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DIREITO PENAL

Introdução

 Apresentação do professor.

 Dinâmica da disciplina e distribuição da pontuação.

 Definição dos trabalhos em grupo.


Sobre o professor
Milton Anderson dos Reis, 2º Ten PM

Milton Anderson dos Reis, 2º Ten PM Praça 2008.


Aspirante 2018.
Lotado no 25º 2008.
Praça BPM.
Especialista em Direito Aplicado a Seg.2018.
Aspirante Púb.
Especialista em Gestão de Polícia
Lotado noOstensiva.
25º BPM.
Bacharel
Especialista em Direito em Direito
Aplicado a Seg.2013.
Púb.
Especialista em Aprovado
Gestão deno IX Exame
Polícia OAB.
Ostensiva.
Professor Direito Penal do CFSd
Bacharel 2020.
em Direito.
Professor Direito Penal
Aprovado CEFS 2021.
no IX Exame OAB
Professor DC, DP e DPM.
Informações Gerais

Carga horária: 42 h/a

Distribuição dos pontos:

- 02 provas: 03 e 04 pontos (consulta ao Código Penal “seco”);

- 02 trabalhos: 01 e 02 pontos (conforme roteiros a serem


entregues).
Metodologia

Serão ministradas 42 aulas teóricas em sala de aula, sendo aulas expositivas-

explicativas, com a utilização de exemplos e discussão, dirigida à demonstração do


conteúdo e a contextualização, da unidade em estudo, com a atividade policial militar.
Objetivo Geral

O contido no presente material visa a nortear os docentes e discentes, de acordo com o


programa e linha doutrinária definidos pela EFSd, para que ao final da disciplina, o discente
seja capaz de:

a) conhecer a legislação aplicável ao Direito Penal brasileiro;


b) compreender a estrutura do Código Penal;
c) ser apto a correlacionar os fatos práticos da atividade policial militar com os tipos penais
previstos na legislação.
Objetivo Específico

a) Conhecer o Direito Penal e suas fontes;


b) Interpretar a Lei Penal;
c) Conhecer os Princípios aplicados ao Direito Penal;
d) Aprender sobre tempo e lugar do crime;
e) Identificar a Lei Penal que será aplicada ao caso concreto;
f) Aprimorar e atualizar seus conhecimentos sobre Direito Penal (Autoaperfeiçoamento).
Bibliografia

- BRASIL. Decreto-lei 2848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Disponível em: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm>. Acesso em 09 fev. 2022*

- CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal: parte geral (arts. 1º ao 120) – 8ª ed.
Salvador: JusPodivm, 2020. 720 p.

- GRECO, Rogério. Código Penal Comentado, 11. ed. rev. ampl. e atual. Niterói: Impetus, 2017.

- NUCCI, Guilherme de Souza. Código Penal Comentado. 20a ed. rev., atual. e reform. São
Paulo: Forense, 2020.
Ementa da Disciplina

Parte Geral: Da aplicação da lei penal; Do crime; Da imputabilidade penal; Do concurso de


pessoas, Das penas, Da ação penal.

Parte Especial: Dos crimes contra a pessoa; Dos crimes contra o patrimônio; Dos crimes
contra a dignidade sexual; Dos crimes contra a paz pública; Dos crimes contra a fé pública;
Dos crimes contra a administração pública.
UNIDADE 1
Tema:

Título I – Da aplicação da lei penal


Artigos: 1º ao 12 do CP
CFSd – 2022

Coordenador da Disciplina: 1º Ten PM Bernardo Wenceslau


Código Penal

Decreto-Lei n. 2.848 de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal

O Código Penal é dividido em duas partes, a Parte Geral (artigo 1º ao artigo 120) e a
Especial (artigo 121 ao artigo 361). Na primeira parte se define os critérios, a partir dos
quais, o Direito Penal será aplicado, conforme cada caso e o modo de aplicação da pena.
A parte especial trata da tipificação dos crimes em espécie e as suas respectivas penas.

