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Faculdade de Ciências Médicas

Universidade Nova de Lisboa

Epitélio Simples Pavimentoso

Nesta lâmina observa-se uma preparação de rim, na qual podemos


identificar um revestimento epitelial simples pavimentoso, ao nível do endotélio
dos vasos sanguíneos.
O tecido epitelial simples pavimentoso é constituído por células muito coesas,
formando uma superfície contínua, em que se verifica a quase ausência de
substância intercelular e a ausência total de vasos sanguíneos.
Este tecido é constituído por uma camada única de células, sendo por
isso designado de epitélio simples, apresentando estas uma forma achatada
daí que se classifique como pavimentoso.
O comprimento e a largura predominam sobre a altura das células; os
núcleos são achatados e oblongos (de acordo com a forma da célula), com
cromatina condensada e citoplasma escasso.
As células encontram-se apoiadas sobre a membrana basal que separa
o epitélio do tecido de sustentação subjacente sendo a partir deste último
tecido que é feita a difusão de oxigénio para o epitélio.

Este tipo de epitélio encontra-se a revestir superfícies envolvidas no


transporte passivo de gases (ex. pulmões) ou líquidos (ex. paredes dos
capilares) e ainda revestindo as cavidades pleural, pericárdia e peritoneal.

Notas:

Lâminas de Histologia 1
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Epitélio Simples Cúbico

Nesta lâmina observa-se uma preparação de rim, na qual podemos


identificar um revestimento epitelial simples cúbico, ao nível dos tubos
contornados proximais e distais.
Distinguem-se então dois tipos de estruturas tubulares que diferem em
alguns aspectos: os tubos contornados proximais são mais numerosos, de
lúmen menor, possuem células maiores que apresentam ao nível do seu pólo
apical especializações da membrana – microvilosidades (apenas visíveis em
ME, sendo representadas pela bordadura em escova em MO); já os tubos
contornados distais são menos numerosos, de lúmen maior, com células
menores e sem bordadura em escova.
Ambos os tipos de tubos são revestidos por um tecido epitelial, formado
por células muito coesas, constituindo uma superfície contínua, em que se
verifica a quase ausência de substância intercelular e a ausência total de vasos
sanguíneos.
O tecido é constituído por uma camada única de células, sendo por isso
designado de epitélio simples, sendo a sua forma cúbica/poligonal, daí que o
epitélio seja cúbico. O comprimento, a largura e a altura das células são
idênticos. O núcleo é arredondado, localiza-se centralmente e apresenta
cromatina dispersa com nucléolos evidentes.

Este tipo de epitélio reveste pequenos ductos e túbulos que podem ter
funções excretoras, secretoras ou absortivas.

Notas:

Lâminas de Histologia 2
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Epitélio Simples Cilíndrico/Colunar

Nesta lâmina observa-se uma preparação de intestino delgado, na qual


podemos identificar um revestimento epitelial simples cilíndrico.
Na porção superficial podem observar-se estruturas repetidas em forma
de dedo de luva, as vilosidades intestinais. Estas são revestidas por tecido
epitelial, formado por células muito coesas, constituindo uma superfície
contínua, em que se verifica a quase ausência de substância intercelular e a
ausência total de vasos sanguíneos.
Este tecido é constituído por uma camada única de células, sendo por
isso designado de epitélio simples, sendo estas células cilíndricas daí que o
epitélio seja cilíndrico.
A altura das células predomina sobre o comprimento e a largura. Os
núcleos são alongados, normalmente basais e corados de violeta. Na região
apical das células é visível uma zona fortemente corada que leva a que o limite
superior apareça como uma dupla linha – o prato estriado (em MO, o que
corresponde em ME ás microvilosidades). Apesar de não ser observável devido
à ausência da sua coloração específica, encontra-se também à superfície
apical das células, o glicocálise (camadas de glicopolissacáridos).
Neste tipo de epitélio encontram-se ainda estruturas em forma de cálice,
coradas de rosa escuro ou incolores, com núcleos basais - células caliciformes.
Este epitélio repousa sobre uma membrana basal, razoavelmente nítida, que o
separa o tecido conjuntivo adjacente.

Este tipo de epitélio é frequente nas superfícies absortivas, como o


intestino delgado, podendo também ser encontrado ao nível de superfícies
secretoras (ex. estômago).

Notas:

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Epitélio Pseudoestratificado ciliado

Nesta lâmina observa-se uma preparação de traqueia, na qual podemos


identificar um revestimento epitelial pseudoestratificado ciliado.
A traqueia é um órgão oco, cujo revestimento é feito por um conjunto de
células justapostas, sem substância intersticial entre elas e com núcleos
dispostos a diferentes níveis nos 2/3 basais da célula - contudo como todas as
células repousam sobre a mesma membrana basal (que separa o epitélio do
tecido conjuntivo subjacente), trata-se de um epitélio pseudoestratificado e não
estratificado.
A região apical apresenta uma estrutura livre e intensamente corada, da
qual se destacam estruturas filiformes – cílios - que são responsáveis pela
remoção da camada superficial de muco das vias aéreas em direcção à
faringe.
Este tecido é interrompido por espaços não corados, em forma de cálice,
com núcleos basais irregulares – células caliciformes.

