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Capítulo 7 – Ordem do Progresso

Democracia com desenvolvimento: 1956-61 (JK)

 Integral comprometimento do setor público com uma explicita política de


desenvolvimento;
 Plano de metas: mais completo e coerente conjunto de investimentos até então
planejados na economia brasileira. Foi implementado com sucesso, alcançando-se a
maioria das metas;
 Crescimento com taxas aceleradas, razoável estabilidade de preços, ambiente político
aberto e democrático;
1. A Política Cambial
 Início da década de 1950: política cambial como única ferramenta de política
econômica à disposição do setor público;
 A reforma cambial de 1953 embora tenha apresentado resultados positivos, teve seus
efeitos amortecidos pela fase depressiva que atingiu o setor externo brasileiro a partir
de 1954 pois os preços internacionais do café caíram violentamente a partir desse ano,
com consequente deterioração dos termos de intercambio;
 O saldo disponível de receitas diminuiu. O espaço de manobra ao alcance do setor
público para guiar o processo de importações fechou-se gradualmente;
 Limitação dos subsídios às áreas prioritárias eliminava os incentivos a uma serie de
setores cuja rentabilidade era mais elevada do que a dos setores favorecidos.
Subsídios estes exatamente pela ausência de interesse do setor privado;
 O investimento era realizado, mas isso significava maiores pressões a curto prazo
sobre o balanço de pagamento;
 Instrução 113 da SUMOC: incluía na lista de setores favorecidos praticamente todos os
setores industrias, exceto os que fossem supérfluos;
 A instrução 113 foi um instrumento poderoso para atrair capitais externos sem exercer
pressão sobre a disponibilidade de divisas;
 Agosto/1957: nova reforma do sistema cambial. Queria simplificar o sistema de taxa
múltiplas e introduzir um sistema de proteção especifica por produtos da mesma
categoria. As receitas liquidas das operações cambiais tinham vinculações de uso
determinadas por lei, eliminando assim sua flexibilidade como fonte de uso para o
setor público;
 A reforma resultou na redução das 5 categorias para 2: geral (matéria-prima) e
especial (bens de consumo com suprimento satisfatório pelo mercado interno);
 Terceira categoria, bens preferenciais, com tratamento privilegiado;
 As transações financeiras continuaram a ser operadas através do mercado livre;
 Uma das principais ideias implícitas na reforma foi acelerar a substituição de bens de
capital, diminuindo-se a ênfase dada em anos anterior à substituição de bens de
consumo;
 Lei do similar nacional;
 Havia um corpo coerente de disposições para, ao mesmo tempo, subsidiar a
importação de bens de capital sem prejudicar a oferta interna;
 A reforma de 1957 significou um aprofundamento do processo de substituição, na
medida em que se alcançava estágios mais avançados na industrialização.
2. As políticas do desenvolvimento
 BNDE foi criado em 1952, em consequência do fim da CMBEU;
 O Plano de Metas era quinquenal, a maioria de seus projetos estava baseada nos
diagnósticos e definições da CMBEU e da CEPAL-BNDE. Ao contrário dos planos
anteriores o PM foi levado adiante com o total comprometimento do setor público. De
forma geral, os objetivos eram elevar o quanto antes o padrão de vida do povo, ao
máximo compatível com as condições de equilíbrio econômico e estabilidade social e
também observadas as condições no nível interno de emprego, principalmente do
capital e do balanço de pagamentos com o exterior;
 Investimentos em 5 grandes áreas: energia, transporte, alimentação, indústrias de
base e educação. Mais a meta autônoma, construção de Brasília que não estava no
orçamento;
 Energia e transporte eram as áreas de maiores investimentos.
 As principais metas referiam-se a: energia elétrica, carvão, petróleo, ferrovias,
rodovias, siderurgia, cimento, indústria automobilística etc. Entre metas menos
importantes estavam alimentação e educação;
 Ao setor público caberia 50% do desembolso. Os fundos privados contribuíram com
35% e o restante viria de agencias públicas para os programas tanto públicos como
privados;
 Lessa sugere que a política econômica implícita no plano continha 4 peças básicas:
1) Tratamento preferencial para o capital estrangeiro;
2) O financiamento dos gatos públicos e privados através da expansão dos meios de
pagamento e do credito bancário, respectivamente, tendo como consequência fortes
pressões inflacionarias;
3) A ampliação da participação do setor público na formação de capital;
4) O estimulo à iniciativa privada;
 Inversões privadas. Reservas de mercado em benefício de bens produzidos no país
eram dadas pela política cambial, principalmente depois da reforma de 1957 e pela lei
de similares. Cambio preferencial para importação de todo o equipamento destinado a
setores prioritários;
 Ao credito provido pelo BNDE, que juntamente com o BB, supria recursos de longo
