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UNIVERSIDADE LICUNGO

FACULDADE DE ECONOMIA E GESTÃO


CURSO DE LICENCIATURA EM ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E AUTÁRQUICA
1º Ano
Disciplina: Teoria de Desenvolvimento
Nome: Ivo Marinho
Docente:
MSc. Sidney Lobo

1. Relação existente entre a Administrado Pública e Desenvolvimento


Há um evidente nexo entra a Administração Pública (AP) e o desenvolvimento económico
que experimenta um país. É evidente que a relação que existe entre a Administração pública e
desenvolvimento é de interdependência.
O Desenvolvimento mostra-se mais evidente em países nos quais as instituições e a AP
possuem tessitura descomplicada e não atrapalhem as actividades empresarias e as trocas
económicas – daí por que as reformas devem focar no sentido de favorecem o desenvolvimento
económico, com vantagens para os agentes empresarias e para a população em geral.
Antes de tudo, é essencial a eliminação ou a redução drástica das barreiras normativas e
administrativas que impedem o acesso de empresas a actividades económicas e que restringem as
trocas comerciais.
Em segundo lugar, é essencial a transparência e previsibilidade da regulação das actividades
económicas. Uma boa regulação da economia, em outras palavras, a fim de que os agentes
económicos tenham previsibilidade e de modo que os investimentos sejam incentivados. Para
Marçal Justen Filho: a regulação económico-social consiste na actividade estatal de
intervenção indirecta sobre a conduta dos sujeitos públicos e privados, de modo permanente e
sistemática, para implementar as políticas de governo e a realização dos direitos fundamentais”,
parece um pouco evidente que, a consecução dos objectivos dependerá de interacção saudável entre
governo e empresas - uma regulação normativa com transparência e previsibilidade, enfim.
Mais ainda, é preciso que a liberdade concorrencial seja garantida, o que necessita de
legislação antitrust eficaz do ponto de vista prático, garantindo o acesso ao mercado de agentes
económicos interessados, de modo a coibir-se desvios de mercado e práticas anticoncorrenciais.
2. Descrição dos elementos do Estado
São Tomás de Aquino e a doutrina de Santo Agostinho pregavam que o Estado, assim
como tudo foi criado por DEUS, ou seja, o Estado não originava-se do homem, da sociedade e da
ordem social, e sim de uma figura maior que organizou o homem, transformando-o de homem-
natural à homem-social. Contrapondo esse entendimento da origem e formação do Estado, Hobbes
entendia que homem viveria sem poder e sem organização, num estágio que ele o denominou de
estado de natureza, o qual representava uma condição de guerra. Com intuito de evitar a guerra,
Hobbes propôs que haveria à necessidade de se criar o Estado para controlar e reprimir o homem o
qual vivia em estado de natureza. O Estado seria, na visão de Hobbes, o único capaz de entregar a
paz, e para tanto o homem deveria ser supervisionado pelo Ente Estatal legitimado por um contrato
social.
Este ponto, o contrato social tem como objectivo, nas palavras de Rosseau: encontrar uma
forma de associação que defenda e proteja a pessoa e os bens de cada associação de qualquer força
comum, e pela qual, cada um, unindo-se a todos, não obedeça, portanto, senão a si mesmo, ficando
assim tão livre como dantes. o Estado seria uma organização social, dotada de poder e com
autoridade para determinar o comportamento de todo o grupo.
A palavra Estado vem do latim status que significa posição e ordem.
Essa posição e ordem transmitem a ideia de manifestação de poder, ou seja, podemos conceituar
que estado uma forma de sociedade organizada politicamente.
É uma sociedade natural, no sentido de que decorre naturalmente do fato de os homens
viverem necessariamente em sociedade e aspirarem naturalmente realizar o bem geral que lhes é
próprio, isto é, o bem público. Por isso e para isso a sociedade se organiza em Estado.
“O Estado é uma sociedade politicamente organizada porque é uma comunidade constituída
por uma ordem coercitiva.
John Locke pregava que os homens que se uniram com intuito de forma uma sociedade
abdicavam de uma parcela de sua liberdade natural, sem autorizar que as regras seriam impostas
unilateralmente por um soberano, mas sim, através de um pacto social, ou seja, acabando com a
indivisibilidade do Estado proposta por Hobbes.
O Estado possui três elementos constitutivos, sendo que a falta de qualquer elemento
descaracteriza a formação do Estado. Para o reconhecimento do Estado perfeito se faz necessário a
presença do povo, território e soberania.
Povo é a população do Estado, considerada sob o aspecto puramente jurídico, é o grupo
humano encarado na sua integração numa ordem estatal determinada, é o conjunto de indivíduos
sujeitos às mesmas leis, são os súditos, os cidadãos de um mesmo Estado.
O povo é o elemento humano na formação do Estado, posto que não há Estado sem
população, sem pessoas.
O segundo elemento essencial à existência do Estado é o território, a base física, a porção do
globo por ele ocupada, que serve de limite à sua jurisdição e lhe fornece recursos materiais. O
território é o pais propriamente dito, e portanto pais não se confunde com povo ou nação, e não é
sinónimo de Estado, do qual constitui apenas um elemento. A especificação territorial do Estado,
como elemento constitutivo de seu reconhecimento destaca o critério espacial (aonde) ocorrerá à
incidência de normas jurídicas.
A unidade do território de Estado e, portanto, a unidade territorial do Estado, é uma unidade
jurídica, não geográfica ou natural. Porque o território do Estado, na verdade, nada mais é que a
esfera territorial de validade da ordem jurídica chamada Estado”.
E, ainda, podemos destacar que o território não compreende unicamente o solo, mas também
o subsolo e o espaço aéreo, mar, ilhas, ou seja, a união de todas as especificidades
do signo território demarca o domínio (regulamentar) do Estado.
A soberania do Estado encontra-se intrinsecamente no segundo elemento constitutivo e será
exercida em seu território e essa transporta a ideia de ordem interna, com poder de impor
determinações e condições, isto é: regulamentar a ordem social interna.
A afirmação de que a soberania é uma qualidade essencial do Estado significa que o Estado
é uma autoridade suprema. A “autoridade” costuma ser definida como o direito ou poder de emitir
comandos obrigatórios. O poder efectivo de forçar os outros a certa conduta não basta para
constituir uma autoridade.
Soberania é tanto a força ou o sistema de força que decide do destino dos povos, que dá
nascimento ao Estado Moderno e preside ao seu desenvolvimento, quanto a expressão jurídica dessa
força no Estado constituído segundo os imperativos éticos, económicos, religiosos etc., da
comunidade nacional, mas não é nenhum desses elementos separadamente: a soberania é sempre
sócio-jurídico-política, ou não é soberania.
A soberania, em outras palavras, é a capacidade jurídica e territorial de autodeterminação,
fixando competências dentro do território estatal e limitando a invasão de outro Estado.

