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A) IMPOSTO SOBRE A TRANSMISSÃO DE BENS IMÓVEIS - ITBI

 1. Critérios material e temporal

            O ITBI, tributo com previsão no art. 156, II, da CF/88 combinado com §2º do
mesmo dispositivo constitucional, de competência dos Municípios, tem seu fato gerador
defi nido no art. 35, CTN.

Art. 35. O imposto, de competência dos Estados, sobre a transmissão de bens


imóveis e de direitos a eles relativos tem como fato gerador:

I — a transmissão, a qualquer título, da propriedade ou do domínio útil de bens


imóveis por natureza ou por acessão física, como definidos na lei civil;

II — a transmissão, a qualquer título, de direitos reais sobre imóveis, exceto os


direitos reais de garantia;

III — a cessão de direitos relativos às transmissões referidas nos incisos I e II.

Parágrafo único. Nas transmissões causa mortis, ocorrem tantos fatos geradores
distintos quantos sejam os herdeiros ou legatários.

            A previsão do CTN refere-se ao antigo imposto estadual sobre transmissão de


bens imóveis, o qual incidia sobre qualquer transmissão de bens imóveis, seja a título
gratuito ou oneroso, inter vivos ou causa mortis. Dessa forma, é necessário realizar a
adequação de tais normas do CTN ao atual imposto municipal sobre a transmissão,
inter vivos, por ato oneroso, de bens imóveis.            

            De acordo com a previsão constitucional, para incidência do ITBI é necessária a


observância de três conceitos, quais sejam: transmissão, inter vivos e oneroso.

a) Transmissão — Transmissão de bens imóveis e cessão de direitos reais sobre imóveis.


É indispensável a transmissão do direito de uma pessoa para outra.

b) Ato inter vivos — As pessoas entre as quais ocorre a transmissão devem estar vivas.

c) Oneroso — A onerosidade exigida para incidência do ITBI não se concentra


necessariamente em uma entrega de dinheiro, podendo, por exemplo, ocorrer uma
permuta, hipótese em que a transmissão também é onerosa.

            Qualquer ato de registro de direito real sobre algum imóvel, se a título oneroso,
sofre a incidência do ITBI, ao passo que nas hipóteses a título gratuito haverá a
incidência do ITCMD.

            Dessa forma, pode-se dizer que o critério material do ITBI consiste em “(I)
transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, a) de bens imóveis, por
natureza ou acessão física; e b) de direitos reais sobre bens imóveis, exceto os de
garantia e as servidões; (II) a cessão, por ato oneroso, de direitos relativos à aquisição
de bens imóveis.”
            Destaque-se que o §2º, inciso I do art. 156, CF/88 prescreve uma hipótese de
imunidade do ITBI, com relação à integralização de capital social com bens imóveis:

§ 2º — O imposto previsto no inciso II:

I — não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao


patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital, nem sobre a transmissão
de bens ou direitos decorrente de fusão, incorporação, cisão ou extinção de
pessoa jurídica, salvo se, nesses casos, a atividade preponderante do adquirente
for a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou
arrendamento mercantil; O conceito de atividade preponderante pode ser
encontrado no art. 37 do CTN, o qual prescreve que se mais de 50% da receita
operacional, nos dois anos anteriores ou posteriores à operação, for de atividade
com bens imóveis, haverá a incidência do ITBI.

            A previsão constitucional também faz referência às hipóteses de transmissão de


bens imóveis quando da extinção da pessoa jurídica. Entretanto, não há qualquer
  referência às hipóteses de retirada de bem imóvel da pessoa jurídica sem extinção da
mesma. O art. 36, parágrafo único do CTN, por sua vez, trata da desincorporação do
imóvel do patrimônio da pessoa jurídica.

            Há, portanto, quem entenda que o parágrafo único do art. 36 não foi
recepcionado pela CF/88.

Nas promessas de compra e venda, de acordo com o entendimento do Superior


Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, não há incidência de ITBI, vez que a
transmissão ainda não finalizou, conforme súmula 82 do STF:

TRIBUTÁRIO. RECURSO ORDINÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. ITBI. FATO


GERADOR. CTN, ART. 35 E CÓDIGO CIVIL, ARTS. 530, I, E 860, PARÁGRAFO ÚNICO.
REGISTRO IMOBILIÁRIO.

1. O fato gerador do imposto de transmissão de bens imóveis ocorre com a


transferência efetiva da propriedade ou do domínio útil, na conformidade da Lei
Civil, com o registro no cartório imobiliário.

2. A cobrança do ITBI sem obediência dessa formalidade ofende o ordenamento


jurídico em vigor.

3. Recurso ordinário conhecido e provido.

            Diante de tal posicionamento jurisprudencial, conclui-se, portanto, que o


momento de ocorrência do critério material se dá no registro da transmissão ou cessão
dos direitos, momento em que se pode constatar a efetiva transferência.

            Neste sentido, Paulsen afirma que:

Na realidade, o imposto (conhecido por sisa) é exigido por ocasião da lavratura de


escritura de alienação imobiliária, ou se direitos a ela relativos, sendo que os
tabeliães podem ficar proibidos de praticar este ato atinente ao seu ofício, se não
for feita prova de seu pagamento.

            A transmissão se dá, assim, no momento do registro da transmissão perante o


órgão competente. No entanto, a legislação municipal muitas vezes exige o
recolhimento em momento anterior, o que é indevido.

 
2. Critério espacial

            O ITBI é devido ao Município onde se localiza o bem imóvel, conforme previsão
do art. 156, §2º, II, CF/88. O art. 41 do CTN faz previsão semelhante.

            Importante destacar que os arts. 39 e 40 do CTN não foram recepcionados pela
CRFB/88, vez que significariam uma indevida ingerência da lei de normas gerais na
autonomia dos municípios.

            Além do mais, importante a afirmação de Aires Barreto no sentido de que


“diversamente do que ocorre com o IPTU e ITR, no ITBI não há distinção entre zona
urbana e rural, valendo, pois, para todo e qualquer imóvel situado no território do
Município”.

