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DOSSIÊ

LARA LIMA

N
o começo é só uma árvore, um pouco de croorganismos de um determinado lugar são leva-
capim, um caramujo ou um coelho. Aos dos para outro onde não há predadores para limitar
poucos eles se multiplicam e, de repente, sua população. Sem esse controle, eles afetam o
tomam conta do ambiente. Assim, de forma silen- ambiente, a economia e a saúde do homem. Algu-
ciosa e, em alguns casos, devastadora, ocorre a in- mas das pragas que mais infestam o Brasil são a
vasão biológica de espécies exóticas, considerada árvore pinus, o caramujo gigante africano, trazido
hoje uma das principais causas da extinção das na- ao país como iguaria, e o mexilhão, que é transpor-
tivas. Isso ocorre quando animais, plantas ou mi- tado na água de lastro dos navios.
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A INVASÃO
NO BRASIL Livres de seus predadores n
Desde que o mundo é mundo, plantas e le de invasões biológicas. “Uma porção bem
animais são carregados de um ambiente para pequena das exóticas faz um estrago muito
outro na natureza, seja por meios naturais, seja grande. Esta não é uma questão de número, e
pelas atividades inventadas pela civilização. E, sim de capacidade de invasão e ocupação de
na maioria das vezes, essa troca de espécies é território”, esclarece a especialista.
inofensiva. Quem se incomoda em ter no fun- As espécies exóticas com potencial invasor
do do quintal um inocente pé de maçã? Cer- são mais competitivas que as nativas porque,
tamente, ninguém. Originária da China, a ma- entre outros fatores, estão longe de seus pre-
cieira é uma das tantas espécies exóticas que dadores naturais. Além disso, elas têm alta ca-
se adaptaram “silenciosamente” no Brasil, pacidade reprodutiva e se adaptam facilmen-
Eucalipto sem provocar danos. Ocorre que, com o uso te a outros ambientes, alastrando-se de forma
Espécie plantada para cada vez mais intenso dos meios de transpor- rápida e devastadora.
fornecer madeira e te, um pequeno, mas significativo, percentual Em todo o globo, a contaminação biológi-
celulose infesta áreas
das plantas nativas
de espécies exóticas resultou em “barulhen- ca é a segunda maior causa de extinção de es-
tas” invasões biológicas. pécies, atrás apenas da destruição direta de
Também chamada de poluição biológica, a hábitats pelo homem — ou seja, é uma forte
contaminação ocorre sempre que uma planta, ameaça à biodiversidade. E mesmo com a
um animal ou um microorganismo de um ou- existência de leis (Lei de Crimes Ambientais
tro hábitat ocupa determinado ambiente e ex- e Código Florestal), além da fiscalização do
pulsa espécies nativas. Esta definição é da en- Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
genheira florestal Sílvia Renate Ziller, douto- e dos Recursos Naturais Renováveis), as
ra em conservação da natureza, que há seis ações de controle são isoladas e insuficientes.
anos atua no diagnóstico, prevenção e contro- “Há pouca pesquisa científica e, para agra-

ALGUNS ANIMAIS E PLANTAS “ALIENÍGENAS” NO PAÍS

FAUNA ORIGEM
Caramujo gigante africano (Achatina fulica) África
Carpa (Cyprinus carpio) Japão, China e Ásia Central
Tilápia (Oreochromis mossambicus) África
Rã-touro (Rana catesbiana) Estados Unidos
Javali (Sus scrofa) Europa
Mosquito da dengue (Aedes aegypti) Áreas tropicais e subtropicais do mundo
Mexilhão dourado (Limnoperma fortunei) China e Sudeste da Ásia
Camarão gigante (Macrobrachium rosenbergii) Malásia

FLORA ORIGEM
Pinus spp. Estados Unidos
Acácia-negra (Acacia mearnsii) Austrália
Tojo (Ulex europaeus) Europa Ocidental
Leucena (Leucaena leucocephala) México, América Central e Caribe
Eucalipto (Eucalyptus spp. ) Austrália
Capim annoni (Eragrostis plana) África
Uva do Japão (Hovenia dulcis) China e Japão
Nim (Azadirachta indica) Índia
Fontes: IUCN (União Mundial para a Conservação da Natureza), Grupo Especialista em Espécies Invasoras e Instituto Hórus de
Desenvolvimento e Conservação Ambiental
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s naturais, espécies proliferam rapidamente nos ecossistemas


