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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - 2010

DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO


CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE
DIAGNÓSTICO
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE
DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

FAERJ / SEBRAE

Rio de Janeiro 2010


instituições executoras
FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E PESCA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Rodolfo Tavares - Presidente

SEBRAE-RJ - SERVIÇO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS


Rodolfo Tavares - Presidente do Conselho Deliberativo
Sérgio Malta - Superintendente
Evandro Peçanha - Diretor
César Vasquez - Diretor

INSTITUiçÕES parceiraS
SENAR-RIO
Maria Cristina Teixeira de Carvalho Tavares - Superintendente
REDETEC - Rede de Tecnologia do Rio de Janeiro
Paulo Alcantara Gomes - Presidente do Conselho Diretor
Armando Augusto Clemente - Secretário Executivo
Paula Gonzaga - Gerente Geral
Tereza Trinckquel - Resp. por Projeto MPEs
UFRRJ - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - Instituto de Zootecnia
Prof. Dr. Nelson Jorge Moraes Matos - Coordenador Técnico

OUTROS AUTORES
Profª Dra. Elisa Cristina Modesto - UFRRJ
Prof. Dr. Luiz Carlos de Oliveira Lima - UFRRJ
Dr. Moacyr Fiorillo Bogado - FAERJ
Prof. Dr. Pedro Paulo de Oliveira e Silva - UFRRJ
Profª Dra. Rosana Colatino Soares Reis - UFRRJ

COLABORADORES
Curt Pinto Cortes, Fernando Silveira Ferolla, Jorge Luiz Teixeira Palmeira, Marcos Alexandre da Silva, Matheus Resende
Oliveira, Mathias Mintelowsky, Plínio Leite Neto, Sandy dos Santos Lima e Tiago Sertã Passos

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS
Agropecuária Alambari e Rancho Seridó

DIAGRAMAÇÃO, IMPRESSÃO e acabamento


Editora Populis Ltda. (21) 2573-5511

Programação visual
Raquel Sacramento

REVISÃO
Alexandre Rodrigues Alves

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

D526
Diagnóstico da cadeia produtiva da pecuária de corte do Estado do Rio de Janeiro: relatório de pesquisa / [elaboração Nelson Jorge
Moraes Matos]. - Rio de Janeiro: FAERJ: SEBRAE-RJ, 2010.
il.

Inclui bibliografia
ISBN 978-85-87533-11-1

1. Pecuária - Rio de Janeiro (Estado). 2. Bovino de corte - Rio de Janeiro (Estado). 3. Bovino de corte - Aspectos econômicos - Rio
de Janeiro (Estado). I. Matos, Nelson Jorge Moraes. II. Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Estado do Rio de Janeiro. III.
SEBRAE/RJ.

10-5847. CDD: 338.176213098153


CDU: 338.439.4:637.5’62(815.3)

11.11.10 23.11.10 022769


DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

SUMÁRIO
1 Introdução ......................................................................................................................... 07
2 Panorama da pecuária de corte no mundo ................................................................................... 09
2.1 - Rebanho mundial ........................................................................................................... 09
2.2 - Principais países produtores de carne bovina .......................................................................... 10
2.3 - Principais países exportadores de carne bovina ....................................................................... 15
3 Panorama da pecuária de corte no Brasil ..................................................................................... 17
3.1 - Histórico ..................................................................................................................... 17
3.2 - Distribuição geográfica da pecuária de corte no Brasil ............................................................... 17
4 Aspectos econômicos da pecuária de corte brasileira ...................................................................... 21
4.1 - Balança comercial da carne brasileira .................................................................................. 21
4.2 - Mercados de carne Halal .................................................................................................. 26
4.3 - Mercado de carne Kosher .................................................................................................. 28
4.4 - Importações ................................................................................................................. 28
4.5 - Perspectivas ................................................................................................................ 28
4.6 - Ciclo da pecuária bovina de corte no Brasil ............................................................................ 29
4.7 - Principais índices da pecuária de corte brasileira ..................................................................... 31
4.7.1 - Taxa de abate .......................................................................................................... 31
4.7.2 - Consumo per capita de carne bovina .............................................................................. 32
4.7.3 - Custo de produção .................................................................................................... 33
5 Sistemas de Produção ............................................................................................................ 35
5.1 - Fases do sistema de criação .............................................................................................. 35
5.2 - Sistemas de acasalamento ................................................................................................ 37
5.3 - Grupamentos raciais criados no Brasil ................................................................................... 37
6 Boas práticas na bovinocultura de corte ...................................................................................... 39
6.1 - Manejo sanitário ............................................................................................................ 39
6.2 - Manejo nutricional ......................................................................................................... 40
6.3 - Índices zootécnicos ......................................................................................................... 42
6.4 - Cadeia produtiva da carne bovina no Brasil ............................................................................ 48
7 O setor de abate e processamento no Brasil ................................................................................. 51
7.1 - Histórico ..................................................................................................................... 51
8 Inspeção sanitária da cadeia da carne bovina no Brasil .................................................................... 57
9 Evolução e distribuição espacial do abate no Brasil ........................................................................ 63
10 Pesos e rendimentos médios da carcaça e dos subprodutos de bovinos .................................................. 65
10.1 - Padronização dos cortes da carne bovina ............................................................................... 67
10.2 - Subdivisão da meia carcaça em grandes peças e cortes .............................................................. 68
11 Rastreabilidade .................................................................................................................... 75
12 Universo da pesquisa e técnicas utilizadas .................................................................................... 77
13 Diagnóstico da bovinocultura de corte no Estado do Rio de Janeiro ...................................................... 79
14 Perfil do Produtor ................................................................................................................. 89
15 Administração da empresa rural ................................................................................................ 97
16 Assistência técnica e capacitação tecnológica .............................................................................. 103
17 Participação em instituições representativas dos produtores ............................................................ 107
18 Índices de manejo e tecnológico .............................................................................................. 111
19 Avaliação do pesquisador ....................................................................................................... 133
20 Abate e Processamento ......................................................................................................... 135
21 Considerações sobre a atividade de abate de bovinos ....................................................................... 143
21.1 - Concentração do setor .................................................................................................... 144
22 Propostas para o desenvolvimento da pecuária de corte no Estado do Rio de Janeiro ................................ 149
23 Legislação ......................................................................................................................... 151
24 Glossário .......................................................................................................................... 153
25 Bibliografia consultada .......................................................................................................... 157

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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Apresentação

Este é o primeiro Diagnóstico da Bovinocultura de Corte do


Estado do Rio de Janeiro.

Devemos o feito ao apoio do Conselho Deliberativo do


Sebrae-RJ e ao Sistema Faerj/Senar-Rio, a Rede de
Tecnologia do Rio de Janeiro, a Universidade Federal Rural
do Rio de Janeiro, bem como aos técnicos e colaboradores
destas instituições.

Aqui, pesquisadores, produtores rurais, técnicos e


estudiosos, terão à disposição um conjunto de informações
da atividade, vista do mundo para o estado.

A bovinocultura é o ramo mais importante do agronegócio


fluminense e, portanto, deverá continuar a merecer grande
atenção no planejamento estratégico do setor para os
próximos anos.

Dedicamos o Diagnóstico ao maior líder rural da história


do Brasil: Antônio Ernesto de Salvo (1933/2007) - lá da
“currutela de Curvelo”, encravada nas montanhas das Minas
Gerais, que tanto amou. Presidente eterno da CNA-Brasil,
exemplo de ética, competência e sabedoria, valorizou todos
os líderes rurais e colocou nossa entidade maior na dianteira
do progresso das últimas décadas. Sem a sua heróica esposa
D. Jane e seus filhos, ele não teria conseguido manter suas
outras duas paixões, o guzerá e a CNA.

Vamos continuar lutando por nossos ideais. É o mínimo que


devemos ao Produtor Rural Fluminense.

Rodolfo Tavares
Presidente

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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

1 Introdução

De acordo com dados da Confederação da Agricultura e


Pecuária do Brasil, no mundo, o agronegócio representa
a geração de US$ 6,5 trilhões por ano. No Brasil, a
participação do agronegócio representa 26% do PIB,
com valores próximos a R$ 350 bilhões.

A bovinocultura de corte representa a maior fatia do


agronegócio brasileiro, gerando faturamento de mais de
R$ 50 bilhões/ano e oferecendo cerca de 7,5 milhões de
empregos.

Com o valor do comércio global de carne bovina


estimado em US$ 33 bilhões e com o crescimento das
exportações brasileiras, as possibilidades abertas
em mercados usualmente não atendidos pelo Brasil
mostram-se apropriadas à realização de estudos
mais amplos e ao levantamento das informações
disponíveis sobre a cadeia de carne bovina no Brasil
e sua inserção no mercado mundial (MAPA, 2006).

Este estudo tem por objetivo realizar, utilizando


linguagem de fácil compreensão ao público leigo, um
diagnóstico da cadeia produtiva da pecuária de corte no
Estado do Rio de Janeiro, identificando as características
principais da cadeia produtiva da bovinocultura de
corte no Estado e as limitações e barreiras observadas
no setor, estimular a mobilização dos agentes da cadeia
com visão de futuro, aumentar a competitividade e
apresentar informações que possam subsidiar tomadas
de decisões quanto ao desenvolvimento de políticas
públicas em nível federal, estadual e municipal.

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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

2 Panorama da Pecuária
de Corte no Mundo

2.1 Rebanho Mundial

A taxa de crescimento do rebanho bovino aproximadamente 190 milhões de cabeças,


mundial nos últimos cinco anos foi da ordem seguidos por China, com 140 milhões, EUA
de 4,2%. De acordo com estudos divulgados com 96,9 milhões, e União Européia, com
pela FAO (Food and Agriculture Organization) 87,8 milhões de cabeças. Dentre os maiores
em 2008, 69,7% deste rebanho estão produtores, somente o Brasil e a China
concentrados em quatro países e na União aumentaram os seus rebanhos neste período.
Européia: na Índia, com aproximadamente
282 milhões de cabeças, Brasil, com o A Tabela 1 apresenta a distribuição dos rebanhos
segundo maior rebanho mundial, com bovinos no mundo no período de 2004 a 2008.

Tabela 1 Evolução do rebanho bovino no mundo de 2004 a 2008.

Fonte: FAO, 2009.

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2.2 Principais países
produtores de
carne bovína

A produção mundial de carne bovina produção de 12,17 milhões de equivalente


no período de 2004 a 2008 apresentou carcaça, seguido do Brasil, com 9,2 milhões
crescimento da ordem de 6,6%, passando de toneladas de equivalente carcaça, União
de uma produção de 56.888 milhões de Européia e China com 8,12 e 7,30 milhões de
toneladas de equivalente carcaça em 2004 equivalentes carcaças, respectivamente.
para uma produção de 60.906 milhões de
toneladas de equivalente carcaça em 2008.
A Tabela 2 apresenta a evolução da produção
Destacam-se como maiores produtores os de carne de bovinos no mundo no período de
Estados Unidos da América do Norte, com 2004 a 2008.

Tabela 2 Produção mundial de carne bovina (em mil toneladas equivalente carcaça).

Equivalente carcaça = venda de carne com osso (carcaça).


Fonte: CNA, 2008.

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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

A demanda mundial por carnes no mundo 7,9 bilhões de habitantes em 2050. Em


crescerá graças ao aumento da população, contraste com o crescimento nos países em
urbanização e aumento da renda per capita. desenvolvimento, a população das regiões
desenvolvidas deve sofrer poucas alterações
Segundo um relatório divulgado pela ONU no período estudado, com uma média de
(Organização das Nações Unidas), a taxa 1,2 bilhão de habitantes. Para o Brasil, é
média de crescimento da população mundial estimada uma taxa de crescimento na ordem
é estimada em 1,1% ao ano. A  população de 1% ao ano.
mundial chegará a mais de 9,2 bilhões
de habitantes em 2050. De acordo com a Em 2010, a população urbana mundial,
pesquisa, o mundo terá um aumento de 2,5 estimada em 3,3 bilhões de pessoas,
bilhões de habitantes nos próximos 40 anos, ultrapassará a população rural, indicando
passando dos 6,7 bilhões a 9,2 bilhões em que haverá mais pessoas vivendo em cidades
2050. Segundo o informe, esse aumento será e menos no campo.
absorvido, em sua maioria, pelos países em
desenvolvimento. As Figuras 1 e 2 representam as projeções
realizadas pela ONU acerca da taxa de
Sozinhos, esses países devem passar de crescimento e evolução da população rural e
5,4 bilhões de habitantes em 2009 para urbana no mundo no período de 2005 a 2050.

Figura 1 Estimativa de crescimento populacional no período de 2005 a 2050.

Fonte: Souza, 2009.

11
Figura 2 Projeção da população rural e urbana no mundo.

Fonte: ONU, In: ABIEC, 2008.

O consumo de carne tenderá a aumentar onde isso mais ocorrer. Dessa maneira, pode-se esperar
crescimento de consumo em países emergentes, em crescimento e com aumento do percentual
da população que vive nas cidades.

Figura 3 Projeção da taxa de crescimento da renda per capita.

*Renda per capita - Valor em dólar que cada habitante receberia caso o PIB (Produto Interno Bruto**), fosse dividido igualmente por toda a
população.
**Produto Interno Bruto - indicador econômico que representa a soma dos valores de todos os bens produzidos por um país em determinado
período. 
Fonte: FAO, 2006, In: ABIEC, 2008 .

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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

As projeções apontam para o crescimento da O país que melhor representa as mudanças


renda per capita principalmente nos países causadas por essas grandes tendências é
em desenvolvimento, o que certamente a China, que consome hoje 24% de toda
influenciará no consumo de carne. Relatório carne (suínos, aves e bovina) produzidas no
do USDA (2005) apresenta estimativas de mundo; é o país onde o consumo mais vai
crescimento do PIB das principais regiões para aumentar em volume absoluto até 2015.
o período 2006-2014; neste período os países
em desenvolvimento terão crescimento O consumo de carne bovina no mundo
econômico de 5,1% ao ano. registrou aumento, no período de 2000
a 2008, de 1,7% ao ano, passando de um
A Figura 4 apresenta uma estimativa do consumo de 53 mil toneladas de equivalente
consumo per capita de carne de bovino em carcaça para aproximadamente 60 mil
diferentes regiões. toneladas. O crescimento observado foi

Figura 4 Projeção do consumo per capita de carnes em diferentes regiões.

Fonte: FAO, 2006, In: ABIEC, 2008.

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fortemente influenciado pelo aumento de Estudos publicados pela FAO, em 2009, com
consumo nos países em desenvolvimento: projeção da produção de carne bovina até
3,1% ao ano, contra 0,5% ao ano observado 2050 apresentados na Figura 4 mostram
nos países desenvolvidos. que os países em desenvolvimento deverão
produzir cerca de 70% da produção
No ano de 2008, os principais mercados mundial. O aumento da demanda interna,
consumidores de carne bovina foram os EUA, a limitação de oferta, custo de produção
com a absorção de 22% da produção mundial, maior do que outros países exportadores,
a União Européia, com 14%, seguidos da China
redução no rebanho levarão principalmente
e Brasil, com 13 e 12% respectivamente. Estes
a União Européia, a Rússia e os Estados
países foram responsáveis pelo consumo de
61% da carne produzida. A Figura 5 apresenta, Unidos da América do Norte a aumentar
em valores percentuais, os principais países suas importações de carne bovina nos
consumidores de carne bovina em 2008. próximos anos.

Figura 5 Consumo mundial de carne bovina em 2008.

Fonte: OLIVEIRA, 2009.

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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Figura 6 Produção mundial de carne de acordo com o estágio de desenvolvimento.

Fonte: FAO, 2009.

Os dois grandes aumentos da produção de carne bovina para os próximos 10 anos devem vir da
China e do Brasil. Contudo, a produção chinesa será quase toda voltada para o mercado interno.

2.3 Principais países


exportadores de
carne bovina
proveniente do Canadá, da Austrália e da
No mundo, a comercialização de carne
Nova Zelândia.
bovina é realizada em atendimento aos
mercados do Pacífico e aos do Atlântico. No lado do Atlântico, dos países do
No mercado do Pacífico, os principais MERCOSUL, o Brasil é o maior exportador
produtores são Austrália, com 18% das mundial, respondendo por 24% da produção
exportações mundiais, Nova Zelândia, com mundial; Argentina, Uruguai e Brasil são os
principais fornecedores da Comunidade
7% e Estados Unidos, com 11%, e os grandes
Europeia. (IICA: MAPA/SPA, 2007).
importadores são o Japão e a Coreia do
Sul. Os Estados Unidos, além de serem Na Figura 7 são apresentados os valores
grandes produtores, sempre foram grandes percentuais da quantidade exportada
importadores, principalmente da carne pelos principais países produtores de carne
bovina.

15
Figura 7 Principais países exportadores de carne bovina em 2009 (valores em percentagem
da quantidade).

Fonte: Adaptado de Minerva Alimentos, 2009.

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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

3 Panorama da Pecuária de
Corte no Brasil

3.1 Histórico
A pecuária foi trazida para o Brasil pelos da fazenda à indústria e ao comércio,
portugueses no século XVI, através da gerando renda e criando empregos em seus
introdução de gado crioulo da Península diversos segmentos (CORRÊA, 2000, in PORTA
Ibérica. Esta introdução foi realizada onde GRÜNDLING, et al. 2009).
hoje se localiza o Estado da Bahia. Já no
século XVII, outros animais teriam chegado à
capitania de São Vicente. 3.2 Distribuição geográfica da
Posteriormente, no início do século XX,
pecuária de corte no Brasil
foram importados animais zebuínos da Índia,
principalmente da raça nelore, que, por suas O Brasil possui o maior rebanho bovino
características adaptativas ao clima tropical, comercial do mundo. Estimados, em 2009, em
dominaram o setor de pecuária de corte 207 milhões de cabeças, as características do
do país. Ainda no século XX, após as duas rebanho são de aproximadamente 75% para
grandes guerras mundiais, muitos programas corte, 20% leiteiro e o restante com dupla
de incentivos, inclusive financeiros, foram aptidão.
criados para levar o gado zebuíno e a
braquiária, numa expansão que se deu A criação de gado de corte, desde o período
nas regiões Norte e Centro-Oeste do país, colonial brasileiro, tem ocupado áreas da
denominadas zonas de expansão da fronteira chamada fronteira agrícola, onde pouca
agropecuária. ou nenhuma tecnologia é adotada. Assim,
criou-se a ideia de que gado de corte deve
A bovinocultura nacional possui relevância ser criado de forma extensiva e sem nenhum
socioeconômica para o Brasil. Além de investimento em equipamentos e insumos. Em
movimentar a indústria e a distribuição termos de localização geográfica, conforme
de uma gama variada de insumos que apresentado na Figura 8, a produção pecuária
utiliza no segmento produtivo, a cadeia da encontra-se distribuída por todas as regiões,
pecuária bovina, incluindo produção, abate, com predominância para o Centro-Oeste,
transformação, transporte e comercialização com 34,8% do rebanho, seguido da região
de produtos e subprodutos fornecidos pela Norte, com 20%, da região Sudeste, com
exploração do rebanho, movimenta um 18,8%, da região Sul, com 13,4%, e da região
grande número de agentes e de estruturas, Nordeste, com13%.

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Figura 8 Distribuição da pecuária de corte por região no Brasil.

Fonte: IBGE, 2009.

A bovinocultura de corte se distribui em Na região Sul, 87,8% do rebanho se localizam


todos os estados da federação. Nos últimos no Estado do Rio Grande do Sul, com 14,2
anos, na região Norte o destaque é para milhões de cabeças, e no Estado do Paraná,
expansão da pecuária de corte nos estados com 10,2 milhões de cabeças.
do Pará, com 18,1 milhões de cabeças, e o
Na região Centro-Oeste, o rebanho do Distrito
estado de Rondônia, com 11,3 milhões, que
Federal é de 100.000 cabeças. Os demais
representam 71% do rebanho da região.
estados destacam-se por concentrar o maior
rebanho de bovinos do País: Mato Grosso,
Na região Nordeste, nos últimos anos ocorreu com 26,7 milhões de cabeças, seguido do
uma estabilização no rebanho, e a Bahia é Mato Grosso do Sul, com 24,5 milhões de
o estado que apresenta o maior rebanho cabeças, que é o segundo estado com maior
da região, com 10,5 milhões de cabeças, concentração nacional de bovinos, e Goiás
seguido do Maranhão, com 6,4 milhões, cujo rebanho ocupa a quarta colocação
concentrando nestes dois estados 62,6% do nacional, com um rebanho de 20,7 milhões
rebanho da região. de cabeças.

Na região Sudeste, 89,5% do rebanho se Na Tabela 3 pode ser observado, com


dados atualizados, como se comportam os
concentram nos Estados de Minas Gerais e números dos rebanhos por estado, ou seja,
São Paulo com 21,4 milhões de cabeças e a importância de cada estado na atividade
13,4 milhões de cabeças, respectivamente. pecuária nacional.

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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Tabela 3 Distribuição do rebanho bovino por região e unidade da federação (em


milhões de cabeças).

Fonte: IBGE, 2007.

Com base no levantamento sistemático e em outras regiões. De acordo com dados


contínuo dos preços das terras brasileiras, publicados pelo IBGE, em 2008, no Brasil
empreendido pelo Instituto FNP (IFNP), são ocupados com pastagens e campos
de março de 2002 a fevereiro de 2008 a naturais aproximadamente 172 milhões de
valorização média das terras no Brasil chegou ha, equivalentes a 20,2% do território. O
a 131%, valores muito acima da inflação mesmo estudo mostra ainda que existe para
do período (53,16%). As áreas apontadas
ser utilizada em atividades agropecuárias
com maior crescimento em investimento
área equivalente a 106 milhões de ha,
na pecuária de corte estão localizadas em
regiões onde o custo da terra comparado com equivalentes a 12,5%.
outras regiões é relativamente mais barato.
A Figura 9 apresenta uma estimativa das áreas
O aumento da atividade pecuária nessas ocupadas no Brasil com diferentes atividades
regiões pode ser interpretado como e disponíveis para uso na agropecuária, de
efeito indireto da expulsão da atividade acordo com dados do IBGE e MAPA.

19
Figura 9 Distribuição territorial e utilização das terras no Brasil.

Fonte: CNA, 2009.

