PAULA DE SOUZA E MELLO FERREIRA DE ARAÚJO

O RECURSO ESPECIAL E SEUS REQUISITOS ESPECÍFICOS DE ADMISSIBILIDADE

Brasília 2007

PAULA DE SOUZA E MELLO FERREIRA DE ARAÚJO

O RECURSO ESPECIAL E SEUS REQUISITOS ESPECÍFICOS DE ADMISSIBILIDADE

Monografia apresentada ao Curso de especialização Telepresencial e Virtual em Direito Processual Civil, na modalidade Formação para o Mercado de Trabalho, como requisito parcial à obtenção do grau de especialista em Direito Processual Civil.

Universidade do Sul de Santa Catarina UNISUL Instituto Brasileiro de Direito Processual IBDP Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes - REDE LFG

Orientador: Prof. Célio Alves Tibes Junior

Brasília 2007

PAULA DE SOUZA E MELLO FERREIRA DE ARAÚJO

O RECURSO ESPECIAL E SEUS REQUISITOS ESPECÍFICOS DE ADMISSIBILIDADE

Esta Monografia foi julgada adequada para a obtenção do título de Especialista em Direito Processual Civil, na modalidade Formação para o Mercado de Trabalho, e aprovada em sua forma final pela Coordenação do Curso de Pós-Graduação em Direito Processual Civil da Universidade do Sul de Santa Catarina, em convênio com o Instituto Brasileiro de Direito Processual - IBDP e com a Rede Ensino Luiz Flávio Gomes – REDE LFG.

A meus amigos.pedra fundamental de minha vida. A minha família . acima de tudo. . refúgio de amor. a Deus. por me fazer acreditar e sempre seguir adiante com meus projetos. paz e segurança -.Agradeço. pela paciência nos momentos em que não pude estar presente e pela força dada para que eu pudesse concluir este Trabalho. pelo dom da fé que ilumina e orienta meu caminho.

. Não desertar a justiça. nas consultas. Não transfugir da legalidade para a violência. Não lhe faltar com a fidelidade.. na verdade e no bem. Servir aos opulentos com altivez e aos indigentes com caridade. senão com a imparcialidade real do juiz nas sentenças. Não fazer da banca balcão. (.) Não proceder. Nelas se encerra. (... a síntese de todos os mandamentos. estremecer o próximo. para ele. ou da ciência mercatura. Não ser baixo com os grandes. nem cortejá-la. quando justas. nem trocar a ordem pela anarquia." (Rui Barbosa) . Amar a pátria.“Legalidade e liberdade são as tábuas da vocação do advogado.) Não se subtrair à defesa das causas impopulares. nem arrogante com os miseráveis. nem à das perigosas. guardar fé em Deus. nem lhe recusar o conselho.

Palavras-chave: Requisitos. serão enfatizados os temas controvertidos com a demonstração dos posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais.RESUMO Este Trabalho tem por escopo discorrer a respeito dos requisitos necessários à admissão do recurso especial. fundamentos. Nesse ponto. após. num primeiro momento serão analisados os requisitos gerais e. . reexame. acerca das questões expostas. examinados minuciosamente os específicos. recurso especial. prequestionamento. provas. em especial dos oriundos do Superior Tribunal de Justiça.

. The first part states the general demands and. At this point. with a particular emphasis on those attributable to the STJ. evidence. review. Keywords: Requirements. the dissertation turns to controversial themes and discusses the doctrine and jurisprudence. pleas. special appeal.Superior Court of Justice (Special Appeal).SUMMARY This treatise discusses the current requirements to admit an appeal to the STJ . immediately below. prequestionamento. it carefully examines the specific requirements in order to have an appeal admited by the Court.

1 CAUSAS DECIDIDAS EM ÚNICA OU ÚLTIMA INSTÂNCIA 2.4 ATO DE GOVERNO LOCAL CONTESTADO EM FACE DE LEI FEDERAL 2.8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 1 ORIGEM DO RECURSO ESPECIAL 2 HIPÓTESES DE CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL 2.1.1 Conceito de causa decidida 2.2 CONTRARIAR OU NEGAR VIGÊNCIA A LEI FEDERAL OU TRATADO 2.3 CONCEITO DE LEI FEDERAL 2.5 DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL 3 REQUISITOS GERAIS DE ADMISSIBILIDADE APLICADOS AO RECURSO ESPECIAL 3.1 LEGITIMIDADE 3.4 PREPARO 3.2 INTERESSE RECURSAL 3.1.5 ADEQUAÇÃO 3.6 REGULARIDADE FORMAL 4 PARTICULARIDADES DO RECURSO ESPECIAL 4.3 TEMPESTIVIDADE 3.1 DUPLO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE 10 13 16 16 16 18 20 21 23 24 27 27 27 27 29 30 32 34 34 .2 Decisões de única ou última instância 2.

1 Conceito 5.5.2 Origem histórica do prequestionamento 5.1 IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE PROVAS 5.3 FUNDAMENTAÇÃO DO RECURSO ESPECIAL DE CLÁUSULA 37 37 38 41 42 43 5. NECESSIDADE DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO 5.5 PREQUESTIONAMENTO 5.5.5.1 Reexame de prova x valoração jurídica da prova 5.4 ACÓRDÃO RECORRIDO COM SUPORTE EM FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS DE ORDEM CONSTITUCIONAL E INFRACONSTITUCIONAL.5 Prequestionamento e matéria de ordem pública CONCLUSÃO REFERÊNCIAS 45 46 47 49 52 58 65 69 .2 IMPOSSIBILIDADE DE INTERPRETAÇÃO CONTRATUAL 5.5.4 Embargos de declaração x pós-questionamento 5.3 Prequestionamento explícito x prequestionamento implícito 5.1.5.5 REQUISITOS ESPECÍFICOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL 5.

as doutrinas contemporâneas. em alguns pontos.e a pesquisa participativa – em razão da convivência diária com essas questões. não é pacífica – em particular no que se refere ao prequestionamento e ao reexame de provas x valoração jurídica da prova. com a exibição das posições doutrinárias e jurisprudenciais existentes sobre a matéria que. como servidora do Superior Tribunal de Justiça. será realizado estudo detalhado acerca dos requisitos específicos do recurso especial. os artigos publicados em periódicos e os textos constantes da rede mundial de computadores . A metodologia adotada para a elaboração desta Monografia envolve a pesquisa bibliográfica .por meio da qual é possível averiguar os registros existentes a respeito dos temas abordados e apreciá-los de forma exaustiva . Por esse motivo. As fontes pesquisadas abrangem as normas legais aplicáveis. Tal fato evidencia a carência de informação que os profissionais do Direito revelam quanto aos requisitos indispensáveis à admissão desse apelo excepcional.10 INTRODUÇÃO São inúmeros os recursos especiais que chegam ao Superior Tribunal de Justiça e não ultrapassam a barreira da cognição.Internet. A análise poderá proporcionar aos profissionais da área meios de se compreender um pouco mais como vêm sendo analisados os recursos especiais no concernente aos pressupostos para serem admitidos. .

do Distrito Federal e dos territórios. no especial. posteriormente. far-se-á a incursão pela origem do recurso em análise. por seu turno. será destinado ao exame dos requisitos gerais de admissibilidade dos recursos que devem ser observados. O terceiro Capítulo. Já o segundo será reservado à análise da competência do Superior Tribunal de Justiça para julgar. quando a decisão recorrida contrariar ou negar vigência à lei federal.11 No primeiro Capítulo. Dessa maneira. . também. o preparo. as causas decididas. com o relato de fatos históricos que o envolvem. assim como o extraordinário. é primeiramente submetido à apreciação do Presidente ou do Vice-Presidente do tribunal recorrido. julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal ou conferir à lei federal interpretação diversa da que lhe haja atribuído outro tribunal. em única ou última instância. a tempestividade. em recurso especial. Diferentemente dos demais apelos. Cada uma dessas hipóteses de cabimento será examinada separadamente de modo a conferir melhor percepção de suas particularidades. o Tribunal Superior averiguará a presença dos requisitos indispensáveis à admissão do recurso. pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos estados. o interesse recursal. esse recurso. No quarto Capítulo. chamar-se-á atenção para uma particularidade do recurso especial . a legitimidade.a existência de duplo juízo de admissibilidade. a adequação e a regularidade formal serão esmiuçados a fim de que não paire qualquer dúvida a respeito da necessidade de sua presença no apelo em estudo. onde ele é interposto (que verificará se há condições de dar seguimento ao reclamo).

assim como a necessidade de fundamentação devidamente elaborada. pois nele será efetuado minucioso exame dos requisitos específicos. além do especial. será proporcionado relato acerca de sua origem histórica. doutrinadores e profissionais do Direito: o prequestionamento. Enfatizar-se-á. Além de sua conceituação. o requisito considerado o mais importante por juristas. não admitido em recurso especial. fato que torna indispensável a interposição de recurso extraordinário.12 O quinto representará o cerne da Monografia. merecerá tópico específico que demonstrará o porquê de seu descabimento. A questão da impossibilidade de se reexaminar matéria de fato será objeto de análise acurada e realizar-se-á clara distinção entre reexame de prova e valoração jurídica da prova. . Outro ponto a ser destacado diz respeito ao caso em que o acórdão recorrido apresenta fundamentos autônomos de ordem constitucional e infraconstitucional. proceder-se-á ao exame da discussão doutrinária e jurisprudencial que envolve a necessidade ou não de prequestionamento quando se cuidar de matéria de ordem pública. bem como análise comparativa sobre o prequestionamento explícito e o implícito. Também a vedação à interpretação de cláusula contratual merecerá tópico específico. ainda. O pós-questionamento. Por fim.

e a decisão do Tribunal do Estado considerar válidos os atos ou leis impugnados. direito e privilégio ou isenção. § 1º. ou de Lei Federal. houve um movimento para reestruturar juridicamente o Estado Brasileiro. parágrafo único. cuja competência de julgamento seria do Supremo Tribunal Federal..13 Nesse contexto. 1 ORIGEM DO RECURSO ESPECIAL Em 1890. assim dispunha: [. e a decisão tenha sido em favor da validade da lei ou ato. haverá recurso para o Supremo Tribunal Federal: a) quando se questionar sobre a validade ou aplicabilidade de tratados e leis federais. de 22 de junho de 1890. Inspirado no writ of error norte-americano. foi criado o recurso extraordinário. Então. à legitimidade do exercício de qualquer autoridade que haja obrado em nome da União – qualquer que seja a alçada. ou de cláusula de um tratado ou convenção. seja posta em questão. e a decisão do Tribunal do Estado for contra ela. 9º. O art. o objetivo da Monografia é esclarecer possíveis dúvidas que possam existir a respeito dos requisitos indispensáveis à admissibilidade do recurso especial e desvendar algumas questões controversas sobre o tema. 59. aos tratados e às leis federais.] das sentenças da justiça dos Estados em última instância. finalmente.. Decreto 510. o Decreto 848 de 1890. b) quando se contestar a validade de leis ou atos de governos dos Estados. previu o que segue: Haverá também recurso para o Supremo Tribunal Federal das sentenças definitivas proferidas pelos tribunais e juízes dos Estados: a) quando a decisão houver sido contrária à validade de tratado ou convenção. b) quando a validade de uma lei ou ato de qualquer Estado seja posta em questão como contrária à Constituição. à aplicabilidade de uma Lei do Congresso Federal. . em seu art. ou das leis federais. com a instalação do regime federativo inspirado no Direito americano. Posteriormente. c) quando a interpretação de um preceito constitucional. e a decisão final tenha sido contrária à validade do título. em face da Constituição. derivado de preceito ou cláusula.

. Recurso Especial. O Min. A experiência com o instituto da ‘relevância da questão federal’. já as causas nas quais se discutiam negativas de vigência das leis federais passaram a ser examinadas pelo novo pretório. pelo número de feitos sempre crescente e absolutamente excessivo. que culminou com a chamada “crise do Supremo”. O excesso de demandas a serem solucionadas pelo Pretório. desafogando-a da quantidade avassaladora de processos e proporcionando maior celeridade em sua apreciação. Em última análise. Athos Gusmão. em competência originária.14 previsto no Judiciary Act de 1789. e à extinção do Tribunal Federal de Recursos. 3 ed. e de certa forma. também uma multiplicidade de recursos provenientes de todas as partes de um país sob alto incremento demográfico e com várias regiões em acelerado processo de industrialização e de aumento do setor terciário da economia. 2003. na medida em que o elevado número de processos reavivou a crise. A par da matéria. p. derivada do exercício de sua função de Corte Constitucional. a chamada ‘crise do Supremo Tribunal Federal’. cercado de rígidos 1 CARNEIRO. Athos Gusmão Carneiro 1 assim se manifestou a respeito do assunto: São conhecidos os motivos que levaram o constituinte federal de 1988 à criação do Superior Tribunal de Justiça. 3-4. Agravos e Agravo Interno. o Superior Tribunal de Justiça. postos a cargo dos integrantes do Excelso Pretório. denominada recurso especial. Rio de Janeiro: Editora Forense. transitório. Óbices jurisprudenciais e regimentais à admissão do recurso extraordinário revelaram-se de proveito limitado. Por conseguinte. acarretando sempre maiores índices de litigiosidade. por meio de nova modalidade recursal. ensejou a necessidade de criação de novo tribunal para diminuir o número de processos a serem julgados pela Corte Maior. os feitos versando sobre questões constitucionais permaneceram da competência do Supremo. ele já constava da primeira Constituição da República.

recurso ordinário e recurso extraordinário. o apelo especial. desejosos de maior amplitude o acolhimento de irresignação dirigida a um tribunal nacional. Finalmente. de custódia da Constituição Federal e órgão tutelar dos direitos e garantias individuais. a competência do Superior Tribunal de Justiça – STJ desdobra-se em originária. sob certo ângulo repôs o recurso extraordinário em sua destinação essencial.15 pressupostos procedimentais. De acordo com a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. o Superior Tribunal de Justiça. melhor aparelhados para servir como instância recursal ordinária das decisões dos juízes federais. A uma. posto acima dos Tribunais Regionais Federais e dos Tribunais dos Estados. por cinco Tribunais Regionais Federais. de outra parte. veio a suscitar restrições pelos litigantes e advogados. liberando o Supremo Tribunal Federal para um menos atribulado exercício de sua missão maior. A duas. nos casos previstos na Lei Maior. mas. com a substituição do Tribunal Federal de Recursos – até então principalmente tribunal de 2º grau da Justiça Federal. no caso. irá exercer. como tribunal nacional. . a tutela da legislação federal infraconstitucional. A instituição do Superior Tribunal de Justiça atendeu a tais relamos. sem óbices regimentais.