Carpa
Importado do
Japão, peixe
causa estragos
à fauna local

ONGS ORGANIZAM
BANCO DE DADOS
No nosso país,
a falta de um diagnóstico das
espécies exóticas invasoras
dificulta a definição de ações
de controle e prevenção da
var a situação, o governo incentiva o cultivo de de invasão biológica. Um deles é o do capim
algumas espécies exóticas. Se houvesse um annoni (Eragrostis plana), de origem africana, contaminação biológica.
programa de fomento paras as nativas, muita que já devastou grandes áreas de pastagem na Numa iniciativa inédita,
gente plantaria araucária, cedro, embuia”, Região Sul e deu prejuízos à pecuária gaúcha as ONGs Instituto Hórus
lamenta Sílvia Ziller, que, por meio do Institu- (veja texto na página 53). O cultivo de peixes de Desenvolvimento e
to Hórus de Conservação Ambiental, de Curi- exóticos como tilápia (África) e carpa (Japão Conservação Ambiental
tiba, está formando um banco de dados sobre e China), que leva à redução de populações de e The Nature Conservancy
as invasões no Brasil (veja quadro à esquerda). peixes nativos, é suficiente para dar uma no- (TNC) trabalham para a
ção dos estragos na fauna. Mas não é preciso formação de um banco
Do vírus à tilápia vir de tão longe para incomodar. de dados sobre plantas,
Fotos: eucaliptos, Ernesto de Souza; carpas, Antonio Gauderio

Além de afetar o meio ambiente, a contami- As fronteiras de cada ecossistema são mais animais e microorganismos
nação biológica tem impactos na saúde huma- suscetíveis a invasões do que se imagina. Pelo exóticos invasores no Brasil.
na e na economia. O vírus da pneumonia asiá- seguinte motivo: uma espécie pode se tornar Quem tiver informações
tica é o mais recente exemplo mundial de mi- invasora não apenas quando originária de ou- sobre espécies invasoras
croorganismo causador de doenças e que se tro continente ou país, mas quando transpor- pode ajudar nesta importante
alastrou para vários países a partir de regiões tada de um ambiente natural para outro. Por tarefa. Basta ligar
da Ásia. No Brasil, os vírus da dengue (trans- exemplo, “o nosso tucunaré, peixe nativo da para (41) 9613-4171 ou
mitido pelo mosquito Aedes aegypti) e da febre Amazônia, tornou-se invasor quando introdu- (41) 336-8777 ramal 239.
aftosa (que afeta bovinos, caprinos e suínos) zido na bacia do rio Paraná, causando a mor- O endereço eletrônico do
são invasores capazes de provocar doenças e te de peixes daquele ecossistema”, destaca o Instituto Hórus é
abalar diversos setores econômicos. biólogo Euclides Tom Grando, coordenador www.institutohorus.org.br
Na flora brasileira são inúmeros os casos da ONG Liga Ambiental.
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UMA AMEAÇA
MUNDIAL Para as Nações Unidas, e
A contaminação biológica atinge todo o ses despertaram mais cedo para o problema.
planeta. Esse problema foi contemplado pela A contaminação biológica é reconhecida
Convenção sobre Diversidade Biológica, assi- globalmente como ameaça à biodiversidade.
nada por diversos países no Rio de Janeiro,em Por isso, a Organização das Nações Unidas
1992. Somente dez anos depois disso o Bra- (ONU) e outros órgãos internacionais cria-
sil encaminhou a criação da Política Nacional ram, em 1997, o Programa Global de Espé-
da Biodiversidade (decreto 4.339/2002), cies Invasoras (Gisp), que integra perto de
que, quando implementada, deverá impedir a uma centena de países de todos os continen-
entrada de espécies exóticas invasoras, além tes, inclusive o Brasil. “Uma das orientações

Fotos: tojo, Richard Hill; coelhos, Corbis


de controlar e erradicar as já existentes. do Gisp é a criação de sistemas de informação
Em contrapartida, os países mais prejudi- acessíveis sobre espécies invasoras”, diz a en-
Arbusto tojo, da Europa cados por invasões biológicas — Austrália, genheira florestal Sílvia Ziller, integrante do
Aglomerados densos e Nova Zelândia, África do Sul e Estados Uni- conselho do Gisp. O Brasil ainda não tem um
espinhentos da planta
(verde escuro) impedem a
dos, que investem pesado em ações de contro- diagnóstico da situação.
passagem de pessoas e le e prevenção — têm legislações rígidas. De- Veja abaixo um perfil dos países mais
animais na Nova Zelândia vido ao grande número de invasões, estes paí- comprometidos pela contaminação biológica.