Art. 361 do CP: “Este Código entrará em vigor no dia 1º de janeiro de 1942.”
1. Direito Penal

O Direito Penal é um segmento do ordenamento jurídico que possui a função de selecionar


os comportamentos humanos mais graves e perniciosos à coletividade, capazes de colocar em
risco valores fundamentais para a convivência social, e descrevê-los como infrações penais,
aplicando, em consequência, as respectivas sanções, além de estabelecer todas as regras
complementares e gerais necessárias à sua correta e justa aplicação (CAPEZ, 2003).
Seu conceito repassa por três aspectos:
1. Aspecto formal ou estático: o Direito Penal é um conjunto de normas que qualifica certos
comportamentos humanos, como infrações penais, define os seus agentes e fixa as sanções a
serem aplicadas.
2. Aspecto material: o Direito Penal refere-se a comportamentos considerados altamente
reprováveis ou danosos.
3. Aspectos sociológicos ou dinâmicos: o Direito Penal é mais um instrumento de controle
social de comportamentos desviados, visando assegurar a necessária disciplina social, bem
como a convivência harmônica.
2. Fontes do Direito Penal

1. Fonte Material: é a fonte de produção da norma - o órgão encarregado pela criação do


Direito Penal - Compete privativamente à União legislar sobre ( Art. 22, I, CF/88).
Exceção: Art. 22, parágrafo único, da CF/88: Possibilidade dos Estados-membros
legislarem sobre questões específicas (temas de interesse local), desde que haja
autorização por lei complementar. Projeto de Lei Complementar 215/2019 - Tramita na
Câmara dos Deputados.

2. Fonte Formal:
a) Imediata - Lei, Constituição Federal, Tratados e Convenções Internacionais de Direitos
Humanos, Jurisprudência, Princípios e Complementos da norma penal em branco.
b) Mediata - Doutrina.

3. Fonte Informal: Costumes.


3. Interpretação da Lei
Penal
Interpretar é buscar o preciso significado da lei, para o efetivo alcance da norma.
1) Quanto ao sujeito (baseada na pessoa que realiza a interpretação):
a) Autêntico ou legislativo - fornecida pela própria lei (art. 327, do CP – conceito de funcionário
público);
b) Doutrinário ou cientifico - feito pelos estudiosos do direito;
c) Jurisdicional - feita de decisões reiteradas dos tribunais ou pelos juízes no caso concreto.
2) Quanto ao modo (define a maneira como a interpretação é realizada):
a) Gramatical - leva em conta o sentido literal das palavras, (primeira forma de interpretar uma lei);
b) Teleológico - indaga-se a vontade ou intenção objetivada na lei;
c) Histórico - procura-se a origem da lei;
d) Sistemática - a lei é interpretada com o conjunto com outras normas e princípios.
3) Quanto ao resultado (baseia-se no alcance da interpretação):
a) Declarativa - a letra da lei corresponde àquilo que o legislador quer dizer;
b) Extensivo - amplia-se o alcance das palavras para corresponder a vontade do texto;
c) Restritivo - reduz-se o alcance das palavras para corresponder a vontade do texto.
3. Interpretação da Lei
Penal

Interpretação Quanto ao resultado (baseia-se no alcance da interpretação):

Exemplo de Interpretação Declarativa - a letra da lei corresponde àquilo que o legislador quer
dizer,

Por exemplo, a declaração do alcance do texto do artigo 141 é de que “várias pessoas” são no
mínimo três pessoas, pois quando o Direito Penal se contenta com menos ou exige mais do que
isso, ele declara essa circunstância expressamente, como o faz nos artigos 155, § 4º, IV (“duas ou
mais pessoas”) e 146, §1º (“mais de três pessoas”);

Exemplo de Interpretação Extensivo – “A lei disse menos”. Por exemplo, no art. 235 pune-se a
bigamia; apesar de não ser explícito, considera-se que pune, também, a poligamia, já que se refere
genericamente a contrair “novo casamento”.
3. Interpretação da Lei
Penal

Interpretação Quanto ao resultado (baseia-se no alcance da interpretação):

