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Queli Fernandes de Souza - quelisouzajpab@gmail.com - CPF: 113.247.

397-70
Wallace Mello é Bacharel em Teologia e responsável pelo Instituto
de Aperfeiçoamento Cristão. Tem mais de 20 anos de ministério
da Palavra, já ajudou mais de 30 mil alunos e é motivado por sua
própria trajetória como professor de teologia. Tem como meta
favorecer, privilegiar, beneficiar, enriquecer, possibilitar, auxiliar,
aprimorar milhares de pessoas com seus conteúdos inseridos
neste e-book/livro referente a todo o aprendizado que obteve do
início de seu ministério até aqui.
Este material é um chamado de incentivo aos que desejam
ensinar a Palavra de Deus com sabedoria e profundidade.
Também é uma convocação a agirem em total dependência da
pessoa e obra do Espírito Santo, a fim de guiá-los na árdua tarefa
do ensino cristão.
Ao Deus Altíssimo glória, honra e louvores eternamente!

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Índice
O QUE É TEOLOGIA? 3
O QUE É A BÍBLIA? 6
A INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA 10
A REVELAÇÃO DE DEUS 12
OS ATRIBUTOS DE DEUS 15
OS NOMES DE DEUS 22
A TRINDADE 28
A CRIAÇÃO 36
A CRIAÇÃO DO HOMEM E A QUEDA 39
O CONCEITO BÍBLICO DE PECADO 44
OS SERES ANGELICAIS 55
CRISTO JESUS 59
A EXPIAÇÃO 64
O ESPÍRITO SANTO 72
A SALVAÇÃO 76
O CÉU 80
O INFERNO 83
A IGREJA 88
A ORAÇÃO 93
ADORAÇÃO 97
A SANTIFICAÇÃO 102
AS ÚLTIMAS COISAS 106
DESEJA SE APROFUNDAR MAIS EM TEOLOGIA? 113

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O QUE É TEOLOGIA?

A palavra Teologia tem origem grega na união das palavra Teo


(Deus; divindade) e Logia (Estudo; Ciência; palavra; discurso).
Semanticamente, pode significar “estudo de Deus”; “ciência sobre
Deus”; “discurso sobre Deus”. Mas, a semântica não é suficiente
para explicar o significado da Teologia para a fé cristã.
Dizer que a teologia é o “estudo de Deus” é uma resposta,
diríamos, vaga. Isso porque rapidamente seríamos perguntados:
de que Deus? Como se estuda Deus? quem é esse Deus?
Então, precisamos entender que toda a disciplina tem um objeto
de estudo e um método.
Por exemplo, a matéria de História. Qual o objeto de um
historiador? Seu objeto é as fontes históricas. Por exemplo, um
artefato arqueológico ou uma carta antiga egípcia. E qual é o
método de estudo do historiador? Ele seleciona as fontes, busca
interpretá-las e trazer um discurso coerente a respeito do que está
analisando. Por exemplo, se você ler um livro sobre a Biografia de
Hitler, ele foi feito por um historiador que analisou as fontes, a
interpretou e escreveu este livro. Repito, uma disciplina tem objeto
de estudo e método.

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O mesmo acontece com a Teologia e o teólogo.
O objeto de estudo da teologia é a Revelação de Deus na História.
Deus se apresenta aos seres humanos, se apresentou a Abraão,
Moisés, Zacarias, Paulo e Pedro. Deus se manifesta hoje através
da Sua Palavra e Seu Espírito.
Ou seja, Deus se revela na história.
O teólogo estuda a revelação de Deus na história. Ou seja, ele
estuda a Bíblia, as informações históricas, o agir do Espírito, a
vida da Igreja e todos os vestígios da Revelação de Deus, para
entender e transmitir essa Revelação.
A teologia cristã é, portanto, o estudo da Revelação de Deus na
história. Não é um estudo de uma religião, não é apenas o estudo
dos livros bíblicos e também não é um estudo místico.
O objeto da Teologia é a Revelação de Deus na História.
O método da Teologia é a humildade, temor a Deus, seguimento a
Jesus, vida cristã, estudo da Palavra de Deus, comunhão com o
Espírito Santo, estudo das informações históricas, estudo da Igreja
e etc.
Veja que dizer que a teologia é “o estudo da Revelação de Deus
na história” é bem mais completo e valioso do que simplesmente
dizer “o estudo de Deus”.
Deus é grandioso, onipotente e onipresente; nós estudamos o que
Ele nos revelou. Estudamos todos os modos que Ele se manifesta
e Revela na vida dos seus seguidores.
A fonte primária da Teologia é a Bíblia, pois ela é o testemunho fiel
da Revelação de Deus. Mas, o teólogo está atento e sensível a
tudo que tem relação com a Bíblia e o que ela aponta. Por isso,
outros métodos da Teologia serão as línguas originais, a história
de Israel, a vida da Igreja antiga e contemporânea, o discipulado
cristão e etc.

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Hoje, podemos dizer que existem quatro modos de fazer teologia:
1. Teologia Bíblica: estudo da Bíblia de Forma exegética.Busca
compreender o que os textos bíblicos significam.
2. Teologia Sistemática: se utiliza da Teologia Bíblica para
sistematizar temas de interesse do presente. Por exemplo: o
que é a trindade? Quem é Jesus? Como serão os fins dos
tempos? Buscando responder essas perguntas a Teologia
Sistemática divide temas e tenta analisar o que a Bíblia toda
diz sobre determinado assunto. Então, temos as disciplinas
de Escatologia, Cristologia, Trindade e etc.
3. Teologia Histórica: estuda a história da Igreja, seus
fundamentos, características e movimentos do Espírito neste
processo.
4. Teologia Pastoral: busca responder os dilemas e desafios do
tempo presente; tentando pastorear a comunidade a viver
Cristo em meio aos desafios de seu tempo.
Concluindo, a Teologia é o estudo da Revelação de Deus na
história.

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O QUE É A BÍBLIA?

Se a principal fonte da Teologia é a Bíblia, torna-se fundamental


entender o que é a Bíblia e suas características. Toda a teologia
sistemática é baseada nas passagens bíblicas e as doutrinas
cristãs bebem da mensagem bíblica para florescer. Portanto,
verificaremos aspectos sobre a natureza da Bíblia nesta seção.
1) A autoridade da Bíblia
Podemos dizer que as palavras da Bíblia são palavras do Senhor.
Portanto, não crer nelas ou desobedecê-las é não crer em Deus
ou desobedecê-lo. Com muita frequência, as palavras do Antigo
Testamento são apresentadas pela frase: “Assim diz o Senhor”
(Ver Êxodo 4:22, Josué 24:2, 1 Samuel 10:18, Isaías 10:24 e
também Deuteronômio 18:18-20 e Jeremias 1:9.).
Essa frase, entendida como o mandamento de um rei, indicava
que o que se seguia deveria ser obedecido sem objeção ou
questionamento. Até mesmo as palavras no Antigo Testamento
não atribuídas a citações diretas de Deus são consideradas
palavras dele. Paulo, em 2 Timóteo 3:16, deixa isso bem claro

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quando escreve que “toda a Escritura é inspirada por Deus”. O
Novo Testamento também afirma que suas palavras são as
próprias palavras de Deus.
Em 2Pedro 3:16, o apóstolo se refere a todas as cartas de Paulo
como formando um todo com as “Escrituras”. Isso significa que
Pedro e a igreja primitiva consideravam os escritos como parte da
mesma categoria que os textos do Antigo Testamento. Por
conseguinte, tinham em conta os escritos paulinos como as
próprias palavras de Deus. Além disso, Paulo, em 1 Timóteo 5:18,
escreve que “a Escritura diz” duas coisas: “Não amordace o boi
enquanto está debulhando o cereal” e “o trabalhador merece o seu
salário”.
A primeira citação referente a um boi procede do Antigo
Testamento; ela é encontrada em Deuteronômio 25:4. A segunda
vem o Novo Testamento e é encontrada em Lucas 10:7. Paulo,
sem hesitação, cita textos tanto do Antigo quanto do Novo
Testamento, chamando-os de “Escrituras”.
Por isso, as palavras do Novo Testamento são consideradas as
próprias palavras de Deus. Consequentemente, Paulo podia
escrever: “o que lhes estou escrevendo é mandamento do Senhor”
(1 Coríntios 14:37). Uma vez que os escritos do Antigo e do Novo
Testamento são considerados Escritura, é certo dizer que ambos,
nas palavras de 2 Timóteo 3:16, são “inspirados por Deus”. Isso
faz sentido quando consideramos a promessa de Jesus de que o
Espírito Santo “faria lembrar” os discípulos de tudo quanto Jesus
lhes havia dito (João 14:26). Foi como os discípulos escreveram
as palavras inspiradas pelo Espírito, que livros como Mateus, João
e 1 e 2 Pedro foram escritos.
A verdade das Escrituras não exige que a Bíblia relate eventos
com detalhamento científico exato (embora todos os detalhes que
ela registra sejam verdadeiros), tampouco que nos conte tudo o
que precisamos conhecer ou poderíamos saber de um assunto.

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Ela nunca faz qualquer uma dessas afirmações. Além disso, como
foi escrita por homens comuns em uma linguagem comum e num
estilo comum, ela não contém citações livres ou soltas e algumas
incomuns e desusadas formas ortográficas e gramaticais. Mas
essas não são questões de veracidade. A Bíblia, em sua forma
original, não afirma nada contrariamente ao fato.
2) A necessidade da Escritura
A Bíblia apresenta as principais coisas necessárias para se tornar
um cristão e permanecer na fé. Sem a Bíblia, não poderíamos
conhecer essas coisas. A necessidade da Escritura significa que é
preciso ler a Bíblia ou ter alguém que nos diga o que nela se
encontra para conhecer Deus pessoalmente, obter perdão de
nossos pecados e saber com certeza o que ele quer que façamos.
Paulo sugere isso quando pergunta como alguém pode se tornar
um cristão “se não houver quem pregue” (Romanos 10:14).
Pois “a fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida
mediante a palavra de Cristo” (Romanos 10:17). Se não houver
ninguém pregando a palavra de Cristo, diz Paulo, as pessoas não
poderão ser salvas, e essa palavra vem da Escritura. Então, a fim
de saber como se tornar um cristão, normalmente é preciso ler
sobre o assunto na Bíblia ou ter acesso a alguém que explique o
que a Bíblia ensina. Como Paulo disse a Timóteo, “as sagradas
letras […] são capazes torná-lo sábio para a salvação mediante a
fé em Cristo Jesus” (2 Timóteo 3:15).
Contudo, a vida do cristão não começa apenas com a Bíblia, mas
também floresce por meio da Bíblia. Jesus disse em Mateus 4:4:
“Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que
procede da boca de Deus”. Assim como nossa vida física é
mantida pela ingestão diária de alimento físico, a vida espiritual é
sustentada pela Palavra de Deus. Sendo assim, negligenciar a
leitura regular da Bíblia é prejudicial à saúde de nossas almas.
Além disso, a Bíblia é a única fonte de claras e definitivas
declarações sobre a vontade de Deus.

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Conquanto Deus não tenha revelado todos os aspectos de seu
querer a nós — “pois as coisas encobertas pertencem ao Senhor,
o nosso Deus” —, há muitos aspectos de sua vontade reveladas a
nós por intermédio da Escritura — “para que sigamos todas as
palavras desta lei” (Deuteronômio 29:29). O amor por Deus é
demonstrado ao “guardar seus mandamentos” (1João 5:3), e seus
mandamentos são encontrados nas páginas da Escritura.
3) A suficiência das Escrituras
Na Bíblia, Deus deu instruções que nos equipam para “para toda a
boa obra” que ele quer que façamos (2Timóteo 3:16-17). Isso
significa dizer que a Escritura é “suficiente ”. Por conseguinte, é
tão somente na Escritura que buscamos as palavras divinas para
nós, e devemos, por fim, encontrar satisfação com o que nela se
acha.
A suficiência da Escritura deve nos encorajar a buscar e encontrar
por meio da Bíblia o que Deus quer que pensemos sobre certos
assuntos ou o que fazer em certa situação. Tudo o que Deus
tenciona dizer a seu povo, independentemente do momento e do
assunto ou situação em que nos encontremos, encontra-se nas
páginas da Bíblia. Conquanto a Bíblia não seja capaz responder
diretamente cada pergunta que possamos formular, pois “as
coisas encobertas pertencem ao Senhor, o nosso Deus”
(Deuteronômio 29:29), ela nos provê a guia de que precisamos
“para toda a boa obra” (2Timóteo 3:17).

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A INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA

Para falar sobre a interpretação da Bíblia vamos começar a


entender o que é Hermenêutica.
1) Definição Hermenêutica
é o estudo dos princípios de interpretação (hermenéia ou
hermenia = Interpretação). Enquanto a exegese interpreta a Bíblia
e revela seu significado, a hermenêutica estabelece os princípios
sobre os quais a exegese é aplicada.
2) Principais sistemas hermenêuticos
a) Interpretação literal – Também chamada de interpretação
“simples” ou “normal”, tem sua base no conceito da inspiração
verbal ou plenária da Bíblia. Interpreta as Escrituras de modo a
buscar o sentido normal das palavras;
b) Interpretação alegórica – Alegoria é uma representação
simbólica. Na interpretação alegórica, as palavras não são
entendidas em seu sentido normal, mas de maneira simbólica,
dando um significado
3) Razões para a hermenêutica literal

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a) Propósito da linguagem – Deus criou a linguagem de modo a
ser capaz e suficiente para comunicar as ideias. A Bíblia usa a
linguagem para transmitir sua mensagem do mesmo modo que os
homens se comunicam: por meio da linguagem simples;
b) Necessidade de objetividade – Sem a interpretação literal não
há objetividade no ensino bíblico. Cada um interpretaria um texto
como achasse melhor e haveria inúmeras inconsistências e
contradições na mensagem;
c) O exemplo da Bíblia – Todas as profecias sobre a primeira
vinda de Cristo foram cumpridas literalmente. Não só essas, mas
muitas outras foram proferidas usando o sentido normal ou
simples das palavras (veja Is 53.5; Mq 5.2; Ml 3.1).
4) Princípios da hermenêutica normal
a) Interpretação gramatical – O início da exegese de um texto é
encontrar o sentido gramatical das palavras que comunicam a
mensagem;
b) Interpretação contextual – O contexto deve ser estudado para
saber a relação do texto com outros textos anteriores e posteriores
a ele. Também é necessária a análise do tema do livro e a história
que envolve o escrito;
c) Comparar com a Escritura – O fato de Deus ter inspirado as
Escrituras confere a elas uma unidade ímpar. Assim, é possível
interpretar o sentido de um texto comparando-o ao de outros
textos;
d) Reconhecer a progressividade da revelação – A revelação de
Deus foi dada por meio das Escrituras aos poucos em um longo
período de tempo. Assim, o NT acrescenta muita informação e
doutrina que não foi revelada no AT. Portanto, não devemos
interpretar textos mais antigos de modo a ver neles conceitos
plenos que só foram revelados mais adiante.

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A REVELAÇÃO DE DEUS

1) Revelação Geral (ou também chamada de Teologia Natural)


Inclui tudo que Deus revelou no mundo à nossa volta, incluindo o
próprio homem. Não é suficiente para a salvação. Ela “apresenta”
evidências da existência de Deus.
● Atinge todas as pessoas (Mt 5.45; At 14.17).
● É geral no aspecto geográfico e econômico do planeta (Sl
19.2).
● Usa meios universais para sua percepção, como o calor do
Sol (Sl 19.4-6) e a consciência humana (Rm 2.14-15).
Meios de apresentação da Revelação Geral:
● Pela Criação – Todo efeito vem de uma causa. Tudo que
existe tem de ter sido formado a partir de uma causa
pré-existente (argumento cosmológico).
● Pela ordem do Universo – O Universo demonstra ter ordem e
um “propósito”. É necessário um criador com um propósito

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definido que tenha criado tudo com a ordem que existe
(argumento teleológico).
● Pela criação do homem – A existência do homem como um
ser moral, intelectual e religioso, diametralmente oposto ao
restante da criação, aponta para um criador também moral,
intelectual e espiritual que tenha nos dado forma (argumento
aPelo seu próprio ser –Se temos a ideia ou a noção de um
“Ser Perfeito” e de que para ser perfeito ele tem de existir,
logo, o “Ser Perfeito” deve mesmo existir (argumento
ontológico).
Conteúdos da Revelação Geral:
● A glória de Deus (Sl 19.1).
● Seu poder para realizar criação (Sl 19.1).
● Sua supremacia (Rm 1.20).
● Sua natureza divina (Rm 1.20).
● Seu controle providencial da natureza (At 14.17).
● Sua bondade (Mt 5.45). Sua inteligência (At 17.29).
● Sua existência (At 17.28).

2) Revelação Especial (ou também chamada de Teologia


Revelada)
É o que Deus revelou especificamente nas Escrituras, por meio
dos apóstolos e profetas. É requisito para a salvação. Ela
“pressupõe” a existência de Deus.
Meios da apresentação da Revelação Especial (ou específica):
● Vem de Deus (Jo 12.49).
● Vem por meio de Cristo (Hb 1.1-2).
● Vem da atuação do Espírito Santo (2Pe 1.20-21).
● É confiável e permanente (Mt 5.18; Lc 21.33).
● Está disponível para todos (Jo 20.31).

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● Expõe o caminho específico da salvação (Jo 5.39; Jo 20.31;
Rm 1.16)
● Não atinge efetivamente todas as pessoas (Jo 10.24-26)
● Atinge as ovelhas de Deus (Jo 10.27 cf. v.16)
● É compreendida pela ação do Espírito Santo (Jo 16.13).
● É fundamental para a salvação dos perdidos (1Co 1.21).
● É fundamental para a edificação dos santos (2Tm 3.16-17).
● É inerrante (não contém erros). É infalível (não conduz ao
erro).

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OS ATRIBUTOS DE DEUS

Sabemos sobre Deus à medida que Ele se revela. O Ser humano


conhece de Deus aquilo que Ele revela a nós. E isto é suficiente
para o nosso seguimento a Ele e glorificação ao Seu Nome.
Verificaremos agora Doze atributos de Deus. Dentre tantos,
selecionamos doze atributos para começarmos a compreender o
que as Escrituras afirmam sobre o Deus-Pai.
1) A definição de Deus e dos seus atributos
Deus não pode ser definido por uma palavra ou por uma frase.
Portanto, é necessário que tentemos, mesmo que de forma
limitada, descrever as “qualidades de Deus”, ou seus “atributos”.
Essa descrição é limitada, pois Deus é incompreensível a nós.
Por isso, o descrevemos com base apenas no que ele nos revelou
a seu respeito. Tais descrições apontam igualmente para o Pai, o
Filho e o Espírito Santo.
Os atributos de Deus podem ser divididos em duas categorias:
a) Atributos naturais e morais

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De modo apenas didático, os atributos naturais de Deus envolvem
sua essência (ex.: eternidade, imutabilidade) e os atributos morais,
sua vontade (ex.: santidade, justiça).
b) Atributos incomunicáveis e comunicáveis
Os atributos incomunicáveis são aqueles exclusivos de Deus,
como a eternidade e a onipotência. Apenas ele tem essas
qualidades e elas não foram transmitidas (comunicadas) a
nenhum ser criado. Deus não compartilhou tais atributos com o
homem.
Os atributos comunicáveis, por sua vez, foram impressos na
humanidade na criação: são a inteligência, a vontade e a
moralidade, entre outros
2) Deus é Amor
O amor envolve afeição, mas também envolve atitude de entrega,
cuidado e correção. O amor busca o bem do ser amado e paga o
preço pela promoção desse bem.
A Bíblia declara que “Deus é amor” (1Jo 4.8). Em relação ao
homem, esse amor se revela no fato de Deus se permitir amar os
pecadores. Isso é graça (Ef 2.4-8).
O amor foi derramado no coração do cristão (Rm 5.5) e quando
Deus corrige, demonstra amor pelos seus filhos (Hb 12.6,7).
Algumas características ligadas intimamente ao amor, até mesmo
fazendo parte dele, são: bondade, misericórdia, longanimidade e
graça. • A bondade divina pode ser definida como a preocupação
benevolente com suas criaturas (At 14.17).
● A misericórdia é o aspecto da bondade que faz Deus
demonstrar piedade e compaixão (Ef 2.4,5).
● A longanimidade fala sobre o controle diante das
provocações (1Pe 3.20).