ESTADOS UNIDOS NOVA ZELÂNDIA

O país que mais gasta com espécies Entre controle de invasões e prejuízos
invasoras. Anualmente, são cerca de US$ 135 econômicos, a Nova Zelândia gasta mais de
bilhões entre ações de controle e prejuízos à US$ 740 milhões por ano. Esse número inclui
agricultura, pecuária e horticultura, além de tanto as espécies invasoras da flora quanto
danos em áreas naturais, como parques e as da fauna. Para se ter uma idéia do grau
regiões preservadas. Devido ao clima ameno, de contaminação biológica na Nova
Havaí, Califórnia e Flórida são os Estados em Zelândia, basta dizer que nesse país a
que a situação é mais grave. Entre as população de espécies exóticas já é maior
invasoras da flora americana figuram que o de nativas. Entre os inúmeros
espécies brasileiras, como o aguapé exemplos, um dos mais graves é o tojo
(Eicchornia crassipes) e a aroeira (Schinus (Ulex europaeus): arbusto europeu que,
therebinthifolius), ambas listadas entre as 100 por ser denso e espinhento, impede
piores espécies invasoras do planeta a passagem de animais e dificulta até
apontadas pela União Internacional para a mesmo as ações de controle.
Conservação da Natureza (IUCN). Entre as espécies da fauna uma das
Mundo afora, o aguapé é conhecido como invasoras é a ave conhecida como
“flagelo verde” devido a seu poder invasor. estorninho (Sturnus vulgaris), que virou
A região sul dos Estados Unidos foi a praga nacional na Nova Zelândia e também
primeira a sofrer invasão, depois da invade os Estados Unidos, África do Sul e
introdução do aguapé na Luisiana (1884) e na Austrália. Oriunda da Europa, Ásia e norte da
Flórida (1888) para fins ornamentais. África, essa espécie compete com as aves
Atualmente essa espécie é chamada pelos nativas e ainda provoca danos à agricultura.
americanos de “erva dos cem milhões de Bastaram 17 estorninhos, levados para a
dólares” devido às altas somas aplicadas Nova Zelândia em 1862, para dar origem a
para tentar controlar sua expansão. uma superpopulação dessas aves exóticas.
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espécies invasoras são um perigo para a biodiversidade global

AUSTRÁLIA ÁFRICA DO SUL Coelhos


Animais infestaram a
A Austrália investiu cerca de US$ 1, 7 Devido à falta de água provocada pelas Austrália até metade do
século 20 devido à falta de
bilhão, em 1981, para amenizar os danos espécies invasoras da flora, a África Sul criou predadores naturais
causados por plantas exóticas no setor o Working for Water, que visa restaurar as
agropecuário. Desde então, investe de forma condições originais do ecossistema. Esse
permanente em pesquisa e controle de programa, idealizado por Guy Preston, gerou
espécies invasoras. Para introduzir uma emprego e renda para a população além de
exótica na Austrália é preciso provar que não promover a restauração ambiental. Para
é invasora e, além disso, responsabilizar-se muitas sul-africanas, o trabalho junto ao
pelos custos futuros de uma possível invasão. programa foi a primeira oportunidade de
É que a Austrália já enfrentou — e ainda emprego. As mulheres são 58% da força de
enfrenta — inúmeras contaminações. trabalho no campo.
Uma delas foi a dos coelhos Oryctolagus Mas o que levou a África do Sul à escassez
cuniculus, que durou décadas. Muitos de água? Segundo a engenheira florestal
métodos foram usados para tentar conter Sílvia Ziller, foi a substituição de uma
esses animais de origem espanhola que vegetação baixa por outra, de tipo arbóreo.
foram levados da Inglaterra para a Austrália “Qualquer planta arbórea bebe mais água que
em 1859. Em 1950, encontrou-se uma solução: uma planta pequena para crescer. E a África
uma virose que ataca coelhos brasileiros, a do Sul perdeu parte da sua capacidade de
mixomatose, foi usada e acabou com quatro gerar água para consumo humano em função
quintos da superpopulação. “Esses coelhos disso”, explica. No começo do século 19, os
tiveram êxito porque ocuparam um território ingleses semearam mais de oito mil espécies
desprovido de predadores capazes de limitar na região da Cidade do Cabo. “Não é por
seu crescimento”, explica o biólogo Germano acaso que os quatro países onde as invasões
Schüür, professor da Universidade de Caxias são mais numerosas foram colonizados pela
do Sul (UCS), no Rio Grande do Sul. Inglaterra”, observa Sílvia Ziller.

