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Economia Brasileira

Capítulo 3

Crise, crescimento e modernização autoritária: 1930-45

Marcelo de Paiva Abreu

1. Superação da crise e a política econômico do governo provisório 1930-34


 Queda do preço dos produtos de exportação brasileiros não compensada pelo
aumento na quantidade de exportações. Interrupção do fluxo de capital
estrangeiro;
 Os termos de intercambio sofreram uma deterioração de cerca de 30% e a
capacidade de importar de 40%;
 Liberalismo retorico primitivo. Moratórias sucessivas em relação às dívidas em
moeda estrangeira;
 Entre 1930-1 o mil-réis desvalorizou-se 55%. O governo tentou evitar a
desvalorização excessiva porque sabia que assim o café não daria tanto lucro. Se
a taxa de cambio não fosse sustentada o preço do café cairia, afinal é um produto
inelástico;
 Reservas de moedas ainda eram em Libra, apesar do crescente papel do dólar;
 Relação ruim entre Brasil e USA no início da década;
 Entre 1914 e 1930 os investimentos externos no Brasil que eram
majoritariamente britânicos começam a se reduzir e os dos USA a aumentar. Os
primeiros investiam em setores tradicionais, já os americanos nos setores
modernos;
 Demanda agregada teria sido sustentada por política expansionistas de gastos,
especialmente na aquisição de café para posterior destruição. A reorientação da
demanda associada à desvalorização do mil-réis e à imposição de controles das
importações, foi acomodada pela utilização mais intensiva da capacidade
previamente instalada na indústria brasileira (FURTADO);
 Estereótipos falsos: Júlio Prestes – defensor dos interesses cafeeiros e Vargas
como candidato da indústria e pequena burguesia. Vargas encarnaria o estado de
compromisso, não se alinhando a nenhum grupo especifico e tratando os
problemas de todos. Mas na prática Vargas adotou medidas econômicas que
tenderam a favorecer a indústria;
 Falso: Após 1930, as políticas adotadas pelo governo foram ortodoxas
prejudicando a recuperação da atividade econômica, e que o governo não
defendeu adequadamente os interesses da indústria;
 Brasil se recuperou rapidamente da crise de 1929 e década de 1930. Credita-se
essa situação as medidas econômicas do governo provisório: compra dos
estoques de café, por exemplo;
 O argumento de que a recuperação do nível de atividade econômica deveu-se a
fatores externos, que viabilizaram considerável expansão do saldo do balanço
comercial e acarretaram déficits públicos causados pela queda da arrecadação de
imposto de importação, deve ser rejeitado. A expansão do saldo do balanço
comercial foi consequência da desvalorização cambial e de controle cambial que
impedia a importação de bens não essenciais.
 Política do governo provisório pré Keynesiana. O que parece ter sido decisivo
para que Furtado identificasse pré-keynesianismo em Vargas e, não, por
exemplo em Epitácio Pessoa, parece ter sido a imagem impressionante de
queima dos estoques de café. É, entretanto, a disposição de acomodar o choque
fiscal através de aumento do déficit público, o elemento que permite com
adequação que se possa afirmar que a política do Gov. Provisório seja pré
keynesiana;
 Fim do padrão ouro. Continua a contração da base monetária;
 A outra vertente equivocada (DEAN) sugere que as políticas do novo regime
não teriam favorecido a indústria em oposição à cafeicultura e que os anos 30
não constituiriam um período crucial da aceleração do processo de
industrialização brasileira, pois a produção industrial havia crescido mais
significativamente na década anterior. Dean apoia-se na ideia de que o governo
provisório seria anti protecionista. Longe de reduzir-se sob o governo
provisório, a proteção aumentou até 1934, reduzindo-se a níveis semelhantes aos
de 1928 a partir de 1935.
2. Boom econômico e Interregno democrático, 1934-37
 Empresários americanos desejavam obter um regime de câmbio preferencial no
Brasil;
 Liberalização da política cambial – USA pressionado o Brasil para que se
alinhasse ao multilateralismo;
 O encarecimento das importações permitiu a utilização de capacidade ociosa na
indústria enquanto a continuada adoção de políticas fiscal, cafeeira, monetária e
creditícia expansionistas permitiu a sustentação da demanda. A política de
aquisição e destruição de estoques de café permaneceu inalterada em relação à
adotada a partir de 1933. A política monetária foi em geral moderadamente
expansionista: o deflator implícito do PIB só indica sinais claros de aceleração
inflacionaria ao final do período;
 Desempenho medíocre da agricultura;
 A melhoria significativa das condições competitivas da indústria domestica entre
1928-31 deveu-se preponderantemente à desvalorização do mil-réis em relação
às moedas-referencia, pouco tendo a ver com a evolução da política tarifaria;
 Não há qualquer evidencia de críticas contemporâneas quanto à insuficiente
proteção associada à política tarifária;
 Acordo com os EUA em 1935, clausula de nação mais favorecida. Brasil
consideraria as concessões tarifarias que poderia oferecer aos produtos dos EUA
e os EUA manteriam as principais exportações brasileiras livres de tributos. Os