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● Graça é o favor imerecido de Deus demonstrado
primariamente pela pessoa e obra de Jesus Cristo (2Tm 1.9).
O fato de Deus ser amor não é base para o “universalismo”, ou
seja, que, no final, ele acabará salvando todas as pessoas. O
amor não anula outros atributos de Deus como santidade e justiça.
Tal heresia é totalmente contraditória ao ensino bíblico (Mc
9.45-48).
3) Deus é eterno
O atributo da eternidade significa que Deus não tem começo nem
fim. Sua existência é eterna, tanto no passado como no futuro,
sem interrupções ou limitações causadas por uma sucessão de
eventos.
A autoexistência de Deus está intimamente ligada com sua
eternidade, pois, por não ter começo, ele não foi criado por outro,
existindo por si só. A Bíblia fala da eternidade de Deus (Sl 90.2;
Gn 21.33).
Uma das implicações da eternidade de Deus é que ela nos dá
muito conforto, visto que ele nunca deixará de existir e que seu
controle sustentador e providencial de todas as coisas e eventos
está assegurado.
4) Deus é conhecível
Deus não apenas existe; ele existe de tal modo que podemos
conhecer coisas a seu respeito e chegar a conhecê-lo
pessoalmente. Nunca, em verdade, podemos conhecer
plenamente a Deus. Ele é infinito, enquanto nós somos finitos. “É
impossível medir o seu conhecimento” (Salmos 147:5). O
conhecimento de Deus é “maravilhoso demais” para nós; “está
além” do nosso “alcance” (Salmos 139:6) e, se pudermos contar
os pensamentos de Deus, descobriremos que eles são maiores
em número do que os grãos de areia da terra (Salmos 139:17-18).

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Embora nunca conheçamos a Deus completamente, podemos
conhecê-lo pessoalmente. Jesus disse que a vida eterna é
encontrada ao conhecermos a Deus e tomarmos ciência de que
ele é “o único Deus verdadeiro” que o enviou (João 17:3). Isso é
muito melhor do que simplesmente conhecer sobre Deus.
Na verdade, em Jeremias 9:24 Deus diz: “Mas quem se gloriar,
glorie-se nisto: em compreender-me e conhecer-me”. Além de
conhecer a Deus, podemos saber mais sobre ele pelo que nos
conta de si mesmo nas páginas da Escritura. Por exemplo, a
Escritura nos diz que Deus é amor (1João 4:8), Deus é luz (1João
1:5), Deus é espírito (João 4:24), e Deus é justo (Romanos 3:26).
Alguns dos atributos de Deus são mais fáceis de entender, porque
são aqueles que ele compartilha conosco; outros podem ser mais
difíceis de entender, porque são atributos que ele não compartilha
conosco.
5) Deus é onipotente
Deus pode fazer qualquer coisa compatível com sua própria
natureza. Mesmo podendo tudo, o que ele escolhe fazer ou não
tem motivos que só ele conhece.
A Bíblia está repleta de textos que falam sobre a onipotência de
Deus (Gn 17.1; Ex 6.3; 2Co 6.18; Ap 1.8). A onipotência de Deus
tem limites? Alguns autores dizem que sim para explicar com
maior clareza sobre a onipotência:
• Limitações naturais (Tt 1.2; Tg 1.13, 2Tm 2.13).
• Limitações autoimpostas (Gn 9.11; At 12.2).
• Limitações por definição (ex.: 2+2=6 ou um triângulo de 4
pontas).
Essas limitações não tornam Deus imperfeito. Sua perfeição tem a
coerência como fator integrante. A perfeição de Deus não permite
que ele se torne imperfeito no uso da sua onipotência. O mais

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importante é que Deus não pode fazer coisas erradas. Em relação
ao cristão, o poder de Deus é principalmente relevante quanto ao
Evangelho (Rm 1.16), à segurança (1Pe 1.5) e à ressurreição
(1Co 6.14).
6) Deus é imutável
Também podemos dizer que Deus é imutável, mas não de todas
as maneiras que possamos pensar que ele seja. Em vez disso, ele
é imutável apenas nas maneiras pelas quais as Escrituras nos
dizem que ele é imutável: Deus é imutável em seu ser, atributos,
propósitos e promessas.
O salmista louva a Deus por ele permanecer o mesmo (Salmos
102:27). Deus afirma isso quando, em referência a seus atributos,
diz que não muda: “De fato eu, o Senhor, não mudo” (Malaquias
3:6). Enquanto Deus permanece o mesmo em seu ser e em seus
atributos, isso está em direta contradição conosco.
Nosso ser muda, e nossos atributos também. Deus, por outro
lado, permanecerá sempre o mesmo. Além disso, Deus é imutável
em seus propósitos. Uma vez que ele determine que fará algo,
aquilo será feito. Pois “os planos do Senhor permanecem para
sempre, os propósitos do seu coração por todas as gerações”
(Salmos 33:11). Seus planos para a eternidade (como aqueles
encontrados em Mateus 25:34 e Efésios 1:4,11) de fato
acontecerão.
Deus também é imutável em suas promessas. Como está escrito
em Números 23:19: “Deus não é homem para que minta, nem filho
do homem para que se arrependa. Acaso ele fala e deixa de agir?
Acaso ele promete e deixa de cumprir?”
7) Deus é onisciente
Deus sabe todas as coisas de modo pleno sem esforço algum.
Não há coisas ou assuntos que ele não conheça melhor que
outros. Ele conhece tudo igualmente bem. Deus nunca tem

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dúvidas, nem busca respostas (a não ser quando, de modo
didático, inquire os homens para o próprio bem deles). As
Escrituras enaltecem o conhecimento ilimitado de Deus (Sl
139.16; 147.4).
O fato de sabermos sobre a onisciência de Deus deve nos trazer
segurança, conforto e sobriedade (Hb 4.13).
8) Deus é espírito
Deus é Espírito, foi Jesus quem afirmou que Deus não está de
modo nenhum limitado a uma localização espacial quando disse:
“Deus é espírito” (João 4:24). Deus existe de tal modo que seu ser
não é feito de matéria. Ele não tem partes, nem tamanho, nem
dimensões. É impossível perceber sua existência por intermédio
de nossos sentidos. Pensar em seu ser nos termos de qualquer
outra coisa no universo criado seria uma falsa representação, pois
ele é mais excelente do que qualquer outro tipo de existência.
No entanto, o Senhor optou por nos tornar, em nossa natureza
espiritual, um pouco como ele próprio em sua natureza espiritual.
Ele nos dotou de espírito com o qual devemos adorá-lo (João
4:24). Paulo nos diz que quem está unido a Deus “é um espírito”
com ele (1 Coríntios 6:17). Como um espírito com Deus, seu
Santo Espírito dentro de nós testemunha de nosso status como
seus filhos adotados (Romanos 8:16). Quando morremos, se
unidos a ele, nosso espírito retornará “a Deus que o deu”
(Eclesiastes 12:7).
9) Deus é Santo
Significa que Deus é separado de tudo que é indigno ou impuro e
que, ao mesmo tempo, é completamente puro e distinto de todos
os outros. A santidade foi muito enfatizada por Deus no tempo do
AT (Lv 11.44; Is 40.25; Hc 1.12). No NT, a santidade é uma
qualidade marcante de Deus (Jo 17.11; 1Pe 1.15,16; Ap 4.8). A
santidade de Deus torna necessário o afastamento entre ele e os
pecadores — a menos que estes sejam feitos santos por

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intermédio dos méritos de Cristo. A santidade divina deve fazer o
cristão ser sensível ao seu pecado (Is 6.3,5; Lc 5.8). A santidade
dele o torna padrão para nossa vida e conduta (1Jo 1.7)
10) Deus é Verdade
Quer dizer que Deus é coerente consigo mesmo, que ele é tudo
que deveria ser, que ele se revelou como realmente é e que sua
revelação é totalmente confiável.
Deus é o único Deus verdadeiro (Jo 17.3), portanto, não pode
mentir (Tt 1.2) e é sempre confiável. Deus não pode fazer nada
que contradiga sua própria natureza e não é possível que quebre
sua palavra ou que não cumpra suas promessas (2Tm 2.13).

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OS NOMES DE DEUS

A análise de alguns nomes com que Deus é chamado na Bíblia


serve como revelação adicional do caráter de Deus. Além disso, o
uso do “nome do Senhor” sempre foi visto com muita reverência.
Invocar o nome do Senhor era o mesmo que adorá-lo (Gn 21.33).
Usar seu nome em vão era desonrá-lo (Ex 20.7). Assim,
percebemos que podemos aprender sobre o caráter e sobre o
relacionamento com Deus por meio do estudo de nomes aplicados
a ele nas Escrituras.
1) Elohim
O termo hebraico Elohim é utilizado para se referir à divindade
geral e significa que Deus é o forte, o líder poderoso, a divindade
suprema. Geralmente é traduzido na nossa Bíblia como Deus. É
interessante notar que Elohim é empregado na forma plural.
A terminação “im” é usada para indicar o plural em hebraico assim
como a letra “s” na língua portuguesa. Existem várias possíveis
razões para isso, mas a mais provável é que o plural, nesse caso,

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tenha a intenção de enaltecer o poder de Deus. Isso é conhecido
como “plural de majestade”.
Esse uso fica claro ao notar-se que os verbos, adjetivos e
pronomes ligados a Elohim no AT aparecem na forma singular
evidenciando não se tratar de vários deuses e sim de um Deus
Todo-poderoso.
Algumas implicações surgem do uso do nome Elohim aplicado a
Deus:
a) A soberania de Deus (Dt 10.17; Jr 32.27);
b) A ação de Deus como o criador (Gn 1.1; Is 45.18; Jn 1.9);
c) O juízo de Deus (Sl 50.6; 58.11).
d) As obras poderosas de Deus em favor de Israel (Sl 68.7-8).
Algumas derivações desse nome também servem para nos revelar
mais um pouco de Deus:
a) El Shaddai – Traz a ideia do Deus Todo-poderoso assentado
sobre uma montanha. Assim Deus se apresentou aos patriarcas
(Gn 17.1; Ex 6.3; Sl 91.1-2);
b) El Elyon – Significa Deus altíssimo e enfatiza a força, a
soberania e a supremacia de Deus (Gn 14.19);
c) El Olam – Significa Deus eterno e aponta para a imutabilidade
de Deus (Gn 21.33);
d) El Roi – Significa Deus que se vê (Gn 16.13-14). Agar o
chamou assim quando Deus falou com ela antes do nascimento
de Ismael.
2) YAHWEH
Esse nome também é conhecido por Jeová. Na nossa Bíblia
geralmente aparece no AT como Senhor em letras de caixa alta

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para diferenciarmos esse nome de outros que têm a mesma
tradução (SENHOR).
É também traduzido como EU SOU e significa que Deus é auto
existente. Apesar de várias pessoas no início do AT tratarem Deus
por esse nome, somente a Moisés foi dado conhecer seu sentido
mais profundo quando Deus se apresentou como “EU SOU O
QUE EU SOU” (Ex 3.14).
Yahweh era o nome pessoal de Deus pelo qual era conhecido por
Israel. Depois do exílio, foi considerado um nome sagrado e não
era mais pronunciado. Em lugar dele era usado Adonai.
Algumas implicações surgem do uso do nome Yahweh:
a) A autoexistência imutável de Deus (ver Jo 8.58 conforme Ex
3.14);
b) A presença constante de Deus entre seu povo (Ex 3.12 cf.
v.14);
c) O poder de Deus para agir em benefício do seu povo e para
manter sua aliança com ele (Ex 6.6).
Algumas derivações desse nome também servem para nos
apontar vários tipos de atuação de Deus para com a criação e
para com seu povo:
a) Yahweh Jireh – Significa “o SENHOR proverá” (Gn 22.14).
b) Yahweh Nissi – Significa “o SENHOR é minha bandeira” (Ex
17.15);
c) Yahweh Shalom – Significa “o SENHOR é paz” (Jz 6.24);
d) Yahweh Sabbaoth – Significa “o SENHOR dos exércitos” (1 Sm
1.3);
e) Yahweh Maccadeshkem – Significa “o SENHOR que vos
santifica” (Ex 31.13);

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f) Yahweh Raah – Significa “o SENHOR é meu pastor” (Sl 23.1);
g) Yahweh Tsidkenu – Significa “SENHOR, justiça nossa” (Jr 23.6);
h) Yahweh Shammah – Significa “o SENHOR está ali” (Ez 48.35);
i) Yahweh Elohim Israel – Significa “o SENHOR, Deus de Israel”
(Jz 5.3; Is 17.6)
3) Adonai
Adonai, assim como Elohim, é um plural de majestade. Aparece
na nossa Bíblia como “Senhor” (em letras normais) e significa
senhor, mestre, proprietário (vejam esses sentidos sendo
aplicados genericamente, não em relação a Deus, em Gn 19.2;
40.1; 1Sm 1.15).
Traz a ideia de que Deus tem autoridade absoluta sobre o homem.
Josué reconheceu a autoridade do príncipe do exército do Senhor
(Js 5.14) e Isaías submeteu-se à autoridade do Senhor, seu
mestre (Is 6.8-11).
O termo equivalente no NT é kyrios (Senhor).
4) Deus (Theos)
Theos é a mais frequente designação para Deus no NT. É usado
para se referir a Deus, mas há também textos em que theos
aponta para deuses pagãos (At 12.22, 1Co 8.5), para o diabo (2Co
4.4) e para a sensualidade (Fp 3.19).
O mais importante é que Jesus é chamado de theos (Rm 9.5; Jo
1.1,18, 20.28, Tt 2.13). Algumas implicações são:
a) Ele é o único Deus verdadeiro (Mt 23.9; Rm 3.30; 1Tm 2.5);
b) Ele é inigualável (1Tm 1.17; Mt 6.24);
c) Ele é transcendente (At 17.24; Hb 3.4)
d) Ele é o Salvador (1Tm 1.1; 2.3; 4.10).

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5) Senhor (Kyrios)
Das 717 vezes em que kyrios aparece no NT, 210 vezes aparece
nos escritos de Lucas e 275 nos de Paulo (67,7%). Kyrios enfatiza
autoridade e supremacia. Pode significar:
a) Senhor (Jo 4.11);
b) Dono (Lc 19.33);
c) Mestre (Cl 3.22);
d) Ídolos (1Co 8.5);
e) Maridos (1Pe 3.6).
Quando aplicado a Deus, expressa especialmente sua condição
de criador, seu poder e domínio justo sobre o universo. Jesus foi
chamado de kyrios no sentido de “rabi” ou “Senhor” (Mt 8.6).
Quando Tomé o chamou de “Senhor meu e Deus meu”, atribuiu a
ele divindade absoluta (Jo 20.28). A ordem de Rm 10.9 significa
reconhecer Jesus com a natureza e os atributos que pertencem
somente a Deus. Assim, a essência do cristianismo é reconhecer
que Jesus é o yahweh do AT.
6) Mestre (Despotes)
Despotes dá a ideia de propriedade, enquanto kyrios dá ideia de
autoridade. Deus é chamado várias vezes de despotes (Lc 2.29;
At 4.24, Ap 6.10). Jesus é chamado de despotes duas vezes (2Pe
2.1; Jd 4).
7) Pai
Deus é apresentado no NT como Pai. No AT o nome Pai designa
Deus 15 vezes. No NT isso acontece 245 vezes.
As atuações de Deus ressaltadas pelo nome Pai demonstram que
ele dá:

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a) Graça e paz (Ef 1.2; 1Ts 1.1);
b) Boas dádivas (Tg 1.7);
c) Mandamentos (2Jo 4);
d) Respostas de oração (Ef 2.18; 1Ts 3.11).

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A TRINDADE

Quando dizemos “Deus Pai, Jesus Cristo e Espírito Santo”


estamos falando mais do que simplesmente nomes diferentes
para uma pessoa; eles são, de fato, os nomes de três pessoas
muito distintas. Entretanto, embora Deus Pai, Deus o Filho (Jesus)
e Deus Espírito Santo coexistem eternamente como três pessoas
distintas, há apenas um Deus.
Essa é chamada de doutrina da Trindade. A ideia de três pessoas
e apenas um Deus é difícil de entender completamente. Mesmo
assim, é um dos conceitos mais importantes da fé cristã.
1) Fundamentos Bíblicos sobre a Trindade
O leitor ocasional das Escrituras encontrará somente dois
versículos, em toda a Bíblia, que parecem, à primeira vista,
passíveis de ser interpretados como fundamentados na doutrina
da Trindade: Mateus 28.19 e 2Coríntios 13.14.
Esses dois versículos tornaram-se profundamente arraigados na
consciência cristã: o primeiro, devido a sua associação com o
batismo e o segundo, por meio do uso disseminado da fórmula,
em orações e cultos cristãos. Contudo, esses dois versículos,
tomados em conjunto ou isoladamente, dificilmente podem ser

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concebidos como aquilo que constitui o fundamento da doutrina da
Trindade. Felizmente, os fundamentos dessa doutrina não se
encontram exclusivamente nesses dois versículos.
Ao contrário, os fundamentos da doutrina da Trindade podem ser
encontrados no modelo da atividade divina, difundido e
testemunhado pelo Novo Testamento. O Pai é revelado em Cristo
por meio do Espírito. Nos escritos do Novo Testamento, há uma
ligação extremamente próxima entre o Pai, o Filho e o Espírito.
Por diversas vezes, as passagens do Novo Testamento unem
esses três elementos, como parte integrante de um todo maior. Ao
que parece, a totalidade da presença e do poder redentor de Deus
somente poderia ser expressa por meio desses três elementos
(vide, por exemplo, lCo 12.4-6; 2Co 1.21-2; GL4.6; Ef 2.20-22; 2Ts
2.13,14; Tt 3.4- 6; lPe 1.2).
Há três tipos distintos, porém, inter-relacionados, de evidência: a
evidência a favor da unicidade de Deus — Deus é um; a evidência
de que há três pessoas que são Deus; finalmente, as indicações
ou, ao menos, as sugestões da ―triunidade‖.
2) A Trindade no Antigo Testamento
A religião dos antigos hebreus era uma fé rigorosamente
monoteísta, como de fato o é a religião judaica hoje. A unicidade
de Deus foi revelada a Israel em diversos momentos e de várias
maneiras.
Os Dez Mandamentos, por exemplo, começam com a afirmação:
―Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da
casa da escravidão. Não terás outros deuses além de mim‖ (Êx
20.2,3). A expressão hebraica traduzida por ―além de mim‖ é
‫ )על־פני‬aí -panai), que significa, literalmente, ―para a minha face‖.
Deus demonstrou sua realidade singular por meio daquilo que fez
e, portanto, tinha o direito à adoração exclusiva de Israel, bem
como à sua devoção e obediência.

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Nenhum outro deus comprovou dessa forma sua reivindicação de
divindade. A proibição de idolatria, o segundo mandamento (v. 4),
também se fundamenta na singularidade de Javé. Ele não tolera
nenhuma adoração de objetos humanamente construídos, porque
só ele é Deus.
A rejeição ao politeísmo permeia todo o AT. Deus demonstra
repetidamente sua superioridade sobre outros pretendentes à
divindade. Sem dúvida, pode-se defender que isso não prova de
forma conclusiva que o AT exigisse o monoteísmo. Poderia ser
simplesmente o caso de que o AT rejeitasse os deuses das outras
nações, mas haveria mais de um Deus verdadeiro dos israelitas.
Para responder a isso, precisamos destacar apenas que, em todo
o AT, pressupõe-se somente um Deus de Abraão, Isaque e Jacó,
não muitos (e.g., Ex 3.13-15). Uma indicação mais clara da
unicidade de Deus é o Shemá de Deuteronômio 6, as grandes
verdades que o povo de Israel deveria assimilar e inculcar em
seus filhos. As pessoas deveriam meditar nesses ensinamentos (E
estas palavras [...] estarão no teu coração‖, v. 6).
Deveriam falar a respeito de tais ensinamentos — em casa e
andando pelo caminho, ao deitar e ao levantar (v. 7). Elas
deveriam usar auxílios visuais com o objetivo de atrair a atenção
para eles — usando-os nas mãos e na testa, e escrevendo-os nos
batentes das portas de suas casas e nas próprias portas (v. 8-9).
Uma afirmação é indicativa, declarativa; a outra, um imperativo ou
uma ordem. ―Ouve, ó Israel: o Senhor nosso Deus é o único
Senhor‖ (v. 4). Mesmo havendo diversas traduções legítimas do
texto hebraico aqui, todas enfatizam igualmente a divindade única
e incomparável de Javé.
A segunda grande verdade que Deus desejava que Israel
aprendesse e ensinasse é uma ordem fundamentada em sua
singularidade: ―Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu
coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças‖ (v. 5).