. c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.... “b” e “c”...... o Código de Processo Civil tratou da matéria nos arts.16 2 HIPÓTESES DE CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL As hipóteses de cabimento do especial encontram-se elencadas no art..... pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados. “a”.... 541 e seguintes...... ou negar-lhes vigência....... as causas decididas...............1 CAUSAS DECIDIDAS EM ÚNICA OU ÚLTIMA INSTÂNCIA 2.. do Distrito Federal e Territórios.. 2......... Pedro Lessa e Demócrito Ramos ..1......julgar. como se verifica a seguir: Art..... 105............... 105.. em recurso especial.... III....... não sem antes acrescentar que.1 Conceito de causa decidida A temática atinente à conceituação de “causa decidida” não é consensual entre os doutrinadores pátrios.. III . b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal...... Compete ao Superior Tribunal de Justiça: . Detalha-se esse preceptivo constitucional a fim de delinear com clareza os contornos de cabimento do recurso especial...... quando a decisão recorrida: a) contrariar tratado ou lei federal........ em única ou última instância. no âmbito processual....... Arruda Alvim..

9 ed. consideram inviável a interposição de recurso extraordinário lato sensu quando se tratar de procedimento de jurisdição voluntária ou contra decisão interlocutória. ou se trinque da balda da ofensa da lei. principal ou incidental. Recurso Especial e Recurso Extraordinário. encerre uma questão federal e seja irrecorrível no mesmo sistema judiciário. Desde que. dou à palavra causa do texto constitucional sobre recurso extraordinário sentido amplo de questão. porém. São Paulo: Revista dos Tribunais. Rodolfo Camargo. Por conseqüência. p. 93. Rodolfo Camargo. Se o processo é cautelar. III. Orozimbo Nonato. se a lei não excluiu. 2 . Basta que a decisão. ou ocorre. Recurso Extraordinário e Recurso Especial. 3 MANCUSO. cabe recurso extraordinário. p. proferida em qualquer deles. não cabe ao intérprete excluí-la. de controvérsia. Mirian Cristina Generoso Ribeiro. ainda no decurso da lide. 2006. da Constituição. p. interpreta o termo de maneira ampla e entende possível o manejo do apelo em causa oriunda de jurisdição voluntária ou contenciosa. 2006. 9 ed. assim explanada: Tomando dos sulcos traçados por Pontes de Miranda. 142-143. Só isto é CRISPIN. A maior parte dos processualistas. em qualquer fase do processo. Os defensores dessa corrente aplicam a máxima de que. e a questão por ela solvida se não possa reanimar ao depois. São Paulo: Editora Pilares. manifeste a justiça local sobre debate suscitado pelas partes sua palavra derradeira. 144. São Paulo: Revista dos Tribunais. também definitivas. em suma. 4 SILVA. 101. Apud: MANCUSO. Recurso Extraordinário e Recurso Especial. e se a decisão entre em testilhas com outras. José Afonso da. Menciona ainda as elucidativas palavras de José Afonso da Silva 4 sobre o tema: Não há cogitar se se trata de processo de jurisdição voluntária ou de jurisdição contenciosa. n.17 Reinaldo 2 são adeptos da linha de pensamento segundo a qual o termo “causa” deve ser entendido como lide. 2006. qualquer das hipóteses previstas no art. Rodolfo Camargo Mancuso 3 cita a posição abraçada pelo Min.

18

pressuposto dele. A natureza, o tipo de processo não constitui seu pressuposto.

Não obstante, são incabíveis os recursos extraordinários em correição parcial e contra as decisões exaradas em procedimentos administrativos. A título de ilustração quanto a estas, destacam-se as Súmulas 637 e 311, do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, que, respectivamente, dispõem deste modo:

Não cabe recurso extraordinário contra acórdão de Tribunal de Justiça que defere pedido de intervenção estadual em Município. Os atos do presidente do tribunal que disponham sobre processamento e pagamento de precatório não têm caráter jurisdicional.

2.1.2 Decisões de única ou última instância

Da leitura do permissivo constitucional, o recurso especial é cabível contra decisões proferidas por Tribunais Regionais Federais ou Tribunais dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. Quer isso dizer que é inviável sua apresentação contra decisões de primeiro grau e proferidas pelos Colégios Recursais dos Juizados Especiais, que não se qualificam como tribunais por não terem assumido tal status, consoante se constata do rol elencado no art. 92 da Carta Maior acerca dos órgãos que compõem o Poder Judiciário.

A Súmula 203 do STJ exprime esse entendimento, como se verifica a seguir: “Não cabe recurso especial contra decisão proferida por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais”.

19

Diferentemente do apelo especial, o recurso extraordinário é cabível contra decisões judiciais proferidas em única ou última instância,

independentemente da natureza do órgão prolator; ou seja, desde que exauridas as instâncias ordinárias, cabe à Corte Maior zelar pelas corretas aplicação e interpretação da Carta Magna por qualquer decisão proveniente do Poder Judiciário.

A cristalização desse posicionamento restou firmada com a edição da Súmula 640 do STF, o qual preconiza que “É cabível recurso extraordinário contra decisão proferida por juiz de primeiro grau nas causas de alçada, ou por turma recursal de juizado especial”.

O ponto de convergência entre os apelos extraordinários, no particular, é que em ambos é necessário que se trate de decisão final, contra a qual não seja cabível qualquer tipo de recurso ordinário.

Transcreve-se, acerca da matéria, o teor das Súmulas 354, 355 do STF e 207 do STJ, que corroboram essa assertiva:

Em caso de embargos infringentes parciais, é definitiva a parte da decisão embargada em que não houve divergência na votação; Em caso de embargos infringentes parciais, é tardio o recurso extraordinário interposto após o julgamento dos embargos, quanto à parte da decisão embargada que não fora por eles abrangida; É inadmissível recurso especial quando cabíveis embargos infringentes contra o acórdão proferido no tribunal de origem.

Ressalta-se que, quando o recurso especial for aviado contra decisão interlocutória, ficará retido nos autos e apenas será processado se a parte o reiterar

20

no prazo para interposição do recurso contra a decisão final ou nas contra-razões, consoante preconiza o art. 542, § 3º, Código de Processo Civil.

Em caso de urgência, cabe à parte propor medida cautelar a fim de que seja destrancado o recurso. Tal medida deve ser ajuizada ao Presidente do Tribunal de origem se ainda não houver juízo de prelibação do recurso, ou, caso haja, proposta diretamente no Superior Tribunal de Justiça.

Esse Sodalício aplica, por analogia, as Súmulas 634 e 635 do Supremo Tribunal Federal, ao examinar a admissibilidade das cautelares. Eis o teor dos verbetes sumulares, na respectivamente:

Não compete ao Supremo Tribunal Federal conceder medida cautelar para dar efeito suspensivo a recurso extraordinário que ainda não foi objeto de juízo de admissibilidade na origem. Cabe ao Presidente do tribunal de origem decidir o pedido de medida cautelar em recurso extraordinário ainda pendente de seu juízo de admissibilidade.

2.2 CONTRARIAR OU NEGAR VIGÊNCIA A LEI FEDERAL OU TRATADO

Para o Min. Athos Gusmão Carneiro 5 , o recurso especial tem por função precípua “[...] garantir a boa aplicação da lei federal e unificar-lhe a interpretação em todo o Brasil [...]”, a fim de que o princípio da segurança jurídica reine soberano.

Contrariar e negar vigência não são sinônimos. Contrariar significa fazer o contrário, no caso, dar à lei ou ao tratado interpretação diversa da de sua natureza jurídica, emprestando ao preceito normativo sentido diferente do conferido pelo

MANCUSO, Rodolfo Camargo. Recurso Extraordinário e Recurso Especial. 9 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 7.

5

pronunciouse nos termos a seguir: A contrariedade à lei é bastante ampla. sua vontade. a compreensão dessas locuções é diversa: ‘contrariar’ tem uma conotação mais difusa.. menos contundente. foi de ampliar o cabimento do recurso ao Tribunal Superior de Justiça. porém. Rodolfo de Camargo Mancuso 6 assim se manifestou a respeito do assunto: Pensamos que ‘contrariar’ um texto é mais do que negar-lhe vigência. São Paulo: Saraiva. que é branco onde está escrito preto. já ‘negar vigência’ sugere algo mais estrito. em suma. ou quando. Negar vigência.3 CONCEITO DE LEI FEDERAL 6 7 Ibidem. p. por seu turno. 324-325.. Saraiva. a negativa de vigência.. . o aplicador da norma atua em modo delirante.) A intenção do constituinte. e bem assim quando a interpretamos mal e lhe desvirtuamos o conteúdo. 2. Vicente. negar vigência significa declarar revogada ou deixar de aplicar a norma legal federal. 324 . na prática a ocorrência de um dos dois ou de ambos (contrariedade ou negativa de vigência) acarreta o mesmo resultado. p. 221-222. por sua vez. p. ou da finalidade que lhe inspirou o advento.. (Direito Processual Civil Brasileiro. distanciando-se de todo do texto de regência. mais rígido. Isso ocorrerá se o recurso estiver suficientemente fundamentado. finalmente. em certa medida. Negamos-lhe vigência.325) Embora exista distinção entre os termos. atendendo aos reclamos de certas correntes que lamentavam a excessiva rigidez do cabimento do recurso extraordinário. o outro. quando declinamos de aplicá-la. Vol. Contrariar a lei é. além de negar vigência. Vicente Greco Filho 7 . seguindo a mesma senda.. segundo. quando a exegese implica em admitir. São Paulo. consiste em deixar de aplicar um texto legal que deveria ser observado. aliás. chegando mesmo a abarcar.] De qualquer maneira cabe a distinção: contrariar a lei significa desatender seu preceito. a extensão daquele termo é maior. 1993. 6 ed. aberrante da fattispecie. Em primeiro lugar. (. GRECO FILHO. [. Direito Processual Civil Brasileiro. ou aplicamos outra. vol. abrangendo. também interpretar erradamente.21 legislador. 6 ed. 2. Contrariamos a lei quando nos distanciamos da mens legislatoris. 1993... revigorando a expressão contrariar a lei. 2. pois.

10. mas não em sua essência.10. pois não cuidam de matéria federal .06. quando versar matéria da competência legislativa dos órgãos federais”. Rel. Min. 1963. Rel. Min. a instrução normativa.gov. quando. DJU de 31.. Disponível em: <http://www.06. Castro Meira. tiver. Min. Assevera-se que as chamadas “leis federais de função local” . 9 SILVA. Vários são os precedentes oriundos do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema.] será lei federal. dentre eles. DJU de 7. Min.que são federais em sua origem.06. Cita-se também o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça acerca do assunto: 8 REsp 845. Min.11.436/RS. Luiz Fux. Do recurso extraordinário.436/RS. Humberto Martins. Luiz Fux. Humberto Martins. Castro Meira.10. Teori Albino Zavascki. Rel. REsp 653.931/SC. RESP 815. reproduzem-se as palavras de José Afonso da Silva 9 : “[. natureza de direito federal. Acesso em: 10.não ensejam a interposição do recurso especial. 175.9. RESP 815. DJU de 7. também. a portaria..123/SC. REsp 845.10. . regulamento. DJU de 5. São Paulo: Revista dos Tribunais. Rel. Rel.22 Encontram-se abrangidas pela expressão “lei federal” as seguintes espécies normativas: lei. A esse respeito. direito estrangeiro e medida provisória.11. Min.233/RS. DJU de 31.br/SCON/ >. quando se enquadrar na competência normal da União.06. DJU de 28. Min.06 8 . José Afonso da.9. DJU de 28. DJU de 5. Rel. Rel. Teori Albino Zavascki. Rel. o regimento interno dos Tribunais e os provimentos da Ordem dos Advogados do Brasil. Excluem-se a resolução.233/RS.931/SC. Min.10.123/SC. REsp 855. tendo origem federal. REsp 653. p.06.06.06. a circular. REsp 855.stj. isto é. decreto.07.

