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FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS

GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA

Carlos Sérgio Chaves

Dannyelle Gomes de Oliveira Silva

Jhonata da Silva Souza

Marta Valéria Barros de Miranda

Michelle Ferreira da Silva

Tatiana das Neves Silva Alves

BULLYING

Feira de Santana
2010
CARLOS SÉRGIO CHAVES

DANNYELLE GOMES DE OLIVEIRA SILVA

JHONATA DA SILVA SOUZA

MARTA VALÉRIA BARROS DE MIRANDA

MICHELLE FERREIRA DA SILVA

TATIANA DAS NEVES SILVA ALVES

BULLYING

Trabalho apresentado a disciplina de TID 2, do Programa


de graduação em Psicologia, 2º semestre matutino,
Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC – Feira de
Santana.

Orientadora: Profª. Hellé Nice Terrível

Feira de Santana
2010
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 03
1.1 Significado da Palavra Bullying 04
1.2 Histórico 04
2 CONCEITO 06
2.1 Alguns Tipos de Bullying 06
2.1.1 Bullying escolar 07
2.1.2 Bullying familiar 08
2.1.3 Cyberbullying 09
2.2 Fatores de Risco 10
2.2.1 Principais personagens para o acontecimento do bullying 10
2.2.1. Agressor 11
1
2.2.1. Vítimas de bullying 12
2
2.2.1. Testemunhas de bullying 12
3
2.3 Consequências 13
2.3.1 Medidas preventivas 13
2.3.2 Intervenção e acompanhamento 14
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 15
REFERÊNCIAS 16
3

1 INTRODUÇÃO

Diante da problemática do presente trabalho, podemos observar o fenômeno


bullying e seus aspectos. O bullying atualmente tem sido analisado e discutido em
várias partes do mundo, muito tem se falado a respeito desse ato tão antigo e cruel.

Muito há a se falar deste tema “BULLYING”; sabe-se hoje das graves


conseqüências que durante muito tempo atribuía-se a outros fatores, e se
desprezava a crueldade de fatos que remetiam a um círculo infindável de agressões
físicas, psicológicas, sexuais, entre outras.

Hoje denota-se a importância de medidas reflexivas e concretas para a


escassez ainda que tardia desse fenômeno conhecido como bullying.
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1.1 Significado da Palavra Bullying

Segundo Cavalcante (2008, p. 01) a palavra bullying é derivada do verbo


inglês “bully” que significa usar a superioridade física para intimidar alguém, ação
baseada na força e no poder. Também adota aspecto de adjetivo, referindo-se a
“valentão”, “tirano”.

Há uma amplitude muito grande ao sentido da palavra bullying, sendo assim


observa-se uma grande dificuldade em se usar este termo em português que se
assemelhe e conceitue-o agregando todas as suas características. Segundo Neto
(2005, apud Medeiros, 2008, p.01):

A adoção universal do termo bullying foi decorrente da dificuldade em


traduzi-lo para diversas línguas. Durante a realização da Conferência
Internacional Online School Bullying and Violence, de maio a junho de 2005,
ficou caracterizado que o amplo conceito dado à palavra bullying dificulta a
identificação de um termo nativo correspondente em países como
Alemanha, França, Espanha, Portugal e Brasil, entre outros. (NETO 2005,
p.165).

1.2 Histórico

O bullying sempre existiu, é um fenômeno muito antigo, mas, os estudos


sobre a temática são relativamente novos. No final da década de 1970 o Professor
Dan Olweus iniciou seus primeiros estudos sobre a temática, na Universidade de
Bergen (MEDEIROS; ALEXANDRE, p.01, 2010). Segundo Silva (2010), ele realizou
uma pesquisa ampla na Noruega, após a imprensa noticiar, em 1982, o suicídio de
três adolescentes, com grande probabilidade de serem consequência do bullying
que sofriam.