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Porque ele é um, não deveria haver um compromisso dividido por
parte de Israel. Depois do Shemá (Dt 6.4,5), os mandamentos de
Exodo 20 são praticamente repetidos. Em termos positivos, o povo
de Deus ouve a ordem: ―Temerás o Senhor teu Deus, a ele
prestarás culto e jurarás pelo seu nome‖ (Dt 6.13).
Em termos negativos, eles ouvem: ―Não seguirás outros deuses,
os deuses dos povos que habitarem ao teu redor‖ (v. 14). Visto
que Deus é claramente o único Deus, nenhum dos deuses dos
povos ao redor poderia ser real e, assim, digno de serviço e
devoção (cf. Êx 15.11; Zc 14.9)
O Antigo Testamento não contém uma revelação plena da
existência trinitária de Deus, mas contém várias indicações dela. É
exatamente isto que se poderia esperar. A Bíblia nunca trata da
doutrina da Trindade como uma verdade abstrata, mas revela a
subsistência trinitária, em suas várias relações, como uma
verdade viva, em certa medida em conexão com as obras da
criação e da providência, mas particularmente em relação à obra
de redenção
3) A Trindade no Novo Testamento
O ensinamento sobre a unicidade de Deus não está restrito ao AT.
Tiago 2.19 recomenda a fé em um Deus, embora observando a
insuficiência dela para a justificação. Paulo também enfatiza a
singularidade de Deus.
O apóstolo escreve, em meio à discussão sobre comer a carne
que havia sido oferecida aos ídolos: ―Portanto, quanto ao comer
da carne sacrificada aos ídolos, sabemos que o ídolo no mundo
não é nada, e não há outro Deus, senão um só [...] o Pai, de quem
todas as coisas procedem e para quem vivemos; e um só Senhor,
Jesus Cristo, pelo qual todas as coisas existem e por meio de
quem também existimos‖ (ICo 8.4,6).
Aqui, Paulo, assim como a Lei mosaica, exclui a idolatria com
base no fato de que há somente um Deus. De forma semelhante,

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ele escreve a Timóteo: ―Porque há um só Deus e um só
Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem. Ele se
entregou em resgate por todos‖ (lTm 2.5,6).
Embora, à primeira vista, esses versículos pareçam distinguir
Jesus do único Deus, o Pai, a ênfase primordial da referência
anterior é que somente Deus é o verdadeiro Deus (os ídolos nada
são); e a ênfase primordial do segundo trecho é que há somente
um Deus e somente um mediador entre Deus e os seres
humanos. McRoberts afirma que em João começa o prólogo do
seu Evangelho com a revelação do Verbo: "No princípio era o
Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (Jo 1.1),
o apóstolo transmite a ideia de que nem Deus, nem o Verbo (gr.
Logos), tem começo; sempre existiram em conjunto, e assim
continua.
A segunda parte do versículo continua: "E o Verbo estava com
Deus [pros ton theon]". O Logos existe com Deus, em perfeita
comunhão, por toda a eternidade. A palavra pros (com) revela o
relacionamento "face a face" que o Pai e o Filho sempre
compartilharam.
A frase final de João é uma declaração nítida da divindade do
Verbo: "E o Verbo era Deus".10 João continua a revelar-nos que o
Verbo entrou na História (1.14) como Jesus de Nazaré, sendo Ele
mesmo "o Único Deus, que está ao lado do Pai". E o Verbo tornou
o Pai conhecido (1.18).
O Novo Testamento revela, ainda que, pelo fato de Jesus Cristo
ter compartilhado da glória de Deus desde toda a eternidade (Jo
17.5), Ele é objeto da adoração reservada somente a Deus: "Para
que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos
céus e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que
Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus" (Fp 2.10,11; ver
também Ex 20.3; Is 45.23; Hb 1.8).

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Foi através do Verbo eterno, Jesus Cristo, que Deus Pai criou
todas as coisas (Jo 1.3; Ap 3.14). Jesus se identifica como o
soberano "Eu sou" (Jo 8.58; cf. Êx 3.14). Em João 8.59, os judeus
sentiram-se impulsionados a pegar em pedras para matar a Jesus
em virtude dessa reivindicação. Tentaram fazer a mesma coisa
mais tarde depois de haver Ele declarado em João 10.30: "Eu e o
Pai somos um". Os judeus que o escutaram consideraram-no
blasfemo: "Sendo tu homem, te, fazes Deus a ti mesmo" (Jo
10.33; cf. Jo 5.18).
A exemplo de Deus, o Espírito Santo possui os atributos da
Deidade. Ele tem conhecimento de todas as coisas: "O Espírito
penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus...
Ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus" (1
Co 2.10,11). Ele está presente em todos os lugares (Sl 139.7,8).
Embora o Espírito Santo distribua dons entre os cristãos, Ele
mesmo permanece sendo "um só" (1 Co 12.11); Ele é constante
na sua natureza. Ele é a Verdade (Jo 15.26; 16.13; 1 Jo 5.6). Ele é
o Autor da Vida (Jo 3.3-6; Rm 8.10) mediante o renascimento e a
renovação (Tt 3.5) e nos sela para o dia da redenção (Ef 4.30).
O Pai e nosso Santificador (1 Ts 5.23), Jesus Cristo é nosso
Santificador (1 Co 1.2), e o Espírito Santo é nosso Santificador
(Rm 15.16). O Espírito Santo é nosso "Conselheiro" (Jo 14.16,26;
15.26), e habita naqueles que o temem (Jo 14.17; 1 Co 3.16,17;
6.19; 2 Co 6.16). Em Isaías 6.8-10, o profeta indica que Deus está
falando, e Paulo atribui a mesma passagem ao Espírito Santo (At
28.25,26). No que tange a isso, João Calvino observa:
"Realmente, onde os profetas usualmente dizem que as palavras
que pronunciam são as do Senhor dos Exércitos, Cristo e os
apóstolos as atribuem ao Espírito Santo [cf. 2 Pe 1.21]". Calvino
conclui: "Segue-se, portanto, que quem é o autor preeminente das
profecias é verdadeiramente Jeová [Yahweh]".
4) Conclusões sobre a Trindade

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"O conceito do Deus Trino e Uno acha-se somente na tradição
judaico-cristã". Esse conceito não surgiu mediante a especulação
dos sábios deste mundo, mas através da revelação outorgada
passo a passo na Palavra de Deus.
Em todos os escritos dos apóstolos, a Trindade é implícita e
tomada como certa ( Ef 1.1-14; 1 Pe 1.2). Fica claro que o Pai, o
Filho e o Espírito Santo, existem eternamente como três Pessoas
distintas, mas as Escrituras também revelam a unidade dos três
membros da Deidade.
As Pessoas da Trindade têm vontades separadas, porém nunca
conflitantes (Lc 22.42; 1 Co 12.11). O Pai fala ao Filho,
empregando o pronome da segunda pessoa do singular: "Tu és
meu Filho amado; em ti me tenho comprazido" (Lc 3.22). Jesus se
oferece ao Pai pelo Espírito (Hb 9.14). Declara que veio "não para
fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou" (Jo
6.38).
O nascimento virginal de Jesus Cristo revela o interrelacionamento
entre os três membros da Trindade. O relato de Lucas diz: "E,
respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo,
e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que
também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de
Deus" (Lc 1.35).
O único Deus é revelado como a Trindade na ocasião do batismo
de Jesus Cristo. O Filho subiu das águas. O Espírito Santo desceu
como pomba. O Pai falou dos Céus (Mt 3.16,17). Por ocasião da
criação, a Bíblia menciona o envolvimento do Espírito (Gn 1.2).
O autor da Epístola aos Hebreus, porém, declara explicitamente
que o Pai é o Criador (Hb 1.2), e João demonstra que a criação foi
realizada "por meio do"13 Filho (Jo 1.3; Ap 3.14). Quando o
apóstolo Paulo anuncia aos atenienses que Deus "fez o mundo e
tudo que nele há" (At 17.24), a única conclusão a que podemos

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razoavelmente chegar (juntamente com Atanásio) é que Deus é
"um só Deus na Trindade, e a Trindade na Unidade".
A ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos é outro exemplo
notável do relacionamento dentro da Deidade Trina e Una na
redenção. Paulo declara que o Pai de Jesus Cristo ressuscitou
nosso Senhor dentre os mortos (Rm 1.4; cf. 2 Co 1.3).
Jesus, contudo, declarou enfaticamente que ressuscitaria seu
próprio corpo da sepultura na glória da ressurreição (Jo 2.19-21).
Noutro texto, Paulo declara que Deus, mediante o Espírito Santo,
ressuscitou Cristo dentre os mortos (Rm 8.11; cf. Rm 1.4).
Lucas coroa teologicamente a ortodoxia trinitariana ao registrar a
proclamação do apóstolo Paulo aos atenienses de que o único
Deus ressuscitou a Cristo dentre os mortos (At 17.30,31). Jesus
coloca os três membros da Deidade no mesmo plano ao ordenar
aos seus discípulos: "Ide, ensinai todas as nações, batizando-as
em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mt 28.19).

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A CRIAÇÃO

Deus é criador. É o criador do Universo e de tudo que há. Antes


de Deus, nada existia e todas as coisas começam para nós e
nosso propósito quando Deus começa a criar os céus e a Terra.
Gênesis 1:1 chama de “céus e Terra”, foram criadas por Deus.
João 1:3 afirma: “Todas as coisas foram feitas por intermédio
dele”. E em Colossenses 1:16 lemos: “pois nele foram criadas
todas as coisas nos céus e na Terra, as visíveis e as invisíveis”.
E como vimos no capítulo anterior, todos os membros da Trindade
estiveram envolvidos nesse processo. Deus chamou toda a
criação à existência, desde a Terra e as águas às plantas e
animais (Gênesis 1:3-25) — isto é, toda a criação exceto o
homem.
Homem e mulher foram criados pelas mãos divinas e receberam
vida do próprio fôlego de Deus (Gênesis 2:7,22). Essa criação
intimista e especial é um sinal do lugar exclusivo que Deus
designou aos seres humanos dentro de sua criação. Além disso,
os seres humanos são os únicos que Deus criou “à sua própria
imagem” (Gênesis 1:27).

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Ser criado à imagem de Deus significa ser como ele para
representá-lo. Como imagem de Deus, o homem é o clímax de
toda a criação e mais semelhante a Deus do que qualquer outra
criatura, e a única designada por ele para governar o restante da
criação como seu representante (Gênesis 1:28-31).
Existem muitas teorias científicas que conflitam diretamente com a
visão bíblica da criação, como a de que todos os seres vivos
vieram do resultado de mutações aleatórias durante um longo
período de tempo, em vez de como resultado do projeto inteligente
de Deus e de seu poder infinito.
Essas teorias que não reconhecem Deus como o Criador não nos
conferem a dignidade dada pela narrativa bíblica. A Bíblia ensina
que, embora Deus não precisasse criar nada, ele preferiu criar-nos
e escolheu fazê-lo a sua imagem. Por outro lado, algumas vezes
as observações científicas do mundo podem corrigir os
mal-entendidos das pessoas.
Antigamente, muitos cristãos pensavam que a Bíblia ensinava que
o sol girava ao redor da Terra. Eles se opunham às teorias de
Galileu, cujas observações astronômicas o levaram a concluir que
a Terra gira em órbita ao redor do sol. Por fim, toda a igreja
reconheceu que a Bíblia jamais ensinou que o sol gira em torno da
Terra, e assim eles puderam aceitar as pesquisas de Galileu.
Devemos ter cuidado, então, ao tratar de questões sobre as quais
a Bíblia não fala claramente. E quando nossas observações do
mundo natural parecerem entrar em conflito com a compreensão
da Escritura, devemos examinar novamente ambas, procurando
descobrir onde nossa compreensão limitada e imperfeita poderia
estar equivocada.
Em última análise, um bom entendimento acerca da ciência e uma
compreensão adequada das Escrituras nunca estarão em conflito.
A Bíblia é clara: Deus criou a Terra e tudo o que nela há a partir do
nada. Ele criou o homem do pó da terra que havia feito. Antes da

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criação, nada existia senão Deus. Por consequência, nada é
eterno além de Deus. Ninguém além de Deus pode, no fim das
contas, governar sobre o que criou. Assim, nada além de Deus é
merecedor de nossa adoração.
Em virtude de sermos produtos especiais da criação de Deus,
esse fato deveria produzir profunda humildade em nós. Além
disso, por ter Deus criado o Universo do nada e, porque ele não
necessitava criá-lo, deve tê-lo feito por algum propósito.
Como somos produtos especiais da criação divina, isso nos
deveria dar grande dignidade.
Como Criador, Deus é distinto da sua criação. Ele não faz parte de
sua obra criadora. Deus é, de muitas maneiras, diferente de sua
criação. Ele fez todas as coisas e governa sobre elas. É
infinitamente maior do que a criação e muito independente dela, e
também não precisa da criação de forma nenhuma.

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A CRIAÇÃO DO HOMEM E A QUEDA

Após tratarmos da criação de Deus em seu aspecto geral, vamos


verificar agora brevemente alguns pontos importantes a respeito
da criação do homem. E, na sequência, sobre a queda.
Estruturamos essa seção em tópicos já que elaboramos de
maneira mais densa na seção anterior sobre a criação.
1) As principais características da criação
a) Foi planejada (Gn 1.26);
b) Ocorreu de forma direta, especial e imediata (Gn 1.27; 2.7);
c) O homem foi formado do pó da terra (Gn 2.7) de um modo
maravilhoso (Sl 139.14);
d) Foi dada ao homem uma alma (Gn 2.7). Essa alma é imortal, o
que dá ao homem um valor incomparável (Mt 16.26; Fp 1.22-23);
e) O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gn
1.26-27; 5.1; 9.6; 1Co 11.7).
2) O significado do conceito “Imagem de Deus”

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Quando a Bíblia diz que o homem foi criado à imagem de Deus
significa que Deus comunicou ao homem algumas qualidades que
não compartilhou com os outros seres terrestres:
● a) Inteligência (Sl 139.14);
● b) Emoções (Mt 26.38);
● c) Vontade (Pv 21.10)

3) A natureza do homem
O homem é formado por uma parte física e uma parte espiritual
(Gn 2.7). Esse conceito é chamado de “dicotomia”. O conceito que
crê que o homem é formado por corpo, alma e espírito, sendo que
o espírito é algo distinto e superior à alma, é conhecido como
“tricotomia”.
Na verdade, alma e espírito são duas palavras que se referem à
mesma coisa no homem. São termos intercambiáveis. Há certa
dificuldade nessa posição devido ao texto que se refere ao “corpo,
alma e espírito” (1Ts 5.23).
Entretanto, a grande ocorrência dos termos “alma” e “espírito” no
mesmo texto está em textos poéticos ou em textos que lançam
mão de um recurso retórico a fim de enfatizar uma ideia (Jó 7.11;
Jó 12.10; Is 26.9; 1Co 15.45; Hb 4.12).
4) A queda do homem
Antes de trazermos uma visão coerente sobre o relato da queda,
vejamos algumas posições de estudiosos sobre o relato da queda:
a) Alguns dizem que o relato da queda é apenas uma lenda;
b) Outros aceitam a “verdade” da história sem aceitar sua
credibilidade histórica. O relato da queda é visto como um mito
verdadeiro;

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c) Muitos veem o relato da queda como verdade factual e história.
Assim como se crê que o relato da criação é literal, também o da
queda do homem. Outros textos bíblicos apoiam a historicidade da
queda (Rm 5.12-21; 1Co 15.21-22; 1Tm 2.14).
Agora, vejamos a questão da tentação:
a) Adão tinha capacidade de pensamento e razão, pois era capaz
de dar nomes aos animais e pensar sobre seu relacionamento
com Eva (Gn 2.19-23). Também possuía uma linguagem com a
qual podia se comunicar (Gn 2.16,20,23).
b) Não tinha pecado e sua santidade o capacitava a se relacionar
com Deus. Era, entretanto, uma santidade não confirmada por não
ter sido posta à prova. O homem tinha liberdade para escolher e
avaliar suas escolhas.
c) Tinha a responsabilidade de exercer domínio sobre a terra (Gn
1.26-28; 2.15) e de desfrutar dos resultados do seu trabalho (Gn
2.16-17).
Sobre o teste e a tentação, podemos verificar os seguintes
aspectos:
O teste supremo era se Adão e Eva obedeceriam a Deus ou não.
Para isso, não podiam comer o fruto de uma árvore do jardim: a
árvore do conhecimento do bem e do mal. Ao estabelecer o teste,
Deus demonstrou querer que o homem o servisse e obedecesse
voluntariamente.
Satanás usou um ser que Eva conhecia a fim de tentá-la. Ele se
dirigiu a Eva provavelmente porque ela não recebeu a proibição
diretamente de Deus como aconteceu com Adão.
a) Satanás, que já havia desejado ser como Deus (Is 14.14),
sugeriu a Eva que seria bom para ela ser “como Deus”. Ele
transmitiu a ideia de que a ordem de Deus era baseada em um

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egoísmo pessoal e que as restrições impostas por Deus não são
boas.
b) Eva racionalizou o que estava prestes a fazer. Em primeiro
lugar, o fruto era bom para se comer. Em segundo, restrições
seriam, sob a óptica de Satanás, ruins. Assim, o fruto era gostoso,
daria sustento e traria conhecimento. Diante disso, a mulher
tomou, comeu o fruto e o deu ao seu marido para que também
comesse.
5) A penalidade da queda
O pecado de Adão e Eva teve consequências enormes sobre as
mais diversas áreas da criação de Deus. Vejamos quais são:
1. Sobre a raça humana (Gn 3.7-13) a) Sentimento de culpa que
ficou evidente na tentativa de encobrir o seu ato de pecado (v.7);
b) Perda de comunhão que ficou evidente na tentativa de se
esconder de Deus (v.8).
2. Sobre Satanás (Gn 3.15) a) Inimizade entre os descendentes
de Satanás (Jo 8.44; Ef 2.2) e a descendência da mulher; b) Morte
para Satanás e ferimento para Cristo, o que aconteceu na cruz do
Calvário (Hb 2.14; 1Jo 3.8).
3. Sobre Eva e as mulheres (Gn 3.16) a) Dor na concepção; b) O
desejo da mulher seria para o marido; c) Submissão ao marido.
4. Sobre Adão e os homens (Gn 3.17-24) a) Maldição sobre a
terra, o que tornou a obtenção do sustento um ato penoso; b) A
humanidade voltaria ao pó quando morresse; c) Expulsão do
Éden.
Sobre as consequências do pecado temos ainda que atentar para
alguns aspectos:
a) O pecado de Eva afetou Adão e o pecado de Adão afetou toda
a raça humana (Rm 5.12);

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b) O pecado nunca foi desfeito. É possível experimentar o perdão
de Deus, mas não é possível desfazer o pecado e o fato de os
homens serem pecadores. Apenas no céu o efeito do pecado não
atingirá mais os salvos.