termos desse acordo foram objeto de intensa polemica no Brasil. Havia os
defensores do acordo e os industriais paulistas. Os primeiros diziam que a
indústria brasileira era parasitaria, defendida por uma proteção tarifaria
despropositada. Os segundos afirmavam que não havia nada de excessivo na
proteção à indústria brasileira;
 A partir de 1934-35, os EUA enfrentaram importante ameaça no Brasil com o
aumento do comércio de compensações com os alemães. A despeito da pressão
diplomática dos EUA, o comercio teuto-brasileiro expandiu-se até 1938. A
posição independente de Vargas decorria da boa vontade dos EUA para o Brasil,
melhor o Brasil num regime autoritário do que uma Argentina rebelde, interesse
dos EUA era conter a força da Alemanha na América Latina através do
fortalecimento do brasil;
 Comércio de compensação através de marcos inconversíveis. Vantajoso porque
a Alemanha absorvia produtos brasileiros que não eram exportados para os EUA
e eram produzidos em regiões politicamente importantes para Vargas;
 Brasil manteve posição ambígua, prometendo às autoridades dos EUA que o
comércio de compensação seria reduzido e no final renovou os acordos;
3. Estado Novo e Economia de Guerra – 1937-45
 Estado transitou da arena normativa da atividade econômica para a provisão de
bens e serviços;
 1937: escassez de divisas leva a adoção do monopólio cambial do governo;
 Controle cambial e de importações de 1937 tornou-se o principal instrumento de
política comercial. Mais efetivo para reduzir o número nível agregado de
importações do que discriminar as importações vistas como essenciais;
 Missão Aranha (1939) – relações favoráveis com os EUA. Dificuldades no
comercio com a Alemanha. Perda de importância da Inglaterra. Resultados
limitados e concessões brasileiras;
 2ª Guerra: dificuldades de importações resultaram em efeitos contraditórios a
priori: alguns produtos podiam ser desenvolvidos internamente sem a alternativa
de suprimentos externos, por outro lado o crescimento industrial era limitado
pela dificuldade de obter insumos essenciais e bens de capital que
possibilitassem a ampliação da capacidade. Concretamente, não afetou tanto o
crescimento industrial. No entanto, o PIB foi afetado, especialmente pelo
desempenho medíocre da economia;
 1942 – ponto de inflexão para a economia brasileira. Acelera-se o crescimento
industrial, acumulo de reservas cambiais, entrada de capital dos EUA;
 Reforma monetária de 1942 – aumento da liquidez da economia;
 Restrições ao comércio brasileiro acarretaram o aumento da dependência do país
para com os EUA. EUA implementaram uma política que visava sustentar os
preços dos produtos de exportação da América Latina, para atenuar os efeitos da
guerra;
 Guerra só foi benéfica para alguns setores estratégicos (têxteis, algodão,
pneumáticos);
 1943: atrito entre Brasil e EUA. Fim da guerra gerava dificuldades aos EUA
sustentarem sua posição com relação aos preços do café, afinal os europeus
voltavam ao mercado;
 Relações com a Inglaterra durante a guerra se basearam no desejo ingles de
minimizar o custo imediato das importações necessárias ao esforço de guerra
numa conjuntura de escassez de divisas conversíveis;
 Reversão da política dos EUA em relação ao PSI brasileiro. Nos anos iniciais da
guerra a ênfase ao desenvolvimento dessas atividades era clara, com a
aproximação da paz, a política dos EUA levaria cada vez em conta os interesses
do seu comércio exportador;
 A avaliação da política da dívida pública sugere que no início da década de 1930
o Brasil pagou serviço acima de suas possibilidades cambiais, ao passo que a
partir de 1937 o contrário ocorreu;
 Vargas (1937) – ou pagamos a dívida ou reequipamos as forças armadas e os
transportes. Isso mobilizou apoio dos militares e integralistas;
 Durante a primeira metade da década de 1930 é difícil definir uma política
brasileira coerente para os capitais estrangeiros. Não há indicação de
discriminação contra firmas estrangeiras na aplicação da política cambial;
 Estatização de empresas prevista na legislação, mas até 1939 os bancos e
companhias de seguro estrangeiros não haviam sido afetados;
 A expansão das inversões dos EUA nos anos finais da 2ª Guerra pode ser
explicada em parte pela política liberal adotada pelo Brasil quanto a remessa de
lucros e pela ausência de oportunidades alternativas para inversão;
 Vitória aliada na guerra. Desconforto com os EUA. Tentativa brasileira de usar o
Reino Unido como contrapeso dos EUA;
 EUA não apenas se negaram a reajustar os preços do café, mas também se
mostravam hostis ao PSI, que prejudicaria as exportações deles no pós guerra;
 Fim da Guerra, rearranjo da política dos EUA para apoiar governos latinos
autoritários. Depois de 1943, começam as preocupações nos EUA com a falta de
democracia no Brasil, apoiavam uma solução liberal, que removesse as
contradições entre o regime político contraditório com a política externa pró-
aliados;
 Deposição de Vargas em 1945 – marca começo da hegemonia econômica e
política dos interesses estadunidenses no Brasil.

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