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Legislação Penal Especial

Prof.º Luiz Antônio de Souza

ATENÇÃO!!! Este resumo abordou apenas alguns pontos tidos como relevantes de
determinadas leis. Foram feitos apenas apontamentos para orientar os estudos. Para
a compreensão efetiva dos institutos é fundamental a leitura completa das leis em
comento, bem como a leitura de doutrina e jurisprudência específicas. Além disso,
as outras leis, aqui não abordadas, devem merecer, no mínimo, leitura da legislação.

LEI DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER (LEI N.


11.340/2006)

ESTATUTO DO DESARMAMENTO (LEI N. 10.826/2003)

LEI DOS CRIMES HEDIONDOS (LEI N. 8.072/90)

LEI DO CRIME ORGANIZADO (LEI N. 9.034/95)

LEI DE DROGAS (LEI N. 11.343/2006)

LEIS DE TRÂNSITO (LEI N. 9.503/97 e LEI N. 11.705/2008)

_______________________________________________________

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR (LEI N. 11.340/2006)

1. OBJETO TUTELADO

• Elemento formal: o bem jurídico tutelado pela LVM é a integridade da mulher,


física, moral e econômica, abarcando desde a tutela mais gravosa correspondente à
morte, passando pela lesão corporal e culminando em qualquer espécie de sofrimento.

• Elemento espacial: Configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer


ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou
psicológico e dano moral ou patrimonial (art. 5º):
I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de
pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas;
II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se
consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;

1
III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a
ofendida, independentemente de coabitação.

O legislador incluiu expressamente os homossexuais para fins de proteção legal (art. 5º,
parágrafo único).

2. FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR (Art. 7º)

• Rol Exemplificativo
a) Violência física
b) Violência psicológica
c) Violência sexual
d) Violência patrimonial
e) Violência moral
o
“Art. 7 São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:
I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal;
II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da
auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas
ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação,
isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e
limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à
autodeterminação;
III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a
participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a
induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer
método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação,
chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e
reprodutivos;
IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição
parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou
recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;
V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.”

3. SUJEITOS

• Sujeito Ativo: pode ser tanto o homem quanto a mulher

• Sujeito Passivo: somente a mulher (critério hormonal)

• Ministério Público (art. 25): deverá intervir obrigatoriamente nas causas cíveis e
criminais decorrentes de violência doméstica e familiar contra a mulher, como parte ou
como custos legis (fiscal da lei).

4. TUTELA ADMINISTRATIVA

4.1 Medidas de Natureza Policial (art. 11)


a) salvaguarda pela autoridade policial (inc. I);
b) prestação de socorro à ofendida (inc. II);
c) condução da ofendida a local seguro (inc. III);
d) retirada de pertences (inc. IV);

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e) amplo direito à informação (inc. V).

“Art. 11. No atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar, a autoridade policial deverá,
entre outras providências:
I - garantir proteção policial, quando necessário, comunicando de imediato ao Ministério Público e ao Poder
Judiciário;
II - encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de saúde e ao Instituto Médico Legal;
III - fornecer transporte para a ofendida e seus dependentes para abrigo ou local seguro, quando houver risco
de vida;

IV - se necessário, acompanhar a ofendida para assegurar a retirada de seus pertences do local da


ocorrência ou do domicílio familiar;
V - informar à ofendida os direitos a ela conferidos nesta Lei e os serviços disponíveis.”

4.2 Medidas Ministeriais e Judiciais


• Medidas Ministeriais (art. 26)
a) requisição de força policial (inc. I);
b) requisição de serviços de saúde (inc. I);
c) requisição de serviços de educação (inc. I);
d) requisição de serviços de assistência social e de segurança (inc. I);
e) fiscalização de estabelecimentos públicos e particulares (inc. II);
f) elaboração de cadastro (inc. III);
g) requerimento de medidas administrativas (art. 19, caput)

“Art. 26. Caberá ao Ministério Público, sem prejuízo de outras atribuições, nos casos de violência doméstica
e familiar contra a mulher, quando necessário:
I - requisitar força policial e serviços públicos de saúde, de educação, de assistência social e de segurança,
entre outros;
II - fiscalizar os estabelecimentos públicos e particulares de atendimento à mulher em situação de violência
doméstica e familiar, e adotar, de imediato, as medidas administrativas ou judiciais cabíveis no tocante a
quaisquer irregularidades constatadas;
III - cadastrar os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher.”

• Medidas Judiciais
a) medidas administrativas imediatas (art. 18);
b) concessão de medidas protetivas de urgência (art. 19);
c) encaminhamento a programa de proteção (art. 23, I)

“Art. 18. Recebido o expediente com o pedido da ofendida, caberá ao juiz, no prazo de 48 (quarenta e oito)
horas:
I - conhecer do expediente e do pedido e decidir sobre as medidas protetivas de urgência;
II - determinar o encaminhamento da ofendida ao órgão de assistência judiciária, quando for o caso;
III - comunicar ao Ministério Público para que adote as providências cabíveis.

Art. 19. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz, a requerimento do Ministério
Público ou a pedido da ofendida.
o
§ 1 As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas de imediato, independentemente de
audiência das partes e de manifestação do Ministério Público, devendo este ser prontamente comunicado.
o
§ 2 As medidas protetivas de urgência serão aplicadas isolada ou cumulativamente, e poderão ser
substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia, sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei
forem ameaçados ou violados.

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o
§ 3 Poderá o juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida, conceder novas medidas
protetivas de urgência ou rever aquelas já concedidas, se entender necessário à proteção da ofendida, de
seus familiares e de seu patrimônio, ouvido o Ministério Público.
(...)
Art. 23. Poderá o juiz, quando necessário, sem prejuízo de outras medidas:
I - encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou comunitário de proteção ou de
atendimento;
II - determinar a recondução da ofendida e a de seus dependentes ao respectivo domicílio, após afastamento
do agressor;
III - determinar o afastamento da ofendida do lar, sem prejuízo dos direitos relativos a bens, guarda dos filhos
e alimentos;
IV - determinar a separação de corpos.”

5. TUTELA PENAL

• Lesão Corporal (art. 129, §§ 9º e 11 do CP)

O art. 44 da LVM alterou o art. 129 do CP.

Art. 129.
o
§ 9 Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou
com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações
domésticas, de coabitação ou de hospitalidade:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos.
o
§ 11. Na hipótese do § 9 deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for
cometido contra pessoa portadora de deficiência.

• Circunstância Legal Agravante (art. 61, II f do CP)

O art. 43 da LVM modificou a redação da alínea f do art. 61 do CP.

Art. 61. São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o
crime:
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de
hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica.

• Medida Cautelar Administrativo-Penal (art. 22, I)

Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos desta
Lei, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes
medidas protetivas de urgência, entre outras:
I - suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente,
o
nos termos da Lei n 10.826, de 22 de dezembro de 2003.

• Renúncia à Representação (art. 16)

Requisitos:
a) é necessário que a representação ocorra perante o juiz;
b) em audiência especialmente designada com tal finalidade;
c) antes do recebimento da denúncia;
d) MP deve ser ouvido.