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O CONCEITO BÍBLICO DE PECADO

A Bíblia utiliza muitas palavras, tanto em hebraico como em grego,


para definir o conceito de pecado:
1) No Antigo Testamento
a) Hata – Significa “errar o alvo”. Seu equivalente grego é
hamartano. A ideia é que o homem, ao errar o alvo, atinge outro
lugar, o lugar errado. Essa palavra designa pecados morais,
idolatria e pecados cerimoniais (Ex 20.20; Jz 20.16; Pv 8.36; 19.2);
b) Ra – Muitas vezes indica calamidade e frequentemente é
traduzindo como “mal” ou “perverso”. Pode indicar algo
moralmente errado (Gn 3.5; 38.7; Jz 11.27). O texto de Isaías 45.7
é controverso quanto ao sentido entre calamidade e mal, cuja
interpretação mais aceita é calamidade ou “mal punitivo”;
c) Pecha – “Rebelar”, “transgredir” ou “revoltar” (1Rs 12.19; 2Rs
3.5; Sl 51.13; Is 1.2);
d) Aon – “Iniquidade” ou “culpa” (1Sm 3.13; Is 53.6; Nm 15.30-31);
e) Shagah – “Errar” ou “extraviar-se” como uma ovelha ou um
bêbado (Is 28.7; Nm 15.22);

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f) Asham – Significa “culpado”, tem a ideia de “culpa perante
Deus” e aparece muito em rituais no tabernáculo e no templo (Lv
4.13; 5.2-3);
g) Rasha – “Perverso” ou “impiedade”, o contrário de justiça (Ex
2.13; Sl 9.16; Pv 15.9; Ez 18.23);
h) Taah – “Vaguear” ou “extraviar-se”. Indica pecado deliberado,
não incidental (Nm 15.22; Sl 58.3; 119.21; Is 53.6).
Com o estudo dessas palavras hebraicas podemos chegar a estas
conclusões sobre o pecado:
● O pecado pode assumir muitas formas e cada homem podia
estar ciente da forma particular do seu pecado;
● O pecado é aquilo que contraria uma norma e, por fim, acaba
sendo desobediência a Deus;
● A desobediência envolve tanto a omissão como o erro
deliberado.
● O pecado também não é apenas errar o alvo, mas acertar o
lugar errado.

2) No Novo Testamento
a) Kakós – Significa “algo ruim”. Pode referir-se a um mal físico,
mas normalmente indica um mal moral (Mt 21.41; Mc 7.21; At
9.13; Rm 12.17);
b) Ponerós – Termo básico para mal e quase sempre indica mal
moral (Mt 7.11; Rm 12.9). Também é usado para referir-se a
Satanás (Mt 13.19,38; 1Jo 2.13-14). Demônios também são
chamados de “espíritos malignos” (Lc 11.26; At 19.12);
c) Asebês – Significa “ímpio” e designa aqueles que não foram
salvos (Rm 4.5; 5.6; 1Tm 1.9; 1Pe 4.18);

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d) Énochos – “Réu” ou “culpado” e geralmente denota alguém que
pratica um crime passível de morte (Mt 5.21-22; Mc 14.64; 1Co
11.27; Tg 2.10);
e) Hamartia – Palavra mais usada para falar de pecado. Significa
“errar o alvo”. No NT quase sempre ocorre no contexto que fala de
perdão ou de salvação (Mt 1.21; Jo 1.29). Outras referências úteis
são Rm 5.12; 1Co 15.3;e Tg 1.15;
f) Adikía – Em sentido amplo se refere a qualquer conduta errada.
É usado para falar de pessoas não salvas (Rm 1.18), dinheiro (Lc
16.9) e ações (2Ts 2.10);
g) Anomos – Significa “sem lei” e é frequentemente traduzido
como “transgressão” ou “iniquidade” (Mt 13.41; 24.12; 1Tm 1.9);
h) Parabátes – “Transgressor” e é usada quando há violações
específicas da lei (Rm 2.23; Gl 3.19; Hb 9.15);
i) Agnoema – Se refere ao adorador que pratica uma adoração
falsa, o que o torna culpado e necessitado de um sacrifício (At
17.23; Rm 2.4; Hb 9.7);
j) Planáo – “Desgarrar” (1Pe 2.25), levar alguém para um caminho
mau (Mt 24.5-6) e enganar-se a si mesmo (1Jo 1.8).
k) Paraptôma – A ideia dessa palavra é de “cair ao lado de”, na
maioria das vezes de modo deliberado. Com frequência é
traduzida como “ofensa” (Mt 6.14; Rm 5.15-20; Gl 6.1);
l) Hypókrisis – Incorpora três ideias: “Interpretar falsamente”, como
faria um oráculo; “fingir”, como faria um ator; e “seguir uma
interpretação” reconhecidamente falsa (1Tm 4.2).
O estudo dessas palavras gregas nos leva a algumas conclusões
sobre o pecado:
● Sempre existe um padrão claro contra o qual o pecado é
cometido;

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● No final de tudo, o pecado é uma rebelião contra Deus e uma
transgressão de seus padrões;
● O mal pode assumir muitas formas;
● A responsabilidade do homem é entendida de forma clara e
definitiva

3) O Pecado nos ensinos de Cristo


A Bíblia utiliza muitas palavras, tanto em hebraico como em grego,
para definir o conceito de pecado:
A) Alguns Pecados Específicos
1. Sacrilégio (Mc 11.15-18) – “Uso profano de pessoa, lugar ou
objeto sagrado” (Dic. Aurélio);
2. Hipocrisia (Mt 23.1-36) Não praticavam o que pregavam (1-4);
Buscavam exaltar a si mesmos (5-12); Fugiam de seus
juramentos, tentando estabelecer diferenças entre jurar pelo
santuário ou pelo ouro do santuário (16-22); Davam o dízimo,
mas não faziam o que era justo (23); Externamente pareciam
justos, mas seus interiores eram hipócritas (25).
3. Avareza (Lc 12.15);
4. Blasfêmia (Mt 12.22-37);
5. Transgressão da Lei (Mt 15.3-6);
6. Orgulho (Mt 20.20-28; Lc 14.7-11);
7. Pedra de tropeço (Mt 18.6);
8. Deslealdade (Mt 8.19-22);
9. Imoralidade (Mt 5.27-32);
10. Ausência de frutos (Jo 15.16);
11. Ira (Mt 5.22);

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12. Pecados com palavras (Mt 5.33-37; 12.36);
13. Exibicionismo (Mt 6.1-18);
14. Falta de fé (Mt 6.25);
15. Mordomia irresponsável (Mt 25.14-30; Lc 19.11-27);
16. Falta de oração (Lc 18.1-8).
B) Algumas Categorias de Pecado
1. Violações da Lei Mosaica (Mc 7.9-13);
2. Pecados abertos (apesar de todos os pecados incorrerem em
culpa, há pecados mais graves – Mt 7.1-5; 12.22-37; 21.33-46; Jo
19.11);
3. Atitudes internas erradas (Lc 12.13-15; Mt 20.20-22);
4. Fermento a) dos fariseus (Mt 23.14,26,29; Mc 8.15; Lc 12.1); b)
dos saduceus (Mt 16.6); c) dos herodianos (Mc 8.15).
C) Algumas origens do Pecado
1. Satanás (Mt 12.26; 13.19,39; Jo 8.44; 12.31);
2. O mundo (Jo 15.18-19)
3. O coração (Mt 15.19).
D) A universalidade do Pecado
Jesus afirmou que somente Deus é bom e que nenhum ser
humano pode ser considerado bom (Mt 19.17). Ele também
declarou que até seus discípulos escolhidos eram maus (Lc
11.13).
E) Algumas Consequências do Pecado
1. Afeta nossa vontade (Jo 8.44; Lc 4.18);
2. Afeta os outros (Lc 15.20; 20.46-47).

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F) O Perdão do Pecado
1. As bases do perdão são o Senhor Jesus (Jo 1.29) e sua obra
na cruz (Mt 20.28; 26.28);
2. Uma das consequências do perdão é que os que são
perdoados devem também perdoar os outros (Mt 6.14-15;
18.21-35; Lc 17.3-4).
4) O pecado Original
Pecado original (herdado) é o estado pecaminoso em que nascem
todas as pessoas. Herdam tal realidade dos próprios pais. É
também chamado de pecado transmitido, natureza pecaminosa e
pecado original.
A) A Evidência nas Escrituras
1. Somos por natureza “filhos da ira” (Ef 2.3);
2. Não adquirimos essa condição durante a vida, mas somos
concebidos com ela (Sl 51.5);
3. Todos os homens estão debaixo dessa realidade que cega (2Co
4.4), obscurece o entendimento e torna o homem alheio a Deus
(Ef 4.18), corrompe a consciência e as emoções (Rm 1.21,24,26;
Tt 1.15) e aprisiona a vontade fazendo o homem se opor a Deus
(Rm 6.20; 7.20).
B) Depravação Total
A Bíblia demonstra que o homem é “totalmente depravado”.
Depravação, no caso, significa perversão ou corrupção. Essa
realidade é muito ampla e atinge:
1) Todos os aspectos da vida humana;
2) Todas as pessoas.
O conceito da depravação total “não significa” que:

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1) Toda pessoa demonstra sua depravação de maneira tão
completa quanto poderia;
2) Os pecadores não têm consciência ou “indução natural” a
respeito de Deus;
3) Os pecadores incorrerão em “todas” as formas de pecado;
4) As pessoas não fazem coisas boas aos olhos dos outros.
Com certeza, a depravação total “significa” que:
1) A corrupção se estende a todos os aspectos e faculdades da
vida humana;
2) Não existe nada, em pessoa alguma, que faça com que ela seja
aceita por um Deus justo.
C) As Penalidades ligadas ao pecado herdado
A morte é a penalidade do pecado herdado e ela se acha presente
nos pecadores enquanto estão vivos (Ef 2.1-3) e se perpetua
depois da morte física se o pecador não é regenerado pela fé (Ap
20.11-15)
D) A Transmissão do Pecado Herdado
O pecado herdado é transmitido de uma geração para outra,
assim como a parte física, por geração natural. Todo novo ser
humano nasce com as características dos seus progenitores,
incluindo sua natureza de pecado (Gn 5.3; Sl 51.5; Rm 5.12).
F) O remédio para o Pecado Herdado
1) Libertação da escravidão do pecado “fazendo morrer nossa
antiga natureza” (Rm 6.18; Gl 5.24);
2) Liberdade completa por meio da ressurreição (1Co 15.42).

5) Os Pecados Pessoais

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São os atos de pecados que os homens cometem e que são
contrários aos ensinos de Deus e ao próprio Deus. Forma uma
tríade juntamente com o pecado herdado e o pecado imputado da
seguinte forma:
1. A natureza pecaminosa (pecado herdado);
2. Os atos de pecado (pecados pessoais);
3. A culpa pelo pecado (pecado imputado).

A) Algumas características dos pecados pessoais


1. Universalidade – Todos cometem pecados (Rm 3.9-10,23);
2. Abrangência – São pecados não apenas aqueles que podem
ser vistos, mas também aqueles que são cometidos em
pensamentos (Mt 5.27,28; Cl 3.5,6). Além disso, pecados por
omissão são tão errados quanto aqueles que são realizados (Tg
4.17);
3. Classificação – Há diferença de gravidade entre classes
diferentes de pecado. Jesus disse que o pecado de Caifás era pior
do que o de Pilatos (Jo 19.11). O AT trata de forma diversa
pecados cometidos por ignorância (Lv 4.22-24) de pecados de
rebeldia, chamados de “atrevimento” (Nm 15.30,31). Níveis de
conhecimentos diferenciados da vontade de Deus produzem
pecados com consequências diferentes (Lc 12.47,48). A Bíblia
também se refere a um pecado imperdoável (Mt 12.31,32) e
pecados que são para morte (1Jo 5.16).

B) A Transmissão de Pecados Pessoais


Os pecados pessoais não são transmitidos de uma pessoa ou de
uma geração para outra. Cada pessoa comete seus próprios
pecados e é responsável por eles.

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C) O remédio para os pecados pessoais
O remédio é o perdão. Para os crentes, o perdão de Cristo cobre
toda a culpa pelos pecados (Ef 1.7) e restaura o bom
relacionamento e a comunhão com Deus e com a Igreja (1Jo 1.9).
Para o incrédulo, o perdão traz salvação e libertação das
penalidades do pecado (Rm 8.1).
6) O cristão e o pecado
Um problema difícil para o cristão é o fato de, apesar de salvo,
continuar pecador. O vislumbre da impossibilidade de pecar pode
gerar um de dois erros: o perfeccionismo ou o antinomismo. O
perfeccionismo ensina que o cristão não deve nunca mais pecar e
crê ser possível viver sem pecado.
Assim, coloca uma carga insustentável sobre os crentes de modo
a desprezar a graça de Deus. O antinomismo é o relaxamento do
padrão de santidade sob a desculpa de que, já que não se pode
deixar de pecar, é bobagem lutar contra o pecado, de modo a
desprezar a santidade de Deus.
Essas duas opções levam à escravidão e à libertinagem,
respectivamente. O correto é que o cristão ande na luz (1Jo 1.7)
desfrutando tanto da transformação da vida regenerada, como do
perdão do Salvador.
A) Os inimigos dos cristãos
1. O mundo – Refere-se ao sistema de vida mundano patrocinado
por Satanás, do qual o cristão foi retirado (Gl 1.4; Ef 2.2). Várias
são as informações contidas na Bíblia sobre como o cristão pode
se defender do mundo: a. A armadura de Deus (Ef 6.13-18). b. O
conhecimento das estratégias de Satanás (2Co 2.11). c. A
vigilância (1Pe 5.8).

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2. A carne – Refere-se à pecaminosidade que há em cada um, a
qual produz obras más (Gl 5.19), é caracterizada por paixões e
concupiscências (1Jo 2.16) e pode escravizar o cristão (Rm 7.25).
O modo de combater essa tendência ao pecado é a negação
pessoal (Gl 5.24) e a dependência do Espírito para realizar obras
contrárias às da carne (Gl 5.22-23).
3. O Diabo – Satanás é o grande inimigo dos cristãos. Ele é
perigoso, pois possui estratégias muito bem planejadas (2Co 2.11;
Ef 6.11), é persistente na busca de ocasiões de atacar (1Pe 5.8) e
é poderoso (Ef 6.12).
B) Penalidades pelo pecado
1. Para o ímpio – O ímpio que morre sem o perdão dos seus
pecados sofrerá o tormento eterno no lago de fogo (Ap 20.15).
2. Para o cristão pecador – Quando o cristão peca, há a perda de
comunhão com Deus e com a igreja (1Jo 1.3,6,7) e de alegria (Jo
15.10,11). Além disso, quando o crente peca, ele anda na
escuridão (1Jo 2.10,11) e tem a oração focada na vontade de
Deus (1Jo 3.21,22).
3. Para o cristão que persiste no pecado – Os cristãos que
persistem em viver no pecado de maneira contínua podem ser
disciplinados por Deus (Hb 12.5-11), excluídos da comunhão da
igreja (Mt 18.17; 1Co 5.1-5,13; 1Tm 1.20) e até sofrerem
consequências maiores como doenças e morte (1Co 11.30)
C) A Prevenção do Pecado
1. A Palavra de Deus – As Escrituras, quando aprendidas e
memorizadas, nos ajudam a lutar contra o pecado (Sl 119.11).
2. A intercessão de Cristo – Jesus, que intercede pelos crentes
(Rm 8.34; Hb 7.25), demonstrou ter interesse em nos ajudar a
lutar contra o pecado, intercedendo por nós também nesse
aspecto (Lc 22.32, Jo 17.15).

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3. A habitação do Espírito Santo – O Espírito Santo habita em
cada cristão ajudando-o a combater o mal. Ele exerce uma
atividade instrutiva sobre os filhos de Deus (Jo 14.26). Pelo ensino
é possível ao crente discernir entre o bem e o mal, entre a
verdade e o erro (Hb 5.14). Além disso, uma ótima maneira de
lutar contra o mal é fazer o bem, de modo que o Espírito Santo
capacita o cristão a fazer o bem (1Co 12.4-7; Gl 5.22-23).
D) O remédio para o pecado
O remédio para o pecado é a confissão (1Jo 1.9). Isso não
significa simplesmente mencionar uma lista de pecados, mas se
arrepender deles e deixá-los.

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OS SERES ANGELICAIS

Existem criaturas que foram criadas por Deus que chamamos de


anjos e demônios. Satanás, que é um anjo mau, é considerado o
chefe dos demônios. Nesta seção verificaremos sobre o que a
Bíblia ensina sobre os seres angelicais.
1) Anjos
Os anjos são seres espirituais criados e dotados de julgamento
moral e elevada inteligência, mas sem corpos físicos. Eles são
guerreiros de Deus e, como um grupo, são muitas vezes
denominados de hostes (ou exércitos) do céu.
Eles nem sempre existiram; mas são parte do Universo que Deus
criou. Esdras afirma isso quando diz acerca de Deus: “Só tu és
Senhor; tu fizeste o céu, o céu dos céus, e todo o seu exército”
(Neemias 9:6). Uma vez que os anjos são “espíritos” (Hebreus
1:14), eles não possuem corpos físicos, pois, como Jesus disse:
“Um espírito não tem carne nem ossos” (Lucas 24:39).
Portanto, os anjos não podem ser vistos normalmente, a menos
que o Senhor abra nossos olhos (como fez com Balaão em

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Números 22:31), eles assumam forma corporal para aparecer
(como aconteceu no túmulo de Jesus em Mateus 28:5).
Normalmente, porém, os anjos são invisíveis enquanto realizam
suas atividades comuns de nos proteger de todas as maneiras
(Salmos 91:11) e se juntam a nós em nossa adoração a Deus
(Hebreus 12:22).
Os anjos demonstraram julgamento moral quando pecaram e
foram expulsos do céu (2Pedro 2:4). Eles evidenciam sua
inteligência por meio de diálogo com os humanos (ver Mateus
28:5) e cantam louvores a Deus (ver Apocalipse 4:11).
Os anjos possuem grande poder — eles são chamados de
“poderosos” (Salmos 103:20) e são “maiores em força e poder” do
que os injustos seres humanos (2Pedro 2:11). Mesmo assim,
Deus demonstra maior amor pelos humanos do que pelos anjos,
porque ele “não poupou os anjos que pecaram, mas os lançou no
inferno, prendendo-os em abismos tenebrosos” (2Pedro 2:4).
Ao contrário, quando Adão e Eva pecaram, embora fossem
expulsos do paraíso, não foram lançados no inferno. Em lugar de
colocá-los em cadeias, Deus lhes fez vestes para cobrir sua
vergonha (Gênesis 3:21-23). Como os anjos realizam de maneira
diligente os planos de Deus ao cumprir “sua palavra” (Salmos
103:20), eles nos servem de exemplo.
Também nos servem como exemplo ao adorarem e glorificarem
continuamente ao Senhor (ver Isaías 6:2-3). Deveríamos,
portanto, estar cientes da presença invisível dos anjos enquanto
nos empenhamos em nossa vida diária. Eles podem se unir a nós
na adoração, protegendo-nos e guardando-nos, ou mesmo
visitando-nos como estrangeiros em busca de hospitalidade
(Hebreus 13:2).
Mas não devemos orar a anjos ou adorá-los. Quando João tentou
adorar um anjo, este prontamente lhe disse: “Não faça isso! Sou
servo como você e como os seus irmãos que se mantêm fiéis ao

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testemunho de Jesus” (Apocalipse 19:10). Devemos tão somente
adorar ao Senhor e orar a ele. Não devemos tratar anjos, que são
parte da criação de Deus, da mesma forma que tratamos a Deus.
2) Demônios
Os demônios são anjos maus que pecaram contra Deus e que
agora praticam continuamente o mal no mundo. Eles são os anjos
que pecaram e a quem “Deus não poupou, mas os lançou no
inferno, prendendo-os em abismos tenebrosos” (2Pedro 2:4).
Mas os demônios não foram criados maus. Como integrantes da
criação original, eles eram parte do “tudo” o que Deus criara e
considerara “muito bom” (Gênesis 1:31). Embora a Bíblia não nos
diga especificamente quando eles caíram, no entanto, entre sua
criação e a tentação de Satanás para que Eva pecasse, eles “não
conservaram suas posições de autoridade, mas abandonaram sua
própria morada” (Judas 1:6) e foram lançados no inferno. S
atanás é o nome próprio do líder dos demônios. Ele é mencionado
por nome em passagens como 1Crônicas 21:1, onde diz: “Satanás
levantou-se contra Israel e levou Davi a fazer um recenseamento
do povo”. Jesus falou diretamente com ele quando tentado no
deserto: “Retire-se, Satanás!” (Mateus 4:10).
Quando os discípulos disseram a Jesus que os demônios se
sujeitavam a seu nome, o Salvador lhes respondeu, dizendo: “Eu
vi Satanás caindo do céu como relâmpago” (Lucas 10:18). A Bíblia
também usa os seguintes nomes para Satanás: “o diabo” (Mateus
4:1), “a serpente” (Gênesis 3:1), “Belzebu” (Mateus 10:25), “o
príncipe deste mundo” (João 12:31), “o príncipe do poder do ar”
(Efésios 2:2) e “o maligno” (Mateus 13:19).
Satanás foi “homicida desde o princípio” e o “pai da mentira” (João
8:44). “O diabo”, nos diz em 1João 3:8, “pecou desde o início”. Ele
é o criador do pecado, tendo pecado antes de enganar “Eva com
astúcia” (2Coríntios 11:3). Ele também tentou Cristo a cometer

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pecado (Mateus 4:1-11) para levá-lo a falhar em sua missão de
“destruir as obras do diabo” (1João 3:8).
Satanás e seus demônios tentam usar todo tipo de tática
destrutiva para cegar as pessoas para que não vejam “a luz do
evangelho da glória de Cristo” (2Coríntios 4:4). Eles também usam
estratégias destruidoras semelhantes como tentação, dúvida,
mentiras, assassinato, culpa, medo, confusão, doenças, inveja,
orgulho e calúnia para impedir o propósito e o testemunho do
cristão.
O diabo e seus anjos são limitados tanto em seu próprio poder
como pelo controle de Deus naquilo que podem ou não fazer. Eles
são mantidos em “em trevas, presos com correntes eternas”
(Judas 6).
O próprio Satanás pode ser resistido com sucesso pela autoridade
de Cristo: “Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês” (Tiago 4:7).
Ele e seus demônios não podem conhecer o futuro, pois só Deus
pode declarar “desde o início […] o fim, desde tempos remotos, o
que ainda virá” (Isaías 46:10).
Embora sejam capazes de observar o que fazemos diariamente (e
daí tirar conclusões sobre nossos pensamentos ou futuro), eles
não sabem com certeza o que estamos pensando ou o que nosso
futuro reserva (ver Daniel 2:27-28, onde ninguém falava por
qualquer outro poder senão o Deus dos céus que pôde conhecer o
sonho do rei).