3. Exemplos práticos de eficiência, eficácia e efectividade


A eficiência é a dimensão do desempenho expressa pela relação do processo envolvido, seu
meio. Assim, possui foco interno e refere-se aos CUSTOS envolvidos. é quando algo é realizado da
melhor maneira possível, ou seja, com menos desperdício ou em menor tempo. Exemplo: Por
exemplo, um funcionário que chega todos os dias no horário certo para trabalhar, que preenche um
formulário de forma correcta, que entrega uma mercadoria ao seu destino etc. é considerado
eficiente, já que ele cumpriu adequadamente com algo esperado.
A eficácia é a dimensão do desempenho expressa pelo alcance dos objectivos ou metas,
independentemente dos custos implicados. Possui foco externo e refere-se aos resultados. é quando
um projecto/produto/pessoa atinge o objectivo ou a meta. Exemplo: O engenheiro terminou as
entregas do projecto antes do prazo previsto, ou seja, ele demonstrou eficácia em realizar seu
trabalho, cumprindo o mesmo dentro do período que lhe foi proposto.
A efectividade é a dimensão do desempenho que representa a relação entre os resultados
alcançados e as transformações ocorridas.  Possui foco externo e refere-se aos IMPACTOS. é a
capacidade de fazer uma coisa (eficácia) da melhor maneira possível (eficiência). Exemplo:
a efectividade trabalhista de um funcionário público. A efectividade na administração está ligada à
particularidade daquilo que é capaz de atingir suas metas.

4. Definições das palavras Crescimento Económico e Desenvolvimento na visão de três


autores.

Arthur Lewis
Lewis definiu o crescimento económico como um processo de desenvolvimento económico
acelerado com o objectivo de eliminação do atraso económico. Isso significaria dizer que um país
subdesenvolvido deve ter taxas de crescimento do PIB per capita ou do PIB, superiores as de uma
país desenvolvido

