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CLÁUDIA DE SOUZA ROCHA


CLÁUDIA REGINA MACÊDO

RELAÇÃO FAMÍLIA & ESCOLA

BELÉM –PARÁ
2002
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CLÁUDIA DE SOUZA ROCHA


CLÁUDIA REGINA MACÊDO

RELAÇÃO FAMÍLIA & ESCOLA

Trabalho de Conclusão do Curso apresentado ao Curso


de Pedagogia do centro de Ciências Humanas e
educação da Universidade da Amazônia, como
requisito para obtenção do grau de Licenciatura Plena
em Pedagogia – Educação Infantil, orientado pela
Profª. Ms. Rosa Helena N. Ferreira.

BELÉM –PARÁ
2002
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CLÁUDIA DE SOUZA ROCHA


CLÁUDIA REGINA MACÊDO

RELAÇÃO FAMÍLIA & ESCOLA

Avaliado por:

______________________________________

Profª Ms. Rosa Helena N. Ferreira (UNAMA)

Data: 29/11/2002

BELÉM –PARÁ
2002
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SUMÁRIO

RESUMO.............................................................................................................................06

MEMORIAL I.....................................................................................................................08

MEMORIAL II ................................................................................................................09

CAPÍTULO I – A TRAJETÓRIA DA PESQUISA.........................................................10

1.1JUSTIFICATIVA.........................................................................................................10

1.2PROBLEMA.................................................................................................................11

1.3 OBJETIVOS..................................................................................................................12

1.3.1 GERAL................................................................................................................12

1.3.2ESPECÍFICOS..................................................................................................13

1.4 METODOLOGIA DA PESQUISA.............................................................................13

CAPÍTULO II – REFERENCIAL TEÓRICO.................................................................15

2.1 A PARTICIPAÇÃO DOS PAIS NA EDUCAÇÃO ESCOLAR ..............................15

2.2 CONTEXTUALIZANDO HISTORICAMENTE......................................................24

CAPÍTULO III – A PESQUISA........................................................................................29

3.1 OS DADOS....................................................................................................................29

3.2 ANÁLISE DOS DADOS...............................................................................................35


12

CAPÍTULO IV – CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................................38

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..............................................................................40

ANEXOS ............................................................................................................................42
13

Este trabalho é dedicado a todos aqueles que


acreditam na Educação como premissa para um
mundo infinitamente melhor.
14

Agradecemos a Deus. O Mestre dos Mestres. Aos


nossos pais, maridos e filhos, pessoas que nos
incentivaram, acreditaram em nosso potencial e,
sobretudo, de quem furtamos horas de carinho e
atenção para que pudéssemos conquistar esta vitória.
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“Eduquem-se as crianças e não será


preciso repreender os homens”.
(Autor desconhecido)

RESUMO

Apresentamos o tema: Relação Família & Escola, cuja pesquisa tem o objetivo de
contribuir para o processo ensino-aprendizagem de crianças na faixa etária de sete a
dez anos do Ensino Fundamental, justificando-se pela necessidade de interação entre
esses agentes. Através dessa pesquisa se observou que paradigmas de interpretação e
de gestão das realidades sociais, defendem modelos sistêmicos numa perspectiva de
integração funcional, em que a flexibilidade, a mudança e o conflito são elementos
coexistentes. Neste sentido, além das estruturas e das funções da família e da escola,
havemos de considerar também as transformações que estão ocorrendo na sociedade
moderna, nas suas instituições e no que diz respeito aos quadros sociais instáveis que
exigem uma compreensão dinâmicas e respostas mais condizentes. Assim, a pesquisa
tem como resultado ratificar a relação família-escola, que é de extrema importância na
construção da identidade e autonomia do aluno, a partir do momento em que o
acompanhamento desta, durante o processo educacional, leva a aquisição de
segurança por parte dos filhos que se sentem duplamente amparados, ora pelo
professor, ora pelos pais, o que irá incorrer do processo ensino-aprendizagem.

Palavras-Chaves: FAMÍLIA, ESCOLA, CRIANÇA, ENSINO E


D
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MEMORIAL I

Nasci em Recife-PE, e aos seis anos aprendi as primeiras letras, em uma escola bem
pequena, na casa da professora, a qual tinha o mesmo nome que o meu, acredito que por esse
motivo, nunca a esqueci. Depois passei a estudar em escolas estaduais, nas quais fiz todo o ensino
fundamental. Quando fui para 6ª série comecei a estudar em um colégio de padres da rede
particular de ensino, onde só saí para a Universidade Federal de Pernambuco, na qual fui
aprovada no curso de Nutrição.

Infelizmente por motivos de mudança de estado, tranquei o curso e acabei não concluindo,
pois os caminhos começaram a mudar o rumo da minha vida. Comecei a trabalhar como
professora substituta em uma escola de freiras e paralelamente fiz o curso de Magistério.
Apaixonei-me pela profissão, principalmente porque me dava oportunidade de conhecer sobre o
desenvolvimento infantil e o processo de ensino-aprendizagem.

Ao chegar em Belém, procurei fazer vestibular e graças a Deus fui logo aprovada em 2º
lugar no Curso de Pedagogia da Universidade da Amazônia. Quando estava cursando o 2º ano
comecei a trabalhar em um Colégio religioso, onde permaneço até o momento, realizando um
trabalho muito gratificante, com crianças de 1ª série do Ensino Fundamental I, baseado na
filosofia cristã e na teoria construtivista.

Tenho como pretensões futuras continuar me aperfeiçoando e fazer especialização em


informática educacional, pois me identifico muito com essa área e, também, por acreditar na
importância da tecnologia como recurso capaz de tornar mais atrativo o aprendizado.

Cláudia Macêdo
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MEMORIAL II

Eu me chamo Cláudia de Souza Rocha, nasci em Fortaleza-CE, cidade na qual passei a


maior parte de minha vida. Sempre estudei em escolas particulares e religiosas, e na última delas
onde cursei o 2º grau, fiz paralelamente o magistério. Logo que terminei o curso recebi uma
proposta para trabalhar em uma creche com a turma de maternal.

No ano de 86 passei no vestibular para o curso de Pedagogia na Universidade de Fortaleza


– UNIFOR. Durante o período de faculdade vários motivos particulares impediram-me de
terminar o curso.

Passei a trabalhar no Colégio Christus com turmas de Educação Infantil e só saí deste
quando vim morar em Belém, por motivo de transferência de meu marido. Já aqui em Belém,
trabalhei no CESEP – Maguari e após no Colégio Santa Catarina de Sena onde continuo até o
presente momento.

Em 1999 ingressei na UNAMA no curso de Pedagogia – Educação Infantil, pois sempre


desejei formar-me e adquirir novos conhecimentos. Sinto-me muito bem atuando nesta área, pois
acredito na educação como o único meio de formar verdadeiros cidadãos.

Cláudia Rocha
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CAPÍTULO I – A TRAJETÓRIA DA PESQUISA

1.1 JUSTIFICATIVA

Historicamente, a escola e a família, tal qual as conhecemos hoje, são instituições que
surgem, com o advento da modernidade, ambas destinadas ao cuidado e educação das crianças e
jovens. Na verdade, à escola coube a função de educar a juventude na medida em que o tempo e a
competência da família eram consideradas escassos para o cumprimento de tal tarefa. Os saberes
diversos e especializados, necessários, à formação das novas gerações, demandavam cada vez
mais ao longo do tempo, um espaço próprio dedicado ao trabalho de apresentação e
sistematização de conhecimentos dessa natureza, diferente portanto, daquele organizado pela
família.

No Brasil, a escola, como instituição distinta da família, construiu-se aos poucos, às custas
das pressões científicas e dos costumes característicos de uma vida mais urbana.
Aproximadamente dois séculos, sinalizaram para a necessidade de uma organização voltada à
formação física, moral e mental dos indivíduos; missão essa impossível para o âmbito doméstico.
Esse modelo esteve a serviço, sobretudo durante o século XIX, da moldagem das elites
intelectuais nacionais. A escola era profundamente diferente da família e, oferecia à formação das
crianças e dos jovens a uma educação da qual nenhuma outra instituição poderia se ocupar. Os
primórdios da República, na onda dos movimentos sociais, políticos e culturais que marcaram a
época, impuseram a necessidade de modernizar a sociedade e colocar a Nação nos trilhos do
crescimento, exigindo então um outro modelo e uma maior abrangência da ação educacional.

