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Independência da América Espanhola

No decorrer do século XVIII, o sistema colonial implementado pelos


espanhóis na América passou a sofrer importantes transformações,
fruto do envolvimento metropolitano nas guerras européias e da crise
da mineração.

O NOVO COLONIALISMO

O Tratado de Ultrecht ( 1713) foi uma decorrência da derrota da


Espanha na "Guerra de Sucessão Espanhola", sendo forçada a fazer
concessões à Inglaterra, garantindo-lhes a possibilidade de intervir no
comércio colonial através do asiento - fornecimento anual de
escravos africanos - e do permiso - venda direta de manufaturados às
colônias.

Esse tratado marca o início da influência econômica britânica sobre a


região e ao mesmo tempo, o fim do monopólio espanhol sobre suas
colônias na América.

Se os direitos reservados aos ingleses quebravam o pacto colonial, a


Espanha ainda manteve o controle sobre a maior parte do comércio
colonial, assim como preservou o controle político, porém foi obrigada
a modificar de maneira significativa sua relação com as colônias,
promovendo um processo de abertura.

As principais mudanças adotadas pela Espanha foram:

A abolição do sistema de frotas, e abolição do sistema de porto único,


tanto na metrópole, como nas colônias, pretendendo dinamizar o
comércio, favorecendo a burguesia metropolitana e indiretamente o
próprio Estado. Na América foi liberado o comércio intercolonial
(desde que não concorresse com a Espanha) e os criollos passaram a
ter o direito de comercializar diretamente com a metrópole.

AS TRANSFORMAÇÕES NAS COLÔNIAS

As mudanças efetuadas pela Espanha em sua política colonial


possibilitaram o aumento do lucro da elite criolla na América, no
entanto, o desenvolvimento econômico ainda estava muito limitado
por várias restrições ao comércio, pela proibição de instalação de
manufaturas e pelos interesses da burguesia espanhola, que
dominava as atividades dos principais portos coloniais. Os criollos
enfrentavam ainda grande obstáculo à ascensão social, na medida
em que as leis garantiam privilégios aos nascidos na Espanha. Os
cargos políticos e administrativos , as patentes mais altas do exército
e os principais cargos eclesiásticos eram vetados à elite colonial.
Soma-se à situação sócio econômica, a influência das idéias
iluministas, difundidas na Europa no decorrer do século XVIII e que
tiveram reflexos na América, particularmente sobre a elite colonial,
que adaptou-as a seus interesses de classe, ou seja, a defesa da
liberdade frente ao domínio espanhol e a preservação das estruturas
produtivas que lhes garantiriam a riqueza.

O MOVIMENTO DE INDEPENDÊNCIA

O elemento que destravou o processo de ruptura colonial foi a


invasão das tropas de Napoleão Bonaparte sobre a Espanha; no
entanto é importante considerar o conjunto de alterações ocorridas
tanto nas colônias como na metrópole, percebendo a crise do Antigo
regime e do próprio sistema colonial, como a Revolução Industrial e a
revolução Francesa.

A resistência à ocupação francesa iniciou-se tanto na Espanha como


nas colônias; netas a elite criolla iniciaram a formação de Juntas
Governativas, que em várias cidades passaram a defender a idéia de
ruptura definitiva com a metrópole, como vimos, para essa elite a
liberdade representava a independência e foi essa visão liberal
iluminista que predominou.

Assim como o movimento de independência das colônias


espanholas é tradicionalmente visto a partir dos interesses da
elite, costuma-se compara-lo com o movimento que ocorreu
no Brasil, destacando-se:

A grande participação popular, porém sob liderança dos criollos

O caráter militar, envolvendo anos de conflito com a Espanha

A fragmentação territorial, processo caracterizado pela transformação


de 1 colônia em vários países livres

Adoção do regime republicano - exceção feita ao México

Fonte: www.historianet.com.br

Independência da América Espanhola

Processo de emancipação das colônias espanholas no continente


americano durante as primeiras décadas do século XIX. Resulta das
transformações nas relações entre metrópole e colônia e da difusão
das idéias liberais trazidas pela Revolução Francesa e pela
independência dos EUA. Recebe influência também das mudanças na
relação de poder na Europa em conseqüência das guerras
napoleônicas.
Durante o século XVIII, a Espanha reformula aspectos de seu pacto
colonial. A suspensão do monopólio comercial da Casa de
Contratação de Sevilha dá maior flexibilidade às relações comerciais
entre metrópole e colônia. Mas, ao mesmo tempo, procura impedir o
desenvolvimento das manufaturas coloniais e combate o contrabando
inglês. Essas medidas contrariam os interesses da elite colonial, os
criollos (descendentes de espanhóis nascidos na América), que
lideram a maioria dos movimentos emancipacionistas. Eles são
considerados inferiores pela elite e proibidos de ocupar cargos
públicos, civis ou militares.