De acordo com dados publicados pelo IBGE, Em áreas entre 10 e 100 ha, dispõem-se 24% do
em 2009, a maior parte do rebanho brasileiro rebanho, sendo 34,06% dos estabelecimentos
(38,74%) situa-se em áreas entre 100 e 1.000 responsáveis por esse rebanho. Por último,
ha, categoria em que se encontram apenas estão os estabelecimentos com menos de
9,35% dos estabelecimentos nacionais. 10 ha, que representam somente 8,25% do
rebanho e 43,96% dos estabelecimentos.
Em seguida, destacam-se áreas maiores de Dessa forma, verifica-se que, apesar de a
1.000 ha, que englobam 27,19% do rebanho maior parte dos estabelecimentos encontrar-
nacional, distribuídos em apenas 0,94% dos se em áreas com menos de 100 ha, a maior
estabelecimentos. parte do rebanho bovino encontra-se em
poucas e maiores propriedades.

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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

4 Aspectos Econômicos da Pecuária


de Corte Brasileira

4.1 Balança Comercial da


Carne Brasileira
O principal mercado da indústria de carne em razão das restrições à carne dos países
bovina é o interno, que absorve cerca de concorrentes em função da doença da
80% da produção nacional. A participação do Encefalopatia Espongiforme Bovina (BSE)
Brasil na comercialização de carne bovina também conhecida como doença da vaca
no mercado mundial não é um fenômeno de louca.
curto prazo; desde 2005, o Brasil ocupa a
posição de maior exportador de carne bovina Em 2009, o Brasil produziu em torno de 9,18
do mundo. milhões de toneladas de equivalente carcaça
de carne bovina, das quais aproximadamente
Vários são os fatores que contribuíram para o 80% foram destinados ao mercado doméstico
aumento das exportações brasileiras; dentre e 20% à exportação, com 75% do volume
eles se destacam o baixo custo de produção nas formas in natura, 13,5% na forma
no Brasil, comparado a outros países industrializada, 6% de miúdos, 5% de tripas
exportadores, aumento das exportações e 0,2% salgadas. A Figura 10 apresenta as
para países tradicionalmente compradores percentagens referentes à exportação de
de carne dos Estados Unidos, postura mais diferentes tipos de cortes realizada pelo
agressiva na conquista a novos mercados Brasil em 2009.

Figura 10 Participação dos tipos de corte nas exportações de carne bovina em 2009.

Fonte: ABIEC, 2010.

21
Embora o Brasil seja o primeiro em volume exportado, 75% do volume exportado é de carne
fresca ou congelada, com menor valor agregado. A Tabela 4 apresenta o preço médio em dólares
de comercialização da carne bovina brasileira em 2009, de acordo com o processamento.

Tabela 4 Preço médio de comercialização de acordo com o processamento em 2009.

Fonte: Adaptado de ABIEC, 2010.

A exportação de carne bovina brasileira é dados de volume em quilograma e valores


realizada de maneira pulverizada para mais em dólares das exportações de carne e
de 150 países. No ano de 2009, as exportações derivados para diferentes regiões do mundo
de carnes e derivados alcançaram volume de e os diferentes tipos de carnes e derivados
aproximadamente 1,25 milhão de toneladas, exportados pelo Brasil em 2009, em que 68%
correspondendo a valores na ordem de US$ do volume exportado foi na forma de carne
4,12 bilhões. As Tabelas 5 e 6 apresentam os congelada e desossada.

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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Tabela 5 Destinos das exportações de carnes e derivados (janeiro/2009 a


dezembro/2009).

Fonte: ABRAFRIGO, 2010.

Para a América do Sul, as exportações foram o destaque, com importações em volume


da ordem de 4,2% do volume total exportado, equivalente a 57% do total enviados àquele
sendo 76% deste volume absorvido pela continente. Na Europa Ocidental, as
Venezuela. O volume comercializado para exportações equivaleram a 11,6% do total,
a América do Norte foi da ordem de 3,8%, volume pulverizado por vários países.
sendo que 92% do volume comercializado
naquele continente foram direcionados aos Para os países do Leste Europeu, o volume
EUA na modalidade de carne industrializada. exportado foi equivalente a 27,4% do
volume total, sendo 97,8% deste volume
O continente africano foi responsável pela comercializados com a Rússia, que permanece
aquisição de 15% do volume total exportado como maior comprador de carne in natura do
de carnes e derivados, onde a Argélia foi Brasil.

23
Para a Oceania, o Brasil exporta um volume deste volume comercializados no leste da
muito pequeno, 0,1% do total, pulverizado Ásia com Hong Kong; no Oriente Médio, os
pelos países daquele continente. Para o maiores volumes exportados foram para o
continente asiático, o volume das exportações Irã, com 7,1%, e o Egito com 6,5%.
de carnes e derivados foi de 36,9%, com 45%

Tabela 6 Exportação brasileira de carnes e derivados de bovinos (janeiro/2009 a


dezembro/2009).

Fonte: ABRAFRIGO, 2010.

24
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

As Figuras 11, 12 e 13 apresentam um panorama, em 2009, dos principais países importadores,


de carne bovina in natura, industrializada e de miúdos, tripas e salgados exportados pelo Brasil.
Os países que compõem a União Européia, quando considerados conjuntamente, representam
o maior destino das exportações brasileiras de carne bovina. Vale ainda destacar o papel da
Rússia, do Egito e de Hong Kong nas importações do produto brasileiro. Esses destinos têm
aumentado sistematicamente o consumo do produto nacional.

Figura 11 Importadores de carne industrializada do Brasil em 2009.

Fonte: ABIEC, 2010.

Figura 12 Principais importadores de carne in natura fresca ou congelada do Brasil


em 2009.

Fonte: ABIEC, 2010.

25
Figura 13 Principais importadores de miúdos, tripas frescas e salgadas do Brasil, em
2009.

Fonte: ABIEC, 2010.

4.2 Mercado de Carne Halal

De acordo com a Associação Brasileira das pelo Alcorão Sagrado e pela Jurisprudência
Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), Islâmica. Esses alimentos não podem
esse mercado é composto, potencialmente, conter ingredientes proibidos, tampouco
por cerca de 1,5 bilhão de muçulmanos parte deles. De acordo com as exigências
que existem no mundo. O crescimento das das embaixadas dos países islâmicos, o
importações de carne brasileira pelo Egito, abate Halal deve ser realizado em separado
Irã, Argélia e Indonésia, atesta esse potencial.
do não-Halal, sendo executado por um
A Figura 14 apresenta a localização geográfica
mulçumano mentalmente sadio, conhecedor
dos principais países importadores de carne
Halal e potenciais mercados formados por dos fundamentos do abate de animais no Islã.
países onde mais de 50% da população é
muçulmana. As normas básicas a serem seguidas para o
Figura 14 abate Halal, de acordo com a ABIEC, são:
Segundo o Alcorão, livro sagrado da religião
• Serão abatidos somente animais
islâmica, o alimento é considerado Halal
saudáveis, aprovados pelas autoridades
(permitido para consumo) quando obtido de sanitárias e que estejam em perfeitas
acordo com os preceitos e as normas ditadas condições físicas;

26
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

• A frase “Em nome de Alá, o mais É importante ressaltar que o abate e


bondoso, o mais misericordioso” deve processamento Halal vislumbra produzir
ser dita antes do abate; produtos seguros e que tragam benefícios à
• Os equipamentos e utensílios utilizados saúde de quem os consome. Portanto, higiene
devem ser próprios para o abate Halal. e sanidade são requisitos imprescindíveis
A faca utilizada deve ser bem afiada, para os operadores e suas vestimentas,
para permitir uma sangria única que equipamentos e utensílios empregados no
minimize o sofrimento do animal; processo, evitando assim as contaminações
• O corte deve atingir a traquéia, o por substâncias não-Halal.
esôfago, artérias e a veia jugular,
para que todo o sangue do animal Por esta razão, todo o preparo, processamen-
seja escoado e o animal morra sem to, acondicionamento, armazenamento e
sofrimento; transporte devem ser exclusivos para os
• Inspetores mulçumanos acompanharão produtos Halal, que obrigatoriamente são
todo o abate, uma vez que eles são certificados e rotulados conforme a lei da
os responsáveis pela verificação dos Sharia.
procedimentos determinados pela
Sharia.

Figura 14 Principais países importadores de carne Halal e potenciais mercados.

Fonte: MORATA, 2008.

27
O rótulo deve conter o nome do produto, importado ao longo dos últimos anos tem
número do SIF, nome e endereço do sido inexpressivos; em 2009 os valores foram
fabricante, do importador e do distribuidor, de 1% em relação às exportações brasileiras.
marca de fábrica, ingredientes, código
numérico identificador de data, carimbo ou
etiqueta para identificação Halal e país de 4.5 Perspectivas
origem.

No caso de produtos de carne primária, De acordo com Projeções do Agronegócio


também devem constar a data do abate, da - Brasil - 2008/09 a 2018/19, realizadas
fabricação e do processamento.
pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento, haverá expressiva mudança
4.3 Mercado de Carne Kosher de posição do Brasil no mercado mundial.
A relação entre exportações brasileiras e o
comércio mundial mostra que, em 2018/19,
É a definição dada aos alimentos preparados
de acordo com as Leis Judaicas de as exportações de carne bovina brasileira
alimentação. A Torá exige que bovinos representarão 60,6% do comércio mundial de
sejam abatidos de acordo com essas leis, carne bovina. Apesar de o Brasil apresentar
num ritual chamado Shechita. Apenas uma nos próximos anos forte potencial de
pessoa treinada, denominada Shochet, é aumento das exportações, o mercado interno
apta a realizar esse ritual. Antes do Shechita terá forte fator de crescimento do consumo
é realizada uma oração especial chamada de alimentos provocado pelo crescimento
Beracha. O objetivo desse ritual é fazer a populacional e do aumento de renda.
degola do animal ainda vivo e assim provocar
uma morte instantânea, sem dor. É utilizada
Este cenário aponta para outra expectativa
uma faca especial bem afiada. O corte deve
importante para o setor, que será a contínua
atingir a traquéia, o esôfago e as principais
veias e artérias do pescoço. Deve haver evolução do modelo produtivo e do uso
intensa sangria do animal. Em 2009, esse intenso de novas tecnologias. Nos rebanhos
mercado representou vendas do Brasil para o comerciais o desempenho econômico das
Estado de Israel no valor de 91,3 milhões de propriedades, ou seja, maior produção
dólares (ABIEC, 2010). carne/ha/ano está diretamente relacionado
com medidas a serem tomadas dentro da
porteira, como aumento da capacidade de
4.4 Importações suporte das pastagens, aumento do peso
a desmama e o ganho de peso no período
As importações brasileiras totais de carne das águas e da seca, aumento da eficiência
bovina e outros animais vêm se reduzindo reprodutiva, intensificação do controle
acentuadamente a cada ano. As principais
sanitário, em particular da febre aftosa e
importações são oriundas do Uruguai,
adoção da rastreabilidade no rebanho.
Paraguai e Argentina, mas o volume total

28
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

4.6 Ciclo da pecuária bovina O último ciclo da pecuária de corte brasileira


de corte no Brasil teve seu início em 2003, quando a baixa
rentabilidade do setor levou os pecuaristas
A pecuária de corte no Brasil possui um a aumentar o abate de matrizes. De acordo
ciclo econômico com duração entre três com o comportamento do preço da arroba e
e cinco anos, também referenciado como a oferta de boi gordo ao mercado, é estimado
ciclo do boi, que se inicia com um período que esse ciclo tenha se encerrado no final
do ano de 2007. Especialistas no mercado
de abundância de matrizes, alta produção
estimam que a reversão desse ciclo seja mais
de bezerros e, como consequência, alta
visível a partir de 2010, com o aumento de
produção de carne. Com o aumento na oferta boi gordo ao mercado.
de bezerros, o preço deste diminui e passa
a ser mais lógico economicamente abater a As Figuras 15, 16 e 17 apresentam as variações
matriz do que produzir mais bezerros. Com anuais dos abates de boi e vacas de 1998 a
o aumento no abate de vacas, a quantidade 2008, a evolução na produção de bezerros
de bezerros diminui e seu preço aumenta, no mesmo período e a variação no preço da
voltando a ser mais viável a retenção de arroba do boi durante o período de 2006 a
fêmeas para refazer os rebanhos. 2009, de acordo com Minerva Alimentos,
2009.

Figura 15 Variações anuais dos abates de bois e vacas.

Fonte: Minerva Alimentos, 2009.

29
Figura 16 Evolução da produção de bezerros.

Fonte: Minerva Alimentos, 2009.

Figura 17 Variação no preço da arroba dos bovinos.

Fonte: Minerva Alimentos, 2009.

30
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

4.7 Principais índices da pecuária de corte brasileira

4.7.1 - Taxa de abate

Por definição, é um valor em percentual que representa número de animais abatidos


por ano em relação ao número total de animais no rebanho. A taxa de abate brasileira é
baixa, em razão da idade tardia dos animais em condições de abate, quando comparada
com os demais países produtores e exportadores de carne. Essa variação nas taxas é
uma consequência da diferença do nível tecnológico na criação de bovinos para corte
adotado nos diferentes países. A Tabela 7 apresenta a taxa de abate de alguns países
produtores e exportadores de carne.

Tabela 7 Taxa de abate de bovinos em 2009 em países exportadores de carne bovina.

Fonte: ABIEC, 2010.

31
4.7.2 - Consumo per capita de carne bovina

A Argentina e o Uruguai são os países que apresentam maior consumo per capita
de carne bovina, com valores de 70 e 53 kg/habitante/ano, respectivamente. O
consumo no Canadá e na Austrália tem permanecido estável nos últimos anos,
com valores médios de 45 kg/habitante/ano. No mercado brasileiro, o consumo
ficou em 37,4 quilos no ano de 2009. A Figura 18 apresenta o comportamento
do consumo de carne bovina por habitante no período de 2003 a 2009.

Figura 18 Consumo per capita de carne bovina.

Fonte: ABIEC, 2010.

32
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

4.7.3 - Custo de produção

Entende-se por custo de produção a soma estratégias que nos próximos anos
dos valores de todos os recursos (insumos) venham aumentar a rentabilidade da
e operações (serviços) utilizados no sua atividade (COELHO et al, 2008).
processo produtivo de uma atividade
agrícola (COELHO et al, 2008). A Figura 19 apresenta os principais
componentes que representam o custo
Como medida para aumentar a margem para a produção do boi gordo no Brasil.
de lucro na pecuária, pode-se contar com
o aumento na produtividade ou redução Na média nacional, os custos com mão
dos custos. Para ambos os casos é preciso de obra representam 22% dos custos de
que se tenha o valor de quanto custa produção. Os custos da alimentação,
produzir o quilo de carne na propriedade incluindo os preços do sal mineral e
e, com base nesse dado, através de pastagens, representam 41% do custo
simulações e comparações, definir total de produção.

Figura 19 Custo de produção do boi gordo (insumos do boi gordo).

Fonte: CEPEA, 2010.

33
A Tabela 8 apresenta uma síntese dos custos de produção dos principais países exportadores
de carne; Austrália e EUA apresentam custos de produção de 80 a 90% maiores em relação aos
obtidos no Brasil. Isto se deve principalmente aos elevados custos da alimentação, naqueles
países, onde predominam dietas ricas em grãos.

Tabela 8 Custo de produção de carne bovina em diferentes países produtores.

Fonte: Vários autores.

34
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

5 Sistema de Produção

No Brasil, os sistemas de produção podem ser Sistema intensivo ou confinamento: é o


classificados como: sistema onde os animais destinados ao abate
são criados durante um período de 90 a
Pecuária extensiva: é caracterizada pela 120 dias em lotes, em piquetes ou currais
criação dos bovinos exclusivamente a pasto com área restrita recebendo nesse local os
de gramíneas nativas, principalmente alimentos e água. No Brasil, essa prática é
dos gêneros Brachiaria e Panicum, sem realizada durante o período da seca, período
suplementação alimentar; em geral, apenas da entressafra de animais para o abate.
é fornecido periodicamente sal mineral. De acordo, com Associação Nacional dos
Nas propriedades que adotam este sistema, Confinadores (ASSOCON), a quantidade de
os animais ocupam grandes áreas e são animais confinados em 2009 foi semelhante
poucos eficientes, tanto produtiva, quanto à de 2008, estimada em 2,7 milhões de
economicamente, com taxa de desfrute cabeças, com destaque para os Estados de
muito baixa. Este sistema é o que predomina Goiás, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato
na maioria dos estados brasileiros. Grosso e Minas Gerais.

Sistema semi-intensivo: é praticado em


propriedades de menor extensão de terra. 5.1 Fases do sistema de
Este sistema exige a formação de pastagens criação
de forrageiras melhoradas, suplementação
mineral constante no cocho, escrituração A pecuária de corte no Brasil é caracterizada
zootécnica, separação do rebanho de acordo
por três fases:
com o sexo, idade e finalidade, adoção de
medidas sanitárias adequadas, alimentação
Cria: é marcada pela propriedade que produz
suplementar durante o período de
animais até a desmama; nestas propriedades,
estacionalidade da produção de forragens.
Este sistema têm sido adotado pela após a desmama, que ocorre de seis a sete
maioria dos produtores que trabalham com meses, os animais são comercializados. O
melhoramento genético e têm como atividade objetivo maior de quem se dedica à cria de
a produção de matrizes e reprodutores. bovinos deve ser investir recursos financeiros
Contudo, este sistema também é adotado suficientes para aplicar tecnologias que
em propriedades que têm como objetivo a garantam o desmame de um bezerro pesado
produção de animais precoces para o abate. e saudável, de cada vaca do rebanho por ano.

35
Recria: esta fase é caracterizada por que alcancem peso próximo a 16 arrobas. A
propriedades que adquirem animais terminação de bovinos no Brasil é realizada
desmamados e permanecem com eles criados quase que exclusivamente a pasto, sendo
a pasto com ou sem suplementação até que que 95% dos animais destinados ao abate
alcancem o peso próximo a 12 arrobas, anualmente são terminados desta forma.
quando são comercializados.
No Brasil, a distribuição das propriedades de
acordo com a fase do sistema de exploração
Terminação ou engorda: são propriedades adotado é mostrada na Figura 20; 24% das
que têm como atividade a aquisição de propriedades realizam a fase de cria, 21%
animais com peso próximo a 12 arrobas e cria e recria e 18% o ciclo completo (cria,
que a pasto ou confinados são mantidos até recria e engorda).

Figura 20 Estrutura de produção de acordo com a fase de exploração.

Fonte: CORREA, 2009.

36
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

5.2 Sistemas de acasalamento (zebu) e originárias da Europa, do gênero Bos


taurus (taurinos) e seus cruzamentos.
Os principais sistemas de acasalamento são:
a monta a campo, a monta controlada ou Raças zebuíno-originárias na Índia
dirigida e a inseminação artificial.
Representam cerca de 80% dos bovinos
O sistema de acasalamento mais empregado criados, têm como característica a
na pecuária de corte extensiva é a monta rusticidade, destacando-se a adaptação ao
em campo. Nesse regime de acasalamento,
calor, umidade e radiação solar dos trópicos,
os touros permanecem junto ao rebanho de
às grandes variações na disponibilidade
fêmeas na relação de um touro para 25 vacas.
de alimentos e alta resistência à endo e
Na monta controlada, o touro é mantido ectoparasitas. Dentre as representantes
separado das vacas; quando uma fêmea é deste grupo destacam-se as raças, Nelore,
detectada em cio ela é trazida para junto do Gir, Guzerá e Sindi. As raças formadas
touro, onde permanece até a cobrição. no Brasil são a Indubrasil resultantes do
cruzamento entre raças Guzerá e Nelore, e a
Com relação à inseminação artificial, de Tabapuã, como resultado da fusão de animais
acordo com dados da Embrapa (Centro Mocho nacional com Guzerá e Nelore.
Nacional de Pecuária de Gado de Corte-
CNPGC) somente de 3% a 5% do rebanho Nos EUA, a raça Brahmam, foi formada a
bovino de corte utilizam a inseminação
partir do cruzamento de animais das raças
artificial. Uma das grandes limitações à sua
Gir, Nelore e Guzerá.
expansão, está relacionada com o sistema
extensivo de exploração da pecuária de corte
brasileira. Raças taurinas

São raças de origem do continente europeu,


5.3 Grupamentos raciais podendo, de acordo com a origem ser
criados no Brasil subdividas em dois ramos:

Taurinos europeus britânicos de Origem


As raças bovinas de interesse para produção Insular
de carne, no Brasil, podem ser classificadas
do seguinte modo: raças Europeias da Originárias das Ilhas Britânicas, sendo a
subespécie Bos taurus taurus e raças indianas finalidade principal dessas raças, por muitos
da subespécie Bos taurus indicus. séculos, produzir carne para o consumo
humano. Estas raças foram selecionadas para
O rebanho de corte brasileiro tem como velocidade de crescimento, precocidade
predominância a utilização de raças sexual, fertilidade e qualidade de
originárias da Índia, do gênero Bos indicus carne, resultando em raças de tamanho

37
intermediário. No Brasil, as mais criadas as características de qualidade de carne,
são: Aberdeen Angus, Red Angus e Hereford, incluindo a maciez, estão mais próximas
Devon, Red Poll e Shortorn. daquelas das raças Européias do que das
raças indianas.
Taurinos Europeus de Origem Continental
Raças mais usadas no Brasil:
As raças deste ramo foram selecionadas
originalmente para tração na Europa 1. Bonsmara e Senepol.
Continental. Essa seleção com menor ênfase 2. Bonsmara - Africander + Hereford +
em outras características de produção Shorthorn
provocou o aumento da massa muscular e 3. Senepol - N’Dama + Red Poll
do peso adulto. As raças continentais são
conhecidas pelo elevado peso ao nascimento, Raças sintéticas
grande potencial de crescimento (ganho
de peso), alto rendimento de carcaça com São formadas por duas ou mais raças com
menor porcentagem de gordura. As principais grau de sangue fixado, visando manter
raças criadas no Brasil são: bons níveis de heterose e adaptabilidade.
Exemplos de raças sintéticas no Brasil são:
• De origem francesa: Limousin, Charolês Canchim, Simbrasil, Stabilizer, Beefmaster e
e Blonde d’Aquitaine; Montana. Nos EUA, Brangus, Braford e Santa

3.4• De origem suíça: Simental e Pardo-


Capacitação da mão de obra
Suíço;
Gertrudes.

