Obtenção do Cicloexeno a partir do Cicloexanol

Marilia Gabriela Ferreira dos Anjos*a Aline Carla Costa * b
a

Departamento de Química Fundamental, Universidade Federal de Pernambuco, Av. Luiz Freire s/n, CDU, CEP 50740-540, Recife – PE; E-mail: mariliagabriela2@yahoo.com.br b Departamento de Química Fundamental, Universidade Federal de Pernambuco, Av. Luiz Freire s/n, CDU, CEP 50740-540, Recife – PE; E-mail: enilacarla23@gmail.com

INTRODUÇÃO TEÓRICA Cicloexeno O cicloexeno (citado também como ciclohexeno ou ciclohexeno) é um hidrocarboneto com a fórmula C6H10. Este cicloalqueno é um líquido incolor com um odor penetrante. É um intermediário em vários processos industriais. Cicloexeno não é muito estável sob estocagem por longos períodos com exposição à luz e ao ar porque forma peróxidos. Reações de eliminação são uma das mais importantes e fundamentais classes de reações químicas. Basicamente, o mecanismo da eliminação compreende a saída de dois átomos ou grupos de átomos em uma molécula orgânica. Eliminações do tipo 1,2 fornecem ligações duplas, sendo uma ótima metodologia para a preparação de alcenos. Quando um álcool é aquecido na presença de um ácido forte, ocorre a eliminação de água com formação de um alceno. Esta reação é conhecida como desidratação de álcoois. Quando tratados com ácidos, álcoois secundários e terciários geralmente eliminam água através de um mecanismo envolvendo a participação de um carbocátion como intermediário (mecanismo E1). Dependendo de uma série de fatores (substrato, temperatura, condições reacionais) as reações de substituição nucleofílica também podem ocorrer no meio reacional, fornecendo éteres como sub-produtos. Desidratação de alcoóis catalisada por ácidos O aquecimento da maioria dos alcoóis com um ácido forte provoca a perda de uma molécula de água (desidratam) e a formação de um alceno. É uma reação de eliminação e são favorecidas em temperaturas mais altas, os ácidos mais usado são ácidos de Bronsted (doadores de prótons), como o ácido sulfúrico e o ácido fosfórico. As condições experimentais – temperatura e concentração de ácido – que são necessárias para realizar desidratação estão intimamente relacionadas com a estrutura do álcool individual. Alcoóis primários são mais difíceis de desidratar. Desidratação do etanol, por exemplo, requer ácido sulfúrico concentrado e uma temperatura de 180ºC:

Alcoóis secundários desidratam sob condições mais brandas. Cicloexanol, por exemplo, desidrata-se um ácido fosfórico 85% a 165 – 170ºC.

Alcoóis terciários são tão facilmente desidratados, que condições extremamente brandas podem ser usadas. Álcool terc-butílico desidrata-se em ácido sulfúrico 20% a uma temperatura de 85ºC.

