Você está na página 1de 9

RESPOSTA AOS PORTUGUESES

Coordenação do “Comité Para um Acordo Europeu dos Trabalhadores”

Caros amigos, caros camaradas e colegas,

Acabamos de receber um Apelo/Carta Aberta dos nossos amigos portugueses que


connosco criaram, na Conferência de Berlim, o “Comité Para um Acordo Europeu dos
Trabalhadores”.
Através deste premente apelo, face à situação dramática do seu país, convidam para
uma Conferência de urgência em Lisboa, a 18 e 19 de Junho próximos.
Como sabem, o governo de Sócrates pediu recentemente a demissão, após a Central
Sindical CGTP ter recusado assinar o Plano Estabilidade e Crescimento. Novas eleições
foram fixadas para 5 de Junho.
Os nossos amigos portugueses apresentam uma lista de candidatos a estas eleições,
sob a palavra de ordem central: “RETIRADA DO MEMORANDO DESTRUIDOR DA
TROIKA”. Fazem-no numa situação em que os três grandes partidos se comprometeram
a aprovar este memorando. Qualquer que seja a saída das eleições, será pois
necessário que o novo Governo aplique este memorando, sob a imposição da troika.
Isto faz desaparecer Portugal como nação soberana.
Os camaradas portugueses dirigem-se aos camaradas de toda a Europa: “Precisamos
de vocês, como vocês precisam de nós!”.
Queremos responder a este apelo com a maior adesão e de forma resoluta.
Convidamos todos os membros do “Comité Para um Acordo Europeu dos
Trabalhadores” a examinar de imediato as suas possibilidades para uma reunião
comum com os nossos amigos portugueses em Lisboa a 18 e 19 de Junho. O curto
espaço permitirá apenas uma primeira Conferência de urgência em Lisboa. Isto dar-
nos-á ocasião para elaborar, a partir de Lisboa, um apelo comum para uma nova
Conferência europeia no Outono.

Caros amigos e camaradas:


A Conferência terá lugar no Sábado, 18 de Junho, das 14h às 20h e no Domingo, 19 de
Junho, das 9h 30m às 13h.
A Conferência terá lugar na sede do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa,
sindicato da FENPROF, aderente da CGTP.
Informem-nos, por favor, tão depressa quanto possível:

1. Quem e quantos de entre vós participarão no encontro de urgência em Lisboa a


18 e 19 de Junho;
2. As horas de chegada e partida, a fim de que os nossos amigos portugueses
possam organizar o local de reunião e o alojamento em consequência.
A pedido dos amigos portugueses, enviamos em anexo o apelo à Conferência de
urgência e o seu manifesto eleitoral (textos em alemão, francês, inglês e espanhol).

Saudações solidárias,

Pela Coordenação do “Comité Para um Acordo Europeu dos Trabalhadores”


1
Carla Boulboullé

Berlin, 18 de Maio de 2011

Grã-Bretanha
Aos camaradas Portugueses organizadores da Conferência de Lisboa

Caros camaradas,

O camarada Geoff Martin - antigo responsável da Unison em Londres indica que se


associa e subscreve o vosso apelo à Conferência de Lisboa, na qual infelizmente não
poderá participar.

Ele assina o apelo em nome da campanha que dirige: Health Emergency Campaign -
Campanha em defesa do Serviço de Saúde

Mike Calvert

Secretário Adjunto da Secção Unison de Islington (a título pessoal)

Comité britânico de acompanhamento da Conferência de Argel

---------------------------------------------------------------------------------------------

Hungria
Caros camaradas,

Nós, militantes operários húngaros, estamos convosco nesta batalha. O nosso país está
na mesma situação que o vosso, imposta pelas exigências da União Europeia e do FMI.
Estamos ao vosso lado para derrubar a ditadura do capital financeiro e dos seus
representantes.

Retirada do memorando destruidor da Troika!

