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Técnicas de Tiro de Precisão Pistola

Os Erros no Tiro de Precisão

O Processo do Disparo

Como obter melhores resultados

Estrutura de um treino

Os Erros no Tiro de Precisão


Por: D. Fernando Ximénez Sotera

Cruz Azul e Medalha de Ouro da UIT, da Confederação


Europeia e da Real Federacion Española de Tiro Olímpico
O tiro como desporto é muito amplo nas possibilidades de se cometerem acções erradas
ou desacertadas ( capítulo 3 do dicionário da Real Academia ) que talvez o primeiro erro
que se possa cometer nele seja escrever sobre os seus possíveis erros. Vou ter a ousadia
de entrar neste campo do que tão pouco se tem escrito em Espanhol ( n.t. - Português )
para abrir uma brecha e que outros o possam melhorar.

Não sou dos que pontificam. Devo fazer constar que a maioria do que comento provem da
leitura de muitos livros dos quais fui anotando ou recordando as origens de determinados
erros que ao cometer-se poderiam produzir tiros defeituosos. Quero dizer, que aqui falam
grandes treinadores internacionais, alguns dos nossos grandes atiradores e por que não,
aportações da minha própria experiência. Do que tenho pena é ter apontado as faltas e
não os seus autores. Bom, estão na biblioteca...

Parto da base de que se procura o "erro humano" assim que se supõe que a arma está
em perfeitas condições, o punho bem ajustado a mão do atirador ( com pequenas
excepções ) e a munição é a munição é a mais adequada. Não vou repetir, como é tão
frequente, os desenhitos da alça com o ponto de mira desviado para um dos lados e
assinalando o lugar do erro produzido no alvo. Estas notas estão escritas para atiradores
de nível médio, incluindo principiantes, que muitas vezes repetem, sem se aperceberem, o
mesmo erro e acabam por ganhar um forte hábito sem se aperceberem, o que é muito
difícil de corrigir.

Chamo-lhes "erros" porque, além de seu o seu nome gramatical, não são alterações para
melhorar pontuações; aí não haveria erro, seria uma alteração de técnica por outra mais
apropriada ao atirador e esta é a função dos treinadores, que, naturalmente a
complementa eliminando erros. Não há que esquecer que no Tiro existe uma limite de
resultados preestabelecida, o que leva o atirador a contar os "pontos perdidos" porque
sabem que têm um máximo a atingir, geralmente de 600 pontos. E os grandes atiradores
de disciplinas em que as pontuações estão muito altas, por exemplo à volta do 590, ainda
que muitos o tentem evitar, é-lhes impossível não memorizar ao longo da prova os "pontos
que estão perdidos" sem necessidade de os apontar. Nas modalidades nas quais as
pontuações são mais baixas, por exemplo em Pistola Livre, destroçam a mente contando
os dezes e os oitos para saber a todo o momento quantos pontos lhes sobram para fazer
uma média de nove. Isto vai perdendo actualidade com as instalações electrónicas, ainda
que sejam recentes.

Recordo que, há bastantes anos, um várias vezes campeão mundial e olímpico, o norte-
americano Wigger, quando em carabina deitado não eram tão frequentes os 600 / 600,
mas se iam fazendo, como primeiro tiro sacou um 9 e teve que fazer toda a prova com tal
jugo em cima, porque outro 9 eliminava-o de conseguir uma boa classificação como ele
estava acostumado. Como excepcional atirador e após desempate, ganhou a medalha de
ouro com 599. Isto diferencia-nos de outros desportos de marca aberta, por exemplo, em
atletismo dizia-se que a capacidade humana não permitia baixar dos 10 segundos nos
100 metros e actualmente não entra na final ninguém que não esteja abaixo desta marca.
Quero dizer, que em quase todos os desportos aspira-se a ganhar e no Tiro é mais bem a
não perder.

Há tiros isolados e escassos, não significativos, que são os chamados "foguetes". Dizem
que devemo-nos preocupar quando se repetem três tiros maus, com a mesma tendência,
e que não se detecta antes de espreitar no óculo, o local do impacto. Normalmente, se o
atirador o detectou, sabe qual foi o seu erro. O grande problema está quando "pensava
que era bom e não o é" .