Sua primeira pesquisa se baseou em um questionário aplicado a todos os


alunos da Noruega, com uma participação de 85% da população estudantil
do país. Sua amostra constituiu-se de 130 mil alunos, de 830 escolas. No
mesmo ano realizou um estudo paralelo usando o mesmo questionário com
17 mil alunos do terceiro ao nono ano, em três cidades da Suécia.Seus
estudos indicam que 15% dos alunos noruegueses estavam envolvidos em
problemas de bullying, como vítimas ou agressores. Aproximadamente 9%
eram vítimas (52 mil alunos) e 7% (41 mil alunos) eram agressores ou
bullies. Nove mil alunos (1.6%) eram vítimas e agressores.(SILVA;
REZENDE, 2010)
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A partir daí então começou a identificação e a visão do bullying como um


problema, com necessidades de providências tais quais outros. Contudo, o bullying
se firmou realmente e foi divulgado há mais ou menos de 20 anos, e chegou ao
conhecimento e a ser valorizado no Brasil, a partir de1990, informa Aramis Lopes
(2005).

Nas últimas décadas este fenômeno tem sido pesquisado por diversas áreas.
Por meio destas pesquisas sabe-se que a vítima de bullying pode desenvolver sérios
problemas psicossociais, ocasionando em suicídio, ou homicídio seguido de suicídio
(ANDO, 2005; FANTE, 2005; LISBOA, 2009; NETO, 2007; OLWEUS, 1993). O caso
mais famoso no mundo ocorreu em 1999, na cidade de Columbine, nos Estados
Unidos, onde um jovem de 18 e outro de 17 anos mataram 12 colegas e um
professor, deixaram 23 pessoas feridas e suicidaram. Este incidente inspirou o
documentário Tiros em Columbine (2002), do diretor Michael Moore, e Elefante
(2003), do diretor Gus Van Sant (MEDEIROS, 2010).
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2 Conceito

Há várias maneiras de se conceituar o bullying, porém todos chegam à


conclusão de que é um ato de crueldade, devido a sua maneira perspicaz e chance
mínima de defesa por parte da vítima, havendo repetidamente fatos em que ocorrem
uma exposição negativa da vítima, e uma sobrepujança, por parte do agressor.
De uma forma geral, o bullying se refere ao ato de todas as formas de
atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem
motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e
angústia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade
ou capacidade de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação desigual de
forças ou poder. (Camargo; Orson, 2010).
Para Cléo Fante (2005):

O termo inglês Bullying refere-se aos comportamentos violentos e


antissociais na escola, e a vontade constante de colocar outra pessoa sob
tensão e intimidá-la física e emocionalmente. Este processo se dá na
ambição do autor do bullying de assegurar sua dominação, numa violência
simbólica, por meio de ações físicas, verbais e agressivas repetitivas e
permanentes contra seus alvos. (FANTE, CLÉO, 2005 apud MEDEIROS)

Constantini (2004) acrescenta que o bullying além de ser um fenômeno que


expressa idéias de intimidação repetida, expõe a vítima a humilhação, agressão,
ofensas, gozação, emprego de apelidos, assédio, perseguição, isolamento,
discriminação, dominação, empurrão, violência física e destruição dos pertences das
vítimas deste fenômeno. (CONSTANTINI, 2004, apud MEDEIROS).

2.1 Alguns Tipos de Bullying

Segundo Camargo (2010):

O bullying se divide em duas categorias: bullying direto, que é a forma mais


comum entre os agressores masculinos; bullying indireto, sendo essa a
forma mais comum entre mulheres e crianças, tendo como característica o
isolamento social da vítima. Em geral, a vítima teme o (a) agressor (a) em
razão das ameaças ou mesmo a concretização da violência, física ou
sexual, ou a perda dos meios de subsistência.
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O bullying é um problema mundial, podendo ocorrer em praticamente


qualquer contexto no qual as pessoas interajam, tais como escola,
faculdade/universidade, família, mas pode ocorrer também no local de trabalho e
entre vizinhos. (CAMARGO, 2010)

De acordo com a Cartilha 2010 do Conselho Nacional de Justiça sobre o


Bullying as formas de bullying são:

• Verbal (insultar, ofender, falar mal, colocar apelidos pejorativos, “zoar”)

• Física e material (bater, empurrar, beliscar, roubar, furtar ou destruir pertences


da vítima)

• Psicológica e moral (humilhar, excluir, discriminar, chantagear, intimidar,


difamar)

• Sexual (abusar, violentar, assediar, insinuar)

• Virtual ou Ciberbullying (bullying realizado por meio de ferramentas tecnológicas:


celulares, filmadoras, internet etc.)

