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GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ

CAMILO Sobreira de SANTANA


GOVERNADOR DO ESTADO DO CEARÁ

SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA E DEFESA SOCIAL - SSPDS

SANDRO Luciano CARON de Moraes - DPF


SECRETÁRIO DA SSPDS

ACADEMIA ESTADUAL DE SEGURANÇA PÚBLICA DO CEARÁ – AESP|CE

Antônio CLAIRTON Alves de Abreu – CEL PM


DIRETOR-GERAL DA AESP|CE

NARTAN da Costa Andrade - DPC


DIRETOR DE PLANEJAMENTO E GESTÃO INTERNA DA AESP|CE

HUMBERTO Rodrigues Dias – CEL BM


COORDENADOR DE ENSINO E INSTRUÇÃO DA AESP|CE

José ROBERTO de Moura Correia – TC PM


COORDENADOR ACADÊMICO PEDAGÓGICO DA AESP|CE

Francisca ADEIRLA Freitas da Silva – CAP PM


SECRETÁRIA ACADÊMICA DA AESP|CE

ALANA Dutra do Carmo


ORIENTADORA DA CÉLULA DE ENSINO A DISTÂNCIA DA AESP|CE

CURSO DE HABILITAÇÃO A SARGENTO POLICIAL MILITAR - CHS PM/2022

DISCIPLINA
POLÍCIA COMUNITÁRIA

CONTEUDISTA
Cleonardo de Mesquita Goes

FORMATAÇÃO
JOELSON Pimentel da Silva – 1º SGT PM

• 2022 •
SUMÁRIO

POLÍCIA COMUNITÁRIA ...................................................................................................... 1


INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 1
1. EMERGÊNCIA DE NOVOS MODELOS ............................................................................... 2
2. TEORIA DAS JANELAS QUEBRADAS ................................................................................. 2
3. POLÍCIA E ORDEM PÚBLICA ............................................................................................ 4
4. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO PODER DE POLÍCIA .............................................................. 5
5. POLÍCIA TRADICIONAL .................................................................................................... 6
6. CONSEQUÊNCIA DO POLICIAMENTO TRADICIONAL ....................................................... 8
7. CICLO DA ESCALADA DA VIOLÊNCIA ............................................................................. 11
8. CICLO DA ESCALADA DA PAZ SOCIAL ............................................................................ 12
9. MUDANÇA DE PARADIGMA .......................................................................................... 12
10. CONCEITOS DE POLÍCIA COMUNITÁRIA ...................................................................... 14
11. PRINCÍPIOS DO POLICIAMENTO COMUNITÁRIO ......................................................... 16
12 CARACTERÍSTICAS DO POLICIAMENTO TRADICIONAL.................................................. 18
13. CARACTERÍSTICAS DO POLICIAMENTO COMUNITÁRIO ............................................... 19
14. POLÍCIA COMUNITÁRIA NO CEARÁ ............................................................................. 20
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 23
POLÍCIA COMUNITÁRIA

INTRODUÇÃO

Olá! Estamos iniciando mais um curso de qualificação profissional promovido pela


Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará. Neste curso estudaremos um pouco a
respeito da doutrina de polícia comunitária, tentando demonstrar que atualmente só
conhecemos dois modelos de policiamento, sendo o tradicional o modelo que buscamos
superar.
Na Unidade I estudaremos a respeito do modelo de policiamento tradicional, mais
conhecido como modelo de policiamento reativo, que é aquele que busca agir após o
acontecimento do crime, demonstrando que esse tipo de modelo tende ao fracasso.
Na Unidade II buscamos trabalhar o conhecimento e compreensão da doutrina de
polícia comunitária, quebrando a mística de que a doutrina de polícia comunitária é algo
de difícil alcance, conversando sobre os mais diversos conceitos de polícia comunitária,
ressaltando as características e princípios do policiamento comunitário e características
do policiamento tradicional.
Na Unidade III estudaremos um pouco a respeito do Batalhão de Policiamento
Comunitário, ressaltando as características desse batalhão e das mais diversas formas de
execução de suas atividades comunitárias, como os projetos sociais que são
desenvolvidos. Também buscaremos demonstrar um pouco o que será ou em que se
transformará o programa de policiamento comunitário que está sendo reformulado no
estado do Ceará.
Desejamos um ótimo estudo e que o conteúdo desse curso possa ser um diferencial
na vida profissional de qualquer agente público que labuta em uma área tão delicada
quanta a segurança pública.

1
1. EMERGÊNCIA DE NOVOS MODELOS

Os dias atuais requerem novas medidas para combater a crescente onda de violência
que vem assolando a nossa sociedade. Por isso, se faz necessário estudarmos e
pesquisarmos novas metodologias de trabalho que sejam mais eficientes e que consigam
se sobressair aos problemas estruturais que enfrentamos em nosso cotidiano. Isto nos faz
crer que necessitamos de novas formas e metodologias de trabalho, que fujam do
isolamento institucional, que busque o trabalho em conjunto ou parceria entre os mais
diversos órgãos que compõem a sociedade em nossos dias atuais.
Os debates sobre os novos modelos de segurança pública falam justamente sobre a
viabilização de novas parcerias de trabalho. Constata-se a necessidade de uma visão
abrangente da questão da segurança pública, através da valorização dos trabalhos não
policiais, como auxílio aos grupos de pessoas vulneráveis (LGBTT, crianças em situações
de risco, etc.), auxílio a líderes comunitários, auxílio aos mais diversos setores sociais, pois
o trabalho isolado nunca será eficiente o suficiente para transformarmos a nossa
realidade social.

