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Roteiro Básico para Exportação

1. APRESENTAÇÃO

2. CONTATO COM O IMPORTADOR


2.1 - Contato Preliminar
2.2 - Contato de Cotação

3. ANÁLISE DO PEDIDO

4. PREPARAÇÃO DA MERCADORIA E DEMAIS DOCUMENTOS PARA EMBARQUE


4.1 - Preparação da Mercadoria
4.2 - Romaneio ou Packing List
4.3 - RE – Registro de Exportação
4.4 - Nota Fiscal
4.5 - Conhecimento de Embarque
4.6 - Certificados

5. PREPARAÇÃO DOS DOCUMENTOS APÓS O EMBARQUE DA MERCADORIA


5.1 - Fatura Comercial:
5.2 - Saque ou Cambial:
5.3 - Certificado ou Apólice de Seguro:
5.4 - Fatura e/ou Visto Consular:
5.5 - Conhecimento de Embarque:
5.6 - Carta de Crédito:
5.7 - Certificados:
5.8 - Carta de Entrega:

6. PARTICULARIDADES
6.1 - Documentos Necessários
6.2 - Operações de Câmbio
6.3 - Exportação em Consignação
6.4 - Amostras
6.5 - Pequenas Encomendas
6.6 - Drawback
6.7 - Drawback - Interno
6.8 - Siscomex – Sistema Integrado de Comércio Exterior
6.9 - Preço de Exportação

7. EXEMPLO PRÁTICO DE PREÇO DE EXPORTAÇÃO


1. APRESENTAÇÃO

O objetivo deste roteiro é permitir ao interessado ter, mediante a leitura de itens seqüenciais,
um conhecimento dos principais passos que devem ser seguidos, a fim de se atingir o alvo
final: embarque da mercadoria e recebimento das divisas dela resultantes, pela exportação de
seus produtos.

Uma exportação, para que possa ser concretizada, exige a preparação da empresa, seja ela
industrial ou comercial, uma vez que há necessidade de ser encontrado, no exterior, um
parceiro que esteja convencido de que a aquisição do produto que se almeja exportar irá
atender ao desenvolvimento de suas atividades.

Ao elaborarmos o presente roteiro, que mais se assemelha a uma seqüência de itens que
deverão ser cumpridos para uma exportação, não tivemos em mente formar alguém para a
atividade, mas mostrar o caminho a ser percorrido para que uma empresa possa entrar no
mercado internacional e, o mais importante, aí permanecer.

A abertura de mercado permite relativa liberdade na prática das importações, tornando-as


menos restritivas, trazendo, como conseqüência, um natural impulso nas exportações, uma vez
que somente com a prática do comércio, na amplitude de seu termo, há possibilidade do
alcance do desenvolvimento.

Antes da tomada de decisão sobre seu ingresso na atividade exportadora, a empresa deve
avaliar, com profundidade, suas reais perspectivas, no sentido de resultar em benefícios para
seu desempenho como um todo. Esta diversificação a que se lança redundará numa ampliação
das atividades comerciais e, por conseguinte, na redução dos riscos da empresa em seu
contexto geral.
Ao decidir alcançar o exterior com seus produtos, deve a empresa, além das providências que
se seguem, respeitar a seqüência de passos que são mencionados posteriormente.

• Credenciamento junto ao Sistema Integrado de Comércio Exterior – Siscomex. Este


expediente visa possibilitar à empresa exportadora a obtenção de “senha” para que possa
operar o sistema informatizado. Na parte final deste Roteiro, em “particularidades”, podem ser
encontrados os procedimentos para esta providência;
• Definição dos produtos que se pretende exportar;
• Verificação minuciosa das exigências ou controles administrativos a que se subordinam os
produtos eleitos para representar nossas exportações.
Analisados os aspectos mencionados, deverão ser cumpridos os seguintes passos:

2. CONTATO COM O IMPORTADOR

Ao ser detectada a existência de um possível importador, deve-se providenciar a formalização


do contato. Este é regularmente dividido em duas partes bem definidas, a saber:

2.1 - Contato Preliminar

Este primeiro contato deve ser entendido como aquele que visa detectar um comprador para o
produto, sendo, por esta razão, denominado de contato preliminar ou exploratório. Seu objetivo
é o de levar a conhecer, ao interessado, no exterior, que o exportador existe e que seu produto
também. Conseguindo, por este primeiro contato, despertar o interesse do possível comprador,
o exportador partirá para o contato de cotação propriamente dito.