Este tipo de epitélio é quase exclusivamente restrito ás grandes vias


aéreas do sistema respiratório, sendo por isso também denominado de epitélio
respiratório.

Notas:

- Não existem cílios em epitélios estratificados….

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Epitélio Estratificado pavimentoso

Nesta lâmina observa-se uma preparação de pele/ esófago/ gengiva/


mucosa bucal, na qual podemos identificar um revestimento epitelial
estratificado pavimentoso.
O tecido epitelial é constituído por células muito coesas, constituindo
uma superfície contínua em que se verifica a quase ausência de substância
intercelular e a ausência total de vasos sanguíneos.
Este tecido é constituído por várias camadas de células, sendo por isso
designado de epitélio estratificado; e estas apresentam uma forma
cúbica/poligonal ao nível das camadas mais profundas e uma forma achatada
nas camadas mais superficiais daí a designação de pavimentoso (pois a
classificação dos epitélios estratificados é baseada na forma das células mais
superficiais).
Os núcleos superficiais são mais condensados (picnóticos) e achatados
o que constitui uma evidência de degeneração, uma vez que as células
superficiais vão sendo “empurradas” pela divisão mitótica das células basais.
Este epitélio apresenta uma especialização – a queratinização (células
epiteliais acumulam proteínas citoesqueléticas com ligações cruzadas,
formando uma camada superficial dura, não-viva constituída pela queratina K)
– que adapta o epitélio para resistir à abrasão e ao ressequimento constantes,
aos quais a superfície do corpo está exposta.
O epitélio estratificado pavimentoso é exemplo de uma adaptação eficaz
ao desgaste, já que a perda de células superficiais não compromete o tecido
subjacente.

Notas:

- Se se tratar de uma preparação de esófago, referir que se trata de um


órgão oco e cilíndrico.

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- O que determina a classificação de um epitélio estratificado é a forma


das células da camada superficial, pois as células mais basais, sendo mais
jovens, apresentam uma forma geralmente cúbica/globosa, visto estarem
sujeitas a um conjunto de tensões resultante da pressão das outras células.

- Ver se a queratinização está presente!!!!

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Epitélio Pseudoestratificado de Transição, Wolfiano ou Urotélio

Nesta lâmina observa-se uma preparação de bexiga, na qual podemos


identificar um revestimento epitelial de transição.
O tecido epitelial é constituído por células muito coesas, constituindo
uma superfície contínua em que se verifica a quase ausência de substância
intercelular e a ausência total de vasos sanguíneos.
É identificado pela existência de núcleos a várias alturas e pelos
contornos fracos das membranas celulares. As células basais são
aproximadamente cúbicas, as células intermédias são poligonais e as células
superficiais são grandes e arredondadas.
As células superficiais podem ser binucleadas e têm placas de
membrana (ME), que são especializações da membrana que permitem o
aumento da área de superfície da membrana apical das células durante a
distensão, em MO observa-se um contorno arredondado das células
superficiais e o citoplasma superficiais é indistinto e muito mais intensamente
corado do que o restante, visto que corresponde à cutícula de revestimento
destas células.
A passagem das células de uma forma globóide para uma forma mais
achatada deve-se ao facto de todas as células se encontrarem unidas à
membrana basal. Assim no caso de repleção do órgão as 6/7 camadas de
células iniciais dão origem apenas 3 camadas visto que a membrana se
encontra distendida. Nesta preparação, visto que se observam 6 a 7 camadas
de células, conclui-se que o órgão se encontra contraído.

Este tipo de epitélio é uma forma de epitélio quase exclusivamente


restrito ao trato urinário, onde é altamente especializado para acomodar um
elevado grau de estiramento e suportar a toxicidade da urina.

Notas:

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- A maioria dos epitélios estratificados é pavimentoso, por isso tomamos


atenção à camada de células mais superficial: se estas se apresentarem
globosas então possivelmente deverá tratar-se de um epitélio
pseudoestratificado de transição.

- Diz-se epitélio de transição porque as células mudam de forma, não


por existirem células de formas diferentes.

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Glândula mucosa

Nesta lâmina observa-se uma preparação de glândula sublingual, na


qual podemos identificar estruturas epiteliais glandulares do tipo mucoso.
As estruturas glandulares predominantes são os ácinos mucosos, em
elevado número, o que se verifica: pela forte descoloração da preparação (pois
os grânulos de mucina são solúveis em H2O), núcleos condensados e
achatados contra a membrana basal, lúmen grande, RER basal e muito
desenvolvido, Ap.Golgi abundante e existência de vesículas secretoras de
mucinas ao nível do pólo apical.
Observam-se os ductos excretores da glândula que são revestidos por
epitélio estratificado cúbico e acompanhadas por vasos sanguíneos e nervos. Á
medida que os vários ductos se fundem para formar o ducto excretor principal,
o epitélio transforma-se gradativamente em epitélio pavimentoso estratificado.
Nesta glândula observam-se também alguns adipócitos ocasionais. As
células mioepiteliais, por vezes não muito evidentes, são células achatadas
com núcleos arredondados, escuros e citoplasma claro ou vacuolado, situadas
entre o epitélio e a membrana basal dos ácinos e de grande parte dos ductos.
A sua contracção lança a secreção nos ductos de maior dimensão, sendo por
isso de grande importância.