Adam Smith
Segundo Smith, o crescimento económico seria impulsionado pelo amor-próprio dos
homens, que os faria preocuparem-se com seus próprios interesses, e assim aumentaria a renda
nacional que seria redistribuída para todas através do mecanismo da mão invisível  (Valente, 2007).
A teoria económica de Smith, é uma teoria do crescimento económico, cuja variável determinante
desse crescimento é a variação anual do produto per capita da sociedade. Essa variação anual do
produto seria obtida através de ganhos de produtividade por parte dos trabalhadores produtivos,  o
que seria uma consequência do aumento da divisão do trabalho,  além de factores institucionais e
legais  (Passos, 2006).
O crescimento tem também uma ordem natural em Smith (que só é alterada quando o
governo passa a interrompê-la) para a organização das manufacturas, do comércio exterior e da
agricultura: “As terras precisam ser cultivadas antes que alguma cidade tenha se estabelecido, e
algum tipo de indústria ou manufactura precisa existir na cidade antes que desenvolva-se o
comércio exterior... O desenvolvimento económico segue esta ordem “natural” para Smith e um
constante aumento da produtividade nestes três sectores, propiciaria um crescimento económico.
Uma alta produtividade conciliaria também altos salários devido aos baixos custos de manufactura.
O crescimento económico é também em Smith sinónimo de desenvolvimento económico, e a
questão aqui gira em torno do “egoísmo”, do individualismo, e por isso é essencial em Smith a
liberdade como um dos valores, ou virtudes mais importantes que assegurem o individualismo.

David Hume
O crescimento económico é aumento sustentado da actividade económica. A sua avaliação
faz-se através da análise de índices como o Produto Interno Bruto (PIB) ou Produto Nacional Bruto
(PNB). O termo crescimento distingue-se de desenvolvimento por significar um aumento
quantitativo da produção, cujas consequências serão o enriquecimento da nação, mas sem a
preocupação exacta da melhoria das condições de vida. Contrapõe-se, por isso, ao desenvolvimento,
que, para além do crescimento propriamente dito, pressupõe a sua repercussão na qualidade de vida
das pessoas da sociedade.

David Hume
Entende que desenvolvimento pode ser definido como a garantia da segurança do Estado,
uma vida social civilizada, liberdade política e sobretudo o desenvolvimento pleno dos talentos
humanos e outros meios legítimos para alcançar a satisfação humana. Para que esses objectivos
sejam alcançados, a prosperidade e o crescimento económico são fundamentais.

Hirschman
Hirschman, o desenvolvimento refere-se, antes de mais nada, à “mobilização de habilidades
e recursos ocultos”. Em seu dizer, “o desenvolvimento não depende tanto de encontrar óptima
confluência de certos recursos e factores de produção, quanto de provocar e mobilizar com
propósito desenvolvimentista, os recursos e as aptidões que se acham ocultos, dispersos ou mal
empregados” (HIRSCHMAN, 1961, p. 19). Esses recursos ocultos, também denominados por ele de
“racionalidades ocultas”, estão sempre em processo de crescimento e mudança, e são definitivos
para lutar contra o que ele mesmo chamava, ao analisar os projectos de desenvolvimento, de
“síndrome do economista visitante” e de “fracassomania nativa” (BLANCO, 2013).

Saviotti e Metcalfe
De acordo com Saviotti e Metcalfe (1991), para essa vertente teórica, o desenvolvimento
(económico) consiste na adição ao sistema de elementos institucionais e tecnológicos
qualitativamente diferentes daqueles que o compunham anteriormente, o que explica o forte vínculo
com Schumpeter. Há, neste ponto, uma analogia biológica com a emergência de novas espécies e
com a extinção de espécies mais antigas. Assim sendo, explanar-se-á na sequência como a
economia evolucionista concebe a mudança tecnológica – sempre conectada ao contexto
institucional – e qual é seu papel na dinâmica do desenvolvimento capitalista.

Bibliografia
Passos, Eduardo Schmidt. (2006). Das Adam Smith Problem” – Uma Análise Comparativa
Das Obras A Teoria Dos Sentimentos Morais E A Riqueza Das Nações De Adam
Smith. Florianópolis.
Valente, Roberto Franco. (2007).  A Riquza das Nações de Adam Smith. [ed.] P.J. O’Rourke.
Rio de Janeiro : ZAHAR.
Cerqueira, Hugo E. A. Da Gama. (2004). Adam Smith e o Surgimento do Discurso
Económico.  São Paulo : Revista de Economia Política.
DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de teoria geral do estado. (2007). 26. ed. São
Paulo: Saraiva.
HOBBES, Thomas. (2003). Levita ou matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e
civil. São Paulo: Martin Claret.
LOCKE, John. (2001.) Segundo Tradado sobre o Governo Civil e Outros Escritos. 3 ed.
Petrópolis: Vozes.
ROSSEAU, Jean-Jacques. (1762) O Contrato Social. Rio de Janeiro: Tecnoprint.

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