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Cadernos classificados: O melhor entre as ofertas de imóveis MO MO RA RA RB RB

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O melhor entre as ofertas de imóveis

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Cartas dos leitores:

Cartas dos leitores:

Advogados tiram suas dúvidas 3

DOMINGO, 29 DE MAIO DE 2011

tiram suas dúvidas ● 3 DOMINGO, 29 DE MAIO DE 2011 CASA PRÓPRIA CASA PRÓPRIA CASA
tiram suas dúvidas ● 3 DOMINGO, 29 DE MAIO DE 2011 CASA PRÓPRIA CASA PRÓPRIA CASA

CASA PRÓPRIA CASA PRÓPRIA

CASA PRÓPRIA

Me dá um dinheiro aí!

Corretor de financiamento, figura que ajuda a liberar crédito imobiliário, ganha mercado no país

Ka rine Ta vares S em tempo para providenciar todos os documentos neces- sários para
Ka rine Ta vares
S em tempo para providenciar
todos os documentos neces-
sários para dar entrada no fi-
nanciamento de seu primeiro
imóvel, Fernanda Monteiro não
pensou duas vezes. Aceitou a
recomendação da construtora
de seu apartamento, indicando uma con-
sultoria que poderia fazer a ponte entre ela e
o banco para agilizar a liberação do crédito.
— Paguei R$ 500 pelo serviço, e foi um
dinheiro muito bem gasto. Eles conduziram
todo o processo de financiamento, da en-
trega dos documentos e análise de crédito à
assinatura do contrato, e eu só precisei
reunir todos os documentos e preencher
um calhamaço de papéis. Disso, infeliz-
mente, não há como escapar — conta
Fernanda, satisfeita com o resultado.
A empresa que conduziu o processo de
Fernanda é uma das muitas que surgiram
nos últimos três anos, oferecendo serviços
de consultoria ou corretagem de financia-
mento. Isso, em função do aquecimento do
mercado imobiliário. Elas oferecem pro-
fissionais que fazem a ponte entre o cliente e
o banco. Gente que está ali para agilizar o
processo de liberação do crédito nas ins-
tituições financeiras, pesquisar as melhores
taxas de juros no mercado e orientar os
compradores a escolherem o banco que
mais se encaixe às suas necessidades.
grande, fica até difícil fechar o negócio.
Ex-consultor de um banco, Prata resolveu
abrir sua companhia em 2009, ao perceber
que os clientes se sentiam “abençoados”
cada vez que fechavam um financiamento.
Hoje, a Canal do Crédito trabalha com seis
bancos e presta consultorias gratuitas e on-
line. Em menos de dois anos, já atendeu a
mais de dez mil clientes em todo o país. Mais
que simplesmente resolver questões de do-
cumentação, como faria um despachante,
ou lidar com os trâmites do banco, como um
agente financeiro, ele oferece orientação
sobre qual o melhor caminho a seguir.
— Estamos dando um novo formato ao
que sempre foi feito, mas focando prin-
cipalmente na orientação ao cliente. No
Brasil, o corretor imobiliário, muitas vezes,
acaba desempenhando esse papel inter-
mediário para finalizar a venda. E para isso
tinha que ficar amigo do gerente, pagar um
cafezinho. Era um mal necessário, mas essa
não é sua função — destaca Prata.
Crédito rápido seria
o principal atrativo
● Por isso, em dezembro de 2007, a Lopes,
uma das imobiliárias líderes do mercado,
criou a CrediPronto, em joint venture com o

Atenção aos diferentes tipos de empresas

Muitas têm parcerias com as constru- toras e imobiliárias que indicam o serviço, como no caso de Fernanda. Algumas co- bram até mil reais pela consultoria; outras são remuneradas pelos bancos. Mas, nesse caso, será que a empresa vai mesmo ofe- recer o melhor serviço para o candidato a comprador ou vai se preocupar apenas com o melhor resultado para a instituição financeira e a imobiliária? As empresas alegam que por trabalharem com vários bancos e receberem comissões de todos eles, não teriam por que beneficiar esta ou aquela instituição em detrimento do

cliente. Mas, é bom lembrar: nem todas as empresas trabalham com todos os bancos e, portanto, é sempre conveniente consultar todas as opções disponíveis no mercado. — Os bancos nos pagam esse comis- sionamento porque nós estamos vendendo um produto deles. Mas todos têm essa prá- tica — garante Fábio Seabra, diretor de Operações e Atacado da Sagace. Uma das primeiras a oferecer o serviço no país, a partir de 2008, a empresa trabalha com vários bancos e é uma das que não cobram pela corretagem de financiamento. — Cada produto tem uma série de qua- lidades e características. O comprador pre-