Assim, como podemos observar, a discussão sobre a participação da família na vida escolar
de seus filhos não é recente. Há décadas que se vem refletindo sobre como envolver a família,
promover a co-responsabilidade e torná-la parte do processo educativo. Sem dúvida, tal
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aproximação trata-se de uma difícil tarefa, isto, em função das inseguranças, incertezas e da falta
de esclarecimento sobre o processo educacional, suas limitações, bem como sua abrangência.
Compor uma parceria entre escola e família pressupõe de ambas as partes, a compreensão de
que a relação família-escola deve se manifestar de forma que os pais não responsabilizem
somente à escola a educação de seus filhos e, por outro lado, a escola não pode eximir-se de ser
co-responsável no processo formativo do aluno.

A presente pesquisa justifica-se pela necessidade de contribuir no processo ensino-


aprendizagem da criança de sete a dez anos do Ensino Fundamental, e por entendermos que a
parceria entre a família e a escola é de suma importância para o sucesso no desenvolvimento
intelectual, moral e na formação do indivíduo nessa faixa etária.

Os paradigmas de interpretação e de gestão das realidades sociais defendem modelos


sistêmicos numa perspectiva de integração funcional em que a flexibilidade, a mudança e o
conflito são elementos que devem ser coagidos.

Neste sentido, além do estudo das estruturas e das funções da família e da escola, havemos
de considerar, também, as transformações que estão ocorrendo na sociedade moderna, nas suas
instituições e conforme os quadros sociais que estão instáveis, daí decorrentes que exigem uma
compreensão dinâmica e respostas mais articuladas.

1.2 PROBLEMA

O problema estabelecido pelo presente trabalho consiste no seguinte questionamento:

- Qual a importância da relação família-escola no processo educacional?

As políticas públicas pouco têm conseguido fazer pela formação de educadores reflexivos,
sendo impedidas por seus próprios mecanismos burocráticos, fazendo, às vezes, o jogo inverso
dessa prática educativa. A família acompanha e reage a todo este movimento, estando porém,
pouco consciente: vai à escola participar, opinar e reclamem somente quando a crise da política
educacional preocupa seus interesses. Não se dá conta, no entanto, da sua parcela na produção
dos problemas dos quais se queixa, nem de suas dimensões. Seria necessário então, clarear as
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responsabilidades, sem esquecer que o trabalho com os jovens é na maioria dos aspectos uma
parceria. É função da escola fazer um trabalho com os pais, que propicie a discussão dos
interesses coincidentes, bem como dos conflitantes.

Na família, pai e mãe saem ao trabalho confiando que a escola e outros especialistas, além
da televisão e do computador dêem conta da educação de seus filhos. Assim, tanto a família
quanto à escola, esperam que uma dê conta do papel da outra. A criança sente-se abandonada e
poucas vezes adquire o equilíbrio necessário para receber a formação adequada e necessária para
tornar-se um indivíduo consciente de sua cidadania.

A família e a escola vivem, hoje, uma crise em que os valores materiais pautam as relações.
Assim, a boa escola é vista como a que mais oferece serviços e incrementos, que vão desde a
informática, balé e inglês até câmeras instaladas nas salas de aula. Este comportamento pode ser
justificado por uma expectativa dos pais de que a escola resolva todos os seus problemas.

Existe um relativo consenso de que a temática: “Família e Escola” tratem de uma relação
complexa e, por vezes, assimétrica, no que diz respeito aos valores e objetivos entre as
instituições. E esta é, realmente, uma relação sujeita a conflitos de diferentes ordens. Nos dias
atuais podemos ver este conflito observando a tênue distância formada entre o adulto e a criança.

Assim, tanto a escola como a família, poderão verificar seu papel no enfrentamento da crise
que envolve a todos, ampliando as preocupações e princípios, que possam unir em alguns pontos,
duas instituições tão complexas.

Este trabalho tem como questões norteadoras responder, de que forma a relação família-
escola pode contribuir para a construção da identidade, da autonomia e cidadania do aluno?
A relação família-escola interfere no processo ensino-aprendizagem? Como?

1.3 OBJETIVOS

1.3.1 GERAL:
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• Contribuir para o processo ensino-aprendizagem do Ensino Fundamental, partindo


da investigação e da conscientização sobre a importância da relação Família-Escola
no processo educacional.

1.3.2 ESPECÍFICOS:

• Investigar estratégias que viabilizem ao aluno, a construção de sua identidade,


autonomia com responsabilidade, conhecimento e exercício de sua cidadania, a
partir da estrutura da família moderna e de suas relações com a instituição escolar;

• Colaborar para a conscientização da importância da relação Família-Escola no


processo ensino-aprendizagem, especificamente voltado às crianças na faixa etária
de sete a dez anos do Ensino Fundamental.

1.4 METODOLOGIA DA PESQUISA

Local: Escola Pública e Escola Privada


Sujeitos: professores, corpo técnico da escola, pais de alunos do nível fundamental.
Instrumento/ técnica: serão realizadas entrevistas com questionários semi-fechados, tanto com
os professores e corpo técnico da escola, quanto com os pais de alunos.
Procedimento:
1º Passo: Verificar-se-á possibilidade de nos concederem o direito de realizar a entrevista na
escola;
2º Passo: Entrar-se-á em contato com técnicos, os pais e professores das escolas para pedir
autorização escrita para a realização da pesquisa;
3º Passo: Realizar-se-á entrevista com professores, técnicos e com os pais, separadamente;
4º Passo: A partir da realização das entrevistas, serão iniciadas as transcrições das mesmas e,
posteriormente, analisar-se-á se a percepção de cada um dos entrevistados gerando assim um
relatório e análise final.
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A metodologia pela qual optamos trabalhar trata-se de uma pesquisa qualitativa-descritiva,


portanto não deve permanecer em hipóteses, pois, a problemática quando é escolhida necessita
passar por uma verificação do contexto sócio-histórico em que se encontra inserida, para que só a
partir dessa análise se possa emitir valores a respeito da mesma.

Faz-se necessário também estabelecer a delimitação dessa problemática, através de


observações prévias do campo de pesquisa. Pois primeiramente percebe-se o relacionamento da
criança com a família, a interação da família com a escola e de que maneira essa criança absorve
os problemas de convivência familiar, e de como esses problemas interferem no seu emocional e
conseqüentemente em seu rendimento escolar.

A partir dessa limitação resolvemos realizar em primeiro lugar uma pesquisa do tipo
qualitativa-descritiva com o objetivo de fazermos um apanhado sobre o papel da família e da
escola no contexto histórico em que estão inseridas; da necessidade do acompanhamento da
família no desenvolvimento da criança de sete a dez anos, bem como se dá esta interação.

A primeira parte da pesquisa é bibliográfica, pois a partir da leitura de alguns autores,


procuraremos responder os questionamentos levantados e, partindo das respostas encontradas
desenvolveremos a segunda parte, que se trata da pesquisa de campo na qual analisaremos a
relação que a família e a escola tem no processo de aprendizagem.

Para tanto, utilizaremos a observação participante, aplicação de questionários com questões


específicas, história de vida e entrevistas com docentes, corpo técnico e familiar de crianças nessa
faixa de idade em uma escola do ensino particular e em uma escola do ensino público municipal.

Finalmente, faremos uma análise dos dados encontrados para responder a problemática de
estudo, para depois sugerir uma proposta de ação que contribua com a questão em estudo.
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CAPÍTULO II - REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 A PARTICIPAÇÃO DOS PAIS NA EDUCAÇÃO ESCOLAR

A escola pode ser pensada como o meio do caminho entre a família e a sociedade.
Neste delicado lugar, tanto a família quanto à sociedade lançam olhares e exigências à
escola. No que se refere à família, é necessário dizer que a historiografia brasileira nos leva a
concluir que não existe um “modelo de família” e sim uma infinidade de modelos familiares, com
traços em comum, mas também guardando singularidades. É possível dizer que cada família
possui uma identidade própria, trata-se na verdade, como afirmam vários autores, de um
agrupamento humano em constante evolução, constituído com o intuito básico de prover a
subsistência de seus integrantes e protegê-los.

Estão presentes dessa maneira, sentimentos pertinentes ao cotidiano de qualquer


agrupamento como amor, ódio, ciúme, inveja, entre outros. Em relação às expectativas da família
com relação à escola com seus filhos encontram-se várias fantasias familiares como o desejo de
que a instituição escolar “eduque” o filho naquilo que a família não se julga capaz, como, por
exemplo, limite e sexualidade; e que ele seja preparado para obter êxito profissional e financeiro
via de regra ingressando em uma boa universidade.

