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CADERNO DE ECONOMIA POLÍTICA

SALA 14 – TURMA 184


PROFºDIOGO R. COUTINHO

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ECONOMIA POLÍTICA


Orientações para estudar com o
O curso trabalha com as seguintes abordagens: caderno:
• Histórica/cronologica -Preto: Lousa do Coutinho
-Cinza: Anotações do que ele
• Epistemológica falou ou das leituras pedidas.
• Papéis do Direito BOM ESTUDO! :D

As diferentes escolas tentam criar “leis universais” para fundamentar a ideologia


defendida. Ao contrário da ciência, no entanto, essas leis são baseadas em lógicas
contestáveis por diferentes contextos/consciências.

MERCANTILISMO (séc. XVI-XVIII)


 Pré-capitalismo
 Alianças políticas governantes / elites comerciais
 Protecionismo, proteção alfandegária, monopólios, empresas e parcerias
Uso do Direito
 Espanha: bulinismo a Espanha apostou na acumulação de matais preciosos
 França: Colbert (ministro de Luis XIV) / indústria apostou na indústria,
manufatura com grande protecionismo.
 Inglaterra: Comércio

O NASCIMENTO DO CAPITALISMO
O capitalismo começa quando as trocas economicas já não são mais por razões de
subsistência/políticas.
O comércio, posteriormente à indústria e as tecnologias são utilizadas pelo “dinheiro
correndo atrás do dinheiro”.

NO MERCANTILISMO:
A economia de manufaturas começou a surgir com burgueses que se aliaram à
realeza para desenvolver seu comércio. Isso caracterizou o mercantilismo como de
monopólios comerciais.
Confundindo-se e sendo alavancada pela competição política entre os países recém-
formados, a economia mercantilista avanóu no sentido da América.

O QUE SERIA A RIQUEZA?


Os países bulionistas (principalmente Espanha) passaram a reter ouro, tendo essa
concepção de riqueza. Ironicamente essa acumulação levou à crise.
A França apostou em manufaturas refinadas como riqueza.
A Inglaterra apostou no comércio para a riqueza, este a gerou de tal forma que
possibilitou a 1ª Revolução Indurstrial.
O Direito foi usado para criar leis que protegessem cada política economica e aposta
de riqueza. Ex: A Inglaterra usou-o com os Atos de Navegação. A França napoleonica
decretou o Bloqueio Continental para proteger a incipiente industria francesa.
OS FISIOCRATAS (séc. XVIII: 1756-1777)
(reação ao Mercantilismo)

 Quesnay (Primeiro “economista” a fazer uma representação gráfica, o Tableau


Economique, do funcionamento econômico)
 Mirabeau
 Du Pont (Sim, é o cara da Lycra. Depois que deu tudo errado na França (ele era
nobre, teve que fugir) com a revolução, ele foi pros EUA e montou uma
indústria química)
 La Rivére
 La Trosne

Esses fisiocratas supracitados são todos nobres influentes no rei. Defensores da nobreza
(ligada aos interesses dos agricultores)

 CONTEXTO:
o Crise (fisiocratas tentam evitar crise)
o Regulação do comércio
o Antigo Regime

 TABLEAU ECONOMIQUE (1758)


Primeira tentativa gráfica de esquematizar a passagem da riqueza entre as classes
sociais. Tentativa de Circuito Economico.

 PRODUTIVIDADE / AUMENTO DA RIQUEZA AGRICULTURA


PARA OS FISIOCRATAS A ACUMULAÇÃO DA RIQUEZA ADVINHA DA AGRICULTURA.
Por quê? Atrás da agricultura estava a natureza e só esta é capaz de gerar excedentes
a cada ciclo.

 LEIS NATURAIS
“As leis não podem ser mudadas, são leis econômicas naturais”. Consideradas Leis
físicas para o funcionamento da economia.
A proposta era então entendê-las para montar um governo que melhor se adapte para
trazer maior prosperidade à sociedade. O governo nunca podia “atrapalhar” o
funcionamento econômico. Já entendiam o ideário mercantilista como uma asfixia ao
aumento da produtividade econômica (afinal, no mercantilismo, a agricultura foi
suprimida mesmo, as atividades manufatureiras foram muito mais estimuladas),
“Laissez faire, laissez passer. Lê monde va de lui même” que significa “Deixe fazer,
deixe passar. O mundo vai por si mesmo”. (Expressão criada pelos Fisiocratas. Mais
tarde, os Liberais bebem na fonte dos Fisiocratas, e essa frase vira símbolo do
Liberalismo).

 HOMEM E A SATISFAÇÃO DO “APETITE PELOS PRAZERES”


CUSTO DE OPORTUNIDADE: o que vocês então fazendo vale, metaforicamente, mais do
que o que vocês não estão fazendo, ou seja, o custo de oportunidade é o que você perde
por estar fazendo outra coisa. (Exemplo: Eu poderia estar dormindo, mas estou lendo o
caderno de Economia Política porque, no futuro, essa leitura vai me trazer mais
benefícios, mais prazer, do que dormir) Raciocínio de quantificar tudo o que se faz e
baseado na busca pelo prazer.
(Isso também é retomado por Adam Smith, na Escola Clássica, mais tarde)

 PROPRIEDADE É FUNDAMENTO DA SOCIEDADE


Para os fisiocratas o comércio e a indústria até geravam acúmulo de capital, porém este
deveria ser reinvestido para que a produção fosse mantida, logo, o acúmulo era desfeito.
Já a agricultura, não! Ela conseguia excedentes e assim conseguia gerar riqueza.

 DESIGUALDADE É NATURAL
Os interesses das camadas sociais são diferentes, mas os fisiocratas não questionavam
essa desigualdade: a natureza também não é homogênea, a concorrência é natural, e o
Estado não deve intervir na concorrência entre os homens. A desigualdade existe e
ponto. E achavam, por conveniência também (uma vez que eram nobres proprietários),
que os interesses dos proprietários deveriam prevalecer (De acordo com o Coutinho,
isso mostra que nenhuma teoria econômica é livre da ideologia de certa classe).