Disponível em: <http://www. DJU.038/DF. Acesso em: 10.gov. ao discorrer a respeito da temática em análise.23 RESP .br/SCON/>.4 ATO DE GOVERNO LOCAL CONTESTADO EM FACE DE LEI FEDERAL Antes da Emenda Constitucional nº. 324. J. permaneceu com o Superior Tribunal de Justiça. III. de 20. A LEI DO DISTRITO FEDERAL. INCIDENCIA LOCAL. E. 2005. a redação da alínea “b” do inciso III do art. Rel. São Paulo: Revista dos Tribunais. Legislativo e Judiciário. por seu turno. Min. Com essa Emenda. PORÉM. Luiz Vicente Cernicchiaro. E. Carta Magna. 11 . 45/2004).CONSTITUCIONAL . 102. asseverou assim: 10 EREsp 116. O RECURSO ESPECIAL (EREsp 116. 105 da Constituição Federal era a seguinte: “julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face de lei federal”. DJU. p. TINHA ORIGEM FEDERAL.RECURSO ESPECIAL . MESMO QUANDO COMISSÃO DO SENADO FEDERAL A ELABORAVA.98) 10 . ALVIM.4.98. há os atos administrativos latu sensu. Reforma do Judiciário: Primeiros Ensaios Críticos sobre a EC n. Luiz Vicente Cernicchiaro.10. a hipótese em que a decisão recorrida “julgar válida lei local contestada em face da lei federal” passou a ser da competência do Supremo Tribunal Federal. NÃO SE CONFUNDE A ORIGEM COM O CONTEUDO. Carreira. 45.stj.O RECURSO ESPECIAL VISA A INTERPRETAÇÃO DA LEI FEDERAL INFRACONSTITUCIONAL E BUSCA HARMONIZAR A JURISPRUDENCIA. Como “atos de governo local”. praticados pelos Poderes Executivo. Carreira Alvim 11 . A competência para apreciar os casos em que o decisum impugnado “julgar válido ato de governo local contestado em face da lei federal”. POR ISSO. INADMISSIVEL. Rel. 2.4. 45/2004. provenientes de município ou de Estado-membro. J. Alguns Aspectos dos Recursos Extraordinário e Especial na Reforma do Poder Judiciário (EC n.038/DF. de 20. de 2004. Min.07.DISTRITO FEDERAL – LEI LOCAL . com a inserção da alínea “d” ao art.

se a controvérsia se cingir ao exame de ofensa à norma de direito local. o apelo especial é cabível quando o tribunal de origem houver decidido a controvérsia à luz de dispositivo legal. os regulamentos etc. emanada do poder competente. sendo a expressão ‘ato de governo local’ indicativa dos atos praticados por agentes públicos estaduais e municipais. os prefeitos. 2. aplicada por analogia pelo STJ.. como os governadores. o recurso especial não será cabível. como preceitua a Súmula 280/STF. será cabível pedido de uniformização de jurisprudência nos moldes do art. como as leis. compreendendo toda norma estadual e municipal. Observa-se que.24 A expressão ‘lei local’ tem sentido abrangente.5 DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL Nesse caso. os decretos. Eis o seu conteúdo: “Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário”. . pois tal fato atrai a súmula 13/STJ: “A divergência entre julgados do mesmo tribunal não enseja recurso especial”. dotados de certa parcela de poder. 476 e dos seguintes do Código de Processo Civil. Caso a dissonância de entendimento se dê dentro de um mesmo tribunal. dando-lhe interpretação diversa da que lhe tenha conferido outro tribunal. Não é possível admitir recurso especial pela alínea “c” do permissivo constitucional em que se invoca como paradigma precedente emanado do mesmo órgão prolator do aresto recorrido. os secretários de governo etc. coativa e de observância gelar.

no recurso de embargos. evidenciar as circunstâncias que demonstrem a similitude fática entre os casos confrontados e a dissonância de entendimentos em seus julgamentos. oficial ou credenciado. cópia autenticada. faz-se necessário o cotejo analítico. Parágrafo único. ainda. Para tanto. 546. ou seja. não é suficiente a simples transcrição de ementas do aresto recorrido e dos paradigmas. conforme preceituado no art. o procedimento estabelecido no regimento interno. Deve. ou citando o repositório de jurisprudência. II – Em recurso extraordinário. em que houver sido publicada a decisão paradigmática. inclusive em mídia eletrônica. O recorrente deve provar a divergência levando aos autos certidão. O apelo especial aviado com fulcro na alegação de dissídio pretoriano deve ser elaborado de modo a comprovar a divergência nos moldes exigidos pelo art. 541 do CPC c/c o 255 do RISTJ. 546 do Código de Ritos: ART.25 Se a discordância ocorrer no âmbito dos tribunais superiores. divergir do julgamento da outra turma ou do plenário. da seção ou do órgão especial. é admissível a interposição de embargos de divergência. ou reproduzindo julgado disponível na rede mundial de computadores – Internet – com a indicação da respectiva fonte. É embargável a decisão da turma que: I – em recurso especial. divergir do julgamento de outra turma. Observar-se-á. É imprescindível a transcrição de excertos dos votos que tornem clara a semelhança .

mencionando as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos comparados (2º do art.404/SE. João Otávio de Noronha. 12 . bem como o distanciamento no desfecho dado a cada uma delas.br/SCON/>. além da juntada dos acórdãos tidos por paradigmas. REsp 784.07.07. Disponível em: <http://www. o apelo especial não será admitido. Acesso em: 10.11. Se a orientação do Superior Tribunal de Justiça for pacífica a respeito do tema sobre o qual foi suscitada a divergência.07) 12 . É este o teor da Súmula 83/STJ. Min. DJU de 12.gov. tendo se firmado no mesmo sentido da decisão recorrida.10.26 entre as hipóteses confrontadas. Rel. pois é indispensável. Reproduz-se trecho da ementa de julgado do Superior Tribunal de Justiça bastante esclarecedor quanto à temática: Para que seja viável recurso especial fundado na alínea ‘c’ da norma autorizadora. a qual dispõe: “Não se conhece do recurso especial pela divergência. que o recorrente realize cotejo analítico pormenorizado. quando a orientação do tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida”. não basta a mera transcrição de ementas.stj.404/SE. João Otávio de Noronha. Min.11. Rel. 255 do Regimento Interno do STJ) (REsp 784. DJU de 12.

3. Cabe àquele que não obteve a plena satisfação de sua demanda demonstrar a utilidade e a necessidade do manejo do recurso. ainda. o juiz ou o tribunal observará se estão presentes os pressupostos genéricos (aplicáveis a todas as espécies recursais) e os pressupostos específicos (aplicável a determinado recurso) necessários ao seguimento do apelo. Analisar-seão.2 INTERESSE RECURSAL O interesse para a interposição do recurso especial segue a regra estatuída no art. Nessa ocasião.3 TEMPESTIVIDADE . em seguida.27 3 REQUISITOS GERAIS DE ADMISSIBILIDADE APLICADOS AO RECURSO ESPECIAL Após interposto. o recurso passa pelo crivo do juízo de admissibilidade. 499 do Código de Processo Civil. aplicáveis ao recurso especial. os requisitos gerais de admissibilidade. no julgamento que deu origem ao acórdão proferido pelo tribunal. o terceiro prejudicado e o Ministério Público. mesmo que em parte. 3.1 LEGITIMIDADE É parte legítima para interpor o recurso especial aquele que sucumbiu. Poderão apresentar o apelo em comento. 3.

.276/06. o prazo para a interposição do recurso especial é de quinze dias contados da intimação do aresto recorrido. os apelos extraordinário e especial devem ser interpostos perante o Presidente ou o Vice-Presidente do tribunal recorrido. Ressalte-se que o Superior Tribunal de Justiça não admite a apresentação de recurso especial em outro órgão judicial que se utilize do sistema de protocolo integrado. com a redação a ele conferida pela Lei nº. caput. recurso não provido). A protocolização do apelo no Tribunal recorrido interrompe o prazo recursal. Diante da reforma do inciso III do art.que anteriormente previa a ocorrência da intimação com a publicação da súmula do acórdão no órgão oficial e posteriormente com a publicação do dispositivo do acórdão no órgão oficial -. que se dará com a publicação do dispositivo do acórdão no órgão oficial. Não é mais possível que a publicação contenha apenas o resultado do julgamento (ex: recurso provido. 506 do Código de Ritos . mesmo Diploma legal. 506. 508 do Código de Processo Civil. de acordo com o disposto no art.28 O recurso interposto após o prazo legalmente previsto para tanto não será conhecido em virtude de sua intempestividade. 11. De acordo com o art. consoante reza o art. Estatuto Processual. pois tal fato pode acarretar a nulidade da intimação. 541. é imprescindível que a publicação faça referência à solução concreta conferida à controvérsia por parte do tribunal. III. assim redigido: “O sistema de ‘protocolo integrado’ não se aplica aos recursos dirigidos ao Superior Tribunal de Justiça”. Ademais. como restou sumulado no verbete 256/STJ.

§ 2º DO CPC DESPROVIMENTO. 511.DESERÇÃO . todavia. Acesso em: 10.07. AgRg no Ag 695.COMPLEMENTAÇÃO INTEMPESTIVA .06.gov. nas instâncias especiais tal procedimento não será mais possível. Note-se.NEGATIVA DE PROVIMENTO . § 2º do CPC. DJU de 2. estará caracterizada a deserção se a complementação do valor do preparo do recurso especial não for realizada no prazo do art. 1 . que. que a abertura do prazo para a complementação do valor relativo ao preparo do recurso especial deve se dar no tribunal de origem. bem como do porte de remessa e retorno. Min. 511. Disponível em: <http://www. 2 . Após o transcurso do lapso temporal concedido.AGRAVO DE INSTRUMENTO . Jorge Scartezzini.br/SCON/>. DJU de 2.10. caso não o comprove.673/SP.Agravo regimental desprovido (AgRg no Ag 695. 13 . Deve ser realizado pelo recorrente.Segundo a jurisprudência desta Corte. A respeito do assunto.stj.06) 13 .4 PREPARO O preparo traduz-se no pagamento prévio das custas referentes ao processamento do recurso. Precedentes. Rel.673/SP. Rel. quedando-se inerte o recorrente.AGRAVO REGIMENTAL .5.29 3. tem-se por deserto o recurso.5. será aberto o prazo de cinco dias para que seja suprida sua insuficiência.APLICAÇÃO DO ART. Jorge Scartezzini. cita-se o seguinte: PROCESSO CIVIL . Se o preparo for recolhido a menor. poderá sofrer a pena de deserção (não-conhecimento do recurso por falta de preparo).AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL – PREPARO INSUFICIENTE . Min.

são dispensados do preparo. 3. quando o recorrente não recolhe. pelos municípios e pelas respectivas autarquias e pelos que gozam isenção legal. 511 do Código de Processo Civil. Releva-se que os recursos manejados pelo Ministério Público.] é deserto o recurso interposto para o superior tribunal de justiça. . há situações excepcionais que ensejam mais de um recurso. nos moldes do art. na origem.. quando um acórdão é exarado de modo não unânime no tocante a um ou mais pontos e de forma unânime relativamente a outro ou outros pontos. ao estatuir que “[. Assim.30 O enunciado sumular 182/STJ ratifica tal afirmação. pelos estados.5 ADEQUAÇÃO Conforme o princípio da unirrecorribilidade. também denominado unicidade ou singularidade. contra qualquer decisão recorrível. Não obstante. Por exemplo. será cabível recurso especial ou extraordinário para atacar a parte unânime e embargos infringentes para impugnar a parte decidida por maioria. a importância das despesas de remessa e retorno dos autos”. torna-se indispensável verificar a natureza do ato decisório para saber qual o recurso adequado para impugná-lo. pela União.. cabe apenas um recurso. para que se evite a ocorrência da preclusão (perda da faculdade de praticar algum ato processual no momento oportuno).

o prazo para recurso extraordinário ou recurso especial. momento em que voltará a ser contado de onde parou. resta suspenso até o julgamento dos embargos. 498. reproduz-se o teor do art. Conclui-se que a manifestação de embargos infringentes em face da parte não unânime do aresto possibilita que o prazo para o manejo do especial ou extraordinário seja sobrestado. constata-se que o prazo para o especial ou o extraordinário será contado da data em que se esgotar o lapso temporal para o aviamento dos embargos. seja dos pontos unânimes. Porém. o prazo relativo à parte unânime da decisão terá como dia de início aquele em que transitar em julgado a decisão por maioria de votos.31 No que concerne ao prazo. Quando o dispositivo do acórdão contiver julgamento por maioria de votos e julgamento unânime. se estes não houverem sido opostos. seja dos pontos não unânimes. comece a fluir. com a apresentação dos infringentes. nessa hipótese. . isto é. verifica-se que a interposição do recurso especial somente é adequada quando definido o julgamento pelo tribunal a quo. mas. desde que ele tenha se restringido à parte unânime. será considerado válido o recurso especial manifestado anteriormente. Além disso. se o aresto atacado não sofrer modificações mesmo após o julgamento dos infringentes. ficará sobrestado até a intimação da decisão nos embargos. 498 do Código de Processo Civil: Art. e forem interpostos embargos infringentes. Parágrafo único. relativamente ao julgamento unânime. Diante disso. Quando não forem interpostos embargos infringentes.

Nessa hipótese.32 Outro caso a comportar dois recursos ocorre quando o acórdão contiver fundamentos constitucionais e infraconstitucionais suficientes por si só à manutenção do julgado. Sob outro ângulo. 3.a demonstração do cabimento do recurso interposto.a exposição do fato e do direito. serão cabíveis. devolverá os autos ao Superior Tribunal de Justiça. § 2º. em petições distintas. CPC). . 543. CPC). 541 do Código de Processo Civil. encaminhará os autos ao Superior Tribunal de Justiça (art. 543.. para o julgamento do recurso especial” (art. CPC). também chamado de apelo raro. remeterá o feito ao Pretório. O presidente do tribunal realizará o juízo preliminar de admissibilidade de ambos separadamente e. após. nos casos previstos na Constituição Federal. encontram-se previstas no art. cujo conteúdo é o seguinte: Art. o recurso extraordinário e o especial. 541. concomitantemente. III . II .as razões do pedido de reforma da decisão recorrida. em decisão irrecorrível. “[. uma vez admitidos. § 3º..] se o relator do recurso extraordinário. encaminhará o processo ao STF sobrestando a apreciação deste (art. não o considerar prejudicial. que conterão: I . que julgará o recurso especial e. 543. O recurso extraordinário e o recurso especial. serão interpostos perante o presidente ou o vicepresidente do tribunal recorrido.6 REGULARIDADE FORMAL As regras formais a serem seguidas no recurso especial. se o relator considerar o recurso extraordinário prejudicial ao especial. Contudo.

5).33 Parágrafo único. inclusive em mídia eletrônica. A não-observância a tais diretivas implicará a inadmissão do recurso. Portanto. Quando o recurso for fundado em alegada divergência jurisprudencial. a petição deve conter a exposição detalhada do fato e do direito. as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados. em qualquer caso. o recorrente fará a prova da divergência mediante certidão. com indicação da respectiva fonte. do mesmo modo que não é possível aviá-lo na mesma peça que o recurso extraordinário. a demonstração do cabimento do apelo. cópia autenticada ou pela citação do repositório de jurisprudência. mencionando. ou ainda pela reprodução de julgado disponível na Internet. em que tiver sido publicada a decisão divergente. Quando o recurso fundar-se em dissídio jurisprudencial. oficial ou credenciado. . bem como a razão por que deve ser reformado o decisum atacado. é imprescindível que o apelo seja apresentado ao Presidente ou ao VicePresidente do tribunal recorrido. deverão ser seguidas as regras detalhadas no tópico relativo ao assunto (Seção 2. Ademais.