A sociedade procura ter na escola uma instituição normativa que trate de transmitir a
cultura, incluindo além dos conteúdos acadêmicos, os elementos éticos e estruturais. É a
partir daí que se constrói o currículo manifesto (escrito em seus estatutos) e o currículo
latente (o dia-a-dia). (Outeiral apud Siqueira, 2002, p.01).

Embora bem delimitadas as diferenças entre casa e escola, passou-se a buscar mais o apoio
desta, entendendo-se a eficácia da ação normalizadora da escola sobre crianças e jovens quando
respaldadas pelo conhecimento e aquiescência da família. A despeito disso, reservava-se à escola,
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os direitos sobre o conhecimento científico acerca das áreas disciplinares, como também sobre
aqueles que diziam respeito aos processos de aprendizagem das crianças e adolescentes,
conhecimentos estes informados pela biologia, psicologia e ciências sociais preservando a escola,
desta forma, seu lugar de autoridade no gerenciamento das questões pedagógico - educacionais.
Hoje vivemos um outro tempo, bem mais complexo, diverso e inquietante do que há
algumas décadas, a escola enfrenta, além do desafio frente ao domínio do conhecimento, em
permanente mudança, também o desafio da relação com seus alunos, sejam eles crianças
pequenas ou jovens.

Sem dúvida esse contexto é perspassado por questões de diferentes naturezas, entre as quais
os dilemas do desempenho curricular a ser proposto na contemporaneidade, os impasses da
escolha dos encaminhamentos metodológicos mais adequados as relações de ensino, os limites e
possibilidades da manutenção de uma relação professor aluno com qualidade e a família é
considerada peça chave nesse momento de crise.

Ao lado da família, a escola permanece sendo um espaço de formação que deve, para tanto,
repensar a sua ação formadora, preocupando-se em formar seus educadores para que os mesmos
reúnam recursos que os permitam lidar com os conflitos inerentes ao cotidiano escolar. É,
portanto, na escola, refletindo sobre o que há para ser ensinado às crianças sobre a metodologia
que pode tornar mais coesa a ação do conjunto docente, que a escola poderá encontrar saídas
legítimas à superação dos problemas morais e éticos que assolam o seu dia-a-dia. Nesse sentido,
sem abdicar do lugar reservado ao ensino formal, é preciso que os espaços destinados à formação
dos educadores no interior da escola dêem, também, prioridade à reflexão político-filosófica
sobre os sentidos e possibilidades da ação educacional para que se possa, desta feita, recuperar ou
constituir um novo ideário para a escola.

A escola não é a única instância de formação de cidadania. Mas, o desenvolvimento dos


indivíduos e da sociedade dependem cada vez mais da qualidade e da igualdade de oportunidades
educativas. Formar cidadãos na perspectiva aqui delineada supõe Instituições onde se possa
resgatar a subjetividade interrelacionada com a dimensão social do ser humano, em que a
produção e comunicação do conhecimento ocorram através de práticas participativas e criativas.
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Trata-se de uma instituição da sociedade na qual a criança atua efetivamente como sujeito
individual e social. É um espaço concreto e fundamental para a formação de significados e para o
exercício da cidadania: na medida em que possibilita a aprendizagem de participação crítica e
criativa, contribui para formar cidadãos que atuem na articulação entre o Estado e a sociedade
civil. Para a família, o ensino quanto mais individualizado, melhor para seu filho, pois nessa
conjetura vai haver a peculiaridade de melhor ajudá-los e a destacá-lo. As preocupações
transitam, portanto no âmbito do privado. Este enfoque mais social do que individual, carrega
objetivos éticos, pois a escola deve ser um espaço de valorização tanto da informação, como da
formação de seus alunos, dentro de uma estrutura coletiva.

A escola como instituição busca através de seu ensino, que seus alunos possam assumir a
responsabilidade por este mundo, como diz Arendt (apud Castro, 2002):

Ultrapassa os desejos individuais e esta responsabilidade só poderá advir, através do


enlaçamento entre conhecimento, e ação, entre o saber e as atitudes, entre os interesses
individuais e sociais. A escola , como um novo modelo, irá ampliar o mundo dos
alunos, convidando-os a olhar suas experiências com uma outra lente, que não a
familiar, o que alterará os significados já conhecidos. A escola pública tem mais
fortemente, então, a responsabilidade da apresentação de conceitos e conteúdos
herdados de nossa cultura, pois muitas crianças só terão acesso a esta herança, através
de sua passagem pela escola, que deve então, abrir caminhos de acesso à cultura de
maneira igualitária para todos e neste sentido, lutar contra os privilégios de uma classe
social. Todo educador enquanto mediador do vínculo entre aluno e a cultura, entre a
escola e a família, está mergulhados e comprometidos nesta rede de interesses dos
dominantes e dos dominados.(p.01).

Existem escolas que trabalham visivelmente no objetivo de reprodução dos valores e


ideologias dominantes, outras tem uma posição mais crítica, mas todas assumem posições
políticas, pois a escolha dos conteúdos a serem ensinados, o estilo e o método deste ensino, suas
regras, sua maneira de avaliar, de receber a família etc., traduzem os objetivos das instituições,
deixando claras as opções e desvelando seus interesses mais específicos.

Partindo de um levantamento da história da participação da família na educação vimos que


os interesses das famílias foram acolhidos mais fortemente na escola brasileira, a partir das
décadas de 60/70, através do movimento de Renovação Pedagógica, que abriu uma grande lacuna
para a entrada de um olhar mais psicológico no âmbito escolar, ampliando a atenção com cada
criança, suas escolhas e desejos, seu tempo de aprender entre tantos.
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Enfrentamos, porém, conflitos decorrentes da situação vivida, pois passamos de um valor


centrado no conteúdo e no educador, para um valor centrado na criança e em seu processo de
aprender. O desafio das escolas hoje é sair dos extremos, buscando valorizar tanto a informação,
como a formação, tanto no educador como no educando, tanto o método como os conhecimentos
acumulados, resgatando a importância do grupo na construção de conceitos e valores. Conforme
esclarece Campos (1983):
A palavra família, na sociedade ocidental contemporânea tem ainda para a maioria das
pessoas, conotação altamente impregnada para a maioria das pessoas, conotação
altamente impregnada de carga afetiva. Os apologistas do ambiente da família como
ideal para a educação dos filhos, geralmente evidenciam o calor materno e o amor como
contribuição para o estabelecimento do elo afetivo mãe-filho, inexistente no caso de
crianças institucionalizadas. Um dos representantes deste ponto de vista foi Bowlby.
(p.19).

A complexidade do processo de socialização é evidente e torna-se bastante expressiva


dentro do processo ensino-aprendizagem através de aspectos do tipo: imitação, identificação e
mais um conjunto de características determinadas pelo contexto familiar, que irão interagir no
desenvolvimento da criança dentro da instituição escolar.

De uma maneira geral, sobre a relação família e educação, afirma Nérici (1972):

A educação deve orientar a formação do homem para ele poder ser o que é, da melhor
forma possível, sem mistificações, sem deformações, em sentido de aceitação social.
Assim, a ação educativa deve incidir sobre a realidade pessoal do educando, tendo em
vista explicitar suas possibilidades, em função das autênticas necessidades das pessoas e
da sociedade (...) A influência da Família, no entanto, é básica e fundamental no processo
educativo do imaturo e nenhuma outra instituição está em condições de substituí-la. (...) A
educação para ser autêntica, tem de descer à individualização, à apreensão da essência
humana de cada educando, em busca de suas fraquezas e temores, de suas fortalezas e
aspirações. (...) O processo educativo deve conduzir à responsabilidade, liberdade, crítica
e participação. Educar, não como sinônimo de instruir, mas de formar, de ter consciência
de seus próprios atos. De modo geral, instruir é dizer o que uma coisa é, e educar e dar o
sentido moral e social do uso desta coisa". (p.12).

Por outro lado, Connel (1995) faz uma abordagem em que visualiza a família dentro deste
parâmetro sugerindo que a relação entre professores e pais deve ser entendida como uma relação
de classes. Assim, os pais da classe dominante vêem os professores como seus agentes pagos:
capazes e especialistas. Assim, esclarece Connel (1995):
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A escola secundária é fortemente determinada pelo modo como age seu diretor. E isto
também é verdadeiro para a escola particular, mas acho que pela razão de o diretor da
escola particular prestar contas a um curador ou diretoria, existe mais pressão sobre ele
para obter resultados do que o diretor da escola secundária estadual que presta contas a
uma Secretaria de Educação. A escola particular produzirá em média melhores diretores
porque se estes não realizarem serão despedidos ou a escola irá decair muito
rapidamente. (p.126).

