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ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS


ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

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Núcleo de Educação a Distância
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

PRESIDENTE: Valdir Valério, Diretor Executivo: Dr. Willian Ferreira.

O Grupo Educacional Prominas é uma referência no cenário educacional e com ações voltadas para
a formação de profissionais capazes de se destacar no mercado de trabalho.
O Grupo Prominas investe em tecnologia, inovação e conhecimento. Tudo isso é responsável por
fomentar a expansão e consolidar a responsabilidade de promover a aprendizagem.

GRUPO PROMINAS DE EDUCAÇÃO


Diagramação: Gildenor Silva Fonseca

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Prezado(a) Pós-Graduando(a),

Seja muito bem-vindo(a) ao nosso Grupo Educacional!


Inicialmente, gostaríamos de agradecê-lo(a) pela confiança
em nós depositada. Temos a convicção absoluta que você não irá se
decepcionar pela sua escolha, pois nos comprometemos a superar as
suas expectativas.
A educação deve ser sempre o pilar para consolidação de uma
nação soberana, democrática, crítica, reflexiva, acolhedora e integra-
dora. Além disso, a educação é a maneira mais nobre de promover a
ascensão social e econômica da população de um país.
Durante o seu curso de graduação você teve a oportunida-
de de conhecer e estudar uma grande diversidade de conteúdos.
Foi um momento de consolidação e amadurecimento de suas escolhas
pessoais e profissionais.
Agora, na Pós-Graduação, as expectativas e objetivos são
outros. É o momento de você complementar a sua formação acadêmi-
ca, se atualizar, incorporar novas competências e técnicas, desenvolver
um novo perfil profissional, objetivando o aprimoramento para sua atua-
ção no concorrido mercado do trabalho. E, certamente, será um passo
importante para quem deseja ingressar como docente no ensino supe-
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rior e se qualificar ainda mais para o magistério nos demais níveis de


ensino.
E o propósito do nosso Grupo Educacional é ajudá-lo(a)
nessa jornada! Conte conosco, pois nós acreditamos em seu potencial.
Vamos juntos nessa maravilhosa viagem que é a construção de novos
conhecimentos.

Um abraço,

Grupo Prominas - Educação e Tecnologia

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Olá, acadêmico(a) do ensino a distância do Grupo Prominas!..

É um prazer tê-lo em nossa instituição! Saiba que sua escolha


é sinal de prestígio e consideração. Quero lhe parabenizar pela dispo-
sição ao aprendizado e autodesenvolvimento. No ensino a distância é
você quem administra o tempo de estudo. Por isso, ele exige perseve-
rança, disciplina e organização.
Este material, bem como as outras ferramentas do curso (como
as aulas em vídeo, atividades, fóruns, etc.), foi projetado visando a sua
preparação nessa jornada rumo ao sucesso profissional. Todo conteúdo
foi elaborado para auxiliá-lo nessa tarefa, proporcionado um estudo de
qualidade e com foco nas exigências do mercado de trabalho.

Estude bastante e um grande abraço!

Professora: Viviane Giombelli


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O texto abaixo das tags são informações de apoio para você ao
longo dos seus estudos. Cada conteúdo é preprarado focando em téc-
nicas de aprendizagem que contribuem no seu processo de busca pela
conhecimento.
Cada uma dessas tags, é focada especificadamente em partes
importantes dos materiais aqui apresentados. Lembre-se que, cada in-
formação obtida atráves do seu curso, será o ponto de partida rumo ao
seu sucesso profissional.

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Apresentação do Módulo ______________________________________ 11

CAPÍTULO 01
ÉTICA E MORAL: CONCEITOS E EVOLUÇÃO HISTÓRICA

O que é Ética e Moral? _________________________________________ 12

Evolução Histórica dos Conceitos ______________________________ 14

A Relação entre Ética e Moral ___________________________________ 15

Recapitulando _________________________________________________ 19

CAPÍTULO 02
ÉTICA E MORAL NAS RELAÇÕES SOCIAIS
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Ética, Moral e Direito ___________________________________________ 24

Ética na Política _______________________________________________ 27

Ética das Convicções e Ética da Responsabilidade ______________ 29

Recapitulando _________________________________________________ 33

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CAPÍTULO 03
ÉTICA, MORAL E POLÍTICA: A CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA

O Conceito de Cidadania e sua Evolução Histórica ______________ 38

Cidadania e Direitos Fundamentais ______________________________ 43

A Cidadania no Mundo Globalizado ______________________________ 45

Recapitulando __________________________________________________ 51

CAPÍTULO 04
CIDADANIA NO BRASIL

A Afirmação da Ideia de Cidadania no Brasil ____________________ 56

A Cidadania no Império _________________________________________ 60

A Cidadania na República _______________________________________ 61

A Cidadania na Redemocratização ______________________________ 63

Recapitulando __________________________________________________ 66

CAPÍTULO 05
DESAFIOS DO EXERCÍCIO DA CIDADANIA NO BRASIL
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A Consolidação da Democracia após 1988 ______________________ 71

Os Desafios para o Exercício Pleno da Cidadania _________________ 74

A Cidadania e as Desigualdades Sociais __________________________ 76

Recapitulando __________________________________________________ 79

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CAPÍTULO 06
ÉTICA NAS RELAÇÕES DE TRABALHO:
O CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL

Ética, Mercado e Instituições ___________________________________ 83

A Responsabilidade Social das Organizações _____________________ 84

Ética nas Burocracias Públicas e Privadas ________________________ 87

O Código de Ética Profissional ___________________________________ 89

Ética e Cidadania nas Relações de Trabalho ______________________ 93

Recapitulando __________________________________________________ 95

Glossário ________________________________________________________ 98

Fechando a Unidade ____________________________________________ 100

Referências _____________________________________________________ 101


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A Unidade 1 aborda a definição dos conceitos de Moral e de
Ética à luz do contexto histórico. Os conceitos de Moral e de Ética, como
será visto, se referem a objetos distintos, mas guardam relações estrei-
tas entre si.
A Unidade 2 trata da aplicação dos conceitos de Ética e de
Moral nas relações sociais. Direito e Política, dois campos das relações
sociais, dialogam diretamente com a Moral e com a Ética. Esta unidade
aborda ainda a diferença entre Ética das Convicções e Ética da Res-
ponsabilidade, dois conceito essenciais para a compreensão da ética
no contexto social.
A Unidade 3 aborda a temática da Ética, da Moral e da Política
na construção do sentimento de cidadania. Aborda ainda a relação en-
tre cidadania e a afirmação histórica dos direitos fundamentais, base da
democracia. A unidade finaliza com a análise do fenômeno da cidadania
em contexto de globalização.
A Unidade 4 analisa como se deu a construção do pensamento
sobre cidadania no Brasil, da Colônia até a República, à luz das con-
quistas democráticas. Será visto de que modo a Constituição de 1988
pavimentou o caminho para o exercício da democracia em um contexto
de liberdades, de separação de Poderes e de maior autonomia para as
instituições.
A Unidade 5 trata do desenvolvimento da cidadania no Brasil
após a promulgação da Constituição de 1988. Analisa, dessa forma,
como os cidadãos podem exercer seus direitos e quais os limites de
atuação no Estado na salvaguarda dos direitos e garantias fundamen-
tais. Por fim, aborda a problemática do patrimonialismo e como afeta o
Estado de Direito
A Unidade 6 analisa as questões éticas à luz das relações de
trabalho. Compreenderá uma discussão sobre a ética no mercado, nas
instituições e na burocracia, a responsabilidade social das organizações
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e a ética nas burocracias. Por fim, analisa o fenômeno da normatização


de comportamentos éticos, o Código de Ética Profissional e a importân-
cia da ética e da cidadania no mundo do trabalho.

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ÉTICA MORAL:
CONCEITOS & EVOLUÇÃO HISTÓRICA

O QUE É ÉTICA E MORAL?

Ética e moral são conceitos distintos, mas que guardam estreita


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relação entre si. A ética é a tradução etimológica do termo ethos (hábito,


habitualidade, comportamento reiterado). O hábito revela a personalida-
de. A questão da ética é essencialmente prática e envolve pensar sobre
aquilo que o sujeito faz enquanto ser que faz escolhas e toma decisões
(agente) ou que é impacto pelas escolhas ou pelas decisões de outras
pessoas (reagente). Em outras palavras, a ética é a liberdade interior de
cada indivíduo, isto é, aquilo que cada um considera ser bom ou ruim,
vicioso ou virtuoso para si mesmo. O conceito de moral, por sua vez, diz
respeito aos grandes paradigmas e valores de um determinado grupo
social em um dado tempo. Trata-se de um consenso coletivo para o
comportamento dos indivíduos e a condução da vida em comunidade.
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Há um convívio dialético entre ética (do indivíduo) e moral (do
grupo). A decisão ética não é simples fruto da cultura, mas também da
história pessoal do indivíduo. Sócrates, um dos maiores filósofos da
Humanidade, questionava os valores da sociedade da Grécia Antiga.
Acusado de corromper o juízo da sociedade atensiense, Sócrates per-
guntava, entre outras questões, o que era o bem e o que era o mal, algo
sem resposta até os dias de hoje. O ato socrático de questionar a moral
estabelecida em sua época era visto como algo subversivo e desestabi-
lizador, pois colocava em dúvida as verdades estabelecias.
A Antropologia, ao estudar o homem como produtor de cultura,
tem grande contribuição a dar ao estudo da ética. A Psicologia, por seu
turno, discute como o indivíduo toma suas decisões pessoais. Por que
tomou essa decisão? Do mesmo modo, a História e a Sociologia são
ciências que ajudam a iluminar o entendimento da moral e da ética.

Não podemos confundir: a moral é o conjunto coletivo de va-


lores e paradigmas, ou seja, as regras convencionadas por um grupo
social. Já a ética é liberdade individual para considerar o que bom ou
ruim para si e por si mesmo.

A Ética, entretanto, não é uma ciência. Seu objetivo não é pro-


duzir respostas absolutas para os problemas humanos. O que a Ética
busca é refletir acerca da ação humana e sobre os seus valores fun-
damentais. Os valores não são permanentes, imutáveis ou aplicáveis
a todas as situações. Sempre temos que decidir e fazer escolhas. Os
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indivíduos podem decidir de acordo com a moral do grupo ou contra a


essa moral. Será que tudo o que é licito é moral? Será que tudo o que
é legal é ético? Os valores são relativos e as decisões humanas são to-
madas no calor das circunstâncias. A cada momento temos que decidir
o que é bom ou ruim, o que fazer e o que não fazer, com base em nossa
condição de indivíduo.

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EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS CONCEITOS

O objeto da reflexão ética é o comportamento humano. É im-


possível sustentar uma comunidade imensa de pessoas vivendo sob
uma única ética. Da mesma forma, é tarefa difícil estabelecer o limite
entre o ético e o antiético. Isso se traduz em uma sensação de não se
identificar com clareza a barreira entre o que se pode e o que não se
pode fazer.
A principal característica das sociedades contemporâneas é a
insegurança. Isso se traduz em uma sensação permanente de deso-
rientação social, confusão e incerteza. Existe um padrão de compor-
tamento? E um valor universal? Qual é o valor absoluto? Não há res-
postas fixas para estas perguntas. Se por um lado a flexibilização dos
valores universais traz uma sensação inédita de liberdade, por outro a
ausência de paradigmas de comportamentos dificulta enormemente a
decisão. A multiplicidade de escolhas e de oportunidades passa a ser
um instrumento opressor da liberdade. As dúvidas e as inseguranças
passam a ser frequentes.
Como resposta a este cenário de incertezas, ocorre a chamada
“tribalização” da sociedade: as pessoas não se comportam segundo va-
lores universais aplicáveis a todos, mas dentro dos valores do seu gru-
po (MAFFESOLI, 1997). Essa instabilidade traz grandes impactos nos
campos político, jurídico, social, cultural e religioso. Um comportamento
que os indivíduos buscam na tentativa de lidar com a insegurança é a
busca do passado ou de padrões tradicionais assentados em valores
religiosos e familiares.
Os grandes paradigmas da vida moderna passam por uma
revisão profunda. Isso produz uma serie de transformações sociais. A
crescente individualização das responsabilidades sociais leva à desa-
gregação dos instrumentos sociais de decisão consensual, como a po-
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lítica. O Estado e Direito também parecem não ser mais instrumentos


eficazes para balizar os comportamentos humanos.
Existe, ademais, a mentalidade que supervaloriza o homem
capitalista em face da dimensão do social, do coletivo ou do político.
Diante da sensação de desgoverno das funções estatais, da incapa-
cidade de atender às necessidades fundamentais e da sensação de
insegurança generalizada, as categorias universais são substituídas por
valores individuais.
A falta de parâmetros morais leva à insegurança nas decisões.
Cada um passa a valer pelo que produz e pelo que consome. É mais
importante ter do que ser. O mercado determina o que é a essência. E
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quem está fora do mercado? E quem não tem poder de troca? Neste
contexto, a dignidade da pessoa humana acaba perdendo sentido e as
pessoas que estão fora da relação de consumo são desconsideradas
enquanto sujeitos. Nessa linha, a pergunta fundamental da ética (como
agir) encontra uma resposta retórica nas questões relativas à exclusão
social.
Os povos antigos não conheceram a diferença entre o mundo
da ação política, o mundo do direito e o mundo do exercício do pensa-
mento. Na Antiguidade, há uma certa integralidade dos pensamentos.
Eles não tratavam as coisas de modo cartesiano, departamentalizando
o saber humano. Os antigos lidavam com o mundo de modo muito in-
tegrado; não havia a separação entre direito e a moral. As sociedades
medievais também não faziam essa distinção: havia um princípio geral
que regia todas as áreas. O direito natural era a razão de tudo.
A modernidade construiu a diferença entre direito e moral, prin-
cipalmente a partir do pensamento do filósofo alemão Immanuel Kant.
A filosofia de Kant diferenciou o universo da norma moral e o universo
da norma jurídica. Kant influenciou o jurista austríaco Hans Kelsen na
construção da sua teoria pura do direito. Kelsen separou direito e moral
para distanciá-los; ele queria determinar a autonomia do Direito. Para
Kelsen, direito é o conjunto de normas postas pelo Estado (KELSEN,
1998).
A tarefa do jurista não era avaliar a justiça do sistema, mas
compreender os critérios de validade das normas de acordo com a hie-
rarquia. Para Kelsen (1998), a questão da justiça não pertencia ao direi-
to. Dessa forma, criou um abismo entre direito (decidir de acordo com o
ordenamento) e moral (discutir os valores).

A RELAÇÃO ENTRE ÉTICA E MORAL ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

O estudo da Ética, busca entender todas as formas de men-


talidade e estar a par de que um ethos dominante não existe sem que
haja uma camada social dominante que o proclame. Toda vez que se
definem normas de comportamento consideradas adequadas, passa a
haver um aparato para proteger essas normas.
Nesse sentido, ao estudarmos a ética, devemos também nos
preocupar em pensar a diversidade das alternativas de comportamento
possíveis. Importante enfatizar, nesse sentido, a relação entre ética, ar-
bítrio e pluralidade. A universalização de qualquer tipo de verdade ética
nos leva à definição de patamares rígidos. Torna-se a moral de uma
classe dominante sobre a moral das classes dominadas.
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O que está em questão é a construção do compartilhamento
dos valores. Dessa forma, todo sistema ético busca, em primeiro lu-
gar, proteger os valores que consagra. Muitos grupos sociais constroem
sistemas de dominação com base na política, na religião ou em outros
sistemas que formam a consciência de um grupo.
Dessa maneira, a ética busca eliminar as diferenças e esta-
belecer regras de padrões de comportamento. No entanto, os valores
não são tão absolutos que não possam dialogar com valores opostos.
Um sistema ético, apesar de defender as suas verdades, deve praticar
a tolerância, pois a moral de uns não pode se impor à moral de outros.
Valores morais são passiveis de ajuste e de confronte com ou-
tros. Os grupos culturais opostos podem construir instrumentos para
a abertura recíproca de valores. Como é possível construir uma ética
global em um contexto de diferenças entre os povos, nacionalismo exa-
cerbado, contingentes humanos excluídos e oposição entre culturas?
O filósofo alemão Juergen Habermas defende que só existe
verdade enquanto experiência intersubjetiva. O autor se posiciona em
confronto direto com a verdade fundada na reflexão individual. Para
Habermas, a verdade se constrói a partir do diálogo entre sujeitos que
pensam diferentes. Ou seja, a chave para a busca da verdade é a acei-
tação da divergência como algo legítimo e natural. Somente por meio
da comunicação se pode alcançar a colaboração, o entendimento e o
consenso.
A moral é algo que avalia o outro para julgá-lo como perten-
cente ou não pertencente á uma comunidade. O próprio direito vem
associado a uma moral. A linguagem transpassa valores por meio de
certos termos e de palavras que expressam visões de mundo. E elas se
expressam por meio de cláusulas gerais: bom, ruim, justo, injusto, etc. A
linguagem recebe uma grande bagagem da moral. Ela também é trans-
missora desses valores. Todas as práticas discursivas são transmissi-
vas de valores. O indivíduo que se vale da linguagem pratica juízos,
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requalificando-os o tempo todo.


A ética, portanto, significa esfera da ação individual. Está con-
tida dentro de um circuito de liberdade que lhe pertence. A moral é a
grande instituição social que acaba sendo o arcabouço de sustentação
de certas atitudes individuais respaldadas em conceitos pré-existentes.
A moral, por outro lado, procura moldar o indivíduo a modelos sociais
convenientes, não necessariamente bons. Configura, dessa forma, uma
instituição social que produz mecanismos de controle e determinam a
execução de seus preceitos.
Escolas e normas jurídicas são exemplos de instituições que
contribuem para a homogeneização dos indivíduos. Instituições trazem
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estabilidade para o grupo e para a sociedade. A moral é um mecanismo
de pasteurização dos comportamentos. Ela permite julgar o que é con-
forme e o que é desconforme. Ela promove a agregação ou a segrega-
ção do outro.
Nas relações morais é preciso verificar a relação de poder para
determinar quais são os comportamentos adequados. A moral pode ser
o principal instrumento ideológico de exercício do poder. A moral disfar-
ça, suaviza e amortece a prática de poder. Ou seja, é um instrumento
de adequação das identidades individuais. A moral fornece abrigo para
a estrutura de poder. Ela pratica uma espécie de controle conveniente
em um certo contexto. Exemplificando, na Idade Média, era clara a as-
sociação entre poder e moral. A moral imposta era a da Igreja Católica,
que detinha o poder.
A relação entre moral e poder pertence à própria dinâmica das
relações sociais. Nesse sentido, é preciso observar com cautela os va-
lores morais. Um curso de ética não é um curso de moral. A filosofia
ética é uma prática aberta de reflexão. É necessário dimensionar e pon-
derar os valores, para avaliar se o valor é realmente válido. A moral do
meio é a prática do exercício de dominação?

O sufixo latino –oso indica a ideia de “muito”, de “abundante”


nas palavras da língua portuguesa. Um objeto provido de muito brilho
é chamado de brilhoso, um sujeito que mente muito ou continuamente
é chamado de mentiroso. A palavra ética, origina-se no termo grego
éthos, que pode ser traduzido como “hábito”, ou seja, aquilo que se faz
constantemente. Para avaliar a personalidade de um indivíduo, é preci-
so observar seus hábitos, já que um ato isolado não é o suficiente para
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dizer muito sobre ele. Há um ditado conhecido que diz: “o hábito faz o
monge”. Neste provérbio, a palavra hábito refere-se tanto ao vestuário
quanto aos costumes do religioso. Levando em conta as reflexões aci-
ma, pensemos na seguinte situação: um cidadão que nunca cometeu
um crime em sua vida, pela primeira vez comete um ato que fere as leis
do país. Seria justo, do ponto de vista da ética, chamá-lo de crimino-
so? Basta cometer um crime para que carregue este estigma? Ou seria
preciso uma lista de crimes habituais em sua ficha para receber este
adjetivo?

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Nessa direção, a ética se vale da capacidade de resistência
que o indivíduo tem em face das pressões externas do meio. É a sua
capacidade de ponderar entre os conflitos internos e os valores das
instituições sociais. Já a moral se baseia em um conjunto das sutis e
não explicitas manifestações de poder sobre os indivíduos. A moral está
inserida num contexto sócio-histórico. Não devemos incorporar a moral
sem questioná-la, sob pena de nos transformarmos em meros reprodu-
tores dos conceitos morais do nosso tempo.
O comportamento ético pressupõe, dessa forma, o questiona-
mento da moral antes de absorvê-la. A moral defende o passado, o que
foi consagrado e nos convida a reproduzir esses valores. A ética flerta
com o novo. O comportamento ético permite requalificar os valores. Isso
dá abertura ao processo de alteração dos valores.
Os indivíduos podem resistir aos valores morais por meio da
capacidade de reflexão. Não existem leis morais eternas. Em outras
palavras, a moral nos convida ao conforto e à segurança. A ética nos
convida ao exercício responsável e refletido para nos tornarmos agen-
tes e arquitetos de nossa própria existência.

• No campo da filosofia, a ética também é uma ciência que


estuda o comportamento humano em sociedade. Você pode aprender
mais um pouco lendo o livro “Ética e Cidadania”. Neste obra organiza-
da por Lopez Filho e colaboradores (2018), tem-se uma coletânea de
diversos artigos que tratam da relação entre Ética e Cidadania no mun-
do contemporâneo. Em suas quatro unidades, o livro abarca a interface
dos conceitos de ética e de cidadania com a desigualdade social, com
as questões étnicas, políticas e religiosas e com o mundo do trabalho.
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Por fim, analisa a problemática da ética e da cidadania à luz dos direitos


humanos, dos movimentos sociais e da cultura.. Disponível em: https://
bit.ly/3sEsLEa. Acesso em: 07 jan. 2021.
• Você também pode ler o livro “Ética: conceitos-chave em
filosofia” (2007) de Dwight Furrow. Nesta obra, o autor analisa o con-
ceito de Ética à luz da história da Civilização Ocidental. É um livro intro-
dutório e didático que abarca alguns dos conceitos centrais para enten-
der a evolução do pensamento filosófico. À luz dos escritos de Platão,
Aristóteles, Kant e outros filósofos, é possível entender como a ideia
de ética permeou o estudo da Filosofia. Disponível em: https://bit.ly/3u-
NOhIo. Acesso em: 07 jan. 2021.
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QUESTÃO 1
(Enem 2010, 2ª aplicação) “A ética exige um governo que amplie a
igualdade entre os cidadãos. Essa é a base da pátria. Sem ela, mui-
tos indivíduos não se sentem “em casa”, experimentam-se como
estrangeiros em seu próprio lugar de nascimento. “
SILVA, R. R. Ética, defesa nacional, cooperação dos povos. OLI-
VEIRA, E. R (Org.) Segurança & defesa nacional: da competição à
cooperação regional. São Paulo: Fundação Memorial da América
Latina, 2007 (adaptado).
Os pressupostos éticos são essenciais para a estruturação política
e integração de indivíduos em uma sociedade. De acordo com o
texto, a ética corresponde a:
a) valores e costumes partilhados pela maioria da sociedade.
b) preceitos normativos impostos pela coação das leis jurídicas.
c) normas determinadas pelo governo, diferentes das leis estrangeiras.
d) transferência dos valores praticados em casa para a esfera social.
e) proibição da interferência de estrangeiros em nossa pátria.