2. TEORIA DAS JANELAS QUEBRADAS

Inicialmente gostaríamos de abordar essa conhecida teoria para análise e reflexão,


lembrando que nada ou nenhum pensamento é o fim em si mesmo ou algo definitivo e
acabado, mas algo que pode ser levado em consideração e implementado em nosso dia a
dia com as devidas modificações e adequações. Desta forma, apresentamos essa
conhecida teoria, demonstrando que pequenas ações podem possuir importantes
repercussões positivas nos mais diversos setores das nossas vidas, até mesmo na área da
segurança pública, conforme podemos ler abaixo:

Uma das teorias sobre segurança pública das mais conhecidas foi resultado de um
estudo científico difundido mundialmente. Podemos ver essa teoria através do artigo
publicado na internet no dia 02 de outubro de 20131:

11
http://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/116409/Janelas-Quebradas-Uma-teoria-do-crime-que-merece-reflex%C3%A3o.htm

2
A teoria das janelas quebradas ou "broken Windows theory" é um modelo
norte-americano de política de segurança pública no enfrentamento e combate
ao crime, tendo como visão fundamental a desordem como fator de elevação
dos índices da criminalidade. Nesse sentido, apregoa tal teoria que, se não
forem reprimidos, os pequenos delitos ou contravenções conduzem,
inevitavelmente, a condutas criminosas mais graves, em vista do descaso estatal
em punir os responsáveis pelos crimes menos graves. Torna-se necessária,
então, a efetiva atuação estatal no combate à criminalidade, seja ela a
microcriminalidade ou a macrocriminalidade.
Há alguns anos, a Universidade de Stanford (EUA), realizou uma interessante
experiência de psicologia social. Deixou dois carros idênticos, da mesma marca,
modelo e cor, abandonados na rua. Um no Bronx, zona pobre e conflituosa de
Nova York e o outro em Palo Alto, zona rica e tranquila da Califórnia. Dois carros
idênticos abandonados, dois bairros com populações muito diferentes e uma
equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas
em cada local.
Resultado: o carro abandonado no Bronx começou a ser vandalizado em poucas
horas. As rodas foram roubadas, depois o motor, os espelhos, o rádio, etc.
Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar,
destruíram. Contrariamente, o carro abandonado em Palo Alto manteve-se
intacto.
A experiência não terminou aí. Quando o carro abandonado no Bronx já estava
desfeito e o de Palo Alto estava há uma semana impecável, os pesquisadores
quebraram um vidro do automóvel de Palo Alto. Resultado: logo a seguir foi
desencadeado o mesmo processo ocorrido no Bronx. Roubo, violência e
vandalismo reduziram o veículo à mesma situação daquele deixado no bairro
pobre. Por que o vidro quebrado na viatura abandonada num bairro
supostamente seguro foi capaz de desencadear todo um processo delituoso?
Evidentemente, não foi devido à pobreza. Trata-se de algo que tem a ver com a
psicologia humana e com as relações sociais.
Um vidro quebrado numa viatura abandonada transmite uma ideia de
deterioração, de desinteresse, de despreocupação. Faz quebrar os códigos de
convivência, faz supor que a lei encontra-se ausente, que naquele lugar não
existem normas ou regras. Um vidro quebrado induz ao "vale-tudo". Cada novo
ataque depredador reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de atos
cada vez piores torna-se incontrolável, desembocando numa violência
irracional.
Baseada nessa experiência e em outras análogas, foi desenvolvida a "Teoria das
Janelas Quebradas". Sua conclusão é que o delito é maior nas zonas onde o
descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores. Se por alguma razão
racha o vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito
rapidamente estarão quebrados todos os demais. Se uma comunidade exibe

3
sinais de deterioração, e esse fato parece não importar a ninguém, isso
fatalmente será fator de geração de delitos.

3. POLÍCIA E ORDEM PÚBLICA

A polícia é uma instituição histórica, oriunda da formação da sociedade. Segundo


Honoré de Balzac “os governos passam, as sociedades morrem, a polícia é eterna”, pois
na realidade é inconcebível separar sociedade e Estado da polícia. Sem polícia não há
ordem.

[...] estruturas de policiamento informais existiram em quase todas as


sociedades conhecidas, cumprindo as mais diversas funções. O trabalho de
pesquisa histórica de Schwartz e Miller sobre estruturas policiais nas sociedades
antigas encontrou alguma forma de policiamento público em 20 das 31
sociedades pesquisadas (SCHWARTZ; MILLER apud ROLIM, 2006, p.24).
A polícia é [...] uma instituição social cujas origens remontam às primeiras
aglomerações urbanas, motivo pela qual ela apresenta a dupla originalidade de
ser uma das formas mais antigas de proteção social, assim como a principal
forma de expressão da autoridade. Encontra-se, portanto, intimamente ligada à
sociedade pela qual foi criada, e seus objetivos, a sua forma de organização e as
suas funções devem adaptar-se às características sócio-políticas e culturais da
comunidade em que ela deverá atuar (RICO; SALAS, 1992.p.73).

Para a existência de um Estado e uma sociedade organizada é necessária a existência


da polícia para que possa existir ordem pública. Thomas Hobbes afirma que o Estado tem
a função de evitar que a sociedade se desagregue, preservando a ordem, para que não
ocorra a luta de todos contra todos. Essa ordem só é alcançada se houver um meio que
venha propiciar incolumidade as pessoas e objetos através de regras formais, coativas,
com o intuito de regular as relações sociais em vários seguimentos da sociedade,
objetivando, é claro, estabelecer um clima de convivência harmoniosa e pacífica. Essa
ordem se mostra de duas formas, sendo uma delas o estado aceitável de normalidade e, a
outra, sua manutenção em caso de desequilíbrio (fuga da normalidade).

[...] é possível afirmar que o Estado tem por obrigação organizar a sociedade de
modo a garantir a liberdade, a integridade física, a vida e a propriedade, sempre
dentro do princípio da igualdade, evitando que ocorram desigualdades sociais

4
em função do uso inadequado da propriedade. Como parte integrante do
Estado, assim também deve agir o aparato policial. A preservação da ordem
pública, antes de tudo, corresponde à preservação dos direitos e garantias
individuais de cada ser humano (MARCINEIRO; PACHECO, 2005, p.51).

Podemos, desta forma, perceber quão importante é atividade policial para a


existência de uma sociedade livre e organizada. Sem a polícia podemos afirmar que não
há meios de uma sociedade existir, pelo menos de forma organizada e ordeira. A polícia é
uma instituição fundamental para a manutenção da ordem pública, o que nos faz sermos
peças fundamentais em qualquer sociedade organizada.

4. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO PODER DE POLÍCIA

Com o intuito de entendermos o alcance e a importância que a polícia possui,


devemos entender que trabalhamos muitas vezes restringindo direitos individuais em
detrimento aos direitos coletivos. Desta forma, devemos entender que temos um papel
estatal que deve ser exercido de forma satisfatória, e que esse mister só é alcançado
quando entendemos que o que fazemos em benefício da coletividade é feito porque o
estado nos concede esse poder. Esse poder é o conhecido Poder de Polícia.
Vejamos, agora, as definições de poder de polícia, iniciando por Cretella Júnior
(1998, p.128) concluiu que:

É difícil definir a polícia. Podemos encontrar na definição de polícia vários


elementos. Um é o Estado. Só o Estado é detentor do poder de polícia, só o
Estado pode organizá-la. O segundo elemento é de natureza finalística ou
teológica, é o fim a que se propõe este organismo. É o de assegurar a paz, a
tranquilidade, a boa ordem aos membros da comunidade. O terceiro elemento
também não pode faltar na definição de polícia: são as limitações ou restrições
às atividades humanas que possam perturbar a vida em comum. São, pois três
os elementos integrantes da definição de polícia: Estado, que é o sujeito, a
tranquilidade pública, que é o fim, as limitações às atividades prejudiciais, que
constituem o objetivo da ação estatal. Logo, como definir a polícia?

5
Segundo Moreira Neto (p. 119):

É a atividade administrativa do Estado que tem por fim limitar e condicionar o


exercício das liberdades e direitos individuais visando assegurar, em nível capaz de
preservar a ordem pública, o atendimento de valores mínimos da convivência social,
notadamente a segurança, a salubridade, o decoro e a estética.
Segundo o artigo 78 da Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966, com redação do Ato
complementar n°. 31 de 28/12/1996, que é denominado Código Tributário Nacional, pode-
se obter uma boa definição do que é poder de polícia.

Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que,


limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de
ato ou a abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à
segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do
mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou
autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à
propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.

Para finalizarmos o entendimento a respeito de poder de polícia, se faz necessário


que o agente público, no nosso caso o policial militar, entenda que as atribuições dele
como servidor da coletividade é um trabalho limitado, não podendo fazer o que deseja ou
que quer por simples vontade sua ou de seu superior hierárquico. Cada agente público
deve exercer suas funções dentro dos limites impostos por lei. Um exemplo bem claro
disso é o caso dos agentes de vigilância sanitária, que ao identificarem algum problema
pertinente à saúde pública, podem lacrar um estabelecimento comercial e apreender as
mais diversas mercadorias.

5. POLÍCIA TRADICIONAL

A metodologia de trabalho que desenvolvemos hoje, no estado do Ceará, em sua


grande maioria, é o que chamamos de polícia tradicional. Esse nome é utilizado devido a
forma de trabalho ser a mesma que utilizamos desde o momento que implementamos o
trabalho policial em viaturas.

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Esse trabalho em viaturas foi que isolou ou distanciou o policial da comunidade. A
viatura passou a ser um obstáculo na comunicação pessoal entre as pessoas e os agentes
públicos, porque naquele instante a população percebeu que o policial foi seqüestrado do
seu convívio cotidiano. Também contribuíram pra esse distanciamento a utilização dos
meios de comunicação, como os rádios.
Outro ponto que caracteriza a polícia tradicional é o fato dela está sempre correndo
atrás do problema, o que nós chamamos de polícia reativa. Ela espera primeiramente ser
acionada via CIOPS, para somente após a existência do problema, buscar um meio pra
resolvê-lo.
A polícia tradicional, ao longo de sua história, passou por algumas etapas. Kelling e
Moore (2002) em seus estudos dividiram a história da polícia norte- americana em três
períodos: o estágio político, a era das reformas e a fase da resolução de problemas com a
comunidade.
Na primeira fase, o estágio político, iniciado posteriormente à proclamação da
república norte-americana e indo até meados da primeira década do século XX, a polícia
era uma extensão do poder das elites e estava a serviço da classe dominante, atuando
através do seu poder opressor na manutenção das condições existentes. Nesse período, a
manipulação por parte dos governantes para com a polícia fez com que a instituição
policial passasse a ser discriminada por parte dos opositores da referida classe.

A polícia estava sistematicamente envolvida em esquemas de corrupção


relacionados à venda de bebidas alcoólicas, jogos e prostituição, além de
fraudes eleitorais. Inerente a esse sistema de corrupção era o caráter
eminentemente político da instituição policial (...). As máquinas políticas
controlavam o processo eleitoral, do registro ao voto. As fraudes eram
endêmicas e a polícia era um dos principais instrumentos de preservação deste
sistema (DIAS NETO, 2000, p.21).

Após o estágio político, houve o início do segundo período, mais conhecido como a
Era das Reformas. Nesse período ocorreu a profissionalização dos serviços de segurança
pública. Com a profissionalização da polícia, o caráter eminentemente político dessas
instituições foi sendo substituído pelo caráter técnico. Passou a ser empregado concurso
público para o emprego e contratação de policiais, sendo realizado até nos cargos de
chefia. Essa mudança fez com que rodízios de policiais e os turnos em que trabalhavam

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fossem constantemente modificados, tendo início a proibição da utilização de iniciativas
de uso do discernimento pessoal.
A terceira fase foi a de resolução de problemas, onde passou a existir a identidade
policial, a interação com a comunidade, que foi desconstituída com o emprego das
inovações tecnológicas, mudando radicalmente o perfil do policiamento. Os recursos
utilizados que contribuíram com essa mudança de identidade foram: o carro patrulha, o
rádio de intercomunicação e o telefone.
Desta maneira, podemos observar que vivenciamos justamente a terceira etapa, e é
isto que devemos tentar modificar. Os meios de potencialização do trabalho policial não
podem ser impeditivos para um trabalho policial eficiente. Entendemos que é muito caro
para o Estado a manutenção da segurança pública, e que este elevado custo foi o
propulsor para implementação da viatura e dos meios de comunicação citados, mas não é
por este motivo que o policial deve se isolar da comunidade.
O policial não pode ser apenas um vulto que passa em velocidade dentro de um
carro, como disse Balestrelli em uma palestra. O policial deve ter uma presença marcante
e um contato direto com as pessoas. Deve ser um serviço personalizado para cada
cidadão. Deve ser algo presente e atuante.

