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Por um retrato dos invisíveis: a mídia na relação com a alteridade.

Olhares sobre a
imagem indígena.
Luciana Silva Lima
Escola de Comunicação da Universidade do Rio de Janeiro
cininhalima83@gmail.com

Resumo
Debate-se, aqui, a contribuição dos meios de comunicação para os processos de mediação
das lutas de resistência da cultura indígena, travadas no bojo da sociedade brasileira.
Partindo do entendimento da complexidade que envolve o problema em questão e levando
em consideração as imagens estereotipadas veiculadas pela mídia, sinaliza-se para a
perspectiva de construção de um olhar multifocal sobre o tema, no intuito de tornar visível
o que não é mostrado pelos meios de comunicação convencionais, a fim de dar aos povos
inrodígenas a visibilidade que lhes tem sido roubada pelo espetáculo midiático.

Palavras-chave: comunicação, movimento indígena, mediação

Introdução
Embora a presença dos índios na mídia encontre referências nas mais diversas
épocas da história da imprensa brasileira, a questão da cultura indígena nos meios de
comunicação convencionais, ainda parece ser apresentada de forma superficial ao que se
refere à atual situação desses povos. Tal fato, certamente, encontra relações diretas com a
condição em que se encontram os indígenas no Brasil, território de convergência de
diversas disputas fundiárias, envolvendo as oligarquias ligadas ao agronegócio, além de
outros projetos privados e governamentais de interesses meramente econômicos.
Não obstante tenham crescido, nos últimos anos, no Brasil e no mundo, o número de
organizações que atuam em defesa dos povos indígenas, sendo muitas delas, inclusive,
protagonizadas pelos próprios índios, as violações aos direitos desses povos continuam
ocorrendo, sem alcançarem a devida repercussão e destaque na mídia convencional. Ávido
pelo elemento exótico ou movido por interesses escusos, o olhar midiático tem contribuído

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para a reprodução de visões, em sua maioria, estereotipadas e preconceituosas, cuja
finalidade se orienta, majoritariamente, no sentido de deslegitimar a causa indígena.
A espetacularização de fatos desfavoráveis em imagens e discursos que contribuem
para desmoralizar o ser indígena perante a sociedade brasileira são aspectos pertinentes à
problemática em questão. Ao invés de tentar esclarecer os cidadãos sobre a situação das
populações indígenas, favorecendo, assim, o equacionamento dos conflitos em que esses
povos encontram-se envolvidos, a mídia tem caminhado, justamente, no sentido de alargar
as contradições sociais, culturais e ambientais decorrentes desse assunto, ora super-expondo
o problema a partir de uma ideologia conservadora e hegemônica, ora, simplesmente,
mascarando-o, ou até mesmo anulando-o.
Essa maneira equivocada de se trabalhar as questões culturais, sobretudo, no que se
refere à causa indígena e de outras minorias étnico-raciais, denota traços de uma ideologia
pautada na disseminação do medo, do sentimento de angústia, de desconfiança e
intolerância que impossibilitam a relação com o outro, com o diferente, com a alteridade.
Essa forma dos meios de comunicação tratar (ou mesmo incentivar) as contradições
existentes no bojo da nossa sociedade transparece um projeto de mídia que pouco tem
contribuído para a real, radical e urgente transformação de valores que nossa sociedade
necessita.
A comunicação aqui defendida aponta, no entanto, para uma outra proposta, a qual
se pauta no processo de mediação da conflituosa trama das relações sociais, pelo
reconhecimento da cultura e da sabedoria de sociedades tradicionais e populares, como
aspectos imprescindíveis à construção de uma sociedade econômica e socialmente justa,
culturalmente plural e ecologicamente sustentável, defesas que se encontram na própria
essência da luta indígena.
Essa discussão surge de um conflito fundamental que permeia toda sociedade
multicultural: aquele que se desenvolve entre a idéia do eu e do outro. O ponto de partida
dessa abordagem sugere a percepção de que qualquer construção identitária se dá por meio
de processos de inclusão e exclusão, que se desenrolam no âmbito da linguagem, na esfera
do discurso, onde se inclui o discurso da imagem, da fotografia.
É, justamente, em vista de tais aspectos, que se levanta, aqui, os seguintes
questionamentos: como a comunicação pode, de fato, contribuir para a construção de uma