2.2 - Contato de Cotação

Consiste, em geral, em remeter ao interessado a Fatura Pro Forma de um produto. Esta, é


também conhecida no comércio internacional por Pro Forma Invoice.

A Fatura Pro Forma conterá todas as particularidades e condições que o exportador precisa
cumprir para a venda de um produto ao exterior.

Assim, essa fatura conterá, obrigatoriamente, os seguintes itens:

a) denominação Fatura Pro Forma;


b) caracterização adequada do possível comprador ou destinatário;
c) descrição do produto (deve ser a mais precisa possível);
d) modalidade da venda (baseia-se, em geral, nos Incoterms revisão 2000 e define quais os
deveres e direitos do vendedor e do comprador, em uma operação internacional de
mercadorias, podendo ser FOB, CFR e outras);
e) condições de pagamento (aqui o exportador deve reunir certos conhecimentos para poder
optar pela condição que mais se adequará às diretrizes de sua empresa. Apenas a título
exemplificativo, as condições usuais no comércio internacional são: pagamento antecipado,
cobrança e carta de crédito);
f) embalagem de apresentação e de transporte;
g) volumes mínimos e máximos que o exportador poderá respeitar;
h) transporte internacional (nas modalidades CFR e CIF, este será pago pelo exportador e
reembolsado pelo importador quando do pagamento da operação. Assim, o conhecimento de
embarque que acompanhará a mercadoria levará a indicação prepaid. Na modalidade FOB, o
pagamento do frete será feito pelo importador e o conhecimento de embarque levará a
observação collect);
i) seguro internacional (na modalidade CIF, o seguro é contratado pelo exportador e, por
conseqüência, é ele também quem efetua o pagamento, recebendo do importador o valor
correspondente, quando do resgate da operação);
j) preço do produto (este deverá abranger todos os itens que compõem a operação: em termos
de prazo, quantidade, forma de pagamento, tipo de embalagem etc.);
l) prazo de entrega (sempre o exportador deverá, quando oferecer seu produto, fixar para o
comprador o prazo de que necessitará, a contar da data do recebimento do pedido, para ter
disponível a mercadoria para embarque. Este prazo não pode deixar de levar em conta a
existência de transporte);
m) validade da cotação (indicará por quanto tempo ou até que data as condições poderão ser
consideradas “firmes” para o comprador no exterior);
n) fontes de referência (normalmente este item é parte integrante de uma primeira cotação de
produto daquele comprador e seu objetivo é o de permitir que, para o futuro, o exportador
possa estar munido de informações cadastrais que poderão vir a lhe permitir a prática de uma
condição de pagamento mais acessível, sem a exigência de eventuais garantias);
o) documentos (normalmente quando se faz uma cotação, são indicados aqueles que, como
regra, o exportador remete. Essa forma de agir visa dar conhecimento prévio ao importador
para que, no caso de precisar de outros documentos para atender exigências da legislação de
seu país, estes possam vir a ser solicitados). Concluída a fase de cotação, o exportador fica na
expectativa de um pedido por parte do importador.

3. ANÁLISE DO PEDIDO

O recebimento do pedido ou da carta de crédito dá início a uma nova fase de providências a


serem tomadas pelo exportador com vistas ao integral respeito às condições expressas na
compra. Tanto em um caso como em outro, é necessária uma análise detalhada de todos os
seus elementos.
Esta providência é desenvolvida comparando-se a cotação ou Fatura Pro Forma com o
conteúdo do pedido ou carta de crédito.
Encontrando-se as condições expressas nesses documentos conforme aquelas constantes da
cotação, o exportador ingressa numa nova etapa de decisões administrativas, ou seja, na
preparação da mercadoria e dos documentos necessários à execução da encomenda, tanto
para fins de transporte da mercadoria até o destino estipulado como também para a devida
negociação com os bancos.
4. PREPARAÇÃO DA MERCADORIA E DEMAIS DOCUMENTOS PARA EMBARQUE