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“Art. 16. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata esta Lei, só será
admitida a renúncia à representação perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade,
antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público.”

• Sanção Aplicável (art. 17)

Estão vedadas:
a) as penas de cestas básicas;
b) outras penas de prestação pecuniária;
c) a substituição de pena que implique pagamento isolado de multa

“Art. 17. É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, de penas de
cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como a substituição de pena que implique o pagamento
isolado de multa.”

6. TUTELA PROCESSUAL PENAL

• Competência: aplica-se a regra do art. 70 do CPP

“ CPP, Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração,
ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução.”

• Atendimento Pela Autoridade Policial

Art. 12. Em todos os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, feito o registro da
ocorrência, deverá a autoridade policial adotar, de imediato, os seguintes procedimentos, sem
prejuízo daqueles previstos no Código de Processo Penal:
I - ouvir a ofendida, lavrar o boletim de ocorrência e tomar a representação a termo, se
apresentada;
II - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e de suas circunstâncias;
III - remeter, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, expediente apartado ao juiz com o pedido da
ofendida, para a concessão de medidas protetivas de urgência;
IV - determinar que se proceda ao exame de corpo de delito da ofendida e requisitar outros
exames periciais necessários;
V - ouvir o agressor e as testemunhas;
VI - ordenar a identificação do agressor e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes
criminais, indicando a existência de mandado de prisão ou registro de outras ocorrências policiais
contra ele;
VII - remeter, no prazo legal, os autos do inquérito policial ao juiz e ao Ministério Público.
o
§ 1 O pedido da ofendida será tomado a termo pela autoridade policial e deverá conter:
I - qualificação da ofendida e do agressor;
II - nome e idade dos dependentes;
III - descrição sucinta do fato e das medidas protetivas solicitadas pela ofendida.
o o
§ 2 A autoridade policial deverá anexar ao documento referido no § 1 o boletim de ocorrência e
cópia de todos os documentos disponíveis em posse da ofendida.
o
§ 3 Serão admitidos como meios de prova os laudos ou prontuários médicos fornecidos por
hospitais e postos de saúde.

• Prisão Cautelar: em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal,


caberá a prisão preventiva do agressor, devendo ser decretada pelo juiz, de ofício, a
requerimento do MP ou mediante representação da autoridade policial. O juiz poderá

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revogar a prisão preventiva se, no curso do processo, verificar a falta de motivo para que
subsista, bem como decretá-la novamente (art. 20).

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ESTATUTO DO DESARMAMENTO (LEI N. 10.826/2003)

1. INTRODUÇÃO

• Competência: em regra, a competência é da Justiça Estadual. A exceção é o crime


do art. 18 (tráfico internacional de arma de fogo), que é de competência da Justiça
Federal (art. 109, IV da CF).

• Norma Penal em Branco: o conceito de arma de fogo de uso permitido e de uso


restrito é proveniente de ato administrativo do Poder Executivo Federal.

• Aplicação da Lei no Tempo: As regras processuais têm aplicação imediata (art. 2º


do CPP). As regras de direito material não retroagem, salvo se para beneficiar o réu:
- abolitio criminis: descriminalização da conduta prevista no art. 10 § 1º II da Lei n.
9.437/97.
- novatio legis in mellius: revogação do art. 10, § 3º, IV da Lei n. 9.437/97.
- novatio legis incriminadora: arts. 13 p. único e 16 p. único, II, VI da Lei n. 10.826/2003.
- novatio legis in pejus: arts. 12; 14; 15; 16, caput e p. único, I, II (1ª parte), III, IV e V;
17;18 e 20.

• Objetividade Jurídica: é a segurança pública.

2. POSSE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO (ART. 12)


“Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, em
desacordo com determinação legal ou regulamentar, no interior de sua residência ou dependência desta, ou,
ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou
empresa:
Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.”

• Núcleos do Tipo: possuir e manter sob sua guarda

• Objeto Material: arma de fogo, acessório ou munição de uso permitido

• Sujeito Ativo: é qualquer pessoa.

• Sujeito Passivo: a sociedade (crime vago).

• Elemento Subjetivo do Tipo: dolo (não se pune a forma culposa).

3. OMISSÃO DE CAUTELA (ART. 13)


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“Art. 13. Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa
portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de sua
propriedade:
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor responsável de empresa de segurança
e transporte de valores que deixarem de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal perda,
furto, roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo, acessório ou munição que estejam sob sua
guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois de ocorrido o fato.”

Art. 13, caput

• Núcleo do Tipo: deixar de observar (não atentar) para as cautelas devidas.

• Sujeito Ativo: é o possuidor ou proprietário da arma de fogo (legal ou ilegalmente) -


trata-se de crime próprio.

• Sujeito Passivo: a sociedade e, também, a integridade do sujeito passivo em razão


do emprego indevido da arma de fogo.

• Elemento Subjetivo do Tipo: culpa (negligência).

• Tentativa: não é admitida.

Art. 13, parágrafo único

• Núcleos do Tipo: deixar de registrar (ocorrência policial) e deixar de comunicar (à


Polícia Federal) perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo,
acessório ou munição que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 horas depois de
ocorrido o fato.

• Sujeito Ativo: é o proprietário ou responsável de empresa de segurança e transporte


de valores que tenha, sob sua guarda, ainda que através de prepostos, armas de fogo,
acessórios ou munições.

• Objeto Material: arma de fogo, acessório ou munição extraviada de alguma forma.

• Consumação: crime omissivo, atinge a consumação após o decurso do prazo de 24


horas sem a adoção das providências dispostas no tipo penal.

• Tentativa: não é admitida

4. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO (ART. 14)

“Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente,
emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso
permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável, salvo quando a arma de fogo estiver registrada
em nome do agente. (Vide Adin 3112-1)”

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• Núcleos do Tipo: portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito,
transportar, ceder (mediante remuneração ou de modo gratuito), emprestar, remeter,
empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso
permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar.

• Norma Penal em Branco: Decretos n. 3.665/2000 e n. 5.123/2004.

• Questões:
- porte de arma desmuniciada: há divergência! A doutrina e parte da jurisprudência
entendem que há crime (Nucci, Delmanto, César Dario Mariano da Silva, STJ, TJRJ); a 1ª
Turma do STF já entendeu que a arma desmuniciada não representa risco de dano ou
perigo à segurança pública, razão pela qual não configuraria o crime (RHC 81.057/SP).
- arma desmontada: a configuração vai depender das circunstâncias do caso concreto.
Exemplo: Se estiver ao alcance do agente, pode ser que configure crime, pois há pessoas
que montam uma arma rapidamente.

5. DISPARO DE ARMA DE FOGO (ART. 15)

“Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via
pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável. (Vide Adin 3112-1)”

• Núcleos do Tipo: disparar (desfechar, descarregar) arma de fogo ou acionar (fazer


funcionar) munição.

• Elementos Normativos do Tipo: lugar habitado e adjacências; via pública ou em sua


direção.

• Concurso de crimes: vai depender do elemento subjetivo do agente. Caso a


finalidade seja a prática de um crime de dano, este delito será absorvido. Porém, caso o
agente apenas efetue disparo na via pública, sem outras intenções, deve responder
somente pelo disparo de arma de fogo, por ser o crime-fim.