Notas:

- A glândula sublingual pode também ser considerada uma glândula


mista, contudo é predominantemente mucosa (90% dos seus ácinos).

- O muco é transparente pois não cora pela H&E, os lípidos aparecem


transparentes porque são destruídos pelo álcool do fixador.

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Glândula serosa

Nesta lâmina observa-se uma preparação de glândula parótida, na qual


podemos identificar um epitélio glandular do tipo seroso.
A glândula é dividida em numerosos lóbulos que contêm muitas
unidades secretoras, sobretudo serosas que coram de púrpura intensa devido
à secreção rica em proteínas (enzimas digestivas) e ao seu retículo
endoplasmático rugoso abundante. A forma do seu núcleo é esférica,
ocupando este geralmente uma posição central dentro da célula, e o lúmen é
pequeno.
Entre os numerosos ácinos vêem-se cortes histológicos de canais de
diferentes calibres que se destacam pelo seu amplo lúmen e cujas paredes são
constituídas por células cúbicas e os núcleos são esféricos e ocupam a porção
central da célula. Os canais de diferentes calibres constituem o sistema de
ductos deste órgão.
As células mioepiteliais, por vezes não muito evidentes, são células
achatadas com núcleos arredondados, escuros e citoplasma claro e vacuolado,
situadas ente o epitélio e a membrana basal dos ácinos e de grande parte dos
ductos. A sua contracção lança a secreção nos ductos de maior dimensão,
sendo por isso de grande importância.

Notas:

- Se forem visíveis células menos coradas, com núcleos centrais e


arredondados provavelmente tratar-se-á de um ducto excretor (não confundir
com glândulas mucosas!).

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Glândula mista

Nesta lâmina observa-se uma preparação de glândula submaxilar, na


qual se pode identificar um epitélio glandular do tipo misto.
A glândula é mista, uma vez que é constituída por uma mistura de
unidades secretoras serosas e mucosas. Que são frequentemente encontradas
sob a forma de unidades secretoras mistas. Estas unidades são constituídas
por ácinos mucosos circundados por capuzes semilunares, os crescentes de
Gianusi (lúmen reduzido, tornando-se algumas vezes virtual). Encontram-se
também ácinos puramente mucosos (descorados) e ácinos puramente serosos
(intensamente corados de púrpura).
Os núcleos das células mucosas são caracteristicamente condensados e
achatados, ocupando uma posição basal, enquanto que os núcleos das células
serosas são arredondados e usualmente ocupam uma posição mais central
dentro da célula. Entre os ácinos observam-se cortes histológicos de canais de
diferentes calibres que constituem o sistema de ductos deste órgão.
As células mioepiteliais, por vezes não muito evidentes, são células
achatadas com núcleos arredondados, escuros e citoplasma claro e vacuolado,
situadas entre o epitélio e a membrana basal dos ácinos e de grande parte dos
ductos, A sua contracção lança a secreção nos ductos de maior dimensão,
sendo por isso de grande importância.

Notas:

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Pâncreas e duodeno

Nesta lâmina observa-se uma preparação de pâncreas e duodeno, na


qual se podem identificar um epitélios glandulares de diferentes tipos.
No pâncreas, distingue-se um componente exócrino e um componente
endócrino, considera-se assim como uma glândula afícrina.

O componente exócrino é constituído por ácinos secretores densamente


agrupados, maioritariamente serosos, intensamente corados e constituído por
um grupo irregular de células piramidais com núcleos arredondados e centrais,
repousam numa membrana basal, sustentada por fibras reticulares. O seu
lúmen é pequeno e o citoplasma basófilo.

O componente endócrino é constituído pelos ilhéus de Largerhans, de


estrutura cordonal, composto por muitas células secretoras sustentadas por
uma fina rede de capilares. As células endócrinas são pequenas com um
citoplasma granular, palidamente corado, devido a uma escassez de RER, o
que reflecte uma menor síntese proteica.

No duodeno, encontram-se dois tipos de glândulas as glândulas de


Brunner e as criptas de Lieberkühn.
As glândulas de Brunner são glândulas secretoras de muco situadas
predominantemente na submucosa, mas estendendo-se frequentemente para
dentro da mucosa. Estas glândulas são essencialmente acinares mucosas, o
que se verifica pela forte descoloração da preparação, forma dos núcleos que
são condensados e basais e ainda do lúmen que é grande. Estas glândulas
utilizam como canal excretor as criptas de Lieberkühn.
Na mucosa, que tem a forma característica de todo o intestino delgado,
observam-se outras glândulas, de pequenas dimensões conhecidas como
criptas de Liberkühn, situadas entre as vilosidades ue se estendem
profundamente ate à camada muscular da mucosa.