prazo a a juros baixos e pagamentos sujeitos à carência, o que, na conjuntura
inflacionaria, significava uma taxa real de juros negativa. Outro incentivo indireto à
expansão do credito ao setor privado dizia respeito aos constantes déficits de caixa do
Tesouro, cujo financiamento através da emissão de moeda permitia a expansão
continua do credito nominal dos bancos privados;
 Outro grande estimulo à empresa privada era a concessão de avais pelo BNDE para
empréstimos contratado no exterior;
 Os preços do café caíram constantemente a partir de 1955;
 A maioria das metas alcançou boas porcentagens de realização;
 Não é fácil analisar o PM. Sem dúvida representou um impulso extraordinário ao
desenvolvimento. Estrutura econômica modificou-se rapidamente com o crescimento
do setor industrial, sua modernização e a implantação de novos ramos. As bases para a
solução dos problemas de infraestrutura foram lançadas para atender tanto a
demanda imediata como para prever expansões futuras. Os desequilíbrios regionais e
sociais foram aprofundados. No entanto, também houveram problemas, como a
ausência de definição dos mecanismos de financiamento que seriam usados para
viabilizar um conjunto tão ambicioso de objetivos, assim a única solução para captação
de recursos seria a elevação da carga fiscal;
 Os planos periódicos de estabilização, quando implementados, não foram mais que
tentativas de reduzir o ritmo inflacionário a níveis toleráveis sem nunca sacrificar o
desenvolvimento pela estabilidade.
3. O papel do setor público
 Obrigação do setor público de realizar as obras de infraestrutura que objetivavam
romper os estrangulamentos que tolhiam o processo de industrialização;
 Além de prover a infraestrutura e as matérias primas para o desenvolvimento
industrial, o governo aumentou seu controle sobre o crédito e a comercialização de
produtos como café, cacau, pinho, mate. A crescente intervenção do governo na
atividade econômica não encontrava intervenção do setor privado;
 Como receitas não vinculadas o Imposto de Consumo e o Imposto de Renda
constituíam-se nas fontes mais substanciais de recursos federais;
 Outro fator que elevava os gastos do governo eram os auxílios, subvenções e
coberturas dos déficits das empresas públicas de transportes. As empresas
ferroviárias, marítimas e aéreas de propriedade do governo sobreviviam às custas de
sua ajuda. Essa política visava manter baixos os fretes e as tarifas de transporte;
 O investimento público se constituía em variável decisiva para a indústria de bens de
capital, mantendo um elevado nível de atividade deste setor até o início da crise dos
anos 60;
4. As políticas Fiscal e Monetária
 Segundo plano, no entanto, organização operacionalmente competente das
autoridades monetárias não estando o sistema financeiro público despojado de
racionalidade especifica;
 A política econômica, em especial, a de moeda e crédito, era gerenciada pela Sumoc,
Banco do Brasil e pelo Tesouro. Na prática, o Banco do Brasil controlava todo o
câmbio. O BB mesclava três atribuições consideradas incompatíveis com a política
monetária: agente financeiro do Tesouro, depositário das reservas voluntarias dos
bancos comerciais, maior banco comercial do país e único banco rural. Essa prática de
ser banco comercial e banco central era considerada inadequada pois não havia limites
rígidos à emissão de moeda;
 A crítica da descoordenação das autoridades monetárias repousa no Banco do Brasil;
 A característica particular do Banco do Brasil no sistema financeiro brasileiro é que
qualquer credito contra ele virava base monetária. Isso permitia expansão dos meios
de pagamento (crédito);
 Importante analisar quais os reais instrumentos de política que contavam as
autoridades monetárias para conter a expansão do crédito. Não havia operações de
mercado aberto posto que não havia um volume de letras do tesouro em circulação no
montante suficiente para dar a necessária flexibilidade ao instrumento. O redesconto
não podia ser operado a taxas primitivas que induzissem os bancos a só recorrer a esta
fonte quando tivessem realmente necessitando de caixa. O deposito compulsório é
lento e de grande impacto. Assim, as autoridades monetárias contavam com 2
instrumentos heterodoxos:
1- Manipulação dos empréstimos das diversas carteiras do BB;
2- Ligado as operações de câmbio. Referia-se à compra e venda de divisas ou Promessas
de Venda de Cambio (PVC);
 A única saída era cortar os gastos de custeio publico e não os de investimento, na
prática acontecia o inverso. O governo era incapaz de conter os gastos com pessoal,
por pressões do funcionalismo público e acabava por cortar os investimentos;
 PEM – Programa de estabilização monetária. Caráter ambíguo e inconsistente. Não dá
para desenvolver e fazer política monetária restritiva. Segue o governo com a vertente
industrial-desenvolvimentista.

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