Você está na página 1de 9

Porque Deus perdoou o adultério de Davi?

Tem um ditado que diz que não existe regra sem exceção. Na bíblia somente Deus pode abrir
exceções as regras. Nós não podemos ferir algum princípio ou mandamento de Deus imposto
na bíblia alegando que Deus aprova, tolera os termos como base os erros de alguns do
passado. Nem tudo o que muitos deles fizeram foi aprovado por Deus. Muitos casos foram
tolerados, mas não aceito e sofreram as consequências mesmo Deus tendo os perdoado, como
Sansão, Jacó, Noé e outros que erraram, se arrependeram, Deus is perdoou, mas pagaram por
isso.

Muitos fazem questionamentos acerca de Davi ter sido perdoado do adultério sendo que este
pecado era condenado com a morte, como também o homicida era condenado a morte e Davi
cometeu os dois, o adultério e o homicídio.

Se o caso de Davi tivesse sido tratado por juízes humanos certamente Davi e Bateseba teriam
sido mortos, mas o caso de Davi foi tratado diretamente com Deus pois se tratava de uma
pessoa diferente. Um ímpio que nunca teve comunhão com Deus e nem vai ter, seu
arrependimento não passa de um remorso pela consequência do erro.

É o mesmo arrependimento de um ladrão que roubou um banco e foi preso, daí perguntam
para ele se ele está arrependido e ele diz que sim. Mas o arrependimento dele não é por ter
roubado, mas não ter dado certo o seu roubo. Se tivesse dado certo ele não estaria
arrependido. O arrependimento de Davi foi genuíno, o arrependimento que leva a mudança, e
não um remorso pela consequência que depois que passa volta a fazer tudo de novo.

A forma que Deus trata um incrédulo não é a mesma forma que trata com um que conhece a
verdade, isso vale para todos os tempos. Deus vai tratar com a pessoa pelo conhecimento que
ela tem com ele. A quem muito for dado, muito será cobrado.

Deus tratou diretamente com Deus, o arrependimento de Davi não foi apenas um remorso
pela consequência, mas foi do profundo do coração dele tanto que Deus o perdoou, vemos no
(salmo 51). Davi teve que ser lapidado por Deus.

Mas antes de dizer por que Deus o perdoou sabendo que deveria ter sido executado, deixo
claro que perdão nem sempre significa isenção das consequências. Deus perdoou Davi mas ele
pagou caro pelo seu erro. Perdeu seu filho. A reputação dele foi manchada. Veja (2 Samuel 12).

Deus suspendeu a pena de morte a Davi nem tanto pelo fato de ter se arrependido, senão os
outros que adulterasse e se arrependessem também teriam que ser poupados da morte,
senão nesse caso, Davi seria um privilegiado. Mas Deus teria que vindicar a si mesmo e sua
justiça diante de Israel pelo resto da vida de Davi. Deus tinha prometido que seu reino seria
para sempre (2 Sm 7.12-16). Deus fez com concerto com Davi. Deus olhou para sua própria
reputação diante do povo e soube lidar com o caso de Davi.

Deus achou um coração arrependido em Davi, o que não foi caso de Saul que perdeu seu reino
por não ter se arrependido, Saul tinha um coração duro, se ele tivesse um coração semelhante
ao de Davi poderíamos crer que Deus tivesse o perdoado e não tirado seu reino. Deus
repreendeu Saul por intermédio de Samuel, da mesma forma que repreendeu Davi por
intermédio do profeta Natã. A diferença foi Davi se arrependeu e Saul não.

Deus é soberano e trata com as pessoas como quer. Os inimigos de Deus sempre usam
histórias com estas para por em xeque o caráter de Deus. Porque Deus descontou no filho
dele? Em (Dt 24.16) diz que os filhos não podem ser mortos por causa dos pais. Em (Ezequiel
18) diz que "filhos não levam os pecados dos pais e os pais dos filhos".