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INVASORES
TERRESTRES Javali e “escargot” são as p
Entre as espécies invasoras da fauna, uma repletos do molusco, assim como os terrenos
O QUE FAZER SE das mais difundidas no Brasil é o caramujo gi- baldios, as árvores e os depósitos de lixo.
ENCONTRAR UM gante africano (Achatina fulica).Do sul ao nor- Com a ajuda de moradores, a Prefeitura de
CARAMUJO GIGANTE
AFRICANO te do país,já infestou nada menos do que 15 Es- São Sebastião (SP) coletou 100 quilos do ca-
tados — atacando plantações,destruindo matas ramujo exótico num único dia de mutirão pa-
Certifique-se de que se trata e colocando em risco a saúde das pessoas. E o ra conter uma invasão, em 2001.
mesmo do animal. Em caso de pior é que esse molusco terrestre,tido como um Mas, quando se trata do gigante africano,
dúvida, procure a secretaria dos 100 piores invasores do planeta pela União prejuízos econômicos e ambientais são ape-
de saúde do seu município Internacional de Conservação da Natureza nas parte do problema. A saúde humana tam-
Cate os caramujos (IUCN),não só continua fora de controle,como bém fica ameaçada na presença dele. Hospe-
manualmente, sempre com ainda é cultivado clandestinamente. deiro intermediário do verme que provoca a
luvas descartáveis ou sacos Esse gigante que, quando adulto, chega a angiostrongilíase abdominal — doença que
plásticos. Assim, eles não medir 20 centímetros de comprimento de pode levar à morte por perfuração intestinal
passam doenças concha por oito de largura e a pesar 200 gra- —, o caramujo africano pode transmiti-lo ao
Para matá-los, deve-se mas incomoda mais do que suas dimensões homem. Uma das formas de contágio é o con-
queimá-los dentro de latas ou podem sugerir.Destrói plantações de mandio- sumo dos vegetais atacados, outra é o consu-
tonéis, depois quebrar suas
ca, batata-doce, feijão, amendoim, abóbora, mo do próprio caramujo. Aliás, é justamente
conchas e enterrá-las.
mamão,tomate,verduras,flores,frutas e folhas aí, no prato de uns poucos brasileiros, que
de várias espécies nativas. “O caracol nativo, essa história começa.
Também pode-se
que vive em harmonia com o meio ambiente,
simplesmente esmagá-los e Substituto do escargot
sente-se acuado na presença dele”, diz a biólo-
enterrá-los
ga Tathiana Zimmermann de Farias, mestran- O caramujo africano só chegou ao Brasil
Não coloque os caramujos
da da Universidade Federal de Santa Catarina. porque alguns restaurantes apostaram no seu
no lixo, pois estará apenas
O que agrava ainda mais as invasões é a ra- potencial gastronômico. Em meados dos anos
transferindo a infestação para
pidez com que se reproduz. “Tem enorme fe- 80,importaram a espécie para oferecer aos fre-
outro local
cundidade e começa a se reproduzir com ape- gueses no lugar do escargot. Seria um negócio
Não use veneno, pois afeta o nas cinco meses. Estima-se que põe cerca de lucrativo, uma vez que a Achatina fulica —
meio ambiente e não o 200 ovos a cada dois meses”, diz a bióloga praga agrícola em vários países — é mais bara-
molusco Carla Medeiros y Araújo, professora do ta que a apreciada iguaria eu-
Não deixe em seu terreno Instituto de Ciências Biológicas da ropéia. Mas o molusco
telhas, tijolos e sobras de Universidade de Brasília (UnB). não agradou ao pa-
construções ou excesso de Em cada município inva- ladar da fregue-
plantas. Eles servem de dido, os jardins, hortas e sia e foi ati-
criadouros muros das casas ficam rado di-
Fonte: Secretaria de Estado da Saúde de
Santa Catarina

Gigante africano
Importado para
uso culinário,
caramujo não
agradou ao paladar
do brasileiro e foi
simplesmente
jogado no ambiente

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s pragas animais de maior impacto no país


retamente do prato para o meio ambiente. O começo das ações voltadas à erra- Javali
Fugida do
Isso mesmo, muitos comerciantes simples- dicação parece ser apenas uma questão de Uruguai,
mente abandonaram centenas desses caramu- tempo.E quando essa hora chegar,então espécie
jos na natureza.Houve também quem resolveu começará uma nova luta — esta bem mais destrói
insistir no negócio: o número de cultivadores árdua,de combate ao caramujo africano. rebanhos e
plantações
multiplicou-se, especialmente em função de “O controle é bastante difícil.A coleta tem
cursos de cultivo promovidos por instituições que ser manual e depende da participação
privadas e públicas.“É um nítido caso de negli- das comunidades”,explica a bióloga Car-
gência o fato de órgãos governamentais incen- la Araújo.“Parte do problema é a falta de
tivarem o cultivo desse molusco com o argu- fiscais.O que dificulta ainda mais é o fato
mento de que isso gera empregos”, critica a de as pessoas criarem o caramujo em ca-
bióloga Carla Medeiros y Araújo, da UnB. sa”, diz Roselis Mazurek, do Ibama.
O Instituto Brasileiro de Helicicultura (hélix
significa caracol), instituição de pesquisa situa- CARNE NOBRE INCENTIVA CRIACÃO DA PRAGA
da em Atibaia (SP), e a Sociedade Brasileira de
Malacologia (que estuda os moluscos) fizeram Outra peste que está invadindo a Muitos dos antigos criadores
campanha contra o cultivo do caramujo africa-
fauna brasileira é o javali (Sus scrofa), abandonaram os animais,
no.E conseguiram que o Ministério da Agricul-
animal que chegou ao Brasil pelo intensificando ainda mais as invasões.
tura desse início a um processo que prevê a er-
Uruguai, fugido de fazendas de caça No ano passado, o Ibama deu um
radicação dessa espécie exótica no país.
que importaram o mamífero da passo além da proibição de criar a
No entanto, os que defendem a criação do
Europa. Por onde passam, as manadas espécie exótica: regularizou a caça ao
caramujo em cativeiro não desistiram.Recente-
deixam rastros de destruição nas javali, cadastrando caçadores. Os 90
mente, o Instituto de Pesca, vinculado à Secre-
plantações e nos rebanhos. Atacam “colaboradores” selecionados ajudam
taria de Agricultura do Estado de São Paulo,
coordenou uma comissão que solicitou a regu- criações de ovinos e devastam fiscais do Ibama na difícil empreitada
lamentação do cultivo — e recebeu parecer culturas de arroz e milho, entre outras, de caçar o mamífero, considerado um
contrário do Ibama (expedido em janeiro). além de destruir pastagens. O primeiro bom adversário por ser veloz e ter o
A bióloga Vera Lobão, pesquisadora do foco de invasão concentrou-se na olfato desenvolvido. “Assim estamos
Instituto de Pesca e coordenadora dessa co- região dos municípios de Jaguarão e conseguindo baixar a população de
missão, diz que “não suspeitava que a criação Herval, no Rio Grande do Sul, no javalis”, diz o técnico em fauna do
fosse ilegal quando dávamos os cursos”. A começo dos anos 90. Depois difundiu- Ibama Scherezino Barboza Scherer.
respeito da solicitação de regulamentação jun- se pelo território gaúcho e alastrou-se Novas vagas para caçadores serão
to ao Ibama, a bióloga explica que “o que se de tal forma que hoje já invade os abertas em outros Estados do país em
Fotos: caramujo, Carla Medeiros y Araujo; javali, Oswaldo Maricato