O erros designam-se por simples e compostos. Os primeiros tem uma dimensão concreta
e os segundos nenhuma. Como hipótese, podemos dizer que é um 7 na vertical mas
enganámo-nos na altura unicamente e o mesmo é na horizontal, mas é só uma suposição.
Se a aceitamos, pode-se dizer que são corrigíveis com a alça se seguidos, ou quase,
repetimos a mesma tendência. Mas um só tiro o dois espaçados podem produzir a
seguinte situação: a altura é correcta, o 7 devia ser à direita porque a alça não estava no
seu sitio, por outro lado, estávamos colocados numa posição errada que produziria um 7 à
esquerda. Resultado, por compensação de erros fazemos um 10 e ficamos muito
satisfeitos porque apesar de termos cometido um erro composto e deixado os erros que
nos complicariam muito os próximos tiros sem corrigir, fizemos um 10 não significativo.
Por isso, em tiros de ensaio ( mais bem de aquecimento ) é insuficiente conformar-se com
um par de tiros bons para pedir alvo de prova.

A localização dos erros simples é relativamente simples. Se com uma arma observámos
que os tiros estão altos e tratámos de o corrigir com alguns clicks e eles continuam a sair
altos, o melhor seria experimentar com outra pistola própria ( não a de um amigo ) a
mesma distância. Se os tiros não saem altos, o erro está na pistola, se continuarem com
uma tendência alta a culpa é do atirador que está a cometer um erro pessoal. Estes erros
devem ser erradicados rapidamente para que não fiquem connosco se insistirmos com
muitos treinos.

Os erros mais frequentes do atirador, sem ser exaustivo e por uma ordem aleatória são:

1 – Não confundir a postura com a posição. A postura adopta-a o atirador, a mais cómoda
dentro dos estilos conhecidos. Não se deve adoptar uma postura só porque se leu num
livro, o diga um amigo, ou um campeão a use. Dentro do "usual" deve-se experimentar a
que se adapta melhor a cada um e então mantê-la sem aceitar sentenças imperativas de
pedagogos curiosos. Assim, não se deve esquecer que não se utiliza a mesma postura
em todas as disciplinas. Como se diz, em Pistola Livre "apoiamo-nos sobre os rins" devido
às características da arma, da distância a que se dispara e do tempo que se leva a
efectuar um disparo. Em Pistola de Velocidade "carrega-se com o peso do corpo" sobre a
perna dianteira, mais adequado porque em cada série disparam-se cinco tiros em
posturas diferentes sem possibilidades práticas de correcção entre elas.

Adoptada a postura e treinando-a, devemo-nos acostumar à posição de maneira a que o


atirador se coloque no posto de tiro na "sua postura", levante o braço com só com a ajuda
da vista esteja "em posição" e que sem corrigir com o braço ou com a cabeça, esteja
centrado com o alvo. É habitual um pequeno ajuste de pés.
2 – Má posição da cabeça. Ás vezes produz-se devido a colarinhos apertados, uso de
cachecóis ou gravata. Outra causa é uma defeituosa adaptação dos óculos de tiro, que
nos leva a forças o alvo para dentro do diopter. Deve-se levar o diopter ao olho não o olho
ao diopter.

3 – A posição de pés é fundamental. Sobre tudo deve-se fugir de uma antiga teoria que
consiste que uma vez adoptada uma posição ao começar a prova, devia marcar-se com
giz no chão a colocação dos pés, para que no caso de se mexer ou sentar-se para
descansar, voltasse a situar-se no mesmo sítio. Esta ideia publicou-se num folheto há
quase 50 anos e que não se leu em nenhum livro estrangeiro, teve sucesso em Espanha
e ainda se vêem nas nossas carreiras alguns desenhos de pés marcados no chão, o que
indica que algum treinadorzito de escasso nível ficou ancorado em quase meio século e
continua ensinando o mesmo.

Não se deve esquecer que no processo de disparo não se deve incluir nenhum elemento
de rigidez nem quanto à postura, nem quanto aos movimentos e essas marcas de pés
forçam a situar-se exactamente da mesma maneira durante toda a prova. E isto não
funciona assim. Quando se começa uma prova ( ou um treino ), ainda que se tenha feito
aquecimento prévio, o que muitas vezes atiradores de nível médio não fazem, os
músculos não têm o mesmo comportamento após duas horas, por exemplo, em Pistola
Livre, disparando tiro a tiro em tensão. A fadiga natural faz que, sem se aperceber, a
postura mude alguma coisa e o próprio relaxamento colabore com isso, o que costuma
produzir uma maior separação dos pés. A rigidez torna-se incómoda e reflecte-se na
qualidade do tiro.