6. POSSE OU PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO (ART. 16)

“Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que
gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou
munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou
regulamentar:
Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem:
I – suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de fogo ou artefato;
II – modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma de fogo de uso
proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito ou
juiz;

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III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar;
IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração, marca ou qualquer outro
sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado;
V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou explosivo a
criança ou adolescente; e
VI – produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, de qualquer forma, munição ou
explosivo.”

Art. 16, caput

• Núcleos do Tipo: possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito,
transportar, ceder, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar (tipo
misto alternativo – a realização de mais de um comportamento implica um único delito)
arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em
desacordo com disposição legal ou regulamentar.

Art. 16, parágrafo único, inciso I

• Núcleos do Tipo: suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de


identificação de arma de fogo ou artefato.

• Artefato: sinônimo de acessório da arma de fogo, ou qualquer peça destinada à


explosão ou combustão.

Art. 16, parágrafo único, inciso II

• Núcleos do Tipo: modificar (alterar, mudar) as características de arma de fogo com o


objetivo de torná-la equivalente à de uso proibido ou restrito ou com a finalidade de
dificultar ou de qualquer forma induzir a erro autoridade policial, perito ou juiz.

• Elemento Subjetivo do Tipo: dolo; todavia, o crime somente ocorre se presente o


elemento subjetivo especial do tipo (consistente na finalidade de tornar a arma
equivalente àquela de uso proibido ou restrito ou para dificultar a sua identificação ou
induzir em erro autoridades ou especialistas).

Art. 16, parágrafo único, inciso III

• Núcleos do Tipo: possuir, deter, fabricar ou empregar.

• Objeto Material: o artefato explosivo ou incendiário.

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Art. 16, parágrafo único, inciso IV

• Núcleos do Tipo: portar (trazer consigo), possuir (ter em seu poder), adquirir
(comprar), transportar (remover de um local para outro) ou fornecer arma de fogo alterada
(com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou
adulterado).

• Objeto Material: a arma de fogo alterada.

Art. 16, parágrafo único, inciso V

• Núcleos do Tipo: vender, entregar ou fornecer, de forma gratuita ou onerosa,


arma de fogo, acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente (revogado o art.
242 da Lei nº 8.069/90).

• Objeto Material: a arma de fogo, acessório, munição ou explosivo.

Art. 16, parágrafo único, inciso VI

• Núcleos do Tipo: produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou


adulterar, de qualquer forma, munição ou explosivo.

• Elemento normativo do tipo: sem autorização legal.

7. COMÉRCIO ILEGAL DE ARMA DE FOGO (ART. 17)

“Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar,
remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no
exercício de atividade comercial ou industrial, arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
Parágrafo único. Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para efeito deste artigo, qualquer forma de
prestação de serviços, fabricação ou comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em residência.”

• Núcleos do Tipo: adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em


depósito, desmontar, montar, remontar, adulterar, vender, expor à venda, utilizar.

• Habitualidade da Atividade: não há crime se a conduta for eventual.

• Sujeito Ativo: o comerciante ou industrial (crime próprio).

• Sujeito Passivo: a sociedade.

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• Elemento Subjetivo do Tipo: dolo; há elemento subjetivo especial do tipo
consistente na finalidade de auferir algum tipo de lucro para si ou para outrem.

• Objeto Material: a arma de fogo, acessório ou munição.

• Atividade Comercial ou Industrial por equiparação: parágrafo único.

8. TRÁFICO INTERNACIONAL DE ARMA DE FOGO (ART. 18)

“Art. 18. Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território nacional, a qualquer título, de arma de
fogo, acessório ou munição, sem autorização da autoridade competente:
Pena – reclusão de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.”

• Núcleos do Tipo: importar, exportar, favorecer a entrada ou saída.

• Objeto Material: a arma de fogo, acessório ou munição.

• Conflito Aparente de Normas: caso o agente "importe ou introduza, no território


nacional, por qualquer forma, sem autorização da autoridade federal competente,
armamento ou material militar privativo das Forças Armadas" (art. 12, Lei n. 7.170/83),
deverá ser aplicado o disposto na Lei de Segurança Nacional, em detrimento do Estatuto
do Desarmamento.

9. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA (ARTS. 19 E 20)

Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada da metade se a arma
de fogo, acessório ou munição forem de uso proibido ou restrito.
Art. 20. Nos crimes previstos nos arts. 14, 15,16, 17 e 18, a pena é aumentada da
metade se forem praticados por integrante dos órgãos e empresas referidas nos arts. 6.°,
7.° e 8.° desta Lei.

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CRIMES HEDIONDOS (LEI N. 8.072/90)

1. PRINCIPAIS ALTERAÇÕES – Lei nº 11.464/2007

1) Possibilidade de liberdade provisória sem fiança


2) Cumprimento da pena em regime inicial fechado
3) Progressão de regime
A nova redação do art. 2º, § 2° determina que a pro gressão de regime dar-se-á após o
cumprimento de 2/5 da pena, se o apenado for primário, e de 3/5, para o caso de
reincidentes.

2. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL

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De acordo com o art. 5º, inciso XLIII da CF, “a lei considerará crimes inafiançáveis e
insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e
drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo
os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem”.

3. CRITÉRIO LEGAL

Cabe à lei definir os crimes considerados hediondos. Portanto, o rol é taxativo.

4. ROL DOS CRIMES HEDIONDOS (art. 1º da Lei n. 8.072/90)

1) Homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio,


ainda que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2º, I, II, III, IV e
V);
2) Latrocínio (art. 157, § 3º, in fine);
3) Extorsão qualificada pela morte (art. 158, § 2º);
4) Extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada (art. 159, caput, e §§ 1º, 2º e 3º);
5) Estupro (art. 213 e sua combinação com o art. 223, caput e parágrafo único);
6) Atentado violento ao pudor (art. 214 e sua combinação com o art. 223, caput e
parágrafo único);
7) Epidemia com resultado morte (art. 267, § 1º);
8) Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins
terapêuticos ou medicinais (art. 273, caput e § 1º, § 1º-A e § 1º-B);
9) O crime de genocídio previsto nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei no 2.889/1956, tentado ou
consumado.

5. CRIMES HEDIONDOS E CRIMES ASSEMELHADOS AOS HEDIONDOS

Crimes hediondos
• previstos no art. 1º da Lei n. 8.072/90
• pode haver alteração do rol (inclusão ou exclusão) pelo legislador
infraconstitucional
• sua definição é condicionada à lei ordinária

Crimes assemelhados aos hediondos


• previstos no art. 5º da Constituição Federal (tortura, terrorismo e tráfico de
entorpecentes)
• não podem ser suprimidos (nem mesmo por Emenda Constitucional)

6. PRISÃO TEMPORÁRIA

Art. 2º, § 4º: “A prisão temporária, sobre a qual dispõe a Lei no 7.960, de 21 de dezembro
de 1989, nos crimes previstos neste artigo, terá o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por
igual período em caso de extrema e comprovada necessidade”.
12
7. LIVRAMENTO CONDICIONAL

O art. 5º da Lei dos Crimes Hediondos fixou um prazo maior em relação ao Código Penal
para a concessão do livramento condicional: "cumprido mais de dois terços da pena, nos
casos de condenação por crime hediondo, prática da tortura, tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o apenado não for reincidente específico
em crimes dessa natureza.” (art. 83 inciso V do Código Penal).