3. Critério pessoal

            O polo ativo de cobrança do ITBI é ocupado pelo Município de localização do


bem.

            O polo passivo, por sua vez, de acordo com ao art. 42 do CTN, pode ser ocupado
pelo alienante ou pelo adquirente. Existe jurisprudência do STJ no sentido de que o
contribuinte do ITBI deve ser o adquirente. Entretanto, a lei municipal pode escolher
quem figurará como contribuinte do tributo ora em discussão.

            O Município do Rio de Janeiro, por exemplo, determina que o adquirente é o


contribuinte do ITBI e o alienante figura como responsável. Logo, caso o adquirente não
efetue o recolhimento do tributo, o Município pode cobrar do alienante.

            Destaque-se, por oportuno, que em tais hipóteses, com fulcro no art. 134, inciso
VI do CTN, os tabeliães podem responder solidariamente, verbis:

Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação


principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que
intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis:

VI — os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos


devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício;

            Nas palavras do professor Leandro Paulsen, “Os responsáveis poderão ser os
tabeliães e os ofi ciais dos registros de imóveis, no caso de não exigirem a prova do
recolhimento do imposto por ocasião da prática dos atos que lhes competirem
(lavratura e escritura, transcrição dos títulos)”

4. Critério quantitativo

            A base de cálculo do ITBI, de acordo com o art. 38, CTN, é estabelecida pelo valor
venal do bem imóvel ou dos direitos transmitidos.

            No que se refere às alíquotas, estas serão fixadas pelos Municípios.

Destaque-se, por oportuno, a previsão da súmula 656 do STF, segundo a qual o ITBI,
sendo um imposto real, não possuirá alíquotas progressivas, vez que isso poderia ferir
o princípio da capacidade contributiva, exceto quando expressamente previsto na
CF/88.
De um modo sistemático podemos apresentar o Imposto sobre transmissão "inter
vivos", a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou
acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como
cessão de direitos a sua aquisição (ITBI), da seguinte forma:

Competência

A Constituição Federal no seu artigo 156, II, determina que:

Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre:

...

II - transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato oneroso, de


bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais
sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a
sua aquisição;

ALEXANDRE (2007: 572 -573), comenta a precisão do texto constitucional:

A atual atribuição constitucional de competência é precisa, de


forma a evitar conflitos entre Estados e seus respectivos
Municípios. Assim,  se a transmissão é  causa mortis, incide o
ITCMD; se é  inter vivos, deve-se verificar se ocorreu por ato
oneroso ou a título gratuito (doação). No primeiro caso, incide o
ITBI; no segundo o ITCMD.  Em ambas as hipóteses a tributação
tem finalidade fiscal.

Nessa linha, segundo o art. 156, II, da CCF/1988, compete aos


Municípios instituir imposto sobre a transmissão inter vivos, a
qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou
acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de
garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição.

Função

A função do imposto sobre transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato oneroso,
de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis,
exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição (ITBI) é fiscal, sendo
o objetivo do município a arrecadação do tributo.
Fato Gerador

Ao falar do fato gerador do imposto sobre transmissão "inter vivos", a qualquer título,
por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais
sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição
(ITBI), devemos lembrar o já mencionado quando do estudo do imposto de competência
dos estados, que o Código Tributário Nacional deve ser interpretado de acordo com a
Constituição Federal de 1988, uma vez que, por ser anterior à Carta Magna, disciplina
na mesma seção um imposto de competência do estado e outro do município,
ALEXANDRE (2007: 572):

Conforme ressaltado quando da análise do ITCMD estadual, o


Código Tributário Nacional trata de um único imposto de
transmissão, de competência estadual,  incidente exclusivamente
sobre a transmissão de bens imóveis e de direitos a eles relativos
(arts. 35 a 42). Entretanto, com a Constituição Federal de 1988, foi
prevista  a criação de dois impostos de transmissão,  um estadual
(ITCMD) e outro municipal (ITBI).

Para exata compreensão do fato gerador é fundamental saber as definições de bens


imóveis por natureza ou acessão física. ALEXANDRE (2007: 524-525):

 “Assim, são bens imóveis por natureza o solo a sua superfície, os


seus acessórios e adjacências naturais, compreendendo as árvores e
frutos pendentes, o espaço aéreo e o subsolo.

São  bens imóveis por acessão física  tudo quanto o homem


incorporar permanentemente ao solo, como a semente lançada à
terra, os edifícios e construções, de modo que não possa retirar sem
destruição, modificação fratura ou dano.”

Outra definição importante é a de direitos reais, também apresentada por ALEXANDRE


(2007; 573):

Os direitos reais estão enumerados no art. 1.225 no Código Civil,


conforme a seguir transcrito:

Art. 1.225. São direitos reais:

I – a propriedade;

II – a superfície;
III – as servidões;

IV – o usufruto;

V – o uso;

VI – a habitação;

VII – o direito do promitente comprado do imóvel;

VII – o penhor;

IX – a hipoteca;

X – a anticrese.

Assim, o fato gerador do ITBI, nas palavras de ANAN Jr e MARION (2009: 109-110):

Fato gerador

É a transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, bens


imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre os
imóveis, exceto os de garantia, bem como a cessão de direitos à sua
aquisição.

Elemento espacial do fato gerador

É o território do município onde se situa o bem.

Elemento temporal do fato gerador

É o momento da transmissão ou cessão de bem. Desta forma o ITBI


incide sobre:

Bens imóveis por natureza: são os imóveis que se formaram por


força da natureza, compreende o solo com a sua superfície, os seus
acessórios e adjacências naturais, as árvores e frutos pendentes, o
espaço aéreo e o subsolo;

Bens imóveis por acessão física: tudo que o ser humano pode
incorporar permanentemente ao solo, como a semente, os edifícios
e construções, de sorte que não se possa retirar sem a sua
destruição, modificação, fratura ou dano;

Direitos reais sobre bens imóveis: são a enfiteuse, servidões,


usufruto, uso, habitação e as rendas constituídas sobre os imóveis;

Cessão de direitos: quando houver a transmissão de propriedade


entre cedente e cessionário, que pode ser por meio de Lei, acordo,
sentença judicial.
 