Proprietários de terras
 Classes sociais Fazendeiros
Artesãos

OBSERVAÇÕES FINAIS:

• Os fisiocratas foram os primeiros a criarem uma teoria econômica. Grande


caráter epistemológico.
• Também foram os primeiros a entender a economia como um sistema autônomo
(separado da política), nomeando leis gerais econômicas.
• Interpretação do Laissez Faire para os Fisiocratas: “Deixe as leis naturais
guiarem a economia para a importância que a agricultura tem”
• Os fisiocratas não tiveram suas idéias mais aplicadas porque com a queda do rei
na Revolução eles perderam a influência que tinham nas diretrizes do Estado. E,
como a barra sujou pros nobres, muitos fugiram da França (Exemplo: Dupont).
• No que os fisiocratas influenciaram os pensadores da posteridade:
Liberais leram os fisiocratas (laissez faire, laissez passer).
Locke leu os fisiocratas (propriedade como direito natural).
• Os fisiocratas contribuíram (num sentido epistemológico) com:
-Representação gráfica (Tableau Economique)
-Primeiros a criarem uma teoria para descrever o funcionamento da economia
-Laissez Faire
-Os indivíduos devem ser o centro do estudo econômico e não o país
-Leis Naturais
• Papel do direito para os fisiocratas: o direito reflete as leis naturais garantindo-
nas
ESCOLA CLÁSSICA
 Adam Smith (1725-1790)
[Nasceu com Adam Smith a intenção epistemológica de se criar uma teoria
econômica. Inspirou-se nos fisiocratas no que diz respeito às leis naturais que
regem a economia. Adam Smith morre quando a Revolução cultural começa a
bombar. Como não a viu, foi um precursor do Liberalismo.]
 Jeremy Bentham (1748-1832)
 David Ricardo (1772-1823)
 Jean Baptiste Say (1767-1832)
 Thomas Malthus (1776-1836)
 John Stuart Mill (1806-1873)

Newton inspirou muito a escola clássica (“as mesmas forças que regem os planetas,
regem também o funcionamento da Terra”), e por vezes metáforas newtonianas são
utilizadas pelos clássicos econômicos.

Iluminismo no campo das idéias todos os liberais clássicos


eram iluministas
1. CONTEXTO Rev. Industrial o sistema de produção muda drasticamente

Liberalismo político e econômico; o sistema político deve


respeitar o livre arbítrio do indivíduo sendo assim
significa a restrição dos poderes dos governantes,
menos intervenção do Estado.

2. SOCIEDADES PRÉ-CAPITALISTAS / CAPITALISMO

Adam Smith nota o declínio das atividades familiares de subsistencia e a ascensão de


atividades de pessoas desconhecidas, remuneradas.

Para Smith a acumulação de riqueza era o objetivo de todo o sistema economico (não
chegou a nomeá-lo capitalismo)

Smith notou que a especialização do trabalho crescia e aumentava a produtividade.

3. LEIS ECONÔMICAS
Os liberais clássicos, levando a sério as leis naturais, utilizando-se de metáforas
newtonianas, começam a enumerar certas leis do capitalismo. Observa-se que o homem
é o foco de estudo e não mais o Estado como no Mercantilismo (autor-chave).

a) Lei do auto-interesse
b) Lei da concorrência
c) Lei da população (Malthus: comida=PA/ população=PG)
d) Lei da oferta e da procura
e) Lei das vantagens comparativas (David Ricardo)
f) Lei do salário

“Quanto mais liberdade de mercado eu tiver, mais o bem público será promovido. O
mercado, que é a mão invisível, une os interesses da oferta e da demanda”

Pela palavra “pessoal” observamos que


o homem é o foco do estudo, não mais os
países, como no Mercantilismo.

a) LEI DO INTERESSE PESSOAL (SELF INTEREST):


Os indivíduos não são movidos por interesses altruístas, só agem por interesse próprio.
Buscam o tempo todo a realização de um interesse pessoal de satisfação
[Isso lembra bastante Stuart Mill e Jeremy Bentham, né? No seu “Utilitarismo”
(Pensadores que influenciaram a escola neoclássica, pertencentes à escola clássica) É
porque eles aprofundam e desdobram essa idéia de “busca do que é melhor pra si” em
sua “Teoria Utilitária” (Que é muito mais complexa que o self interest, portanto, não são
sinônimos!)]

Porém, só lembrando, Adam Smith não classifica o egoísmo como uma coisa ruim. Pra
ele, o egoísmo move a economia, observe:

“Se cada indivíduo tiver liberdade para perseguir o que deseja, a riqueza da nação
vem. Quando todos exercitam seu self interest, todo mundo ganha e o progresso
econômico vem (da ação egoísta do indivíduo)! Ou seja, vícios privados trazem o bem
público. Sendo assim, não é o governo que pode trazer progresso”

“Há uma mão invisível que rege a economia, alimentada pelo egoísmo humano”

“O padeiro não faz pão porque quer alimentar as pessoas, e sim porque ele vai ganhar
com isso”

E, pelas próprias palavras de Adam Smith: “não é da benevolência do padeiro, do


açougueiro ou do cervejeiro que eu espero que saia o meu jantar, mas sim do
empenho deles em promover seu ‘auto-interesse’”.

b) LEI DA CONCORRÊNCIA:
O conflito de interesses leva à concorrência, que é boa por qualificar o trabalho. (Como
assim? Se eu faço pão e meu vizinho também faz, vou querer que você compre o meu
pão e não o dele (egoísmo do vendedor), certo? Portanto, vou vender pelo menor preço
possível, para você comprador que busca sempre o menor preço (egoísmo do
comprador), com o maior lucro possível! Como meu vizinho também vai fazer isso,
teremos um mercado com o preço que será sempre o mais justo)

c) LEI DA POPULAÇÃO:
A quantidade de comida cresce em PA e a quantidade de pessoas cresce em PG. Teoria
Malthusiana (pessimista, aponta isso como a causa da miséria, da fome, etc).
Obviamente, ele não viu o suficiente da Revolução Industrial pra saber que no futuro a
quantidade de comida poderia crescer ainda mais.
d) LEI DA OFERTA E DA PROCURA:
Quando mais barato, mais compradores para determinado produto. Quanto mais caro,
mais vendedores para determinado produto. (Tem se mostrado válida até os dias de
hoje! ATENÇÃO: Não confundir com a “Lei de Say”)

e) LEI DAS VANTAGENS COMPARATIVAS:


Mais a frente tem uma análise específica do David Ricardo (autor dessa lei), e lá está
explicando mais detalhadamente! (:

f) LEI DO SALÁRIO:
O salário funciona como o preço de uma mercadoria, ou seja, o trabalhador é tratado
como uma mercadoria qualquer. Quanto mais gente precisando de um emprego, menor
o salário, e quanto menor a oferta de trabalhadores maior os salários.

g) LEI DE SAY:
“A oferta gera a sua própria demanda”, ou seja, a quantidade de produtos no mercado,
será sempre igual à quantidade de pessoas que precisam desse produto.
Obs: Keynes mais tarde, desmente isso e diz que às vezes há crises de super-oferta e de
super-demanda