As guerras travadas peloImpério Napoleônico alteram o equilíbrio de


forças na Europa, que se reflete nos domínios coloniais. Em junho de
1808, Napoleão Bonaparte invade a Espanha, destrona o rei Carlos IV
e seu respectivo herdeiro, Fernando VII. Impõe aos espanhóis um rei
francês, seu irmão, José Napoleão (José I). Na América, os cabildos
(instituições municipais que são a base da administração colonial),
sob comando dos criollos, declaram-se fiéis a Fernando VII e
desligam-se do governo de José I. Passam a exigir ainda maior
autonomia, liberdade comercial e igualdade com os espanhóis.

Com a restauração da Monarquia após a derrota de Napoleão, a


Espanha passa a reprimir os movimentos emancipacionistas. Diante
dessa situação, a elite criolla decide-se pela ruptura com a metrópole.
Conta com a aprovação da Inglaterra, que, interessada na liberação
dos mercados latino-americanos para seus produtos industrializados,
contribui militar, financeira e diplomaticamente com as jovens
nações. O Paraguai proclama a independência em 1811 e a
Argentina, em 1816, com o apoio das forças do general José de San
Martín. No Uruguai, José Artigas lidera as lutas contra as tropas
espanholas e obtém vitória em 1811. No entanto, a região é
dominada em 1821 pelo rei dom João VI e anexada ao Brasil, sob o
nome de Província Cisplatina, até 1828, quando consegue sua
independência.

San Martín organiza também no Chile a luta contra a Espanha e, com


o auxílio do líder chileno Bernardo O''Higginsjump: BAHFF, liberta o
país em 1818. Com isso, alcança o Peru e, com a ajuda da esquadra
marítima chefiada pelo oficial inglês Lord Cockrane, torna-se
independente do país em 1822. Enquanto isso, no norte da América
do Sul, Simón Bolívar atua nas lutas pela libertação da Venezuela
(1819), da Colômbia (1819), do Equador (1822) e da Bolívia (1825).
Em 1822, os dois líderes, Bolívar e San Martín, reúnem-se na cidade
de Guayaquil, no Equador, para discutir o futuro da América
hispânica. Bolívar defende a unidade das ex-colônias e a formação de
uma federação de repúblicas, e San Martín é partidário de governos
formados por príncipes europeus. A tese de Bolívar volta a ser
discutida no Congresso do Panamá, em 1826, mas é rejeitada.
Em toda a América hispânica há participação popular nas lutas pela
independência, mas a elite criolla se mantém hegemônica. No
México, no entanto, a mobilização popular adquire contornos de
revolução social: a massa da população, composta de índios e
mestiços, rebela-se ao mesmo tempo contra a dominação espanhola
e contra os criollos. Liderados pelos padres Hidalgo e Morelos, os
camponeses reivindicam o fim da escravidão, a divisão das terras e a
abolição de tributos, mas são derrotados. Os criollos assumem a
liderança do movimento pela independência, que se completa em
1821, quando o general Itúrbide se torna imperador do México. O
movimento pela emancipação propaga-se pela América Central (que
havia sido anexada por Itúrbide), resultando na formação da
República Unida da América Central (1823-1838), que mais tarde dá
origem a Guatemala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica e El Salvador.
O Panamá obtém independência em 1821 e a República Dominicana,
em 1844.

Cuba permanece como a última possessão espanhola no continente


até a Guerra Hispano-Americana. Ao contrário da América
portuguesa, que mantém a unidade territorial após a independência,
a América espanhola divide-se em várias nações, apesar de
tentativas de promover a unidade, como a Grã-Colômbia, reunindo
Venezuela e Colômbia, de 1821 a 1830, a República Unida da América
Central e a Confederação Peru-Boliviana, entre 1835 e 1838. A
fragmentação política da América hispânica pode ser explicada pelo
próprio sistema colonial, uma vez que as diversas regiões do império
espanhol eram isoladas entre si. Essa situação favorece também o
surgimento de lideranças locais fortes, os caudilhos, dificultando a
realização de um projeto de unidade colonial.