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sociedade plural, pautada no respeito pelo outro, pelo diferente, de forma a evitar a
assimetria de poder ou a hegemonia de uma cultura sobre a outra? Até que ponto o estudo e
as práticas da comunicação podem contribuir para amenizar as contradições existentes entre
a sociedade brasileira e as nações indígenas que habitam o seu território? Como isso se
aplica no que se refere à garantia dos Direitos Humanos, reafirmados, mais recentemente,
em nosso país, pela Constituição de 1988?

Por outra imagem do diferente: uma reflexão crítica sobre comunicação visual
A relação com a alteridade tem sido uma questão bastante recorrente nos diversos
campos de estudos e teorias, sobretudo no que tange à área da investigação acerca da
cultura. Igualmente posta está, neste sentido, a discussão a respeito dos conceitos de
identidade e subjetividade. Esse interesse se deve ao fato de que o reconhecimento da
categoria do diferente no bojo das interações sociais, raciais e inter-étnicas, ou seja, o
contato entre o eu e o outro, implica em um estado permanente de conflitos e tensões,
evidenciados por trocas desiguais e hegemônicas de poder.
Sobre essa abordagem, Bauman (1998) projeta uma interessante reflexão. Sua
percepção acerca da questão da alteridade parte do conceito do que o autor chama de
“estranhos”. “Todas as sociedades produzem estranhos (...) estranhos são pessoas que não
se encaixam no mapa cognitivo, moral ou estético do mundo”, pontua. Ainda sobre esse
assunto, Bauman tece a seguinte defesa (que parece se aplicar muito bem à cultura
indígena):

Constituir a ordem foi uma guerra de atrito empreendida contra os estranhos e o


diferente. Nessa guerra, duas estratégias alternativas, mas também
complementares, foram intermitentemente desenvolvidas. Uma era
antropofágica: aniquilar os estranhos devorando-os e depois, metabolicamente,
transformando-os num tecido indistinguível do que já havia. Era essa a
estratégia da assimilação: tornar a diferença semelhante; abafar as distinções
culturais ou lingüísticas; proibir todas as tradições e lealdades, exceto as
destinadas a alimentar a conformidade com a ordem nova e que tudo abarca
(...) A outra estratégia era antropoêmica: vomitar os estranhos, bani-los dos
limites do mundo ordeiro e impedi-los de toda a comunicação com os do lado
de dentro. Era essa a estratégia da exclusão – confinar os estranhos dentro das
paredes visíveis dos guetos, ou atrás das invisíveis, mas não menos tangíveis
(...) expulsar os estranhos para além das fronteiras do território administrado ou
administrável; ou quando nenhuma das duas medidas fosse factível, destruir
fisicamente os estranhos.

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O conceito apresentado por Bauman apresenta relação direta com a história da
política indigenista brasileira. Política que até muito recentemente tinha como objetivo
acabar com as culturas indígenas e integrá-las à comunhão nacional. É só após a
Constituição Federal de 1988, que as culturas indígenas passam a ser reconhecidas e
asseguradas. No artigo 231 está escrito: “são reconhecidos aos índios sua organização
social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que
tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos
os seus bens”.
Observa-se, no entanto, a despeito desse assunto, que o respeito aos índios ainda
está muito longe de ser alcançado na prática e grande tem sido a luta desses povos para
permanecerem existindo em nossa sociedade. Arruda (apud GRUPIONI et al, 2001) coloca
essa situação da seguinte maneira:

Na postura ideológica dominante os índios não contam com o nosso futuro (...)
embora sejam constantes e freqüentes os processos genocidas e etnocidas que
marcam as relações da sociedade brasileira com as sociedades nativas, esse
vaticínio parece jamais se completar.