As consequências do pecado de Davi fizeram com ele visse a gravidade e as consequências do


pecado. Se ele morresse não teria tido todas as experiências de transformação. Não foi a
mesma coisa de um criminoso irrecuperável que foi executado e caso não fosse voltaria a
cometer crimes. Houve um propósito em cima do erro dele que Deus soube trabalhar e deixou
uma lição que serve para os dias de Hoje.

Ela era uma linda e jovem mulher casada, sem filhos, no frescor da feminilidade dos seus
19 anos. Não judia, de família honrada e nobre, era filha de Eliã, um dos 30 principais
valentes do exército israelita, e seu avô Aitofel era um sábio estrategista, conselheiro de
guerra do rei Davi. Seu marido, Urias, heteu convertido ao judaísmo, era um dentre os 30
mais fiéis soldados-heróis do exército de Israel.

Bate-Seba veio a se tornar o pivô da mais triste e lamentável nódoa na biografia do bom e
querido rei Davi, com ingredientes hollywoodianos de adultério, traição e assassinato frio e
premeditado por parte daquele que se considera como tendo sido o maior rei de Israel.

VISÃO DO TERRAÇO
No recôndito indevassável do jardim interno de seu lar, numa casa típica das famílias
nobres de Jerusalém, estava Bate-Seba tomando banho, alheia ao fato de que, do
privilegiado terraço do palácio real, Davi a espionava, invadindo sua privacidade, e que,
extasiado com sua beleza, a desejou com todo o vigor da virilidade dos seus cerca de 40
anos.

Não era para o rei estar ali. Era primavera, época em que os reis saíam à guerra, e ninguém
poderia sequer imaginar que Davi, cuja vitória sobre o gigante Golias o catapultara
instantaneamente à invejável condição de herói nacional, e cujo máximo prazer era liderar
seu exército à frente de renhidas batalhas, desta vez havia ordenado que Joabe e seus
comandados fossem à guerra sem ele.
Quedou-se Davi mentalmente a degustar as glórias de sua fama em função de suas
fantásticas conquistas, num afago ao ego por sua reconhecida e decantada inteligência e
valentia: bonito, atraente, poeta, músico, cantor, salmista, temido e respeitado guerreiro, não
existia rei como ele! E permitiu que seus pensamentos fluíssem ao léu, dando asas à
imaginação…

Ao flagrar Bate-Seba em seu banho (cerimonial, de purificação?), sob o rubor da


integridade moral estampado em sua face, Davi deveria ter desviado o olhar e fugido em
respeito à intimidade dela, ainda mais sendo ele o líder espiritual de Israel.

Deveria, mas não o fez. Ao contrário, quanto mais se demorava em contemplar a


estonteante beleza de Bate-Seba, obcecado por cada gesto, mais o fogo da paixão o
inflamava, a tal ponto que racionalizou: “Afinal, não sou o rei? Aos reis nada é vedado.
Tenho esse direito.”

Davi indagou quem era aquela mulher, e recebeu informações pormenorizadas dos
informantes, talvez na sutil esperança de demovê-lo de suas previsíveis más intenções: “É
BateSeba, filha de Eliã, mulher de Urias, heteu, fiel soldado do seu exército, que está no
campo de batalha, arriscando a própria vida em defesa do nosso povo…” (ver 2Sm 11:3).
Porém, o grande dominador Davi deixou-se dominar por seus instintos carnais, e ninguém o
demoveria de sua decisão. Ordenou que fossem buscá-la.

Intrigada, sem sequer imaginar as pretensões do rei, Bate-Seba, sem hesitar, os acompanhou
servilmente, como era próprio das mulheres e dos súditos da época. E então, surpreendida,
acuada, subjugada por um rei todo-poderoso, sem outra opção, ela se submeteu
passivamente aos irrefreáveis caprichos e desejos de Davi.

Mas por que não resistiu? Por que não gritou? Simples: de que adiantaria? Quem se
arriscaria a tentar livrá-la de um rei considerado pelo próprio Deus um guerreiro
sanguinário? (1Cr 28:3).