Fonte: geocities.yahoo.com.br

Independência da América Espanhola

COMÉRCIO LIVRE COM PAÍSES LIVRES

No início do século XIX a América hispânica, inspirada nas idéias


liberais do Iluminismo, travou sua guerra de independência vitoriosa
contra colonialismo espanhol para, em seguida, fragmentar-se em um
grande número de jovens repúblicas oprimidas por caudilhos
militares, exploradas por oligarquias rurais e acorrentadas a uma
nova dependência econômica imposta pelo capitalismo industrial
inglês.

A CRISE DO SISTEMA COLONIAL

O fim do Antigo Regime nas últimas décadas do século XVIII foi


conseqüência das transformações ideológicas, econômicas e políticas
produzidas pelo Iluminismo, pela Revolução Industrial, pela
independência dos Estados Unidos e pela Revolução Francesa. Estes
acontecimentos, que se condicionaram e se influenciaram
reciprocamente, desempenharam um papel decisivo no processo de
independência da América espanhola.

As elites da América colonial encontraram na filosofia iluminista o


embasamento ideológico para seus ideais autonomistas. A luta pela
liberdade política encontrava sua justificativa no direito dos povos
oprimidos à rebelião contra os governos tirânicos e á luta pela
liberdade econômica na substituição do monopólio comercial pelo
regime de livre concorrência.

"A Revolução Industrial Inglesa: Viu-se a necessidade de substituir o


monopólio comercial por livre concorrência".

Indústrias Early séc. XIX

Por esta época a Revolução Industrial inglesa inaugurava a era da


indústria fabril e da produção mecanizada. A exportação das
mercadorias inglesas exigia a abertura dos mercados americanos ao
livre comércio e esbarrava nos entraves criados pelo pacto colonial. O
monopólio comercial favorecia apenas as metrópoles que lucravam
duplamente revendendo os produtos coloniais à Europa e as
manufaturas inglesas às suas colônias. Esta política monopolista,
entretanto, prejudicava tanto a burguesia inglesa quanto as elites
coloniais, e, assim, o desenvolvimento do moderno capitalismo
industrial acelerou a crise do antigo sistema colonial mercantilista. E
a quebra do pacto colonial e sua substituição pelo libre comércio só
poderia se fazer através da independência das colônias em relação às
antigas metrópoles.

"A independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa


aceleraram o fim do sistema colonial luso-espanhol".

Batalha de Boston 1770

A independência das treze colônias e a formação dos Estados Unidos,


primeiro país soberano do Novo Mundo, tornaram-se o exemplo e a
fonte de inspiração para os movimentos latino - americanos que
lutavam pela emancipação política e pela ruptura do pacto colonial. O
regime republicano, baseado no pensamento iluminista, exerceu
enorme fascínio sobre a aristocracia "criolla" da América Espanhola.

O maior impacto veio, entretanto, da Revolução Francesa, cujas


conseqüências se fizeram sentir tanto na Europa quanto na América.
A ascensão de Napoleão Bonaparte, a imposição da supremacia
francesa à Europa e o estabelecimento do Bloqueio Continental
contra a Inglaterra desferiram um golpe de morte no decadente
sistema colonial ibero-americano. A invasão de Portugal pelos
franceses rompeu o pacto colonial luso-brasileiro e acelerou a
independência do Brasil, ao mesmo tempo em que a ocupação da
Espanha por Napoleão e a imposição de José Bonaparte como rei do
país desencadearam as lutas de independência nas colônias da
América espanhola.

A CONJUNTURA HISPANO - AMERICANA

No início do século XIX, quando ocorreu o choque entre a Revolução


Industrial inglesa e a Revolução Francesa, o império colonial espanhol
na América estava dividido, em termos administrativos, em quatro
vice-reinados e quatro capitanias gerais.

"A administração colonial: vice-reinados e capitanias gerais. Os


entraves do monopólio comercial".

Os vice-reinados existentes eram Nova Espanha ( México e parte do


território atualmente pertencente aos Estados Unidos), Nova Granada
( Colômbia e Equador), Peru e Prata ( Argentina, Uruguai, Bolívia e
Paraguai). As capitanias gerais eram Cuba, Guatemala, Venezuela e
Chile. Os cargos de vice-rei e capitão-geral eram exercidos por
representantes da Coroa vidos diretamente da Espanha, como o eram
igualmente todos os altos postos da administração colonial. Desta
forma, o aparelho político-administrativo colonial era dominado e
monopolizado por espanhóis natos.