4. ADAM SMITH
Adam Smith apesar de ter visto o começo da Rev. Industrial, conseguiu analisar
as mudanças no modo de produção. Reconheceu a existência de classes, a
especialização dos trabalhadores como forma de acelerar a produção, a venda do
trabalho, etc.

a) LIVRE MERCADO / MÃO INVISÍVEL / PAPÉIS DO ESTADO


O mercado tem uma bússola e toda vez que essa bússola é trocada por outra que
não aquela que orienta para o lucro, o mercado fica desorientado, não funcionando da
melhor forma possível. Essa bússola é a Mão invisível que rege a economia.
Os liberais, do ponto de vista epistemológico, estiveram o tempo todo
preocupados em separar a economia da política. Não tiveram a preocupação de
problematizar as possíveis vantagens e desvantagens da existência de classes sociais
(isso Marx fez mais tarde).

METÁFORA DE LIST:
Eu encosto uma escada no muro, subo e agora chuto a escada para ninguém mais
subir (metáforas dos países já industrializados, que ficaram grandes praticando o
protecionismo, e agora pregam o liberalismo para que as demais nações não se
industrializem e não fiquem tão fortes quanto eles).

b) CLASSES SOCIAIS E DISTRIBUIÇÃO DO RENDIMENTO

Trabalhadores Salário
Proprietários Renda
Capitalistas Lucro
c) DIVISÃO DO TRABALHO, TEORIA DO VALOR E DA ACUMULAÇÃO.
Descreve a divisão do trabalho como elemento fundamental para a existência do
capitalismo (para entende-lo então, é peça chave compreender essa divisão). A divisão
do trabalho gera mais riqueza, uma vez que tem como conseqüência a especialização.

o No feudalismo o trabalho é variado, o servo trabalha e faz a sua roupa, planta,


colhe, moe o trigo, etc, e sem receber salário. Já no capitalismo, a
especialização e a divisão do trabalho são muito fortes e inerentes a este
sistema.
o Smith sentiu a necessidade de encontrar a origem do valor, o porque de
determinado produto custar determinado preço. Assim teoriza sobre o valor-
trabalho: Uma coisa custa em função das horas de trabalho gastas para produzi-
la (Essa teoria é muito importante para Ricardo e Smith, nessa fase inicial de
entendimento desse capitalismo primitivo. Depois essa teoria cai por terra)

Resumindo, para Smith o mercado deveria ter:

Iniciativa
o Livre Concorrência
Consumo

o Riqueza = Trabalho + Produtivo Eficiente (Produtivo eficiente é a


especialização do trabalho, que gera mais produtividade)
[O Produtivo Eficiente é um ótimo exemplo do Racionalismo Iluminista
influenciando na obra de Smith. Por quê? Porque o homem pensa como
conseguir produzir mais, e tem a resposta na especialização do trabalho]
Obs: A especialização do trabalho na obra de Smith é ilustrada com o conhecido
exemplo do alfinete.

o “Laissez Faire” : Não Intervenção do Estado na Economia

5. SMITH X STEWART (1712-1780)


Stewart era Mercantilista.
Defendia uma combinação da liberdade econômica com políticas públicas (mais
intensas que as de Smith)
Portanto defendia um equilíbrio no mercado.
Achava que o Estado tinha o papel de limitar o egoísmo exacerbado do ser humano,
e que devia incutir valores positivos no povo.
Resumindo, a teoria de Stewart ia totalmente de encontro à teoria de Smith. Este último
dizia que todo “interesse público” estava encobrindo interesses privados. Além de que
Smith achava que um ser humano, por mais inteligente que seja, não tem o direito de
limitar o egoísmo de ninguém, afinal, ele é um ser humano como qualquer outro, e
assim sendo, é tão egoísta quanto. Para ele o Estado só serve, para fazer pontes, estradas
e essas coisas que as pessoas não se uniriam para fazer.

6. DAVID RICARDO (1772-1825) explicações dedutivas (do geral para o específico).


Diferente de Smith (indutivo= do específico para o geral).
Para Ricardo a acumulação capitalista puxa a economia para o progresso

a) VALOR DE TROCA
b) DISTRIBUIÇÃO DO RENDIMENTO

Salários Trabalhadores Subsistência


Renda Proprietários Aumentam
Lucros Capitalista Diminuem

Tendência à queda da taxa de lucro capitalista.

Risco de estagnação O que fazer? Combater falhas exógenas do


mercado

Corn Laws
Poor Laws

CORN LAWS:
(relação com a atualidade:
subsídios) Esse fenômeno é
problemático, pois se caracteriza
como um fator externo que modifica
a Economia. Por ser externo,
prejudica o andamento da economia.
As Corn Laws modificavam
artificialmente a oferta e a demanda
do mercado (corn laws: Inglaterra
protegendo sua economia e seus
produtores agrícolas, aumenta os
impostos sobre produtos estrangeiros)
Se essas leis protecionistas não
existissem, as classes mais “folgadas”
(proprietários) não estariam ganhando dinheiro sem fazer nada, pois os ingleses
estariam comprando milho espanhol e não nacional, por exemplo.Essa situação causa
uma distorção no mercado.
Essa distorção é um problema exógeno (decisões externas ao mercado, individuais,
mal tomadas).
Continuando com essas leis protecionistas aos proprietários de terra os lucros dos
capitalistas iam continuar caindo, e o capitalismo ia se impludir. Assim essas atitudes
protecionistas permitem o monopólio do mercado agrícola. E os monopólios não são
benéficos, lembra? (Beneficiam um grupo e não os indivíduos e bla bla).

POOR LAWS:
(relação com a atualidade: Bolsa Família): Outra lei contra qual Ricardo se voltou
foi a Poor Law que beneficiava as camadas mais pobres (legislação assistencialista e
paternalista) (nem todos conseguiam trabalho então desenvolveu-se uma legislação
social). Ricardo dizia que essas leis só empobreciam a economia e geravam uma
camada social acomodada e preguiçosa, pois, apesar de bem intencionadas acabavam
com o que movia a economia: a ambição dos homens. Defendia até um controle
populacional dos pobres (controle de casamento, etc.) (afinal Ricardo era
malthusiano{acreditava naquela teoria da PA e da PG, lembra?)).

c) TEORIAS E MODELOS ECONÔMICOS


Enquanto Smith estava preocupado em responder de onde vem a riqueza,
Ricardo dizia que o mais importante para um economista era responder como se dá a
distribuição da riqueza (Haja visto sua teoria acima de como se dá a distribuição do
capital).

d) TEORIA DAS VANTAGENS COMPARATIVAS


Se todos se especializarem naqueles gêneros agrícolas ou manufatureiros que
melhor sabem fazer, todos saem ganhando (desde colônias até potências).
Se um país produz dois produtos com mais vantagens que os demais países, deve
produzir apenas aquele que tem mais vantagem em relação ao outro produto, ou seja, a
vantagem não deve ser analisada de país para país e sim de produto para produto.