8. DELAÇÃO PREMIADA

A delação premiada está prevista no art. 7º, § 4º e também no p. único do art. 8° da Lei n.
8.072/90:

Art. 7º, § 4º: “Se o crime é cometido por quadrilha ou bando, o co-autor que denunciá-lo à
autoridade, facilitando a libertação do seqüestrado, terá sua pena reduzida de um a dois
terços.”

Art. 8º. Parágrafo único. “O participante e o associado que denunciar à autoridade o


bando ou quadrilha, possibilitando seu desmantelamento, terá a pena reduzida de um a
dois terços.”

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LEI DO CRIME ORGANIZADO (LEI N. 9.034/95)

1. AÇÃO CONTROLADA (ART. 2º, II)

Ação controlada é o nome dado para o retardamento da prisão em flagrante, estando a


autoridade policial diante da realização do crime praticado por organização criminosa, sob
o fundamento e com o objetivo de se aguardar momento propício que permita a maior
colheita de provas e informações (não exige autorização judicial).

o
“Art. 2 Em qualquer fase de persecução criminal são permitidos, sem prejuízo dos já previstos em lei, os
seguintes procedimentos de investigação e formação de provas:
II - a ação controlada, que consiste em retardar a interdição policial do que se supõe ação praticada por
organizações criminosas ou a ela vinculado, desde que mantida sob observação e acompanhamento para
que a medida legal se concretize no momento mais eficaz do ponto de vista da formação de provas e
fornecimento de informações;”

2. IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL (ART. 5º)

13
Forma de individualizar o indiciado ou acusado, com a colheita de impressão
dactiloscópica, fotográfica e outros instrumentos tecnologicamente possíveis.
O art. 5.°, LVIII, da CF estabelece que o " civilmente identificado não será submetido a
identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei". O disposto no art. 5.° da Lei
9.034/95 constitui uma das exceções previstas em lei, autorizando a identificação criminal
dos indiciados ou acusados com organizações criminosas.

“Art. 5º A identificação criminal de pessoas envolvidas com a ação praticada por organizações criminosas
será realizada independentemente da identificação civil.”

3. DELAÇÃO PREMIADA (ART. 6º)

Art. 6°. “ Nos crimes praticados em organização criminosa, a pena será reduzida de 1 (um)
a 2/3 (dois terços), quando a colaboração espontânea do agente levar ao esclarecimento
de infrações penais e sua autoria.”

4. PROIBIÇÃO DE LIBERDADE PROVISÓRIA (ART. 7º)

A lei proibiu a concessão de liberdade provisória aos agentes que participaram ou que
tiveram participação na organização criminosa.

“Art. 7º Não será concedida liberdade provisória, com ou sem fiança, aos agentes que tenham tido intensa e
efetiva participação na organização criminosa.”

5. RECURSO EM LIBERDADE (ART. 9º)

Art. 9.° “ O réu não poderá apelar em liberdade, nos crimes previstos nesta Lei.”

6. REGIME INICIAL FECHADO (ART. 10)

A lei não impede a progressão de regime, mas determina que o condenado, integrante de
organização criminosa, inicie no regime fechado.

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LEI DE DROGAS (LEI N. 11.343/2006)

1. INTRODUÇÃO

• Norma Penal em Branco: cabe à ANVISA editar a relação das substâncias


entorpecentes proibidas.

14
• Confisco da Propriedade: é possível, nos termos do art. 243 da Constituição Federal
e da Lei n. 8.257/91.

“CF, Art. 243. As glebas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas
psicotrópicas serão imediatamente expropriadas e especificamente destinadas ao assentamento de colonos,
para o cultivo de produtos alimentícios e medicamentosos, sem qualquer indenização ao proprietário e sem
prejuízo de outras sanções previstas em lei.
Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins será confiscado e reverterá em benefício de instituições e pessoal
especializados no tratamento e recuperação de viciados e no aparelhamento e custeio de atividades de
fiscalização, controle, prevenção e repressão do crime de tráfico dessas substâncias.”

• Usuário de Drogas: não cabe mais condenação à pena privativa de liberdade.

• Objeto Jurídico: a objetividade jurídica dos crimes definidos na Lei n. 11.343/2006 é


a saúde pública.

2. APLICAÇÃO DAS PENAS (Art. 27)

“Art. 27. As penas previstas neste Capítulo poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente, bem como
substituídas a qualquer tempo, ouvidos o Ministério Público e o defensor.”

• Isolada ou cumulativa: o usuário pode receber, isolada ou cumulativamente, as


penas de advertência sobre os efeitos da droga, prestação de serviços à comunidade ou
medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. O julgador deve
basear-se na culpabilidade e nos critérios do art. 59 do CP.

• Substituição das penas a qualquer tempo: vai depender da natureza da pena.


Exemplo, se foi fixada somente a pena de advertência, não há possibilidade, pois se
cumpre a medida em uma audiência. Ouvem-se as partes previamente.

3. PORTE E CULTIVO PARA CONSUMO PRÓPRIO (Art. 28)

“Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal,
drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às
seguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.
o
§ 1 Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas
destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência
física ou psíquica.

o
§ 2 Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá à natureza e à quantidade
da substância apreendida, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e
pessoais, bem como à conduta e aos antecedentes do agente.
o
§ 3 As penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 5
(cinco) meses.

15
o
§ 4 Em caso de reincidência, as penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas
pelo prazo máximo de 10 (dez) meses.
o
§ 5 A prestação de serviços à comunidade será cumprida em programas comunitários, entidades
educacionais ou assistenciais, hospitais, estabelecimentos congêneres, públicos ou privados sem fins
lucrativos, que se ocupem, preferencialmente, da prevenção do consumo ou da recuperação de usuários e
dependentes de drogas.
o
§ 6 Para garantia do cumprimento das medidas educativas a que se refere o caput, nos incisos I, II e III, a
que injustificadamente se recuse o agente, poderá o juiz submetê-lo, sucessivamente a:
I - admoestação verbal;
II - multa.
o
§ 7 O juiz determinará ao Poder Público que coloque à disposição do infrator, gratuitamente,
estabelecimento de saúde, preferencialmente ambulatorial, para tratamento especializado.”

• Exigência da finalidade específica pelo agente, que é o consumo pessoal.

• O uso do entorpecente não consta no tipo, logo, não é incriminado.

• Não se pune o porte da droga, para uso próprio, em função da proteção à saúde do
agente, mas em razão do mal potencial que pode gerar à coletividade.

• Elemento Subjetivo do Tipo: dolo, consistente em adquirir, guardar, ter em depósito,


transportar ou trazer consigo para consumo próprio.

• Elemento Normativo: as expressões “sem autorização” ou em “desacordo com


determinação legal ou regulamentar”

• Objeto Material: a droga

• Tentativa: inadmissível nas modalidades permanentes

• Benefício: todos os condenados com base no antigo art. 16 da Lei n. 6.368/76, que
estejam eventualmente presos, devem ser imediatamente libertados com a substituição
da pena privativa de liberdade pelas novas punições previstas no art. 28 da Lei.