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Tecido Conjuntivo laxo (11)

Nesta lâmina observa-se uma preparação de estômago, na qual se


pode identificar um tecido conjuntivo do tipo laxo.
Neste tipo de tecido não se verifica o predomínio de qualquer elemento.
As fibras de colagénio são o tipo de fibras mais abundante e são pouco
coradas, eosinófilas, alongadas, pouco espessas e desorganizadas.
Encontram-se diferentes tipos de células, como fibroblastos, fibrócitos,
macrófagos e alguns adipócitos.
Os fibroblastos têm uma forma irregular, núcleo condensado e alongado
na direcção das fibras de colagénio, citoplasma muito reduzido em volume,
devido à abundância em RE e são células longas com finos prolongamentos
citoplasmáticos que se estendem para dentro da matriz para se encontrarem
com os dos outros fibroblastos.
Os fibrócitos resultam da maturação dos fibroblastos, não têm o
volumoso citoplasma basófilo e apresentam uma retracção do núcleo o que
reflecte a diminuição da transcrição de RNA.
Os macrófagos são células grandes, de forma irregular e núcleo também
irregular e no seu citoplasma encontram.se vacúolos, fagossomas e corpos
residuais.
Os adipócitos são células com formato poliédrico, núcleo achatado
empurrado para a periferia e citoplasma muito reduzido, devido à presença de
um único vacúolo de grandes dimensões.
Este tecido apresenta estruturas vasculares que são circulares ou
elípticas (dependendo do ângulo do corte) com eritrócitos no interior. Juntos
dos vasos encontram-se mastócitos que são abundantes em granulações
coradas de encarnado e têm núcleo esférico.

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Notas:

- A lâmina poderá ser de glândula mamária onde em torno dos ácinos


glandulares é visível tecido conjuntivo laxo e mais externamente tecido
conjuntivo denso.

- A lâmina poderá ser também de derme papilar – camada da pele


imediatamente abaixo do epitélio.

- Sempre que estamos na presença de uma glândula ou de um epitélio


temos tecido conjuntivo laxo, pois é o tipo de tecido que melhor suporta e
difunde os nutrientes!

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Tecido Conjuntivo membranoso (12)

Nesta lâmina observa-se uma preparação de mesentério, na qual se


pode identificar um tecido conjuntivo do tipo membranoso.
Neste tipo de tecido verifica-se o predomínio de substância fundamental,
e algumas fibras.
Neste tecido encontram-se fibras de colagénio que são pouco coradas,
alongadas, pouco espessas e desorganizadas e fibras elásticas que são finas,
bem identificadas através desta técnica do estiramento e formam uma rede
para várias direcções.
Encontram-se diferentes tipos de células, como fibroblastos, fibrócitos,
mastócitos, plasmócitos e linfócitos.
Os fibroblastos têm uma forma irregular, núcleo condensado e alongado
na direcção das fibras de colagénio, citoplasma muito reduzido em volume,
devido à abundância em RE e são células longas com finos prolongamentos
citoplasmáticos que se estendem para dentro da matriz para se encontrarem
com os dos outros fibroblastos.
Os fibrócitos resultam da maturação dos fibroblastos, não têm o
volumoso citoplasma basófilo e apresentam uma retracção do núcleo o que
reflecte a diminuição da transcrição de RNA.
Os mastócitos são abundantes em granulações coradas de encarnado e
têm núcleo esférico.
Os plasmócitos têm núcleos granulares, redondos e ovais e um extenso
citoplasma basófilo com uma área perinuclear mais clara que se deve à
deposição do Golgi.
Os linfócitos são pequenas células com núcleo grande muito
condensado e um anel de citoplasma em torno deste
Este tecido possui vasos sanguíneos com eritrócitos e caracteriza-se por
apresentar fenestras – poros limitados por fibras que facilitam fenómenos de
difusão.

Notas:

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- Podem ver-se alguns capilares na preferia, com lúmen e o seu


conteúdo (células sanguíneas), o que só acontece se o corte estiver inteiro.
Trata-se portanto de uma estrutura tridimensional, pelo que os núcleos dos
adipócitos estão sempre visíveis.

- Não se trata de um corte, mas sim da “estrutura esticada” pelo que são
visíveis 2 camadas de células em dois planos distintos!

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Tecido Conjuntivo tendinoso (13)

Nesta lâmina observa-se uma preparação de tendão, na qual se pode


identificar um tecido conjuntivo do tipo denso regular, também denominado de
tecido conjuntivo tendinoso.
Neste tipo de tecido verifica-se o predomínio de fibras de colagénio.
As fibras de colagénio apresentam-se sob a forma de feixes grossos,
eosinófilos, ondulados, cujas extremidades não se vêem e não se encontram
anastemosadas. As fibras estão dispostas paralelamente entre si e entre elas
existe pouca substância fundamental. Entre as fibras encontra-se substância
fundamental e fibroblastos corados de negro, aplanados, formando fileiras,
paralelas ás fibras – tendinócitos, com os núcleos alongados na mesma
direcção, num corte horizontal, e arredondados num corte vertical.,
Este tipo de tecido apresenta elevada resistência à tracção, mas não é
elástico, nem extensível.