4 – Deve-se prestar especial atenção aos músculos ventrais, porque da sua falta de
controlo produz-se um balancear que é causa de grandes de erros de altura. Vemos
claramente as miras, estamos em boa postura e posição e mantemos o braço em posição
em posição correcta, o reflexo condicionado, ou melhor semi-condicionado, leva-nos a
premir o gatilho precisamente no momento em que se produz um pequeno vaivém à altura
da cintura e o tiro sai por cima da linha de pontaria prevista. É curioso que quando
pensamos que saiu alto, é costume sair baixo e vice-versa. Isto acontece porque dentro
do balancear dá-nos a impressão de ter saído alto, mas na pequena fracção de segundo
de apertar o gatilho, quando ainda não saiu a bala do cano, já está a baixar a pontaria
prevista e vice-versa.

5 – Outro dos factores está na pressão exercida pela mão no punho antes e durante o
disparo. Se ao principio da competição apertámos a pistola, geralmente com demasiada
força e produz-se crispação ( frequentes maus tiros ao primeiro quadrante ); durante a
competição, se não se descansa, perde-se a concentração ( demasiados tiros seguidos )
e é costume afrouxar a pressão da mão com resultados catastróficos e por outras vezes,
por falta de atenção, sem nos apercebermos empunhámos de forma correcta e no
momento do disparo, sem dar-nos conta, afrouxamos e com isso perdemos a "parada"
que tínhamos conseguida. São esses tiros que prognosticámos como bons que ao
espreitar no óculo, levamos uma desagradável surpresa.

Este efeito de afrouxar a mão no momento do disparo, precisamente nesse momento,


produz-se muitas vezes em tiro rápido de fogo central e na passagem do primeiro para o
segundo alvo ou a partir do quarto em Pistola de Velocidade. Há ditos sobre a pressão da
mão. Recordo o clássico que diz que a pistola se pega como a uma pomba, firmemente
para que não fuja, mas suavemente para não asfixie. E outro atirador com o qual aprendi
muito, que a pistola é como uma namorada, deve pegar com energia, mas com carinho.
Essa é a filosofia.

6 – A maioria dos erros produzem-se, no entanto, pela falta de "parada". Segurar


bem a arma e mantê-la quieta e equilibrada pelo menos 12/14 segundos ( são
necessários menos ) e saber mexer o dedo indicador deixando quietos os outros
quatro, é a chave para o êxito.
Os que sabem muito admiram-se de poucas coisas, os que
sabem pouco admiram-se de tudo

O Processo do Disparo
Para o Tiro de Precisão com: Pistola Sport, Standard,
Pistola de Ar Comprimido (PAC) e Pistola Livre (PL)

Por: Ludwig Ketteri

O processo de disparo para o Tiro de Precisão com Pistola Standard, Pistola de Ar


Comprimido e Pistola Livre, requer um apurado sentido do tacto que unicamente pode ser
adquirido através de um longo período de tempo.

Introdução

O dito processo de disparo será descrito detalhadamente neste artigo com o fim motivar e
ajudar os atiradores desportivos que estejam sinceramente empenhados, assim como aos
seus treinadores.

Nas disciplinas de Pistola, o atirador deve aprender a manobrar vários pesos de gatilho, o
que requer especial atenção durante a aprendizagem dos passos práticos individuais.

O desenho dos vários modelos de gatilho tem aqui uma importância particular. Pode-se
obter literatura especializada nos fabricantes de armas desportivas, para familiarizar os
atiradores com os detalhes destas.

O Processo de Disparo

O processo de disparo é numa primeira fase descrito neste artigo, começando com a fase
de aprendizagem e progredindo através das fases de observação teóricas e praticas
respectivas. Desta maneira, o atirador aprenderá a reconhecer o significado de apertar o
gatilho no desporto de Tiro Olímpico com Pistola.

Pode-se dizer que o processo de apertar o gatilho é um elemento que vem coroar um bom
disparo. Requer uma grande quantidade de paciência e atenção por parte do atirador de
Pistola para se familiarizar com os problemas de apertar o gatilho e aprender a cada
passo da prática que consiste o processo de disparo. Por isso é necessário o seu tempo
para aprender este importante processo.

Enquanto o atirador faz um movimento brusco ao levantar o braço com uma arma
desportiva, no entanto, para apertar o gatilho necessita executar em movimento "fino" com
o dedo do gatilho e isso requer um agudo sentido do tacto.