queria era uma legislação que permitisse a Estados da Bahia e Minas Gerais. que há invasão de javalis, afirma
criação responsável do molusco para poder Como a carne do javali é nobre, Scherer. Isso está previsto para
atender a muitos desempregados, pois o que muitos viram no invasor uma outubro próximo, quando vencem os
estraga são os cursos não profissionais”. oportunidade de ganhar dinheiro. Só atuais contratos de caça. Por
O Ibama não apenas negou o pedido, como que a grande maioria dos criadouros enquanto, a ação dos caçadores
planeja medidas de controle do caramujo.“Va- funcionava de forma irregular e foi, restringe-se ao Rio Grande do Sul,
mos implementar uma política de controle que por isso, barrada pelo Ibama (Instituto que tem sérios problemas nos
ensine a população a identificar o caramujo gi- Brasileiro do Meio Ambiente e dos arredores de Porto Alegre e na região
gante africano e que envolva órgãos municipais Recursos Naturais Renováveis). Faz norte do Estado. “Com efetivo de
e estaduais em intensas campanhas de coleta”, seis anos que o Ibama regularizou as fiscais insuficiente, o Ibama não teria
informa a bióloga Roselis Remor de Souza Ma- criações que, segundo entendeu o como abranger uma área tão grande
zurek, consultora da coordenação de gestão de instituto, obedeciam às normas de sem os nossos colaboradores”,
uso de espécies de fauna do Ibama. segurança e proibiu novos criadouros. reconhece Scherer.

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PLANTAS
DEVASTADORAS Pinus e capim a
Matéria-prima Conhecido como pinheiro americano, o no Parque do Rio Vermelho — parque catari-
Pinus é importante Pinus elliotii está entre os 100 piores invaso- nense integrado à Reserva da Biosfera como
para a economia,
mas precisa ser
res do planeta listados pela União Internacio- um dos núcleos de Mata Atlântica de maior im-
controlado nal para a Conservação da Natureza (IUCN). portância do país — um projeto de restauração
Junto com o Pinus taeda é invasor da flora ecológica (veja abaixo à direita). Para uma área
brasileira com presença significativa nas re- de 500 hectares de pinus plantada há 40 anos
giões Sul e Sudeste, onde o pinheiro prove- nesse parque, outros 250 hectares de restinga
niente dos Estados Unidos tem forte papel foram invadidos. “O pinus é uma espécie que
econômico. A batalha de pesquisadores e am- invade áreas abertas, como as restingas litorâ-
bientalistas tem sido por uma política florestal neas e os campos de altitude”,explica Reis.Daí
que proteja as unidades de conservação am-
biental da contaminação pela árvore.
Que essa espécie é uma das principais ma-
térias-primas do mundo para a produção flo-
restal, todos reconhecem. Na prática, porém, é
preciso uma regulamentação que assegure o
plantio adequado. “Os próprios madeireiros
estão conscientes de que é preciso evitar os
plantios em áreas de endemismos (com tipos
de vegetação que só existem naquelas regiões)
para impedir a extinção de espécies nativas”,
observa o professor Ademir Reis,do Laborató-
rio de Ecologia Vegetal da Universidade Fede-
ral de Santa Catarina (UFSC). Capim annoni Praga devastou
Com a orientação de Reis, foi desenvolvido 500 mil hectares em SC