• De origem italiana: Marchigiana, No Brasil, o cruzamento entre indivíduos


Piemontês e Chianina. de raças diferentes é uma ferramenta
utilizada para combinar o elevado potencial
Taurinos Tropicais – Adaptados de produção da raça de clima temperado
(origem europeia) com a adaptação da raça
As raças taurinas adaptadas também tropical (origem indiana).
evoluíram em regiões tropicais. Comparadas
com as Europeias, raças desse grupamento O cruzamento entre raças em rebanhos
têm maior resistência para calor e carrapatos comerciais (ou heterozigose) busca gerar
e ambiente com restrição alimentar. heterose, ou vigor híbrido, para um grupo de
características comercialmente importantes,
Devido à sua maior rusticidade e permitindo que a produtividade dos cruzados
características de adaptação, as raças exceda a produtividade de ambas as raças-
adaptadas têm um potencial de crescimento base. Vários programas com esta finalidade
mais baixo e menores exigências de alimento são desenvolvidos no Brasil.
e de manutenção que outras raças taurinas.
Para todas as raças taurinas adaptadas,

38
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

6 Boas Práticas na Bovinocultura


de Corte

6.1 Manejo sanitário


No Brasil, existem vários tipos de vacinas
para uso em bovinos de corte, sendo algumas
O manejo sanitário é um conjunto de contra enfermidades causadas por vírus,
atividades regularmente planejadas e bactérias e protozoários. As vacinações
direcionadas para a prevenção e manutenção devem ser encaradas como parte de um
da saúde dos rebanhos. Consiste em programa de manejo sanitário e devem
vacinações, desverminação e controle de ser planejadas para o atendimento das
ectoparasitas. necessidades específicas do rebanho.

As ações de prevenção podem ser Existem vacinas recomendadas para


uso rotineiro e as utilizadas em
classificadas em dois níveis: controle e
condições específicas. As vacinas de uso
erradicação, de acordo com o objetivo em
rotineiro são aquelas programadas para
questão. O controle visa reduzir a frequência controlar as doenças existentes na região
de ocorrência de uma doença já presente onde os animais estão sendo criados. Por outro
na população, enquanto que a erradicação lado, as utilizadas em condições específicas
busca eliminar totalmente a doença. são aquelas necessárias somente quando for
detectada a possibilidade de ocorrência das
O estudo de programas de saúde animal doenças no local de criação.
para a prevenção de enfermidades em
sistemas de produção de gado de corte em São adotadas as seguintes vacinações e
nossas condições diz respeito às vacinações medidas profiláticas de rotina:
e vermifugações que compõem o calendário
sanitário, para evitar o aparecimento • Febre aftosa: é feita em todo o rebanho;
aplica-se a vacina oleosa, conforme o
de doenças que possam comprometer os
calendário do órgão de defesa sanitária
resultados dos trabalhos, assim como o
estadual.
combate aos vermes, bernes, moscas, • Brucelose: aplica-se a vacina (dose
carrapatos e outros tantos que causam única) nas fêmeas por ocasião da
inúmeros prejuízos que, muitas vezes, não desmama. Deve-se fazer teste de
são contabilizados e, como consequência, soroaglutinação em todos os animais em
baixam os índices de produtividade. idade reprodutiva uma vez ao ano.

39
• Carbúnculo sintomático e gangrena internacional é a questão sanitária, ainda
gasosa: aplica-se a vacina polivalente não plenamente equacionada. A erradicação
de seis em seis meses da desmama aos da febre aftosa é um grande desafio para o
dois anos de idade. Brasil. Dados atualizados pelo MAPA mostram
• Botulismo: proceder a vacinações que 90% do rebanho brasileiro encontram-se
quando ocorrer surto da doença. Aplica- em áreas livre de febre aftosa.
se a vacina, anualmente, em todos os
animais com idade acima de um ano.
• Raiva bovina: vacinar todo o rebanho, 6.2 Manejo nutricional
nas regiões endêmicas, uma vez por
ano. Nas regiões livres, somente quando O clima tropical, com elevada quantidade
determinado pelas secretarias de de iluminação solar e pluviosidade, é ideal
agricultura. para a produtividade vegetal; por isso o
• Leptospirose: vacinar os animais de 4 Brasil é abundante em pastagens naturais e
a 6 meses de idade, com reforço quatro possui características ideais para pastagens
semanas após. Vacinação em todo o cultivadas. Estas características climáticas
rebanho semestralmente. proporcionam o desenvolvimento da pecuária
• Tuberculose: fazer o teste de brasileira baseada na criação extensiva,
tuberculinização, seguindo orientação isto é, o gado é criado solto em pastagens,
do PNCEBT (Programa Nacional de alimentando-se apenas de capim, com
Controle e Erradicação da Brucelose e suplementação de sal mineral.
da Tuberculose).
• Desverminação: Controlar os vermes A base de qualquer sistema de produção
gastrintestinais, com produtos começa pela eficiente exploração das
específicos e na dose recomendada pastagens. Do nascimento até a terminação,
pelo fabricante, do desmame até os a dieta predominante é a forragem, sendo
dois anos e meio de vida, aplicando esta responsável por grande parte do ganho
vermífugos nos meses de maio, julho de peso obtido até o abate. A terminação
e setembro. As vacas prenhes devem de bovinos no Brasil é realizada quase que
ser dosificadas em julho ou agosto e os exclusivamente a pasto, sendo que 85% dos
animais em terminação, antes de entrar animais destinados ao abate anualmente são
na pastagem vedada para engorda ou no terminados desta forma.
confinamento.
• Controle de ectoparasitos: é adotado O problema da sazonalidade da produção
o controle estratégico da mosca-dos- forrageira é conhecido e intensificado pelo
chifres. fato das forrageiras tropicais, mesmo no
período das chuvas, não serem capazes de
O berne e o carrapato devem ser controlados produzir, por muito tempo, alimento com
quando o nível de infestação exigir. qualidade que possibilite o atendimento das
exigências para crescimento dos animais, em
Um aspecto importante para o melhor especial aqueles de alto potencial genético.
posicionamento da carne bovina no mercado Assim, as gramíneas mais cultivadas, apesar

40
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

de produzirem grande quantidade de onde os animais são mantidos em pastagens


material forrageiro durante o período das de baixo valor nutricional, o fornecimento
águas, apresentam um período muito curto de sal proteinado se constitui em uma
no qual a forragem por elas produzida possui alternativa de manejo nutricional para suprir
qualidade capaz de possibilitar desempenhos a deficiência de proteína para o gado criado
compatíveis com a necessidade requerida de maneira extensiva.
para manter sistemas competitivos de alta
produção.  Enquanto o fato de se fundamentar em
pastagens resulta, por um lado, em
Uma estratégia adequada de suplementação vantagem comparativa por viabilizar custos
seria maximizar o uso de forragem através da de produção relativamente baixos, por
otimização de sua digestão, mas o suplemento outro, a utilização exclusiva dessa fonte de
não deverá suprir os nutrientes além dos alimentação tem, neste momento, em que as
requisitos animais. Tradicionalmente, competitividades por preço e por qualidade
suplementos alimentares são fornecidos para de produto impõem mudanças no setor, por
animais a pasto durante os meses de inverno apresentar-se bioeconomicamente inviável
e períodos de dormência da planta no verão, em muitas situações. Isso é agravado,
quando a qualidade da forragem é baixa. Sob principalmente, pela forma como essas
estas condições, a maioria do suplemento é pastagens são manejadas. 
usada para mantença e, frequentemente,
proteína é o nutriente mais limitante. Nos sistemas que utilizam a suplementação
com mistura de concentrados na seca
Os animais em pastejo na época seca não (semiconfinamento), há necessidade de
sofrem somente de carência de proteína, mas vedar áreas de pastagem para utilização.
também de carência de energia. Apesar de ser
de vital importância, a energia é considerada Nos sistemas mais intensificados, a recria
um nutriente de natureza secundária, dando- e/ou a terminação podem ocorrer em
se maior ênfase à correção das deficiências pastos com diferentes graus de correção e
proteicas das pastagens. O fornecimento fertilização dos solos. A correção e a adubação
de suplementação de energia apenas das pastagens aumentam a produção e a
não poderia por si só, eliminar tanto as qualidade da forragem disponível para os
deficiências energéticas como as proteicas, bovinos. Dessa maneira, é possível aumentar
por não atender completamente esta última. a taxa de lotação e o ganho diário de peso
Por outro lado, tanto a deficiência em energia vivo, resultando em maiores produções por
como em proteína podem ser eliminadas unidade de área.
apenas pela correção na deficiência proteica.
Aqueles que fazem uso do confinamento de
Desta forma, a suplementação de energia bovinos como técnica para reduzir a idade de
poderia ocorrer indiretamente através abate liberam áreas de pastagens para outras
do fornecimento de proteína. Assim, nos categorias de animais e reduzem a taxa de
períodos de estacionalidade de produção lotação das pastagens nos períodos críticos
de forragem, período da seca, ou criações (seca), obtendo, dessa maneira, melhor taxa

41
de abate, carcaças mais pesadas, com mais destacando-se a alimentação, do que pela
qualidade de acabamento na entressafra herança genética.
e maior produção de carne por unidade de
área. A infertilidade ou a subfertilidade das
matrizes afeta diretamente a eficiência
O atendimento dessa demanda ampla de reprodutiva do rebanho. A seguir serão
melhoria de eficiência será alcançado apresentados os parâmetros zootécnicos
pelos sistemas de produção de gado de reprodutivos de importância para a pecuária
corte de diversas maneiras, dentre elas o de corte.
desenvolvimento de sistemas especializados
nas diferentes fases até a produção de Índice de natalidade
carne, passando pelo uso de animais de
alto potencial genético em sistemas, É a forma de medir o resultado das fêmeas
envolvendo pastagens adubadas com pastejo em cobertura; pode ser calculado pela
rotacionado, suplementação alimentar em seguinte fórmula:
pasto e confinamento.

% Índice de natalidade = Nº de bezerros nascidos x 100


6.3 Índices zootécnicos Nº de fêmeas em cobertura

É uma ferramenta que permite verificar o Eficiência reprodutiva


desempenho produtivo e reprodutivo do
rebanho, permitindo ao produtor a avaliação É o parâmetro mais importante na
econômica do negócio. Esses índices reprodução. Representa o total de animais
desmamados em relação às vacas expostas
refletem em forma numérica o desempenho
em reprodução dentro de determinado ano.
dos diversos parâmetros da exploração
pecuária. Para tanto, há necessidade de que
A eficiência reprodutiva do rebanho pode ser
os produtores realizem a marcação individual
calculada através da seguinte fórmula:
dos animais, datas e pesos ao nascimento e
a desmama, ocorrência de mortes e abortos,
diagnóstico de gestação e o registro das % Eficiência reprodutiva = Nº de bezerros desmamadosx100
principais ocorrências e práticas de manejo Nº de fêmeas em cobertura
utilizadas na propriedade.
Na Tabela 9 são apresentados os resultados
Os índices zootécnicos podem ser divididos de uma simulação com diferentes taxas de
em índices reprodutivos e índices produtivos. natalidade para a produção de 100 crias por
ano. De acordo com os dados, à medida que
Índices reprodutivos ocorre a redução nos valores natalidade,
há necessidade do aumento do número de
A maioria das características reprodutivas matrizes para produzir a mesma quantidade
é influenciada mais pelo meio ambiente, de bezerros.

42
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Tabela 9 Efeito da eficiência reprodutiva na estrutura do rebanho.

Fonte: Adaptado de EL-MEMARI NETO, 2008.

Período de serviço: Período de tempo de dois a quatro anos, mantido o número de


em dias compreendido entre um parto e a matrizes e a taxa de descarte anual. Observa-
primeira cobertura fértil posterior a esse se, pelos dados da tabela, que, à medida
parto, de uma mesma matriz. que a idade ao primeiro parto aumenta, há
necessidade de maior número de novilhas na
Idade a primeira cria: Idade na qual a novilha fase de recria para substituição, aumentando
pariu pela primeira vez. desta maneira o custo de produção da
propriedade.
Para efeito ilustrativo, a Tabela 10 apresenta
uma simulação com idades ao primeiro parto

Tabela 10 Efeito da idade da primeira cria na estrutura do rebanho.

43
Intervalo entre partos (IEP): Período compreendido entre dois partos consecutivos de uma
vaca.

Na Tabela 11 são apresentados os resultados da simulação do efeito de diferentes intervalos


entre partos sobre o número de crias produzidas em um rebanho estabilizado com 100 matrizes.
Nota-se que, à medida que aumenta o intervalo entre partos, há uma redução do número de
crias produzidas.

Tabela 11 Efeito do intervalo entre partos na produtividade de rebanhos considerando


100 matrizes por ano de produção.

Índices produtivos

São índices que afetam a estrutura do rebanho; dentre eles os mais importantes são:

Mortalidades

A mortalidade traduz a relação entre o número de mortes e o total do rebanho. Destaca-se que,
devido à suscetibilidade a agentes patogênicos e predadores, deve-se avaliar a mortalidade
separadamente para bezerros, animais jovens (desmame há 24 meses) e animais adultos (acima
de 24 meses).

Mortalidade em bezerros

Mede a percentagem de mortes de animais do nascimento a desmama.

% Mortalidade em bezerros = Nº de bezerros mortos até o desmame x 100


Nº de bezerros nascidos

44
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Mortalidade em animais jovens e adultos: Mede a percentagem de mortes de animais dentro


da categoria:

% Mortalidade dentro da categoria = Nº de animais da categoria mortos x 100


Nº de animais da categoria

Taxa de vendas: Mede a percentagem de animais vendidos dentro do período determinado (ano
agrícola ou civil):

Taxa de vendas = Animais vendidos x 100


Total de rebanho (inicial)

Taxa de desfrute: Este índice representa a produção do rebanho dentro do período avaliado.

Taxa de desfrute = Nº de animais abatidos x 100


Nº de animais do rebanho

45
Dentre os fatores que contribuem para o As novilhas que concebem cedo na estação
baixo desfrute da bovinocultura de corte de monta desmamam bezerros maiores e têm
no Brasil, destaca-se a idade elevada de maior produtividade durante a vida.
acasalamento das novilhas. Essa idade está
associada com a fase de recria, que envolve A Tabela 12 apresenta os valores da taxa de
o desenvolvimento do animal da desmama desfrute média observada nos EUA, com 37%,
ao início do processo produtivo, ou seja, o Austrália, com 32%, Argentina, com 26% e
estágio em que este atinge o peso ideal para Brasil com 22%. Os valores baixos da pecuária
brasileira são quando comparados com os
manifestar a puberdade. A puberdade e,
demais países, como consequência da idade
consequentemente, a idade ao primeiro parto
tardia com que os animais são abatidos,
são reflexo direto da taxa de crescimento, que em razão do sistema extensivo de criação
é determinada pelo consumo de alimentos. predominante no Brasil.

Tabela 12 Taxa de desfrute em países exportadores de carne.

Lotação média anual

Mede a carga animal que a fazenda mantém por unidade de área em hectare durante o ano.
Deve ser avaliada em Unidade Animal (UA).

*Uma UA equivale a um animal com 450 kg de peso vivo

Lotação média UA/ha = rebanho médio


área de pastagem

No Brasil, com a característica de criação extensiva, a lotação média encontra-se próxima a


0,8 UA/ha.

46
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Produção de carne/ha: Mede a produção em kg de carcaça por unidade de área.

Produção de carne/ha = estoque final – estoque inicial – compras + vendas


área de pastagem

A Tabela 13 apresenta os indicadores zootécnicos que caracterizam a média brasileira observada


na maioria das propriedades que adotam o sistema extensivo de criação, em propriedades que
utilizam média tecnologia, caracterizado pelo fornecimento de suplementação alimentar e
melhoria das pastagens e os índices possíveis de serem obtidos em propriedades que utilizam
nível alto de tecnologia observado no sistema intensivo de criação.

Tabela 13 Índices zootécnicos médios do rebanho brasileiro e estimativa com uso


mais intensivo de tecnologia.

Fonte: Adaptado de Anualpec, 2006.

47
6.4 Cadeia produtiva da carne qualidade superior, e pequenos produtores
que não dispõem de recursos para a
bovina no Brasil implantação de melhorias na propriedade,
como melhoramento genético, manejo
A cadeia produtiva da pecuária de corte sanitário adequado, técnicas de manejo
no Brasil compreende um conjunto de nutricional durante o período de seca, entre
agentes interativos, que são os fornecedores outras que levam a colocar no mercado
de insumos, os sistemas produtivos, as animais muitas vezes fora dos padrões de
indústrias de transformação, a distribuição qualidade.
e comercialização e os consumidores finais.
Na outra ponta, o país dispõe de um parque
A cadeia produtiva da pecuária de corte industrial com frigoríficos modernos e
apresenta características particulares que bem equipados que atendem à legislação
envolvem um reduzido nível de integração internacional. Contudo, ainda há uma
dos agentes, o que leva a uma deficiência parcela significativa de abates realizados
na elaboração de estratégias entre os sem fiscalização pelo serviço de inspeção
agentes da cadeia. Esta desorganização tem sanitária. A literatura apresenta números
interferido no seu desempenho e faz com que que apontam que de 45 até 60% da carne
normalmente as transações sejam orientadas consumida no mercado interno sejam
pelo preço. Ela é composta por uma série de originários de abate clandestino, que, além
elos que podem ser agrupados, segundo a da sonegação de taxas e impostos, expõe
atividade que executam, em: a população aos riscos de doenças, muitas
delas graves, como a neurocisticercose,
1 - Produção, distribuição e comercialização toxoplasmose e tuberculose.
de insumos;
2 - Produção de animais para abate A competitividade da cadeia da carne bovina
(pecuarista); depende crucialmente do estabelecimento
3 - Abate, processamento de carnes e de uma nova forma de coordenação, onde
subprodutos (frigoríficos); as tradicionais relações de mercado sejam
4 - Transporte de animais, carcaças e de substituídas ou, no mínimo, complementadas
carne; por relações cooperativas, que garantam a
5 - Armazenamento e comercialização; rastreabilidade dos produtos e assegurem seu
6 - Consumidor final. fornecimento nas quantidades e qualidades
requeridas pelos consumidores.
O principal elo da cadeia é a produção de
animais para abate, que é caracterizada A Figura 21 apresenta uma configuração da
por apresentar produtores capitalizados que inter-relação dos diferentes segmentos que
adotam conceitos tecnológicos avançados compõem a cadeia produtiva da bovinocultura
de produção animal, produzindo animais de de corte no Brasil.

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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Figura 21 Cadeia produtiva da bovinocultura de corte.

49
50
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

7 O Setor de Abate e
Processamento no Brasil

7.1 Histórico

O setor de abate no Brasil passou por verda- sanitárias internacionais. Desse modo, em
deira revolução durante o século XX. A indús- 27 de janeiro de 1915, por meio do Decreto
tria frigorífica, que no início do século ape- n. 11.460, entrou em operação o Serviço de
nas fabricava charque, atualmente exporta Inspeção Federal (SIF).
carnes in natura e processada para vários
países do mundo, estando tecnologicamente Com a nova legislação, predominaram os
tão avançada quanto às indústrias instaladas objetivos de produção voltados ao exterior,
nos países desenvolvidos. em detrimento dos objetivos voltados ao
mercado interno. Assim, o país, que até 1914
O setor de abate iniciou suas atividades não lograva penetrar no mercado externo, a
no Brasil no começo do século XX, com partir de 1915 consegue exportar quantidades
a entrada de grandes grupos econômicos substanciais tanto de carne, quanto de banha.
multinacionais, os quais exerceram a Em 1920, esses dois produtos igualam-se,
liderança no mercado nacional até meados praticamente, em valor ao açúcar, principal
da década de 1970. A partir desse período, produto na pauta das exportações brasileiras
o entusiasmo exportador estimulou as desde os primeiros anos do século XX.
empresas nacionais à modernização e à
expansão da capacidade instalada. O desenvolvimento dos processos de
conservação a frio e o transporte marítimo
A indústria frigorífica nacional teve seu refrigerado impulsionaram o mercado
início com a produção de carnes congeladas internacional de carnes congeladas e
e enlatadas, por meio de investimentos processadas. As grandes unidades industriais
de origens norte-americana e inglesa. de abate passaram a incluir todas as fases
Esses investidores queriam tornar o País a do processo produtivo, desde o abate até
base fornecedora de produtos de origem o congelamento e enlatamento das carnes,
animal para o mundo, atendendo à grande com produção diversificada destinada
demanda do mercado internacional durante principalmente à exportação. Os maiores
e após a Primeira Guerra Mundial. A vinda grupos produtores de carne voltados à
dos frigoríficos estrangeiros para o Brasil, exportação de carnes congeladas e enlatadas
com o objetivo de exportar, impunha a do Brasil estavam sob o controle de quatro
necessidade de atender às exigências grupos internacionais.

51
A multinacional norte-americana pioneira Brasil, o segmento da indústria voltado para
a se instalar no Brasil foi a Wilson & Co., o abastecimento de carne fresca no mercado
cujas operações iniciaram-se em 1914. Em local teve sua produção consideravelmente
seguida, instalou-se a Swift & Co., em 1917, ampliada. Ocorreram, então, alterações
localizando sua planta industrial na cidade na indústria frigorífica, com o crescimento
de Rio Grande (RS), enquanto a Armour & dos frigoríficos de médio porte, dotados de
Co. optou por instalar-se em Santana do tecnologia de refrigeração e equipamentos
Livramento (RS). Além disso, esses grupos mais eficientes para o abate, demonstrando
multinacionais trouxeram dos seus países uma diferenciação tecnológica, se
de origem o know-how, a tecnologia e as comparados aos antigos matadouros.
políticas de higiene e controle de carnes.
Desse modo, os anos 1920 se caracterizaram Na década de 60, o setor industrial de carnes
como um período de predomínio de capitais voltado para o mercado interno desenvolveu-
de origem externa, com plantas industriais se, passando a conviver com os já existentes
com elevada capacidade produtiva, produção frigoríficos exportadores e os matadouros
de carnes bovinas congeladas e processadas de pequeno porte. Esses estabelecimentos
com equipamentos de nível tecnológico produziam, além de carnes frescas,
semelhante aos de uso internacional e refrigeradas e congeladas, embutidos e,
produção voltada para a exportação. posteriormente, enlatados.