Exemplo de Interpretação Restritivo - a norma que impõe penalidade deve sofrer interpretação
restritiva, não cabendo estendê-la a situação distinta para a qual foi estabelecida. Por exemplo, o
art. 208 pune o escárnio feito publicamente por motivo de crença ou função religiosa. Se a
manifestação for feita em lugar privado, sem divulgação, não se configura o delito;
Interpretação extensiva Interpretação analógica Analogia
- Existe norma para o caso. - Existe norma para o caso. - Não existe norma para o
caso.
- Amplia-se o alcance de - Exemplos seguidos de
uma palavra. encerramento de fórmula - Empresta-se lei de caso
Ex.: “ARMA” no crime de genérica. similar.
extorsão majorado (art. 158, Ex.: homicídio mediante paga, É forma de integração,
§1º, do CP). ou promessa de recompensa, admitida quando favorável ao
ou por outro motivo torpe (art. réu.
- Prevalece ser possível sua 121, §2º, I, III e IV do CP). Ex.: Isenção de pena, nos
aplicação no Direito Penal crimes contra o patrimônio
tanto em benefício ou - É possível sua aplicação no para o cônjuge e, por
prejuízo do réu. Direito Penal, tanto em analogia, se aplica também
benefício ou prejuízo do réu. para o companheiro (art.
181, I, do CP).
4. Princípios gerais do
Direito Penal
Missão fundamental
Fato do agente Agente do fato Pena
do Direito Penal
Princípio da exclusiva Princípio da Princípio da Princípio da dignidade da
proteção dos bens exteriorização ou responsabilidade pessoa humana
jurídicos materializa do fato pessoal
Princípio da Princípio da Princípio da Princípio da
intervenção mínima legalidade** responsabilidade individualização da pena
subjetiva
Princípio da Princípio da Princípio da
ofensividade / culpabilidade proporcionalidade
lesividade
Princípio da isonomia Princípio da pessoalidade

Princípio da presunção Princípio da vedação do


de inocência “bis in idem”
4.1 Missão fundamental do Direito
Penal

a) Princípio da exclusiva proteção de bens jurídicos: impede que o Estado venha utilizar
o direito penal para proteção de bens ilegítimos, limitando a sua missão no sentido de
proteger os bens jurídicos mais relevantes do homem.

b) Princípio da Intervenção mínima: o Direito Penal só deve ser aplicado quando


estritamente necessário, mantendo-se subsidiário e fragmentário. Daí o surgimento do
Princípio da insignificância ou Bagatela (RIMA):
- Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento
- Inexpressividade da lesão jurídica
- Mínima ofensividade da conduta
- Ausência de periculosidade social da ação
4.2 Princípios relacionados ao fato
do agente

a) Princípio da exteriorização ou materialização do fato: o Estado só pode incriminar


penalmente condutas humanas voluntárias. Tal princípio é condizente com o direito penal
do fato, só podendo ser punido o fato. Há afastamento do direito penal do autor que pune
pensamentos, estilo de vida.
Art. 60, LCP = Tal artigo punia a Mendicância, mas foi abolido o tipo pela Lei 11.923/09 por
estar em confronto com o direito penal do fato e punir estilo de vida.

b) Legalidade (adiante).

c) Ofensividade (lesividade): para que ocorra o delito, é imprescindível a efetiva lesão ou


perigo de lesão ao bem jurídico tutelado.
Exceção: crimes de perigo abstrato, isto é, aqueles em que o perigo advindo da conduta é
ABSOLUTAMENTE presumido por lei. São admitidos em casos excepcionais. Ex.: Tráfico
de drogas.
4.3 Princípios relacionados ao
agente do fato

a) Princípio da responsabilidade pessoal: Proíbe-se o castigo penal pelo fato de outrem.


b) Princípio da responsabilidade subjetiva: Não basta que o fato seja materialmente
causado pelo agente, só podendo ser responsabilizado se o fato foi querido, aceito ou
previsível. Não há responsabilidade penal objetiva, isto é, sem dolo ou culpa.
c) Princípio da Culpabilidade: Trata-se de postulado limitador do direito de punir. Assim,
só pode o Estado punir agente imputável, com potencial consciência de ilicitude, quando
dele exigível conduta diversa.
d) Princípio da Isonomia: Todos são iguais perante a lei. No entanto, sabendo que a
igualdade é material (e não formal), é possível haver distinções justificadas pelas
desigualdades do fato.
e) Princípio da Presunção de Inocência: É garantido ao cidadão, a presunção de
inocência até o trânsito em julgado da condenação penal. Art. 5º, LVII, CR - “Ninguém será
considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença condenatória”.
4.4 Princípios relacionados a pena

