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Indice

Introdução........................................................................................................................................2

1.2.Objectivo geral...........................................................................................................................2

1.2.1.Objectivos específicos............................................................................................................2

1.3.Metodologia...............................................................................................................................2

2.Quadro teórico...........................................................................................................................3

2.1.A Descoberta de Kant............................................................................................................3

2.2.Crítica da filosofia de Kant....................................................................................................4

2.3.Da extensão do uso teorético-dogmático da razão pura.........................................................5

3.Conclusão..............................................................................................................................9

Bibliografia.............................................................................................................................10

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Introdução

A metafísica, que no passado foi considerada a rainha de todas as ciências, no mundo moderno
precisou de um novo conceito para se sustentar. Daí resulta a importância de Kant, pois foi ele
quem dividiu o mundo filosófico em fenómeno e nóumeno. Na visão kantiana, o fenómeno é
possível de ser conhecido, quando se encontra sujeito às formas a priori da sensibilidade, do
entendimento e da razão; o nóumeno, Kant denomina coisa em si, não podendo, em hipótese
alguma, ser conhecido, mas somente pensado.

O presente trabalho têm como tema: Da extensão do uso teórico – dogmático da razão pura.

1.2.Objectivo geral

Compreender o uso teórico – dogmático da razão pura de Kant

1.2.1.Objectivos específicos

 Descrever o uso teórico – dogmático da razão pura de Kant;


 Analisar a crítica da filosofia de Kant;
 Mencionar a descoberta de Kant em torno da filosofia transcendental.

1.3.Metodologia

Para a realização do presente trabalho, tive como base de recolha de dados, materiais
directamente ou indirectamente relacionados com o assunto, onde recorri a pesquisa
bibliográfica, assim como materiais disponibilizados na internet para posterior análise de
conteúdo.

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2.Quadro teórico

2.1.A Descoberta de Kant

No tempo de Kant, o mundo do conhecimento encontrava-se diante de duas correntes de


considerável destaque: o racionalismo dogmático e o empirismo céptico. Essas correntes
discutiam a origem do conhecimento, porém o rigor era igualmente válido em ambas as
argumentações. O racionalismo dogmático visava a conhecer seus objectos absolutamente a
priori, isto é, defendia com rigor a origem do conhecimento pela razão, fundamentado no
princípio das ideias inatas e no método dedutivo - matemático. Os dogmáticos acreditavam no
poder exclusivo da razão e apoiavam-se nos domínios dos juízos analíticos de explicação. Como
por exemplo: “o predicado B pertence ao sujeito A como algo que está implicitamente contido
nesse conceito A” (KANT, 1994, p. 42), formulamos um juízo de explicação que possui uma
verdade objectiva.

Ao contrário do racionalismo dogmático, o empirismo céptico fazia severas críticas à concepção


de ideias inatas e buscava compreender a ciência sempre por meio dos juízos sintéticos, a
posteriori, juízos de experiência. Tais juízos são capazes de acrescentar algo ao sujeito, porque
são progressivos e fornecedores de conteúdo empírico. Os empiristas cépticos defendiam o
conhecimento pela experiência e emitiam juízos de extensão, os quais possuem um predicado
como por exemplo “B está totalmente fora do conceito A, embora em ligação com ele” (KANT,
1994, p. 42).

Como pudemos observar, temos de um lado o juízo analítico (racionalismo dogmático), que
possui universalidade e necessidade, mas que é incapaz de nos acrescentar qualquer
conhecimento; de outro lado temos o juízo sintético (empirismo céptico), tirado da experiência,
que possui a capacidade de acrescentar conhecimentos devido ao fato de possuir um conteúdo de
experiência, mas que não posso, de modo algum, pensá-lo de maneira universal e a necessária.