No campo dos estudos culturais, a crítica tem recaído especialmente sobre a atuação
da mídia, sendo muitos os trabalhos produzidos a partir da perspectiva de minorias étnico-
raciais e sociais, cujos conteúdos denunciam o perfil ideológico, conservador e dominante,
dos meios de comunicação convencionais. Como se pode observar, desde os primeiros
tratados sobre a comunicação de massa – elaborados nas primeiras décadas do século
passado, pela Escola de Frankfurt – até os mais recentes esboços sobre a instrumentalidade
dos ciberespaços, a mídia permanece exercendo forte influência sobre a constituição das
identidades dos sujeitos contemporâneos e sobre as representações da alteridade.
Em sua série de estudos empreendidos sobre a cultura da mídia, Kellner (2001) tece
a seguinte ponderação:

A cultura da mídia também fornece o material com que muitas pessoas


constroem o seu senso de classe, de etnia e raça, de nacionalidade, de
sexualidade, de “nós” e “eles”. (...) Trata-se de uma cultura da imagem, que
explora a visão e a audição.(...) A cultura da mídia e a de consumo atuam de
mãos dadas no sentido de gerar pensamentos e comportamentos ajustados aos
valores, às instituições, às crenças e às práticas vigentes.

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Ainda se tratando dessa linha de pensamento, destacam-se aqui as observações
feitas por Filho e Vaz (2006), que, a despeito dos diferentes produtos ofertados pela mídia,
concluem:

as indústrias da cultura fornecem descrições textuais e visuais daquilo que é


socialmente conveniente em termos de personalidade, aparência, conduta moral
e cívica, postura política, relacionamento afetivo e comportamento sexual –
modelos e recursos simbólicos a partir dos quais o público pode construir o seu
senso do que significa ser, neste exato momento, “moderno”, “civilizado”,
“cidadão”, “vitorioso”, “responsável”, “belo”, “atraente”... O que pensamos
sobre nós mesmos e o mundo – e a liberdade que nos é, então, disponível –
resulta das diferentes formas com que elaboramos as representações midiáticas
do tempo e do outro.

Essa “representação midiática do outro” e as suas conseqüências para a constituição


da representação social de minorias étnico-culturais são as causas que fundamentam o
presente projeto. Reconhece-se, portanto, que: fixar o olhar sobre as imagens não reveladas
(ou equivocadamente reiteradas) de grupos marginalizados culturalmente, a partir de uma
leitura crítica do que é veiculado pela mídia, é abrir espaço para a compreensão do outro,
para as trocas, para as interações e, sobretudo, para as mediações, elementos tão
imprescindíveis ao equacionamento das tensões existentes no campo das diferentes
manifestações étnico-culturais.
Essa proposta se pauta no pensamento apresentado por Martín-Barbero (1997), que
diz:

A comunicação está se convertendo num espaço estratégico a partir do qual se pode


pensar os bloqueios e as contradições que dinamizam essas sociedades-
encruzilhada, a meio caminho entre um subdesenvolvimento acelerado e uma
modernização compulsiva. Assim, o eixo do debate deve se deslocar dos meios
para as mediações, isto é, para as articulações entre práticas de comunicação e
movimentos sociais, para as diferentes temporalidades e para a pluralidade de
matrizes culturais.