QUESTÃO 2
(ENEM 2011, adaptado). O brasileiro tem noção clara dos compor-
tamentos éticos e morais adequados, mas vive sob o espectro da
corrupção, revela pesquisa. Se o país fosse resultado dos padrões
morais que as pessoas dizem aprovar, pareceria mais com a Es-
candinávia do que com Bruzundanga (corrompida nação fictícia de
Lima Barreto). O distanciamento entre “reconhecer” e “cumprir”
efetivamente o que é moral constitui uma ambiguidade inerente ao
humano, porque as normas morais são:
a) decorrentes da vontade divina e, por esse motivo, utópicas.
b) parâmetros idealizados, cujo cumprimento é destituído de obrigação.
c) amplas e vão além da capacidade de o indivíduo conseguir cumpri-
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-las integralmente.
d) criadas pelo homem, que concede a si mesmo a lei à qual deve se
submeter.
e) mais vinculantes do que as normas jurídica

QUESTÃO 3
(UNICAMP 2016, adaptada). Por que a ética voltou a ser um dos te-
mas mais trabalhados do pensamento filosófico contemporâneo?
Nos anos 1960, a política ocupava esse lugar e muitos cometeram
o exagero de afirmar que tudo era político.
José Arthur Gianotti, “Moralidade Pública e Moralidade Privada”,
19
em Adauto Novaes, Ética. São Paulo: Companhia das Letras, 1992,
p. 239.
A partir desse fragmento sobre a ética e o pensamento filosófico,
é correto afirmar que:
a) o tema foi relevante no passado e apenas recentemente voltou a
ocupar um espaço central na produção filosófica
b) os impasses morais e éticos das sociedades contemporâneas repo-
sicionaram o tema da ética como um dos campos mais relevantes para
a filosofia
c) o pensamento filosófico abandonou sua postura política após o de-
sencanto com os sistemas ideológicos que eram vigentes nos anos
1960
d) na atualidade, a ética é uma pauta conservadora, pois nas socieda-
des atuais, não há demandas éticas rígidas
e) a ética foi incorporada pelas outras ciências, deixando de ser estuda-
da nas últimas décadas.

QUESTÃO 4
(UNISC 2012) – Apresentados os enunciados abaixo, qual deles
melhor caracteriza o tema da ética filosófica?
a) a ética filosófica estuda a maneira como as pessoas agem dentro de
uma determinada sociedade
b) a ética filosófica consiste em um conjunto de normas relativas à vida
sexual das pessoas
c) a ética filosófica é o estudo das normas que regem o exercício de
uma determinada profissão
d) a ética filosófica é um discurso racional e argumentativo cujo objetivo
é fundamentar critérios para avaliar as ações humanas, seja para lou-
vá-las ou para censurá-las
e) a ética filosófica consiste na explicação das normas de comporta-
mento que se encontram na bíblia
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QUESTÃO 5
(Leopoldino Rocha) O sujeito ético-moral é somente aquele que
preencher os seguintes requisitos:
a) ser consciente de si, mas não precisa reconhecer a existência dos
outros como sujeitos éticos iguais a si.
b) saber o que faz, conhecer as causas e os fins de sua ação, o signi-
ficado de suas intenções e de suas atitudes e a essência dos valores
morais.
c) não precisa controlar interiormente seus impulsos, suas inclinações e
suas paixões, deixando-as fluir livremente
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d) dizer o que as coisas são, como são e por que são. Enunciar, pois,
juízos de fato
e) ser responsável, mas não precisa reconhecer-se como autor da sua
própria ação nem avaliar os efeitos e as consequências dela sobre si e
sobre os outros

QUESTÃO 6
(Unesp 2019) – Então, todos os alemães dessa época são culpados?
– Esta pergunta surgiu depois da guerra e permanece até hoje.
Nenhum povo é coletivamente culpado. Os alemães contrários ao
nazismo foram perseguidos, presos em campos de concentração,
forçados ao exílio. A Alemanha estava, como muitos outros países
da Europa, impregnada de antissemitismo, ainda que os antisse-
mitas ativos, assassinos, fossem apenas uma minoria. Estima-se
hoje que cerca de 100 000 alemães participaram de forma ativa do
genocídio. Mas o que dizer dos outros, os que viram seus vizinhos
judeus serem presos ou os que os levaram para os trens de depor-
tação?
(Annette Wieviorka. Auschwitz explicado à minha filha, 2000. Adap-
tado.)
Ao tratar da atitude dos alemães frente à perseguição nazista aos
judeus, o texto defende a ideia de que
a) os alemães comportaram-se de forma diversa perante o genocídio,
mas muitos mostraram-se tolerantes diante do que acontecia no país.
b) esse tema continua presente no debate político alemão, pois inexis-
tem fontes documentais que comprovem a ocorrência do genocídio.
c) esse tema foi bastante discutido no período do pós-guerra, mas é ina-
dequado abordá-lo hoje, pois acentua as divergências políticas no país.
d) os alemães foram coletivamente responsáveis pelo genocídio judai-
co, pois a maioria da população teve participação direta na ação.
e) os alemães defendem hoje a participação de seus ancestrais no ge-
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nocídio, pois consideram que tal atitude foi uma estratégia de sobrevi-
vência.

QUESTÃO 7
(Unesp 2018). Os homens, diz antigo ditado grego, atormentam-
-se com a ideia que têm das coisas e não com as coisas em si.
Seria grande passo, em alívio da nossa miserável condição, se se
provasse que isso é uma verdade absoluta. Pois se o mal só tem
acesso em nós porque julgamos que o seja, parece que estaria
em nosso poder não o levarmos a sério ou o colocarmos a nosso
serviço. Por que atribuir à doença, à indigência, ao desprezo um
21
gosto ácido e mau se o podemos modificar? Pois o destino apenas
suscita o incidente; a nós é que cabe determinar a qualidade de
seus efeitos.
(Michel de Montaigne. Ensaios, 2000. Adaptado.)
De acordo com o filósofo, a diferença entre o bem e o mal:
a) representa uma oposição de natureza metafísica, que não está sujei-
ta a relativismos existenciais.
b) relaciona-se com uma esfera sagrada cujo conhecimento é autoriza-
do somente a sacerdotes religiosos.
c) resulta da queda humana de um estado original de bem-aventurança
e harmonia geral do Universo.
d) depende do conhecimento do mundo como realidade em si mesma,
independente dos julgamentos humanos.
e) depende sobretudo da qualidade valorativa estabelecida por cada
indivíduo diante de sua vida.

QUESTÃO 8
(Enem PPL 2016)
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

22
A figura do inquilino ao qual a personagem da tirinha se refere é
o(a):
a) constrangimento por olhares de reprovação.   
b) costume importo aos filhos por coação.   
c) consciência da obrigação moral.   
d) pessoa habitante da mesma casa.   
e) temor de possível castigo.   

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23
ÉTICA MORAL
NAS RELAÇÕES SOCIAIS

ÉTICA, MORAL E DIREITO


ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

Conforme visto no capítulo anterior, a Ética diz respeito ao con-


junto dos valores que norteiam a vida em sociedade e a convivência
entre os indivíduos num determinado tempo. O Direito é uma ordem
social estabelecida em torno de um sistema sancionatório para garantir
a aplicação da Justiça. Essa ordem busca estabelecer regras para o
funcionamento da sociedade e prevê meios para exigir o seu cumpri-
mento, as sanções. Ele se vale da força para evitar que o mundo seja
governado apenas por ela. Corresponde, na visão do jurista Jeremy
Bentham, ao “mínimo ético” ou a um conjunto de normas morais consi-
deradas relevantes por cada sociedade. A Moral, por sua vez, se carac-
teriza por ser um tipo de preceito acerca do comportamento desprovido
24
de mecanismos de coação (MORRIS, 2002).
O Direito prevê uma convivência social ordenada, na qual ine-
xiste a possibilidade de desordem ou anarquia. É um mecanismo de do-
minação que se vale de normas, instituições e decisões para controlar
o comportamento das sociedades. As regras jurídicas são obrigatórias
e coercitivas, pois emanam de uma fonte jurídica válida e de uma au-
toridade competente. Seu fim último é a realização da justiça do bem
comum.
Nesse sentido, diferentemente da Moral, que lida com pre-
ceitos sobre o comportamento humano despidos de mecanismos de
coerção, o Direito é uma ordenação ética com capacidade de impor
comportamentos pelo uso legitimado da força. A Moral se baseia em
mecanismos de sanção individual (ressentimento, remorso e culpa) ou
coletiva (discriminação, repulsa, exclusão e indignação), ao passo que
o Direito se assenta em sanções coercitivas que se valem da imposição
da força. O Direito não se vale de qualquer violência indiscriminada,
mas da força organizada e aplicada segundo regras institucionalizadas.
O Direito lida com o problema ancestral da busca da verdade
e da justiça no exercício do poder. Seu fundamento filosófico variou ao
longo da Histórica história, sendo considerada pelos gregos como uma
técnica e pelos romanos como uma arte (a busca do bem e da equida-
de). Assim como as instituições são regras que estabelecem padrões
de comportamento e geram previsibilidade, o Direito é um elemento de
fidelização e conexão entre o passado e o futuro.
Nesse sentido, o Direito não é neutro, mas um conjunto de
práticas que visam realizar determinados valores fundamentais. O mais
importante desses valores é a justiça, ou seja, dar a cada um aquilo que
lhe é direito. A justiça é parte da moral e se baseia no senso de equilí-
brio na distribuição de bens entre os homens. Sem validade, eficácia e
justiça, não há sistema jurídico legítimo.
O jurista austríaco Hans Kelsen, em “Teoria Pura do Direito”,
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

afirma que a Justiça é um valor decorrente da Moral. No entanto, dife-


rentemente das normas sociais (Moral e Ética), o Direito é uma norma
jurídica cuja legitimidade não se baseia apenas em valores, mas em
critérios de validade. Ou seja, a norma jurídica é uma proposição hipo-
tética dada por um poder institucionalizado (Estado) para estabelecer
normas de conduta (KELSEN, 1998).
A Moral lida com as concepções de um indivíduo ou de um con-
junto de indivíduos acerca do que é lícito e justo. As regras de conduta
morais são tão plurais quanto a sociedade e balizam o convívio social.
E buscam, essencialmente, o aperfeiçoamento de um indivíduo em re-
lação à sua consciência ou a de seu grupo. Sua origem é a autoridade
25
religiosa, a razão e a tradição.
O Direito, por outro lado, é uma técnica de regulação do conví-
vio social que se baseia em uma norma. E que prevê sanções ao des-
cumprimento destas regras. A fonte do Direito é o Estado. Somente são
válidas as normas jurídicas produzidas por quem tem competência para
tal. As sanções jurídicas, por sua vez, são obrigatórias. Embora adote
princípios morais como fundamento de sua aplicação, o Direito pode
conter também normais normas amorais.
A Moral, por seu turno, influencia diretamente o Direito. Os le-
gisladores são guiados por valores e ideias difusos na sociedade para
produzir normas jurídicas. As normas jurídicas, nesse sentido, expres-
sam regras morais que devem ser obrigatoriamente cumpridas. As so-
ciedades antigas, como visto, eram caracterizadas pela coincidência
entre mandamentos jurídicos e morais. Já na Idade Média, as regras
jurídicas constituíam um “mínimo ético”, ou seja, o núcleo duro das re-
gras morais.
Com a positivação do Direito (prevalência de normas escritas
em códigos e leis), nos séculos XVIII e XIX, as regras jurídicas torna-
ram-se autônomas em relação à moral. Dada a pluralidade de sistemas
morais existentes (religião, família, trabalho etc), as autoridades com-
petentes do Estado se limitaram a impor normas segundo critérios de
validade.

A relação entre o direito e a moral:


• O Direito é uma ordem social estabelecida em torno de um
sistema sancionatório para garantir a aplicação da Justiça.
• A Moral, por sua vez, se caracteriza por ser um tipo de precei-
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to comportamento desprovido de mecanismos de coação.


• A Moral se baseia em mecanismos de sanção individual (res-
sentimento, remorso e culpa) ou coletiva (discriminação, repulsa, ex-
clusão e indignação), ao passo que o Direito se assenta em sanções
coercitivas que se valem da imposição da força.

Os positivistas defendem que os indivíduos são livres para


obedecer ou não às normas vigentes, de acordo com os seus valores
morais e interesses. O custo do descumprimento dessas normas é a
aplicação de sanções jurídicas. Os moralistas, por sua vez, sustentam
26
que os operadores do Direito precisam buscar sempre a coerência entre
normais normas jurídicas e preceitos morais, sob pena de esvaziamen-
to valorativo do Direito. Para eles, seria impossível estabelecer uma
distinção entre Direito e Moral, pois ambos caminham lado a lado.
Portanto, é importante distinguir norma moral e norma jurídi-
ca. A normal moral decorre da experiência histórica da sociedade. Já a
norma jurídica pode ser imposta pela autoridade mesmo que não cor-
responda à experiência da sociedade. A norma moral fala a linguagem
da interioridade e da intencionalidade. É preciso haver correspondência
entre a vontade interior e a exteriorização. Na norma jurídica, isso é
irrelevante em diversas situações. Na norma jurídica, são necessários
atos exteriores; a intencionalidade é um aspecto secundário. A norma
moral não possui sanção (punição); já a norma jurídica possui sanção.
A norma moral possui, entretanto, um grau de coercibilidade
(possibilidade de punição) que muitas vezes é muito mais forte que a
sanção jurídica, como a vergonha, o constrangimento e o arrependi-
mento. Direito e moral não podem se separar. Como avaliar a legitimida-
de de um sistema jurídico? Essa avaliação não pode ser pautada unica-
mente sob o aspecto da moral. Após a Segunda Guerra Mundial, com a
Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948, foram definidas
as diretrizes estruturantes do comportamento universal, de modo que
os direitos humanos constituem o mínimo ético de um sistema jurídico.

ÉTICA NA POLÍTICA

A relação entre ética, moral e política é tão ancestral quan-


to a Humanidade. Desde os filósofos da Antiguidade até os cientistas
políticos, juristas e escritores contemporâneos, o tema já foi abordado
de maneira múltipla. O assunto desperta as atenções do ser humano
desde os primórdios da civilização. Tratados, ensaios, romances e pe-
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ças teatrais já foram escritas sobre essa questão, sem uma solução
definitiva ou uma resposta correta para a problemática da moralidade
nas relações sociais.
Sendo o homem um ser essencialmente político – isto é, que
vive na polis (cidade) – sempre se pergunta sobre o que é agir moral-
mente. Da mesma forma que existe uma ética profissional, uma ética
do trabalho, uma ética familiar e uma ética religiosa, a ética política trata
da distinção entre o que é moralmente lícito e ilícito.
A aceitação de que a moral política se distingue do senso co-
mum é um dos fundamentos da modernidade. Maquiavel afirmou, em
“O Príncipe”, que a moral dos governantes não é a mesma dos go-
27
vernados. Nesse sentido, para obter êxito em sua missão de dominar
os povos e governar as nações, antes de serem amados, os príncipes
deveriam buscar serem temidos (MAQUIAVEL, 2010).
Enquanto em outras atividades humanas o que se busca, es-
sencialmente, é adequar os comportamentos às regras de conduta mo-
ral consensuais e estabelecidas, na relação entre política e moral, o de-
bate é mais complexo. Ao contrário da ética médica, da ética esportiva
ou da ética do trabalho, não existe um consenso sobre quais seriam os
preceitos éticos da política. O que existe, fundamentalmente, é a noção
de que a moral política se reporta às ações de um indivíduo no que toca
aos seus deveres para com os outros, e não consigo mesmo.
Dessa forma, o foco do estudo da moral política não é a com-
preensão daquilo que é considerado lícito ou ilícito. Na perspectiva do
filósofo e jurista italiano Norberto Bobbio, o que se busca compreender
é “[...] se tem sentido colocar-se em termos morais o problema do ad-
missível e do inadmissível no caso das ações políticas” (BOBBIO, 2003,
p. 161).
Dessa forma, utilizando-se uma categoria de Maquiavel, é
possível, por exemplo, distinguir os políticos do tipo “leão” e os do tipo
“raposa”. Os primeiros baseariam seu poder no uso da força; os segun-
dos, no domínio da astúcia. Thomas Hobbes, em sua obra “O Leviatã”,
assegurava que nenhuma moral estava acima da política. No estado
de natureza, argumentava o filósofo inglês, a política não tinha nenhum
conteúdo moral, baseando-se pura e simplesmente no exercício da for-
ça (MORRIS, 2002).
A moral do mais forte sempre prevalecia e a sobrevivência era
a única moral existente. No estado civil, impera a moral do soberano,
isto é, daquele indivíduo escolhido pelos demais como aquele que dis-
tingue o justo do injusto. Portanto, a vontade do rei deveria ser a única
e exclusiva fonte moral a ser obedecida. A noção de razão de Estado,
que floresceu com o Estado moderno, aceita que, em circunstâncias es-
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pecíficas e determinadas, o soberano possa infringir os códigos morais


prevalecentes para salvaguardar o seu poder.
Assim, a ação política imporia ao seu praticante “[...] ações
moralmente reprováveis, porém necessárias por causa da natureza e
da finalidade da própria atividade” (BOBBIO, 2003, p. 168). Da mesma
forma que o político teria uma moral própria, certas categorias profissio-
nais, ao longo da História, também advogam a existência de um direito
particular e de uma moral específica. Se existe uma ética inerente à
política, existiria, do mesmo modo, uma ética aplicável a profissões de-
terminadas, como a dos médicos, dos padres e dos advogados.

28
A ética na política
Ao contrário da ética médica, da ética esportiva ou da ética
do trabalho, não existe um consenso sobre quais seriam os preceitos
éticos da política. O que existe, fundamentalmente, é a noção de que a
moral política se reporta às ações de um indivíduo no que toca aos seus
deveres para com os outros, e não consigo mesmo.

ÉTICA DAS CONVICÇÕES E ÉTICA DA RESPONSABILIDADE

Quando refletimos sobre a importância da moral e da ética na


vida pública, é importante entender como os valores morais e éticos
guiam os homens públicos em suas ações. Em seu clássico artigo “Po-
lítica como Vocação”, o sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) dis-
tingue três qualidades para a formação de um homem público (WEBER,
1965). Em primeiro lugar, a paixão à causa; e segundo lugar, o senso
de responsabilidade; em terceiro lugar, o senso de proporção, isto é, a
capacidade de manter distância dos fatos e dos homens, de modo a re-
fletir com mais propriedade sobre os acontecimentos. Segundo Weber
(1965), os homens precisam ainda superar a vaidade, pois o desejo de
poder pode desvirtuar tanto a sua paixão quanto o seu senso de pro-
porção. Ou seja, a vaidade poder tornar-se um fim em si mesmo, uma
busca exclusiva pela exaltação do próprio ego.
Existe uma ética própria para o mundo político? Para Weber
(1965), na política haveriam dois pecados mortais. Primeiro, não de-
fender nenhuma causa, o que conduz o político à paralisia e à busca
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do brilho efêmero. Segundo, não possuir nenhum senso de responsa-


bilidade, o que o leva a abusar do poder como um fim em si mesmo,
sem qualquer propósito maior. As causas que justificam o alcance do
poder dependeriam das visões de mundo e convicções íntimas de cada
político. Tais motivações podem ser humanistas, nacionalistas, sociais,
religiosas e éticas.
Nesse sentido, cabe indagar se existiria um “mínimo ético” na
política que compatibilizasse as diversas causas que levam os políticos
a almejar o poder. Seria a ética da política a mesma ética da religião?
Segundo Weber (1965), a ética religiosa, contida nos Evangelhos, im-
plica em comportamentos rígidos e que não admitem meio-termo: é o
29
“tudo ou nada”. A ética dos Evangelhos persegue verdades absolutas e
incontestáveis, baseadas na convicção e na consciência individual.
De acordo com Weber (1965), as condutas podem ser orien-
tadas segundo duas lógicas: a ética da ética da convicção e a ética
da responsabilidade. Isto não significa que a ética da convicção esteja
desconectada de qualquer responsabilidade. O ponto central da ética
da responsabilidade é a noção das consequências do ato humano e o
reconhecimento do papel da vontade, da ação ou da omissão na pro-
dução de resultados. Quando se observa apenas ética da convicção,
atribui-se qualquer consequência dos atos humanos à vontade divina.
Dessa forma, os homens isentam-se de qualquer compromisso, obriga-
ção e prudência no dia a dia, pois seu destino estaria traçado.
A questão mais sensível da ética da responsabilidade é o fato
de que, para alcançar fins considerados nobres, os homens às vezes
precisam recorrer a expedientes considerados desagradáveis, deso-
nestos ou perigosos. Assim, o ato de mentir, segundo a ética das con-
vicções, é moralmente condenável. Já segundo a ética da responsabili-
dade, a mentira, muitas vezes, pode ser uma forma de se evitar um mal
maior. Segundo Weber (1965), no entanto, nenhuma ética conseguiu,
até hoje, definir o que seria uma finalidade considerada “eticamente
boa” que justificasse o uso de métodos considerados moralmente peri-
gosos, como o uso da força.

As duas lógicas weberianas que conduzem a vida política: a


Ética das Convicções e Ética da Responsabilidade:
• Ética da responsabilidade é a noção das consequências do
ato humano e o reconhecimento do papel da vontade, da ação ou da
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omissão na produção de resultados.


• Ética da convicção é a atribuição de qualquer consequência
dos atos humanos à vontade divina. Dessa forma, os homens isentam-
-se de qualquer compromisso, obrigação e prudência no dia a dia, pois
seu destino estaria traçado.

Em que circunstâncias se justifica o uso da força para o al-


cance de fins considerados justos? No caso de uma guerra ou de uma
revolução, por exemplo, seria legítimo o recurso à violência para alcan-
çar fins considerados justos? Os partidários da ética da convicção são
30
unânimes ao afirmar que matar um outro ser humano é considerado um
pecado mortal, sem qualquer exceção. Já sob o ponto de vista da ética
da responsabilidade, em casos excepcionais, como o de uma ameaça à
sobrevivência do Estado ou da nação, seria moralmente justo o empre-
go da força e da violência armada para repelir uma invasão ao território
nacional.
Essa tensão entre meios e fins caracteriza a ética da respon-
sabilidade. Nesse sentido, a violência poderia ser admitida como um
meio do alcance de fins políticos considerados nobres ou justos, como a
sobrevivência nacional. Da mesma forma, o debate entre a continuida-
de de uma revolução ou de uma guerra e a realização da paz depende,
sobretudo, das condições em que os termos da paz são assinados. Se
forem injustos, os partidários da ética da responsabilidade admitem a
legitimidade da continuidade da revolução ou da guerra.