Entretanto, Freire (2000) evidencia que ensinar exige compreender que a educação é uma
forma de intervenção no mundo, uma tomada de posição, uma decisão, por vezes, até uma
ruptura com o passado e o presente. Para este renomado pesquisador e educador, as classes
dominantes enxergam a educação como imobilizadora e ocultadora de verdades.

A educação é uma forma de se intervir no mundo, dentro desta linha de pensamento de


Freire (2000), que fala de educação como intervenção. Ele se refere a mudanças reais na
sociedade, no campo da economia, das relações humanas, da propriedade, do direito ao trabalho,
a terra, a educação, a saúde, com referência à situação no Brasil e noutros países da América
Latina.

Quanto mais criticamente a liberdade assuma o limite necessário, tanto mais autoridade ela
tem. Eticamente falando, para continuar lutando em seu nome, desta forma se posiciona Freire
(2000):

Gostaria uma vez mais de deixar bem expresso o quanto aposto na liberdade, o quanto
me parece fundamental que ela exercite assumindo decisões. (...). A liberdade
amadurece no confronto com outras liberdades, na defesa de seus direitos em face da
autoridade dos pais, do professor e do Estado. (p.119).

Castro (2002) em recente artigo: O Caos Institucional e a Crise da Modernidade se refere à


falta de parâmetros quanto ao papel que a escola deve assumir em uma sociedade em permanente
mudança e, em conformidade a isto, que sentido deve assumir a prática docente, quando a própria
produção e veiculação do conhecimento, assumem formas cada vez mais fragmentáveis e, muitas
vezes, dissociadas de qualquer significação ética, social e cultural?

Hoje, assistimos ao aprofundamento da desagregação social que impede a constituição de


qualquer consenso sobre os princípios e valores que deveriam reger as relações entre os sujeitos e
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instituições sociais, dificultando a definição de qual deve ser e como deve ser forjado nosso
projeto de escola e sociedade.
(...) O tipo de escola e conhecimento que se funda com o capitalismo, legitima-se em um
modelo de arquitetura social voltada à satisfação dos direitos intelectuais de uma elite
econômica, amparada em sólida composição familiar que, a princípio, pode fornecer o
lastro moral, ético e civilizacional, necessários ao bom desempenho de todos aqueles que
a freqüentam. Hoje, contudo, a situação é outra. A sociedade pós-industrial alterou,
significativamente, sua maneira de operar e produzir mercadorias, conhecimentos e
valores, afetando diretamente a escola, afetando seus eixos paradigmáticos, tanto no que
se refere à sua organização funcional, curricular e metodológica, quanto aos princípios
éticos e participativos que sustentam sua prática cotidiana. Este panorama dificulta a
definição de rumos, a fim de que se possa determinar as metas a serem atingidas pela
escola no campo dos saberes, mas, também, no campo da participação dos diversos
segmentos que a compõem, principalmente dos pais.( Castro, 2000. p.01).

Atravessamos uma autêntica socialização divergente. Vivemos numa sociedade pluralista,


em que grupos sociais distintos defendem modelos de educação opostos, em que se dá prioridade
a valores diferentes e até contraditórios. Ou seja, a unidade racionalista representada por um
modelo unitário de escola está em crise, em função da ascensão de um paradigma educacional
que não pode mais colocar para debaixo do tapete, a diversidade sócio-cultural como elemento
central dos conflitos que marcam a escola nos dias de hoje.

Toda esta movimentação no plano social produz rupturas na forma como historicamente,
algumas instituições se organizam para gerar conhecimento, condicionar hábitos e impor
comportamento. Destas, as mais afetadas foram, com certeza, a família e a escola. Não é por
outra razão que hoje essas duas instituições se vêem compelidas a uma aproximação que, até a
alguns anos atrás, não seria possível ou mesmo desejável.

Tradicionalmente a escola olhou para a família com certa desconfiança e, quando não teve
alternativa, apenas suportou a participação dos pais na condição de ouvintes comportados dos
relatos por eles produzidos, acerca da trajetória disciplinar e pedagógica dos alunos. Raramente
essa participação superou os limites de ação beneficente, envolvendo-se com a parte
organizacional do projeto curricular da escola. Para a escola, a família foi e é, o locus de
construção de moralidade, base indispensável para a garantia do projeto moralizador e
civilizacional representado pela escola.

A família fez da escola, sobretudo na etapa que antecedeu a massificação do processo


institucional, uma instituição a serviço da monopolização do capital cultural nas mãos de uma
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elite econômica reproduzindo, no plano educativo, as desigualdades do campo social. Assistimos


a uma reviravolta neste cenário decorrente da crise dos modelos forjados pela modernidade. O
modelo de família nuclear predominante até meados da década de 50 deu lugar a novas formas de
representação e organização parental com reflexos diretos no que concerne às relações entre pais
e filhos. Cresceu, vertiginosamente, o número de separações entre casais, o que tem provocado a
perda de referências ético-morais para uma parte significativa de jovens e crianças.

Além disso, a crescente presença da mulher no mercado de trabalho e sua maior


independência da representação de mulher voltada à vida doméstica e à educação da prole,
resultaram em certa lacuna com relação ao desenvolvimento afetivo, social e educacional das
novas gerações. Para completar este cenário, as mudanças tecnológicas que prometiam uma
maior disponibilidade de tempo para que os indivíduos se dedicassem a si mesmos e aos outros,
revelaram-se falsas; o trabalho e a velocidade cotidiana só fizeram afastar as pessoas do convívio
comunitário, isolando-as, cada vez mais e, conseqüentemente, descompromissando-as das
responsabilidades públicas, dentre as quais, destaca-se a formação da juventude.

Os estudos realizados, em vários países, nas últimas três décadas, mostraram que, quando
os pais se envolvem na educação dos filhos, eles obtêm melhor aproveitamento escolar. De todas
as variáveis estudadas, o envolvimento dos pais no processo educativo foi a que obteve maior
impacto, estando esse impacto presente em todos grupos sociais e culturais.

Quando falamos em colaboração da escola com os pais, estamos a falar de muitas coisas.
Desde logo, a comunicação entre o professor e os pais dos alunos aparece à cabeça, constituindo
a forma mais vulgar e mais antiga de colaboração.

Muitos professores não vão além dessa prática e, muitas vezes, limitam-se a ser os
mensageiros das más notícias. Talvez, por isso muitos pais olhem para a escola com um misto de
receio e de preocupação, porque só são chamados pelo professor quando os filhos revelam
problemas de aprendizagem ou de indisciplina. Mas há outras formas de colaboração. Por
exemplo, o apoio social e psicológico que a escola pode dar aos alunos e respectivas famílias
através dos serviços de apoio social escolar e dos serviços de psicologia e orientação vocacional.
Para muitas famílias no limiar da pobreza, esta é a única forma de colaboração conhecida.
30

As famílias da classe média sempre praticaram uma outra forma de colaboração: o apoio ao
estudo, em casa. Essas famílias apóiam os filhos na realização dos trabalhos de casa e no estudo
recorrendo, muitas vezes, a professores particulares. Nos jardins de infância e nas escolas do
ensino básico, começa a ser comum à participação dos pais em atividades escolares: festas,
comemorações e visitas de estudo. Algumas destas formas de colaboração têm efeitos
expressivos na melhoria do aproveitamento escolar dos alunos, aumenta a motivação dos alunos
no estudo, ajuda a que os pais compreendam melhor o esforço dos professores. Melhora a
imagem social da escola, reforça o prestígio profissional dos professores, ajuda os pais a serem
melhores pais. Da mesma forma, estimula os professores a serem melhores professores.

Não há uma única maneira correta de envolver os pais. As escolas devem procurar oferecer
um menu que se adapte as características e necessidades de uma comunidade educativa cada vez
mais heterogênea. A intensidade do contato é importante e deve incluir reuniões gerais e o
recurso à comunicação escrita, mas, sobretudo os encontros esses agentes (escola e família).
Intensidade e diversidade parecem ser as características mais marcantes dos programas eficazes.