cisa ter em mente que ao fazer um fi- nanciamento, ele está iniciando uma re- lação de 20, 30 anos com o banco. Então, é preciso levar em conta tudo o que isso envolve e não apenas as taxas de juros — defende Seabra, que vê sua empresa dobrar de tamanho a cada ano. Para Marcelo Prata, CEO do Canal do Crédito — que oferece o mesmo tipo de serviço —, o crescimento desse mercado comprova que existia uma carência por esse tipo de profissional no país. — Não estamos inventando nada. Essa figura já existe lá fora e há muito tempo. Até porque, quando a oferta de crédito é muito

banco Itaú, para oferecer gratuitamente, den- tro de suas unidades parceiras, o serviço de corretagem de financiamento. Mas, nesse caso, a relação é só com o Itaú. Diretor comercial da CrediPronto, Rodrigo Gordinho diz que o grande benefício para seu cliente é a agilidade na liberação de crédito:

— Não me comparo à Caixa (Econômica) até porque não tenho subsídio do governo. Mas por só fazer financiamento imobiliário, criamos processos internos que agilizam sua aprovação, ou não, em no máximo 24 horas, ealiberação do crédito em até 20 dias. Não vendo taxa e sim um serviço ágil. Mesmo assim, tenho muitos clientes que fecham comigo e não com a Caixa — garante. Os números da empresa comprovam o crescimento do mercado: em 2008, quando começou a operar, foram R$ 50 milhões em financiamento; no ano seguinte, esse valor triplicou; e, em 2010, atingiu os R$ 600

milhões.

Continua na página 2

ME DÁ UM DINHEIRO AÍ!

Continuação da página 1

Compradores devem ter cuidado na contratação dos corretores

Criação de entidade vai regulamentar a profissão este ano

Criação de entidade vai regulamentar a profissão este ano

Um dos clientes da CrediPron- to, o representante comercial Ivan Vianna chegou à empresa por indicação de sua cons- trutora após esperar por mais de dois meses que um banco avaliasse sua documentação. — Em menos de uma hora, meu crédito foi aprovado. Te- nho conta no Itaú e acho que isso facilitou. Mas a verdade é que já havia ido lá, e eles

mesmos me disseram que era uma burocracia danada e que eu teria dificuldades para con- seguir o crédito — conta. Tanta agilidade é, sem dú- vida, um grande atrativo, mas é preciso tomar alguns cui- dados antes da contratação desse tipo de serviço. Afinal, mesmo que não cobrem, os corretores de financiamento vão ter acesso a todos os seus documentos e deve-se ter cer- teza de que sejam pessoas, e empresas, idôneas. Vice-presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Rio, Edécio Cordeiro lembra que a profissão ainda não é regulamentada e se hou- ver qualquer problema, o clien- te não terá onde reclamar:

— Quando o agente de fi- nanciamento é também cor- retor de imóveis, o cliente po- de reclamar no Creci em caso de problemas. Mas quando não é, vai falar com quem? É pre- ciso ter certeza se existe uma empresa, onde ela fica, ir a seu escritório. Pedir indicações ao corretor de imóvel também é uma garantia — diz Cordeiro.

Para ele, o surgimento da nova profissão é um sinal de amadurecimento do mercado imobiliário brasileiro:

— O agente de financiamen- to vem, na verdade, facilitar nossa vida, já que faz um papel que não é do corretor, mas que muitas vezes acaba sendo de- sempenhado por ele.

Profissional precisa ter a confiança do cliente A relações públicas Lorena Gomes Rocha, de 26 anos, es- tava tendo dificuldades para conseguir a liberação de cré- dito nos bancos sozinha. Já tinha ido a bancos públicos e privados, onde tem conta e, ou as taxas eram muito altas, ou o crédito não era aprovado. Aca- bou recorrendo a uma cor- retora de financiamento e a liberação saiu em alguns dias:

— Ainda assim, continuei pesquisando para ver se con- seguia taxas mais baixas. No fim, acabei fechando com um banco onde já tinha conta, mas através da corretora. Atitude aplaudida pelo advo- gado Hamilton Quirino, espe-

cialista em direito imobiliário. Para ele, a relação de confiança com o corretor de financiamen- to é o mais importante. — A situação é semelhante à de um corretor de seguros ou imóveis. Tem que ser uma pes- soa que gera a confiança, de forma imparcial, sem tendên- cia a defender o agente finan- ceiro e deve ter pleno conhe- cimento jurídico da questão para explicar os riscos de cada opção — alerta Quirino. Para dar uma garantia aos clientes, algumas empresas já estão se mobilizando para criar a Associação Brasileira de Crédito e Financiamento Imobiliário (Abracefi), que além de certificar as empresas já existentes, passaria a ofe- recer cursos para a formação dos profissionais, que atual- mente são treinados somente pelas corretoras. — Ainda estamos discutindo como a associação vai funcio- nar, mas a intenção é que ela esteja ativa já a partir de julho — diz Fábio Seabra, da Sagace, uma das empresas à frente da criação da Abracefi.