Dentre essas categorias podemos ressaltar os tipos mais comuns de bullying no


que se referem ao âmbito em que as agressões acontecem, como por exemplo:
bullying escolar, bullying familiar e o cyberbullying.

2.1.1 Bullying escolar

É o mais comum, e pode começar muito cedo. Camargo (2010) considera que
há uma tendência de as escolas não admitirem a ocorrência do bullying entre seus
alunos; ou desconhecerem o problema ou se negarem a enfrentá-lo. Esse tipo de
agressão geralmente ocorre em áreas onde a presença ou supervisão de pessoas
adultas é mínima ou inexistente. Estão inclusos no bullying os apelidos pejorativos
criados para humilhar os colegas.

Um problema grande em razão da proximidade é a insegurança por parte de


alunos que sofrem ou presenciam o bullying, não denunciam , silenciando por medo
de tornarem-se as próximas vítimas. Ao ocorrer isto sem uma efetiva intervenção, o
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ambiente escolar fica contaminado e os alunos, sem exceção são negativamente


afetados. (CAMARGO, 2010).

Segundo a Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à


Adolescência (ABRAPIA), é fundamental avaliar a natureza e a ocorrência do
bullying, pois o ambiente escolar é dinâmico e deve-se levar em consideração as
características socioeconômicas e culturais dos alunos.

As agressões atingem tanto o sexo masculino, quanto feminino. Hamze (2009)


destaca:

Os alunos (meninos), com uma freqüência muito maior, estão mais


envolvidos com o Bullying, tanto como autores quanto como alvos. Já entre
as alunas, embora com menor freqüência, o BULLYING também ocorre e se
distingue, principalmente, como método de exclusão ou difamação. Até um
apelido pode causar desmoronamento na auto estima de uma criança ou
adolescente. Apesar de não sofrerem diretamente as agressões, poderão
ficar aborrecidas com o que vêem e indecisas sobre o que fazer. Tudo isso
pode influenciar de maneira negativa sobre sua competência de adiantar-se
acadêmica e socialmente.

Camargo (2010) ainda relata que no Brasil, uma pesquisa realizada em 2010
com alunos de escolas públicas e particulares revelaram que as humilhações típicas
do bullying são comuns em alunos da 5ª e 6ª séries. As três cidades brasileiras com
maior incidência dessa prática são: Brasília, Belo Horizonte e Curitiba.

2.1.2 Bullying familiar

O seio familiar é onde muitas vezes começa o bullying. De acordo com uma
reportagem a Revista Psique, o médico pediatra Aramis Lopes Neto (2005) afirma a
respeito do bullying:

[...] a análise do contexto familiar traz à tona características diretamente


relacionadas à predisposição de um quadro de saúde mental delicado, cujas
motivações vão desde problemas com autoestima às reações psicopaticas
mais brutais.

Ele ainda sugere que dentro dessa lógica, a vítima apresenta dificuldades em
lidar com a situação e isto pode estar relacionado ao histórico de omissão familiar.
“Jovens que se tornam bode expiatório da família, que são alvo de lamentações
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familiares, que, por conta disso, apresentam baixa auto estima, acabam acreditando
que devem ser tratados assim mesmo na escola”, observa Aramis Lopes Neto
(2005). Ele traz a exemplo disso, que a existência de relações empobrecidas ou
inexistentes entre a família, dificulta o estabelecimento de referenciais de civilidade.

Em uma pesquisa realizada por Dieter Wolke e Muthanna M. Samara, ambos


da Divisão de Saúde Infantil da University of Bristol, no Reino Unido, [...]
constataram que vítimas em casa tinham maiores chances de se envolver com
bullying na escola em comparação com crianças que não são atormentadas por
seus irmãos relata a revista Psique.

2.1.3 Cyberbullying

É a forma mais abrangente do bullying, pois devido à capacidade de


amplitude das redes, tecnologias, e outros meios, esta forma de bullying toma
proporções gigantescas.

O problema do cyberbullying é que a perseguição extravasa os limites da


escola ou do trabalho, atingindo a rede mundial de computadores, o que aumenta
potencialmente a humilhação aplicada à vítima. Para isso são utilizados e-mails,
blogs, comunidades virtuais, páginas pessoais e sites de relacionamentos como
Orkut, Hi5 e Facebook, relata a jornalista Marla Rodrigues.