Anyiszonyan Klàra (funcionário público), Asztalos Làszlo (sindicalista), Hajek Csaba


(trabalhador), Somi Judit (ex-professor), Raska Tamàs (estudante)

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Irlanda
Caro camarada,

O sindicato Mandate (dos trabalhadores da grande distribuição e das fábricas de


destilação) transmite-vos o seu apoio e dar-vos-á, logo que possível, uma resposta
quanto à sua participação na Conferência.

Aileen Morrissey

National Coordinator of Training (Coordenador Nacional dos Estágios)

2
Mandate Organising and Training Centre (Centro de Organização e Estágio do Sindicato
– Mandate)
Distillery Road
Dublin 3

Espanha
Mensagem para os organizadores da Conferência de Lisboa

Nós, trabalhadores e sindicalistas de Sevilha, participaremos na Conferência


internacional de Lisboa, dos dias 19 e 20 de Junho.

Eu sou membro do Conselho Confederal das Comisiones Obreras (CCOO) e votei contra
o ASE (Acordo Social e Económico) que reduz as pensões de aposentação.

Nós estamos a preparar uma Conferência operária visando a construção de uma


alternativa política para os trabalhadores e os jovens. O Apelo a esta Conferência tem
como título "Trabalho com direitos, habitação e democracia", e parte da luta dos jovens
e da necessidade de uma resposta dos trabalhadores e das suas organizações a esta
situação. Uma resposta que só é possível se os dirigentes das organizações operárias
romperem com a política do “diálogo social”.

Luis González

Sevilha, 31 de Maio de 2011

Suécia
Aos organizadores da Conferência de Lisboa

Em 2003, o povo sueco disse “não” num referendo sobre a entrada da Suécia na Zona
Euro. Aquando da campanha pelo “Não”, nós previmos o afundamento do euro, a mais
ou menos longo prazo. As diferenças económicas entre as várias nações da Europa são
incompatíveis com uma taxa de juro comum fixada pelo BCE.

Também sublinhámos que o euro conduziria à destruição dos sistemas nacionais de


protecção social, assim como à negação da soberania de cada nação – e isto
unicamente em proveito das ambições imperialistas da União Europeia.

Agora, vemos que Portugal, a Grécia, a Irlanda, etc., estão a sofrer terríveis
consequências por causa de terem sido privados da sua soberania financeira – o que
significa que a baixa do custo do trabalho e terríveis ataques no orçamento do sector
público constituem as únicas medidas preconizadas pelos Eurocratas para enfrentar a
crise económica.

3
Actualmente, quando o sistema da Europa está à beira do abismo – as exigências da
Troika e do Memorando do FMI constituem um golpe devastador dado na soberania de
Portugal e retiram qualquer sentido às próximas eleições.

Na reunião do seu Conselho de Administração, realizado neste fim-de-semana, o nosso


movimento – o Movimento Popular sueco pelo “Não à União Europeia” – decidiu dar
todo o seu apoio ao povo português, na sua resistência a estas medidas de
austeridade, um combate em que também estão a ser defendidos os interesses do
povo sueco.

O Conselho de Administração mandatou-me para participar na vossa importante


Conferência de Lisboa, a 18 e 19 de Junho, onde representarei em particular a
componente sindical do Movimento Popular sueco pelo “Não à União Europeia”.

Jan-Erik Gustafsson

Presidente do Movimento Popular sueco pelo “Não à União Europeia”

Nigéria
Uma reacção do sindicalista da Nigéria que participou na Conferência de Argel, de
Novembro de 2010, em resposta à «Carta de um sindicalista português (ver anexo)»

Se lhe for permitido ficar, a “Troika” portuguesa – tal como foi anunciado pelo FMI e os
seus cruéis colaboradores – levará a uma autocracia (ditadura) e, por fim, à escravidão
económica. Esta invasão dos actuais direitos económicos e sociais dos trabalhadores e
das populações de Portugal precisa de ser contestada e derrotada pelos trabalhadores
conscientes de todo o mundo.

Se esta política primitiva não for vigorosamente contestada, ela poderá ser um padrão
– uma espécie de modelo – para a repressão dos direitos dos trabalhadores, a nível
global.

Promise Adewusi, mni.