Kant pretende superar essa dicotomia, pois tanto uma posição como outra acabaram por deixar
um abismo que divide as relações de conhecimento. As duas posições, o racionalismo dogmático
e o empirismo céptico, separaram a razão da matéria, os conceitos do conteúdo. É o próprio Kant
quem reconhece que “sem a sensibilidade, nenhum objecto nos seria dado; sem o entendimento,

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nenhum seria pensado. Os pensamentos sem conteúdos são vazios; intuições sem conceitos são
cegas” (KANT, 1994, p. 89). O conhecimento é, para Kant, síntese a priori. Somente a síntese a
priori pode reunir o fenómeno, que é intuído na sensibilidade e o conceito, que é efectivado no
entendimento. O fenómeno fornece uma multiplicidade nas formas da sensibilidade e as formas
do entendimento faz a síntese de maneira a fornecer a unidade. Logo, para que haja
conhecimento, precisamos tanto da experiência, fornecida pela nossa faculdade de sensibilidade,
como também do conceito, fornecido pela nossa faculdade de entendimento.

O conhecimento como síntese a priori é possível, uma vez que ele pode dar tanto a
universalidade e a necessidade rigorosa como a matéria ou conteúdo proveniente do mundo
exterior. Esta é a descoberta genial de Kant: o juízo sintético a priori, que reúne o conteúdo e a
forma. Portanto, a síntese concretizada por Kant supera, no entanto, através dos juízos sintéticos
a priori, a concepção racionalista dogmática pautada em juízos de explicação e a concepção
empirista céptica fundamentada nos juízos de extensão. Porém, a filosofia kantiana tem ainda o
objectivo de verificar a possibilidade de aplicação de tais juízos, ao mundo do conhecimento.
Somente assim, o filósofo poderia avaliar a validade de sua descoberta e formar as bases para
todos os seus pressupostos gnosiológicos.

2.2.Crítica da filosofia de Kant

A crítica kantiana termina por concluir a possibilidade de dissolver, com o seu método, até
mesmo a mais sólida e sutil Filosofia. Não resta dúvida de que o propósito de Kant foi, em suma,
elevar a crítica ao seu mais alto grau. Somente a crítica é capaz de “cortar pela raiz o
materialismo, o fatalismo, o ateísmo, a incredulidade dos espíritos fortes, o fanatismo e a
superstição, que podem tornar nocivos a todos e, por último, também o idealismo e o cepticismo,
que são sobretudo perigosos” (KANT, 1994, p. 30). Na actualidade a filosofia kantiana não se
resume, unicamente, na tentativa de superar o racionalismo dogmático e o empirismo céptico,
pois, ela têm ainda a pretensão de propor uma forma de razão que proceda criticamente sem
passividade.

O que chamamos crítica, em Kant têm fundamental importância para o universo do


conhecimento, pois ela acaba por descobrir na razão um uso regulador que é, portanto, o
reconhecimento da impossibilidade de se atingir os objectos cuja natureza é desprovida de

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conteúdo material. Na busca de resposta para esse problema, o próprio Kantismo entende que a
questão essencial levantada pela Crítica da Razão Pura é unicamente a “de saber até onde posso
esperar alcançar com a razão, se me for retirada toda a matéria e todo o concurso da
experiência” (KANT, 1994, p. 7).

Para KANT (1994), quando a razão tenta elevar à unidade os elementos ou seres de
pensamentos, ela de modo algum consegue seguir seu caminho sem cair, inevitavelmente, nos
erros, em argumentos sofísticos e sem fundamentos. Talvez a razão, segundo Kant, se encontre
diante do seu compromisso mais difícil, o “conhecimento de si mesma”. A metafísica não pode
conhecer com legitimidade e com validade as coisas em si. Portanto, segundo Kant, a razão deve,
necessariamente, ser entendida como crítica de si mesma.

2.3.Da extensão do uso teorético-dogmático da razão pura

Segundo KANT (1995: pgs.35-45), o âmbito do conhecimento teórico da razão pura não se
estende além dos objectos dos sentidos. Nesta proposição, considerada como juízo exponível,
estão contidas duas proposições:

1. A razão, enquanto faculdade do conhecimento das coisas a priori estende-se aos objectos
dos sentidos;
2. No seu uso teorético, é capaz de (produzir) conceitos, mas nunca um conhecimento
teorético do que não pode ser objecto dos sentidos.