Os partidários da ética da convicção acreditam que quaisquer


atos humanos geram consequências, inclusive na política. Já para os
adeptos da ética da responsabilidade, a política, diferentemente da reli-
gião, exige que os homens tenham senso de proporção. Sendo assim,
convidamos você a refletir sobre a seguinte situação:
• Um determinado país sofre um ataque externo e precisa to-
mar atitudes de defesa e ataque. No entanto, sua população não tem
total conhecimento sobre os desdobramentos dessa situação. Revelar
tudo o que está acontecendo pode gerar pânico geral e piorar ainda
mais o quadro, até mesmo dificultando as ações de defesa. Para a ética
da convicção, a verdade deve estar acima de tudo. Contudo, preservar
em sigilo determinadas informações ou até mesmo mentir sobre elas
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pode promover a segurança nacional. Para os adeptos da ética da res-


ponsabilidade, é preciso lançar mão do senso de proporção. Em que
medida um chefe de Estado deve pender para uma das duas lógicas?

Para Weber (1965), é impossível conciliar a ética da convicção


e a ética da responsabilidade, pois a primeira não admite concessões
à segunda. A ética da convicção defende que os meios são mais im-
portantes que os fins. Isto é, o mal só pode trazer o mal. A ética da res-
ponsabilidade, por sua vez, admite que os fins justifiquem os meios. Ou
seja, o mal, quando praticado com fins nobres, também pode produzir o
31
bem. Todas as crenças religiosas enfrentam o problema da ética na po-
lítica. A questão mais sensível são as circunstâncias em que se admite
e se legitima o uso da violência. Os políticos, ao praticarem a violência
com a busca de um fim nobre, devem não apenas justificar o recurso à
força, mas buscar seguidores que compartilhem de seus objetivos.
Em síntese, Max Weber afirma que a política não pode abrir
mão das questões éticas. Os homens que se dedicam à política, na
visão do autor, devem estar cientes das consequências e impactos de
seus atos. A salvação das almas, de um indivíduo e de seu grupo, não
deve ser buscada por meio da política, mas da religião. O caminho da
política, por sua vez, pressupõe o uso de algum tipo de violência para
alcançar os objetivos pretendidos. Nesse sentido, é preciso esclarecer
aos partidários da ética da convicção que quaisquer atos humanos ge-
ram consequências. A política, diferentemente da religião, exige que os
homens tenham senso de proporção. Sendo assim, a política seria a
arte do possível.

Ao fim desta unidade caro aluno sugerimos a leitura do livro


de Ferraz Jr. “Introdução ao estudo do direito: técnica, decisão,
dominação” (2019). Nesta obra o autor analisa as diversas teorias e
concepções do mundo jurídico. É um livro que propõe uma reflexão
acerca do fenômeno do Direito no contexto das questões éticas do mun-
do contemporâneo. O autor se põe a refletir, de modo critico, sobre as
relações entre Direito, Ética e a sociedade de consumo na qual estamos
inseridosDisponível em: https://bit.ly/2Ocaijw. Acesso em: 12 jan. 2021.
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QUESTÃO 1
(Enem 2010, 2ª aplicação) No século XX, o transporte rodoviário e
a aviação civil aceleraram o intercâmbio de pessoas e mercado-
rias, fazendo com que as distâncias e a percepção subjetiva das
mesmas se reduzissem constantemente. É possível apontar uma
tendência de universalização em vários campos – por exemplo, na
globalização da economia, no armamentismo nuclear, na manipu-
lação genética, entre outros.
HABERMAS, J. A constelação pós-nacional: ensaios políticos. São
Paulo: Littera Mundi, 2001
(adaptado).
Os impactos e efeitos dessa universalização, conforme descrito
no texto, podem ser analisados do ponto de vista moral, o que leva
à defesa da criação de normas universais que estejam de acordo
com:
a) os valores culturais praticados pelos diferentes povos em suas tradi-
ções e costumes locais.
b) os pactos assinados pelos grandes líderes políticos, os quais dis-
põem de condições para tomar decisões.
c) os sentimentos de respeito e fé no cumprimento de valores religiosos
relativos à justiça divina.
d) os sistemas políticos e seus processos consensuais e democráticos
de formação de normas gerais.
e) os imperativos técnico-científicos, que determinam com exatidão o
grau de justiça das normas.

QUESTÃO 2
(Enem 2010) A ética precisa ser compreendida como um empreen-
dimento coletivo a ser constantemente retomado e rediscutido, por-
que é produto da relação social se organize sentindo-se responsá-
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vel por todos e que crie condições para o exercício de um pensar


e agir autônomos. A relação entre ética e política é também uma
questão de educação e luta pela soberania dos povos. É necessária
uma ética renovada, que se construa a partir da natureza dos valo-
res sociais para organizar também uma nova prática política.
CORDI et al. Para filosofar. São Paulo: Scipione, 2007 (adaptado).
O Século XX teve de repensar a ética para enfrentar novos proble-
mas oriundos de diferentes crises sociais, conflitos ideológicos e
contradições da realidade. Sob esse enfoque e a partir do texto, a
ética pode ser:
a) compreendida como instrumento de garantia da cidadania, porque
33
através dela os cidadãos passam a pensar e agir de acordo com valores
coletivos.
b) mecanismo de criação de direitos humanos, porque é da natureza do
homem ser ético e virtuoso.
c) meio para resolver os conflitos sociais no cenário da globalização,
pois a partir do entendimento do que é efetivamente a ética, a política
internacional se realiza.
d) parâmetro para assegurar o exercício político primando pelos interes-
ses e ação privada dos cidadãos.
e) aceitação de valores universais implícitos numa sociedade que busca
dimensionar sua vinculação à outras sociedades.

QUESTÃO 3
(Enem 2010). Na ética contemporânea, o sujeito não é mais um su-
jeito substancial, soberano e absolutamente livre, nem um sujeito
empírico puramente natural. Ele é simultaneamente os dois, na me-
dida em que é um sujeito histórico-social. Assim, a ética adquire
um dimensionamento político, uma vez que a ação do sujeito não
pode mais ser vista e avaliada fora da relação social coletiva. Des-
se modo, a ética se entrelaça, necessariamente, com a política, en-
tendida esta como a área de avaliação dos valores que atravessam
as relações sociais e que interliga os indivíduos entre si.
SEVERINO. A. J. Filosofia
O texto, ao evocar a dimensão histórica do processo deformação
da ética na sociedade contemporânea, ressalta:
a) os conteúdos éticos decorrentes das ideologias político-partidárias.
b) o valor da ação humana derivada de preceitos metafísicos.
c) a sistematização de valores desassociados da cultura.
d) o sentido coletivo e político das ações humanas individuais.
e) o julgamento da ação ética pelos políticos eleitos democraticamente
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QUESTÃO 4
(Enem 2009). Na década de 30 do século XIX, Tocqueville escre-
veu as seguintes linhas a respeito da moralidade nos EUA: “A opi-
nião pública norte-americana é particularmente dura com a falta
de moral, pois esta desvia a atenção frente à busca do bem-estar
e prejudica a harmonia doméstica, que é tão essencial ao sucesso
dos negócios. Nesse sentido, pode-se dizer que ser casto é uma
questão de honra”.
TOCQUEVILLE, A. Democracy in America. Chicago: Encyclopædia
Britannica, Inc., Great Books 44, 1990 (adaptado).
Do trecho, infere-se que, para Tocqueville, os norte-americanos do
34
seu tempo:
a) buscavam o êxito, descurando as virtudes cívicas.
b) tinham na vida moral uma garantia de enriquecimento rápido.
c) valorizavam um conceito de honra dissociado do comportamento ético.
d) relacionavam a conduta moral dos indivíduos com o progresso eco-
nômico.
e) acreditavam que o comportamento casto perturbava a harmonia do-
méstica.

QUESTÃO 5
(Enem 2017) “Uma pessoa vê-se forçada pela necessidade a pedir
dinheiro emprestado. Sabe muito bem que não poderá pagar, mas
vê também que não lhe emprestarão nada se não prometer firme-
mente pagar em prazo determinado. Sente a tentação de fazer a
promessa; mas tem ainda consciência bastante para perguntar a
si mesma: não é proibido e contrário ao dever livrar-se de apuros
desta maneira? Admitindo que se decida a fazê-lo, a sua máxima
de ação seria: quando julgo estar em apuros de dinheiro, vou pe-
di-lo emprestado e prometo pagá-lo, embora saiba que tal nunca
sucederá”.
KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo:
Abril Cultural, 1980.
De acordo com a moral kantiana, a “falsa promessa de pagamento”
representada no texto:
a) assegura que a ação seja aceita por todos a partir da livre discussão
participativa.
b) garante que os efeitos das ações não destruam a possibilidade da
vida futura na terra.
c) opõe-se ao princípio de que toda ação do homem possa valer como
norma universal.
d) materializa-se no entendimento de que os fins da ação humana po-
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dem justificar os meios.


e) permite que a ação individual produza a mais ampla felicidade para
as pessoas envolvidas.

QUESTÃO 6
(Enem 2017). A moralidade, Bentham exortava, não é uma questão
de agradar a Deus, muito menos de fidelidade a regras abstratas. A
moralidade é a tentativa de criar a maior quantidade de felicidade
possível neste mundo. Ao decidir o que fazer, deveríamos, portan-
to, perguntar qual curso de conduta promoveria a maior quantida-
de de felicidade para todos aqueles que serão afetados.
35
RACHELS, J. Os elementos da filosofia moral. Barueri-SP: Manole,
2006.
Os parâmetros da ação indicados no texto estão em conformidade
com uma:
a) fundamentação científica de viés positivista.
b) convenção social de orientação normativa.
c) transgressão comportamental religiosa.
d) racionalidade de caráter pragmático.
e) nclinação de natureza passional.

QUESTÃO 7
(Enem 2017) “Se, pois, para as coisas que fazemos existe um fim
que desejamos por ele mesmo e tudo o mais é desejado no interes-
se desse fim; evidentemente tal fim será o bem, ou antes, o sumo
bem. Mas não terá o conhecimento, porventura, grande influência
sobre essa vida? Se assim é, esforcemo-nos por determinar, ainda
que em linhas gerais apenas, o que seja ele e de qual das ciências
ou faculdades constitui o objeto. Ninguém duvidará de que o seu
estudo pertença à arte mais prestigiosa e que mais verdadeiramen-
te se pode chamar a arte mestra. Ora, a política mostra ser dessa
natureza, pois é ela que determina quais as ciências que devem ser
estudadas num Estado, quais são as que cada cidadão deve apren-
der, e até que ponto; e vemos que até as faculdades tidas em maior
apreço, como a estratégia, a economia e a retórica, estão sujeitas
a ela. Ora, como a política utiliza as demais ciências e, por outro
lado, legisla sobre o que devemos e o que não devemos fazer, a
finalidade dessa ciência deve abranger as das outras, de modo que
essa finalidade será o bem humano.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. In: Pensadores. São Pauto: Nova
Cultural, 1991 (adaptado).
Para Aristóteles, a relação entre o sumo bem e a organização da
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pólis pressupõe que:


a) o bem dos indivíduos consiste em cada um perseguir seus interesses.
b) o sumo bem é dado pela fé de que os deuses são os portadores da
verdade.
c) a política é a ciência que precede todas as demais na organização
da cidade.
d) a educação visa formar a consciência de cada pessoa para agir cor-
retamente.
e) a democracia protege as atividades políticas necessárias para o bem
comum.

36
QUESTÃO 8
(Enem/2013) “Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado
que temido ou temido que amado. Responde-se que ambas as coi-
sas seriam de desejar; mas porque é difícil juntá-las, é muito mais
seguro ser temido que amado, quando haja de faltar uma das duas.
Porque dos homens que se pode dizer, duma maneira geral, que
são ingratos, volúveis, simuladores, covardes e ávidos de lucro,
e enquanto lhes fazes bem são inteiramente teus, oferecem-te o
sangue, os bens, a vida e os filhos, quando, como acima disse, o
perigo está longe; mas quando ele chega, revoltam-se.”
MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Rio de Janeiro: Bertrand, 1991.
A partir da análise histórica do comportamento humano em suas
relações sociais e políticas, Maquiavel define o homem como um
ser:
a) munido de virtude, com disposição nata a praticar o bem a si e aos
outros.
b) possuidor de fortuna, valendo-se de riquezas para alcançar êxito na
política.
c) guiado por interesses, de modo que suas ações são imprevisíveis e
inconstantes.
d) naturalmente racional, vivendo em um estado pré-social e portando
seus direitos naturais.
e) sociável por natureza, mantendo relações pacíficas com seus pares.

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37
ÉTICA MORAL & POLÍTICA:
A CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA

O CONCEITO DE CIDADANIA E SUA EVOLUÇÃO HISTÓRICA

Cidadania é um laço que une um indivíduo a um determina-


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do Estado-Nação. Esse vínculo de subordinação a uma ordem jurídica


nacional torna o indivíduo sujeito a direitos e obrigações, tornando-o
parte integrante de um povo. O povo é o elemento humano que habita
o território do Estado e que se mantém unido graças aos valores e aos
objetivos comuns que compartilham. A cidadania é o vínculo estabeleci-
do entre o Estado e o povo. O vínculo de cidadania se prolonga por toda
a vida e é definidor da identidade pessoal de um indivíduo. No entender
de Bonavides (2006), a cidadania implica em deveres básicos em rela-
ção a uma coletividade, como a fidelidade à Nação e a observância das
normas do Estado.
Jorge Miranda afirma que os cidadãos são os membros do
38
Estado, sujeitos de Direito e súditos da ordem política juridicamente
organizada. Cidadania, portanto, define a qualidade do sujeito que se
subordina a uma coletividade política. O autor distingue a cidadania da
nacionalidade. A primeira é o vínculo direto de um indivíduo a um Esta-
do, enquanto a segunda é a relação entre um indivíduo e uma Nação.
A aquisição e a perda de cidadania é definida pelas regras internas do
Estado que as concede. Há dois meios fundamentais de aquisição da
cidadania: pela filiação (jus sanguinis) ou pelo local de nascimento (jus
soli). A cidadania implica na participação da vida política de um Estado,
como o direito de votar e de ser votado (MIRANDA, 2002).
O conceito de cidadania, em sua versão moderna, nutriu-se das
ideias surgidas na Itália, Inglaterra, França e Estados Unidos a partir da
Idade Moderna. De Nicolau Maquiavel a Thomas Hobbes e de Jean Ja-
cques Rousseau aos Federalistas norte-americanos, a base do pensa-
mento político moderno, compreendido como um conjunto de teorias e de
ideias relacionadas à busca da institucionalização dos conflitos, forjou-se
numa pluralidade de correntes e de tradições envoltas na formação da
linguagem e da prática política europeia nos séculos XVI a XVIII.
Da matriz italiana, o republicanismo absorveu as lições de Ma-
quiavel acerca da formação do humanismo cívico num contexto de re-
posicionamento do homem no centro do pensamento. Responsável por
uma ruptura no pensamento ocidental e fundador da Ciência Política, o
autor resgata o pensamento greco-latino para embasar as suas refle-
xões acerca das temáticas políticas de seu tempo.
O pensamento de Maquiavel se tornou clássico por duas ra-
zões centrais: a ampla difusão no Ocidente e abrangência de largas
temporalidades. Maquiavel aborda as constantes disputas de poder en-
tre as cidades-Estado da península itálica, mostrando como a instabili-
dade e a imprevisibilidade eram inerentes à realidade contemporânea.
Para Maquiavel, política e história também deveriam ser ana-
lisadas em conjunto, já que o poder organizava historicamente as rela-
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

ções econômicas e sociais entre os indivíduos, via exercício da domina-


ção e a busca do consenso. O autor desenvolve, nas duas obras, a ideia
de que o corpo político se divide ante o desejo de dominação e de ser
dominado, o que se nota, por exemplo, no relato dos conflitos entre as
potências europeias da época e as cidades do norte italiano. Finalmen-
te, demonstra que a política se desenrola na dicotomia essência versus
aparência, mostrando como a política possui uma importante dimensão
simbólica na construção de narrativas.
A noção de cidadania desenvolvida por Maquiavel seria trans-
formada na França, dois séculos depois. Jean Jacques Rousseau foi o
mais notável dos filósofos do período Iluminista e o principal represen-
39
tante do republicanismo de matriz francesa. Em “O Espírito das Leis”,
Rousseau ataca a Igreja e a instituição monárquica pelas desigualda-
des e pela miséria. Para conter a proliferação de uma sociedade pro-
fundamente desigual, prega um ideal democrático, rejeitando o estado
histórico, construído desde tempos imemoriais, ao qual atribui a culpa
pela desigualdade dos homens.
Disseminador de ideais de coletividade e de cooperação, Rou-
sseau propõe a composição de um novo Estado, não-tirano, opressor
e fonte de desigualdades, mas de um organismo protetor, socialmente
justo, sem privilégios e que tenha no povo a fonte de todo e qualquer
poder. No fundo, a função deste novo Estado, pautado pela justiça e pe-
los direitos de todos os homens, era alcançar algo próximo da perfeição
e da igualdade.
Rousseau conecta, portanto, a formação da liberdade do ci-
dadão à soberania popular. Há, portanto, uma possível aproximação
entre o pensamento de Rousseau e o de Maquiavel, na medida em que
ambos procuram afirmar a necessidade de legitimação do poder. Na
visão de Rousseau, o homem não é um ser naturalmente sociável, mas
socializável pelas circunstâncias e pela luta para sobreviver.
Em “Discurso da origem da desigualdade entre os homens”,
o autor argumenta que os direitos se formam a partir de um contrato
de submissão dos homens a um poder. Nessa linha, ataca a noção
de direitos naturais precedente, afirmando a necessidade de pactuação
do corpo político para a afirmação das liberdades. Nesse sentido, sua
obra trata da problemática do “contrato social”, associada à ideia de
república e de igualdade entre os homens. Para Rousseau, a cidadania
pressupõe a existência de simetria e de uma “vontade geral” entre os
cidadãos, valorizando, dessa forma, o controle democrático e a presta-
ção de contas. A noção contemporânea de cidadania, em um contexto
democrático, se valeu do debate de ideias durante a formação históri-
ca das instituições republicanas dos Estados Unidos da América. Texto
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

clássico da Ciência Política, ‘O Federalista” (1788) consagrou-se como


um conjunto de artigos escritos por Alexander Hamilton, James Madison
e John Jay, três dos Pais Fundadores da recém independente nação
norte-americana.
Além de consagrados partícipes do processo de emancipação
política do país, Hamilton, Madison e Jay tiveram atuação destacada no
processo de elaboração do texto constitucional dos Estados Unidos, no
bojo da conclusão da Guerra da Independência e dos arranjos para a
estabilização política interna. O objetivo da publicação desses artigos foi
explicitar e debater os temas centrais discutidos no processo constituinte,
em especial a centralização, a coordenação e o controle do poder.
40
James Madison, em “O Federalista”, aborda a temática do con-
trole do poder político e da contenção das ambições humanas. Advoga,
nessa direção, a necessidade de instituir mecanismos capazes de afas-
tar as tiranias e assegurar a existência das liberdades dentro do Estado,
tornando-se um dos principais teóricos da existência de “checks and
balances” (freios e contrapesos) entre as diversas instâncias e poderes.
A teoria liberal da cidadania nutriu-se das lições de Montesquieu e da
seiva madisoniana para consolidar o entendimento que consagrou a
moderna tripartição de poderes do Estado.
Em breves palavras, somente o poder poderia ser contido por
outro poder, numa sucessão de mecanismos capazes de refrear o ím-
peto autoritário dos governantes. Madison dialoga com a teoria do “go-
verno misto”, existente na Inglaterra liberal do século XVIII, em que as
funções governativas eram compartilhadas pelos três principais grupos
sociais, favorecendo a harmonia, a convivência civil e a liberdade.
Fruto de uma rebelião de cidadãos armados contra uma mo-
narquia, nos Estados Unidos estavam ausentes as condições para
a existência desse modelo de organização social e política. Madison
argumentava que o elemento inspirador da nova nação também não
deveria ser a “virtude” das experiências republicanas da Antiguidade
Clássica. Contrariamente ao “governo misto” e à “virtude” dos clássicos
da Grécia, ancorava-se na teoria da “tripartição de poderes” de Montes-
quieu, que defendia uma divisão das atribuições do poder de maneira
horizontal entre três braços independentes e autônomos de governo: o
Legislativo, responsável pela edição de normas; o Executivo, responsá-
vel pela sua aplicação; e o Judiciário, responsável por dirimir conflitos.
A separação de poderes garantiria a autonomia, o equilíbrio
e a liberdade, dissolvendo o poder absoluto em várias mãos. Madison
preconizava a necessidade de se conter o mal das facções através do
seu controle, não da sua eliminação. Compreendendo a sua natureza
e risco, o autor buscava alguma forma de lidar com as diferentes forças
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

sociais e políticas nascidas da diversidade de ideias, crenças, opiniões


e interesses, mas que poderiam ameaçar a estabilidade política dos
governos e a existência dos regimes.
Madison entendia que a eliminação das facções era algo in-
compatível com um sistema de liberdades, cuja missão principal do go-
verno era salvaguardar. Um ponto central da visão madisoniana, nesse
sentido, era a necessidade de equacionar a vontade da maioria com os
direitos das facções minoritárias, evitando que a primeira esmagasse
as segundas. A existência de mecanismos de proteção das minorias do
abuso de poder era essencial para evitar a tirania.
James Madison rompe com a tradição dos governos populares
41
da Antiguidade ao defender o modelo de democracia representativa,
em que as facções estariam representadas por um corpo político de
cidadãos preparados para governar. A ampliação da base territorial de
governo também seria importante. Por outro lado, a existência de gover-
nos representativos não eliminaria o mal das facções, tendo em vista a
existência do risco de degeneração do poder em armadilhas faccioná-
rias capazes de levar à captura do governo por interesses contrários à
vontade geral.
Desta forma, o remédio proposto não é a eliminação das fac-
ções, mas a sua multiplicação, de modo a pulverizar o poder num gran-
de número de forças facciosas de alcance local e limitado, cada uma
delas incapaz de ameaçar a existência da liberdade. O objetivo é a neu-
tralização das facções entre si, numa fórmula semelhante à teoria dos
“checks and balances”. O interesse geral, resume Madison, se alcan-
çaria através da coordenação dos interesses em conflito pelos poderes
que interagem entre si, filtrando os excessos e compatibilizando a von-
tade da maioria com os direitos das minorias. A atualidade dos textos
dos autores norte-americanos repousa em sua capacidade de pensar
temas fundamentais da sociedade política moderna.