Ato contínuo, saciado em sua avassaladora e inconsequente volúpia, indiferente aos mais
íntimos sentimentos de Bate-Seba, ele a despediu secretamente. Mas aquilo com que Davi
não contava aconteceu. Discretamente, ela lhe enviou uma mensagem: “Estou grávida!”

No laconismo desse recado, evidenciam-se dois fatos: (1) seu banho realmente não havia
sido uma exibição sensual e provocativa, a fim de atrair a atenção do rei, como alguns
insinuam (um forjado álibi dos “advogados” de Davi, para atenuar a extensão de sua
queda); (2) durante um mês inteiro, Bate-Seba, na solidão da sua casa, quedou-se reclusa no
seu canto, sem buscar contato com Davi, o que seria próprio de uma mulher leviana e
chantagista, como se busca injustamente imputar ao seu caráter, e só o contactou após se
certificar de sua gravidez, com a quebra do ciclo menstrual (não havia exames
laboratoriais).

O PLANO ESTRATÉGICO
O estrategista Davi, então, arquitetou um “infalível” plano. Usando suas prerrogativas de
comandante-em-chefe do exército, mais que depressa mandou tirar Urias do campo de
batalha, levou-o até o palácio, e, com palavras lisonjeiras, ofereceu-lhe um lauto banquete,
regado com o melhor vinho, após o que, com presentes e um salvo-conduto real, instou-o a
ir para casa e gozar as legítimas delícias matrimoniais com sua jovem e bela mulher, como
se fosse um prêmio por sua bravura.
O relato evidencia a intenção de Davi em que a gravidez fosse atribuída ao próprio marido.
Quem sabe, se Urias tivesse caído na armadilha, sob os auspícios e a liberação do rei, e
estivesse com Bate-Seba, além de lhe atribuir a paternidade do seu filho, Davi poderia até
condená-lo a apedrejamento, por ter infringido as práticas de guerra da época.

No entanto, Urias era mais nobre e fiel ao Deus de Israel do que o Seu ungido: “A arca,
Israel e Judá ficam em tendas. Joabe, meu senhor, e os servos de meu senhor estão
acampados ao ar livre. Como poderia eu ir para casa, comer e beber e me deitar com a
minha mulher? Juro pela vida do rei que não faria tal coisa” (2Sm 11:11).

Davi tudo fez para convencer Urias, oferecendo-lhe novo banquete mais farto e
embebedando-o com o mais fino dos vinhos de sua adega real. Mas Urias manteve firme
sua consciência religiosa e ética, e não desceu à sua casa. Com obstinada fidelidade, acabou
por levar em mãos sua própria sentença de morte, assinada pelo rei, numa trama sórdida e -
calculista, acobertada pelo general Joabe, que mais tarde traiu sua fidelidade a Davi.

Respeitados os dias de luto (segundo o costume, uma semana), na vã tentativa de ele


próprio assumir a gravidez, Davi tomou Bate-Seba como sua mulher. Mas ambos sofreram
amargamente a doença mortal que atingiu seu inocente primogênito, com apenas um aninho
de vida.

Desse casamento legítimo, posto que Bate-Seba havia ficado viúva, mas imoral, dadas as
artimanhas que o possibilitaram, nasceram mais quatro filhos, dentre os quais o rei
Salomão, de cuja descendência veio ninguém menos que o Salvador da humanidade! E o
evangelista, apesar de evitar mencionar seu nome, inclui BateSeba na genealogia de Jesus
(Mt 1:6)!

O PECADO DO REI
Não há como atribuir culpa alguma a Bate-Seba em todo esse imbróglio, na velada intenção
de atenuar a culpa de Davi. Sintomaticamente, a Bíblia e Ellen White silenciam sobre sua
participação, um silêncio eloquente, referindo-se única e exclusivamente ao “pecado de
Davi”. Mas por que, na ausência de registro contra ou a favor, opta-se pelo contra? Seria
por se tratar de uma mulher, via de regra incriminada como corruptora?