Nigeria Labour Congress (Congresso dos Trabalhadores da Nigéria)

ANEXO - Carta de um militante sindicalista de Portugal

«Retirada do plano da “Troika” (FMI / Comissão Europeia / BCE)!»

Caros amigos, caros camaradas,

Recebemos a Carta de convite ao Encontro do AIT em Genebra, a 4 e 5 de Junho.

4
Partilhamos todas as preocupações expressas na Carta assinada pelos camaradas Abdelmadjid Sidi-Saïd,
Roger Sandri, Patrick Hébert, Louisa Hanoune et Daniel Gluckstein. Queremos apresentar-vos uma ilustração
dessas preocupações.

Vocês talvez saibam que um plano, de uma brutalidade sem precedentes, acaba de ser imposto a Portugal pela
“Troika” composta pelo Fundo Monetário Internacional, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu.

Nenhum aspecto da vida e das conquistas dos trabalhadores portugueses escapará a este plano de destruição.
Nós vamos dar-vos as exigências brutais da “Troika” que estão contidas neste plano:

«Cortes nas pensões de aposentação

— “Diminuir o montante das pensões superiores a 1 500 euros” (§ 1.11).


— “Suspender a aplicação dos mecanismos de indexação das pensões e congelamento das pensões em 2012”
(§ 1.12).

Aumento dos impostos e das taxas sobre os produtos e serviços de primeira necessidade

— “Aplicar IRS a todos os tipos de transferências sociais em dinheiro” (§ 1.21).


— “Aumentar as receitas do IVA”, em particular “reduzindo as isenções” e “movendo categorias de bens e
serviços dos escalões reduzido e intermédio para os escalões mais altos do IVA” (§ 1.23).
— “Aumento dos impostos” sobre os automóveis, o tabaco e electricidade (§ 1.24).

Privatização total dos serviços públicos e aumento das tarifas

— “Preparar, para o 3º trimestre de 2011, um estudo abrangente da estrutura de tarifas das Empresas
Públicas (EPs), de forma a reduzir o nível dos subsídios” (§ 3.22).
— “Rever os planos correntes para reduzir os custos operacionais até ao final de 2011, em pelo menos 15%
em média, quando comparados com 2009, propondo cortes específicos para cada empresa” (§ 3.23).
— “As tarifas de energia eléctrica reguladas serão eliminadas pelo menos até 1 de Janeiro de 2013” (§ 5.1).
— No sector das caminhos-de-ferro, “permitir aos operadores que introduzam sistemas optimizados de venda
de bilhetes, em particular para aumentar o preço da sua venda” e, “ainda, privatizar o ramo de transporte
de mercadorias do operador ferroviário estatal, bem como algumas linhas suburbanas” (§ 5.23).
— “Preparar, para o primeiro trimestre de 2012, um relatório que reveja as operações e finanças das EPs ao
nível dos governos central, regional e local. O relatório (…) estabelecerá um plano de privatizações
ordeiras.” (§ 3.26).
— “O Governo vai acelerar o seu programa de privatizações. O plano existente, elaborado com horizonte até
2013, cobre as áreas dos transportes (Aeroportos de Portugal, TAP, e o ramo de carga da CP), da energia
(GALP, EDP e REN), das comunicações (Correios de Portugal) e seguros (Caixa Seguros), assim como um
número de pequenas firmas. O plano tem como objectivo receitas de 5500M€ até ao fim do programa, com
apenas um desinvestimento parcial para todas as grandes empresas. O Governo compromete-se a ir ainda
mais além, através do rápido e total desinvestimento das acções do sector público na EDP e REN, (…), assim

5
como da TAP, até ao final de 2011. O governo identificará, a tempo da segunda revisão, duas outras grandes
empresas adicionais para privatização, até ao final de 2012” (§ 3.30).
— “Preparar, até ao final do 2º trimestre de 2012, um inventário de activos, incluindo imobiliário, detido
pelas municipalidades egovernos regionais, examinando a sua abrangência para privatização” (§ 3.31).