É bom termos em mente, como se formou o conceito de


cidadania tal qual conhecemos hoje. Um esquema mnemônico é uma
excelente ferramenta para visualizarmos como esta ideia se formou.
Tomemos nota das coordenadas:
• Itália - Maquiavel: essência versus aparência.
• França - Jean Jacques Rousseau: ideais democráticos e de
cooperação.
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• Estados Unidos - Alexander Hamilton, James Madison e John


Jay: suprimir tirania e garantir liberdades dentro do Estado.
• Atualmente, o conceito de cidadania passa pela ideia da re-
presentatividade. O direito contemporâneo adota essa visão.
• Para um futuro próximo, já existem rumores de uma cidadania
mundial.
“Cidadania, hoje, tem um sentido ético-filosófico de acesso à
dignidade da pessoa humana”.
Entenda mais sobre a relação entre política e cidadania as-
sistindo ao vídeo “Política e Cidadania com Mario Sergio Cortella”.
Disponível em: https://bit.ly/382nxKC. Acesso em: 07 fev. 2021.
42
CIDADANIA E DIREITOS FUNDAMENTAIS

O conceito de cidadania não teve difusão uniforme no Ociden-


te. No ideário iluminista, ser cidadão significava ter a posse de direitos
políticos uniformes e iguais. A ideia era a de que todos eram iguais
perante a lei. Na concepção do universalismo moderno, existe a ideia
de igualdade como um ponto de partida. O papel do Estado é reduzido;
ele confere a cidadania e define os direitos em abstrato. A Revolução
Francesa trouxe como conquista a Declaração de Direitos do Homem
e do Cidadão. Nessa concepção, o Estado não atrapalha as relações
entre os particulares.
O Estado reconhece os direitos individuais, mas adota um pa-
pel de definir o que é o espaço da liberdade. O Estado reconhece o
direito e se abstém de interferir nisso. Atribui direitos ao indivíduo e isso
tem impactos sobre a concepção de cidadania. No discurso liberal, há
uma igualdade formal. Por exemplo, o voto de cada cidadão tem o mes-
mo valor, independentemente de sua condição social ou financeira.
Na concepção liberal de cidadania está presente a ideia da
representatividade. O indivíduo pertence a uma ordem soberana e é
esta ordem que o reconhece como cidadão. Essa concepção é orien-
tada por critérios político-jurídicos constitucionalizados. No Direito con-
temporâneo, encontraremos concepções que afirmam essa ideia, que
é moderna.
Nesse sentido, cidadão é aquele que é capaz de votar ou que
está habilitado para receber votos. Votar e ser votado é o que define
a condição de cidadão. No entanto, seria essa concepção é suficiente
para a realização do ideário democrático? Seria que é suficiente para
atender às demandas sociais?
A concepção moderna de cidadania se baseia em valores do
ideário iluminista. Em primeiro lugar, não considera as diferenças con-
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

cretas entre as pessoas. Assim, seria suficiente o afastamento do Esta-


do para que sejam realizados os valores sociais. Em segundo lugar, não
considera as oposições existentes dentro da própria sociedade. Basta-
ria a igualdade de fato, sem considerações sobre as desigualdades de
fato que existem nas ruas.
Na concepção tradicional de cidadania, o Estado concentra em
si o poder da violência legitimada. Os indivíduos, por sua vez, têm uma
participação política periférica. Onde está presente o Estado, não ha-
veria espaço para o indivíduo. A participação política, nessa concepção
liberal, seria restrita a ocasiões determinadas nas quais o cidadão é
chamado a votar. A realização da cidadania, portanto, dependeria de
43
formalismos e burocracias e há um espaço muito pequeno para par-
ticipação. Do mesmo modo, é o Estado quem definiria os direitos do
cidadão, numa relação hierárquica entre quem dita as regras e quem
obedece.
Essa visão vem sendo solapada por uma série de ineficácias e
déficits de atuação do Estado de Direito. Em seu lugar, tem-se construí-
do uma nova concepção de cidadania, com atuação proativa na cons-
trução dos espaços sociais. A cidadania, nessa concepção, pertenceria
à sociedade civil e seria exercida como atividade realizadora de meca-
nismos que permitissem o acesso a direitos fundamentais. Há a ideia
de efetividade de poucos bens ao invés da universalidade de muitos
direitos. O que se valoriza é a experiência pragmática de justiça, provida
não apenas pelo Estado, mas por organizações do Terceiro Setor.
Diante da incapacidade do Estado de atendar às necessidades
sociais, os atores sociais exerceriam papel auxiliar no provimento de
bens públicos. A nova ideia social rompe o verticalismo do poder. Há
um horizontalismo no qual a sociedade assume o papel do Estado nas
políticas sociais.
A noção de cidadania não se baseia mais em parâmetros for-
mais da teoria tradicional. Cidadania, hoje, tem um sentido ético-filosófi-
co de acesso à dignidade da pessoa humana. O Estado não é suficiente
como agente produtor de justiça e como promotor do bem-estar social.
Em um contexto de esvaziamento do papel agregador do estado, são
necessários outros agentes na afirmação da cidadania e na garantia de
acesso a condições dignas de vida.
Apesar dos padrões cada vez mais individualistas de compor-
tamento moral, responsável por certa apatia global diante das injustiças,
da miséria e da guerra, há reações importantes em curso no sentido de
ampliar o engajamento e a participação da sociedade na vida pública.
A democracia é o espaço privilegiado de exercício da cidada-
nia. Administra os interesses gerais da coletividade e aperfeiçoa a ra-
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cionalidade pública. Essa problemática constitui fonte de preocupação


para filósofos, antropólogos, cientistas políticos, sociólogos e estudan-
tes de todas as áreas.
O atual estágio de evolução humana consegue avançar, pela
emergente engenharia genética, até mesmo na manipulação dos ca-
racteres hereditários da constituição da espécie. Há enorme risco de
que se introduzam na natureza humana, modificações que suprimam
ou significativamente reduzam as suas características transcendentes,
criando condições para que se perpetue esse intransitivo consumismo
tecnológico de um novo tipo humano, cuja descartabilidade passe a fa-
zer parte de sua natureza.
44
A CIDADANIA NO MUNDO GLOBALIZADO

A ideia de cooperação norteia a nova sociedade global. A bus-


ca da resolução de problemas comuns da humanidade induz as nações
a ampliar o compartilhamento de informações e a procurar caminhos
para a superação de flagelos comuns como a fome, as guerras, a po-
breza e a miséria.
Essa interdependência entre Estados nacionais também trou-
xe novos desafios para a sociedade civil em âmbito internacional. Com
a diluição da soberania e a interconexão entre as economias, os Es-
tados perderam o monopólio do seu poder de balizar a vida política
e econômica. Nesse sentido, amplia-se, cada vez mais, o espaço de
ação dos cidadãos na esfera pública para expressar suas ideias e seus
interesses, intercambiando informações e buscando alcançar objetivos
comuns.
O crescimento das Organizações Não-Governamentais, em
escala mundial, é uma expressão dessa abertura do espaço público
para novos atores não estatais. Cada vez mais, eles desempenham pa-
péis relevantes nas sociedades, interferindo na política e na economia
de diversas formas. A globalização econômica e a revolução tecnológi-
ca fortaleceram o papel dessas instituições nas mais variadas searas
da vida das nações.
O contato cada vez mais estreito entre cidadãos de várias na-
cionalidades e a coincidência de interesses entre povos que vivem em
espaços políticos distintos, pavimenta o caminho para o surgimento de
uma verdadeira sociedade global e de uma autêntica cidadania mun-
dial. Portanto, hoje já se pode falar no surgimento de um sentimento ci-
dadão em escala planetária, alavancado pelas novas tecnologias, pelas
ferramentas de comunicação, pelas redes sociais e pelo poder cada vez
maior das organizações não-governamentais.
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O surgimento de uma governança global também impacta na


formação do sentimento de cidadania. Organizações não-governamen-
tais, mais do que os Estados e as empresas, conseguem mobilizar os
cidadãos em defesa dos interesses de certas pautas políticas, econômi-
cas e sociais: o meio ambiente, os direitos humanos, o desarmamento,
o comércio justo, o respeito aos animais, a defesa de minorias etc.
Essas organizações influenciam não apenas as pautas polí-
ticas nacionais, mas também na agenda das organizações interna-
cionais. Um exemplo dessa participação da sociedade civil tem sido
observado nas conferências internacionais sobre ambiente e sustenta-
bilidade, como a Rio-92, a Rio +20 e a Conferência de Paris, nas quais o
45
envolvimento de grupos de ambientalistas, empresários, trabalhadores,
acadêmicos e cientistas tem sido cada vez maior. Pautas como meio
ambiente e direitos humanos atravessam as fronteiras e aproximam os
cidadãos. São temas que possuem uma dimensão local, mas também
global, gerando a mobilização da cidadania.
Como lidar com os desafios da cidadania global sem institui-
ções adequadas para balizá-los? A cidadania nasceu como um concei-
to inerente à ordem interna dos Estados, mas se torna cada vez mais
atrelado a uma perspectiva global. A formação de uma opinião pública
mundial interconectada com os desafios do presente traz grandes dile-
mas para a democracia e para a governabilidade contemporâneas.
A fraqueza dos mecanismos decisórios e a ausência de es-
paços para a atuação da sociedade civil organizada é um problema.
Inexiste, por exemplo, um parlamento mundial que vocalize as vozes
dos cidadãos do mundo. Da mesma forma, não há um poder mundial
capaz de implementar decisões coletivas de forma coesa e organizada
no espaço terrestre. A diluição da soberania dos Estados e o enfraque-
cimento do poder das instituições nacionais, ao mesmo tempo em que
abre espaço para a atuação da sociedade civil, não traz soluções para
os novos paradigmas da sociedade internacional.
Nesse sentido, surge a necessidade de institucionalização da
cidadania e de buscar soluções políticas para lidar com os desafios da
globalização econômica e da revolução tecnológica. O sistema de go-
vernança global se torna cada vez mais complexo: Estados nacionais,
organizações governamentais, empresas transnacionais, organizações
não-governamentais, imprensa, indivíduos etc. Há uma pluralidade
cada vez de instituições que interagem em escala planetária e que in-
terferem na formação de uma cidadania mundial.
Buscando superar os paradigmas tradicionais de funcionamen-
to dos Estados nacionais, as organizações supranacionais desenvol-
veram mecanismos institucionais de governança regional, como par-
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

lamentos e tribunais, de modo a abrigar a vontade dos cidadãos numa


escala territorial maior.
O problema central da governabilidade em escala mundial é
o da legitimidade das instituições. A ideia de legitimidade se relaciona
com a noção de representação do poder, de defesa dos direitos funda-
mentais e de segurança jurídica. Em outras palavras, a justificação do
poder se baseava na capacidade do Estado de assegurar segurança,
justiça, ordem, paz e liberdade para que os cidadãos buscassem viver
suas vidas.

46
O conceito de cidadania vem sendo elaborado e aprimorado ao
longo dos anos. Atualmente, com o advento da globalização, favorecido
pelo avanço e pelo acesso da tecnologia de informação, percebemos
que a distância entre países foi encurtada. Com algumas exceções, a
maioria das pessoas do mundo inteiro sabe o que se passa ao redor
do globo. Com isso, uma nova faceta se apresenta: a cidadania mun-
dial. Esta nova versão surge com a movimentação e interação cada vez
maior de setores do governa mundial, como os chefes de Estado, as
Organizações Não Governamentais, os empresários, os proprietários
dos veículos de comunicação e os próprios cidadãos. A ideia de go-
vernabilidade mundial passa pelo problema da legitimação das institui-
ções internacionais e pelos conflitos da soberania nacional. Situações
delicadas podem surgir nesse contexto. Um tribunal ou um parlamento
mundial poderia interferir em questões, por exemplo, políticas de um
determinado país? Como ficaria a soberania nacional? Tais instâncias
governamentais internacionais, poderiam num futuro próximo, estabe-
lecer uma nova configuração de cidadania que contemple todos os ha-
bitantes do planeta de forma igualitária?

Em um mundo cada vez mais marcado pela produção de ri-


queza em escala gigantesca e de intensos fluxos financeiros, os Esta-
dos nacionais perderam a capacidade de assegurar desenvolvimento
econômico, reduzir as desigualdades sociais e promover o bem-estar
coletivo. A intensificação da globalização deu ênfase aos processos de
integração econômica e política, mas não avançou adequadamente no
que diz respeito à ampliação dos espaços de participação democrática
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

em escala mundial.
Os Estados nacionais, portanto, não são mais capazes de as-
segurar a cidadania em escala global. Com a globalização e o aumento
da interdependência, o cumprimento de suas funções tradicionais - ga-
rantir a paz, a segurança, a liberdade e o bem-estar – tem sido cada vez
mais delegada e compartilhada por instituições intergovernamentais e
supranacionais. Com a ampliação das assimetrias entre as nações de-
senvolvidas e em desenvolvimento, é preciso cada vez mais pensar em
mecanismos de redução das desigualdades socioeconômicas, base do
exercício da cidadania.
A globalização trouxe prosperidade, mas não oportunidades
47
iguais para todos. Ampliou a escala dos avanços tecnológicos, da inte-
gração regional e da produção de bens e serviços, mas não equalizou
o acesso a eles. A ideia da democratização dos espaços globais de
poder permanece ainda muito distante. Somente os Estados nacionais
foram capazes, até hoje, de colocar em prática sistemas de governança
democráticos.
Embora busquem ampliar os espaços de poder para a socie-
dade civil global, as instituições internacionais ainda não conseguiram
reproduzir, em escala global, os procedimentos institucionalizados que
os Estados nacionais forjaram ao longo da História. Dessa forma, mes-
mo diante de um processo de globalização da cidadania, os Estados
ainda permanecem como instâncias de intermediação entre o interno e
o externo, entre o nacional e o internacional.
Não se pode desprezar, ademais, o seu papel de conferir le-
gitimidade aos mecanismos de governabilidade global. Como são res-
ponsáveis por administrar o território e a população dos Estados, suas
funções clássicas ainda permanecem. Nessa direção, aos Estados
cabe assegurar que a pluralidade, a diversidade e a responsabilidade
estejam presentes na governança global.
A cidadania não se limita mais aos Estados, mas ainda depen-
de deles. Somente a legitimidade e a representatividade conferida por
suas instituições garantem que os cidadãos possam participar ativa-
mente da esfera pública. Os Estados, quando dotados de mecanismos
de governança democrática, ampliam as possibilidades de controle das
sociedades sobre o seu destino.
Eles são, portanto, expressões políticas ainda relevantes para
a viabilização do exercício da cidadania. Sem Estado, não há garantia
de direitos. E sem direitos, não há capacidade de exercício da cidada-
nia. Não existe, no horizonte histórico do século XXI, a possibilidade
de se pensar em mundo sem Estados e no qual os cidadãos possam
exercer uma cidadania global independente das lealdades nacionais.
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A ascensão dos indivíduos como atores globais e no exercício


de uma cidadania global é um fenômeno novo. Os indivíduos, contudo,
não existem por si mesmos, independentes de uma comunidade política
mundial ou de várias comunidades políticas nacionais. Em última ins-
tância, os Estados só existem, como instituições políticas, para proteger
os indivíduos que nele habitam. Portanto, são eles a base da autoridade
estatal.
A própria ampliação das salvaguardas aos direitos fundamen-
tais dos indivíduos cria as bases para a erosão posterior da autoridade
do Estado. Aos indivíduos caberia, assim, não apenas exercer seus di-
reitos e deveres no âmbito interno, mas fiscalizar os Estados em suas
48
relações exteriores. A cidadania, nesse sentido, é o espaço por exce-
lência do exercício do poder do indivíduo em face do Estado ou dos
Estados.
A existência de uma comunidade internacional reforça a ideia
de uma cidadania global. Comunidades pressupõem não apenas uma
coletividade, mas o compartilhamento de ideias e de valores acerca do
funcionamento da sociedade. A comunidade se baseia na busca de uma
identidade comum e da coincidência de visões de mundo sobre a or-
ganização do espaço global. O ideal de uma sociedade cosmopolita,
na qual os Estados perdem a sua razão de ser, permanece utópica e
distante.
Embora os direitos humanos tenham se tornado um tema cada
vez mais central para a comunidade internacional de Estados, ainda há
muito o que caminhar para que haja o reconhecimento do ser humano
como o começo e o fim de todas as ações políticas nacionais e inter-
nacionais. Ou seja, a busca da salvaguarda da vida humana, em todas
as suas esferas, e dos meios de defender a liberdade, a igualdade e a
fraternidade dos indivíduos permanece como um objetivo ideal de uma
cidadania planetária.
Matias (2014) argumenta que a comunidade global permanece
como um objetivo possível no mundo contemporâneo, graças à globali-
zação, à revolução tecnológica e aos fenômenos da integração econô-
mica e política. A existência de ameaças globais à humanidade, como
as mudanças climáticas, o terrorismo, as doenças e a miséria também
constituem, na visão do autor, um poderoso instrumento de coesão
mundial para turbinar uma cidadania planetária.
A viabilidade dessa cidadania, no entanto, depende da existên-
cia de instituições e de espaços de poder compartilhados. A criação de
uma sociedade civil global, nesse contexto, fortalece esse ideal comu-
nitário e direciona a humanidade para o reconhecimento das ameaças
e dos interesses comuns (MATIAS, 2014). Quanto mais fortes, orga-
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nizadas e legítimas forem essas instituições, mais força elas terão no


mundo contemporâneo. A forma mais adequada de balizar expectativas
e de encontrar soluções comuns para os problemas da humanidade é
tornar a cidadania cada vez mais forte e institucionalizada.
Diante da ausência de instituições verdadeiramente represen-
tativas e democráticas em âmbito mundial, os Estados ainda são cha-
mados a atuar como pontes entre o local e o global no exercício de uma
cidadania global. Na visão de Matias, “[...] se uma comunidade global
vier um dia existir, ela deve ser acompanhada de instituições democrá-
ticas e do respeito à pluralidade, para assegurar a legitimidade de seu
poder” (MATIAS, 2014, p. 519).
49
Dessa forma, somente quando as instituições globais forem
capazes de assegurar, com a mesma eficiência dos Estados, os direitos
e as garantias fundamentais dos indivíduos, é que se poderá pensar
numa esfera cidadã verdadeiramente global, legítima, plural, represen-
tativa e democrática.

Para aprofundar seus conhecimentos acerca do conteúdo


abordado nesta unidade, sugerimos a leitura da coletânea de textos “Ci-
dadania: O novo conceito jurídico e a sua relação com os direitos funda-
mentais individuais e coletivos” coordendada por Alexandre de Moraes
e Richard Pae Kim (2013). Nesta obra coletiva, os autores abordam as
diversas faces da cidadania no mundo contemporâneo. Em consonân-
cia com a afirmação do Estado Democrático de Direito e das liberdades
fundamentais, conforme estudamos nesta unidade, o livro permite um
aprofundamento nos temas dos modos de aquisição e de perda da ci-
dadania, da relação entre cidadania e nacionalidade e da conexão entre
democracia e direitos humanos. O livro permite ainda explorar os pro-
blemas globais para a afirmação da cidadania, seja dentro dos Estados
ou em experiências de integração supranacional, caso da União Euro-
peia. l. Disponível em: https://bit.ly/3e1kAh2. Acesso em: 12 jan. 2021.
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QUESTÃO 1
(Enem/2017) O conceito de democracia, no pensamento de Haber-
mas, é construído a partir de uma dimensão procedimental, calca-
da no discurso e na deliberação. A legitimidade democrática exige
que o processo de tomada de decisões políticas ocorra a partir de
uma ampla discussão pública, para somente então decidir. Assim, o
caráter deliberativo corresponde a um processo coletivo de ponde-
ração e análise, permeado pelo discurso, que antecede a decisão.
VITALE, D. Jürgen Habermas, modernidade e democracia delibera-
tiva. Cadernos do CRH (UFBA),
v. 19, 2006 (adaptado).
O conceito de democracia proposto por Jürgen Habermas pode
favorecer processos de inclusão social. De acordo com o texto, é
uma condição para que isso aconteça o(a):
a) participação direta periódica do cidadão.
b) debate livre e racional entre cidadãos e Estado.
c) interlocução entre os poderes governamentais.
d) eleição de lideranças políticas com mandatos temporários.
e) controle do poder político por cidadãos mais esclarecidos.

QUESTÃO 2
(Enem/2016) A democracia deliberativa afirma que as partes do
Conflito político devem deliberar entre si e, por meio de argumen-
tação razoável, tentar chegar a um acordo sobre as políticas que
seja satisfatório para todos. A democracia ativista desconfia das
exortações à deliberação por acreditar que, no mundo real da po-
lítica, onde as desigualdades estruturais influenciam procedimen-
tos e resultados, processos democráticos que parecem cumprir as
normas de deliberação geralmente tendem a beneficiar os agen-
tes mais poderosos. Ela recomenda, portanto, que aqueles que se
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preocupam com a promoção de mais justiça devem realizar princi-


palmente a atividade de oposição crítica, em vez de tentar chegar
a um acordo com quem sustenta estruturas de poder existentes ou
delas se beneficia.
YOUNG, I. M. Desafios ativistas à democracia deliberativa. Revista
Brasileira de Ciência Política, n. 13, jan-abr. 2014.
As concepções de democracia deliberativa e de democracia ativis-
ta apresentadas no texto tratam como imprescindíveis, respectiva-
mente:
a) a decisão da maioria e a uniformização de direitos.
b) a organização de eleições e o movimento anarquista.
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c) a obtenção do consenso e a mobilização das minorias.
d) a fragmentação da participação e a desobediência civil.
e) a imposição de resistência e o monitoramento da liberdade.

QUESTÃO 3
(Enem/2018). A tribo não possui um rei, mas um chefe que não é
chefe de Estado. O que significa isso? Simplesmente que o chefe
não dispõe de nenhuma autoridade, de nenhum poder de coerção,
de nenhum meio de dar uma ordem. O chefe não é um comandante,
as pessoas da tribo não têm nenhum dever de obediência. O espa-
ço da chefia não é o lugar do poder. Essencialmente encarregado
de eliminar conflitos que podem surgir entre indivíduos, famílias e
linhagens, o chefe só dispõe, para restabelecer a ordem e a con-
córdia, do prestígio que lhe reconhece a sociedade. Mas evidente-
mente prestígio não significa poder, e os meios que o chefe detém
para realizar sua tarefa de pacificador limitam-se ao uso exclusivo
da palavra.
CLASTRES, P. A sociedade contra o Estado. Rio de Janeiro. Fran-
cisco Alves, 1982 (adaptado).
O modelo político das sociedades discutidas no texto contrasta
com o do Estado liberal burguês porque se baseia em:
a) Imposição ideológica e normas hierárquicas.
b) Determinação divina e soberania monárquica.
c) Intervenção consensual e autonomia comunitária.
d) Mediação jurídica e regras contratualistas.
e) Gestão coletiva e obrigações tributárias.