Os grandes frigoríficos instalados no país Os anos 70 se caracterizam pela expansão


conviviam com a grande quantidade de do mercado interno, decorrente da
pequenos matadouros que abasteciam aceleração do processo de urbanização e
principalmente os mercados locais com do desenvolvimento da infraestrutura de
carne fresca e alguns produtos de salsicharia transportes rodoviários, que criaram as
e charque. Esses matadouros não eram condições para a formação de mercados
importantes no processo competitivo, o qual regionais e de um mercado nacional
se concentrava entre os grandes frigoríficos integrado. Essas condições viabilizaram
exportadores, que adotaram como estratégia plantas industriais maiores voltadas ao
a expansão da capacidade produtiva. atendimento do mercado interno, com
processo produtivo integrado, produção mais
Na década de 30, verificou-se no país a diversificada e com produtos de maior valor
expansão do rebanho nacional e a acomodação agregado.
do setor de abate e processamento. Os
maiores grupos dedicaram-se à exportação, A década de 70 foi marcada também por
principalmente com o início da Segunda profundas transformações que tiveram
Guerra Mundial, e os frigoríficos menores, impactos significativos no setor de abate,
de capital nacional, abasteciam o mercado como o início da migração dos pecuaristas
interno. para o Centro-Oeste, em busca de terras
mais baratas, bem como diversas medidas
Durante os anos 40 e 50 do século passado, emitidas pelo governo visando assegurar o
devido ao processo de urbanização ocorrido no abastecimento interno da carne bovina, que

52
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

se encontrava desequilibrado. Desse modo, adquiridos pelos grandes grupos de segmento


foi permitida apenas a exportação de carnes de aves e suínos, concentrando cada vez
industrializadas, devido ao seu maior valor mais a indústria da carne e aproximando as
agregado. plantas industriais de abate da produção da
matéria-prima.
No final dos anos 70 e início dos anos 80,
começam a surgir novas empresas, com Entretanto, o surgimento desses grandes
capacidades menores e instalação em locais grupos, que atuavam em diversas cadeias de
diferentes do habitual, isto é, Estado de São alimentos, e a crise da economia brasileira
Paulo e região Sul do Brasil. À medida que levaram muitos empresários a não ter a real
o Centro-Oeste se desenvolveu e começou percepção da situação da sua indústria. Nessa
a ganhar força como produtor de animais, época, os grupos do segmento de bovino que
as empresas frigoríficas se deslocaram e se destacavam eram Bordon, Kaiowa e Anglo.
se instalaram nessa região, passando a O grupo Kaiowa teve sua falência decretada
concorrer principalmente com as unidades durante a década de 90; o grupo Anglo foi
paulistas pela compra das matérias-primas e vendido em 1993, determinando o fim do
venda de carnes. capital estrangeiro no país, e as unidades do
grupo Bordon foram repassadas para o grupo
A elevada capacidade ociosa e os altos custos Bertin no segundo semestre de 2000. Assim,
de transporte da matéria-prima resultaram prevalecem atualmente no Brasil frigoríficos
no fechamento de inúmeros frigoríficos, cuja origem do capital é nacional.
principalmente entre a segunda metade
da década de 80 e o início da década de O abate de bovinos é realizado para obtenção
90. Entretanto, mesmo com o fechamento de carnes e derivados destinados ao consumo
dos grandes frigoríficos líderes da década humano. Contudo, como consequência das
de 80, o setor continua evoluindo em operações de abate, originam-se vários
termos logísticos, tecnológicos e estrutura subprodutos e resíduos que devem sofrer
empresarial. Os frigoríficos médios e processamentos específicos em atendimento
grandes assumiram, de maneira geral, nova às leis e normas sanitárias e ambientais
estrutura empresarial, incorporando setores vigentes.
laterais, como couro e sabão, além de se
especializarem no fornecimento de cortes De acordo com a abrangência dos processos,
especiais e produtos industrializados. as unidades podem ser divididas em:

No final da década de 80, grandes grupos Abatedouros


nacionais do segmento de carnes brancas
e oleaginosas entram para o segmento de São unidades industriais que realizam abate,
carne bovina. produzindo carcaças e vísceras comestíveis.
Em algumas unidades são realizadas desossa
Desse modo, o perfil da indústria frigorífica e realizam os chamados cortes de açougue.
vai se alterando na medida em que os Estas unidades não industrializam a carne.
frigoríficos de carne bovina iam sendo

53
Frigoríficos frigoríficos ou como uma unidade de negócio
independente.
São unidades industriais que podem ser
divididas em dois tipos: os que abatem os A Figura 22 apresenta o fluxograma de abate
animais e realizam todas as atividades dos de bovinos.
abatedouros e industrializam a carne e os
que não abatem animais e compram produtos
Mais da metade do mercado mundial de
de abatedouros e outros frigoríficos para
carne bovina, que movimenta 7 milhões
industrializar.
de toneladas por ano entre exportações e
Graxaria importações, está nas mãos de empresas
brasileiras.
São unidades onde ocorre o processamento
dos subprodutos e resíduos dos abatedouros, A Tabela 14 apresenta o volume médio de
frigoríficos e açougues. Esta unidade abate de bovinos efetuados pelos maiores
pode funcionar anexa aos abatedouros e grupos de frigoríficos brasileiros em 2005.

Tabela 14 Volume de abate de bovinos.

Fonte: JBS, 2010.

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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Figura 22 Fluxograma de abate de bovinos.

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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

8 Inspeção sanitária da cadeia


da carne bovina no Brasil

Em 03/12/1971 foi criada a Lei de Fede- tos, por não atenderem às novas exigências,
ralização da Inspeção (Lei nº 5.760), que tiveram encerradas suas atividades.
estabeleceu que todos os frigoríficos paulati-
namente passariam a ter fiscalização federal. No entanto, no final da década de 80, por
Assim, os serviços de inspeção federal foram meio da Lei nº. 7.889, de 23/11/1989, rever-
estendidos aos estabelecimentos voltados te-se a obrigatoriedade da inspeção federal
em todos os níveis de comercialização (mu-
ao comércio municipal e interestadual, de
nicipal, estadual e federal), de modo que o
forma mais rigorosa e estruturada, fiscali-
sistema de inspeção sanitária para carnes no
zando os aspectos higiênicos e sanitários do Brasil passou a contemplar três diferentes ní-
processo de produção da carne bovina. veis da administração pública, de acordo com
Consequentemente, muitos estabelecimen- o tipo de comércio realizado (Tabela 15).

Tabela 15 Sistemas de inspeção de carnes no Brasil.

Fonte: Adaptado de Azevedo, 2001.

57
O abate e o processamento em frigoríficos prestados pelos SIE. Na maioria das vezes, o
com SIF devem ser acompanhados SIM se limita a exercer algum controle nos
permanentemente por um fiscal sanitário chamados abatedouros municipais.
federal, sob pena de a produção ser
paralisada. O selo do SIF passou a ser uma No Brasil existem 1,6 mil frigoríficos com al-
referência de qualidade para o consumidor gum tipo de inspeção (municipal, estadual ou
brasileiro. federal). Entretanto, apenas 18 respondem
por aproximadamente 98% das exportações.
Estima-se que os cinco maiores frigoríficos
No Sistema de Inspeção Estadual, ao contrá-
são responsáveis por 65% das exportações de
rio do que ocorre com o SIF, não há necessi- carne bovina brasileira, sendo que os dois
dade da presença permanente de um fiscal maiores têm cerca de 40% de participação
externo ao frigorífico na linha de abate. Em nesse mercado. Desse modo, evidencia-se
alguns casos, os funcionários que fazem a elevado grau de concentração no setor de
inspeção pertencem aos próprios quadros dos abate voltado à exportação.
frigoríficos.
A Tabela 16 apresenta a relação dos
Os serviços prestados pelos SIM são ainda mais frigoríficos com Sistema de Inspeção Federal
heterogêneos em qualidade do que aqueles por estado e município.

Tabela 16 Plantas por estado e município.

58
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

59
60
Fonte: ABIEC, 2010.
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

No mercado interno, embora açougues e pequenos varejistas ainda sejam capazes de competir
localmente, eles tendem a ser substituídos por grandes cadeias de supermercados, onde 70% da
carne bovina é comercializada.

A Figura 23 apresenta a participação dos diferentes segmentos na comercialização de carne


bovina no Brasil.

Figura 23 Participação dos diferentes segmentos na comercialização de carne


bovina no Brasil.

Fonte: ABRAFIGRO, 2009.

Nos supermercados, a carne bovina responde por 67% da comercialização de carnes realizada
nos açougues, como visto na Figura 24.

61
Figura 24 Participação nos açougues dos supermercados na comercialização de
carnes bovinas.

Fonte: ABRAFIGRO, 2009.

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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

9 Evolução e distribuição
espacial de abate no Brasil

As estatísticas oficiais do abate de bovinos produção e qualidade, contribuindo com


são uma subestimativa da realidade do o aumento na organização e formalidade
setor de abate e processamento, uma vez dos frigoríficos, pois somente as unidades
que não são contabilizadas as operações industriais mais eficientes tendem a se
realizadas clandestinamente. Entretanto, manter no mercado, em virtude de sua
essas estatísticas permitem um mapeamento adequação às exigências internacionais.
da concentração geográfica da capacidade À medida que a influência dos consumidores
instalada de abate. cresce, os produtos cárneos têm se tornado
mais diversificados, a fim de atender às
Em 2007, foram abatidas cerca de 30,5 preferências do consumidor. Atualmente,
milhões de cabeças no País. Evidencia-se os consumidores “puxam” os produtos da
que, desde 1997, a região Centro-Oeste cadeia de fornecimento com base em suas
apresenta relativamente maior capacidade necessidades específicas e preferências. Essa
de abate, obtendo certa vantagem, em mudança de um modelo “empurrão” para
2007, em relação às demais regiões. A região um modelo “puxão” já é uma tendência,
Norte, em 2007, se aproxima da capacidade sobretudo nos países desenvolvidos, e está
de abate verificada na região Sudeste. Assim moldando a estrutura e a gestão das cadeias
como os últimos anos foram marcados pelo de suprimentos de carne.
avanço da pecuária de corte para as regiões
Centro-Oeste e Norte do País, as indústrias No mercado externo, a maior parte da
de abate seguiram tendência similar. carne brasileira é vendida pelos traders,
responsáveis pela distribuição, ou pelos
Enquanto no Brasil o setor de abate cresceu importadores credenciados. A venda direta
14,3% no período de 1995 a 2006, nas regiões aos supermercados, restaurantes ou outros
Centro-Oeste e Norte esse crescimento foi, canais de distribuição também ocorre, mas
respectivamente, de 46,9% e 138,5%, no em menor grau. Consequentemente, se a
mesmo período. Os respectivos crescimentos indústria da carne bovina brasileira atende aos
para os estados do Nordeste, Sul e Sudeste consumidores externos, pode ser classificada
foram 22,2%,16,5% e -15,2% respectivamente. como um modelo no qual os consumidores
Ademais, além de a inserção no mercado ditam as ações que devem ser tomadas pela
externo propiciar maior concentração do cadeia de produção, estabelecendo, assim,
setor de abate, as exigências desse mercado quais tipos de carne bovina desejam e a
também promovem melhorias na gestão, qual preço. Por outro lado, à medida que

63
os consumidores domésticos tornam-se mais nacional, o setor industrial de carnes investe
exigentes, a indústria da carne bovina tende visando melhorar o processo produtivo e o
a convergir para o modelo adotado para o atendimento das exigências ambientais e
mercado externo. Assim, à medida que os sanitárias dos mercados externos.
problemas de ordem logística e sanitários
vão sendo resolvidos, a cadeia agroindustrial Entretanto, o setor de abate no Brasil
da carne bovina brasileira tornar-se-á ainda apresenta uma situação bastante diversificada
mais competitiva. em termos de estrutura das indústrias, de
localização geográfica e de nível tecnológico
Diante da demanda externa pela carne Desse modo, existe uma dicotomia no setor:
bovina brasileira e do potencial de de um lado, indústrias modernas utilizando
crescimento do setor, levando em conta as tecnologia de ponta; de outro, abatedouros
vantagens inerentes à pecuária de corte clandestinos sem fiscalização.

64
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

10 Pesos e rendimentos médios da carcaça


e dos subprodutos de bovinos

Em virtude da eficiência das operações de beneficiamento e devido à redução do preço da


carne em relação ao custo original do boi em pé, os lucros dos frigoríficos passaram a residir
na recuperação e utilização racional dos subprodutos, com uma infinidade de aplicações que
movimentam outras cadeias agroindustriais. Assim, com objetivo ilustrativo, serão apresentados
nas Tabelas 17 e 18 os pesos e rendimentos médios da carcaça e dos subprodutos de bovinos.

Tabela 17 Pesos e rendimentos médios da carcaça e dos subprodutos de bovinos

Fonte: Adaptado de Ledic et al., 2000.

Tabela 18 Pesos e rendimentos médios da carcaça e dos subprodutos de bovinos.

Fonte: Adaptado de Ledic et al., 2000.

Na Tabela 19 são apresentados para efeitos ilustrativos os rendimentos médios das partes da
carcaça e cortes de açougue de bovinos.

65
Tabela 19 Rendimentos médios das partes da carcaça e cortes de açougue.

Fonte: Adaptado de Ledic et al., 2000.

66
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

10.1 Padronização dos cortes da carne bovina

As exigências dos consumidores têm influenciado o desenvolvimento de alguns tipos de cortes


de carne, causando revisões nos conceitos de carcaças, com o objetivo de fornecer uma extensa
seleção de peças para açougue, variando em peso, preço e qualidade.

De acordo com a Portaria nº 5, de 8 de novembro de 1988, do Ministério da Agricultura, Pecuária


e Abastecimento, os cortes da carne bovina são classificados como:

Carcaça: Entende-se por carcaça o bovino abatido, sangrado, esfolado, eviscerado, desprovido
de cabeça, patas, rabada, glândula mamária (na fêmea), verga, exceto suas raízes, e testículos
(no macho). Após a sua divisão em meias carcaças, retiram-se ainda os rins, gorduras perirrenal
e inguinal, “ferida-
de-sangria”, medula
espinhal, diafragma
e seus pilares.

A cabeça é separada
da carcaça entre o
osso occipital e a
primeira vértebra cervical (atlas). As patas dianteiras são seccionadas à altura da articulação
carpometacarpiana e as traseiras na tarsometatarsiana.

Meia carcaça: Resulta


do corte longitudinal da
carcaça, abrangendo a
sínfise isquiopubiana,
a coluna vertebral e
externa.

VISTA LATERAL VISTA DORSAL VISTA LATERAL


INTERNA EXTERNA

67
Quartos: Resulta da subdivisão da
meiacarcaça em traseiro e dianteiro,
por separação entre a quinta e a sexta
costelas. A incisão deverá ser feita a
igual distância das referidas costelas,
alcançando as regiões esternal (peito)
e da coluna vertebral, à altura do
quinto espaço intervertebral. O quarto
dianteiro corresponde à porção anterior
(cranial) da meia carcaça e o quarto
traseiro à posterior (caudal).

10.2 Subdivisão da meia carcaça em grandes peças e cortes


I. Quarto dianteiro

Resulta da subdivisão da meia carcaça, após a


retirada do quarto traseiro.

O quarto dianteiro é subdividido em grandes peças,


que são: a paleta e o dianteiro-sem-paleta.

A paleta é subdividida nos cortes: pá e músculo


dianteiro:

Pá: é o corte constituído de massas musculares e


bases ósseas correspondentes obtidas da paleta
por separação do músculo do dianteiro.

A pá pode ser subdividida em outros cortes, que


são: raquete, peixinho e coração da paleta.

Raquete: é o corte constituído de massas musculares


e bases ósseas correspondentes obtidas da paleta
por separação do músculo dianteiro. Pode ainda ser
chamado de marucha (espanhol), paleron (francês)
ou blade clod (inglês).

68
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Peixinho: também conhecido como coió, lagartinho-da-pá,


lombinho e tatuzinho-da-paleta. É o corte constituído da
massa muscular situada na porção anterior da espinha da
escápula (fossa supraespinhosa). Pode ainda ser chamado
de chingolo (espanhol), jumeau (francês) ou chuck tender
(inglês).

Coração da paleta: também conhecido como centro da


paleta, coração da paleta, pá, cruz machado, carne de sete,
posta gorda e posta de paleta. Pode ainda ser chamado de
corazón de paleta (espanhol), boule de macreuse (francês)
ou shoulder clod (inglês).

Músculo do dianteiro: é o corte constituído das massas


musculares que envolvem o rádio e a ulna, compreendido
entre o coração da paleta e o carpo.


O dianteiro sem paleta é dividido em:

Pescoço: é o corte constituído das massas musculares


compreendidas entre o acém e a face anterior do atlas.
Continuação do peito, tem formação muscular semelhante
ao mesmo. Também chamado de cogote (espanhol), collier
(francês) ou neck (inglês).

Acém: também conhecido como agulha, lombo de agulha,


alcatrinha, lombo de acém, lombinho de acém e tirante.
Pode, ainda, ser chamado de aguja (espanhol), basses côtes
(francês) ou chuck (inglês).

Costela do dianteiro: também conhecido como ripa de


costela e assado. É a parte superior da caixa torácica do
bovino, tendo ossos maiores e mais largos, e carne um
pouco mais seca do que a costela ponta de agulha ou
costela minga. Pode ainda ser chamado de asado ou asado
de tira (espanhol), plat-de-côtes (francês) ou short ribs
(inglês).

69
Peito: também conhecido como granito, podendo ainda ser
chamado de pecho (espanhol), poitrine (francês) ou brisket
(inglês).

Cupim: é também chamado de giba ou mamilo.

II. Quarto traseiro

Resulta da subdivisão da meia carcaça, após a retirada do


quarto dianteiro, sendo também conhecido como traseiro
comum.

Traseiro-serrote: é obtido do quarto traseiro após a retirada


da ponta-de-agulha. O traseiro-serrote é subdividido em
grandes peças, tais como: lombo, alcatra e coxão.

Lombo: é a grande peça, constituída das massas musculares


e bases ósseas correspondentes, obtida do traseiro-serrote,
após a retirada da alcatra e do coxão. O lombo é subdividido
nos cortes contrafilé, capa-de-filé e filé mignon.

Contrafilé: também conhecido como lombo, lombo


desossado, filé curto, filé de lombo e filé. É chamado de
contrafilé, pois na carcaça do bovino esse corte situa-se
“contra” o filé mignon, ou seja, estão apenas separados
pelas vértebras lombares. Pode ainda ser chamado de bife
angosto ou bife de chorizo (espanhol), faux-filet (francês)
ou striploin (inglês).

70
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Filé-de-costela: também denominado entrecote e charneira.

Filé-de-lombo: é o corte
constituído das massas
musculares compreendidas entre o filé de costela e a alcatra.

Capa-de-filé: é o corte constituído das massas musculares


sobrepostas ao filé-de-costela.

Filémignon: também conhecido como filé, pode ainda ser


chamado de lomo (espanhol), filet (francês) ou tenderloin
(inglês).

Variantes do lombo/bisteca: este é um corte especial de


lombo, feito através de secções transversais do músculo com
osso sem o filé mignon. É chamado de côte ou côte de boeuf
em francês.

Variantes do lombo/tibone: é um corte especial de lombo,


feito através de secções transversais do músculo com osso.
O tibone tem parte final do contrafilé de um lado do osso e
a parte central do filé mignon do outro. Também conhecido
como T-Bone.

Alcatra: também chamada de alcatra-grossa, coice e alcatre.


Em francês é chamada de rumsteck e em inglês, rump.

71
Coxão: também chamado de coxão completo e toco.

Coxão-mole: também conhecido como chã de dentro, chã,


coxão de dentro, polpa e polpão. Pode ainda ser chamado de
nalga de adentro (espanhol), tranche (francês) ou topside
(inglês).

Coxão-duro: também conhecido como coxão de fora,


chandanca, posta vermelha, perniquim, lagarto plano, lagarto
chato, lagarto vermelho, chã de fora e lagarto atravessado.
Pode ainda ser chamado de cuadrada (espanhol), gîte a la
noix (francês) ou flat (inglês).

Lagarto: também conhecido como lagarto redondo, lagarto


paulista, lagarto branco, posta branca, paulista e tatu.
Pode ainda ser chamado de peceto (espanhol), rond de gîte
(francês) ou eye of round (inglês).

Patinho: também conhecido como bochecha, caturnil,


cabeça de lombo e bola. Pode ainda ser chamado de bola de
lomo (espanhol), rond de tranche ou noix (francês), noce na
Itália, dió na Hungria ou knuckle (inglês).

Músculo-mole: também conhecido como músculo traseiro.


Pode ser chamado de tortuguita (espanhol), mouvant
(francês) ou heel (inglês).

Músculo-duro: também conhecido como músculo de segunda,


músculo da perna e canela. Quando cortado com osso, é
chamado de ossobuco. Pode ainda ser chamado de osobuco
(espanhol), gîte (francês) ou shank (inglês).

72
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Ponta-de-agulha: também conhecida como capa do bife, é a


parte inferior da caixa torácica do bovino, tendo, portanto,
ossos mais finos e bastante cartilagem entremeada com
gordura. Conhecida como tapa de bife (espanhol), flanchet
(francês) ou cuberoll cover (inglês).

Costela-do-traseiro: é o corte constituído das oito últimas


costelas e massas musculares correspondentes anteriores ao
vazio e resultante da divisão da ponta-de-agulha.

Vazio ou aba-de-filé: é o corte constituído das massas


musculares posteriores à costela-do-traseiro e resultante da
divisão da ponta-de-agulha.

Bife-do-vazio: é um corte do vazio, é chamado de bife de


vacio (espanhol), bavette de flanchet (francês) e flank steak
(inglês).

Fralda: é o corte constituído dá massa muscular obtida do


vazio, localizada posteriormente à costela-do-traseiro e na
parte lateral (flanco) da cavidade abdominal.

Diafragma: é também chamada de fraldinha e entranha-fina.

Fonte: http://extranet.agricultura.gov.br/sislegisconsulta/servlet/VisualizarAnexo em 02-03-2010.

