990,
condensados em eventos realizados por organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura – Unesco –, Banco Mundial e Comissão Econômica para a América Latina – Cepal
– como a Conferência de Jontiem, o Projeto Principal de Educação e o Congresso Internacional “Planeamiento y
Gestión del Desarrollo de la Educación” – e em documentos referenciais, como a “Declaração Mundial de Educação
para Todos”, de 1990, e a “Educação e Conhecimento: eixo da transformação produtiva com equidade”, publicado em
1992, pela Cepal.

Do ponto de vista metodológico, o planejamento normativo foi questionado pelo seu reducionismo econômico
e pela excessiva formalidade do plano, que, na maioria das vezes, não contemplava a dinâmica dos processos
sociais. Considerado, por vários autores, como uma atividade essencialmente política, o planejamento tradicional
(normativo), ao reduzir-se ao aspecto econômico, dispensava os demais processos fundamentais de governo como
o processo político, as relações internacionais de poder e de segurança nacional, o desenvolvimento da ciência e da
tecnologia e as demandas sociais.

Em relação ao planejamento educacional, novas concepções que fortaleciam a ideia de um planejamento articulado
com as especificidades da educação – e não exclusivamente com o desenvolvimento econômico – foram elaboradas,
em paralelo com as abordagens de planejamento estratégico e o planejamento estratégico situacional.

No Brasil, fundamentalmente nesse período, dois entendimentos sobre alternativas para a crise foram delineados,
resultantes de duas posturas antagônicas: a primeira, reforçada por organismos internacionais de financiamento,
condicionava todas as decisões e reformas necessárias para a resolução da crise fiscal do Estado a um contexto
de austeridade; e outra, presente nas reivindicações de movimentos sociais, sindicatos e associações, defendia o
fortalecimento da democracia como a principal alternativa para eleger as prioridades e definir as políticas necessárias
para contornar o problema.

O resultado do amplo debate entre os setores da sociedade brasileira que representavam essas posições
consubstanciou-se na Constituição Federal de 1988, cujos avanços em direitos sociais foram, de certa forma,
atenuados pela falta de regulamentação de princípios básicos e pelo engendramento de uma série de mais de
70 emendas constitucionais, explicitando a fragilidade da estrutura política, econômica e social, os conflitos de
interesses e a fragmentação das ações do Estado em torno das políticas públicas.

Como consequência, na educação, por exemplo, as bandeiras de luta de educadores em torno da participação
dos processos de decisão, da gestão democrática e participativa foram incorporadas no texto da lei, mas
instrumentalizadas com base em mecanismos e modelos da administração gerencial. Nesse processo, a
descentralização tornou-se um dos principais aspectos da reforma que acometeu o Estado, sendo uma referência
para a revisão do papel dos organismos de planificação e para a adequação de concepções e práticas de
planejamento ao novo cenário político-institucional.
(Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15742014000300002).

De posse dessas informações importa lembrar que juntamente às precisões e realidades


das cidades e não menos importante estão as necessidades rurais, tendo em vista que
aproximadamente 20% da população do Brasil que vive neste espaço.

Ora, se nisso é claro que o ruralismo concebe a formação das civilizações e não diferente
no Brasil é notadamente conhecido que nos últimos anos essas regiões penam pela
diminuição da população que migra para as cidades em busca de melhoria de vida, uma
vez que também no campo surgem, a passos muito rápidos, a utilização das tecnologias
agrícolas, o que diminui o emprego provocando a dispensa do serviço do homem.

56
O planejamento como instrumento de política pública da Educação • CAPÍTULO 3

Como afirmam Mainard e Marcondes (2009, p. 305):

É quase como uma peça teatral. Temos as palavras do texto da peça, mas a
realidade da peça apenas toma vida quando alguém as representa. E este
é um processo de interpretação e criatividade e as políticas são assim. A
prática é composta de muito mais do que a soma de uma gama de políticas
e é tipicamente investida de valores locais e pessoais e, como tal, envolve
a resolução de, ou luta com, expectativas a requisitos contraditórios –
acordos e ajustes secundários fazem-se necessários.

Por meio da questão acima, Santos (2016, p. 46) pondera alguns itens fundamentais
sobre as relações entre políticas públicas x políticas educacionais com o planejamento
educacional, afirmando que o “planejamento educacional guarda estreita e indissociável
relação com as políticas públicas, mesmo quando aplicado a instituições educativas
privadas”, esclarecendo que não é possível uma política pública educacional necessitada
do seu conteúdo educacional, a forma política, da mesma forma, não poderá ser ausente
ou dissociada.

Segundo Santos (2016), uma política pública educacional jamais poderá ser legislada
afastando seu caráter dialógico e dialético; e, além disso, o planejamento de uma política
pública educacional possui como finalidade a educação, devendo ser o alcance dessas
finalidades dentro dos processos e procedimentos previamente estabelecidos na legislação,
no caso a Constituição Federal (1988) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (9.394/1996).

Nesse contexto, entendeu-se que a política constitui o teor da legislação, a legislação


delimita a forma da política e, portanto, o planejamento de políticas públicas precisará
considerar três momentos principais, quais sejam: (da formulação/planejamento;
modelagem/projeto; materialização/plano), as extensões que predominam em cada
etapa do ciclo de planejamento das políticas públicas educacionais.

Diante das explicações acima, podemos, agora, mencionar o planejamento educacional e sua
correlação com o Plano Nacional de Educação.

Plano Nacional de Educação

Nessa linha de reflexão, válido lembrar que conforme a Constituição Federal e, em seu
contexto, a LDB, em seu art. 9o, inciso I, diz que é incumbência da União elaborar o Plano
Nacional de Educação, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios,
e em seus bojos definem o alcance e o encargo de cada um dos sistemas de ensino quanto
à autorização, credenciamento e supervisão de todas as instituições de ensino sob sua
jurisdição, assim como a organização, manutenção e desenvolvimento dos órgãos e

57
CAPÍTULO 3 • O planejamento como instrumento de política pública da Educação

instituições dos seus sistemas de ensino, implicando o envolvimento de todas as instituições


públicas e privadas de ensino no contexto do Sistema Nacional de Educação.

Libâneo et al. (2008) pontua que, desde 1932, foram várias as tentativas de elaboração e
implementação de um plano de educação no Brasil, quando pelo Movimento dos Pioneiros
da Educação Nova (os escolanovistas), conscientes, entenderam, por meio das reivindicações
de múltiplos movimentos sociais, que a Educação deveria ser um problema nacional
clamando pelo aumento do atendimento escolar, por uma escola pública obrigatória, laica
e gratuita, aberta a todas as classes sociais.

Importante

Relembrando e/ou complementando informações...


A Constituição Federal de 1934, por sua vez, citou como principal função do Conselho Nacional de Educação, a
elaboração do Plano Nacional de Educação, que não foi implementado em virtude do golpe de 1937, que manteve
Vargas no poder até 1945.

A Lei no 4.024/1961 (primeira LDB) estabeleceu as coordenadas para a elaboração do primeiro Plano Nacional de
Educação. Em 1962, por iniciativa do Ministério da Educação, foi elaborado um plano, aprovado pelo Conselho
Federal de Educação (CFE), constituído de metas a serem alcançadas em oito anos, além de estabelecer os critérios
para a aplicação dos recursos destinados à Educação. Este plano, porém, não constituiu uma lei que determinasse
os objetivos e metas da Educação no País. Além desse, outros planos foram elaborados após 1962, mas devido à
descontinuidade administrativa e à falta de integração entre os ministérios, não foram realmente efetivados.

Com a promulgação da Constituição de 1988, foi instituído por lei o Plano Nacional de Educação, caracterizado como
autônomo em relação ao que estabelece a nova LDB.

No governo Collor, em 1993, outro plano foi editado – o Plano Decenal de Educação para Todos – mas foi abandonado
com a posse de Fernando Henrique Cardoso, em 1995. Como este governo tinha como projeto reformular toda a
educação brasileira, apresentou o seu Plano Nacional de Educação como continuidade do Plano Decenal de 1993
(art. 87, § 1o, da Lei no 9.394/1996). O projeto de lei do governo e mais o construído pela sociedade civil – por meio de
entidades científicas, acadêmicas, sindicais e estudantis – deram entrada na Câmara dos Deputados em fevereiro de
1998, contribuindo para o avanço na participação democrática na construção de leis no País. Devido à realização das
eleições de 1998, houve um atraso na discussão das propostas, e somente depois de alguns anos foi aprovado pelo
Congresso Nacional o Plano Nacional de Educação, por meio da Lei no 10.172, de 9 de janeiro de 2001.

A seguir, faremos pequenos lembretes sobre o teor do Plano


Nacional de Educação (PNE) (2001-2010).
Por um período de dez anos o primeiro Plano Nacional de Educação, por constar na
Constituição Federal de 1988, em seu art. 214, foi analisado e aprovado pelo Congresso
Nacional vigorando de 2001-2010, referindo-se todos às modalidades e níveis de ensino
e determinando que, conforme as características e especificidades locais, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios fossem incumbidos de elaborar as devidas adequações
e, também, elaborar para um período de dez anos, os seus respectivos planos de ensino.

58
O planejamento como instrumento de política pública da Educação • CAPÍTULO 3

Para o referido Plano Nacional de Educação (PNE 2001-2010) como passou a ser denominado,
foram elaborados os seguintes objetivos:

Figura 16. Objetivos do Plano Nacional de Educação 2001-2021.

1) Elevação do nível de escolaridade da população.

2) Melhoria da qualidade de ensino em todos os níveis.

3) Redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao


acesso à escola pública e à permanência, com sucesso, nela.

4) Democratização da gestão do ensino público nos estabelecimentos


oficiais, obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da
Educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e da participação
da comunidade escolar e local em conselhos escolares e equivalentes.

Consequentemente, aos objetivos, no PNE 2001-2010 foram elencadas metas para este Plano
e dentre elas podemos destacar as mais importantes que alertavam para a Educação Básica:

» Alcançar a taxa de 80% de crianças de quatro a seis anos matriculadas nas escolas.

» Universalizar o Ensino Fundamental.

» Colocar 50% das crianças de até três anos em creches.

» Erradicar o analfabetismo.

» Diminuir a evasão no Ensino Médio em 5% ao ano.

Essas metas foram cumpridas?

Segundo estudo elaborado por pesquisadores (PINHO; GUIMARÃES, 2010a): em 2008,


apenas 18% das crianças de até três anos recebiam atendimento em creches; entre 2000
e 2008, o analfabetismo caiu de 13,6% para10%; entre 2006 e 2008, a evasão no Ensino
Médio subiu de 10% para 13,2%.

Logo... ressaltando-se que as duas primeiras metas foram parcialmente alcançadas; as


demais não atingiram o nível desejado, e pese sobre isso que a esmagadora maioria dos
estados e municípios não aprovou uma legislação que garantisse recursos para atingir

59
CAPÍTULO 3 • O planejamento como instrumento de política pública da Educação

as metas pretendidas e nem recursos corretivos/punitivos para quem descumprisse as


ações previstas por ele. Além disso, a União também não cumpriu com sua parte, pois
foi vetado pelo presidente da República, o artigo que recomendava o investimento de
7% do Produto Interno Bruto (PIB) para a Educação.

E sobre o atual Plano Nacional de Educação (2014-2024), quais as


expectativas?
Inicialmente, é válido ressaltar que desde 1932 foram muitas as tentativas de elaboração
e implementação de um plano de educação para o país e por meio do Manifesto dos
Pioneiros da Educação Nova, quando ocorreu a tomada de consciência da educação como
problema nacional e a reivindicação dos diversos movimentos sociais pela ampliação do
atendimento escolar. O manifesto sugeria a escola pública obrigatória, laica (significa
o que ou quem não pertence ou não está sujeito a uma religião ou não é influenciado
por ela) e gratuita, possível a todas as classes sociais.

Com vigência prevista para 2014-2024, o atual PNE constitui um documento que define
compromissos e colaborações entre os entes federativos e diversas instituições pelo
avanço da educação brasileira.

Saiba mais

Aproveite e leia, na íntegra, o documento oficial publicado pelo Ipea. Disponível em: http://portal.inep.gov.br/
documents/186968/485745/Plano+Nacional+de+Educa%C3%A7%C3%A3o+PNE+2014-2024++Linha+de+Base/
c2dd0faa-7227-40ee-a520-12c6fc77700f?version=1.1.
A agenda contemporânea de políticas públicas educacionais encontra no Plano Nacional de Educação referência
para a construção e acompanhamento dos planos de educação estaduais e municipais, o que o caracteriza como uma
política orientadora para ações governamentais em todos os níveis federativos e impõe ao seu acompanhamento um
alto grau de complexidade.
As questões públicas que motivam o PNE podem ser vislumbradas nas desigualdades educacionais, na necessidade
de ampliar o acesso à educação e à escolaridade média da população, na baixa qualidade do aprendizado e nos
desafios relacionados à valorização dos profissionais da Educação, à gestão democrática e ao financiamento da
Educação.
Figura 17.

Fonte: Inep (2014). Disponível em: http://portal.inep.gov.br/documents/186968/485745/Plano+Nacional+de+Educa%


C3%A7%C3%A3o+PNE+2014-2024++Linha+de+Base/c2dd0faa-7227-40ee-a520-12c6fc77700f?version=1.1.

60
O planejamento como instrumento de política pública da Educação • CAPÍTULO 3

Diante de tais condições, objetivo central do Plano, que pode ser apreendido de suas diretrizes, consiste em induzir
e articular os entes federados na elaboração de políticas públicas capazes de melhorar, de forma equitativa e
democrática, o acesso e a qualidade da educação brasileira.

Como sintetiza o documento do Ministério da Educação (MEC), “Planejando a Próxima Década – Conhecendo as 20
Metas do Plano Nacional de Educação” (MEC, 2014, p. 7), um plano “representa, normalmente, reação a situações de
insatisfação e, portanto, volta-se na direção da promoção de mudanças a partir de determinadas interpretações da
realidade, o PNE dos problemas e das suas causas, refletindo valores, ideias, atitudes políticas e determinado projeto
de sociedade”.

A partir do nível de problematização mais amplo expresso pelas diretrizes, que podem ser tomadas como
representativas do “consenso histórico de forças políticas e sociais no País, que devem balizar todos os planos, desde
sua elaboração até sua avaliação final” ( MEC, 2014), o PNE se estrutura em metas e estratégias aferíveis, o que
possibilita um acompanhamento objetivo de sua execução.

As metas podem ser definidas como as demarcações concretas do que se espera alcançar em cada dimensão da
educação brasileira. As estratégias, por sua vez, descrevem os caminhos que precisam ser construídos e percorridos
por meio das políticas públicas.

As dez diretrizes do PNE são transversais e referenciam todas as metas, buscando sintetizar consensos sobre os
grandes desafios educacionais do País e podendo ser categorizadas em cinco grandes grupos. Também é vislumbrada
uma relação mais ou menos intensa de cada conjunto de metas com alguma diretriz em particular, o que possibilita
uma classificação das metas à luz da diretriz com a qual possui maior imbricação, como se vê no Quadro 1.

A agenda contemporânea de políticas públicas educacionais encontra no Plano Nacional de Educação referência
para a construção e acompanhamento dos planos de educação estaduais e municipais, o que o caracteriza como uma
política orientadora para ações governamentais em todos os níveis federativos e impõe ao seu acompanhamento
muita complexidade.

As questões públicas que motivam o PNE podem ser vislumbradas nas desigualdades educacionais, na necessidade
de ampliar o acesso à educação e a escolaridade média da população, na baixa qualidade do aprendizado e nos
desafios relacionados à valorização dos profissionais da educação, à gestão democrática e ao financiamento da
educação.

Diante de tais condições, objetivo central do Plano, que pode ser apreendido de suas diretrizes, consiste em induzir
e articular os entes federados na elaboração de políticas públicas capazes de melhorar, de forma equitativa e
democrática, o acesso e a qualidade da educação brasileira.

Como sintetiza o documento do Ministério da Educação (MEC), “Planejando a Próxima Década – Conhecendo as 20
Metas do Plano Nacional de Educação” (MEC, 2014, p. 7), um plano

representa, normalmente, reação a situações de insatisfação e, portanto, volta-se


na direção da promoção de mudanças a partir de determinadas interpretações da
realidadeo PNE dos problemas e das suas causas, refletindo valores, ideias, atitudes
políticas e determinado projeto de sociedade.

A partir do nível de problematização mais amplo expresso pelas diretrizes, que podem ser tomadas como
representativas do “consenso histórico de forças políticas e sociais no País, que devem balizar todos os planos,
desde sua elaboração até sua avaliação final” (MEC, 2014), o PNE se estrutura em metas e estratégias aferíveis, o que
possibilita um acompanhamento objetivo de sua execução.

Essas podem ser definidas como as demarcações concretas do que se espera alcançar em cada dimensão da educação
brasileira. As estratégias, por sua vez, descrevem os caminhos que precisam ser construídos e percorridos por meio
das políticas públicas.

61
CAPÍTULO 3 • O planejamento como instrumento de política pública da Educação

Saiba mais

As dez diretrizes do PNE são transversais e referenciam todas as metas, buscando sintetizar consensos sobre os
grandes desafios educacionais do País e podendo ser categorizadas em cinco grandes grupos. Também é vislumbrada
uma relação mais ou menos intensa de cada conjunto de metas com alguma diretriz em particular, o que possibilita
uma classificação das metas à luz da diretriz com a qual possui maior imbricação, como se vê no Quadro 5.

Quadro 5. Diretrizes e metas do PNE.

Diretrizes e Metas do PNE


Diretrizes para a superação das desigualdades educacionais
I – Erradicação do analfabetismo.
II – Universalização do atendimento escolar.
III – Superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da cidadania e na erradicação de todas as
formas de discriminação. ............... Metas: de 1 a 5; 9; 11 e 12; 14.
Diretrizes para a promoção da qualidade educacional
IV – Melhoria da qualidade da educação.
V – Formação para o trabalho e para a cidadania, com ênfase nos valores morais e éticos em que se fundamenta a
sociedade................................................... Metas: 6 e 7; 10; 13
Diretrizes para a valorização dos(as) profissionais da educação
IX – Valorização dos(as) profissionais da educação..................... Metas: 15 a 18.
Diretrizes para a promoção da democracia e dos direitos humanos
VI – Promoção do princípio da gestão democrática da educação pública.
VII – Promoção humanística, científica, cultural e tecnológica do País.
X – Promoção dos princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade
socioambiental................................................................................ Metas: 8 e 19.
Diretrizes para o financiamento da educação
VIII – Estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do Produto
Interno Bruto (PIB), que assegure atendimento às necessidades de expansão, com padrão de qualidade e
equidade.....................................................Meta: 20.

Fonte: Elaborado pela Dired/Inep com base na Lei no 13.005, de 25 de junho de 2014.

Percebe-se no quadro acima a associação das metas do PNE (2014-2024), às cinco


categorias de diretrizes previstas. Esse esforço de sistematização poderá unir-se aos
demais recursos, tal como classificar as metas pelos níveis de ensino, ou mesmo em função
dos públicos prioritários, de acordo com as responsabilidades de cada ente federativo.

No documento “Planejando a Próxima Década – Conhecendo as 20 Metas do Plano


Nacional de Educação”, o MEC reuniu as metas em quatro grupos principais, conforme
seu foco de atuação:

» Metas estruturantes para a garantia do direito à Educação Básica com qualidade:


Meta 1, Meta 2, Meta 3, Meta 5, Meta 6, Meta 7, Meta 9, Meta 10, Meta 11.

62
O planejamento como instrumento de política pública da Educação • CAPÍTULO 3

» Metas voltadas à redução das desigualdades e à valorização da diversidade: Meta


4 e Meta 8.

» Metas para a valorização dos profissionais da educação: Meta 15, Meta 16, Meta 17 e
Meta 18.

» Metas referentes ao Ensino Superior: Meta 12, Meta 13 e Meta 14.

Atenção

A proposta é para você, futuro professor!


Diferentemente de várias áreas dos serviços públicos, a educação brasileira tem um projeto expansionista e
democrático de futuro. Não se trata de um plano elaborado na academia ou por tecnocratas de instituições estatais
ou privadas, mas de um conjunto de objetivos e passos a serem dados que foram amplamente debatidos na
sociedade. (IPEA, 2015, p. 1).

Figura 18. Criança desenhando.

Fonte: http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=article&id=3234&catid=30&Itemid=41.
Acesso em: 4/3/2020.