6. CONSEQUÊNCIA DO POLICIAMENTO TRADICIONAL

A eficácia deste policiamento motorizado (policia trabalhando em veículos de forma


reativa), como tradicionalmente vem sendo desenvolvido em nosso estado, é abalada
devido a várias falhas, pois o policiamento não age de forma proativa, só agindo depois
de acionado após a ocorrência de um crime. Este tipo de policiamento demonstrou que
só é útil para diminuir a credibilidade das instituições que formam o sistema de segurança
pública e diminuir a auto-estima dos profissionais que atuam nestes órgãos.

Os esforços policiais, mesmo quando desenvolvidos em sua intensidade


máxima, costumam redundar em lugar nenhum, e o cotidiano de uma
intervenção que se faz presente apenas e tão-somente quando o crime já
ocorreu parece oferecer aos policiais uma sensação sempre renovada de
imobilidade e impotência. Corre-se, assim, para se permanecer onde está,
diante das mesmas perplexidades e temores (ROLIM, 2006, p.37).

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Outro fato que merece destaque é que esse modelo reativo de policiamento tornou
o cidadão um preso domiciliar, pois, juntamente com o reflexo da sociedade em que está
inserido e com a divulgação de crimes e violências que são divulgadas nos sistemas de
telecomunicações, o homem passou a desenvolver um sentimento chamado medo do
crime, que é a ideia subjetiva do ser humano de quanto ou quão grandiosa é a
probabilidade de ocorrer algum crime contra sua pessoa.
A mesma simplificação que transforma o medo em medo do crime, que interpreta a
sensação de insegurança como possibilidade de experimentar a vitimização (ato ou ação
de se fazer de vítima), pode gerar uma sobrecarga da expectativa em relação a quem,
idealmente, tem a tarefa de combater o crime, de evitar a vitimização: a polícia. Muito do
questionamento que envolve hoje a atuação policial vem da necessidade de adequar as
expectativas, as possibilidades concretas, de delimitar as responsabilidades, pois, como
no dizer de Hassemer, a polícia não pode ser a única voz no canal da segurança (DIAS
NETO, 2000, p.9).
Pode-se observar que essa forma de patrulhamento ou policiamento tradicional
possui poucos reflexos para a melhoria da segurança pública, fato este que foi
comprovado na pesquisa de Bayley e Skolnick (2008, p. 67-68):

Em primeiro lugar, o aumento do número de policiais não reduz,


necessariamente, a taxa de criminalidade, nem aumenta a proporção dos
crimes resolvidos. O mesmo ocorre com a “injeção de dinheiro” nos
departamentos policiais, aumentando os orçamentos da polícia e da sua mão
de obra. É claro que, se não houver nenhum policiamento, haverá mais crimes.
Mas, uma vez que um certo limiar tenha sido alcançado, nem mais policiais,
nem mais dinheiro parecem ajudar muito. Tais medidas de controle do crime
têm de fato algum efeito, mas constituem uma parte menos importante da
equação. As condições sociais, como renda, desemprego, população e
heterogeneidade social, são indicadores muito mais importantes de variações
nas taxas de crime e de resolução de crimes.
Em segundo lugar, o patrulhamento ao acaso, motorizado, nem reduz o crime
nem melhora as chances de prender os criminosos. Essas patrulhas ao acaso
também não oferecem segurança suficiente aos cidadãos para diminuir seu
medo do crime nem geram uma confiança maior nas forças policiais. As rondas
a pé regulares, ao contrário, demonstraram reduzir o medo do crime do
cidadão, embora talvez não afetem as taxas de criminalidade.

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Em terceiro lugar, viaturas com duas pessoas nem reduzem o crime nem capturam
criminosos de maneira mais eficaz que viaturas com apenas uma pessoa. E as forças
policiais também não ficam mais vulneráveis a sofrerem agressões em viaturas de uma só
pessoa.

Em quarto lugar, embora um patrulhamento mais intenso de fato reduza a


criminalidade, ele consegue isso deslocando o crime para outras áreas.
Em quinto lugar, o legendário “cerco perfeito” é um evento raro. Tão raro
quanto os policiais das rondas enfrentarem um crime no momento em que ele
esteja ocorrendo. Só Dirty Harry dá de cara com assalto à mão armada em seu
café da manhã. Na maioria das vezes, os policiais patrulham passivamente e
providenciam serviços de emergência.
Em sexto lugar, o tempo de resposta não interessa muito. Se passar apenas um
minuto do momento em que o crime foi cometido, a chance da polícia prender
o criminoso será menor que dez por cento. Até mesmo a reação instantânea
poderia não ser eficaz. Na medida em que os cidadãos demoram uma média de
quatro a cinco minutos e meio para chamar a polícia, a rapidez de resposta faz
pouca diferença. Os cidadãos parecem desejar uma resposta policial em que
possam confiar. Como as pesquisas já demonstraram, preferem uma resposta
segura e não tão rápida a uma resposta algumas vezes rápida, mas imprevisível.

O modelo reativo (que é aquele de agir somente após o cometimento do crime)


ficou comprovado, através de pesquisas, que não é eficiente o suficiente para ser
percebido pela população, até mesmo quando ele é completamente retirado de uma área
ou é aumentado consideravelmente.

Durante todo o ano de 1972, o departamento de polícia da cidade, com o apoio


da Police Foundation, realizou experiência de separar três áreas, fazendo com
que na primeira, se retirasse todo o policiamento preventivo; na segunda, o
patrulhamento fosse reforçado sempre entre duas e três vezes; e, na terceira,
se mantivesse o número tradicional de policiais na patrulha. Além dos
envolvidos diretamente na pesquisa, ninguém foi informado do que estava
acontecendo. As condições, então, foram cuidadosamente controladas e os
resultados controlados com todo rigor. Ao final de um ano, descobriu-se que as
taxas de criminalidade permaneceram inalteradas nas três regiões da pesquisa.
Até o medo entre os cidadãos - medidas com pesquisas anteriores ao
experimento - também permaneceu igual (ROLIM, 2006, p.51-52).

