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PODER JUDICIÁRIO FEDERAL

Justiça do Trabalho - 2ª Região


41ª Vara do Trabalho de São Paulo - Capital

TERMO DE AUDIÊNCIA
PROCESSO Nº 01671-2009-041-02-00-9

Aos vinte dias do mês de maio de 2011, na sala de audiências da 41ª Vara do Trabalho de São
Paulo - SP, por ordem da MM. Juíza do Trabalho, Dra. JULIANA EYMI NAGASE, foram
apregoados os litigantes, MARIA VALDA DOS SANTOS, Reclamante e CENTRO DE
SANEAMENTO E SERVIÇOS AVANÇADOS LTDA., Reclamada.

Ausentes as partes.

Conciliação prejudicada.

Submetido o processo a julgamento foi proferida a seguinte

SENTENÇA
RELATÓRIO

Dispensado, nos termos do art. 852-I da CLT.

FUNDAMENTAÇÃO

1. Da inépcia

Em virtude da simplicidade do processo do trabalho, o §1 o do art. 840 da CLT exige que a


reclamação trabalhista contenha uma breve exposição dos fatos de que resulte o pedido,
exigência essa que foi cumprida pela reclamante na petição inicial, razão pela qual rejeito a
preliminar.

2. Da prescrição

Acolhe-se a prescrição qüinqüenal argüida pela reclamada, nos termos do art. 7o, inciso XXIX
da Constituição da República, declarando-se prescritos os efeitos pecuniários das parcelas
anteriores a 29/07/2004, excetuando-se as parcelas relativas ao FGTS, cuja prescrição é
trintenária (Súmula 362 do TST).

3. Do adicional de insalubridade

Alega a reclamante que realizava suas atividades em ambiente insalubre, eis que efetuava a
limpeza de todas as áreas comuns, especialmente banheiros públicos.

Em contestação, a reclamada aduz ser indevido o pleito, em virtude da ausência de ambiente


insalubre.

Para apuração da alegada insalubridade, foi determinada a realização de perícia técnica.

O laudo pericial técnico concluiu, à fl. 152: Após análise criteriosa dos autos do processo, das
instalações da reclamada, das condições de trabalho e dos resultados obtidos durante a
vistoria realizada, concluímos que a atividade exercida pela reclamante, no exercício de suas
funções: NÃO É CONSIDERADA GERADORA DO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE, em
conformidade com a Lei 6.514, de 22 de dezembro de 1977 e com a Portaria 3.214 de 8 de
junho de 1978, na sua Norma Reculamentadora NR-15 e seus Anexos.

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O referido laudo pericial não foi objeto de impugnação pelas partes, que foram intimadas a
apresentar manifestação à fl. 153 dos autos, sendo que a autora se manteve inerte.

Assim sendo, acolho integralmente as razões do laudo pericial de fls. 139/152 e, com isso,
indefiro o pedido de adicional de insalubridade e reflexos decorrentes.

4. Das horas extras

Alega a reclamante que cumpriu a seguinte escala de trabalho: nas duas primeiras semanas de
cada mês, de segunda-feira a segunda-feira, sem nenhuma folga, das 7h às 15h20min, com uma
hora de intervalo para refeição e descanso; nas duas últimas semanas de cada mês, de segunda-
feira a segunda-feira, com uma folga semanal, vez na segunda, outra vez no domingo, com uma
hora de intervalo.

Em contestação, a reclamada aduz que a autora se ativou nas seguintes jornadas: das 13h40min
às 22h, das 6h às 14h20min e das 7h às 15h20min, sempre cumprindo 7h20min por dia, em
escala de revezamento 5X1 ou 6X1, com uma hora de intervalo para descanso e refeição, sendo
que quando laborava em feriados, tinha folga compensatória.

Narra ainda que a reclamante sempre anotou seus horários em cartões de ponto (fls. 98/107), os
quais estão devidamente assinados pela autora e não registram horários invariáveis.

Em depoimento pessoal, a reclamante declarou que preenchia os horários nos cartões de ponto,
nos reais horários trabalhados; que trabalhava aos domingos, mas os horários não eram anotados
nos cartões de ponto.

O preposto da reclamada afirmou que a reclamante trabalhava de segunda a sábado, das 7h às


15h20min, com folgas aos domingos e na semana seguinte, de segunda a domingo nos mesmos
horários, com folga aos sábados.

Analisando-se os cartões de ponto juntados aos autos, verifico que neles não consta qualquer
folga usufruída pela reclamante aos sábados, ao contrário do que disse o preposto em audiência,
razão pela qual tenho que os controles de ponto juntados aos autos não são válidos como meio
de prova.

Assim sendo, fixo a jornada da reclamante durante todo o período contratual como sendo a
seguinte: nas duas primeiras semanas de cada mês, de segunda-feira a segunda-feira, sem
nenhuma folga, das 7h às 15h20min, com uma hora de intervalo para refeição e descanso; nas
duas últimas semanas de cada mês, de segunda-feira a segunda-feira, com uma folga semanal,
vez na segunda, outra vez no domingo, sempre com uma hora de intervalo intrajornada.

Assim sendo, defiro o pedido de horas extras, assim consideradas as excedentes à oitava diária
ou quadragésima quarta semanal, de forma não cumulativa, em valores a serem apurados em
liquidação de sentença.

Para a apuração das horas extras, deverá se observar: a jornada de trabalho da reclamante acima
reconhecida; adicional de 50% para o labor extra de segunda-feira a sábado e de 100% para
domingos e feriados; divisor 220; evolução salarial com base nos contracheques; base de
cálculo na forma da Súmula n. 264 do TST; dedução de valores comprovadamente pagos a
idênticos títulos.

