Você está na página 1de 1

UNIVERSIDADE FEDERAL DA FRONTEIRA SUL; Curso de Matemática; Componente curricular:

Fundamentos da Educação; Aluno: Anderson Piva.

Resumo descritivo.
Texto resumido: BOTO, Carlota. Na Revolução Francesa, os Princípios democráticos da Escola
Pública, Laica e gratuita: O Relatório de Condorcet. Educ. Soc., Campinas, vol. 24, n. 84, p. 735-
762, setembro 2003. Disponível em <http://www.cedes.unicamp.br>.

Por meio deste artigo, a autora aborda e esmiúça os ideais atrelados à casta revolucionista no
que diz respeito aos princípios democráticos ligados a uma nova concepção da estrutura
escolar na França do século XVII. Tudo isso, utilizando como referencial teórico significativo, o
Relatório de Condorcet. Para tanto, num primeiro momento Boto faz uma breve apresentação
de quem é de fato Condorcet, e que o mesmo foi um importante filósofo pioneiro na chamada
“matemática social”, e que por isso acabou nomeado como presidente do Comitê de Instrução
Pública da Assembleia Legislativa Francesa, sendo conhecido por incorporar uma ideologia de
pensamento em prol ao povo. A seguir, a autora explora de maneira profunda o relatório
elaborado e apresentado por Condorcet em 1792 para a assembleia legislativa, e que seria um
divisor de águas para o surgimento de uma nova estrutura escolar de qualidade. No entanto, o
Plano de instrução Nacional, projetado no relatório se quer foi debatido pelo fato de que
naquela época o país estava inteiramente preocupado em combater a eminente revolução que
se instalara, e por isso era necessário organizar as defesas territoriais. Porém, o mesmo
projeto voltaria à pauta no século XIX durante a III República Francesa, sendo utilizado como
modelo de propostas e parâmetros reformadores da instrução pública, não apenas em muitos
países da Europa, como também em países da América Latina, em especial o Brasil. Quanto ao
escopo de tal contido no relatório, o mesmo partia da ideia central de que a escola deveria
apresentar-se como uma instituição laica, gratuita, para ambos os sexos e universalizada para
todas as crianças, visando assim, ao máximo à equidade de oportunidades e a minimização de
desigualdades sociais. Desse modo, a própria não estaria sujeita a nenhum mecanismo
particular ou totalmente controlado pelo Estado. Assim, o ensino passaria a ser dividido em
escolas primárias, escolas secundárias, institutos, liceus, além da existência da Sociedade
Nacional das Ciências e das Artes. Na escola primária, seriam oferecidos os conhecimentos
gerais, ligados às habilidades de ler, escrever e contar; O ensino secundário prepararia os
cidadãos para gerenciar o desenvolvimento das manufaturas; O terceiro grau aconteceria nos
institutos e deveria capacitar os indivíduos para desempenhar funções públicas mais exigentes;
O ensino superior, nomeado de liceu, seria estruturado para formar sábios e professores; A
Sociedade Nacional das Ciências e das Artes seria o órgão com poder máximo em tal estrutura,
do qual teria a função de supervisionar todos os demais níveis de ensino. Além disso, havia o
discernimento de que no início, o nível primário de ensino seria o único que poderia ser de
fato estendido à totalidade dos cidadãos. Nesse sentido, Condorcet como iluminista, defendia
que a educação escolar deveria estar voltada para o aprendizado da história, das línguas e das
ciências morais. Finalmente, a autora termina por concluir que a estrutura escolar existente na
sociedade contemporânea, que visa gratuidade, igualdade e autonomia derivou-se
diretamente do relatório de Concerdet que, na Revolução Francesa, fez surgir uma “rede”
articulada de instrução pública, custeada pelo Estado e livre quase que total de submissão.

Pergunta: A autora diz que tal plano educacional planejado por Condorcet fora traçado com o
intuito de ser utilizado para alavancar a Revolução Francesa. Trazendo essa ideia para
contemporaneidade brasileira, se poderia afirmar que um dos motivos para a baixa qualidade
do ensino básico público estaria ligado aos ideais do governo relacionados às grandes
empresas capitalistas que perderiam boa parte da mão-de-obra barata por causa de uma
“revolução” educacional que passaria a formar cada vez menos pessoas para a chamada classe
trabalhadora, mas sim mais intelectuais?

Você também pode gostar