Notas:

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Tecido Conjuntivo Mucoso (14)

Nesta lâmina observa-se uma preparação de cordão umbilical, na qual


se pode identificar um tecido conjuntivo do tipo mucoso.
Neste tipo de tecido há um predomínio da substância fundamental, visto
que se trata de um tecido muito laxo.
Este tipo de tecido é exclusivo do cordão umbilical e é constituído
por 3 vasos sanguíneos situados na região central, que são revestidos por
epitélio simples pavimentosos e possuem uma camada muscular bastante
espessa: 2 artérias umbilicais (camada muscular maior e lúmen menor) e 1
veia umbilical, incluídos num mesênquima constituído sobretudo por
substancial fundamental (em MO surgem regiões brancas que correspondem à
substância fundamental refractada pelas técnicas de preparação).
As fibras deste tecido são essencialmente de colagénio
(arroxeadas), sendo pouco numerosas, alongadas, pouco coradas, pouco
espessas, desorganizadas e com estriação difícil de observar.
As células não se encontram ordenadas, sendo fibroblastos e
fibrócitos.
Os fibroblastos têm uma forma irregular, núcleo condensado e
alongado na direcção das fibras de colagénio, citoplasma muito reduzido em
volume, devido à abundância em RE e são células longas com finos
prolongamentos citoplasmáticos que se estendem para dentro da matriz para
se encontrarem com os dos outros fibroblastos.
Os fibrócitos resultam da maturação dos fibroblastos, não têm o
volumoso citoplasma basófilo e apresentam uma retracção do núcleo o que
reflecte a diminuição da transcrição de RNA.
Este tipo de tecido é também designado de geleia de Wharton
devido à sua consistência gelatinosa/fluida.

Notas:

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Tecido Adiposo Unilocular (Branco)

Nesta lâmina observa-se uma preparação de tecido adiposo branco.


Este tipo de tecido apresenta um predomínio de células, neste caso de
adipócitos, que são células grandes, poligonais, com núcleo corado, achatado
e empurrado para a periferia e citoplasma reduzido a uma pequena faixa em
torno da periferia devido à existência de um vacúolo de grandes dimensões.
Nos cortes histológicos de rotina, o conteúdo lipídico dos adipócitos é
extraído durante o processamento do tecido, deixando um grande espaço não
corado no interior da célula. A gordura armazenada nos adipócitos acumula-se
como gotículas lipídicas que se fundem para formar uma única grande gota que
se distende e ocupa a maior parte do citoplasma.
Os adipócitos são envolvidos por numerosos capilares finos muito
ramificados que transferem os metabolitos para dentro e para fora das células.
Entre alguns adipócitos existem ainda lâminas de tecido conjuntivo denso e daí
que eles sejam deformáveis e protectores de choques mecânicos.
Este tipo de tecido distribui-se por todo o corpo, particularmente nas
camadas profundas da derme. É um tecido de sustentação adaptado como
fonte energética.

Notas:

- O Tecido Adiposo Branco forma as camadas profundas da pele,


sobretudo ao nível do abdómen, axilas e coxas, constitui uma reserva
energética e facilita a termoregulação (núcleo achatado, um vacúolo de
grandes dimensões e citoplasma reduzido).

- O Tecido Adiposo Cinzento é abundante no recém-nascido, no adulto


encontra-se na periferia do rim, grandes vasos, mediastino e pescoço (núcleo

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arredondado, vários vacúolos menores, citoplasma mais abundante e elevado


n.º de mitocôndrias).

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Tecido Aponevrótico

Nesta lâmina observa-se uma preparação de tecido conjuntivo denso


aponevrótico.
Neste tipo de tecido verifica-se o predomínio de fibras de colagénio, que
são alongadas, pouco espessas e dispostas perpendicularmente entre si, em
rede.
Os feixes das fibras são mais espessas num sentido que noutro,
segundo linhas de força. Entre as fibras observam-se algumas células, como
fibroblastos, fibrócitos e mastócitos.
Os fibroblastos têm uma forma irregular, núcleo condensado e alongado
na direcção das fibras de colagénio, citoplasma muito reduzido em volume,
devido à abundância em RE e são células longas com finos prolongamentos
citoplasmáticos que se estendem para dentro da matriz para se encontrarem
com os dos outros fibroblastos.
Os fibrócitos resultam da maturação dos fibroblastos, não têm o
volumoso citoplasma basófilo e apresentam uma retracção do núcleo o que
reflecte a diminuição da transcrição de RNA.
Os mastócitos são abundantes em granulações coradas de encarnado e
têm núcleo esférico.

Notas:

- Tecido conjuntivo denso, orientado e multidireccional.

- Os núcleos das células aparecem orientados perpendicularmente.

- São visíveis zonas de dobra que correspondem ás cristas de


impressão (arroxeadas).

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Tecido Reticular

Nesta lâmina observa-se uma preparação de baço, na qual se pode


identificar um tecido conjuntivo denso do tipo reticular.
Neste tipo de tecido verifica-se o predomínio de fibras de colagénio
tipoIII, que são fibras de reticulina. Estas formam entre si uma rede, são mais
periféricas e apresentam uma cor negra, derivada da técnica de coloração
(prata). São também visíveis fibras acastanhadas que correspondem a fibras
de colagénio tipo I.
No interstício da rede de fibras observam-se pontos negros que resultam
da acumulação de sais de prata e que impedem a identificação das células
muito pequenas, das quais se observa quase exclusivamente o núcleo.
Encontram-se pequenas estruturas amareladas que são células
sanguíneas. Apesar de não serem observadas, sabe-se que existem células
com prolongamentos, núcleo com cromatina fina e um ou mais nucléolos
visíveis que são as células reticulares ou reticulócitos.