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CRISTO JESUS

Em Jesus, Deus e o homem tornaram-se uma pessoa, um ser


diferente de qualquer outro que o mundo já viu ou jamais verá.
Jesus Cristo era, e para sempre será, totalmente Deus e
totalmente homem numa só pessoa, e essa pessoa mudou o
curso da história para sempre.
1) Jesus, plenamente homem
Jesus era plena e completamente humano. Ele foi concebido no
útero de sua mãe por uma obra milagrosa do Espírito Santo, o que
está bem claro em Mateus 1:18: “Foi assim o nascimento de Jesus
Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José,
mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito
Santo”.
Conquanto muitas coisas pudessem ser ditas sobre isso, uma fica
bem evidente: Jesus nasceu de mãe humana. Seu nascimento
comum a todos os humanos confirma sua humanidade. Assim
como temos um corpo humano, Jesus também o possuía.
Quando criança, ele “crescia e se fortalecia” (Lucas 2:40) e, à
medida que amadurecia, crescia “em sabedoria, estatura e graça
diante de Deus e dos homens” (Lucas 2:52). Ele se cansava de

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uma viagem (João 4:6); após jejuar, “sentia fome” (Mateus 4:2);
enquanto na cruz, disse: “Tenho sede” (João 19:28).
Seu corpo era, em todos os aspectos, exatamente como o nosso.
Jesus ressuscitou da morte em um corpo físico e humano, que
não estava mais sujeito a fraqueza, doença ou morte. Como ele
disse a seus discípulos que se surpreenderam ao ver o Cristo
ressuscitado: “Vejam as minhas mãos e os meus pés. Sou eu
mesmo! Toquem-me e vejam; um espírito não tem carne nem
ossos, como vocês estão vendo que eu tenho” (Lucas 24:39).
Jesus continua vivendo em seu corpo humano, porém perfeito, no
céu. A mente de Jesus era como a nossa também, e ele teve de
passar por um processo de aprendizagem como qualquer criança.
Lucas, por exemplo, nos diz que ele “crescia em sabedoria”
(Lucas 2:52). Como uma criança normal, ele aprendeu a fazer
coisas como falar, ler, escrever e comer.
Em sua natureza humana, ele não sabia o dia em que iria retornar
à Terra; “quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos no
céu, nem o Filho, senão somente o Pai” (Marcos 13:32). Além
disso, Jesus sentiu toda a gama de emoções: ele “admirou-se” da
fé do centurião (Mateus 8:10); “chorou” pela morte de seu amigo
Lázaro (João 11:35); e orou a Deus “em alta voz e com lágrimas”.
Antes de sua crucificação, ele disse: “A minha alma está
profundamente triste, numa tristeza mortal” (Mateus 26:38) e
“Agora meu coração está perturbado” (João 2:27). Jesus era como
nós em todos os aspectos, menos um: ele não tinha pecado. Por
isso, no final de sua vida, ele pôde dizer: “Tenho obedecido aos
mandamentos de meu Pai e em seu amor permaneço” (João
15:10). Eis por que Paulo se refere a Jesus como “aquele que não
tinha pecado” (2Coríntios 5:21).
Pedro afirma que “ele não cometeu pecado algum, e nenhum
engano foi encontrado em sua boca” (1Pedro 2:22). João nos diz
que “nele não há pecado” (1João 3:5). Obviamente, Jesus é

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“alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém,
sem pecado” (Hebreus 4:15). Jesus tinha de ser completamente
humano para servir como nosso representante perfeitamente
obediente.
Sua obediência representativa como homem está em
contraposição à desobediência representativa de Adão. Paulo diz
que “por meio da desobediência de um só homem muitos foram
feitos pecadores, assim também, por meio da obediência de um
único homem muitos serão feitos justos” (Romanos 5:19). Se
Jesus não fosse totalmente humano, sua obediência em nosso
lugar seria sem significado.
Assim como Jesus tinha de ser humano para viver em nosso
lugar, ele também precisava ser humano para morrer em nosso
lugar. Como está escrito em Hebreus 2:17: “Era necessário que
ele se tornasse semelhante a seus irmãos em todos os aspectos,
para se tornar sumo sacerdote misericordioso e fiel com relação a
Deus e fazer propiciação pelos pecados do povo”.
Se Cristo não fosse totalmente humano, sua morte em nosso lugar
não teria significado. Além disso, a humanidade de Jesus (assim
como sua divindade) permite que ele sirva como “um só mediador
entre Deus e os homens” (1Timóteo 2:5).
Isso também significa que, como homem, ele “passou por todo
tipo de tentação, porém, sem pecado”, assim, é capaz de
“compadecer-se das nossas fraquezas” (Hebreus 4:15). “Porque,
tendo em vista o que ele mesmo sofreu quando tentado, ele é
capaz de socorrer aqueles que também estão sendo tentados”
(Hebreus 2:18).
2) Jesus, plenamente Deus
Como dissemos anteriormente, Jesus foi concebido no útero de
sua mãe mediante uma obra milagrosa do Espírito Santo —
novamente isso fica claro em Mateus 1:18. O nascimento virginal
de Jesus foi uma obra sobrenatural de Deus, e, por meio da obra

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interior do Espírito Santo em Maria, mãe de Jesus, o humano e o
divino estavam unidos de um modo que jamais estarão em
qualquer outro ser humano.
Como vimos ao discutirmos a deidade completa da Trindade (ver
capítulo 3), a Bíblia diz de maneira bem compreensível que Jesus
é totalmente Deus. Por exemplo, Paulo escreve sobre Jesus em
Colossenses 2:9: “Pois em Cristo habita corporalmente toda a
plenitude da divindade”.
Ademais, quando os contemporâneos de Jesus o chamavam de
Senhor, estavam empregando um termo usado mais de seis mil
vezes na tradução grega do Antigo Testamento para se referir a
Deus ou “o Senhor”. Logo, quando os anjos anunciaram o
nascimento de Jesus, “Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o
Salvador que é Cristo, o Senhor” (Lucas 2:11), eles estavam
dizendo que foi o próprio Senhor Deus que nasceu.
Quando perguntado se ele tinha visto Abraão, Jesus respondeu
dizendo: “Antes de Abraão nascer, Eu Sou!” (João 8:58). Aqueles
que o ouviram dizer isso “apanharam pedras para apedrejá-lo”
(João 8:59), atitude que um respeitável líder religioso teria feito se
alguém reivindicasse ser Deus.
Eles entenderam que Jesus estava reivindicando o mesmo título
que Deus reclamou para si mesmo em Êxodo 3:14: “Eu Sou o que
Sou”. Em Apocalipse 22:13, Jesus diz: “Eu sou o Alfa e o Ômega,
o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim”. Isso se assemelha
muito ao que Deus o Pai disse no início do mesmo livro: “Eu sou o
Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus, “o que é, o que era e o que
há de vir, o Todo-poderoso” (Apocalipse 1:8).
O profeta Isaías afirma que Jesus é o rei que reina para sempre,
um papel que só Deus poderia ocupar: “Ele estenderá o seu
domínio e haverá paz sem fim” (Isaías 9:7). Eis por que Paulo
afirmou que Jesus é digno de adoração: “Por isso Deus o exaltou
à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo

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nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu,
na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus
Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Filipenses 2:9-11).
A divindade de Cristo é a razão de Deus o Pai dizer: “Todos os
anjos de Deus o adorem” (Hebreus 1:6). Jesus era plenamente
Deus. “Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a
plenitude” (Colossenses 1:19).
Se Jesus não fosse plenamente Deus, ele não poderia ter
assumido a penalidade total pelo pecado do mundo inteiro. E se
ele não suportasse a pena total de pecado pelo mundo, como um
homem sem pecado, não haveria um pagamento válido pelos
pecados de todo
3) Jesus, plenamente Homem e Deus
Jesus era totalmente Deus, mas também era totalmente homem, e
o era integralmente todo o tempo. O eterno Filho de Deus tomou
sobre si mesmo uma natureza verdadeiramente humana.
Suas naturezas divina e humana são, para sempre, distintas e
conservam suas propriedades, embora estejam eterna e
inseparavelmente unidas numa só pessoa. Esse é,
provavelmente, o milagre mais incrível de toda a Bíblia: o eterno
Filho de Deus totalmente divino tornou-se plenamente humano e,
fazendo assim, uniu-se à natureza humana para sempre.
Jesus, um homem diferente de qualquer outra pessoa que o
mundo viu e verá, uniu eternamente tanto o infinito quanto o finito
e mudou o curso da história para sempre.

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A EXPIAÇÃO

A Escritura é clara: Cristo veio para nos salvar por causa do fiel
amor (ou graça) e justiça de Deus. O amor de Deus é afirmado em
João 3:16: “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho
Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a
vida eterna”.
A justiça de Deus é confirmada quando Paulo escreve que Deus
apresentou Jesus “para propiciação” (Romanos 3:25), isto é, um
sacrifício que arca com a ira divina para que Deus nos olhe
favoravelmente. Paulo diz que isso foi feito para demonstrar “a
justiça de Deus” e também “a fim de ser justo” (Romanos 3:25-
26).
Em outras palavras, os pecados que Deus “passou por alto” ou
não os puniu antes que Cristo viesse à Terra, tinham de ser
punidos de alguma forma se Deus tivesse de ser justo.
Portanto, alguém precisou assumir a punição por esses pecados,
e esse alguém era Jesus. Em sua vida e morte vemos a
expressão plena da justiça de Deus (o pecado é punido) e amor
fiel (Deus deu seu próprio filho para suportar o castigo).
1) A necessidade da expiação

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Embora não fosse obrigatório para Deus salvar qualquer pessoa,
em seu amor ele escolheu salvar alguns. Uma vez que ele tomou
essa decisão, a justiça de Deus tornou necessária para Cristo
viver e sofrer a morte que suportou.
Depois que Jesus ressuscitou dentre os mortos, ele perguntou
retoricamente: “Não devia o Cristo sofrer estas coisas, para entrar
na sua glória?” (Lucas 24:26). Cristo sabia que não havia outro
caminho para Deus nos salvar senão ele morrer em nosso lugar, e
teve de sofrer e morrer por nossos pecados.
Outros meios, como os sacrifícios oferecidos pelos pecados no
Antigo Testamento, não tinham valor permanente, “pois é
impossível que o sangue de touros e bodes tire pecados”
(Hebreus 10:4). Jesus, “pelo seu próprio sangue […] obteve eterna
redenção” (Hebreus 9:12) e, assim, eliminou o pecado “mediante o
sacrifício de si mesmo” (Hebreus 9:26).
2) A natureza da Expiação
No entanto, se Cristo tivesse se oferecido apenas como um
sacrifício, obtendo assim perdão dos pecados para nós,
garantiríamos apenas acesso a uma salvação parcial. Embora
nossa culpa fosse removida, seríamos como Adão e Eva quando
foram criados: livres de culpa, mas capazes de pecar e sem um
registro de obediência ao longo da vida.
Para entrar em comunhão com Deus, precisamos viver uma vida
de perfeita obediência. Logo, Cristo teve de viver a experiência de
uma vida de perfeita obediência a Deus para que os méritos
positivos dessa obediência pudessem ser contados em nosso
favor. Isso é o que Paulo quer dizer quando escreve: “por meio da
obediência de um único homem muitos serão feitos justos”
(Romanos 5:19).
Daí Paulo não contar com sua própria justiça, mas, em vez disso,
com a justiça “que vem mediante a fé em Cristo, a justiça que
procede de Deus e se baseia na fé” (Filipenses 3:9). Cristo, por

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meio da vida imaculada que viveu, tornou-se “nossa justiça” (1
Coríntios 1:30). Jesus também teve uma vida de sofrimento.
Conforme as palavras de Isaías, ele “foi desprezado e rejeitado
pelos homens, um homem de tristeza e familiarizado com o
sofrimento” (Isaías 53:3).
Ele sofreu quando foi assaltado pelos ataques e tentações de
Satanás no deserto (Mateus 4:1-11) e “suportou tal oposição dos
pecadores contra si mesmo” (Hebreus 12:3). Ele ficou
tremendamente sentido com a morte de seu amigo íntimo Lázaro
(João 11:35). Foi com esses e outros sofrimentos que “ele
aprendeu sobre obediência” (embora ele jamais tenha
desobedecido) e “tornou-se a fonte de eterna salvação para todos
os que lhe obedecem” (Hebreus 5:8,9).
Quando Jesus estava mais próximo de sua morte, seus
sofrimentos aumentaram, e ele externou a seus discípulos alguma
coisa sobre a agonia que estava experimentando ao dizer: “A
minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal”
(Mateus 26:38).
Quando ele foi crucificado, sofreu uma das mais horríveis formas
de morte jamais inventadas pelo homem. Embora ele não tenha
necessariamente sofrido mais dor do que qualquer outro ser
humano, a aflição que experimentou foi imensa. Já crucificado,
Cristo foi forçado a suportar uma morte lenta por sufocamento
provocada pelo peso de seu próprio corpo. Ele estava estirado e
unido à cruz por meio pregos e seus braços suportavam a maioria
do peso de seu corpo.
Sua cavidade torácica era impelida para cima e para fora,
tornando difícil expirar e inalar mais ar. Para poder respirar, ele
tinha de se apoiar em suas pernas, depositando todo o peso nos
pregos dos pés e forçando suas mãos contra os pregos que as
fixam, produzindo assim uma dor lancinante pelos nervos de seus
braços e de suas pernas. Além disso, suas costas já flageladas
eram esfregadas contra a áspera cruz de madeira a cada

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respiração que ele tomava. Mas a dor física não era nada em
comparação com a dor espiritual.
Jesus nunca pecou — ele odiava o pecado —, no entanto,
voluntariamente tomou sobre si todos os pecados daqueles que
um dia seriam salvos. “Ele carregou o pecado de muitos” (Isaías
53:12). Aquilo que ele odiava com todo o seu ser foi derramado
sobre ele.
Como nos diz Pedro: “Ele mesmo levou em seu corpo os nossos
pecados sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os
pecados e vivêssemos para a justiça; por suas feridas vocês
foram curados” (1 Pedro 2:24). “Deus tornou pecado por nós
aquele que não tinha pecado” (2 Coríntios 5:21). Jesus se fez
“maldição por nós” para nos resgatar “da maldição da lei” (Gálatas
3:13).
3) O Resultado da Expiação
Cristo viveu uma vida perfeita e sem pecado, e sofreu uma morte
horrível de pecador a fim de “salvar o seu povo de seus pecados”
(Mateus 1:21).
Ele pagou o castigo que nós merecíamos por nossos pecados,
suportou a ira que merecíamos suportar, superou a separação que
o nosso pecado causou entre Deus e nós e nos libertou da
escravidão causada pelo pecado.
Por causa da obra de Cristo em nosso favor, Deus pode nos
resgatar “do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do
seu Filho amado” (Colossenses 1:13). Que grande salvação!

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A RESSURREIÇÃO

Os quatro evangelhos contêm informações da ressurreição de


Jesus (Mateus 28:1-20; Marcos 16:1-8; Lucas 24:1-53; João
20:1-21:25). Ao longo do livro de Atos, os apóstolos falam
continuamente da ressurreição de Jesus, incentivando as pessoas
a confiarem nele como uma pessoa viva e que governa no céu.
O restante do Novo Testamento depende inteiramente do
pressuposto de que Jesus é um Salvador que vive, reina, e que é
o líder da igreja recém-formada. Simplificando, podem-se
encontrar amplas provas da ressurreição em todo o Novo
Testamento.
A ressurreição de Cristo não foi um simples retorno dos mortos
como outros haviam vivenciado (como Lázaro, em João 11:1-44),
mas, em vez disso, quando Jesus ressuscitou da morte, ele deu
início a um novo tipo de vida humana na qual possuía um corpo
perfeito e não mais sujeito à fraqueza, ao envelhecimento, à morte
ou à decadência.
Ao ressurgir dentre os mortos, ele ostentava um corpo que viveria
eternamente, pois Jesus se revestiu de incorruptibilidade […] de
imortalidade” (1Coríntios 15:53). O novo corpo de Jesus era um
corpo físico. Quando seus discípulos o viram, “abraçaram-lhe os

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pés” (Mateus 28:9), e comeram e beberam com ele “depois que
ressuscitou dos mortos” (Atos 10:41).
Em seu novo corpo, Jesus “tomou o pão, deu graças, partiu-o e o
deu a eles” (Lucas 24:30), e também convidou Tomé a tocar suas
mãos e lado (João 20:27). A Bíblia é clara: Jesus ressurgiu
fisicamente dos mortos com um corpo feito de “carne e ossos”
(Lucas 24:49).
1) Implicações da Ressurreição
Consequentemente, todos os que olham a Jesus para sua
salvação foram regenerados “para uma esperança viva, por meio
da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” (1Pedro 1:3).
Isto é, Cristo obteve para nós uma nova vida futura que se mede
pela sua.
Embora nossos corpos ainda não estejam como seu novo corpo,
nosso espírito já foi vivificado com o novo poder de ressurreição.
Esse poder nos ajuda a viver a vida para a qual fomos
designados, e ele nos dá o poder de conquistar mais e mais
vitórias sobre o pecado em nossa vida.
Por causa da ressurreição, podemos nos considerar “mortos para
o pecado” (Romanos 6:11). Embora não alcancemos a perfeição
impecável nesta vida, Paulo ainda nos diz que “o pecado não [nos]
dominará” (Romanos 6:14); ele não nos governará nem controlará.
O poder dessa ressurreição também inclui o poder do Espírito
Santo, que nos permite fazer a obra que Jesus nos ordenou (Atos
1:8).
Além disso, a ressurreição de Jesus garante nossa justa posição
perante Deus. Paulo, em Romanos 4:25, diz que Jesus foi
“ressuscitado para nossa justificação”. Quando Deus ressuscitou
Jesus dentre os mortos, estava confirmando a obra de Jesus em
nosso favor.