ESPÉCIES NATIVAS RENTÁVEIS SÃO ALTERNATIVA ÀS INVASORAS

Uma estratégia para evitar o uso de las. Com o florestamento composto de


espécies exóticas é apostar no potencial diferentes espécies, esperamos fazer as

Fotos: pinus, Oswaldo Maricato; capim, Sílvia R. Ziller; renascimento, Lauro Maeda
econômico das nativas. primeiras colheitas em sete anos”, afirma o
Nos arredores da Reserva Biológica do engenheiro florestal Fábio Rosa, coordenador
Ibirapuitã, no município de Alegrete (RS), do projeto e diretor do Instituto para o
essa aposta conta com o financiamento do Desenvolvimento de Energias Alternativas e
Projeto de Conservação e Utilização da Auto-Sustentabilidade (Ideaas/PR).
Sustentável da Diversidade Biológica Ingá-macaco (Inga sessilis), louro (Laurus
Brasileira (Probio), do Ministério do Meio nobilis) e timbaúva (Enterolobium
Ambiente. A idéia é promover o contortisiliquum) estão entre as 19 espécies
desenvolvimento sustentável no entorno da cujo valor de mercado será especificado no
reserva, onde vivem cerca de 90 famílias de plano de negócios a ser concluído em
produtores rurais. outubro. “O objetivo é dar alternativas
Em janeiro, começou a implantação da sustentáveis para que as pessoas fiquem no
primeira proposta: “A desculpa dada pelos campo”, diz a engenheira florestal Sílvia Ziller,
moradores para não usar espécies nativas é presidente do Instituto Hórus de Conservação
que demora muito, até 50 anos, para colhê- Ambiental, parceiro do Ideaas neste projeto.
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m annoni se alastram e expulsam espécies nativas


a necessidade de haver leis específicas para ameaça a biodiversidade da região Sul”, alerta
proteger áreas como essas. o engenheiro florestal Rogério Coelho,da Em-
Diferente do pinus, que precisa ser contro- brapa Clima Temperado/Pelotas (RS).
lado, certas espécies invasoras têm mesmo é
que ser banidas. O melhor exemplo disso é o Uma praga com nome
capim annoni (Eragrostis plana),peste agríco- “É um verdadeiro desastre ecológico”, rei- Renascimento
Espécies nativas
la que já devastou mais de 500 mil hectares no tera o engenheiro florestal José Carlos Reis,co- voltam a florescer
Rio Grande do Sul e que continua a invadir em lega de Coelho.O capim annoni destrói e toma no Parque do
Santa Catarina e no Paraná. “A invasão do ca- o lugar das pastagens naturais e, o que é pior, Rio Vermelho
pim annoni está fora de controle. Essa praga não serve para alimentar o gado. Os prejuízos
no setor pecuário são incalculáveis. “Com raí-
zes desenvolvidas, esta exótica puxa mais água
e nutrientes do solo que as nativas e ainda
produz um herbicida que mata outras
plantas”,explica Reis.E pensar que esse capim
veio parar no Brasil por acaso: na década de 50,
outra espécie de capim, esta inofensiva,
foi importada da África para ser usada como
pastagem. “O capim annoni veio como um
contaminante e apareceu no meio do pasto”,
conta Reis. Sem saber do potencial invasor da
planta, e encantado com o aspecto dela, o fa-
zendeiro Ernesto José Annoni passou a multi-
plicar e vender as sementes do capim, que ba-
tizou com o seu sobrenome.

PARQUE CATARINENSE SUBSTITUI PINUS POR BROMÉLIAS

No lugar onde antes só existia pinus, Segundo o engenheiro florestal meio de suas fezes”, explica. A simples
agora renascem tanheiros, guaramirins Fernando Bechara, que desenvolveu retirada do pinus na área piloto já
e bromeliáceas. O reflorescimento da esse trabalho na Universidade Federal resultou no florescimento de espécies
vegetação de restinga atrai a fauna de Santa Catarina (UFSC), o retorno dos nativas. “Constatamos que a sombra do
original. Já é possível ver bem-te-vis e pássaros se deu antes mesmo das povoamento de pinus impedia as plantas
beija-flores na área que serviu de piloto espécies da flora tornarem a brotar. nativas de crescer e frutificar. A luz do
para a recuperação do Parque do Rio Bechara usou poleiros artificiais, em sol fez com que rebrotassem
Vermelho, em Florianópolis. que varas de bambus e algumas árvores rapidamente”, diz. Dezenas de espécies,
Esses sinais evidenciam o resgate da do próprio pinus — estas com cerca entre as quais a aroeira-pimenteira e o
vegetação nativa do parque — uma de 20 metros e nas quais se promoveu a fejãozinho da praia, foram semeadas e
área de 500 hectares que nos últimos 40 “morte em pé”, técnica que mantém a várias técnicas de restauração
anos teve o aspecto homogêneo das árvore na posição vertical enquanto ecológica foram usadas, sempre com o
plantações de pinus. Iniciado em abril morre lentamente — serviram de pouso intuito de dar condições para que a
de 2002, esse projeto foi financiado pela para pássaros que sobrevoam a área. própria natureza se recomponha.
Fundação O Boticário e pela Companhia "Enquanto descansavam e caçavam Morcegos, lagartos e cobras voltaram a
Integrada de Desenvolvimento Agrícola insetos, esses pássaros disseminaram habitar o parque. “Já temos maior
de Santa Cartarina. sementes de espécies de restinga por diversidade biológica”, comemora.