4.1 - Preparação da Mercadoria

A preparação e embalagem da mercadoria a ser exportada, ao ser concluída, resultará no


documento denominado Romaneio ou Packing List.
4.2 - Romaneio ou Packing List

Este documento é necessário para o desembaraço da mercadoria, tanto na saída promovida


pelo exportador como também para orientar o importador (quando da chegada da mercadoria
no país de destino), pois indica os volumes e respectivos conteúdos.

4.3 - RE – Registro de Exportação

De posse do Romaneio, torna-se possível o preenchimento do RE, no Siscomex – Sistema


Integrado de Comércio Exterior. Para esta providência, o exportador deverá estar credenciado,
mediante “senha”, a fim de operar o sistema. Como regra geral, todos os produtos destinados à
exportação estão sujeitos ao RE. Apenas as operações relacionadas no Anexo “A” da Portaria
Secex nº 12/03, de 03/09/03, é que gozam da dispensa deste registro. Atualmente, mesmo os
casos arrolados no mencionado anexo, devem ser exportados por meio da DSE – Declaração
Simplificada de Exportação.

4.4 - Nota Fiscal

Preparado o RE, o passo seguinte é a emissão da nota fiscal que acompanhará a mercadoria
desde a saída do estabelecimento até seu efetivo desembaraço para o exterior.

4.5 - Conhecimento de Embarque

Este documento é emitido pelo transportador internacional da mercadoria ou seu agente, sendo
primordial a negociação com o banco no qual estiver sendo conduzida a operação.

4.6 - Certificados

Dependendo da mercadoria que se esteja embarcando para o exterior, poderá vir a ser exigido
algum certificado que ateste a qualidade ou certas especificações do produto, seja para
atender imposições da legislação brasileira, ou exigências do importador face às normas
vigentes em seu país.

5. PREPARAÇÃO DOS DOCUMENTOS APÓS O EMBARQUE DA MERCADORIA

Embarcada a mercadoria para o exterior, inicia-se nova fase, que poderia ser denominada de
preparação dos documentos necessários à negociação da operação com o banco. Quando a
operação estiver amparada por carta de crédito, o exportador deve redobrar suas atenções
para a confecção dos documentos, visto que estes deverão respeitar rigorosamente o contido
nesse instrumento de pagamento.
Os documentos usualmente exigidos para a negociação com os bancos são:

5.1 - Fatura Comercial:

Documento elaborado, como regra, após a efetivação do embarque, devendo conter todos os
elementos básicos da operação.

5.2 - Saque ou Cambial:

Também denominado draft, representa o título de crédito da operação.


5.3 - Certificado ou Apólice de Seguro:

Necessária sua apresentação nas operações conduzidas sob a modalidade CIF ou equivalente.

5.4 - Fatura e/ou Visto Consular:

Necessária quando o país de destino da mercadoria impuser a apresentação deste documento.


5.5 - Conhecimento de Embarque:

Seus originais são documentos básicos para a negociação, uma vez que o importador os
utilizará para o desembaraço da mercadoria no destino.
5.6 - Carta de Crédito:

Nas operações conduzidas sob esta condição de pagamento, o original deste documento é
imprescindível para que o exportador possa concretizar a entrega e o recebimento de seu valor
junto ao banco.
5.7 - Certificados:
Tanto aqueles certificados porventura exigidos para o embarque da mercadoria para o exterior
como também aqueles que atestam a origem do produto exportado devem fazer parte dos
documentos que estão sendo negociados.
5.8 - Carta de Entrega:

Consiste em uma carta na qual são relacionados todos os documentos que estão sendo
negociados (entregues ao banco). A cópia desta carta, devidamente protocolada pelo banco,
representa a prova do exportador ter cumprido o compromisso de negociar os documentos,
imposto pelo Banco Central do Brasil.