A economia colonial baseava-se na exportação de matérias-primas e,


portanto, era dependente do mercado externo monopolizado pela
metrópole através do pacto colonial. A mineração baseava-se na
extração de ouro e prata e estava concentrada no México e na
Bolívia. A agricultura tropical desenvolveu-se na América Central e
nas Antilhas, com base no sistema de "plantation", ou seja, grandes
propriedades monoculturas, trabalhadas por escravos. A pecuária
concentrava-se principalmente no México e no vice-reinado do Prata.
O comércio era praticado nas grandes cidades portuárias, como
Buenos Aires, Valparaíso, Cartagena e Vera Cruz.

A Espanha exercia o monopólio comercial entre suas colônias e a


Europa, o que afetava os interesses econômicos da elite colonial,
obrigada a vender, a baixos preços, seus produtos à metrópole e dela
comprar, a altos preços, as manufaturas importadas. O mesmo
acontecia com os comerciantes e industriais ingleses, forçados a
aceitar a intermediação da Espanha e impedidos de vender
diretamente as suas mercadorias à América.

O fim do monopólio comercial interessava, assim, tanto à elite


colonial como à burguesia inglesa, à medida que ambas aumentariam
seus lucros com a adoção do livre comércio. Esta convergência de
interesses foi um fator decisivo para a vitória do movimento de
independência hispano-americano.
"A sociedade colonial: brancos, mestiços, índios e negros. Os conflitos
entre a aristocracia ‘criolla’ e os ‘chapetones’.".

Por essa época a sociedade colonial era formada por uma população
de dez milhões de habitantes, divididos em diversas classes sociais.
Os brancos constituíam cerca de três milhões e trezentos mil e
classificavam-se em chapetones e criollos. Os chapetones, perto de
trezentos mil, eram os espanhóis natos que, monopolizando o poder
político, dominavam os altos cargos da administração colonial. Os
criollos, cerca de três milhões, eram descendentes de espanhóis
nascidos na América e formavam a elite econômica e intelectual da
colônia, à qual pertenciam os latifundiários, comerciantes,
profissionais liberais e membros do baixo clero.

A contradição entre a estrutura econômica, dominada elos criollos


(partidários do livre comércio), e a estrutura política, controlada pelos
chapetones (defensores do monopólio metropolitano), foi também um
dos fatores importantes do processo de independência.

Os mestiços, descendentes de espanhóis e índios, eram cerca de


cinco milhões e dedicavam-se ao pequeno comércio e ao artesanato,
enquanto os índios, mais de dez milhões, constituíam a mão-de-obra
explorada na mineração e na agricultura. Os negros, perto de
oitocentos mil, concentravam-se principalmente nas Antilhas e
formavam a mão-de-obra escrava utilizada nas plantations tropicais.

Embora sendo esmagadora minoria, eram os criollos e os chapetones


que dominavam e determinavam a condução das relações
econômicas e políticas das colônias hispano-americanas e era a eles
que interessava a ligação com a metrópole ou o rompimento de laços
com ela. Assim, a guerra de independência caracterizou-se por ser
uma luta entre os criollos, apoiados pela Inglaterra, e os chapetones,
apoiados pela Espanha, pelo domínio do aparelho político-
administrativo.

A GUERRA DE INDEPENDÊNCIA

O processo de independência hispano-americano dividiu-se, grosso


modo, em três fases principais: os movimentos precursores (1780 -
1810), as rebeliões fracassadas (1810 - 1816) e as rebeliões
vitoriosas (1817 - 1824).

"Os movimentos precursores da guerra de independência: revoltas de


Tupac Amaru e de Francisco Miranda".

Os movimentos precursores, deflagrados prematuramente, foram


severamente reprimidos pelas autoridades metropolitanas. Ainda que
derrotados, contribuíram para enfraquecer a dominação colonial e
amadurecer as condições para a guerra de independência travada
posteriormente. A mais importante dessas insurreições iniciou-se no
território peruano em 1780 e foi comandada por Tupac Amaru. Essa
rebelião indígena mobilizou mais de sessenta mil índios e só foi
totalmente esmagada pelos espanhóis em 1783, quando foram
igualmente reprimidas outras revoltas no Chile e na Venezuela.
Inspirado no exemplo dos Estados Unidos, o criollo venezuelano
Francisco Miranda liderou, a partir desta época, vários levantes e se
tornou o maior precursor da independência hispano-americana.