Nada é pior para o bem estar e desenvolvimento das crianças e dos jovens do que a ausência
de referências seguras e a privação do contato continuado e duradouro com adultos significativos.
Quando os pais, por motivos relacionados com o mercado de trabalho e o afastamento do local de
trabalho da sua área de habitação, não dispõem de tempo para estar com os filhos, deixando, por
isso, de tomar as refeições em comum, as crianças e os jovens são obrigados a crescerem com a
ausência de referências culturais seguras. Essa ausência de referências faz aumentar a
necessidade de os professores criarem programas que aproximem as escolas das famílias,
contribuindo para a recriação de pequenas comunidades de apoio aos alunos que sejam uma
presença forte na vida deles.

Quando os valores da escola coincidem com os valores da família, quando não há rupturas
culturais, a aprendizagem ocorre com mais facilidade. Nas comunidades homogêneas, em que os
professores partilham os mesmos valores, linguagem e padrões culturais dos pais dos alunos, está
garantida a continuidade entre a escola e a família. Contudo, são cada vez mais as escolas com
populações estudantis heterogêneas, nas quais os professores e os pais têm raízes culturais
diferentes, provocando, nos alunos, dificuldades de adaptação.
31

Se tivermos presente a maneira como os alunos aprendem, torna-se evidente à importância


da continuidade cultural entre a escola e as famílias. O aluno aprende assimilando a informação
pela experiência direta com pessoas e objetos, ou seja, professores, pais, colegas, livros,
programas de televisão e Internet. Essa informação é incorporada nas suas estruturas mentais,
modificando-as, tornando-as mais complexas e abrangentes. É o desejo de adquirir sentido, de
tentar compreender, que leva o aluno a aprender.

Quanto mais rico e variado for o seu mundo familiar, mais oportunidades o aluno terá de
adquirir informação relevante. Os alunos movem-se para o estágio cognitivo que lhes está mais
próximo, quando reconhecem que há uma discrepância entre o que experenciam e o sentido que
estão a dar as novas informações. Mas o grau de discrepância não deve ser nem muito elevado
nem muito reduzido. Perante situações moderadamente discrepantes, o aluno reorganiza a sua
estrutura mental, quando descobertas acerca do desequilíbrio cognitivo, é a necessidade do
problema ser apropriado a capacidade da criança para o resolver.

As afirmações anteriores ajudam-nos a compreender o que acontece a um aluno que chega a


uma escola que lhe oferece um currículo sem continuidades com a sua cultura familiar.
Diferenças de linguagem, de proximidade e de distância entre pessoas, de formas de tratamento e
de regras de comportamento tornam mais difícil que o aluno seja capaz de aplicar as suas
experiências e conhecimentos passados às novas aprendizagens escolares.

Confrontados com grandes descontinuidades entre a casa e a escola, incapazes de


compreenderem a cultura escolar e de aplicarem as suas experiências passadas aos novos
contextos, esses alunos podem rejeitar ou ignorar a nova informação. Quando isso acontece, estão
criadas as condições para que o aluno rejeite a cultura escolar. Essa rejeição pode assumir várias
formas: indisciplina, violência, abandono, passividade e resignação. Seja qual for a forma
assumida pela rejeição, os sinais dessa rejeição devem ser interpretados pelo professor, cabendo-
lhe traçar um plano de ação que inclua a comunicação com os pais.

O envolvimento dos pais nas escolas produz efeitos positivos tanto nos pais como nos
professores, nas escolas e nas comunidades locais. Os pais que colaboram habitualmente com a
escola ficam mais motivados para se envolverem em processos de atualização e reconversão
profissional e melhoram a sua auto-estima como pais.
32

O envolvimento familiar traz, também, benefícios aos professores que, regra geral, sentem
que o seu trabalho é apreciado pelos pais e se esforçam para que o grau de satisfação dos pais seja
grande. A escola também ganha porque passa a dispor de mais recursos comunitários para
desempenhar as suas funções, nomeadamente com a contribuição dos pais na realização de
atividades de complemento curricular.

Quando a escola se aproxima das famílias, registra-se uma pressão positiva no sentido de os
programas educativos responderem às necessidades dos vários públicos escolares. As
comunidades locais também ganham porque o envolvimento familiar faz parte do movimento
cívico mais geral de participação na vida das comunidades, sendo, por vezes, uma oportunidade
para os pais intervirem nos destinos das suas comunidades e desenvolverem competências de
cidadania.

Restou para a escola a responsabilidade de estabelecer a ordem neste caos e, como não lhe é
possível reorganizar o quadro familiar, resta-lhe abrir mais portas para tentar uma parceria
educativa com os pais, de modo que possa instituir uma nova estabilidade, que traga de volta, à
escola, a legitimidade que a crise da modernidade lhe retirou.

Sem dúvida que este estudo faz parte de uma nova etapa nas relações escola/família, em que
os papéis serão reconstituídos sob novas bases éticas, políticas e culturais.

2.2 CONTEXTUALIZANDO HISTORICAMENTE

Ao longo da história brasileira a família veio passando por transformações importantes que
se relaciona diretamente com o contexto sócio-econômico-político do país.

O Brasil-Colônia, marcado pelo trabalho escravo e pela produção rural para a exportação,
identifica-se um modelo de família tradicional extensa e patriarcal, no qual os casamentos
baseavam-se em interesses econômicos, que à mulher, era destinada a castidade, a fidelidade e a
subserviência. Aos filhos, considerados extensão do patrimônio do patriarca. Ao nascer
dificilmente experimentavam o sabor do aconchego e da proteção materna, pois eram
amamentados e cuidados pelas amas de leite.
33

A partir das últimas décadas do século XIX, identifica-se um novo modelo de família. A
Proclamação da República, o fim do trabalho escravo, as novas práticas de sociabilidade com o
início do processo de industrialização, urbanização e modernização do país constituem terreno
fértil para proliferação do modelo de família nuclear burguesa, originário da Europa. Trata-se de
uma família constituída por pai, mães e poucos filhos. O homem continua detentor da autoridade
e "rei" do espaço público; enquanto a mulher assume uma nova posição: "rainha do lar", "rainha
do espaço privado da casa". Desde cedo, a menina é educada para desempenhar seu papel de mãe
e esposa, zelar pela educação dos filhos e pelos cuidados com o lar.

No âmbito legal, a Constituição Brasileira de 1988, aborda a questão da família nos artigos
5º, 7º, 201º, 208º e 226º a 230º, trazendo algumas inovações (artigo 226) como um novo conceito
de família: união estável entre o homem e a mulher (§ 3º) e a comunidade formada por qualquer
dos pais e seus descendentes (§ 4º). E ainda reconhece que: ''os direitos e deveres referentes à
sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher'' (§ 5º).

Nos últimos vinte anos, várias mudanças ocorridas no plano sócio-político-econômico


relacionadas ao processo de globalização da economia capitalista vêm interferindo na dinâmica e
estrutura familiar e possibilitando mudanças em seu padrão tradicional de organização.

Conforme Pereira (1995), as mais evidentes são:

- Queda da taxa de fecundidade, devido ao acesso aos métodos contraceptivos e de


esterilização;

- Tendência de envelhecimento populacional;

- Declínio do número de casamentos e aumento da dissolução dos vínculos matrimoniais


constituídos, com crescimento das taxas de pessoas vivendo sozinhas;

- Aumento da taxa de coabitações, o que permite que as crianças recebam outros valores;
menos tradicionais;

- Aumento do número de famílias chefiadas por uma só pessoa, principalmente por


mulheres, que trabalham fora e têm menos tempo para cuidar da casa e dos filhos.
34

Entretanto, evidenciamos que essas mudanças não devem ser encaradas como tendências
negativas ou sintomas de crise. A aparente desorganização da família é um dos aspectos da
reestruturação que ela vem sofrendo. Por um lado, pode causar problemas, por outro, apresentar
soluções. Trata-se de um processo contraditório que ao mesmo tempo em que abala o sentimento
de segurança das pessoas com a falta ou diminuição da solidariedade familiar, proporciona
também a possibilidade de emancipação de segmentos tradicionalmente aprisionados no espaço
restritivo de muitas sociedades conjugais opressoras.

Com ele, também, os papéis sociais atribuídos diferenciadamente ao homem e à mulher


tendem a desaparecer não só no lar, mas também no trabalho, na rua, no lazer e em outras esferas
da atividade humana.