QUESTÃO 4
(Enem/2016). Quanto mais complicada se tornou a produção indus-
trial, mais numerosos passaram a ser os elementos da indústria
que exigiam garantia de fornecimento. Três deles eram de impor-
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tância fundamental: o trabalho, a terra e o dinheiro. Numa socieda-


de comercial, esse fornecimento só poderia ser organizado de uma
forma: tornando-os disponíveis à compra. Agora eles tinham que
ser organizados para a venda no mercado. Isso estava de acordo
com a exigência de um sistema de mercado. Sabemos que em um
sistema como esse, os lucros só podem ser assegurados se se
garante a autorregulação por meios de mercados competitivos in-
terdependentes.
POLANYI, K. A grande transformação: As origens de nossa época.
Rio de Janeiro: Campus, 2000 (Adaptado).
A consequência do processo de transformação socioeconômica
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abordada no texto é a:
a) expansão das terras comunais.
b) limitação do mercado como meio de especulação.
c) consolidação da força de trabalho como mercadoria.
d) diminuição do comércio como efeito da industrialização.
e) adequação do dinheiro como elemento padrão das transações.

QUESTÃO 5
(Enem/2016). Hoje, a indústria cultural assumiu a herança civiliza-
tória da democracia de pioneiros e empresários, que tampouco de-
senvolvera uma fineza de sentido para os desvios espirituais. To-
dos são livres para dançar e para se divertir, do mesmo modo que,
desde a neutralização histórica da religião, são livres para entrar
em qualquer uma das inúmeras seitas. Mas a liberdade de escolha
da ideologia, que reflete sempre a coerção econômica, revela-se
em todos os setores como a liberdade de escolher o que é sempre
a mesma coisa.
ADORNO, T HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento: frag-
mentos filosóficos. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.
A liberdade de escolha na civilização ocidental, de acordo com a
análise do texto, é um(a):
a) legado social.
b) patrimônio político.
c) produto da moralidade.
d) conquista da humanidade.
e) ilusão da contemporaneidade.

QUESTÃO 6
(FCC, 2018, adaptada). No que concerne à relação entre Direito e
Estado, tal como a tematiza Hans Kelsen, é correto afirmar que o
Estado:
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a) é uma ordem jurídica relativamente centralizada.


b) é uma entidade metajurídica que precede a criação do Direito.
c) considerado democrático, e somente este, é legítimo para produzir
normas jurídicas, pois reflete a justiça.
d) é um grupo de pessoas unidas para a consecução de interesses
comuns, e o Direito é um corpo normativo que reflete a moral do povo.
e) e Direito são duas coisas completamente distintas e não necessaria-
mente relacionadas.

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QUESTÃO 7
(Enem/2019)
TEXTO I
Os segredos da natureza se revelam mais sob a tortura dos experi-
mentos do que no seu curso natural.
BACON, F. Novum Organum, 1620. In: HADOT, P. O véu de Ísis: en-
saio sobre a história da ideia de natureza. São Paulo: Loyola, 2006.
TEXTO II
O ser humano, totalmente desintegrado do todo, não percebe mais
as relações de equilíbrio da natureza. Age de forma totalmente de-
sarmônica sobre o ambiente, causando grandes desequilíbrios
ambientais.
GUIMARÃES, M. A dimensão ambiental na educação. Campinas:
Papirus, 1995.
Os textos indicam uma relação da sociedade diante da natureza
caracterizada pela:
a) objetificação do espaço físico.
b) retomada do modelo criacionista.
c) recuperação do legado ancestral.
d) infalibilidade do método científico.
e) formação da cosmovisão holística.

QUESTÃO 8
(ENEM/2019) O cristianismo incorporou antigas práticas relativas
ao fogo para criar uma festa sincrética. A igreja retomou a distân-
cia de seis meses entre os nascimentos de Jesus Cristo e João Ba-
tista e instituiu a data de comemoração a este último de tal maneira
que as festas do solstício de verão europeu com suas tradicionais
fogueiras se tornaram “fogueiras de São João”. A festa do fogo e
da luz no entanto não foi imediatamente associada a São João Ba-
tista. Na Baixa Idade Média, algumas práticas tradicionais da festa
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(como banhos, danças e cantos) foram perseguidas por monges


e bispos. A partir do Concílio de Trento (1545-1563), a Igreja resol-
veu adotar celebrações em torno do fogo e associá-las à doutrina
cristã.
CHIANCA, L. Devoção e diversão: expressões contemporâneas
de festas e santos católicos. Revista Anthropológica, n. 18, 2007
(adaptado).
Com o objetivo de se fortalecer, a instituição mencionada no texto
adotou as práticas descritas, que consistem em:
a) promoção de atos ecumênicos.
b) fomento de orientações bíblicas.
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c) apropriação de cerimônias seculares.
d) retomada de ensinamentos apostólicos.
e) ressignificação de rituais fundamentalistas.

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CIDADANIA
NO BRASIL

A AFIRMAÇÃO DA IDEIA DE CIDADANIA NO BRASIL

A história da cidadania no Brasil é indissociável da sua formação


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social e política. Por um longo período, as elites brasileiras pensaram o


Brasil como um “país sem povo”, ideia que remonta à colonização, entre
os séculos XVI e XVIII, e perpassa os processos de independência e de
construção do Estado, no século XIX. Após três séculos de colonização
(XVI, XVII e XVIII), quase setenta anos de período monárquico e meio
século de um sistema político controlado pelas elites agrárias, o Estado
nacional começou a se transformar, na esteira da industrialização, da
modernização e da urbanização do país.
Tendo em vista o atraso de Portugal na absorção das ideias
modernizantes europeias, a ressonância do debate entre a seculari-
zação da política e as tradições medievais religiosas também chegou
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tardiamente ao Brasil. O pensador italiano Maquiavel (1469-1527) ela-
bora a ideia do Estado como um ente político permanente e autônomo,
independente da pessoa do monarca. O fato de sua obra “O Príncipe”,
publicada orginalmente em 1532, só ter sido traduzida para a Língua
Portuguesa no século XVIII, durante o período em que o Marquês de
Pombal (1699-1792) esteve à frente do governo português, demonstra
uma tardia inserção portuguesa no pensamento ocidental moderno.
Ao passo que nas colônias de povoamento inglesas na Améri-
ca do Norte receberam as influências do pensamento político moderno,
gênese das reflexões que levaram à fundação da democracia norte-a-
mericana, a realidade política da América ibérica se moldou ao embate
tardio entre o medievalismo e a modernidade que transcorria nas res-
pectivas metrópoles (WEFFORT, 2011: 297-98). Fruto desse conten-
cioso entre as tradições e a modernidade em Portugal ao longo de três
séculos, o Brasil-Colônia permaneceu distante do Iluminismo europeu
até as últimas décadas século XVIII. É interessante ressaltar que a im-
portação de obras da cultura erudita francesa e inglesa por membros da
elite intelectual e religiosa ajudou a disseminar as ideias e os valores
liberais na sociedade colonial, impulsionando episódios como a Inconfi-
dência Mineira e a Conjuração Baiana.

Para entender a base da formação do pensamento de cidada-


nia no Brasil
O que pode ser chamado de pensamento moderno? Países
modernos avançavam na construção do conceito de cidadania, iniciado
na Itália por Maquiável, que propunha entre tantas inovações, a sepa-
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ração entre o Estado e a Igreja. Assim como a Espanha, Portugal, no


entanto, não acompanhou essa evolução no tempo em que ela ocorria.
A obra “O Príncipe”, do escritor Maquiavel, que trata da forma como
os governantes devem exercer o poder para conservá-lo, foi escrita no
século XVI e traduzida para o português somente no século XVIII, pelo
Marquês de Pombal. Duzentos anos de distância entre o surgimento da
ideia de secularização do poder separaram Portugal dos demais países.
Tal atraso refletiu na elaboração da consciência cidadã do povo Portu-
guês, e consequentemente, do povo brasileiro, já que neste período o
Brasil ainda era uma colônia de Portugal.

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Figura 1: Marques de Pombal, Claude Joseph Vernet (1766)

Imagem disponível em: https://cutt.ly/xkb17S7. Acesso em 13 fev. 2021.

No link acima, você pode conhecer um pouco mais da história


do homem que modernizou o Estado português e foi chamado por de
impiedoso por muitas pessoas de sua época.

O Iluminismo foi um movimento cultural e intelectual que ocor-


reu na Europa entre os séculos XVII e XVIII, baseado na valorização da
razão, da ciência e do conhecimento. Foi responsável pelo impulso às
ideias liberais de afirmação dos direitos humanos e de separação de
poderes, alicerces das democracias contemporâneas.
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A tarefa da construção de um Estado nacional se iniciou com a


transferência da Corte de D. João VI e do aparato administrativo metro-
politano para o Rio de Janeiro. A separação política de Portugal acelera
a construção de um Estado capaz de controlar e dominar o amplo terri-
tório, dadas as ameaças constantes de rebeliões e movimentos separa-
tistas tais como..... Os temas da abolição da escravidão e da represen-
tação política moveram as preocupações de José Bonifácio (político,
ator, pensador... quem foi José Bonifácio? como homem de Estado.
A cidadania, nesse contexto, estava restrita a uma pequena
parcela da população brasileira que possuía condições econômicas de

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participar da vida política a parte da cidadania não ficou claro. O pensa-
mento político do Primeiro Reinado (1822 e 1831), da Regência (1831-
1840) e do Segundo Reinado (1840-1889) foi marcado pela convivência
entre conservadorismo e liberalismo. Os liberais, de um lado, buscavam
uma inspiração em ideias cosmopolitas, universalistas e moralistas. Os
conservadores, de outro, se embasavam numa leitura realista e prag-
mática dos fatos, orientados pela prudência, moderação e experiência.
José Bonifácio simbolizava os compromissos liberais do processo de
Independência, marcado pelas contradições de uma sociedade escra-
vocrata e conservadora.
Durante todo o século XIX, a cidadania esteve restrita a uma
elite de brasileiros. A Constituição Política de 1824 estabelecia requisi-
tos de renda (voto censitário) para que os brasileiros pudessem exer-
cer o direito ao voto e se candidatar a cargos públicos. Esse critério
econômico excluiu grande parte da população do processo de escolha
de representantes nas instituições políticas do Império. Sendo assim,
a vida política brasileira era conduzida por uma elite letrada diminuta,
concentrada na Corte e nas capitais das províncias, sendo a maior parte
do povo excluído de qualquer possibilidade de participar do processo
político.

A separação de poder entre Estado e Igreja ocorreu tardia-


mente em Portugal e na Espanha, em relação a outros países euro-
peus, como França, Itália, Holanda e Inglaterra. Estes países viveram
o amplo crescimento das liberdades individuais e a contenção da tira-
nia por meio da queda dos governos absolutistas. Portugal e Espanha,
por outro lado, permaneceram por muito tempo ainda sob a influência
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do pensamento medieval, que pregava a obediência ao clero. Dessa


forma, as colônias europeias receberam a influência de seus países
colonizadores. As colônias inglesas situadas no norte da América, por
exemplo, logo incorporaram o ideal reformado e democrático. Seguindo
este raciocínio, em que escala esse atraso refletiu no processo de cons-
trução democrática nas colônias latino-americanas dominadas por por-
tugueses e espanhóis? E no Brasil, qual influência desse atraso marcou
a construção da democracia e da cidadania? Como os valores liberais
chegaram ao Brasil e como eles foram aplicados aqui?

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A CIDADANIA NO IMPÉRIO

Durante a maior parte do século XIX, o pensamento político


produzido pelas elites brasileiras correspondia às aspirações elemen-
tares de um país recém independente em busca de modelos de orga-
nização social, moral, política, jurídica e institucional. A tarefa da cons-
trução de um Estado nacional se iniciou com a transferência da Corte
de D. João VI e do aparato administrativo metropolitano para o Rio de
Janeiro. A separação política de Portugal acelera a construção de um
Estado capaz de controlar e dominar o amplo território, dadas as amea-
ças constantes de rebeliões e de movimentos separatistas, tais como
a Farroupilha (1835-1845). Os temas da abolição da escravidão e da
representação política moveram as preocupações do cientista e político
José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), Patriarca da Indepen-
dência, como homem de Estado.
A cidadania, nesse contexto, estava restrita a uma pequena
parcela da população brasileira que possuía condições econômicas de
participar da vida política a parte da cidadania não ficou claro. O pensa-
mento político do Primeiro Reinado (1822 e 1831), da Regência (1831-
1840) e do Segundo Reinado (1840-1889) foi marcado pela convivência
entre conservadorismo e liberalismo. José Bonifácio simbolizava os
compromissos liberais do processo de Independência, marcado pelas
contradições de uma sociedade escravocrata e conservadora.
Durante todo o século XIX, a cidadania esteve restrita a uma
elite de brasileiros. A Constituição Política de 1824 estabelecia requisi-
tos de renda (voto censitário) para que os brasileiros pudessem exer-
cer o direito ao voto e se candidatar a cargos públicos. Esse critério
econômico excluiu grande parte da população do processo de escolha
de representantes nas instituições políticas do Império. Sendo assim,
a vida política brasileira era conduzida por uma elite letrada diminuta,
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concentrada na Corte e nas capitais das províncias, sendo a maior parte


do povo excluído de qualquer possibilidade de participar do processo
político.
• Os liberais, de um lado, buscavam uma inspiração em ideias
cosmopolitas, universalistas e moralistas. Os conservadores, de outro,
se embasavam numa leitura realista e pragmática dos fatos, orientados
pela prudência, moderação e experiência;
• O voto censitário era baseado na valorização da renda e do
patrimônio para que os cidadãos pudessem exercer seus direitos políti-
cos. Somente brasileiros com maior extrato de renda estavam habilita-
dos a votar e a e candidatar a cargos públicos.
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A CIDADANIA NA REPÚBLICA

O advento da República, em 1889, não modificou esse quadro


de restrição ao exercício da cidadania e dos direitos políticos. A substi-
tuição da Monarquia pelo novo regime não alterou as bases oligárqui-
cas do Estado brasileiro. A vida política nacional prosseguiu controlada
por uma oligarquia rural de fazendeiros de café e o acesso à cidadania
continuou restrito a uma parcela pequena de brasileiros. Se o pensa-
mento político do Império gestaria os dois caminhos antagônicos para o
alcance da modernidade política no Brasil, os pensadores “autoritários”
da década de 1930 dariam continuidade à linhagem conservadora, re-
conhecendo o imperativo de um Estado material e simbolicamente forte
para asseugurar o desenvolvimento nacional segundo os cânones do
capitalismo moderno.
A Revolução de 1930 trouxe à tona as reinvindicações dos te-
nentes acerca de um Estado forte e centralizado. Uma dessas principais
reivindicações era a necessidade de fortalecer os meio de exercício dos
direitos políticos. A falta de transparência do sistema político e eleito-
ral brasileiro era apontada como uma das causas do atraso brasileiro.
As eleições eram apontadas como fraudulentas e as elites rurais eram
vistas como sinônimo da manutençao de um sistema oligárquico que
mantinha o país atrelado ao coronelismo. Nas décadas de 1920 a 1940,
houve uma proliferação de estudos que buscavam analisar a formação
do país e as suas transformações, numa interpretação global da história
e da sociedade brasileiras (WEFFORT, 2011). Na obra “Raízes do Bra-
sil” (1936), o historiador Sérgio Buarque de Holanda trata do distancia-
mento entre as instituições e a estrutura social ao longo da formação do
país. Ao analisar o período colonial, o Império e a Primeira República, o
ensaísta argumenta que a democracia e as ideias liberais não se natu-
ralizaram em nossa terra, deformadas pelos caudilhismos locais e por
uma cultura política personalista.
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Personalismo e caudilhismo são características de governos,


regimes ou países nos quais as instituições do Estado são fracas e pre-
domina a vontade pessoal do caudilho (líder político).

61
A emergência de uma sociedade industrial e urbana, que sur-
ge a partir da Revolução de 1930, deixa em evidência o surgimento de
camadas médias, num processo de modernização pelo alto, controlado
pelo Estado. A chamada “questão nacional” emerge com grande força
num momento internacional de expansão dos imperialismos. Sob os
efeitos da crise de 1929 e do colapso do sistema econômico agrário-
-exportador, base do sistema político liberal das oligarquias agrárias, a
Revolução de 1930 estabeleceu os fundamentos de um país industrial
e urbano.
As ideias sobre cidadania alcançam um nível elevado de rele-
vância para a ação política na segunda metade da década de 1940 e
começo da década de 1950. O debate entre liberalismo e nacionalismo,
com diversas variações de matizes, influenciou tanto o mundo intelec-
tual quanto o da prática política dentro das instituições do Estado. Diver-
sos alinhamentos, composições, rupturas e radicalizações entre pensa-
dores e políticos marcariam essa disputa entre caminhos para o Brasil.
Com a democratização do país em 1945, após a queda do regi-
me ditatorial do Estado Novo, novas perspectivas se abriram para o de-
senvolvimento da cidadania política no Brasil. O sufrágio foi ampliado e
surgiram novos partidos políticos. No debate ideológico dos anos 1950
e 1960 girava em torno de questões como urbanização, desenvolvimen-
to, nacionalismo e ação do Estado para impulsionar o desenvolvimento
(WEFFORT, 2011). As massas urbanas foram incorporadas ao sistema
político por meio do surgimento de partidos com base sindical e popular,
como o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).
Sob a vigência da República de 1946, a democracia brasilei-
ra adquiriu um grau mais elevado de institucionalização, com eleições
periódicas e a alternância de poder entre os partidos políticos. A Consti-
tuição de 1946 ampliou ainda o grau de autonomia do Poder Judiciário
e deu amplas prerrogativas ao Poder Legislativo. No entanto, o período
1946-1964 também foi marcado pela instabilidade política, com o suicí-
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dio de um chefe de Estado (Getúlio Vargas), a renúncia de outro (Jânio


Quadros) e um golpe militar, em 1964. Foi uma experiência democrática
importante, porém efêmera. A democracia brasileira avançou em termos
eleitorais, mas foi subitamente interrompida por uma segunda ditadura
que golpeou a elite civil e os partidos políticos (WEFFORT, 2011)
Dando continuidade ao projeto conservador e autoritário, nos
moldes do Estado Novo, o Regime Militar integrou o país, mas ao custo
do sacrifício das liberdades democráticas e do aumento das desigual-
dades sociais. Houve alguns avanços no que toca à modernização eco-
nômica, aos investimentos na infraestrutura e à ampliação do mercado
interno. Outra ponto positivo foi a ampliação dos direitos sociais, com
62
a criação, por exemplo, do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS). No entanto, a falta de eleições períodicas para presidente da
República, a intervenção nos partidos políticos, a repressão política e a
perseguição às oposições impediram que a democracia brasileira fun-
cionasse normalmente. Sem dúvida foi um período de retrocessos para
o desenvolvimento das instituições e para o aprendizado democrático.
A cidadania, em síntese, permaneceu refém do autoritarismo, com a
interdição do debate de ideais, do exercício dos direitos fundamentais e
da contestação do regime.

A CIDADANIA NA REDEMOCRATIZAÇÃO

A sociedade brasileira demonstrou intensa maturidade e ener-


gia cívica ao conduzir o reencontro do país com a democracia durante o
movimento das Diretas Já (1984). Apesar de não ter sido bem-sucedido
em seu objetivo de eleger um presidente da República pela via direta
na transição do regime militar para a democracia, a campanha nacional
foi um importante marco na afirmação dos direitos políticos odos bra-
sileiros. Após a redemocratização, a Assembleia Nacional Constituinte
de 1988 refletiu a busca obstinada desta sociedade por novos espaços
de expressão e de defesa dos interesses coletivos. Em 1988, após dois
anos de trabalho, foi promulgada a “Constituição Cidadã”, expressão do
presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães.

A Constituição é o documento político supremo de uma Nação.


Contém a organização dos elementos essenciais do Estado Nacional: a
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forma do Estado (República ou Monarquia), o sistema de governo (pre-


sidencialismo ou parlamentarismo), o modo como o poder é adquirido
(eleições diretas ou indiretas), o estabelecimento das instituições e os
direitos fundamentais.

A Constituição de 1988 é o vértice do sistema jurídico do país


e a pedra angular em que se assenta o edifício do Estado Democrático
de Direito. Nesse sentido, a República Federativa do Brasil constitui Es-
tado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I – a soberania;
II – a cidadania; III – a dignidade da pessoa humana; IV – os valores so-
63
ciais do trabalho e da livre iniciativa; V – o pluralismo político. Além dos
direitos e das garantias individuais, a Carta Magna busca assegurar aos
cidadãos direitos como a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a
educação, a saúde, a cultura e o meio ambiente equilibrado. Em suma,
ela procura construir uma sociedade fraterna, pluralista, solidária e sem
preconceitos, fundada na harmonia social e na garantia de oportunida-
des a todos.

A República Federativa do Brasil também tem objetivos a se-


rem perseguidos. É a primeira vez que uma Constituição assinala, espe-
cificamente, os objetivos do Estado Brasileiro. O Art. 3º da Constituição
consagra estes objetivos fundamentais: I – construir uma sociedade dig-
na, justa e solidária; II – garantir o desenvolvimento nacional; III – erra-
dicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e
regionais; IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem,
raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

A Constituição brasileira também está comprometida, na ordem


internacional, com a solução pacífica das controvérsias, a não-interven-
ção nos assuntos internos de outros povos, a autodeterminação dos
povos, a igualdade jurídica das nações, a cooperação entre os povos,
a defesa dos direitos humanos, o respeito ao Direito Internacional e a
busca da integração latino-americana. Trata-se de um documento com
princípios e objetivos avançados que buscam ampliar os compromissos
do Estado brasileiro com a democracia, em todas as suas vertentes, e
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com uma cidadania global.


Em suma, a Constituição brasileira se compromete a efetivar
um verdadeiro Estado Democrático de Direito. Com o advento do Esta-
do de Bem-Estar Social, os poderes públicos assumiram o compromis-
so de garantir não apenas as liberdades individuais, mas contemplar
também direitos sociais, econômicos e culturais previstos na Declara-
ção Universal dos Direitos do Homem de 1948 e nos tratados subse-
quentes. O grande drama das Constituições brasileiras, no entanto, é o
seu não-cumprimento na prática.
A valorização da Constituição como documento primordial na
defesa da cidadania e da democracia, entretanto, ainda é algo recentís-
64
simo em nosso país. Afortunadamente, a consciência popular a respeito
das vantagens da democracia tem crescido. Participar da vida política
do país é fortalecer dentro de cada um a crença nos princípios democrá-
ticos. Nesse sentido, há uma via de mão dupla: o cidadão é beneficiado
com os direitos e garantias e, em contrapartida, contribui com seus de-
veres para a harmonia e o funcionamento do Estado.