RICARDO X LIST
List dizia que as vantagens comparativas não existem simplesmente, elas
são criadas. Ou seja, para List, as vantagens são artificiais. Um país não produz
melhor tecido do que outro simplesmente porque Deus quis, entende? Ele tem
vantagens na produção de tecidos porque ele criou essas vantagens.
List dizia que Ricardo criou essa teoria pois queria favorecer a classe capitalista
(uma vez que era um homem de negócios) e também porque queria dar
embasamento teórico para um tratado vantajoso para a Inglaterra: Tratado de
Methuen (panos e vinhos)
List, que era mais empirista, estuda cidades como Gênova, Veneza e
Hamburgo, e diz que elas cresceram com atitudes protecionistas e não
liberando o mercado (de novo a metáfora da escada, de List).
List leu Hamilton (economista americano que dizia que os EUA só estava
protegendo sua economia como Inglaterra fez).
List tem uma política econômica nacionalista, põe o foco do desenvolvimento
econômico no país e não no indivíduo (diferente dos clássicos da época).

7. PAPÉIS DO DIREITO
Caráter jurídico no contexto liberal: igualdade jurídica, proteção das liberdades
(culto, locomoção, propriedade, expressão, associação (reunião), etc.). Ao trazer para
dentro do Direito a liberdade econômica o Liberalismo diz que só o congresso pode
restringir o comércio, e não apenas a pessoa do executivo, pois para os liberais só o
congresso tem liberdade democrática; só quem pode restringir as liberdades individuais
são as leis, que tem legitimidade democrática, uma vez que emanam do povo.
O Direito liberal contem o Estado , restringe o Estado (já o Direito social do
wellfare state da ao Estado a obrigação de implementar políticas públicas para o bem
coletivo. Isso só a partir de Keynes o século XX)

A propriedade privada tal como é conhecida hoje é uma construção jurídica do


século XIX. A propriedade como direito subjetivo só foi sacramentada com o direito
liberal.
A constituição americana dialoga com o indivíduo e não com as classes.

O Direito molda o Capitalismo, assim como este molda aquele. E, como existem
diversos Capitalismos, pode-se dizer, que neste cenário, também existem diversos
Direitos.

O Direito Liberal não controla o Capitalismo, apenas o regula, organiza.

Para os liberais modernos: o direito não deve permitir qualquer tipo de monopólio ou
sindicato, pois o bem estar social advém da concorrência, que é estimulada pelo auto-
interesse. Se um grupo de pessoas que atuam no mercado da mesma maneira se reúne
para defender seus interesses, essa lógica é quebrada. Portanto, o capitalismo só
funciona se houver a concorrência e a busca do auto-interesse de cada indivíduo, e não
de grupos.

AGORA, ALGUNS DEBATES INTERESSANTES, ANIMADOS, INSPIRADORES, DIVISORES DE


ÁGUA, ZZZZ... (ATENÇÃO: OS DEBATES SERVEM MAIS PARA ILUSTRAR OS CONFLITOS
IDEOLÓGICOS, NÃO SE APEGUE TAAAAANTO ASSIM EM DECORÁ-LOS! XD)

o SMITH X STEWART (Ver análise feita acima)

o RICARDO X LIST (Ver análise feita acima)

o SIMONSEN X GUDIN:
Dois engenheiros em 1943 recriaram o mesmo debate de Ricardo e List. Simonsen
defende como List (e Hamilton) que o Brasil devia se industrializar para progredir. Já
Gudin dizia que “o Brasil produz tão bem o café, para que se meter numa produção
industrial?”
Quem ganhou? Simonsen! O Brasil começou a se industrializar e graças a políticas
incentivadas pelo Estado (GV, JK, militares...)

DIVAGAÇÕES DE COUTINHO:
Este debate não é apenas entre o bem e o mal, o melhor e o pior, e sim sobre
qual é salto tecnológico o seu país é capaz de alcançar (Brasil deve ir do minério de
ferro para a chapa de aço, da chapa de aço para a porta de geladeira, e enfim da
porta de geladeira para o micro-chip? Ou ir direto para a nano-tecnologia ou bio-
tecnologia?). E mais: Que tipo de tecnologia? Uma que já existe e futuramente
pode auxiliar novas tecnologias ou uma nova tecnologia que inove o mercado?
Porque, criando tecnologias que já existem, quando estas ficarem prontas já não
estarão ultrapassadas? Veja que não é um debate maniqueísta simples!

TRIPs: Tratado Internacional de Proteção Intelectual: Proíbe a engenharia reversa, por


exemplo. (Engenharia reversa: Comprar um produto que usa determinada tecnologia,
desmontá-la e aprender como fazer essa tecnologia. Política utilizada por diversos
países que se industrializaram depois, como o Japão, e agora, a China.)
CONSIDERAÇÕES FINAIS:

o A escola clássica bebeu da fonte dos fisiocratas e foi contra o mercantilismo, mas, por
outro lado, rejeitou a idéia de que a agricultura era fonte da riqueza.

o È a primeira vez, do ponto de vista epistemológico, que alguém reconhece (Na época
em que está acontecendo) que está ocorrendo uma mudança econômica e tenta
entende-la (Smith fez isso).

o Efeito manada: as pessoas costumam seguir o que as outras fazem. Isso muitas vezes
faz com que atitudes racionais tomadas pensando individualmente, após o efeito
manada, gerem conseqüências irracionais para o grupo.

ATENÇÃO!

Clássicos = Liberais
Neoclássicos ≠ Neoliberais

Entendendo...

CONTESTA CONTESTAM CONTESTA CONTESTAM

CLÁSSICOS
OU LIBERAIS | MARX | NEOCLÁSSICOS | KEYNES | NEOLIBERAIS
KARL MARX (1818-1883)
(reação aos Liberais)

Para Marx, o foco para entender a economia não está na relação entre homem e
natureza (como defendiam os clássicos em suas Leis Naturais, etc), e sim na relação
apenas entre homens. Foco nas relações entre as Classes Sociais.