a) Princípio da dignidade da pessoa humana: art. 5º, XLVII, CF “não haverá penas: a)
de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do artigo 84, XIX; b) de caráter
perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis.
b) Princípio da individualização da pena): as penas devem ser individualizadas,
considerando as características da infração penal e do agente que a praticou.
c) Princípio da Proporcionalidade da Pena: a pena deve ser proporcional a gravidade
do fato.
d) Princípio da pessoalidade da pena: art. 5º, XLV, CF “Nenhuma pena passará da
pessoa do condenado”.
e) Princípio da Vedação ao “Bis in idem”: veda a dupla incriminação, isto é, proíbe que
uma pessoa seja processada, julgada e condenada mais de uma vez pela mesma
conduta.
5. Anterioridade da lei
(Art. 1º do CP)
** Princípio da Legalidade: Art. 5º, inciso II da CF/88: “ninguém será obrigado a fazer ou
deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”.
Art. 1º do CP: “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia
cominação legal.” (Anterioridade da Lei)

Melhor entendimento: Não há infração penal sem lei anterior que a defina, ou seja, a
retroatividade da lei é proibida; nem sanção penal sem prévia cominação legal.

NÃO HÁ CRIME
1. Sem lei (admite-se somente lei em sentido estrito);
2. Anterior (veda-se retroatividade maléfica da lei penal);
3. Escrita (veda-se o costume incriminador);
4. Estrita (veda-se a analogia incriminadora);
5. Certa (veda-se o tipo penal indeterminado);
6. Necessária (intervenção mínima);
Normas penais em branco: São normas que dependem de complemento normativo, que se
classificam em:
a) Própria: o complemento normativo é dado por espécie normativa diversa (Ex.: Portaria).
Ex.: Art. 268 do CP: Infração de medida sanitária preventiva, a determinação é a Portaria/Decreto
do Poder Público Executivo Estadual ou Municipal - crime muito comum neste período de
pandemia.
b) Imprópria: o complemento normativo é dado pela mesma espécie normativa (lei completada
por lei).
Ex. 1: Conceito de funcionário público do CP - o art. 327 completa o art. 312 (homovitelina).
Ex. 2: Art. 166, CP é conceito de impedimento para o casamento que se encontra no Código Civil
(heterovitelina).
c) Ao revés: nesse caso, o complemento normativo diz respeito a sanção penal, não ao
conteúdo proibitivo.
Ex.: Lei 2889/56 - Lei de Genocídio - art. 1º faz menção as penas do CP.
6. Tempo do crime
(Art. 4° do CP)
Art. 4º do CP: “Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda
que outro seja o momento do resultado”.

O código penal adotou a TEORIA DA ATIVIDADE, à luz do artigo 4º. Segundo o qual,
considera praticado o delito no momento da ação ou omissão.

É no momento da ação ou omissão que são analisadas as condições do autor e da


vítima. Serve também para determinar qual lei irá reger o caso concreto, aplicando-se ao
fato a lei em vigor nessa oportunidade.

Ex.: Caso o agente, um menor de 17 anos de idade, tenha atirado contra a vítima, que
vem a falecer em decorrência desse fato quando ele já tinha completado a maioridade –
aplica-se o Estatuto da Criança e do Adolescente, pois o agente era inimputável à época
da infração.
7. Sucessão de leis
penais no tempo
 Regra: irretroatividade da Lei penal = art. 1º do CP.
 Exceção: retroatividade da lei penal benéfica = art. 2º do CP:
“Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando
em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória.
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos
fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.”
Tempo de realização do ato Lei posterior Definição
Fato atípico Típico – Novatio legis incriminadora Art. 1º = irretroatividade.

Fato típico Atípico (aboliu) – Abolitio Criminis Art. 2º = retroatividade

Fato típico Típico + pena mais grave – Novatio Art. 1º = irretroatividade


legis in pejus
Fato típico Típico + pena mais branda – Novatio Art. 2º = retroatividade
legis in mellius
8. Lei excepcional ou
temporária (Art. 3º do CP)

1. Lei temporária: É aquela que tem prefixado em seu texto o tempo de duração, dia do
início e do término de sua vigência.