Planos: Estadual de Educação (PEE) e Municipal de


Educação (PME)

Como sabido, o Plano Nacional de Educação (PNE), determina diretrizes, metas e estratégias
para a política educacional no período de 2014-2024. Para que os estados, o Distrito Federal
e os municípios elaborassem e aprovassem seus planos, com metas articuladas às metas
nacionais, o Ministério da Educação (MEC) atuou em conjunto com o Conselho Nacional
de Secretários de Educação (Consed) e com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de
Educação (Undime), criando uma Rede de Assistência Técnica, que orientou as Comissões
Coordenadoras locais nesse trabalho realizado em todo o país.

63
CAPÍTULO 3 • O planejamento como instrumento de política pública da Educação

O mapa disponível no link apresenta informações sobre a etapa de elaboração dos planos
no país e os planos de educação sancionados. Para acessar as leis dos planos de educação
clique no estado, ao abrir a janela, clique em PEE para o estado, ou identifique o município
de interesse, para baixar.

Disponível em: http://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao. Acesso em:


fevereiro de 2020.

Atenção

O que é um Plano de Educação?


Um plano resulta do processo mental de planejamento; pode ser traduzido como roteiro das decisões tomadas;
como documentos, com força de lei, que determinam metas para que a garantia do direito à educação de qualidade
prossiga em um município, estado ou país, no período de dez anos.
Esses documentos têm uma abrangência maior, pois tratam das questões políticas e filosóficas do ato de ensinar em
dada sociedade.
Então!
Veja a seguir, interessante descrição da importância dos Planos de Ensino, tanto o Nacional, como o Estadual, como
o Municipal, representados por meio da figura, procurando perceber a necessidade da magnitude da educação
brasileira, de acordo com nossas diferenças de cor, raça, credo e especificidades nas metrópoles, dos interiores, no
campo etc.

Figura 19. Noção de inclusão.

Fonte: http://www.deolhonosplanos.org.br/wp-content/themes/mapadosplanos-theme-master/img/bg-titulos-ilustra.
png.
“O Brasil tem um grande desafio nos próximos anos: fazer com que todos os municípios e estados brasileiros
cumpram seus Planos de Educação e possibilitem a melhoria da qualidade da educação em nosso país”. Os Planos
de Educação são documentos, com força de lei, que estabelecem metas para que a garantia do direito à educação de
qualidade avance em um município, estado ou país, no período de dez anos. Abordam o conjunto do atendimento
educacional existente em um território, envolvendo redes municipais, estaduais, federais e as instituições privadas
que atuam em diferentes níveis e modalidades da educação: das creches às universidades. Trata-se, pois, do principal
instrumento da política pública educacional. Sendo assim, os Planos de Educação são, também, um importante
instrumento contra a descontinuidade das políticas, pois orientam a gestão educacional e referenciam o controle
social e a participação cidadã.
(Disponível em: http://www.deolhonosplanos.org.br/planos-de-educacao/Acesso: fevereiro 2020).

64
CAPÍTULO
ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO
BRASILEIRA: CAMINHOS E
POSSIBILIDADES 4
Introdução

Iniciando nossa conversa, importa recapitular nossa caminhada relembrando que a


legislação de educação brasileira teve sua primeira Carta promulgada em 1961, tendo sido
atualizada e reformulada em 1971 e 1996 (Lei n o 9.394/1996), sendo que essa, mesmo em
vigor, já passou por muitas alterações ao longo desses anos, sendo as últimas em 2018,
como pode ser conferido a seguir.

Saiba mais

Figura 20. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei no 9.394/1996).

Fonte: https://pt.slideshare.net/vaschaino/ldb-939496-15576600.

Alterações ocorridas em 2018.

Art. 3o

[...]

XIII – garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida. (Incluído


pela Lei no 13.632, de 2018).

[...]

Art. 12.

[...]

65
CAPÍTULO 4 • Organização da Educação brasileira: caminhos e possibilidades

Saiba mais

IX – promover medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os


tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática (bullying), no âmbito das
escolas; (Incluído pela Lei no 13.663, de 2018).

X – estabelecer ações destinadas a promover a cultura de paz nas escolas. (Incluído


pela Lei no 13.663, de 2018).

Art. 26.

[...]

§ 9o-A. A educação alimentar e nutricional será incluída entre os temas transversais


de que trata o caput. (Incluído pela Lei no 13.666, de 2018).

Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso
ou continuidade de estudos nos ensinos fundamental e médio na idade própria
e constituirá instrumento para a educação e a aprendizagem ao longo da vida.
(Redação dada pela Lei no 13.632, de 2018).

[...]

Art. 58.

[...]

§ 3o A oferta de educação especial, nos termos do caput deste artigo, tem início na
educação infantil e estende-se ao longo da vida, observados o inciso III do art. 4o e o
parágrafo único do art. 60 desta Lei. (Redação dada pela Lei no 13.632, de 2018).

Alterações ocorridas em 2019.

Lei no 13.803, de 10 de janeiro de 2019.

Altera dispositivo da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para obrigar a notificação de faltas escolares ao
Conselho Tutelar quando superiores a 30% (trinta por cento) do percentual permitido em lei.

Art. 1o O inciso VIII do art. 12 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a


vigorar com a seguinte redação:

VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município a relação dos alunos que


apresentem quantidade de faltas acima de 30% (trinta por cento) do percentual
permitido em lei; …” (NR)

Tendo atualizado o tema, pode-se dizer que do mesmo modo como a Constituição Federal, a
Lei de Diretrizes e Bases de 1996 determina os princípios, fins, direitos e deveres referentes
à educação nacional. No entanto, ela também estabelece e aprofunda outros pontos
pertinentes ao sistema educacional, como:

» Organização da Educação Nacional: determina quais são as responsabilidades


e obrigações de cada esfera administrativa (União, Estado, Distrito Federal e
Município), das instituições de ensino e dos professores e a composição dos
diferentes sistemas de ensino (Federal, Estadual, Distrito Federal, e Municipal);

» Níveis e modalidades de educação e ensino: delibera sobre as finalidades e o modo


de organização, dos Níveis e Modalidades da educação.

66
Organização da Educação brasileira: caminhos e possibilidades • CAPÍTULO 4

Os Níveis são divididos em Educação Básica (organizada pela Educação Infantil,


Ensino Fundamental e Ensino Médio, que pode ser profissionalizante ou não) e Ensino
Superior.

Já as modalidades incluem Educação de Jovens e Adultos (EJA), Educação Especial,


Educação Profissional Técnica de Nível Médio, Educação Profissional Tecnológica,
Educação Indígena, Educação Quilombola, Educação do Campo, Educação a Distância
(EaD).

» Profissionais da educação: recomenda os títulos e experiências indispensáveis


aos profissionais da educação, estabelecendo as obrigações dos órgãos
administrativos em vista da valorização deles.

Objetivos

» Conhecer a Organização da Educação Nacional, distinguindo os níveis e


modalidades de educação e ensino, caracterizando cada um deles em seus
diferentes aspectos de aplicabilidade.

» Refletir criticamente sobre os caminhos indicados e as reais possibilidades de


operacionalização dos documentos que caracterizam a organização da educação
no Brasil, seus encargos e obrigações, numa visão macro, meso e micro de
realização.

Concepções da Educação no Brasil: níveis e modalidades

O objetivo maior da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no 9.394/1996, como


conhecida é a normatização do sistema educacional brasileiro com a universalização dos
saberes básicos e a ascensão igualitária à educação para todos.

Essa legislação oportuniza um conjunto de definições políticas que norteiam o sistema


educacional e introduz mudanças significativas na educação básica brasileira.

Dessa forma, a meta para a educação no Brasil é a democratização e universalização


do conhecimento por meio de formação e cuidados com a escolarização, admitindo,
assim, atitude intencional e sistematicamente organizada com devida atenção ao
desenvolvimento intelectual não descuidando do físico, emocional social e ético.

Apenas como complementação de informações pode-se registrar que de acordo com


Saviani (2007) são identificadas quatro expressivas concepções na organização escolar,

67
CAPÍTULO 4 • Organização da Educação brasileira: caminhos e possibilidades

denominadas humanista tradicional, moderna, analítica e dialética, temáticas a


serem detalhadas mais à frente em seus estudos.

Para melhor esclarecimento sobre os níveis e as modalidades da educação no Brasil,


atente-se ao quadro explicativo.

Quadro 6. Organização da educação brasileira.

NÍVEIS ETAPAS DA ED. BÁSICA


Ed. Infantil ou primeira etapa da EB e
Ed. Básica que tem por finalidade tem como finalidade o desenvolvimento
desenvolver o educando, integral da criança até os 5 anos de idade.
assegurando-lhe a formação Ensino Fundamental: com duração de
comum indispensável para 9 anos. Compreende os anos iniciais e
o exercício da cidadania e finais. Gratuito na escola pública. Deve ser
fornecer-lhes meios para iniciado aos 6 anos e tem como objetivo
progredir no trabalho e em a formação básica do cidadão.
EDUCAÇÃO ESCOLAR estudos posteriores. Ensino Médio: etapa final da Ed. Básica
com duração mínima de 3 anos
CURSOS E PROGRAMAS DA ED.
Ed. Superior: tem por finalidade SUPERIOR
estimular a criação cultural e
1. Sequenciais
o desenvolvimento do espírito
científico e do pensamento 2. Graduação
reflexivo, envolvendo a pesquisa,
o ensino e a extensão. 3. Pós-graduação
4. Extensão
MODALIDADES DE ENSINO
» Ed. Jovens e Adultos
FASES
» Ed. Especial
ED. INFANTIL
» Ed. Profissional e Tecnológica
» Creche (até 3 anos)
» Ed. do Campo
» Pré-escola (4/5 anos)
» Ed. Escolar Indígena
» Anos finais (5 anos)
» Ed. Escolar Quilombola
» Ed. a Distância

Fonte: Quadro-síntese criado pela autora a partir de MEC (2013). Elaborado pela autora e de acordo com documentos do
MEC. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/docman/julho-2013-pdf/13677-diretrizes-educacao-basica-2013-pdf/file.
Acesso em: julho 2019.

Nessa linha de informações e reflexões entendeu-se a necessidade de conhecermos um


pouco mais da estrutura, antes de detalharmos os níveis e modalidades da educação
brasileira.

Como é sabido, a Constituição Federal de 1988 e a LDBEN (9.394/1996) – Lei de Diretrizes


e Bases da Educação Nacional são as leis que gerem o sistema educacional brasileiro em
vigor e que ele depende da participação dos Sistemas de Ensino da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios, sendo que a cada um deles compete organizar
seu sistema de ensino, cabendo, ainda, à União a coordenação da política nacional de

68
Organização da Educação brasileira: caminhos e possibilidades • CAPÍTULO 4

educação, articulando os diferentes níveis e sistemas e desempenhando função normativa,


redistributiva e supletiva (arts. 8 o, 9 o, 10 e 11).

Art. 18. Na organização da Educação Básica, devem-se observar as Diretrizes Curriculares


Nacionais comuns a todas as suas etapas, modalidades e orientações temáticas,
respeitadas as suas especificidades e as dos sujeitos a que se destinam.

Para melhor esclarecimento no art. 20 do SNE:

O respeito aos educandos e aos seus tempos mentais, socioemocionais,


culturais e identitários é um princípio orientador de toda a ação educativa,
sendo responsabilidade dos sistemas a criação de condições para que
crianças, adolescentes, jovens e adultos, com sua diversidade, tenham
a oportunidade de receber a formação que corresponda à idade própria
de percurso escolar.

Iniciando a exposição,

Já em seu art. 21, a LDB (Lei no 9.394/1996) dispõe que a educação escolar está dividida
em dois níveis:

A educação escolar compõe-se de:

I. Educação Básica (formada pela Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino


Médio);

II. Educação Superior.

A educação básica “tem por finalidade desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação


comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir
no trabalho e em estudos posteriores” (art. 22). Ela pode ser oferecida no ensino regular
e nas modalidades de educação de jovens e adultos, educação especial e educação
profissional, sendo que esta última pode ser também uma modalidade da educação
superior.

Saiba mais

Etapas da Educação Básica


Art. 21. São etapas correspondentes a diferentes momentos constitutivos do
desenvolvimento educacional:

I – a Educação Infantil, que compreende: a Creche, englobando as diferentes etapas


do desenvolvimento da criança até 3 (três) anos e 11 (onze) meses; e a Pré-Escola,
com duração de 2 (dois) anos;

69
CAPÍTULO 4 • Organização da Educação brasileira: caminhos e possibilidades

II – o Ensino Fundamental, obrigatório e gratuito, com duração de 9 (nove) anos, é


organizado e tratado em duas fases: a dos 5 (cinco) anos iniciais e a dos 4 (quatro)
anos finais;

III – o Ensino Médio, com duração mínima de 3 (três) anos.

Art. 22. A Educação Infantil tem por objetivo o desenvolvimento integral da criança,
em seus aspectos físico, afetivo, psicológico, intelectual, social, complementando a
ação da família e da comunidade.

Art. 23. O Ensino Fundamental com 9 (nove) anos de duração, de matrícula


obrigatória para as crianças a partir dos 6 (seis) anos de idade, tem duas fases
sequentes com características próprias, chamadas de anos iniciais, com 5 (cinco)
anos de duração, em regra para estudantes de 6 (seis) a 10 (dez) anos de idade; e anos
finais, com 4 (quatro) anos de duração, para os de 11 (onze) a 14 (quatorze) anos.

Art. 24. Os objetivos da formação básica das crianças, definidos para a Educação
Infantil, prolongam-se durante os anos iniciais do Ensino Fundamental,
especialmente no primeiro, e completam-se nos anos finais, ampliando e
intensificando, gradativamente, o processo educativo.

Art. 26. O Ensino Médio, etapa final do processo formativo da Educação Básica, é
orientado por princípios e finalidades que preveem:

I – a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no Ensino


Fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos;

II – a preparação básica para a cidadania e o trabalho, tomado este como princípio


educativo, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de enfrentar novas
condições de ocupação e aperfeiçoamento posteriores;

III – o desenvolvimento do educando como pessoa humana, incluindo a formação


ética e estética, o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento
crítico;

IV – a compreensão dos fundamentos científicos e tecnológicos presentes na


sociedade contemporânea, relacionando a teoria com a prática.

§ 1o O Ensino Médio deve ter uma base unitária sobre a qual podem se assentar
possibilidades diversas como preparação geral para o trabalho ou, facultativamente,
para profissões técnicas; na ciência e na tecnologia, como iniciação científica e
tecnológica; na cultura, como ampliação da formação cultural.
(Disponível em: http://portal.mec.gov.br/docman/julho-2013-pdf/13677-diretrizes-educacao-basica-2013-pdf/file. Acesso em: julho 2019).

Só pra lembrar, o Ensino Médio, etapa final da Educação Básica, tem duração mínima de
três anos, prevendo formação geral do estudante por mio de programas de preparação
geral para o trabalho, ciências e tecnologia, facultativamente, a habilitação profissional
por meio dos cursos técnicos, lembrando que o ensino de nível técnico é ministrado de
modo livre do Ensino Médio regular, mas este, entretanto, é requisito para a obtenção do
diploma de técnico.

Com a Lei n o 9.394/1996 (LDB), o grande objetivo tornou-se normatizar o sistema


educacional e garantir acesso igualitário para todos com relação à educação. Essa lei,
de forma geral, oferece um conjunto de definições políticas que orientam o sistema
educacional e introduz mudanças importantes na educação básica do Brasil.

70
Organização da Educação brasileira: caminhos e possibilidades • CAPÍTULO 4

Nessas leituras, ressalta-se, no momento atual da educação no Brasil, as mudanças no


ensino médio, seja para o aluno para o professor, para a escola e, resumidamente, podemos
salientar que para o principal ator do processo, no caso – aluno – a primeiras e mais
discutida questão é a obrigatoriedade das disciplinas de Português, Inglês e Matemática
durante os três anos do ensino médio, sendo as demais, disciplinas optativas à escolha
do aluno, desde que sua grade escolar seja completa; além disso, ocorrerá alteração na
carga horária diária de aulas, que ao invés de um, serão dois turnos diários, dando ao
estudante oportunidade de escolher o que mais condiz com suas aptidões e capacidades
para o seu futuro como cidadão e profissional.

Complementando essas preliminares sobre o assunto, sugerimos que você,


futuro professor, consulte o Guia de Implementação do novo ensino médio para ter
informações atualizadas sobre as mudanças do Ensino Médio, como indicado
na nova Base Comum Curricular assinada e publicada em novembro de 2018. E
aproveitando, dê uma olhada também nas mudanças no Ensino Médio, como
previsto na nova Base Nacional Comum Curricular.

Figura 21. Guia de Implementação do novo ensino médio.

Fonte: http://novoensinomedio.mec.gov.br/resources/downloads/pdf/Guia.pdf. Acesso em: 4/3/2020.

Nesse entendimento, a nova proposta para a educação brasileira tem como meta a
democratização e universalização do conhecimento básico, oferecendo educação e
cuidado com a escolarização, assumindo um caráter intencional e sistemático, que
oferece atenção especial ao desenvolvimento intelectual, sem descuidar de outros
aspectos como o físico, o emocional, o moral e o social (Lei n o 9.394/1996).

D e s s a f o r m a e t e n d o o c o r r i d o a s i n f o r m a ç õ e s p re l i m i n a re s j u l g a d a s c o m o
necessár ias para melhor compreensão da organização educacional no Brasil,

71
CAPÍTULO 4 • Organização da Educação brasileira: caminhos e possibilidades

procuraremos tratar mais especificamente as questões relacionadas às modalidades


da educação, tendo em vista que em outros espaços serão considerados aspectos
também relevantes quanto à responsabilidade das esferas administrativas e dos
profissionais da educação.

Em seu art. 27, o SNE diz que a cada etapa da Educação Básica pode corresponder
uma ou mais das modalidades de ensino, a saber: Educação de Jovens e Adultos,
Educação Especial, Educação Profissional Técnica de Nível Médio, Educação Profissional
Tecnológica, Educação Escolar Indígena, Educação Quilombola, Educação do Campo,
Educação a Distância (EaD).

Assim, faremos breves comentários com o intuito de formalizar, ou apontar, ou


lembrar informações básicas e necessárias ao professor, destacando que, cada uma
dessas modalidades requer, especificamente, planejamentos voltados para as suas
especificidades.

Figura 22. Base Nacional Comum.

Fonte: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/

Mas...O que é a BNCC?

Observe a lei

BNCC – documento que define as aprendizagens. É a sigla para Base Nacional Comum Curricular. Ela nada mais é
que um documento que define as aprendizagens que todos os alunos do Brasil devem desenvolver em cada etapa
da Educação Básica. Embora o termo tenha começado a ser discutido recentemente, a ideia de se ter uma base para
orientar o currículo de todo o País começou ainda na década de 1990 com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (LDB). No art. 26 da LDB, encontramos a seguinte redação:

Os currículos da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e do Ensino Médio


devem ter base nacional comum, a ser complementada, em cada Sistema de
Ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida
pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos
educandos.

Para atualização de informações, lendo França (2019, p. 1), pode-se conhecer a experiência
e contribuições da ex-Secretária Executiva do Ministério da Educação, Maria Helena

72
Organização da Educação brasileira: caminhos e possibilidades • CAPÍTULO 4

Guimarães Castro, em entrevista concedida em abril de 2018, p. 1, quando ocorreu a


divulgação da Base Nacional Comum Curricular, afirmou que,

A Base é um documento normativo que define o conjunto orgânico


progressivo das aprendizagens essenciais e indica os conhecimentos e
competências que se espera que todos os estudantes desenvolvam ao
longo da escolaridade. Ela se baseia nas diretrizes curriculares nacionais
da Educação Básica e soma-se aos propósitos que direcionam a educação
brasileira para a formação integral e para a construção de uma sociedade
melhor.

Saiba mais

Educação é a base
Conforme definido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei no 9.394/1996), a Base deve nortear
os currículos dos sistemas e redes de ensino das unidades Federativas, como, também, as propostas pedagógicas de
todas as escolas públicas e privadas de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, em todo o Brasil. A
Base estabelece conhecimentos, competências e habilidades que se espera que todos os estudantes desenvolvam
ao longo da escolaridade básica. Orientada pelos princípios éticos, políticos e estéticos traçados pelas Diretrizes
Curriculares Nacionais da Educação Básica, a Base soma-se aos propósitos que direcionam a educação brasileira para
a formação humana integral e para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

Posicionamento do autor

Para você, prezado aluno, que se prepara para assumir a docência ou áreas afins, propomos que sempre fique
‘‘ligado’’ às questões legais que norteiam nossa educação. São documentos e programas valiosos nos quais podemos
nos orientar com assertividade e fundamentação para as nossas práticas serem, sempre, eticamente respeitadas com
índice de qualidade positiva.