O ITBI não incide sobre direitos reais de garantia, como:

Anticrese: é a entrega do bem imóvel pelo devedor ao credor, para


compensação de dívida;

Hipoteca: é de direito real de garantia, em que o proprietário do


bem vincula o imóvel ao pagamento de sua dívida, mas permanece
na posse dele.

Por fim, o texto constitucional menciona a não incidência do ITBI, no art. 156, § 2º, I:

Art. 156

...

§ 2º - O imposto previsto no inciso II:

I - não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados


ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital, nem
sobre a transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão,
incorporação, cisão ou extinção de pessoa jurídica, salvo se, nesses
casos, a atividade preponderante do adquirente for a compra e
venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou
arrendamento mercantil;

        

O município competente para cobrar o tributo está na constituição federal no artigo


156, § 2.º, II:

Art. 156...

...

§ 2.º O imposto previsto no inciso II:

...

II - compete ao Município da situação do bem.

Base de Cálculo

O imposto sobre transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato oneroso, de bens
imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de
garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição (ITBI), tem a sua base de cálculo
contida no artigo 38 do Código Tributário Nacional: “Art. 38. A base de cálculo do
imposto é o valor venal dos bens ou direitos transmitidos.”.

Reitera-se que o valor venal do bem não pode ser superior ao valor de mercado.

Alíquota

As alíquotas do imposto sobre transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato
oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre
imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição (ITBI), são
percentuais sobre o valor da transmissão e não podem ser progressivas, ANAN e
MARION (2009: 110):

Alíquotas

As alíquotas do ITBI são proporcionais, incidindo, em percentagem


única, sobre as bases de cálculo. São definidas em lei municipal,
sendo vedado estabelecer a sua progressividade, uma vez que não
há previsão constitucional para tal.

Contribuinte

Mais uma vez, reitera-se que no modesto entendimento do autor o Código Tributário
Nacional, deveria ter determinado quem é o contribuinte do ITBI, o que não foi feito,
deixando para os municípios disciplinarem a matéria, conforme se verifica no texto
legal: “Art. 42. Contribuinte do imposto é qualquer das partes na operação tributada,
como dispuser a lei.”

Lançamento

O lançamento do ITBI é por declaração, lembrando que, na hipótese de o contribuinte


não apresentar a declaração o poder público, pode fazer o lançamento de ofício.

B) IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS — ISS

1. Critérios Material
            O ISS, tributo de competência municipal, tem previsão constitucional no art. 156,
III:

Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre:

III — serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos
em lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)

            Acerca do ISS existe uma discussão constitucional bastante interessante que diz
respeito ao conceito de serviço. Os municípios ganharam competência para tributar
serviços, desde que não sejam os serviços tributados por ICMS e tais serviços vão estar
definidos em lei complementar. A questão centra-se, portanto, se somente os serviços
previstos na Lei Complementar 116/03 podem ser tributados pelo ISS.

            O STJ firmou convicção no sentido de que a tributação do ISS é taxativa na


vertical (gêneros) e exemplificativa na horizontal (espécies). Isso significa que se um
serviço não puder ser enquadrado em nenhum dos gêneros previstos na lista constante
da Lei Complementar 116/03, ele não pode ser tributado.

            Entretanto, se ele se enquadrar em um gênero, mas a espécie não estiver


prevista, ele pode ser tributado. Já o STF111 firmou entendimento no sentido de que a
lista anexa à Lei Complementar 116 é taxativa, ou seja, os Municípios só poderão
tributar os serviços nela elencados. Apesar de taxativa, o STF afirmou que os tópicos da
lista comportam uma interpretação ampla.

            Por exemplo, provedor de acesso à internet não é um serviço tributado pelo
ICMS, então ele poderia ser tributado pelo ISS, desde que se encaixasse em algum
gênero da lista da Lei Complementar 116/03. Há quem defenda que esse serviço se
enquadra em “serviços de informática”. É necessário, no entanto, que o serviço seja
previsto em lei municipal para que haja a cobrança.

            A Lei Complementar, ao trazer normas gerais, pode regular as formas e


condições como isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos.

            Entretanto, a Lei Complementar 116/03 não usou da prerrogativa atribuída pelo
§3º do art. 156, CF/88. Em relação a incentivos fiscais de ISS, há o art. 88, II, ADCT, o qual
estabelece que o município não pode conceder benefício fi cal que reduza a alíquota,
direta ou indiretamente, para menos que 2%, nem mesmo a título de tributação
extrafiscal.

            O art. 1º da Lei Complementar 116/03 prescreve o fato gerador do ISS como a
prestação dos serviços constantes da lista anexa. Ainda que a atividade não se
caracterize como atividade preponderante, incide o ISS.

            O §1º determina dispõe que incide ISS na importação e o art. 2º, I determina que
não incide ISS na exportação. Dessa forma, por exemplo, se uma empresa brasileira for
construir um prédio em Dubai, esse serviço não é tributado, pois trata-se de exportação
de serviço. A doutrina entende que o local do resultado do serviço é o critério apto a
caracterizar a exportação de serviço.

            Com relação à importação de serviços, o art. 1º, §1º determina que o ISS incide
sobre o serviço proveniente do exterior do país ou cuja prestação se tenha iniciado no
exterior. O sujeito passivo na importação é o tomador do serviço, sendo o sujeito ativo o
município de seu domicílio, conforme previsão do art. 3º, I, da Lei Complementar
116/03.    O tomador de serviço será o responsável pelo pagamento, já que não é ele
quem pratica o fato gerador.
Ao contrário do ICMS, que tem um fato gerador específico para a importação, o ISS não
estabelece esse fato gerador específico. Quando o serviço é prestado por não residente
ou domiciliado, entende-se que o serviço é proveniente do exterior, cabendo tributação
do ISS. A doutrina tem olhado para o resultado efetivo do serviço, o que, se tiver sido
dentro do Brasil, pode ser importação e se tiver sido fora do Brasil, pode ser exportação.

