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TÉTANO

Prof. Antônio Egídio Martins de Souza

AEMS, 2021
INTRODUÇÃO

 Doença infecciosa, não contagiosa, causada pela ação da


exotoxina do Clostridium tetani sobre as células do SNC.
 Descrita pela primeira vez no ano de 1500 a.C., e,
posteriormente em 640 a.C. por Hipócrates.

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ETIOLOGIA
 Bacilo gram +, esporulado, semelhante a um alfinete
 Estritamente anaeróbio
 Sobrevive no meio ambiente sob a forma de esporos
extremamente resistentes.
 Disseminados no solo, local com fezes de animais ou humanas,
águas putrefeitas, espinhos de arbustos, pregos ou latas
enferrujadas, agulhas de injeção mal esterilizadas e instrumentos
de lavoura.

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EPIDEMIOLOGIA
 Distribuição universal,
 maior ocorrência encontra-se nas áreas de baixa
cobertura vacinal e de deficiência dos serviços de saúde.
 Problema de saúde pública

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EXOTOXINAS
 NEUROTOXINA NÃO CONVULSIVANTE;
 TETANOLISINA:
 tem atividade hemolítica e cardiotóxica “in vitro” e
em animais de laboratório;
 principal função esteja relacionada com seu poder
antifagocitário,.

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EXOTOXINAS
 TETANOSPASMINA:
 termolábil
 segunda toxina mais potente que se conhece
 A dose letal mínima para o homem é de 0,1 a 0,25
mg.
 Não é absorvida pelo tubo digestivo e é destruída
pelos sucos digestivos.

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PATOGENIA

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QUADRO CLÍNICO

Generalizado Localizado

Neonatal

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QUADRO CLÍNICO
Generalizado

 Forma mais comum


 Aumento do tônus muscular e contraturas
generalizadas que ocorre de 7 a 14 dias após a lesão
(período de incubação).
 Febre baixa e trismo
 Observam-se opistótono, rigidez de nuca e abdome
em “tábua”.
 Acometimento de quase todos os grupos musculares

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QUADRO CLÍNICO
Generalizado

O primeiro sinal é o trismus. Seguido


por:
Risus sardonicus
Rigidez da região (causado pelo espasmo Dificuldade de
cervical e dorso dos músculos em volta deglutição
da boca

Rigidez muscular Opistótono


do abdômen

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Óleo sobre tela, Opistótono, 1809; Charles Bell; Colégio de Cirurgiões de
Edimburgo (Escócia).

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Risus sardonicus

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QUADRO CLÍNICO

 LOCALIZADO
 Hipertonia se inicia em determinado grupo muscular e aí permanece, delimitada,
sem generalização, ou com propagação discreta para a musculatura vizinha.

 TÉTANO CEFÁLICO:
 ferimento cefálico(em geral, zona temporonasorbitária),
 paralisia facial no mesmo lado do foco,
 trismo,
 rigidez de nuca,
 disfagia e hipertonia da musculatura da mímica.

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QUADRO CLÍNICO
Neonatal ou Umbilical

 Início entre 5 e 13 dias após a contaminação do coto


umbilical(“mal de sete dias”)
 Dificuldade em pegar o seio materno ou mamadeira.
 Após algumas horas, surgem trismo e disfagia

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Diagnóstico

 Clínico-epidemiológico,
 Não necessita de confirmação
laboratorial

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Diagnóstico diferencial
 Processos inflamatórios da região buco-tonsila-
faríngea
 Meningites
 Intoxicação por estricnina
 Tetania
 Raiva
 Histeria- Síndrome conversiva
 AVC
 Paralisia de Bell
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Tratamento
 MOV
 Sedativos
 Miorelaxantes de ação central ou periférica
 Benzodiazepinicos; clorpromazina.
 Soro antitetânico
 Antibióticos (penicilina)
 Soroterapia específica

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5 mg/ml
Amp 2ml

5 mg/ml

5 mg/ml AEMS, 2021


•IGHAT – Imumoglobulina humana hiperimune antitetanica
•SAT – Soro antitetanico

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PROFILAXIA
Vacinação

As vacinas disponíveis são:


•DTPw-HB/Hib (tríplice bacteriana de células inteiras combinada às
vacinas hepatite B e Haemophlilus influenzae tipo b)
•DTPw (tríplice bacteriana de células inteiras)
•DTPa-VIP/Hib (tríplice bacteriana acelular combinada às vacinas
inativada poliomielite e Haemophlilus influenzae tipo b)
•DTPa-VIP-HB/Hib (tríplice bacteriana acelular combinada às vacinas
inativada poliomielite, hepatite B e Haemophlilus influenzae tipo b)
•DTPa (tríplice bacteriana acelular)
•dTpa (tríplice bacteriana acelular do tipo adulto)
•dTpa-VIP (tríplice bacteriana acelular do tipo adulto combinada à
vacina inativada poliomielite)
•DT – dupla bacteriana infantilTétano
•dT – dupla bacteriana do tipo adulto AEMS, 2021
PROFILAXIA
Vacinação

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PROFILAXIA
Vacinação
 Conduta frente a ferimento suspeitos

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Raiva

Prof. Antônio Egídio Martins de Souza


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Raiva

◼ Zoonose;
◼ Todos animais de sangue quente;
◼ Amplamente distribuída;
◼ Geralmente fatal;
◼ Atinge SNC;
◼ Transmissão MORDIDAS

Aérea Transplantes !!
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Raiva - o vírus
◼ Membro do gênero Lyssavirus, família Rhabdoviridae.
◼ RNA fs envelopado; forma de bala de revólver
característica com espículas de 6-7 nm (glicoproteína, ou
“G”).
◼ RNA de polaridade negativo, codifica 5 proteínas: G, M,
N, L, S
◼ Amplitude de hospedeiros .