Este tipo de tecido forma uma delicada estrutura de sustentação para os


órgãos hematopoiéticos (excepto o timo).

Notas:

- É possível observar este tipo de tecido no fígado, pois


embriologicamente o fígado é o primeiro órgão hematopoiético.

- As fibras mais de colagénio são as mais grossas, seguidas das de


elastina e por último as de reticulina.

- Elastina e reticulina coram de preto pela prata.

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Cartilagem Hialina

Nesta lâmina observa-se uma preparação de septo nasal, na qual se


pode identificar um tecido de sustentação com características especiais, a
cartilagem hialina (o tipo mais comum de cartilagem).
Nesta cartilagem encontram-se condroblastos e condrócitos incluídos
numa matriz amorfa de substância fundamental, reforçada por fibras de
colagénio tipo II que não apresentam estriações transversais e estão dispostas
numa rede entrelaçada de finas fibrilhas. Os condroblastos têm um citoplasma
basófilo que se deve ao elevado conteúdo em RER e possuem grandes
núcleos vesiculares com nucléolos proeminentes. Os condrócitos são menores
que os condroblastos e têm pequenos núcleos densos, de citoplasma claro e
pouco definido. Este conjunto está rodeado por uma camada de tecido
conjuntivo denso rico em fibroblastos que é o pericôndrio.
Neste tecido podem distinguir-se duas zonas evidentes: uma zona
interna e uma zona periférica.
A zona interna é fortemente basofílica e nela encontram.se os
condrócitos dispostos em grupos isógenos que estão separados por uma
grande massa de matriz cartilaginosa amorfa, enquanto as células de cada
grupo estão separadas por apenas uma camada delgada de matriz. A zona
periférica e corada palidamente e funde-se ao tecido de sustentação adjacente,
contendo adipócitos, capilares e pequenos nervos. Estendendo-se da zona
interna em direcção à superfície externa da cartilagem, os condrócitos são
progressivamente menos diferenciados, de modo que as células do pericôndrio
superficiais se assemelham a fibroblastos maduros.
A intensidade variável da coloração da matriz da cartilagem reflecte a
concentração em proteoglicanos ácido sulfatados, que é maior em torno dos
grupos de células completamente diferenciadas e menor no pericôndrio.
Este tecido não possui vasos sanguíneos ou linfáticos sendo a nutrição
feita a partir dos capilares do tecido conjuntivo.

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Notas:

Diferenças entre traqueia e brônquios: a traqueia é um semi-anel aberto


atrás e revestido por músculo; os brônquios apresentam um anel completo.

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Cartilagem Elástica

Nesta lâmina observa-se uma preparação de pavilhão auricular, na


qual se pode identificar um tecido de sustentação com características
especiais, a cartilagem elástica.
Nesta cartilagem encontram-se condroblastos e condrócitos incluídos
numa matriz amorfa de substância fundamental, reforçada por fibras de
colagénio tipo II que não apresentam estriações transversais e estão dispostas
numa rede entrelaçada de finas fibrilhas e ainda por fibras elásticas, de
espessura variável, ramificadas na matriz da cartilagem e coradas de preto
nesta preparação. Estas últimas fibras são particularmente densas perto dos
condrócitos e mais pequenas perto do pericôndrio.
Os condroblastos têm um citoplasma basófilo que se deve ao elevado
conteúdo em RER e possuem grandes núcleos vesiculares com nucléolos
proeminentes.
Os condrócitos são menores que os condroblastos e têm pequenos
núcleos densos, de citoplasma claro e pouco definido. Este conjunto está
rodeado por uma camada de tecido conjuntivo denso rico em fibroblastos que é
o pericôndrio.
Neste tecido podem distinguir-se duas zonas evidentes: uma zona
interna e uma zona periférica.
A zona interna é fortemente basofílica e nela encontram-se os
condrócitos dispostos em grupos isógenos que estão separados por uma
grande massa de matriz cartilaginosa amorfa, enquanto as células de cada
grupo estão separadas por apenas uma camada delgada de matriz. A zona
periférica e corada palidamente e funde-se ao tecido de sustentação adjacente,
contendo adipócitos, capilares e pequenos nervos. Estendendo-se da zona
interna em direcção à superfície externa da cartilagem, os condrócitos são
progressivamente menos diferenciados, de modo que as células do pericôndrio
superficiais se assemelham a fibroblastos maduros.
A intensidade variável da coloração da matriz da cartilagem reflecte a
concentração em proteoglicanos ácido sulfatados, que é maior em torno dos
grupos de células completamente diferenciadas e menor no pericôndrio.

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Este tecido não possui vasos sanguíneos ou linfáticos sendo a nutrição


feita a partir dos capilares do tecido conjuntivo.