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Ele estava demonstrando sua aprovação do trabalho de Jesus de
sofrer e morrer por nossos pecados e afirmava que a obra e Jesus
em nosso favor fora completa; a penalidade pelo pecado paga e,
portanto, Jesus não precisava permanecer morto por mais tempo.
Como Hebreus 1:3 nos diz: “Depois de ter realizado a purificação
dos pecados, ele se assentou à direita da Majestade nas alturas”.
Cristo se assentou à destra de Deus porque sua obra fora
completa. Por fim, uma vez que “Deus ressuscitou o Senhor e
também nos ressuscitará” (1Coríntios 6:14). E “aquele que
ressuscitou ao Senhor Jesus dentre os mortos, também nos […]
apresentará com vocês” (2Coríntios 4:14).
A ressurreição de Cristo significa que também experimentaremos
nossa própria ressurreição. Paulo diz que na ressurreição de
Jesus vemos uma imagem do que há de suceder conosco
(1Coríntios 15:20). Quando Jesus retornar “todos seremos
transformados” (1 Coríntios 15:51); nosso corpo mortal será
mudado em um corpo imortal (1 Coríntios 15:53).
Na ressurreição final, nossa ressurreição, receberemos um novo
corpo como aquele em que agora Jesus vive.
2) A ascensão de Cristo Jesus
Quarenta dias após a sua ressurreição (Atos 1:3), Jesus levou
seus seguidores para fora de Jerusalém e “levantou as mãos e os
abençoou. Estando ainda a abençoá-los, ele os deixou e foi
elevado ao céu” (Lucas 24:50-51). Quando Jesus deixou a Terra,
ele a trocou por um lugar específico: o céu. Uma vez no céu,
Jesus foi “exaltado à direita de Deus” (Atos 2:33).
Deus “o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está
acima de todo nome” (Filipenses 2:9). Após sua ascensão, Jesus
recebeu glória, honra e autoridade que nunca antes haviam sido
suas, como alguém que era tanto Deus como homem. Os coros
angélicos então lhe cantaram louvores com as palavras: “Digno é

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o Cordeiro que foi morto por receber poder, riqueza, sabedoria,
força, honra, glória e louvor!” (Apocalipse 5:12).
Agora, à mão direita de Deus, Cristo deve reinar “até que todos os
seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés” (1Coríntios
15:25). A vida de Cristo estabelece um padrão existencial para
nos orientar.
Assim como a sua ressurreição permite saber o que
eventualmente nos acontecerá, sua ascensão nos permite
conhecer aonde vamos finalmente.
Então, esperamos “com grande expectativa” (Romanos 8:19) o
retorno de Cristo, quando seremos levados deste planeta para um
novo e glorioso mundo. Assim, com nossos novos corpos
perfeitos, viveremos para sempre em nosso novo e perfeito
mundo.

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O ESPÍRITO SANTO

Todo cristão precisa de orientações bíblicas adequadas a respeito


da natureza e dos ministérios do Espírito Santo, com todas as
bênçãos que Ele traz.
Uma coisa é termos o Espírito Santo habitando em nosso interior,
e outra bem diferente é estarmos aptos para falarmos d’Ele a
outros, de maneira inteligível e convincente.
A Bíblia apresenta vários sentidos para a palavra “espírito”.
Inicialmente, temos que distinguir esses vários sentidos em toda a
Bíblia:
a) No Antigo Testamento, a língua hebraica traduz a palavra
“espírito” como “ruach”, que significa, essencialmente, vento,
hálito e respiração.
b) b) No Novo Testamento, a língua grega traduz a palavra
“espírito” como “pneuma”, cuja raiz pneu refere-se ao ar. O
sufixo “ma” fala de ação, movimento do ar.
Tanto o “ruach” como o “pneuma” se referem também ao espírito
humano, à essência da humanidade (GÊNESIS 2:7), pois é o

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“espírito” que torna o homem distinto dos animais. Os anjos
também são “espíritos” criados, mas sem necessidade de corpos
materiais.
Porém, o que nos interessa aqui é o Espírito, referindo-se a Deus.
Quando a Bíblia se refere a Deus, tanto o “ruach” como o
“pneuma” tem uma conotação especial, pois ele é o “Espírito
Eterno.” (HEBREUS 9:14).
No estudo da teologia, a doutrina bíblica do Espírito Santo é
conhecida como “Pneumatologia”, termo que procede de três
palavras gregas:
● pneuma – espírito.
● hagios – santo.
● logia – estudo.
Todavia, para os cristãos estudiosos da Bíblia, o termo preferido é
“PARAKLETO”, que procede do termo de João 16:7, o consolador.
Em 1 João 2:1, o termo paracleto é traduzido como “advogado”,
revelando, assim, outra atividade do Espírito Santo. Ou seja, o
Espírito Santo é aquele que ajuda em nossas fraquezas
(consolador) e intercede por nós com gemidos inexprimíveis
(advogado).
1) A Natureza do Espírito Santo
O Espírito Santo não é uma energia ou força impessoal, sem
identidade e emoções. Ele age e interage como uma PESSOA
completa e perfeita.
Em momento algum as Escrituras Sagradas denominam o Espírito
Santo como “coisa”, “isso”, “aquilo”, “força”, “energia”, “influência”,
ou algo semelhante, mas como uma personalidade divina, com os
atributos da divindade. O Espírito Santo é uma Pessoa real, capaz
de sentir, pensar, falar, ensinar. Só uma Pessoa pode manifestar
esses atributos.

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O fato é que a personalidade do Espírito Santo é espiritual e
incorpórea. É um Espírito pessoal que se comunica com os
homens com todas as manifestações próprias da Sua
personalidade. Observe também que em João 16:8,13,14, são
utilizados pronomes pessoais ao Espírito Santo: “ele”, “aquele”,
“dele”, etc.
A expressão “Dom do Espírito” não significa alguma coisa que o
Espírito Santo dá, mas o próprio Espírito Santo, oferecido como
dádiva. O Evangelho de João registra repetidamente a promessa
de Jesus (14:16; 15:26;16:7).
No enunciado da promessa, a condição para o cumprimento não
era outra senão permanecer na cidade de Jerusalém e esperar a
promessa. A promessa desta dádiva se cumpriu no dia do
Pentecostes, com o evento do derramamento do Espírito Santo,
que iniciou uma nova dispensação no plano divino para a salvação
dos homens.
O Espírito Santo é uma Pessoa porque sente tristeza quando
pecamos contra Deus; tem ciúmes quando faltamos com o nosso
compromisso com o Senhor e negamos a fé, amasiando-nos com
o mundo; agonia-se, gemendo e intercedendo por nós, filhos de
Deus, quando nos encontramos imersos em profunda tristeza;
ensina-nos os mistérios da Palavra de Deus, respondendo às
nossas mais difíceis indagações; fala, e esta é a maior
manifestação de uma personalidade. (EFÉSIOS 4:30; TIAGO
4:4-5; ROMANOS 8:26-27; (1 CORÍNTIOS 2:11-13; ATOS 10:19)
2) Características distintivas do Espírito Santo
Há, pelo menos, três atributos que revelam a personalidade
distinta do Espírito Santo:
a) Intelecto – Ele fala, pensa, raciocina e tem poder de
determinação, que são elementos típicos de personalidade.
“E aquele que sonda os corações conhece a intenção do

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Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo
com a vontade de Deus”. (ROMANOS 8:27).
b) Vontade – Ele tem poder para agir de acordo com a
economia divina, como, por exemplo, a liberdade de distribuir
Seus dons aos homens. “Todas essas coisas, porém, são
realizadas pelo mesmo e único Espírito, e ele as distribui
individualmente, a cada um, como quer”. (1 CORÍNTIOS
12:11).
c) Sentimento – Ele consola, geme, chora e intercede. “Da
mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois
não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por
nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os
corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito
intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus”.
(ROMANOS 8:26- 27; cf. EFÉSIOS 4:30).
3) A Divindade do Espírito Santo
O Espírito Santo não é apenas uma Pessoa; é uma pessoa
singular, pois a Bíblia afirma que o Espírito é Deus. Berkhof (2007,
p. 91) diz que na processão, assim como na geração, há uma total
comunicação da total substância da essência trina, de modo que o
Espírito Santo é igual ao Pai e ao Filho. A principal forma de
provar que o Espírito Santo é Deus é pelos atributos divinos que
Ele possui. Ele é a terceira pessoa da Trindade

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A SALVAÇÃO

Apesar do quadro sombrio resultante da proliferação do pecado no


mundo, desde o Éden, brilha a luz da esperança nas promessas
divinas quanto à salvação que viria através do descendente da
mulher, que esmagaria a cabeça da serpente (diabo), embora
fosse por ele ferido. “Porei inimizade entre você e a mulher, entre
a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a
cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar”. (GÊNESIS 3:15).
A promessa do Salvador se cumpriu em Jesus Cristo, e a
SALVAÇÃO espiritual tornou possível, através do Seu sacrifício
vicário (substitutivo) na cruz do Calvário.
O Antigo Testamento ensina que o “livramento (salvação) vem do
Senhor”. (SALMO 3:8). Qualquer sistema que tende a combinar a
responsabilidade humana com este empreendimento divino está
errado.
No Novo Testamento, o texto de Efésios 2:8-10 relaciona as obras
à salvação operada pela graça como um efeito dela, e não uma
causa: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto
não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que
ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em

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Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou
antes para nós as praticarmos”.
1) A necessidade da Salvação
A imagem de Deus no homem fez dele, originalmente, um filho de
Deus. E essa relação resultou nas características associadas à
imagem e semelhança de Deus no homem. No entanto, assim
como em um organismo sadio o vírus se torna um fator de
doença, da mesma forma a entrada do pecado no mundo, através
de Adão e Eva, desencadeou uma reação que modificou a história
do homem e da humanidade
2) O propósito eterno de Deus para a Salvação Humana
A motivação básica para salvação tem sua origem no grande amor
de Deus. Engana-se quem pensa que Deus foi tomado de
surpresa com a queda do homem. Isto era simplesmente
impossível, sendo Ele onisciente, conhecedor de todas as coisas,
tanto no presente quanto no passado e futuro.
“Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para
sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. Em amor nos
predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus
Cristo, conforme o bom propósito da Sua vontade, para o louvor
da Sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado.
N’ele temos a redenção por meio de Seu sangue, o perdão dos
pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus”.
(EFÉSIOS 1:4-7).
Neste texto, aprendemos que a salvação do homem já fazia parte
do propósito divino, antes da criação do mundo. Ou seja, mesmo
antes da criação do próprio homem.
Este texto também diz que Deus nos “escolheu” e “predestinou”
soberana e graciosamente antes do mundo existir, com o
propósito de salvação.

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Observe que a ideia de “predestinação” segue a presciência de
Deus, como também está escrito em Romanos 8:29. “Pois aqueles
que de antemão conheceu, também os predestinou para serem
conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o
primogênito entre muitos irmãos”.
3) Características Gerais da Salvação
Quando falamos da salvação, não tem como não falar da Pessoa
de Jesus Cristo. A Pessoa Divina que se fez carne. Como disse
Martin Lloyd-Jones (1997, p. 328): “Ele tomou carne para si
mesmo e apareceu neste mundo, semelhança ao homem - não
uma nova pessoa, mas essa Pessoa eterna”.
O termo grego traduzido como graça é “charis”. No contexto da
doutrina bíblica da salvação, charis é o dom ou favor imerecido de
Deus, mediante o qual somos salvos por meio de Cristo. (cf.
EFÉSIOS 1:7; 2:8). É a dádiva de Deus aos homens,
capacitando-os a compreender, aceitar e usufruir, de imediato, o
plano de salvação.
A Bíblia diz que “sem derramamento de sangue não há perdão” -
ou “remissão” de pecados. (HEBREUS 9:22). Por que Deus exigiu
sangue como pagamento pelo pecado? O pecado era uma afronta
irreversível à santidade de Deus. A única solução para o pecado
era a punição com morte.
No Antigo Testamento, quando o sangue representando vida era
derramado, significava que uma vida tinha sido entregue. Todavia,
o sangue dos animais sacrificados apenas “cobria” o pecado, pois
era uma instituição temporária e jamais poderia tirar (remir)
pecados: “Pois é impossível que o sangue de touros e bodes tire
pecados”. (HEBREUS 10:4).
4) A Fé em Jesus Cristo
A fé nos méritos de Cristo é o elemento essencial na salvação
cristã. Efésios 2:8 diz que a salvação é pela graça, mas mediante

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a fé. O professor Zacarias de Aguiar Severo (1999, p. 280) explica
que há duas acepções de fé usadas no Novo Testamento: fé
objetiva e fé subjetiva.
A fé objetiva consiste no conjunto das verdades ensinadas na
revelação bíblica; a fé subjetiva consiste no ato de crer nas
verdades reveladas na Palavra Deus.
Esta última é chamada de fé salvadora, que Berkhof (2007, p.
506) definiu assim: “[...] convicção, produzida pelo Espírito Santo
no coração, quanto à veracidade do Evangelho, e uma segurança
(confiança) nas promessas de Deus em Cristo”.

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O CÉU

O Céu é a morada de Deus. Isso significa que o Céu na presente


Era é o lugar onde a presença de Deus habita de forma especial e
de onde Ele governa todas as coisas. Mas por causa das tantas
passagens bíblicas que falam sobre o Céu é comum que as
pessoas tenham curiosidade acerca de como é o Céu.
1) O céu é a habitação de Deus
O próprio Jesus declara a verdade de que o Céu é onde Deus
habita. Ele ensina os seus seguidores a orar a Deus da seguinte
forma: “Pai nosso que está no Céu” (Mateus 6:9). Mas dizer que o
Céu é a habitação de Deus não significa que Ele somente está
presente nele.
A Bíblia muito claramente afirma que Deus é onipresente. Ele não
está sujeito aos limites de espaço e tempo; por isso ele está
presente em toda parte em todo tempo.
Aqui podemos citar a palavra de Deus através do profeta Isaías:
“O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés” (Isaías
66:1). Portanto, nesse sentido devemos entender que o universo

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inteiro é o lugar da morada de Deus. Todavia, há outro sentido em
que devemos reconhecer o Céu como “a casa do Pai” (João 14).
Wayne Gruden explica essa idéia dizendo que é no Céu que é
sentida a manifestação mais plena e esplêndida da presença de
Deus. Ali Sua glória é manifestada de forma indescritível, e
admirada pelos redimidos que já partiram desta terra e pelos
santos anjos que proclamam incansavelmente a santidade e a
majestade de Deus.
2) O céu é um lugar
Atualmente parece que as pessoas estão cada vez mais receosas
em afirmar que o Céu é um lugar. Isso porque a existência do Céu
não pode ser provada através de ensaios científicos ou medida
através de experiências físicas.
As informações sobre o Céu estão testemunhadas exclusivamente
nas Escrituras; e sua existência como um lugar real só pode ser
aceita pela fé. Então para aqueles que creem na autoridade e
inspiração da Bíblia, não há qualquer dúvida de que o Céu é um
lugar real. Antes da crucificação Jesus avisou aos Seus discípulos
que Ele estava indo para a casa do Pai (João 14:2,3).
A sequência da narrativa bíblica informa muito claramente que
pouco depois de sua ressurreição, Jesus ascendeu ao Céu com
um corpo ressurreto (Atos 1:9-11). No testemunho de Estêvão
antes de morrer apedrejado pela causa do Evangelho de Cristo,
ele declarou que estava vendo o céu aberto e o Filho do Homem
de pé à direita de Deus (Atos 7:55,56).
O apóstolo Pedro também ensina que Jesus subiu ao Céu e agora
está à direita de Deus (1 Pedro 3:22). Então se o Céu é um lugar,
onde Ele está? Definitivamente não sabemos. Tudo o que
podemos dizer é que o Céu existe. Porém, na presente Era ele
está oculto da contemplação dos olhos humanos.

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Então ele não pode ser localizado nas dimensões do nosso
universo. Mas como foi dito, Deus abriu os olhos de Estêvão para
contemplá-lo de forma extraordinária; e sabemos que um dia
todos os santos terão esse mesmo privilégio.
3) Como é o céu?
Uma das perguntas bíblicas mais difíceis de serem respondidas é
aquela que procura saber como é o Céu. No momento nossa
capacidade intelectual é muito limitada para se quer esboçar algo
nesse sentido.
O apóstolo Paulo foi alguém que teve o privilégio de visitar o Céu.
Ele escreve que foi levado ao terceiro céu, mas não teve
permissão de contar o que ele presenciou ali. Ele se limita a dizer
que ouviu palavras inefáveis que ao homem não é permitido
pronunciar.
O apóstolo João foi outro que contemplou o Céu e registrou tudo
no livro do Apocalipse usando predominantemente a linguagem
simbólica, já que nossa linguagem limitada é incapaz de
descrevê-lo. Mas apesar de a Bíblia não fornecer detalhes
específicos de como é o Céu, ela deixa claro que o Céu é
maravilhoso porque nele se manifesta a glória de Deus de uma
forma inimaginável.
A Bíblia também informa que se atualmente o Céu é a morada de
Deus juntamente com os anjos e os santos que já morreram, no
estado eterno ele será parte integrante da habitação definitiva de
Deus com Seu povo. Por isso a Bíblia chama o universo renovado
e completamente purificado dos efeitos do pecado de “novo céu e
nova terra” (Apocalipse 21:1).

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O INFERNO

O inferno é um lugar de intenso sofrimento que, segundo a Bíblia,


serve de habitação para todos aqueles que foram condenados ao
castigo eterno.
A Bíblia se refere ao inferno tanto em seu estado atual, onde os
ímpios já estão sob tormento enquanto aguardam a ressurreição
de seus corpos, como em seu estado final (também chamado de
“lago de fogo”), onde os ímpios juntamente com o diabo e seus
anjos serão eternamente castigados após o julgamento final.
Existe muita discussão e algumas dúvidas entre os cristãos acerca
deste assunto. Portanto, neste texto iremos analisar alguns pontos
importantes a respeito do que a Bíblia diz sobre o que é o inferno.
1) O que a Bíblia diz sobre o inferno?
A doutrina bíblica acerca da realidade do inferno é muito clara, e
por mais que pareça aterrorizante não deve ser negada. Ao
mesmo passo que a Bíblia ensina que a vida eterna dos redimidos
ao lado de Deus no novo céu e nova terra será tão gloriosa que é

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inimaginável para nós na atualidade, ela também ensina que o
tormento eterno dos ímpios no inferno é tão terrível que foge à
nossa compreensão.
Existem realmente muitas referências bíblicas que apontam para o
inferno como um lugar real onde os ímpios e os anjos caídos
serão atormentados. Apesar de a doutrina acerca do inferno não
aparecer tão detalhada nos livros do Antigo Testamento como
aparece no Novo, há muitos textos que apontam para esse lugar.
Um dos exemplos que podemos utilizar é a passagem de Salmos
73:17-19, onde Asafe, num questionamento sobre o sofrimento
dos justos e a prosperidade dos ímpios, entende o quão terrível é
o destino do ímpio quando morre, pois eles caem em ruína, são
destruídos de repente, completamente tomados de pavor.
Aqui podemos entender que o sofrimento do ímpio está sendo
descrito deste o estado intermediário onde ele aguarda o juízo
final, até sua condenação definitiva no lago de fogo.
Já no Novo Testamento, encontramos várias passagens bíblicas
que falam explicitamente sobre a realidade do inferno (Mt 5:22;
8:12; 13:42,50; 18:9; 22:13; 24:51; 25:30,41-46; Lc 16:23; 1Ts 5:3;
2Ts 1:7-9; 2Pe 3:7; Jd 1:13; Ap 20:10 e outras).
Nas passagens citadas acima, podemos notar que na maioria
delas é o próprio Jesus quem está ensinando. Portanto, negar a
existência do inferno consiste em negar o ensino do próprio
Senhor.
Podemos notar que os apóstolos também ensinaram acerca do
inferno, com destaque ao Apóstolo João que descreveu detalhes
importantes no livro do Apocalipse.
2) O que significa inferno?
A palavra inferno é de origem latina e significa “profundezas”.
Essa palavra não aparece originalmente na Bíblia, mas foi

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utilizada para traduzir quatro termos originais nas Escrituras,
sendo eles: Sheol, Hades, Gehenna e Tártaro.
Estes quatro termos possuem diferentes significados e aplicações,
porém se tratando do inferno em seu estado final, ou seja, o lugar
de condenação eterna após o juízo final, Gehenna é o termo que
aparece no Novo Testamento para designá-lo.
A palavra Gehenna é uma adaptação grega do hebraico
Ge’hinnom, que significa “Terra de Hinom”, referindo-se a um vale
no lado sul de Jerusalém onde eram oferecidos sacrifícios
humanos ao deus pagão Moloque. Mais tarde, esse ele passou a
ser o lugar de incineração do entulho que vinha de Jerusalém,
ficando constantemente um fogo acesso ali.
Nos Evangelhos, Jesus utilizou a figura desse lugar para se referir
ao local de castigo dos ímpios, pois seus ouvintes sabiam muito
bem todo o contexto histórico de abominações que cercava aquele
vale. Logo, eles entenderam a severidade da condenação e o
sofrimento do ímpio.
3) Como é o inferno?
Ao longo do tempo esta pergunta tem sido respondida com muita
imaginação e fantasia, mas pouquíssima verdade bíblica.
Principalmente nos últimos anos, com a divulgação de várias
“experiências e visões” de pessoas que alegam ter visto ou estado
lá, praticamente foi desenhada a planta do inferno, com uma
riqueza de detalhes impressionante.
Porém, tais descrições não são inéditas, ao contrário, desde a
literatura apocalíptica do século 2 d.C. já é possível encontrar
relatos semelhantes acerca do inferno. Talvez o texto mais
detalhado dessa época seja o apócrifo Apocalipse de Pedro, que
trás uma descrição acerca das bem-aventuranças no céu, e os
castigos por tipo de pecados no inferno.