À prova da primeira proposição pertence também, ao exame de como é possível um


conhecimento a priori de objectos dos sentidos, porque, sem isso, não podemos estar certos de se
os juízos acerca de tais objectos são efectivamente conhecimentos. Para que uma representação
seja conhecimento (conhecimento teórico), é preciso que o conceito e a intuição de um objecto
estejam ligados na mesma representação, de maneira que o primeiro seja representado tal como
ele em si contém a última.

Um conceito é um conceito tirado da representação sensível, isto é, se é empírico, contém como


característica, quer dizer, como representação parcial, algo que já estava compreendido na
intuição sensível e que só pela forma lógica, a saber, segundo a generalidade, se distingue da
intuição dos sentidos. Por exemplo, o conceito de um animal quadrúpede na representação de um

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cavalo. Mas, se o conceito é uma categoria, um puro conceito do entendimento, reside
inteiramente fora de toda a intuição.

Contudo, há que submeter-lhe uma intuição se ele houver de ser utilizado como conhecimento; e
se este conhecimento tiver de ser um conhecimento a priori, importa submeter-lhe uma intuição
pura e, certamente, em conformidade com a unidade sintética da apercepção do múltiplo da
intuição, a qual é pensada pela categoria, isto é, a faculdade representativa deve submeter ao
puro conceito de entendimento um esquema a priori, sem o que não poderia ter nenhum objecto
e, por conseguinte, não serviria para conhecimento algum.

O conhecimento dos objectos dos sentidos enquanto tais, isto é, por intermédio de representações
empíricas de que se é consciente (por percepções ligadas), é a experiência. Por consequência, o
nosso conhecimento teórico nunca vai além do campo da experiência. Visto que todo o
conhecimento teórico deve estar em consonância com a experiência, isso só é possível de uma ou
de outra maneira, a saber, ou a experiência é o fundamento do nosso conhecimento, ou o
conhecimento é o fundamento da experiência. Portanto, se existe um conhecimento sintético a
priori, a única saída é que ele deve conter as condições a priori da possibilidade da experiência
em geral.

A tarefa mais elevada da filosofia transcendental é, pois: como é possível a experiência? O


princípio de que todo o conhecimento não depende só da experiência concerne a uma quaestio
facti (questão facto), portanto, não vem aqui a propósito, e o facto é reconhecido sem hesitação.
Mas a questão de se ele se deve derivar unicamente da experiência, como princípio supremo do
conhecimento, é uma quaestio iuris; a resposta afirmativa introduziria o empirismo da filosofia
transcendental; a negação, o seu racionalismo.

O primeiro é uma contradição consigo mesmo; pois, se todo o conhecimento é de origem


empírica, então - sem prejuízo da reflexão e do seu princípio lógico, segundo o princípio de
contradição, reflexão que sempre é possível fundar a priori no entendimento e que sempre pode
admitir-se, o (elemento) sintético do conhecimento, que constitui o essencial da experiência, é
simplesmente empírico e só possível como conhecimento a posteriori; e a filosofia
transcendental é ela mesma uma absurdidade. Mas como, apesar de tudo, é impossível contestar
proposições que prescrevem a priori as regras da experiência possível, por exemplo, toda a

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mudança tem a sua causa, a sua estrita generalidade e necessidade, e assim também o seu
carácter sintético, o empirismo, que faz passar toda a unidade sintética das representações no
nosso conhecimento por simples questão de hábito, é de todo insustentável, e existe uma filosofia
transcendental solidamente fundada na nossa razão, pois, se, se quisesse representá-la como a si
mesma se aniquilando, introduzir-se-ia um outro problema, absolutamente insolúvel.

Como é que os objectos dos sentidos obtêm o nexo e a regularidade da sua coexistência de modo
a ser possível ao entendimento apreendê-los sob leis universais e a descobrir a sua unidade
segundo princípios, unidade que o princípio de contradição só por si não satisfaz, eis porque,
neste momento, se deve apelar inevitavelmente para o racionalismo. Todas as representações que
constituem uma experiência podem atribuir-se à sensibilidade, excepto uma só, ou seja, a do
composto enquanto tal. Visto que a composição não pode cair sob os sentidos, mas nós próprios
a devemos fazer, não depende então da receptividade da sensibilidade, mas da espontaneidade do
entendimento, como conceito a priori.