6. PARTICULARIDADES

A título de particularidades que devem ser cumpridas em um processo de exportação, são


apresentados a seguir alguns itens que poderão auxiliar no seu desenvolvimento:
6.1 - Documentos Necessários

a) para trânsito interno das mercadorias: nota fiscal;

b) para fins de embarque para o exterior: nota fiscal; conhecimento de embarque; RE –


Registro de Exportação; romaneio ou packing list; certificados (se necessários);

c) para fins de negociação com o banco: fatura comercial; conhecimento de embarque; original
da carta de crédito (se essa for a condição de pagamento); saque ou cambial; certificado ou
apólice de seguro (se exigido pela operação); fatura e/ou visto consular (se exigido);
certificados - tanto aqueles utilizados para o embarque como também os de origem (quando
solicitados); romaneio ou packing list; carta de entrega;

d) para fins fiscais e contábeis (sempre por cópias): contrato de câmbio e alterações (se
houver); protocolo da carta de negociação; comprovante de exportação - Siscomex; nota fiscal
e nota fiscal complementar (se houver); certificado ou apólice de seguro (se for o caso);
conhecimento de embarque; fatura comercial.

6.2 - Operações de Câmbio

É pela contratação do câmbio que o exportador recebe o valor de sua operação de exportação,
convertido em reais pelo banco. Esta operação poderá ser praticada em duas épocas, a saber:

a) antes do embarque da mercadoria para o exterior: até 360 dias.

b) posteriormente ao embarque: até 180 dias após o embarque, limitado ao vigésimo dia
seguinte à data do efetivo ingresso das divisas;

c) operações com margem não sacada: contratação do valor (apenas a parcela não sacada),
até a data de vencimento do prazo concedido pela Secex; ou até o vigésimo dia seguinte à
data do recebimento das divisas;

d) mercadorias em consignação: contratação até o vigésimo dia seguinte ao do recebimento da


moeda estrangeira;

e) proibição de contratação após o embarque: aqueles que estiverem envolvidos em operação


anormal ou procedimento irregular na área de câmbio ou de comércio exterior; aos que
mantiverem pendente a contratação de câmbio posteriormente ao embarque, após o prazo
regularmente fixado; aos que mantiverem pendente a aplicação de suas operações de câmbio
celebradas prévia ou posteriormente ao embarque, aos respectivos “RE”; aos que
habitualmente descumprem as normas de contratação ou de provisionamento do respectivo
contrato.

A negociação da operação no banco, assim entendida a providência de apresentação dos


documentos relacionados na carta de entrega, deverá respeitar o prazo máximo de quinze dias,
a contar da data do embarque.

6.3 - Exportação em Consignação

Consignar uma mercadoria a outrem é autorizar que uma terceira pessoa negocie o bem. Na
exportação, a consignação é admitida, exceto para os produtos relacionados no Anexo “F” da
Portaria Secex no 12/03.

Esta alternativa de operação permite ao exportador brasileiro, mediante a colocação do produto


no exterior, avaliar a receptividade do mercado em relação ao produto, permitindo, inclusive,
que a proximidade da mercadoria e, conseqüentemente, a rapidez da entrega, criem condições
de melhor competitividade e preço. As operações em consignação têm, como regra, um prazo
limite de 180 dias para sua concretização, ou seja, o produto assim remetido poderá
permanecer por esse período no exterior, para que seja vendido.

Por outro lado, as mercadorias relativas aos capítulos 2 a 13 e 23 da NCM/SH, têm 90 dias
como prazo máximo. Decorridos esses prazos os bens assim remetidos deverão retornar ao
Brasil. Analisando-se esta operação por uma ótica comercial, pode-se denominá-la “atraente”,
principalmente para aquelas empresas que pretendem avaliar as possibilidades de
comercialização de certos produtos em determinados mercados no exterior.
Ao ser enfocada essa forma de operar, deve-se fazê-la sob dois aspectos determinantes:

a) a saída para o exterior é conduzida “com cobertura cambial”, recebendo o código Siscomex
80102, para as mercadorias em geral e, 80114, quando se tratar da remessa de produtos cujo
prazo máximo é de 90 dias;
b) o destinatário da mercadoria deverá estar vinculado ao exportador, através de contrato,
estipulando as regras a serem respeitadas para a operação: responsabilidade pela
armazenagem e seguro; compromisso de venda no decorrer do prazo estabelecido;
compromisso de remeter as divisas apuradas com a venda nos prazos constantes do contrato;
preços mínimos que poderão ser praticados para a concretização da operação comercial e
outros.