Observe a lei

De acordo com documentos legais consultados pode-se perceber o detalhamento das modalidades de ensino
e devidas orientações de planejamentos que deverão ser elaborados, buscando eficácia e eficiência. Dessa
forma, podemos saber um pouquinho sobre eles.

Educação de Jovens e Adultos (EJA)

A Educação de Jovens e Adultos, conhecida inicialmente como Supletivo, a EJA atual


traz o entendimento de inclusão, oferecendo oportunidades para aqueles que, por uma

73
CAPÍTULO 4 • Organização da Educação brasileira: caminhos e possibilidades

razão ou outra, não tiveram oportunidades de estudar na idade adequada. É uma das
modalidades mais conhecidas originada de necessidade de escolarização das pessoas
excluídas do processo regular de ensino.

Figura 23. Turma de jovens e adultos no CIEJA Clóvis Caitano Miquelazzo (SP).

Foto: Ewerton de Souza.


Disponível em: https://gestaoescolar.org.br/conteudo/1875/blog-coordenadoras-em-acao-e-preciso-acolher-com-mais-
cuidado-a-juventude-na-eja. Acesso em: 4/3/2020.

Art. 28. A Educação de Jovens e Adultos (EJA) destina-se aos que se situam na
faixa etária superior à considerada própria, no nível de conclusão do Ensino
Fundamental e do Ensino Médio.

§ 1o Cabe aos sistemas educativos viabilizar a oferta de cursos gratuitos aos


jovens e aos adultos, proporcionando-lhes oportunidades educacionais
apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses,
condições de vida e de trabalho, mediante cursos, exames, ações integradas
e complementares entre si, estruturados em um projeto pedagógico próprio.

§ 2 o Os cursos de EJA, preferencialmente tendo a Educação Profissional


articulada com a Educação Básica, devem pautar-se pela flexibilidade, tanto
de currículo quanto de tempo e espaço.

A necessidade de mão de obra minimamente qualificada para atuar na


indústria e a diminuição dos números vergonhosos de analfabetismo foram
os iniciadores do processo para que o Estado oferecesse tal modalidade.
Anteriormente conhecida como supletivo, a atual EJA traz consigo a concepção
de inclusão social e oferta para aqueles que não tiveram oportunidades na
idade própria. A EJA está disciplinada na LDB, em especial nos arts. 37 e 38,
e possui DCN própria para sua oferta.

Educação especial

Preferencialmente essa é a modalidade de educação oferecida na rede regular de ensino


para os alunos com transtornos globais do desenvolvimento, superdotação ou altas

74
Organização da Educação brasileira: caminhos e possibilidades • CAPÍTULO 4

habilidades e com diferentes deficiências. Está caracterizada nas diversas legislações


necessárias para que pudesse realmente acontecer e que primordialmente regulamente
a matrícula dos estudantes com deficiências a serem incluídos nas classes comuns do
ensino regular e no Atendimento Educacional Especializado (AEE), complementar ou
suplementar à escolarização, oferecido em classes multifuncionais ou em centros de
AEE da rede pública ou de instituições filantrópicas sem fins lucrativos, comunitárias
e/ou confessionais.

A Educação Especial pode ser apresentada em três categorias denominadas dependente


(que está indicada para os alunos internados em hospitais devido ao grau da deficiência
que os impedem de se cuidar sozinhos); a categoria de treináveis (para os estudantes
que apresentam um tipo de deficiência, sendo capazes de se socializar sem ajuda);
e a categoria dos educáveis (que atende alunos que têm vocabulário que os deixam
socializáveis e com habilidades de adaptação. São aqueles que adoecem já na fase
adulta).

Figura 24. Educação especial.

Fonte: https://aese.edu.pt/joomla/index.php/o-agrupamento/educacao-especial-separador/educacao-especial. Acesso em:


4/3/2020.

Seu conceito está disposto no art. 58 da LDB – a modalidade de educação escolar oferecida
preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos
globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. Sua caracterização é
encontrada nos arts. 59 e 60, bem como nas inúmeras legislações que foram necessárias
para que o processo de inclusão pudesse acontecer. Essa modalidade foi alvo de um artigo
especial já publicado.

Art. 29. A Educação Especial, como modalidade transversal a todos os níveis,


etapas e modalidades de ensino, é parte integrante da educação regular,
devendo ser prevista no projeto político-pedagógico da unidade escolar.

75
CAPÍTULO 4 • Organização da Educação brasileira: caminhos e possibilidades

§ 1o Os sistemas de ensino devem matricular os estudantes com deficiência,


transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação
nas classes comuns do ensino regular e no Atendimento Educacional
Especializado (AEE), complementar ou suplementar à escolarização,
ofertado em salas de recursos multifuncionais ou em centros de AEE da
rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas
sem fins lucrativos.

§ 2 o Os sistemas e as escolas devem criar condições para que o professor da


classe comum possa explorar as potencialidades de todos os estudantes,
adotando uma pedagogia dialógica, interativa, interdisciplinar e inclusiva e,
na interface, o professor do AEE deve identificar habilidades e necessidades
dos estudantes, organizar e orientar sobre os serviços e recursos pedagógicos
e de acessibilidade para a participação e aprendizagem dos estudantes.

Educação profissional e tecnológica

A Educação Profissional e Tecnológica é a modalidade ligada à qualificação da mão de


obra que possibilita que o estudante desenvolva conhecimentos sobre alguma profissão.
Em regra oferecida em escolas técnicas cuja orientação recai além dos conteúdos
técnicos, também na formação de habilidades e competências especiais para o mercado
de trabalho apoiadas na aprendizagem do saber ser, saber conviver, saber fazer e saber
conhecer, como previsto nos quatro pilares para a educação do século XXI.

Esse sistema de educação é o que encontramos nas Escolas dos Sistemas ‘‘S’’
(Senai, Senac, Sesc, Sebrae, Sescoop), ou seja, Serviço Nacional de Aprendizagem
na Indústria, Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, Serviço Social do Comércio
e Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Médias Empresas, Serviço Nacional de
Aprendizagem do Cooperativismo .

Para ilustrar, veja a figura a seguir:

Figura 25. Educação Profissional e Tecnológica.

Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=20833:institutos-federais-terao-apoio-
para-projetos-de-pesquisa-e-extensao-tecnologica&catid=209&Itemid=86. Acesso em: 4/3/2020.

76
Organização da Educação brasileira: caminhos e possibilidades • CAPÍTULO 4

Art. 30. A Educação Profissional e Tecnológica, no cumprimento dos


objetivos da educação nacional, integra-se aos diferentes níveis e
modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência
e da tecnologia, e articula-se com o ensino regular e com outras
modalidades educacionais: Educação de Jovens e Adultos, Educação
Especial e Educação a Distância.

Art. 31. Como modalidade da Educação Básica, a Educação Profissional e


Tecnológica ocorre na oferta de cursos de formação inicial e continuada
ou qualificação profissional e nos de Educação Profissional Técnica de
nível médio.

A E d u c a ç ã o P r o f i s s i o n a l e Te c n o l ó g i c a , n o c u m p r i m e n t o d o s o b j e t i v o s d a
educação nacional, integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação
e à s d i m e n s õ e s d o t ra b a l h o, d a c i ê n c i a e d a t e c n o l o g i a , e a r t i c u l a - s e c o m o
e n s i n o re g u l a r e c o m o u t ra s m o d a l i d a d e s e d u c a c i o n a i s : Ed u c a ç ã o d e Jov e n s
e Ad u l t o s, E d u c a ç ã o E s p e c i a l e E d u c a ç ã o a D i s t â n c i a . Co m o m o d a l i d a d e d a
Ed u c a ç ã o B á s i c a , a Ed u c a ç ã o Pro f i s s i o n a l e Te c n o l ó g i c a o c o r re n a o f e r t a d e
c u r s o s d e f o r m a ç ã o i n i c i a l e c o n t i n u a d a o u q u a l i f i c a ç ã o p ro f i s s i o n a l e n o s d e
Ed u c a ç ã o Pro f i s s i o n a l T é c n i c a d e n í v e l m é d i o.

Educação indígena

A educação indígena é a educação voltada para os povos indígenas e requer dos


professores um olhar especial, por meio de uma aula diferenciada. É uma modalidade
de ensino que necessita de respeito às suas culturas, condições e língua de cada
comunidade que é atendida. Sabidamente essa modalidade apresenta enorme desafio
para à Fundação Nacional do Índio (Funai), devido, além da distribuição étnica da
população indígena distinguida com 305 etnias falantes de 274 línguas diferentes,
como, também, a infraestrutura que não disponibiliza espaço adequado, obrigando
à improvisação de lugares, inclusive nas casas comunitárias.

A figura a seguir ilustra um desses desafios.

77
CAPÍTULO 4 • Organização da Educação brasileira: caminhos e possibilidades

Figura 26. Educação Indígena.

Fonte: http://redeglobo.globo.com/globoeducacao/noticia/2012/06/estudantes-indigenas-tem-direito-educacao-
multicultural-e-bilingue.htm.

Art. 37. A Educação Escolar Indígena ocorre em unidades educacionais


inscritas em suas terras e culturas, as quais têm uma realidade singular,
requerendo pedagogia própria em respeito à especificidade étnico-cultural
de cada povo ou comunidade e formação específica de seu quadro docente,
observados os princípios constitucionais, a base nacional comum e os
princípios que orientam a Educação Básica brasileira. Parágrafo único. Na
estruturação e no funcionamento das escolas indígenas, é reconhecida a
sua condição de possuidores de normas e ordenamento jurídico próprios,
com ensino intercultural e bilíngue, visando à valorização plena das culturas
dos povos indígenas e à afirmação e manutenção de sua diversidade étnica.

Art. 38. Na organização de escola indígena, deve ser considerada a


participação da comunidade, na definição do modelo de organização e
gestão, bem como:

I – suas estruturas sociais;

II – suas práticas socioculturais e religiosas;

III – suas formas de produção de conhecimento, processos próprios e


métodos de ensino-aprendizagem;

IV – suas atividades econômicas;

V – edificação de escolas que atendam aos interesses das comunidades


indígenas;

VI – uso de materiais didático-pedagógicos produzidos de acordo com


o contexto sociocultural de cada povo indígena.

Essa modalidade ocorre em unidades educacionais inscritas em terras indígenas e suas


culturas, as quais têm uma realidade singular, requerendo pedagogia própria em respeito

78
Organização da Educação brasileira: caminhos e possibilidades • CAPÍTULO 4

à especificidade étnico-cultural de cada povo ou comunidade e formação específica


de seu quadro docente, observados os princípios constitucionais, a base nacional
comum e os princípios que orientam a Educação Básica brasileira. Na estruturação e no
funcionamento das escolas indígenas, é reconhecida a sua condição de possuidores de
normas e ordenamento jurídico próprios, com ensino intercultural e bilíngue, visando
à valorização plena das culturas dos povos indígenas e à afirmação e manutenção de
sua diversidade étnica.

Educação quilombola

Contemplar a histór ia das comunidades remanescentes dos quilombos ainda


existentes em todos os estados da Federação brasileira é importante para todos
os brasileiros, pois se trata da modalidade de educação que requer valorização à
diversidade cultural e pedagogia própria devido à característica étnico-cultural
de cada comunidade. A formação específica de seu quadro docente aponta para os
princípios constitucionais à base nacional comum curricular e os princípios que
norteiam a Educação Básica no Brasil. É a modalidade que deve ser oferecida em
unidades educacionais inscritas em suas terras e culturas.

Segundo informações no portal do MEC, esse Ministério oferece apoio financeiro aos
sistemas de ensino, cujos recursos devem ser destinados à formação continuada dos
docentes para as áreas restantes de quilombos, ampliação e melhoria da rede física
escolar e produção e aquisição de material didático.

De acordo com informações da Fundação Cultural Palmares, órgão do MEC, existem


certificadas 1.209 comunidades de quilombos e 143 áreas de terras tituladas, sendo a
maioria nos estados da Bahia (229), Maranhão (112), Minas Gerais (89) e Pará (81) e não
encontrados nos estados do Acre, Roraima, e no Distrito Federal.

Figura 27. Educação Quilombola.

Fonte: http://portal.mec.gov.br/ultimas-noticias/211-218175739/18246-governo-institui-diretrizes-curriculares-para-
quilombolas.

79
CAPÍTULO 4 • Organização da Educação brasileira: caminhos e possibilidades

Art. 41. A Educação Escolar Quilombola é desenvolvida em unidades


educacionais inscritas em suas terras e cultura, requerendo pedagogia
própria em respeito à especificidade étnico-cultural de cada comunidade
e formação específica de seu quadro docente, observados os princípios
constitucionais, a base nacional comum e os princípios que orientam a
Educação Básica brasileira.

Parágrafo único. Na estruturação e no funcionamento das escolas


quilombolas, bem como nas demais, deve ser reconhecida e valorizada
a diversidade cultural.

Educação do campo

A modalidade de educação rural está prevista, mas com adaptações próprias às


especificidades da vida rural e em determinada região, com as devidas orientações
essenciais à organização da ação didático-pedagógica; além disso, as formas de organização
e das metodologias devem ser pertinentes à realidade do campo baseado no princípio
da sustentabilidade e à pedagogia da alternância.

A figura a seguir retrata uma das dificuldades que é a moradia dos alunos muito distante das
escolas.

Figura 28. Educação no Campo.

Fonte: http://s2.glbimg.com/-OVykeHP-jxixlzHPcZFSWI-utUjfe-D4iOlzUPbzOxIoz-HdGixxa_8qOZvMp3w/s.glbimg.com/og/
rg/f/original/2012/06/22/fotos_na_comunidade_indigenas_com_subsecretario_606x455.jpg. Acesso em: julho de 2019.

Na modalidade de Educação Básica do Campo, a educação para a população rural está


prevista com adequações necessárias às peculiaridades da vida no campo e de cada
região, definindo-se orientações para três aspectos essenciais à organização da ação
pedagógica:

I. Conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades


e interesses dos estudantes da zona rural;

80
Organização da Educação brasileira: caminhos e possibilidades • CAPÍTULO 4

II. organização escolar própria, incluindo adequação do calendário escolar às


fases do ciclo agrícola e às condições climáticas;

III. adequação à natureza do trabalho na zona rural.

Art. 36. A identidade da escola do campo é definida pela vinculação com


as questões inerentes à sua realidade, com propostas pedagógicas que
contemplam sua diversidade em todos os aspectos, tais como sociais,
culturais, políticos, econômicos, de gênero, geração e etnia.

Parágrafo único. Formas de organização e metodologias pertinentes à


realidade do campo devem ter acolhidas, como a pedagogia da terra, pela
qual se busca um trabalho pedagógico fundamentado no princípio da
sustentabilidade, para assegurar a preservação da vida das futuras gerações,
e a pedagogia da alternância, na qual o estudante participa, concomitante
e alternadamente, de dois ambientes/situações de aprendizagem: o escolar
e o laboral, supondo parceria educativa, em que ambas as partes são
corresponsáveis pelo aprendizado e pela formação do estudante.

Educação a Distância (EaD)

Acertadamente é a modalidade que mais vem crescendo no País, tendo a internet como
grande recurso intermediador com várias mídias e plataformas capazes de garantir uma
qualificação técnica e até mesmo de pós-graduações para o sujeito predisposto a fazê-la.

Vide o rápido detalhamento abaixo;

Figura 29. Educação a Distância.

Fonte https://www.estudiosite.com.br/site/educacao-a-distancia/5-dicas-para-contornar-conflitos-entre-alunos-em-ead.
Acesso em: 4/3/2020.

Art. 39. A modalidade Educação a Distância caracteriza-se pela mediação


didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem que ocorre
com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação,

81
CAPÍTULO 4 • Organização da Educação brasileira: caminhos e possibilidades

com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em


lugares ou tempos diversos.

Art. 40. O credenciamento para a oferta de cursos e programas de


Educação de Jovens e Adultos, de Educação Especial e de Educação
Profissional Técnica de nível médio e Tecnológica, na modalidade
a distância, compete aos sistemas estaduais de ensino, atendidas a
regulamentação federal e as normas complementares desses sistemas.

É a modalidade educacional na qual alunos e professores estão separados, física


ou temporalmente e, por isso, é necessária a utilização de meios e tecnologias de
informação e comunicação. Essa modalidade é regulada por uma legislação específica
e pode ser implantada na Educação Básica (Educação de Jovens e Adultos, Educação
Profissional Técnica de Nível Médio) e na Educação Superior. A modalidade Educação
a Distância caracteriza-se pela mediação didático-pedagógica nos processos de ensino
e aprendizagem que ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e
comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em
lugares ou tempos diversos. O conteúdo e a qualidade das aulas em EaD continuam
sendo os mesmos. A diferença é que, com a EAD, é possível escolher vários formatos
interativos para produzir seu material, ou seja, o professor não precisa mais focar
apenas em aulas expositivas e longas. Ele consegue variar os temas de acordo com o
formato que achar mais adequado, como:

Vídeos longos e curtos;

» E-books;

» Games;

» Podcasts;

» Infográfico;

» Quiz;

» Lives e muito mais.

Sintetizando

Vimos até agora:

» Que é preciso compreender a organização da educação brasileira, em seus níveis e modalidades como meio de
facilitação para praticar as ações de planejamentos nas várias esferas das regiões brasileiras tão diversificadas em
seus desenvolvimentos, desde o início da colonização.

82
Organização da Educação brasileira: caminhos e possibilidades • CAPÍTULO 4

» Como previsto na LDBEN/1988, o detalhamento cronológico para a criação das diretrizes, programas e planos
para inserção e operacionalização legal nos diversos setores da educação brasileira, especialmente quanto aos
planejamentos.

» Que a educação no Brasil está organizada em dois níveis Educação Básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental
anos iniciais e finais e Ensino Médio) e a Educação Superior, tendo como pano de fundo a BNCC, publicada em
2018, com as devidas alterações no ensino médio.

» Que as atuais modalidades de educação, Educação de Jovens e Adultos, Educação Especial, Educação Profissional
Técnica de Nível Médio, Educação Profissional Tecnológica, Educação Escolar Indígena, Educação Quilombola,
Educação do Campo, Educação a Distância, sugerem novas formas de planejar e executar.

83
CAPÍTULO
PLANEJAMENTO EDUCACIONAL
ESCOLAR: RECURSOS METODOLÓGICOS
PARA A PRÁXIS PEDAGÓGICA 5
Introdução

Neste Livro de Estudos sobre Planejamento Educacional, intencionalmente procuramos


percorrer um caminho vertical com as devidas especificações em nível macro de como,
quando, por que e onde as secretarias estaduais e municipais de educação (nos níveis
meso e micro) procuram suas fundamentações legais subsidiando as orientações para as
escolas e justificadamente, às salas de aulas, que devem ser o foco de todo planejador.

Neste capítulo, indicaremos caminhos para melhor compreensão sobre quais e como
lidar com os instrumentos aqui denominados metodológicos, para a prática docente
com qualidade.

Tais instrumentos denominados observação, reflexão didática/teoria, avaliação e o


planejamento oportunizam a reflexão metódica para a elaboração e assimilação de
uma disciplina. O educador, em qualquer função que exerça, como gestor, docente ou
coordenador tem o compromisso de promover a inserção dos estudantes em seu próprio
processo de aprendizagem. Ora, para tal deverá disciplinar-se intelectualmente, lançar
mão e agir por meio dos seus instrumentos metodológicos básicos, como citados.

Não se cogita, no mundo atual, o profissional da educação que desconsidera etapas


necessárias de preparação antes de executar, com ética e, acima de tudo, sabedoria de
quem está devidamente organizado e intelectualmente preparado para lidar com crianças,
jovens, adultos, em escolas regulares presenciais ou não, que atendem tal clientela.

De acordo com a educadora Madalena Freire et al. (1997), podemos nos conduzir também
para a compreensão de tais necessidades.