Este movimento tão "fino" do dedo do gatilho faz que surjam sensações – especialmente
pressão e temperatura – através dos receptores sensoriais da pele, que permitem ao
atirador reconhecer as mudanças essenciais e ao mesmo tempo mínimos que são
necessárias efectuar no gatilho.
O atirador deve completar vários requerimentos antes de que possa activar o gatilho
correctamente. Primeiro, deve treinar o dedo do gatilho e desenvolver uma sensibilidade
muscular para ele.

Os dedos médios, anular, e mínimo juntam-se para agarrar. O polegar gira ligeiramente
para cima e o dedo indicador move-se para trás e para a frente. O campo de movimentos
de ambas as falanges digitais ( segmentos finais ) do dedo indicador é de 10 mm.

Enquanto mexe o dedo do gatilho, o atirador observa os restantes três dedos flexionados
e o polegar, os quais devem permanecer absolutamente imóveis.

Se fosse possível, a primeira articulação do dedo do gatilho não se deveria mexer. Ambas
falanges deveriam mover-se lentamente mas de forma constante e não brusca, a um ritmo
de 2 a 3 segundos. A duração do treino, na fase de aprendizagem, não deverá exceder de
4 a 5 minutos por dia.

Não se deverá passar para a segunda fase sem ter assimilado a primeira.

No segundo exercício, aplica-se contrapressão na falangeta do dedo indicador, durante o


qual os restantes dedos e o pulso não devem mexer. O atirador pode faze-lo
pressionando o polegar da outra mão.

O atirador poderá adquirir o sentido de pressão muscular mais efectiva e intensamente se


um companheiro aplicar contrapressão com o seu dedo, assegurando-se que a pressão
aumenta ligeiramente, não demasiado rápido. Com pressão crescente, a contrapressão
também se intensifica, mas os restantes dedos não devem mudar de posição durante este
processo.

A pressão contra o dedo do gatilho deverá aumentar lenta mas constantemente e não de
"sacão", a um ritmo de 6 a 8 segundos. A duração deste exercício não deverá exceder 4 a
5 minutos por dia.

Uma vez que o atirador tenha adquirido sensibilidade no músculo do dedo do gatilho,
então poderá começar a familiarizar-se com os gatilhos especiais das pistolas desportivas.
Aprenderá a reconhecer a sensibilidade, incluindo a mais mínima alteração e entenderá
melhor o propósito de exercitar o músculo.

O facto de existirem diferentes pesos de gatilho nas disciplinas de pistola anteriormente


mencionado, torna mais difícil para o atirador aprender todas as características do mesmo
simultaneamente.

Em principio, no entanto, cada atirador deveria calcular para si mesmo um tempo


suficiente para se familiarizar bem com o respectivo gatilho. É aconselhável começar com
o gatilho que se utiliza em Pistola Standard.

Na fase de aprendizagem, o atirador deve ser muito cuidadoso em não puxar o gatilho
nem muito rápido nem muito lentamente. Normalmente, para disparar uma Pistola
Standard ou uma PAC activa-se o gatilho com a falangeta do dedo indicador,
paralelamente ao eixo do cano, apertando-o em direcção ao pulso.

Mas, este não é o caso normalmente na fase de aprendizagem. Observa-se


frequentemente que os tiros maus ou desviados são na realidade erros de gatilho na
maioria dos casos. Por outras palavras, isto sucede quanto ainda não se consegue o
controlo total ao apertar o gatilho. Este é activado, quer seja demasiado rápido ou lento e
irregularmente. Ambos erros são desvantagens e reflectem-se em tiros desviados. Na
fase de aprendizagem, o atirador normalmente trata de soltar o gatilho muito rapidamente,
especialmente se tem uma imagem limpa das miras. Ao fazer isso, "rompe" o disparo.
Essa "rotura", no entanto pode ser vista pelo atirador, se observar cuidadosamente o
ponto de mira. Com tempo suficiente e concentração aprenderá a apertar o gatilho
correctamente, se considerar todas as fases do desempenho.

Uma ajuda é, em treino, disparar para alvos em branco ( de costas ), ou seja, soltar o
gatilho sem nenhuma superfície como referência para apontar. Nesta fase de
aprendizagem o atirador familiariza-se com o gatilho. Não tem referência frontal e deve
portanto focar a vista no ponto de mira.

Para adquirir sensibilidade para o tempo e pressão necessários para apertar o gatilho, o
atirador deve praticar dois pontos de maneira simultânea: aguentar o disparo e apertar o
gatilho. Durante o processo de disparo, a mira frontal não deve desalinhar da ranhura da
alça. O atirador deve ver sempre a mira frontal nitidamente. Já não existe nenhuma
referencia para apontar, não se pode disparar com nenhum padrão para um alvo de
costas. Portanto, o atirador deve concentrar-se no gatilho e observar o comportamento da
mira frontal muito bem focada.