6.4 - Amostras

O item “amostras”, importante no dia-a-dia do exportador, é um assunto que merece especial


consideração face às normas administrativas que o cercam e, também, pelo fato de se tratar de
remessa ao exterior sem cobertura cambial. As amostras, assim caracterizadas como as
remessas de bens sem destinação comercial, devem ser analisadas sob dois aspectos:

Até dez mil dólares ou seu equivalente em outras moedas, mediante a elaboração de DSE –
Declaração Simplificada de Exportação, e, acima deste valor, através do RE – Registro de
Exportação, no Siscomex. O mencionado RE recebe o código 99101 de enquadramento da
operação;
Da mesma forma como no caso anterior, porém dispensada da emissão do RE, podem ser
remetidas amostras até o valor de cinco mil dólares ou seu equivalente em outras moedas,
desde que sejam respeitadas as seguintes particularidades: aquelas representadas por
quantidades, fragmentos ou partes de qualquer mercadoria, estritamente necessárias para dar
a conhecer sua natureza, espécie ou qualidade.
Para esta alternativa recomenda-se a utilização da DSE – Declaração Simplificada de
Exportação.

6.5 - Pequenas Encomendas

Apesar de não serem caracterizadas como amostras, as pequenas encomendas remetidas


sem destinação comercial e sem cobertura cambial são dispensadas do RE junto ao
SISCOMEX. Também neste caso atualmente se recomenda a utilização da DSE.
6.6 - Drawback
O drawback, apesar de ser um processo de importação, é uma operação de extrema
importância no contexto das exportações, uma vez que consiste na aquisição, no exterior, de
insumos (matérias-primas, materiais secundários, embalagens e partes e peças), destinados à
produção de bens exportados ou a exportar. Essa aquisição é caracterizada como um
incentivo, pelo fato de ser desonerada dos impostos normais que gravam os produtos
importados.

O incentivo do drawback, assim conhecido no âmbito das exportações, é uma operação que
permite ao fabricante-exportador a utilização de insumos importados que apresentem melhor
qualidade, menor preço e maior rapidez de entrega, quando comparados com similares
nacionais, permitindo a obtenção de um produto em melhores condições ou custo e prazo de
entrega mais consentâneos aos compromissos assumidos com a exportação do produto final,
não implicando a mencionada importação em verificação de existência de similaridade ou
mesmo o transporte em navio ou embarcação de bandeira brasileira.

6.7 - Drawback - Interno

Apesar de ser normalmente denominada no meio exportador drawback – interno, a operação,


criada pelo artigo 3o da Lei no 8.402/92, consiste em permitir a aquisição de insumos no
mercado interno com o mesmo regime e tratamento fiscal deferido às importações
desoneradas, feitas sob o regime de drawback. Essa operação de suspensão do IPI nas
compras internas de insumos deverá ser precedida de aprovação do “plano de exportação”
previamente apresentado à Secretaria da Receita Federal – SRF, conforme preceitua a
Instrução Normativa DpRF no 84/92.

6.8 - Siscomex – Sistema Integrado de Comércio Exterior

O Siscomex – Sistema Integrado de Comércio Exterior, é um sistema informatizado de registro,


acompanhamento e controle computadorizado de informações, criado pelo Decreto no 660, de
25/09/92. Sua implantação ocorreu em 04/01/93, para as exportações.