Após os Estados Unidos, a segunda independência da América foi


realizada pelos escravos trabalhadores das plantations que, em 1793,
através de uma insurreição popular contra a elite branca libertaram o
Haiti.

"As rebeliões de independência fracassadas: a falta de apoio da


Inglaterra e dos Estados Unidos".

Em 1808, a ascensão de José Bonaparte ao trono da Espanha iria


desencadear a guerra de independência na América espanhola,
devido aos desdobramentos políticos daquela situação. Na Espanha, o
povo pegou em armas contra a dominação francesa; na América, os
criollos pronunciaram-se pelo "lealismo" e se colocaram ao lado de
Fernando VII, herdeiro legítimo de Coroa espanhola. Os criollos,
entretanto, evoluíram rapidamente do "lealismo" para posições
emancipacionistas e, em 1810, iniciaram a luta pela independência.

O fracasso das rebeliõs iniciadas em 1810, foi conseqüência, em


grande parte, da falta de apoio da Inglaterra, que empenhada na luta
contra a França napoleônica, não pôde fornecer ajuda aos
movimentos de independência liderados pela aristocracia criolla. Os
Estados Unidos, que possuíam acordos comerciais com a Junta de
Sevillha, também não forneceram qualquer ajuda aos rebeldes
hispano-americanos. Em 1816, os movimentos emancipacionistas,
isolados internamente e sem apoio internacional, foram
momentaneamente vencidos pelas tropas espanholas.

"A vitória do movimento de independência: apoio da Inglaterra e dos


Estados Unidos. A doutrina Monroe".

Após a derrota de Napoleão e 1815, a Inglaterra, liberta da ameaça


francesa, passou a apoia efetivamente as rebeliões de independência
na América, que se reiniciaram em 1817 e só terminariam em 1824
com a derrota dos espanhóis e a emancipação de suas colônias
americanas. Naquele ano Simon Bolívar desencadeou a campanha
militar que culminaria com a libertação da Venezuela, da Colômbia e
do Equador e, mais ao sul, José de San Martín promovia a libertação
da Argentina, do Chile e do Peru. Em 1822 os dois libertadores
encontraram-se em Guayaquil, no Equador, onde San Martín entregou
a Bolívar o comando supremo do exército de libertação.
O processo de independência tornou-se irreversível quando, em 1823,
os EUA proclamaram a Doutrina Monroe, opondo-se a qualquer
tentativa de intervenção militar, imperialista ou colonizadora, da
Santa Aliança, no continente americano. Em 1824, os últimos
remanescentes do exército espanhol foram definitivamente
derrotados pelo general Sucre, lugar-tenente de Bolivar, no interior do
Peru, na Batalha de Ayacucho. Ao norte, a independência do México
fora realizada em 1822 pelo general Iturbide, que se sagrou
imperador sob o nome de Agustín I. Um ano de pois, foi obrigado a
abdicar e, ao tentar retomar o poder, foi executado, adotando o país
o regime republicano. Em 1825, após a guerra de independência,
apenas as ilhas de Cuba e Porto Rico permaneceram sob o domínio
espanhol.

AS CONSEQÜÊNCIAS DA INDEPENDÊNCIA

Em 1826, Bolivar convocou os representantes dos países recém-


independentes para participarem da Conferência do Panamá, cujo
objetivo era a criação de uma confederação pan-americana. O sonho
boliviano de unidade política chocou-se, entretanto, com os
interesses das oligarquias locais e com a oposição da Inglaterra e dos
Estados Unidos, a quem não interessavam países unidos e fortes.
Após o fracasso da Conferência do Panamá, a América Latina
fragmentou-se politicamente em quase duas dezenas de pequenos
Estados soberanos, governados pelas aristocracia criolla. Outros
fatores que interferiram nessa grande divisão política foram o
isolamento geográfico das diversas regiões, a compartimentação
populacional, a divisão administrativa colonial e a ausência de
integração econômica do continente. O pan-americanismo foi vencido
pela política do "divida e domine".

"À emancipação e divisão política latino-americana segue-se nova


dependência em reação à Inglaterra".