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74
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

11 Rastreabilidade

O Programa Brasileiro de Rastreabilidade nacional de dados, com o registro de todos


Bovina e Bubalina (SISBOV) é um conjunto de os insumos utilizados na propriedade durante
leis e instruções normativas publicadas pelo o processo produtivo.
governo federal que estabelece normas para
a produção de carne bovina com garantia de Em 2009, o Brasil tinha 733 propriedades
origem e qualidade, de adesão voluntária, habilitadas a produzir gado para atender á
permanecendo a obrigatoriedade de adesão exportação. Destaque para os Estados de
para as propriedades que comercializam com Minas Gerais, com 337 propriedades, Goiás,
mercados que exijam a rastreabilidade. com 146, Rio Grande do Sul, com 60, São
Paulo, com 33, Paraná, com 18, Espírito
Em 14/07/2006, o Ministério da Agricultura, Santo, com 17 e Mato Grosso do Sul, com
Pecuária e Abastecimento (MAPA) publicou a duas propriedades habilitadas. Em 2010, o
Instrução Normativa n° 17, que regulamenta Estado do Rio de Janeiro não tem nenhuma
o Serviço de Rastreabilidade da Cadeia propriedade registrada na Coordenação de
Produtiva de Bovinos e Bubalinos (SISBOV), Sistemas de Rastreabilidade – CSR - MAPA.
ou novo SISBOV. De acordo com as novas
regras, todos os bovinos e bubalinos dos A Tabela 20 apresenta as tendências mundiais
estabelecimentos rurais aprovados no SISBOV de identificação e exigência da rastreabilidade
serão, obrigatoriamente, identificados bovina em países importadores e exportadores
individualmente e cadastrados na base de carne bovina.

Tabela 20 Comparação das tendências mundiais de identificação e rastreabilidade


bovina.

Fonte: Adaptado ABIEC, 2010.

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76
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

12 Universo da pesquisa e
técnicas utilizadas

O processo de amostragem foi constituído de fases como mostrado a seguir:

1ª Fase: Os valores absolutos do número de propriedades de gado de corte do Estado do


Rio de Janeiro foram subdivididos e segundo as diferentes regiões administrativas por seus
municípios, considerando três estratos quanto ao número de cabeças de gado de corte: até
250 cabeças; de 251 a 500; acima de 501 cabeças.

Esses valores foram tabulados a fim de estabelecer a amostra para a aplicação dos 200
questionários.

2ª Fase: Tabulação do número de propriedades de gado de corte, considerando as três


estratos para todos os municípios que têm criação de gado de corte.

3ª Fase: Uma segunda tabela foi elaborada a fim de acumular os valores totais de cada
município, formando intervalos.

4ª Fase: O número de amostras para cada intervalo foi determinado com base na tabela de
números aleatórios para 200 formulários em um total de 41.559 propriedades.

5ª Fase: O número de amostra em cada intervalo foi individualmente sorteado entre os


três estratos, os quais foram distribuídos aleatoriamente (sorteio), excluindo-se os estratos
com valor zero.

6º Fase: Foi estabelecido o número de questionários por estrato de criadores a serem


aplicados por município dentro das respectivas regiões administrativas.

7º Fase: A distribuição da amostragem por região foi a seguinte: região Norte Fluminense,
29; Noroeste, 36; Serrana, 22; Baixadas Litorâneas, 34; Médio Paraíba, 28; Centro-Sul
Fluminense, 15; Metropolitana, 30 e Costa Verde, 6 questionários.

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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

13 Diagnóstico da bovinocultura de
corte no Estado do Rio de Janeiro

O Estado do Rio de Janeiro, tem 43.766,6km² , distribuídos por 92 municípios agrupados em oito
regiões, conforme apresentado na Figura 25.

Figura 25 Participação percentual das regiões de governo na área total do estado.

Fonte: Adaptado de Fundação CIDE, 2008.

Seu território é constituído de terras altas (planaltos) e baixas (baixadas) que dispõem de
aproximadamente 2.600.000 hectares utilizados na agropecuária, dos quais um milhão e
seiscentos mil hectares são de pastagens naturais ou cultivadas que são utilizadas por atividade
pecuária, conforme apresentado na Figura 26 a seguir.

79
Figura 26 Percentual da área dos estabelecimentos agropecuários, por utilização
das terras em 2006.

Fonte: Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE - Censo Agropecuário, 2006.

A participação do Estado do Rio de Janeiro no rebanho brasileiro é de cerca de 1% do total,


em torno de 2,1 milhões de cabeças distribuídos por todas as oito regiões administrativas
(IBGE, 2009).

Tabela 21 Distribuição regional do rebanho bovino no Estado do Rio de Janeiro.

Notas:
1 - Os municípios sem informação para pelo menos um efetivo de rebanho não aparecem nas listas.
2 - Efetivos dos rebanhos em 31/12/2009.
Fonte: IBGE - Pesquisa Pecuária Municipal, 2009.

80
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Dentre as regiões, a Norte Fluminense é a que apresenta o maior número de bovinos do estado,
com 31,24% do rebanho total, seguido da região Noroeste, com 23,37%, da região do Médio
Paraíba, com 12,60%, região das Baixadas Litorâneas, com 10,90%, região Serrana, com 10,71%,
região Centro - Sul Fluminense, com 6,30%, região Metropolitana, com 3,26% e região da Costa
Verde, com 1,62%.

A Figura 27 apresenta a participação estadual, a participação regional, o número de rebanho e


a distribuição do rebanho nos municípios que compõem a Região Norte do Estado.

Figura 27 Região Norte Fluminense.

Fonte: SEAPPA-RJ - Defesa Sanitária Animal, 2010.

81
A Região Norte Fluminense é a que apresenta o maior rebanho bovino do estado, com 557.281
cabeças de bovinos. O município de Campos dos Goytacazes é o que apresenta o maior rebanho
da região e do estado, com 192 mil cabeças, seguido de Macaé,com 91 mil cabeças. Nesta
região, os demais municípios, com exceção, Carapebus, com rebanho bovino estimado em 22
mil cabeças, apresentam rebanhos com mais de 25 mil cabeças.

A Figura 28 apresenta a participação estadual, a participação regional, o número de rebanho e


a distribuição do rebanho nos municípios que compõem a Região Noroeste do Estado.

Figura 28 Região Noroeste Fluminense.

Fonte: SEAPPA-RJ - Defesa Sanitária Animal, 2010.

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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

A região Noroeste é a que apresenta o segundo maior rebanho de bovinos do estado, com
470.998 cabeças. Nesta região, o município de Itaperuna é o que concentra o maior número de
cabeças de bovinos, com 16,5% do rebanho da região.

A Figura 29 apresenta a participação estadual, a participação regional, o número de rebanho e


a distribuição do rebanho nos municípios que compõem a região do Médio Paraíba.

Figura 29 Região do Médio Paraíba.

Fonte: SEAPPA-RJ - Defesa Sanitária Animal, 2010.

83
Terceiro maior rebanho bovino do estado é a região do Médio Paraíba, com 274.672 bovinos. O
município de Valença tem o maior rebanho da região, com aproximadamente 64 mil cabeças,
representando 23% do rebanho regional. Nesta região, destacam-se, também, os rebanhos dos
municípios de Barra Mansa, Rio Claro, Piraí, Resende e Barra do Piraí.

A Figura 30 apresenta a participação estadual, a participação regional, o número de rebanho e


a distribuição do rebanho nos municípios que compõem a Região das Baixadas Litorâneas.

Figura 30 Região das Baixadas Litorâneas.

Fonte: SEAPPA-RJ - Defesa Sanitária Animal, 2010.

84
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Nesta região, o município de Silva Jardim, com cerca de 52.324 cabeças, Araruama, com
41.738 cabeças, Cachoeira de Macacu, com 30.072, e Casimiro de Abreu, com 27.031 cabeças,
representam a localização de cerca de 60% do rebanho regional.

A Figura 31 apresenta a participação estadual, a participação regional, o número de rebanho e


a distribuição do rebanho nos municípios que compõem a região Serrana.

Figura 31 Região Serrana.

Fonte: SEAPPA-RJ - Defesa Sanitária Animal, 2010.

85
Na região Serrana, os maiores rebanhos se encontram nos municípios de Cantagalo, com 16,27%,
Santa Maria Madalena, 12,35% , e São Sebastião do Alto, com 12,04%.

A Figura 32 apresenta a participação estadual, a participação regional, o número de rebanho e


a distribuição do rebanho nos municípios que compõem a região Centro-Sul.

Figura 32 Região Centro - Sul Fluminense.

Fonte: SEAPPA-RJ - Defesa Sanitária Animal, 2010.

Nesta região, os destaques são para os rebanhos encontrados nos municípios de Vassouras,
Paraíba do Sul e Sapucaia.

86
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

A Figura 33 apresenta a participação estadual, participação regional, número de rebanho e


distribuição do rebanho nos municípios que compõe a região Metropolitana.

Figura 33 Região Metropolitana.

Fonte: SEAPPA-RJ - Defesa Sanitária Animal, 2010.

Nesta região, o maior rebanho é encontrado no município de Itaboraí, com aproximadamente


27 mil cabeças.

87
A Figura 34 apresenta a participação estadual, a participação regional, o número de rebanho e
a distribuição do rebanho nos municípios que compõem a região Costa Verde.

Figura 34 Região da Costa Verde.

Fonte: SEAPPA-RJ - Defesa Sanitária Animal, 2010.

Nesta região, no município de Itaguaí são encontrados aproximadamente 46% do rebanho bovino.

88
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

14 Perfil do Produtor

O nível de escolaridade dos produtores das diferentes regiões administrativas é apresentado na


tabela 22.

Tabela 22 Nível de escolaridade dos criadores nas diferentes regiões.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Os dados da pesquisa evidenciam que, na média do estado, 33,4% dos criadores têm formação
em nível superior, 27,8% têm o segundo grau completo, 21,5% apresentam o primeiro grau
completo e 9% o primeiro grau incompleto.

A Tabela 23 apresenta a frequência referente à maneira pela qual o produtor iniciou suas
atividades na pecuária de corte.

Tabela 23 Frequência de produtores em relação ao início das atividades como


pecuarista de corte (%).

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

89
Os dados da pesquisa mostram que, nas propriedades com rebanhos acima de 501 cabeças,
os produtores tiveram acesso à sua propriedade de terra através de herança familiar,
correspondendo neste caso a 83,3% dos rebanhos pesquisados. Por outro lado, as aquisições de
propriedades foram maiores onde são encontrados rebanhos menores que 500 cabeças.

A Tabela 24 apresenta a frequência (%) do tempo médio em dias de permanência do pecuarista


na propriedade.

Tabela 24 Tempo de permanência média na fazenda (dias/mês), em percentual.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

De acordo com a pesquisa, 34,9% dos criadores permanecem nas propriedades de 26 a 30


dias no mês, principalmente em propriedades com rebanhos menores que 250 cabeças, que
representam 45,4% deste segmento.

A Tabela 25 apresenta a frequência em relação à composição da renda dos produtores.

Tabela 25 Composição da renda do produtor.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

90
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Os dados da pesquisa mostram que 78% dos produtores possuem renda externa à fazenda. A
Tabela 26 apresenta a frequência das atividades que compõem as fontes de renda externa dos
produtores.

Tabela 26 Fonte de renda externa dos produtores.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

De acordo com os dados levantados pela pesquisa de campo, 52,4% dos produtores têm como
origem da sua renda externa o desenvolvimento de negócios próprios (comércio, indústrias
etc.).

A Tabela 27 apresenta a frequência das principais opções de investimento dos produtores com
recursos não orçamentários.

Tabela 27 Principais opções de investimento dos produtores com recursos não


orçamentários.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

91
De acordo com a pesquisa, em todos os extratos pesquisados a tendência observada foi a de
que os criadores aplicariam os recursos ‘extraorçamentários’ em melhorias nas propriedades
(62,9%) e como segunda opção a compra de animais (23,2%). Estas observações indicam o
comprometimento dos produtores com a atividade desenvolvida.

A Tabela 28 identifica a responsabilidade pela gestão da propriedade de acordo com os diferentes


níveis de criadores.

Tabela 28 Administração da produção de gado de corte da propriedade.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

De acordo com os dados da pesquisa, 44,8% das propriedades pesquisadas no estado são
administradas pelo proprietário e pelo administrador contratado. Contudo, nas propriedades
com menores rebanhos a tendência observada foi de uma participação maior na gestão da
propriedade apenas do proprietário.

A Figura 35 apresenta a frequência de participação da esposa do proprietário nas atividades de


gestão da fazenda.

92
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Figura 35 Participação das esposas na gestão da propriedade.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

De acordo com os dados, 69,9% das esposas não participam nas atividades de gestão das
fazendas. Esta tendência foi observada nos diferentes extratos pesquisados e nas diferentes
regiões administrativas.

A Figura 36 apresenta a frequência de participação dos criadores em parcerias dentro e fora da


propriedade.

Figura 36 Frequência (%) dos entrevistados que participam de parcerias.

93
Fonte: Pesquisa de campo, 2010.
Os resultados mostraram que nos diferentes extratos a tendência observada foi pela não
realização de parcerias.

A Tabela 29 apresenta a frequência de propriedades que recolhem Imposto Territorial Rural


(ITR).

Tabela 29 Frequência de propriedades que recolhem Imposto Territorial Rural (ITR).

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Os resultados mostraram que a grande maioria das propriedades paga o ITR. Entretanto,
no extrato de criadores de até 250 cabeças foi observado que não há registro de 18,9% das
propriedades na Receita Federal. Estas propriedades estão localizadas nas regiões administrativas
Sul Fluminense, Baixadas Litorâneas e Metropolitana.

A Tabela 30 apresenta a frequência de propriedades nas diferentes regiões administrativas que


dispõem de áreas florestadas para reserva legal.

Tabela 30 Frequência de propriedades com áreas florestadas para reserva legal.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Os resultados mostraram que 76,4% acreditam possuir áreas florestadas a serem destinadas
para reserva legal. Entretanto, foi observado que 20,5% das propriedades não apresentam
áreas destinadas para reserva legal. Estas propriedades estão localizadas em todas as regiões
administrativas.

95
96
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

15 Administração da empresa rural

A Tabela 31 apresenta a frequência dos principais índices zootécnicos realizados nas propriedades.

Tabela 31 Escrituração zootécnica realizada nos extratos de produção pesquisados.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

De acordo com os resultados da pesquisa, menos de 30% dos criadores das diferentes regiões e
nos diferentes extratos realizam escrituração zootécnica. Esta falta de hábito do produtor em
gerar relatórios que comprovam o desempenho dos animais, auxiliando, portanto, na escolha
dos melhores animais do rebanho, pode comprometer a eficiência produtiva e reprodutiva das
propriedades.

A Tabela 32 apresenta a frequência do tipo de mão de obra utilizada em propriedades das


diferentes regiões administrativas do estado.

97
Tabela 32 Frequência do tipo de mão de obra utilizada em propriedades das
diferentes regiões administrativas do estado.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Os resultados mostraram que nas propriedades há o predomínio de mão de obra terceirizada


em relação à mão de obra familiar. Em todas as regiões, foi identificado que a mão de obra
contratada permanente é com registro em carteira profissional.

A Tabela 33 indica o resultado da avaliação da qualidade da mão de obra contratada nas


propriedades.

Tabela 33 Avaliação da mão de obra contratada nas propriedades.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

De maneira geral, os resultados indicam que a mão de obra contratada foi considerada boa
em todas as regiões. Entretanto, nas propriedades com até 250 cabeças a pesquisa indicou a
predominância de avaliação regular. Embora a pesquisa não tenha identificado as razões, é
possível que este resultado seja consequência dos níveis educacional e salarial dos contratados
deste extrato de rebanho.

98
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

A Tabela 34 apresenta a frequência de participação familiar em programas de capacitação.

Tabela 34 Participação familiar em programas de capacitação, em percentual.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Os resultados mostraram que 12,8% dos produtores participaram de programas de capacitação.


Esta baixa frequência foi uniforme nos extratos pesquisados.

A Tabela 35 apresenta a frequência de participação da mão de obra contratada em programas


de capacitação.

Tabela 35 Participação da mão de obra contratada em programas de capacitação.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Os resultados mostraram uma frequência média de 20,9% na participação em programas


de qualificação por parte dos colaboradores. Nas propriedades com rebanhos acima de 500
cabeças, a frequência observada foi de 37,4%, evidenciando uma possível preocupação dos
grandes proprietários na qualificação da mão de obra contratada.

99
A Tabela 36 apresenta a frequência de participação das entidades que promovem mais
frequentemente programas de capacitação, segundo estratos de produção.

Tabela 36 Instituições que promoveram programas de capacitação.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

A pesquisa mostrou que, dentre as opções, o SENAR foi à entidade que mais promoveu programas
de capacitação para 46,4% dos entrevistados. Contudo, na análise individual por região
administrativa, foi observado que nas regiões Metropolitana e Costa Verde há necessidade de
uma maior ação das entidades na realização de programas de capacitação para os produtores
e colaboradores.

A Tabela 37 apresenta a frequência das avaliações das entidades que promoveram mais
frequentemente programas de capacitação, segundo estratos de produção.

100
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Tabela 37 Avaliação das entidades que promovem programa de capacitação de


acordo com o estrato de produção.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Na avaliação dos produtores, o SENAR, dentre as entidades, foi a mais bem avaliada pelos
produtores consultados, tendo obtido na avaliação muito boa e boa 61,6% de média nos
diferentes estratos conforme dados da Tabela 37.

101
102
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

16 Assistência Técnica e Capacitação


Tecnológica

A Figura 37 apresenta a frequência da origem de recebimento de assistência técnica de acordo


com os estratos estudados.

Figura 37 Frequência da origem de recebimento de assistência técnica de acordo


com os estratos estudados.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

De acordo com os dados, 68,6% das propriedades pesquisadas recebem assistência técnica,
sendo 31,4% particular, 28,9% pública e 14,1% de outras entidades.

A Tabela 40 apresenta a frequência de recebimento de assistência técnica de acordo com os


estratos estudados.

103
Tabela 38 Frequência no recebimento de assistência técnica durante o ano (dias).

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

De acordo com o resultado da pesquisa, em todos os estratos estudados, 44,6% das propriedades
receberam visita técnica mais de cinco vezes durante o ano.

A Figura 34 apresenta a frequência de recebimento de informação acerca de assuntos ligados à


pecuária de corte pelo produtor das diferentes regiões administrativas.

Figura 34 Fontes de informações em assuntos ligados à pecuária de corte.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.


104
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Os programas de rádio e televisão com 30,8% e jornais e revistas com 31,4% foram os meios de comunicação
que mais se destacaram no fornecimento de informações acerca de assuntos ligados à pecuária de corte
aos produtores dos diferentes estratos pesquisados. Os dados também evidenciaram que os produtores,
independentemente dos estratos, já utilizam a internet como meio de comunicação.

A avaliação realizada pelos produtores em relação à qualidade das informações recebidas é


apresentada na Tabela 39.

Tabela 39 Avaliação da qualidade das informações técnicas recebidas pelos


produtores.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

As informações técnicas recebidas dos diferentes meios de comunicação foram consideradas


muito boas por 64,2% dos produtores pesquisados e regulares por 27,1%.

As frequências observadas nos diferentes estratos pesquisados quanto ao grau de necessidade


de informações técnicas são apresentadas na Tabela 40.

Tabela 40 Frequência das necessidades acerca de informações identificadas pelos


produtores.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

105
Dentre as opções oferecidas aos produtores, informações relacionadas às áreas de manejo
nutricional e manejo reprodutivo foram identificadas por 30,8% e 21,1%, respectivamente,
como sendo as áreas do conhecimento que os produtores mais necessitam de informações.
Contudo, a pesquisa revelou, também, que no estrato acima de 501 cabeças foi identificada
por 20,5% dos produtores entrevistados a necessidade de informações na área de planejamento
da propriedade agropecuária.

106
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

17 Participação em instituições
representativas dos produtores

A Tabela 41 apresenta a frequência de participação dos produtores em instituições representativas


dos produtores.

Tabela 41 Participação dos produtores em instituições representativas.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Os dados da pesquisa identificaram que 65,6% dos produtores participam das instituições
representativas. As frequências referentes à identificação das instituições às quais os produtores
são vinculados e o grau de envolvimento são apresentados nas Tabelas 42 e 43.

Tabela 42 Participação dos produtores em instituições representativas.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

107
Tabela 43 Participação dos produtores em instituições representativas.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Os dados da pesquisa evidenciaram que a maioria dos produtores (64,6%) está vinculada aos
sindicatos rurais (FAERJ). No entanto, a pesquisa revela, também, que 64,7%, dos produtores
pesquisados nos diferentes estratos afirmaram que são pouco participativos nas atividades
desenvolvidas pelas instituições representativas.

A Tabela 44 apresenta a frequência da opinião dos produtores entrevistados em relação à


qualidade dos serviços prestados pelas instituições que os representam.

Tabela 44 Frequência da opinião dos produtores em relação aos serviços prestados


pelas instituições representativas.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

108
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

A pesquisa de campo mostrou que, no estrato 37,5%, bons para 31,2% e regulares para 26%
de criadores com até 250 cabeças, 25,5% dos dos produtores entrevistados. Os serviços
produtores classificam os serviços prestados prestados pelas associações de criadores
pela FAERJ como muito bons, como bons os foram avaliados com muito bons por 10,5%,
valores observados foram de 37,4%, e para e bons por 24,1% e regulares para 26,0% dos
13,5% dos produtores os serviços foram
criadores.
considerados como regulares.

Para as associações de produtores, os serviços Os serviços prestados pelas cooperativas


são classificados como bons para 27,4% dos foram avaliados como muito bons por 4,1% dos
produtores e como regulares para 25,9%. entrevistados, bons para 34,8% dos criadores
Para as associações de criadores, os valores e regulares para 29,9% dos produtores.
observados foram de 19,9% como bons e Para os produtores classificados no estrato
39,0% como regulares. acima de 501 cabeças, a avaliação dos
serviços prestados pela FAERJ foi considerada
Os serviços prestados pelas cooperativas como muito boa por 50,6% e boa por 21,2%
foram considerados por 15,2% dos criadores dos produtores entrevistados.
como bons e para 24,9% dos produtores como
regulares. Um fato que chama a atenção na Nas associações de produtores os serviços
análise das respostas é o número elevado foram avaliados como muito bons por 4,1%,
de produtores que não sabiam ou não se bons por 29,1% e regulares por 14,6% dos
propuseram a emitir sua opinião a respeito produtores entrevistados.
do assunto.
As associações de criadores tiveram seus
Para os produtores do estrato de 251 a serviços avaliados com muito bons por 6,0%,
500 cabeças, 43,8%, 23,8% e 6,9% dos bons para 34,8% e regulares por 16,1% dos
entrevistados consideraram os serviços produtores.
prestados pela FAERJ como muito bons, bons
e regulares, respectivamente. Os serviços prestados pelas cooperativas
foram considerados como muito bons por
As associações de produtores tiveram seus 4,1% dos produtores, bons por 11,6% e como
serviços avaliados como muito bons por regulares por 30,5% dos entrevistados.

109
110
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

18 Índice de manejo e tecnológico

A Tabela 45 mostra as principais atividades desenvolvidas nas propriedades pesquisadas.