Desmantelamento da Administração Pública

— “Reduzir as posições directivas e as unidades administrativas em pelo menos 15% na


Administração central” (§ 3.38).
— “O Governo submeterá ao Parlamento um projecto lei, até ao final de 2011, exigindo que cada município
apresente o seu próprio plano para atingir esse mesmo objectivo até ao final de 2012” (§ 3.40).
— “Limitar as admissões de pessoal na administração pública, obter reduções anuais em 2012-2014 de 1%
ao ano no Quadro de pessoal da administração central e 2% nas administrações locais e regionais.” (§ 3.48).
— “O Governo irá fundir a Administração fiscal, a Administração aduaneira e a Direcção-Geral de
Informática e Apoio aos Serviços Tributários e Aduaneiros (DGITA) numa entidade única, até ao final do 1º
trimestre de 2012, e irá estudar os custos e benefícios de incluir as unidades de colecta de receita da
Administração da Segurança Social nesta fusão” (§ 3.32).
— “Reduzir o número de serviços municipais descentralizados em pelo menos 20% por ano, em 2012 e
2013” (§ 3.33).
— “Reduzir o número de agências locais dos ministérios (por exemplo, finanças, segurança
social, justiça). Os serviços deverão ser fundidos em “lojas do cidadão”, abrangendo uma maior área
geográfica e desenvolvendo ainda mais o acesso à Administração via Internet” (§ 3.46).

Fusões forçadas de freguesias e de autarquias

— “Reorganizar a Administração local. Existem actualmente 308 municípios e 4259 freguesias. Até Julho de
2012, o Governo vai desenvolver um plano de racionalização para reorganizar e reduzir significativamente o
número de tais entidades. O Governo vai implementar esse plano com base em acordo com o pessoal da CE e
do FMI. Estas mudanças, que entrarão em vigor no início do próximo ciclo eleitoral local (…) reduzirão os
custos” (§ 3.43).

Restrição drástica do direito a cuidados médicos

— “Reduzir a despesa pública em medicamentos farmacêuticos para 1,25% do PIB, até ao final de 2012 e
para cerca de 1% do PIB até ao final de 2013” (Sistema de Saúde).
— “Em relação aos regimes de saúde dos funcionários públicos, o custo orçamental global dos sistemas
existentes – ADSE, a ADM (Forças Armadas) e SAD (Serviços de Polícia) – será reduzido em 30% em 2012 e
em mais 20% em 2013. Outras reduções a um ritmo semelhante seguir-se-ão nos anos subsequentes, por
forma a serem auto-financiados em 2016. Os custos orçamentais desses regimes será reduzido, diminuindo a
contribuição patronal e ajustando a abrangência dos benefícios de saúde” (§ 3.51).

Desmantelamento dos hospitais

— “Fornecer uma descrição detalhada das medidas destinadas a alcançar uma redução de

6
200 M€ nos custos operacionais dos hospitais em 2012 (…), incluindo a redução no número de pessoal de
gestão, como resultado da concentração e racionalização dos hospitais estatais e dos centros de saúde” (§
3.71).
— “Continuar com a reorganização e racionalização da rede hospitalar por meio da especialização e
concentração de serviços hospitalares e de emergência (…). Estas melhorias vão proporcionar cortes
adicionais nos custos de exploração em pelo menos 5 por cento em 2013” (§ 3.76).

Baixa dos subsídios de desemprego, facilitar os despedimentos

— “Redução do período de benefício de subsídio de desemprego a um máximo de 18 meses. (…) Introdução


de um perfil de diminuição de benefícios ao longo do período de
desemprego, após seis meses de desemprego (uma redução de pelo menos 10% no valor
do benefício)” (§ 4.1).
— “A Indemnização total de novos contratos por tempo indeterminado será reduzida de
30 para 10 dias por ano de trabalho” (§ 4.4).
— “Despedimentos individuais ligados à inadaptação do trabalhador podem ser possíveis mesmo sem a
introdução de novas tecnologias ou outras alterações ao local de trabalho” (§ 4.5).