No tocante aos reflexos, considerando a jornada fixada, as horas extras prestadas foram
habituais. Sendo assim, dada sua natureza remuneratória, devem integrar os haveres trabalhistas,

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nos termos da Súmula n. 376, item II do TST. Nesse contexto, as horas extras ora deferidas
devem refletir em DRS e, com estes, em 13º salário, férias com 1/3 e FGTS (8%).

5. Dos depósitos de FGTS

Pleiteia a reclamante diferenças de depósitos de FGTS, entretanto, sequer indica os meses em


que não houve depósito, bem como não trouxe aos autos extrato analítico de FGTS, ônus que
lhe incumbia.

Assim sendo, indefiro o pedido de diferenças de FGTS.

6. Da rescisão indireta

Pleiteia reclamante a rescisão indireta do contrato de trabalho em virtude dos seguintes motivos:
não pagamento de horas extras e de adicional de insalubridade; depósitos incorretos de FGTS e
ameaça de dispensa por justa causa.

Diante da prova pericial produzida nos autos, verificou-se que a autora não laborava em
ambiente insalubre.

Os alegados depósitos incorretos de FGTS e a ameaça de dispensa por justa causa não restaram
comprovados.

Quanto às hora extras, tal fato, por si só, não é suficiente para o reconhecimento da justa causa
do empregador porque o reclamante laborou por sete anos em idêntica situação e em razão da
controvérsia existente sobre a validade ou não da jornada adotada pela reclamada.

Ademais, a rescisão indireta requer o requisito da gravidade, sendo que a divergência no


pagamento de horas extras não é motivo suficiente para ensejar a rescisão indireta, pois o direito
era controvertido.

Nesse sentido, não restando demonstrados os fatos em que a reclamante fundamenta o pedido de
rescisão indireta, indefiro seu reconhecimento e, em conseqüência, tenho que o término
contratual decorreu de pedido de demissão, em 03/07/2009.

Assim sendo, defiro os pedidos de: saldo de salário (3 dias); 13º salário proporcional (7/12);
férias proporcionais (9/12) com 1/3.

Em conseqüência, indefiro os pedidos de aviso prévio, multa de 40% do FGTS e entrega de


guias para levantamento de valores depositados em conta vinculada e para o recebimento se
seguro desemprego.

Prejudicado o pedido de baixa em CTPS, que foi procedida em audiência (fl. 26).

5. Da compensação

Defiro o pedido de compensação de valores comprovadamente pagos a idênticos títulos aos


deferidos na presente sentença.

6. Da justiça gratuita

Defiro o requerimento de gratuidade de justiça à parte autora, uma vez preenchidos os requisitos
do art. 790, §3º, da CLT (declaração à fl. 10 dos autos).

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DISPOSITIVO

POSTO ISSO, nos termos e limites da fundamentação supra, que integra este dispositivo para
todos os efeitos legais, REJEITO a preliminar de inépcia da petição inicial, ACOLHO a
prescrição qüinqüenal argüida pela reclamada, declarando prescritos os efeitos pecuniários das
parcelas anteriores a 29/07/2004, excetuando-se as parcelas relativas ao FGTS, cuja prescrição é
trintenária, julgando tais pleitos extintos sem resolução de mérito, nos termos do art. 269, IV do
CPC e, no mérito, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTES os pleitos formulados por
MARIA VALDA DOS SANTOS em face de CENTRO SANEAMENTOS E SERVIÇOS
AVANÇADOS LTDA., para o fim de condenar a reclamada ao pagamento dos seguintes
títulos:

1 - horas extras, assim consideradas as excedentes à oitava diária ou quadragésima quarta


semanal, de forma não cumulativa, em valores a serem apurados em liquidação de sentença;

2 – reflexos das horas extras acima concedidas em DRS e, com estes, em 13º salário, férias com
1/3 e FGTS (8%);

3 - saldo de salário (3 dias); 13º salário proporcional (7/12); férias proporcionais (9/12) com 1/3.

Deferidos benefícios da justiça gratuita. Absolvida a reclamada dos demais pedidos contra ela
formulados.

Valores a serem apurados em liquidação de sentença. Para a apuração das horas extras, deverá
se observar: a jornada de trabalho da reclamante reconhecida na fundamentação; adicional de
50% para o labor extra de segunda-feira a sábado e de 100% para domingos e feriados; divisor
220; evolução salarial com base nos contracheques; base de cálculo na forma da Súmula n. 264
do TST; dedução de valores comprovadamente pagos a idênticos títulos.

Contribuições previdenciárias e encargos fiscais na forma da lei, devendo a reclamada


comprovar os recolhimentos pertinentes, ficando autorizado retenção do correspondente valor
do crédito do reclamante, consoante disposto na Súmula 368 do C. TST. Com vistas ao
cumprimento do disposto do artigo 832 § 3º da CLT, as contribuições previdenciárias incidirão
sobre os créditos deferidos com exceção de férias com 1/3 e FGTS.

Juros legais de 1% ao mês a partir do ajuizamento da reclamatória, artigo 883 da CLT c/c a Lei
8.177/91. Correção monetária na forma da Lei 8.177/91, observando a súmula 381 do C. TST.

Custas pela reclamada no importe de R$200,00, calculadas sobre o valor da condenação, ora
fixado, em R$10.000,00.

Intimem-se as partes. Nada mais.

JULIANA EYMI NAGASE


Juíza do Trabalho

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