Embora, a cada momento histórico corresponda um modelo de família preponderante, ele


não é único, ou seja, concomitante aos modelos dominantes de cada época, existiam outros com
menor expressão social, como é o caso das famílias africanas escravizadas. Além disso, o
surgimento desta tendência não impedia imediatamente a outra, prova disto é que neste início de
século podemos identificar a presença do homem patriarca, da mulher "rainha do lar" e da mulher
trabalhadora. Assim, não podemos falar de família, mas de famílias, para que possamos tentar
contemplar a diversidade de relações que convivem em nossa sociedade. Outro aspecto a ser
ressaltado, diz respeito ao significado social da família e qual a sua razão de existência.

Segundo Kaloustian (1988), a família é o lugar indispensável para a garantia da


sobrevivência e da proteção integral dos filhos e demais membros, independentemente do arranjo
familiar ou da forma como vêm se estruturando. É a família que propicia os aportes afetivos e,
sobretudo materiais necessários ao desenvolvimento e bem-estar dos seus componentes. Ela
desempenha um papel decisivo na educação formal e informal, e é em seu espaço que são
absorvidos o valor ético e humanitário, em que se aprofundam os laços de solidariedade. É
também em seu interior que se constroem as marcas entre as gerações e são observados valores
culturais.

Gokhale (1980), acrescenta que a família não é somente o berço da cultura e a base da
sociedade futura, mas é também o centro da vida social. A educação bem sucedida da criança na
família é que vai servir de apoio à sua criatividade e ao seu comportamento produtivo quando for
35

adulto.A família tem sido, é, e será a influência mais poderosa para o desenvolvimento da
personalidade e do caráter das pessoas.

E evidenciado no nosso tipo de organização social, o papel crucial da família quanto à


proteção, afetividade e educação, A questão que colocamos a seguir é aonde buscar
fundamentação para a relação educação escola-família.

O dever da família com o processo de escolaridade e a importância da sua presença no


contexto escolar é publicamente reconhecido na legislação nacional e nas diretrizes do Ministério
da Educação aprovadas no decorrer dos anos 90, tais como:

-Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8069/90), nos artigos 4º e 5º;

-Política Nacional de Educação Especial, que adota como umas de suas diretrizes gerais:
adotar mecanismos que oportunizem a participação efetiva da família no desenvolvimento global
do aluno.

E ainda, conscientizar e comprometer os segmentos sociais, a comunidade escolar, a família


e o próprio portador de necessidades especiais, na defesa de seus direitos e deveres. Entre seus
objetivos específicos, temos: envolvimento familiar e da comunidade no processo de
desenvolvimento da personalidade do educando.

-Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9394/96), artigos 1º, 2º, 6º e 12°;

-Plano Nacional de Educação (aprovado pela Lei nº 10172/2002), que define como uma de
suas diretrizes a implantação de conselhos escolares e outras formas de participação da
comunidade escolar (composta também pela família) e local na melhoria do funcionamento das
instituições de educação e no enriquecimento das oportunidades educativas e dos recursos
pedagógicos.

E não podemos deixar de registrar a recente iniciativa do MEC – Ministério da Educação e


Cultura, que instituiu a data de 24 de abril com o Dia Nacional da Família na Escola. Neste, todas
as escolas deveriam convidar os familiares dos alunos para participar de suas atividades
educativas, pois conforme declaração do Ministro Paulo Renato Souza: “Quando os pais se
envolvem na educação dos filhos, eles aprendem mais".
36

Relacionados os sustentáculos formais da relação família/escola/educação, é importante


pontuar ainda alguns aspectos: em primeiro lugar, é preciso reconhecer que a família
independente do modelo como se apresente, pode ser um espaço de afetividade e de segurança,
mas também de medos, incertezas, rejeições, preconceitos e até de violência.

Em segundo lugar, na relação família/educadores, um sujeito sempre espera algo do outro.


E para que isto de fato ocorra é preciso que sejamos capazes de construirmos coletivamente uma
relação de diálogo mútuo, em que cada parte envolvida tenha o seu momento de fala, mas
também de escrita, no qual exista uma efetiva troca de saberes. A capacidade de comunicação
exige a compreensão da mensagem que o outro quer transmitir e para tal faz-se necessário o
desejo de querer escutar o outro, a atenção às idéias emitidas e a flexibilidade para recebermos
idéias que podem ser diferentes das nossas.

Assim, é fundamental que conheçamos os alunos e as famílias com as quais lidamos.


Sobretudo que conheçamos quais são suas dificuldades, seus planos, seus medos e anseios.
Enfim, que características e particularidades marcam a trajetória de cada família e
conseqüentemente, do educando a quem atendemos. Estas informações são dados preciosos para
que possamos avaliar o êxito de nossas ações enquanto educadores, identificar demandas e
construir propostas educacionais compatíveis com a nossa realidade.

Uma atitude de desinteresse e de preconceitos pode danificar profundamente a relação


família/escola e trazer sérios prejuízos para o sucesso escolar e pessoal dos educandos.
Geralmente, a família de educandos surdos espera e necessita da escola inúmeras informações,
apoio e orientação sobre como lidar com a situação de convívio com uma pessoa surda. A falta
de atenção para esta demanda possivelmente terá conseqüências negativas para educadores,
educandos e familiares.

Enfim, muitos podem ser o significado da palavra participar. É preciso que conheçamos as
razões pelas quais as famílias não têm correspondido ao que nós educadores esperamos enquanto
sua participação na escola. Para tal, precisamos nos despir da postura de juízes que condenam
sem conhecer as razões e incorporarmos o espírito investigador que busca as causas para o
desconhecido.
37

CAPÍTULO III – A PESQUISAS

3.1 DADOS

TABULAÇÃO DA PESQUISA DE CAMPO


Quadro das Porcentagens

Nº %

5 100%

4 80%

3 60%

2 40%

1 10%

RESULTADOS DOS QUESTIONÁRIOS APLICADOS NA ESCOLA PÚBLICA COM OS


PAIS
1.Você participa ou já participou de algum trabalho voluntário na escola de seu filho?

Nunca participo 20%

Já participei 20%

Participo esporadicamente 20%

Participo sempre 20%

Não tenho tempo 10%

Não opinaram 10%

2. Você atende as convocações de ir à escola?

Sim 100%
Não -
38

Às vezes -

3. Você conhece a Escola de seu filho?


Não conhecem 40%

Conhecem 60%
4. Você acha importante a participação da Família na escola?
Sim 100%
Não -
Às vezes -

5. Você conhece os representantes do colegiado de sua escola?


Não conhecem 20%

Conhecem 80%

6. Dos itens abaixo, qual deles você gostaria de ter mais retorno/informações da escola?

Professores 60%

Direção 20%

Biblioteca 10%

Merenda escolar 10%

7. Você sabe qual é o método ou filosofia que a escola utiliza?

Não conhecem 60%

Conhecem 40%

8. Você foi convidado a participar do projeto político pedagógico da escola do seu filho?

Não 40%

Sim 60%

9. Qual a sua opinião sobre as reuniões marcadas pela escola?

Demonstra o interesse da 80%


escola
39

Ótimos na teoria 20%

10. Como a Escola informa das reuniões e suas atividades?

Aluno entrega o bilhete 60%

Mala direta 40%

11. Quais os pontos negativos das reuniões dentro das escolas que incomodam mais?

Atraso nas reuniões 40%

Falta retorno 20%

Horário das reuniões 20%

Não opinou 20%

12. Quais os pontos positivos das reuniões dentro das escolas que mais você gosta?

Ajuda aos filhos 60%

Oportunidade de Conhecer 40%

DADOS SOBRE COMO OS PROFESSORES OBSERVAM A PARTICIPAÇÃO DA


FAMÍLIA NA ESCOLA PÚBLICA
13 A participação dos pais na escola se dá de que forma na instituição que você atua?

Razoável 40%

Boa 60%

14. A que se deve a ausência dos pais?

Falta de tempo por questões de trabalho 60%

Falta de comunicação da escola 20%

Falta de comunicação deles com a escola 20%

15. Como é o rendimento escolar dos alunos que tem a participação da família na escola?

Bom 100%
40

Ótimo -

Ruim -

16. Você acha necessário que sejam desenvolvidas atividades buscando mais participação da
família na escola em que você atua?

Sim 100%
Não -
Às vezes -
17. Você conhece os pais de seus alunos? Qual a média?

100% dos pais 20%

Não conheço nenhum -

50% 40%

+ de 50% 20%

- 50% 20%

RESULTADOS DOS QUESTIONÁRIOS APLICADOS NA ESCOLA PARTICULAR


COM OS PAIS
1.Você participa ou já participou de algum trabalho voluntário na escola de seu filho?