Art. 28, § 1º

• Requisitos: intuito de uso próprio; e que seja pequena a quantidade de droga


produzida.

• Elemento subjetivo: é o dolo, consistente em serem as condutas destinadas ao


consumo pessoal do agente.

• Objeto Material: a semente ou a planta

• Tentativa: inadmissível nas modalidades permanentes

Art. 28, § 6º: ao usuário de drogas afastou-se, por completo, a pena privativa de
liberdade e também a pena de multa, como penalidade autônoma.

4. PRAZO PRESCRICIONAL ESPECÍFICO (Art. 30)


16
• Para o usuário ou dependente, utiliza-se o prazo único de dois anos para o cálculo da
prescrição, aplicando as regras gerais do CP.

“Art. 30. Prescrevem em 2 (dois) anos a imposição e a execução das penas, observado, no tocante à
interrupção do prazo, o disposto nos arts. 107 e seguintes do Código Penal.”

5. TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS (Art. 33)

“Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter
em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer
drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar:
Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos)
dias-multa.
o
§ 1 Nas mesmas penas incorre quem:
I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda, oferece, fornece, tem em
depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de
drogas;
II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar, de plantas que se constituam em matéria-prima para a preparação de drogas;
III - utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade, posse, administração, guarda ou
vigilância, ou consente que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar, para o tráfico ilícito de drogas.
o
§ 2 Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga:
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa de 100 (cem) a 300 (trezentos) dias-multa.
o
§ 3 Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu relacionamento, para juntos a
consumirem:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.500 (mil e
quinhentos) dias-multa, sem prejuízo das penas previstas no art. 28.
o o
§ 4 Nos delitos definidos no caput e no § 1 deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois
terços, vedada a conversão em penas restritivas de direitos, desde que o agente seja primário, de bons
antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa.”

• Crime de Perigo Abstrato: há uma probabilidade de dano ao bem jurídico tutelado,


sendo essa probabilidade de dano presumida pelo legislador na construção do tipo.

• Elemento Subjetivo do Tipo: dolo

• Elemento Normativo do Tipo: a expressão “sem autorização” ou em “desacordo


com determinação legal ou regulamentar”

• Objeto Material: a droga

• Tentativa: é admitida

• Desclassificação: as cinco condutas previstas no art. 28 (adquirir, guardar, ter em


depósito, transportar e trazer consigo) também fazem parte do art. 33. Entretanto, neste
último caso, cuida-se de tráfico ilícito de drogas, crime equiparado a hediondo. Tem sido
norte para a jurisprudência brasileira a quantidade da droga apreendida, os antecedentes
criminais do agente, quando voltados ao tráfico, bem como a busca do caráter de
mercancia.

17
• Crime Equiparado a Hediondo: art. 5.°, XLVI, da CF.

• Importante!
- o princípio da bagatela ou insignificância não é aplicável.

Art. 33, § 1º, III:

• Elemento subjetivo: é o dolo, cujo elemento subjetivo específico, é a destinação


para o tráfico ilícito de drogas.

• Objeto Material: a área territorial ou o bem utilizado para o tráfico ilícito de


drogas.

Art. 33, § 2º:

• Não se trata de crime equiparado a hediondo, em face da exclusão das vedações


de benefícios encontradas no art. 44 da Lei 11.343/2006.
o
“Art. 44. Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1 , e 34 a 37 desta Lei são inafiançáveis e insuscetíveis
de sursis, graça, indulto, anistia e liberdade provisória, vedada a conversão de suas penas em restritivas de
direitos.
Parágrafo único. Nos crimes previstos no caput deste artigo, dar-se-á o livramento condicional após o
cumprimento de dois terços da pena, vedada sua concessão ao reincidente específico.”

• Benefícios: cabe a aplicação da suspensão condicional do processo (art. 89, Lei


9.099/95)

Art. 33, § 3º:

• Não se trata de crime equiparado a hediondo, em face da exclusão das vedações


de benefícios encontradas no art. 44 da Lei 11.343/2006.

• Elemento subjetivo: é o dolo, consistente objetivação de em consumo conjunto.

• Benefícios: é infração de menor potencial ofensivo, sendo viável a aplicação dos


benefícios da Lei 9.099/95.

Art. 33, § 4º

• Critérios para a diminuição da pena: art. 59 do CP e art. 42 desta Lei.

“Art. 42. O juiz, na fixação das penas, considerará, com preponderância sobre o previsto no art. 59 do Código
Penal, a natureza e a quantidade da substância ou do produto, a personalidade e a conduta social do agente.”

18
6. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO (Art. 35)

“Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar, reiteradamente ou não, qualquer dos
o
crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1 , e 34 desta Lei:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.200 (mil e duzentos) dias-
multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas do caput deste artigo incorre quem se associa para a prática reiterada
do crime definido no art. 36 desta Lei.”

• Delito equiparado a hediondo, pois a associação criminosa tem o tráfico como


finalidade.

• Elemento subjetivo: é o dolo, consistente no ânimo de associação.

• Benefícios: progressão de regime

7. FINANCIAMENTO AO TRÁFICO (Art. 36)


o
“Art. 36. Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1 , e 34 desta
Lei:
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 20 (vinte) anos, e pagamento de 1.500 (mil e quinhentos) a 4.000 (quatro mil)
dias-multa.”

• Delito equiparado a hediondo.

• Benefícios: progressão de regime

8. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA (Art. 40)

“Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a dois terços, se:
I - a natureza, a procedência da substância ou do produto apreendido e as circunstâncias do fato
evidenciarem a transnacionalidade do delito;
II - o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no desempenho de missão de educação,
poder familiar, guarda ou vigilância;
III - a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações de estabelecimentos prisionais, de ensino
ou hospitalares, de sedes de entidades estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas, ou beneficentes,
de locais de trabalho coletivo, de recintos onde se realizem espetáculos ou diversões de qualquer natureza,
de serviços de tratamento de dependentes de drogas ou de reinserção social, de unidades militares ou
policiais ou em transportes públicos;
IV - o crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça, emprego de arma de fogo, ou qualquer
processo de intimidação difusa ou coletiva;
V - caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o Distrito Federal;
VI - sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente ou a quem tenha, por qualquer motivo,
diminuída ou suprimida a capacidade de entendimento e determinação;
VII - o agente financiar ou custear a prática do crime.”

• Se houver mais de uma causa incidindo sobre o mesmo fato o magistrado pode
aplicar todas ou somente uma delas (art. 68, parágrafo único, do CP).

• Atenção!
19
- Tráfico internacional de entorpecentes comporta a elevação da pena de um sexto a dois
terços.

9. CAUSAS DE DIMINUIÇÃO DE PENA – DELAÇÃO PREMIADA (Art. 41)

“Art. 41. O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o processo
criminal na identificação dos demais co-autores ou partícipes do crime e na recuperação total ou parcial do
produto do crime, no caso de condenação, terá pena reduzida de um terço a dois terços.”