Ele tenta ‘historicizar’ e politizar a Economia, diferentemente dos liberais, que


davam a ela um caráter atemporal, universal e estável. Dizia ao contrário do que os
liberais falavam, que o capitalismo não é essencialmente econômico e, sim,
extremamente político. Ou seja, a Economia não pode ser separada do resto (história,
política etc.), pois tudo a influencia. Economia como ciencia histórica.

Marx a enxergava de forma dinâmica, e comparava o capitalismo é um bicho, é


vivo, é imprevisível. E, no decorrer da história, têm implantado as bombas de sua
própria implosão.

Ele se utilizava de um processo de raciocínio de Hegel (dialética hegeliana).


Ou seja:
TESE + ANTÍTESE = SÍNTESE

A + B = C

Classe + Classe = Novo Modo de


Dominante Dominada Produção

Só que, diferente de Hegel, a dialética de Marx não era idealista e, sim, materialista
(pensamento pragmático). Ou seja, Marx diverge de Hegel na forma de ver o mundo,
pois o processo de raciocínio é igual. Para Marx os elementos materiais são
fundamentais para entender as sociedades, logo, a economia e a história são
fundamentais para compreender a dinâmica social.

MARX: As idéias liberais são como a história de Robinson Crusoé (náufrago que
vive sozinho). Para os liberais, dizia Marx, todos são Robinson Crusoé (como agentes
econômicos alheios e independentes). Discordava, dizendo que os indivíduos (sozinhos)
não explicam o capitalismo, e sim as classes sociais (grupo de indivíduos).
Para Marx, o capitalismo não é a mera troca de trabalho por dinheiro e deste por
meios de consumo. É dinheiro transformado em investimento e este em lucro. O
capitalismo não é mera circulação de mercadoria e sim dinheiro procurando se
multiplicar. Daí:

M – C – M’ ou C – M – C’

Onde: M=Mercadoria
C=Capital
RELAÇÕES ECONÔMICAS

LIBERAIS

Capacidade de Trabalho Mercadoria Meios de consumo


CAPITAL: CIRCULAÇÃO DE MERCADORIA (INCLUSIVE O TRABALHO)

MARX

$ Investimento Lucro
O CAPITALISMO É O CAPITAL QUERENDO MULTIPLICAR-SE POR SI MESMO NA FORMA DE LUCRO
(CONCEITO INOVADOR)

O capitalismo não é apenas acumulação de capital (como havia dito Adam Smith e
David Ricardo): Na verdade, é o jogo dos capitalistas! A acumulação de lucro com base
na exploração de trabalhadores. Na crítica marxista, a pobreza da classe proletária não é
apenas um acontecimento isolado, é a causa do lucro burguês.
Os trabalhadores têm mais dificuldade de se reconhecer como classe, pois são
alienados, têm tantos interesses diferentes. Mas, por que essa dificuldade? Por que, por
exemplo, o trabalhador que corta carne não se vê pertencente à mesma classe que o
‘colocador da cabecinha do alfinete’. Já os capitalistas se enxergam como classe com
muito mais facilidade.

O NÚCLEO DO CAPITALISMO NÃO É A ACUMULAÇÃO DE CAPITAL, COMO ENXERGAVAM OS


LIBERAIS, E SIM A MULTIPLICAÇÃO DE CAPITAL BASEADA NA EXPLORAÇÃO DO PROLETARIADO.

PARA OS LIBERAIS: a Economia é capitalista, tem leis gerais, mas só funciona


bem se puder funcionar livremente.

PARA MARX: a Economia é, atualmente, capitalista e está sendo imposta pelos


grandes capitalistas, que exploram os trabalhadores para manter o capitalismo
funcionando.

o LEIS ECONÔMICAS DEVEM SER ENTENDIDAS NUM QUADRO HISTÓRICO TRANSITÓRIO.

o INTERESSE INDIVIDUAL X INTERESSE DE CLASSE

ESTRUTURA ECONÔMICA MOLDA


INTERESSES INDIVIDUAIS.

o M – C – M’

o SOCIEDADE BURGUESA ALIENA E DESENVOLVE A SUBJETIVIDADE DO INDIVÍDUO


(DIALETICAMENTE)
(Ou seja, o capitalismo, paradoxalmente, por mais que banalize, por mais que
transforme o trabalhador em mercadoria; ao mesmo tempo desenvolve níveis de
consciência no trabalhador que não seriam desenvolvidos em outras situações. E
é por isso que o capitalismo vai implodir: porque os trabalhadores vão tomar
consciência de sua condição. O capitalismo é ao mesmo tempo opressivo e
transformador.)

KARL MARX:
“Eles se realizam no desespero de comer, beber e procriar. Mas esse
desespero torna as atividades cada vez menos prazer e mais compensação.”

o LEIS GERAIS:
Não têm a mesma conotação de leis que tinha para os liberais: não são naturais,
são humanas; não são atemporais, são pontuais, são capitalistas!
1) Contradições essenciais transformam o capitalismo (o capitalismo é tão
contraditório que é uma ‘bomba-relógio’, um dia vai explodir (revolução!))
2) Mais-valia (uma parcela do trabalho não é paga e se converte em lucro para o
capitalista)

COUTINHO FRISA:
Elementos históricos e normas jurídicas não são variáveis exógenas ao capitalismo;
são endógenas, para Marx.

RESUMINDO MARX:
- As leis eram tudo, menos naturais!
- O capitalismo não deve ser visto pela ótica do indivíduo.
- Entender o capitalismo é entender que ele é um jogo de classes e que beneficia os
capitalistas.
- O capitalismo não serve a todos, só aos capitalistas.
- O capitalismo é um modo de produção (vocabulário do Marx)

A Lei de Say é rechaçada por Marx: a Economia NÃO funciona bem sozinha. Para ele,
o próprio capitalismo se transforma: os problemas também estão dentro do capitalismo
(endógenos) e não fora (exógenos).

Maior crítica de Marx a Hegel: vem de fora para dentro a consciência do homem, e
não de dentro para fora.
“Não é a consciencia do homem que determina o seu ser, mas o seu ser social que
determina a sua consciëncia”. – determinismo social.

SÓ LEMBRANDO: Marx se utilizava da forma de pensar de Hegel. Dialética hegeliana e


teoria hegeliana são coisas distintas. A dialética é usada por Marx, já a teoria é
contestada (como dito acima).