Para aprimorar seu conhecimentos acerca do tema abordado


nesta unidade leia o livro “Sociedade, Cultura e Cidadania” de au-
toria de de Bes e colaboradores (2018). Essa obra coletiva reúne um
conjunto de ensaios que cobre cinco séculos da História Brasileira,
desde o processo de construção do país durante a Colônia até a Re-
democratização. Ao consulta-la como fonte complementar de estudos,
você poderá compreender como se deu o processo de afirmação da
cidadania em um país marcado pela escravidão, pelo patrimonialismo
e pela exploração predatória dos recursos naturais. Tendo em vista a
tardia consolidação do Estado e da Nação, a obra permite aos alunos
compreender a trajetória cidadania à luz das disputas pelo poder e por
diferentes projetos de país no Império e na República. Por fim, o livro
traz interessantes análises sobe o Brasil contemporâneo, com foco nas
dificuldades para a afirmação da cidadania e para a superação dos pro-
blemas sociais em um mundo globalizado. Disponível em: https://bit.
ly/3r8M7kB. Acesso em: 14 fev. 2021.

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QUESTÃO 1
(Enem/2019). A criação do Sistema Único de Saúde (SUS) como
uma política para todos constitui-se uma das mais importantes
conquistas da sociedade brasileira no século XX. O SUS deve ser
valorizado e defendido como um marco para a cidadania e o avan-
ço civilizatório. A democracia envolve um modelo de Estado no
qual políticas protegem os cidadãos e reduzem as desigualdades.
O SUS é uma diretriz que fortalece a cidadania e contribui para as-
segurar o exercício de direitos, o pluralismo político e o bem-estar
como valores de uma sociedade fraterna, pluralista e sem precon-
ceitos, conforme prevê a Constituição Federal de 1988.
RIZZOTO, M. L. F. et al. Justiça social, democracia com direitos so-
ciais e saúde: a luta do Cebes.
Revista Saúde em Debate, n. 116, jan.-mar. 2018 (adaptado)
Segundo o texto, duas características da concepção da política pú-
blica analisada são:
a) Paternalismo e filantropia.
b) Liberalismo e meritocracia.
c) Universalismo e igualitarismo.
d) Nacionalismo e individualismo.
e) Revolucionarismo e coparticipação.

QUESTÃO 2
(IDECAN, 2016, adaptado). Cidadania é a tomada de consciência
de seus direitos, tendo como contrapartida a realização dos deve-
res. Isso implica no efetivo exercício dos direitos civis, políticos e
socioeconômicos, bem como na participação e contribuição para
o bem-estar da sociedade. De acordo com o exposto, analise as
afirmativas a seguir.
I. Direitos humanos são valores, princípios e normas que se refe-
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

rem ao respeito à vida e à dignidade.


II. Democracia significa governo do povo, assegurado pelo gozo
dos direitos de cidadania. Assim, quando há isonomia, ou seja,
igualdade diante da lei, há democracia.
III. Entre as condições básicas à conquista da cidadania estão a
educação, a saúde e a habitação.
IV. A Constituição não prevê objetivos fundamentais para o Estado
brasileiro
O Estado é o responsável na prestação desses serviços à popula-
ção, e deve fazê-lo de forma satisfatória, possibilitando avanço na
convivência social. Estão corretas apenas as afirmativas
66
a) IV e III.
b) I, II e III.
c) I, II e IV.
d) II, III e IV
e) Todas alternativas estão corretas.

QUESTÃO 3
(CESPE). A respeito dos marcos históricos, fundamentos e princí-
pios dos direitos humanos, assinale a opção correta.
a) Segundo a doutrina contemporânea, direitos humanos e direitos fun-
damentais são indistinguíveis; por isso, ambas as terminologias são in-
tercambiáveis no ordenamento jurídico.
b) Os direitos humanos estão dispostos em um rol taxativo, que foi in-
ternalizado pelo ordenamento jurídico brasileiro com a promulgação da
Constituição Federal de 1988.
c) No Brasil, os direitos políticos são considerados direitos humanos
e seu exercício pelos cidadãos se esgota no direito de votar e de ser
votado.
d) A dignidade da pessoa humana, princípio basilar da Constituição Fe-
deral de 1988, é fundamento dos direitos humanos.
e) Em razão do princípio da imutabilidade, os direitos humanos reco-
nhecidos na Revolução Francesa permanecem os mesmos ainda na
atualidade.

QUESTÃO 4
(IF-TO). Na história, há dois grandes movimentos que foram funda-
mentais para a base da Declaração dos Direitos Humanos, elabo-
rada pela Organização das Nações Unidas (ONU), criada em 1948.
Quais foram esses dois acontecimentos históricos que influencia-
ram a Declaração Universal dos Direitos Humanos?
Com base no exposto acima, marque a alternativa correta.
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

a) A Revolução Industrial (1760) e a Revolta dos Malês (1835).


b) A Revolução Francesa (1789) e a Abolição da Escravidão no Brasil
(1888).
c) A Revolução Francesa (1789) e a Independência dos Estados Unidos
(1776).
d) A Independência dos Estados Unidos (1776) e a Bill of Rights (1689).
e) A Petition of Rights (1628) e a Guerra do Paraguai (1864).

QUESTÃO 5
(Enem 2013). Tenho 44 anos e presenciei uma transformação im-
pressionante na condição de homens e mulheres gays nos Esta-
67
dos Unidos. Quando nasci, relações homossexuais eram ilegais
em todos os Estados Unidos, menos Illinois. Gays e lésbicas não
podiam trabalhar no governo federal. Não havia nenhum político
abertamente gay. Alguns homossexuais não assumidos ocupavam
posições de poder, mas a tendência era eles tornarem as coisas
ainda piores para seus semelhantes.
ROSS, A. “Na máquina do tempo”. Época, ed. 766, 28 jan. 2013.
A dimensão política da transformação sugerida no texto teve como
condição necessária a:
a) ampliação da noção de cidadania.
b) reformulação de concepções religiosas.
c) manutenção de ideologias conservadoras.
d) implantação de cotas nas listas partidárias.
e) alteração da composição étnica da população.

QUESTÃO 6
(Enem 2012)
TEXTO I
O que vemos no país é uma espécie de espraiamento e a manifes-
tação da agressividade através da violência. Isso se desdobra de
maneira evidente na criminalidade, que está presente em todos os
redutos — seja nas áreas abandonadas pelo poder público, seja
na política ou no futebol. O brasileiro não é mais violento do que
outros povos, mas a fragilidade do exercício e do reconhecimento
da cidadania e a ausência do Estado em vários territórios do país
se impõem como um caldo de cultura no qual a agressividade e a
violência fincam suas raízes.
Entrevista com Joel Birman. A Corrupção é um crime sem rosto.
IstoÉ. Edição 2099; 3 fev. 2010.

TEXTO II
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

Nenhuma sociedade pode sobreviver sem canalizar as pulsões e


emoções do indivíduo, sem um controle muito específico de seu
comportamento. Nenhum controle desse tipo é possível sem que
as pessoas anteponham limitações umas às outras, e todas as li-
mitações são convertidas, na pessoa a quem são impostas, em
medo de um ou outro tipo.
ELIAS, N. O Processo Civilizador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993.

Considerando-se a dinâmica do processo civilizador, tal como


descrito no Texto II, o argumento do Texto I acerca da violência e
agressividade na sociedade brasileira expressa a:
68
a) incompatibilidade entre os modos democráticos de convívio social e
a presença de aparatos de controle policial.
b) manutenção de práticas repressivas herdadas dos períodos ditato-
riais sob a forma de leis e atos administrativos.
c) inabilidade das forças militares em conter a violência decorrente das
ondas migratórias nas grandes cidades brasileiras.
d) dificuldade histórica da sociedade brasileira em institucionalizar for-
mas de controle social compatíveis com valores democráticos.
e) incapacidade das instituições político-legislativas em formular meca-
nismos de controle social específicos à realidade social brasileira.

QUESTÃO 7
(FUVEST 2018) [...] a Declaração Universal representa um fato novo
na história, na medida em que, pela primeira vez, um sistema de
princípios fundamentais da conduta humana foi livre e expressa-
mente aceito, através de seus respectivos governos, pela maioria
dos homens que vive na Terra. Com essa declaração, um sistema
de valores é – pela primeira vez na história – universal, não em
princípio, mas de fato, na medida em que o consenso sobre sua
validade e sua capacidade de reger os destinos da comunidade
futura de todos os homens foi explicitamente declarado. [...] So-
mente depois da Declaração Universal é que podemos ter a certe-
za histórica de que a humanidade – toda a humanidade – partilha
alguns valores comuns; e podemos, finalmente, crer na universa-
lidade dos valores, no único sentido em que tal crença é historica-
mente legítima, ou seja, no sentido em que universal significa não
algo dado objetivamente, mas algo subjetivamente acolhido pelo
universo dos homens.
N. Bobbio. A era dos direitos. Rio de Janeiro: Campus, 1992.
A Declaração Universal mencionada no texto:
a) foi instituída no processo da Revolução Francesa e norteou os mo-
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

vimentos feministas, sufragistas e operários no decorrer do século XIX.


b) assemelhou-se ao universalismo cristão, que também resultou no es-
tabelecimento de um conjunto de valores partilhado pela humanidade.
c) desenvolveu-se com a inclusão de princípios universais pelos legislado-
res norte-americanos e influenciou o abolicionismo nos Estados Unidos.
d) foi aprovada pela Organização das Nações Unidas e serviu como
referência para grupos que lutaram pelos direitos de negros, mulheres
e homossexuais na década de 1960.
e) originou-se do jusnaturalismo moderno e consolidou-se com o mo-
vimento ilustrado e o despotismo esclarecido ao longo do século XVIII.

69
QUESTÃO 8
“A Declaração Universal dos Direitos Humanos está completando
70 anos em tempos de desafios crescentes, quando o ódio, a dis-
criminação e a violência permanecem vivos”, disse a diretora-geral
da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura (Unesco), Audrey Azoulay.
“Ao final da Segunda Guerra Mundial, a humanidade inteira re-
solveu promover a dignidade humana em todos os lugares e para
sempre. Nesse espírito, as Nações Unidas adotaram a Declaração
Universal dos Direitos Humanos como um padrão comum de con-
quistas para todos os povos e todas as nações”, disse Audrey.
“Centenas de milhões de mulheres e homens são destituídos e pri-
vados de condições básicas de subsistência e de oportunidades.
Movimentos populacionais forçados geram violações aos direitos
em uma escala sem precedentes. A Agenda 2030 para o Desenvol-
vimento Sustentável promete não deixar ninguém para trás - e os
direitos humanos devem ser o alicerce para todo o progresso.”
Segundo ela, esse processo precisa começar o quanto antes nas
carteiras das escolas. Diante disso, a Unesco lidera a educação em
direitos humanos para assegurar que todas as meninas e meninos
saibam seus direitos e os direitos dos outros.
Disponível em: https://nacoesunidas.org. Acesso em: 3 abr. 2018
(adaptado).
Defendendo a ideia de que “os direitos humanos devem ser o ali-
cerce para todo o progresso”, a diretora-geral da Unesco aponta,
como estratégia para atingir esse fim, a
a) inclusão de todos na Agenda 2030.
b) extinção da intolerância entre os indivíduos.
c) discussão desse tema desde a educação básica.
d) conquista de direitos para todos os povos e nações.
e) promoção da dignidade humana em todos os lugares.
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70
DESAFIOS DO EXERCÍCIO
DA CIDADANIA NO BRASIL

A CONSOLIDAÇÃO DA DEMOCRACIA APÓS 1988

O exercício da cidadania no Brasil está diretamente relaciona-


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do à vigência de um Estado Democrático de Direito, ao funcionamento


das instituições, à realização de eleições livres e à difusão de uma edu-
cação voltada para o exercício da cidadania. Conforme atesta Carvalho
(2004), o caminho da construção da cidadania no Brasil foi bastante
tortuoso, mas pavimentou o caminho para uma democracia de massas
no começo do século XXI.
A conjuntura de crise econômica do Brasil, no final dos anos
1980 e início dos anos 1990, dificultou a implementação dos direitos
assegurados na Constituição de 1988, pois a realidade nacional e inter-
nacional era bastante adversa: maior dívida externa, restrições ao cré-
dito, recessão econômica e competição internacional (BRASIL, 1988).
71
Dessa forma, o modelo econômico brasileiro, baseado na substituição
de importações e na forte intervenção estatal na economia, tornava-
-se cada vez mais obsoleto e incapaz de lidar com os desafios de um
país com mais 150 milhões de habitantes à época. Do mesmo modo,
a permanência de grupos que estiveram no poder durante os governos
militares na ordem pós-ditatorial também criou impasses políticos para
a maior participação popular e para a adoção de medidas mais ousadas
no que concerne ao combate às desigualdades sociais.
A agenda brasileira no começo da Nova República aponta-
va para a necessidade de se edificar uma ordem constitucional capaz
de afastar de vez o risco da ingovernabilidade pretoriana do horizonte
nacional, isto é, uma eventual recaída autoritária. Dessa forma, a nova
Constituição foi aprovada em um momento de mudança nas relações
entre o Estado e a sociedade e de readaptação do papel do próprio
Estado na economia. As ideias liberais sobre a abertura da economia, a
reforma administrativa, as privatizações, a desregulamentação e o ajus-
te fiscal também aportaram no Brasil nesse momento, pressionando por
mudanças no modelo de organização do Estado e nas suas relações
com a sociedade.

Nova República é o período conhecido após o término do Re-


gime Militar no Brasil, iniciando-se com a posse de José Sarney, vice
de Tancredo Neves, em 01 de março de 1985. O período da Nova Re-
pública iniciado há 36 anos é o de mais longevidade das instituições
democráticas na História da República no Brasil.
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O ponto central era a necessidade de abandono da herança


patrimonialista brasileira e da forte dependência de setores econômi-
cos e sociais em relação ao Estado. Nesse sentido, buscava-se uma
repactuação das relações entre empresários, trabalhadores e o Estado,
de modo a reduzir a dependência em relação ao corporativismo, ao pro-
tecionismo e às benesses governamentais. A fragilidade dos partidos
políticos, sua pouca consistência ideológica e a ausência de mecanis-
mos de intermediação de interesses tornaram difícil essa transição de
modelo.
Passado o clima de euforia democrática da Constituinte, o de-
bate político transitou da questão participativa para a questão da efi-
72
ciência governativa, centrando-se nos problemas de ingovernabilidade
por sobrecarga de demandas sociais decorrente da crise de financia-
mento do setor público e da falência do modelo de desenvolvimento por
substituição de importações. Reis (2007) chama a atenção para o modo
como a globalização afetou dramaticamente os problemas da autori-
dade (construção de capacidade administrativa e simbólica do Estado
para projetar presença e ação junto à coletividade no território nacional)
e da igualdade (desafio da plena incorporação social da população, es-
pecialmente das camadas populares, para neutralizar conflitos e resol-
ver o problema constitucional) nas sociedades modernas (REIS, 2007).

A Constituição Brasileira de 1988 reformulou a estrutura fede-


rativa do país e organizou o aspecto legislativo e judiciário. A previsão
de capítulos na Constituição sobre direitos sociais e econômicos foi um
avanço importante para o exercício da cidadania em nosso país, am-
pliando o campo de atuação do Estado Nesse sentido, qual é papel da
ordem jurídica brasileira em balizar o alcance da cidadania?

Após a Constituição de 1988, realizaram-se no Brasil oito elei-


ções presidenciais diretas, além de eleições congressuais, estaduais e
municipais periódicas, normalizando-se o ciclo eleitoral paralelamente
à dispersão do eleitorado num quadro plural e multipartidário. A identifi-
cação do eleitor brasileiro com determinados partidos populares era um
passo fundamental na direção da construção de identidades partidárias
estáveis e da institucionalização da participação eleitoral das massas
no processo político.
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

Apesar dos inúmeros avanços verificados nos últimos trinta


anos no que concerne à organização do Estado e à afirmação das fran-
quias da democracia, Santos (1994) sustenta a tese da existência de
um híbrido institucional no Brasil: haveria uma democracia formalizada
que assiste a poucos, uma “minúscula mancha na turbulenta superfície
do país”; e ao redor dela, imensos espaços de anomia onde não existe
soberania ou controle democrático, mas múltiplos poderes transgresso-
res concorrentes regidos pela lei do mais forte.

73
Conheça mais da nossa Constituição acessando o link https://
cutt.ly/wkmQeIG. (Acesso em: 14 fev. 2021) e veja o contexto histórico
e a formação da Carta Magna. No site, a Câmara dos Deputados e o
Senado Federal homenageiam a ocasião de comemoração pelos 30
anos da Constituição.

OS DESAFIOS PARA O EXERCÍCIO PLENO DA CIDADANIA

Apesar da existência formal de um Estado Democrático de Di-


reito, a maioria dos indivíduos se abstém de recorrer ao Estado brasi-
leiro para buscar soluções para seus conflitos, preferindo antes negar
sua existência a admitir que sejam vítimas deles. Essa cidadania não
intermediada por instituições democráticas, alienada eleitoralmente e
refratária à participação alimenta uma cultura de dissimulação, violência
difusa, enclausuramento e absoluto descrédito na eficácia do Estado
em prover suas funções básicas (segurança, administração e justiça).
O impacto de tal comportamento indiferentista abala mortalmente a cul-
tura cívica e gera um sentimento de impotência que conduz à descon-
fiança e ao descrédito em relação à coisa pública.
Assim, o problema constitucional do país ainda permanece em
aberto, pois não se concebe uma democracia estável que conviva com
grande desigualdade social. Em outras palavras, existe um risco ainda
não dimensionado de retrocesso institucional decorrente da ingoverna-
bilidade evidenciada na deterioração do tecido social, no aumento da
criminalidade e da violência urbanas, na ampliação de territórios domi-
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

nados pelo poder paralelo e na descrença dos cidadãos em relação à


justiça. Diante do desapreço de que gozam os direitos civis na cultura
política convencional e da tolerância com as violações diuturnas aos
direitos humanos, pregações autoritárias ainda continuam a amealhar
simpatizantes em toda parte.
Outro obstáculo ao exercício da cidadania no Brasil são as prá-
ticas patrimonialistas, isto é, a mistura entre interesses públicos e priva-
dos na gestão pública. O patrimonialismo é um modelo de dominação
baseado em relações pessoais e em arbitrariedade, não em regras im-
pessoais entre governantes e governados. Como observa Faoro (2000),
a prática entrecorta toda a história brasileira desde a colonização por-
74
tuguesa até a Independência, moldando a sociedade, a economia e as
instituições do Estado.
Qual a relação entre patrimonialismo e cidadania? Sabe-se
que em sociedades nas quais o poder é exercido de forma tradicional,
sem regras institucionalizadas, há grandes obstáculos para o desen-
volvimento de liberdades individuais. O patrimonialismo concentra ren-
da e poder, impedindo que a sociedade floresça e exerça plenamente
os seus direitos. Os direitos e as garantias fundamentais, por sua vez,
constituem as bases da democracia e de uma economia liberal.
As instituições políticas do Império (1822-1889) e da Repú-
blica Velha (1889-1930), emulando as tradições coloniais, também se
caracterizaram pela presença de interesses de camada oligárquica no
funcionamento da burocracia do Estado. Essa burocracia era elitista e
acessível a poucos membros da população brasileira, sobretudo em um
contexto de escravidão.
A existência de uma casta de funcionários públicos que vivia
à sombra do Estado marca o patrimonialismo à brasileira. Esse “esta-
mento burocrático”, na visão de Faoro (2000), constituía uma camada
privilegiada e dependente de favores, benesses e sinecuras do Esta-
do brasileiro. Desde a Colônia até a Independência, esse grupo social
buscava se encastelar nas estruturas de poder para manter seus privi-
légios. Seu modo de funcionamento perpassava uma concepção perso-
nalista de exercício do poder, à sombra de um Estado centralizador e
mercantilista (FAORO, 2000).
Após a modernização do Estado português, com as reformas
pombalinas do século XVIII, buscou-se a modernização conservadora
das instituições e da administração pública. Segundo Campante (2003),
esse modelo de governança sobreviveu aos séculos e influenciou, de-
cisivamente, a mentalidade política brasileira nos últimos três séculos.
Tanto o Estado Novo quanto o Regime Militar, ao buscar a mo-
dernização autoritária da sociedade brasileira, foram influenciados por
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

essa visão do Estado como o domínio de uma elite de sábios (CAM-


PANTE, 2003). A mesma lógica modernizadora autoritária sobrevive no
funcionamento de instituições estatais até o presente momento, com
ausência de mecanismos de controle e de transparência em instituições
do Poder Executivo, do Poder Legislativo e do Poder Judiciário, nas
três esferas federativas, bem como em organizações representativas
de classe.
A lógica do patrimonialismo e da modernização autoritária da
sociedade, contudo, impede o reforço de um catálogo de liberdades
fundamentais e de uma cultura política de accountability. Não se pode
conceber uma democracia autêntica sem cidadãos conscientes, bem-
75
-informados e capazes de exercer os seus direitos em face do Estado.
E sem igualdade social e oportunidades para todos, não se pode con-
ceber um Estado verdadeiramente democrático.