• Requisitos (cumulativos) para a sua concessão:


a) haver um inquérito, com indiciamento, e/ou um processo contra o autor da delação;
b) prestação de colaboração voluntária (livre de qualquer coação física ou moral), mas
sem necessidade de se buscar espontaneidade (arrependimento sincero ou desejo íntimo
de contribuir com a Justiça);
c) concurso de pessoas em qualquer dos delitos previstos na Lei 11.343/2006;
d) recuperação total ou parcial do produto do crime.

10. CONDUÇÃO DE EMBARCAÇÃO OU AERONAVE APÓS O CONSUMO DE


DROGA (Art. 39)

“Art. 39. Conduzir embarcação ou aeronave após o consumo de drogas, expondo a dano potencial a
incolumidade de outrem:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, além da apreensão do veículo, cassação da habilitação
respectiva ou proibição de obtê-la, pelo mesmo prazo da pena privativa de liberdade aplicada, e pagamento
de 200 (duzentos) a 400 (quatrocentos) dias-multa.
Parágrafo único. As penas de prisão e multa, aplicadas cumulativamente com as demais, serão de 4 (quatro)
a 6 (seis) anos e de 400 (quatrocentos) a 600 (seiscentos) dias-multa, se o veículo referido no caput deste
artigo for de transporte coletivo de passageiros.”

• Art. 34 da Lei de Contravenções Penais: o delito do art. 39 provocou a


revogação parcial do art. 34, na parte relativa às embarcações, quando houver consumo
de drogas pelo condutor.

“LCP, Art. 34. Dirigir veículos na via pública, ou embarcações em águas públicas, pondo em perigo a
segurança alheia:
Pena – prisão simples, de quinze das a três meses, ou multa, de trezentos mil réis a dois contos de réis.”

11. VEDAÇÕES LEGAIS (Art. 44)

Art. 44. Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1.°, e 34 a 37 desta Lei são
inafiançáveis e insuscetíveis de sursis graça, indulto, anistia e liberdade provisória,vedada
a conversão de suas penas em restritivas de direitos.
Parágrafo único. Nos crimes previstos no caput deste artigo, dar-se-á o livramento
condicional após o cumprimento de dois terços da pena, vedada sua concessão ao
reincidente específico.

20
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CRIMES DE TRÂNSITO (LEI N. 9.503/97)

1. ALTERAÇÕES – LEI N. 11.705/2008

1) Finalidades da Lei n. 11.705/2008 (art. 1º):


a) estabelecer alcoolemia zero;
b) impor penalidades mais severas para o condutor que dirigir sob a influência do álcool;
c) restringir o uso e a propaganda de produtos fumígeros, bebidas alcoólicas,
medicamentos, terapias e defensivos agrícolas;
d) obrigar os estabelecimentos comerciais em que se vendem ou oferecem bebidas
alcoólicas a estampar, no recinto, aviso de que constitui crime dirigir sob a influência de
álcool.
o o
“11.705/2008 - Art. 1 Esta Lei altera dispositivos da Lei n 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o
Código de Trânsito Brasileiro, com a finalidade de estabelecer alcoolemia 0 (zero) e de impor penalidades
o
mais severas para o condutor que dirigir sob a influência do álcool, e da Lei n 9.294, de 15 de julho de 1996,
que dispõe sobre as restrições ao uso e à propaganda de produtos fumígeros, bebidas alcoólicas,
o
medicamentos, terapias e defensivos agrícolas, nos termos do § 4 do art. 220 da Constituição Federal, para
obrigar os estabelecimentos comerciais em que se vendem ou oferecem bebidas alcoólicas a estampar, no
recinto, aviso de que constitui crime dirigir sob a influência de álcool.”

2) Venda proibida (art. 2º): na faixa de domínio de rodovia federal ou em terrenos


contíguos à faixa de domínio com acesso direto à rodovia é proibida a venda varejista ou
o oferecimento de bebidas alcoólicas para consumo no local, sob pena de multa de R$
1.500,00 (um mil e quinhentos reais). Em caso de reincidência, dentro do prazo de 12
(doze) meses, a multa será aplicada em dobro, e suspensa a autorização de acesso à
rodovia, pelo prazo de até 1 ano.
Os estabelecimentos mencionados acima deverão afixar, em local de ampla visibilidade,
aviso referente à vedação (art. 3º), sob pena de multa de R$ 300,00 (trezentos reais).
o
“11.705/2008 - Art. 2 São vedados, na faixa de domínio de rodovia federal ou em terrenos contíguos à faixa
de domínio com acesso direto à rodovia, a venda varejista ou o oferecimento de bebidas alcoólicas para
consumo no local.
o
§ 1 A violação do disposto no caput deste artigo implica multa de R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais).
o
§ 2 Em caso de reincidência, dentro do prazo de 12 (doze) meses, a multa será aplicada em dobro, e
suspensa a autorização de acesso à rodovia, pelo prazo de até 1 (um) ano.
o
§ 3 Não se aplica o disposto neste artigo em área urbana, de acordo com a delimitação dada pela legislação
de cada município ou do Distrito Federal.”

3) Competência de fiscalizar e aplicar a multa: cabe à Polícia Rodoviária Federal (art.


4º). Os Estados, Municípios e DF também poderão exercer tais atividades, desde que
firmem convênios com a União (§ 1º).
21
o
“11.705/2008 - Art. 4 Competem à Polícia Rodoviária Federal a fiscalização e a aplicação das multas
o o
previstas nos arts. 2 e 3 desta Lei.
o
§ 1 A União poderá firmar convênios com Estados, Municípios e com o Distrito Federal, a fim de que estes
o o
também possam exercer a fiscalização e aplicar as multas de que tratam os arts. 2 e 3 desta Lei.
o
§ 2 Configurada a reincidência, a Polícia Rodoviária Federal ou ente conveniado comunicará o fato ao
Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes - DNIT ou, quando se tratar de rodovia concedida, à
Agência Nacional de Transportes Terrestres - ANTT, para a aplicação da penalidade de suspensão da
autorização de acesso à rodovia.”

4) Advertência: Na parte interna dos locais em que se vende bebida alcoólica, deverá
ser afixado advertência escrita de forma legível e ostensiva de que é crime dirigir sob a
influência de álcool, punível com detenção (art. 4º-A da Lei n. 9.294/96).
o
“9.294/96 - Art. 4 -A. Na parte interna dos locais em que se vende bebida alcoólica, deverá ser afixado
advertência escrita de forma legível e ostensiva de que é crime dirigir sob a influência de álcool, punível com
detenção.”

5) Alterações dos seguintes artigos:


a) art. 165, caput – Passou a ser infração gravíssima dirigir sob a influência de
álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência.
b) art. 276 – Qualquer concentração de álcool por litro de sangue sujeita o condutor
às penalidades previstas no art. 165 do CTB.
c) art. 277, § 2º – A infração prevista no art. 165 será caracterizada pelo agente de
trânsito mediante a obtenção de outras provas admitidas em direito, acerca dos notórios
sinais de embriaguez, excitação ou torpor apresentados pelo condutor.
d) art. 277, § 3º – Serão aplicadas as penalidades e medidas administrativas
estabelecidas no art. 165 deste Código ao condutor que se recusar a se submeter a
qualquer dos procedimentos previstos no caput deste artigo (testes de alcoolemia,
exames clínicos, perícia ou outro exame que, por meios técnicos ou científicos, em
aparelhos homologados pelo CONTRAN, permitam certificar seu estado).
e) arts. 291, 296 e 306

6) Revogação do art. art. 302, parágrafo único, inc. V da Lei n. 9.503/97

2. DISPOSIÇÕES GERAIS

• Elemento Subjetivo: os crimes cometidos na direção de veículos automotores


são culposos; não há crime de trânsito doloso (se alguém, dolosamente, atropela e mata
alguém o crime será homicídio – art. 121 do CP e não crime de trânsito).

