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TEORIAS DA CULTURA II

Professora-Doutora Dinah Papi Guimaraens

CIBERCULTURA

Cibercultura é o “conjunto de técnicas materiais e intelectuais, de


práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores, que se
desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço".
Ciberespaço é o “novo meio de comunicação que surge com a
interconexão mundial de computadores"; é "o principal canal de
comunicação e suporte de memória da humanidade a partir do início do
século 21"; “espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial
dos computadores e das memórias dos computadores”; “ novo espaço
de comunicação, de sociabilidade, de organização e de transação, mas
também o novo mercado da informação e do conhecimento” que “tende
a tornar-se a principal infra-estrutura de produção, transação e
gerenciamento econômicos”. (LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34.
1999, p. 32, 92 e 170).

Mídia de massa Mídia digital


Ao permitir a reprodução e a difusão em massa dos textos e O digital é o absoluto da montagem, incidindo esta sobre os mais ínfimos fragmentos da
imagens, a prensa inaugura a era da mídia.
A mídia tem seu apogeu entre a metade do século XIX e a metade mensagem, uma disponibilidade indefinida e incessantemente reaberta à combinação, à
do século XX, graças à fotografia, gravação sonora, (...), ao cinema, mixagem, ao reordenamento dos signos.
ao rádio e à televisão [tecnologias de registro e difusão]. A informática é uma técnica molecular, pois não se contenta em reproduzir e difundir
A mídia fixa e reproduz as mensagens a fim de assegurar-lhes maior
as mensagens (o que, aliás, faz melhor do que a mídia clássica), ela permite sobretudo
alcance, melhor difusão no tempo e no espaço.
A mídia constitui uma tecnologia molar que só age sobre as engendrá-las, modificá-las à vontade, conferir-lhes capacidade de reação de grande
mensagens a partir de fora, por alto e em massa. sutileza, graças a um controle total de sua microestrutura.
A mídia clássica não é, numa primeira aproximação, uma técnica de O digital autoriza a fabricação de mensagens, sua modificação, bit por bit (ex.: permite
engendramento de signos; contenta-se em fixar, reproduzir,
transportar uma mensagem. o aumento de um objeto 128%, conservando sua forma; permite que se conserve o
Na comunicação escrita tradicional, todos os recursos de montagem timbre da voz ou de tal instrumento, mas, ao mesmo tempo, que se toque outra
são empregados no momento da criação. Uma vez impresso, o texto melodia).
material conserva certa estabilidade... aguardando desmontagens e
O hipertexto digital autoriza, materializa as operações (da leitura clássica), e amplia
remontagens do sentido, às quais se entregará o leitor.
consideravelmente seu alcance (...), ele propõe um reservatório, uma matriz dinâmica,
(LÉVY, P. A inteligência coletiva : por uma antropologia do a partir da qual um navegador, leitor ou usuário pode engendrar um texto específico.
ciberespaço. São Paulo, SP: Loyola, 1998, p.51-53).
(LÉVY, P. A inteligência coletiva : por uma antropologia do ciberespaço. São Paulo, SP:
Loyola, 1998, p.51-53).

PAULO FREIRE:
1. A educação autêntica não se faz de A para B ou de A sobre B, mas de
A com B.
2. Ensinar não é transmitir conhecimento, mas criar as possibilidades
para a sua própria produção ou construção.

PIERRE LÉVY:
1. A escola é uma instituição que há 5 mil anos se baseia no falar-ditar
do mestre.

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2. A principal função do professor não pode mais ser a difusão do
conhecimento que agora é feito de forma mais eficaz por outros meios.

JÉSUS MARTÍN-BARBERO:
1. Os professores só sabem raciocinar na transmissão linear separando
emissão de recepção.
2. Aumenta o hiato entre a experiência cultural de onde falam os
professores e aquela outra de onde aprendem os alunos.

Interatividade é um conceito de comunicação e não de informática.


Dizemos que há interatividade quando há comunicação co-criada pela
emissão e recepção. Dizemos que um sistema é interativo quando há
nele uma disposição para criar conexões, provocar conversas e
participações colaborativas dos interlocutores. Seja entre humanos, seja
entre máquinas, seja entre humanos e máquinas, há interatividade
quando prevalece bidirecionalidade ou multidirecionalidade entre os
pólos da comunicação.
A aprendizagem, baseada na dinâmica interativa, é mais intuitiva,
multissensorial; permite a experimentação e a participação. O educador
interativo é aquele que constrói uma rede e sugere meios de explorá-la
com vistas à construção colaborativa do conhecimento. Os alunos
manipulam os conteúdos de aprendizagem como pontos de partida e
não como pontos de chegada. Por meio de associações e conexões, de
forma não-linear, os alunos não só transitam por conteúdos, ele podem
transformá-los, ressignificá-los.
Ao retirar a informação do mundo analógico – o mundo ‘ real’,
compreensível e palpável para os seres humanos – e transportá-la para
o mundo digital, nós a tornamos infinitamente modificável (...). Nós a
transportamos para um meio que é infinita e facilmente manipulável.
Estamos aptos a, de um só golpe, transformar a informação livremente –
o que quer que ela represente no mundo real – de quase todas as
maneiras que desejarmos e podemos fazê-lo rápida, simples e
perfeitamente (...). Em particular, considero a significação da mídia
digital sendo manipulável no ponto da transmissão porque ela sugere
nada menos que um novo e sem precedente paradigma para a edição e
distribuição na mídia. O fato de as mídias digitais serem manipuláveis no
momento da transmissão significa algo realmente extraordinário:
usuários da mídia podem dar forma a sua própria prática. Isso significa
que informação manipulável pode ser informação interativa” (FELDMAN,
T. Introduction to digital media. New York/London: Routledge, 1997, p.4.)