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Vale ressaltar que o autor desse livro não é o apóstolo Pedro, e o
texto possui sérias contradições com as Escrituras, sendo a
principal delas a negação da punição eterna. O pensamento
medieval acerca do inferno foi diretamente influenciado por esse
tipo de texto, ficando explicito tanto na literatura como nas obras
de arte.
É importante sabermos disso para entendermos que as “visões”
que são vendidas como best-sellers na atualidade, nada mais são
do que as velhas histórias recontadas com um pouco mais de
ficção e apelo sensacionalista.
As pessoas possuem uma aptidão natural para inventarem teorias
que respondam suas próprias curiosidades. Ao procurarem
detalhes específicos sobre o inferno que a Bíblia não fornece,
pessoas especialistas em relatar o macabro, deram um jeito nisso,
e ofereceram suas próprias “revelações divinas”.
Todo cristão verdadeiro deve ter a convicção de que a Bíblia é a
única genuína revelação da Palavra de Deus. É nossa regra de fé
e prática, infalível e inerrante. Assim, tudo o que precisava ser
revelado por Deus a nós está nela, e ela não precisa de novos
apêndices, anexos ou revisões. Se tais visões sobre o inferno
contradizem claramente as Escrituras, então elas precisam
definitivamente ser rejeitadas.
A Bíblia descreve o inferno como sendo:
● Um lugar onde o fogo nunca se apagará (Mt 3:12; 18:8; Mc
9:43; Lc 3:17; Jd 1:7).
● A fornalha de fogo (Mt 13:42,50).
● Um lugar de “choro e ranger de dentes” (Mt 24:51).
● O lugar preparado para o diabo e seus anjos (Mt 25:41).
● Um lugar onde o verme que atormenta o ímpio nunca morre
(Mc 9:48).
● O lugar da destruição eterna (2Ts 1:9).
● O lugar das mais densas trevas (Jd 1:13).

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● Um lugar onde há tormento “com fogo e enxofre“, e a fumaça
desse tormento sobe pelos séculos dos séculos (Ap 14:9-11).
● Um lugar onde o castigo é constante, não cessando nem de
dia nem de noite (Ap 20:10).
● O lago de fogo que arde com enxofre (Ap 21:8).
Resumindo, podemos dizer que o inferno é real, é um lugar de
terrível lamento, de castigo e destruição eterna para os ímpios,
Satanás e seus anjos.

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A IGREJA

A Igreja é uma instituição toda especial de Deus, a qual o próprio


Senhor é a pedra angular, estando edificada no fundamento dos
apóstolos e profetas.
Ela se manifesta na qualidade de organismo como Igreja Universal
e como Igreja Local na qualidade de organização. Definição: a
palavra Igreja deriva-se do vocábulo grego εκκλησια que
designava “reunião”, “aqueles chamados para fora” e
posteriormente no Novo Testamento veio designar uma reunião de
crentes professos. Ela se manifesta de duas maneiras:
1) A Igreja Universal
É a reunião de todos os salvos desde o pentecostes até ao
arrebatamento (At 2.1-4-; I Ts 4.13-18). Ele é também conhecida
pelas seguintes figuras:
a) O Corpo de Cristo: Rm 12.4-5; I Co 12.12-27; Cl 1.18
b) A Esposa de Cristo: II Co 11.2; Ef 5.31-32; Ap 19.7
c) Edifício: Ef 2.21-22; I Pd 2.4-6
d) Santuário do Espírito Santo: I Co 3.16-17
e) Novo Homem: Ef 2.14-15

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2) A Igreja Local
Das 114 vezes em que o termo “igreja” é empregado, em 91 vezes
ou mais refere-se a Igreja Local. A Igreja Local é a reunião de
crentes professos numa comunidade com características de
organização distintas, tais como:
a) Ela é autônoma: isto significa que ela administra seus
próprios negócios por um governo teocrático-democrático
estando submissa a Cristo diretamente, congregacional.
Este ensino é revelado no Novo Testamento em virtude das
igrejas locais agirem autonomamente. At 6.1-5; 15.22-27; II
Co 2.5-6; Mt 18.17; At 1.15-26; I Co 5.1-8.
b) Tem seus oficiais: biblicamente são dois: Pastores e
Diáconos. I Tm 3.1-13; At 6.1-6; Fl 1.1 - a) Pastor: é aquele
que cuida do rebanho, mas encontramos outros sinônimos
como bispo e ancião. Bispo aquele supervisiona e ancião
uma pessoa amadurecida ou experiente. b) Diácono: o que
serve às mesas
c) Composta de membros regenerados e batizados: isto
significa que os membros da igreja local são nascidos de
novo (com evidências para isso) e desceram às águas do
batismo. Mt 28.18-20; Jo 3.5; At 2.41; 4.32 I Pd 1.23;
d) Ela tem autoridade para disciplinar seus membros: Mt
18.15-18; I Co 5.1-13; II Co 2.5-6.
e) Ela deve ser Separada - a) do mundo (Ef 2.27); b) do Estado
(Mt 22.21); c) dos que erram doutrinariamente (1 Cor 5.11; Ef
4.14; 2 Jo 9-11)
f) Nela ministra-se os dons espirituais (Ef 4.11-12; Rm 12.3-8)
g) Tem seu tempo comunitário de adoração e culto a Deus (At
20.7; 1 Cor 16.2; Hb 10.25)
3) As ordenanças da Igreja
As ordenanças dadas por Jesus Cristo a sua Igreja e que todos os
cristãos devem observar, são cerimoniais que trazem memórias e
lembranças da sua obra para nós e também aos que não crêem

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(ainda que não participem), de uma forma passada, presente e
futura; tendo como base o sacrifício de Cristo na cruz, sua morte,
ressurreição e volta iminente.
Embora sendo, uma ordem e uma prática a ser observada, estas
ordenanças não tem valor algum para a salvação de quem as
observa ou pratica, servem apenas de caráter representativo da
causa e dos efeitos desta mesma salvação.
São elas: o Batismo e a Ceia do Senhor. Discutir a forma e o
significado da palavra batismo é uma notável ingenuidade, de tal
maneira que defender que o significado de batizar é imergir
torna-se um grave erro de redundância, porque o vocábulo grego
é a palavra no português imergir; foi apenas uma palavra
transliterada de um idioma para o outro.
A) O Batismo
A Ordem - O mandamento é claramente ordenado na forma do
imperativo de Mateus 28: 19: “Ide, fazei discípulos… batizando-os
…”.
O batismo era uma prática comum na igreja primitiva é feita de
uma forma espontânea e automática para aquele que cresse que
Jesus era o Cristo (Atos 2: 38,41; 8:36-38; 10:48; 18:8). Então se
é uma ordem deve ser obedecida.
O batismo é o primeiro ato visível de cada crente em obediência a
Cristo para uma vida cristã responsável e pura.
É o primeiro passo de obediência do crente no desejo de servir a
Cristo. (Mt 28:19)
Simboliza a morte e ressurreição de Cristo (Rm 6:3-4). Por isso,
somente a imersão pode representar estes eventos em um só.
É a representação física do batismo no Espírito Santo. Sendo que
o batismo no Espírito Santo, que se procede no ato da conversão,

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coloca o crente no Corpo de Cristo (I Co 12:13) o batismo nas
águas coloca o crente na igreja local. (At 2: 41-47)
Todos os que receberam a Cristo como único e suficiente salvador
podem ser batizados (At 2:41, At 8:12-13)
A Fórmula do Batismo:
a) É feita a confissão de fé do candidato.
b) E batiza-se segundo a fórmula de Mt 28: 19 “... em nome do
Pai do Filho e do Espírito Santo;”;
c) Mergulhando o candidato apenas uma vez até que se molhe
por completo.
B) A Ceia
A Ceia tem o propósito de que todos aqueles que receberam a
Cristo com salvador relembre e meditem no seu sacrifício na cruz
por todos nós, sua ressurreição e a sua vinda no final dos séculos.
Em sua sabedoria Cristo sabia que sendo fracos temos a
tendência de esquecermos as bênçãos facilmente. No pão
encontramos a representação do corpo de Cristo e no vinho seu
sangue derramado por nós.
A instituição da Ceia:
a) O Próprio Cristo instituiu. I Co 11: 23;
b) Na noite em que Cristo foi traído. Mt 26: 21, 47;
c) Com o propósito de relembrar a sua morte e;
d) Ordenado para que fosse realizado até a sua Vinda (nas
nuvens). I Co 11:26
Os elementos da Ceia
- O pão
(1) Simboliza o corpo de Cristo que foi dado por nós. I Co
11:24, Is 53: 5;

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(2) Não se torna o corpo de Cristo é apenas de caráter
representativo: I Co 11: 24 “... em memória de mim.”;
(3) Deve ser sem fermento, simbolizando o corpo de Cristo
sem pecado. Visto que Ceia foi instituída na semana da
páscoa os judeus não comiam o pão asmo com fermento (Ex
12: 14-20), em I Co 5:6-8 Paulo faz uma aplicação desta
verdade a vida espiritual. O fermento na Bíblia denota
sentido negativo referindo-se ao pecado. Só uma vez
vemos referindo-se ao reino de Deus em geral em Mt 13:33.
- O vinho (cálice)
a) Comunhão Aberta: todos os que estiverem presentes no
momento da Ceia;
b) Comunhão Restrita: limita-se todos os que estando
presentes na hora da Ceia, e que já receberam a Cristo
como salvador, foram batizados e estão em comunhão com
Deus. Pode-se também limitar apenas a crentes que foram
batizados na forma correta, isto é por imersão, esta posição
exclui presbiterianos, luteranos, episcopais e outros. Pode
ainda limitar-se a crentes de igrejas de mesma fé e prática;
c) Comunhão Ultra Restrita: restringe-se apenas a crentes da
igreja local em que são membros.

4) A Missão da Igreja
A. Glorificar a Deus. Jo 15.8; Rm 15.6,9; Ef 1.5-6, 12, 14, 18;
3.21; Ef 5.26-27; I Tm 3.15; I Pd 4.11
B. Ganhar almas evangelizando o mundo e enviando obreiros: Mt
9.35-38; 28.19; Lc 24.46-48; At 1.8
C. Edificar a si mesma: I Co 3.10-13; 14.26; Ef 2.20-224.11-16
D. A Igreja não converterá o mundo. Mt 24.12; Lc 17.26 – Mas
ocupará lugar de benção e honra, estando unida a Cristo reinará
com Ele (I Co 6.2; Ap 1.6; 19.7; 22.5; ) e seu testemunho eterno
continuará. Ef 3.10,21.

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A ORAÇÃO

A oração, que é nossa comunicação pessoal com Deus, não só


nos ajuda a conhecê-lo melhor, como também verdadeiramente.
Por meio da oração, podemos fazer nossos pedidos a Deus,
confessar-lhe nossos pecados e prestar-lhe adoração, louvor e
ação de graças.
1) O motivo da oração
Deus não quer que oremos para que ele possa saber do que
precisamos, porque Jesus disse: “Seu Pai sabe do que vocês
precisam, antes mesmo de o pedirem” (Mateus 6:8). Em disso,
Deus quer que oremos para que a nossa dependência dele possa
aumentar.
Quando vamos a Deus em oração acerca de algo, expressamos
uma confiança nele, a certeza de que ele vai ouvir e responder a
nossas orações. É por isso que Jesus compara nossas orações
com uma criança que pede a seu pai um peixe ou um ovo (Lucas
11:9-12).

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Como uma criança confia e espera que seu pai lhe proveja o que
pediu, assim devemos esperar, com fé, que Deus tomará
providências a nosso respeito. Jesus disse: E tudo o que pedirem
em oração, se crerem, vocês receberão” (Mateus 21:22). Deus
não apenas deseja que nossa confiança nele cresça por meio da
oração, mas também que nosso amor por ele e nossa relação com
ele cresçam e se aprofundem.
Quando oramos de verdade, fazemos isso com o todo de nosso
caráter, em relação à totalidade de seu caráter. Assim, o que
pensamos e sentimos sobre Deus acontecerá por meio de nossas
orações. Isso, por sua vez, aprofundará nosso amor e nossa
compreensão a seu respeito e, no final, estreitará nosso
relacionamento com ele. Isso é algo em que Deus se deleita e
também lhe traz glória.
Por fim, Deus quer que oremos porque isso nos permite fazer
parte de uma história maior do que a nossa. Isso nos permite estar
envolvidos em atividades que possuem significado eterno. Quando
oramos, o reino de Deus avança, enquanto sua vontade é feita
“assim na terra como no céu” (Mateus 6:10).
2) A eficiência da oração
Quando pedimos coisas em oração, Deus geralmente as atende.
Jesus deixa isso bem claro quando diz: “Por isso lhes digo:
Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a
porta lhes será aberta. Pois todo o que pede, recebe; o que busca,
encontra; e àquele que bate, a porta será aberta” (Lucas 11:9-10).
Nossa falha em pedir coisas a Deus costuma ser a razão de não
recebermos o que ele se compraz em dar. Tiago diz “[Vocês] não
têm, porque não pedem” (Tiago 4:2). A Escritura dá muitos
exemplos de respostas divinas, até mesmo mudando a maneira
de ele agir em resposta às orações de cada indivíduo.
Por exemplo, quando o Senhor disse a Moisés que destruiria o
povo de Israel por causa de seu pecado, Moisés lhe fez a seguinte

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oração: “Arrepende-te do fogo da tua ira! Tem piedade, e não
tragas este mal sobre o teu povo!” (Êxodo 32:12).
A resposta: “E sucedeu que o Senhor arrependeu-se do mal que
ameaçara trazer sobre o povo” (Êxodo 32:14). Em um nível mais
pessoal, João nos diz: “Se confessarmos os nossos pecados, ele
é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de
toda injustiça” (1João 1:9).
Esses dois exemplos, juntamente com muitos outros da Bíblia,
devem nos encorajar a orar mais fervorosamente pedindo ao
Senhor para operar do jeito que somente ele pode fazer. De nossa
parte, não temos o direito de pedir ousadamente qualquer coisa a
Deus. Nosso próprio pecado pessoal deve nos desqualificar de
solicitar algo a um Deus santo.
Mas se a nossa fé está em Jesus, a Bíblia diz que ele é a razão de
nossas orações surtirem efeito. Ele é o “mediador entre Deus e os
homens” (1Timóteo 2:5).
Ou, como o próprio Cristo afirmou: “Ninguém vem ao Pai, a não
ser por mim” (João 14:6). Assim, Deus não tem obrigação de
responder as orações daqueles que têm rejeitado seu Filho.
Embora ele esteja ciente de tais orações e, às vezes, em virtude
de sua misericórdia, prefere respondê-las, ele não promete ouvir e
responder às orações dos descrentes como o faz com as orações
daqueles que estão de acordo com sua vontade.
Visto ser Jesus o único e verdadeiro mediador entre o Deus santo
e homens pecadores, ele pôde dizer aos discípulos: “Eu lhes
asseguro que meu Pai lhes dará tudo o que pedirem em meu
nome” (João 16:23).
Quando ele disse isso, não quis significar que devemos nos
apegar à frase “em nome de Jesus” para cada uma de nossas
orações.

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Em vez disso, ele quis dizer que nossas orações deveriam ser
feitas com base em sua autoridade como nosso mediador e de
acordo com seu caráter. Isto é, em parte, o que João quis dizer
quando escreveu àqueles “que creem no nome do Filho de
Deus… [que] se pedirmos alguma coisa de acordo com a sua
vontade, ele nos ouve” (1 João 5:13-14).

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ADORAÇÃO

Adoração é a expressão do relacionamento devoto e reverente da


criatura para com a divindade. Mas esse tipo de definição é muito
limitado para conceituar o que é a verdadeira adoração a Deus.
Por outro lado, entender o significado da adoração a Deus é
fundamental a todo cristão, pois o povo do Senhor é chamado à
mordomia da adoração. Isso quer dizer que ser um cristão
verdadeiro é essencialmente ser um adorador.
Contudo, grande parte dos cristãos possui uma visão no mínimo
confusa do que é a adoração a Deus. Principalmente por falta de
uma instrução bíblica sólida, muitos crentes adotam um significado
de adoração completamente estranho às Escrituras. Mas então
como podemos adorar a Deus de uma forma realmente bíblica?
1) A adoração na Bíblia
O sentido de adoração é representado por várias palavras
hebraicas e gregas no Antigo e Novo Testamentos,
respectivamente. Isso significa que o vocábulo bíblico referente à
adoração é realmente muito amplo.

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Mas de forma geral, o conceito essencial sobre adoração na Bíblia
expressa as ideias de “serviço” e “reverência”. No Antigo
Testamento, os termos hebraicos ‘abad, “servir”, “trabalhar”; e
shaha, que significa “curvar-se”, “prostrar-se”, são os mais
frequentemente utilizados.
Já no Novo Testamento, a prática da adoração é referida
principalmente pelos termos gregos proskyneo, “prostrar-se”,
“inclinar-se”; latreuo, “prestar serviço”; e sebomai e seus cognatos,
significando “reverenciar”, “ficar admirado”.
Quando aplicados à adoração a Deus, esses termos expressam a
atitude de profundo temor, reverência, admiração, veneração e
devoção dos servos de Deus à luz da compreensão de Sua
grandeza e das maravilhas de Suas obras. O entendimento desse
significado é importante para uma correta definição da adoração a
Deus.
2) Adoração a Deus no Antigo Testamento
O Antigo Testamento registra a adoração dos fieis tanto em seu
aspecto individual quanto coletivo. Isso quer dizer que os textos
bíblicos mostram algumas pessoas adorando a Deus numa
instância individual (Gênesis 24:26s; Êxodo 33:9-34:8); mas
também mostram a adoração publica por parte de toda a
congregação de Israel (Salmos 42:4; 1 Crônicas 29:20).
Nesse contexto, o Antigo Testamento descreve como a adoração
na Antiga Aliança era expressa através de um sistema ritualista
organizado de acordo com os preceitos que o próprio Deus
revelou a Moisés no Sinai.
A adoração dos crentes judeus do Antigo Testamento incluía uma
série de ofertas e sacrifícios corporativos e individuais. Essa
ofertas e sacrifícios eram oferecidos por meio dos sacerdotes no
Tabernáculo e depois no Templo.