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MEXILHÕES
ATACAM Água usada para dar estabilidade a n
Quando navegam de um lugar para outro Uma das recomendações é a troca de lastro em
do globo, os navios transportam milhares de águas profundas, e não junto à costa, onde os
organismos aquáticos. Estes pequenos seres riscos de contaminação são maiores.
vivos, alguns microscópicos, viajam imersos Segundo Calixto, no Brasil a troca de 95%
na água de lastro — a carga que dá estabilida- do volume de água já é feita em alto-mar. “Mas
de às embarcações. isso não significa eficiência na qualidade do
Durante muito tempo, os porões dos na- processo”, ressalva. Além disso, a segurança
vios foram abarrotados com pedras. No come- desses procedimentos ainda depende do de-
ço do século 20, diante das vantagens econô- senvolvimento de tecnologias que envolvem
micas e operacionais, a indústria naval passou mudanças na estrutura dos navios e dos tan-
a usar água como lastro. O que ninguém espe- ques de lastro. Para definir padrões tecnológi-
rava era que, em função disso, o transporte cos globais, a IMO pretende implementar a
marítimo fosse se tornar um eficiente meio de Convenção de Água de Lastro, que será a nor-
contaminação biológica. A cada troca de água ma internacional sobre a questão. Em função
nos portos, os navios descarregam um tipo de disso, criou o Programa Global de Gerencia-
mercadoria inesperada: espécies exóticas, al- mento de Água de Lastro (GloBallast), que é
gumas com potencial invasor. uma espécie de preparação para a convenção
Há pelo menos duas décadas a Organização voltada a países em desenvolvimento.
Marítima Internacional (IMO) voltou sua aten-
ção para esse problema.Com o intuito de redu- Brasil pioneiro
zir a transferência de organismos nocivos, em O Brasil é um dos países pilotos ao lado da
1997 definiu uma série de medidas para con- China, Índia, Irã, África do Sul e Ucrânia.
trole e gerenciamento de água de lastro: “Essas “Isso é importante para que os países não to-
diretrizes têm caráter voluntário. O que faze- mem medidas unilaterais, pois a indústria na-
mos é repassar essa orientação aos comandan- val é globalizada”, avalia Calixto. Na fase
tes dos navios”,diz o oceanógrafo Robson José atual, a força-tarefa brasileira do GloBallast
Calixto, representante do Ministério do Meio planeja uma regulamentação transitória para
Ambiente (MMA) para os assuntos da IMO. os portos brasileiros. “Em face dos problemas

Praga intercontinental
Entenda como funciona o ciclo da água de lastro em navios de carga
Desembarque Viagem sem carga Embarque

Carga é Compartimento Carga é


retirada de carga vazio colocada

Tanque de lastro enche Tanque de lastro cheio d’água Tanque de lastro esvazia
Para dar estabilidade ao navio sem O vazio do compartimento de No destino, o navio despeja água repleta
carga, o tanque de lastro é enchido carga é compensado pelo peso da de organismos estranhos ao ambiente
com água do porto água de lastro Fonte: Programa de Controle de Gerenciamento de
Água de Lastro (www.mma.gov.br/aguadelastro)
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a navios promove infestação de moluscos em vários litorais

Grandes prejuízos
Molusco transportado
em navios entope
tubulações de água

emergenciais, como a invasão do mexilhão SUPERPOPULAÇÕES AMEAÇAM USINA DE ITAIPU


dourado (Limnoperma fortunei), precisamos
Natural da China e do Sudeste de Estudos do Mar Almirante Paulo
de uma legislação nacional mesmo que provi-
Asiático, o mexilhão dourado Moreira. Segundo Fernandes, o rio
sória”, afirma Calixto.
(Limnoperma fortunei) chegou à Guaíba e o lago de mesmo nome, na
O Ministério do Meio Ambiente coordena
o GloBallast no Brasil. “A pesquisa científica América do Sul via água de lastro. Na região de Porto Alegre, estão
e a formação da força tarefa — uma rede de in- Argentina, chegou a provocar a contaminados, assim como regiões
formação que inclui universidades, institutos paralisação de turbinas de do Paraná, Mato Grosso do Sul e,
de pesquisas, a Petrobrás e a Marinha — são as hidrelétricas na década de 90. Não mais recentemente, do Pantanal.
prioridades do ministério”, destaca Calixto. demorou a chegar à região Sul do Diferente do mexilhão nativo, que é
Os focos principais do trabalho são: o estudo Brasil, onde recentemente provocou de água salgada, o mexilhão dourado
da biota, ou das espécies nativas, dos portos o entupimento de tubulações de água é um molusco de água doce. “Não
de Sepetiba (RJ); pesquisas sobre o mexilhão em Porto Alegre. Devido à rápida tem competidores nem predadores, o
Ilustracão: Daniel das Neves; foto, Ronaldo Bernardi/Zero Hora