891/BA. É possível. aprecia-se tão-somente a presença dos requisitos formais necessários à admissão do recurso. como se observa a seguir: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO ACERCA DOS DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS SUSCITADOS E DO ART. adentrar o mérito do recurso..04. O Superior Tribunal de Justiça já se manifestou favoravelmente a essa prática.128/MG. 1º DO DECRETO-LEI 406/68. II. no juízo de admissibilidade realizado na origem. 1. DJU de 31. DO CPC. Agravo regimental desprovido. Min. AgRg no Ag 546.. No primeiro juízo de admissibilidade. NÃO-OCORRÊNCIA.] 4. 535. mencionam-se os seguintes julgados: AgRg no Ag 686. Rel. Hamilton Carvalhido.34 4 PARTICULARIDADES DO RECURSO ESPECIAL 4.1 DUPLO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE O recurso especial.12.969/RS. . Rel. percebe-se que em alguns casos o juízo de admissibilidade e a análise do mérito se confundem. OMISSÕES. Não obstante. o segundo é efetuado pelo tribunal superior. Rel. Na mesma linha. DJU de 5. pois o exame de admissibilidade pela alínea a do permissivo constitucional envolve o próprio mérito da controvérsia. [. VIOLAÇÃO DO ART.05. onde é interposto o apelo. Castro Meira. está sujeito a duplo juízo de admissibilidade: o primeiro é realizado pelo Presidente ou pelo Vice-Presidente do tribunal recorrido.5. Min. assim como o extraordinário. AgRg no Ag 531. não há incursão no exame de mérito.

Rel. As decisões de admissibilidade devem ser fundamentadas nos termos do art. Acesso em: 10.04.787/RJ. AgRg no Ag 531. PROCESSO CIVIL.2.075/RJ. Rel. Sálvio de Figueiredo Teixeira. Hamilton Carvalhido. Castro Meira. Min. Maria Thereza de Assis Moura. Impõe-se a transcrição de precedentes do Superior Tribunal de Justiça no ponto em que se pronunciaram sobre a questão: PROCESSO CIVIL. AÇÃO RESCISÓRIA. Min. Rel. AgRg no Ag 546.07) 15 .5.stj. Min. .07. Min. Maria Thereza de Assis Moura.075/RJ. Nesse sentido. AGRAVO REGIMENTAL.10.787/RJ. Sálvio de Figueiredo Teixeira.05.gov.O juízo de admissibilidade efetuado na instância a quo não vincula ou restringe o exame dos pressupostos recursais a ser realizado pelo relator na instância ad quem.br/SCON/>. DJU de 16. Paulo Medina. Rel. AgRg no Ag 228. Rel. DJU de 16.07. Acesso em: 10. Min. Constituição Federal.00..11. Min. ou não. Disponível em: <http://www.128/MG.. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. Enfatiza-se que o juízo prelibatório efetuado pelo tribunal de origem não vincula a corte superior. Min.11. 1 .Agravo improvido (AgRg no REsp 299. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. DJU de 4. DJU de 31. DJU de 12.2.9.04. DJU de 4. Rel. DJU de 5. [.gov.35 Min. dispõe que “A decisão que admite. Paulo Medina.10.04. com o exame dos seus pressupostos gerais e constitucionais”. AgRg no Ag 228.969/RS. JUÍZO PRÉVIO NA INSTÂNCIA A QUO. NÃO VINCULAÇÃO. 15 AgRg no REsp 299. 93.12. que verificará novamente se todos os requisitos de admissibilidade foram preenchidos. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Rel. INTEMPESTIVIDADE.07. o recurso especial deve ser fundamentada.br/SCON/>. DECISÃO 14 AgRg no Ag 686.00 14 . a Súmula 123/STJ.891/BA. DECISÃO MANTIDA POR SEU PRÓPRIO FUNDAMENTO. DJU de 12.] 4 . IX.stj.9. Disponível em: <http://www.

seu objeto será apenas a presença dos requisitos de cognição do recurso especial. A Súmula 283/STF é aplicável à espécie. José Arnaldo da Fonseca. XVIII.gov.11. DJU de 21. Min. a teor da alínea “c”. 557 DO CPC C/C ART. Disponível em: <http://www. com base em iterativo entendimento desta Corte. INSUFICIÊNCIA.11. pois foi editada em época em que competia ao Supremo Tribunal Federal examinar alegação de violação de Lei Federal e foi citada para reforçar a inaptidão do Recurso Especial. por analogia. [. 34. José Arnaldo da Fonseca.07. do permissivo constitucional. Agravo desprovido (AgRg no REsp 652. Min.487/DF..br/SCON/>. Na hipótese de inadmissão do apelo raro na instância ordinária. sequer no presente recurso. do inciso III do artigo 105. DJU de 21. AgRg no REsp 652. ART. Acesso em: 11. A decisão monocrática cuidou de demonstrar ainda a improcedência do mérito do pleito. qual jurisprudência juntada no Recurso Especial satisfaria às exigências legais e que não teria sido examinada. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. APLICAÇÃO POR ANALOGIA.487/DF. 16 . DEMONSTRAÇÃO.10. conforme relatado na decisão monocrática. a tese nele veiculada não refuta inteiramente os fundamentos do acórdão a quo. DUPLO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. Rel. Rel.36 MONOCRÁTICA. DO STJ. IMPROCEDÊNCIA DO MÉRITO.05. consoante ali explanado.05) 16 . COMPETÊNCIA DO RELATOR. O recorrente não demonstrou. SÚMULA 283/STF.stj. O artigo 255 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça exprime a relação dos veículos de publicação das decisões judiciais que permite a comprovação da divergência jurisprudencial. será cabível o agravo de instrumento para o Superior Tribunal de Justiça no prazo de 10 (dez) dias. pois. RECURSO ESPECIAL. ainda que fosse satisfatória a interposição do recurso.] O Recurso Especial está sujeito a duplo juízo de admissibilidade e a superação da primeira análise de prelibação não diminui em nada o âmbito de aferição da segunda..

a seguir. devem atender a algumas exigências legais particulares.1 IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE PROVAS . via de regra. se encontram inseridos em Súmulas do Superior Tribunal de Justiça e do Pretório. necessitam de requisitos peculiares. Isso sucede porque o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal não podem ser vistos como terceira instância. os requisitos específicos de admissibilidade. que. Analisar-se-ão. cuida-se de Cortes que zelam pela estrita observância e correta interpretação do Direito objetivo. por se tratarem de apelos excepcionais. que se abre após o esgotamento da instância ordinária. Na verdade. buscando a prevalência do princípio da segurança jurídica de modo a impedir o aumento da instabilidade judicial. encontram-se ainda os específicos. Os Sodalícios não se prestam a analisar o conteúdo fático-probatório dos processos submetidos a sua apreciação. Tanto ele quanto o recurso extraordinário. 5. por esse motivo. distintos dos demais recursos. para rever erros de julgamento dos magistrados de primeiro e segundo graus de jurisdição. indispensáveis ao conhecimento do recurso especial.37 5 REQUISITOS ESPECÍFICOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL Ao lado dos requisitos gerais. Objetivam uniformizar a jurisprudência pátria por meio do exame dos apelos que.

é possível de se realizar no âmbito do especial. a discussão em torno dos fatos narrados no feito.] a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial”. Por conseguinte. é vedada.38 No âmbito de recurso especial. Como observado. adotando-as sem discutir seu acerto ou seu desacerto para verificar se a interpretação dada às normas federais aplicáveis à espécie foi escorreita.1 Reexame de prova x valoração jurídica da prova Reexaminar a prova não é o mesmo que valorá-la juridicamente. que consigna que “[. . na instância especial. apenas as questões de direito serão dirimidas.1. o Superior Tribunal de Justiça se vale das premissas de fato fixadas pela Corte originária. Nesse sentido é a Súmula 07/STJ. Entretanto. Isso é o que se chama de valoração da prova. a qualificação jurídica de fatos incontroversos. pois para tanto seria indispensável o revolvimento das provas constantes dos autos. descabendo o reexame de matéria fática nessa via recursal... o que é denominado por alguns autores como revaloração (já que a valoração teria sido efetuada primeiramente pelo tribunal a quo). isto é. 5. descabe cogitar da existência ou da inexistência de fatos ou da sua caracterização. ou seja. a apreciação do conteúdo fático delineado no aresto impugnado a fim de enquadrá-lo no sistema normativo e assim chegar a determinada conseqüência jurídica.

Não-incidência da Súmula 7/STJ. a fim de se aferir se foram suficientes para eximir a responsabilidade do ente público. em decorrência de acidente em buraco (voçoroca) causado pelas águas da chuva. seu devido enquadramento no sistema normativo. esta Augusta Corte pode sair de sua posição de neutralidade. MORTE DE MENOR. pois se tornaria necessário o revolvimento do conjunto probatório dos autos. 2. desta perspectiva. e. O Superior Tribunal de Justiça. em que se pleiteia pensão vitalícia no montante de dois salários mínimos mensais e despesas de funeral. inadmite a discussão a respeito de fatos narrados no processo . é coisa diversa. ou seja. a existência da voçoroca e sua potencialidade lesiva era de ‘conhecimento comum’. 3. A instância especial. podendo ser aferida neste âmbito recursal. em julgado esclarecedor proferido nos Autos de ação indenizatória fundada na responsabilidade civil do município de Costa Rica. Entretanto. por suas peculiaridades. Na segunda. do Supremo Tribunal Federal. Reproduz-se a ementa do aresto: RECURSO ESPECIAL. dispondo-se a apurar se houve ou não a infração de algum princípio probatório. Ação indenizatória proposta em face do Município de Costa Rica/MS. traçou a distinção entre reexame de prova e sua valoração jurídica nos seguintes termos: A primeira hipótese diz respeito à pura operação mental de conta. CASO FORTUITO E FORÇA MAIOR.vale dizer. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. . o que afasta a 17 Ministro Vilas Boas.39 O Ministro Vilas Boas 17 . peso e medida. de controvérsias relativas à existência ou inexistência de fatos ou à sua devida caracterização -. a qual é imune ao controle excepcional. ADMINISTRATIVO. NÃOINCIDÊNCIA. a qualificação jurídica de fatos incontroversos. ACIDENTE EM BURACO (VOÇOROCA) CAUSADO POR EROSÃO PLUVIAL. tirar alguma conclusão que sirva para emenda de injustiça porventura cometida. 4. SÚMULA 7/STJ. 1. INEXISTÊNCIA. pontificou que seria possível a análise dos atos praticados pela municipalidade para evitar o evento danoso (fatos esses incontroversos registrados no acórdão recorrido). In: RTJ 32/703. exatamente porque se envolve na teoria do valor ou conhecimento. para deles extrair determinada conseqüência jurídica. Segundo o acórdão recorrido. pela morte de filho menor. INDENIZAÇÃO.

ensejadora da responsabilidade subjetiva. Rel. 2003.542/MS. a partir da data em que a vítima completaria 14 anos de idade (28 de agosto de 1994) até o seu 25º aniversário (28 de agosto de 2005). justificando REsp. Nas situações em que o dano somente foi possível em decorrência da omissão do Poder Público (o serviço não funcionou. Ed. 135. o Direito aplicado ao caso concreto não corresponderá à vontade abstrata da lei.br/SCON/. Embora a municipalidade tenha adotado medida de sinalização da área afetada pela erosão pluvial. Breno de..gov. DJU de 29. Rio de Janeiro. 5. deve ser aplicada a teoria da responsabilidade subjetiva. Acesso em: 11. Min. Os honorários advocatícios devem ser fixados em 10% sobre o valor atualizado da condenação. 27. deixou de proceder ao seu completo isolamento. com correção monetária plena.. o erro na valoração da prova que dá ensejo ao recurso especial consubstancia-se.br/doutrina/texto.07. 3ª ed. Castro Meira. DJU. 7.542/MS.40 possibilidade de eximir-se o Município sob a alegativa de caso fortuito e força maior. p. não pode ser ele o autor do dano.8. 135. 8. funcionou mal ou tardiamente). a ser apurado em liquidação de sentença. para a hipótese então apresentada. 6. Acesso em 11 out. Se não foi o autor. Rel.>. Min. O problema da valoração da prova em recurso especial.05) 18 . 9. 20 PAULA.asp?id=2415&p=2>. bem como de prover com urgência as obras necessárias à segurança do local. assim assevera: “[. fato que caracteriza negligência. Forense. 18 .05.com. na realidade. Nélson Luiz Pinto 20 . em erro de direito traduzido no fato de a Corte de origem ter decidido com base em prova vedada pelo direito positivo expresso. cabe responsabilizá-lo apenas na hipótese de estar obrigado a impedir o evento lesivo. deve a indenização ser fixada no montante de 2/3 do salário mínimo. já que essas excludentes do dever de indenizar pressupõem o elemento ‘imprevisibilidade’. Agravos e Agravo Interno.] se de uma equivocada valoração das provas resultar a errônea aplicação do Direito. Para o Ministro Athos Gusmão Carneiro 19 . sob pena de convertê-lo em ‘segurador universal’. calculado mês a mês.8. 19 Recurso Especial. de 29. 07. Disponível em: <http://www.stj. Recurso especial conhecido e provido em parte (REsp. por sua vez. Em atenção à jurisprudência da Corte e aos limites do recurso especial. Se o Estado não agiu.uol. Castro Meira.07. Disponível em: <http://jus2.

2 IMPOSSIBILIDADE DE INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULA CONTRATUAL Cumpre às instâncias ordinárias definir o alcance do negócio jurídico firmado entre as partes. Embora tênue a linha que separa o reexame de prova de sua valoração jurídica. . de valoração jurídica da prova: a) se a lei exige. Nas duas hipóteses. Nesse sentido reza a Súmula 05/STJ: “A simples interpretação de cláusula contratual não enseja recurso especial”.41 que. inexistirá reexame de prova. a existência de apenas duas invalida a prova. valoração jurídica. para que o Tribunal Superior possa. também caberá o apelo. o Superior Tribunal de Justiça detém a difícil tarefa de delimitá-la no momento em que realiza o juízo de admissibilidade. a partir daí. para a validade de uma prova técnica.sua adequação às regras jurídicas que a disciplinam. aplicar o direito à espécie. já aqueles nos quais se faz necessária a reapreciação da matéria de fato serão obstados. Assim. pois será analisado o aspecto extrínseco da prova . apenas os apelos que demandem a valoração ultrapassam a barreira do conhecimento. isto sim. 5. seja possível a revisão quanto à ‘razoabilidade na apreciação da prova’”. ocorrerá. um tanto vago. a assinatura de três peritos. b) se a lei exige que a prova de um fato seja feita por meio de escritura pública e o julgado aceita documento particular. mesmo nos sistemas mais ortodoxos. o que pode ser alegado em recurso especial. Convém citar dois exemplos que elucidam de forma satisfatória o conceito.