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Outra característica do policiamento tradicional é que ele é reativo e inibe qualquer
ação proativa por parte do policial, pois a necessidade de controle da função policial, com
o intuito de coibir excessos e desvios de conduta, faz com que ele, o policial, seja
manipulado ou conduzido de acordo com o consentimento do seu comandante ou
superior hierárquico, pois qualquer desobediência ou descumprimento indevido das
determinações que foram repassadas podem significar severas sanções ao policial. Este
controle fica bastante claro quando toda a ação policial é definida em um cartão
programa, estipulando qual local e quando o policial deve estar durante seu turno de
trabalho.

7. CICLO DA ESCALADA DA VIOLÊNCIA

Figura 1 – Ciclo da Escalada da Violência. Figura retirada da apostila do Curso de


Formação Profissional da PMCE, Cespe, ano de 2008.

Conforme podemos observar no gráfico acima, a violência acontece devido a um


ciclo de repetições de fatos negativos. Podemos observar desta maneira, que cada ação
negativa gera automaticamente outra ação negativa, e que se esse ciclo não for
interrompido em algum ponto, mais violência será gerada, causando um caos social.

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8. CICLO DA ESCALADA DA PAZ SOCIAL

Figura 2 – Ciclo da Escalada da Paz Social. Figura retirada da apostila do Curso de


Formação Profissional da PMCE, Cespe, ano de 2008.

Esse é o objetivo de qualquer agência governamental que exerce seu mister na área
da segurança pública. Deve-se paralisar o Ciclo da Escala da Violência e implementar o
Ciclo da Escalada da Paz, com o objetivo de desenvolver a paz social e promover a
melhoria da qualidade de vida das pessoas.

9. MUDANÇA DE PARADIGMA

Com o objetivo de melhorarmos a imagem das corporações policiais, bem como a


produtividade do serviço que prestamos, devemos trabalhar de forma diferente para
obtermos resultados diferentes. Isso nos impulsiona a buscarmos novas metodologias de
trabalho, novas formas de ação, a olharmos para as outras pessoas, instituições, países,
etc. tudo com o objetivo de aumentarmos nossa eficiência. Essa mudança de atitude e de
comportamento é natural em qual instituição e em qualquer lugar, como podemos
observar abaixo:

Em janeiro de 1985, a revista Newsweek estampava uma manchete: “existe algo


de novo nas ruas de Brooklyn. A polícia voltou a fazer patrulhas a pé”. Os

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policiais estão fazendo patrulhas em Boston, em Newark, em Houston, em
Minneapolis, no Condado de Orange e em muitos outros lugares pelo país. A
Newsweek descreve a nova linhagem como “em parte cavaleiro azul – em parte
assistente social, que tanto pode organizar uma associação de quarteirão
quanto prender um viciado. No fundo, a estratégia encarna uma idéia que
poucos chefes ousaram algum dia admitir em público: os tiras não podem
manter as ruas seguras sozinhos” (SKOLNICK; BAYLEY, 2002, p.223).

Para a consecução de uma segurança pública de qualidade se faz necessário uma


evolução na forma de pensar e de agir, tanto das pessoas que compõem as instituições
públicas envolvidas nesta área, como uma transformação no agir e no engajamento da
sociedade. A ideia de que segurança pública era assunto de polícia é algo superado,
necessita-se, pois, um engajamento cívico de todos que formam a nação. Nos países mais
desenvolvidos os cidadãos são pessoas mais participativas, e acreditam mais na sua
própria força que na força do Estado.

Será possível imaginar a garantia da segurança pública sem o concurso de várias


agências governamentais, sem uma política de segurança que envolva áreas tão
díspares com a educação, a saúde, a geração de emprego e renda e as
oportunidades de lazer? E mais, será possível imaginar a garantia da segurança
pública exclusivamente através dos papéis a serem cumpridos pelo Estado, sem
considerar a ação das pessoas e o papel da sociedade civil? (ROLIM, 2006, p.
21).

Os policiais exercem uma função muito mais ampla do que o simples contato com a
criminalidade, pois eles tratam, todas as vezes que trabalham, com dezenas de outros
problemas.

Pesquisas sobre a função policial até alguns anos sustentaram a ideia de que a
maior parte do trabalho realmente exercido pelos policiais não guardava
qualquer relação com o combate ao crime, com base no fato de que apenas
uma pequena parte das atividades policiais estaria, de fato, envolvidas com
ocorrências criminosas (ROLIM, 2006, p.26-27).

Outra modificação intensa de mudança de paradigmas é que o policial deve


trabalhar sempre na mesma área, evitando qualquer tipo de transferência ou
substituição; de forma contrária ao exposto anteriormente, pois desta forma o policial
ficará vinculado à comunidade em que atua.

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O policial tende a atuar com maior prudência e responsabilidade quando sabe
que estará no dia seguinte atuando na mesma área, enfrentando os mesmos
problemas e em contato com as mesmas pessoas (DIAS NETO, 2000, p.90).

Como Rolim (2006, p.44) afirma:

O desafio, por isso, não é o de “ajustar” o modelo atual de policiamento, nem o


de investir mais recursos nele, mas sim o de construir um novo modelo, dotado
de uma nova racionalidade. Independentemente das posições que possamos
construir no debate em torno desse novo modelo, o que todas as pesquisas e
estudos de avaliação sobre o policiamento contemporâneo demonstram à
exaustão é que o “modelo reativo” não funciona e que todas as tentativas de
renová-lo ou de emprestar-lhe os meios necessários para alcançar seus
pretendidos objetivos irão fracassar.