A CIDADANIA E AS DESIGUALDADES SOCIAIS

A garantia de que todos os cidadãos possam usufruir de seus


direitos e exigir que o Estado cumpra os seus deveres mantém viva
a democracia. A superação das desigualdades sociais, nesse sentido,
deve ser o objetivo central do Estado Brasileiro. Esta razão já seria sufi-
ciente para refletirmos sobre novos meios de acesso aos bens jurídicos
como a saúde, a educação, o trabalho, a segurança, a cultura e o lazer,
de forma a obrigar o Estado a planejar e garantir a execução de pro-
gramas de metas comprometidos com a equalização das condições de
vida dos brasileiros, desta e das futuras gerações.
O papel de uma democracia é organizar o Estado para que se
torne um “agente decisivo da eventual acomodação dos conflitos e da
busca de objetivos comuns ou compartilhados de qualquer tipo” (REIS,
2007, p. 161). Ao tentar conciliar solidariedade e eficiência, ela permite,
de um lado, o diálogo, a participação, a transparência e a incorporação
dos grupos sociais e, de outro, a governabilidade, a capacidade de to-
mar decisões e a possibilidade real de implementá-las.
O sistema democrático e institucional brasileiro vem sendo
gradualmente reforçado com a consolidação de um elevado grau de
institucionalização da competição pelo poder, a garantia de direitos e
garantias fundamentais (liberdade de associação, liberdade de expres-
são, formação de novos partidos políticos, igualdade perante a lei), o
crescimento do associativismo civil, a emergência de uma cultura políti-
ca mais plural, a grande expansão eleitoral e a proliferação de organiza-
ções extra-partidárias entre os grupos de maior escolaridade.
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Nesse sentido, é importante ressaltar o papel da ordem jurídica


brasileira em balizar o alcance da cidadania. A Constituição de 1988,
trouxe, como consequências mais relevantes, o fortalecimento do Poder
Legislativo, a reformulação da Federação, a salvaguarda dos direitos
fundamentais e o empoderamento do Poder Judiciário. Houve ainda
avanços relacionados à repartição de recursos entre Estados e Muni-
cípios, aos direitos dos servidores públicos e à organização do sistema
de bem-estar social.
Dito isso, quais os caminhos a serem experimentados e perse-
guidos para que a jovem democracia brasileira se fortaleça nas décadas
seguintes? A receita proposta por Santos (1994) é a universalização de
76
um Estado mínimo eficaz, única saída viável para combater os poderes
paralelos, as máfias descentralizadas, as punições aleatórias, a erosão
das regras de convivência e a diluição dos laços de solidariedade que
sustentam uma democracia.
Já Reis (2007) aponta como saída um grande conjunto de refor-
mas políticas que combinem boas leis, regras e instituições para ama-
durecer a cultura democrática e fortalecer a identificação dos eleitores
com os partidos políticos, aperfeiçoando o princípio da representativida-
de: fidelidade partidária, cláusulas de barreira, regras sobre coligações,
combinação de princípios majoritários e proporcionais nas eleições,
combinações de listas partidárias fechadas e flexíveis, financiamento
público de campanha. Mas para viabilizar a universalização do Estado
mínimo, como sugere Santos (1994), e garantir que uma representação
mais autêntica se traduza em ações governamentais que democratizem
a democracia, como quer Reis (2007), seria preciso prosseguir na refor-
ma do Estado brasileiro.
Como se percebe, muitos dos avanços da democracia brasilei-
ra podem ser explicados pelas melhorias institucionais que garantiram
a estabilidade e a governabilidade do país nas últimas duas décadas.
Falta, contudo, completar a obra democratizadora com a expansão de
uma cobertura estatal mínima para todo o universo social brasileiro ca-
paz de alimentar a confiança nas instituições e fortalecer uma cultura
cívica autêntica. Mas sem uma iniciativa reformista que torne o Estado
mais moderno, eficiente, efetivo, transparente e responsável, não se
conseguirá alcançar um patamar minimamente razoável de cobertura
de toda a população por serviços públicos básicos que uma democracia
moderna deve prover.

ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

De que modo o Brasil fez a sua transição para a democracia


plena em meio a uma conjuntura econômica adversa? Quais os desa-
fios de nossa inserção como nação democrática no século XXI? Como a
cidadania brasileira evolui ao longo do período republicano em face das
transformações do Estado e da sociedade? Aobra “História econômica
e social do Brasil: o Brasil desde a república” (2016) de autoria de
Francisco Vidal Luna e Herbert S. Kleina uxiliará você a responder a
estas e a outras perguntas acerca do processo tortuoso de afirmação
de uma sociedade de massas no Brasil. A compreensão dos grandes
problemas estruturais da formação do Estado nacional e a análise da
77
crise do modelo de desenvolvimento por substituição de importações
são indispensáveis para pensarmos na viabilidade de um Estado viável
e democrático no Brasil. Disponível em: https://bit.ly/3qSgGL7. Acesso
em: 14 fev. 2021.
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78
QUESTÃO 1
(Enem 2012) É verdade que nas democracias o povo parece fazer o
que quer; mas a liberdade política não consiste nisso. Deve-se ter
sempre presente em mente o que é independência e o que é liber-
dade. A liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem;
se um cidadão pudesse fazer tudo o que elas proíbem, não teria
mais liberdade, porque os outros também teriam tal poder.
MONTESQUIEU. Do Espírito das Leis. São Paulo: Editora Nova Cul-
tural, 1997 - adaptado.
A característica de democracia ressaltada por Montesquieu diz res-
peito:
a) ao status de cidadania que o indivíduo adquire ao tomar as decisões
por si mesmo.
b) ao condicionamento da liberdade dos cidadãos à conformidade às leis.
c) à possibilidade de o cidadão participar no poder e, nesse caso, livre
da submissão às leis.
d) ao livre-arbítrio do cidadão em relação àquilo que é proibido, desde
que ciente das consequências.
e) ao direito do cidadão exercer sua vontade de acordo com seus valo-
res pessoais.

QUESTÃO 2
(ADM&TEC, 2019). Leia as afirmativas a seguir e marque a opção
CORRETA:
a) No Brasil, o município pode obrigar qualquer cidadão a permanecer
associado a uma entidade paramilitar.
b) Os valores sociais do trabalho não são fundamentos da República
Federativa do Brasil.
c) No Brasil, é proibida a associação para fins lícitos.
d) Segundo a constituição brasileira, homens e mulheres não são iguais
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

em direitos e obrigações.
e) A Constituição Federal de 1988 procura valorizar a construção de
uma sociedade fraterna.

QUESTÃO 3
(ADM&TEC, 2019). Leia as afirmativas a seguir e marque a opção
CORRETA:
a) A Constituição Federal de 1988 procura impedir a construção de uma
sociedade sem preconceitos.
b) O direito ao bem-estar é negado pela Constituição Federal de 1988.
c) A cidadania não é um dos fundamentos da República Federativa do
79
Brasil.
d) A Constituição Federal de 1988 procura valorizar a construção de
uma sociedade sem preconceitos.
e) A soberania não é um dos fundamentos da República Federativa do
Brasil.

QUESTÃO 4
(ADM&TEC, 2019). Leia as afirmativas a seguir e marque a opção
CORRETA:
a) O Legislativo é um dos poderes da União.
b) O direito ao desenvolvimento é contrário aos princípios da Constitui-
ção Federal de 1988.
c) Constituição Federal de 1988 procura desvalorizar a construção de
uma sociedade fraterna.
d) A República Federativa do Brasil busca promover os preconceitos
relacionados à raça.
e) A República Federativa do Brasil busca promover os preconceitos
relacionados ao sexo.

QUESTÃO 5
(FUNDEPES, 2017, adaptado) - Analise as seguintes assertivas re-
lativas ao preâmbulo da Constituição da República Federativa do
Brasil de 1988 (CR/88):
I. O preâmbulo da CR/88 não pode, por si só, servir de parâmetro
de controle da constitucionalidade de uma norma.
II. A invocação de Deus no preâmbulo da CR/88 torna o Brasil um
Estado confessional.
III. O preâmbulo traz em seu bojo os valores, os fundamentos filo-
sóficos, ideológicos, sociais e econômicos e, dessa forma, norteia
a interpretação do texto constitucional.
IV. A invocação de Deus no preâmbulo da CR/88 é norma de repro-
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

dução obrigatória nas Constituições Estaduais.


Está CORRETO somente o que se afirma em:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e III.
d) III e IV.
e) I e IV

QUESTÃO 6
(FUNDATEC, 2012) A Constituição Brasileira de 1988 define normas
constitucionais programáticas, fins e programas de ação futura
80
para a melhoria das condições sociais e econômicas da popula-
ção. A partir disso, analise as afirmações abaixo:
I. A intensa participação popular criou condições para que o Brasil
tivesse uma Constituição democrática e comprometida com a su-
premacia do direito e promoção de justiça.
II. A partir dela, o Estado brasileiro passou a ter o dever jurídico-
-constitucional de realizar justiça social.
III. São fundamentos que constituem o eixo relativo aos direitos in-
dividuais e coletivos: a cidadania, a dignidade da pessoa humana,
os valores sociais do trabalho e da livre-iniciativa e o pluralismo
político.
IV. A saúde, a previdência e a educação compõem um conjunto
integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da socie-
dade, denominado seguridade social.
Quais estão corretas?
a) Apenas I e II.
b) Apenas I, II e III.
c) Apenas I, II e IV.
d) Apenas II, III e IV.
e) I, II, III e IV.

QUESTÃO 7
(IESES, 2017) Conforme prevê a Constituição Federal, é correto
afirmar:
a) Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil
construir uma sociedade livre, justa e solidária; a defesa da dignidade
da pessoa humana; dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
a defesa da paz.
b) República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacio-
nais pelos princípios da soberania; da prevalência dos direitos huma-
nos; da dignidade da pessoa humana; dos valores sociais do trabalho e
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

da livre iniciativa; da defesa da paz.


c) A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos
Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado De-
mocrático de Direito e tem como fundamentos a soberania; a cidadania;
a dignidade da pessoa humana; os valores sociais do trabalho e da livre
iniciativa; o pluralismo político.
d) Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil
construir uma sociedade livre, justa e solidária; a prevalência dos direi-
tos humanos; a dignidade da pessoa humana; a solução pacífica dos
conflitos; o pluralismo político.
e) Nenhuma das Anteriores
81
QUESTÃO 8
(FGV, 2014). A República Federativa do Brasil é laica, já que há se-
paração total entre Igreja e Estado e não há religião oficial. No en-
tanto, constou expressamente no preâmbulo da Constituição da
República, quando de sua promulgação, que estava sendo feita
“sob a proteção de Deus”. Sobre o tratamento constitucional con-
ferido aos cultos religiosos, é correto afirmar que:
a) é inviolável a liberdade de consciência e de crença, desde que
exercida no interior dos locais onde ocorrem os cultos religiosos e suas
liturgias, na forma da lei.
b) é violável a liberdade de crença religiosa, sendo assegurado o livre
exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção
aos locais de culto e a suas liturgias.
c) ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa, que
pode ser invocada como justificativa para eximir-se de obrigação legal a
todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa.
d) é vedada a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e
militares de internação coletiva.
e) é vedado aos entes federativos estabelecer cultos religiosos ou
igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter
com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança,
ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

82
ÉTICA NAS RELAÇÕES DE TRABALHO:
O CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL

ÉTICA, MERCADO E INSTITUIÇÕES

Existe uma ética do trabalho e das organizações? Assim como


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ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

os indivíduos, as organizações, as empresas e os profissionais de vá-


rias áreas também obedecem a códigos de conduta ética. A intensifi-
cação do fluxo de informações, a internacionalização dos mercados, a
forte competitividade, os novos marcos regulatórios (especialmente em
questões ambientais e sociais) e o desenvolvimento de novas tecnolo-
gias são fatores que, no período contemporâneo, têm contribuído para
as mudanças de comportamento das organizações.
Que mudanças são essas? Que impacto elas têm no mundo do
trabalho? No mundo contemporâneo, percebe-se uma crescente busca
para manter ou ganhar reputação frente à sociedade, o que tem sido
feito principalmente através da adoção de um comportamento ético e
83
socialmente responsável. Mas esse comportamento nem sempre fora
adotado pelas organizações. O processo de institucionalização das or-
ganizações se processo por meio da transformação de ações, crenças
e comportamentos em regras estabelecidas de conduta social. Tais nor-
mas comportamentais, ao serem aceitas e incorporadas às rotinas de
trabalho, acabam sendo legitimadas e compartilhadas no dia a dia. A
partir disso, inicia-se um processo de dissipação ou de aceitação e uso
de práticas institucionalizadas.

A corrente sociológica do neoinstitucionalismo reafirma que


organizações com estruturas formais tendem a prevalecer como meio
mais eficiente e racional de coordenar a complexidade da vida moderna.
Essa teoria tenta explicar os motivos que levam as instituições a mudar,
além de apontar a direção em que caminham e o propósito da mudança

As instituições, enquanto regras do jogo, são mediadoras das


relações humanas. Sua principal função é a coerção, o estabelecimento
dos limites da ação. O desdobramento imediato é o fato de que quanto
mais submetidas às instituições e quanto mais similares estas forem,
mais homogêneo será o comportamento das organizações.
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

A ética no ambiente de trabalho é ao mesmo tempo individual


e coletiva.

A RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS ORGANIZAÇÕES

As instituições são regras de conduta que prescrevem ações e


determinam o que é mais adequado ou pertinente a ser feito. Ela exer-
cem um papel de facilitação e de influência direta sobre as estratégias,
sobre as escolhas e sobre o comportamento dos agentes. As empresas
são organizações que podem institucionalizar ações de responsabilida-
84
de social para adequar a sua estratégia de atuação e o seu comporta-
mento corporativo às mudanças de ambiente e do meio social.
As ações de responsabilidade social são práticas formais di-
fundidas e aceitas que credenciam e dão legitimidade a uma organiza-
ção. Como ilustração, a maior parte das grandes e médias empresas,
em ramos diversos da economia, adotam princípios de gestão empresa-
rial. Essas diretrizes comportamentais devem ser seguidas a fim de dar
uma orientação, um código básico de ética que permita balizar as ações
dos seus funcionários e colaboradores. Tais códigos de ética tratam de
temas como proteção ambiental, trabalho infantil, discriminação de fun-
cionários, relações com fornecedores, dentre outros.
Nessa direção, empresas multinacionais que possuem grande
visibilidade midiática e competem de forma agressiva no mercado exter-
no necessitam seguir regras internas e externas para adequar seu com-
portamento aos padrões internacionais. Programas de excelência de
treinamento contra acidentes de trabalho e adequação a normas inter-
nacionais de sustentabilidade ambiental são exemplos de conformação
dessas organizações a padrões de excelência mundiais. As matrizes
dessas empresas estabelecem diretrizes mais amplas que são segui-
das pelas suas filiais, adequando as práticas às realidades locais. A
atuação das empresas em áreas como educação, saúde, cultura e meio
ambiente é considerada pela sociedade como um valor importante.
Iniciativas como essas passaram a ser um componente estra-
tégico para as organizações, na medida em que este tipo de atividade
agrega valor à imagem corporativa. A responsabilidade social foi condu-
zida à institucionalização, seja pela imposição que induz uma conduta
de aceitação, seja pelo interesse estritamente individual ou da organi-
zação. Dessa forma, as empresas e seus dirigentes, ao adquirirem a
consciência de que a mudança de práticas agrega valor às atividades
empresarias, concentram-se na adequação das rotinas organizacionais
ao universo simbólico-cultural da responsabilidade social.
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

Tanto o meio social atua sobre as empresas quanto as com-


panhias atuam sobre o meio social, influenciado um ao outro. Nessa
interação social, surgem preceitos que se institucionalizam e ajudam
a legitimar processos dentro das organizações. O interesse da organi-
zação em se adequar aos preceitos do ambiente externo é ainda mais
exacerbado em um ambiente de extrema competição entre as organi-
zações.
Em um contexto de disputa entre empresas pelo mercado, as
práticas organizacionais tornam-se cada vez mais semelhantes e ho-
mogêneas. Em um ambiente de incerteza, é conveniente escolher as
soluções prescritas. O isomorfismo torna reflete a força das institui-
85
ções, sem necessariamente resultar em maior eficiência. O que está em
jogo são as recompensas advindas da homogeneização, da similarida-
de de estruturas, de práticas e de resultados.

Isomorfismo é a tendência das organizações de se comportar


de maneira semelhante, incorporando práticas umas das outras para
competir melhor.

A adequação das empresas a um código de ética mínimo para


reger as suas práticas internas e as suas interações externas é extre-
mamente vantajosa. Ao incorporar regras aceitas socialmente como
éticas, demonstram a sua conformidade com valores e com normas
compartilhadas pela coletividade. A adequação das organizações a um
mínimo ético, nesse sentido, assegura oportunidades de crescimento,
expansão e inovação ao longo do tempo.
As organizações modernas funcionam por meio da incorpora-
ção de orientações previamente definidas e racionalizadas para a legi-
timação das suas atividades e para a sua sobrevivência. Pode-se dizer
que há pressões contextuais, decorrentes da ética vigente nas relações
sociais, que direcionam as escolhas e estratégias adotadas pela orga-
nização. A legitimidade passa a ser o “imperativo” organizacional e a
organização passa a se preocupar com as influências do ambiente, re-
conhecendo a estrutura formal como produto institucionalizado.
A ação organizacional tem como ponto de partida o reconheci-
mento de que vantagens competitivas são obtidas por meio da implanta-
ção de estratégias coerentes com os significados e valores socialmente
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

compartilhados, como o de um meio ambiente socialmente equilibrado,


da defesa de regras justas de comércio ou do respeito aos direitos do
consumidor. Os princípios institucionais condicionam a construção de
uma lógica de mercado, resultando em modelos de comportamento que
moldam as relações entre as organizações e as induzem a se constituir
de maneira homogênea.
As companhias, portanto, são motivadas pela visão socioeco-
nômica das ações de responsabilidade social por um motivo simples: a
boa reputação frente à sociedade traz maior legitimidade à empresa, o
que tente a fortalecer a sua aceitação pela sociedade, o seu poder de
mercado, maximizando o seu retorno financeiro. Este fenômeno é co-
86
nhecido como marketing social. Contudo, não existe modelo ideal para
todas as organizações. Cada qual encontra um equilíbrio próprio, com-
patibilizando estratégia, estrutura, tecnologia, envolvimento, necessida-
de e ambiente externo.

O neoinstitucionalismo prevê as intenções e determinações


que uma organização tem em sua tomada de decisões. Com a mudan-
ça no mercado, os valores deixam de ser apenas financeiros e passam
ter peso no campo social e ambiental. Portanto, avaliar a viabilidade
ética de um investimento, é avaliar sob a ótica econômica, social e am-
biental. A ética institucional passa pela responsabilidade social e pela
responsabilidade ambiental.

ÉTICA NAS BUROCRACIAS PÚBLICAS E PRIVADAS

Assim como nas organizações privadas, as instituições públi-


cas também passaram a incorporar valores e princípios de ética corpo-
rativa. As estruturas formais das organizações modernas espelham as
instituições do ambiente em que operam. Ao impulsionarem-se no sen-
tido de incorporar práticas institucionalizadas, as organizações buscam
aumentar sua legitimidade, independente da aferição da eficácia e da
eficiência dos procedimentos escolhidos. Ou seja, muito mais do que o
desempenho, é a conformidade aos valores éticos e às normas sociais
consagrados que determina as chances de sobrevivência de uma orga-
nização.
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

O processo coativo ou voluntário que força ou incentiva uma


organização a se tornar mais parecida com outra ao se defrontar com as
mesmas condições ambientais e ao competir por recursos, poder políti-
co e legitimidade, denomina-se isomorfismo institucional. O isomorfismo
institucional, conforme visto na seção anterior, força uma homogenei-
zação e torna as organizações mais similares, relacionando-se com a
produção de respostas padronizadas frente às incertezas. Quando o am-
biente cria uma incerteza simbólica, as organizações buscam se estrutu-
rar seguindo organizações similares e bem-sucedidas de seus campos
de atividade, percebidas como portadoras de maior legitimidade.
Assim como as empresas, a burocracia também segue normas
87
e padrões éticos. O padrão burocrático é o modelo mais superiormen-
te eficaz para assegurar estabilidade, previsibilidade, certeza, conti-
nuidade, permanência, subordinação, controle, clareza, confiabilidade,
disciplina, rigor e precisão nas modernas sociedades industriais. Sua
superioridade técnica incontrastável o torna um instrumento de poder
de primeira ordem para eliminar ambiguidades e garantir uma base le-
gítima de obediência aos preceitos normativos superiormente estabe-
lecidos. Assegura ainda uma eficaz coordenação, um eficiente controle
e uma efetiva coesão entre as inúmeras partes do organismo estatal,
recortado e multifacetado por natureza.

Ao longo de sua história, os Estados nacionais utilizam a buro-


cracia como instrumento de materialização concreta de sua soberania e
da defesa dos valores éticos socialmente compartilhados. O poder es-
tatal funda-se num sistema integrado e coeso de normas jurídicas, ca-
bendo-lhe impor condutas para assegurar a supremacia de sua autori-
dade. A administração pública se baseia em preceitos legais e não pode
extravasar os limites da estrita legalidade, devendo ater-se somente às
condutas que as normas abstratas, impessoais e escritas prescrevem
e legitimam.

A burocracia está presente em todas as grandes organizações


modernas, públicas ou privadas, desde o seu nascedouro. Sua identi-
ficação com a administração pública se justifica pelo fato de ser mais
facilmente percebida, porque está onipresente em sua vida quotidiana.
A administração pública lança mão da divisão de trabalho para recrutar
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pessoas com diferentes habilidades e experiências para o desempenho


das mais variadas e complexas funções em centenas de órgãos autô-
nomos.
O sistema hierárquico do quadro administrativo assegura alto
grau de eficiência no exercício de dominação, sendo indispensável à
sua racionalização. A hierarquia ajuda na minimização de atritos, na
redução de custos e na eliminação de elementos irracionais e emocio-
nais que fogem à possibilidade de cálculo. O controle dos processos e
das rotinas imprime segurança e certeza, unificando a aplicação das
normas no tempo e no espaço, segundo padrões éticos previamente
estabelecidos. Ou seja, o serviço público deve ser invariavelmente bu-
88
rocratizado porque lhe cabe perseguir e implementar, com a máxima
eficiência técnica, as normas legitimamente impostas.
O funcionário público - seja ele o militar, o diplomata, o coletor
do fisco, o magistrado ou o delegado de polícia – só pode agir no âmbito
do que lhe é facultado pela norma. Nas relações entre agentes priva-
dos, impera a liberdade negativa: tudo o que não está proibido é permi-
tido. O espaço de liberdade de ação é bem maior, mas tem limites na
ética organizacional e do trabalho. O modelo burocrático, nesse sentido,
também sofre influência dos valores éticos socialmente enraizados.
Ao se legitimar pelo saber técnico, pela especialização do co-
nhecimento e pela eficiência administrativa, fundamentado em um siste-
ma hierárquico e disciplinar, a burocracia ajuda a fortalecer os padrões
éticos legitimados. Dessa forma, ao gerar mais obediência às normas
de comportamento desejadas, a burocracia fortalece o controle, a con-
fiança e a previsibilidade nas organizações.

O CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL

Conforme visto nos itens anteriores, a ética nas organizações e


nas burocracias visam estabelecer padrões mais elevados e socialmen-
te legitimados de comportamento corporativo. Busca-se um equilíbrio
entre as preocupações racionais, financeiras, sociais e sustentáveis.
No âmbito individual do exercício das profissões, a ética também bus-
ca promover atitudes e valores considerados positivos pela socieda-
de, como a transparência, a verdade e a honestidade. Dessa forma, as
ações éticas, no âmbito profissional, são indispensáveis para orientar
as condutas humanas e gerar harmonia social.

