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UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES – INSTITUTO A VEZ DO MESTRE

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

ESPECIALIZAÇÃO EM PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO PÚBLICO

Disciplina: Lei de Responsabilidade Fiscal

Professor-Tutor: Rogério de Moraes Silva

Aluno: Silvio Garcia Martins Filho

ATIVIDADE Nº 1

BRASÍLIA – DF

MAIO/2011
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PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO – WDIREITO

Curso: Planejamento e Orçamento Público - Turma: ago/2010

Disciplina: Lei de Responsabilidade Fiscal

Professor-Tutor: Rogério de Moraes Silva

Nome completo: Silvio Garcia Martins Filho

Atividade nº 1: RESENHA

Pesquise na literatura, em sites e no material didático sobre os Princípios da


Gestão Fiscal Responsável e prepare um texto dissertativo, citando exemplos
e suas experiências.

Encaminhe para o tutor até o final da 2ª semana, pela ferramenta MEMORIAL,


que se encontra no item MÓDULO da barra de ferramentas amarela
da disciplina.

1. INTRODUÇÃO
A Lei Complementar n° 101, de 4 de maio de 2000, conhecida como Lei de
Responsabilidade Fiscal (LRF), estabelece normas de finanças públicas voltadas
para a responsabilidade na gestão fiscal (além de outras providências).
Ela tem como pressuposto a ação planejada e transparente, em que se
previnam riscos e corrijam desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas
públicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas
e à obediência a limites e condições no que tange à renúncia de receita, geração de
despesas com pessoal, da seguridade social e outras, dívidas consolidada e
mobiliária, operações de crédito, inclusive por antecipação de receita, concessão de
garantia e inscrição em Restos a Pagar. Todos esses itens que sofrem a imposição
de limites e condições são afetos à diminuição da receita ou ao aumento, potencial
ou real, da despesa.
A LRF está fundamentada sobre quatro pilares, dos quais depende para o
alcance de seus objetivos: o planejamento, a transparência, o controle e a
responsabilidade.
Segundo Machado1, por meio da LRF busca-se:
• impactar o modelo de gestão do setor público na direção de fortalecer o
controle centralizado das dotações orçamentárias, na medida em que
1
MACHADO, N. Sistema de Informação de Custo: diretrizes para integração ao Orçamento Público e à
Contabilidade Governamental. Brasília: Escola Nacional de Administração Pública – Enap, 2005.
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exigem o estabelecimento de limites totais de gasto e definem limites


específicos para algumas despesas;
• estreitar os vínculos entre PPA, LDO e LOA, criando mecanismos para
que a fase da execução não se desvie do planejamento inicial; e
• fortalecer os instrumentos de avaliação e controle da ação
governamental.
As disposições da LRF obrigam a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, no âmbito dos três Poderes, abrangidos ainda os Tribunais de Contas e
o Ministério Público, bem como as respectivas administrações diretas, fundos,
autarquias, fundações e empresas estatais dependentes.

2. DESENVOLVIMENTO

São requisitos essenciais da responsabilidade na gestão fiscal a instituição, a


previsão e a efetiva arrecadação de todos os tributos da competência constitucional
do ente da Federação. Entretanto, é vedada a realização de transferências
voluntárias para o ente que não observe tal determinação no que se refere aos
impostos. Assim, apesar de os requisitos essenciais da responsabilidade na gestão
fiscal contemplarem os tributos, a vedação quanto às transferências voluntárias se
refere apenas aos impostos.
Há ressalva da lei no sentido de dessa vedação não atingir os setores de
educação, saúde e assistência social, pois seria uma punição injusta com aqueles
que mais dependem do Estado.
Quanto à gestão fiscal, está disposto no seu art. 59 que o Poder Legislativo,
diretamente ou com o auxílio dos Tribunais de Contas, e o sistema de controle
interno de cada Poder e do Ministério Público, fiscalizarão o cumprimento das
normas da LRF, com ênfase no que se refere a:
• atingimento das metas estabelecidas na LDO;
• limites e condições para realização de operações de crédito e inscrição em
Restos a Pagar;
• medidas adotadas para o retorno da despesa total com pessoal;
• providências tomadas para recondução dos montantes das dívidas consolidada
e mobiliária aos respectivos limites;
• destinação de recursos obtidos com a alienação de ativos; e
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• cumprimento do limite de gastos totais dos legislativos municipais, quando


houver.
Há que se ressaltar a competência do Presidente da República de prestar,
anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após a abertura da
sessão legislativa, as contas referentes ao exercício anterior.
Segundo o art. 48 da LRF, são instrumentos de transparência da gestão fiscal,
aos quais será dada ampla divulgação, inclusive em meios eletrônicos de acesso
público: os planos, orçamentos e leis de diretrizes orçamentárias; as prestações de
contas e o respectivo parecer prévio; o Relatório Resumido da Execução
Orçamentária e o Relatório de Gestão Fiscal; e as versões simplificadas desses
documentos.
A transparência será assegurada também por meio de:
• incentivo à participação popular e realização de audiências públicas, durante
os processos de elaboração e discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias
e orçamentos;
• liberação ao pleno conhecimento e acompanhamento da sociedade, em tempo
real, de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira,
em meios eletrônicos de acesso público; e
• adoção de um sistema integrado de administração financeira e controle (similar
ao SIAFI, que é utilizado no âmbito federal), que atenda a um padrão mínimo de
qualidade estabelecido pelo Poder Executivo da União.
As contas apresentadas pelo Chefe do Poder Executivo ficarão disponíveis,
durante todo o exercício, no respectivo Poder Legislativo e no órgão técnico
responsável pela sua elaboração, para consulta e apreciação pelos cidadãos e
instituições da sociedade.
A prestação de contas da União conterá demonstrativos do Tesouro Nacional e
das agências financeiras oficiais de fomento (como o BNDES), especificando os
empréstimos e financiamentos concedidos com recursos dos orçamentos fiscal e da
seguridade social e, no caso das agências financeiras, avaliação circunstanciada do
impacto fiscal de suas atividades no exercício.

2. CONCLUSÃO
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Em síntese, podemos resumir que o pressuposto da gestão fiscal responsável


seja uma ação planejada e transparente, pois a administração dos recursos públicos
não pode ser feita de qualquer jeito. Devem ser consideradas as necessidades
prioritárias da sociedade e a escassez de recursos financeiros, bem como a
sustentabilidade das finanças públicas no tempo.
Quanto aos objetivos da gestão fiscal responsável, devemos destacar a
necessidade de se prevenir riscos e corrigir desvios capazes de afetar o equilíbrio
das contas. Nesse sentido, a gestão responsável requer o acompanhamento
permanente do comportamento das receitas, despesas e dívida pública.
Por fim, são instrumentos da gestão fiscal responsável:
• cumprimento de metas de resultado entre receitas e despesas. O
equilíbrio fiscal depende da manutenção de uma diferença mínima entre
receitas e despesas, principalmente para controle do montante da dívida;
• limites e condições quanto à renúncia de receita;
• geração de despesas com pessoal;
• geração de despesas da seguridade social e outras;
• dívidas consolidada e mobiliária;
• operações de crédito, inclusive por antecipação de receita;
• concessão de garantia;
• inscrição de despesas em restos a pagar.