Nunca participo 40%

Participo sempre 60%

2. Você atende as convocações de ir à escola?

Sim 100%
Não -
Às vezes -

3. Você conhece a Escola de seu filho?

Não conheço 80%

Conheço pouco 20%


41

4. Você acha importante a participação da Família na escola?

Sim 80%
Não 20%
Às vezes -

5. Você conhece os representantes do colegiado de sua escola?

Não conhecem 40%

Conhecem 60%

6. Dos itens abaixo, qual deles você gostaria de ter mais retorno/informações da escola?

Professores 20%

Direção 20%

Biblioteca 20%

Merenda escolar 40%

7. Você sabe qual é o método ou filosofia que a escola utiliza?

Sim 100%

Não -

8. Você foi convidado a participar do projeto político pedagógico da escola do seu filho?

Não 80%

Sim 20%

9. Qual a sua opinião sobre as reuniões marcadas pela escola?

Demonstra o interesse da escola 60%

Ótimos na teoria 20%

Não resolve o problema 20%

10. Como a Escola informa das reuniões e suas atividades?


42

Aluno entrega o bilhete 40%

Mala direta 60%

11. Quais os pontos negativos das reuniões dentro das escolas que incomodam mais?

Problemas da escola 20%

Horário das reuniões 20%

Não opinou 60%

12. Quais os pontos positivos das reuniões dentro das escolas que mais você gosta?

Ajuda aos filhos 20%

Interação com a escola 80%

DADOS SOBRE COMO OS PROFESSORES OBSERVAM A PARTICIPAÇÃO DA


FAMÍLIA NA ESCOLA PARTICULAR

13. A partição dos pais na escola se dá de que forma na instituição em que você atua?

Razoável 20%

Boa 80%

14. A que se deve a ausência dos pais?

Falta de tempo por questões de trabalho 80%

Falta de comunicação da escola 20%

15. Como é o rendimento escolar dos alunos que tem a participação da família na escola?

Bom 80 %

Ótimo 20%

16. Você acha necessário que sejam desenvolvidas atividades buscando mais participação da
43

família na escola em que você atua?


Sim 80 %
Não 20%

17. Você conhece os pais de seus alunos? Qual a média?

Não conheço nenhum 20%

50% 40%

+ de 50% 40%

3.2 ANÁLISE DOS DADOS

Conforme os resultados dos questionários respondidos por pais de alunos que estudam na
escola pública, 20% admitem que nunca participaram de algum trabalho voluntário na escola de
seu filho; 20% já participaram; 20% participam sempre e 10% alegam não ter tempo para tal e
10% não opinaram sobre o assunto.

Na escola particular 60% afirmam que participam sempre; enquanto 40% nunca
participam. Perguntados se atendem as convocações para ir à escola 100% dos pais entrevistados,
tanto da escola pública como da escola privada afirmaram que atendem sempre que chamados.

Diante desta resposta encontramos uma contradição,quando apenas 60% dos pais de
alunos da escola pública afirmam que “conhecem” a escola (o que não confere com os 100% que
afirmam que “sempre” atendem as convocações da escola); por outro lado, 40% afirmam não
conhecer a escola. Ainda de forma contraditória estão os pais de alunos da escola particular, pois,
80% afirmam não conhecer a escola (mas, como? se segundo a pesquisa, os pais vão à escola
sempre que convocados?) e 20% responderam que conhecem “pouco” a escola.

Na escola pública 100% dos pais acham importante a participação da família na escola; na
escola particular 80% respondeu que acham importante participar; 20% acham que não é
importante.

Questionados se conheciam os representantes do colegiado de sua escola, 20% dos pais da


escola pública responderam que não conhecem; e 80% responderam que conhecem. Por outro
44

lado, na escola particular 40% responderam que não conhecem os representantes do colegiado
da escola; enquanto 60% afirmaram conhecer.

Sobre os itens que gostariam de ter mais retorno/informações da escola as respostas


ficaram da seguinte forma, para a escola pública: Professores, 60%; Direção 20%; Biblioteca,
10%; Merenda escolar, 10%. Para a escola particular, as respostas foram: Professores, 20%;
Direção, 20%; Biblioteca, 20% e Merenda escolar, 40%.

Respondendo sobre o método ou filosofia que a escola utiliza, na escola pública 60%
desconhece, enquanto 40% afirmam conhecer. Entretanto, na escola particular 100% afirmam
conhecer o método utilizado.

Dos entrevistados da escola pública, 40% afirmam que não foram convidados a participar
do projeto político pedagógico da escola do seu filho; e, 60% afirmam que foram convidados; Em
contrapartida, 80% dos entrevistados da escola particular responderam que não foram convidados
e 20% afirmam que sim.

Sobre as reuniões marcadas, na escola pública, 80% acha que isso demonstra o interesse da
escola, todavia, 20% acham que tais reuniões são “ótimas na teoria”. Na escola particular, 60%
acham que isso demonstra o interesse da escola, 20% acham que tais reuniões são “ótimas na
teoria” e, 20% acham que não resolve o problema.

Quanto à forma que a escola pública informa das reuniões e suas atividades, 60% afirma
que o aluno entrega o bilhete; e, 40% recebe o aviso por mala direta. A escola particular afirma
que 40% dos alunos informam através de bilhete e, 60% através de mala direta.

Sobre os pontos negativos das reuniões dentro das escolas que incomodam mais, os pais
de alunos da escola pública responderam da seguinte forma: atraso nas reuniões, 40%; falta
retorno, 20%; horário das reuniões, 20% e, não opinaram 20%. Sobre a mesma questão, os pais
da escola particular responderam: problemas da escola, 20%; horários das reuniões, 20%, e, 60%
não opinaram.

Os pais da escola pública responderam que os pontos positivos das reuniões dentro das
escolas estão assim divididos: 60% acham que ajudamos filhos; e, 40% é uma oportunidade de
45

conhecer a escola. Dentro da escola particular 20% acha que as reuniões ajudam aos filhos; 40%
aponta como ponto positivo à interação estabelecida com a escola.

3.2.1 SOBRE COMO OS PROFESSORES OBSERVAM A PARTICIPAÇÃO DA


FAMÍLIA NA ESCOLA

Nesta pesquisa os professores também participaram do questionário, assim, na escola


pública, 40% dos professores responderam que a participação dos pais na escola se dá de forma
razoável e, 60% responderam que é uma boa participação. Por outro lado, na escola particular,
20% dos professores concordam que a participação é razoável e, 80% acham que a participação é
boa.

Para os professores da escola pública, 60% da ausência dos pais acontece por falta de tempo
por questões de trabalho, 40% por falta de comunicação. Os professores da escola particular
acreditam que 80% são ausentes por falta de tempo por questões de trabalho; e, 20% por falta de
comunicação.

Perguntados como é o rendimento escolar dos alunos que tem a participação da família na
escola, 100% dos professores da escola pública, responderam que o rendimento é bom; na escola
particular 80% acham que o rendimento é bom e 20% acham que é ótimo.

Todos os professores da escola pública acham necessário que sejam desenvolvidas


atividades buscando mais participação da família na escola; entretanto, 80% dos professores da
escola particular também concordam que sejam desenvolvidas atividades buscando mais
participação da família na escola; 20 % discordam.

Quanto à questão se os professores conhecem os pais dos alunos, as respostas dos


professores da escola pública foram tabuladas da seguinte forma: 20% dos professores conhecem
100% dos pais; 40% conhecem 50%, 20% conhecem mais de 50% e 20% conhecem menos de
50%. Na escola particular, 20% dos professores não conhecem os pais; 40% conhecem 50% dos
pais; e, 40% conhecem mais de 50% dos pais.
46

CAPÍTULO IV - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Dentro do contexto da pesquisa apresentada, com o intuito de responder à questão


norteadora colocada no primeiro capítulo, a qual questiona de que forma a relação família-escola
pode contribuir para a construção da identidade, da autonomia e cidadania do aluno,
desenvolvemos algumas considerações finais.

É possível compreender, diante da proximidade da família e da escola que, as


características e particularidades marcam a trajetória de cada família e conseqüentemente, do
educando a quem atendemos. Tais informações são dados preciosos para que possamos avaliar o
êxito de nossas ações enquanto educadores, identificar demandas e construir propostas
educacionais compatíveis com a nossa realidade.