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Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica • CAPÍTULO 5

Objetivos

» Caracterizar o Planejamento Educacional Escolar, por meio dos seus principais


instrumentos metodológicos para a práxis pedagógica, reconhecendo a importância
dos planos, projetos e programas que o compõem.

» Identificar a importância de cada um desses instrumentos e suas especificidades,


manifestando interesse, criatividade e cooperação para elaboração deles.

» Perceber que as redes escolares constroem seus planos como uma tradução do
planejamento educacional para as realidades locais.

Para melhor compreender a abordagem feita, nada melhor que ler a concepção de Madalena
Freire et al. (1997) sobre o assunto e por que tratado, como instrumentos metodológicos
necessários para a eficácia da prática pedagógica.

Instrumentos metodológicos na concepção democrática de


educação

Provocação

Toda concepção de educação coloca em prática uma teoria do conhecimento. Toda concepção de educação tem um
fazer, que está no domínio da pedagogia. Toda pedagogia, no seu fazer, pratica um método, uma metodologia com
seus instrumentos para conhecer.

O processo de conhecimento requer que os sujeitos interajam, socializem o que pensam, o que sabem, para, juntos,
conhecerem o que antes não sabiam. Nesta concepção de educação, o processo de conhecer não tem nada a ver com
transferência de conhecimentos. No seu ensinar, o educador transmite informações e, ao mesmo tempo, transmite-
se na sua paixão, na sua criação. Seu desafio está na escuta, na observação, nas intervenções provocativas para que
o grupo assuma o seu pensar nas suas divergências e concordâncias, entre iguais. Pois, para conhecer, temos que
adentrar o terreno do conflito e do confronto, ou seja, há sempre um desafio, um problema a ser superado, iluminado
pelo conhecimento.

Os instrumentos metodológicos (a observação, a reflexão da prática/teoria, a avaliação e o planejamento)


possibilitam o exercício sistemático da reflexão para a construção e apropriação da disciplina intelectual. O educador,
estando em qualquer função na escola (professor, coordenador, diretor) é um profissional do conhecimento, um
estudioso, um intelectual – seu compromisso está em promover que seus alunos entrem em contato com seu
próprio processo de conhecimento. Para isso, a disciplina intelectual é a ferramenta básica. Assim como um pedreiro
necessita de ferramenta para levantar uma casa, o educador necessita de instrumentos metodológicos para a
construção permanente da disciplina intelectual, para o estudo permanente que alicerça sua autoria e autonomia.

Nesse contexto, intenciona-se apresentar breves apontamentos sobre os três primeiros


instrumentos metodológicos para a práxis pedagógica, pois objetiva-se detalhar o
planejamento educacional escolar.

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CAPÍTULO 5 • Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica

Observação

Ora, o ato de estudar sempre é iniciado pela observação que sugere atenção, escuta,
presença e reflexão. “A atenção é um ato de generosidade e abertura para acolher o
mundo”, afirma Paulo Freire (2011). O ato de observar é o planejamento da avaliação e
quando focalizada, um ato de metacognição: processo mental, interno, pelo qual o sujeito
toma consciência dos diferentes aspectos e movimentos de sua atividade cognitiva, que
envolve o olhar, o ver e o enxergar.

Para Freire (2013),

Ao vermos, na visão primeira, de “primeiridade”, nas aparências,


na superficialidade, na primeira impressão, colados às situações,
sem distanciamento reflexivo. O desafio é conquistar um olhar de
“secundidade” em que superamos as aparências, apuramos uma reflexão,
um distanciamento e, por isso mesmo, tecemos uma interpretação, leitura
dos sentidos, significados, do que conseguimos enxergar, interpretar. Neste
sentido, a ação de observar é sempre diagnóstico-avaliativa.

Saiba mais

Peirce (2009), queria decifrar como os fenômenos a que estamos sujeitos aparecem à consciência. Fenômeno é aqui
entendido como tudo aquilo que aparece à mente, correspondente a algo real ou não. Pode ser interno (dor, desejo,
lembranças...) ou externo (cheiro, raio de sol, gotas de chuva...). Ele separou em três, portanto, os modos de operação
do pensamento-signo:

Primeiridade: é a sensação que se experimenta ao olhar pela primeira vez para algo novo. É a sensação pura, sem
percepção objetiva, vontade ou pensamento.

Exemplos:

» os momentos privilegiados em que a consciência é tomada pelo sentimento;

» qualidade de sentir: sabor do vinho, gosto de cereja, cheiro de jasmim...;

» experiências místicas, experiências estéticas na arte;

» nuvens passando formando imagens que logo mudam;

» o tempo presente.

Secundidade: está baseada no conflito. Temos nela a ação e reação dos fatos concretos. Tem relação com os
conhecimentos já adquiridos. Obriga a pensar. A secundidade é sempre a reação entre duas forças.

Exemplos:

» memória é secundidade;

» o jornalista é voltado para a secundidade;

» “o homem comeu banana”. Nesse momento. quem leu a frase visualiza um homem comendo uma banana. A
compreensão é de secundidade.

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Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica • CAPÍTULO 5

Terceiridade: é representação. É interpretação de mundo. Diante de um fenômeno, a consciência produz um signo. O


signo é a concepção mais fácil de compreensão da terceiridade. A pessoa conecta o signo à sua experiência de vida.

Exemplos:

» um relâmpago violento;

» rastros, pegadas;

» uma batida na porta.


(Disponível em: http://semiobibando.blogspot.com/2009/11/primeiridade-secundidade-e-terceiridade.html.)

Registro reflexivo

Nessas reflexões em busca de conceber uma relação democrática da e na educação,


pensar constitui ato de refletir; é a apuração do arrazoar, do ajuizar, e nessa concepção
poderão surgir hipóteses que poderão ou não ser testadas e ou não contestadas. Refletir
a práxis docente conduz para a conscientização pedagógica, política e amorosa e é esse
o momento oportuno para que sejam feitas as anotações ou registros num processo de
averiguar o próprio pensamento.

Como ressaltam MadalenaFreire et al. (1997), os registros pedagógicos podem ser


realizados no ato, após notas e aulas, sobre o conteúdo de uma aula ou nos relatórios
mensais, bimensais, semestrais ou anuais sobre o trabalho desenvolvido e ainda os
registros reflexivos poderão ser regulados sobre o planejamento, os conteúdos, os
procedimentos, as aprendizagens e sobre o resultado do processo de avaliação, numa
ação constante de análises comparativas a interpretar e fundamentar o próprio pensar.

O mais importante nesse procedimento é a conscientização e a ação de comunicar


sobre o resultado desses registros aos outros, aos atores companheiros, em reuniões
entre iguais sempre na presença de um coordenador.

Avaliação

O ato de avaliar é processo constante. Deve acontecer permanentemente no método


de rever, refletir para pensar o futuro, sempre atento aos objetivos inicialmente
traçados, formando o chamado indês * do planejamento para modificá-lo ou não e, a
reflexão que sistematiza os movimentos da observação para a avaliação e desta para
o planejamento.

Para HOUAISS, indês trata-se do primeiro ovo que se coloca no ninho para chocar.

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CAPÍTULO 5 • Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica

Planejamento

Planejar é o nosso ponto fundamental desses estudos: planejar como ação de futuro,
imaginação, antevisão. Aqui, o ideal chega com duas hipóteses, apontando um
olhar largueado para os singulares e agilidade para a pré-visão e/ou a recriação do
planejamento.

Nesse ‘‘sonhar’’ vamos detalhando o Planejamento Educacional Escolar em seus níveis e


possibilidades, verificando o quadro a seguir:

Quadro 7. Níveis de planejamento educacional.

NÍVEIS DE PLANEJAMENTO EDUCACIONAL


TIPOS CARACTERÍSTICAS
Fruto do processo de análise e reflexão das várias etapas de um sistema educacional;
Planejamento
elaborado em nível sistêmico, ou seja, nacional, estadual e municipal; ele reflete a política de
Educacional
educação adotada.
Planejamento É a previsão dos diferentes componentes curriculares que devem ser desenvolvidos ao longo
Curricular dos cursos por meio da definição dos objetivos e previsão dos conteúdos.
Planejamento geral das atividades da escola; surge da tomada de decisão quanto aos
Planejamento Escolar objetivos a serem atingidos e a previsão de ações, tanto pedagógicas como administrativas,
que devem ser executadas por toda a equipe da escola; deve ser participativo.
Ou didático; é a previsão das ações e procedimentos que o professor deve realizar junto aos
Planejamento de
alunos e a organização das atividades discentes e experiências de aprendizagem. Formado
Ensino
pelos planejamentos: de curso; de unidade; de aula.
Plano Culminância do processo mental de planejamento; como resultado pode ou não ser escrito.
Aborda o registro das decisões mais concretas de propostas que se deseja realizar; produto do
Projeto
planejamento.
Programa Formado pelo conjunto de um ou mais projetos de órgãos ou áreas com período definido.

Fonte: Quadro elaborado pela autora fundamentado em Haydt (2006).

Saiba mais

E detalhando um pouco mais a respeito, a nossa sugestão para suas leituras e pesquisas:

Figura 30. Livro: Planejamento Educacional e Formação de Professores.

Fonte: Maria Luiza Santos Gama. Appris Editora, 2016.

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Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica • CAPÍTULO 5

Este livro contempla informações, conhecimentos e práticas que indicam caminhos para que sonhos se tornem
realidade, e para que o planejamento coletivo se torne instrumento de transformação da educação. O valor da
leitura deste exemplar está justamente em identificar possibilidades de romper com as estruturas dominantes e
de produzir novas condições para que o ato de planejar possa se transformar em um ato de amor pela educação. O
texto produzido alcança a extensão das proposições inicialmente postas no seu título, quando anuncia o desafio de
relacionar a formação de professores com o planejamento, por meio de processos reflexivos, críticos e colaborativos.

Se g u n d o Ma l h e i ro s, ( 2 0 1 7 , p. 7 4 ) , é n e c e s s á r i o t ra n s f o r m a r o p l a n e j a m e n t o
educacional em nível local. Todas as instituições escolares devem ter o seu plano,
tendo em vista tratar das realidades destas.

De acordo com a educadora Haydt (2006, p. 20), planejamento é um processo mental


que envolve análise, reflexão e previsão; é atividade humana, constante nos diversos
momentos e circunstâncias; planejar remete a prever e decidir sobre o que pretendemos
fazer, o que vamos fazer, como vamos fazer, o que e como devemos analisar a situação
a fim de verificar se o pretendido foi alcançado. E o plano resulta da conclusão de um
processo mental de planejamento, podendo assumir sua forma escrita ou não.

A i n d a s e g u n d o Ha y d t ( 2 0 0 6 , p. 2 1 ) , p o d e m s e r c o n s i d e r a d o s o s s e g u i n t e s
planejamentos, que se alteram em alcance e complexidade, a saber: planejamento
de um sistema educacional, planejamento escolar (das atividades gerais de uma
escola), planejamento de um currículo, planejamento de ensino, planejamento de
curso (ou projeto pedagógico do curso) e planejamento de aula.

Planejamento de um sistema educacional

Neste caso, o planejamento de um sistema é elaborado em nível sistêmico ou nacional,


estadual e municipal, consistindo no processo analítico e reflexivo dos diferentes enfoques
do sistema educacional para demarcar e prever escolhas de solução. A partir disso é
possível priorizar metas para o aperfeiçoamento do sistema educacional, estabelecendo
formas de atuação, calculando custos indispensáveis à realização delas. Normalmente
o reflexo da política de educação adotada advém de planejamento de um sistema.

Planejamento escolar

A professora Haydt (2006) apresenta o planejamento escolar em um ciclo das atividades


como procedimento de tomada de decisão quanto aos objetivos pretendidos e a
antevisão das atuações tanto pedagógicas como administrativas que devem ser
executadas por toda a equipe escolar para o adequado funcionamento da escola.

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CAPÍTULO 5 • Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica

O planejamento da escola deve ser participativo, ou seja, todos os segmentos que fazem
parte da escola (professores, colaboradores, pais e alunos) devem participar do processo de
decisão. O resultado desse tipo de planejamento é o plano escolar, que deve ser elaborado e
executado por toda a equipe da escola e para a consecução geral das atividades pretendidas,
cada escola segue um plano de ação, mas em geral são as seguintes as fases:

» Pesquisa e diagnóstico da realidade da escola:

› características da comunidade;

› características dos estudantes;

› levantamento dos recursos humanos e materiais disponíveis;

› avaliação do ano anterior sobre toda a escola (índice de evasão, repetência,


porcentagem de aprovação, qualidade do ensino ministrado, dificuldades e
problemas superados e não superados).

Para Haydt (2006, p. 96):

É interessante lembrar que a sondagem é o levantamento de dados e


fatos importantes de uma realidade, enquanto o diagnóstico é a análise
e interpretação objetiva dos dados coletados, permitindo que se chegue
a uma conclusão sobre as condições da realidade.

» Definição dos objetivos e prioridades da escola.

» Proposição da organização geral da escola no que refere:

› ao quadro curricular e carga horária dos diversos componentes do currículo;

› calendário escolar;

› critérios de agrupamento dos alunos;

› definição do sistema de avaliação, contendo normas para a adaptação,


recuperação, reposição de aulas, compensação de ausência e promoção dos
alunos.

» Construção de Plano de Curso contendo as programações das atividades


curriculares.

» Elaboração do Plano de Disciplina da escola, com a participação de todos os


membros da escola, inclusive dos estudantes.

» Atribuição de funções a todos os participantes da equipe escolar: direção,


professores, estudantes, equipe pedagógica, equipe administrativa,
colaboradores e outros.

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Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica • CAPÍTULO 5

Planejamento curricular

Alicerçado nas linhas-mestras da instituição, o planejamento do currículo (alma da escola),


é a antevisão dos vários componentes curriculares a serem operacionalizados ao longo de
um curso, tendo acentuados os objetivos gerais, antevendo os conteúdos programáticos
de cada componente.

Inicialmente, como ressalta Haydt (2011, p. 71), o planejador deverá clarear e precisar o
entendimento filosófico que servirá de norte para os fins e objetivos da ação educativa,
tendo em vista que a partir da definição dos objetivos pretendidos é que deverão ser
elencados os critérios para a seleção dos conteúdos.

Aqui, o que importa ser destacado é a distinção entre os conteúdos significativos dos
desprovidos de significado, dos conteúdos carentes de significado e de funcionalidade, de
simples informação sem outra meta que o de ser memorizado por um tempo específico
enquanto possível.

Saiba mais

Leia o que Coll (2001, p. 96) diz sobre a significatividade nos conteúdos:

Ao realizar aprendizagens significativas, o aluno constrói a realidade atribuindo-lhe significados. A repercussão da


aprendizagem escolar sobre o crescimento pessoal do aluno é maior quanto mais significativa ela for, quanto mais
significados permitir-lhe construir. Assim, o realmente importante é que a aprendizagem escolar – de conceitos,
processos, valores seja significativa.

Devemos salientar o destacado papel desempenhado pelo conhecimento prévio do aluno na aprendizagem
significativa. Efetivamente, o fator mais importante que influi sobre a aprendizagem é a quantidade, clareza e
organização dos conhecimentos que o aluno já possui. Estes conhecimentos já presentes (no momento de iniciar
a aprendizagem), constituídos por fatos, conceitos, relações, teorias e outros dados de origem não perceptiva, dos
quais o aluno pode dispor a qualquer momento, constituem sua estrutura cognoscitiva. Para a aprendizagem ser
significativa, duas condições devem ser cumpridas.

Em primeiro lugar, o conteúdo deve ser potencialmente significativo, tanto do ponto de vista da sua estrutura interna
(significatividade lógica: não deve ser arbítrio nem confuso), como do ponto de vista da sua possível assimilação
(significatividade psicológica: na estrutura cognoscitiva do aluno deve haver elementos pertinentes e relativos).
Em segundo lugar, deve-se ter uma atitude favorável para aprender significativamente, ou seja, o aluno deve estar
motivado para relacionar o que aprende com o que já sabe. Este segundo requisito é um chamado de atenção sobre
o papel decisivo dos aspectos motivacionais. Embora o material de aprendizagem seja potencialmente significativo,
lógica e psicologicamente, se o aluno estiver predisposto a memorizá-lo pela repetição (com frequência isto requer
menos esforço e ser mais simples!), os resultados carecerão de significado e teor valor educativo.

Nessa linha, há que ser destacado outro aspecto significativo ao planejar o currículo,
que são os diferentes componentes curriculares que devem ser agrupados para a
reconstrução no aluno, da concisa unidade do conhecimento humano e, além disso,
que os saberes consistam em um todo orgânico e coeso, garantindo a associação desses

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CAPÍTULO 5 • Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica

componentes ao longo das diversas séries/anos (numa linha horizontal), durante todo
o curso (ordenado verticalmente), seguindo as diretrizes curriculares do Conselho
Federal de Educação (CFE) para organização do currículo em nível nacional, no que
concerne ao núcleo comum; e ao Conselho Estadual de Educação (CEE) que inventaria
os componentes escolhidos pela escola, compondo a chamada parte diversificada do
currículo.

Pode-se salientar que cada escola deve elaborar o seu plano de currículo, de acordo com
as diretrizes básicas do sistema ao qual pertence e, principalmente, considerando as
características dos seus estudantes e as fidedignas condições de trabalho que apresenta.
Assim, o planejamento tem níveis diferentes de alcance, bem acentuado e demarcado
o seu espaço com vistas a precisar as decisões a serem tomadas em relação a certos
acontecimentos da ação educativa.

Como afirma Coll ( 2001, p. 21):

Um projeto curricular não surge do nada – e muito menos no caso do


ensino obrigatório –, mas parte de uma prática pedagógica que aspira
a transformar e melhorar. Para isso, oferece novos pontos de vista e
alternativas, mas também integra as experiências bem-sucedidas. Por
outro lado, como projeto educativo que é, o Projeto Curricular contrasta
com a prática pedagógica e tem de estar permanentemente aberto às
modificações e correções derivadas desse contraste. O desenvolvimento
do currículo, retomando a distinção anterior, é uma das fontes – talvez a
principal – do processo de elaboração, revisão e contínuo enriquecimento
do Projeto Curricular.

Planejamento de ensino

Por meio do planejamento de ensino pode-se antever ações e procedimentos, organizar as


atividades e experiências de aprendizagem, que o professor realizará com os estudantes,
visando atingir os objetivos educacionais estabelecidos. Nesse sentido, ao particularizar e
operacionalizar o planejamento de ensino, o educador estará cuidando do planejamento
curricular.

Vale ressaltar que ao planejar o ensino, o professor antecipa, com organização, as


etapas do trabalho escolar. Cuidadosamente, identifica os objetivos pretendidos e,
consequentemente, poderá apontar os conteúdos que deverão ser estudados, fazendo
uma seleção dos procedimentos pretendidos, podendo, assim, prever os instrumentos
avaliativos que serão utilizados. No que se refere ao aspecto ensino-aprendizagem,
planejar é:

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Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica • CAPÍTULO 5

» Caracterizar a comunidade escolar (aspirações, necessidades e possibilidades).

» Verificar os recursos possíveis e disponíveis.

» Elaborar os objetivos geral e específicos que melhor se adequem à clientela em


questão.

» Nomear e organizar os conteúdos a serem estudados, prevendo suas distribuições


ao longo do tempo das horas-aula previstas.

» Escolher os procedimentos mais adequados, bem como as atividades e


experiências de conhecimento mais apropriadas para o alcance dos objetivos
estabelecidos.

» Definir, adequando os recursos de ensino que motivem a participação dos alunos


nas atividades de aprendizagem pretendidas.

» Elencar os procedimentos avaliativos que sejam harmônicos com os objetivos


propostos.

Como podemos ver, o planejamento de ensino também é processo, que envolve operações
mentais como: analisar, refletir, definir, selecionar, estruturar, distribuir ao longo do
tempo, prever formas de agir e organizar. A culminância, ou melhor, o resultado do
processo de planejamento da ação docente é o plano didático. Em geral, o plano didático
assume a forma de um documento escrito, pois é o registro das conclusões do processo
de previsão das atividades docentes e discentes.

O mais comum, nos dias de hoje, é o professor não escrever o seu Plano de Curso e não
anotar as próprias conclusões do período letivo anterior, evitando, com isso, perder-se
ao executar seu trabalho, principalmente com relação às questões dos conteúdos que
os alunos, na modernidade, questionam e, por vezes, intimidam o professor de forma
agressiva. Esse fato, hoje, comum somente será validado ao final das sindicâncias com
conclusões negativas sobre o desempenho docente.