Para as importações seu emprego teve início em 01/01/97, quando passou a vigorar no País
um efetivo sistema integrado de comércio exterior, de alta confiabilidade, operado através da
rede Serpro. A empresa, para operar no comércio internacional por meio do Siscomex, deverá
se credenciar junto à Receita Federal, mediante a concessão de uma “senha”, a qual permitirá
proceder aos registros exigidos que, na exportação, são:

a) RE – Registro de Exportação: exigido para todas as operações de exportação, ficando


dispensadas apenas aquelas relacionadas no Anexo “A” da Portaria Secex no 12/03. Deve-se
lembrar que as operações constantes do mencionado Anexo “A” devem ser amparadas por
DSE, conforme determina a Instrução Normativa SRF no 155/99.
b) RV – Registro de Venda: necessário somente para as exportações de produtos cuja
negociação tenha sido feita por meio de bolsas internacionais;
c) DDE – Declaração de Despacho de Exportação: normalmente acessada pelo despachante
da empresa, visando tornar a operação apta ao desembaraço aduaneiro de exportação;
d) RC – Registro de Operação de Crédito: elaborado antes do RE, sendo necessário apenas
para as operações financiadas, ou seja, aquelas que tiverem prazo de pagamento superior a
180 dias a contar da data de seu embarque para o exterior.

Para o processamento de suas operações pelo Siscomex, o exportador deverá avaliar as


vantagens de operar com terminal próprio, na empresa, ou de utilizar terminais de terceiros.
Tanto os bancos como as corretoras de câmbio têm condições de operar o sistema através do
Sisbacen, onde se encontram conectados. Essa alternativa de operar elimina a necessidade de
o exportador ter seu terminal próprio quando o volume de operações for reduzido na empresa.

6.9 - Preço de Exportação

Um dos problemas mais comuns enfrentados pela empresa que se propõe a exportar e, até
mesmo, para aquelas que já exportam, tem sido a determinação do preço de exportação do
produto, que nem sempre proporciona satisfação quanto aos seus resultados.

É preciso saber que a determinação do preço de exportação de um produto envolve, além dos
problemas relativos aos custos, as peculiaridades ligadas ao mercado alvo das investidas.
Apesar de o mercado internacional não dispor de órgãos oficiais controladores de preços ou de
margens de ganhos, mister se faz lembrar que dispõe de instrumento que poderia ser
considerado muito mais rigoroso, representado pela concorrência internacional.

A competitividade, quer em termos de preços como também em relação à qualidade dos


produtos, é um fator de alta relevância a se considerar quando a empresa apresenta interesse
em comercializar com o exterior. Ao se estudar o preço de exportação, torna-se primordial a
orientação do cálculo de forma técnica, para ser definido aquilo que se convencionou
denominar de “preço-piso”.

Este, além dos custos, conteria a margem mínima de lucro destinada a remunerar o
investimento. A eventual ampliação desta margem passaria a se constituir uma atribuição da
área comercial, mediante a análise da maior ou menor possibilidade de penetração que o
produto poderia vir a representar para os diferentes mercados almejados.

A fim de se tornar competitivo internacionalmente, o caminho mais sensato seria:


– definir o preço com base nos elementos técnicos da empresa;
– fixar a margem de lucro, de acordo com as experiências acumuladas nos diferentes
mercados.

É preciso que, quando do cálculo do preço de exportação de um produto, também sejam


computados os tratamentos fiscais diferenciados dos quais, em geral, gozam os produtos em
suas saídas para a comercialização externa. Outra observação de relevada importância, no
momento em que a empresa se propõe a empreender o cálculo do preço de produtos
destinados ao mercado da exportação, é o fato de ser uma prática comum tomar por base o
preço de mercado interno e, sobre este preço, proceder aos ajustes necessários, adequando-o
àquele objetivo.

Adotando-se essa conduta, deve-se agir assim:


– excluir todos os tributos e contribuições que estiverem nele embutidos e que não ocorrerão
em sua exportação, por isenção, imunidade ou não incidência;
– deduzir todos os demais elementos que, apesar de constantes no mercado interno, não
ocorrerão com sua exportação, destacando-se:

• comissão de vendedor;
• embalagem;
• despesas de distribuição;
• despesas de propaganda;
• margem de lucro, caso se pretenda adotar margem diferenciada na exportação;
• outras parcelas que não deverão ocorrer na exportação;
• incluir todas as parcelas que farão parte do preço de exportação, dentre elas:
• embalagem;
• despesas de movimentação do produto, desde o estabelecimento até seu efetivo
desembaraço e embarque para o exterior;
• comissão de agente ou representante (se houver);
• margem de lucro esperada;
• outras parcelas que se fizerem necessárias;
• eventuais impostos sobre a exportação (se houver).