Baseados no que foi estudado acima, podemos observar que se continuarmos a


exercer o nosso trabalho da mesma maneira que o executamos hoje, se preocupando em
apenas atender ocorrências, nós não sairemos do local que nos encontramos atualmente
descrédito da população no serviço que prestamos, aumento significativo da violência,
etc. Não adianta “morrermos” de trabalhar, pois o resultado será sempre pífio, isso é
claro se não mudarmos a nossa forma de trabalho. Importante observarmos que essa
certeza da improdutividade do trabalho reativo é algo alicerçado em pesquisas científicas,
e não baseadas no conhecido “eu acho”.

10. CONCEITOS DE POLÍCIA COMUNITÁRIA

Finalmente podemos iniciar nossos estudos sobre o conceito de polícia comunitária,


buscando compreender que podem existir alternativas de trabalho, mas que até este
instante esta é a única doutrina conhecida como viável e plenamente possível de ser
posta em prática, pois requer algo bastante simples das instituições.
Com o intuito de facilitarmos a compreensão e o entendimento a respeito da
doutrina, estamos apresentando vários conceitos, dos mais renomados doutrinadores,
como podemos observar a seguir:

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É uma filosofia e estratégia organizacional que proporciona uma nova parceria
entre a população e a polícia. Baseia-se na premissa de que tanto a polícia
quanto a comunidade devem trabalhar juntas para identificar, priorizar e
resolver problemas contemporâneos tais como crime, drogas, medo do crime,
desordens físicas e morais, e em geral a decadência do bairro, com o objetivo
de melhorar a qualidade geral da vida na área (TROJANOWICZ; BUCQUEROUX,
1994, p.4).
O policiamento comunitário expressa uma filosofia operacional orientada à
divisão de responsabilidades entre polícia e cidadãos no planejamento e na
implementação das políticas públicas de segurança (DIAS NETO, 2000, p.44).
O que o modelo de policiamento comunitário assume como outro ponto de
partida é que as tarefas de manutenção da paz e de conquista de segurança
devem ser concebidas como algo a ser compartilhado entre o Estado e a
sociedade. O cerne desse modelo reside no reconhecimento de um limite: a
ideia de que a polícia não poderá ser bem-sucedida na luta contra o crime se
atuar isoladamente (ROLIM, 2006, p.76).
O policiamento comunitário é uma maneira inovadora e mais poderosa de
concentrar as energias e os talentos do departamento policial na direção das
condições que frequentemente dão origem ao crime e a repetidas chamadas
por auxílio local (WADMAN, 1994).
Um serviço policial que se aproxime das pessoas, com nome e cara bem
definidos, com um comportamento regulado pela frequência pública cotidiana,
submetido, portanto, às regras de convivência cidadã, pode parecer um ovo de
Colombo (algo difícil, mas não é). A proposta de polícia comunitária oferece
uma resposta tão simples que parece irreal: personalize a polícia, faça dela uma
presença também comum (FERNANDES, 1994, p.10).

Não se pode mais falar de segurança pública e combate a violência, considerando a


polícia como a única responsável por resolver o problema da elevada criminalidade; que
tanto incomoda o cidadão. O cidadão necessita passar a ser sujeito proativo, com o
intuito de agir preventivamente.

A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é um


sistema que tende a ser mais eficiente quando, além de contar com maior
interação de todos os órgãos que o integram, passa a dispor também da efetiva
colaboração da sociedade, que deve ser estimulada a participar do processo de
formação de ideias e propostas que busquem propiciar mecanismos voltados
ao controle e/ ou redução dos indicadores de ilegalidade, diminuindo a
violência e a perda de vidas e bens, melhorando os níveis de preservação da
ordem pública e, consequentemente, melhorando a qualidade de vida. Essa

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interação é característica marcante da polícia comunitária (cartilha de
policiamento comunitário, procedimentos operacionais, 2007).

Diante dos conceitos que nos foram apresentados, não temos como pensar em
polícia comunitária e não nos lembrarmos do artigo 144 da nossa constituição, onde ela
nos diz que segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos.
Polícia Comunitária é justamente essa parceria citada no artigo 144 lá no final da década
de 80. Segurança pública requer a participação de todas as pessoas, independentemente
das funções ou atividades que esta exerça dentro da nossa sociedade.
Por último, gostaria de deixar bem claro que polícia comunitária não tem o sentido
de assistência policial, mas o sentido de participação social. Todos os agentes da
sociedade devem possuir um posicionamento ativo nos assuntos relacionados à
segurança.
Murphy (1993) disse que a manutenção da ordem pública não é algo de
responsabilidade exclusiva da polícia, mas esta pode complementar os esforços da
sociedade.

11. PRINCÍPIOS DO POLICIAMENTO COMUNITÁRIO

Segundo o livro do curso nacional de promotor de polícia comunitária (SENASP,


2007, p.32), para a implantação do sistema de policiamento comunitário, se faz
necessário que os membros da instituição tenham pleno conhecimento dos dez princípios
enumerados abaixo:
1. Filosofia e estratégia organizacional: a base desta filosofia é a comunidade. Para
direcionar os seus esforços, a Polícia, ao invés de buscar ideias pré-concebidas, deve
buscar, junto às comunidades, os anseios e as preocupações das mesmas, a fim de
traduzi-los em procedimentos de segurança;
2. Comprometimento da organização com a concessão de poder à comunidade:
dentro da comunidade, os cidadãos devem participar, como plenos parceiros da polícia,
dos direitos e das responsabilidades envolvidas na identificação, priorização e solução dos
problemas;