Tabela 45 Principais atividades desenvolvidas nas propriedades.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Em 75% das propriedades avaliadas a principal atividade desenvolvida é a criação de gado


de corte. Nos diferentes segmentos, 19,6% exploram a produção de leite, 2,7% as atividades
agrícolas e 2,8% outras atividades.

A Tabela 46 apresenta as principais fases da criação desenvolvidas nas propriedades pesquisadas.

Tabela 46 Principais fases da criação desenvolvidas nas propriedades.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

111
Os dados da pesquisa evidenciaram que 28,6%, dos produtores desenvolvem as três fases de
criação. As fases de recria e engorda são desenvolvidas por 17,7% das propriedades. As fases
de cria e recria são realizadas por 17,3% dos entrevistados. A fase de cria é desenvolvida por
16,5% dos produtores. A fase de engorda, por 16,2%, e somente 3,6% dos produtores realizam
a fase de recria.

A Tabela 47 apresenta o local de aquisição de animais pelos produtores que realizam em suas
propriedades as fases de recria e engorda.

Tabela 47 Local de aquisição de animais pelos produtores que realizam as fases de


recria e engorda.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

De acordo com os resultados, 80,8% dos animais são adquiridos de produtores da própria região
onde estão localizadas as propriedades e 16,1% nas diferentes regiões do estado.

A Tabela 48 apresenta o sistema de criação adotado pelas diferentes propriedades nos diferentes
estratos de criação.

Tabela 48 Sistema de criação nos diferentes estratos de produção.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

112
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Em todos os estratos pesquisados os resultados mostraram que, em 70,6% das propriedades, os


animais são criados a pasto e suplementados apenas com sal mineral. Em 15,7% das criações,
além do sal mineral, os produtores fornecem aos animais outros suplementos, e em 13,1% das
propriedades os animais são criados apenas a pasto.

Os resultados permitem inferir que o sistema de criação predominante é o extensivo a base de


pasto e que um número expressivo de produtores, 39,4%, não mineralizam seus animais, o que
pode comprometer os desempenhos produtivos e reprodutivos dos animais.

As Tabelas 49 e 50 e 51 apresentam as frequências em relação à procedência dos animais nos


estratos pesquisados.

Tabela 49 Procedência dos animais para criadores com até 250 cabeças.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

De acordo com o resultado da pesquisa de campo, para este estrato de produção os animais
para reposição e terminação são adquiridos de pequenos produtores. Os touros para reprodução
têm sua aquisição realizada preferencialmente nos médios produtores.

113
Tabela 50 Procedência dos animais para criadores com até 500 cabeças.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Para criadores com até 500 cabeças, a aquisição de animais de reposição são adquiridos de
pequenos e médios produtores. As matrizes e touros são comprados de grandes produtores.

Tabela 51 Procedência dos animais para criadores acima de 501 cabeças.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Neste estrato os produtores adquirem os animais para reposição em maior percentual dos
pequenos e médios criadores. Os produtores que realizam a fase de engorda adquirem os bois
de grandes produtores.

114
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

A Tabela 52 apresenta a frequência de fornecimento de suplementação de acordo com os


estratos de criadores pesquisados.

Tabela 52 Fornecimento de suplementação alimentar de acordo com estrato


pesquisado.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

A prática do fornecimento de sal proteinado é adotada por 40,1% dos criadores pesquisados nos
diferentes estratos. O fornecimento de ureia, concentrado, sal proteinado e ureia é realizado
por menos de 7% dos produtores. A pesquisa mostra, também, que 43,1% dos produtores não
fornecem nenhuma suplementação adicional ao rebanho.

A Tabela 53 apresenta as frequências das razões apresentadas pelos produtores para o


fornecimento de suplementação alimentar.

Tabela 53 Razões apresentadas pelos produtores para o fornecimento de


suplementação alimentar.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

115
Os dados da pesquisa de campo revelam que 39,7% dos entrevistados fornecem suplementação
alimentar aos animais com o objetivo de evitar perda de peso. Para 35,4% dos produtores, a
razão para fornecimento do suplemento é a melhora do desempenho reprodutivo, e 24,9% dos
entrevistados apontam que o fornecimento da suplementação tem como objetivo aumentar o
ganho de peso.

A Tabela 54 apresenta a frequência do tipo de pastagem predominante nas propriedades.

Tabela 54 Tipos de pastagens predominantes nos diferentes estratos pesquisados.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

De acordo com os resultados, 82,8% das pastagens são formadas e 17,2% das áreas de pastos são
constituídas de pastagens naturais.

As forrageiras predominantes nas propriedades pesquisadas são apresentadas na Tabela 55.

Tabela 55 Forrageiras predominantes nas pastagens de acordo com o estrato de


produção.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

116
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Segundo dados da Tabela 56, as forrageiras do gênero Brachiaria são as que predominam nos
diferentes estratos. Neste estudo, foi constatada em várias propriedades, além dos citados
anteriormente, a presença dos capins colonião (Panicum máximum), pangola (Digitária
decumbens) e jaraguá (Hiparrhenia rufa).

O sistema de pastejo adotado pelas diferentes propriedades nos estratos selecionados são
apresentados na Tabela 56.

Tabela 56 Sistema de pastejo adotado

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

De acordo com os resultados, 59,5% das propriedades estudadas adotam o sistema rotacionado
de pastejo, evidenciando a preocupação do produtor em melhorar a eficiência de pastejo em
suas áreas. Contudo, um número significativo de produtores, 40,5% dos entrevistados, adota
como sistema o pastejo contínuo.

A Tabela 57 apresenta a frequência da utilização de forrageiras de corte pelas propriedades nos


estratos estudados.

Tabela 57 Utilização de forrageiras de corte.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

117
Os dados da pesquisa evidenciam que a baixa intensidade de uso de forrageiras para corte (79,9%
das observações) ocorre como consequência do sistema extensivo de criação adotada pelos
criadores de bovinos para corte. O uso de forrageiras para corte é adotado nas propriedades
que, além da produção de bovinos e corte exploram, também, a produção de leite.

A Tabela 58 apresenta a frequência em relação à presença de pragas nas pastagens.

Tabela 58 Presença de pragas nas pastagens.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

De acordo com os resultados, 63,7% dos produtores pesquisados informaram que na sua
propriedade há infestação de pragas nas pastagens. A principal praga das pastagens identificada
pela pesquisa foi a de cigarrinhas, que são insetos que infestam as pastagens comprometendo
sua produção e qualidade. Contudo, foi também citada pelos produtores a infestação das
pastagens por lagartas, que é considerada uma praga ocasional.

A Tabela 59 apresenta a frequência das respostas dos produtores quando questionados a respeito
da(s) ação(ões) que são realizadas na propriedade em relação ao excesso de forragem durante
a estação chuvosa.

Tabela 59 Estratégias adotadas pelos produtores durante a estação das águas.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

118
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Os resultados obtidos mostram que 65,4% dos produtores pesquisados não adotam nenhuma
ação especifica durante o período de excesso de produção de forragens. Para 17,4% a adoção da
prática de diferimento de pastagens ou vedação das pastagens tem sido uma alternativa para
a oferta de forragem durante o período da seca e 13,5% adotam a prática de comprar gado ou
alugar o pasto excedente.

As Tabelas 60 e 61 apresentam os valores médios das frequências de respostas dos produtores


a respeito do conhecimento da capacidade de suporte das pastagens de sua propriedade, as
estratégias adotadas na taxa de lotação das pastagens e fatores considerados por ocasião da
tomada de decisão sobre a taxa de lotação a ser adotada na propriedade.

Tabela 60 Conhecimento da capacidade de suporte e estratégias de lotação das


pastagens.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Tabela 61 Fatores considerados na tomada decisão sobre a taxa de lotação das


pastagens.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

119
De acordo com os resultados, 74,2% dos produtores afirmam conhecer a taxa de suporte das
pastagens de sua propriedade e 56,6% usam com estratégia de lotação a colocação de animais na
capacidade de suporte estabelecida para as pastagens. Para 81,5% dos produtores, o principal
fator a ser levado em consideração no estabelecimento da taxa de lotação das pastagens é o
estado das pastagens por ocasião da tomada de decisão.

A Tabela 62 apresenta as atividades realizadas pelos produtores na recuperação das áreas de


pastagens das propriedades nos diferentes estratos.

Tabela 62 Operações utilizadas em processo de recuperação das pastagens.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Nos diferentes estratos estudados, os produtores têm como prática a aplicação de calcário e
semeadura após a aplicação de fertilizantes. No entanto, 50,1% dos produtores com até 250
cabeças utilizam como prática somente o preparo do solo; a mesma estratégia é utilizada por
39,2% dos criadores com até 500 cabeças e por 35,8% dos produtores acima de 501 cabeças.

A Tabela 63 apresenta a frequência de máquinas e equipamentos disponível nas propriedades


pesquisadas.

Tabela 63 Frequência de máquinas e equipamentos nas propriedades.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

120
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Nas propriedades pesquisadas 70,7% têm tratores, 45% dispõem de roçadeiras, 50,9% possuem
grade e 58,5%, arado.

A Tabela 64 apresenta a composição racial dos rebanhos das propriedades pesquisadas nos
diferentes estratos.

Tabela 64 Composição racial dos rebanhos nos diferentes estratos.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

De acordo com os resultados, nos diferentes fato de algumas propriedades pesquisadas


estratos pesquisados a maior frequência desenvolverem a exploração de leite em
tanto para animais machos como fêmeas são conjunto com a produção de animais para
de mestiços azebuados com predominância corte com aproveitamento dos descartes
de sangue nelore, denominados anelorados. da exploração leiteira. Nesta pesquisa,
destacamos o crescimento de propriedades,
O segundo grupamento racial predominante nos três estratos pesquisados, que têm como
nas propriedades é de animais da raça principal grupamento racial a raça Brahman.
Nelore com 29,5% e 31% para machos e
fêmeas. Os mestiços leiteiros se destacam A Tabela 65 apresenta a frequência da opinião
como terceiro grupamento, com cerca de dos produtores em relação à evolução do
20% e 13,5%; esta observação se deve ao rebanho nos diferentes estratos estudados.

121
Tabela 65 Evolução do rebanho.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Os dados levantados na pesquisa mostram que em 44,7% das propriedades avaliadas os rebanhos
foram considerados estabilizados. No entanto, a pesquisa mostrou que em 42% das propriedades
o rebanho tem aumentado. Esse aumento no rebanho pode ser creditado a melhorias no manejo
adotado, o que tem proporcionado aos produtores a aquisição de animais.

A Tabela 66 mostra a frequência das respostas dos produtores dos estratos selecionados sobre
se estariam dispostos a aumentar o rebanho no caso de aumento das vendas ou do preço dos
animais e como este aumento poderia ser feito.

Tabela 66 Frequência das respostas em relação ao aumento do rebanho.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

De acordo com os resultados, 76,4% afirmam que estariam dispostos a aumentar o rebanho,
como consequência do aumento nas vendas. Para implementar o aumento do rebanho, de acordo
com 44,5% dos entrevistados, há necessidade de aquisição de novas áreas, principalmente nas
propriedades com rebanhos acima de 501 cabeças, em que 72,8% dos produtores entrevistados
manifestaram esta opção.

122
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Esta tendência mostra que as propriedades com maiores rebanhos evidenciam que o produtor
deste estrato pesquisado opta pela compra de terra ao invés de melhorar os índices de sua
propriedade. Nos demais estratos pesquisados, a tendência observada foi de que o aumento do
rebanho pode ser feito dentro da própria propriedade, contudo com recuperação das pastagens
degradadas.

A Tabela 67 apresenta os valores em percentuais correspondentes às respostas dos produtores


acerca do conhecimento e aplicação da prática de cruzamento industrial.

Tabela 67 Conhecimento e aplicação do cruzamento industrial.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

O método do cruzamento industrial é conhecido por 73,5% dos produtores entrevistados; 28,1%
afirmam que realizam esta técnica em suas propriedades, com maior frequência nos produtores
com rebanhos com mais de 501 cabeças. Para 78,2% dos produtores entrevistados a aplicação
desta técnica agrega maior valor à produção de bovinos de corte.

A Tabela 68 apresenta os valores em percentuais correspondentes às frequências de respostas


dos produtores acerca do conhecimento da existência de confinamento em sua região e à
frequência de respostas positivas em relação à concordância em participar de parcerias com
frigoríficos.

Tabela 68 Frequências das respostas dos produtores acerca da existência de


confinamento e possibilidade de parcerias com frigoríficos.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

123
Cerca de 25% dos pecuaristas entrevistados conhecem a existência de propriedades, em suas
regiões, que praticam a técnica de confinamento de bovinos; 63,9% afirmam que aceitam
participar de parcerias com frigoríficos no estabelecimento de confinamentos.

A Tabela 69 apresenta a frequência de respostas dos produtores em relação à prática de


castração nas propriedades.

Tabela 69 Produtores que realizam a prática da castração e idade média de


realização.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Em 77,7% das propriedades é realizada a prática da castração dos machos criados para a
produção de carne. A média da idade em que são realizadas as castrações variou de 2 anos,
com 50,5% das frequências, e 1,5 ano com 46,5% das propriedades avaliadas.

A Tabela 70 apresenta a frequência de resposta dos produtores em relação à aplicação de


deságio no valor da arroba do boi não castrado, bem como os valores médios do percentual
aplicado de deságio.

Tabela 70 Deságio no valor do boi não castrado.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

124
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Para 99,4% dos produtores entrevistados é cobrado deságio no preço da arroba de bovinos
não castrados. Os valores médios de deságio nas diferentes regiões estudadas variaram de 5%
para 65,9% dos entrevistados, 8% para 4,2% dos criadores e 10% de desconto para 26,4% dos
produtores.

A Tabela 71 apresenta os valores em percentuais correspondentes às frequências de respostas


dos produtores acerca do conhecimento do sistema de controle individual de animais,
(rastreabilidade) e sua opinião em relação às dificuldades de aplicação da técnica em sua
região.

Tabela 71 Rastreabilidade, conhecimento e dificuldades na aplicação.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

A rastreabilidade como ferramenta de controle individual dos animais é de conhecimento


de 67,5% dos produtores entrevistados. Para o segmento com produtores com mais de 501
cabeças a técnica é conhecida por 89,2% dos entrevistados. A pesquisa evidenciou que 92,9%
dos proprietários têm dificuldades para a implantação desta técnica.

A Tabela 72 identifica a opinião dos produtores, de acordo com os diferentes estratos pesquisados
em relação aos motivos que dificultam a implantação da rastreabilidade no rebanho.

Tabela 72 Opinião dos produtores em relação aos motivos que dificultam a


implantação da rastreabilidade.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

125
Dentre as razões apresentadas aos produtores, 78,7% atribuíram ao custo da implantação uma
das razões para a não implantação. A falta de técnicos no assunto na região foi apontada por
93,4% dos produtores. Para 95,4% dos entrevistados, a falta de informação sobre o assunto
também contribui para a não implantação da rastreabilidade e a falta de diferencial no preço
do bovino rastreado no Estado do Rio de Janeiro é indicada por 95,4% como a razão para a não
aplicação desta técnica nos rebanhos.

A Tabela 73 apresenta os valores médios das frequências de respostas dos produtores acerca da
variação para menos no preço do boi em relação a outras regiões do país e no estado.

Tabela 73 Variação do preço do boi em diferentes regiões do país e do estado.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Para 92,4% dos produtores entrevistados, os preços da arroba do boi praticados no Rio de
Janeiro são inferiores aos praticados em outras regiões do País. Por outro lado, somente 16,4%
apontaram diferenças regionais nos preços praticados no Estado do Rio de Janeiro.

A Tabela 74 apresenta os resultados obtidos referentes aos sistemas de acasalamento adotados


nas propriedades pesquisadas.

Tabela 74 Sistemas de acasalamento adotados nas propriedades.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

126
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Nos estratos pesquisados o sistema de acasalamento predominante é o de monta natural não


controlada, observada em 49,2% das propriedades. A adoção da monta natural controlada foi
observada em 38,6% das criações; quanto aos demais sistemas, a frequência é abaixo de 10%.

A Tabela 75 expressa a preferência do produtor para a aquisição de insumos para sua propriedade.

Tabela 75 Aquisição dos insumos.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

As casas de produtos agropecuários foram o local onde 30,8% dos produtores adquiriram seus
insumos. Entretanto, as compras de insumos nas cooperativas foram realizadas por 28% dos
produtores, já a aquisição diretamente dos representantes atendeu a 8,9% criadores.

As Tabelas 76 e 77 apresentam a frequência de respostas da relação entre pecuaristas e


fornecedores e os principais fatores que limitaram a aquisição de insumos.

Tabela 76 Relação entre pecuaristas e fornecedores.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

127
Tabela 77 Fatores que limitaram a aquisição de insumos.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

As relações entre pecuaristas e fornecedores foram consideradas muito boas por 47% dos
criadores nas diferentes regiões pesquisadas. Para 44,1%, são consideradas como regulares e
excelentes para 8,8% dos entrevistados.

Os principais fatores apontados que limitaram a aquisição de insumos foram os preços dos
produtos, para 46,6% dos produtores, as condições de pagamento com 39,6% das respostas,
11,8% e 2,1% para prazo de entrega e estocagem, respectivamente.

As Tabelas 78, 79 e 80 apresentam os resultados referentes aos agentes mais importantes


na comercialização da produção apontados pelos proprietários dos estratos de produção
selecionados.

Tabela 78 Principais agentes que atuaram na comercialização da produção no


estrato com até 250 cabeças.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

128
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Neste segmento de produtores o agente que se destacou na aquisição da produção foram


os açougues, com 39,1%. Foi identificado pela pesquisa que este agente predominou na
comercialização de vacas e novilhas nas regiões Serrana, Baixadas Litorâneas, Norte e Noroeste
Fluminense. Os marchantes ou atravessadores representaram 32,2% da comercialização de
produtos; este agente foi identificado como o principal comprador de bois e o segundo na
aquisição de novilhas. Os frigoríficos foram os responsáveis pela comercialização de 28,8% da
produção, ocupando a segunda colocação na aquisição de bovinos.

Tabela 79 Agentes que atuaram na comercialização da produção no estrato com até


500 cabeças.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Neste estrato de produtor, o principal agente de comercialização dos produtos foram os


frigoríficos, com valores médios de 47,5%, sendo o principal comprador de vacas com 47,9%,
novilhas com 50,3% do volume comercializado e bois com 44,2% do total. Neste segmento
as comercializações realizadas pelos açougues representaram um volume de 35,9%, e pelos
marchantes o volume observado foi de 16,5%.

Tabela 80 Principais agentes que atuaram na comercialização da produção no


estrato acima de 501 cabeças.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

129
Neste segmento os frigoríficos foram os responsáveis pela aquisição de praticamente a metade
do volume comercializado pelos produtores, com valores correspondentes a 49,4%, seguido
dos marchantes, com 25,7%. O açougue, neste segmento de produtor, teve sua atuação mais
destacada na aquisição de vacas e novilhas.

Para os três segmentos a forma de pagamento predominante foi a prazo. Foram apontados,
também, pelos produtores como os três principais fatores que mais influenciaram a venda dos
animais: o preço do boi gordo, a relação de troca ou reposição (boi vendido versus bezerro
adquirido) e a necessidade de fluxo de caixa.

As Tabelas 81 e 82 apresentam as frequências das avaliações realizadas pelos produtores


referentes às relações com os agentes compradores de seus produtos e o percentual de
inadimplência dos agentes.

Tabela 81 Avaliação dos agentes compradores pelos produtores.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Tabela 82 Percentual de inadimplência dos agentes compradores.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

130
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

As relações entre pecuarista e compradores dos animais foram consideradas como excelentes
por 10,7% dos produtores, muito boas por 58,4% e regulares para 29,2% dos entrevistados.
Quanto aos níveis de inadimplência, os açougueiros, com 55%, são os agentes que mais
foram citados pelos produtores, seguidos dos atravessadores ou marchantes com 27,3% e os
frigoríficos com 17,7%. No entanto, estes dois agentes de comercialização atuaram fortemente
na comercialização da produção.

A Tabela 83 apresenta os valores percentuais das respostas negativas dos produtores em relação
à disponibilidade de crédito.

Tabela 83 Frequência de respostas negativas em relação à disponibilidade de


crédito.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

De acordo com os resultados, 85,8% dos produtores declararam que não há disponibilidade de
créditos para a atividade de pecuária de corte. Dentre os principais problemas relacionados
ao crédito rural para a bovinocultura de corte foram citados: a burocracia enfrentada pelos
pecuaristas na obtenção dos recursos, dificuldades na prorrogação das dívidas quando o setor
passa por dificuldade de liquidez e recursos disponibilizados não suficientes.

131
132
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

19 Avaliação do pesquisador

Nesta seção, o pesquisador de campo assinalou na planilha o grau de confiança das respostas
que obteve junto ao pesquisado. Considerou aspectos como a empatia que foi estabelecida
com o respondente, contradições identificadas ao longo da entrevista, tempo e atenção que o
mesmo disponibilizou, entre outros.

Tabela 84 Avaliação dos entrevistados.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

De acordo com os relatórios apresentados pelos pesquisadores de campo, 47,2% dos entrevistados
foram avaliados como muito bons, 39,8% como bons e 12,9% como regulares.

133
134
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

20 Abate e processamento

De acordo com dados fornecidos pela Secretaria de Estado de Agricultura no Rio de Janeiro, são
cadastrados no Serviço de Inspeção Estadual os seguintes frigoríficos (Tabela 85):

Tabela 85 Relação e localização dos frigoríficos com registro no serviço de inspeção


estadual.

Fonte: Secretaria de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro, 2010.

De acordo com a Tabela 85, as regiões do Médio Paraíba e Norte Fluminense, com quatro
frigoríficos cada, são as que concentram mais da metade dos estabelecimentos, seguidos da
região Centro-Sul com dois estabelecimentos e Noroeste e Serrana com um frigorífico cada.

135
Esta concentração de estabelecimentos de abate de bovinos em algumas regiões foi motivo de
críticas dos produtores das regiões Metropolitana, Baixadas Litorâneas e Costa Verde, que têm
dificuldades para negociar seus animais diretamente com os frigoríficos em razão das distâncias.
Para apresentação do diagnóstico do setor de abate e processamento, foi realizada uma pesquisa
consultiva a todos os estabelecimentos, cujos resultados serão apresentados a seguir.

De acordo com as informações coletadas nas entrevistas, todos os frigoríficos do estado têm na
sua constituição 100% de capital social nacional.