Direito Sumular. Tal restrição é perigosa. SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO. o que atrai a incidência das súmulas 5 e 7 do STJ. Agravo regimental provido parcialmente tão somente para excluir da decisão as disposições referentes aos honorários advocatícios 22 . Roberto.] 3. ANATOCISMO. contudo. p. No Sistema Francês de Amortização. São Paulo: Malheiros Editores. O entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça vem sendo. somente com detida interpretação das cláusulas contratuais e/ou provas documentais e periciais de cada caso concreto é que se pode concluir pela existência ou não de amortização negativa. BRASIL. os contratos. conseqüentemente.10.stj.07.. 10 ed. TABELA PRICE. é bom ponderar o excessivo apego à restrição a exame de contratos e. 5. [. 22 21 . das cláusulas contratuais.42 Comenta do jurista Roberto Rosas 21 sobre o enunciado: Entretanto.3 FUNDAMENTAÇÃO DO RECURSO ESPECIAL A falta de indicação precisa do dispositivo legal supostamente violado acarreta o não-conhecimento do especial quando ele for interposto com base na ROSAS. A restrição ao recurso especial em matéria contratual é desagradável. se partir do argumento de mera interpretação de cláusulas. Disponível em: <http://www. como se constata da leitura do seguinte precedente: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. reiteradamente reafirmado. Acesso em: 11. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 5 e 7/STJ.br/SCON/>. e lembrar que o enunciado fala em simples e não a qualificação jurídica ou a interpretação jurídica de uma cláusula contratual.. porque quase todo o Direito das Obrigações tem como uma de suas fontes.gov. 1. Superior Tribunal de Justiça. conhecido como Tabela Price. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 2000. 303.

quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles”. à manutenção do julgado. 5. da Súmula 283/STF: “É inadmissível o recurso extraordinário. art. impõe-se a aplicação. Ainda relativamente à deficiência da fundamentação. da Súmula 284/STF: “É inadmissível o recurso extraordinário. ou negou-lhes vigência). .43 alínea “a”. III. por si sós. 105. bem como quando as alegações confusas não possibilitem alcançar o exato significado da controvérsia. constitucional e federal. Nesses casos. porém não demonstra de que modo teria havido a alegada transgressão. não se pode esquecer que o apelo raro não será conhecido se o recorrente deixar de infirmar todos os fundamentos do aresto atacado. quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia”. Constituição Federal (sob o fundamento de que a decisão recorrida contrariou tratado ou lei federal. suficientes. NECESSIDADE DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO Há circunstâncias em que o aresto impugnado se sustenta em duplo fundamento.4 ACÓRDÃO RECORRIDO PROLATADO BASEADO EM FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS DE ORDEM CONSTITUCIONAL E INFRACONSTITUCIONAL. também por analogia. Tal falha no recurso acarreta a incidência. Nesse particular. O verbete também é aplicado quando a parte cita o preceptivo legal que entende violado. por analogia. ambos capazes de mantê-lo.

do contraditório. e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário”. uma vez que não há questão constitucional autônoma no acórdão hostilizado capaz de ensejar a interposição de recurso extraordinário. 544 do CPC). sob pena de não ter seu especial conhecido em virtude do disposto nesse verbete. do devido processo legal. e efetivamente houver ofensa à lei federal. VIOLAÇÃO REFLEXA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. De fato. será cabível apenas o especial. diante dessa situação. situações de ofensa meramente reflexa ao texto da Constituição. porém. as alegações de desrespeito aos postulados da legalidade. PERDA DOS DIAS REMIDOS. A hipótese não comporta sequer a aplicação da Súmula nº. dos limites da coisa julgada e da prestação jurisdicional podem configurar. pois a alegada . cumpre ao recorrente interpor agravo de instrumento (art. quando muito. se. ‘O Supremo Tribunal Federal deixou assentado que. circunstância essa que impede a utilização do recurso extraordinário. INEXISTÊNCIA DE OFENSA À COISA JULGADA.44 imperiosa a manifestação de recursos extraordinário e especial. quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional. qualquer deles suficiente. 126/STJ. 636 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 126 DO STJ. em regra. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA Nº. A esse respeito. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO Nº. pois a nãointerposição de um deles acarretará que o acórdão permaneça incólume quanto ao fundamento não atacado. assim redigida: “É inadmissível recurso especial. RECURSO ESPECIAL. Caso o recurso extraordinário não seja admitido na origem. 1. o recorrente apresenta tão-somente o recurso especial. para mantêlo. Se. 2. por si só. a violação à Carta Maior for apenas reflexa. transcreve-se o seguinte julgado da Corte Superior de Justiça: AGRAVO REGIMENTAL. EXECUÇÃO PENAL. incidirá o óbice da Súmula 126/STJ. da motivação dos atos decisórios. FALTA GRAVE.

João Otávio de Noronha.706/RN. Rel. 3. Rel. se o dispositivo de lei federal simplesmente reproduzir a norma constitucional. MATÉRIA DE CUNHO CONSTITUCIONAL. Rel. COMPENSAÇÃO. de 13. DJU.616/PR. 1. mutatis mutandis.10.07. Acesso em: 12.07).366/SP.11. A apontada violação dos artigos 49 e 97 do Código Tributário Nacional.8. Agravo regimental improvido (AgRg no Ag 927.772/RJ. confiram-se REsp 518. e 150. Agravo improvido (AgRg no REsp 721.8.gov. Min.br/SCON/>. Rel. 23 .706/RN. DJU.11. sob pena de violar a rígida distribuição de competência recursal disposta na Lei Maior. Luiz Fux. Min. Luiz Fux.gov. Paulo Gallotti. DJU de 20. Min. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. Refoge ao Superior Tribunal de Justiça intervir em matéria de competência do STF. DJU. Min. Disponível em: <http://www.07) 23 .06. § 3º. Acesso em: 12. 24 REsp 518.07. II. 2. Min. inciso I. 5. de 23. Paulo Gallotti. do enunciado nº.07. atraindo a incidência. Precedentes da Turma. DJU. e AgRg no REsp 817.772/RJ. 636 do Supremo Tribunal Federal. TRIBUTÁRIO.stj. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DO APELO EXCEPCIONAL.5 PREQUESTIONAMENTO AgRg no REsp 721. será cabível apenas o recurso extraordinário.. Por fim. João Otávio de Noronha.366/SP.3. da Carta Magna.. de 13. Disponível em: <http://www. Rel. João Otávio de Noronha.11. Na mesma esteira. IPI. de 20. Min.] 4.45 violação a coisa julgada. seria reflexa ou indireta. Rel.07.06 24 . DJU.stj. DJU.3.10. se ocorresse. de 26. e AgRg no REsp 817. [. Rel. Min. por reproduzir o disposto nos artigos 153.07. não enseja o conhecimento de recurso especial fundado na alínea ‘a’.br/SCON/>. PRESCRIÇÃO. de 26. Eis o pronunciamento do STJ nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL.

Por conseqüência. AUSÊNCIA. I .O prequestionamento da matéria objeto de impugnação no recurso especial deve ser compreendido como a manifestação do Tribunal recorrido acerca das questões cuja apreciação o recorrente pleiteia na via especial ou extraordinária. REEXAME DE MATÉRIA DE FATO. não resta atendido esse requisito indispensável.46 O prequestionamento surgiu com o fim precípuo de uniformizar a jurisprudência a respeito das questões de Direito federal originadas em grau de jurisdição inferior. traduz-se na exigência de que a matéria aventada no recurso especial tenha sido debatida no voto vencedor do aresto recorrido. doutrinadores e profissionais do Direito o requisito mais importante dos apelos excepcionais. necessária análise do tema de modo a elucidar qualquer tipo de dúvida a ele referente. Por isso. cita-se acórdão do Superior Tribunal de Justiça que bem definiu o significado do requisito: AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSSIBILIDADE. CONCEITO. para interposição do recurso especial.5. Se a matéria inserta nos dispositivos legais apontados como violados não foi ventilada no v. PREQUESTIONAMENTO. LEI FEDERAL. a Corte originária tem de haver emitido juízo de valor sobre o tema em torno do qual gravita o dispositivo de lei federal tido por violado. PORTARIA. prequestionamento significa debate ou discussão anterior. RECURSO ESPECIAL. acórdão recorrido. O prequestionamento.1 Conceito Do ponto de vista etimológico. Ilustrativamente. SÚMULA 07/STJ. o recorrente não pode inovar em suas razões recursais. . 5. Este é considerado por juristas. NÃO-ENQUADRAMENTO. ou seja.

.341/RS. DJU. São Paulo: Dialética. Rel. 5. aplicadas analogicamente pelo STJ: É inadmissível o recurso extraordinário. quando não ventilada. Min. mas do acórdão se extrai de forma inequívoca que a abordagem do julgado diz respeito à determinada norma 26 constitucional ou federal. 26 CAVALCANTE. seja explicitamente (indicando-se o texto constitucional ou federal e afirmando-se expressamente estar sendo atendidos os mencionados comandos) ou implicitamente (não há indicação expressa de norma constitucional ou federal.] o prequestionamento representa um ato complexo.07.5. Mantovanni Colares.07) 25 . Recurso Especial e Extraordinário. Cabe ressaltar igualmente as Súmulas 282 e 356 do STF. Rel. não pode ser objeto de recurso extraordinário. 109.07. da matéria constitucional e/ou federal e III) vinculação entre a matéria constitucional e/ou federal com a discussão jurídica versada na causa.11. sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios.47 II .10. de 19. DJU.. 2003. não se presta a resolver litígios que demandem o reexame de matéria fática ou do material probatório. Disponível em: <http://www. Min.11. III . 25 .A portaria não se enquadra no conceito de lei federal para fins de recurso especial. II) enfrentamento pelo tribunal. na decisão recorrida. de modo espontâneo ou por provocação. Agravo regimental desprovido. Felix Fischer.2 Origem histórica do prequestionamento AgRg no REsp 954. exigisse a abordagem da matéria pelas instâncias ordinárias.341/RS. Felix Fischer. O ponto omisso da decisão. por faltar o requisito do prequestionamento. porque voltado precipuamente à uniformização da interpretação e correta aplicação da lei infraconstitucional. pois exige: I) provocação da parte ou surgimento espontâneo da questão pelo julgador.stj. o prequestionamento não é ato que se concretiza somente com a provocação da parte.br/SCON/>. a questão federal suscitada. de 19.gov. Acesso em: 12. p. Destacam-se ainda as considerações tecidas pelo processualista Mantovanni Colares Cavalcante sobre o tema: [. Ou seja.O recurso especial. (AgRg no REsp 954.

lei federal ou ato feito ou autoridade exercida pelos Estados Unidos e a decisão é contrária ao título. 59. . segundo o direito ou segundo a eqüidade. Esse renomado Jurista. lei ou ato praticado por autoridade da União e a decisão é contrária a essa validade. tem a sua origem na Lei Judiciária (Judiciary Act) norte-americana... de 24 de setembro de 1789. direito. dispôs-se pela Judiciary Act deslocar para a Corte Suprema dos Estados Unidos à decisão ou resolução final. tratados ou leis dos Estados Unidos e a decisão é favorável á validade. Ao Supremo Tribunal Federal compete: [. nos seguintes termos: Art. Cooley observa que é essencial. reclamado segundo a Constituição. proferida em qualquer causa pelo mais alto Tribunal do Estado. ao discorrer sobre o assunto. ou onde se questiona sobre algum título. Esta lei admitiu das decisões da Justiça estadual recurso para a Corte Suprema. ou onde se questiona sobre a validade de uma lei ou de um ato cometido por autoridade de algum Estado. tratado. recurso que recebeu o nome de writ of error. as Constituições que se seguiram traziam a mesma regra. para a proteção da jurisdição nacional e para prevenir conflito entre Estado e autoridade federal.] § 1º.48 O prequestionamento foi previsto pela primeira vez na Constituição Federal de 1981. e a decisão do tribunal do Estado for contra ela. onde se questiona acerca da validade de tratado. que a decisão final sobre toda questão surgida com referência a ela fique com os tribunais da União. sob o fundamento de que repugna à Constituição. Para Alfredo Buzaid. pai do atual Código de Processo Civil. Das sentenças das justiças dos Estados em última instância haverá recurso para o Supremo Tribunal Federal: a) quando se questionar sobre a validade ou aplicação de tratados e leis federais. direito. era necessário que a questão fosse dirimida no decisum atacado. À exceção da Carta Política de 1967/69. assim se pronunciou: A idéia do prequestionamento tal como foi consagrada nos cânones constitucionais acima citados. e como tais questões devem surgir freqüentemente primeiro nos tribunais dos Estados. não sendo bastante alegá-la apenas no writ of error (tal como se exige atualmente). privilégio ou imunidade.

Alfredo.49 privilégio ou imunidade reclamado por qualquer das partes com base na constituição. ao tratarem dos recursos extraordinário e especial. Destarte. conforme a hipótese. a jurisprudência é uníssona e a doutrina é majoritária no sentido de sua necessidade. exigem que o aresto atacado cuide de matéria constitucional ou lei federal.802. ou negar-lhes vigência”. A justificativa para tal entendimento é de que tal exigência advém da própria natureza dos recursos raros. ou “der à lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal”. houve quem pregasse sua desnecessidade. Embargos no Recurso Extraordinário nº. malgrado a inexistência de previsão legal ou constitucional a respeito da exigência do requisito do prequestionamento. tratado. Os arts. . Todavia. III. 96. respectivamente. 102. Constituição Federal. consagrou a indispensabilidade do requisito. “julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal”. diferentemente das Cartas que a precederam – excetuando-se a de 1967/69 -. RTJ: 109/299-304.3 Prequestionamento explícito x prequestionamento implícito 27 BUZAID. aliada à orientação jurisprudencial e doutrinária acerca da temática. Por isso. não traz em seu bojo a previsão do prequestionamento. 5. lei ato ou autoridades. 27 A Constituição da República de 1988. a mens legis desses preceitos normativos. III e 105. O argumento dos defensores desse posicionamento era de que a atual Carta Magna apenas afirma que o recurso especial é cabível quando a decisão recorrida “contrariar tratado ou lei federal. sem fazer qualquer referência ao termo “questionar”.5.