            Há, ainda, a discussão acerca das operações mistas, as quais envolvem, ao
mesmo tempo, a circulação de mercadorias e a prestação de serviços. A CF/88 define
que se o serviço estiver na lista, será objeto de incidência do ISS sobre o valor total da
operação, incidindo inclusive sobre a parcela de circulação da mercadoria. Se o serviço
não estiver na lista, incide o ICMS sobre o valor total da operação. Existem, porém,
exceções específicas na lista de serviços constante da Lei Complementar 116/03, nas
quais ocorre a dupla tributação, recaindo o ICMS sobre a mercadoria e o ISS sobre os
serviços.

2. Critério Temporal

            O critério temporal do ISS é o momento da ocorrência do fato descrito no critério


material, ou seja, momento da prestação do serviço. Assim, não deve ser considerado
como critério temporal o momento da realização do negócio jurídico (contrato de
prestação de serviço) ou aquele do pagamento.

            Assim, a lei municipal, ao definir o momento da incidência do ISS, deve


estabelecer critério temporal somente após verificação da ocorrência do fato gerador,
em consonância com o disposto no art. 116 do CTN. Antes da ocorrência do fato, não há
relação jurídica tributária. Nos serviços de execução parcelada, a lei pode estabelecer
momentos diferentes da ocorrência do critério material. Ou seja, poderá se estabelecer
a incidência do ISS após a conclusão de determinada etapa, período ou parcela.

3. Critério Espacial

            A definição sobre qual o critério espacial e o Município competente é a maior


discussão relativa ao ISS. O Decreto-Lei 406/68, no art. 12, determinava que o serviço
considera-se prestado e o ISS devido no local do estabelecimento prestador, exceto nos
casos de construção civil. O STJ, no entanto, sob a égide do Decreto-Lei 406/68, havia
construído jurisprudência no sentido de que o ISS era devido no efetivo local da
prestação

do serviço. Posteriormente, com o advento da Lei Complementar 116/03, foi


estabelecido

no artigo 3° que o serviço considera-se prestado e o tributo devido no local do


estabelecimento prestador. Entretanto, a Lei Complementar previu diversas exceções a
esta regra em seus incisos. Essas exceções são hipóteses em que existe um resultado
material, um resultado corpóreo e para as quais o ISS é devido no local da efetiva
prestação do serviço.

            As decisões mais recentes do STJ têm sido no sentido de o critério espacial e o
Município competente para a cobrança é aquele do local do estabelecimento prestador,
salvo as exceções estabelecidas em lei:
TRIBUTÁRIO — ISS — PRESTAÇÃO DE SERVIÇO — CONSTRUÇÃO CIVIL —
PROJETO, ASSESSORAMENTO NA LICITAÇÃO E GERENCIAMENTO DA OBRA
CONTRATADA — COMPETÊNCIA DO MUNICÍPIO ONDE SE REALIZOU O SERVIÇO
DE CONSTRUÇÃO — CONTRATO ÚNICO SEM  DIVISÃO DOS SERVIÇOS
PRESTADOS.

1. A competência para cobrança do ISS, sob a égide do DL 406/68 era o do local da


prestação do serviço (art. 12), o que foi alterado pela LC 116/2003, quando passou
a competência para o local da sede do prestador do serviço (art. 3º).

2. Em se tratando de construção civil, diferentemente, antes ou depois da lei


complementar, o imposto é devido no local da construção (art.12, letra “b” do DL
406/68 e art.3º, da LC 116/2003) (REsp 1117121/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON,
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/10/2009, DJe 29/10/2009).

            Entretanto, iniciou-se discussão acerca do significado de estabelecimento


prestador. A definição de estabelecimento prestador encontra-se no art. 4º, Lei
Complementar 116/03, para o qual “considera-se estabelecimento prestador o local
onde o contribuinte desenvolva a atividade de prestar serviços, de modo permanente
ou temporário, e que configure unidade econômica ou profissional, sendo irrelevantes
para caracterizá-lo as denominações de sede, filial, agência, posto de atendimento,
sucursal, escritório de representação ou contato ou quaisquer outras que venham a ser
utilizadas”.

4. Critério Pessoal

O art. 5º da Lei Complementar 116/03 define o prestador do serviço como contribuinte


do ISS. O art. 6º permite que o tomador dos serviços seja responsável, pois ele está
diretamente ligado ao fato gerador, bastando apenas uma lei para defini-lo como
responsável. O próprio §2º já estabelece algumas hipóteses de responsabilidade
tributária dos tomadores, por exemplo, nos serviços de limpeza e vigilância.

            Paulsen sublinha que, em razão do próprio conceito de serviços, “não são
contribuintes os que prestam serviços em relação de emprego, os trabalhadores
avulsos, os diretores e membros de conselho consultivo ou de conselho fiscal de
sociedades e fundações, bem como os sócios-gerentes e gerentes-delegados, cujas
características são colhidas em outros diplomas jurídicos (..)”

            O polo ativo, por sua vez, é ocupado, regra-geral, pelo Município no qual esteja
localizado o estabelecimento prestador do serviço, salvos as exceções em que se
considere a incidência do ISS no local da prestação do serviço.

            Nesta hipótese, o sujeito ativo do ISS será o Município no qual se verifica a
prestação do serviço.

5. Critério Quantitativo

            A base de cálculo, conforme art. 7º, Lei Complementar 116/03 é o preço do
serviço. Destaque-se que o preço do serviço não inclui valores recebi dos que não
representem remuneração do serviço prestado. Nas palavras do professor Leandro
Paulsen: “no cálculo do tributo, não devem ser incluídos os valores relativos a seguro,
juros e quaisquer outras importâncias recebidas ou debitadas — como multas e
indenizações —, pois tais verbas tem natureza jurídica diversa (financeira,
ressarcitória) do respectivo preço contratual”.