A Tabela 86 apresenta as atividades das empresas em relação a espécies abatidas nas regiões
administrativas do Estado do Rio de Janeiro.

Tabela 86 Atividades dos frigoríficos em relação a espécies abatidas.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

De acordo com o levantamento de campo, 10 estabelecimentos abatem somente bovídeos, o


que representa 77% dos estabelecimentos do estado; dois abatem bovinos e suínos e um abate
bovinos e avestruzes.

A Tabela 87 apresenta a distribuição dos estabelecimentos quanto à planta da empresa.

Tabela 87 Distribuição dos estabelecimentos quanto à planta da empresa.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

136
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Dos estabelecimentos que apenas abatem e resfriam, três deles têm suas operações 100%
voltadas para atendimento a terceiros; os demais têm suas atividades direcionadas para abate
de animais próprios e de terceiros.

Daqueles estabelecimentos que abatem, resfriam e desossam, um tem suas atividades totalmente
voltadas para atendimento próprio; os demais, além de atendimento a sua demanda, atendem
a terceiros. Nos estabelecimentos com o setor de graxaria, os principais subprodutos são sebo
e farinha de carne e ossos. O sebo é o subproduto mais importante para dois estabelecimentos,
enquanto a farinha de carne e ossos é o principal subproduto para um deles.

Três graxarias autônomas inspecionadas pelo SIF, uma na Baixada Fluminense, outra na região
Serrana e uma terceira na região Norte Fluminense, realizam o processamento de resíduos
oriundos dos abatedouros que não possuem graxaria ativada e os ossos e sebos recolhidos de
açougues e supermercados.

A Tabela 88 apresenta a capacidade instalada para atendimento à produção dos estabelecimentos


pesquisados.

Tabela 88 Distribuição da capacidade instalada das empresas.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Os dados revelam que aproximadamente 47% dos frigoríficos apresentam a capacidade instalada
para abate de pouco mais de 100 animais por dia, aproximadamente 13% dos estabelecimentos
apresentam capacidade de abate para até 5.000 cabeças/mês e 40% capacidade de abate acima
de 5.000 cabeças/mês. As três plantas com capacidade acima de 10.000 cabeças/mês foram
construídas na década de 70 durante a campanha de federalização, que pretendia que todo
produto de origem animal processado no Brasil ocorresse em plantas com Serviço de Inspeção
Federal (SIF).

A Tabela 89 apresenta o quadro de colaboradores das empresas pesquisadas.

137
Tabela 89 Número de colaboradores das empresas.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Em 10 empresas, o número de colaboradores é superior a 40 e em quatro empresas o número


de funcionários variou de 11 a 40 funcionários. Em todos os estabelecimentos, 100% dos
funcionários têm carteira assinada.

Na avaliação de desempenho da mão de obra contratada, 46,2% consideraram como boa, 38,5%
como regular e 7,7% como excelente e o mesmo percentual considerou a mão de obra ruim.

Apenas três frigoríficos proporcionaram aos colaboradores algum programa de capacitação, e


em dois este treinamento contribui para melhorar a qualidade da mão de obra.

A Tabela 90 apresenta a frequência da forma de aquisição pelos frigoríficos.

Tabela 90 Forma de aquisição dos animais vivos.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Os resultados confirmam que no mercado de boi a prevalência é pela aquisição a prazo. Contudo,
nas transações realizadas à vista é realizado um desconto entre 2 a 3%. O sexo, a raça do animal
e a idade, por ordem de influência, foram os fatores apontados como sendo os que mais afetam
a composição do preço final do animal. De acordo com a oferta, tanto machos como fêmeas são
adquiridos na balança e no gancho.

138
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

A Tabela 91 apresenta o valor percentual da procedência dos animais (machos e fêmeas)


adquiridos pelos frigoríficos para abate e processamento.

Tabela 91 Frequência dos locais de procedência dos animais adquiridos para abate
e processamento.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Os resultados da pesquisa demonstraram que as aquisições dos animais para abate são feitas
com maior frequência nos produtores localizados na região onde estão situadas as empresas e
são realizadas por compradores dos próprios frigoríficos em maior escala e por terceiros.

Aproximadamente 70% dos frigoríficos pesquisados não adotam programas que tenham como
objetivo a melhoria da qualidade do animal abatido, bem como programas para melhoria da
carne que sai da linha de produção.

De acordo com as informações fornecidas pelas empresas, 77% dos produtos são direcionados ao
mercado regional e 23% ao local. Os principais compradores são supermercados e atacadistas,
que representam aproximadamente 70% da comercialização, e em menor escala os açougues e
empresas voltadas para o ramo de cozinha industrial. Em todos os segmentos, de acordo com os
dados da pesquisa, 80% das vendas são realizadas a prazo.

A Tabela 92 apresenta informações referentes ao pagamento do couro aos pecuaristas, as


etapas de processamento do couro realizadas pelos frigoríficos dentro de suas instalações e a
sua comercialização.

139
Tabela 92 Remuneração, processamento e venda do couro.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

De acordo as informações coletadas, 73% dos frigoríficos remuneram indiretamente o couro do


gado abatido. Em 87% dos frigoríficos o couro é salgado antes da sua comercialização com os
curtumes e intermediários.

A Tabela 93 apresenta a opinião dos dirigentes dos frigoríficos sobre o efeito do abate clandestino
de bovinos nos negócios da empresa.

Tabela 93 Influência dos abates clandestinos nos negócios dos frigoríficos.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

140
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

De acordo com os frigoríficos, a prática do abate clandestino afeta seus negócios diretamente
na redução da oferta de animais e na composição do preço.

De acordo com dados fornecidos pela Secretaria de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro, já
foram identificados 79 locais em todo o estado onde são realizados abates clandestinos.

Recentes ações de repressão ao abate clandestino efetuados pelo Batalhão Florestal têm
produzido uma corrida aos estabelecimentos oficiais na busca da legalização do abate. Ainda é
cedo para concluir se este tipo de ação, como seria desejado, terá continuidade.

A Tabela 94 apresenta os resultados referentes à gestão de qualidade e tecnologia da informação


adotada pelas empresas.

Tabela 94 Gestão de qualidade e tecnologia da informação adotada pelas empresas.

Fonte: Pesquisa de campo, 2010.

Para 80% das empresas, não há acesso a crédito bancário, o que tem provocado dificuldades na
expansão e modernização das instalações, principalmente das câmaras frias e na renovação da
frota de caminhões frigorificados.

Quanto à participação em instituição que representa os frigoríficos, 85% das empresas


entrevistadas afirmaram que participam, e destas, 62% participam da AMAFERJ.

141
142
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

21 Considerações sobre a atividade


de abate de bovinos

A atividade de abate de bovinos, na maior É importante reconhecer tratar-se de uma


parte do tempo, tem como principal forma cadeia extremamente enxuta, em que o preço
de remuneração a venda do couro, a que pago ao produtor chega ao consumidor final
se somam outros subprodutos, tais como com uma variação incrivelmente pequena.
farinha de carne, sebo etc., não sendo raros
os momentos em que o couro represente Tomemos por base o preço praticado hoje
mais de 80% da remuneração de uma planta (maio de 2010) no RJ, de R$ 75,00/@ de boi
de abate. pago ao produtor (@=15 kg de carcaça). Ao
chegar ao açougue, essa carcaça é desossada
Tratando o couro como uma commodity cuja com perda de 27% (sebo e ossos), resultando
composição do preço independe do mercado em 11 kg de carne. Dividindo-se o preço pago
local, e com variações extremas, como as ao produtor pelo produto obtido chegamos ao
que ocorreram nos últimos 2 anos, em que o valor de R$ 6,85/kg de carne. Hoje existem
preço de couro oscilou de R$ 3,00 a R$ 0,30 promoções em que a carne de segunda
por kg., a taxa de abate (TA), aparece como (dianteiro) é ofertada a R$ 5,99 o kg. A carne
complementação da remuneração do serviço de primeira, excetuando cortes especiais,
de matança. poderá ser adquirida entre oito e dez reais o
quilo. A diferença de 20 a 30% entre os preços
A TA, dependendo principalmente do valor do pagos ao produtor e o cobrado do consumidor
couro, ora é cobrada, ora não. Em momentos tem que remunerar toda a cadeia, cobrindo
de pique de preço do couro, o prestador de os custos, os riscos e as remunerações das
serviço, chega até mesmo a pagar ao cliente partes, de um produto perecível que tem que
(marchante) pelo serviço prestado. ser comercializado resfriado. Isto só acontece
somando-se a esta margem os valores obtidos
É natural que a variação nos preços dos nos subprodutos gerados pela cadeia – “do boi
subprodutos principais - couro, sebo e só perde o berro” – que se inicia na fazenda,
farinha de carne - interfira no preço do boi passa pela indústria chegando até a ponta do
pago ao produtor e no da carne cobrado do varejo, que podem distar mais de dois mil
consumidor, ainda que não explícitos nas quilômetros um do outro.
negociações. Estas constantes variações
geram uma relação conflituosa entre as “Do boi só se perde o berro”
partes que atuam no processo, expondo-as
a um alto risco, numa atividade que atua Como já dissemos, todos os elos da cadeia
com margens bastante estreitas sob uma trabalham com margens reduzidas,
base muito elevada. Qualquer tropeço gera
envolvendo valores altos, o que os torna
prejuízos de difícil reposição.

143
vulneráveis e, em parte, explica o grande Na insuficiência de respostas conclusivas,
número de tropeços no ramo. fomos buscar opiniões em outros agentes
da cadeia, entrevistando distribuidores
21.1 Concentração do setor e donos de supermercados do RJ que
adquirem carne de outros estados e,
O surgimento de um mega grupo nacional, com sem pretender ter esgotado o assunto,
aquisições e incorporações internacionais, apresentamos algumas informações que,
estendendo suas atividades a outros ramos de forma qualitativa, acrescentam algumas
da economia, que vai da liderança de pistas para a compreensão do fenômeno.
consórcio de engenharia de construção de A definitiva compreensão do mesmo
hidroelétricas a privatização de rodovias, necessitaria aprofundada pesquisa de
tendo como parceiro o BNDES, tem causado mercado, com coleta de dados de difícil
apreensão nos produtores. Pecuarista de acesso que conseguissem abordar aspectos
estados grandes produtores têm assistido a quantitativos, o que excede as possibilidades
um espetacular estreitamento de opções para deste diagnóstico. A seguir apresento alguns
comercializar sua produção. As atividades aspectos levantados.
dos grandes frigoríficos têm se verticalizado,
sendo hoje os grandes confinadores do país. A cotação do boi vivo x Qualidade do boi
As consequências deste processo só serão
digeridas com o tempo. As cotações do boi em pé apresentadas por
vários informativos apresentam, de um modo
Junte-se a isso a recentíssima revolução geral, valores mais próximos do topo que
que a cadeia da carne vem observando no da média, o que acentua a diferença. O boi
setor intermediário, o dos frigoríficos, já comercializado no RJ, na média inferior ao
citada, e as peculiaridades do mercado
que foi cotado em outro estado, aparece
fluminense, para tecer um quadro de causas
valendo menos, arrastando a cotação
multifatoriais que compõem a realidade de
mercado da pecuária fluminense e que vão daqueles de qualidade que produzimos.
além das possibilidades de investigação
deste trabalho. A logística

Durante o trabalho de campo de levantamento O avanço da logística, apesar da notória


dos estabelecimentos de abate, procuramos precariedade das nossas rodovias, permite
respostas ao grande questionamento dos que carretas frigorificadas, transportando
pecuaristas fluminenses: 28 toneladas de carcaças bovinas resfriadas,
a um custo de R$ 4,00/km (acrescentando
Porque o nosso boi, que era o mais caro do a cada 1.000 km R$ 0,14/kg de carcaça),
Brasil, passou a ter a cotação equivalente transportem animais abatidos no MT, PA, TO
aos mais baratos, se temos o segundo maior
etc. cheguem ao nosso mercado, que desta
mercado consumidor do país?
forma deixa de ser “nosso”.

144
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Aquisição de animais vivos X Aquisição de processo de concentração das usinas de


carcaças cana de açúcar, “resíduos anacrônicos
perpetuados pela inércia”, o mesmo
O RJ já possuiu, num passado não muito poderíamos dizer dos açougues que restaram.
distante, uma importante estrutura de abate,
com plantas que conseguiam abater algo em Resíduos anacrônicos perpetuados pela
torno de 95% do consumo estadual. A carne inercia. Caio Prado Junior
fria, como era chamada a carne que vinha de
outros estados, não representava mais que 5% A comercialização da carne bovina sofreu
do mercado fluminense. O boi vinha de outros profundas transformações nas últimas
estados para ser abatido no RJ e distribuído três décadas. A concentração do varejo,
nos açougues da capital e da Baixada, observada inicialmente nos grandes centros
enquanto os do interior se abasteciam com o urbanos, se aprofunda territorialmente,
rebanho local, notadamente com o descarte chegando às cidades médias, estruturalmente
do gado de leite. Os machos de melhor fundindo lojas em grupos para comprar
conformação obtinham melhores preços e em conjunto, criando uma nova forma de
eram garimpados para serem enviados aos interferência no jogo da procura e da oferta.
matadouros que abasteciam a capital. A antiga e conhecida forma de abuso de
poder econômico, em que poucos produtores
A substituição do abate local pela “carne detentores de grande parte da produção
fria”, oriunda dos outros estados, determinou se organizam em cartéis para estabelecer
o fechamento de todas as plantas de abate preços abusivos, o conhecido oligopólio,
do Grande Rio, tais como: Gramacho, Santa dá lugar ao mercado oligopsônico, nova
Cruz, São João de Meriti e Magé, entre forma, também abusiva, em que poucos
outras, e levou outras grandes plantas, compradores conseguem determinar os
como o Uirapuru, de Volta Redonda (Sul do preços, subjugando os muitos produtores que
Estado), o Fricampos, de Campos (Norte passam a não dispor de outras alternativas de
Fluminense), e o Cantelmo, de Cantagalo comercialização.
(Serrana) a operar em escala menor que o
projetado, comprometendo a viabilidade de A bolsa de mercadorias e a informação
suas plantas. A opinião de diversos agentes instantânea
da cadeia é de que hoje 95% da carne bovina
consumida no estado venha de fora. As aquisições de boi vivo no RJ se definem
após o conhecimento dos preços da Bolsa
A concentração do varejo ou a morte dos de Mercadorias do Mercado São Sebastião
açougues ou através dos vários informativos da rede.
Ainda que o comprador não se abasteça
Conforme Caio Prado Junior referiu-se aos na Bolsa, ele sabe que a concorrência ou
engenhos independentes que resistiam ao fará na Bolsa ou diretamente com outros

145
corretores de frigoríficos de outros estados, de certa forma único, com aspectos peculiares
e só aí sairá às compras, já tendo balizado o capazes de influir na comercialização da
que irá pagar. Não comprar carne do RJ em carne nacional e consequentemente na
nada afetará seu negócio, uma vez que este produção dos estados exportadores.
possui massa crítica para comprar no atacado
carne de qualquer lugar que lhe é ofertada. Plantas exportadoras dos principais estados
Já o mesmo não acontece com o pecuarista produtores conseguem preços diferenciados
fluminense, que acabará tendo que vender em cortes especiais, obtidos de animais com
por aqui mesmo. padrão de acabamento, peso de carcaça
e idade bem definidos, tendo no mercado
A mágica da multiplicação da carne fluminense a principal opção de escoamento
de tudo o que não consegue ser exportado,
A aquisição pode ser com osso (meia carcaça, ou por não atender o padrão exigido ou
dianteiro, traseiro ou costela), geralmente por qualquer contratempo comercial. A
de bois não castrados com baixa cobertura colocação dessa carne no mercado paulista
de tecido adiposo na carcaça (acabamento), deterioraria o seu principal mercado
poderá também ser de cortes embalados, nacional; a preferência é, se necessário,
de machos ou de fêmeas. A prática de se contaminar o mercado do RJ. Segundo
injetar os cortes, recentemente proibida atacadistas esta seria a principal razão para
na cadeia do frango, chega a incorporar até a carne ser sistematicamente mais barata no
20% de umidade ao corte, com produtos que RJ que em SP.
nem sempre podem ser detectados pelas
análises atuais. Evidentemente que isto Alcatra e maminha sem picanha
concorre para diminuir a competitividade de
quem não assumir esta prática. Indagando Outro aspecto que nos diferencia do mercado
aos empresários pesquisados a razão de paulista, é a prática de os frigoríficos
colocarem no RJ a alcatra com a maminha
não investir na desossa como forma de
sem a picanha. De um lado, facilita ao
agregação de valor ao produto processado,
exportador apurar o máximo neste corte
uma das alegações seria a impossibilidade de
(picanha), escoando o restante (alcatra
concorrer com a carne injetada. e maminha) para o fluminense; de outro,
permite às redes de supermercado fazer
Baixar o preço no mercado do vizinho ou o constantes promoções de carne de primeira,
descarrego já que conseguem adquirir estes cortes por
preços menores.
Ainda que em linhas gerais a concentração
do varejo tenha ocorrido em todo o Brasil, o Qualidade do processamento
tamanho do nosso mercado, o segundo maior
do país, e a importância que este representa Também foi detectado existir, independente
para os demais estados produtores o tornam da qualidade do animal abatido, notada

146
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

diferença no melhor processamento das ser o divisor de águas na competitividade


carcaças oriundas dos grandes frigoríficos de da pecuária de corte do RJ. A exemplo do
outros estados, se comparadas com as locais. que assistimos com o leite, deixa de haver
Ações como a toilette, lavagem da carcaça vantagem em adquirir carne de outros
e sobretudo a qualidade do frio foram as estados, simplesmente para recolher créditos
causas apontadas. de ICMS, que muitas vezes sequer foram
gerados nos estados de origem.
Tributação
Já há registro de pequenos distribuidores do
Recentemente, a antiga reivindicação do RJ que representam frigoríficos capixabas
setor, abraçada por sua representação tomando preço em estabelecimentos da
sindical, a FAERJ, e acolhida no Governo região Norte, e já se faz sentir a inversão
do Estado no âmbito da Secretaria de de fluxo de boi vivo na divisa dos estados. O
Agricultura, conseguiu a promulgação da Lei abate na região Norte, no primeiro mês de
nº 5.703, de 26/04/10, que isenta de ICMS vigência da lei já acusa esta mudança.
toda a cadeia das carnes no RJ.
Outra mudança tributária que vem
Art. 4º Fica alterado o artigo 6º da Lei nº crescendo a cada dia é que cada vez mais
4.177, de 2003, que passa a ter a seguinte o varejo de porte médio vem optando pelo
redação: sistema tributário de Lucro Real, em que a
comprovação de despesa diminui o valor
Artº 6º Fica isenta do ICMS a operação de tributado. Com isso o setor se vê obrigado
saída interna, realizada por produtor rural, a trabalhar, cada vez mais, dentro da
pecuarista, abate de animais em geral formalidade; a prática informal de aquisição
ou de processamento de carnes, bovina, de mercadoria sem nota fiscal (NF), ou
suina, caprina, ovina, avícola, pescado ou mesmo com NF “por baixo”, dá lugar à “nota
outros aquícolas, de produção nacional, cheia”. A obrigação da nota fiscal eletrônica
estabelecido no Estado do Rio de Janeiro, já existe para o setor desde janeiro de 2009.
de animais vivos ou abatidos, inteiros ou
em corte, em estado natural, resfriado, Importante registrar-se a considerável
congelado, temperado ou processado. melhora no padrão dos rebanhos fluminenses
especializados. Somos importadores de
§ 1º A isenção a que se refere o caput deste carne, mas somos também exportadores de
artigo aplica-se, também, às saídas das genética, com a presença de reprodutores
mercadorias ali mencionadas realizadas geneticamente superiores.
por varejistas e distribuidores atacadistas
estabelecidos no Estado do Rio de Janeiro. Conclusão

A repercussão do efeito tributário desta lei, As plantas existentes no RJ possuem


certamente favorável à cadeia da carne capacidade nominal para abater todo o
fluminense, não poderá ser avaliada até o rebanho do estado. Ao observar a distribuição
fechamento deste diagnóstico, mas deverá geográfica das mesmas, encontramos

147
concentração de plantas em determinados exclusiva responsabilidade dos empresários,
municípios, como Campos, Itaperuna e transbordando para a sociedade, pela
Três Rios, e um enorme vazio na região importância que o serviço de abate
que vai da Baixadas Litorâneas, passando inspecionado representa na preservação
pela Metropolitana até a Costa Verde. A do meio ambiente, no fechamento da
inexistência de abatedouro inspecionado atividade econômica pecuária de corte e,
nessas regiões dificulta o combate ao abate sobretudo, pelo fundamental aspecto de que
clandestino. esta é responsável, qual seja, a segurança
alimentar.
Quanto ao estado de funcionamento
das plantas existentes, na sua maioria A grande complexidade e o enorme montante
construídas há mais de 20 anos, muito se tem que envolve a cadeia de processamento e
a fazer para melhorá-las. Foi uma constante comercialização de carne afastam qualquer
no levantamento de campo as referências pretensão de soluções simples que possam
positivas ao Serviço de Inspeção Estadual, alterá-la. Porém, a ação polititica dos agentes
sendo atribuída à ação propositiva dele, foi capaz de sensibilizar os governos e
as significativas melhoras efetuadas pelos conseguir a desoneração do setor tanto
empresários nos últimos anos, mediante em âmbito federal (PIS e COFINS) como no
compromissos firmados com este Serviço. estadual, a já citada isenção do ICMS, em
Ainda há um longo caminho a ser percorrido flagrante beneficio para a sociedade. Outras
para que se atinja um nível de excelência ações poderão ser deflagradas.
desejado.
Ações propositivas para o setor de abate e
Melhoria e aumento das câmaras frias, comercialização
modernização da frota de distribuição,
dentre outros, foram os pontos mais citados Convocação de uma conferência do setor,
como aqueles que merecem investimento.
onde todos os elos envolvidos, setor público,
produtores, empresários do abate, da
Uma questão recorrente, que de alguma
forma atinge todas as plantas, é a relação distribuição, varejistas, debatam ações
conflituosa com os órgãos de fiscalização como:
e normatização ambiental. As queixas vão
desde a ausência de respostas a pedidos • Solução definitiva para o passivo
de licenças protocoladas há muitos anos, ambiental da atividade, definindo o que
passando pela indefinição das atribuições fazer, como fazer e as fontes de recursos.
de competências, a imprecisão das medidas • Articulação dos pecuaristas que produzem
exigidas etc. gado com padrão de excelência, na busca
de obtenção de escala para um abate
A definitiva solução do problema, dado o diferenciado.
vultoso custo que a solução demandará, • Erradicação do abate clandestino.
merece ser considerada pelo governo
• Fomento à instalação de plantas no vazio
como um problema que vai além da
detectado.