Salários sob vigilância, representatividade sindical posta em causa

— “O Governo irá promover uma evolução salarial compatível com os objectivos de fomentar a criação de
emprego e melhoria da competitividade das empresas (…). Para esse efeito, o Governo irá:
1) comprometer-se que, durante o período do programa, qualquer aumento no salário mínimo terá
lugar apenas se justificar pela evolução do mercado económico e laboral e acordadas no âmbito da
revisão do programa;
2) definir critérios claros para serem seguidos para a extensão das convenções colectivas e obter
compromissos quanto a eles. A representatividade das organizações de negociação (…) deverá
figurar entre estes critérios. (…) Para esse efeito, o Governo encarregará a autoridade estatística
nacional de recolher dados sobre a representatividade dos parceiros sociais” (§ 4.7).

Habitação: facilitar as expulsões de inquilinos em dificuldade

— “O Governo vai apresentar um projecto de Lei, até ao final de 2011, ampliar as condições sob as quais a
renegociação de arrendamento residencial sem termo pode ocorrer, incluindo a limitação da possibilidade de
transmissão do contrato para parentes de primeiro grau; (…) reduzir, para os senhorios, o período de aviso
prévio de rescisão de contratos de arrendamento; prever um procedimento extrajudicial de despejo por
quebra de contrato, visando a redução do tempo de despejo para três meses” (§ 6.1).»

Na introdução deste documento é explicado como é que o Governo português estará sob a vigilância
permanente do FMI e das instituições da União Europeia.
Todos os trimestres, o pagamento da “ajuda”, às fatias, será condicionado pelo cumprimento do Governo. “O
pagamento trimestral da ajuda financeira através do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira
(MEEF) será sujeito a revisões trimestrais que condicionarão toda a aplicação do Programa. A primeira
revisão terá lugar no 3º trimestre de 2011. A 12ª e última revisão terá lugar no 3º trimestre de 2014. O

7
pagamento das tranches da ajuda será função da observância dos critérios quantitativos de aplicação” (do
Programa).
Mais adiante, é indicado que “se as normas fixadas não tiverem sido observadas ou forem susceptíveis de não
ser observadas, serão tomadas medidas suplementares. As autoridades comprometem-se a consultar a
Comissão Europeia, o BCE e o FMI sobre a adopção de políticas que não sejam compatíveis com o presente
Memorando. Elas fornecerão igualmente à Comissão Europeia, o BCE e o FMI todas as informações
solicitadas que estiverem disponíveis para avaliar os progressos durante a execução do Programa (…). Antes
do pagamento de cada tranche de ajuda, as autoridades deverão apresentar um relatório sobre o
cumprimento das condições fixadas.”

Três dos principais partidos políticos (dois partidos de direita e o Partido Socialista) – que se apresentam ao
sufrágio dos eleitores nas eleições legislativas de 5 de Junho – já aceitaram os termos deste plano. Outros
partidos falam da sua “renegociação”.
Mas sobretudo, é feita pressão sobre as organizações sindicais – e, em particular, sobre a UGT e a CGTP –
para que lhe dêem o seu aval. O Congresso Confederação Europeia dos Sindicatos (CES), que começa na
próxima semana em Atenas, arrisca ser, deste ponto de vista, um momento importante na tentativa de atar as
nossas organizações à aceitação deste plano.

É nestas condições que um conjunto de militantes operários, sindicalistas e políticos – entre os quais me
incluo – acaba de lançar um Apelo que declara:

«Ninguém está autorizado a falar em nome do povo português – como o fazem Sócrates, Passos Coelho
ou Paulo Portas – para aceitar este plano de destruição de Portugal, elaborado pela “Troika” e imposto pelo
capital financeiro e pela Banca, com o objectivo de que o Governo, a sair das eleições de 5 de Junho, o
aplique.
Ninguém está autorizado a falar em nome dos trabalhadores, como fazem os partidos que condenam o
plano da “Troika”, mas só propõem como saída a sua “renegociação”.
A CGTP condena o plano da “Troika” e apela a manifestar contra ele. Este posicionamento pode ser
um ponto de apoio para a mobilização que leve à derrota deste plano. Mas, os trabalhadores esperam uma
posição clara: RETIRADA DO PLANO DA “TROIKA”!
O povo português, os trabalhadores portugueses, não vão, nem podem aceitar, estes planos
destruidores que eliminariam Portugal como nação soberana!
Os trabalhadores não vão, nem podem aceitar, que os seus salários sejam reduzidos, que os
despedimentos sejam liberalizados, que os seus direitos sejam espezinhados!
Os aposentados não vão, nem podem aceitar, a redução das suas pensões, não vão aceitar – depois de
dezenas de anos de trabalho – passar o resto da sua vida a ter que mendigar!
Os professores não vão, nem podem aceitar, que dezenas de milhar de entre eles não tenham emprego,
que a Escola conquistada com o 25 de Abril seja desmantelada!
Os jovens não vão, nem podem aceitar, que o seu único futuro seja a imigração ou a miséria!
Os trabalhadores da Banca não vão, nem podem aceitar, que os dirigentes dos seus bancos inundem a
Comunicação Social com mentiras sobre o tráfico das contas, para tentar camuflar o desvio que fazem da
riqueza produzida pelo trabalho do povo.

Trabalhadores, jovens, aposentados,

8
Existe actualmente outra saída realista que não seja exigir a retirada do plano da “Troika”?
Existe actualmente outro meio para conseguir essa retirada que não seja fazer um apelo, a todos os
sectores dos trabalhadores, para que se reúnam em assembleias-gerais para decidir rejeitar todas as
medidas anti-operárias e anti-populares que resultam deste plano?
Existe actualmente outro meio para conseguir a unidade com as nossas organizações sindicais – em
todas as empresas, cidades, locais de trabalho e de estudo – que não seja com base no compromisso solene
de opor-se, por todos os meios democráticos (incluindo a greve) a todos os despedimentos, à baixa dos
salários, a redução das pensões de aposentação, ao fecho de escolas e de hospitais?
Existe actualmente outro meio para conseguir esse compromisso solene das Direcções nacionais das
nossas organizações, que não seja exigir em conjunto a retirada, pura e simples, desse plano – primeiro
passo para reconquistar a nossa soberania nacional contra os ditames da “Troika”?
Renacionalização da Banca, sem qualquer indemnização, e colocação do dinheiro ao serviço do
aparelho produtivo, sob o controlo das comissões de trabalhadores democraticamente eleitas!
Este é o caminho para retomar com a Revolução de Abril de 1974!»

Estas são, em nossa opinião, as questões cruciais com que a classe operária e o povo português estão
actualmente confrontados. E não somente em Portugal. Temos conhecimento de que todas as nações da
Europa estão, actualmente, ameaçadas por planos do mesmo tipo que são impostos directamente aos governos
– que os aceitam – pela “troika” FMI-CE-BCE.
É por isso que queremos informar todos os participantes no Encontro de Genebra – qualquer que seja o seu
continente – que também propusemos aos trabalhadores e militantes de toda a Europa que se reúnam numa
Conferência europeia de urgência, a realizar em Lisboa (capital de Portugal) nos próximos dias 18 e 19 de
Junho.

Porque, como é dito na Carta de convite para esta Conferência: “Não nos venham dizer que não
podemos salvar-nos, que ficaríamos isolados no nosso país. Nós sabemos isso melhor do que
ninguém. É por essa razão que dirigimos este apelo a todos os trabalhadores da Europa.
Os trabalhadores espanhóis sabem que – após a Grécia, a Irlanda e Portugal – são os próximos da
lista. Os trabalhadores franceses e alemães sabem que as exigências dos seus bancos nacionais, as
exigências do capital financeiro, também os ameaçam directamente.
Se o povo português se levantar de novo, terá ao seu lado os trabalhadores e os povos da Europa para
derrubar a ditadura do capital financeiro e dos seus representantes – as instituições da União Europeia e o
FMI – para abrir caminho à União livre das nações soberanas da Europa, emancipadas da exploração e
da opressão.”

As melhores saudações de Portugal para os camaradas de todo o mundo que se reunirão em Genebra nos
próximos dias 4 e 5 de Junho.

Fraternalmente

Joaquim Pagarete (Membro da Coordenadora dos Professores e Educadores Aposentados do SPGL)