            Uma discussão interessante diz respeito à possibilidade do ISS fixo com relação
aos serviços em que esta prática era permitida pelo Decreto-Lei 406/68, em seu art. 9º. É
o caso de serviços prestados por sociedades uniprofissionais ou sociedades
profissionais autônomas, para as quais o imposto era fixo e relativo a cada profissional.
O entendimento dominante é o de que a Lei Complementar 116/03 não revogou o art. 9º
do Decreto-Lei 406/68, mas revogou a Lei Complementar 56 que deu nova redação ao
§3º, art. 9º. O entendimento jurisprudencial que prevalece, dessa forma, é o de que a
previsão do §3º, art. 9º, do Decreto-Lei 406/68 ainda é valida, podendo essas sociedades
recolher o tributo fixo.

            Com relação às alíquotas, a CF/88 prevê no §3º do art. 156 que a Lei
Complementar deve fixar alíquotas máximas e mínimas do ISS. A Lei Complementar
116/03, em seu art. 8º, fixou alíquota máxima de 5%, não tendo sido fixada alíquota
mínima.

            O art. 88, do ADCT determina que enquanto a Lei Complementar não fixar
alíquota mínima, essa será de 2% do valor do serviço. Dessa forma, a alíquota máxima é
5% e a mínima é 2%.

            Os serviços que estavam previstos nos itens 32, 33 e 34 no Decreto-Lei 406/68, os
quais são mencionados como exceções no art. 88, ADCT, têm correspondência na Lei
Complementar 116/03 (itens 7.02, 7.04 e 7.05), então, no que se refere a tais serviços,
pode ser cobrada uma alíquota mais baixa que 2%.

De um modo sistemático podemos apresentar Imposto sobre serviços de qualquer


natureza (ISSQN), da seguinte forma:

Competência

A Constituição Federal determina, no seu artigo 156, III, o seguinte:

Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre:

...

III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155,


II, definidos em lei complementar.(Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 3, de 1993).

Muitas discussões existem para saber qual o município que deve cobrar o tributo. A lei
complementar 116, cumprindo sua competência prevista no artigo 146 da constituição
federal, determina:

 
Art. 3o O serviço considera-se prestado e o imposto devido no local
do estabelecimento prestador ou, na falta do estabelecimento, no
local do domicílio do prestador, exceto nas hipóteses previstas nos
incisos I a XXII, quando o imposto será devido no local:

I – do estabelecimento do tomador ou intermediário do serviço ou,


na falta de estabelecimento, onde ele estiver domiciliado, na
hipótese do § 1o do art. 1o desta Lei Complementar;

II – da instalação dos andaimes, palcos, coberturas e outras


estruturas, no caso dos serviços descritos no subitem 3.05 da lista
anexa;

III – da execução da obra, no caso dos serviços descritos no subitem


7.02 e 7.19 da lista anexa;

IV – da demolição, no caso dos serviços descritos no subitem 7.04 da


lista anexa;

V – das edificações em geral, estradas, pontes, portos e congêneres,


no caso dos serviços descritos no subitem 7.05 da lista anexa;

VI – da execução da varrição, coleta, remoção, incineração,


tratamento, reciclagem, separação e destinação final de lixo,
rejeitos e outros resíduos quaisquer, no caso dos serviços descritos
no subitem 7.09 da lista anexa;

VII – da execução da limpeza, manutenção e conservação de vias e


logradouros públicos, imóveis, chaminés, piscinas, parques, jardins
e congêneres, no caso dos serviços descritos no subitem 7.10 da lista
anexa;

VIII – da execução da decoração e jardinagem, do corte e poda de


árvores, no caso dos serviços descritos no subitem 7.11 da lista
anexa;

IX – do controle e tratamento do efluente de qualquer natureza e de


agentes físicos, químicos e biológicos, no caso dos serviços descritos
no subitem 7.12 da lista anexa;

X – (VETADO)

XI – (VETADO)

XII – do florestamento, reflorestamento, semeadura, adubação e


congêneres, no caso dos serviços descritos no subitem 7.16 da lista
anexa;

XIII – da execução dos serviços de escoramento, contenção de


encostas e congêneres, no caso dos serviços descritos no subitem
7.17 da lista anexa;

XIV – da limpeza e dragagem, no caso dos serviços descritos no


subitem 7.18 da lista anexa;

XV – onde o bem estiver guardado ou estacionado, no caso dos


serviços descritos no subitem 11.01 da lista anexa;
XVI – dos bens ou do domicílio das pessoas vigiados, segurados ou
monitorados, no caso dos serviços descritos no subitem 11.02 da
lista anexa;

XVII – do armazenamento, depósito, carga, descarga, arrumação e


guarda do bem, no caso dos serviços descritos no subitem 11.04 da
lista anexa;

XVIII – da execução dos serviços de diversão, lazer, entretenimento


e congêneres, no caso dos serviços descritos nos subitens do item
12, exceto o 12.13, da lista anexa;

XIX – do Município onde está sendo executado o transporte, no caso


dos serviços descritos pelo subitem 16.01 da lista      anexa;

XX – do estabelecimento do tomador da mão-de-obra ou, na falta de


estabelecimento, onde ele estiver domiciliado, no caso dos serviços
descritos pelo subitem 17.05 da lista anexa;

XXI – da feira, exposição, congresso ou congênere a que se referir o


planejamento, organização e administração, no caso dos serviços
descritos pelo subitem 17.10 da lista anexa;

XXII – do porto, aeroporto, ferroporto, terminal rodoviário,


ferroviário ou metroviário, no caso dos serviços descritos pelo item
20 da lista anexa.

§ 1o No caso dos serviços a que se refere o subitem 3.04 da lista


anexa, considera-se ocorrido o fato gerador e devido o imposto em
cada Município em cujo território haja extensão de ferrovia,
rodovia, postes, cabos, dutos e condutos de qualquer natureza,
objetos de locação, sublocação, arrendamento, direito de passagem
ou permissão de uso, compartilhado ou não.

§ 2o No caso dos serviços a que se refere o subitem 22.01 da lista


anexa, considera-se ocorrido o fato gerador e devido o imposto em
cada Município em cujo território haja extensão de rodovia
explorada.

