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Rimas de Camões

O século XVI assinala o consolidar do Renascimento em Portugal. Oriundo de


Itália, onde se manifestara já durante o séc. XV, fruto de uma série de transformações
políticas, económicas, sociais e culturais, este movimento cultural de renovação
artística e literária está intimamente associado a dois outros movimentos: o
Humanismo (valorização do Homem, centro do mundo, e das suas capacidades) e o
Classicismo (recuperação dos modelos clássicos greco-latinos). Em Portugal, o
expoente máximo da literatura deste período é Luís Vaz de Camões, poeta, épico e
dramaturgo.

Uma das mais marcantes características da lírica camoniana é precisamente a


sua diversidade. São vários os temas abordados e várias as formas escolhidas para os
tratar, tem como principais influências para as suas obras a poesia trovadoresca,
Francesco Petrarca (é visível, por exemplo, na forma como Camões descreve a mulher)
e Dante Alighieri.

Temas:

 representação da amada, segundo os cânones de influência petrarquista


(mulher de cabelos loiros, pele clara, faces rosadas, lábios carmim; exemplo de
beleza, serenidade, bondade); “MULHER PERFEITA, IDEALIZADA”
 representação da Natureza, esta aparece frequentemente descrita em
todo o seu esplendor, num verdadeiro cenário idílico. Contudo, o poeta nem
sempre desfruta do ambiente, devido à ausência da amada. Com frequência,
também, o cenário natural “partilha” os sentimentos do sujeito poético,
refletindo os seus estados psicológicos ou coadunando-se com eles (tal como
na poesia trovadoresca);
 reflexão sobre a vida pessoal, a presença e a força do Destino, a própria
vivência do amor, as ações passadas provocam sofrimento e levam o poeta a
refletir sobre o seu percurso, sobre a sua vida, marcada pelo infortúnio, pela
dor ,pela desgraça e pelos seus erros;

Nestes poemas, podem facilmente identificar-se traços de subjetividade e de um discurso pessoal


que adensam o conteúdo dos versos. AUTOBIOGRAFIA
 desconcerto do mundo e mudança, a segunda metade do século XVI
corresponde, já, a um período de decadência económica, política e social do
país e Camões não é alheio a esse contexto. Daí que muitas das suas
composições abordem as mudanças da vida e do mundo ou a desordem e a
confusão que reinam por todo o lado (autobiográfico);
 reflexão sobre o Amor e a experiência amorosa, a temática do amor
domina a lírica camoniana, este é caracterizado como sentimento inexplicável e
paradoxal (contradições positivos e negativos do sentimento amoroso), é um
sentimento complicado de se definir.

Formas:

 Poesia de influência tradicional: a medida velha e as redondilhas

A redondilha menor (verso de cinco sílabas métricas) e a redondilha maior (verso de


sete sílabas métricas) constituem a chamada medida velha, às composições poéticas
construídas com versos dessas medidas é costume chamar-se redondilhas. Estas
podem dividir-se em dois grandes grupos consoante a presença ou não do mote.

A.Composições sujeitas a mote: vilancete e a cantiga

B.Composições não sujeitas a mote: esparsa e as endechas ou trovas

 Poesia de influência clássica: a medida nova e o soneto


A medida nova é caracterizada pela presença de versos decassílabos (dez sílabas
métricas), inspirada pelo estilo italiano, introduzido em Portugal por Sá de Miranda.

A.Soneto: composição poética constituído por 2 quadras e 2 tercetos (14 versos)


Quadro Síntese

Contexto - Renascimento- interesse pela Antiguidade Clássica e recuperação


histórico- dos seus modelos e valores.
literário- séc.
- Humanismo- o Homem como medida de todas as
XVI
coisas(antropocentrismo);crença nas capacidades humanas.
- Classicismo – reintrodução de formas, figuras e temas clássicos.
- Decadência económica, política, social e moral.

Lírica tradicional
(Poesia trovadoresca e poesia palaciana)

Temas Formas

-Temáticas amorosas. - Medida velha- redondilha (maior


ou menor):cantigas, vilancetes,
- Ambiente natural.
endechas e esparsas.
- Cenário rural.
Influências Inspiração clássica

Temas Formas

- O amor (concebido à maneira - Medida nova – decassílabo:


petrarquista). soneto (duas quadras e dois
tercetos de versos decassilábicos,
- A representação (idealizada) da
segundo o esquema rimático
mulher amada.
habitual abba/abba/cdc/dcd.

A representação da amada
- Retrato idealizado: perfeição física e espiritual.
- Representação à maneira petrarquista (mulher como imagem e
reflexo do Bem Supremo, de um mundo ideal).

A representação da Natureza
Temas
- Cenários bucólicos (locus amoenus).
- Confidente do sujeito poético.
- Reflexo do estado emocional do “eu”.

A experiência amorosa e reflexão sobre o amor


- O amor como sentimento inexplicável e paradoxal.
- Superioridade do sentimento amoroso, que tudo domina.
- Conflito amor espiritual vs desejo físico.

A reflexão sobre a vida pessoal


- Vida concebida como determinada por um destino implacável.
- Experiências pessoais de pendor negativo.
- Presente marcado pelo desencanto, motivado por causas diversas
(“Erros meus, má fortuna, amor ardente”).

O tema do desconcerto
- Desconcerto individual, ligado à reflexão sobre a vida pessoal e à
Temas
desilusão.
- Desconcerto social e moral: crítica à degradação de valores.

O tema da mudança
- Efeitos da passagem do tempo:
- na vida pessoal (o confronto passado/presente);
- na natureza e na sociedade.

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