Frente a essas reflexões, o aconselhável, como pondera Madalena Freire et al. (1997), é
registrar de modo pessoal, simples, claro e preciso, as conclusões sobre o planejamento
de ensino e, com clareza, apontar características da classe, dos alunos no seu individual,
das possibilidades de execução e, também, atitudes e ações do professor.

Cuidado

É preciso ater-se quanto aos Planos organizados por equipes de educadores, ou outros quaisquer; eles poderão ser
consultados como ideias geradoras, mas nunca serem copiados. O trabalho didático, qualquer que seja ele, deve ser
criativo, não repetitivo.

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CAPÍTULO 5 • Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica

Nessa linha de reflexão, importa apontar que o procedimento mental de planejar está
associado ao processo também mental para criar.

Como afirma Haydt (2006, p. 100):

planejar é criar com base nas condições da realidade e tendo em vista


objetivos definidos. Outro aspecto a ser lembrado é que “o plano é apenas
um roteiro, um instrumento de referência e, como tal, é abreviado,
esquemático, sem colorido e aparentemente sem vida. Compete ao
professor que o confeccionou, dar-lhe vida, relevo e colorido no ato de sua
execução, impregnando-o de sua personalidade dinâmica, sua vibração
e seu entusiasmo, enriquecendo-o com sua habilidade e expressividade”.

Conforme o nível das especificidades em ordem crescente, são três os tipos de


Planejamento de Ensino:

» Planejamento de Curso.

» Planejamento de Ensino.

» Planejamento de Aula.

Importante

É frequente que professores retirem os objetivos da aula dos conteúdos. O correto é que os conteúdos derivem dos
objetivos.

Plano de ensino: os quatro componentes fundamentais


que o embasam – objetivos, conteúdos, procedimentos de
ensino e recursos

Na educação, deliberar e definir os objetivos de aprendizagem significa estruturar,


intencionalmente, o processo educacional de modo a oportunizar mudanças de
pensamentos, ações e comportamentos.

Essa organização resulta de um processo de planejamento que está diretamente


relacionado à escolha do conteúdo, dos procedimentos, das atividades, de recursos
disponíveis, de estratégias, de instrumentos de avaliação e da metodologia a ser adotada
por determinado período de tempo.

Como destaca Libâneo (1994), os objetivos representam as exigências sociais


c o m re l a ç ã o à e s c o l a , a o e n s i n o, a o s a l u n o s e, c o n s e q u e n t e m e n t e, re f l e t e m
posicionamentos políticos pedagógicos dos docentes face às incoerências sociais
na sociedade, como um todo; além disso, os objetivos de ensino versam sobre uma

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Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica • CAPÍTULO 5

descrição clara de resultados que os estudantes devem atingir por meio da prática
pedagógica devidamente planejada pelo professor.

Segundo Turra et al. (1996), saber formular objetivos é fundamental em qualquer


p ro c e s s o d e e n s i n o - a p re n d i z a g e m , p o i s c o m p e t e a o p ro f e s s o r s e l e c i o n a r o s
procedimentos de ensino mais apropriados e avaliar a prática pedagógica executada.
Importa salientar que em torno da formulação dos objetivos assenta-se todo o
trabalho docente, já que selecionar conteúdos, procedimentos, recursos e critérios
de avaliação derivará da determinação desses objetivos.

É sabido que a elaboração de objetivos demanda posicionamento ativo do professor,


ao demarcar os objetivos que deverão ser alcançados pelos alunos, ajudando-os na
realização de avaliação crítica e ativa do referencial utilizado, fundamentado em suas
opções decorrentes dos aspectos sociopolíticos de sua práxis educativa.

Classificação dos objetivos de ensino

Impossível tratar de objetivos de ensino desconhecendo a necessidade de ater-se


às suas particularidades. Eles são classificados quanto às especificações e domínios
do comportamento humano e, devido a isso, e de acordo com as especificações
propostas por Turra et al. (1996), os objetivos são chamados de gerais ou educacionais
e específicos ou instrucionais.

Se re l a c i o n a d o a o s d o m í n i o s d o c o m p o r t a m e n t o h u m a n o, a s i s t e m á t i c a d e
classificação prende-se a três tipos que são os cognitivos, afetivos e psicomotores.
Os objetivos ditos gerais ou educacionais concebem suposições amplas e complexas,
prevendo mudanças de comportamento frente às exigências ditadas pela realidade
social e perante o desenvolvimento da personalidade dos estudantes. Eles derivam
de uma filosofia da educação originados da leitura da sociedade moderna e da
inclusão dos educandos nesta sociedade.

De acordo com Turra et al. (1996), os objetivos gerais e específicos podem ser
considerados como psicomotores, cognitivos e afetivos. Os relacionados ao domínio
psicomotor associam-se às habilidades e competências motoras; os atinentes
ao domínio cognitivo estão associados aos conhecimentos, conceitos, ideias,
princípios e habilidades mentais; e aqueles referentes ao domínio afetivo envolvem
comportamentos associados com atitudes, valores e apreciações.

Nesse contexto de estudos e informações sobre o planejamento educacional escolar,


consideramos oportuno apresentar, futuro professor, informações complementares,
porém indispensáveis para quem quer realizar com sucesso a sua práxis educativa.

95
CAPÍTULO 5 • Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica

Saiba mais

A classificação dos objetivos, mais conhecida por Taxonomia de Bloom (1913-1999); psicólogo, estudioso e
pesquisador na área educacional. Bloom declarou basilar determinar de modo claro, preciso e verificável, os
objetivos ao final de um aprendizado. Para ele, o campo mais utilizado é o cognitivo, e com ele existem seis níveis de
complexidade, organizados de forma crescente do simples ao mais complexo. Para crescer de um nível para outro
é preciso dominar o atual, como se subisse uma escada. (Disponível em: https://blog.raleduc.com.br/2018/01/15/
benjamin-bloom-sua-taxonomia/).

Figura 31. Taxonomia de Bloom.

Fonte: https://blog.raleduc.com.br/2018/01/15/benjamin-bloom-sua-taxonomia/. Acesso em: 4/3/2020.

Alguns educadores, desde a década de 1940/1950 decidiram qualificar metas e objetivos educacionais. A proposta
deles foi desenvolverem um sistema de classificação de objetivos em três domínios que chamaram de cognitivo,
afetivo e o psicomotor.

A ideia central da taxonomia é a de que aquilo que os educadores querem que os alunos saibam (definido em
declarações escritas como objetivos educacionais) pode ser arranjado numa hierarquia do menos para o mais
complexo. Dessa forma, está apresentada abaixo com amostras de verbos e de declarações de desempenho para cada
nível.

O princípio integrador da Taxonomia é da complexidade e os objetivos estão hierarquizados em ordem crescente de


complexidade e abstração.

96
Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica • CAPÍTULO 5

Quadro 8. Estruturação da Taxonomia de Bloom quanto ao desempenho para cada nível.

NÍVEL DEFINIÇÃO AMOSTRA DE VERBOS AMOSTRA DE DESEMPENHOS


Escrever

O aluno irá recordar ou Listar


O aluno irá definir os seis
reconhecer informações, Rotular
Conhecimento ideias e princípios na forma níveis da Taxonomia de
(aproximada) em que foram Nomear
Bloom no domínio cognitivo.
aprendidos. Dizer
Definir
Explicar
O aluno traduz, compreende Resumir
O aluno irá explicar a proposta
ou interpreta informação
Compreensão Parafrasear da Taxonomia de Bloom para o
com base em conhecimento
domínio cognitivo.
prévio. Descrever
Ilustrar
Usar

O aluno seleciona, transfere, Computar


usa dados e princípios para Resolver O aluno irá escrever um objetivo
Aplicação completar um problema ou educacional para cada um dos
tarefa com um mínimo de Demonstrar níveis da Taxonomia de Bloom.
supervisão. Aplicar
Construir
Analisar
O aluno distingue, classifica
Categorizar
e relaciona pressupostos,
O aluno irá comparar e contrastar
Análise hipóteses, evidências ou Comparar
os domínios afetivo e cognitivo.
estruturas de uma declaração
Contrastar
ou questão
Separar
Criar
Planejar O aluno irá elaborar um esquema
O aluno cria, integra e
Elaborar de classificação para escrever
combina ideias num produto,
Síntese objetivos educacionais que integre
plano ou proposta, novos Hipótese(s) os domínios cognitivo, afetivo e
para ele.
Inventar psicomotor.

Desenvolver
Julgar
O aluno aprecia, avalia ou Recomendar O aluno irá julgar a efetividade de
Avaliação critica com base em padrões se escrever objetivos educacionais,
e critérios específicos. Criticar usando a taxonomia de Bloom.
Justificar

Fonte: Níveis de complexidade da Taxonomia de Bloom (BLOOM et al., 1975).

97
CAPÍTULO 5 • Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica

Quadro 9. Estruturação da Taxonomia de Bloom no domínio cognitivo.


OBJETIVOS COGNITIVOS

CLASSE VERBOS DE AÇÃO ASSOCIADOS


Definir Escrever Sublinhar
Declarar Relembrar Selecionar
Conhecimento
Listar Reconhecer Reproduzir
Nomear Rotular Medir
Identificar Ilustrar Explicar
Justificar Representar Julgar
Compreensão
Selecionar Nomear Contrastar
Indicar Formular Classificar
Escolher
Predizer Construir
Encontrar
Aplicação Selecionar Computar
Mostrar
Avaliar Usar
Demonstrar

Fonte: Ferraz (2010).

Quadro 10. Estruturação da Taxonomia de Bloom no domínio afetivo.

OBJETIVOS AFETIVOS

CLASSE VERBOS DE AÇÃO ASSOCIADOS


Ouvir Aceitar Estar Consciente
Receber Atender Receber Favorecer
Preferir Perceber Selecionar
Especificar Selecionar Gravar
Responder Responder Listar Desenvolver
Completar Escrever Derivar
Aceitar Incrementar Indicar
Valorizar Reconhecer Realizar Decidir
Participar Desenvolver Influenciar
Organizar Encontrar Associar
Organizar Julgar Determinar Formar
Relacionar Correlacionar Selecionar
Revisar Aceitar Demonstrar
Caracterizar Modificar Julgar Decidir
Enfrentar Desenvolver Identificar

Fonte: Ferraz (2010).

98
Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica • CAPÍTULO 5

Quadro 11. Estruturação da Taxonomia de Bloom no domínio cognitivo.

OBJETIVOS COGNITIVOS

CLASSE VERBOS DE AÇÃO ASSOCIADOS


Definir Escrever Sublinhar
Declarar Relembrar Selecionar
Conhecimento
Listar Reconhecer Reproduzir
Nomear Rotular Medir
Identificar Ilustrar Explicar
Justificar Representar Julgar
Compreensão
Selecionar Nomear Contrastar
Indicar Formular Classificar
Escolher
Predizer Construir
Encontrar
Aplicação Selecionar Computar
Mostrar
Avaliar Usar
Demonstrar

Fonte: Ferraz (2010).

Neste ponto de informações, vale destacar que existem verbos que denotam duplicidade de interpretação na
operacionalização dos planejamentos. Logo, fique atento para a relação a seguir, conforme Turra et al. (1996).

Quadro 12. Exemplos de verbos de acordo com Bloom.

Palavras passíveis de várias interpretações Palavras passíveis de poucas interpretações


saber escrever
compreender expressar
realmente compreender identificar
avaliar diferenciar
avaliar completamente resolver
perceber o significado construir
desfrutar relacionar
acreditar comparar
ter fé em contrastar

Fonte: Ferraz (2010).

Conteúdos, procedimentos e recursos

Os conteúdos são conhecimentos (saberes) que deverão ser trabalhados. O Ministério


da Educação apresenta os conteúdos mínimos por meio dos Parâmetros Curriculares
Nacionais, os chamados PCNs, que são complementados pelas Secretarias Estaduais de
Educação que propõem conteúdos específicos a serem estudados pelas escolas que estão
em seus espaços de alcance.

99
CAPÍTULO 5 • Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica

De acordo com Turra et al. (1996, p. 33) no planejamento de ensino as decisões do


professor são blindadas de características especiais e uma delas diz respeito a ‘o que
devo ensinar?’’ Os conteúdos significam conjunto variado de conhecimentos e saberes
que dão condições ao aluno para desenvolver suas potencialidades, ao mesmo tempo
elucidando suas relações com os outros e com o meio onde está.

A seleção de conteúdos deve ser adequada aos objetivos propostos e que se quer alcançar
e isso deve ser realizado com cuidado por parte do professor. Ao selecioná-los, o educador
deve ter em mente critérios como:

» Validade: o professor deverá estar atento à clareza e nitidez da relação entre


objetivos a serem alcançados e os conteúdos a serem trabalhados com os
estudantes e só serão válidos se houver atualização deles do ponto de vista
científico. Como o conhecimento humano é permanentemente ampliado, a
ciência revisa invariavelmente as teorias e generalizações, impondo, portanto,
que o educador busque os conhecimentos mais atualizados para incorporá-los
à sua prática.

» Utilidade: esse crivo está atualizado quando é possível aplicar o conhecimento


adquirido em novas situações. Os conteúdos do currículo só terão utilidade se
estiverem adequados às exigências e condições de onde vivem os estudantes,
agradando suas reais precisões e esperanças e quando forem práticas, cooperando
com eles em seu cotidiano na solução de problemas e no enfrentamento de
novas situações.

» Significação: o conteúdo precisa ter sentido e ser atraente para o aluno se estiver
correspondendo às experiências por ele vivenciadas. Para tanto, o professor
deve relacionar, sempre que possível, conhecimentos novos a serem estudados
e esmiuçados pelos alunos, de acordo com suas experiências e conhecimentos
anteriores, buscando uma ligação entre ligar o já é conhecido ao novo e ao
desconhecido. Logo, por meio desse ajuntamento do conhecido e vivenciado ao
desconhecido e novo, que dará a significidade ao conteúdo.

» Adequação ao nível de desenvolvimento do aluno: importante salientar que os


conteúdos pretendidos devem ter o mesmo grau de maturidade intelectual do aluno
e estarem apropriados ao nível de suas estruturas cognitivas. Eles precisam ser
assimilados e, por isso, devem satisfazer as aprendizagens essenciais e desejáveis,
colaborando para o desenvolvimento das capacidades do aluno, de acordo com
sua fase evolutiva e com os interesses que o conduzem à ação.

» Flexibilidade: esse critério será aprovado quando houver possibilidade de fazer


alterações nos conteúdos selecionados, eliminando itens ou adicionando novos

100
Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica • CAPÍTULO 5

assuntos, a fim de ajustá-los ou adaptá-los às reais condições, necessidades e


interesses dos estudantes.

Ressalte-se, ainda que, além dessas normas citadas, a seleção de conteúdos para escolher
o conteúdo programático precisará contar com o tempo disponível; outro aspecto é dar ao
aluno a possibilidade de elaborar o próprio conteúdo trabalhado. Isso, como afirma Paulo
Freire, é apreender o aprendido, associando e comparando, relacionando e integrando
os novos dados aos já assimilados, por meio de pesquisa, organização de novas ideias,
elegendo opções e ajuizando ideias. A isso chamamos de construção e reconstrução do
conhecimento.

Quanto à organização dos conteúdos, eles deverão ser sequencialmente organizados


num reforçamento mútuo, e isso só será possível em dois planos que são o plano
temporal, montando os conteúdos ao longo dos anos, chamada de verticalização de
conteúdos, e o plano de um mesmo ano ou série, correlacionando uma área a outra,
e isso é a organização horizontal do conteúdo.

Assim, quanto aos procedimentos de ensino, convém lembrar que eles implicam ações,
processos, ‘‘jeitos de fazer’’ do professor para que o aluno entre em contato direto com
os fatos, coisas ou fenômenos que possibilitem a ele alterar seu comportamento, em
função dos objetivos previstos. Os procedimentos falam das intervenções em sala de
aula e só acontecem se o aluno realizar alguma atividade que permita a ocorrência da
aprendizagem como um processo dinâmico. Aprendizagem é um processo que só ocorre
por meio do desempenho ativo do estudante: este aprende o que ele mesmo faz, não o
que faz o professor.

Ora, se o aluno é o elemento ativo da aprendizagem, os procedimentos de ensino


devem colaborar para que ele movimente seus esquemas operatórios de pensamento,
participando ativamente das experiências de aprendizagem, por meio de observações,
leituras, textos, experimentos, solucionando problemas, comparando, classificando,
ordenando, analisando e sintetizando, dentre muitos comportamentos operacionais.

É válido destacar que atualmente são muito diversificados os métodos ou procedimentos


de ensino e dentre os mais usuais podemos destacar os verbais tradicionais, que tiveram
sua fundamentação aprovada pela epistemologia associacionista; ou procedimentos
ativos, que foram desenvolvidos a partir de pesquisas e conclusões da Psicologia do
Desenvolvimento, mais especificamente, do construtivismo operacional e cognitivo.
Além desses dois citados, são válidos os intuitivos ou audiovisuais, embasados na
Psicologia da forma ou Gestalt. Considerando ainda como procedimento de ensino,
o ensino programado que tem como fundamentação a Psicologia comportamental ou
behaviorista.

101
CAPÍTULO 5 • Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica

Planejamento de curso

Ao planejar um curso, é necessário prever os conhecimentos ou saberes, como, também,


as atividades a serem desenvolvidas com os alunos (as classes) em certo período de
tempo; ele é a previsão de todas as características que um curso ou uma disciplina terá
para que os estudantes atinjam os objetivos previstos, normalmente no semestre ou
ano letivo, lembrando que esse é o desenvolvimento do plano curricular e que deverá
seguir, sistematicamente, o seguinte passo a passo:

1. Buscar informações básicas sobre os alunos.

2. Elaborar os objetivos gerais, definindo também os específicos para o período


pretendido.

3. Distribuir os conteúdos pretendidos para o desenvolvimento dos trabalhos didáticos


e pedagógicos.

4. Determinar atividades e procedimentos de ensino e aprendizagem apropriados aos


objetivos e conteúdos propostos.

5. Verificar e indicar os recursos disponíveis para execução do plano.

6. Decidir pelo processo avaliativo coerente e de acordo com os objetivos e conteúdos


previamente selecionados.

De acordo Malheiros (2017, p. 76), um Plano de Curso define exatamente o que será
estudado em cada uma das disciplinas, podendo ser adaptado pelo professor no intuito
de atender às suas prioridades específicas, bem como as da turma. No geral, nele devem
constar informações.

Citando um exemplo nesse caso: uma disciplina na graduação do curso de Pedagogia,


como o Planejamento Educacional. Essa disciplina necessita que um Planejamento
seja elaborado, construído, certo? O curso, nesse caso, é a disciplina Planejamento
Educacional e o trabalho de planejar irá gerar um plano.

Esse plano de curso poderá ser adaptado pelo professor, como já dito, mas, geralmente
deve conter, no mínimo, as seguintes informações.

» Objetivos do curso.

» Conteúdo a ser trabalhado.

» Procedimentos de ensino esperados.

» Recursos necessários para sua realização.

102
Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica • CAPÍTULO 5

» Tempo disponível para o curso.

» Formas da avaliação.

Para a elaboração de um plano de curso, veja um exemplo proposto em Malheiros,


2016, p. 82).

Quadro 13. Exemplo 1 para formulário de Plano de Curso.

Disciplina:__________________________ Professor: ___________________________________


Ano:____________ Semestre:_________ Carga horária: _________ Horário:_____________
1. Objetivo geral
2. Objetivos específicos
3. Conteúdos
4. Procedimento de ensino
5. Recursos
6. Formas de avaliação

Fonte: Malheiros (2017).

Como propõe Malheiros (2016), alguns professores preferem elaborar o planejamento


de curso, detalhando os objetivos e conteúdos pelo tempo disponível. Por exemplo,
num curso de 80 horas distribuído em 20 aulas, a organização poderá ser da
seguinte forma:

Quadro 14. Exemplo 2 para formulário de plano de curso.

Disciplina: __________________________ Horário: ___________________________________


Ano: ____________ Semestre: _________ Carga horária: _________
Objetivo geral____________________________________________________________________
Objetivo Conteúdo Procedimento Recursos
Aula 1
Aula 2
Aula 3
Aula 4
.......

Fonte: Malheiros (2017).