§ 3o Considera-se ocorrido o fato gerador do imposto no local do


estabelecimento prestador nos serviços executados em águas
marítimas, excetuados os serviços descritos no subitem 20.01.

Art. 4o Considera-se estabelecimento prestador o local onde o


contribuinte desenvolva a atividade de prestar serviços, de modo
permanente ou temporário, e que configure unidade econômica ou
profissional, sendo irrelevantes para caracterizá-lo as
denominações de sede, filial, agência, posto de atendimento,
sucursal, escritório de representação ou contato ou quaisquer
outras que venham a ser utilizadas.

Função

 
A função do imposto sobre serviços de qualquer natureza é fiscal, vale dizer, o objetivo
do município ao cobrar este tributo é o de arrecadar o valor.

Fato Gerador

O fato gerador do imposto sobre serviços de qualquer natureza é apresentado na lei


complementar 116/2003, do seguinte modo:

Art. 1o O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de


competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato
gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que
esses não se constituam como atividade preponderante do
prestador.

§ 1o O imposto incide também sobre o serviço proveniente do


exterior do País ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior do
País.

§ 2o Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços


nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações
Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de
Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação –
ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de
mercadorias.

§ 3o O imposto de que trata esta Lei Complementar incide ainda


sobre os serviços prestados mediante a utilização de bens e serviços
públicos explorados economicamente mediante autorização,
permissão ou concessão, com o pagamento de tarifa, preço ou
pedágio pelo usuário final do serviço.

§ 4o A incidência do imposto não depende da denominação dada ao


serviço prestado.

A constituição federal determina hipóteses de não incidência do tributo em análise,


bem como cria regras para isenções e incentivos fiscais, senão vejamos:

Art.156...

...

§ 3º Em relação ao imposto previsto no inciso III do caput deste


artigo, cabe à lei complementar:  (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 37, de 2002)

II - excluir da sua incidência exportações de serviços para o


exterior. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)
III – regular a forma e as condições como isenções, incentivos e
benefícios fiscais serão concedidos e revogados.  (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 37, de 2002).

Seguindo esta orientação, a lei complementar 116/2003 determina:

Art. 2o O imposto não incide sobre:

I – as exportações de serviços para o exterior do País;

II – a prestação de serviços em relação de emprego, dos


trabalhadores avulsos, dos diretores e membros de conselho
consultivo ou de conselho fiscal de sociedades e fundações, bem
como dos sócios-gerentes e dos gerentes-delegados;

III – o valor intermediado no mercado de títulos e valores


mobiliários, o valor dos depósitos bancários, o principal, juros e
acréscimos moratórios relativos a operações de crédito realizadas
por instituições financeiras.

Parágrafo único. Não se enquadram no disposto no inciso I os


serviços desenvolvidos no Brasil, cujo resultado aqui se verifique,
ainda que o pagamento seja feito por residente no exterior.

Observa-se que os transportes interestadual e intermunicipal não são tributados pelo


ISS.

Base de Cálculo

A base de cálculo do imposto sobre serviços de qualquer natureza é apresentada no


decreto lei 406/68, que foi recepcionado pela constituição de 1988 como lei
complementar, assim:

Art 9º A base de cálculo do imposto é o preço do serviço.

§ 1º Quando se tratar de prestação de serviços sob a forma de


trabalho pessoal do próprio contribuinte, o imposto será calculado,
por meio de alíquotas fixas ou variáveis, em função da natureza do
serviço ou de outros fatores pertinentes, nestes não compreendida
a importância paga a título de remuneração do próprio trabalho.

§ 2º Na prestação dos serviços a que se referem os itens 19 e 20 da


lista anexa o imposto será calculado sôbre o preço deduzido das
parcelas correspondentes:  (Redação dada pelo decreto Lei nº 834,
de 1969)
a) ao valor dos materiais fornecidos pelo prestador dos
serviços; (Redação dada pelo decreto Lei nº 834, de 1969)

b) ao valor das subempreitadas já tributadas pelo


imposto. (Redação dada pelo decreto Lei nº 834, de 1969)

§ 3° Quando os serviços a que se referem os itens 1, 4, 8, 25, 52, 88,


89, 90, 91 e 92 da lista anexa forem prestados por sociedades, estas
ficarão sujeitas ao imposto na forma do § 1°, calculado em relação a
cada profissional habilitado, sócio, empregado ou não, que preste
serviços em nome da sociedade, embora assumindo
responsabilidade pessoal, nos termos da lei aplicável.  (Redação
dada pela Lei complementar nº 56, de 15.12.1987).

Verifica-se que a lei complementar 116/2003 determina, sem entrar em confronto com a
velha norma, portanto mantendo seu pleno vigor, nova base de cálculo do imposto
sobre serviços de qualquer natureza, em seu artigo 7°, a seguinte:

Art. 7o A base de cálculo do imposto é o preço do serviço.

§ 1o Quando os serviços descritos pelo subitem 3.04 da lista anexa


forem prestados no território de mais de um Município, a base de
cálculo será proporcional, conforme o caso, à extensão da ferrovia,
rodovia, dutos e condutos de qualquer natureza, cabos de qualquer
natureza, ou ao número de postes, existentes em cada Município.

§ 2o Não se incluem na base de cálculo do Imposto Sobre Serviços


de Qualquer Natureza:

I - o valor dos materiais fornecidos pelo prestador dos serviços


previstos nos itens 7.02 e 7.05 da lista de serviços anexa a esta Lei
Complementar;

Alíquota

O imposto sobre serviços de qualquer natureza, por determinação constitucional, tem


suas alíquotas máximas e mínimas determinadas por lei complementar, conforme se
verifica do artigo 156, § 3º, I:

Art.156...

...

§ 3º Em relação ao imposto previsto no inciso III do caput deste


artigo, cabe à lei complementar:  (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 37, de 2002)
I - fixar as suas alíquotas máximas e mínimas; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 37, de 2002)

Neste sentido, andou bem o legislador ao determinar no artigo 8º da lei complementar


116, o seguinte:

Art. 8o As alíquotas máximas do Imposto Sobre Serviços de


Qualquer Natureza são as seguintes:

...