Com a adoção de tais providências, poderá o exportador analisar a composição de seu preço e
adaptá-lo às particularidades de cada mercado que aspira atingir.
7. EXEMPLO PRÁTICO DE PREÇO DE EXPORTAÇÃO

Preço de mercado interno (preço de lista) ..................... R$ 7.000,00


ICMS ..................................................................... 18%
Cofins .................................................................... 7,6%
PIS ........................................................................ 1,65%
Lucro de mercado interno ........................................... 10%
Comissão de vendedor, no mercado interno ................... 3%
Propaganda de mercado interno .................................. 0,35%
Despesas de distribuição no mercado interno ................. 1%
Embalagem de mercado interno ................................... R$ 70,00
Embalagem de exportação ......................................... R$ 85,00
Comissão de agente no exterior .................................. 3% sobre FOB
Lucro esperado na exportação .................................... 10% sobre FOB
Despesas até o efetivo embarque para o exterior ............ 1,8% sobre FOB

Para se calcular o preço de exportação, adota-se o seguinte procedimento:

a) excluem-se todas as parcelas que compõem o preço de mercado interno que não
ocorrerão na exportação (ICMS, Cofins, PIS, lucro de mercado interno, comissão de
vendedor no mercado interno, propaganda de mercado interno, despesas de
distribuição de mercado interno e embalagem de mercado interno);

b) adicionam-se todos os componentes que não faziam parte do preço de mercado


interno mas que ocorrerão na exportação (embalagem de exportação, comissão de
agente no exterior, lucro esperado na exportação e despesas até o efetivo
embarque para o exterior);

c) adotando-se os procedimentos acima, teremos:

Preço ....................................................................... R$ 7.000,00

(-) ICMS: 18% ........................................................... 1.260,00

(-) Cofins: 7,6% ......................................................... 532,00

(-) PIS: 1,65% ........................................................... 115,50

(-) Lucro de mercado interno: 10% ............................ 700,00


(-) Comissão de vendedor, mercado interno: 3% ....... 210,00

(-) Propaganda de mercado interno: 0,35% ............... 24,50

(-) Despesa de distribuição, mercado interno: 1% ...... 70,00

(-) Embalagem de mercado interno: .......................... 70,00

= Subtotal ................................................................ R$ 4.018,00

O subtotal de R$ 4.018,00 representa o valor do preço de mercado interno com a


exclusão de todas as parcelas nele contidas e que não ocorrerão na composição do
preço de exportação.

Ao mencionado subtotal deverão ser agregadas todas as parcelas que farão parte
do preço de exportação, a saber: embalagem, comissão de agente, lucro e
despesas até o efetivo embarque.

Como para a embalagem de exportação foi estipulado um valor absoluto de R$


85,00, adicionamos inicialmente este para, a seguir, serem adicionados os demais
que foram estipulados em percentuais sobre o valor FOB.

R$ 4.018,00 + R$ 85,00 = R$ 4.103,00

A soma dos percentuais que deveremos agregar é assim composta:

Comissão de agente .............. 3% sobre FOB

Lucro desejado ...................... 10% sobre FOB

Despesas até embarque ......... 1,8% sobre FOB

Total ..................................... 14,8% sobre FOB

Para agregarmos o percentual e obtermos como resultado o valor FOB, adotaremos


o procedimento do cálculo "por dentro". Para tanto recorreremos à regra de três
simples, assim demonstrada:

4.103,00 = 100% (-) 14,8%

ou
4.103,00 = 85,2% x = 100%

dividindo-se:

4.103,00 por 0,852

teremos:

R$ 4.815,73

Admitindo-se uma taxa cambial comercial de compra de R$ 2,98, teremos:

R$ 4.815,73 : 2,98 = FOB US$ 1,616.02