Ela ainda ressalta que ainda pior que os outros tipos de bullying, que tem
autores e responsáveis definidos, no cyberbullying a grande diferença também é que
tudo pode ser feito anonimamente, o que tem inspirado impunidade às pessoas que
o fazem. Mas é importante lembrar que facilmente esses agresores são descobertos
através de investigações policiais, podendo ser processados e julgados, sujeitos a
penas como pagar indenizações, prestações de serviços comunitários, e até mesmo
serem presos, dependendo das consequências do seu crime.

É importante que as vítimas guardem os objetos de crime como diálogos,


fotos e mensagens para poder denunciar e registrar queixa em uma
delegacia especializada em crimes eletrônicos ou, na falta desta, em uma
delegacia comum. É necessário imprimir e guardar todas essas provas e
fazer em cartório uma declaração de fé pública de que o crime realmente
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existiu ou lavrar uma Ata Notarial referente ao conteúdo ofensivo. Essas


ações garantem que suas provas tenham valor legal para o julgamento
do(s) culpado(s). (RODRIGUES; MARLA, 2009)
Ao contrário do que acontece com o bullying tradicional, para agredir de forma
virtual, não é necessário ser o mais forte, pertencer um grupo, ou ter coragem de se
manifestar em público, em qualquer lugar. Basta se ter acesso as mais variadas
fontes de tecnologias, como um acesso a celular ou a internet.(SANTOMAURO,
2010).

Luciana Ruffo (2010), do Núcleo de Pesquisa de Psicologia da Informática, da


Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), afirma na revista Nova
Escola que, no “bullying cara a cara, o agressor vê que a humilhação faz efeito
porque a vítima sofre em público. Agora, basta imaginar esse sofrimento para o
jovem se sentir realizado com a provocação virtual”.

Além disso, são inúmeros os vídeos que circulam na internet, ou fotos com
imagens de cenas que as vítimas aparecem em situações em que estão sendo
expostas a situações constrangedoras como agressões, exposições, montagens.

2.2 Fatores de Risco

Segundo Neto, fatores econômicos, sociais e culturais, aspectos inatos de


temperamento e influências familiares, de amigos, da escola e da comunidade,
constituem riscos para a manifestação do bullying e causam impacto na saúde e
desenvolvimento de crianças e adolescentes. Considerando-se que a maioria dos
atos de bullying ocorre fora da visão dos adultos, que grande parte das vítimas não
reage ou fala sobre a agressão sofrida, pode-se entender por que professores e pais
têm pouca percepção do bullying, subestimam a sua prevalência e atuam de forma
insuficiente para a redução e interrupção dessas situações.

A ABRAPIA identificou que 51,8% dos autores de bullying admitiram não


terem sido advertidos. A aparente aceitação dos adultos e a conseqüente sensação
de impunidade favorecem a perpetuação do comportamento agressivo.

2.2.1 Principais personagens para o acontecimento do bullying


11

A forma de classificação utilizada pela ABRAPIA teve o cuidado de não rotular


os estudantes, evitando que estes fossem estigmatizados pela comunidade escolar.
Adotaram-se, então, os termos autor de bullying (agressor), alvo de bullying (vítima),
alvo/autor de bullying (agressor/vítima) e testemunha de bullying.

2.2.1.1 Agressor

Algumas condições familiares adversas parecem favorecer o desenvolvimento


da agressividade nas crianças. Pode-se identificar a desestruturação familiar, o
relacionamento afetivo pobre, o excesso de tolerância ou de permissividade e a
prática de maus-tratos físicos ou explosões emocionais como forma de afirmação de
poder dos pais. Fatores individuais também influem na adoção de comportamentos
agressivos: hiperatividade, impulsividade, distúrbios comportamentais, dificuldades
de atenção, baixa inteligência e desempenho escolar deficiente, afirma Aramis A.
Lopes Neto (2005).

Neto (2005) ainda completa:

O autor de bullying é tipicamente popular; tende a envolver-se em uma


variedade de comportamentos anti-sociais; pode mostrar-se agressivo
inclusive com os adultos; é impulsivo; vê sua agressividade como qualidade;
tem opiniões positivas sobre si mesmo; é geralmente mais forte que seu
alvo; sente prazer e satisfação em dominar, controlar e causar danos e
sofrimentos a outros. Além disso, pode existir um "componente benefício"
em sua conduta, como ganhos sociais e materiais. São menos satisfeitos
com a escola e a família, mais propensos ao absenteísmo e à evasão
escolar e têm uma tendência maior para apresentarem comportamentos de
risco (consumir tabaco, álcool ou outras drogas, portar armas, brigar, etc).