2. Lei excepcional: É a que atende a transitórias necessidades estatais, tais como


calamidades, guerras, epidemias, etc., perdurando por todo tempo excepcional.

Decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a


determinaram, as leis temporárias e excepcionais se revogam.

À luz do art. 3º do CP, as leis penais temporárias e excepcionais continuam a ser


aplicadas aos fatos praticados durante o seu vigor, mesmo que após a sua vigência, por
possuírem ultratividade.
9. Territorialidade
(Art. 5° do CP)
Art. 5º do CP: Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de
direito internacional, ao crime cometido no território nacional.

O Brasil adota uma teoria temperada da territorialidade, considerando que em


determinadas situações, mesmo que o fato seja cometido no Brasil, não será aplicada a Lei
Brasileira, em virtude de convenções, tratados e regras de direito internacional. Ex.: na
imunidade diplomática, apesar de cometido no Brasil, sofrerá imposição de lei estrangeira.

Quando a lei estrangeira se aplica a fato cometido no Brasil, tem-se o princípio da


intraterritorialidade. Assim, o artigo 5º adota a territorialidade excepcionada pela
intraterritorialidade.
Território Nacional por extensão: o limite da Lei Penal Brasileira não é somente o espaço
geográfico, mas também o espaço jurídico (ou por equiparação / ficção / extensão) previsto
nos §§ 1º e 2º do art. 5º do CP.

§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e


aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se
encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade
privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar.

§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou


embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território
nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil.”
a) Quando os navios ou aeronaves forem públicos ou a serviço do governo brasileiro, quer
se encontrem no território nacional, ou não, são considerados parte de nosso território;

b) Se privados, quando em alto-mar ou espaço aéreo correspondente, aplica-se a a lei da


bandeira que ostentam, já que nenhum país exerce soberania em alto-mar;

c) Quanto aos estrangeiros, se privados, são considerados parte do nosso território quando
aqui atracados ou em pouso. Se públicos ou a serviço do governo não se aplica a lei
nacional (princípio da reciprocidade).
10. Lugar do crime
(Art. 6º do CP)

Art. 6º do CP: “Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou


omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o
resultado.”

O código penal adotou a TEORIA DA UBIQUIDADE, à luz do art. 6º. Considera-se


lugar do crime onde ocorreu a ação ou omissão, bem como onde se produziu ou deveria
se produzir o resultado.
11. Extraterritorialidade
(Art. 7º do CP)
Aplica-se a lei brasileira às infrações penais cometidas no estrangeiro.

1) Extraterritorialidade incondicionada: A lei brasileira será aplicada, sem que seja


necessário o concurso de qualquer condição, e ainda que o agente seja absolvido ou
condenado no estrangeiro, nos crimes praticados:
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território,
de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação
instituída pelo Poder Público;
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço;
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil;
2) Extraterritorialidade condicionada: Sujeita-se à lei brasileira os crimes:
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir;
b) praticados por brasileiro;
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada,
quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados.
E as condições para a aplicação da lei brasileira são as seguintes, de acordo com o §2°:
a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a
punibilidade, segundo a lei mais favorável.
Conclusão

Ao final da Unidade 1 o discente vai conhecer os conceitos e princípos do Direito


Penal, sabendo identificar as formas de interpretação da Lei Penal, o tempo e o lugar do
crime, bem como, qual será a lei que será aplicada ao caso concreto.
Referência

- BRASIL. Decreto-lei 2848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Disponível em: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm>. Acesso em 09 fev. 2022.

- CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal: parte geral (arts. 1º ao 120) – 8ª ed. Salvador:
JusPodivm, 2020. 720 p.

- GRECO, Rogério. Código Penal Comentado, 11. ed. rev. ampl. e atual. Niterói: Impetus, 2017.

- NUCCI, Guilherme de Souza. Código Penal Comentado. 20a ed. rev., atual. e reform. São Paulo:
Forense, 2020.

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