O espaço e tempo, subjectivamente considerados, são formas da sensibilidade, mas para deles,
enquanto objectos da intuição pura, se fazer um conceito (sem o qual nada a seu respeito
poderíamos dizer), exige-se a priori o conceito de um composto, por conseguinte, da composição
(síntese) do diverso, por consequência, a unidade sintética da percepção na ligação deste diverso,
unidade da consciência que, segundo a diversidade das representações intuitivas dos objectos no
espaço e no tempo, exige diversas funções para os ligar, e chamam-se elas categorias; e são
conceitos a priori do entendimento que, sem dúvida, por si sós, não fundam ainda nenhum
conhecimento de um objecto em geral, mas, sim, do que é dado na intuição empírica - o que
seria, então, a experiência.

Mas o empírico, isto é, aquilo pelo qual um objecto é representado, quanto à sua existência,
como dado, chama-se sensação (sensatio, impressio), que constitui a matéria da experiência e se
chama, quando ligada à consciência, percepção; a ela se deve ainda acrescentar a forma, isto é, a
unidade sintética da sua percepção no entendimento (forma que, por conseguinte, é pensada a
priori), a fim de suscitar a experiência enquanto conhecimento empírico; para isso, visto que não
percebemos imediatamente o próprio espaço e tempo como aquilo em que temos de assinalar,
mediante conceitos, o seu lugar a cada objecto da percepção, são necessários princípios a priori,

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segundo puros conceitos do entendimento, que provam a sua realidade pela intuição sensível e,
em ligação com esta, pela sua forma dada a priori, tornam possível a experiência, a qual é um
conhecimento a posteriori totalmente certo.

Contra esta certeza levanta-se, porém, no tocante à experiência externa, uma dúvida importante:
não de que o conhecimento dos objectos por meio dela seja talvez incerto, mas de que, se os
objectos que pomos fora de nós, não poderiam possivelmente estar sempre em nós e, assim, seja
impossível reconhecer com certeza algo fora de nós enquanto tal.

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3.Conclusão

Depois da elaboração do presente trabalho, a crítica da razão pura prova que as representações de
espaço e tempo são intuições puras, para Kant deveriam ser para servir de fundamento a priori, a
todo o nosso conhecimento das coisas, e pode-se a ela votar confiadamente, sem se preocupar
com as objecções.

A Crítica da Razão Pura teve como finalidade demonstrar os paralogismos e as antinomias


acerca das ideias da razão. Kant, demonstra a impossibilidade da metafísica em geral; no campo
da ética, ela possui um inestimável atributo. É no universo do conhecimento, que a metafísica
teve absurdas pretensões, entre elas a tentativa de, por meio da razão, elevar-se ao
incondicionado. A crítica surgiu como uma espécie de instrumento para demonstrar a
impossibilidade da metafísica enquanto ciência. Tal crítica deve, necessariamente, acompanhar
todo conhecimento, bem como os seus pressupostos gnosiológicos, para que o homem nunca
ultrapasse os limites exigidos pela experiência.

Segundo Kant, tem sido, de facto, tentar conhecer objectos transcendentes que somente podem
ser pensados, objectos que estão para além da realidade sensível, muito além do universo
condicionado pela experiência. A razão deve preocupar-se não com o mundo nouménico, mas
tão-somente com o mundo dos fenómenos.

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Bibliografia
KANT, Immanuel. CRÍTICA DA RAZÃO PURA. Tradução de Manuela Pinto dos Santos e
Alexandre Fradique Morujão; 3º ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1994.

KANT, Immanuel. OS PROGRESSOS DA METAFÍSICA. Textos Filosóficos, (Tradução:


Artur Morão). Edições 70, Lisboa. 1995.

José Henrique Alexandre de Azevedo. KANT E A FILOSOFIA: ensaio sobre o espírito da


filosofia de Kant. Kínesis, Vol. V, n° 09, 2013.

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