Assim, entre as principais conseqüências do processo de


emancipação da América espanhola merecem destaque: a conquista
da independência política, a conseqüente divisão política e a
persistência da dependência econômica dos novos Estados. O
processo de independência propiciou sobretudo a emancipação
política, ou seja, uma separação da metrópole através da quebra do
pacto colonial. A independência política não foi acompanhada de uma
revolução social ou econômica: as velhas estruturas herdadas do
passado colonial sobreviveram à guerra de independência e foram
conservadas intactas pelos novos Estados soberanos.

Assim, a divisão política e a manutenção das estruturas coloniais


contribuíram para perpetuar a secular dependência econômica latino-
americana, agora não mais em relação à Espanha, mas em relação ao
capitalismo industrial inglês. As jovens repúblicas latino-americanas,
divididas e enfraquecidas, assumiram novamente o duplo papel de
fontes fornecedoras de matérias-primas essenciais agora à expansão
do industrialismo e de mercados consumidores para as manufaturas
produzidas pelo capitalismo inglês.

Fonte: www.velloso.com

Independência da América Espanhola

Processo de emancipação das colônias espanholas no continente


americano durante as primeiras décadas do século XIX. Resulta das
transformações nas relações entre metrópole e colônia e da difusão
das idéias liberais trazidas pela Revolução Francesa e pela
independência dos EUA. Recebe influência também das mudanças na
relação de poder na Europa em conseqüência das guerras
napoleônicas.

Durante o século XVIII, a Espanha reformula aspectos de seu pacto


colonial. A suspensão do monopólio comercial da Casa de
Contratação de Sevilha dá maior flexibilidade às relações comerciais
entre metrópole e colônia. Mas, ao mesmo tempo, procura impedir o
desenvolvimento das manufaturas coloniais e combate o contrabando
inglês. Essas medidas contrariam os interesses da elite colonial, os
criollos (descendentes de espanhóis nascidos na América), que
lideram a maioria dos movimentos emancipacionistas. Eles são
considerados inferiores pela elite e proibidos de ocupar cargos
públicos, civis ou militares.

As guerras travadas peloImpério Napoleônico alteram o equilíbrio de


forças na Europa, que se reflete nos domínios coloniais. Em junho de
1808, Napoleão Bonaparte invade a Espanha, destrona o rei Carlos IV
e seu respectivo herdeiro, Fernando VII. Impõe aos espanhóis um rei
francês, seu irmão, José Napoleão (José I). Na América, os cabildos
(instituições municipais que são a base da administração colonial),
sob comando dos criollos, declaram-se fiéis a Fernando VII e
desligam-se do governo de José I. Passam a exigir ainda maior
autonomia, liberdade comercial e igualdade com os espanhóis.

Com a restauração da Monarquia após a derrota de Napoleão, a


Espanha passa a reprimir os movimentos emancipacionistas. Diante
dessa situação, a elite criolla decide-se pela ruptura com a metrópole.
Conta com a aprovação da Inglaterra, que, interessada na liberação
dos mercados latino-americanos para seus produtos industrializados,
contribui militar, financeira e diplomaticamente com as jovens
nações. O Paraguai proclama a independência em 1811 e a
Argentina, em 1816, com o apoio das forças do general José de San
Martín. No Uruguai, José Artigas lidera as lutas contra as tropas
espanholas e obtém vitória em 1811. No entanto, a região é
dominada em 1821 pelo rei dom João VI e anexada ao Brasil, sob o
nome de Província Cisplatina, até 1828, quando consegue sua
independência.
San Martín organiza também no Chile a luta contra a Espanha e, com
o auxílio do líder chileno Bernardo O''Higginsjump: BAHFF, liberta o
país em 1818. Com isso, alcança o Peru e, com a ajuda da esquadra
marítima chefiada pelo oficial inglês Lord Cockrane, torna-se
independente do país em 1822. Enquanto isso, no norte da América
do Sul, Simón Bolívar atua nas lutas pela libertação da Venezuela
(1819), da Colômbia (1819), do Equador (1822) e da Bolívia (1825).
Em 1822, os dois líderes, Bolívar e San Martín, reúnem-se na cidade
de Guayaquil, no Equador, para discutir o futuro da América
hispânica. Bolívar defende a unidade das ex-colônias e a formação de
uma federação de repúblicas, e San Martín é partidário de governos
formados por príncipes europeus. A tese de Bolívar volta a ser
discutida no Congresso do Panamá, em 1826, mas é rejeitada.