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EPIDEMIOLOGIA

◼ Ciclo urbano;

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REPLICAÇÃO VÍRUS RNA FITA SIMPLES (fs), NEGATIVA

Adsorção Brotamento/
envelopamento
Receptores

Penetração
Desmontagem Membrana

RNA (-)
Replicação
Montagem
RNA (+) (inclusão? )
Síntese Núcleo
RNA (+) Proteínas

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Patogenia
◼ inoculação,
◼ multiplica no músculo estriado ou tecido conjuntivo
no sítio
◼ penetra nos nervos periféricos através da junção
neuro-muscular.
◼ segue ao SNC via movimento axonal retrógrado.
◼ dissemina de forma centrífuga para os órgãos do corpo.
◼ causa pouca destruição neuronal.

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Diagnóstico laboratorial de raiva
◼ Imunofluorescência direta IFD
◼ ou “direct fluorescent antibody test (DFAT)

◼ Isolamento viral em camundongos

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Diagnóstico de Raiva
IFD

Corpúsculo de Negri em neurônio


(fonte: CDC)
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Coleta material

◼ Saliva = 2 ml, -20 C, diariamente.


◼ Soro = 5 ml, - 20 C, 2ª e 5ª.
◼ LCR = 2 ml, - 20 C, 2ª e 5ª
◼ Foliculo piloso = 0,5 a 1,0 cm, proximo a
nuca, 20 C, 2ª e 5ª.
◼ Obito → fragmentos SNC

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Diagnóstico de raiva
◼ Presentemente, para determinação da
origem da amostras de vírus isoladas:
◼ Exames complementares:
◼ Análises com anticorpos monoclonais;
◼ Amplificação genômica por RT-PCR:
◼ Análise com enzimas de restrição, ou:

◼ Sequenciamento e análise filogenética

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MANIFESTAÇÕES CLINICAS

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FASE PRODROMICA
◼ Febre moderada
◼ Cefaleia
◼ Mialgia
◼ Parestesia assimétrica → evolui para paresia
◼ Prurido
◼ Odinofagia / disfagia / sialorreia / diarreia

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FASE NEUROLOGICA
◼ Duração 2 a 7 dias
◼ Hidro/foto/aerofobia
◼ Agitação/insônia/agressividade/alteração do
comportamento/ depressão
◼ Exacerbação do sentidos
◼ Crise convulsivas → topor → coma → morte
◼ Duração: 2 a 7 dias (em cuidados intensivos
→133 dias)

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CLASSIFICAÇÃO DOS ACIDENTES

ATENÇÃO: qualquer acidente por animal selvagem é


GRAVE
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Tratamento e prevenção
◼ Profilaxia pré-exposição - vacinas inativadas
◼ Profilaxia pós-exposiçãos - observação de
animais por 10 dias.
◼ Animais selvagens: Vacinação e soro
◼ A profilaxia pós-exposição baseia-se na
desinfecção local, na administração de vacina
ou, em casos graves, soro + vacina.
◼ Uma vez estabelecida a doença => tratamento
de suporte – Protocolo do Recife (Protocolo de
Milwaukee)
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Tratamento e prevenção

MEDICAMENTO - Com base em estudos baseados


em evidências, o Ministério da Saúde publicou em
2011, o Protocolo de Tratamento da Raiva Humana
no Brasil, onde é recomendado o uso da
SAPROPTERINA DICLORIDRATO 2mg/kg via enteral
de 8/8 horas. No decorrer do tratamento e mediante
monitoramento clínico dos níveis da enzima BH4, o
paciente pode necessitar fazer reposição da enzima.

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Acidente leve
Acidente grave
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Qual a classificação de cada acidente?

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ESQUEMA VACINAL
1- Esquema de profilaxia da raiva pós-exposição pela via
intramuscular (IM) 4 doses da vacina raiva (inativada).

✓ Dias de aplicação: 0, 3, 7, 14. Via de administração


intramuscular profunda utilizando dose completa, no
músculo deltoide ou vasto lateral da coxa. Não aplicar
no glúteo.