Notas:

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Faculdade de Ciências Médicas
Universidade Nova de Lisboa

Osso fresco

Nesta lâmina observa-se uma preparação de osso fresco, na qual se


pode identificar um tecido conjuntivo com característica especiais, o tecido
ósseo.
A estrutura básica do tecido ósseo é composta por osso trabecular ou
esponjoso e por osso compacto.
O osso esponjoso é constituído por uma rede tridimensional de
espículas ósseas ramificadas, ou trabéculas que delimitam espaços onde se
encontra a medula óssea e que contêm osteócitos.
O osso compacto é constituído por colunas ósseas paralelas, em que se
distinguem canais – canais de Havers – que, com as suas lamelas concêntricas
formam o sistema harversiano que contém vasos sanguíneos, linfáticos e
nervos. A estabelecer a comunicação entre estes canais encontram-se outros,
oblíquos ou transversais – canais de Wolkmann.
Revestindo a superfície cortical existe uma lâmina de tecido fribroso
condensado, basófilo – o periósteo, que contém células osteoprogenitoras,
praticamente indistinguíveis dos fibroblastos e que se diferenciam em
osteoblastos.
Os osteoblastos distinguem-se pelo seu citoplasma basófilo abundante,
que reflecte a abundância de RER, pelo seu núcleo poliédrico que cora de claro
e tem nucléolo proeminente (elevada actividade sintética).
Os osteócitos são provenientes dos osteoblastos que ficam circundados
por matriz óssea, permanecendo “aprisionados” no interior de lacunas. São
caracterizados por núcleos densamente corados e citoplasma basófilo pálido.

Notas:

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Ossificação Endocondral

Nesta lâmina observa-se uma preparação que evidencia a ossificação


endocondral.
Este tipo de ossificação, ou seja, a transição entre a cartilagem epifisária
e o tecido ósseo, ocorre em 6 etapas morfológicas e funcionais que se vêem
em série na preparação e correspondem à placa metafisária:

1)Zona de cartilagem de reserva: constituída por cartilagem hialina típica


com condrócitos dispostos em pequenos grupos rodeados por uma grande
quantidade de matriz pouco corada;
2)Zona de cartilagem em proliferação: os grupos de células cartilaginosas
sofrem divisões mitóticas sucessivas para formar colunas de condrócitos
separadas por matriz fortemente corada, rica em proteoglicanos;
3)Zona de maturação: a divisão celular cessa e os condrócitos aumentam
de tamanho;
4)Zona de hipertrofia e calcificação: os condrócitos aumentam de
tamanho apresentando vacúolos e a matriz é calcificada;
5)Zona de degeneração de cartilagem: os condrócitos degeneram, sendo
as lacunas da matriz invadidas por células osteogénicas e capilares;
6)Zona osteogénica: as células osteogénicas diferenciam-se em
osteoblastos, iniciando-se a formação do osso;

Notas:

- O osso fica avermelhado (eosinófilo) e a cartilagem arroxeada.

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Ossificação Membranosa

Nesta lâmina observa-se uma preparação que evidencia a ossificação


membranosa.
Este tipo de ossificação ocorre no interior do tecido conjuntivo, onde se
forma osso a partir de membranas pré-existentes.
Nesta preparação são visíveis espículas de osso primário, separadas
por tecido mesenquimatoso primitivo. O tecido mesenquimatoso condensa-se
formando os contornos do osso em desenvolvimento.

Notas:

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Tecido Muscular Estriado Esquelético (28)

Nesta lâmina observa-se uma preparação de bochecha, na qual se


pode identificar um tecido muscular estriado esquelético.
Neste tecido, podem distinguir-se dois tipos de corte: longitudinal e
transversal, que afectam a forma das células.

Num corte longitudinal, as fibras musculares esqueléticas aparecem


como fibras cilíndricas, dispostas de uma forma regular (+/-paralelas) não
ramificadas e extremamente alongadas, com numerosos núcleos achatados,
localizados em intervalos bastante regulares, imediatamente abaixo do
sarcolema. As fibras musculares encontram-se unidas por tecido conjuntivo –
endomísio, cada fascículo é envolto em tecido conjuntivo – perimísio, e a
massa muscular formada pelos vários fascículos é também rodeada por tecido
conjuntivo – epimísio. Apresentam estriações transversais proeminentes,
devido ao arranjo das proteínas contrácteis, daí o nome de músculo estriado.

Num corte transversal, as fibras apresentam-se redondas/ovais, com


diâmetros semelhantes, muito juntas reconhecendo-se a envolver um fascículo
muscular uma faixa de tecido conjuntivo laxo, o perimísio., e o endomísio entre
as fibras. Algumas fibras aparecem com numerosos núcleos periféricos,
noutras estes não são observáveis.

Notas:

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Tecido Muscular Estriado Cardíaco (29)

Nesta lâmina observa-se uma preparação de coração, na qual se pode


identificar tecido muscular estriado esquelético, cujas características são
intermédias entre o músculo estriado esquelético e o músculo liso.

Num corte longitudinal são visíveis fibras mais curtas que as fibras
musculares esqueléticas, cilíndricas e longas, com um ou dois núcleos situados
centralmente. As extremidades das fibras são fendidas longitudinalmente em
forma de Y, cujas extremidades roçam em ramos semelhantes de fibras
adjacentes, lembrando uma rede citoplasmática contínua tridimensional, um
sincício. As fibras musculares apresentam estriações transversais
proeminentes devido ao arranjo das proteínas contrácteis, daí o nome de
músculo estriado. Entre as extremidades das células musculares cardíacas
adjacentes existem junções celulares especializadas, os discos intercalares,
que permitem a propagação extremamente rápida dos estímulos contrácteis de
uma célula para a outra, assim como uma contracção simultânea, constituindo
um sincício funcional.