Várias opções têm sido oferecidas: (1) BateSeba banhava-se “em público”, “sensualmente”,
para atrair a atenção de Davi; (2) sabendo-se muito bonita, ela teria se envaidecido por ter
sido escolhida dentre todas as mulheres de Israel, que adorariam estar em seu lugar; (3) ela
não teria sido forçada pelos emissários do rei, tendo aceitado ir ter com Davi
espontaneamente; (4) ela teria participado na trama da morte de Urias, para livrar a própria
pele do apedrejamento; (5) Davi e Bate-Seba tiveram vários encontros de prazer, até que ela
engravidou, o que foge totalmente da revelação direta da Palavra (2Sm 11:4, 5). Quanta
imaginação fértil, tendenciosa, sem a mais remota evidência escriturística!

Em contraposição, nas sete vezes em que Ellen White se refere a Bate-Seba, em nenhuma
delas a mulher tem sua conduta moral desabonada. Em duas dessas referências, a
mensageira indica, de forma sensível e cristalina, que ela não foi cúmplice, mas vítima:
“Passando-se o tempo, o pecado de Davi contra Bate-Seba se tornou conhecido, e despertou
a suspeita de que ele havia tramado a morte de Urias” (Patriarcas e Profetas, p. 720). “Davi
tinha cometido um grave pecado, tanto contra Urias como contra Bate-Seba, e intensamente
o sentia. Mas infinitamente maior era seu pecado contra Deus” (p. 722).
A inteligente alegoria que o profeta Natã, inspirado pelo Espírito Santo, enunciou a Davi,
comparando Bate-Seba a uma ovelhinha frágil, indefesa, inocente, que o “homem rico”
matou (moralmente), é tão contundente que Davi se sentiu sensibilizado e, num impulso de
justificada ira e revolta, foi movido a usar de sua autoridade e declarar uma sentença real:
“Morte a esse homem!” Ao dizer isso, Davi estava sentenciando a si mesmo, tanto que o
profeta Natã lhe disse: “Também o Senhor perdoou o seu pecado; você não morrerá” (2Sm
12:13).

O drama (i)moral que Bate-Seba involuntariamente protagonizou era de tal gravidade para a
cultura oriental que seu avô Aitofel bandeou-se para o lado de Absalão, como que para
“lavar a honra” maculada de sua família pelo ato de Davi.

Felizmente, para nosso ensino e advertência, a Palavra de Deus revela, sem rodeios e
subterfúgios, as gravíssimas consequências dos impensados e condenáveis atos de Davi e,
por extensão, de todos nós. Mas, de igual modo, para nossa inspiração, nos belíssimos e
tocantes Salmos 32 e 51 está registrada a profundidade do seu arrependimento, num arroubo
poético de rara beleza e sinceridade.

É bonito constatar que, por divina inspiração, a Bíblia relata que Davi teve a honestidade
moral e espiritual de assumir as consequências dos seus atos pecaminosos, eximindo
totalmente Bate-Seba de culpa (ver Sl 32:1-5; 51:3, 4, 7, 8).

Atente-se para a dramaticidade do registro do seu profundo remorso e o patético relato de


seu jejum, por sete dias, intercedendo em angústia pelo filho de apenas um aninho,
acometido de mortal enfermidade, fruto inocente de sua insensatez (2Sm 12:15-23).

Embora Deus tivesse dito a Samuel que encontraria um homem segundo o Seu coração para
suceder Saul, foi a partir do inspirador desfecho dessa amarga experiência que ao nome de
Davi, como num sobrenome restaurador, se acrescentou carinhosamente o qualificativo “o
homem segundo o coração de Deus” (1Sm 13:14; At 13:22). Os evangelistas e os
contemporâneos de Jesus se referem a Ele como “filho de Davi”, admirado e até hoje muito
amado.

Após esse triste episódio, Davi reinou ainda por cerca de 30 anos e, como havia profetizado
Natã, a espada nunca se afastou do seu reinado (2Sm 12:9-15).