dourado, que chegou ao Brasil via água de las- reprodução, esse molusco que resulta em superpopulação”,
tro; e o estudo da biota do porto de Paranaguá concentra-se em altas densidades e explica a bióloga Alice Michiyo
(PR), o Projeto Alarme, em parceria com a toma conta de lagos e rios. Diante dos Takedo, do Núcleo de Pesquisas em
Universidade Federal do Paraná. Para as riscos que a espécie representa, a Limnologia, Ictiologia e Aqüicultura
duas primeiras ações, contou com US$ 600 Usina de Itaipu (PR) instalou filtros da Universidade Estadual de Maringá
mil oriundos do Fundo para o Meio Ambien- para impedir a entrada desses (UEM), PR. Segundo Alice, “o
te Mundial (GEF). No projeto Alarme, o Fun- moluscos no sistema da hidrelétrica e mexilhão dourado tem filamentos que
do Nacional do Meio Ambiente vai aplicar R$ passou a pesquisar a espécie. grudam no casco das embarcações”.
400 mil. “É preciso conhecer bem as espécies “A situação é gravíssima. Há Isso facilitou sua difusão, por
nativas da costa brasileira para saber identifi- possibilidade de a invasão atingir exemplo, para o Pantanal, por meio
a car as exóticas. Hoje esse conhecimento é toda a bacia do Rio Paraná”, alerta o de barcos de turismo que seguiram
muito restrito”, diz Calixto. biólogo Flávio Fernandes, do Instituto pelo Rio Paraguai.

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DOSSIÊ

COMO
EVITAR Saiba prevenir e controlar invasões
cos na natureza. Eles desequilibram o ambien-
te e contribuem para a perda de diversida-
de biológica e dos recursos naturais das
propriedades rurais.

EMPRESAS FLORESTAIS
Manter as espécies florestais que utiliza con-
finadas a talhões plantados.
Traçar e executar estratégias de manejo para
eliminar invasões a partir de núcleos flores-
tais. Isso melhora sua imagem pública.
Estabelecer e executar planos de limpeza de
rotas de dispersão das plântulas, como estra-
das e margens de rios.
Adotar estratégias de fomento florestal em
talhões, fornecendo assistência técnica que in-
Alternativas Sílvia clua controle de invasões. Não distribuir mu-
Ziller coordena
grupo que promove
das de espécies exóticas invasoras para pro-
o plantio de prietários que não vão estabelecer plantios
espécies nativas adequados e controlar invasões.

A engenheira florestal Sílvia Renata Ziller en- PRODUTORES E COMERCIANTES DE


sina que a prevenção de invasões e o controle ESPÉCIES ORNAMENTAIS
de espécies exóticas é papel de toda a popula- Avaliar o histórico e o potencial de invasão
ção e não só do governo. Veja abaixo as dicas das plantas que comercializa (veja referências
de Sílvia para todos os setores. nos sites no quadro ao lado).
Não comercializar plantas já consagradas
PROPRIETÁRIOS RURAIS E URBANOS como invasoras no Brasil ou em outros locais
Não cultivar espécies exóticas invasoras. do planeta.
Não use, para fins ornamentais ou de sombra, Informar seus clientes sobre os riscos das es-
plantas como uva-do-japão, cinamomo ou pa- pécies se tornarem invasoras e sobre a neces-
raíso, pinus, eucaliptos, acácia-negra, acácia- sidade de serem mantidas dentro dos limites
mimosa, leucena, tojo. São difíceis de contro- da propriedade de cada um.
lar e causam prejuízos ambientais, deslocando
Para navegar espécies nativas e reduzindo a disponibilida- ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS
■ O Instituto Hórus de de alimentos para animais. Não fomentar o uso de espécies exóticas in-
(www.institutohorus.org.br) Manter espécies cultivadas para fins econô- vasoras no Brasil, mas sim as nativas.
incorporando informações micos nos locais próprios de cultivo e eliminar Incentivar atividades educativas, de preven-
sobre muitas espécies as que nascem fora, impedindo que se espa- ção e controle de espécies exóticas invasoras.
invasoras, para identificação lhem e atinjam vizinhos ou áreas naturais. Impedir a importação e o fomento de espé-
de impactos e controle. Utilizar espécies nativas para ornamentação cies com histórico de invasão em outros locais.
■ www.issg.org e produção de lenha, madeira e forragem (es- Elaborar e implementar regulamentação es-
Foto: arquivo pessoal

■ www.hear.org pecialmente nos campos e cerrado). Fazer re- pecífica para invasões biológicas no Brasil,
■ http://plants.ifas.ufl.edu gistro de plantio de nativas no órgão ambien- contemplando medidas preventivas, de con-
■ www.invasivespecies.gov tal, para poder obter licença de corte. trole, erradicação e uso de espécies utilizadas
■ www-dwaf.pwv.gov.za/wfw Não libertar peixes ou outros animais exóti- para fins comerciais.
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