• Crimes de dano: somente homicídio culposo (art. 302) e lesões corporais


culposas (art. 303).

• Absorção: os crimes previstos nos arts. 304 a 311 da Lei 9.503/97 são crimes de
perigo, e assim, havendo dano, serão absorvidos pelo último.

22
• Nova redação do art. 291: aplica-se aos crimes de trânsito de lesão corporal
culposa o disposto nos arts. 74 (composição dos danos), 76 (transação) e 88
(necessidade de representação) da Lei no 9.099/95, exceto se o agente estiver:
I - sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determine
dependência;
II - participando, em via pública, de corrida, disputa ou competição automobilística, de
exibição ou demonstração de perícia em manobra de veículo automotor, não autorizada
pela autoridade competente;
III - transitando em velocidade superior à máxima permitida para a via em 50 km/h
(cinqüenta quilômetros por hora).

“Art. 291. Aos crimes cometidos na direção de veículos automotores, previstos neste Código, aplicam-se as
normas gerais do Código Penal e do Código de Processo Penal, se este Capítulo não dispuser de modo
diverso, bem como a Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, no que couber.
Parágrafo único. Aplicam-se aos crimes de trânsito de lesão corporal culposa, de embriaguez ao volante, e de
participação em competição não autorizada o disposto nos arts. 74, 76 e 88 da Lei nº 9.099, de 26 de
setembro de 1995.
o o
§ 1 Aplica-se aos crimes de trânsito de lesão corporal culposa o disposto nos arts. 74, 76 e 88 da Lei n
9.099, de 26 de setembro de 1995, exceto se o agente estiver:
I - sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determine dependência;
II - participando, em via pública, de corrida, disputa ou competição automobilística, de exibição ou
demonstração de perícia em manobra de veículo automotor, não autorizada pela autoridade competente;
III - transitando em velocidade superior à máxima permitida para a via em 50 km/h (cinqüenta quilômetros por
hora).
o o
§ 2 Nas hipóteses previstas no § 1 deste artigo, deverá ser instaurado inquérito policial para a investigação
da infração penal.”

• Suspensão ou proibição de dirigir veículo (art. 292): a restrição ao direito de dirigir


pode constituir penalidade principal e isolada.

“Art. 292. A suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor
pode ser imposta como penalidade principal, isolada ou cumulativamente com outras penalidades.”

• Suspensão cautelar do direito de dirigir (art. 294): trata-se de medida positiva, que
pode ser tomada de ofício pelo juiz, ou a requerimento do MP ou representação da
autoridade policial. Da decisão que decretar a suspensão ou a medida cautelar, ou da que
indeferir o requerimento do Ministério Público, caberá recurso em sentido estrito, sem
efeito suspensivo.

“Art. 294. Em qualquer fase da investigação ou da ação penal, havendo necessidade para a garantia da
ordem pública, poderá o juiz, como medida cautelar, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público ou
ainda mediante representação da autoridade policial, decretar, em decisão motivada, a suspensão da
permissão ou da habilitação para dirigir veículo automotor, ou a proibição de sua obtenção.
Parágrafo único. Da decisão que decretar a suspensão ou a medida cautelar, ou da que indeferir o
requerimento do Ministério Público, caberá recurso em sentido estrito, sem efeito suspensivo.”

• Reincidência Específica (nova redação do art. 296): se o réu for reincidente na


prática de crime previsto neste Código, o juiz aplicará a penalidade de suspensão da
permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor, sem prejuízo das demais sanções
penais cabíveis.

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“Art. 296. Se o réu for reincidente na prática de crime previsto neste Código, o juiz aplicará a penalidade de
suspensão da permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor, sem prejuízo das demais sanções
penais cabíveis.”

• Circunstâncias Agravantes (art. 298): serão aplicadas sempre que o condutor do


veiculo cometer a infração:
a) com dano potencial para duas ou mais pessoas ou com grande risco de grave dano
patrimonial a terceiros;
b) utilizando o veículo sem placas, com placas falsas ou adulteradas;
c) sem possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;
d) com Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação de categoria diferente da do
veículo;

e) quando a sua profissão ou atividade exigir cuidados especiais com o transporte de


passageiros ou de carga;
f) utilizando veículo em que tenham sido adulterados equipamentos ou características que
afetem a sua segurança ou o seu funcionamento de acordo com os limites de velocidade
prescritos nas especificações do fabricante;
g) sobre faixa de trânsito temporária ou permanentemente destinada a pedestres.

• Perdão Judicial: é cabível.

• Proibição da prisão em flagrante (art. 301): nos casos de acidentes de trânsito de


que resulte vítima, não se imporá a prisão em flagrante do condutor, nem se exigirá
fiança, se prestar pronto e integral socorro àquela; se houver omissão de socorro incidirá
a causa de aumento de pena (art. 302, parágrafo único, III; art. 303, parágrafo único).

3. HOMICÍDIO CULPOSO NA DIREÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR (Art. 302)

“Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor:


Penas - detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação
para dirigir veículo automotor.
Parágrafo único. No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena é aumentada de um
terço à metade, se o agente:
I - não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;
II - praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada;
III - deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à vítima do acidente;
IV - no exercício de sua profissão ou atividade, estiver conduzindo veículo de transporte de passageiros”

• Crime de dano: exige-se a lesão ao bem tutelado

• Tentativa: não é admitida por ser crime culposo

• Causas de aumento de pena (parágrafo único): a pena é aumentada de 1/3 até


1/2 se o agente:
a) não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;
b) praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada;
c) deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à vítima do
acidente;
24
d) no exercício de sua profissão ou atividade, estiver conduzindo veículo de transporte de
passageiros.

4. LESÃO CULPOSA NA DIREÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR (Art. 303)

“Art. 303. Praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor:


Penas - detenção, de seis meses a dois anos e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a
habilitação para dirigir veículo automotor.
Parágrafo único. Aumenta-se a pena de um terço à metade, se ocorrer qualquer das hipóteses do parágrafo
único do artigo anterior.”

• Elemento Subjetivo do Tipo: é a culpa.

• Objeto Jurídico: a integridade física; secundariamente, a segurança viária.

• Crime de dano: exige-se a lesão ao bem tutelado.

• Causas de aumento de pena (parágrafo único): a pena é aumentada de 1/3 até


1/2 se o agente:
a) não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;
b) praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada;
c) deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à vítima do
acidente;
d) no exercício de sua profissão ou atividade, estiver conduzindo veículo de transporte de
passageiros.