Queira Deus que, mercê da imerecida graça divina, tenhamos o privilégio e a alegria de
testemunhar a comovente cena do reencontro entre Urias, Bate-Seba, Davi e o anônimo
bebê, num longo e forte abraço de perdão e restauração, sob o sorriso feliz e o satisfeito
olhar de Jesus!

FRANCISCO GONÇALVES, graduado em Teologia e pós-graduado em Gestão


Empresarial, foi barítono da 7a formação dos Arautos do Rei (1979-1980)
(Artigo publicado originalmente na edição de março de 2021 da Revista Adventista)
Última atualização em 8 de março de 2021 por Márcio Tonetti.
I. ESCOLHAS ERRADAS E SUAS CONSEQUÊNCIAS
A decisão de Davi, após olhar para Bate-Seba, de mandar buscá-la e deitar-se com ela,
cometendo adultério, desencadeou em outras escolhas erradas, na tentativa de esconder
seu pecado. Tudo isso, inevitavelmente, resultou em terríveis consequências não só para
eles, mas também, para suas respectivas famílias.

Após ter-se deitado com Davi, Bate-Seba achou-se grávida (2Sm 11.4-5). E quando
informado disso, na tentativa de esconder o que havia feito, Davi mandou buscar Urias,
esposo de Bate-Seba, sugerindo-lhe que retornasse para sua casa. O intenção de Davi,
friamente calculada, era que Urias se deitasse com sua esposa (11.6-8), pois, uma vez
que tivesse contato íntimo com Bate-Seba, provavelmente consideraria que o filho que
ela estava gerando fosse seu – assim, tudo estaria resolvido e Davi e Bate-Seba teriam
encoberto sua transgressão.

Urias, no entanto, não aceitou ir para casa, deitando-se à porta da casa real. Ele se
sentia mal diante daquele “privilégio”, pois sabia que seus companheiros estavam no
desconforto da batalha. Ele julgava-se no dever de voltar para ajudá-los. Isto levou o rei
Davi a tomar outra escolha errada. Por meio do próprio Urias, ele encaminhou uma carta
a seu oficial Joabe, para que o colocasse no local da batalha onde a peleja estivesse mais
difícil, para que então fosse ferido e morresse. E foi o que aconteceu. Urias foi morto e
Davi tomou Bate-Seba para ser sua mulher. Para Davi parecia que tudo estava resolvido.

Na vida as escolhas erradas que fazemos, sempre terão suas consequências. O que
sucedeu com Davi e Bate-Seba é demonstração disto. Aprendemos na Bíblia que aquilo
que semearmos isso ceifaremos (Gl 6.7). “Porque o que semeia para a sua própria carne
da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida
eterna” (Gl 6.8). Davi e Bate-Seba semearam corrupção e tiveram que colher as
consequências de seus atos. Isto porque de Deus não se zomba (Gl 6.7). Os homens
podiam ignorar o que Davi e Bate-Seba fizeram, mas Deus que sonda os corações e
conhece todas as coisas, sabia o que eles haviam feito (Sl 139). Nada ficou encoberto aos
olhos do Senhor, que no tempo próprio enviou até Davi o profeta Natã, para repreendê-lo
(2Sm 12.1-15).
Nas palavras do Senhor por intermédio do profeta Natã, as ações pecaminosas de Davi e
as suas escolhas erradas, teriam consequências que afetariam tanto ele como a Bate-
Seba e a sua família, por um longo período da vida deles. Situações surgiriam como
resultado do pecado deles, mas também como manifestação do juízo de Deus por causa
de suas transgressões. Davi demonstrou-se arrependimento pelo que fez, foi perdoado
(2Sm 12.13), mas ainda assim teve de enfrentar as consequências das suas escolhas.

Primeiro, foi a morte do filho que Bate-Seba estava gerando: “o SENHOR feriu a criança
que a mulher de Urias dera à luz a Davi; e a criança adoeceu gravemente” e “ao sétimo
dia morreu a criança” (2Sm 12.15,18).