A mudança de um alvo de costas para um alvo normal não deveria causar problemas
após se terem dominado os passos anteriores. O atirador – e isto é muito importante –
deve ter uma noção exacta do seu desempenho, com referência nos pontos anteriores.

O verdadeiro problema que o atirador encontra é encontrar uma óptima combinação de


todos os passos individuais: apontar, manter a respiração, apertar o gatilho, respirar.

Deve-se assinalar aqui, novamente, que a combinação dos ditos factores requer uma
grande quantidade de treino, antes que tudo funcione optimamente.

Não é suficiente activar correctamente o gatilho da arma desportiva. O atirador deve poder
activá-lo enquanto mantém imóvel a arma e aponta com precisão na posição de manter a
respiração. Deve ter muito cuidado com esta coordenação na fase de aprendizagem.
"Baixar a arma" é também uma necessidade absoluta, especialmente se se excedeu o
tempo de "parada" e de "apertar o gatilho".

Depende do empenho do próprio atirador, o pôr em pratica os conhecimentos teóricos


ganhos através da experiência na carreira de tiro, e integrar os mais importantes ao seu
programa de treino.

O atirador começa por aplicar pressão no gatilho depois de ter levantado o braço até ao
nível onde deve supostamente manter-se e depois de ter a imagem nítida da mira da
frente.

Para activar o gatilho correctamente para obter um bom disparo, deve-se praticar
aumentando a pressão sobre o mesmo de maneira firme e suave. Ao fazê-lo, deveria
tratar de encontrar as "manhas" do gatilho na fase de aprendizagem e adaptá-las aos
tempos máximos de se manter imóvel.

Alguns atiradores activam o gatilho demasiado tarde – na fase inicial ou mais tarde – ao
manter a arma para além do tempo que esta se encontra firme ou diminuem a pressão no
gatilho enquanto seguram na arma, unicamente para voltar a aumentá-la depois. Isto não
se deve fazer. Nesses casos o atirador deve aplicar a técnica de baixar a arma.

Em consequência, os elementos principais no Tiro de Precisão, tais como suster a arma,


apontar, apertar o gatilho e respirar, deveriam ensinar-se e praticar-se em combinação
uns com os outros. Sabemos, por exemplo, que um tempo de se manter imóvel de mais
de 9 segundos na disciplina de Pistola Sport, não se considera bom. Isto também é válido
para o tempo que se gasta para activar o gatilho nesta disciplina.
Para conseguir uma actuação limpa do gatilho no Tiro de Precisão, só são necessários 5
a 6 segundos. Um atirador deveria praticar esta característica depois de ter desenvolvido
e adquirido uma sensibilidade para o gatilho e para o tempo. O atirador aperceber-se-á
então que não é aconselhável treinar com gatilhos diferentes ao mesmo tempo.

Anos mais tarde, quando o atirador finalmente tenha reduzido a fase de se manter imóvel
de 6 a 4 segundos, o atirador deve começar a aplicar pressão no gatilho enquanto vai
subindo a arma para evitar reduzir ao máximo o tempo necessário para disparar.

O atirador de competição deveria tratar de encontrar o tempo ideal de 4 segundos para a


fase de se manter imóvel, encurtando assim a fase de concentração profunda necessária
para efectuar um disparo no Tiro de Precisão.

Não se aconselha a prática com "gatilho de treino" já que as suas características


mecânicas são diferentes dos das armas desportivas usadas em treino e competição.

O atirador deve desenvolver primeiro um fino sentido do tacto com o dedo do gatilho, para
adquirir sensibilidade para todos os detalhes. Ao fazer isto, familiariza-se com as boas e
más características do seu mecanismo.

O gatilho mais favorável é o tem uma pequena distância a vencer – a folga – até chegar a
um primeiro toque. Uma vez alcançado, somente uma muito pequena distância deverá ser
vencida com a pressão adequada – sem nenhuma alteração perceptível – até que sai o
disparo.