Planejamento de unidade

Segundo Haydt (2006, p. 101), planejar a unidade implica reunir várias aulas sobre
assuntos correlatos, que formam uma mostra significativa dos conteúdos, que devem
ser contidos em suas inter-relações e concordando com demais autores afirma que o
professor, ao planejar a unidade de ensino, deve ater-se em pelo menos três etapas:

103
CAPÍTULO 5 • Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica

» Apresentação: inicialmente o professor procurará identificar e estimular os


interesses dos alunos, para que, melhor aproveitem seus pré saberes e possam
relacioná-los ao tema da unidade, por meio de questões iniciais para sondagem das
experiências e conhecimentos anteriores dos alunos; aula expositivo dialogadas,
na introdução dos assuntos, comunicando os objetivos pretendidos com o estudo;
utilização de recursos áudio visuais, das mídias como ação motivadora ao iniciar
o tema proposto.

» Desenvolvimento: nessa segunda fase, a sugestão é que o docente apresente


situações de ensino aprendizagem por meio de situações problemas que estimulem
a participação ativa dos estudantes, tendo em vista atingir os objetivos específicos
propostos (conhecimentos, competências, habilidades e atitudes). Dentre as
atividades propostas demos citar solução de problemas, projetos, estudo de textos,
estudo dirigido, pesquisa, experimentação, trabalho em grupo e outros até mesmo
sugeridos pelos alunos.

» Integração: na terceira etapa, os alunos poderão elaborar síntese dos conteúdos


trabalhados durante o estudo da unidade. São sugestivas tarefas do tipo elaboração
de relatórios orais ou escritos que sintetizem os aspectos mais importantes da
unidade; organização de resumos e de quadros sinóticos.

Aqui, nessa etapa, a indicação atual é que para fixação desses temas, o aluno seja orientado
na confecção dos mapas conceituais de forma abrangente completa e abrangente,
podendo ser realizada, inclusive, para convalidar em classe, os conhecimentos aprendidos
e apreendidos.

Quadro 15. Exemplo para modelo de plano de unidade.

Disciplina: __________________________ Horário: ___________________________________


Ano: ____________ Semestre_________ Carga horária: _________
Unidade: geral____________________________________________________________________
Objetivo geral: geral______________________________________________________________
geral_____________________________________________________________________________

Objetivo Conteúdo Procedimento Recursos

Apresentação Aula 1

Desenvolvimento Aula 2

Integração Aula 3

...........

Fonte: Malheiros (2017).

104
Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica • CAPÍTULO 5

Planejamento de aula

Pelo que se percebe atualmente, esse tem sido ‘‘nó’’ para os docentes, que dispensam
essa etapa do planejamento; seguramente, esse é o momento mais significativo da
ação docente, pois, nessa etapa, o professor não poderá vacilar, inclusive em relação à
qualidade dos conteúdos a serem trabalhados. Vale lembrar que nesse planejamento o
professor deverá explicitar e operacionalizar os procedimentos diários na consolidação
dos demais planos.

Nesse tipo de planejamento é importante destacar:

» A previsão dos objetivos imediatos a serem alcançados (conhecimentos,


competências, habilidades, atitudes);

» Especificar itens e subitens do conteúdo que serão trabalhados durante a aula;

» Detalhar os procedimentos de ensino, organizando previamente as atividades de


aprendizagem dos seus alunos (individuais e em grupo);

» Recomendar os recursos visuais possíveis como vídeos, cartazes, mapas, jornais


atualizados, livros, e outros objetos variados;

» Estabelecer como será o processo avaliativo das atividades.

Saiba mais

Haydt (2006, p. 103) posiciona-se a respeito do planejamento de aula:

[...] é a sequência de tudo o que vai ser desenvolvido em um dia letivo. É a


sistematização de todas as atividades que se desenvolvem no período em que o
professor e o aluno interagem, numa dinâmica de ensino-aprendizagem. Além
disso, o plano de aula deve estar adaptado às reais condições dos alunos: suas
possibilidades, necessidades e interesses. Ao elaborar o seu plano de aula, o professor
deve levar em conta as características dos alunos, partir dos conhecimentos que eles
já possuem. Por isso, é importante que o professor faça uma sondagem do que os
alunos já sabem sobre os conhecimentos a serem desenvolvidos. Em geral, o plano de
aula do professor assume a forma de um diário ou de um semanário.

A função maior do planejamento das atividades didáticas é evitar a improvisação, prevenindo dificuldades que
poderão surgir, evitando a repetição rotineira e mecânica de cursos e aulas, enfim, adequar o trabalho didático aos
recursos disponíveis e às reais condições dos alunos. Com relação aos conteúdos, as atividades e os procedimentos
de avaliação aos objetivos propostos. Além disso, garantir a distribuição adequada do trabalho em relação ao tempo
disponível. HAYDT.

105
CAPÍTULO 5 • Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica

Quadro 16. Modelo de plano de aula.

Disciplina: __________________________ Professor: ___________________________________


Data: ____________ Horário: ____________ Turma (s): ____________

Conteúdo Objetivo Procedimento Tempo Recursos

Fonte: Malheiros (2017).

Projeto Político-Pedagógico (PPP)

Observe a figura a seguir, que demonstra com clareza as características do PPP.

Figura 32. Características do PPP.

Fonte: https://i.ytimg.com/vi/cYL80sMsd3w/maxresdefault.jpg. Acesso em: 19/7/2019.

Para finalizar este capítulo, apresentamos informações atualizadas sobre Projeto


Político-Pedagógico, como trabalhado na modernidade. Portanto, leia a introdução,
por meio do pensamento de Neusete Machado Rigo (Corte, 2016, p. 54):

De acordo com Barbier (1993, p. 49):

O projeto é uma antecipação. A utilização do prefixo pro-, que significa


antes, na terminologia da planificação e nomeadamente nas noções de

106
Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica • CAPÍTULO 5

pro-jecto e de pro-grama, é neste ponto de vista significativo: o conteúdo


de um projeto não tem a ver com acontecimentos ou objetos ainda não
verificados. Não se debruça sobre fatos, mas sobre possíveis. Relaciona-se
com um tempo a vir, com um futuro de que constitui uma antecipação,
uma visão prévia.

Saiba mais

O Projeto Político-Pedagógico na contemporaneidade: processo de construção coletiva


As discussões acerca da necessidade de um Projeto Político-Pedagógico (PPP) como instrumento orientador da
ação educativa escolar têm sido frequentes nos processos de formação de professores. Isto porque desde que as
instituições escolares conquistaram a autonomia de planejamento reivindicada com a abertura democrática do País,
nos anos 1980, ocorreu um progressivo abandono da racionalidade técnica, que subordinava a pedagogia e a ação
docente ao controle burocrático e à decisão de especialistas.

A referida autonomia, garantida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei no 9.394/1996) e estimulada
pelas políticas nacionais de formação de professores, coloca as escolas diante da possibilidade de mudanças
curriculares para buscar uma identidade singular, articulada às aspirações da comunidade em que se insere. Nessa
perspectiva, os desafios que a legislação, as políticas públicas e a sociedade contemporânea impõem à escola, na
definição de sua proposta pedagógica, vão além da mera reconstrução curricular para situar-se no âmbito das
decisões coletivas, que necessitam ser assumidas acerca do papel institucional, num projeto político, que hoje se
coloca frente a mudanças emergentes na condição pós-moderna.

E por quê? Projeto + Político + Pedagógico?

Vejamos o que diz a literatura de referência.

A instituição escolar objetiva atingir todos os seus sonhos projetados por meio de
metas, projetos e programas. A vida para essas pretensões, assim como os meios para
consegui-las, é o que dá formato ao chamado projeto político-pedagógico, o famoso
PPP. Interessante, pois as palavras que o formam dizem muito sobre ele. Veja:

» É projeto, pois idealiza futuro; reúne propostas que objetivam conseguir uma ação
concretada, em tempo determinado.

» É político, por considerar a escola como um espaço de emancipação na


formação de sujeitos críticos, cônscios e responsáveis, podendo modificar os
rumos a serem seguidos para atuarem, quer individual, quer coletivamente
na sociedade.

E segundo Paulo Freire (2001, p. 44)

Todo projeto pedagógico é político e se acha molhado de ideologia. A


questão a saber é a favor de quem, contra quê e contra quem se faz a
política de que a educação jamais prescinde.

107
CAPÍTULO 5 • Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica

» É pedagógico porque delibera e organiza os métodos, as atividades e projetos


educativos necessários o processo de ensino-aprendizagem e também para o
desenvolvimento integral dos estudantes. Essa terminologia empregada refere-se a
todos os projetos e atividades educacionais empregados no ensino-aprendizagem
com eficácia.

Importante salientar que o Projeto Político-Pedagógico é acatado como o referencial


a ser produzido por todas as escolas; surgiu após a Constituição de 1988 e está
regido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN n o 9.394/1996),
dando autonomia às instituições de ensino para elaboração da própria identidade.
O seu exemplo de qualidade é a legislação de educação que incentiva a construção e
autonomia dos demais projetos diferenciados, conforme as precisões de cada escola.

O Projeto Político-Pedagógico é o plano para que a escola, por meio da comunidade


educativa, possa transformar a própria realidade, determinando os objetivos da instituição
e o que ela em todas as suas extensões fará para alcançá-los.

Nesse documento, devem ser considerados como extensões que formam o ambiente
educacional, a proposta pedagógica, que deverá conter os caminhos escolhidos para
a metodologia a ser adotada pela escola; as diretrizes para avaliar o processo de
aprendizagem, assim como os modelos e métodos de ensino; as diretrizes para a gestão
administrativa, cuja elaboração tem real importância, pois, para que a proposta curricular
e as diretrizes sobre o corpo docente sejam desempenhadas, é indispensável a montagem
bem organizada do suporte administrativo, para que a gestão escolar, assim abalizada,
viabilize os outros itens do projeto; e grande realce às diretrizes sobre a formação dos
professores, cujo documento deve ser claro sobre a forma como os docentes serão
continuamente capacitados e organizados para cumprir a proposta curricular. Uma vez
que o objetivo da instituição escolar é determinar os seus objetivos:

Quais são os atores e cuidados na elaboração e revisão do PPP?

Diante do exposto, pode-se perceber que a elaboração do PPP deve ser cooperativa
e, mesmo assim, é primordial a figura que seja mobilizadora e que se responsabilize
por conduzir o processo, papel esse, normalmente atribuído ao diretor pedagógico
da instituição e considerados os professores, alunos, coordenadores, pais, elementos
da comunidade para apresentar tópicos e temas relevantes à escola, quer sugerindo,
comentando, opinando, sempre em busca de resultados positivos.

Considerando que cada espaço educacional possui diferentes realidades, a construção


do PPP pode acontecer de diversas formas, pois há instituições que o constroem por
meio do Conselho Escolar, uma vez que esse é formado por diversos representantes da

108
Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica • CAPÍTULO 5

comunidade. Outras preferem a participação individual ou pela formação de plenárias


e para que a finalização ocorra com padrão significativo de qualidade e viabilidade,
sendo o procedimento também mais rápido, há escolas que convidam equipes de
especialistas pedagógicos para dar redação final ao documento.

Fundamental que o PPP considere, em seu plano de ação, a identificação e missão da


escola, a atuação da comunidade, o plano de ação – suas diretrizes pedagógicas como os
projetos de aprendizagem, relacionamento escola/família e os recursos administrativos
e financeiros para sustentação da práxis pedagógica, ressaltando que finalizar o
projeto não significa o fim do procedimento. Importante nesse momento alertar que
ele deverá ser revisto anualmente, possibilitando que os participantes das equipes de
gestão e pedagógica revisem e adequem os objetivos e prazos conforme os resultados
apresentados quanto ao ensino-aprendizagem, tudo isso contribuindo para o crescimento
e desenvolvimento dos alunos.

Numa parte inicial do PPP é real que haja a identificação da escola de uma forma legal,
local no qual devem constar informações gerais como entidade mantenedora, endereço,
Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), identificação do Diretor e dos Coordenadores,
membros da equipe de elaboração do PPP, além da caracterização, se a escola atende o
Ensino Fundamental, Médio e/ou Técnico, em que horários, turnos etc. A importância disso
é que o Projeto é o documento oficial que deve ter seu registro na Secretaria de Educação
do DF e Estadual.

Nesse detalhamento do Projeto Pólítico-Pedagógico alerta-se para menção à Missão da


instituição, ou seja, valores e princípios, que normalmente não dependem de reajustes
anuais, sobre os quais a escola está baseada. No início dessa etapa é comum a citação
de fatos e dados de relevância como o histórico institucional, desde a sua fundação, por
quais mudanças já passou e estar atentos para não ocorrer o engessamento da escola
com base em seu histórico, mas permitir espaço para inovações e melhorias contínuas.

Vale ressaltar que nesses tempos de modernidade estamos na era na hiperconectividade


e que a informação traz intensas transformações sociais em todos os seus aspectos.
No contexto da educação não é diferente e, por isso mesmo, a proposta pedagógica da
instituição, documento de real importância, quando o contexto da escola como instituição
bem-sucedida e correlata às novas necessidades sociais.

Nessas reflexões, importa mencionar que atualmente além das disciplinas e saberes
pertencentes ao núcleo comum dos currículos, são necessárias as abordagens sobre os
conceitos de tecnologia e o acesso à informação, sobre os direitos humanos, aspectos
ambientais, ética e cidadania, inclusão social, dentre outros, que de diversas formas
devem ser propostos nos currículos das escolas.

109
CAPÍTULO 5 • Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica

Nessa linha de pensamento, a pretensão, sem dúvida, deve ser a formação de sujeitos
adultos cônscios de suas responsabilidades para atuarem socialmente na realidade na qual
estão integrados e de modo proativo, crescendo como adultos felizes e interessados pelos
mais variados conhecimentos.

E nesse contexto, para melhoria contínua e adaptação às novas demandas é que


a Proposta Pedagógica da instituição de ensino deve ser exitosa e efetivamente
operacionalizada, lembrando que ela, como prevista na Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDBEN) – n o 9.394/1996, além de indicar a trilha orientadora de
todas as ações da escola – da sua estrutura curricular às práticas de gestão, objetiva
afiançar a autonomia delas no que se refere aos assuntos de gestão e pedagógicos.

Pode-se destacar que a Proposta Pedagógica, uma das pilastras do PPP, normalmente
fica assentada numa linha educacional sugerida e delineada em determinada Teoria
( Tendência) Pedagógica, normalmente decidida pela coordenação geral do projeto,
conforme a Visão e Missão da Escola, lembrando que, a despeito disso, a instituição
tem seus olhares próprios, dificuldades, vantagens e desvantagens a serem ajustados
às diversas realidades escolares.

Saiba mais

Apenas como complementação de estudos e informações, é válido apresentar as possíveis aplicabilidades das Teorias
ou Tendências Pedagógicas. Importante destacar o pensamento de Libâneo (2004) que apresenta as mesmas em dois
grupos:

Quadro 17. Tendências pedagógicas.

Tradicional
Pedagogia
Tradicional Progressivista
Liberal
Renovada Não Diretiva

Tecnicista

Libertadora
Pedagogia
Libertária
Progressivista
Crítico social dos conteúdos

Fonte: Criado pela autora fundamentado em Libâneo et al. (2008).

110
Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica • CAPÍTULO 5

Quanto a isso, há que se lembrar da característica pedagógica da LDBEN, n o 9.394/1996,


que, mesmo apresentando preceitos ou suas normas, apregoa a flexibilidade para que
cada instituição fique liberta ao elaborar sua Proposta Pedagógica, conforme seus
interesses, dos seus alunos e da comunidade na qual está inserida, desde que não se
descuide das orientações contidas nas Diretrizes Curriculares Nacionais (PCNs), e na
Base Nacional Comum Curricular que determina as aprendizagens a serem orientadas,
assim como as competências gerais que deverão ser desenvolvidas durante toda a
Educação Básica.

Nos aspectos levantados quanto à Proposta Pedagógica, há que ser considerada, ainda,
a promoção de espaços, normalmente criados e comunicados oficialmente pelos
diretores administrativo e/ou pedagógico, nos quais possam ocorrer as colaborações
coletivas, lembrando a harmonização e a ética para as diferenças entre os grupos, cujas
decisões prevaleçam de modo sempre cooperativo e decidido em consenso, com vistas
às necessidades dos alunos, cuja meta esteja voltada para o desenvolvimento integral
com priorização e aperfeiçoamento sociointelectual e educacional dos alunos.

Dessa forma, há que se considerar o alinhamento da teoria e prática para analisar a


qualidade da elaboração da Proposta Pedagógica, porque, se bem organizada, poderá
indicar em suas entrelinhas os ‘‘jeito’’ significativos na captação e retenção dos alunos,
assegurando a qualidade do ensino ofertado, bem como os níveis de satisfação e
contentamento do corpo docente, dos alunos e das suas famílias; enfim, de toda a
comunidade educativa.

Anteriormente abordamos o necessário momento para rever, avaliando o PPP e ligados


às propostas da Base Nacional Comum Curricular, que é preciso incitar o entrosamento e
participação de todos os envolvidos da equipe de forma colaborativa e democraticamente
correta, tendo em vista que, nos dias de hoje, salienta-se a necessidade de alterações quanto
à transparência e à ação de comunicação ativa com professores, alunos, com a comunidade
educativa como um todo.

Na Proposta Pedagógica também devem ser considerados, de acordo com a BNCC, a


atualização e reparos ou substituições dos recursos e materiais didáticos, assim como
reestruturar o currículo, rever as atualizações das práticas pedagógicas, maximizando
a qualidade constante no ensino-aprendizagem, na Educação Básica. São nessas
diretrizes pedagógicas, normalmente embasadas por meio do diagnóstico que o
Coordenador Pedagógico e os professores se apoiam.

Finalizando este capítulo, fica a mensagem de que os indicadores devem ter a


finalidade de identificar problemas e propor soluções, ou, a escola deve saber
lidar com os dados coletados, prevendo melhores resultados e é pensando nisso a
indicação para o PPP, como caminho flexível e adaptável às próprias realidades e
necessidades nas decisões estratégicas de ação.

111
CAPÍTULO 5 • Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica

Leituras e pesquisas que indicamos a você, futuro professor


Figura 33. Livro Projeto Político-Pedagógico.

Fonte: Marilene Dalla Corte. Categoria: e-Books.

O livro foi escrito com reflexões e definições acerca de concepções, importância e


inter-relações do Projeto Político-Pedagógico com as políticas públicas e respectivos
processos de gestão educacional e escolar. Assim sendo, conta com parte do arcabouço
de produções do Pró-Conselho/UFSM e de um projeto do Observatório de Educação/
Capes, possuindo íntima interlocução com diversos grupos de estudos e pesquisas, entre
eles o Gestar/CNPq e o Elos/CNPq, ambos da Universidade Federal de Santa Maria, os
quais apresentam um recorte de suas produções na perspectiva da problematização,
da contextualização, da comparação de dados e realidades educacionais, da reflexão
e da interlocução de estudos e pesquisas voltadas à temática do Projeto Político-
Pedagógico.
Figura 34. Livro Metodologias ativas para uma educação inovadora.

Lilian Bacich e José Moran (2018).

112
Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica • CAPÍTULO 5

Por meio da leitura em Metodologias Ativas, você, aluno, poderá perceber a necessidade
de mudar valorizando a participação efetiva dos alunos na construção do conhecimento e
no desenvolvimento de competências, possibilitando que aprendam em seu próprio ritmo,
tempo e estilo, por meio de diferentes formas de experimentação e compartilhamento,
dentro e fora da sala de aula, com mediação de docentes inspiradores e incorporação de
todas as possibilidades do mundo digital. Este livro apresenta práticas pedagógicas, na
Educação Básica e Superior, que valorizam o protagonismo dos estudantes e que estão
relacionadas com as teorias que lhes servem como suporte.

Para ilustrar essas reflexões sugerimos que você assista a alguns


filmes.
Figura 35. Cartaz do filme Entre os muros da Escola.

Fonte: Laurent Cantet, François Bégaudeau, Robin Campillo, 2008.

Lançado em 2008 com 2h10 de duração, este filme, apesar de ser uma obra fictícia, trata
de assuntos reais, presentes no cotidiano escolar. O filme aborda diversos assuntos
como diversidade cultural, relacionamento entre professor e aluno, indisciplina, entre
outros fatores sociais, econômicos que podem acarretar também em um desiquilíbrio
no aprendizado de alguns alunos. Logo no início do filme, é bastante clara a forma
despreparada com que os antigos professores recebem os novos professores, rotulando os
alunos como “bons e maus”, criando-se, assim, para os novos professores, um julgamento
prévio e tendencioso a respeito dos estudantes daquela escola.