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ESQUEMA VACINAL
2- Esquema de profilaxia da raiva pós-exposição pela via
intramuscular (IM) com uso de soro antirrábico (SAR) ou
imunoglobulina antirrábica (IGAR).
✓ 4 doses da vacina raiva (inativada). Dias de aplicação: 0, 3, 7, 14.
Via de administração intramuscular profunda utilizando dose
completa, no músculo deltoide ou vasto lateral da coxa. Não
aplicar no glúteo.
✓ O SAR deve ser administrado uma única vez e o quanto antes. A
infiltração deve ser executada ao redor da lesão (ou lesões).
Quando não for possível infiltrar toda a dose, aplicar o máximo
possível. A quantidade restante, a menor possível, aplicar pela via
intramuscular, podendo ser utilizada a região glútea.
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Qual o erro?

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ESQUEMA VACINAL

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ESQUEMA VACINAL

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LINK PARA BAIXAR O GUIA DE BOLSO DE DOENÇAS
INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS DO MS PROTOCOLO DE
TRATAMENTO DA RAIVA HUMANA

http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2014/janeiro/23/doen-
infecciosas-guia-bolso-8ed.pdf

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_tratament
o_raiva_humana.pdf

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EXTRAS

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ACIDENTES COM SERPENTES
◼ GENEROS:
◼ Botrópico
◼ Crotálico
◼ Elapídico
◼ laquético

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COMPARATIVO

◼ BOTRÓPICO ◼ CROTÁLICO
◼ Dor forte local ◼ Dor leve local
◼ Edema local grande e ◼ Pouco ou nenhum
crescente edema
◼ Efusao de sangue no local ◼ Sem efusão do sangue
◼ Presença de equimose no no local.
local ◼ Ausência de equimose
◼ Sem alteração neurológica ◼ Presença de alteração
neurológica
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COMPARATIVO

◼ ELAPÍDICO ◼ LAQUÉTICO
◼ Dor local leve ◼ Dor local forte
◼ Sem edema local ◼ Presença de edema
◼ Sem efusao de sangue no ◼ Com efusão do sangue
local no local.
◼ Sem equimose no local ◼ Presença de equimose
◼ Com alteração neurológica ◼ Pouca ou nenhuma de
alteração neurológica

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TRATAMENTO

◼ MOV
◼ Aplicar soro especifico se conhecer a serpente. Se
não conhecer a serpente ou duvida aplicar o soro
polivalente. (de 4 a 12 ampolas)
◼ Exames laboratório: coagulograma, função renal,
hemograma, EAS.
◼ Manter membro elevado em 30 graus
◼ Limpeza do local
◼ Antibioticoterapia.
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Hipótese do tipo de acidente?

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Hipótese do tipo de acidente?

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ACIDENTES ESCORPIÔNICOS

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Classificação dos acidentes
◼ maioria dos casos tem curso benigno.
◼ Letalidade é de 0,58%, os óbitos maior frequência, a acidentes
causados por Tityus serrulatus, em crianças menores de 14
anos.

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Classificação dos acidentes
◼ Leve
◼ Dor local
◼ Parestesia local
◼ Edema local discreto
◼ Sudorese local discreta

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Classificação dos acidentes
◼ Moderado
◼ Dor local
◼ Parestesia local
◼ Edema local discreto
◼ Sudorese local discreta/ sistêmica
◼ Nauseas / vômitos ocasionais
◼ Agitação
◼ Sialorreia
◼ Taquipneia AEMS, 2021
Classificação dos acidentes
◼ Grave
◼ Dor local e/ou parestesia local
◼ Sudorese sistêmica / Sialorreia
◼ Nauseas / vômitos incoerciveis
◼ Agitação ou prostação / confusão mental/
convulsao
◼ Taquicardia/ dispneia/ arritmias/ EAP/ IC/ choque
◼ Coma ( morte)
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Conduta
◼ Exames:
◼ ECG
◼ Glicemia capilar
◼ Hemograma/ potássio/ troponina/ CPK/
TGO/TGP/ LDH/ FA/ amilase/lipase
◼ EAS
◼ Ureia e creatinina
◼ Rx torax

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Tratamento
◼ Leve
◼ Bloqueio com lindocaina sem vaso e
observação por 6 horas
◼ Moderado
◼ Bloqueio com lindocaina sem vaso,
◼ Observação por 6 hporas
◼ 4 ampolas de soro ACM

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Tratamento
◼ Grave
◼ MOV
◼ Laboratório
◼ 4 a 8 ampolas de soro
◼ Se evoluir para IC – usar aminas
vasoativas (dobutamina / noradrenalina)

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Aranhas, abelhas,lacraias
◼ Aranhas
◼ Dificil identificar: dor local, edema,
necrose?
◼ Abelhas
◼ Somente retirar os ferroes com um objeto
cortante (faca bem afiada raspando) nunca
utilize pinças
◼ Sintomaticos: anti histamínicos, corticoides,
analgésicos
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Aranhas, abelhas,lacraias
◼ Lacraias
◼ dor local,
◼ Sintomaticos: anti histamínicos, corticoides,
analgésicos

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Is finish!! Câmbio!!
AEMS, 2021
Obrigado!

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Bibliografia
◼ NOTA INFORMATIVA Nº 26-SEI/2017-CGPNI/DEVIT/SVS/MS
◼ Raiva – Ministerio da Saúde- 2017

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