PREQUESTIONAMENTO. Tal exigência. Acesso em: 12. EM CASOS EXCEPCIONAIS. de 24.br/SCON/>. III . SEJA IMPLÍCITO. DJU de 9.gov. SÚMULAS 211 DO STJ E 284 DO STF.stj. POIS NÃO NEGOU A POSSIBILIDADE DE ADMITIR-SE O PREQUESTIONAMENTO IMPLÍCITO. porém. considera suficiente o chamado prequestionamento implícito.3. ALÍQUOTA REDUZIDA. Transcrevem-se os seguintes precedentes que evidenciam o avanço de entendimento: posicionamentos antigo e atual do STJ. DA QUESTÃO FEDERAL SUSCITADA NO RECURSO ESPECIAL.EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NÃO CONHECIDOS (EREsp 28 6. Min. Antônio de Pádua Ribeiro. 28 AgRg no Ag 836273 / DF.854/RJ. Francisco Falcão. que.5. DJU.07.10.92) . TERMO A QUO DO BENEFÍCIO. O ACÓRDÃO EMBARGADO NÃO DISSENTIU DOS PARADIGMAS TRAZIDOS A CONFRONTO. foi sendo abrandada com o passar dos tempos pelo Superior Tribunal de Justiça. ADMITINDO-SE. A REGRA ADOTADA E A DO PREQUESTIONAMENTO EXPLÍCITO. SEJA EXPLÍCITO. atualmente. NECESSIDADE. IPTU.07. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. Rel. era necessário que o aresto vergastado houvesse mencionado expressamente o dispositivo constitucional supostamente malferido.50 Antigamente o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo exigiam o prequestionamento explícito da questão. O DENOMINADO PREQUESTIONAMENTO IMPLÍCITO. II . RECURSO ESPECIAL.NA ESPÉCIE. Disponível em: <http://www. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. Min. CINGIU-SE A INADMITIR A EXISTÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.ORIENTA-SE A JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO SENTIDO DA INDISPENSABILIDADE DO PREQUESTIONAMENTO DA QUESTÃO FEDERAL SUSCITADA NO RECURSO ESPECIAL. I . respectivamente: RECURSO ESPECIAL. ou seja. Rel. .

stj.10. dos artigos legais que entende o recorrente terem sido malferidos.gov. Incidência das súmulas 211 do STJ e 284 do STF. Carlos Britto.Agravo regimental improvido (AgRg no Ag 836. IV . ALEGADA AFRONTA AO INCISO II DO ARTIGO 5º E AO INCISO I DO ARTIGO 150 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Disponível em: <http://www. RECURSO EXTRAORDINÁRIO.12.6. Disponível em: <http://www.A indicação de dispositivo legal (artigo 333. por outro lado.stj.10. apreciar o conteúdo destes ou. Rel. Agravo regimental a que se nega provimento (RE-AgR 415. I. não admitido pela jurisprudência do Tribunal o chamado prequestionamento implícito (Súmula 282 e 356) (AI-AgR 617.07. Rel.07. entretanto.07. de 26. Sepúlveda Pertence. simplesmente. III . OFENSA INDIRETA OU REFLEXA. DJU de 26.br/SCON/>. tendo em conta que o prequestionamento meramente implícito não dá guarida ao recurso extraordinário.stj. conjuntamente. Disponível em: <http://www.10.296/GO.No âmbito deste Superior Tribunal de Justiça. AGRAVO REGIMENTAL. Min. do CPC).07) 29 . DJU. de 24. Acesso em: 15. Francisco Falcão.06. 29 . Sepúlveda Pertence.gov. nos embargos de declaração. Acesso em: 12. o Tribunal a quo pode enunciar os dispositivos e. Francisco Falcão.12.5.374/MG. Carlos Britto. 836273/DF.07. o prequestionamento pode ser explícito ou implícito. inviabiliza o conhecimento de tal parcela do recurso especial. não se enquadra como prequestionamento a simples invocação. Rel. DJU. poderá o Tribunal examinar diretamente a matéria constante dos regramentos legais indicados como violados. (grifos nossos) AgRg no Ag. (grifos nossos) Já o Pretório mantém até hoje a exigência do prequestionamento explícito. Min.06) 31 .6.07. deixou de cumprir o determinado no artigo 541 do CPC. Caso em que não há como afastar a incidência das Súmulas 282 e 356 desta Suprema Corte. Min.br/SCON/>. Acesso em: 15. II.Não tendo o recorrente demonstrado em que consistiria a omissão capaz de viabilizar a interposição do recurso especial pela violação ao artigo 535. conforme os julgados a seguir expostos: Recurso extraordinário: descabimento: ausência de prequestionamento dos dispositivos constitucionais tidos por violados. Rel.51 I . haveria óbice à apreciação do apelo extremo: Súmula 636 do Supremo Tribunal Federal.296/GO.273/DF. II . sem fundamentação coerente com o decidido.07) 30 .br/SCON/>. de 24. incidindo. DJU. do CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. Rel. ou seja. Min. 31 RE-AgR 415. de 14. DJU. DJU. de 14. Min. o teor da súmula 284/STF. Ainda que assim não fosse.gov. Min. Rel.374/MG. 30 AI-AgR 617.5.

a recusa implicitamente. consoante preconizado no art. mas simples insurgência em virtude de omissão perpetuada no aresto atacado. sendo suficiente que o tema a respeito do qual versa o dispositivo tenha sido analisado pela corte a quo. o prequestionamento explícito seria a enumeração expressa do artigo tido por violado e sua análise por parte do tribunal de origem. Em contrapartida. Para esse grupo de estudiosos. para os adeptos dessa corrente. Não se trata aqui de inovação de matéria. Há outra vertente segundo a qual o prequestionamento implícito ocorre quando a matéria se encontra debatida entre as partes no decorrer da relação jurídico-processual e o acórdão.52 Em termos de conceituação. 5. 535.5. o prequestionamento explícito se daria quando houvesse decisão expressa a respeito do tema no aresto hostilizado.4 Embargos de declaração x pós-questionamento A ausência de carga decisória por parte do tribunal de origem a respeito de tema previamente suscitado enseja a oposição de embargos de declaração. na mesma linha do STJ. apesar de não explicitá-la em seu corpo. abraça a tese de que o prequestionamento implícito se consubstancia no exame da matéria relativa ao preceptivo legal tido por violado. Código de Ritos. Quer isso dizer que não é imprescindível a menção expressa ao artigo de lei porventura contrariado. . há uma corrente doutrinária que.

PÓSQUESTIONAMENTO. DJU. Min.br/SCON/>. STJ. a matéria não pode surgir nos embargos declaratórios. PREQUESTIONAMENTO.627SP. . porquanto os embargos de declaração não se prestam ao exame de questões novas.Embargos declaratórios opostos após a formação do acórdão. AGRAVO REGIMENTAL. MATÉRIAS ALEGADAS APENAS NAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.gov. não suscitadas na apelação e.02. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO.Não há omissão quando tanto o acórdão embargado quanto a decisão agravada citam vários precedentes contrários à pretensão da embargante.02) 32 . DELIMITAÇÃO DOS SUBSTITUÍDOS PARA FINS DE CONCESSÃO DE REAJUSTE. Não há ofensa ao artigo 535. TEMA CONSTITUCIONAL.8. 535. . Rel. de 26. 1. Min. mas pós-questionamento. Disponível em: <http://www. sim.627SP. nunca posterior.53 Assim.10. do Código de Processo Civil. modo de proceder não admitido. II. portanto. descabe falar em “pós-questionamento”. Rel. Na hipótese.8. deve. LIMITAÇÃO TEMPORAL.07. . AGRAVO DE INSTRUMENTO. DO CPC. Os julgados a seguir espelham o entendimento do Superior Tribunal de Justiça acerca do assunto: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OFENSA AO ART. NÃO-OCORRÊNCIA.stj. Humberto Gomes de Barros. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA DECIDIDA. . Humberto Gomes de Barros. porquanto o momento para suscitar a questão é sempre anterior ao decisum combatido. Nessa linha de raciocínio. não haveria prequestionamento. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. Acesso em: 15. IMPROVIDO.Embargos rejeitados (EDcl no AgRg no Ag 295. não devolvidas ao conhecimento do Tribunal a quo. ter sido previamente debatida pelas partes no decorrer do contraditório e aventada ao órgão julgador. inciso II.Não se admitem embargos declaratórios para rediscutir questão apreciada no acórdão. de 26. SÚMULA 83. argüição de nova demanda por meio de aclaratórios com o fito de forçar a subida do recurso especial. 32 EDcl no AgRg no Ag 295. DJU. com o escopo de pré-questionar tema constitucional. . isto é.

gov. Min. I . Rel.07. ARROLAMENTO . Min.br/SCON/>. de 16. fazendo-se necessário o debate acerca dos temas tratados nos dispositivos legais. Rel.07. Min. o AgRg no Ag 589. DJU.10. A limitação temporal dos efeitos da condenação.933/SP.07) 33 . caberá à parte alegar negativa de vigência ao art.6.br/SCON/>. não foi oportunamente suscitada nas razões do apelo especial.INVENTÁRIOS DIVERSOS.688/SP. em se sentindo prejudicada. Maria Thereza de Assis Moura.INADMISSIBILIDADE .933/SP.A matéria constante dos artigos tidos como violados não foi ventilada no acórdão recorrido.06) 34 .07.06. de 11. Min.10. Castro Meira. interpor recurso especial com fulcro na violação ao artigo 535 do Código de Processo Civil.131/SP.6. além de não ter sido apreciada pelo acórdão a quo (Súmulas 282 e 356 do STF).11.518/SP. porquanto seu julgamento permaneceu silente a respeito do tema. TRIBUTÁRIO. não basta que a Turma Julgadora do Tribunal de origem tenha acolhido parcialmente os embargos de declaração. o enunciado sumular nº. o que impede o seu conhecimento nesta fase processual.10. Rel. 34 . verifiquem-se o REsp 983.gov.518/SP. Agravo regimental improvido (AgRg no Ag 874.stj. Rel.stj. ausente então o prequestionamento necessário ao conhecimento recursal pela alínea 'a' do permissivo constitucional. Disponível em: <http://www. Min. em que pese a oposição de embargos declaratórios. Acesso em: 15. por oportuno. Frise-se. João Otávio de 33 AgRg no Ag 874.07. Francisco Falcão. por se tratar de inovação não admitida pela jurisprudência desta Corte. AgRg no REsp 839. de 16. DJU.Saliento que. requerendo a nulidade do acórdão omisso. na espécie. Rel. estes não tiveram o condão de realizar o prequestionamento devido. Disponível em: <http://www. Nessa mesma linha. pois. DJU. de 11.RECURSO ESPECIAL . Francisco Falcão. DJU. III . II .Agravo regimental improvido (AgRg no REsp 839. como consignado no aresto do Superior Tribunal de Justiça assim resumido: PROCESSUAL CIVIL. 211 do STJ.54 2.SÚMULA 211/STJ. Rel. incidindo. para ver sanada a omissão e não insistir numa alegação de violação a dispositivos de lei que não foram objeto de discussão no julgamento. 3. 535 do Código de Processo Civil. Maria Thereza de Assis Moura. (grifos nossos) Caso o Tribunal permaneça silente sobre o tema suscitado. Min. Caberia à agravante.AGRAVO DE INSTRUMENTO IMPROVIDO . que mesmo tendo os recorrentes oposto embargos de declaração. DJU.ITCM COMPENSAÇÃO .10. QUE NÃO SE CONFUNDEM . para fins de prequestionamento. Acesso em: 15. de 8.