LEIS GERAIS

1ª lei: quando existe sintonia entre forças produtivas (base material econômica) e
relações de produção (relações do burguês com o trabalhador, do servo com o senhor), a
economia funciona bem, porém no capitalismo isso não existe. Essa dissonância trás
mudanças no Modo de Produção, até que as contradições sejam grandes o suficiente
para fazer a Revolução.
2ª lei: A mais-valia é a forma como o burguês explora o proletário, e é através dela que
gera riqueza.

ENTENDENDO A MAIS-VALIA:

Mais-Valia (Vai para o burguês)


Produção ($)

Salário (Vai para o proletário)

Ou seja, o proletário produz muito mais do que recebe.

COMO MARX ANALISAVA AS SOCIEDADES

SUPERESTRUTURA:
- JURÍDICA
RELAÇÕES DE
- POLÍTICA
PRODUÇÃO
- IDEOLÓGICA (filosóficas,
Base econômica que transforma a
religiosas, artísticas etc.)
sociedade

FORÇAS
PRODUTIVAS ESTRUTURA
MATERIAIS (material)

ENTENDENDO MELHOR A BASE SÓCIO-ECONÔMICA E A SUPERESTRUTURA:

DIREITO
Super-
POLÍTICA IDEOLOGIA Estrutura

REALIDADE
SOCIAL
Base Sócio-
Econômica / Base
Material / Estrutura

ECONOMIA

As flechinhas indicam quem influencia quem. Depreende-se então, que a Economia


não pode ser influenciada pela superestrutura e só a recíproca é verdadeira.

Portanto, o fator econômico transforma a política, a ideologia, etc. Enquanto não


existe conflito entre a estrutura e a superestrutura, as sociedades andam bem. Ou seja, as
revoluções só acontecem porque há conflito de cima para baixo e, não, de baixo para
cima.
Assim sendo, a superestrutura do capitalismo não está mudando junto, por
exemplo: as leis burguesas. Estas querem estagnar um tipo de capitalismo. Mas o
capitalismo é dinâmico (um bicho imprevisível, lembra?) e não pode ser solidificado
por leis. Ou seja, a superestrutura quer controlar a base econômica, para manter uma
realidade social favorável aos capitalistas. E daí, nasce um dos conflitos e contradições
do capitalismo.
A opressão do proletariado é a ilustração real dessa contradição capitalista. E do
conflito entre essas duas classes, entre os oprimidos (proletários) e os opressores
(burgueses) resultará em um novo Modo de Produção.

o EVGENY PASHUKANIS (1924)


“Direito e Marx – Teoria Geral”
Direito, assim como o Estado, só existe para proteger interesses de classe. Logo, no
comunismo, O Direito não existiria.

Renner critica Pashukanis: Leitura simplista e mecanicista da obra de Marx.

o KARL RENNER (1949)


O Direito está tanto na superestrutura como na base econômica, que se influenciam
mutuamente.

o JOHN PLAMENATZ
Concorda com Renner. O modo de produção é condicionado tanto pela superestrutura
quanto pela base econômica.
O Direito tem também papel ativo.

o ALAN STONE
O mais importante é saber quais são os elementos jurídicos e constituintes do
Capitalismo. São eles:

Relações jurídicas essenciais ao Capitalismo:


1. Propriedade (privada)
2. Contrato
3. Crédito (Núcleo essencial rígido)
4. Sociedades Anônimas (Relação entre pessoas sem relação de
parentesco (relação jurídica))

VOCABULÁRIO DE MARX:
Modo de Produção: Relação econômica que a sociedade cria e mantem em
determinado tempo histórico (ex: Feudalismo, Capitalismo)
Forças Produtivas: Combinações, as mais gerais, de meios e instrumentos
diferentes (terras, máquinas, ferramentas, infraestrutura, conhecimento intelectual)

PARA MARX:
o O modo de produção capitalista e suas forças produtivas estão em conflito
(como supracitado) e o capitalismo irá se alterar, dando margem a um novo
modo de produção.
o A origem da transformação social é a economia, por isso não é possível
transforma-la em abstração (Ou seja, separa-la da história e da realidade social).

DIREITO PARA MARX:


Sugere que o Direito, como parte da superestrutura, é mero reflexo das forças
produtivas (economia). Logo, o Direito não transforma nada, não tem autonomia em
relação à sociedade. É reflexo conservador do Estado e do status quo.

Obs:
Liberais: O Direito emancipa o homem.
Debate contemporâneo: O Direito é autônomo em relação a outras áreas do
conhecimento ou é produto delas?
Juristas e filósofos: Sim! (Kelsen – positivismo)
Não! (Marx)
RESUMINDO (BEM RESUMIDAMENTE) MARX, TEMOS:
ESCOLA NEOCLÁSSICA (final séc. XIX)
(Reação a Marx)

- Jeremy Bentham (1748-1832) Não são propriamente neoclássicos, mas


- John Stuart Mill (1806- 1873) influenciam essa escola de pensamento.
- Leon Walras (1834 – 1910)
- William Stanley Jevons (1835-1888)
- Carl Menger (1840-1921)
- Alfred Marshall (1842-1924)
- Vilfredo Pareto (1848-1923)
- Lionel Robbins (1898-1984)

Tópicos (Explicados abaixo)

1. Maximização da utilidade (busca pela felicidade)

2. Equilíbrio geral de Walras

3. Marginalismo

4. Methobenstreit (debate de método: Carl Menger X Gutav Von Schmoller)

5. Eficiência de Pareto

6. Síntese de Lionel Robins (síntese epistemológica: “o que é Economia”?)

7. Falhas de mercado

Não é declarado, mas a escola neoclássica, de certa forma, surgiu para contestar Marx.

Mais do que nenhuma outra escola os neoclássicos bateram muito na tecla de que a
Economia é uma ciência. Afirmavam existir um campo da realidade chamado
“Economia”, que pode dar uma explicação a quase tudo.

Os neoclássicos foram os primeiros a serem “economistas” de fato. Até o final do


século XIX, era chamada de “Political Economy”, só depois recebe o nome de
“Economics”. Pode parecer apenas um joguinho de palavras, mas é uma mudança nos
objetivos epistemológicos.

ECONOMY: Economia no sentido real, concreta, num sistema político situado no


tempo e no Estado.

ECONOMICS: ciência econômica, Economia no seu sentido científico.

O que os neoclássicos estão propondo é um debate e não um conteúdo.


Para os Neoclássicos: “Só existe um motivo para se estudar Economia: a escassez. Se
não houvesse escassez, não teríamos que escolher. A maior parte das coisas não existe
abundantemente. Um homem é um agente econômico, porque se organiza para lidar
com a escassez, ou seja, todos são obrigados a lidar com a escassez, logo, todos são
agentes econômicos.”