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Os sacrifícios na adoração a Deus no Antigo Testamento eram
oferecidos regularmente. Isso porque Deus é santo e o homem é
pecador. Então um adorador não podia se aproximar do Deus que
é absolutamente santo, sem que o problema do pecado fosse
tratado.
Além dos sacrifícios diários que faziam parte da adoração do
crente judeu, havia também a celebração de algumas datas
especiais, das quais as duas mais importantes eram o Dia da
Expiação e a Páscoa.
3) Adoração a Deus no Novo Testamento
O Novo Testamento mostra que a essência da verdadeira
adoração a Deus permanece imutável; porém os tipos na
adoração sob a Antiga Aliança deram lugar aos seus antítipos na
adoração sob a Nova Aliança. Isso quer dizer que todo o modelo
cerimonial da adoração da Antiga Aliança que se valia do sistema
de sacrifícios e do sacerdócio, deu lugar a uma realidade muito
superior.
Todas aquelas coisas eram temporárias e apontavam para Cristo.
Então uma vez que Cristo veio, aqueles rituais que caracterizavam
a adoração do Antigo Testamento tornaram-se coisas do passado.
O sacerdócio perfeito, o sacrifício definitivo e a intercessão de
Cristo no Santuário Celestial, conduzem o crente a um novo nível
de adoração; a um novo estágio no relacionamento com o Pai.
Cristo é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, e é por
meio dele que agora podemos nos aproximar de Deus com
confiança (João 1:29; Hebreus 4:16; 10:26).
O Novo Testamento mostra que a vida do crente – toda ela, em
todos os seus aspectos – deve ser uma verdadeira adoração a
Deus. Isso quer dizer que a adoração a Deus deve ser vista como
um modo de vida no qual nos apresentamos como sacrifícios
vivos, santos e agradáveis ao Senhor (Romanos 12:1; cf. 1
Coríntios 10:31).

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Mas ao mesmo tempo em que o Novo Testamento destaca a
adoração particular, ele também enfatiza a necessidade e
importância da adoração pública; isto é, a reunião regular de
cristãos na presença do Senhor. Isso significa que como parte do
Corpo de Cristo, cada cristão deve se juntar aos seus irmãos na fé
para juntos, em Cristo, adorarem a Deus (Colossenses 3:16,17).
Parte importante da adoração pública dos crentes da Nova Aliança
é a celebração da Ceia do Senhor; quando os redimidos não
somente rememoram a morte sacrifical de Cristo, mas também se
alimentam espiritualmente d’Ele. A adoração a Deus, em seu
aspecto congregacional, envolve cânticos, orações, e, sobretudo,
a instrução da Palavra.
O apóstolo Paulo fornece algumas regulamentações sobre a
adoração da comunidade cristã; especialmente quanto ao uso
adequado dos dons espirituais (1 Coríntios 14-16).
4) A importância da adoração
Jamais um cristão deve negligenciar a importância vital da
verdadeira adoração a Deus em sua vida. O reformador João
Calvino está absolutamente certo quando diz que,
incontestavelmente, o primeiro fundamento da justiça é a
adoração a Deus.
Mas a adoração a Deus não é meramente um combinado de
gestos e posturas; não é a entoação de belas músicas ou a
declamação de palavras bonitas e frases de efeito.
A verdadeira adoração a Deus é um serviço que envolve a pessoa
do adorador por completo, em todo seu ser, o tempo todo, e não
apenas nas manhãs e noites de domingo. Uma adoração marcada
simplesmente por externalidades é inútil diante de Deus (Mateus
15:8,9).

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Mas o Senhor Jesus ensina que os verdadeiros adoradores são
aqueles que adoram o Pai em espírito e em verdade (João
4:23,24).
Como bons mordomos da adoração ao Senhor, devemos entender
que não há adoração a Deus sem reverência pela santidade de
Seu Nome; sem admiração pela grandeza de Seus atributos; sem
alegria pelas maravilhas de Suas obras; sem humildade e
confissão de pecados diante de Sua justiça; e sem gratidão diante
de Seu extraordinário amor misericordioso manifestado em sua
indescritível graça revelada na pessoa de Jesus Cristo.
Praticamos a boa adoração quando, em nome de Cristo,
rendemos a Deus o nosso culto racional à luz da compreensão de
seus atos redentores. Esse tipo de adoração busca destacar mais
e mais a supremacia de Deus, reconhecendo Seu valor sobre
todas as coisas.
Como diz John Piper, a verdadeira adoração é a resposta do
coração à compreensão da mente quando ela entende e valoriza
Deus corretamente.

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A SANTIFICAÇÃO

Santificação é um processo progressivo e contínuo operado por


Deus na vida daquele que foi regenerado, convertido e justificado.
No processo da santificação o cristão é ensinado e moldado a
viver cada vez mais para Cristo, numa vida de retidão conforme a
vontade do Senhor.
Assim também a santificação o leva a morrer dia após dia para o
pecado. Vivendo em santidade, o crente vence as tentações e as
concupiscências de sua velha natureza. Através da santificação,
nosso ser é mudado gradualmente. Desse modo somos
habilitados a resistir aos hábitos e práticas pecaminosas da nossa
carne e buscar diligentemente um modo de vida semelhante a
Cristo.
1) Significado de Santificação ou santidade
Palavras como “santificação”, “santificar” e “santidade”, derivam do
vocábulo latino sanctus, “santo”. Por sua vez, esse vocábulo
geralmente traduz o termo hebraico qadash, “separado”,
“consagrado”; e o termo grego hagiasmos, “consagração” e
“purificação”.

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O termo hebraico é utilizado no Antigo Testamento, aparecendo
também como substantivo e adjetivo. Acredita-se que esse termo
seja derivado de uma raiz hebraica que significa “separar” ou
“cortar”.
Alguns também sugerem que existe outro aspecto no significado
dessa raiz que transmite o sentido de “brilhar”. Se isto estiver
correto, então esse termo tanto pode enfatizar a ideia bíblica de
separação quanto à ideia de pureza.
Seja como for, realmente ambas pertencem ao conceito de
santidade. Já o substantivo grego hagiasmos, e o verbo hagiazo,
são os mais utilizados no Novo Testamento para se referir à
santificação e santidade. Eles derivam do termo hagios, que
também transmite a ideia de separação e consagração, assim
como o termo hebraico empregado no Antigo Testamento.
De forma geral, quando tais termos são aplicados pelos autores
bíblicos para se referir à santificação, o objetivo principal é
enfatizar o sentido de separação das práticas pecaminosas. Mas
ao mesmo tempo, também apontam para a ideia de consagração
e dedicação ao serviço de Deus.
Tudo isso resulta no princípio de viver aquilo que é justo e que
está de acordo com a vontade divina.
2) Os conceitos sobre santificação
Ao longo da História da Igreja, muito já se foi discutido sobre o
conceito de justificação segundo a Bíblia, especialmente durante e
após a Reforma Protestante. Algumas linhas teológicas afirmam
que a santificação ocorre de uma única vez, especialmente por
meio do sacramento do batismo.
Outras insistem em confundir a santificação com a regeneração e
a própria justificação. Há também aquelas que defendem o
perfeccionismo na santificação. Essas pessoas entendem que o
cristão pode chegar, ainda nesta vida terrena, a um estado de

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plena santificação que se traduz em um tipo de perfeição onde ele
não pecará mais. Com tudo, o ensino que mais se mostra fiel às
Escrituras é aquele adotado pelos reformadores.
Nele, a santificação é vista como um processo progressivo e
inacabado nesta vida terrena. Dentro deste conceito, a
santificação então pode ser entendida em três aspectos:
● Posicional: onde aquele que foi regenerado e justificado é
visto por Deus como totalmente santificado em Cristo. Isto
significa que ocorre uma separação instantânea e definitiva.
Neste sentido, os cristãos são descritos na Bíblia como
santos e perfeitos, mas isto não significa que eles estejam
imunes ao pecado. Então essa verdade revela a santificação
como um processo longo e inacabado durante esta vida.
● Experimental: a santificação que tem seu início com a
regeneração e encontra sua base judicial na justificação,
desenvolve-se como um processo gradual durante toda a
vida do cristão.
● Final: a santificação só alcançará seu estado pleno e perfeito
quando a velha natureza for finalmente removida dos
redimidos. Isto acontecerá na glorificação, quando os salvos
receberão seus corpos glorificados, semelhantes ao de
Cristo.

3) Como ocorre a santificação?


O autor Louis Berkhof, em sua Teologia Sistemática, destaca de
forma objetiva algumas das principais características da
santificação, das quais podemos citar resumidamente: Deus é o
autor da santificação, ainda que o homem tenha participação
como instrumento através dos meios que Ele colocou a seu dispor.
A santificação tem lugar tanto na vida subconsciente como na vida
consciente do homem. Na primeira, ela é uma operação imediata
do Espírito Santo. Já na segunda, ela é um processo que depende

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do uso do exercício da fé e dos meios de graça durante a vida
cristã.
A santificação é um processo longo, que perdurará toda a vida do
cristão. Por isso esse processo ficará inacabado aqui. Isso
significa que nesta vida terrena o cristão jamais alcançará a
perfeição. A santificação encontrará sua plena perfeição quando a
vida do redimido tiver fim ou no retorno de Jesus Cristo.
A Bíblia diz que os redimidos que já morreram encontram-se
inteiramente santificados. O escritor do livro de Hebreus fala deles
como “justos aperfeiçoados” (Hebreus 12:23). Todavia, será por
ocasião da ressurreição dos mortos que a santificação com
relação ao corpo será completa. Nesse momento Cristo
“transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao
corpo de sua glória” (Filipenses 3:21).

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AS ÚLTIMAS COISAS

Como a escatologia é um tema de diversas opiniões entre as


tradições cristãs, vamos apresentar aqui as principais visões
escatológicas para que o estudante reflita sobre a que entenda
fazer mais sentido ou para que fique atento sobre a visão
escatológica de sua Igreja.
1) Preterismo
O preterismo é a metodologia mais popular para o exame do
Apocalipse e dos Livros proféticos do Antigo Testamento entre os
eruditos críticos.
Essa escola é também conhecida como contemporânea-histórica.
Entendem que a grande maioria das profecias (ou todas)
cumpriram-se na destruição de Jerusalém (em 70 dC).
O preterismo opõe-se a outras três correntes de interpretação das
profecias, sendo elas o Idealismo, o Historicismo e o Futurismo.
A visão preterista trata o Apocalipse como uma imagem simbólica
de conflitos da igreja primitiva que já se cumpriram. Esta visão
nega a qualidade de previsão do futuro de grande parte do livro de

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Apocalipse. Em diferentes níveis esta visão combina a
interpretação alegórica e sombólica com o conceito de que o
Apocalipse não lida com eventos futuros específicos.
O movimento preterista ensina essencialmente que todas as
profecias do Novo Testamento sobre o fim dos tempos se
cumpriram em 70 d.C. quando os romanos atacaram e destruiram
Jerusalém e Israel.
2) Futurismo
Futurismo é uma interpretação da Bíblia, na escatologia cristã,
baseada no cumprimento das profecias do Livro do Apocalipse e
dos livros proféticos do Antigo Testamento, do discurso das
Oliveiras e das "Ovelhas e Bodes" em geralmente, no futuro literal,
físico, apocalíptico e global.
Outras opiniões colocam o cumprimento dessas profecias como
no passado, como literal, físico e local (Preterismo; Historicismo),
ou no presente, como não-literal e espiritual (Idealismo).
O Futurismo tem variantes antigas e modernas; a mais comum
entre os modernos evangélicos protestantes é o
Dispensacionalismo. A maioria dos cristãos acreditam que Jesus
voltará para cumprir o resto da profecia messiânica.
Na interpretação Futurista, quase tudo no livro de Apocalipse está
relacionado aos acontecimentos futuros do fim dos tempos – para
alguns com exceção apenas dos três primeiros capítulos. A
interpretação Futurista se popularizou com o surgimento da
corrente escatológica conhecida como Dispensacionalismo (ou
Pré-Milenismo Dispensacionalista) e que se tornou a principal
visão escatológica dentro do movimento pentecostal. Saiba quais
são as diferentes correntes escatológicas.
A interpretação Futurista (em sua maioria) crê que haverá um
arrebatamento secreto da igreja antes de um período de sete anos
de grande tribulação, a besta será um líder político que liderará

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um governo mundial, o falso profeta seria uma espécie de
ecumenismo religioso que tomará o mundo no governo do
Anticristo e ao final Cristo voltará para livrar o povo de Israel e
estabelecer um reino literal de mil anos (Milênio) na terra.
3) Historicista
No Historicismo, as profecias do livro de Apocalipse (e outras
profecias bíblicas), são interpretadas como se fossem se
cumprindo ao longo da história.
Dessa forma, muitas profecias já se cumpriram, outras estão em
pleno cumprimento, e também há aquelas que ainda se
cumpriram, ou seja, seria como um esboço da história da igreja
desde o século I até a Segunda Vinda de Cristo.
Até o século XIX, podemos dizer que a interpretação Historicista
era a predominante dentro do protestantismo, sendo superada em
números quando surgiu o Dispensacionalismo com uma
interpretação completamente Futurista.
4) Idealista
A interpretação Idealista pode ser definida como totalmente
simbólica, na medida em que interpreta toda descrição presente
no livro de Apocalipse como símbolos, verdades ou ideais
espirituais, ou seja, nada irá ocorrer realmente de forma literal e
histórica, mas completamente de maneira espiritual.
De forma resumida, o Idealismo interpreta o Apocalipse como um
símbolo da luta entre o bem e o mal, entre a igreja e o paganismo
dominado pelo poder satânico.
Sendo assim, verdades espirituais são ensinadas para que cristão
possa aplicá-las em diversas situações. Existem também alguns
idealistas que interpretam a segunda vinda de Cristo e o juízo final
também como algo simbólico, caindo no mesmo erro dos Hiper

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Preteristas, enquanto outros (a maioria), mesmo idealistas,
interpretam como eventos literais que acontecerão.
5) Sobre o Milênio
Existem também diferenças de pensamento sobre o milênio
baseado nas interpretações de Apocalipse. Colocaremos aqui as
principais visões.
O Milênio é um reino de mil anos descrito no capítulo 20 do livro
do Apocalipse, a única passagem bíblica que fala explicitamente
sobre um reino milenar.
Sem dúvida, o Milênio é o tema mais debatido dentro da
escatologia bíblica entre os cristãos. As interpretações sobre o
Milênio, ou o Reino Milenar mencionado nessa passagem, são tão
divergentes que levaram à formação de pelo menos quatro
posicionamentos principais acerca desse tema. Além dessa
divisão principal em quatro escolas distintas, cada escola possui
subdivisões, na medida em que há também divergências até
mesmo entre os defensores de cada uma delas.
Portanto, torna-se praticamente impossível abordar em um único
texto todas as variações de pensamentos sobre o Milênio. Muitos
dos cristãos são leigos nos assuntos mais complexos da teologia,
de modo que um aprofundamento em determinados temas torna a
compreensão difícil e a leitura extremamente cansativa para
muitos.
Portanto, para garantirmos a objetividade e clareza deste texto,
conheceremos de uma maneira não exaustiva as principais
interpretações sobre o Milênio, e também analisaremos, com
muito respeito, qual a interpretação que parece ser mais coerente
com a Palavra de Deus.
Como já dissemos, existem quatro interpretações principais sobre
o Milênio. Basicamente os pontos discutidos em tais
interpretações são os seguintes:

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Quando o Milênio ocorrerá?
Antes ou depois da Segunda Vinda de Cristo?
O Reino Milenar deve ser entendido de forma literal e física, ou
simbólica e espiritual?
Quais são os indivíduos citados em Apocalipse 20 que participam
do Milênio?
As quatro posições que se propõem a tentar responder tais
questionamentos são: Amilenismo, Pós-Milenismo, Pré-Milenismo
Histórico e Pré-Milenismo Dispensacionalista.
A seguir conheceremos brevemente o que cada uma delas
entende sobre o Milênio.
O Amilenismo e o Milênio
Embora o termo Amilenismo transmita uma ideia de que não
exista um milênio, não é isso o que essa corrente escatológica
defende.
O Amilenismo entende sim que há um Milênio descrito no capítulo
20 do Apocalipse, entretanto não o interpretam como um reino
literal de mil anos com Cristo governando sobre a terra após a sua
vinda.
O Amilenismo defende que o Milênio já foi iniciado na primeira
vinda de Cristo, e terminará com a Sua segunda vinda, quando
haverá a ressurreição geral dos mortos, o Juízo Final e o
estabelecimento do novo céu e da nova terra.
No Amilenismo, o Milênio ocorre com o reinado dos santos com
Cristo nos céus, conectado com a expansão da Igreja e o avanço
do Evangelho na terra.
O Pós-MIlenismo e o Milênio

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O Pós-Milenismo, como o próprio nome sugere, entende que o
Milênio também ocorrerá antes da segunda vinda de Cristo,
porém, ao contrário do Amilenismo, o Pós-Milenismo entende que
o Milênio será um período de grande paz e prosperidade
resultante da pregação do Evangelho em todo mundo.
Logo, para o Pós-Milenismo o mundo tende a melhorar antes da
volta de Cristo, de modo que o Milênio será caracterizado pela
maioria dos habitantes da terra respeitando a Palavra de Deus,
numa espécie de cristianização do mundo.
Após esse período, Satanás será solto e Cristo o destruirá em Sua
segunda vinda, condenando-o eternamente.
O Pré-Milenismo Histórico e o Milênio
O Pré-Milenismo Histórico defende um reino literal de Cristo na
terra durante mil anos que será iniciado com a Sua segunda vinda.
Cristo governará a partir de Jerusalém e será um período sem
igual na terra.
No final do Milênio, Satanás estará solto e enganará as nações
influenciando-as à guerrearem contra Jerusalém e o governo de
Cristo. Então, Jesus destruirá as nações rebeldes juntamente com
Satanás, lançando-os em condenação eterna.
Após isso, haverá o Juízo Final e o início do estado eterno.
O Pré-Milenismo Dispensacionalista e o Milênio
Também defende que o Milênio será literal na terra, e começara
após a segunda fase da segunda vinda de Cristo. Diferente do
Pré-Milenismo Histórico, essa posição estabelece um tratamento
completamente distinto entre Israel e Igreja, ou seja, Deus possui
dois propósitos: um com relação à terra e ao povo de Israel, e
outro relacionado com o céu e a Igreja.
Para os Pré-Milenistas Dispensacionalistas, Jesus em Sua
primeira vinda tentou estabelecer o Reino de Deus na terra, porém

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foi rejeitado pelos judeus. Então, Deus adiou esse plano e
começou a tratar com a Igreja. Somente após finalizar seus
propósitos com a Igreja é que Ele retomará Seu plano para com
Israel, e isso ocorrerá principalmente no Milênio, onde as
promessas do Antigo Testamento serão cumpridas literalmente na
restauração e exaltação de Jerusalém e do povo judeu sob todo o
mundo gentio.
Nessa posição escatológica, o Milênio durará mil anos , e Jesus
estará governando visivelmente num trono em Jerusalém, e será
um momento de grande paz e prosperidade sobre a terra. As
nações adorarão a Deus em um Templo reconstruído em
Jerusalém, onde também haverá novamente a oferta de sacrifícios
de animais, porém não serão ofertas propiciatórias, mais ofertas
memoriais em referência à morte de Cristo pela humanidade.
As pessoas viverão normalmente nessa terra maravilhosa, haverá
nascimentos e mortes, já que o pecado e a morte ainda não
estarão extintos como ocorrerá no novo céu e na nova terra.
Entretanto, o mal será amplamente restringido com a prisão de
Satanás. Durante esse reinado, a Igreja dos santos ressurretos
estará habitando a Nova Jerusalém, uma cidade celestial que
estará pairando nos ares sobre a terra, e, em ocasiões
específicas, os crentes poderão descer à terra para participarem
de alguns julgamentos ao lado de Cristo.
No final desse período Satanás será solto, enganará as nações e
fará uma guerra final contra “o acampamento dos santos“, e Cristo
então os derrotará definitivamente. Depois disso haverá o
julgamento perante o grande trono branco, onde todos os ímpios
ressuscitarão para receberem a condenação eterna no lago de
fogo.

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