Num corte transversal, vêem-se células irregulares, dispersas,


menos juntas e de menor diâmetro que as células esqueléticas. Por vezes os
núcleos aparecem em espaços vazios, visto localizarem-se na célula ao nível
do ponto de bifurcação, o que constitui um artefacto de preparação. Entre as
fibras musculares, existe tecido conjuntivo (colagénio) que sustenta a rede
extremamente rica de capilares, necessária às elevadas exigências
metabólicas destas células de actividade contínua.

Notas:

Lâminas de Histologia 31
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Tecido Muscular Liso

Nesta lâmina observa-se uma preparação de intestino, na qual se pode


identificar tecido muscular liso.
As células musculares lisas não são estriadas, uma vez que o sistema
de proteínas contrácteis (actina e miosina) não é organizado, estando as
proteínas dispersas de uma forma não organizada no interior no citoplasma. As
fibras musculares lisas são muito mais curtas do que as fibras musculares
esqueléticas, monucleadas (com núcleo central).
Neste tecido distinguem-se dois tipos de corte: longitudinal e transversal.

Num corte longitudinal as fibras musculares lisas são células alongadas,


fusiformes e com apenas um núcleo central, igualmente alongado e fusiforme,
dispostas em feixes irregulares.

Num corte transversal, as fibras musculares lisas são células poligonais,


de diâmetros variáveis e núcleo central (só visível nas células seccionadas ao
nível do seu plano).
Entre as fibras musculares individuais e entre os fascículos de fibras
existe uma rede de tecido conjuntivo (colagénio).

Notas:

Lâminas de Histologia 32
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Timo

O timo é um orgão linfóide, que consiste em dois lobos subdivididos em


lóbulos incompletos, cada um destes contendo um córtex (externo) e uma
medula (central). Os lóbulos estão rodeados por uma cápsula de tecido
conjuntivo contendo pequenas arteríolas, a partir da qual curtos septos irradiam
para o interior do orgão.
A superfície interna da cápsula tímica e dos septos está revestida por
uma camada contínua de células epiteliais (com grânulos secretores contendo
factores tímicos) que rodeiam também os capilares, repousando sobre a lâmina
basal. Podem ainda estar presentes na proximidade macrófagos.
As células epiteliais do córtex, a lâmina basal e as células endoteliais
formam uma barreira contra a entrada de material antigénio, a barreira
hemato-tímica; os macrófagos adjacentes aos capilares asseguram que os
antigenes que saem dos vasos sanguíneos para o timo não reagem com as
células T em desenvolvimento no córtex, prevenindo o risco de uma reacção
auto-imune.
O córtex do timo (muito celular, basófilo), é densamente povoado por
células T imaturas e em maturação, frequentemente designadas por timócitos.
Grande parte do desenvolvimento das células T decorre no córtex; na porção
mais externa, adjacente à cápsula, onde timócitos proliferam e começam o
processo de rearranjo genético que leva à expressão do pre-TCR juntamente
com coreceptores CD4 e CD8. Mais profundamente no córtex, os timócitos em
matração são “double-positive” (CD4+ e CD8+) e tornam-se receptivos
complexos peptido-MHC. O processo de seleção positiva das céllas T inicia-se
nesta altra, na presença de células corticais epiteliais expressando moléculas
MHC de classe I e II na sua superfície (moléculas MHC classe II são
necessárias para o desenvolvimento de células T CD4+; moléculas MHC
classe II são necessárias para o desenvolvimento de células T CD8+). As
células T que não são capazes de reconhecer moléculas MHC não são
seleccionadas e são eliminadas por apoptose. As células T que reconhecem
tanto MHC com
Os timócitos funcionais que sobrevivem ao processo de selecção podem
sair para a circulação periférica através de vénulas (pós-capilares).
A medula de cada lóbulo é contínua com a medula do lóbulo adjacente.
Estão presentes células T maturas (que migraram a partir do córtex). As células
T maturas penetram nas vénulas (pós-capilares) na junção cortico-medular
para sair do timo em direção aos orgãos linfóides periféricos.
A medula está povoada por células epiteliais com origem endodérmica –
com núcleos ovais, citoplasma eosinófilo – muitas destas células formando os
corpúsculos de Hassall. Os corpúsculos de Hassall são estruturas
concentricamente lameladas à volta de um glóbulo central bem visível,
formados por grupos de células epiteliais queratinizadas, representando um
fenómeno degenerativo.

Notas:

Lâminas de Histologia 33
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- Para distinguir o timo do baço, notar que a medula tímica é constituído por
células epiteliais; a medula dos gânglios linfáticos e do baço contém células
reticulares e fibras reticulares, mas não células epiteliais

- A barreira hemato-tímica não está presente na medula

- Os corpúsculos de Hassal estão presentes apenas na medula

- Usando citoqueratina, é possivel marcar epiteliócitos numa preparação de


timo (não evidenciaria nada numa preparação de baço)

- LCA (leucocit common antigene) é usado para evidenciar linfócitos em geral

Lâminas de Histologia 34

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