Os Conselhos Profissionais de Ética


ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

Em qualquer profissão existe um mínimo ético a ser respeita-


do. Os conselhos profissionais têm um papel relevante nesse sentido,
ao disciplinar a conduta dos profissionais, prever situações que envol-
vam dilemas morais e estabelecer rotinas padronizadas para a resolução
de conflitos. Os conselhos profissionais de classe - como a Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB), o Conselho Federal de Medicina (CFM), o
Conselho Federal de Administradores (CFA), o Conselho Federal de En-
genharia (CFE) e o Conselho Federal de Psicologia do Brasil (CFP), bem
como as suas representações regionais - são organizações que geram
previsibilidade e certeza para a conduta dos profissionais. Suas regras,
normas e portarias são guias de ação para situações de incerteza.
89
Cada vez mais, a ética profissional se enraíza nas relações de
trabalho e produção, sobretudo em uma sociedade cada vez mais mar-
cada pela proliferação de serviços e de demandas. O Código de Ética
Profissional busca a implantação de valores considerados relevantes
para a orientação da conduta dos indivíduos nas relações de trabalho,
levando em conta as particularidades da profissão que representa pe-
rante a classe e a sociedade. Conforme visto nas seções anteriores, as
práticas éticas disseminadas socialmente fortalecem as organizações
e ampliam o seu valor de mercado. Organizações e seus profissionais
não podem estar alheios ao que ocorre no ambiente externo, pois estão
socialmente inseridos num espaço e num tempo marcado por valores,
crenças e práticas institucionalizadas.
Conforme visto nas Unidades 1 e 2 deste livro, a Ética não
deve ser vista como algo abstrato, mas como a base da agregação de
valor e de conhecimento em cada sociedade. Dilemas morais e éticos
existem em todos os contextos sociais, inclusive no mundo corporativo.
O que as normas de conduta ética na vida profissional visam é elevar o
desempenho, reduzir incertezas e disseminar ações consideradas posi-
tivas, lícitas, corretas e desejáveis.
Nesse sentido, a ética profissional não se diferencia tanto da
ética na família, na religião, na escola e na política. A codificação e a
formalização de comportamentos considerados éticos buscam a sua in-
teriorização e obediência. Diferentemente da Moral, o Direito estabele-
ce normas obrigatórias que induzem a adequação dos comportamentos
dos indivíduos às regras dadas, sob pena de sofrerem sanções em caso
de descumprimento.
Com o desenvolvimento e a expansão da economia capitalis-
ta, a ética profissional passou a ser um tema cada vez mais relevante.
Na economia de livre-mercado, o indivíduo é o ator central. Dessa for-
ma, não se pode dissociar a ética individual da ética das empresas. Da
adequação dos indivíduos a comportamentos socialmente esperados
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

depende o êxito das empresas. As organizações modernas são um pro-


duto da Revolução Industrial e se desenvolveram com base na certeza
e na previsibilidade.
Na sociedade contemporânea, porém, impera o indivíduo. As
organizações nada mais são do que um conjunto de indivíduos mobi-
lizados em torno de um objetivo comum. Muitas vezes essa abstração
esconde os atores que, mais do que simples agentes signatários de
um contrato de obrigações, são verdadeiramente sujeitos ativos, seres
conscientes da realidade e dotados de plena capacidade analítica e re-
flexiva. A visão do indivíduo como unidade de análise levaria a novas
formas de superação da resistência à mudança que permitem a adoção
90
espontânea de padrões éticos, sem a necessidade de imposição.
A mudança de pensamento organizacional leva tempo para ser
processada, um tempo que não é apenas o da organização, mas o que
cada um dos seus participes leva para responder aos estímulos do am-
biente, já que a aceitação e resistência à mudança é algo emocional e
cognitivo. Assim sendo, direcionar as percepções individuais e integrá-
-las num programa de ação coordenado no campo da ética profissional
pode ser o diferencial entre a adoção de um comportamento resistente
e a decisão convicta de superar a resistência.
A resistência à mudança de padrões éticos é um mecanismo
de defesa, um meio de expressão da insegurança, da nostalgia ou da
repressão do indivíduo que muda junto com a organização a que per-
tence. Assim, pensar o ser humano como o princípio, a base de toda es-
tratégia de mudança é a saída para a obtenção de melhores resultados
e o alcance dos objetivos pretendidos.
Dessa forma, as empresas que não conseguem convencer os
indivíduos a mudar os seus comportamentos éticos estarão sempre vul-
neráveis a comportamentos perniciosos: corrupção, o patrimonialismo,
o abuso de autoridade, o desvio de dinheiro, a fraude e os diversos tipos
de assédio. Considerados desvios éticos graves pela sociedade, esses
problemas podem comprometer a reputação das empresas e afetar o
seu valor de mercado.
Empresas que visam apenas a maximização utilitária do lucro,
sem preocupações ambientais, sociais e humanas, estão mais sujeitas
a comportamentos considerados moralmente desviantes e antiéticos. A
perda da reputação, do respeito e da credibilidade, em um mundo de
elevada competição, pode ser fatal para uma companhia. Nesse sen-
tido, tal como visto nas primeiras seções deste capítulo, as empresas
desenvolveram estratégias institucionais de adaptação à nova realidade
social, na qual práticas antiéticas são condenadas.
A necessidade de adequar ações humanas ao padrão de com-
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

portamento desejado traz um custo elevado para as empresas. A neces-


sidade de alterar diretrizes organizacionais, no plano interno e externo,
conduziu à necessidade de seu pensar em uma ética empresarial. A
responsabilidade social com os empregados, clientes, consumidores,
fornecedores, governo e com a comunidade como um todo se insere
neste contexto. A busca de um bom relacionamento com os diversos
atores que interagem no processo produtivo tem consequências diretas
na imagem das empresas e de seus empregados. Responsabilidade
social, dessa forma, é indissociável de uma harmônica relação de um
profissional com o seu meio.
Os códigos de ética são uma imposição dessas mudanças ins-
91
titucionais. Nesse sentido, sob a influência de corporações norte-ame-
ricanas, começaram a surgir, na década de 1970, as primeiras codifica-
ções sobre os comportamentos dos funcionários e a sua adequação às
regras éticas vigentes. Esses primeiros manuais de conduta estavam
alinhados às legislações vigentes naquele período, sobretudo no campo
das relações de trabalho, do meio ambiente e dos direitos do consumi-
dor. Buscava-se, sobretudo, a limitação da margem de ação dos empre-
gados e a punição de comportamentos desviantes.
Na década seguinte, buscou-se a mudança das mentalidades
não apenas pelo uso de mecanismos de coerção e punição, mas pelo
convencimento da necessidade de alteração dos padrões e da cultura
organizacional. A busca do fomento à confiança e à transparência no
ambiente de trabalho foi a chave dessas alterações. As pessoas preci-
savam ser convencidas dos valores das empresas e dos princípios que
defendiam. Tendo em vista esse novo contexto, as corporações repre-
sentativas de categorias profissionais passaram a auxiliar no processo
de normatização, de orientação e de disciplina no ambiente de trabalho.
Nesse sentido, os códigos de ética profissional se tornaram
instrumentos de racionalização de comportamentos profissionais. Eles
apresentam os princípios orientadores, os valores e as diretrizes consi-
deradas éticas no exercício de cada profissão, com consonância com
os padrões éticos e as melhores práticas da sociedade. Sua eficácia
depende, sobretudo, da sua aceitação e incorporação à cultura das or-
ganizações e às rotinas dos funcionários.
O mundo se transforma a todo momento. Nas últimas décadas,
temos visto inúmeras mudanças tecnológicas, culturais, sócias, econô-
micas e profissionais. Os valores estão mudando e o que antes era nor-
mal, aceito e até mesmo ético já não cabe mais nos padrões e valores
atuais. Por exemplo, o trabalho escravo foi adotado por muitos séculos
em muitos países. Mudanças nos valores proporcionaram o fim desse
terrível período da humanidade. Outro exemplo é o desmatamento: há
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

muitos anos nem se imaginava os terríveis danos que isso causaria ao


meio ambiente. Mudanças e avanços têm mostrado que o meio am-
biente precisa ser preservado. Questões éticas e morais tiveram muito
peso para que tais mudanças ocorressem. Para o futuro, que valores
de mercado aceitáveis atualmente poderão sofrer alterações? Para res-
ponder, reflita nas questões ambientais, sociais e também nas rápidas
mudanças que vêm ocorrendo originadas pelo avanço da tecnologia,
especialmente no campo da informação.

92
O mundo se transforma a todo momento. Nas últimas décadas,
temos visto inúmeras mudanças tecnológicas, culturais, sócias, econô-
micas e profissionais. Os valores estão mudando e o que antes era nor-
mal, aceito e até mesmo ético já não cabe mais nos padrões e valores
atuais. Por exemplo, o trabalho escravo foi adotado por muitos séculos
em muitos países. Mudanças nos valores proporcionaram o fim desse
terrível período da humanidade. Outro exemplo é o desmatamento: há
muitos anos nem se imaginava os terríveis danos que isso causaria ao
meio ambiente. Mudanças e avanços têm mostrado que o meio am-
biente precisa ser preservado. Questões éticas e morais tiveram muito
peso para que tais mudanças ocorressem. Para o futuro, que valores
de mercado aceitáveis atualmente poderão sofrer alterações? Para res-
ponder, reflita nas questões ambientais, sociais e também nas rápidas
mudanças que vêm ocorrendo originadas pelo avanço da tecnologia,
especialmente no campo da informação.

ÉTICA E CIDADANIA NAS RELAÇÕES DE TRABALHO

A mudança de comportamentos éticos nas empresas depende,


sobretudo, da mudança das mentalidades individuais e da cultura orga-
nizacional. Não basta às organizações apenas obedecer às legislações
nacionais e gerar retornos financeiros aos seus acionistas. É preciso
manter relações harmônicas com todos os atores que com elas inte-
ragem, gerando comprometimento com valores básicos da sociedade.
A incorporação de valores nas interações sociais fortalece a
aceitação das empresas e o desejo por seus produtos e serviços. A
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

valorização de competências, o reconhecimento da cidadania, a busca


da transparência, da excelência, da eficiência, da competência e da ho-
nestidade são cada vez mais centrais no mercado de trabalho.
Em síntese, a disciplina da ética, nas relações sociais e no
mundo do trabalho, tornou-se um imperativo no mundo contemporâneo.
Os princípios éticos são importantes não apenas para a adequação das
organizações às normas socialmente aceitas como lícitas e corretas,
mas também para o fortalecimento de uma cultura cidadã no país. A
ética é indispensável para agregar valor às relações produtivas e para
fortalecer o compromisso das organizações com os valores supremos
da cidadania. Não se pode separar o espaço público do espaço privado
93
no que toca a valores indispensáveis da civilização.
Dessa forma, ao valorizar profissionais éticos e prestigiar práti-
cas alinhadas com comportamentos socialmente responsáveis, as em-
presas maximizam as suas vantagens competitivas e contribuem para
disseminar padrões mais elevados de comportamento social. No longo
prazo, decisões éticas constituem a base sobre a qual se constrói uma
sociedade mais livre, justa e solidária, baseada nos valores do trabalho
e da livre-iniciativa. Os Códigos de Ética Profissional, nos mais varia-
dos campos do trabalho, são instrumentos que asseguram a difusão de
normas de conduta ética no mundo corporativo, moldando empresas e
profissionais segundo padrões moralmente desejados.
Não se pode depender, contudo, apenas dos instrumentos pu-
nitivos para que tais normais sejam cumpridas no cotidiano profissional.
É preciso, sobretudo, mudar mentalidades e difundir novas práticas cul-
turais acerca da ética empresarial e profissional. As empresas bem-su-
cedidas, em mundo globalizado, são aquelas capazes de se pautar por
um mínimo ético. Dessa forma, empresas não devem encarar a ética
como um empecilho para o alcance dos seus objetivos, mas como uma
plataforma de sustentação e de sobrevivência. Padrões éticos de con-
duta melhoram as relações entre os empregados, elevam a imagem ex-
terna e melhoram a relação das empresas com o seu meio, contribuindo
para uma sociedade mais harmônica e equilibrada.

A opinião pública, as instituições sociais e a mídia nunca exigi-


ram tanto da ética profissional. Sugerimos a leitura do livro “Curso de
ética jurídica: ética geral e profissional” Eduardo C. B. Bittar (2018).
Nessa obra de referência, o autor analisa a conexão entre Ética e Di-
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

reito em diversos ramos da vida: família, escola, trabalho etc. Ao abor-


dar a problemática da ética no mundo contemporâneo, o autor analisa
como as relações de produção da economia moderna influenciam nas
decisões de indivíduos e de organizações. A ética nas relações de tra-
balho é um dos temas centrais desse livro, texto bastante utilizado na
disciplina Ética Jurídica nas Faculdades de Direito em todo o Brasil por
exmplo. Disponível em: https://bit.ly/2PiIjyY. Acesso em: 16 fev. 2021.

94
QUESTÃO 1
(FGV - Analista Legislativo Municipal, 2007) Código de valores que
norteiam a conduta de um indivíduo, bem como suas decisões e
escolhas, fazendo com que esse indivíduo seja capaz de julgar o
que é certo e errado.
Trata-se d definição de:
a) Altruísmo
b) Egoísmo
c) Consenso
d) Participação
e) Moralidade

QUESTÃO 2
(Fundação Carlos Chagas (FCC, 2019) A ética associa cultura e so-
ciedade para definir o que seja mal ou bem, vício ou virtude, que
são antagônicos. Com base nessa definição, a virtude da “genti-
leza”, muito importante para o atendimento do cidadão- usuário,
correlaciona-se ao vício de:
a) Irascibilidade
b) Ambição
c) Vaidade
d) Indulgência
e) Vulgaridade

QUESTÃO 3
(FGV, 2015, adaptado) O campo em que a ética empresarial se ma-
nifesta é constituído por três elementos: agente, virtude e meios.
Os dilemas éticos resultam do conflito presente nos valores, nos
destinatários, e nos meios que servem de base às decisões, im-
pondo uma hierarquia de princípios. Encontrar solução para esses
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

dilemas não é tarefa fácil. Mas alguns princípios podem facilitar a


decisão acerca dos dilemas éticos, entre eles:
a) Faça o que for melhor para o maior número de pessoas e siga seu
mais alto juízo ou princípio
b) Faça o que for melhor para o maior número de pessoas e opte pelos
valores do ambiente
c) Siga seu mais alto juízo ou princípio e opte pelo alijamento do código
de conduta moral vigente
d) Faça o que quer que os outros façam a você; e opte pelo alijamento
do código de conduta moral vigente
e) Faça apenas o que lhe foi solicitado e nada mais.
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QUESTÃO 4
(FCC, 2019) Determinado agente público estadual comissionado
tem direito a carro oficial para ser utilizado no exercício de suas
funções. Considere que o referido agente tem feito uso desse di-
reito para seus familiares, em especial para conduzir seus filhos às
atividades escolares. A conduta do agente:
a) a despeito de violar o código de ética, somente poderá ser apurada
se for objeto de denúncia, cabendo ao denunciante demonstrar o efetivo
prejuízo causado aos cofres públicos.
b) viola o código de ética da Administração Pública Estadual, razão pela
qual poderá ser instaurado, de ofício ou em razão de denúncia, proce-
dimento para apuração dos fatos, de competência da Comissão Geral
de Ética.
c) a despeito de ferir o princípio da moralidade, não viola o código de
ética da Administração Pública Estadual, pois este não se aplica aos
servidores comissionados, mas aos servidores públicos titulares de car-
go efetivo e aos titulares de cargo de alta direção.
d) não viola o código de ética, porquanto, em razão dos usos e costu-
mes, é administrativamente aceita.
e) somente poderá ser objeto de apuração pela Comissão de Ética na
hipótese de o referido agente ter expressamente aderido aos termos do
Código de Ética no momento da investidura.

QUETÃO 5
(FEPESE, 2019) Leia o fragmento a seguir.
A ética profissional garante um ambiente de trabalho produtivo e
seguro. A fim de explicitar os padrões éticos para uma determi-
nada classe profissional, foram instituídos os ____ que têm por
finalidade tornar claro o pensamento de uma dada classe profis-
sional, de modo a comprometer seus integrantes com os objetivos
particulares da profissão, respeitando os princípios ____ da ética.
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Assinale a alternativa cujos itens completam corretamente as la-


cunas do fragmento acima.
a) códigos de conduta - universais
b) regulamentos - legais
c) códigos de conduta - legais
d) regulamentos - universais
e) regulamentos - morais

QUESTÃO 6
(FEPESE, 2019) É característica importante para o atendimento ao
público a demonstração de:
96
a) presteza e intolerância.
b) ineficiência e educação
c) cortesia e falta de paciência.
d) pernosticidade e postura profissional
e) objetividade na comunicação e postura profissional

QUESTÃO 7
(FAUEL, 2019, adaptada) Leia com atenção a definição a seguir e
assinale o termo correspondente. É um conjunto de valores e nor-
mas de comportamento e de relacionamento adotados no ambien-
te de trabalho, no exercício de qualquer atividade. Ter essa condu-
ta é saber construir relações de qualidade com colegas, chefes e
subordinados, contribuir para bom funcionamento das rotinas de
trabalho e para a formação de uma imagem positiva da instituição
perante os públicos de interesse, como acionistas, clientes e a so-
ciedade em geral. (Fonte: Guia da Carreira)
a) Cidadania e urbanidade.
b) Ética profissional.
c) Relações humanas.
d) Sociedade de consumo.
e) Moralidade e responsabilidade.

QUESTÃO 8
(FEPESE, 2019) Analise as afirmativas abaixo que tratam de Ética e
Responsabilidade Social nas organizações:
1. As organizações contemporâneas devem valorizar o comporta-
mento ético de seus funcionários e agir de forma responsável em
relação ao seu ambiente de atuação.
2. As organizações contemporâneas devem buscar seus resulta-
dos independentemente dos padrões éticos e morais empregados
para obtê-los.
ÉTICA E CIDADANIA - GRUPO PROMINAS

3. A responsabilidade social é sempre um custo desnecessário


para as organizações.
4. Ações de responsabilidade social podem valorizar a imagem or-
ganizacional.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
a) É correta apenas a afirmativa 1.
b) É correta apenas a afirmativa 2.
c) São corretas apenas as afirmativas 1 e 3
d) São corretas apenas as afirmativas 1 e 4.
e) São corretas apenas as afirmativas 2 e 3.

97
Accountability: prestação de contas.
Advento: surgimento.
Agrárias: relativo às atividades agrícolas.
Anomia: comportamento desvirtuoso ocorrido pela falta de leis.
Antagônicos: contrários.
Aportou: chegou.
Assenta: o que se apoia em algo.
Autonomização: Refere-se ao que se torna autônomo, independente.
Balizar: guiar, orientar.
Caracteres: modo de cada indivíduo agir e reagir; personalidade, as-
pecto individual.
Caudilhismo: Força irregular de poder.
Conjuntura: sequência ou combinação de fatos e acontecimentos num
mesmo momento; coincidência.
Corporativismo: escola de pensamento em que os grupos e aglome-
rações de determinadas classes de profissionais são de extrema im-
portância para a organização política, econômica e social. No entanto,
esses grupos precisam estar subordinados ao Estado.
Cosmopolita: da cidade, urbano.
Decisórios: tomada de decisões.
Degeneração: piora do estado inicial, perda das características e pro-
priedades.
Dicotomia: divisão em dois termos.
Dissociação: separação, afastamento.
Enclausuramento: refere-se à prisão, fechamento.
Esteira: área, processo, dinâmica.
Faccionárias: está ligado às facções, ou seja, aos grupos de indivíduos
unidos por uma mesma causa ou luta.
Formalismo: rigoroso, metódico, regrado.
Fulcral: refere-se à base, apoio, sustentáculo.
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Gestaria: conceberia.
Governança: ato de governo, governar.
Hereditários: recepção e doação por sucessão.
Hiperinflação: aumento significativo dos índices de inflação.
Inconstrastável: O que não pode ser respondido, contrastado.
Indissociável: inseparável, inerente.
Institucionalização: transformação em instituição.
Interconexão: relação entre várias coisas, vários sistemas ou várias
ideias.
Intransitivo: aquilo que não pode ser transmitido ou repassado para o
outro.
98
Medievalismo: refere-se ao período medieval.
Modernizante: relativo à modernização.
Neoinstitucionalista: corrente sociológica que explica a adoção de re-
gras por uma instituição, bem como as marcas e atitudes empregadas
por ela, tudo isso baseado em valores culturais de uma sociedade.
Oligárquicas: refere-se às oligarquias, ao governo de poucos.
Patrimonialista: refere-se ao patrimonialismo, ou seja, ao conceito de
patrimonialismo desenvolvido por Max Weber, em que trata de um Es-
tado onde não há limites entre o que é considerado público e o que é
considerado privado.
Perpassa: decorre, atravessa, passa por.
Pretoriana: Governo que usa de modo abusivo as forças militares para
exercer poder. O termo remonta à Guarda de Pretoria, que era a elite
militar que participava ativamente das decisões tomadas para eleger
imperadores romanos. Esse grupo, por vezes, chegava a assassinar
opositores.
Processo constituinte: redação de uma constituição.
Redemocratização: processo de retomada da democracia.
Remonta: o que se refere a alguma coisa por alusão, ou seja, menciona
algo.
Reserva de mercado: atitudes ou decisões de um governo que impede,
por meio de leis, que certos tipos de mercadorias ou produtos internacio-
nais sejam acessíveis pela importação. Essa espécie de reserva é feita
pelo governo com a intenção de que o próprio mercado interno produza
essas mercadorias e serviços, para que a economia seja aquecida.
Ressonância: repercussão.
Salvaguardar: garantir, proteger, afastar o perigo.
Secularização: abandono de sistemas que estavam sob o domínio da
Igreja Cristã para o domínio dos leigos, ou seja, o domínio das leis do
Estado.
Tecnocracia: sistema governamental que se baseia na soberania dos
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técnicos.
Tirania: governo em que a força prevalece sobre o dieito.
Utilitarista: refere-se à doutrina do utilitarismo, ou seja, à doutrina cria-
da pelos ingleses Bentham e Mill e prega que as ações políticas devem
atingir o máximo possível de bem-estar.

99
UNIDADE 01 UNIDADE 02
QUESTÃO 1 A QUESTÃO 1 A
QUESTÃO 2 B QUESTÃO 2 E
QUESTÃO 3 B QUESTÃO 3 D
QUESTÃO 4 A QUESTÃO 4 D
QUESTÃO 5 B QUESTÃO 5 C
QUESTÃO 6 A QUESTÃO 6 D
QUESTÃO 7 E QUESTÃO 7 C
QUESTÃO 8 C QUESTÃO 8 C

UNIDADE 03 UNIDADE 04
QUESTÃO 1 B QUESTÃO 1 C
QUESTÃO 2 E QUESTÃO 2 B
QUESTÃO 3 C QUESTÃO 3 D
QUESTÃO 4 C QUESTÃO 4 C
QUESTÃO 5 E QUESTÃO 5 A
QUESTÃO 6 A QUESTÃO 6 D
QUESTÃO 7 A QUESTÃO 7 D
QUESTÃO 8 E QUESTÃO 8 A

UNIDADE 05 UNIDADE 06
QUESTÃO 1 B QUESTÃO 1 E
QUESTÃO 2 E QUESTÃO 2 A
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QUESTÃO 3 D QUESTÃO 3 A
QUESTÃO 4 A QUESTÃO 4 B
QUESTÃO 5 B QUESTÃO 5 A
QUESTÃO 6 B QUESTÃO 6 E
QUESTÃO 7 C QUESTÃO 7 B
QUESTÃO 8 E QUESTÃO 8 D

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