113
CAPÍTULO 5 • Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica

Figura 36. Cartaz do filme Nenhum a menos.

Fonte: https://www.mercidisco.com.br/dvd-nenhum-a-menos. Acesso em: 4/3/2020.

Lançado em 1999. Wei Minzhi, que tem 13 anos de idade e mal sabe ler ou escrever, é escolhida
para tomar conta da escola de apenas uma sala de seu pobre vilarejo, quando o único professor
precisa se ausentar por um mês para cuidar da mãe doente. Se Minzhi conseguir manter todos
os estudantes até o retorno do mestre, ela vai ganhar um dinheiro extra. Mas um dos alunos
desaparece, e a menina faz de tudo para tentar encontrá-lo e trazê-lo de volta. Direção: Zhang
Yimou. China, 1999, 106 minutos. Elenco: Wei Minzhi, Zhang Huike, Tian Zhenda, Gao Enman,
Sun Zhimei.
Figura 37. Procedimentos didáticos.

Fonte: https://wetoker.com/wp-content/uploads/2019/09/gender-1459661_960_720-800x450.png. Acesso em: 4/3/2020.

114
Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica • CAPÍTULO 5

Quadro 18. Plano de aula, a sequência didática e projetos.


Nele ocorre a particularização e operacionalização dos procedimentos para efetivação do
plano de curso; necessita de especificações dos objetivos de aprendizagem, detalhamento
PLANO DE AULA dos itens e subitens do conteúdo, dos recursos que serão necessários para desenvolver a aula
e a forma que irá avaliar o aproveitamento dos alunos. Precisa estar sempre adaptável às
condições dos alunos quanto às possibilidades, necessidades e interesses.
É entendida como uma modalidade com duração limitada a determinadas semanas de aulas.
SEQUÊNCIA Nela, o professor especifica com detalhes o conteúdo de modo que as atividades tenham
DIDÁTICA continuidade e diversidade, sendo sempre desafiadoras. O conteúdo é mais específico que o
de um projeto e é explorado em atividades seguidas, que se tornam cada vez mais complexas.
Ideia iniciada no Movimento da Escola Nova, tendo sido já ressignificada incluindo o
contexto sócio-histórico, as características dos alunos envolvidos e atenção às temáticas
contemporâneas pertinentes à vida dos estudantes; nessa proposta, a escola deve representar
o agora, a vida prática dos alunos, a sociedade que eles enfrentam hoje; a relação ensino/
aprendizagem deve ser prazerosa e voltada para a construção do conhecimento de maneira
PROJETOS
dinâmica, contextualizada, compartilhada, que envolva efetivamente a participação dos
educandos e educadores num processo mútuo de troca de experiências. Envolve a elaboração
de um produto final, seja ele um livro, uma exposição, um filme etc. É sempre voltado para um
público-alvo e a participação dos alunos acontece em todas as etapas do planejamento e do
desenvolvimento do projeto.

Fonte: Quadro criado pela autora com fundamentações em Haydt (2006).

Para refletir

O planejamento educacional e a prática dos educadores


O contato direto com o trabalho dos educadores que atuam nas escolas tem mostrado algumas evidências
interessantes em relação à questão do planejamento das suas atividades. De maneira geral, com algumas exceções,
os professores manifestam uma opinião negativa em relação à tarefa de elaborar, executar e avaliar planos de ensino;
verbalizam que este trabalho é inútil, burocrático e que pouco tem contribuído para facilitar a sua prática em sala de
aula. Já os técnicos e especialistas que trabalham nas escolas, especialmente os supervisores escolares, apresentam
opinião diferente: verbalizam que o planejamento (como sinônimo de plano) é muito importante, valioso e
imprescindível para o bom desempenho do professor em sala de aula.

Por que será que, para os professores, a sistemática de planejamento é percebida de forma negativa, enquanto
os técnicos a percebem positivamente? Por que essa diferença de atitude? (p. 33). A questão do planejamento
não pode ser compreendida de maneira desvinculada da especificidade da escola, da competência técnica e do
compromisso político do educador e ainda das relações entre escola, educação e sociedade. O planejamento não é
neutro. O processo de planejamento não pode ser encarado como uma técnica desvinculada da competência e do
compromisso político do educador. O bom plano é aquele que conta com o respaldo da competência do sujeito que o
desenvolve. O bom plano é aquele que se amolda dialeticamente ao real, transformando-o.

E como recuperar isto nos professores tão desgastados pelo fazer burocrático? Outra questão pode dar a pista: o que
o professor sabe fazer melhor apesar de toda a precariedade da sua formação? De maneira geral, podemos constatar
que o professor entende do conteúdo daquilo que ensina. Mesmo que este conteúdo fique diluído em técnicas e
métodos, pode-se afirmar que ele conhece os itens do programa e sabe como transmiti-los a seus alunos. Em suma, a
prática do professor está “colada” ao conteúdo que ele sabe, que ele domina mesmo que precariamente.

115
CAPÍTULO 5 • Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica

Como consequência, o professor acaba ensinando aquilo que ele sabe e nem sempre aquilo que o aluno precisa
aprender. Por que, então, não partir desta evidência? Por que não recuperar uma forma de planejamento a partir da
relação entre a prática do professor (sua experiência) e uma fundamentação teórica crítica acerca da educação? O
“saber o conteúdo” não poderia ser um ponto de partida? Como? Um ponto que necessita ser recuperado e reforçado
no trabalho do professor é o do planejamento das aulas que ele dá. A elaboração de planos de ensino, como tem sido
feita, tradicionalmente, pode dar a falsa impressão de que as aulas estão preparadas.

No entanto, nem sempre isto é verdadeiro. A elaboração de planos (objetivos educacionais gerais, instrucionais,
conteúdos, estratégias e avaliação) não elimina o preparo da aula, em si. O preparo da aula, comprometido com a
efetiva aprendizagem do aluno, envolve um conjunto de procedimentos ligados diretamente à competência técnica
e ao compromisso do professor. Estes procedimentos, portanto, envolvem o saber do professor, o saber fazer e sua
atitude frente ao seu trabalho como educador. Alguns pontos podem ser considerados básicos para o preparo de uma
boa aula: a) conhecimento do aluno concreto; b) conhecimento profundo do conteúdo que ensina; c) conhecimento
de procedimentos básicos e coerentes com a natureza dos conteúdos; d) conhecimento de procedimentos de
avaliação que avaliem a consecução dos objetivos; e) conhecimento do valor da interação professor-aluno como
elemento facilitador da aprendizagem; f) conhecimento da dimensão social do trabalho do professor na sala de aula.
Como pode ser percebido, os conteúdos a serem ensinados e aprendidos pelo aluno centralizam, de certa forma, os
elementos curriculares como objetivos, procedimentos, avaliação e interação professor-aluno.

O importante é que o professor perceba a unidade dinâmica entre os elementos curriculares envolvidos numa aula,
num curso, numa habilitação. A aula tem que ser percebida no todo do currículo da escola e o currículo da escola
percebido na síntese complexa que cada uma das aulas é. A formação competente dos alunos depende diretamente
da qualidade de cada uma das aulas que estão sendo dadas; a qualidade de cada uma destas aulas depende
diretamente do empenho do professor no seu preparo, na sua execução e na sua avaliação. E é neste processo que os
professores podem contar com o apoio do trabalho dos especialistas e coordenadores.
(FUSARI. O planejamento educacional e a prática dos educadores. ANDE, Revista da Associação Nacional de Educação, n. 8 em Haydt
(2011, p. 35).

Figura 38. Cartaz do filme Madadayo.

Sinopse: Após 30 anos trabalhando como professor em uma escola, Hyakken Uchida.
( Tatsuo Matsumura) anuncia que vai parar de lecionar. Inconformados, os alunos
promovem reuniões quinzenais na casa do mestre, ocasião para colocar em dia as
conversas, rir, beber e aprender lições de vida com o ancião. Ficha técnica – Ano: 1993

116
Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica • CAPÍTULO 5

– Duração:134 min. País: Japão –Gênero: Drama. Direção: Akira Kurosawa – Roteiro:
Akira Kurosawa, Hyakken Uchida e Ishiro Honda; Fotografia: Masaharu Ueda, Takao
Saito - Trilha Sonora: Shinichirô Ikebe.

A fuga das Galinhas


Figura 39. Cartaz do filme A fuga das galinhas.

Chicken Run: filme de animação britânico-americano, do gênero stop motion,


dirigido por Peter Lord e Nick Park e produzido pela Aardman Animations. O filme
extraído duma fábula publicada nos anos 50, teve suas estreias em 23 de junho de
2000 nos Estados Unidos, 30 de junho de 2000 no Reino Unido, 11 de agosto de 2000
em Portugal e em 22 de dezembro de 2000 no Brasil. O filme infantil “A fuga das
galinhas” é um grande exemplo do sucesso no trabalho em equipe, planejamento
e estratégia, quando duas galinhas decidem sair do galinheiro onde levam vidas
curtas e monótonas e criam um plano de fuga que envolve o espectador.

Provocação

“Ver e interpretar filmes implica, acima de tudo, perceber o significado que eles têm no contexto social do qual
participam”. Rosália Duarte, em Cinema & educação: refletindo sobre cinema e educação. Belo Horizonte:
Autêntica, 2002.

117
CAPÍTULO 5 • Planejamento Educacional Escolar: recursos metodológicos para a práxis pedagógica

Sintetizando

» Planejar nasce do sonhar; é processo que resulta do ato de avaliar seriamente; pressupõe análise, reflexão e
previsão; evita a improvisação.

» Plano é o resultado do planejamento, podendo ser escrito ou não e quando o trabalho do professor, coordenador e
gestor é planejado evita a improvisação, antevê para dominar as dificuldades que possam surgir, contribuindo para
atingir os objetivos com eficiência e eficácia.

» Um plano bem estruturado deverá apresentar coerência e unidade, continuidade e sequência, flexibilidade;
objetividade e funcionalidade; clareza e precisão.

» Na educação consideram-se determinados tipos de planejamentos escolares que se modificam conforme o grau de
abrangência, quais sejam:

a. Planejamento de Sistema Educacional.

b. Planejamento da Escola.

c. Planejamento de Currículo.

d. Planejamento de Ensino.

e. Planejamento de Curso.

f. Planejamento de Unidade.

g. Planejamento de Aula.

h. Projeto Político Pedagógico.

» No aspecto ensino-aprendizagem planejar é antecipar os saberes a serem trabalhados e organizados conforme


atividades e experiências de ensino-aprendizagem tidas como mais aceitáveis para que se atinjam os objetivos
previamente estabelecidos, considerando a realidade dos alunos, seus interesses e necessidades.

118
CAPÍTULO
PLANEJAR NA EDUCAÇÃO,
TRANSFORMAR O SOCIAL 6
Introdução

Provocação

Planejar na educação e transformar o social? Como? Para quê?

Cientes de que é preciso mudar o jeito de ser e de fazer na modernidade, período


atual no qual o desenvolvimento das comunicações e da tecnologia impõe à sociedade
transformações radicais, impossível desconsiderar a importância que os profissionais da
educação deverão dar às suas atuações de docência, antenados à qualidade do ensino-
aprendizagem e das relações interpessoais com estudantes e demais integrantes da
comunidade educativa, no qual desempenha suas funções.

A forma de atuação profissional, nas diversas atividades sociais mudou e muitos


ainda, independentemente de idade ou tempo de serviço (como alegam muitas vezes),
infelizmente resistem em acompanhar o ritmo frenético do desenvolvimento do mundo,
gerando desconforto e sensação de obsolescência e, por vezes, a desvalorização frente
ao mundo novo que precisa enfrentar.

Além disso, a escola pode incentivar a capacitação profissional permanente. Em seu


pacote de benefícios, é possível incluir auxílios para a realização de cursos de extensão
ou pós-graduação, além de facilitar a participação em palestras e eventos.

Demo (2019) amplia o conceito de pobreza para além da dimensão da renda, monetária
pobreza política, alia à carência material o estigma da exclusão (DEMO, 2018). Se a
perspectiva da carência econômica é aparentemente situacional, a exclusão tem a ver
com um fenômeno sócio-histórico.

Pobreza política implica mendigar direitos, postulando que são concedidos ou doados.
Implica aceitar a posição de objeto manipulado, como se fosse natural ou normal que
outros disponham do nosso destino. Implica estar privado do acesso ao conhecimento e
educação, como se saber pensar fosse quinhão seletivo. Implica conviver com a exclusão

119
CAPÍTULO 6 • Planejar na educação, transformar o social

como condição cotidiana de vida. A destituição material é, de si, condição grave, mas
é mais grave ainda não perceber que esta destituição é historicamente causada e pode
ser historicamente mudada (DEMO, 2018).

A discussão aqui exposta avança para além da pessoa do pobre e se dedica à questão
do que mantém os pobres, pobres. O que mantém as situações sociais estabelecidas
como tais, como se fossem dados naturais, impedindo movimentos de emancipação de
determinados grupos?

Demo (2006) explora o conceito da politicidade afirmando-o como a habilidade humana


de, sob determinadas circunstâncias, assumir o próprio destino e estabelecer a autonomia
(relativa) possível como sujeito. A politicidade tem a ver com a capacidade autopoiética
dos seres humanos, de desenvolverem-se autônoma e dialeticamente numa sociedade de
conviventes. A pobreza política, então, tem a ver com a carência de cidadania. Carência de
(acesso a) atributos compartilhados socialmente e que permitem a instrumentalização dos
sujeitos para assumirem sua própria trajetória de vida de modo responsável e autêntico.

Segundo Demo (2018):

Politicidade é a pretensão autoral humana, fundamentada em sua


condição natural de um ser evolucionário capaz de “se desenvolver”
(adaptação criativa, não apenas passiva) no contexto da “seleção natural”,
e em sua condição social de formar sociedades capazes de aprender,
autorrenovar-se, expandir-se, na posição de sujeito, reagindo ao risco
de ser apenas objeto.

Tal mudança de postura deverá mudar na própria instituição escolar, quando elaborar o
seu PPP, iniciando pelas alterações nas chamadas reuniões pedagógicas, transformando
esses espaços em locais de reflexões das próprias práxis na elaboração de planos e
programas relevantes para o desempenho dos docentes.

Veja as figuras a seguir.

» O que elas dizem a você, futuro professor?

Figura 40. Finalidade do Planejamento.

Fonte: https://blog.maxieduca.com.br/wp-content/uploads/2017/08/Finalidade-do-planejamento.png. Acesso em:


4/3/2020.

120
Planejar na educação, transformar o social • CAPÍTULO 6

Figura 41. Projeto Político Pedagógico.

Fonte: http://images.slideplayer.com.br/4/1480989/slides/slide_9.jpg. Acesso em: 4/3/2020.

Objetivos

» Refletir criticamente o seu papel social sobre as necessidades de atualização e


complementação de estudos, para o próprio crescimento pessoal, ético e profissional,
acreditando na sua atuação, como um dos atores capazes de mudar a sociedade na
qual está inserido.

» Perceber que o trabalho docente é tarefa conscientemente sistemática, em cujo


núcleo está a aprendizagem dos alunos, devendo ocorrer por meio da organização,
coordenação e articulação da atividade escolar como problemática do contexto social.

» Contextualizar, por meio de reflexões críticas, as dimensões do planejamento


educacional e suas implicações na construção da identidade docente.

» Reconhecer que a ação de planejar é um ato político-pedagógico, tendo o aluno


como centro da práxis didática, implica perceber situações como a problemática
social, econômica, política e cultural que envolve a comunidade escolar, como
possíveis de lida e tratamento cooperativo.

Frente a essas ponderações, continua a pergunta inicial:

» Transformar o social pela educação? Como? Para quê?

121
CAPÍTULO 6 • Planejar na educação, transformar o social

O papel do planejamento educacional na construção da


identidade e valorização docente

Sabidamente, a sociedade requer profissionais competentes, em titulações acadêmicas


e essencialmente capazes de desenvolver suas práticas de forma proativa, cooperativa
e reflexiva e nos espaços educacionais não poderia ser diferente, quer teórica, prática e
eticamente, assinalando para um profissional instrumentado em operacionalizar a sua
prática conforme as exigências sociais mais amplas e apto para ativar um ensino que
corresponda à formação geral do estudante, no mundo moderno.

Para tanto, o professor deve ater-se e participar das oportunidades que deem a ele chances
de ascender em vários aspectos, desde o pessoal, cognitivo, profissional e essencialmente
humano.

Saiba mais

Como bem retrata Castro (s/d), a cada dia que passa, a cada olhar sobre e para a educação, percebe-se que os
profissionais do ensino são mais cobrados. São cobranças que derivam desde a eficácia do seu trabalho, bem como
exigências quanto a uma formação mais sólida e representada por títulos acadêmicos. Desse cenário, nascem
propostas que reclamam do professor, mais que estar presente em sala de aula, entretanto, convidado a ver a sua
profissão como algo a ser zelado e adubado com muito preparo teórico.

Para Rubem Alves, há distinção entre professor e educador: “professor é profissão, não é algo que se define por
dentro, por amor. Educador, ao contrário, não é profissão; é vocação. E toda uma vocação nasce de um grande amor,
de uma grande esperança” (apud FERACINE 1998, p. 50).

Vendo o professor por essa ótica, fica claro que ele tem um papel social a cumprir; papel este que se delimita a
“provocar “conflitos intelectuais”, para que, na busca do equilíbrio, o aluno se desenvolva (FREITAS, 2005, p. 95).

Outra visão teórica sustenta que, no foco das averiguações mais atuais sobre formação de professores, encontra-se
como questão-chave a necessidade de o professor desempenhar uma atividade profissional ao mesmo tempo teórica
quanto prática, visto que: a profissão de professor combina sistematicamente elementos teóricos com situações
práticas reais. É difícil pensar na possibilidade de educar fora de uma situação concreta e de uma realidade definida.
Por essa razão, a ênfase na prática como atividade formativa é um dos aspectos centrais a ser considerado, com
consequências decisivas para a formação profissional (LIBÂNEO, s/d, p. 230).

Diante destas discussões, a profissão docente abrange singularidades que a diferencia dos demais profissionais, ou
seja, não é suficiente apenas carregar um título acadêmico, é preciso dedicação, degrau que não se alcança apenas
pelo simples querer-ser, mas que só estará disponível quando há compromisso deste profissional consigo mesmo,
sob uma ação pautada pela ética e pelo compromisso de crescer, tanto no plano profissional quanto pessoal.

Compreender a identidade profissional do professor está diretamente ligado à interpretação social de sua profissão.
Assim, se considera que os movimentos sociais têm intrínseca relação com os projetos educacionais. É preciso
entender que a escola não é um espaço aleatório, portanto, um cenário onde a objetividade se faça presente. Isso
implica dizer que esta instituição tem uma função específica dentro da sociedade em que se encontra inserida.

122
Planejar na educação, transformar o social • CAPÍTULO 6

Para Freitas (2005, p. 73), “a função social da escola se cumpre na medida da garantia do acesso aos bens culturais,
fundamentais para o exercício da cidadania plena no mundo contemporâneo”. E para estar preparado para garantir
uma formação satisfatória ao educando, diante da sociedade da qual participa, o professor necessita atualizar-se em
seus estudos, ou seja, revisitar as teorias da sua formação, como alicerce a balizar a sua prática pedagógica.

É aí que entra em cena a questão da formação contínua do professor, porque a profissão docente é uma profissão em
construção, nascendo, então, a autoridade da sua reflexão sócio-histórica, como ponto a favorecer a compreensão
da situação atual dos desenvolvimentos pedagógicos. Para este mesmo autor, a profissionalização dos professores
depende, hoje, em grande medida, portanto, da sua capacidade de construírem um corpo de saber que garanta a sua
autonomia perante o Estado, não no sentido da conquista da soberania na sala de aula, mas, antes, no sentido da
criação de novas culturas profissionais de colaboração.

Neste sentido, a formação continuada do professor apodera-se de uma definição ímpar, no que diz respeito à
condição para a aprendizagem permanente e para o desenvolvimento pessoal, cultural e profissional de professores
e especialistas. É na escola, no contexto de trabalho, que os professores enfrentam e resolvem problemas, elaboram e
modificam procedimentos, criam e recriam estratégias de trabalho e, com isso, vão promovendo mudanças pessoais
e profissionais (LIBÂNEO, s/d, p. 227).