Conforme foi possível observar nos resultados da pesquisa de campo, a ausência dos pais
se dá principalmente por falta de tempo, em função dos compromissos de trabalho, entretanto,
mesmo os pais ausentes, são concordes na opinião de que a interação entre a família e a escola só
tem a contribuir para o processo educacional. Há ainda, uma pequena parcela de pais que
responderam não achar importante a interação família – escola, e ainda, que as reuniões não
resolve o problema. Um outro aspecto apontado, trata-se da tendência que a escola tem de
reduzir a família à figura materna, não propondo atividades que envolvam a totalidade da
constituição familiar, como pais, irmãos e demais familiares.

Participar implica em ouvir e expor a opinião própria, sobretudo, trata-se da possibilidade


de uma ação coletivamente construída por todas as partes envolvidas no processo ensino-
aprendizagem, e compartilhar eqüitativamente de cada etapa do processo educacional,
resguardadas as particularidades dos sujeitos envolvidos. Ao invés da família ser chamada ou
convocada na escola apenas quando as coisas não andam bem, quando as notas estão baixas, ou
quando se precisa de uma ajuda pontual; ela deve ser vista de forma participativa, uma co-autora
do processo educativo escolar e, conseqüentemente, se envolver mais diretamente na
47

concretização do mesmo. Desta forma, respondendo a questão mencionada, observamos que a


relação família-escola é de extrema importância na construção da identidade e autonomia do
aluno, a partir do momento em que o acompanhamento desta, durante o processo educacional,
leva a aquisição de segurança por parte dos filhos, que se sentem duplamente amparados, ora
pelo professor ora pelos pais, o que irá incorrer no favorecimento do processo ensino-
aprendizagem.
48

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Espaço e Tempo, 1987.
ALTHUON, Beate. Revista pedagogia. Ano 3, nº15, ago/out. São Paulo: Art. Med, 1999.

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BRASIL. Secretaria de educação especial. Política nacional de educação especial: livro 1.
Brasília, MEC/SEESP, 1994.
BRASIL. Lei de diretrizes e bases da educação. Lei nº 9424, de dezembro de 1996.
BRASIL. Plano nacional de educação. Brasília, MEC, 2001.

CAMPOS, Jacira Calasãs, CARVALHO, Hilza A. Psicologia do desenvolvimento: influência da


família. São Paulo: EDICON, 1983.
CASTRO, Edmilson de. Família e Escola: O caos Institucional e a crise da modernidade.
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CONNEL, R.org. Estabelecendo a diferença: Escolas, famílias e divisão social. Porto Alegre:
Artes Médicas, 1995.
DIOGO, Ana Matias. Família e escolaridade. Lisboa: Colibri, 1998.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. Rio de


Janeiro: Paz e Terra, 2000.
GOKHALE, S.D. A família desaparecerá? In Revista debates sociais nº 30, ano XVI. Rio de
Janeiro, CBSSIS, 1980.
KALOUSTIAN, S.M. (org.) Família brasileira, a base de tudo. Brasília: UNICEF, 1988.
LÉVI-STRAUSS; et al. A família como instituição. Porto: Meridiano, 1977.
NÉRICI, Imídeo G. Lar, escola e educação. São Paulo: Atlas, 1972.
PARO, Vitor Henrique.Qualidade do Ensino: a contribuição dos pais. São Paulo: Xamã, 2000.

PARSONS, Talcott. "Estrutura social da família" in Anshen Ruth (org.) A Família: sua função e
destino. Lisboa: Meridiano,1971.
49

PEREIRA, P.A. Desafios contemporâneos para a sociedade e a família. In Revista Serviço Social
e Sociedade. Nº 48, Ano XVI. São Paulo: Cortez, 1995.
SETUBAL, Maria Alice. Ensinar e aprender: reflexão e criação.Vol. 1. São Paulo: USP, 2000.
SIQUEIRA, Anriet. Educação e processo. Disponível em:
<http://www.eaprender.com/conexao.asp?rgl31pagss1.matéria.> Acessado em: 20.03.2002.
TIBA, Içami. Disciplina, limite na medida certa. São Paulo: Gente, 1996.
WILKE, J.C. Disponível em: Repensando a Educação. Disponível em: < http://
www.jcwilke.com.br/hpj_at.educ.html >. Acessado em: 10.03.2002.
50

ANEXO
51

Belém, agosto de 2002.

Prezado Senhor (a),

Somos concluintes do Curso de Pedagogia da Universidade da Amazônia - UNAMA e


estamos realizando uma pesquisa de campo com o objetivo de colaborar para com as pesquisas
no âmbito da pedagogia.

Para tanto contamos com sua colaboração, desde já agradecemos.

Atenciosamente,

Cláudia Regina Macêdo


Cláudia de Souza Rocha
_____________________________________________________________________

3.1 INFORMANTE:

Escola: Pública ( ) Particular ( )

3.2 DADOS SOBRE A PARTICIPAÇÃO DOS PAIS DENTRO DA ESCOLA


1.Você participa ou já participou de algum trabalho voluntário na escola de seu filho?
( ) nunca participo ( ) já participei ( ) participo esporadicamente
( ) Participo sempre ( ) não tenho tempo ( ) não opinaram
2. Você atende as convocações de ir a escola?
Sim ( ) Não ( ) Às vezes ( )
3. Você conhece a Escola de seu filho?
Conhecem pouco ( ) Não conhecem ( ) Conhecem ( ) Não opinaram ( )
4. Você acha importante a participação da Família na escola?
Sim ( ) Não ( ) Não opinaram ( )
5. Você conhece os representantes do colegiado de sua escola?
Não conheço ( ) Conheço ( ) Não sabiam que tinha colegiados ( )
3.3.DADOS SOBRE O QUE OS PAIS ESPERAM DA ESCOLA
52

6. Dois itens abaixo, qual deles você gostaria de ter mais retorno/informações da escola?
Professores ( ) Direção ( ) Coordenação ( ) Biblioteca ( ) Merenda escolares ( ) Serviços
de secretaria ( ) Eventos ( ) Amigos de seus filhos ( ) Nenhum ( )

7. Você sabe qual é o método ou filosofia que a escola utiliza?


Sim ( ) Não ( ) Não sabem ( )
8. Você foi convidado a participar do projeto político pedagógico da escola do seu filho?
Sim ( ) Não ( )

3.4 DADOS SOBRE COMO AS ESCOLAS RECEBEM OS PAIS

9. Qual a sua opinião sobre as reuniões marcadas pela escola?


São ótimas na teoria ( ) Necessárias mas não tem tempo para participar ( ) Não resolvem os
problemas ( ) Demonstra o interesse da Escola ( ) Não opinaram ( )

10. Como a Escola informa das reuniões e suas atividades?


Boletim de notas ( ) Mala direta/correios ( ) Aluno entrega o bilhete ( ) Aluno não entrega o
bilhete ( ) Não recebe nenhuma informação ( )

11. Quais os pontos negativos das reuniões dentro das escolas que incomodam mais?
Horários das reuniões ( ) Datas das reuniões ( ) Opinião dos pais não são ouvidas ( )
Atrasos nas reuniões ( ) Falta de retorno dos problemas da escola ( ) Não opinaram ( )
12. Quais os pontos positivos das reuniões dentro das escolas que mais você gosta?
Conhece a escola ( ) Oportunidade de conhecer ( ) Melhoria do ensino ( ) Interação com a
escola ( ) Ajuda aos filhos ( ) Não opinaram ( )

3.5 DADOS SOBRE COMO OS PROFESSORES OBSERVAM A PARTICIPAÇÃO DA


FAMÍLIA NA ESCOLA
13. A participação dos pais na escola se dá de que forma na instituição que você atua?
Boa ( ) razoável ( ) péssima ( ) Muito boa ( )
14. A que se deve a ausência dos pais?
Falta de tempo por questões de trabalho ( ) Falta de comunicação da escola ( )
Falta de comunicação deles com a escola ( ) Falta de interesse e informação dos pais ( )
15. Como é o rendimento escolar dos alunos que tem a participação da família na escola?
53

Bom ( ) Médio ( ) Ótimo ( ) Ruim ( )


16. Você acha necessário que sejam desenvolvidas atividades buscando mais participação da
família na escola em que você atua?

Sim ( ) Não ( )

17. Você conhece os pais de seus alunos? Qual a média?


100% dos pais ( ) Não conheço nenhum ( ) 50% ( ) + de 50% ( ) - 50% ( )