Depois, surgiram outras consequências. O Senhor por intermédio do profeta Natã,


profetizou que a espada jamais se afastaria da casa de Davi. Assim como Urias foi morto
de forma violenta, assim também a violência não se apartaria da casa de Davi. Então,
tempos depois, seu filho Absalão, assassinaria seu próprio irmão Amnom, como vingança,
por ter este estuprado a irmã deles, Tamar (2Sm 13.1-36). Isso fez com que Joabe
matasse Absalão (2Sm 18.14-15).

Mas estas não foram as únicas e trágicas consequências. Conforme as palavras do Senhor,
da própria casa de Davi, seria levantado alguém que tomaria suas mulheres e se deitaria
com elas à vista de todos (2Sm 12.11-12). Aquilo que o rei havia feito as escondidas,
agora seria realizado as claras. Isso começou a se cumprir quando Absalão pôs fim a sua
fuga, depois de matar seu irmão Amnom, retornando para sua casa. Ele se revoltou
contra seu pai Davi, que teve de fugir por causa de sua conspiração, incitando o povo
contra o rei. Então, Absalão deitou-se com as concubinas de Davi (2Sm 16.20-23). Davi
enfrentou em tal situação grande angústia (Sl 3) visto que, era perseguido por seu próprio
filho, que cessou de persegui-lo, somente depois que foi morto por Joabe, oficial do
exército de Davi. Somente com a morte de seu filho, Davi teve seu reino restituído e
pôde voltar para sua casa (2Sm 19.11-15).

A história de Davi e Bate-Seba, de suas escolhas erradas e consequências trágicas,


permanece por todos os tempos, como um alerta para todo crente na hora de fazer suas
escolhas. Para todas escolhas erradas existe um preço a ser pago. Dependendo das
escolhas erradas que fizermos, o preço poderá ser alto demais, como foi o preço pago por
Davi e Bate-Seba. Portanto, sabendo que não podemos ser inconsequentes em nossas
escolhas, procuremos fazer escolhas acertadas, sempre fundamentadas na Palavra de
Deus.

III. A BÊNÇÃO DO PERDÃO E SUAS CONSEQUÊNCIAS


A despeito dos pecados cometidos principalmente por Davi, e também por Bate-Seba,
Deus os perdoou. O perdão foi declarado logo depois de Davi reconhecer sua culpa: “…
disse Davi a Natã: Pequei contra o SENHOR. Disse Natã a Davi: Também o SENHOR te
perdoou o teu pecado; não morrerás” (2Sm 12.13). Já foi demonstrado que Davi colheu
consequências por causa de suas culpas. Isto quer dizer que receber perdão divino não
implica na anulação das consequências das suas escolhas.

No salmo 51, escrito por Davi quando o profeta Natã foi ter com ele, depois de haver ele
possuído Bate-Seba, encontramos a confissão do rei de forma bastante detalhada, na
qual reconhece suas culpas. Davi demonstra nesse salmo a certeza que tem de que Deus
pôde perdoá-lo e restaurar sua vida, restituindo-lhe a alegria da salvação (Sl 51.12).
Se por um lado, a história de Davi serve como alerta de como podemos cair em tremenda
transgressão e ruína espiritual, por outro, por maior que seja a nossa culpa, mesmo que
seja na proporção da culpa de Davi, ou até maior, aprendemos sobre a grandeza da ação
misericordiosa de Deus. Na descrição do perdão divino concedido a Davi, podemos
entender a profundidade das palavras do profeta Jeremias: “As misericórdias do SENHOR
são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim;
renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade” (Lm 3.22-23).

Por maior que seja a culpa de alguém, não é suficiente grande em comparação a
grandeza do amor e misericórdia de Deus, que são manifestados em Cristo Jesus,
mediante o seu sacrifício na cruz (Rm 5.1-11). Paulo diz que “onde abundou o pecado,
superabundou a graça” (Rm 5.20). Por maior que fosse a culpa e os pecados de Davi, a
graça do Senhor era muito maior, sendo poderosa para perdoá-lo e superar sua culpa.