II – demais serviços, 5% (cinco por cento).

No que concerne à alíquota mínima, deve ser de 2% (dois por cento) nos termos do
artigo 88 do ato das disposições constitucionais transitórias:

Art. 88. Enquanto lei complementar não disciplinar o disposto nos


incisos I e III do § 3º do art. 156 da Constituição Federal, o imposto a
que se refere o inciso III do caput do mesmo artigo: (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 37, de 2002)

I - terá alíquota mínima de dois por cento, exceto para os serviços a


que se referem os itens 32, 33 e 34 da Lista de Serviços anexa ao
Decreto-Lei nº 406, de 31 de dezembro de 1968;  (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 37, de 2002)

II - não será objeto de concessão de isenções, incentivos e benefícios


fiscais, que resulte, direta ou indiretamente, na redução da alíquota
mínima estabelecida no inciso I.  (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 37, de 2002).

Não é outro o entendimento de MACHADO (2009: 408):

Os Municípios gozam de autonomia para fixar as alíquotas do ISS,


mas a União poderá, por lei complementar, fixar  alíquotas
máximas e mínimas para esse imposto (CF, art. 156, § 3º, inc. I).

Nos termos do art. 8º da Lei Complementar n. 116/2003, a alíquota


máxima do ISS é de 5%. É razoável sustentar-se que sua alíquota
mínima é de 2%, nos termos do art. 88 do ADCT, com a redação que
lhe deu a Emenda Constitucional n. 3, de 12.6.2002.

Contribuinte
 

A lei complementar 116/2003, nos artigos 5º e 6º, ao determinar o contribuinte refere-se


também à possibilidade de criar a figura do responsável tributário, assim:

Art. 5o Contribuinte é o prestador do serviço.

Art. 6o Os Municípios e o Distrito Federal, mediante lei, poderão


atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito
tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva
obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou
atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou
parcial da referida obrigação, inclusive no que se refere à multa e
aos acréscimos legais.

§ 1o Os responsáveis a que se refere este artigo estão obrigados ao


recolhimento integral do imposto devido, multa e acréscimos legais,
independentemente de ter sido efetuada sua retenção na fonte.

§ 2o Sem prejuízo do disposto no caput e no § 1o deste artigo, são


responsáveis:

I – o tomador ou intermediário de serviço proveniente do exterior


do País ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior do País;

II – a pessoa jurídica, ainda que imune ou isenta, tomadora ou


intermediária dos serviços descritos nos subitens 3.05, 7.02, 7.04,
7.05, 7.09, 7.10, 7.12, 7.14, 7.15, 7.16, 7.17, 7.19, 11.02, 17.05 e 17.10 da
lista anexa.

Lançamento

O lançamento do imposto sobre serviços de qualquer natureza é por homologação e, na


hipótese do contribuinte não apresentar as informações necessárias para o
recolhimento do tributo, o poder público pode praticar o lançamento de ofício.

O Município não pode legislar contrariando a lei federal do ISSQN, sendo assim, a base
de cálculo, contribuinte e fato gerador, lançamento, não devem ser alterados por lei
municipal.

Exercício 1:

A propriedade, no ITBI, deve ser transmitida a título:


A)

oneroso

B)

gratuito

C)

tributário

D)

impessoal

E)

processual

Comentários:

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Exercício 2:

Não incide o ITBI sobre:

A)

direitos reais

B)

compra e venda de imóvel

C)

direitos reais em garantia

D)
bens imóveis por acessão física

E)

cessão de direitos à aquisição de bens imóveis

Comentários:

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Exercício 3:

O ISS difere dos serviços previstos para o ICMS:

A)

por dedução

B)

por exclusão prevista em lei complementar

C)

por força de lei ordinária

D)

porque ambos são do Município, excluindo-se mutuamente

E)

quanto ao preço dos serviços

Comentários:

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Exercício 4:

As alíquotas máxima e mínima do ISS são fixadas:

 
A)

pelo Senado

B)

pela Câmara dos Deputados

C)

pelo Ministério da Fazenda

D)

pelo orçamento anual

E)

por lei complementar

Comentários:

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Exercício 5:

O ITBI não incide sobre operações de:

A)

compra e venda

B)

cessão de direitos reais

C)

cessão à aquisição de bens imóveis

D)

fusão

E)
doação gratuita

Comentários:

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Exercício 6:

Em relação ao ISS, cabe à Lei Complementar:

A)

   criar alíquotas

B)

modificar a competência constitucional

C)

revogar decretos em sentido contrário

D)

excluir da sua incidência exportações de serviços para o exterior

E)

alterar o princípio da anterioridade

Comentários:

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Exercício 7:

A venda sujeita ao ITBI é:

A)

onerosa
B)

alternativa

C)

real

D)

gratuita

E)

impessoal

Comentários:

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Exercício 8:

O ITBI não incide sobre:

A)

 direitos reais em garantia

B)

direitos reais

C)

imóveis por acessão

D)

compra e venda
 

E)

imóveis por natureza 

Comentários:

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Exercício 9:

O ISS:

A)

incide sobre o imposto de renda

B)

incide apenas sobre a renda

C)

é um tributo apenas extrafiscal

D)

incide sobre mercadoria importada

E)

incide sobre serviço proveniente do exterior

Comentários:

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Exercício 10:

O ITBI:

A)
compete à União

B)

compete ao Município do herdeiro

C)

compete aos Estados

D)

compete ao foro do inventário

E)

compete ao Município da situação do bem

Comentários:

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Exercício 11:

Quanto ao ISS, Lei Complementar:

A)

fixará apenas alíquotas mínimas

B)

deverá regular a forma e as condições como isenções, incentivos e benefícios fiscais serão
concedidos e revogados

C)

revogará decretos regulamentares

D)

fixará a base de cálculo igual à do ITCMD

E)

modificará a competência constitucional


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Exercício 12:

Incide ITBI sobre:

A)

cessão de direitos à aquisição de imóvel

B)

doação gratuita

C)

exportação

D)

importação

E)

aluguel

Comentários:

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Exercício 13:

Certo sujeito contribuinte do ISS praticou o Fato Gerador em maio de 2014, contudo o lançamento
tributário só foi constituído pelo Sujeito Ativo em agosto de 2018. Por isso, é correto afirmar que, caso

A)

uma nova Lei do tributo tenha majorado o imposto antes da sua cobrança, aplicar-se-á a lei então vigente à
época do lançamento, em homenagem ao Princípio da Irretroatividade.