Nesse contexto, há que se concordar com Nóvoa (2001) quando diz que, se o professor
quiser aperfeiçoar a sua prática, o melhor caminho é o debate com os colegas, porque o
que é válido na atualidade, para o professor, é o saber equilibrar-se entre as inovações
e as tradições, atitude que não é muito fácil frente à rapidez do desenvolvimento e das
alterações, inclusive das previstas em lei, como a que lida com a inclusão, educação a
distância, educação especial, educação indígena e tantas outras formas e modalidades,
como já mencionadas e detalhadas nos capítulos anteriores. Resgatar experiências e
combater a mera repetição de práticas de ensino, sem criticidade ou coragem de mudanças
é impedir a abertura para as diferentes metodologias que devem ser inicializadas por
análise individual e grupal das práticas pedagógicas.

Um programa com excelência na educação continuada, como ressalta Nóvoa (2001) pode
ser definido por meio de um aprender essencial, contínuo, sustentado sobre duas colunas,
que é o próprio docente, como agente do processo e a escola, como local de crescimento
permanente dos profissionais que nela atuam.

Vale destacar que a formação continuada envolve os saberes experimentados pelo


docente como aluno que foi em sua educação básica, aluno, professor e estagiário, como
graduando, aluno, estagiário, iniciante nos primeiros anos de trabalho e como titular
em sua formação continuada.

Esses momentos só serão formadores, se forem objeto de um esforço de reflexão


permanente; mais importante do que formar é formar-se; que todo o conhecimento é
autoconhecimento e que toda a formação é auto formação. Por isso, a prática pedagógica
inclui o indivíduo, com suas singularidades e afetos. Nóvoa (2001).

A identidade docente tem suas exigências sociais fundadas no crescimento pessoal,


intelectual e profissional do professor, envolvendo aspectos pessoais e coletivos quando

123
CAPÍTULO 6 • Planejar na educação, transformar o social

as primeiras são relevadas pelo posicionamento do próprio sujeito, indicando ao bem


coletivo, e as outras se justificam pelos identificadores de cooperação e interatividade entre
os profissionais da classe e sua flexibilidade em compartilhar conhecimentos, sentimentos,
fraquezas, habilidades e competências favorecedoras da comunidade educativa como um
todo.

Provocação

Há alguns anos surgiu o conceito de profissional reflexivo como uma forma de valorizar os saberes experimentais.
Ele teve mais influência na pesquisa educacional do que nas atividades concretas de formação, mas foi importante
na reorganização das práticas de ensino e dos modelos de supervisão dos estágios. No entanto, sempre me recordo
das palavras do educador americano John Dewey: “Quando se diz que um professor tem dez anos de experiência,
será que tem mesmo? Ou tem um ano de experiência repetido dez vezes?” Só uma reflexão sistemática e continuada é
capaz de promover a dimensão formadora da prática.

Saiba mais

A Educação Continuada envolve vários programas que integram essas preocupações de forma útil e criativa:
seminários de observação mútua, espaços de prática reflexiva, laboratórios de análise coletiva das práticas e os
dispositivos de supervisão dialógica, em que os supervisores são parceiros e interlocutores. Para além dos aspectos
teóricos ou metodológicos, essas estratégias sublinham o conceito de deliberação, que, por sua vez, exige um espaço
público de discussão. Nele, as práticas e as opiniões singulares adquirem visibilidade e são submetidas à opinião dos
outros. Ao fazer isso, chama-se a atenção para o conjunto de decisões que os professores tomam a cada instante,
no plano técnico e moral. Em outras palavras, a articulação entre teoria e prática só funciona se não houver divisão
de tarefas e todos se sentirem responsáveis por facilitar a relação entre as aprendizagens teóricas e as vivências e
observações práticas. Enfim, é reinventar um sentido para a escola, tanto do ponto de vista ético quanto cultural.
(Fonte: https://novaescola.org.br/conteudo/179/entrevista-formacao-antonio-novoa).

Saiba mais

Figura 42. Livro Ensinar: tarefa para profissional.

Fonte: https://images-na.ssl-images-amazon.com/images/I/41a4lYZiqpL.jpg. Acesso em: 4/3/2020.

124
Planejar na educação, transformar o social • CAPÍTULO 6

Ensinar: tarefa para profissional. De Beatriz Cardoso, Delia Lerner, Neide Nogueira e Tereza Perez (orgs.). Um livro
excelente que demonstra o quanto a formação contínua é essencial e que estamos anos-luz do ideal. Apresenta
estratégias de trabalho na alfabetização que unem a teoria à prática.

Figura 43. Livro Didática Geral.

Didática Geral, novo livro da Série Educação, apresenta os mais modernos métodos didáticos, além de abranger
conteúdos relacionados, para estudantes de cursos de Licenciaturas. Constitui, ainda, um texto auxiliar de referência
para pedagogos, docentes e demais profissionais de ensino, assim como para os interessados nesta disciplina em
constante evolução. A obra traz uma breve história das formas de ensinar, distinguindo ensino de aprendizagem. Em
seguida, aborda conceitos básicos e a diferença entre Educação, Pedagogia e Didática. Os leitores irão compreender
como selecionar e organizar conteúdos, além de relacionar a didática às técnicas de ensino. São identificados
ambientes de aprendizagem e recursos instrucionais, e as novas tecnologias na educação ganharam um capítulo
específico por sua importância na área. Este livro trata ainda da avaliação como prática educacional e didática,
destacando a relação distinta entre ensinar e aprender.

Recomendado!

Figura 44. Livro A pedra arde.

Fonte: https://pt.scribd.com/document/4406346/A-Pedra-Arde-Eduardo-Galeano. Acesso em: 4/3/2020.

125
CAPÍTULO 6 • Planejar na educação, transformar o social

A pedra arde, escrita por Eduardo Galeano (1983). O escritor, em linguagem poética, conta a história de um homem
velho, que vivia só, no povoado de Nevoeiro. Esse homem trabalhava com cestas de vime e não cobrava nada pelo
que fazia; O enredo escrito por Galeano ilustra poeticamente a concepção bancária da educação já descrita por
Freire, revelada em um planejamento linear que não leva em consideração o conhecimento da realidade educacional;
reconhecido a partir de suas experiências, pois traz consigo conhecimentos que precisam ser considerados e
respeitados. Nesse mesmo diapasão, do entendimento do “velho” retratado por Galeano, não desejam e não precisam
de uma restauração de suas condições, pois são sujeitos, atores de suas histórias; por conseguinte, não carecem de
doação e assistencialismo. A história aponta que a ação de planejar não pode, nem deve ser linear, pautada em uma
avaliação superficial. Realmente, aprender passa a ser um desafio conjunto para mestres e aprendizes!

O ato educativo, nesse contexto, fica “carregado de razão e emoção; é o espaço para a vida, para a vivência das
relações entre professores e alunos, para a ampliação da convivência socioafetiva e cultural dos alunos”. (VEIGA,
2006, p. 32).

Figura 45. Filme Quando sinto que já sei.

Fonte: https://porvir.org/mudar-escola-quando-sinto-ja-sei-conta-como-e/. Acesso em: 4/3/2020.

Quando sinto que já sei mostra escolas que se abriram para as comunidades e mexeram com a organização
industrial que domina o ensino brasileiro: o professor lê, o aluno copia, vem a prova e... O filme traz exemplos bem-
sucedidos de escolas que fugiram do modelo tradicional e apostaram em nova relação entre alunos e professores.
Quando sinto que já sei foi custeado por meio de financiamento coletivo. O filme registra práticas inovadoras na
educação brasileira. Os diretores investigaram iniciativas em oito cidades brasileiras e colheram depoimentos de pais,
alunos, educadores e profissionais. Duração: 78 minutos. Ano de lançamento: 2014 (Brasil); Direção: Antonio Sagrado,
Raul Perez e Anderson Lima.

Saiba mais

Em Nóvoa (2001) pode-se ler:

Paulo Freire escreveu que a formação é um fazer permanente que se refaz constantemente na ação. “Para se ser,
tem que se estar sendo”, disse ele. O que o senhor acha dessa afirmação? A formação é algo que pertence ao próprio
sujeito e se inscreve num processo de ser (nossas vidas e experiências, nosso passado etc.) e num processo de ir
sendo (nossos projetos, nossa ideia de futuro). Paulo Freire explica-nos que ela nunca se dá por mera acumulação. É
uma conquista feita com muitas ajudas: dos mestres, dos livros, das aulas, dos computadores. Mas depende sempre
de um trabalho pessoal. Ninguém forma ninguém. Cada forma a si próprio.

126
Planejar na educação, transformar o social • CAPÍTULO 6

Acentuando essas reflexões, a questão do planejamento versus prática dos educadores


não poderá ser compreendida de modo desvinculado da especificidade da escola, das
competências técnicas e do compromisso político do professor e ainda das relações
entre a escola, a educação e a sociedade.

Planejamento não é processo neutro, sugere Haydt (2006, p. 108); como processo deve
ser visto com o respaldo e a competência do sujeito que o desenvolve, amoldando-se
dialeticamente como o real, transformando-o.

O planejamento educacional numa perspectiva humana

Provocação

Afinal, o maior compromisso do processo educativo está na crença de que é possível a mudança social. Essa mudança
deve refletir-se em uma escola que promova uma aprendizagem pautada na construção de um planejamento sério
e comprometido com a realidade dos estudantes; que reconhece esses sujeitos em suas singularidades, em suas
identidades e com eles estabelece o diálogo esclarecedor, ensinando-os a pensar; procura, também, suprimir práticas
voltadas à inculcação; o planejamento é um alicerce fundamental para a construção de uma “educação corajosa, [...]
de uma educação que leve o homem a uma nova postura de seu tempo e espaço” (FREIRE, 2011, p. 122).

Dessa forma, há que ser compreendido o específico tratamento à docência, quanto à


formação continuada formar o polo de um eficaz processo de formação, no qual recorre
para que os conhecimentos sejam cooperativamente compartilhados, colaborando, assim,
para a melhoria contínua da qualidade da prática educativa, sendo, em dado momento,
envolvida como uma atividade não facultativa ao professor, mas de grande importância,
tendo em vista a quantidade de mudanças e transformações pelas quais passa o mundo
na atualidade.

Nisso podemos recorrer à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no 9.394/1996,


que dita as exigências legais quanto à formação docente, ela não ocorre no acaso, mas
propõe que o professor seja atualizado a fim de administrar o ensino-aprendizagem
correspondente à formação do sujeito que a evolução social tem a exigir.

Observe a lei

Art. 61. A formação de profissionais da educação, de modo a atender aos objetivos dos diferentes níveis e
modalidades de ensino e as características de cada fase do desenvolvimento do educando, terá como fundamentos:

I – a associação entre teorias e práticas, inclusive mediante a capacitação em serviço;

127
CAPÍTULO 6 • Planejar na educação, transformar o social

Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura
plena, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nos cinco primeiros
anos do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade normal.

[...]

§ 2o A formação continuada e a capacitação dos profissionais de magistério poderão


utilizar recursos e tecnologias de educação a distância.

Art. 62-A. A formação dos profissionais a que se refere o inciso III do art. 61 far-se-á por meio de cursos de conteúdo
técnico-pedagógico, em nível médio ou superior, incluindo habilitações tecnológicas.

Parágrafo único. Garantir-se-á formação continuada para os profissionais a que se


refere o caput, no local de trabalho ou em instituições de educação básica e superior,
incluindo cursos de educação profissional, cursos superiores de graduação plena ou
tecnológicos e de pós-graduação

Art. 63. Os institutos superiores de educação manterão:

[...]

III – programas de educação continuada para os profissionais de educação dos


diversos níveis.

Diante dessas informações legais, fica claro que os professores, além dos cursos de
formação específica, terão oportunidade de aperfeiçoamento e quando envolvidos e
agrupados, deverão certamente buscar o aperfeiçoamento teoria-prática no contexto
escolar e fortalecido com a visão de mundo moderno e sobre o aluno buscar resultados
satisfatórios para si e a sociedade onde atua.

Segundo Libâneo (2004), devido à junção dos fatos e processos que vêm caracterizando
as realidades sociais, políticas, culturais, econômicas e geográficas, sob forte pressão
social, as instituições escolares repensam seus papéis frente à necessidade de integração
e reestruturação capitalista mundial.

Saiba mais

Conforme acentua Libâneo (2004, p. 227),

Dentre os aspectos mais visíveis desse fenômeno destacam-se: avanços tecnológicos, a globalização da sociedade,
a difusão da informação, o agravamento da exclusão social, entre outros fatores. Diante de tamanha complexidade,
pergunta-se:

» Quem deterá tal conhecimento a ponto de instrumentar o cidadão que irá exercer tais habilidades/competências?
Como encontrar um profissional que corresponda aos perfis socialmente estabelecidos pelas exigências sociais?

Concebendo a escola enquanto espaço apropriado para prover o cidadão das bases de conhecimento para uma
vida em equilíbrio sobre a sociedade, urge repensar a atuação de um professor preparado teórica e praticamente, de
modo a ministrar um ensino para a transformação. No entanto, salienta-se que a transformação social não é encargo
apenas da escola, ela é um dos caminhos mais abordados para isso. A educação e a escola só podem ser realmente
transformadoras se estiverem maturando as alternativas, de modo a superar as soluções da radicalidade extremista,
cujo negativismo findará por recriar os problemas que pretendiam alijar.

128
Planejar na educação, transformar o social • CAPÍTULO 6

A educação e a escola só podem ser realmente transformadoras se estiverem maturando as alternativas, de modo a
superar as soluções da radicalidade extremista, cujo negativismo findará por recriar os problemas que pretendiam
alijar. E nesse contexto, a formação continuada encontra o seu espaço nas necessidades pedagógicas.

Menegolla e Sant’ana (2003, pp. 22-37), ao revisitar aspectos primordiais do planejamento


educacional, propõe a seguinte leitura a respeito: o Planejamento educacional numa
perspectiva humana.

“Não basta que exista educação para que um povo tenha seu destino garantido.
É preciso determinar o teor educacional para que se saiba em que direção está
caminhando ou deixando de caminhar uma nação.”

Para refletir

O que não é e o que é planejamento educacional


Segundo a Unesco (1968), seria melhor começar por dizer o que não é planejamento educacional. Não é uma
panaceia miraculosa para a educação e para o ensino, que sofrem muitos males; não é uma fórmula mágica para
todos os problemas; não é, também, uma conspiração para suprimir as liberdades dos professores, administradores e
estudantes, nem um meio para grupos decidirem sobre objetivos e prioridades da educação e do ensino.

O planejamento não é um oráculo inspirador de todas as soluções para os problemas que se referem à educação
e ao ensino. Não é um ditador de normas e de esquemas rígidos e inflexíveis, que podem e devem ser aplicados
universalmente em todas as situações e lugares. Não é um delimitador de ideias, desejos e aspirações das mais
diversas tendências sociais, políticas, econômicas e religiosas. O planejamento não é um ditador, mas é algo
altamente democrático e desencadeador de invocações: por isso, é um processo que evolui, que avança e não
permanece estático.

A educação, como processo de transformação e de aperfeiçoamento da cultura e do viver humano, por exigência da
sua própria essência, é uma visão que se projeta além do momento presente. Sendo que a educação não se limita e
não tem por objetivo apenas conhecer e analisar o presente, ou querer conservar o status quo da cultura e do saber,
ela tende a pensar o futuro, a buscar novos horizontes e novas perspectivas para o homem.

A educação não pode se limitar a enfatizar o passado ou o presente, como ele se manifesta, mas deve ser um processo
que se antecipe, que se projete para além do passado e do presente, para que o homem saiba enfrentar as mutações
radicais que se processam. O homem deve aprender a viver e a planejar o seu futuro, porque o passado já passou e o
presente é tão radicalmente rápido que não mais parece existir.

O futuro parece não ser tão incerto como se pensa. Ele pode ser visto, sentido e pensado no presente; mas exige
que as pessoas aprendam a vê-lo como futuro, a senti-lo e a percebê-lo como futuro que, inevitavelmente, se torna
presente. O futuro é um prolongamento do presente e deste faz parte. Todo o ser humano pensa no futuro, quer saber
do seu futuro e, a partir desta ansiedade pelo futuro, faz seus planos. Ele pensa no que vai fazer e no que pretende
fazer. Planeja o seu agir, a sua vida, o seu trabalho, as suas economias; enfim, tudo aquilo que possa interferir na sua
vida.

A educação, como uma atividade eminentemente humana, e pela qual o homem se preocupa de maneira especial,
deve ser planejada cientificamente para dar-lhe uma direção que atenda às urgências humanas. Sendo a pessoa o
fim último da educação, necessário se faz refletir, profundamente, sobre a essência da educação e sobre o próprio
processo da educação, que tem como meta final a formação integral do homem.

129
CAPÍTULO 6 • Planejar na educação, transformar o social

A educação não pode ser desenvolvida sem uma meta, sem um caminho que a direcione para o seu fim essencial,
ou seja, o homem como uma realidade em busca de realização. E, como poderá ajudar o homem, na busca da sua
realização, se este processo não for estruturado profundamente, em bases sólidas?

Ao se afirmar que a educação é essencial ao homem, não se pode pensar num processo educacional como uma série
de ações que pretendam atingir um fim; ou uma quantidade de normas institucionais que não partam da realidade
existente; ou, mesmo, num processo que surja do simples bom senso ou de ideais simplistas.

Dada a complexidade atual dos problemas educacionais, não se pode conceber o processo educacional como uma
série de atividades e normas desconexas, mas como resultado de um verdadeiro planejamento, continuamente
renovado, composto dos seguintes elementos:

» reconhecimento das urgências na educação;

» elaboração das metas educacionais, fixando as prioridades;

» senso e ordenação dos recursos humanos disponíveis;

» senso dos instrumentos e meios institucionais, financeiros e outros;

» elaboração das etapas do planejamento (Conclusões de Medellín, 1968, p. 78).


A educação, como processo, jamais pode ser desenvolvida isoladamente, quer dizer, fora do contexto nacional,
regional e comunitário da escola, na qual o homem está inserido, como agente e paciente das suas circunstâncias
existenciais. Por isso, todo o processo educacional requer planejamento em termos nacionais, estaduais, regionais,
comunitários, e também planejamento em nível de escola e outro específico de ensino, relativo às diferentes
disciplinas e conteúdos.

O planejamento, em relação aos diversos níveis, deve ser o instrumento direcional de todo o processo educacional,
pois ele tem condições de estabelecer e determinar as grandes urgências, de indicar as prioridades básicas e de
ordenar e determinar todos os recursos e meios necessários para a consecução das metas da educação.

É na inconclusão do ser, que se sabe como tal, que se funda a educação como
processo permanente. Mulheres e homens se tornam educáveis na medida em que se
reconheceram inacabados. Não foi a educação que fez mulheres e homens educáveis,
mas a consciência de sua inconclusão é que gerou sua educabilidade. (FREIRE, 2002,
p. 34).

Sintetizando

» O Capítulo 6, intencionalmente nomeia o ponto nevrálgico das questões sociais que ‘‘gritam’’ pelas mudanças e
transformações na educação brasileira que ainda têm muito a conseguir.

» Inicialmente, pode ser levantada a questão real de que algo deve ser feito no sentido da melhoria da qualidade do
ensino-aprendizagem no Brasil, considerando a importância de ser inserido no Planejamento Escolar, basicamente
no PPP, a formação contínua do professor, elemento-base na formação do cidadão de amanhã.

» As abordagens foram voltadas para questões da formação continuada dos professores, tendo em vista a
responsabilidade deles em relação à preparação do aluno para um futuro, que aponta emergência na ação-
reflexão-ação, por meio de atos associados à teoria e à prática.

» No contexto das reflexões também pode ser levantada a importância do planejamento educacional maximizando
o lado humano do professor, que, com as suas especificidades, é tão carente; no entanto, merecedor de tantas
oportunidades.

130
Planejar na educação, transformar o social • CAPÍTULO 6

» A Educação Continuada envolve vários programas que integram essas preocupações de forma útil e criativa:
seminários de observação mútua, espaços de prática reflexiva, laboratórios de análise coletiva das práticas e os
dispositivos de supervisão dialógica, em que os supervisores são parceiros e interlocutores.

» A educação, como processo, jamais pode ser desenvolvida isoladamente, quer dizer, fora do contexto nacional,
regional e comunitário da escola, na qual o homem está inserido, como agente e paciente das suas circunstâncias
existenciais.

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