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3. Policiamento descentralizado e personalizado: é necessário um policial
plenamente envolvido com a comunidade, conhecido pela mesma e conhecedor de suas
realidades;
4. Resolução preventiva de problemas a curto e longo prazo: a ideia é que o policial
não seja acionado pelo rádio, mas que se antecipe à ocorrência. Com isso, o número de
chamadas do COPOM deve diminuir;
5. Ética, legalidade, responsabilidade e confiança: o policiamento comunitário
pressupõe um novo contrato entre a polícia e os cidadãos aos quais ela atende, com base
no rigor do respeito à ética policial, da legalidade dos procedimentos, da
responsabilidade e da confiança mútua que devem existir;
6. Extensão do mandato policial: cada policial passa a atuar como um chefe de
polícia local, com autonomia e liberdade para tomar iniciativa, dentro de parâmetros
rígidos de responsabilidade. O propósito para que o policial comunitário possua o poder,
é perguntar-se: isto está correto para a comunidade? Isto está correto para a segurança
da minha região? Isto é ético e legal? Isto é algo que estou disposto a me responsabilizar?
Isto é condizente com os valores da corporação?
7. Ajuda as pessoas com necessidades específicas: valorizar as vidas de pessoas mais
vulneráveis: jovens, idosos, minorias, pobres, deficientes, sem teto, etc. Isso deve ser um
compromisso inalienável do policial comunitário;
8. Criatividade e apoio básico: ter confiança nas pessoas que estão na linha de frente
da atuação policial, confiar no seu discernimento, sabedoria, experiência e, sobretudo, na
formação que recebeu. Isso propiciará abordagens mais criativas para os problemas
contemporâneos da comunidade;
9. Mudança interna: o policiamento comunitário exige uma abordagem plenamente
integrada, envolvendo toda a organização. É fundamental a reciclagem de seus cursos e
respectivos currículos, bem como de todos os seus quadros de pessoal. É uma mudança
que se projeta para 10 ou 15 anos;
10. Construção do futuro: deve-se oferecer à comunidade um serviço policial
descentralizado e personalizado, com endereço certo. A ordem não deve ser imposta de
fora para dentro, mas as pessoas devem ser encorajadas a pensar na polícia como um
recurso a ser utilizado para ajudá-las a resolver problemas atuais de sua comunidade.

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Esses princípios, quando corretamente aplicados na prática policial, fazem com que a
doutrina de polícia comunitária ganhe vida, fazendo com que o abstrato se torne
concreto, ocasionando um mudança de postura salutar e benéfica para todas as pessoas.

12 CARACTERÍSTICAS DO POLICIAMENTO TRADICIONAL

As informações citadas abaixo servem para nos orientar sobre características


relacionadas ao modelo de polícia tradicional:

• Polícia é uma agência governamental responsável, principalmente, pelo


cumprimento da lei;
• Na relação entre a polícia e as demais instituições de serviço público, as
prioridades são muitas vezes conflitantes;
• O papel da polícia é preocupar-se com a resolução do crime;
• As prioridades são, por exemplo, roubo a banco, homicídios e todos aqueles
envolvendo violência;
• A polícia se ocupa mais com os incidentes;
• O que determina a eficiência da polícia é o tempo de resposta;
• O profissionalismo policial se caracteriza pelas respostas rápidas aos crimes sérios;
• A função do comando é prover os regulamentos e as determinações que devam
ser cumpridas pelos policiais;
• As informações mais importantes são aquelas relacionadas a certos crimes em
particular;
• O policial trabalha voltado unicamente para a marginalidade de sua área, que
representa, no máximo, 2 % da população residente ali onde “todos são inimigos,
marginais ou paisanos folgado, até prova em contrário”;
• O policial é o de hora;
• Emprego da força como técnica de resolução de problemas;
• Presta contas somente ao seu superior;
• As patrulhas são distribuídas conforme o pico de ocorrências.

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13. CARACTERÍSTICAS DO POLICIAMENTO COMUNITÁRIO

As informações citadas abaixo servem para nos orientar nas características relativas
ao policiamento comunitário:

• A polícia é o público e o público é a polícia: os policiais são aqueles membros da


população que são pagos para dar atenção em tempo integral às obrigações dos
cidadãos;
• Na relação com as demais instituições de serviço público, a polícia é apenas uma
das instituições governamentais responsável pela qualidade de vida da
comunidade;
• O papel da polícia é dar um enfoque mais amplo visando a resolução de
problemas, principalmente por meio da prevenção;
• A eficácia da polícia é medida pela ausência de crime e de desordem;
• As prioridades são qualquer problema que esteja afligindo a comunidade;
• A polícia se ocupa mais com os problemas e as preocupações dos cidadãos;
• O que determina a eficácia da polícia é o apoio e a cooperação do público;
• O profissionalismo policial se caracteriza pelo estreito relacionamento com a
comunidade;
• A função do comando é incutir valores institucionais;
• As informações mais importantes são aquelas relacionadas com as atividades
delituosas de indivíduos ou grupos;
• O policial trabalha voltado para os 98% da população de sua área, que são pessoas
de bem e trabalhadoras;
• O policial emprega a energia e eficiência, dentro da lei, na solução dos problemas
com a marginalidade, que no máximo chega a 2% dos moradores de sua
localidade de trabalho;
• Os 98% da comunidade devem ser tratados como cidadãos e clientes da
organização policial;
• O policial presta contas de seu trabalho ao superior e à comunidade;
• As patrulhas são distribuídas conforme a necessidade de segurança da
comunidade, ou seja, 24 horas por dia;
• O policial é da área.

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Importante lembrarmos que essas características muitas vezes são opostas, o que
nos faz entender que embora uma instituição utilize algumas das características do
policiamento comunitário e outras características da polícia tradicional, isso não a faz ser
comunitária.

O QUE NÃO É POLÍCIA COMUNITÁRIA

Com o intuito de quebramos algumas falsas compreensões a respeito da estudada


doutrina, apresentamos 08 (oito) pontos que caracterizam, de forma clara, o que não é
polícia comunitária, isso tudo de acordo com o site da PMSC,
http://www.pm.sc.gov.br/cidadao/policia-comunitaria.html, do dia 30 de julho de 2014,
às 16h45min:

• Não é uma técnica policial ou programa;


• Não é um estilo de policiamento limitado ou especializado;
• Não é necessariamente o patrulhamento a pé ou de bicicleta;
• Não é condescendente com o crime;
• Não é uma unidade ou um grupo especializado;
• Não é algo que possa ser imposto de cima para baixo;
• Não é uma mera assistência social;
• Não é a solução de todos os problemas

14. POLÍCIA COMUNITÁRIA NO CEARÁ

Inicialmente, você deve lembrar que Polícia Comunitária no Estado do Ceará não
pode ser entendida como as ações realizadas, somente, pela Coordenadoria de Polícia
Comunitária (CPCom). Polícia comunitária deve ser algo desenvolvido por toda a
instituição, seja Ronda ou POG.
Desta forma, entendemos que quem implementa essas ações comunitárias no
Estado do Ceará é a CPCom por meio do seu contato cotidiano com a população,
utilizando como ferramentas de trabalho as mais diversas metodologias, como: Proerd,
visitas domiciliares, ronda escolar, turminha do ronda, etc.