B)
a lei do tributo tenha definido uma penalidade mais severa, após a prática do fato gerador, aplicar-se-á a lei
vigente à época do lançamento, em homenagem ao Princípio da Anterioridade.

C)

a lei do tributo tenha definido uma alíquota mais benéfica, após a prática do fato gerador, aplicar-se-á a lei
vigente à época do fato, em homenagem ao Princípio da Irretroatividade.

D)

o tributo tenha sofrido, por uma nova lei, após a prática do fato gerador, a possibilidade de uma penalidade
mais benéfica, aplicar-se-á a lei vigente à época do fato, em homenagem ao Princípio da Irretroatividade.

E)

uma nova lei do tributo, após a prática do fato gerador, seja considerada meramente interpretativa, seus
efeitos não poderão ser pretéritos, em homenagem ao Princípio da Irretroatividade.

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Exercício 14:

Com base no que estabelece o Art. 156, inc. III, da Constituição Federal, bem como na interpretação do
referido dispositivo pelo Supremo Tribunal Federal, quanto ao poder de tributar do Município, analise as
assertivas abaixo:

I. É inconstitucional a incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) sobre


operações de locação de bens móveis.

II. As operadoras de planos de saúde não realizam prestação de serviço sujeita ao ISSQN, previsto no Art.
156, III, da Constituição Federal.

III. Havendo, ao mesmo tempo, locação de bem móvel e prestação de serviços, o ISS não incide sobre o
segundo fato gerador também, por extensão ao que estabelece a súmula vinculante 31 do STF.

Quais estão corretas?

A)

Apenas I.

B)

Apenas II.

C)
Apenas III.

D)

Apenas I e III.

E)

Apenas II e III.

Comentários:

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Exercício 15:

Possui imunidade específica, observadas as condições estabelecidas pela Constituição Federal, o imposto
sobre

A)

serviços (ISS).

B)

a renda e os proventos de qualquer natureza (IR).

C)

a transmissão onerosa de bens imóveis (ITBI).

D)

a propriedade de veículos automotores (IPVA).

E)

a propriedade predial e territorial urbana (IPTU).

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Exercício 16:
João e Maria são irmãos e condôminos de imóvel adquirido por meio de sucessão hereditária, após o
falecimento de sua mãe Madalena. O respectivo inventário já foi encerrado, com a devida transferência do
imóvel aos herdeiros no cartório de registro de imóveis. Eles querem aproveitar uma oportunidade de
vender o imóvel para José e Raquel, mas estão preocupados com a incidência de impostos que possam
afetar o preço que receberão por esta venda. Em função disso, estão verificando qual a possibilidade de
registro da venda sem pagamento do imposto antecipadamente. A esse respeito, é correto afirmar que

A)

há incidência de imposto estadual sobre a transmissão de bens imóveis  inter vivos com alíquotas de 4% a
8%, conforme o Estado, que deverá ser levada em consideração por João e Maria no momento da fixação
do preço de venda.

B)

João e Maria não deveriam se preocupar, pois o Código Tributário Nacional estabelece que o imposto
sobre transmissão de bens imóveis inter vivos é sempre de responsabilidade do adquirente na operação de
compra e venda.

C)

por se tratar de alienação de bem imóvel adquirido em decorrência de sucessão hereditária, não há que se
falar em incidência de impostos, mas apenas de taxas e emolumentos cartorários, os quais não poderão
deixar de ser recolhidos.

D)

caso o responsável pelo cartório de registro de imóveis se omita quanto à exigência de comprovação de
recolhimento do imposto municipal devido pela transferência do imóvel, responderá ele solidariamente
com os sujeitos passivos, na impossibilidade de exigência do pagamento do imposto por eles.

E)

caso José e Raquel adquiram o bem sem prévia verificação da inexistência de dívidas tributárias relativas a
impostos sobre a propriedade do bem, responderão subsidiariamente pelo pagamento desses impostos,
apenas na hipótese de impossibilidade de pagamento por João e Maria.

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Exercício 17:

Em relação ao que estabelece o Art. 156, inc. II, da Constituição Federal, bem como à interpretação do
referido dispositivo pelo Supremo Tribunal Federal, quanto ao poder de tributar do Município, analise as
assertivas abaixo:

I. É constitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o Imposto de Transmissão Inter Vivos de
Bens Imóveis (ITBI) com base no valor venal do imóvel.
II. A cobrança de ITBI é devida no momento do registro da compra e venda na matrícula do imóvel.

III. O STF assentou entendimento de que os contratos de promessa não constituem fato gerador para a
incidência do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis.

Quais estão corretas?

A)

Apenas I.

B)

Apenas II.

C)

Apenas III.

D)

Apenas I e III.

E)

Apenas II e III.

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Exercício 18:

Acerca dos impostos de competência dos Municípios, é correto afirmar que

A)

é vedada a progressividade do IPTU no tempo.

B)

o IPTU não poderá ter alíquotas diferentes de acordo com o uso do imóvel.

C)

cabe ao Senado Federal, por resolução, fixar as alíquotas máximas e mínimas do ISS.
D)

o ITBI incidirá sobre a transmissão de bens ou direitos, decorrente de incorporação de pessoa jurídica,
quando a atividade preponderante do adquirente for a de locação de bens imóveis.

E)

cabe à lei ordinária municipal, em caráter de norma geral, regular a forma e as condições como isenções,
incentivos e benefícios fiscais, relativos ao ISS, serão concedidos e revogados.

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