O processo que implica a activação do gatilho directo de um Pistola Livre é algo diferente.
Neste caso recomenda-se um gatilho assim que não tenha um toque perceptível até à
saída do disparo, quero dizer, um gatilho sem folga, somente com um toque mínimo e
quase imperceptível. A lingueta do gatilho não deve ser tocada pelo dedo até que comece
a fase de se manter imóvel, uns 5 segundos depois. Este contacto, no entanto, não quer
dizer que o dedo do gatilho esteja quieto, pelo contrário, flexiona-se ao sentir contacto
com a lingueta até sair o tiro. Este processo não deve durar mais de um segundo. O
gatilho directo, no entanto, deve ser activado dentro de uma zona mínima de flutuação,
durante a fase de se manter imóvel. Todo o processo de activar o gatilho depende de
sensações dos receptores sensoriais da pele que o atirador deve aprender a reconhecer e
dominar.

Em resumo, recordemos que o atirador deve adquirir sensibilidade para o gatilho e


praticar uma e outra vez. Um dos elementos mais importantes da aprendizagem do Tiro
com Pistola é saber apertar o gatilho. Basta um pensamento de disparar um mau tiro para
causar mudanças emocionais no atirador, que afectam negativamente o sentido da
pressão contra o dedo do gatilho no momento de o activar. O atirador deve portanto pode
decepcionar-se através de um falso sentido de percepção e crer que o dedo do gatilho
deve vencer um peso muito maior.

Como tal, é absolutamente necessário praticar com o gatilho diariamente e integrar esta
pratica no programa de treino em geral para se familiarizar bem com as suas
características. Isto é de particular importância para os praticantes de todas as disciplinas
de pistola mencionadas. Através de treinos intensivos, o dedo do gatilho acostuma-se aos
pesos e desenvolve uma sensibilidade apropriada para eles. Se o atirador for persistente
e consequente em praticar todas as fases deste processo, ser-lhe-á mais fácil depois
adaptar-se a novos gatilhos de armas desportivas.

Muitos anos de treino permitirão ao atirador pegar em qualquer arma desportiva e


adaptar-se imediatamente ao seu gatilho após alguns tiros de ensaio, seja em treino ou
competição.
A seguinte observação é importante em todo o processo de disparo. Como já se sabe, há
diferentes pesos de gatilho no Tiro Desportivo. Este facto motivou-nos a ajudar o atirador
a aprender o processo de disparo e desenvolver um fino sentido de percepção muscular
no seu dedo, mudando a largura da lingueta para cada arma.

Esta mudança permite ao atirador aplicar uma pressão especifica, uniforme ao gatilho de
todas as armas desportivas mencionadas.

Pode-se conseguir uma pressão uniforme na superfície para três pesos de gatilho, se se
mudar a largura e superfície de contacto. Claro está, a superfície de contacto depende,
em grande parte, da condição do dedo do gatilho. Se se oferece ao atirador uma pressão
de superfície constante, mudando a largura da lingueta, para assim se poder adquirir uma
maior sensibilidade para o gatilho, pode-se encurtar o tempo necessário para desenvolver
o sentido do tacto.

Não obstante, deveria considerar-se seriamente que a lingueta não seja nem muito larga
nem muito fina. A percepção sensitiva das arestas torna o atirador consciente para o
processo do gatilho e acontece principalmente enquanto este se activa. Portanto devem-
se eliminar quaisquer outras arestas que apareçam para o dedo do gatilho.

Observações Finais

Quando se aprende o processo de disparo, o atirador deverá conscientemente trabalhar


com uma meta. Ao aprender esta fase, deverá converter-se num expert na combinação de
todos os passos individuais da pratica, para o processo completo do Tiro.

O êxito alcança-se por etapas ou passos individuais, os quais devem ser praticados e
então dominados na totalidade.

O atirador encontrará unicamente o animo que necessita para ganhar uma competição
através do êxito. Sem este, o longo caminho torna-se cansativo e conduz a uma falta de
independência. A compostura e concentração não se podem ver forçados. O seu
interesse pessoal no desporto, no entanto, pode ser uma grande ajuda para o conseguir.

O processo de aprendizagem deverá ter um efeito estimulante no atirador e aumentar-lhe


a habilidade. Pelo tanto, deveria trabalhar com o seu treinador o com conselheiros para
implantar uma meta de acordo às suas possibilidades e de acordo com isso, trabalhar o
seu plano de treinos.

A habilidade requerida para efectuar um bom disparo podem ser adquiridas unicamente
através do treino e refinadas e reforçadas com cada passo novo de pratica.

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Como obter melhores resultados


Por: Cesar Staniszewki

Seleccionador Espanhol de Pistola


Este artigo está dirigido aos desportistas que desejem conseguir melhores resultados
desportivos, mas não sabem, ou não se apercebem, da importância que tem o preparar
cada competição.