É no intuito de realizar essa mediação entre as imagens construídas pela mídia e a


luta indigenista, que se fundamenta esse projeto. Para realizar essa mediação, toma-se, aqui,
como principal ferramenta de análise crítica da mídia, a fotografia e, mais precisamente, a

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fotorreportagem, por considerar o significativo impacto que esta exerce no bojo da
sociedade atual.
Vive-se, hoje, uma época em que, não somente a profusão de informações é-lhe
substancialmente característica, mas também a proliferação de imagens configura-se-lhe,
igualmente, como marca registrada. Esse fenômeno do boom imagético que se expande,
sobretudo, a partir do processo de popularização da internet, associado, ao fato de que da
fotografia, em especial, a jornalística, desfruta de uma grande confiabilidade junto ao
público, denuncia o poder das imagens como ferramentas de comunicação capazes de
influenciar as representações construídas sobre a realidade. Sobre essa questão, Dubois
(2004) tece a seguinte observação:

Toda a reflexão sobre um meio qualquer de expressão deve se colocar a


questão fundamental da relação específica existente entre o referente externo e
a mensagem produzida por esse meio. Trata-se da questão dos modos de
representação do real, ou se quisermos, da questão do realismo (...) Existe um
espécie de consenso de princípio que pretende que o verdadeiro documento
fotográfico “presta contas do mundo com fidelidade”. Foi-lhe atribuída uma
credibilidade, um peso do real bem singular.

A credibilidade, conferida às imagens, em geral, e a fotografia e a fotorreportagem,


em particular tem sido apontada como responsável pela reprodução e ‘enraizamento’ de
estereótipos no cerne do imaginário social. São, justamente, essas imagens estereotipadas
do outro – que se reiteram a todo o instante, nas diferentes linguagens e discursos dos
meios de comunicação de massa -, que legitimam as diversas formas de preconceito e
opressão no bojo do tecido social, atingindo os povos e grupos marginalizados concebidos a
partir de uma identidade negativa. Sobre essa questão Santaella e Nöth (1998), afirmam:

As imagens podem ser usadas para asseverar ou enganar sobre fatos da


dimensão semântica, sintática e, com reservas, também da pragmática. Isto não
significa que asseverar e mentir são modos bastante típicos da informação
pictorial. A maioria das estratégias manipuladoras da informação pictória nos
meios de comunicação não são falsificações diretas da realidade expressas de
maneira assertiva, mas manipulação através de uma pluralidade de modos
indiretos de transmitir significados.

Barthes (1988), em sua crítica da linguagem, a qual é percebida pelo autor como
objeto de veiculação do poder, chama a atenção para o perigo imanente que decorre dessa

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manipulação de significados. “Em cada signo dorme este monstro: o estereótipo”, diz. Em
relação a questão imagética propriamente dita, o semiólogo francês, tece a seguinte
reflexão: “a linguagem me transforma em imagem (...) vejo o homem doente de Imagens,
doente de sua Imagem” (2004). Em seu primeiro artigo, publicado em 1962, no número
inicial da revista Communications, o autor já abordava essa questão, dentre os processos de
conotação da imagem fotográfica por ele definidos. A partir do conceito de pose, Barthes
(1969, apud TACCA, 2005) destacava as atitudes estereotipadas representadas pela
fotografia dentro de um contexto cultural.
Além dessa questão da produção incessante de imagens pela mídia, manipuladas no
interior de uma ideologia voltada para o consumo, como bem apontaria Baudrillard, apud
Sodré (2009), este último autor ainda chama a atenção para outra questão decorrente dessa
capacidade da mídia de manipular fatos, no qual assinala:

o “midiático” é apenas aquela parte de um fenômeno que a tecnocultura


“ilumina”, deixando fora desse foco partes em geral muito importantes, mas
não adequadas à imagem ou não afinadas com o jogo das aparências sociais
(...) Pode-se também deixar na obscuridade fatos históricos importantes e assim
apagá-los da consciência pública (...) Por isso é que se pode ocultar mostrando,
ou seja, exibir realisticamente um aspecto do mundo, mas ao mesmo tempo
impedir a sua justa interpretação por meio de um “engana-olho” estético: o
“agradável” da forma exibida anestesia sensorialmente a sensibilidade crítica.

