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A INTERPRETAÇÃO JURÍDICA

INTERPRETAÇÃO – Ação de interpretar

Tornar claro o sentido de alguma coisa; explicar, traduzir.


Quem interpreta busca captar do objeto de interpretação sua
essência e colocá-la de forma traduzida como um novo plano
de entendimento.
Extrair do objeto tudo aquilo que ele tem de essencial – fixar
o sentido de alguma coisa.

INTERPRETAÇÃO DA NORMA JURÍDICA -

Fixação do sentido + Fixação do alcance da norma jurídica


A que situações ou pessoas a Norma Jurídica vai alcançar.
Na interpretação leva-se em conta a norma jurídica e todo o sistema jurídico ao qual a norma pertence.

Alguns doutrinadores separam os institutos da Interpretação Jurídica e o da Hermenêutica:

Interpretação Hermenêutica
A interpretação é um TRABALHO PRÁTICO A hermenêutica é a TEORIA CIENTÍFICA DA
elaborado pelo operador do Direito, através do qual INTERPRETAÇÃO, que busca construir um sistema
ele busca fixar o sentido e o alcance das normas que proporcione a fixação do sentido e alcance das
jurídicas. normas jurídicas.

A interpretação está para a ciência dogmática do direito, na medida em que a hermenêutica está para a ciência do
direito.

O cientista do direito tem como objeto de estudo a personalidade do homem e seus valores, quais sejam: condição
existencial; dignidade, vida, saúde, honra, intimidade, educação, verdade, bem comum e justiça.

A ação do cientista dogmático do Direito se dá na aceitação de dogmas e no cumprimento de regras técnicas


previamente estabelecidas pela Ciência Dogmática do Direito.
Para resolver questões do próprio direito incorpora valores prévios e modelos preexistentes, sempre seguindo
regras para orientar as ações dos outros.

* o intérprete – cientista do direito – observa as regras técnicas ensinadas nas escolas do direito (regras de
interpretação que neste contexto revelam a hermenêutica) e interpreta as normas e o sistema de forma a extrair o
melhor resultado TÉCNICO possível (que reflete a questão da dogmática)

• Para esclarecer essas questões, necessário se faz observar como a interpretação jurídica ocorre: quais são
seus propósitos, os princípios que a norteiam e as técnicas que fornece:
1 - O problema da linguagem.
2 - A norma clara precisa de interpretação?
3 - Busca-se o sentido da lei ou o sentido querido pelo legislador?
4 - O sistema jurídico.
5 - Regras de interpretação.
6 - O problema das lacunas e os meios de integração.
7 – A boa-fé objetiva como paradigma da conduta social.
1 – O PROBLEMA DA LINGUAGEM

CONCEITO DE LINGUAGEM – Expressão do pensamento por meio de palavra; qualquer meio de exprimir o que
se sente ou pensa; conjunto de sinais, visuais ou fonéticos, através dos quais se estabelece a comunicação.

IMPORTÂNCIA DA LINGUAGEM PARA O DIREITO – A linguagem impõe-se de maneira NECESSÁRIA para


o investigador do direito.
Direito e linguagem se confundem.

É pela linguagem escrita que a doutrina se põe, que a jurisprudência se torna conhecida, que as leis chegam ao
alcance dos aplicadores do direito... É pela linguagem escrita e falada que advogados, promotores e
procuradores defendem e debatem causas, é por ela que os juízes decidem... É pela linguagem escrita e falada
que os professores ensinam o Direito e os estudantes o aprendem...

A norma jurídica contém:


- Palavras, termos, expressões e propostas que se inter-relacioam
(função sintática).
- Palavras, termos, expressões e propostas que apontam um significado (função semântica).
- Palavras, termos, expressões e propostas utilizadas por pessoas e para pessoas num contexto social
(função pragmática).

Função sintática – sintaxe = parte da gramática que estuda a disposição das palavras na frase e a disposição
das frases nos discursos.

Função semântica – semântica – parte da gramática que estuda a significação das palavras.

Função pragmática – pragmática – ciência da ação, enquanto esta constitui uma ordem da realidade.

•Observando essas três funções que a norma jurídica tem, pode-se dizer que o aluno de direito vai aprender
uma nova linguagem (inter-relações - sintática e significados - semântica) e futuramente interpretá-la, ou
seja, traduzir essa linguagem para a sociedade (pragmática).
• Cada ciência tem sua linguagem própria, técnica, diferente da linguagem natural que, por sua vez, nasce
espontaneamente no seio da coletividade (português, espanhol) e por esse motivo podem vir cheias de
incertezas, indeterminações.
• Justamente por esse motivo (incerteza e indeterminações) é que a linguagem científica é técnica, tem rigor
nos seus conceitos, rigor nos seus termos, que devem ser claros, precisos e não deixar margem de dúvidas.
• O problema da linguagem do direito esta exatamente nesta questão... O direito foi feito para TODO O
CORPO SOCIAL cumprir , o direito civil, por exemplo, é escrito para que o cidadão brasileiro entenda e
cumpra seus comandos...
MAS ESTA NÃO É A REALIDADE.
• As normas são elaboradas por cientistas do direito e o texto final acaba tendo forte componente técnico,
inteligível muito mais pelos especialistas – que mesmo assim divergem sobre o que está prescrito nas
normas – do que pela sociedade à qual a lei é dirigida.
• Muitas vezes, algumas normas são realmente escritas apenas para os especialistas, como é o caso das
normas processuais, pois, apenas se utilizará das normas processuais, especialistas do direito (advogado,
juiz, promotor) e não o cidadão comum.
• Todo esse problema da linguagem faz com que o cidadão comum e a imprensa se equivoque e se confunda
a exemplo: confundir “furto” com “roubo”, “seqüestro” com “rapto”, “culpa” com “dolo”.
• Há, sobretudo, esforço do poder legislativo para levar à população normas jurídicas em linguagens mais
acessíveis. Ex.: CDC – que mesmo assim, possui terminologias do mundo técnico-jurídico.