Muitos desportistas não alcançam os resultados esperados nas competições.

Há várias causas que o podem justificar. Neste artigo mencionarei só uma, mas
fundamental, deste fracasso. Consiste na sua falta de capacidade de preparar as
competições.

Esta preparação abarca várias actividades que melhoram o rendimento do atirador: o


funcionamento perfeito da arma e uma muito boa preparação física do desportista.

1 – Preparação da arma e da munição para a competição

a. Limpeza minuciosa das pistolas. 1 a 3 treinos antes das provas e ajuste dos
parafusos mais importantes ( do punho, dos contrapesos, dos dispositivos de mira
)

b. Controlo do funcionamento da arma em todos os aspectos e comprovação do


peso do gatilho.

c. Enegrecimento de todos os elementos de pontaria, precisamente antes da


competição para que independentemente das diferenças de iluminação da
carreira de tiro, o ponto de mira e a alça se possam ver perfeitamente.

d. Os desportistas deveriam utilizar a mesma munição da competição ( de classe


superior ) como mínimo, em 3 treinos anteriores à prova, afim de comprovar o seu
funcionamento e adaptar-se à potência do cartucho.

2 – Equipamento auxiliar e roupa desportiva

a. O equipamento auxiliar consiste em óculos de tiro, protectores de ouvidos, óculo


de observação com tripé, caixa para a arma, utensílios para a competição. Este
equipamento deve estar em perfeito estado e organizado.

b. A roupa desportiva em contacto directo com o corpo deve ser de fibras naturais. O
desportista, conforme a estação do ano, deve dispor de roupa adequada para
cada alteração das condições meteorológicas e temperatura.

c. O calçado de competição deve ser muito cómodo e bem aderente ao solo.

3 – Comportamento durante a competição

a. O sono significa descanso. É importante que o desportista, antes de cada


competição, se deite à hora que tem por costume para dormir seis a oito horas.

b. Relax significa também descanso. Entre umas provas e outras, às vezes há


tempo livre. É importante que o atirador saiba relaxar-se nestes momentos.

c. O desportista, se começa a competição cedo, deve levantar-se três horas antes


( o organismo começa a funcionar correctamente após esse tempo ), fazer 15-20
minutos de aquecimento ( exercícios ) e seguidamente comer qualquer coisa
ligeira.
d. As comida e bebidas devem ser seleccionadas individualmente e ingeridas de
duas a quatro horas antes das provas. Também as "buchas" durante a
competição devem ser escolhidos minuciosamente.

4 – Aquecimento e preparação antes da competição

O aquecimento serve para a preparação geral do organismo para a competição. O


desportista deveria começá-lo 45-90 minutos antes da competição ( segundo as
necessidades de cada um ).

a. Fase geral: Ginástica, exercícios de alongamentos, strechting, exercícios de


tensão. Estes exercícios servem para estimular o organismo e prepará-lo para o
seu perfeito funcionamento.

b. Fase Mental: Geral ( ajuda a estimular a memória em geral do movimento e


coordenação ); especial ( prepara a coordenação especifica e estados de
concentração e luta ).

c. Fase ideomotriz: Geral ( consiste na reprodução da postura e estrutura do


movimento sem arma ); especial ( é a reprodução precisa da estrutura do
movimento com arma em seco ).

d. Fase de organização e tiro: No posto ( permite organizar-se bem e colocar o


equipamento auxiliar para o seu uso ).

5 – Fase de tiro

Permite, já no posto de tiro, no momento de apontar e antes do tiro, assim como durante
os tiros de ensaio, aperfeiçoar a coordenação da fase de tiro, da sensação ( cinética )
interior e de disposição à luta.

Espero que o conteúdo deste artigo permita a muitos atiradores elaborar o seu próprio
método de preparação para as competições, tendo em conta que, pela sua importância
dos assuntos mencionados e o formato reduzido do texto, alguns deles tenham sido
tratados superficialmente

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Estrutura de um treino
Por: Cesar Staniszewki

Seleccionador Espanhol

Em Espanha o Tiro com pistola é bastante popular. A melhor prova é que as competições
nacionais apresentam-se com centenas de atiradores. É muito esperançador ver tantos
entusiastas em pistola, mas muitos de eles, com talento evidente, não estão treinados
para as competições desta magnitude e os resultados obtidos são inferiores às suas
possibilidades.
Primeira Parte: Conceitos Gerais

Uma das causas importantes destes baixos resultados é a falta de treinadores fixos. Em
muitos clubes e federações regionais simplesmente não se emprega nenhum treinador.
Nesta situação, o atirador não tem possibilidade de receber ajuda e conselho do mister,
um professor / treinador.