É interessante ressaltar que muitas vezes os autores também são vítimas de


bullying, e é que se instituem os “Alvos/autores de bullying”

Conforme Fante (2003, 2005) e Lopes Neto (2005) os praticantes do bullying


são conhecidos como autores agressores. Aproximadamente 20% dos alunos
autores também sofrem bullying, sendo denominados alvos/autores. A combinação
da baixa auto-estima e atitudes agressivas e provocativas é indicativa de uma
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criança ou adolescente que tem, como razão para a prática de bullying, prováveis
alterações psicológicas, devendo merecer atenção especial. Podem ser depressivos,
inseguros e inoportunos, procurando humilhar os colegas para encobrir suas
limitações. Diferenciam-se dos alvos típicos por serem impopulares e pelo alto índice
de rejeição entre seus colegas e, por vezes, pela turma toda. Sintomas depressivos,
pensamentos suicidas e distúrbios psiquiátricos são mais freqüentes nesse grupo.
(NETO, 2005).

2.2.1.2 Vítimas de bullying

Para Fante (2003, 2005) e Lopes Neto (2005) os alvos, as pessoas


vitimizadas, geralmente sofrem as conseqüências do bullying e, na maioria das
vezes são descritas como pouco sociáveis, inseguras, possuindo baixa autoestima,
quietas e que não reagem efetivamente aos atos de agressividade sofridos.

São visados como alvos do bullying, incomodados por uma ou mais pessoas
constantemente de forma intencional e por ações negativas. Expostos a situações de
extremo desconforto, em geral, não dispõe de recursos, status ou habilidade para
reagir ou cessar o bullying. Geralmente, é pouco sociável, inseguro e
desesperançado quanto à possibilidade de adequação ao grupo. Sua baixa
autoestima é agravada por críticas dos adultos sobre a sua vida ou comportamento,
dificultando a possibilidade de ajuda. Tem poucos amigos, é passivo, retraído, infeliz
e sofre com a vergonha, medo, depressão e ansiedade. Sua autoestima pode estar
tão comprometida que acredita ser merecedor dos maus-tratos sofridos.

2.2.1.3 Testemunhas de bullying

Estão sempre no meio da situação, se encontrando entre o agressor e o alvo.


13

A maioria dos alunos não se envolve diretamente em atos de bullying e


geralmente se cala por medo de ser a "próxima vítima", por não saberem
como agir e por descrerem nas atitudes da escola. Esse clima de silêncio
pode ser interpretado pelos autores como afirmação de seu poder, o que
ajuda a acobertar a prevalência desses atos, transmitindo uma falsa
tranqüilidade aos adultos. (NETO)

Neto abrange seus relatos afirmando que grande parte das testemunhas
sente simpatia pelos alvos, tende a não culpá-los pelo ocorrido, condena o
comportamento dos autores e deseja que os professores intervenham mais
efetivamente. Cerca de 80% dos alunos não aprovam os atos de bullying. Essa
forma de não reação ao bullying caracteriza as testemunhas como espectadores e
às vezes auxiliares ou incentivadores. Mas também podem estar apenas como
observadores ou defensores. Quando as testemunhas interferem e tentam cessar o
bullying, essas ações são efetivas na maioria dos casos. Portanto, é importante
incentivar o uso desse poder advindo do grupo, fazendo com que os autores se
sintam sem o apoio social necessário.

2.3 Consequências

São extremamente extensas as conseqüências do bullying. Todos são no final


prejudicados, enfrentando danos físicos e emocionais de curto e longo prazo, as
quais podem causar dificuldades acadêmicas, sociais, emocionais e legais,
dependendo da relação direta com a freqüência, duração e severidade do bullying.