Este “engana-olho”, ao qual Sodré se refere, e o conceito de pose desenvolvido por


Barthes para caracterizar certas significações da fotografia parecem se aplicar muito bem
para os sujeitos aos quais se destinam essa pesquisa: os índios. Com imagens que transitam
entre as concepções maniqueístas do bom selvagem e do mau comedor de gente (ou mesmo
aquelas que os julgam como estando já inteiramente corrompidos pelo contato com os
brancos), essas são as opiniões que parecem imperar no imaginário social acerca dos povos
indígenas. São julgamentos que denotam um profundo desconhecimento a cerca da
realidade dos índios no Brasil. E não há dúvidas de que a mídia tenha prestado significativa
contribuição para esta situação.
Os resultados apresentadas por Santilli (2000), após a realização de pesquisa sobre a
opinião pública brasileira a respeito de variados aspectos da vida e da cultura indígenas,
apontam para a seguinte conclusão:

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Os critérios de bom e mal continuam assombrando o imaginário coletivo dos
não índios. A qualquer tempo podemos encontrar nas ruas pessoas que
reproduzem essas visões estereotipadas. Elas são reforçadas o tempo todo pela
literatura e pela mídia. Se um índio estupra, ressurge o estereótipo do índio
violento. Se é assassinado, torna-se candidato a santo. Como os índios são os
outros, que se definem por oposição a nós, não devem ser gente como nós. Se
forem, correm o risco simbólico de estarem deixando de ser índios.

Essas reflexões mostram-se elementares tanto para se pensar a forma como a mídia
tem reproduzido, por meio das imagens que veicula, estereótipos e preconceitos a respeito
dos povos indígenas, como também servem de embasamento para a construção de novas
formas de trabalhar a problemática em questão. Para isso é necessário abrir espaço nos
meios de comunicação, quer sejam nos convencionais ou nas novas tecnologias, para um
olhar capaz de compreender a construção da identidade indígena, bem como contemplar
suas visões de mundo, o que deverá contribuir para o respeito a essas etnias, a partir da
formação de outro tipo de imaginário sobre esses povos: o de sujeito protagonista de sua
história, o de agente político e militante ativo na defesa de seus direitos, incluindo, entre
estes, o direito de manutenção e expressão de sua cultura.

Conclusão
A reflexão outrora apresentada parte da preocupação com a forma como a imagem
indígena tem sido explorada pela mídia convencional e tenta, assim, acalorar o debate,
ainda tímido em se tratando do contexto brasileiro, sobre o papel da comunicação enquanto
ferramenta de luta a favor de grupos marginalizados e oprimidos. Acreditamos que a
escassez, ou mesmo talvez a omissão, de estudos nesta área tenha sido um dos fatores
favoráveis para a reprodução dos lastimáveis quadros de injustiça aos quais os índios têm
sido submetidos ao longo da história de contato com os “brancos” ou “civilizados”.
O povo indígena vem sofrendo crescentes e constantes ameaças a sua cultura e a sua
existência enquanto grupo étnico e isso tampouco tem sido revelado para a maior parte da
população. Sabe-se que os modelos de mídia hoje vigentes, imensamente voltados para
padronização e homogeneização requeridas pela sociedade de consumo, muito têm
contribuído para o desenvolvimento e aplicação de tais projetos etnocidas. A partir de
olhares deficientes que denotam visões deturpadas sobre o ser indígena, a mídia tem

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colaborado para a ampliação das barreiras que emperram a boa convivência entre índios e
não índios.
A contraposição ao discurso unilateral veiculado pela mídia, por parte das
populações indígenas implicadas, é uma ação que precisa ganhar destaque dentro das atuais
políticas de comunicação. Isto implica considerar que o estudo e as práticas da
comunicação, em suas interfaces socioculturais, abre espaços para o diálogo com “o outro”,
ou seja, torna possível que os sujeitos invisíveis ao espetáculo midiático mostrem sua
verdadeira face, sua real expressão. Enfim, percebe-se e defende-se, aqui, a comunicação
enquanto espaço privilegiado (e estratégico) de manifestação da diversidade e da luta pela
cultura.

Bibliografia
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