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O principal e mais tradicional desses programas é o PROERD, Programa Educacional
de Resistência às Drogas e à Violência. Segundo o Cel. PM Alencar e o Ten. Cel. PM
Carvalho, autores do material didático de Polícia Comunitária para o Curso de Formação
ao Cargo Profissional para a Carreira de Praças Policiais Militares (CFPCP/PM), o Proerd é
um programa essencialmente preventivo e comunitário, para crianças e adolescentes de 9
a 12 anos de idade, ministrado por policiais militares fardados, denominadores
educadores sociais, sendo 1 (uma) aula por semana, no total de 11 (onze) aulas. Ao final
do curso é realizada uma grande formatura, onde os estudantes fazem um juramento,
perante todos os convidados, de se manterem longe das drogas e da violência e recebem
o diploma de Aluno PROERD.
O PROERD promove a parceria entre as instituições Família, Escola e Polícia Militar,
visando proteger as crianças de ameaças que a vida em sociedade lhes impõe. Para isso
oferece atividades pedagógicas aos alunos de estabelecimentos educacionais públicos e
privados, a fim de prevenir o uso indevido de drogas e a violência. O plano de estudos
consiste em auxiliar os estudantes a reconhecerem e resistirem às pressões diretas ou
indiretas que poderão influenciá-los a experimentar álcool, cigarro, maconha, inalantes,
outras drogas ou se engajarem em atividades violentas.
Os alunos devem aprender “como”, “porque” e “para que” dizer não ao uso indevido
de drogas e à prática da violência física ou moral. Como exemplo desta última, observa-se
a prática “bullying”, que é uma expressão utilizada para descrever atos de violência física
ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de
indivíduos causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de
poder.
O Decreto nº. 28.232, de 4 de maio de 2006, publicado no Diário Oficial do Estado do
Ceará em 8 de maio de 2006, institucionalizou o PROERD na Polícia Militar do Ceará.
Devemos ter em mente que embora a PMCE trabalhe com muitos programas, o mais
importante é o contato pessoal entre os policiais e a sociedade. A presença diária é que
pode modificar a situação atual da segurança pública. Devemos fazer da presença policial
algo bastante comum.
Pensando desta forma, nesse trabalho de proximidade, é que atualmente o Governo
do Estado Do Ceará está modificando e tentando colocar uma nova roupagem no
programa de polícia comunitária do estado do Ceará.

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Sabemos que desde meados de 2013, logo após a nomeação do Secretário de
Segurança Pública, o DPF Servilho Paiva, a forma de trabalho operacional foi modificado,
sendo o estado do Ceará dividido em 18 Áreas Integradas de Segurança, as conhecidas
AIS.
A cidade de Fortaleza foi dividida em 6 (seis) AIS, sendo que uma delas tinha como
área predominante a orla marítima da cidade, aas demais o restante do território da
capital alencarina.
Com a gestão do citado secretário as áreas rondas foram modificadas e, devido a
problemática da crescente violência, mais detidamente os problemas de homicídios, as
áreas rondas foram praticamente abolidas, vislumbrando uma tentativa de redução
imediata nos números dos homicídios.
Com a assunção do novo governador do Ceará no início do ano de 2015, como
promessa de campanha, uma nova forma de trabalhar a polícia comunitária está sendo
trabalhada para ser implementada em cinco áreas em meados de 2015.
Essa nova proposta, diferentemente do que ocorreu no final do ano de 2007 e início
de 2008, foi formulada dentro da própria instituição policial militar, baseada nas
experiências de diversos policiais que vivenciaram as diversas fases da polícia comunitária
no estado, com seus erros e seus acertos.
Desta forma, a CPCom será modificada em toda a sua estrutura. A CPCom deverá ser
CPAS, Comando de Polícia de Acolhimento Social. As AIS continuarão a existir tal qual nos
dias atuais, mas deverão ser divididas em 25 (vinte e cinco) áreas, conhecidas como
Uniseg, Unidades de Segurança. O interior ainda está sendo desenhada a estrutura, mas
deve seguir o exemplo da capital.
A Uniseg será composta por cerca de 37 (trinta e sete) policiais militares,
comandados por um oficial PM, onde os policiais será distribuídos, prioritariamente, em
trabalhos preventivos nas suas respectivas áreas. Os policiais serão distribuídos nas
seguintes equipes:
1. Rondas escolares, no horário de 06 às 22 horas: os policiais trabalharão em
parceria direta com a comunidade escolar, buscando previnir os mais diversos delitos que
ocorrem com os membros dessa comunidade;

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2. Visitas domiciliares: os policiais buscarão aproximação com a comunidade em
geral, buscando se fazerem conhecidos pela presença freqüente junta a comunidade,
obtendo informações pertinentes aos mais diversos problemas que afligem a comunidade
local;
3. Grupo de apoio a vítimas de violência: os policiais irão dar todo apoio possível as
vítimas de violência, tentando demonstrar para a população vítima de violência que o
estado possui preocupação com eles e que está ali, através da presença policial, para
ajudar aqueles que sofrem com as mais diversas violências. Esses policiais também
possuem o objetivo de identificar problemas e conseguir informações sobre os possíveis
autores dos delitos;
4. Moto-patrulhamento: apoio ao atendimento de ocorrências de campo ou
enviadas pela central de comunicação;
5. Base móvel: ocupação de áreas críticas e aproximação com a comunidade através
do policiamento de proximidade, do contato pessoal, com a presença freqüente do
policial na comunidade.

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