Em toda a América hispânica há participação popular nas lutas pela


independência, mas a elite criolla se mantém hegemônica. No
México, no entanto, a mobilização popular adquire contornos de
revolução social: a massa da população, composta de índios e
mestiços, rebela-se ao mesmo tempo contra a dominação espanhola
e contra os criollos. Liderados pelos padres Hidalgo e Morelos, os
camponeses reivindicam o fim da escravidão, a divisão das terras e a
abolição de tributos, mas são derrotados. Os criollos assumem a
liderança do movimento pela independência, que se completa em
1821, quando o general Itúrbide se torna imperador do México. O
movimento pela emancipação propaga-se pela América Central (que
havia sido anexada por Itúrbide), resultando na formação da
República Unida da América Central (1823-1838), que mais tarde dá
origem a Guatemala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica e El Salvador.
O Panamá obtém independência em 1821 e a República Dominicana,
em 1844.

Cuba permanece como a última possessão espanhola no continente


até a Guerra Hispano-Americana. Ao contrário da América
portuguesa, que mantém a unidade territorial após a independência,
a América espanhola divide-se em várias nações, apesar de
tentativas de promover a unidade, como a Grã-Colômbia, reunindo
Venezuela e Colômbia, de 1821 a 1830, a República Unida da América
Central e a Confederação Peru-Boliviana, entre 1835 e 1838. A
fragmentação política da América hispânica pode ser explicada pelo
próprio sistema colonial, uma vez que as diversas regiões do império
espanhol eram isoladas entre si. Essa situação favorece também o
surgimento de lideranças locais fortes, os caudilhos, dificultando a
realização de um projeto de unidade colonial.

Fonte: www.superzap.com

Independência da América Espanhola


A independência da América espanhola está relacionada às
transformações que ocorreram no século XVIII na Europa e que
levaram à ruína o Absolutismo.

A independência das colônias inglesas na América do Norte, a


Revolução Industrial, o Iluminismo e a Revolução Francesa causaram
um grande impacto na América Espanhola.

Entre o final do século XV e o inicio do século XVI, a Espanha


constituiu na América um imenso império colonial, riquíssimo em
metais preciosos e que, até o final do século XVIII, foi a principal fonte
de sustento da Coroa espanhola. A Coroa dividiu a administração em
quatro vice-reinos; Nova Granada, Nova Espanha, Rio do Prata e Peru.
Junto foram criadas quatro capitanias com função de defesa:
Guatemala, Chile, Cuba e Venezuela.

O Pacto Colonial visava permanecer com o monopólio comercial


através de uma série de limitações comerciais e de algumas
obrigações por parte da colônia. Em meados do século XVIII, a riqueza
das colônias espanholas já não era a mesma. Em séculos anteriores
sugou praticamente toda riqueza de algumas regiões.

A Espanha tornou-se grande devedora da Inglaterra e da França, pois


importava produtos, já que seu desenvolvimento industrial era
atrasado.

Para contornar a situação, a Coroa espanhola, aumentou os impostos


e restringiu ainda mais o comércio colonial. Tais medidas
desagradaram os colonos, em especial os criollos. Além dessas
restrições econômicas, os criollos também eram proibidos de tomar
decisões políticas, pois o controle estava nas mãos dos Chapetones.

No século XIX, ocorreram diversas transformações no continente


americano. As colônias espanholas e o Brasil se transformaram em
Estados nacionais. Simultaneamente, os Estados Unidos se
expandiram para o Oeste, enfrentaram uma violenta guerra civil,
conhecida como Guerra da Secessão e, por fim, estabeleceram o seu
domínio na América Latina.

No século XIX, teve inicio o processo de descolonização da América


Latina. No século XIX, teve inicio o processo de descolonização da
América Latina, levando à formação de Estados independentes, cujo
modelo econômico era o agrário-exportador. Pouco antes da
emancipação das colônias espanholas, a sociedade colonial se
apresentava rigidamente hierarquizado, onde o nascimento, a
tradição e a riqueza definiam a posição social do individuo.

A elite colonial, dividia-se em:

Criollos
Eram descendentes de espanhóis nascidos na América.

Chapetones

Eram pessoas nascidas na metrópole e que possuíam todos os


privilégios e ocupavam os altos cargos administrativos.

Camada intermediaria

Era formada por comerciantes, advogados, médicos, professores,


artesões, etc.

Camada dominada

Era formada pela grande maioria da população.

Fonte: www.historiadomundo.com.br