O perdão de pecados está disponível a todos que arrependidos confessarem os seus


pecados a Deus (1Jo 1.9). As Escrituras nos levam à certeza de que todas as vezes que
confessarmos os nossos pecados, Deus em sua fidelidade e justiça, satisfeitas
inteiramente em Cristo, nos perdoará. Davi foi perdoado imediatamente após ter
reconhecido sua culpa (2Sm 12.13).

É preciso, também, entender que a certeza do perdão de Deus não deve servir como
licença para pecar (Rm 6.1-14). Ela serve de conforto e amparo para que, quando
pecarmos, podermos recorrer a nosso Advogado e lhe suplicar auxílio e perdão (1Jo 2.1-
2). Temos de nos esforçar para não fazermos   escolhas erradas, que nos levem ao
pecado. Mas se pecarmos, temos a certeza confortadora do perdão.

Além da bênção do perdão, Davi e Bate-Seba foram abençoados com um filho. Assim
nasceu Salomão. Com esse nascimento seus pais foram consolados pela perda do primeiro
filho. A essa criança o profeta Natã havia dado o nome de Jedidias, que significa
literalmente “Amado do Senhor”. Este seria também alguém usado por Deus em seu
serviço, pois se tornaria rei em lugar de seu pai e seria o responsável pela construção do
templo de Jerusalém (2Cr 3.1-2). Salomão se destacou por sua grande sabedoria (2 Cr
1.7-13).

O nascimento de Salomão é a demonstração de que Deus está sempre pronto a abençoar


seus servos, a despeito de não merecerem nada de suas mãos. Podemos perceber como a
graça de Deus supera nossos pecados e deméritos. Davi havia se arrependido, recebido o
perdão e agora tinha a oportunidade, juntamente com Bate-Seba, de ser instrumento das
bênçãos de Deus e alvo de sua graça.

O fato mais significativo relacionado ao nascimento de Salomão está em que dele


descenderia Cristo Jesus. Isto é destacado por Mateus na genealogia que apresenta de
Jesus: “Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias” (Mt
1.6). Nota-se que Mateus, inspirado pelo Espírito Santo ao escrever sobre a genealogia de
Cristo, não deixou de lembrar que Salomão era filho de Davi com a mulher que fora
esposa de Urias. Apesar do pecado de Davi e Bate-Seba, a graça do Senhor tornou
possível, por meio deles, o nascimento daquele de quem descenderia o Messias.

Por meio desses fatos, que demonstram a bênção de Deus sobre Davi e Bate-Seba, somos
encorajados e confortados, pois verificamos que os pecados perdoados do passado não
podem interferir ou impedir que sejamos abençoados por Deus. Deus não mais se lembra
das transgressões passadas praticadas por nós e perdoadas em Cristo. Assim não deixa de
derramar sobre nós suas bênçãos.

CONCLUSÃO
A história de Davi e Bate-Seba, demonstra que na vida cada escolha feita de forma errada
resultará em consequências desastrosas. Vimos que a escolha de Davi foi determinada por
seu descuido espiritual. No entanto, apesar do grande pecado cometido por ele e Bate-
Seba, dos desdobramentos de suas escolhas e das trágicas consequências, Deus
demonstrou sua graça e amor, restaurando-os, perdoando-os e ainda mais, concedendo a
eles a oportunidade de terem outro filho, de quem descenderia o Messias, o Salvador
Jesus.

APLICAÇÃO
Agora que você aprendeu sobre Davi e Bate-Seba e sobre as consequências trágicas de
suas escolhas, avalie sua vida verificando em quais áreas você tem pecado contra o
Senhor. Confesse cada um dos seus erros e dispondo-se a abandoná-los. Lembre-se de
que é indispensável você manter vigilância para que suas escolhas sejam sempre feitas
segundo a instrução da Palavra de Deus. E não se esqueça de sempre render louvores ao
Senhor pelo perdão que ele concede a você, bem como, por sua infinita graça que é
revelada na continuidade de suas bênçãos em sua vida, apesar de seus erros.

Você também pode gostar