Outra das causas é a falta de publicações sobre o tema do Tiro.

Algumas publicações acessíveis, e entre elas dois livros, tratam este tema de maneira
superficial e incompleta. Para suprir este déficit de conhecimentos teóricos e práticos,
preparei uma série de artigos que abarcam o processo de treino completo, mas de forma
resumida. Desta maneira, poder-se-á entender como é um treino eficaz. Estes artigos
tratarão os seguintes temas:

Unidade de Treino. O treino prático

Periodificação. O microciclo; o meiociclo

Programa anual de treino. Os períodos de treino.

Meios de treino. As competições desportivas.

1 – Unidade de treino. Treino prático.

Cada unidade de treino, também no tiro, deve compor-se de três partes importantes:

TT – Treino 100% tempo

1 – tp – Tempo de preparação 20-25 %

2 – ttrab – Tempo de trabalho 60-65 %

3 – td – Tempo de descanso 10-15 %

Por exemplo:

TT – Treino de Pistola de Ar Comprimido ( 100 minutos )

Tp – tempo de preparação ( 25’ )

a. Organização ( 3-5’ )

b. Aquecimento físico ( 8-10’ ): Aquecimento físico geral, flexibilidade, alongamentos,


aquecimento com peso ( pistola ) braço e mão.

c. Psíquico ( 3-5’ ): visualização técnica, ideiomotriz ( postura )

d. Técnico ( buscar, melhorar ) ( 7-10’ ).

A parte preparatória do treino é muito importante já que:


A. protege o corpo de lesões

B. prepara a mente e todo o corpo para um treino de qualidade

Ttrab – Treino técnico ( trabalho ) ( 60’ )

a. Série com objectivo concreto ( por exemplo coordenação da fase do disparo, o


controlo da postura, etc. ) ( 40’ )

b. Tiro em seco, para resistência prolongada ( 20’ )

A parte técnica é essencial e garante os progressos.

Td - Tempo de descanso ( 15’ )

a. Exercícios de correcção ( para compensar compressões articulares, etc. ) ( 10’ )

b. Relaxamento, em posição horizontal ou sentado ( para relaxar a coluna,


tornozelos, joelhos, etc. ) ( 5’ )

O treino aplicado sem os conhecimentos necessários, sem os exercícios de correcção e


compensação, pode prejudicar a coluna vertebral e extremidades, tanto superiores como
inferiores. O relaxamento facilita o retorno ao estado adequado do corpo.

O treino, exige segui-lo com exactidão e realizar com toda a precisão as três partes do
treino.

2 – Classes de treino

Desde um ponto de vista da função do treino no processo de preparação, podemos dividir


as unidades de treino em:

a. Treino preparatório

b. Treino principal

c. Treino regenerativo

d. Treino misto ( preparatório e regenerativo

O treino preparatório tem como fim a preparação do atirador para o esforço adicional
( supercompensação preliminar

O treino principal tem um valor superior desde o ponto de vista da formação e


aperfeiçoamento das qualidades e habilidades técnicas e tácticas( o efeito secundário é o
cansaço )

O treino regenerativo tem como fim assegurar ao organismo a volta às condições óptimas
de funcionamento e saúde. Por isso não se pode aplicar continuamente.

O treino misto deve facilitar a manutenção da boa disposição desportiva.

Desde o ponto de vista dos meios empregues ( exercícios ) dividimos os treinos em:
a. Treino técnico

b. Treino táctico

c. Treino psíquico

d. Treino físico

e. Treino teórico

O treino técnico tem como fim para o atirador, a aquisição de uma técnica óptima e eficaz
de tiro na disciplina escolhida ( pistola ).

O treino táctico consiste no domínio da habilidade de cada um, e dos métodos de tiro
eficazes em qualquer local de treino ( carreira de tiro ), independentemente das condições
meteorológicas, problemas de organização, e outros imprevistos.

O treino psíquico deve ajudar o atirador a conseguir um estado de ânimo equilibrado e a


funcionar correctamente nos momentos de tensão psíquica.

O treino físico deve assegurar uma boa condição física para cada atirador.

O treino teórico é o conhecimento do regulamento, das técnicas e formas de


funcionamento de atirador eficaz.

A memorização e compreensão das informações contidas neste artigo permitirão entender


melhor artigos futuros.

A confiança em si próprio é o primeiro segredo do êxito