“O mercado surge porque ele satisfaz desejos”: diria um neoclássico.

Quando o mercado falha, o Estado entra em campo. Resta saber quais são as tais “falhas
de mercado”.

Explicando mais confortavelmente, a escassez é um fato da vida, logo, é uma premissa


econômica neutra. E o homem escolhe racionalmente o que melhor o que é melhor
para ele (retomando a teoria do “self-interest”, mas substituem a palavra “prazer”, que
pode ter uma conotação mundana, por “utilidade”). Assim sendo, o ser humano busca o
que tem maior utilidade para ele.

1) MAXIMIZANDO A UTILIDADE
(inspirada na teoria utilitária de Bentham e Mill)

Uma sociedade bem organizada está baseada no princípio do utilitarismo: o maior


grau de felicidade (ou de utilidade) para o maior número de pessoas; o maior número de
pessoas vivendo intensamente sua felicidade.

Problema nessa teoria: é apenas quantitativa, não possui ética ou moral.


*Exemplo do Coliseu: cinco pessoas tem que morrer para milhares ficarem felizes.

O QUE É QUE MAXIMIZA A UTILIDADE DE UMA PESSOA?


Não há resposta única, cada um tem um conceito de felicidade. Por exemplo, para uns é
ganhar dinheiro, para outros é ser advogado, para outros é descansar, para o Coutinho é
dar aula etc.
E, usando essas premissas, partindo do indivíduo (assim como Adam Smith), os
neoclássicos elaboram uma teoria econômica. Para eles, portanto, “a maximização da
utilidade da sociedade é a soma da maximização das utilidades individuais”.
Crítica: Mais uma vez, sem consideração ética e moral.

O QUE É MERCADO?
PARA MARX: o mercado é opressivo, é um mercado dos capitalistas. Ele tolhe a
liberdade dos indivíduos, transforma-os em seres que apenas se alimentam, trabalham e
fazem sexo mecanicamente, ou seja, em seres vazios.
PARA OS NEOCLÁSSICOS: o mercado liberta, satisfaz. No mercado você mostra
suas vontades. Temos a necessidade permanente de satisfação de prazeres, e o mercado
permite isso. A Economia organiza a sociedade para que tais necessidades sejam
satisfeitas.

Sofisticação da Teoria Clássica


Os neoclássicos mudam a chave de análise da teoria do valor (dos clássicos), tirando o
foco da “quantidade de trabalho” para a ideia de “escassez”.
Essa história de colocar matemática na Economia é totalmente neoclássica. Dizem que
conseguem dar prognóstico do modelo econômico se certas variáveis-chave forem
apontadas MÃO INVISÍVEL EQUACIONADA

2. EQUILÍBRIO GERAL
Walras diz que a Economia tende a um equilíbrio, retomando a “Lei de Say”. No
entanto, as sofistica: atribui modelos econômicos e equações que prevéem o
comportamento da Economia e esse equilíbrio. Admite falha, caso em que o Estado
deve intervir.
*Kula na Micronésia: exemplo de que existem leis gerais.

3. MARGINALISMO
No mercado ideal, o preço é o custo marginal.
CUSTO MARGINAL Custo de produzir uma unidade a mais, sendo
que remunera os custos de produção, garante
um lucro que mantenha o funcionamento da
atividade de produção, e é o mínimo possível
para o consumidor.

No mercado real, no entanto, dificilmente o preço será o custo marginal, logo, este deve
ser comparado e usado como parâmetro para saber se determinado produto está caro ou
barato. E se estiver muito desregulado, cabe ao Estado intervir.
Trata-se, portanto, de um parâmetro seguro para discernir se está caro ou barato.
*Diferente da D. Maria, que compara o preço do mercado Pão de Açúcar com a feira.

4. METHODENSTREIT (discussão do final do séc. XIX)

KARL MENGER GUSTAV VON SCHMOLLER


(filósofo e historiador) X (formado em Direito)

MENGER: De certa forma, era um pensador ‘ricardiano’. Acreditava que a Economia


não pode se basear somente nos fatos históricos e sociais; deveria haver uma teorização,
tendo a Economia um método próprio e atemporal.
Além disso, por ser dedutiva, deve partir do geral para o específico. O foco de sua
forma de pensar são os indivíduos, ou seja, os principais agentes econômicos. E como
tais agentes são as pessoas, isso implica a necessidade de políticas públicas.

SCHMOLER: Afirmava que a Economia não deve ser teorizada, pois ela é empírica.
Assim, a realidade deveria ser analisada. Logo, a forma schmoleriana de pensar é
indutiva.
Outro ponto divergente de Menger é o fato de que Schmoler coloca o foco nos países
(envolvendo muito a política, portanto), enxergando estes como principais agentes
econômicos.
Diz também que a Economia de mercado é um ponto na história, totalmente mutável.
Sob este ponto de vista, afirma que não há leis gerais, diferente do que defende Menger.
A Economia estaria então diretamente ligada à história, à moral e aos costumes.

OBS: Pareto, assim como Menger, acreditava em leis gerais (por exemplo, a lei da
escassez). Reza a lenda que em uma de suas palestras, Schmoler estava na plateia e
ficou criticando o tempo todo. O Pareto ficou puto e resolveu pregar uma peça em
Schmoler: No dia seguinte vestiu-se de mendigo, abordou Schmoler e perguntou “Onde
posso encontrar um bom restaurante em que se possa almoçar de graça?”; ao que
Schmoler respondeu “Ah! Eu sinto muito, mas isso não existe!”. Eis que Pareto se
revela e diz “Ahá! There’s no free lunch!”, ou seja, existem leis gerais, sim, como por
exemplo “Não há almoço grátis” ou seja, “Tudo tem um custo”.

QUAL O PROBLEMA DE FALAR QUE A HISTÓRIA NÃO FAZ PARTE DO


ESTUDO ECONÔMICO?
Isso representa desconsiderar as especificidades de cada momento histórico!

5. ÓTIMO/EFICIÊNCIA DE PARETO:
Existem alocações de recursos que são melhores que outras, na sociedade e a melhor
alocação é aquela que deixa todo mundo o mais satisfeito possível (ex: Posso colocar
todas as cadeiras em uma só sala da sanfran, mas é melhor distribuí-las pelas salas).
Portando, o Ótimo de Pareto é o ponto em que a situação alocativa é tal que não pode
mudar sem diminuir a utilidade.