o doador de prótons é o próprio ácido sulfúrico. uma reação ácido-base. e o ataque da base sempre é antiperiplanar. Podem ser classificadas em dois tipos: E1: Eliminação de primeira ordem A reação de eliminação que ocorre pelo mecanismo E1 passa por uma etapa inicial com a formação de um carbocátion. na desidratação do 3. Como em qualquer reação de eliminação. como haletos ou tosilato. assim como no caso das reações Sn1. A etapa seguinte é o ataque do nucleófilo. que envolve o desprendimento do grupo de saída.3-dimetil-2-butanol. produz um alceno. então. no sentido da formação do carbocátion mais estável. assim como no mecanismo E1. isto é. Como mostra o mecanismo. Em contraste às reações E1. Reações de Eliminação É aquela em que átomos ou grupo de átomos são eliminados dando origem a ligações duplas ou triplas. A velocidade da reação depende somente da etapa lenta.[substrato]. com a hidroxila protonada como um bom grupo retirante. como por exemplo. mas não sobre o carbono e sim sobre um átomo de hidrogênio (próton) ligado ao carbono adjacente. A primeira etapa de uma desidratação de um álcool primário é a protonação. envolve uma cinética de segunda ordem. por exemplo. A presença de carga positiva sobre o oxigênio do álcool protonado enfraquece todas as ligações do oxigênio. [substrato]. E2: Eliminação de segunda ordem O termo E2 significa "Eliminação Bimolecular". as reações E2 são promovidas por uma base forte: a base é vital para a reação. a formação de uma ligação dupla. pois esta não participa da etapa lenta. ou seja. duas moléculas precisam colidir para que a reação ocorra. Como E2 não passa pela formação de intermediário iônico (carbocátion).[base]. A desidratação de alcoóis primários parece ocorrer por um mecanismo E2 porque o carbocátion primário necessário para desidratação por um mecanismo E1 seria muito instável. Esta reação envolve a migração do grupo metila de um carbono para o carbono vizinho. o produto tem um grau a mais de insaturação que o substrato de partida. ou "Eliminação de segunda ordem". A lei da velocidade. A de-hidro-halogenação de um haleto de alquila. Em ácido sulfúrico diluído. durante a desidratação. o ácido é um íon hidrônio (H3O+) e em ácido sulfúrico concentrado. A natureza da base não é muito importante. O grupo retirante é uma molécula de água. Então. Já para a desidratação de alcoóis secundários e terciários. O resultado é a produção de dois carbonos sp2. e em seguida. Tal como na reação E1. o substrato deve ser altamente substituído. um próton é rapidamente transferido do ácido para um dos pares de elétrons desemparelhados do álcool. Como a reação é bimolecular. Como a reação ocorre via formação de um carbocátion pode ocorrer rearranjos. esta ligação se rompe. uma base de Lewis na mistura reacional remove um hidrogênio β simultaneamente com a formação da dupla ligação de um alceno e saída de um grupo hidroxila protonado. os átomos H e X precisam estar em carbonos adjacentes. incluindo a ligação carbono-oxigênio. Nesse mecanismo.Alguns alcoóis primários e secundários também sofrem rearranjo dos esqueletos carbônicos. O substrato deve ter um bom grupo de saída. e está diretamente envolvida na etapa determinante da velocidade. A lei da velocidade para uma reação via E2 é v=k. Esta é a etapa lenta. não ocorrem rearranjos na estrutura . não é influenciada pela concentração do nucleófilo. A polaridade do solvente não é muito importante. o mecanismo é uma reação E1 onde o substrato é um álcool protonado. é v=k. O solvente ideal para uma reação acontecer via Sn1 é um que estabilize o ânion liberado e também o carbocátion formado. O substrato deve ser um carbono altamente substituído: carbonos primários e haletos de metila não reagem via E1.

. 8. 2º ed. Adicionou-se fragmentos de porcelana porosa e destilou-se o cicloexeno utilizando novamente um sistema para destilação fracionada.. Pioneira Thomson Learning Ltda. 2006 2. Iniciou-se o aquecimento e controlou-se a temperatura na extremidade superior da coluna em torno de 90°C. Esta reação provoca o surgimento de uma estereoquímica preferencial: se os grupos R ligados ao carbono que possui o grupo X forem diferentes. 11. existe apenas uma orientação possível na qual o hidrogênio e o grupo X estão em posição antiperiplanar. a de da o NOTAS E REFERÊNCIAS 1. Deixou-se em repouso por 15 minutos com agitação. F. O objetivo deste experimento é sintetizar o cicloexeno a partir do cicloexanol.J. Quimica Analitica Quantitativa. 15. Isto pode levar à formação de apenas isômeros R ou S do alceno. Analise Química Quantitativa. D. D. 6º ed . Ajustou-se o balão em um sistema de destilação fracionada.. vol. 2. D. 14. Marco Tadeu Grassi. S. Barnes. 7. 3. West. assim como os grupos R ligados ao carbono que irá perder o hidrogênio. PARTE EXPERIMENTAL 1. deixou-se esfriar um pouco. através catálise ácida do ácido sulfúrico com cicloexanol. Holler. Ohlweiler.. Coletou-se a fração de P. A. J. A. 9. Skoog.R.Vogel. Houve reação eliminação intramolecular de alcoóis.M. Quando o odor do anidro sulfúrico ficou aparente. Despejou-se o cicloexeno bruto pela boca de um funil para um erlenmeyer. Saturou-se o destilado com cloreto de sódio. Coletou-se o destilado em uma proveta. = 83°C RESULTADOS E DISCUSSÕES A reação global abaixo descreve produção de cicloexeno. 3. parou-se o sistema. transferiu-se o destilado para um pequeno funil de separação. J. O. 1 e 2. Colocou-se 20g de cicloexanol comercial e 5 mL de acido fosfórico concentrado e um balão de fundo redondo de 100 mL. 13.do substrato. Mendham..E. 12. Adicionou-se alguns fragmentos de porcelana porosa e misturou-se bem. 6. Em seguida. 4. 5. Adicionou-se 4 g de sulfato de magnésio e agitou-se por 3 minutos. São Paulo.. Trad. Filtrou-se para um balão de destilação de 100 mL. 10. Adicionou-se 2 mL de carbonato de sódio a 5% e agitou-se bem... Fundamentos de Quimica Analitica. Este deve possuir um bom grupo saída. utilizando-se o ácido fosfórico como catalisador. Crouch.

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