5. OMISSÃO DE SOCORRO (Art. 304)

“Art. 304. Deixar o condutor do veículo, na ocasião do acidente, de prestar imediato socorro à vítima, ou, não
podendo fazê-lo diretamente, por justa causa, deixar de solicitar auxílio da autoridade pública:
Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa, se o fato não constituir elemento de crime mais grave.
Parágrafo único. Incide nas penas previstas neste artigo o condutor do veículo, ainda que a sua omissão seja
suprida por terceiros ou que se trate de vítima com morte instantânea ou com ferimentos leves.”

• Sujeito Ativo: somente o condutor de veículo envolvido no acidente

• Sujeito Passivo: a vítima do acidente de trânsito

• Elemento Subjetivo do Tipo: dolo de perigo

• Elemento Normativo do Tipo: expressão "por justa causa”

• Objeto Material: é a vítima não socorrida

• Crime de perigo: não se exige a lesão efetiva ao bem tutelado

• Tentativa: não é admitida por se tratar de crime omissivo próprio

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• Crime Subsidiário: somente se aplica se não ocorrer delito mais grave, como, por
exemplo, o homicídio culposo (art. 302, parágrafo único, III).

• Omissão Suprida por Terceiros: não afasta a omissão de socorro.

• Morte Instantânea: se não existir qualquer dúvida acerca da morte instantânea da


vítima, por obviedade, não se exige que o condutor do veículo preste socorro.

6. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE (Art. 306)

“Art. 306. Conduzir veículo automotor, na via pública, estando com concentração de álcool por litro de
sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas, ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa
que determine dependência:
Penas - detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a
habilitação para dirigir veículo automotor.
Parágrafo único. O Poder Executivo federal estipulará a equivalência entre distintos testes de alcoolemia,
para efeito de caracterização do crime tipificado neste artigo.”

• Elemento Subjetivo do Tipo: dolo de perigo (concreto e indeterminado): consoante


o Prof. Damásio de Jesus, em artigo intitulado “Embriaguez ao volante: notas à Lei n.
11.705/2008”, “não é suficiente que o motorista tenha ingerido bebida alcoólica ou outra
substância de efeitos análogos para que ocorra o crime. É preciso que dirija o veículo "sob
influência" dessas substâncias (elemento subjetivo do tipo; Ganzenmüller, Escudero e
Frigola). O fato típico não se perfaz somente com a direção do motorista embriagado. É
imprescindível que o faça "sob a influência" de álcool etc. Não há, assim, crime quando o
motorista, embora provada a presença de mais de seis decigramas de álcool por litro de
sangue, dirige normalmente o veículo”.

• Art. 34 da Lei das Contravenções Penais: revogado parcialmente pelo art. 306,
restando o art. 34 apenas para a aplicação relativa às embarcações.

7. VIOLAÇÃO DA SUSPENSÃO OU PROIBIÇÃO IMPOSTA (Art. 307)

“Art. 307. Violar a suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo
automotor imposta com fundamento neste Código:
Penas - detenção, de seis meses a um ano e multa, com nova imposição adicional de idêntico prazo de
suspensão ou de proibição.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre o condenado que deixa de entregar, no prazo estabelecido no §
1º do art. 293, a Permissão para Dirigir ou a Carteira de Habilitação.”

• Sujeito Ativo: a pessoa proibida de dirigir

• Elemento Subjetivo do Tipo: o dolo

• Elemento Normativo do Tipo: expressão "por justa causa”

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• Crime de perigo abstrato: não se exige lesão efetiva ao bem tutelado

• Pena: além da pena privativa de liberdade e multa, deve o juiz aplicar prazo
adicional de suspensão ou proibição de permissão ou habilitação para dirigir.

8. PARTICIPAÇÃO EM COMPETIÇÃO NÃO AUTORIZADA (Art. 308)


“Art. 308. Participar, na direção de veículo automotor, em via pública, de corrida, disputa ou competição
automobilística não autorizada pela autoridade competente, desde que resulte dano potencial à incolumidade
pública ou privada:
Penas - detenção, de seis meses a dois anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a
habilitação para dirigir veículo automotor.”

• Elemento Normativo do Tipo: ausência de autorização da autoridade competente

• Crime de perigo concreto: exige-se prova da probabilidade de ocorrência do dano

• Absorção pelo crime de dano: se, em razão do “racha”, houver morte ou lesão
corporal, o crime de dano absorve o de perigo.

• Pena cumulativa: exige-se a aplicação cumulada de três espécies de pena


(privativa de liberdade, multa e restritiva de direito).

9. DIREÇÃO DE VEÍCULO SEM PERMISSÃO OU HABILITAÇÃO (Art. 309)

“Art. 309. Dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida Permissão para Dirigir ou Habilitação ou,
ainda, se cassado o direito de dirigir, gerando perigo de dano:
Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.”

• Crime de perigo concreto: exige-se prova da probabilidade de ocorrência do dano

• Art. 32 da Lei das Contravenções Penais: está derrogado pelo art. 309 da Lei
9.503/97. Remanesce a figura relativa às embarcações (Súmula 720 STF – o art. 309 do
Código de Transito Brasileiro, que reclama decorra do fato perigo de dano, derrogou o art. 32 da
Lei das Contravenções Penais no tocante à direção sem habilitação em vias terrestres).

10. ENTREGA DE VEÍCULO A PESSOA NÃO HABILITADA (Art. 310)

“Art. 310. Permitir, confiar ou entregar a direção de veículo automotor a pessoa não habilitada, com
habilitação cassada ou com o direito de dirigir suspenso, ou, ainda, a quem, por seu estado de saúde, física
ou mental, ou por embriaguez, não esteja em condições de conduzi-lo com segurança:
Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.”

• Crime de perigo abstrato: não exige prova da probabilidade de ocorrência do dano

11. EXCESSO DE VELOCIDADE EM DETERMINADOS LOCAIS (Art. 311)

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“Art. 311. Trafegar em velocidade incompatível com a segurança nas proximidades de escolas, hospitais,
estações de embarque e desembarque de passageiros, logradouros estreitos, ou onde haja grande
movimentação ou concentração de pessoas, gerando perigo de dano:
Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.”

• Norma Penal em Branco: há necessidade de complemento nas leis locais,


analisando-se qual a velocidade máxima estabelecida para a via pública.

• Crime de perigo concreto: exige-se prova da probabilidade de ocorrência do dano

• Tentativa: não é admitida

12. FRAUDE NO PROCEDIMENTO APURATÓRIO (Art. 312)

“Art. 312. Inovar artificiosamente, em caso de acidente automobilístico com vítima, na pendência do
respectivo procedimento policial preparatório, inquérito policial ou processo penal, o estado de lugar, de coisa
ou de pessoa, a fim de induzir a erro o agente policial, o perito, ou juiz:
Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.
Parágrafo único. Aplica-se o disposto neste artigo, ainda que não iniciados, quando da inovação, o
procedimento preparatório, o inquérito ou o processo aos quais se refere.”

• Sujeito Ativo e Passivo: qualquer pessoa / o Estado

• Elemento Subjetivo do Tipo: o dolo, consistente em induzir a erro o agente


policial, o perito ou o juiz.

• Crime de perigo concreto: exige-se prova da probabilidade de ocorrência do dano

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