Situação 1<3<2, observe:

Situação 1 Situação 2 Situação 3


Brinquedos são Todos escolhem o Pegamos a situação 2, mas
distribuídos brinquedo de que mais fazemos a Vivian trocar
aleatoriamente gostam sua boneca com o
carrinho do Pedro

ÓTIMO DE PARETO

Apesar de nas três situações todos terem brinquedos, na situação 2 todos estão
satisfeitos. Suas utilidades são aumentadas. Pareto, assim como foi feito na “Teoria do
Mercado de Concorrência Perfeita”, cria uma situação de comparação. Baseado no
ponto ótimo de Pareto a intervenção estatal na economia é proporcional a distancia do
mercado real do ideal.
Assim sendo, o ideal não precisa existir para que seja útil, sua comparação com
o real já é benéfica para tomar decisões.
(Essa forma de raciocinar, ou seja, utilizando o ideal para estabelecer diretrizes para
tomar decisões mais corretas, é típico dos neoclássicos)

Os modelos ideais não existem de verdade, só servem para entender o real e


aperfeiçoa-lo na medida do possível.
6. SÍNTESE DE LIONEL ROBINS
O Coutinho não explicou exatamente, só disse que é uma “síntese epistemológica sobre
‘O que é economia?’”
Mas, se eu não me engano, ele disse que não vai cair isso na prova! ;D

7. FALHAS DE MERCADO:
(Não existem no mercado ideal)

MONOPÓLIOS / CARTÉIS / OLIGOPÓLIOS


ASSIMETRIA DE INFORMAÇÃO*
POSITIVAS
FALHAS DE MERCADO EXTERNALIDADES** NEGATIVAS
BENS PÚBLICOS***

Os neoclássicos utilizam um modelo de mercado de “concorrência perfeita” para


explicar as falhas do mercado atual.
Num mercado de concorrência perfeita, não há: monopólios e cartéis,
assimetrias de informação*, externalidades** (sejam positivas ou negativas) e nem bens
públicos***.
Baseado na idéia de equilíbrio walrasiano, o mercado de concorrência perfeita
não precisa de intervenções do Estado. Porém, o mercado real, eventualmente, apresenta
falhas devido à existência dos pontos acima citados. Logo, a atuação estatal é uma
exceção: só quando as coisas vão mal é que ele deve intervir (diferente da ideia de
Keynes, que diz que o Estado deve estar permanentemente na Economia).
Se, por um lado, os neoclássicos admitiam que o mercado falhava, por outro,
diziam que as falhas podiam ser corrigidas pelo Estado. Entretanto a participação do
Estado é pontual.

METÁFORA DO COUTINHO:
O Estado funciona como um jogador reserva, que só entra em campo quando
tem problemas no jogo.

Hayek: “O mercado é a esfera na qual o ser humano mais consegue adquirir


conhecimento e tomar decisões racionais”

NO MERCADO DE CONCORRÊNCIA PERFEITA:


(Mais um modelo ideal neoclássico)
Todos os ofertantes competem acirradamente entre si e nenhum deles é mais
forte que o outro, nenhum deles é capaz de impor um preço e ganhar dinheiro com isso,
ou seja, não existe monopólio.

*ASSIMETRIAS DE INFORMAÇÃO:
No mercado ideal, todos devem ter acesso igual às informações, para poderem tomar as
melhores decisões (utilitaristas). Como não é assim, o Estado deve intervir (Exemplo:
Bula de remédio, já que nem todos têm conhecimento médico-farmacêutico, há, assim, a
exigência de bula.)
Insider trading (informações privilegiadas) também são exemplos de assimetrias de
informação. Em alguns países, tal prática é criminosa, justamente por esse princípio
neoliberal supracitado.
NECESSIDADE DE ISONOMIA
NAS INFORMAÇÕES

**EXTERNALIDADES:

Negativas: custo que você paga sem ter sido responsável pelo gasto.
Exemplos:
- Pneumonia por causa do colega que fuma ao seu lado;
- Fuligem da fábrica (que não põe filtro na chaminé) que cai na camisa e faz o dono da
lavanderia lavar duas vezes e arcar com o prejuízo da segunda lavagem; Sem o filtro da
chaminé o pneu custa R$10 e, não, R$12. Quem paga os R$2 são os que sofreram com a
ausência do filtro (por exemplo, o cara da lavanderia). Com o pneu mais barato, vende-
se mais, logo, a oferta aumenta: mercado desequilibrado, com falhas. Logo, os custos
devem ser internalizados para que haja equilíbrio.

Positivas: Benefício que não está incorporado ao custo.


Exemplos:
- O benefício de alfabetizar alguém, no médio ou longo prazo, excede o
custo da alfabetização;
- Instalar saneamento básico numa comunidade (no futuro: vidas
poupadas, menos gasto com hospital, etc)

E por que isso é uma falha de mercado?


O benefício é tão maior que o custo (e muitas vezes, nem pode ser quantificado em
dinheiro) que o mercado não percebe que deve oferecer isso em grande quantidade. Ou
seja, é uma falha porque tem de menos.

Mais um debate super-legal!

Sanções jurídicas são a única forma de acabar com externalidades? NÃO! Veja:

PIGOU X COASE
O melhor jeito de resolver a - Publicou: “The Problem of the Social
externalidades negativas são multas na Costs” (Artigo mais citado em toda a
exata medida da externalidade. história da Economia)
Lógica punitiva. Ou seja, a sanção Nem sempre punições são necessárias para
jurídica pune e reprime tais atos, internalizar externalidades.
educando, por exemplo, o poluidor, para - Ir ao judiciário (para pedir indenização
que ele não polua. ou multar) gerava custos, chamados
Custos de transação: custos adicionais e
uma determinada ação.
-A alternativa seria usar a lógica do
mercado para corrigir essas externalidades.
Negociação de mercado: Criar estímulo
econômico para gerar um comportamento.
(Exemplo: É melhor eu pagar meu vizinho
para que ele tenha menos bois, do que ir na
justiça pedir indenização pelos bois a mais
dele que estragaram a minha plantação de
milho.)
- Resumindo: Negociações (através de
estímulos econômicos) = Teorema de
Coase

Portando, há duas opções para internalizar externalidades e conseguir certas ações:

Sanções Negociações
(Stick) (Carrot)

***BENS PÚBLICOS:

A sua existência é uma falha de marcado pois a iniciativa privada não se interessa em
investir nisso, mas todos querem usufluí-los., ou seja, todo mundo quer mas ninguém
tem incentivo suficiente para fazer sozinho. Se o Estado não construísse estrada, ponte,
ninguém construiria.