212/RJ. DJU. Franciulli Netto. ou seja.212/RJ. Rel.07. Min. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E IMPROVIDO. Rel. não foi apreciada pelo tribunal a quo”). 535 do Código de Ritos. malgrado a apresentação dos embargos declaratórios para tal fim. PROCESSUAL CIVIL. 1. qual ponto previamente suscitado teria permanecido sem exame e por que seria indispensável sua análise. COMPENSAÇÃO..] REsp 983. nos termos da Súmula 284/STF.05.6. DJU.gov.131/SP. o AgRg no Ag 385.10. EXECUÇÃO. 535 do Código de Ritos e argüir contrariedade ao dispositivo de lei federal não examinado pela instância ordinária. Se a parte não suscitar ofensa ao art. REAJUSTE DE 28. Min.9. DJU. Min. como se constata a seguir: DIREITO ADMINISTRATIVO. SÚMULA 284/STF.stj.03. Rel. 535. 35 . sem particularizar qual seria a suposta omissão do Tribunal de origem que teria implicado ausência de prestação jurisdicional. de 9.br/SCON/>. João Otávio de Noronha. de 19. do CPC.6. importa em deficiência de fundamentação. A indicação genérica de ofensa ao art. Min. [. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE OFENSA AO ART. DJU. Se nas razões recursais forem realizadas meras alegações genéricas no concernente ao preceito normativo.. COISA JULGADA. Castro Meira. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. o apelo não será conhecido. o AgRg no Ag 589. de 9.11. II. Franciulli Netto. o AgRg no Ag 385. DJU.55 Noronha.688/SP.9.05. 535 DO CPC. Rel. de 19. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. a despeito da oposição de embargos declaratórios.86%. o recurso não será conhecido em virtude do disposto na Súmula 211/STJ (“Inadmissível recurso especial quanto à questão que. Saliente-se que o recorrente deve demonstrar o motivo pelo qual entende violado o art. Acesso em: 15. de 8.07. aplicando-se à espécie a Súmula 284 do STF.03 35 . Disponível em: <http://www.

os embargos declaratórios . não mais encontra eco na jurisprudência daquela Corte. Transcreve-se a título ilustrativo: RECURSO . portanto. da Constituição Federal. 36 .11. Acesso em: 15. preliminarmente. considerada a explicitação contida no inciso LV do artigo 5.07. A ordem jurídica agasalha remédio próprio ao afastamento de omissão .56 5. mesmo que eles sejam rejeitados pela corte de origem.07). Min. Arnaldo Esteves Lima.asp>. DJU. extraordinário stricto sensu (STF). por sua vez. entretanto.91. Marco Aurélio. de nada adianta veicular no recurso de natureza extraordinária a matéria de fundo. Recurso especial conhecido e improvido (REsp 794.PREQUESTIONAMENTO PRESTAÇÃO JURISDICIONAL INCOMPLETA. 37 Ag 136. como pressuposto de recorribilidade de todo e qualquer recurso de natureza extraordinária .gov. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. mas na declaração de nulidade do acórdão tido 37 como omisso (Ag 136. A razão de ser do prequestionamento. de 20. Min.91) . Rel.NATUREZA EXTRAORDINÁRIA . Os julgados a seguir corroboram tal afirmação: PROCESSUAL CIVIL. DJU.9. apontando na direção da necessidade de alegar-se no extraordinário. Então.592/RS. a conclusão sobre a existência do vício desaguará não na apreciação da matéria sobre a qual silenciou a Corte de origem.378. Marco Aurélio. de 5. Arnaldo Esteves Lima. especial (STJ). que atualmente se atém aos termos a contrario sensu da Súmula 356/STF para considerar pré-questionada a matéria pela simples oposição de aclaratórios. Cumpre articular o mau trato aos princípios constitucionais do acesso ao Judiciário e da ampla defesa. Rel. de 5. Min. Tal posicionamento. Disponível em: <http://www.br/SCON/>. DJU. Acesso em: 15. Rel. Rel. de 20.10. transgressão aos princípios do livre acesso ao Judiciário e do devido processo legal e da ampla defesa. Persistindo o vício de procedimento e.07. REsp 794.sendo que a integração do que decidido cabe ao próprio órgão prolator do acórdão.stj. não havendo surtido efeitos os embargos declaratórios. DJU.está na necessidade de proceder-se a cotejo para dizer-se do atendimento ao permissivo meramente legal ou constitucional. sobre a qual não emitiu juízo o órgão julgador. Min.11. .br/portal/jurisprudencia/pesquisarJurisprudencia. Disponível em: <http://www.stf.07.revista trabalhista (TST).9. quando o tribunal a quo persistir na omissão quanto ao dispositivo constitucional previamente aventado. PREQUESTIONAMENTO.592/RS.378. 36 Há julgado do Pretório.gov.10.

1.6. Sepúlveda Pertence. por entendê-la inexistente. na hipótese da alínea a. É o que ocorreu. (grifos nossos) Nota-se que os embargos de declaração são cada vez mais opostos pelos advogados. Recurso extraordinário: inépcia: inocorrência.04. 14. por qualquer das partes. quanto à matéria relativa ao cerceamento de defesa: suscitada nos embargos de declaração opostos à sentença de primeiro grau.8. Rel. opostos esses. Min.06. DJU.que.gov. Min. de 31.98. se. Rel.04. 14. Rel. obscuridade ou contradição. se confunde com ‘as razões do pedido de reforma da decisão recorrida’ suficientemente delineados nas razões da recorrente. se tem por pré-questionada a matéria. DJ 16.11. não foi objeto de embargos de declaração. LXVII. porque não suscitada antes dos embargos de declaração à decisão de segundo grau.] (RE 231. 38 RE 231452 / PR.. Pertence.2. com o fito de evitar que o especial não seja conhecido por ausência de prequestionamento da matéria. ainda que se recuse o Tribunal a quo a manifestar-se a respeito (v. mediante embargos de declaração.07.98. Com relação..00.br/portal/jurisprudencia/pesquisarJurisprudencia. à contrariedade ao artigo 5º. [. indevidamente omitido pelo acórdão. nos seguintes termos: Art.10. nada mais se pode exigir da parte. não obstante. Sepúlveda Pertence. Os embargos de declaração interrompem o prazo para a interposição de outros recursos. Histórico da causa e demonstração do cabimento do recurso . permitindo-se-lhe. parágrafo único. de manifestação sobre ela (RE 210.>. a teor da Súm. a questão foi objeto da apelação e dos embargos declaratórios ao acórdão recorrido. Min. Tal fato pode acarretar a aplicação de multa prevista no art. mas.452/PR. Sepúlveda Pertence. RE 219934. Disponível em: <http://www. se recusa o Tribunal a suprir a omissão.8.57 I – O que. da CF. O Supremo Tribunal tem reafirmado a sua jurisprudência . Código de Processo Civil. possibilitando a perfeita compreensão da controvérsia. 356. se reputa carente de prequestionamento é o ponto que. interpor recurso extraordinário sobre a matéria dos embargos de declaração e não sobre a recusa. 538. DJU de 06.asp.g. DJU. Rel.04) . 2. . no caso. Min. de logo. Pl. no sentido de que. Recurso extraordinário: prequestionamento e embargos de declaração. DJ 19. Acesso em: 15.01).já assentada na Súm. DJU 19/6/1998). RICARDO LEWANDOWSKI. RE 210638. II . Gallotti. para viabilizar o recurso extraordinário. reagitada a questão constitucional não enfrentada pelo acórdão. no julgamento deles.07). 356 -. não suprido o requisito do prequestionamento. mesmo inexistindo omissão.638/SP. 38 de 31.stf. 538. contudo. 1ª T..Agravo regimental improvido (AI-AgR 648760/SP.

. Enfatiza-se. como no art. coisa julgada. que a matéria objeto do apelo especial deve ter sido debatida no voto condutor do acórdão vergastado. interesse de agir e possibilidade jurídica do pedido). 1º do Código de Defesa do Consumidor e no art. não apenas no voto vencido. Se a hipótese for essa última. cujo teor ora reproduzo: Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório. será afastada a multa e aplicada a Súmula 98/STJ.58 Parágrafo único. falta de caução ou de outra prestação). há que se verificar se os aclaratórios objetivam protelar o feito. incapacidade da parte. litispendência. incompetência absoluta. ou se visam tão-somente pré-questionar a matéria. a multa é elevada a até 10% (dez por cento). perempção. Quando manifestamente protelatórios os embargos. sob pena de ser obstado o recurso por falta de prequestionamento. inépcia da petição inicial. Essa a orientação da Corte Superior. nos pressupostos de desenvolvimento válido do processo (inexistência ou nulidade de citação. que assim sumulou o assunto no verbete 320/STJ: “A questão federal somente ventilada no voto vencido não atende ao requisito do prequestionamento”. declarando que o são. conexão.5 Prequestionamento e matéria de ordem pública As matérias de ordem pública podem ser encontradas nas condições da ação (legitimidade. no controle concreto de constitucionalidade das leis e nas questões assim expressamente definidas em lei. o juiz ou o tribunal. defeito de representação ou falta de autorização. Porém. 5. 426 do Código Civil de 2002.5. Na reiteração de embargos protelatórios. ficando condicionada a interposição de qualquer outro recurso ao depósito do valor respectivo. condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente de 1% (um por cento) sobre o valor da causa. ainda.

que. não se poderia impor. Porém. renove-se. Novamente terse-ia uma contraposição de valores: o imperativo público de um lado (devidamente normatizado) e tal requisito (que. WAMBIER. 134. 7. Apud NERY JÚNIOR. para o conhecimento de uma matéria relevantíssima de ordem pública. 39 . PARENTE. salvo melhor juízo. Há três correntes a respeito do assunto: uma parte dos doutrinadores considera impossível a análise de ofício de matéria de ordem pública no âmbito do recurso especial. Destaca-se o seguinte excerto do artigo elaborado por Eduardo de Albuquerque Parente. questiona-se a possibilidade de o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal apreciarem ex officio os preceitos de ordem pública. Aspectos polêmicos e atuais dos recursos cíveis e de outros meios de impugnação às decisões judiciais. sob pena de não se configurar o indispensável prequestionamento viabilizador do acesso às instâncias especiais.59 Sabe-se que as matérias de ordem pública são cognoscíveis de ofício pelo magistrado na instância ordinária. que se anteceda um fenômeno criado pela jurisprudência. é fruto da jurisprudência e da doutrina). p. intitulado “Os recursos e as matérias de ordem pública” 39 : De fato. ante a necessidade de boa justiça. Nélson. São Paulo: Revista dos Tribunais. Teresa Arruda Alvim (coords). Vol. Outra parte defende a tese segundo a qual não seria razoável se exigir o prequestionamento de matéria de ordem pública. “Os recursos e as matérias de ordem pública”. Eduardo de Albuquerque. pois o regime jurídico do apelo raro exige que as causas tenham sido decididas pelos tribunais inferiores. 2003. relativamente aos requisitos de admissibilidade dos recursos excepcionais. não se sujeitando à preclusão. qual seja o prequestionamento. não se encontra positivado. podendo ser relevada a necessidade do requisito em referência no particular. a exemplo do que ocorre na esfera ordinária.

Rel. ‘Tratando-se de norma de natureza processual. DIREITO SUPERVENIENTE E INTERTEMPORAL.525RS. ACÓRDÃO EXTRA PETITA. Citam-se a seguir os precedentes no sentido da desnecessidade do prequestionamento e os precedentes favoráveis à necessidade dele. mesmo que não tenha sido debatida nas instâncias ordinárias. José Delgado. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. 211/STJ.10. ART. imediatamente. RECURSO ESPECIAL.br/SCON/>. EXECUÇÃO FISCAL. 219.06) .07.12. <http://www. Teori Albino Zavascki. [.60 No âmbito da Corte Superior de Justiça. DJU de 40 18. a prescrição há ser decretada de imediato. Acesso em: 16. APLICAÇÃO. DO CPC (REDAÇÃO DA LEI Nº. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. respectivamente: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SUBSTITUIÇÃO DO DEVEDOR. 283/STF.stj. Disponível em: . 10. RECURSO ESPECIAL. tem aplicação imediata.525/RS. DJ de 10/04/2006). uns consideram dispensável o prequestionamento da matéria de ordem pública. 9. Min. Rel. 814696/RS. § 5º. CONTRATO PARTICULAR DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA. cabendo ao juiz da execução decidir a respeito da sua incidência.gov. por analogia. INCIDÊNCIA.06. SÚMULA Nº. POSTERIOR INCLUSÃO NA LIDE COMO ASSISTENTES. Rel. ou seja. Recurso improvido (REsp 855. Min. PROCESSUAL CIVIL.280/2006). DECRETAÇÃO DE OFÍCIO. tem-se direito superveniente que não se prende a direito substancial.] 7. 1ª Turma. 11. No sentido da necessidade do prequestionamento. 8.. devendo-se aplicar. há precedentes nos dois sentidos.12. HASTA PÚBLICA. Prescrição intercorrente declarada. José Delgado. outros o julgam imprescindível. SÚMULA Nº. Min. In casu. à hipótese dos autos’ (REsp nº. IMPOSSIBILIDADE.. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. EXECUÇÃO FISCAL. 40 Resp 855. Por ser matéria de ordem pública. FEITO PARALISADO HÁ MAIS DE 5 ANOS. PENHORA DE IMÓVEL. Execução fiscal paralisada há mais de 5 (cinco) anos. alcançando inclusive os processos em curso. a nova lei processual. DJU de 18. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.

PROCESSUAL CIVIL. inovar a lide.3. Trata-se de uma posição moderada. Há. Min. Min. 384.655/PR. Registre-se ainda que. Rel. Disponível em: <http://www. DJU. porém. Acesso em: 16. Francisco Falcão. 447. LAURITA VAZ. Min. DJ de 19/09/2005. INVIABILIDADE. 6. NECESSIDADE. Rel. 2. INEXISTÊNCIA DE QUAISQUER DOS VÍCIOS DO ART. Embargos de declaração rejeitados (EDcl no AgRg no Ag 691.402/PR. 3. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. 535 DO CPC. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Disponível em: <http://www. TEORI ALBINO ZAVASCKI. 128 e 460 do CPC. 42 EDcl no AgRg no Ag 691. 18. INOVAÇÃO DA LIDE.10. Rel. Min. 41 . mesmo em se tratando de matéria de ordem pública. Rel. Rel. 4.61 I . Não é possível. o indispensável requisito do prequestionamento viabilizador das instâncias extraordinárias. DJU. EDcl no AgRg no REsp nº. DJ de 29/11/2004. contradição ou omissão da decisão atacada. DJ de 23/05/2005. sob pena de não conhecimento do apelo pela ausência do prequestionamento. na qual se considera necessário o prequestionamento da matéria de ordem pública a ser argüida no apelo REsp 884.gov.10.06.stj. apesar de instado para tanto por meio dos aclaratórios. DJU 18. Teori Albino Zavascki. FRANCISCO FALCÃO. o que não ocorreu no presente caso. em sede de embargos de declaração.] III . REsp nº. 6.06) 42 . Incidência do verbete sumular nº.915/RO.06.. faltando-lhe. Min. Precedentes: REsp nº.br/SCON/>. 1. Teori Albino Zavascki. tem-se que a questão acerca de o acórdão recorrido ser extra petita não restou debatida pelo Colegiado de origem. [. viabilizador do acesso à instância superior dos recursos excepcionais.12.07. 211 deste STJ. Min.3.757/SC. Francisco Falcão. De acordo com o estatuído no art. DJU. Acesso em: 16. assim. são cabíveis embargos de declaração nas hipóteses de obscuridade.06) 41 . É indispensável o debate da questão jurídica pelas instâncias ordinárias. ainda que verse sobre matéria de ordem pública. Rel.No que se refere à suposta afronta aos arts. 734.gov.904/CE.757/SC. Rel. PREQUESTIONAMENTO.07. 535 do Código de Processo Civil.. um entendimento inovador que vem sendo adotado em alguns julgamentos do STJ. Min. invocando questão até então não suscitada.stj.Recurso especial não conhecido (REsp 884.br/SCON/>.915/RO.12. indispensável é o prequestionamento para o conhecimento do recurso em sede extraordinária.