148
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

22 Propostas para o desenvolvimento


da pecuária de corte no Estado do
Rio de Janeiro

Propostas para o desenvolvimento da • Promover treinamento e capacitação


Pecuária de Corte no Estado do Rio de em temas ligados à bovinocultura de
Janeiro corte para produtores, técnicos do
sistema público e privado;
Os resultados do primeiro diagnóstico da
• Aumentar o investimento no controle
bovinocultura de corte do Estado do Rio
da qualidade da carne bovina, com
de Janeiro, evidenciaram que existem
fiscalização e padronização de
pontos críticos na cadeia da carne bovina
produtos comercializados;
que precisam ser superados e minimizados.
Assim, sugere-se que este diagnóstico seja • Criar um programa estadual de
avaliado como uma ferramenta ampla de profissionalização e desenvolvimento
pesquisa a ser utilizada no desenvolvimento de recursos humanos, voltados para
de ações e de políticas específicas para a lideranças, produtores, trabalhadores
bovinocultura de corte do estado. A análise envolvidos na pecuária bovina;
dos resultados permite-nos sugerir a adoção
• Realização de seminários e workshops
das seguintes ações que permitirão ao Estado
envolvendo todos os elos da cadeia
do Rio de Janeiro ter uma pecuária de corte
produtiva;
de mercado com produtividade e qualidade
dos produtos assegurados: • Reforçar a sanidade do rebanho,
aumentando o investimento no
• Implantação da Câmara Setorial controle de doenças;
da Pecuária de Corte, que é • Estabelecer incentivos fiscais voltados
extremamente importante para a para a pecuária de corte;
organização da cadeia produtiva;
• Criação de uma linha de crédito
• Melhorar a produtividade do rebanho especial para os pecuaristas de corte;
com redução de custos de produção;
• Incentivar a adoção da escrituração
• Estimular o criador de gado de zootécnica nas propriedades;
corte a participar do Programa de
Rastreabilidade do Rebanho (SISBOV), • Estabelecer sistema de premiação
ferramenta importante e necessária pela produção de carne de qualidade
para viabilizar a exportação de carne; com ampla divulgação no Estado;

149
• Implementar campanhas
publicitárias visando o
aumento do consumo da
carne bovina produzida no
Estado;
• Incentivar a adoção do
sistema de manejo intensivo
e rotacionado de pastagens
e a suplementação a pasto
no período de escassez de
forragens;
• Incentivar a implantação
de projetos para produção
de carne com qualidade
assegurada, ou seja, em
que todos as fases da
produção são certificadas,
agregando desta maneira
valor e levando ao mercado
fluminense carne de melhor
qualidade;
• Implementar programas de
incentivo à recuperação das
pastagens com a utilização
de corretivos e fertilizantes
de maneira correta;
• Estimular a utilização do
cruzamento industrial com
a escolha das raças mais
apropriadas, objetivando o
melhor aproveitamento da
heterose ou vigor híbrido;
• Implementar programas de
assistência técnica para os
produtores;
• Incentivar a realização de
seminários para discutir
questões ambientais e o
bem-estar animal.

150
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

23 Legislação

Tabela 95 Legislação.

151
Fonte: ABIEC, 2010.

152
DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

24 Glossário
Aftosa – enfermidade causada pelo aflovírus que pode ser transmitida de um animal para outro pelo leite, carne e saliva.
A doença também é transmissível para animais pela água, ar e objetos e locais sujos. Caracteriza-se pelo aparecimento
de aftas na boca e na gengiva e feridas nas patas e mamas. O animal doente também fica febril, com dificuldade para
pastar, perde peso e produz menos leite. As espécies mais atacadas são bovinos, suínos, caprinos e ovinos.
Agronegócio – relações comerciais efetuadas com produtos agrícolas através de atividades de compra e venda.
Animal inteiro – termo utilizado para identificar machos não castrados de uma espécie, portando todos os órgãos do
aparelho reprodutor.
Arroba – antiga unidade de medida de peso equivalente a 32 arráteis, ou seja, 14,689 kg. No Brasil é utilizada como
medida de peso de produtos agropecuários e equivale a 15 kg.
Barreira sanitária – mecanismo legal utilizado por autoridades governamentais de um país ou região que impede ou
restringe a circulação de organismos vivos, parte deles ou seus derivados. Este mecanismo tem por objetivo evitar ou
prevenir riscos de contaminação e disseminação de pragas e doenças ou a introdução de espécies que possam ameaçar
a saúde de seres humanos, animais e vegetais que vivam nesses locais ou ainda comprometer o equilíbrio ecológico.
Normalmente este termo é usado no caso de animais e seus derivados, enquanto o termo barreira fitossanitária é usado
para vegetais e seus derivados. O termo genérico mais usado é barreira de biossegurança.
Barrigada – vísceras de animais abatidos; conjunto de filhotes nascidos de um parto do animal.
Bebedouro – implemento ou local utilizado para fornecimento de água aos animais.
Bezerro ou terneiro – bovino jovem entre o nascimento e o desmame, geralmente até sete meses de idade. Para
algumas espécies esse período vai até 12 meses.
Boi – macho castrado das espécies taurinas ou zebuínas com idade acima de 30 meses, geralmente destinado ao abate,
serviço no campo ou como meio de transporte.
Boi de pé – bovino de corte ainda vivo no pasto ou galpão de confinamento.
Bovinocultura – atividade pecuária destinada à criação de gado bovino. Divida em bovinocultura de corte, para
produção de carnes e peles, e bovinocultura de leite.
Brete – local de contenção ou imobilização de animais com objetivo de alguma prática de manejo como selação e
aplicação de vacinas e medicamentos.
Brinco – objeto pendente fixado no lóbulo da orelha de animais com a finalidade de identificá-lo.
Bubalino – relativo a búfalo.
Cadeia produtiva – conjunto formado por todas as ações e agentes interligados entre si (elos) que estão relacionados
com a produção e distribuição de um bem ou serviço, desde a produção da matéria-prima até a comercialização do
produto final.
Câmara fria ou câmara frigorífica – compartimento de temperatura mantida artificialmente baixa, para armazenamento
e conservação de gêneros perecíveis.
Capacidade de suporte – a máxima taxa de lotação que proporciona determinado nível de desempenho animal, dentro
de um sistema de pastejo, e que pode ser aplicada por determinado período de tempo sem causar a deterioração do
sistema.
Carcaça – parte comestível da carne bovina, ainda com osso, obtida após os procedimentos de abate.
Carne – qualquer tecido animal utilizado para alimentação, seja in natura ou processado.
CIF – o CIF (Cost Insurance Freight) - Custo, seguro e frete - o fornecedor se responsabiliza pelo frete, cabendo a este
fornecer uma guia para que o comprador possa resgatar o produto perante o courrier. Este custo consta no orçamento
do fornecedor. No CIF, toda a logística, desembaraços etc. ficam a encargo do fornecedor, que apenas deve fornecer a
guia de retirada para o cliente, a fim de que este possa retirar a encomenda junto ao courrier em questão.
Cobertura – cópula ou coito entre animais em que, ocorrendo no período de fertilidade da fêmea, acontece a
fecundação; também chamado de monta.
Cocho – equipamento muito utilizado para fornecer alimento a animais, podendo ser de vários tipos, dependendo do
animal que será alimentado e do alimento que será oferecido.
Confinamento – sistema de produção intensivo utilizado para criação de aves, bovinos, suínos, ovinos, caprinos e outras
espécies, no qual os animais são criados em galpões fechados e alimentados com ração e/ou material volumoso no
cocho.
Congelamento – técnica que consiste em submeter alimentos, organismos vivos ou parte de organismos vivos a
temperatura muito baixa em congelador a fim de conservá-lo em bom estado até sua utilização; método de conservação
de alimentos que utiliza temperaturas mais baixas que a refrigeração e, por isso, inibe o crescimento microbiano e
retarda praticamente todo o processo metabólico.

153
Controle de pragas – conjunto de ações tomadas com o objetivo de manter em níveis satisfatórios ou erradicar por
razões de sanidade as pragas que atacam culturas vegetais ou a criação de animais.
Conversão alimentar – medida de eficiência do processo de ganho de peso (crescimento, engorda), em termos de
quilograma de matéria seca de alimentos ingeridos por quilograma de ganho de peso.
Conversão de tonelada líquida para tonelada equivalente carcaça
Carne industrializada: O total processado deve ser multiplicado pelo fator 2,5.
Carne in natura:
• Carnes com osso: deve ser multiplicada pelo fator 1.
• Carnes desossadas: deve ser multiplicada pelo fator “1,4706”.
• Total equivalente carcaça = Carne desossada + Carne com osso.
Cota Hilton – A cota Hilton é constituída de cortes especiais do quarto traseiro de novilhos precoces, e seu preço no
mercado internacional corresponde de três a quatro vezes o preço da carne comum. A cota anual, de 34.000ton, é fixa,
e a ela somente têm acesso os países credenciados. Eventualmente, pode ser suplementada por uma cota variável, que
pode ser atendida por outros fornecedores, devidamente credenciados, inclusive pelo Brasil. Essas cotas possuem uma
taxa de importação de 20% ad valorem. A cota brasileira é de 5 mil toneladas anuais.
Couro – pele de animais curtida, imputrescível e utilizada como matéria-prima para diversos usos e finalidades.
Couro cru – couro sem tratamento, não curtido.
Creep feeding – suplementação com concentrado, em cocho privativo, para os bezerros durante a fase de amamentação.
Creep grazing – utilização de uma área de pasto de acesso exclusivo pelos bezerros, enquanto estão na fase de
amamentação.
Criadouro – área delimitada, preparada e dotada de instalações capazes de possibilitar a reprodução, cria e recria de
espécies da fauna silvestre.
Cruzamento rotacionado: sistema de cruzamento em que as fêmeas cruzadas de reposição são produzidas no próprio
sistema de produção.
Cruzamento terminal (cruzamento industrial): sistema de cruzamento em que todos os animais cruzados produzidos
são comercializados para abate.
Cruzamento: sistema de acasalamento entre animais de raças ou grupos genéticos diferentes.
Curral – instalação ou local fechado, geralmente coberto, onde se aloja e reúne o gado para uma série de operações
de manejo como apartação, marcação, pesagem, castração, inseminação, medicação, vacinação e embarque. Deve
ser construído de forma a permitir que essas operações sejam feitas de maneira tranquila e segura e com o mínimo de
esforço e estresse para os animais e o tratador.
Desinfecção – atividades que visam à eliminação ou ao controle de agentes patógenos que possam causar infecções
em seres vivos.
Desmamar – fazer perder o costume de mamar; apartar do leite; desleitar.
Desossar – atividade que consiste na retirada dos ossos de partes específicas de animais abatidos ou de carcaças
inteiras.
Disponibilidade de forragens - Porção da massa de forragem, expressa como massa por unidade de área, que está
acessível aos animais para consumo.
Disseminação – ato ou efeito de espalhar, difundir ou propagar em um meio uma doença ou praga através de um veículo
que pode ser vegetal, animal ou um meio físico.
Divisa – traço ou linha divisória entre estados; limite entre duas unidades da Federação. O termo também é utilizado
para designar a marca feita no gado a ferro quente para identificar propriedade.
Doença – denominação genérica dada a qualquer desvio do estado normal de saúde causada por um patógeno em
animais ou vegetais e que se manifesta por meio do funcionamento anormal de células e tecidos através de um
conjunto de sinais e/ou sintomas que têm uma só causa.
Ectoparasitos – parasitos externos.
Endoparasitos – parasitos internos.
Entressafra – período das secas (outono e inverno) no ano.
Equivalente carcaça – Tem como referência a venda de carne com osso. (carcaça)
Equivalente desossa – Se considerarmos a margem de comercialização dos frigoríficos que vendem os cortes de carne
sem osso, mais derivados e subprodutos, a diferença entre o preço recebido pelo pecuarista e o apurado pela indústria
é bem maior.
Erradicação – eliminação de animais, plantas ou outros organismos considerados patógenos em uma área ou região.
FAERJ - Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Estado do Rio de Janeiro.
FOB (Free On Board) – o fornecedor se responsabiliza (contratualmente) pela mercadoria até a hora em que ela é
entregue, na data e hora, ao courrier escolhido pelo comprador. Este preço não faz parte do orçamento do fornecedor,
deverá ser calculado pelo comprador de acordo com o serviço de frete que escolheu. No FOB, todos os custos e
desembaraços legais da carga são de responsabilidade do fornecedor, que cessa assim que o mesmo entregue a

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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

mercadoria à empresa de courrier contratado pelo comprador, na hora e local combinados, em contrato. Veja, se o
fornecedor perder o prazo de entrega ao courrier, este prejuízo não é de responsabilidade do comprador. O custo FOB
não consta em orçamentos de fornecimento da mercadoria; este custo deve ser calculado à parte, pelo cliente.
Forrageira – qualquer espécie de vegetação, natural ou plantada, que cobre uma área e é utilizada para alimentação
de animais, seja ela formada por espécies de gramíneas, leguminosas ou plantas produtoras de grãos.
Frigorífico – denominação dada aos estabelecimentos destinados ao abate de gado, à desossa das carcaças e à
conservação do bom estado dos cortes de carne em câmaras frias; câmara fria.
Gado – denominação genérica dada aos animais domésticos que formam rebanhos e são explorados economicamente.
GATT – A Cota GATT é também uma cota de carne especial, estabelecida pelo GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio),
destinada à União Européia. Inclui outros cortes do quarto traseiro de qualidade não tão alta quanto os da cota Hilton,
e é menos valorizada do que aquela.
Heterose (vigor híbrido) – superioridade dos animais da primeira geração de cruzamento em relação à média das raças
paternas.
Imunidade – resistência que um organismo vivo apresenta às pragas e doenças, geralmente adquiridas após o
estabelecimento de uma infecção causada por microorganismo infeccioso ou após a inoculação de vacinas.
Indivíduo – exemplar representante de uma determinada espécie; ao seu conjunto denomina-se população.
Infecção – ataque agressivo a um ser vivo por agente patogênico. É o princípio ou origem de uma enfermidade ou
doença.
Infestação – ataque violento por um organismo de forma ampla e mais ou menos uniforme sobre uma área ou indivíduo.
Mal da vaca louca – cientificamente denominada Encefalopatia Espongiforme Bovina (BSE), é uma doença que atinge
principalmente o gado bovino, mas já há registro de ocorrência em outras espécies como gato doméstico, pumas,
avestruzes, leopardos e antílopes. É uma doença de difícil diagnóstico, de longo período de incubação e que não tem
tratamento. É contraída pela ingestão de alimento contaminado. Caracteriza-se por infecção generalizada do cérebro
decorrente da multiplicação de infecções em outras partes do organismo causada por uma partícula protéica infecciosa
denominada príon, que faz com que o animal perca o controle dos movimentos e apresente hipersensibilidade ao toque
e ao som. Nas ovelhas a doença é chamada scrapie. É inexistente no Brasil e não tem nenhuma semelhança ou ligação
com a aftosa.
Manejo de animais – são operações e técnicas utilizadas no trato de animais que se evidenciam no tipo e na forma
de fornecimento de alimentação, na movimentação, nos tratamentos preventivos e terapêuticos de doenças, nas
instalações para permanência ou repousos, dentre outros.
Market share - (termo mais comum no Brasil) pela tradução literal do inglês, “quota de mercado”.
Medida protecionista – procedimento adotado pelos governos com o objetivo de favorecer a produção interna frente
à concorrência com outros países. As principais medidas protecionistas são as barreiras tarifárias e as não tarifárias.
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – pasta do governo brasileiro responsável pela gestão política das
áreas de agricultura, pecuária e abastecimento.
Monitoramento – acompanhamento, avaliação e controle das condições ou de fenômenos, naturais ou artificiais, com o
objetivo de obter dados quantitativos e qualitativos que possibilitem maior conhecimento sobre eles, identificando assim
possíveis riscos ou oportunidades que possam ser controlados ou aproveitados para minimizar eventos indesejáveis.
NDT (nutrientes digestíveis totais) – medida do valor energético de determinado alimento ou dieta, geralmente
utilizada para definir a qualidade dos alimentos e adequá-los às exigências dos animais.
Nova raça – raça formada por meio de cruzamento entre animais de duas ou mais raças já existentes e reconhecida
pelos órgãos oficiais do país de origem.
Novilho ou garrote – macho dos bovinos com idade entre um e três anos.
Novilho precoce – macho dos bovinos com idade entre dois anos e dois anos e meio e que por meio de técnicas de
melhoramento genético, de manejo e de alimentação apresenta desenvolvimento de carcaça e pesos adequados para
abate. Nas espécies taurinas o animal geralmente está pronto para o abate em até 24 meses; nas zebuínas, em até 30
meses.
Oferta de forragem – relação entre a quantidade de forragem por unidade de área e o número de unidades animais.
Pastagem – vegetação própria para alimentação do gado, podendo ser natural ou plantada com espécies perenes ou
de ciclo anual.
Pastejo rotacionado – condução dos animais de forma a pastejar a forrageira por um a três dias, deixando a forrageira
recuperar suas raízes e folhas num período de 20 a 36 dias, conforme a forrageira e seu vigor de desenvolvimento.
Pasto – área ao ar livre, normalmente cercada, podendo ser plana ou acidentada, natural ou plantada, na qual existe
uma cobertura vegetal formada geralmente por espécies de gramíneas e/ou leguminosas que servem de alimento ao
gado.
Pecuária – atividade agrícola que tem por finalidade a criação de gado.
Pedilúvio – tanque raso que contém água ou substâncias terapêuticas e/ou curativas, geralmente construído na entrada
ou na saída dos currais e salas de ordenha com o objetivo de efetuar a higiene e/ou tratamento dos cascos dos animais;

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pode ser usado em aeroportos, estradas e outros locais em caso de doenças provocadas por agentes patógenos que
podem ser carregados nos pés e patas de animais; o tanque utilizado para a desinfecção de veículos recebe o nome de
rodolúvio.
PIB (produto interno bruto) – expressão do total dos bens e serviços finais produzidos dentro do território econômico
da nação, independentemente de quais sejam os proprietários dos recursos empregados.
Piquete – subdivisão do pasto normalmente por cerca destinada ao pastoreio ou separação de animais que necessitam
tratamentos ou cuidados especiais.
Plantel – conjunto de animais que formam um rebanho.
Política agrícola – conjunto de ações do governo destinado a influir nas decisões dos agentes responsáveis por
atividades agrícolas, visando à consecução de determinados objetivos como produção, comercialização e armazenagem
de produtos agrícolas através de mecanismos como fornecimento de infraestrutura, créditos, mecanismos fiscais,
armazenagem etc.
Probabilidade – medida baseada na relação entre o número de casos favoráveis e o número total dos casos possíveis.
Número positivo e menor que a unidade, que se associa a um evento aleatório, e que se mede pela frequência relativa
da sua ocorrência numa longa sucessão de eventos.
Produtividade – relação entre a quantidade ou valor produzido e a quantidade ou valor dos insumos aplicados à
produção; eficiência produtiva.
Profilaxia – parte da medicina que trata das medidas preventivas contra as enfermidades. Emprego dos meios para
evitar as doenças.
Programa sanitário – conjunto de medidas para prevenir e controlar as principais doenças dos animais.
Propagação – multiplicação dos seres vivos por meio de reprodução sexuada ou assexuada; proliferação.
Raça exótica – raça de bovinos originária de outro país.
Rastreabilidade – é a possibilidade de registrar, através de um conjunto de instrumentos, o caminho percorrido por um
indivíduo (animal ou vegetal) ou produto processado desde sua origem até sua colocação para o consumo final.
Rebanho – conjunto de animais.
Rês – qualquer quadrúpede utilizado na alimentação humana.
SEAPPA-RJ – Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro.
Segurança e qualidade dos alimentos – atributos referentes à inocuidade dos alimentos e seu valor nutritivo; garantir
a segurança e qualidade dos alimentos é atribuição da Vigilância Sanitária.
Seleção – escolha dos pais da próxima geração.
Semiconfinamento – método de engorda de bovinos, em área de pastagens, com suplementação de mistura de
concentrados.
SIE – Serviço de Inspeção Estadual.
SIF – serviço de Inspeção Federal.
SIM – Serviço de Inspeção Municipal.
SISBOV – O SISBOV é o serviço de rastreabilidade da cadeia produtiva de bovinos e bubalinos. É o conjunto de ações,
medidas e procedimentos adotados para caracterizar a origem, o estado sanitário, a produção e a produtividade da
pecuária nacional e a segurança dos alimentos provenientes dessa exploração econômica. Seu objetivo é identificar,
registrar e monitorar, individualmente, todos os bovinos e bubalinos nascidos no Brasil ou importados. Os procedimentos
adotados nesse sentido devem ser previamente aprovados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento –
MAPA.
Tatuagem – marca ou sinal feita geralmente a fogo na pele de um animal com a finalidade de identificá-lo.
Tratamento preventivo – conjunto de medidas adotadas antes do aparecimento ou constatação de uma doença, praga
ou deficiência que tem por objetivo impedir que um organismo seja atacado por seus agentes causadores.
Úbere – órgão formado pelo conjunto de glândula mamária, quartos mamários, tetas e pele das fêmeas.
Unidade animal (UA) - equivalente ao peso de um animal com 450 kg.
Vacina – substância de origem microbiana (micróbios mortos ou de virulência abrandada) que se ministra a um indivíduo
com fim preventivo, curativo ou paliativo. Qualquer espécie de vírus atenuado que, introduzido no organismo, determina
certas reações e a formação de anticorpos capazes de tornar esse organismo imune ao germe utilizado.
Virose – enfermidade causada por vírus.
Vírus – agente infeccioso microscópico que não tem capacidade metabólica autônoma e apenas se reproduz no interior
de células vivas. Assim como outros organismos, pode multiplicar-se com continuidade genética e é passível de mutação,
podendo apresentar formas diversas.
Zebu – grupo de raças de bovinos de origem indiana, cuja principal característica é apresentar giba ou cupim. Também
é afetado pela aftosa.
Zoonose – doença transmitida dos animais para o homem.

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DIAGNÓSTICO DA CADEIA PRODUTIVA DA PECUÁRIA DE CORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

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