Aramis A. Lopes Neto (2005) descreve que:

Pessoas que sofrem bullying quando crianças são mais propensas a


sofrerem depressão e baixa auto-estima quando adultos. Da mesma forma,
quanto mais jovem for a criança freqüentemente agressiva, maior será o
risco de apresentar problemas associados a comportamentos anti-sociais
em adultos e à perda de oportunidades, como a instabilidade no trabalho e
relacionamentos afetivos pouco duradouros. O simples testemunho de atos
de bullying já é suficiente para causar descontentamento com a escola e
comprometimento do desenvolvimento acadêmico e social. Prejuízos
financeiros e sociais causados pelo bullying atingem também as famílias, as
escolas e a sociedade em geral. As crianças e adolescentes que sofrem
e/ou praticam bullying podem vir a necessitar de múltiplos serviços, como
saúde mental, justiça da infância e adolescência, educação especial e
programas sociais.
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2.3.1 Medidas Preventivas

Adorno (1998, apud Medeiros) afirma que a falência dos modelos


convencionais de controle da violência e do crime na atualidade aponta para amplas
transformações dos diversos modos como os sujeitos governam a si mesmos e aos
outros na vida social contemporânea. No âmbito das políticas de segurança e das
práticas penais, frente a essas transformações, o maior desafio é o de buscar
formas alternativas de contenção da violência. Segundo Cléo Fante (2005), o
Bullying estimula a delinqüência e induz outras formas de violência explícita,
produzindo cidadãos estressados, deprimidos, com baixa autoestima e incapacidade
de auto-aceitação. Assim, combater este fenômeno se faz necessário para a
diminuição da violência entre escolares principalmente por suas implicações e
conseqüências trágicas.

2.3.2 Intervenção e acompanhamento

Em meio às grandes conseqüências que o bullying traz se faz necessário, [...]


reduzir a prevalência desse fenômeno nas escolas [...] afirma Neto. A existência de
políticas públicas seria um bom começo para dar o devido valor a este problema que
é visto como um ato comum, simples e inofensivo, quando na verdade além de ferir
princípios, machuca além do corpo, o intelecto, de muitas crianças e adolescentes
que podem levar as marcas disto para sempre, se não forem devidamente
assistidas.

É de muita importância um acompanhamento psicológico tanto aos alvos


como aos autores e testemunhas do bullying, e não podemos descartar a vivência
familiar e escolar de qualidade, para a superação emocional, física e psicológica, de
extrema necessidade e bons resultados.
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3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os atuais estudos e pesquisas dedicados a essa temática nos mostram que


não podemos ver a prática do bullying como algo inofensivo, nem muito menos,
podemos considerá-lo como uma coisa cabível na sociedade. Pois são
determinantes os graves prejuízos que tanto os alvos como os autores e todos que
presenciam sofrem. Desde a dificuldade de construção de relacionamentos
saudáveis, como danos emocionais, sociais, entre outros. Os estudos mais recentes
deixam claro, que crianças e adolescentes que de alguma forma estavam envolvidas
em atos de bullying têm maior dificuldade de segurança em estabelecer relações e
desenvolver certas áreas do seu intelecto, ainda quando adultos. Também fica
evidente a importância da família, do acompanhamento escolar e das medidas legais
a serem tomadas em relação ao assunto, visando erradicar e tratar este fenômeno,
para a construção de uma sociedade saudável e consciente.
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REFERÊNCIAS

A. LOPES NETO, Aramis. Bullying — comportamento agressivo entre estudantes.


Jornal de Pediatria - Disponível em: < http://www.scielo.br >. Acessado em: 02 out.
2010.

BALBINO CAVALCANTE, Márcio. Bullying no ambiente escolar: o que é? –


Disponível em: < http://www.meuartigo.brasilescola.com > Acessado em: 02 out.
2010.

Bullying – Revista Psique - edição especial – São Paulo, ano lll, nº10, p. 12-19.
Agência Notisa de Jornalismo Científico. (Reedição do texto originalmente publicado
em Psique Ciência e Vida, nº11, Ano l)

CAMARGO, Orson. Bullying – Disponível em: < http://www.brasilescola.com


Acessado em: 04 nov. 2010

SANTOMAURO, Beatriz. Violência Virtual. Nova Escola, São Paulo, ano XXV, nº
233, p. 66-73, junho/julho 2010.

VINÍCIUS MALMANN MEDEIROS, Alexandre. Bullying: novas visões de um


fenômeno antigo! Disponível em: < http://www.meuartigo.brasilescola.com >
Acessado em: 02 out. 2010.
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