Sob esse aspecto. mas se mitiga tal formalidade caso o recurso seja conhecido por outro fundamento. DJU.62 especial. por outros fundamentos. Assim. Rel. [.. por ser matéria de ordem pública.br/SCON/>. 1.RECONHECIMENTO EX OFFICIO.07Disponível em: <http://www. Castro Meira.gov. AUSÊNCIA. Rel. DJU.414MT. Disponível em: <http://www. Rel. 1. AUSÊNCIA DE CITAÇÃO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. A mais recente posição doutrinária admite sejam reconhecidas nulidades absolutas ex officio. se ultrapassado o juízo de conhecimento.. Min. só é possível flexibilizar a exigência do prequestionamento se o recurso especial ultrapassar. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.414MT.4. Acesso em: 17. Rel. Em temas de ordem pública.946PB.07.br/SCON/>. Agravo regimental improvido (AgRg no Resp 901. o que não é a hipótese dos autos. 43 . Eliana Calmon.4. Min. 2. conhecendo do recurso extraordinário.10. Castro Meira. 2. 44 AgRg no Resp 901.10. Acesso em: 17. DJU de 23.gov.07) 44 .PARQUE - ADMINISTRATIVO - DESAPROPRIAÇÃO NACIONAL DA CHAPADA DOS GUIMARÃES .3.ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM DO IBAMA .3. por outros fundamentos. aplicando o direito à espécie”.946/PB. abre-se a via do especial (Súmula 456/STF).] (REsp 841. PREQUESTIONAMENTO. julgará a causa. PROCESSUAL CIVIL. 2. a Corte observa a inteligência da Súmula 456 do Pretório Excelso que preceitua: “O Supremo Tribunal Federal. Eliana Calmon. Min.07.07. Min.stj. Eis os julgados que retratam tal orientação: PROCESSUAL CIVIL INDIRETA . conhecido o recurso especial.stj. o juízo de conhecimento (Súmula 456/STF). (grifos nossos) REsp 841. DJU de 23.07) 43 .

221/RO. 2. DJU. Rel. Min. WAMBIER. São Paulo: Revista dos Tribunais. DJU. Min. Paulo Gallotti. Min. 3ª Turma: AgRg no Ag 839. não se pode admitir a permanência de situações efetivadas em violação aos bens jurídicos considerados de interesse social. Aspectos polêmicos e atuais dos recursos cíveis e de outros meios de impugnação às decisões judiciais. 2003. o entendimento segundo o qual é necessário o prequestionamento de matéria de ordem pública (1ª Turma: AgRg no Ag 820. 2ª Turma: AgRg no Ag 725.5.07. 1ª Turma: AgRg no Ag 820. Rel.07. Rel. 12. Min.974/SP. Rel.07. conclui-se que o chamado “efeito translativo“ dos apelos. Rel.07. 2ª Turma: AgRg no Ag 725. DJU. Nancy Andrighi.905/SE. Min.07) 45 .860/RJ. 5ª Turma: AgRg no REsp 897. Apud NERY JÚNIOR.stj. Teori Albino Zavascki. Diante desse panorama. Min.160/RS. 12.gov. DJU.07. Rel. 28.905/SE. como são as questões de ordem pública inerentes ao processo judicial.6.974/SP. 5. DJU. Decorre desse raciocínio que o denominado efeito translativo encontra-se encartado na própria definição do princípio do devido processo legal. 24. 6ª Turma: AgRg no REsp 883. 2. 7. Min. Min. 24. tece as seguintes considerações sobre a questão: Indiscutivelmente. Vol.07. Min. Rel. DJU. Teresa Arruda Alvim (coords).160/RS.10.364/AP.07. nas Turmas dessa Corte de Justiça.9.9. 4ª Turma: AgRg no Ag 888. Acesso em: 17.07. Min. Rel.4.07.11. Disponível em: <http://www. 14. não alcança o recurso especial.06. Rel.364/AP. 447. Nancy Andrighi.br/SCON/>. DJU. Hélio Quaglia Barbosa. 515 do CPC.6. Teori Albino Zavascki.11. Rel.9. Laurita Vaz. consagrado no art. Min. Vito Antônio Boccuzzi Neto. 3ª Turma: AgRg no Ag 839. 5. conforme o posicionamento da Corte Superior. 14. Min. DJU. Paulo Gallotti.07. Rel. Hélio Quaglia Barbosa. 46 BOCCUZZI NETO.221/RO. João Otávio de Noronha. Laurita Vaz. no artigo intitulado “Recursos excepcionais – O prequestionamento e a matéria de ordem pública” 46 . Rel. 6ª Turma: AgRg no REsp 883. DJU. prevalece.5. Nélson. Vito Antônio. p. 5ª Turma: AgRg no REsp 897.9. 28.06. 45 . 4ª Turma: AgRg no Ag 888. “Recursos excepcionais – O prequestionamento e a matéria de ordem pública”. DJU.63 Não obstante. João Otávio de Noronha. DJU.860/RJ.4. DJU.

mas apenas compatibilizando sua aplicação à necessidade de prestigiar um processo judicial escorreito. no caso de matéria de ordem pública. segundo a qual a função social desponta como diretriz nos julgamentos. acredita-se que brevemente tal posicionamento moderado passará de opinião isolada para prevalente.64 Destarte. até porque se trata de caso de nulidade absoluta que poderá ensejar ação rescisória. prolongando indefinidamente o desfecho da relação jurídica controversa. conferirá mais efetividade ao Direito material tutelado. cada vez mais. vem sendo conferida aos processos. . obediente às diretrizes traçadas pela própria Constituição Federal. não se estaria negando efetividade ao princípio da hierarquia das normas. Com a nova visão que. A flexibilização das regras inerentes ao apelo especial.

a par dos requisitos gerais de admissibilidade aplicados ao recurso especial (legitimidade. que é a uniformização da jurisprudência pátria quanto à interpretação da lei federal. chegar a determinada conseqüência jurídica. o Superior Tribunal de Justiça não pode assumir o caráter de “Corte de Revisão” e examinar o feito de maneira ampla para rever erros de julgamento dos magistrados de primeiro e segundo graus de jurisdição. As razões recursais devem se ater à discussão jurídica.65 CONCLUSÃO O recurso especial é apelo de significativa importância. caso isso ocorra. se a questão se cinge à valoração jurídica de fato incontroverso. tempestividade. o recurso especial será admissível. contudo. Assim. uma vez observados. Por não se tratar de terceira instância. adequação e regularidade formal). possibilitarão à Corte de Justiça discutir teses atinentes a questões federais controvertidas. o apelo nobre apresenta requisitos específicos não exigidos dos demais recursos – à exceção do extraordinário – que. ou seja. preparo. incidirá a Súmula 07/STJ que veda o reexame de prova no especial. se o recorrente pretende ver analisado o esboço fático delineado no acórdão recorrido a fim de ajustá-lo ao sistema normativo vigente e. interesse recursal. com isso. Ademais. . haja vista seu fim maior. sem adentrar os fatos que permeiam o processo utilizando-os como fundamento.

seja pela falta de particularização de dispositivo legal supostamente violado.66 Embora seja tênue a linha a separar o reexame de provas da valoração jurídica dos fatos. seja pela indicação de preceitos normativos possivelmente contrariados sem explicitação do motivo pelo qual isso teria ocorrido. ainda encontrará óbice na Súmula 7/STJ. a interpretação de cláusula contratual. seja por argüições genéricas sem suporte jurídico. A existência de fundamentos autônomos de ordem constitucional e infraconstitucional no aresto impugnado impõe a interposição de recurso especial e . a incidência da Súmula 283/STF. fatalmente. também. aplicado por analogia pelo Superior Tribunal de Justiça. a diferença entre ambos é crucial no momento de admissão do apelo. Caso o apelo padeça de fundamentação. Inviável. a deficiência na fundamentação atrairá. também por analogia. O recurso que pleitear a apreciação de cláusula contratual esbarrará na Súmula 5/STJ e. ele será inadmitido com fulcro no verbete sumular 284/STF. sendo certo que as instâncias ordinárias devem definir o alcance do negócio jurídico realizado entre as partes para que o Superior Tribunal de Justiça possa aplicar o direito à espécie com base no estabelecido pela corte de origem. Na hipótese de o recorrente não combater todos os fundamentos do acórdão recorrido e cada um deles for suficiente à manutenção do julgado.

não houver apreciação do tema. . Caso este não seja apresentado. É inviável. no recurso especial. 535 do CPC . Quanto a matéria de ordem pública. isso caracteriza o chamado pós-questionamento.que cuida das hipóteses de cabimento dos embargos de declaração -. inadmitido para conhecimento do recurso especial. entretanto. bastando que a tese em torno do qual gravita o preceito legal seja examinada (prequestionamento implícito).67 extraordinário. caberá a oposição de embargos declaratórios para tanto. Apenas em caso de questão surgida no acórdão será possível opor embargos de declaração objetivando o exame de normas que porventura vieram a ser transgredidas com o posicionamento do tribunal a quo. Caso não haja análise da questão por parte do órgão jurisdicional. porém. deve-se indicar. aquele não será conhecido. O recorrente deve. aventar nos aclaratórios tema não suscitado anteriormente. o fato de existirem três correntes sobre sua admissibilidade em recurso especial no que concerne à necessidade de prequestionamento torna necessário cuidado especial quando o recurso cuidar desse tema. em virtude do que reza a Súmula 126/STJ. Se mesmo assim. Não é necessário haver pronunciamento expresso sobre o dispositivo legal (prequestionamento explícito). o art. desde o início. como contrariado. buscar a manifestação do magistrado a respeito da questão jurídica que pretende ver examinada.

Assim. ao final. . evidencia-se que. será mais seguro o resultado do juízo de admissibilidade. determinar a correta interpretação da lei federal aplicando-a à causa e definindo. o número de apelos obstados diminuirá consideravelmente e o mérito da demanda será apreciado. que é analisar as teses apresentadas para. de modo que o Superior Tribunal de Justiça poderá exercer sua função precípua. se forem seguidas as exigências relativas aos requisitos específicos do recurso especial. Nesse contexto.68 A melhor atitude para se evitar a negativa de seguimento do especial é buscar o pronunciamento da corte originária acerca da matéria de ordem pública. as diretrizes a serem seguidas pelos demais tribunais pátrios. Com isso. assim. estar-se-á proporcionando efetiva prestação jurisdicional e conferindo segurança jurídica aos jurisdicionados.

2006. Agravos e Agravo Interno. prática. Recurso Especial e Recurso Extraordinário. Teresa Arruda Alvim (coords). 409. São Paulo: Saraiva. 96. Recurso Especial e Extraordinário.69 REFERÊNCIAS ALVIM. LIMA. 7. Vicente. 6ª ed. Recurso Especial.doc>. Athos Gusmão. São Paulo: Revista dos Tribunais. extraordinário. Vol. Acesso em: BUZAID. Aspectos polêmicos e atuais dos recursos cíveis e de outros meios de impugnação às decisões judiciais. Aspectos Polêmicos e Atuais dos Recursos. São Paulo. Reforma do Judiciário: Primeiros Ensaios Críticos sobre a EC n. Editora Revista dos Tribunais. CRISPIN. Rio de Janeiro. Vol. 2003. GRECO FILHO. Direito Processual Civil Brasileiro. CARNEIRO. 3ª ed. Nélson. 45/2004). “Recursos excepcionais – O prequestionamento e a matéria de ordem pública”. Carreira. Apud NERY JÚNIOR. BOCCUZZI NETO. 2. WAMBIER. José Theophilo. 45/2004. São Paulo: Revista dos Tribunais. CAVALCANTE. José Edvaldo Albuquerque. 1993.802. E. Alguns Aspectos dos Recursos Extraordinário e Especial na Reforma do Poder Judiciário (EC n. 2005.br/revista/D622. Da admissibilidade do Recuso Especial e Extraordinário. J. BRANCO.tjdf. Alfredo. . 2000.gov. Rio de Janeiro: Editora Forense. Disponível em: <http://juris. RTJ: 109/299304. especial: teoria. Eduardo Pelegrini de Arruda Alvim. Vito Antônio. 2003. São Paulo: Dialética. jurisprudência e legislação.). 2006. 2003. p. Fernanda Fernandez Castelo. São Paulo: Editora Pilares. Embargos no Recurso Extraordinário nº. Nelson Nery Júnior e Teresa Arruda Alvim Wambier (coord. Mirian Cristina Generoso Ribeiro. Recursos ordinário. Do prequestionamento nos recursos especial e extraordinário . FLEURY. Editora América Jurídica. Mantovanni Colares.Súmula 356/STF X Súmula 211/STJ.

10. Aspectos polêmicos e atuais dos recursos cíveis e de outros meios de impugnação às decisões judiciais. São Paulo: Revista dos Tribunais. vol.asp?id=2415&p=2>. SILVA.uol. Apud NERY JÚNIOR. WAMBIER. 2006. Disponível em: <http://jus2. ROSAS. 10ª ed. Rodolfo Camargo. 7. Acesso em 11. 2006. São Paulo: Revista dos Tribunais. Breno de. José Afonso da. 9ª ed. Do recurso extraordinário.). O problema da valoração da prova em recurso especial.br/doutrina/texto. Teresa Arruda Alvim (coords.asp?id=9992>. “Os recursos e as matérias de ordem pública”. Roberto.70 MANCUSO. Nélson. Recurso Extraordinário e Recurso Especial. 2000. Apud: MANCUSO.07. São Paulo: Revista dos Tribunais. Direito Sumular.com.07. Eduardo de Albuquerque. PAULA. São Paulo: Revista dos Tribunais. MENDONÇA. 9ª ed. . PARENTE. José Afonso da. São Paulo: Malheiros Editores. Recurso Extraordinário e Recurso Especial. Rodolfo Camargo.br/doutrina/texto.com. Questões de ordem pública e a competência recursal dos tribunais de superposição.10. 2003. SILVA. Acesso em: 10.uol. Disponível em: <http://jus2. Paulo Halfeld Furtado de. 1963.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful