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Quais eram as funções dos donatários?

Os donatários eram comerciantes e pessoas da pe-


quena nobreza de Portugal que tinham boa relação com a
Coroa portuguesa. O desenvolvimento da capitania era
função exclusiva do donatário, que recebia o direito de
exploração da terra por meio da Carta de Doação. Os de-
INTRODUÇÃO
veres do donatário em relação à Coroa eram atribuídos
As capitanias hereditárias foram a primeira medida re-
por meio da Carta Foral.
al de colonização tomada pelos portugueses em relação
A terra que era entregue aos donatários não pertencia
ao Brasil. Com as capitanias, foi implantado um sistema
a eles, mas ao rei de Portugal. Entretanto, a Carta de Doa-
de divisão administrativa por ordem do rei português D.
ção dava-lhes o direito de fixar-se na colônia para admi-
João III, em 1534. A América Portuguesa foi dividida em
nistrar sua capitania da melhor forma que fosse possível.
15 faixas de terra, e a administração dessas terras foi
Na capitania, os donatário eram a maior autoridade exis-
entregue aos donatários. As capitanias existiram no Brasil
tente, e os delitos e faltas cometidos por eles deveriam
durante séculos, mas, a partir de 1548, uma nova forma
ser respondidas ao rei.
de administrar o Brasil foi criada.
Como mencionado, a estratégia da Coroa portuguesa
Em 22 de abril de 1500, a expedição liderada por Pedro
era fazer com que a colonização da América Portuguesa
Álvares Cabral avistou o Monte Pascoal, marcando ofici-
fosse realizada por meio de investimentos particulares,
almente a chegada dos portugueses ao continente ameri-
assim, todos os investimentos necessários para o desen-
cano. Apesar de a chegada no novo continente ser algo
volvimento econômico da capitania faziam parte da fun-
marcante, os portugueses, naquele momento, tinham
ção do donatário. Isso incluía o desenvolvimento da infra-
como prioridade econômica o comércio de especiarias na
estrutura para atrair interessados em instalar-se na capi-
Índia.
tania. Os donatários tinham direito de cobrar impostos em
Sendo assim, os portugueses ficaram poucos dias no
sua capitania e de fazer a distribuição da terra (sesmari-
Brasil e logo partiram para a Ásia com o intuito de encher
as) conforme lhes interessasse.
os navios com as valiosas mercadorias lá obtidas. Por-
O que se refere ao desenvolvimento de infraestrutura,
tanto, dentro desse contexto, as possibilidades econômi-
era essencial que os donatários desenvolvessem uma
cas da América Portuguesa ficaram à margem, porque o
estrutura que fornecesse o mínimo de segurança para sua
comércio das especiarias era muito mais atrativo do que
capitania. Isso ocorria por meio de fortificações, que ex-
a possibilidade de expansão colonial.
pulsavam invasores estrangeiros (principalmente, os
Assim, os primeiros trinta anos da história da América
franceses) e que lhes garantissem proteção para ataques
Portuguesa resumiram-se na instalação de feitorias no
de povos indígenas hostis aos portugueses.
litoral brasileiro e na exploração dos trabalhos dos indí-
genas para a derrubada de pau-brasil, árvore valiosa pela
resina vermelha que sua madeira possuía e que era útil no
tingimento de tecidos.
A década de 1530, por sua vez, trouxe a necessidade
aos portugueses de criar mecanismos que garantissem a
sua posse sobre sua parcela de terra na América. Primei-
ramente, o comércio de especiarias estava decadente.
Além disso, os franceses representavam uma ameaça aos
portugueses, pois invadiam as “terras portuguesas” (se-
gundo o Tratado de Tordesilhas) e negociavam com os
indígenas.
Com isso, o rei português D. João III percebeu que era
necessário aumentar os esforços para garantir os inte-
resses de Portugal na América. A solução encontrada foi
a seguinte: Portugal dividiria os territórios da América
Portuguesa e os entregaria a pessoas interessadas em
investir no desenvolvimento dessa região. Todo o traba-
lho de investimento da colônia foi repassado para tercei-
ros.
A Coroa dividiu seu território na América em 15 lotes
de terra correspondentes a 14 capitanias e as entregou
para os chamados capitães donatários. Esse sistema foi
oficialmente implantado a partir de 1534.
Mas podemos nos indagar por que esse território seria um
espaço de confrontos?
Os relatos dos tabajaras da Serra da Ibiapaba, encon-
trados em documentos da época da colonização do perí-
odo de 1720, revelam silvícolas (quem vive nas florestas.
A OCUPAÇÃO DA CAPITANIA DO CEARÁ: DISPUTAS EN- Selvagem, indígena.) vindos do litoral baiano para povoar
TRE NATIVOS E PORTUGUESES NA SERRA DA IBIAPABA a Capitania do Ceará. O objetivo do povoamento estava
O projeto de dominação portuguesa no Ceará objetivou relacionado à expansão da pecuária para o interior, tor-
na apropriação de territórios em busca de riquezas, mas nando a serra “[...] lócus do confronto entre os povos nati-
essas terras já se encontravam habitadas por indígenas. vos e os colonizadores”. (PINHEIRO, 2000, p. 17).
Isso acarretou uma série de conflitos que culminaram A segunda expedição estava sobre o comando dos je-
para o genocídio e etnocídio desses povos. suítas Francisco Pinto e Luís Figueira, ambos da Compa-
nhia de Jesus. Objetivou a catequização dos indígenas do
Genocídio: Destruição de um grupo étnico, extermínio Maranhão. Os representantes da ordem religiosa partiram
de indivíduos. de Pernambuco em 20 de janeiro de 1607. Sua trajetória
Etnocídio: Destruição da cultura de uma etnia por ou- implicou em um longo caminho, distanciando-se do mar,
tro grupo étnico. “metendo-se por matos e brenhas [...] subindo e descendo
montes e rochedos [...]”, passando pelo Parazinho, Serra
dos Corvos, atual cidade de Uruburetama, chegando a
Conforme o historiador Francisco José Pinheiro a ocu-
Serra Grande, sendo acolhidos pelos gentios. (GIRÃO,
pação do território cearense ocorreu tardiamente, ao con-
1984, p. 41).
trário da rápida ocupação do litoral açucareiro, iniciada no
século XVI. Somente no século XVII o interior do Ceará Ao contrário da expedição de Pero Coelho, a Compa-
seria ocupado pelos portugueses no intuito de investirem nhia de Jesus teve ótima acolhida na tribo do Principal
na pecuária. (PINHEIRO, 2000). (Era a forma como os chefes indígenas eram chamados
pelas autoridades civis e eclesiásticas no período coloni-
Os estudos acerca da ocupação da Capitania do Ceará
al). Diabo grande (Juripariaçu), sendo conduzida com
apontam para duas versões: a primeira levantada pelo
festas e ofertas de alimentos aos padres recém-
padre Antônio Gomes e João Brígido, seria de que a ocu-
chegados. Destinados a seguirem para o Maranhão, a
pação ocorrera a partir do interior do Cariri cearense para
expedição jesuítica mudaria sua rota em destino ao litoral,
o litoral. A segunda versão, apontada pelo estudioso An-
pois viram a impossibilidade de seguirem para tal capita-
tonio Bezerra, em 1901, afirma com base nas cartas de
nia diante do fracassado envio dos emissários aos índios
sesmarias que tal ocupação ocorreu do litoral para o inte-
Tucarijus.
rior. Posteriormente, outros estudiosos reconheceram que
o território foi ocupado definitivamente nas primeiras Durante o percurso da viagem foram abordados pelos
décadas do século XVIII. (PINHEIRO, 2000). Tucarijus, sendo assassinados dois nativos e o padre
Francisco Pinto, morto com pauladas na cabeça. O padre
Foram realizadas três expedições à Capitania do Cea-
Figueira conseguiu escapar, pois estava em outro aloja-
rá. A primeira chefiada por Pero Coelho de Souza, em
mento, não tendo os Tucarijus o avistado.
1603. A expedição havia saído da Capitania de Pernam-
buco, deslocando-se rumo a Serra da Ibiapaba (na época Não escapou o missionário, nem escaparam os defen-
também denominada Serra Grande). Conforme historiado- sores às pauladas dos atacantes, reduzida a cabeça da-
res como: Raimundo Girão, Francisco José Pinheiro, Rai- quele a pedaços, o mesmo não acontecendo a Figueira
mundo Nonato Rodrigues de Souza e Maico Oliveira Xavi- porque, achando-se em choupana mais ao lado, pôde
er, a bandeira levantada pela expedição coelhina preten- retirar-se às pressas, guiado por um rapazinho, que o pôs
dia reconhecer e explorar terras localizadas entre Per- a salvo, escondido no mato. Roubaram o que puderam.
nambuco e Maranhão, bem como expulsar os franceses “Levaram tudo da igreja e a nossa roupinha que tínhamos
do território maranhense. guardada para o restante da nossa missão e tudo o mais”
— lamenta o padre Luís. Acompanhando o corpo do santo
Xavier (2012) enfatiza que a ocupação do território ce-
companheiro e pondo-o numa rede, com ele desceu o
arense se deu de forma lenta devido a sua grande exten-
padre sobrevivente, sepultando-o ao pé da montanha, no
são territorial e aos limitados recursos. Com relação à
lugar denominado Abaiara (Ubajara?), “ao longo do rio,
exploração do território da Capitania do Ceará, mais pre-
dentro do mato”, fazendo um monumento de pedra sobre
cisamente na Serra da Ibiapaba, os embates entre nativos
a sepultura para sinal dela e pondo-lhe também uma cruz
e portugueses se deram no primeiro contato com expedi-
à cabeceira. À direita e a esquerda enterrou um índio — os
ção de Pero Coelho de Souza. Esse “encontro” é conside-
dois que mais de perto lutaram pelo padre morto. (GIRÃO,
rado por Pinheiro (2000) um verdadeiro confronto que
1984, p. 42-43).
culminou no fracasso dessa expedição em terras cearen-
ses.
Esse episódio evidencia um momento de confronto Num texto escrito por Serafim Leite em 1943, Xavier
devido a não aceitação da presença de portugueses ou de evidencia os comportamentos dos chefes indígenas onde
representantes da coroa portuguesa na Capitania do Ma- diz que: “Simão Tagaibuna foi um dos que juraram vassa-
ranhão, naquele período dominada pelos franceses, alia- lagem a El-Rei e prestaram obediência e acatamento as
dos aos indígenas Tucarijus ou como também denomina- leis da Igreja”. Trecho escrito por Leite (1943, apud XAVI-
dos Caririjus, que viviam nesse território. O ponto estraté- ER, 2012, p. 50). No entanto, essa obediência durou pouco
gico de ligação entre essa capitania e a de Pernambuco tempo, pois o índio não se manteve edificado nos precei-
era a Serra da Ibiapaba ou Serra Grande. tos da fé cristã.
Na visão de jesuítas como Padre Antonio Vieira o des- Diante de tamanhas insatisfações “A tropa retirou-se
tino deste missionário se configurou em um martírio, isso para o Maranhão e os Padres sentindo oposição dos ín-
serviu de estímulo a seguir na missão que culminou na dios e que perigava ali a sua vida, retiraramse também...”.
fundação do aldeamento da Ibiapaba. Leite (1943, Apud. XAVIER, 2012 p. 28-29) e assim segui-
Além de evidenciar as disputas territoriais entre portu- ram para o Maranhão, chegando a essa região em 8 de
gueses e franceses, é importante ressaltar que a aceita- setembro de 1662 continuaram a viver conforme suas
ção dos jesuítas na Ibiapaba pela nação Tabajara ocorreu leis. Isso é evidente quando se viram diante a desobedi-
de forma passiva como já mencionado, tanto é que os ência de Simão Tagaibuna ao assumir seu relacionamen-
nativos trataram de realizar um funeral seguido de um to sem a bênção da Igreja Católica o que se configura
ritual de luto pela morte do Padre Pinto ou Pai Pina como para esta instituição num amancebamento.
era chamado pela tribo. Na região que hoje se localiza a Contudo, tal insubordinação não impediu que fosse
cidade de Ubajara, segundo relatos seria o lugar aproxi- implantado o aldeamento na Ibiapaba. A presença dos
mado do sepultamento, “[...] lamentaram-se em grandes jesuítas nessa capitania contribuiu para a consolidação
gritos e derramando muitas lágrimas, deixando crescer o do poder da Coroa Portuguesa em terras cearenses, pois
cabelo os filhos do maioral e tingindo-se e tisnando-se em os padres serviram de intermédio entre essas duas cultu-
sinal de tristeza, que é o seu luto”. (GIRÃO, 1984, p. 43). ras.
Ao analisar documentos de doações de sesmarias (Lo- Desse modo, o aldeamento da Ibiapaba, hoje atual ci-
tes de terras, consideradas abandonadas, doadas aos dade de Viçosa do Ceará, depois de muitos embates, foi
colonizadores portugueses pela Coroa portuguesa) do estabelecido a partir de 1691 e oficializado em 1700 du-
período colonial, Pinheiro (2000) concluiu que o processo rante a terceira e última missão com os jesuítas Ascenso
de ocupação da Capitania do Ceará foi realizado de forma Gago e Manoel Pedroso ao chegarem ao início da década
violenta pelos europeus que usurparam as terras indíge- de 1690.
nas no intuito de encontrar riquezas. O historiador enfati- O padre Antonio Vieira quando esteve em missão na
za que a mais importante área de ocupação ocorreu na Ibiapaba logo tratou de estabelecer acordo entre os che-
região Jaguaribana. Isso acarretou o extermínio dos po- fes indígenas. Nesse acordo estava estipuladas mudan-
vos indígenas que viviam na Ribeira do Jaguaribe e a con- ças nos modos de vida das tribos, isso implicou como já
solidação do poder dos portugueses que se tornaram mencionado numa adequação aos princípios cristãos.
grandes proprietários de terras da Capitania do Ceará. Os aldeamentos no Ceará se deram através de inten-
sos conflitos ocorridos devido à resistência dos nativos
Como podemos perceber a segunda tentativa de cateque- com a chegada dos portugueses a esse território. Consi-
se na Ibiapaba? Houve conflitos entre jesuítas e tabajaras derados bárbaros, os indígenas sofreram com a imposi-
ou tal catequese foi aceita pacificamente? ção de uma cultura que lhes era estranha e com as atitu-
Em 1656, com a chegada dos jesuítas Antonio Ribeiro, des agressivas dos colonizadores europeus.
foi substituído em 1658 por Gonçalo de Veras, e Pedro O Historiador Capistrano de Abreu coloca que o modo
Pedrosa. Os jesuítas permaneceram na Serra Grande até de vida dos índios era caracterizado pela simplicidade.
1662, pois seguiram em missão para a Capitania do Ma- Viviam da natureza sem a intenção de lhe causar danos.
ranhão. “[...] de caça e principalmente de pesca era composta sua
A segunda tentativa de catequese aconteceu de forma alimentação animal. Possuíam agricultura incipiente, de
tranquila. Mas essa aceitação tinha um fim estratégico, mandioca, de milho e de várias frutas [...]”. (ABREU, 1988,
pois a relação dos tabajaras com os jesuítas foi pacífica p.6).
até o momento em que se mostrou favorável a essa tribo. Com a apropriação das terras da Capitania do Ceará
A catequese implicava numa mudança nos costumes pela Coroa Portuguesa os indígenas perderam a simplici-
desse povo, introduzindo novos hábitos e educação prati- dade em que viviam e o direito de serem únicos habitan-
cados pela cultura europeia. Conforme Xavier (2013), essa tes e donos das terras virgens. Pensar nisso implica dizer
expulsão dos jesuítas evidencia a recusa dessa tribo em que foram escravizados e submetidos a trabalhos força-
não continuar subordinada aos seus preceitos morais dos.
introduzindo pela Missão Inaciana.
O comando do aldeamento da Ibiapaba e o controle o riaxo Imussu a S. termo de Vila Nova, de longitude três
dos trabalhos indígenas acarretaram em disputas de po- legoas mais ou menos, seguindo a configuração da serra.
der entre os colonos que habitavam a Capitania do Mara- Confinando ao lado de O, segundo a discrição das agoas
nhão e os padres da Companhia de Jesus. É importante com a vila de Campo Maior da Capitania do Piauí. (XAVI-
refletir que os indígenas neste cenário também requeriam ER, 2012, p.17).
autonomia sobre as terras da Ibiapaba. Embora tenham É importante ressaltar que os índios dessa região es-
conseguido tal autonomia não os permitia tal controle. tabeleceram relações complexas com seus colonizado-
Xavier (2012) coloca que nas cartas de sesmarias é res. Há indícios também de que se consideravam índios,
possível perceber a omissão dos indígenas em revelarem rompendo com a ideia construída ainda no período colo-
extensões exatas de terras existentes, isso, segundo o nial pelas autoridades locais que não existiam mais no
historiador remete ao apego e valor dedicado pelos nati- aldeamento da Ibiapaba. Xavier (2012) atesta a existência
vos a essas terras, o apreço a natureza que estava sob de indígenas no Ceará através de documentos levantados
ameaça da exploração portuguesa. Objetivos contrários durante a construção da dissertação de mestrado. O pes-
são revelados a partir da leitura desses documentos, pois quisador enfatiza que “em nenhum local do Ceará a pre-
enquanto essa tribo procurava preservar seu habitat natu- sença jesuítica se fez tão marcante como na Ibiapaba” [...]
ral, os europeus buscavam explorar suas riquezas sem (p. 52).
pensar nas consequências trazidas a esse povo. Os indígenas eram vistos pela Igreja como indivíduos
Com a apropriação da capitania cearense pelos portu- desprovidos de conhecimento, eram como diz Xavier
gueses, “[...] os donatários seriam de juro e herdade se- (2012, p. 147), “tabulas rasas” e precisavam de orientação
nhores de suas terras; teriam jurisdição civil e criminal espiritual. Para isso, os jesuítas assumiam o papel de
[...]”. (ABREU, 1988, p. 21). Isso evidencia o domínio esta- tutores desses povos no intuito de catequizá-los na fé
belecido pelos portugueses, mas os conflitos não tardari- cristã. Mas como se dava isso? Através da realização de
am a acontecer novamente, pois durante a ocupação des- cerimônias que oficializavam o nativo à religião católica,
se território dentre as tribos indígenas aldeadas havia como o batismo e o casamento.
aquelas que não entraram no processo de aldeamento, os Os Padres da Companhia de Jesus não conseguiram
chamados tapuias. E assim, ocorreu o enfrentamento introduzir completamente os silvícolas na fé cristã. Ha-
entre nativos aldeados e não aldeados, que implicou nas vendo uma mistura entre os ritos considerados sagrados
disputas pelos territórios. (XAVIER, 2012). da Igreja como: missas, procissões e as manifestações
culturais indígenas como: danças, carreiras, tiros de fle-
Mas afinal o que significou esse aldeamento? cha entre outros.
Tomando novamente as reflexões de Xavier (2012), Mas o que significou a colonização? Raimundo Nonato
podemos entender que há uma complexidade em atribuir Rodrigues de Souza coloca que a colonização implicou
um significado único a esse aldeamento, pois se configu- não apenas no sentido de povoar, mas de explorar os
rava num local de evangelização, de trabalho e de guerra. territórios habitados por indígenas, e isso acarretou a
Temos um espaço múltiplo caracterizado por tensões, expulsão e escravidão, bem como em conflitos e extermí-
onde os sujeitos sociais com intuitos diferenciados cons- nio de milhares de indígenas. (SOUZA, 2006).
truíram sua história. Conforme Souza (2006), no ano de 1721 o aldeamento
da Ibiapaba contava com 5.000 indígenas. No início da
A VILA VIÇOSA REAL organização do aldeamento Xavier coloca que uma carta
escrita pelo padre Ascenso Gago, de 1701 evidencia que
A jurisdição política - administrativa da Vila abrangia
foram organizadas três Aldeias: a do principal D. Jacobo,
os atuais municípios de Granja, Uruoca e Ibiapina. Em
D. Salvador Saraiva e D.Simão Taminhorá. Percebamos o
suas pesquisas sobre a Vila Viçosa Real, Xavier pode
“D” antes dos nomes para enfatizar o título dado pela
constatar que além desses municípios, também fazia
coroa portuguesa como estratégia para legitimar ainda
parte dessa jurisdição a área norte da Serra da Ibiapaba,
mais os poderes dos chefes.
construída atualmente pelos municípios de Viçosa do
Ceará, Tianguá, Ubajara, Ibiapina e São Benedito. O do- Um fator importante a ser colocado é que essas aldei-
cumento datado do século XIX faz uma descrição sobre a as se configuravam numa única: a Aldeia da Ibiapaba e
Vila Viçosa Real. que faziam parte da mesma etnia, a Tabajara. Porém,
Xavier alerta para o fato de que a referida Aldeia no ano
A 16 légoas de S. O da Vila de Granja sobre a Serra da
de 1756 teria 5.474 índios da nação Tabajara e 632 ta-
Ibiapaba, fica a VilaViçosa... contem 9.170 habitantes
puias “[...] que, por sua vez, estavam subdivididos entre
divididos em duas direções; uma está na vila e outro no
indígenas Agoanacés (Anacé), Cuacongoaçus e Ireriús
logar São Pedro de Ibiapina, 12 légoas distante. Foram
(Reriú ou Arariú) [...]”. (XAVIER, 2012, p.59). A elevação da
ambos uma freguezia bem paramentada, por ter sido um
Aldeia da Ibiapaba à categoria de Vila ocorreu aos 7 de
hospício dos jesuítas. Contém o termo 24 légoas de lati-
julho de 1759, criada com o título de Vila Viçosa Real.
tude desde a ladeira da Uruoca ao N. Termo de Granja até
TABELA N° 1 – SESMARIAS DOS ÍNDIOS DA ALDEIA DA IBIAPABA As missões jesuíticas na Ibiapaba, além da catequiza-
ção serviram para abrir caminhos à coroa lusa, possibili-
tando o processo de colonização. Vale lembrar que esse
território era ponto estratégico das rotas de comércio
entre índios e franceses o que preocupou de imediato a
Coroa portuguesa. Outro fator relevante é o fato de estar
próxima a Capitania do Maranhão, principalmente porque
havia franceses nesse território e isso não agradou tam-
bém a Coroa portuguesa.
Podemos entender o período do aldeamento da Serra
da Ibiapaba como um período marcado por disputas e
resistências, e de negociações. Também deve ser levada
em consideração a mistura de culturas e de etnias. Diante
das argumentações dos governantes locais em insistirem
que no Ceará não havia mais índios, nos documentos do
século XIX, analisados por Xavier era comum a presença
dessa gente nos registros de batismo e casamentos. [...]
esforçavam para manter a própria condição de índio, in-
clusive repudiando a categoria genérica caboclo a eles
Podemos perceber na tabela 1 que os principais che- atribuída ao afirmar que: “Cabôclos são os brancos, eles
fes indígenas agora eram referenciados com nomes cris- são Índios”. (XAVIER, 2012, p.20-21).
tãos. Os Vasconcelos ganham destaque na concessão de
terras liberadas pela coroa portuguesa, mas é importante
destacar que os Sousa Castro também tiveram destaque AS CHARQUEADAS NA CAPITANIA DO CEARÁ
entre aqueles que obtiveram as cartas de sesmarias. O processo de colonização do Ceará aconteceu tardi-
É importante ressaltar que esses nativos viviam nesse amente comparado as principais capitanias: Pernambuco
território quando os portugueses chegaram, porém, du- e Bahia. Isso, devido ao desconhecimento do território e a
rante o processo de domínio os colonos lusos passaram a resistência indígena e a fatores naturais como as corren-
dividir as terras em lotes. A estratégia de colonização tes marítimas que dificultavam o acesso ao território.
objetivou “doar” as sesmarias aos chefes das tribos que A exploração do território brasileiro no início da coloni-
habitavam na Ibiapaba, devido a suas influências com os zação voltou-se para a busca de riquezas como: especia-
demais índios, adquirindo também cargos e postos milita- rias e minas de ouro e de prata. As primeiras expedições
res. do Ceará partiram de Pernambuco apenas em 1604 no
As doações aconteciam mediante condições impostas objetivo de chegar ao Maranhão. O Ceará não contempla-
pela coroa como tornar as terras produtivas. Na conces- va “[...] a rota das especiarias, sem produtos que pudes-
são de sesmarias na Aldeia Ibiapaba, ocorreu insatisfa- sem pelo seu valor desafiar a cobiça dos descobridores
ções, pois os chefes indígenas alegavam terem recebido presos ainda aos fascínios das minas sertanejas e das
uma extensão territorial insuficiente para a quantidade de riquezas do litoral [...]”. (LEMENHE, 1991, p.76).
habitantes. Diante disso, os lusos concederam mais lotes É importante que o estudante compreenda a contribui-
que estendiam as atuais cidades de Granja, rio Camocim, ção das oficinas de charques como atividade econômica
Coreaú e Acaraú. realizada no decorrer da colonização, sendo essa ativida-
Pinheiro enfatiza que a repressão aos indígenas não de responsável pela concentração de poder dos criadores
se limitou apenas ao extermínio e a escravidão. As restri- de gado. As Charqueadas contribuíram para o desenvol-
ções de concessão de cartas de sesmarias consistiam em vimento das vilas de Aracati e Sobral, Granja, Camocim e
limitar os domínios destes nativos, “[...] restringir até as Acaraú.
terras que haviam sido “doadas” pela coroa em função da
ordem régia de 1700. Isso [...] impossibilitava qualquer Quais os fatores foram considerados determinantes para
tentativa de resistência coletiva”. (PINHEIRO, 2000, p.48). a escolha do setor administrativo da Capitania do Ceará?
O genocídio e o etnocídio dos indígenas repercutiram As rotas das boiadas estavam localizadas entre a ri-
na quase extinção desses povos e sua cultura. O proces- beira do Jaguaribe, interligando com o Rio São Francisco
so de colonização da Serra da Ibiapaba foi marcado por a estrada de Quixeramobim, Boa viagem, Sobral e Piauí,
conflitos entre índios, portugueses e jesuítas. Embora bem como Camocim e Acaraú. Essas rotas não incluíam
com estes últimos os conflitos tenham sido em menores os povoados de Fortaleza e Aquiraz. Já os povoados que
proporções. compreendiam o percurso do gado, posteriormente se
tornaram pontos referenciais para a produção das carnes
de charque.
Inicialmente, não houve preocupação com a instalação O desenvolvimento da vila que ficava próxima aos pon-
de sedes administrativas, isso porque o território ainda tos de comercialização de Pernambuco e Bahia se mani-
não havia sido povoado, apenas uma proteção militar foi festou devido às charqueadas, tornando-a referência na
instalada para proteger às terras de invasões. No entanto, produção do charque. Aracati se tornou referência nas
ao serem povoadas, surgiu a necessidade de implantá-las charqueadas, porém não veio a ser o centro administrati-
devido à complexidade de problemas que se intensifica- vo da capitania cearense e nem posteriormente seria a
ram com os povoamentos. capital deste Estado.
A intensificação dos povoamentos, com a expansão As charqueadas funcionavam da seguinte forma, a
territorial sertão adentro, implicou no aumento do percur- carne de gado era aproveitada e o couro era destinado à
so realizado pelo gado, levado ainda vivo, para ser comer- produção de meios de sola, vaquetas e pelicas. Girão
cializado em Pernambuco e Bahia. A longa trajetória im- (1995) enfatiza que o comércio do couro alavancou o
plicava na perda desses animais além de fragilizar o re- crescimento destes negócios, chegando a ser produzido
banho que chegava a seu destino magro e abatido. Isso de 25.000 a 30.000 couros salgados. As produções se
implicou na sua desvalorização comercial. tornam um negócio tão vantajoso que atraiu para a região
Para evitar mais prejuízos, o gado ao invés de ser le- Jaguaribana pessoas interessadas a investir nesse produ-
vado vivo, a partir da segunda metade do século XVIII, to. Além da região Jaguaribana o baixo Acaraú que con-
passou a ser abatido e transportado aos mercados con- templava as atuais cidades de Granja, Camocim e Sobral,
sumidores. Isso se tornou possível devido à realização de destacouse no desenvolvimento de tal atividade. Alguns
um processo de salga que implicou na conservação da documentos encontrados em Pernambuco enfatizam a
carne bovina. O processo de charqueadas era realizado de importância da Riberia do Acaraú, bem como a capacida-
forma rudimentar como enfatiza Girão (1982, apud LE- de de liderança desempenhada pela Vila de Sobral.
MENHE, 1991 p. 138):
Apressada construção de galpões cobertos de palha, AS CHARQUEADAS
varais para estender a carne desdobrada, salgada, e al-
gum tacho de ferro para a extração de parca gordura dos
ossos por meio de fervura em água... A courama era esta-
queada, seca ao sol; o sebo simplesmente lavado, posto
ao tempo em varais e depois socados em forma de ma-
deiras cúbicas, produzindo pães de peso variável. A os-
samenta era amontoada e queimada e está cinza atirada
para aterros ou servia, empilhada, para fazer mangueiras
e cercas. Todas as outras partes do boi não tinham valor
comercial e eram atiradas fora.
As primeiras oficinas de charqueadas surgiram na foz Fonte: brasilescola.uol.com.br/historiab/charqueadas.htm
do Jaguaribe estendendo-se pelo Acaraú, Paraíba e Piauí.
A intensificação da atividade criatória proporcionou a
As charqueadas tiveram seu papel importante na econo-
ampliação dos números de fazendas e a criação das vilas:
mia cearense, porém a quem beneficiou esse desenvolvi-
de Icó (1738), Aracati (1748), Messejana, Caucaia e Pa-
mento?
rangaba (1758), Viçosa (1759), Baturité e Crato (1764),
Sobral (1773) e Quixeramobim (1789). (LEMENHE, 1991) É importante compreendermos que essa economia for-
taleceu os grandes proprietários e criadores de gado, que
Valdelice Carneiro Girão coloca que Aracati, Granja,
também eram figuras representativas na esfera política e
Camocim e Acaraú possuíam um ambiente favorável para
social.
o preparo da carne de charque “[...] em toscas oficinas,
passou a ser fabricado um tipo de carne seca, não pren- Carregados de carne, couro e sola os carros de boi se-
sada, moderadamente salgada e desidratada ao sole ao guiam de Sobral pelo porto de Acaraú, rumo aos princi-
vento, por tempo necessário à sua conservação [...]”. (GI- pais portos da colônia ente eles o de Pernambuco. Quan-
RÃO, 1995, p.65). do voltavam, esses barcos traziam mercadorias como
pratarias, porcelanas, cristais, móveis e materiais de
Girão (1995) enfatiza que os documentos da época
construção. A comercialização desses objetos e a arqui-
não informam o criador dessa técnica nem o ano exato
tetura da Vila de Sobral deu-lhe o título de Princesa da
dos primeiros processos de salga na Capitania do Ceará,
Região Norte, como diz Girão (1984), “terra laboriosa e
porém coloca que essa prática era anterior a 1740 e o
civilizada”.
primeiro lugar a desenvolver essa atividade foi em Porto
dos Barcos, posteriormente Vila Santa Cruz do Aracati, As charqueadas trouxeram rendimento e prestígio para
atual cidade de Aracati. as vilas onde se constituíam os pontos estratégicos da
comercialização desse produto. Os lucros proporciona-
ram a cidades como Aracati e Sobral o investimento nu-
ma arquitetura mesclada com traços europeus e sertane-
jos. Essas vilas que posteriormente se tornariam cidades
ainda conservam prédios considerados patrimônio histó-
ricos da cidade.
As igrejas, símbolos de imponência religiosa, apresen-
tavam uma arquitetura singela com características pasto- O CEARÁ NA CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR
ris. Essas construções evidenciavam os traços sertanejos Os ideais pela liberdade inspiraram um movimento de-
do período colonial. As pedras representavam a simplici- nominado de Confederação do Equador. Esse movimento
dade, pois não havia outros materiais tal quais os das de caráter separatista e libertador republicano iniciaram-
igrejas europeias. Desse modo, havia uma mistura entre se em Pernambuco e pretendia tornar as Províncias de
tacos sertanejos e europeus. Pernambuco, Piauí, Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte,
Paraíba e Alagoas independentes do restante do país.

Por que o processo de salga da carne era tão propício É importante refletirmos quais os motivos que levaram
nessa região? essas províncias, atual região Nordeste, a alavancarem
um movimento como esse? Como se deu a participação
Um fator importante ainda não refletido nessa discus-
do Ceará nesse movimento revolucionário? Quais razões
são e não era só pelo fato de Aracati ser próxima dos
levaram a província cearense aderir ao movimento?
principais pontos de comercialização que lhe rendeu
prosperidade e destaque no período das charqueadas. Tristão Gonçalves de Alencar Araripe, presidente da
Outros fatores contribuíram para isso como o fato de Província do Ceará, redigiu um documento a Manoel de
serem próximos às salinas, os climas favoráveis como Carvalho Paes de Andrade, Presidente da Província de
bastantes fluxos de ventos e baixa umidade do ar propor- Pernambuco, que se referia a um pedido de socorro reme-
cionou também o desenvolvimento dessa atividade eco- tendo ao fortalecimento a partir da união das duas Pro-
nômica no Ceará. víncias e auxílio em armamentos contra o Imperador.
Vejamos o documento:
É importante ressaltar que a influência europeia já se
fazia presente nos modos de vida da capitania cearense
através dos objetos, das formas de se vestir e de se com- União de Pernambuco e Ceará
portar. Como evidencia a historiografia cearense, que se Está feita a nossa íntima união, quer de reciprocidade de
fazia presente também nas Igrejas, casas das câmaras e sentimentos, quer de riscos, e perigos. O Ceará não cede a
residências dos comerciantes e donos das oficinas de Pernambuco em patriotismo, e zelo da sua liberdade: ambas
charque. são províncias do Brasil, cheias de gás, e daqueles ilustres
Nesse período o gado era considerado o símbolo do caracteres que a natureza gravou nos corações livres dos
poder econômico. As charqueadas surgiram como alter- Brasileiros honrados. Do papel junto verá V. Exª. os motivos
nativa viável para o melhor aproveitamento da carne, pois que nos obrigarão a depor o Presidente do governo desta
o gado vivo não chegava em boas condições, onde muitas província dentro de quatorze dias. O senhor Pedro José da
vezes, se perdiam rezes devido as longas viagens. A im- Costa Barros em tão pouco período de tempo tornou-se alvo
plementação do processo de salga da carne se deve tam- dos ressentimentos desse povo brioso que já não sofre os
bém aos elevados impostos cobrados nos açougues pú- enganos, e para melhor dizer, o descaramento do gabinete do
blicos como enfatiza Lemenhe (1991). Com o surgimento Rio de Janeiro. Quis levar-nos como escravos nos ferros do
dessa técnica a economia da capitania cearense se man- despotismo, e pretendeu que o Ceará negasse à Pernambuco
teve garantida por algum tempo até o surgimento de ou- aqueles indispensáveis socorros que um irmão deve prestar
tro produto que passaria a representar maior rentabilida- a seu irmão consternado: propôs mesmo que nós fôssemos
de: o algodão. de todos opostos aos sentimentos dos [desolados] pernam-
As constantes estiagens e a concorrência com a carne bucanos. Deus Guarde a V. Exª. Como he mister. Palácio do
de charque do Sul do país contribuíram para a decadência Governo do Ceará, 30 de abril de 1824, 3º da Independência e
das charqueadas. A historiografia destaca as secas de do Império.
1777-1778, 1790-1793 como períodos catastróficos que Senhor Manoel, de Carvalho Paes de Andrade, Presidente
dizimaram grande parte dos rebanhos dos sertões cea- do governo da Província de Pernambuco.
renses. Mas outros fatores foram responsáveis por sua Tristão Gonçalves de Alencar Araripe
decadência. As mudanças ocorridas nos mercados euro- Disponível em:
http://www.historiacolonial.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/
peus proporcionaram a retomada de investimentos na sys/start.htm?infoid=1186&sid=113
agricultura. Desse modo, o algodão “[...] ganhou preferên-
cia europeia, como matéria - prima têxtil, com o advento
Esse documento faz referência a um período em que
da Revolução Industrial, o algodão rompe-se o exclusi-
ocorria no Brasil uma mobilização em favor da liberdade
vismo pastoril no Ceará [...]”.(GIRÃO, 1995, p.78).
do país que se encontrava no regime imperial de D. Pedro
I com sede no Rio de Janeiro.
O escritor Gustavo Barroso no livro As Margens da His- O fato é que sua atuação o tornou uma referência nas
tória do Ceará, aponta que esse movimento iniciou-se no lutas sociais dos movimentos pela independência do país.
dia 06 de março de 1817, tendo como estopim o motim Sua participação ativa na Confederação do Equador o
realizado durante a guarnição de Recife “[...] quando um levou ao fuzilamento em 30 de abril de 1825. Seu pseudô-
oficial atravessou seu comandante com uma espada [...]”, nimo refere-se a uma planta nativa da região cearense.
culminando na morte do comandante da guarda (BARRO- Alguns líderes abandonaram essa empreitada logo no
SO, 2004, p. 151). início do movimento. Isso ocorreu devido a divergências
No Ceará, foi implantado um quartel-general na Vila de de pensamentos entre os participantes da Confederação,
São Bernardo das Russas, próximo ao rio Jaguaribe. A pois existia aqueles que defendiam ideias mais radicais a
ideia era estabelecer-se num ponto considerado estraté- serem implementadas no novo Governo. As ideias defen-
gico, sendo então, as margens do rio Jaguaribe até o Cari- didas pelos participantes da ala radical implicavam na
ri, ligando do Apodi ao Pereiro que se localizavam entre o ampliação do direito político e das reformas no campo
Rio Grande do Norte até a Paraíba e interligavam com social. Entre os revolucionários que defendiam essas
Mossoró, Aracati e Fortaleza. mudanças estavam: Cipriano Barata, Emiliano Munducuru
A disputa de poder entre as classes dominantes do e Frei Caneca.
Sudeste e o Imperador despertou a instabilidade de sua É importante salientar que ao se consolidar, embora
liderança do governante que consequentemente buscou tenha sido em curto prazo de tempo, o governo provisório
apoio a Portugal. Diante disso, o país vivenciou momen- articulou apoio estrangeiro de Washington e Londres para
tos de euforia e de desconfiança, temendo que passasse que pudessem obter o reconhecimento da separação de
novamente a ser colônia de Portugal. Portugal e do governo do Brasil, na época com sede no
Insatisfeitas com a constituição de 1824 e temerosas Rio de Janeiro. Isso evidencia o quanto estavam articula-
em perderem seus domínios, outro grupo da elite domi- dos em torno dessa empreitada e que o apoio estrangeiro
nante, localizado na região Nordeste, surgiu em movimen- fortaleceria esse momento, porém não obtiveram suces-
to revolucionário com objetivos contrários as ideias polí- so, sendo o movimento sufocado, alguns líderes foram
ticas do Império. É importante ressaltar que embora a presos, torturados e fuzilados, outros participantes foram
elite tenha aderido a esse movimento, sua base era cons- exilados pelo governo. Quanto aos exilados, apenas em
tituída pela participação popular. Ainda que não estivesse 1821 conseguiram sua liberdade que foi autorizada pela
mais ligada administrativamente a Pernambuco, o Ceará Corte Portuguesa.
ainda sofria influência política e econômica desta provín- Dentre os participantes desse movimento, Barbara de
cia. Isso contribuía para que a província cearense sofres- Alencar obteve destaque. Considerada uma revolucionária
se os impactos, tornando-a vulnerável aos acontecimen- e primeira prisioneira política da História do Brasil, tam-
tos da Província pernambucana. bém está entre as primeiras mulheres da história a se
Dentre os participantes da Confederação do Equador engajar em lutas políticas. Conforme informações do Ins-
no Ceará estão: Inácio Gonçalo Loyola de Albuquerque tituto Bárbara de Alencar, liderou o movimento de procla-
Melo (Padre Mororó), João de Andrade Pessoa (Pessoa mação da República no Crato. Durante a luta pelo proces-
Anta) e Francisco Miguel Pereira Ibiapina, Bárbara de so de independência perdeu dois filhos, Carlos de Alencar
Alencar juntamente com seus filhos, José Martiniano e Tristão Gonçalves de Alencar Araripe, que também par-
Pereira de Alencar e Tristão Gonçalves de Alencar Araripe, ticiparam da Confederação do Equador.
entre outros revolucionários.
As informações acerca do Padre Mororó são contradi-
tórias com relação a sua naturalidade. Pesquisas infor-
mam que teria nascido em Sobral em 24 de julho de 1778,
outras dizem que haveria nascido na localidade, hoje atu-
al cidade de Groaíras.

Bárbara de Alencar
Fonte: http://www.barbaradealencar.org.br

Nascida na fazenda Caiçara em Exu, Pernambuco.


Padre Mororó Posteriormente passaria a viver com sua família na Vila
Fonte: de Crato, região do Cariri-Ceará. Além da Confederação do
http://orgulhocearense.blogspot.com.br/2011/05/
os-cearenses-e-confederacao-do-equador.html Equador, Bárbara participou da Revolução Pernambuca-
na. Sua vida foi dedicada às lutas políticas que a tornou
uma das referências femininas de representatividade na O solo cearense apresentava características favorá-
história cearense. veis à produção algodoeira. “[...] a caatinga, com a fertili-
Há uma divisão de pensamento entre os historiadores dade dos terrenos argilosos, onde se desenvolveu a cultu-
com relação ao movimento revolucionário de 1817. Al- ra algodoeira em vários trechos [...]” (MENEZES, 1970
guns acreditam que esse movimento foi o ponto inicial, p.24). Remeto novamente as reflexões de Valdelice Girão
portanto, sendo considerado um período importante para (1995), para evidenciar sobre áreas propícias ao cultivo
a história do Brasil, pois foi o primeiro acontecimento a desse produto como nas regiões do Vale do Jaguaribe e
reivindicar a independência do país. Para o historiador, Acaraú, onde se intensificou a produção do algodão arbó-
Evaldo Cabral de Melo, o Movimento revolucionário de reo e herbáceo.
1817 significou uma “outra independência” que foi abafa- O cultivo desses algodões se disseminou no vale do
da por D. João. baixo e médio Jaguaribe e no Vale do Acaraú. No período
Outros acreditam que o referido movimento não pode do Império, o Ceará se tornou referência da produção al-
ser associado e tão pouco contribuiu para a independên- godoeira. Durante o crescimento dessa economia, Forta-
cia brasileira. Isso porque seu projeto implicava na sepa- leza teria destaque pelo fato da exportação seguir direta-
ração de algumas províncias do que hoje se constitui a mente de seu porto. A partir do crescimento econômico
região Nordeste. O fato é que esse movimento de caráter do algodão, o litoral passou a ser povoado, relembrando
separatista contestava o autoritarismo e a centralização que durante o processo de ocupação da Província do Cea-
administrativa do Império, administrado inicialmente por rá, a concentração de riquezas ocorreu inicialmente no
D. João e depois por D. Pedro I. interior, valorizando as vilas interioranas durante o perío-
A Proclamação da República abrangeu todas as Pro- do glorioso das charqueadas, isso no início da coloniza-
víncias onde se configura hoje a Região Nordeste, entre ção.
elas o Ceará, última província a resistir aos ataques das Desse modo, embora algumas vilas ainda prevaleces-
forças imperiais. Ocorrida em 1824, duraram apenas al- sem a concentração da economia cearense algodoeira.
guns meses, foi interrompida pelas forças imperiais que Fortaleza se tornou o único centro de exportação da Pro-
aprisionaram os principais participantes, sendo severa- víncia. Vale salientar que no porto de Fortaleza, havia
mente punidos pela atitude revoltosa contra o governo estrutura para ancorar navios a vapor, enquanto em Ara-
imperial sob pena de morte na forca ou através de fuzila- cati não havia tamanho suporte. (GIRÃO, 1995).
mento. No período da colonização, as concentrações do poder
econômico estavam voltadas para as vilas interioranas do
ALGODÃO NA ECONOMIA CEARENSE DO SÉCULO XIX sertão. Não havia preocupação de povoamento no litoral.
Através da arquitetura colonial de cidades como Icó, Ara-
O cultivo do algodão no território cearense ocorria
cati e Sobral, é possível perceber a preocupação com o
desde o período colonial. Os povos indígenas já pratica-
embelezamento dos pontos estratégicos das rotas de
vam a atividade de plantio, vindo a ser intensificada no
comércio das charqueadas.
século XIX, período em que o produto passaria a ter valor
no mercado externo. O investimento na produção algodo- Quando o crescimento econômico cearense passou a
eira não prejudicou a atividade extensiva da pecuária, pelo ser pensado a partir de investimentos na agricultura, vol-
contrário, a existência das duas atividades possibilitou tada ao cultivo do algodão, Fortaleza ganhou mais visibi-
ainda mais a permanência no sertão, sendo favorável lidade. A exportação do algodão alavancou o processo de
principalmente para os fazendeiros que estabeleceram industrialização no Ceará. Em Fortaleza as primeiras in-
parcerias no cultivo desse produto. dústrias cearenses foram pensadas a partir da produção
das atividades agrárias desenvolvidas no interior, no final
Valdelice Carneiro Girão enfatiza que a cotonicultura
do século XIX foram construídas indústrias que fortalece-
(Cultivo de algodão) se expandiu rapidamente, tendo faci-
riam a produção têxtil.
litado a atividade criatória “[...] pois o gado se alimenta
das folhas do algodoeiro logo após da pluma e no início Silva (2007) enfatiza que a intensificação do processo
da cultura o gado ainda se alimenta das sementes na de produção do algodão cearense, somado a interioriza-
estação seca”. (GIRÃO, 1995, p. 86). ção das fazendas de gado e a produção da lavoura cana-
vieira em meados do século XIX, contribuíram para o sur-
gimento das cidades que ficavam próximas a foz dos rios
e que faziam ligação com litoral.
O surgimento da ferrovia também contribuiu para o
fortalecimento dessa economia cearense voltada a pro-
dução primário-exportadora, “[...] que propiciava uma in-
tensa dinâmica à cidade portuária que organizava exten-
sas bacias de colheita de produção primária ligada ao
Cultivo do algodão
extrativismo, a criação intensiva e a exploração de drogas
Fonte: http://www.novatrento.com.br/blog/index.php/categorias/decoracao/
do sertão [...]”. (SILVA, 2007, p. 216).
Drogas do sertão: Eram as especiarias comercializadas para que a Fortaleza fosse paulatinamente adquirindo
pelos europeus no antigo continente como: ervas, raízes feições de grande metrópole, e que fosse, aos poucos,
típicas do sertão brasileiro (guaraná, urucum, gergelim, estabelecendo uma competição com as demais cidades
cacau, baunilha, castanha-do-pará, entre outras). do interior [...]”. (SILVA, 2007, p. 229).
Olhando atentamente para o Ceará, no período entre Somente quando o Ceará se tornou uma capitania in-
colônia e império, fazse necessário refletir que as ativida- dependente, antes vinculado à capitania de Pernambuco
des produtivas, inclusive as de todo o Nordeste, eram até 1799, no início do século XIX é que se iniciariam as
fundamentadas numa estrutura voltada ao latifúndio e atividades de exportação. Em 1826 Fortaleza atingiria a
minifúndio. Francisco de Oliveira (1981), reflete sobre categoria de cidade e logo os centros comerciais interio-
essa questão no livro Elegia para uma religião Sudene, ranos de Sobral (1841), Icó e Aracati (1842), Crato (1843),
Nordeste, planejamento e conflitos de classes, conforme Quixeramobim (1856) e Baturité (1858).
texto abaixo.
Não havia no Ceará “Nordeste” açucareiro, nem A ESCRAVIDÃO NEGRA NO CEARÁ
qualquer outra atividade produtiva que não fosse A escravidão no Ceará não aconteceu de forma inten-
determinada pela estrutura típica do latifúndiomini- siva como nas demais províncias. Questionamentos já
fúndio. O Ceará era, antes da entrada do Nordeste foram realizados a respeito da presença de negros no
na divisão internacional do trabalho pela via da Ceará. O historiador e estudioso sobre a temática da es-
produção do algodão, um vasto e subpovoado, com cravidão Eurípedes Antônio Funes reflete tais questões e
algumas microzonas como a do Cariri, onde me- acredita serem equivocadas, pois “a ideia postulada é de
drou também a atividade açucareira (com razão era que no Ceará não há negro porque a escravidão foi pouco
o Cariri muito mais ligado às estruturas de repro- expressiva”. Isto leva a uma lógica perversa: associar o
dução vigentes no “Nordeste” açucareiro de Per- negro à escravidão. (FUNES, 2007, p.103).
nambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas.
No século XVIII havia nos sertões cearenses mão de
(OLIVEIRA, 1981, p.75-76).
obra escrava nas lavouras algodoeiras. Em meados do
século XIX, a entrada de negros no Ceará havia diminuído
Oliveira (1981), chama atenção também para o fortale- devido ao aumento no valor de importação de negros.
cimento da região do Cariri como um dos grandes centros Porém, o aumento de trabalhadores livres é evidenciado e
comerciais, inclusive na atividade açucareira, do interior isso nos permite constatar que a presença de negros
cearense. A atual cidade do Crato constitua esse ponto sempre foi constante no Ceará. (FUNES, 2007)
central. Além dessa região, outros centros comerciais Podemos pensar nos negros como sujeitos ativos que
também tiveram destaque, exercendo influência em qua- construíram sua história. Legitimar a ideia de que o negro
se todo o território da província como Aracati, Icó e So- estava sempre sujeito a escravidão, limita sua participa-
bral. ção na construção histórica do Brasil. É importante pen-
Com a intensificação da demanda de produção algo- sar que esses negros também faziam suas reivindicações
doeira, esses centros comerciais ganhariam destaque na e possuíam seus costumes. Na esfera religiosa, por
economia cearense, pois como enfatiza Oliveira (1981), exemplo, os cativos possuíam irmandades que eram or-
antes do algodão, esses pontos de comércio eram consti- ganizadas no intuito de devotar um santo protetor. As
tuídos apenas por “curral de gado”. festas organizadas aos santos aconteciam no período do
Diante destas questões, é importante indagar o que fez natal, constituída de rituais que interligavam os homens
Fortaleza ganhar destaque entre esses centros comerci- as divindades.
ais interioranos, a ponto se tornar o centro administrativo
e, posteriormente capital do Estado do Ceará?
É importante ressaltar que havia uma disputa entre
Aquiráz e Fortaleza pela administração da Capitania. O
fato de Aquiráz ter sido a primeira vila criada em 1713,
não foi um fator determinante para ser elevada à catego-
ria de centro administrativo. Embora Fortaleza tenha sido
elevada à categoria de vila em 1726, os investimentos nas
lavouras algodoeiras e expansão no mercado de vendas
internacional contribuíram para seu destaque, que se
tornou polo referencial de produção têxtil.
Outros fatores como a construção da estrada de ferro Festa de Nossa Senhora do Rosário, padroeira dos negros – Litografura
de Baturité, o melhoramento na estrutura portuária e a do desenhista Johann Moritz Rugendas.
construção de rodovias interligando-a aos demais interio- Fonte: http://paroquiadesabinopolis.blogspot.com.br/2012/08/festa-de-nossa-sra-
do-rosario.html
res, a fortaleceram economicamente. Isso contribuiu “[...]
Funes (2007) enfatiza que no Ceará a Irmandade de As festividades eram um momento de vivenciar a cul-
Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos possuía tura africana, onde todos experienciavam a liberdade e a
maior representatividade nas cidades de Quixeramobim, autonomia. Tratava-se de [...] espaços construídos e direi-
Aracati, Tauá, Fortaleza e Sobral. Nessas festas aconteci- tos conseguidos pelos escravos [...]. (FUNES, 2007).
am os ritos religiosos como as missas, novenas, leilões, Festividades como Maracatu e Bumba meu boi, hoje
coroação e cortejo do Rei do Congo. Esses momentos patrimônio histórico imaterial de nossa cultura, foram
eram marcados pelas misturas das crenças religiosas introduzidos no Brasil pelos negros cativos que em mo-
africanas e europeias. As cerimônias representavam um mentos de festividades reafirmavam os costumes de
momento não apenas de festividade, mas de reafirmação suas terras. É importante ressaltar que no Ceará o Mara-
dos costumes religiosos africanos de renovação e trans- catu se faz presente anualmente nas festividades carna-
gressão da vida cotidiana. “[...] prima-se pelas tradições valescas.
africanas recriadas na escravidão, [...] movidos a comidas A liberdade vivenciada nas irmandades do Rosário dos
e bebidas, danças e cantos [...]” (SOUZA, 2006, p. 99). homens pretos durantes os cortejos puderam ser concre-
A identidade de um povo estava presente nas cerimô- tizados em 1º de janeiro de 1883, em Acarape, atual cida-
nias que traziam cores e sabores, risos e devoção aos de de Redenção no Ceará. Esta cidade teria sido a primei-
santos eleitos pelas irmandades. O catolicismo popular ra a decretar o fim da escravidão em terras cearenses.
se fazia presente nessas festividades, “[...] nelas os san- Pela sua acessibilidade a Fortaleza através da estrada de
tos ganhava procedência sobre o Deus todo poderoso [...]” ferro de Baturité e devido ao pequeno contingente de ne-
(REIS, 1991, p.59). gros, pois se tratavam de 32 cativos.
Num texto escrito pelo primeiro Bispo de Sobral, Dom As fugas de escravos para os quilombos evidenciavam
José Tupinambá da Frota citado por Funes, consta deta- sua resistência. A busca de liberdade passou a se disse-
lhes sobre a festa da Irmandade de Nossa Senhora do minar entre os cativos que viam na fuga uma alternativa
Rosário dos Homens Pretos de Sobral. Vejamos um tre- de sair dos domínios dos senhores. Os movimentos aboli-
cho desse documento. cionistas estavam cada vez mais fortalecidos. No Ceará a
O rei tinha roupa vermelha e manto azul, enquanto que Sociedade Libertadora Cearense não media esforços para
a rainha trajava vestimenta azul com mato vermelho, e libertar os escravos. Vale ressaltar que não era de inte-
ambos cingiam uma coroa de folha de flandre, coberta de resse dessa sociedade libertadora se vincular ao governo,
papel dourado. Antes da primeira novena, um grande gru- buscando recursos próprios para concretização de seus
po de negros, montados a cavalo, ia buscar o Rei, que ideais libertadores, tendo em vista incentivarem a liberta-
costumava esperar ora na Tubiba, ora no Alto das Ima- ção através da legalidade, sem antecipar os acontecimen-
gens,ora na Cruz do Padre ou em outro sítio da vizinhança tos e utilizando meios como a imprensa para divulgar e
de Sobral. Formado o cortejo dirigiam-se todos à casa da estimular o fim da escravidão.
Rainha, onde eram recebidos ao som de pífanos, caixa e
maracás. Em seguida o Rei, acompanhado de sua corte, Mas afinal, quais as causas que levaram o Ceará se tornar
marchava para a Igreja de N. S. Rosário dos Pretinhos, e a primeira Província a libertar os escravos?
na porta principal aguardava a chegada da Rainha. Era
O alto custo de mão de obra escrava, as secas prolon-
um barulho ensurdecedor. Tambores, pífanos, maracás.
gadas contribuíram para que esta Província decretasse
Ao entrarem na igreja, os negros cantavam uma ária, nes-
liberdade oficial aos cativos em 24 de março de 1884.
tes termos: arredar, senhoras, arredar/ Deixem a Rainha
Porém, devemos atentar para outro fator importante, as
passar/ Viva o Rei de Cariongo... Tudo cantado ao som de
condições nas quais passariam a viver os homens livres.
maracás, agitados nervosamente pela multidão daqueles
Para uma sociedade de cultura escravista aceitar que o
pobres escravos, que durante o “Reizado” tinham várias
negro possuísse os mesmos direitos de cidadania que um
horas de folga, e por alguns minutos esqueciam a amar-
branco seria uma afronta.
gura da triste existência. Na tarde do dia de Ano-Bom,
Então, surgiam novos obstáculos, pois enquanto ho-
depois da procissão, reunidos todos, Reis e vassalos, no
mem livre, o negro teria que lutar por seu espaço na soci-
patamar da igreja, cantavam saudosamente, muito lenta-
edade, seus direitos enquanto cidadão, afinal, o estereóti-
mente: Adeus, adeus/ Adeus, adeus/ Adeus até p’ro ano/
po de que o negro era como uma mercadoria ou um ser
Si nós vivo for. (FUNES, 2007, p.123).
inferior se perpetuaria por longos anos. Naquela época o
Percebamos que nesse momento há uma inversão de
negro “[...] é colocado à margem da sociedade, reforçando
papéis, pois os reis do Congo e sua corte, negros tido na
o distanciamento social, político e econômico [...]”. (FU-
condição de escravos e mesmo que ainda libertos, mas
NES, 2007, 131-132).
socialmente, não tendo os mesmos direitos dos brancos,
assumem a posição de autoridades.
A HISTORIOGRAFIA CEARENSE PARA O BRASIL REPU-
BLICANO...

A REPÚBLICA DO CEARÁ

A Oligarquia Acciolina e a República


Para refletirmos o governo de Antonio Pinto Nogueira
Accioly, faremos uma reflexão sobre o dia 15 de novem-
bro de 1889, data em que foi proclamada oficialmente a
República no Brasil.

O que significou a implantação desse regime no Brasil?


José Murilo de Carvalho descreve esse momento que
Antonio Pinto Nogueira Accioly
marcou profundamente a História do país, vejamos:
Fonte: http://fla.matrix.com.br/pavelino/salustiano.htm.
O Povo assistiu bestializado à proclamação da Re-
pública, segundo Aristides Lobo; não havia povo no A proclamação da república aconteceu através de um
Brasil, segundo observadores estrangeiros, inclusi- pequeno grupo da elite e de militares insatisfeitos com o
ve os bem informados como Louis Couty; o povo regime imperialista de D. Pedro II. Estavam em jogo os
fluminense não existia, afirma Raul Pompéia. Visão interesses de uma pequena minoria. O povo, segundo
preconceituosa de membros da elite, embora pro- Aristides Lobo citado por José Murilo de Carvalho, não foi
gressistas? Etnocentria de franceses? Mais do que protagonista deste novo regime. O termo bestializado é
isto. A liderança radical do movimento operário referenciado por Carvalho, também em conformidade com
também não parava de se queixar da apatia dos pensamento de Lobo, para dar ênfase à perplexidade em
trabalhadores, de sua falta de espírito de luta, de que se encontrava a população do Rio de Janeiro ao se
sua tendência para a carnavalização das demons- deparar com o espetáculo, “[...] sem compreender o que
trações operárias, especialmente nas celebrações se passava, julgando ver talvez uma parada militar”.
de 1° de maio. Quando se tratava do próprio carna- (CARVALHO, 2006, p.9). Então, evidenciamos a implanta-
val, os anarquistas não hesitaram em usar a ex- ção de um regime político de caráter republicano que
pressão forte de Aristides Lobo: a festa revelava o isentou a participação popular.
lado dos participantes, ignorantes e imbecis, ao la-
do dos assistentes, uma turba de bestializados;
República: Forma de governo em que o governante é elei-
nos dois casos, um povo incapaz de pensar e de
to pelos cidadãos, tendo seu mandato por tempo determi-
sentir. Havia, evidentemente algo no comporta-
nado. No Brasil temos a República Federativa, constituída
mento popular que não se encaixava no novo mo-
pelo presidente do distrito federal, regiões e estados e
delo e na sua expectativa dos reformistas, tanto da
municípios com autonomia governativa.
elite quanto da classe operária. Modelo de expecta-
tiva que, apesar das divergências, tinham em co- Nesse período iniciou-se uma fase política denomina-
mum a ideia do cidadão ativo, consciente de seus da República Velha ou Primeira República que se concen-
direitos e deveres, capaz de organizar-se para agir trou durante os anos (1889 -1930). Os primeiros anos
em defesa de seus interesses [...] vimos que este foram marcados por crises econômicas e conflitos entre
cidadão de fato não existia no Rio de Janeiro. Pas- as elites brasileiras. Exemplos disso foram a Revolução
sado o entusiasmo inicial provocado pela procla- Federalista e a Revolta da Armada. Nesse período, era
mação da República, mostramos que no campo vivenciada a chamada República da Espada, onde o go-
das ideias, nem mesmo a elite conseguia chegar a verno era presidido Por Marechal Deodoro da Fonseca e
certo acordo quanto à definição de qual deveria ser Floriano Peixoto.
o relacionamento do cidadão com o Estado [...] A República Oligárquica foi caracterizada pelo domínio
(CARVALHO, 2006, p. 140-141). das elites paulistas e produtoras de café, mineiras e pro-
dutoras de leite. O revezamento de poder entre esses dois
estados configurou-se na política do café com leite. É
importante ressaltar que essas oligarquias se constituí-
ram em todo o país através da prática do coronelismo.
Caracterizado pela concentração de poder nas mãos de
um representante local, o coronel, é de grande influência um lugar considerado sagrado. Tratava-se de uma guerra
na região. como diz Lopes (2007, p. 95) “em nome de Deus”.
A política oligárquica era baseada na troca de favores O intuito de Franco Rabelo era eliminar o poder da oli-
entre governantes. No Ceará essa política foi fortemente garquia acciolina, bem como legitimar seu governo que
representada por Antonio Pinto Nogueira Accioly. Entre os também representava o poder coronelista, sendo assim,
anos de 1896 a 1912 seu governo foi caracterizado pelo levantou um confronto armado que culminou na derrota
autoritarismo, nepotismo, desencadeando a violência e a de Nogueira Accioly. Porém, ao se desentender com Her-
corrupção mes da Fonseca, Franco Rabelo perdeu a possibilidade de
As eleições para presidente do estado do Ceará em assumir o governo cearense.
1912, deram vitória a Franco Rabelo através da política
das salvações, implantada pelo presidente da república O CORONELISMO NO CEARÁ
Hermes da Fonseca no intuito de depor os grupos oligár- O ano de 1964 representou o período em que se ins-
quicos. No Ceará a oligarquia acciolyna que estava há 16 taurou no Brasil uma ditadura civil e militar, se estenden-
anos no comando dessa política viu-se derrotada, não do até 1985, esse regime se concretizou com a exonera-
apenas nas urnas, pois havia uma pressão tanto dos gru- ção do presidente João Goulart, sendo considerado pelos
pos políticos como da população insatisfeita com as ma- historiadores voltados a esse estudo, entre eles Jorge
nipulações e corrupções realizadas durante seu governo. Ferreira e Ângela de Castro Gomes, um “acontecimento
O historiador Francisco Régis Lopes Ramos coloca que demarca um “passado sensível”; um passado que
que a consolidação do governo de Franco Rabelo não ainda não passou [...]” (FERREIRA, 2014, p.18). Como pri-
significou o fim das práticas oligárquicas. “Apenas acon- meiro presidente do governo ditatorial, assumiu o poder, o
teceu uma mudança de grupos políticos no poder estatal. cearense, Humberto Castelo Branco, iniciando um período
Permaneciam as velhas práticas do coronelismo, com marcado pela opressão dos governos militares.
suas velhas tramoias, feitas de violência e arbitrariedade”. Nesse período da história, o Ceará era governado pelo
(LOPES, 2007, p.349). militar Virgílio de Moraes Fernandes Távora que esteve à
Nogueira Accioly era natural de Icó, mas possuía forte frente do Estado durante dois mandatos, em 1963 a 1966
influência na região do Cariri. Suas relações com padre e 1979 a 1982. A primeira fase do governo de Távora foi
Cícero e Floro Bartolomeu, líderes políticos da região, marcada pela ideia de investir na industrialização do Cea-
despertou uma disputa de poderes que culminou na sedi- rá, mas esses investimentos não foram satisfatórios, pois
ção de Juazeiro a partir dos ataques de Franco Rabelo. as oligarquias tradicionais não possuíam capital suficien-
A sedição de Juazeiro significou a revolução de um te para investir neste setor.
conflito entre as forças políticas de Franco Rabelo e Floro Durante seu governo, Távora tratou de fortalecê-lo a
Bartolomeu e Padre Cícero. Isso objetivou a tomada da partir de alianças políticas, a mais representativa aliança
cidade de Juazeiro pelas forças rabelistas. Esses confli- foi consolidada com o empresário e político, Carlos Je-
tos incentivaram devotos de padre Cícero a participarem reissati. Nessa época, havia sido implementada uma polí-
dos confrontos armados em defesa da cidade. Além des- tica desenvolvimentista que já vinha se fortalecendo no
ses devotos, outros grupos tiveram participação como início da ditadura civil e militar articulada em 1964, no
grupos dominantes e os grupos de cangaceiros. intuito de tornar o Ceará, um estado moderno fortalecen-
É importante atentar que entre os envolvidos nesse do a economia do setor industrial. (PARENTE, 2007).
combate estavam aqueles que não tinham interesse em Francisco Josénio C. Parente (2007), salienta que a
lutar por uma causa, apenas aproveitaramse da situação instauração da ditadura no Brasil, a princípio deixou o
para realizar saques e destruir bens. Entre as cidades que governo Távora inseguro, pois o referido governador pos-
foram invadidas estão: Crato, Miguel Calmon, Baturité e suía relações estreitas com o presidente deposto João
Quixeramobim. Em março de 1914, a Intervenção Federal Goulart. Mas, de todo modo, ao assumir a presidencia da
do Ceará e Hermes da Fonseca conseguiram conter as república, Castelo Branco manteve Virgílio Távora no go-
tropas de Franco Rabelo, bem como o depôs do cargo de verno e isso contribuiu para o fortalecimento de sua ad-
interventor, nomeando Setembrino de Carvalho para o ministração.
cargo. As articulações entre o governo federal e os políticos
A disputa de poderes alavancou um conflito armado oligárquicos cearenses, durante os primeiros anos da
que mobilizou a região do Cariri se estendendo até Forta- década de 1960, logo após a implantação do regime civil e
leza. É importante evidenciar que haviam interesses dife- militar deixou o governo de Virgílio Távora no Ceará rece-
renciados na participação de cada sujeito histórico. Se oso. Isso porque havia a incerteza se permaneceria ou
por um lado, os grupos dominantes propunham uma luta não como governador. O fato de ter sido ministro no go-
em favor dos interesses particulares, por outro, havia verno de João Goulart, bem como amigo, era o motivo de
aqueles como os devotos de Padre Cícero que defendiam tamanha insegurança. Porém, Humberto de Alencar Cas-
telo Branco, atual presidente, o poupou no cargo. Parente
(2007) acredita que isso ocorreu porque o então nomeado As políticas públicas implementadas pelo Estado atra-
presidente era cearense e conhecia Virgílio e sua família. vés de órgãos públicos como o DNOCS beneficiavam
É importante refletirmos que havia uma estratégia polí- aqueles que detinham a concentração do poder. Oliveira
tica, pois Castelo Branco não pouparia Virgílio Távora se (1981) deixa evidente a situação de monopólio exercido
este não lhe pudesse ser útil com sua influência política. pelas oligarquias locais, ressaltando os dois principais
Os Távoras já possuíam no ceará uma trajetória política instrumentos de poder (terra e água), capazes de subordi-
desde 1911, onde tinham como partido a União Democrá- nar aqueles que necessitavam de apoio em períodos de
tica Nacional-UDN. O surgimento desse grupo no Ceará escassez de água. O poder das oligarquias locais estava
ocorreu no mesmo período da eleição da Diretoria do Cen- enraizado e agravava a situação da região em período de
tro Cearense que objetivou a deposição de Nogueira Acci- falta de chuvas e interrupção na produção de alimentos.
oly. (MOTA, 1997). Durante a década de 1970, foram construídos os primei-
Com a implantação do governo dos militares, uma das ros perímetros públicos irrigados no Ceará, entre eles o de
mudanças foram à extinção de alguns partidos políticos, Ayres de Souza, na localidade de Jaibaras, distrito per-
como isso, apenas dois partidos constituiriam o cenário tencente ao município de Sobral. [...] Durante o período de
político. No Ceará os políticos que faziam parte do Partido investimentos dos órgãos federais na “modernização
Social Democrático-PSD e a UDN passaram a representar econômica” da região Nordeste, ao longo dos anos 1920-
a Aliança Renovadora NacionalARENA. O partido de opo- 1970, o Estado assumiu a condução das políticas desen-
sição ao governo foi o Partido do Movimento Democrático volvimentistas. Contudo, é imprescindível levantar duas
Brasileiro (PMDB), um partido de oposição de fachada. No questões. A primeira diz respeito à concepção de moder-
Ceará, esse partido foi representado por alguns dos políti- nização que fundamenta e justifica a atuação desses ór-
cos do PSD. gãos. A segunda questão diz respeito a que sujeitos soci-
ais seriam beneficiados com o crescimento econômico
As alianças de poder se reorganizavam, estreitando la-
proposto por aquele projeto. Em síntese: até que ponto
ços entre Távora e o governo de Castelo Branco, isso pro-
essa “modernização” não estaria restringindo o poder nas
piciou sua permanência no governo. Mas isso não foi
mãos dos mesmos grupos oligárquicos do século XIX e do
suficiente para que nas eleições seguintes elegesse seu
início do século XX ou alimentando a formação de novos
sucessor. Tendo sido eleito, Plácido Castelo do Partido
grupos oligárquicos? (CHAVES, 2016).
Social Progressista- PSP. Embora seu governo tenha sido
caracterizado pela dificuldade de recursos financeiros, a O governo de Cals teve como característica o autorita-
ideia de modernidade implantada pelo regime militar trou- rismo que foi intensificando em todo o Brasil durante o
xe para o Ceará obras que visavam o desenvolvimento governo de Médici. Nesse período a intolerância a protes-
econômico, como por exemplo, a construção de rodovias tos contra a ditadura se tornou mais presente mediante
como a rodovia do algodão entre Fortaleza e Crato. as torturas, prisões e a censura da liberdade de expres-
são.
No ano de 1970, ocorreram novamente eleições indire-
tas para governador e outro militar foi indicado pelo então Para Parente (2007), Cesar Cals, que não representava
presidente Emílio Garastazu Médici. Embora tenha sido liderança política, objetivou um governo longo que pudes-
pressionado por João Batista Figueiredo, Médici indicou se lhe solidificar na política do estado cearense. Sendo
César Cals que governou o Ceará entre os anos de 1971 a considerado por Parente um tecnoburocrata. Para este
1975. A indicação de Cals trouxe insatisfação para Virgílio autor Cals não era um coronel se levarmos em considera-
Távora que esperava ser novamente indicado o governo ção o sentido de ser coronel no Nordeste.
do estado do Ceará. A política dos coronéis no Ceará se estabeleceu atra-
É importante ressaltar que o poder das oligarquias lo- vés de um acordo entre os coronéis militares Virgílio Tá-
cais estava ligado a órgãos públicos como o Departamen- vora, Cesar Cals e José Adauto Bezerra, onde visava a
to Nacional de Obras Contra as Secas - DNOCS. Controla- “união da cúpula e a divisão das bases”, desse modo,
do por uma oligarquia algodoeiro-pecuária, este órgão havia a intenção de impossibilitar o fortalecimento do
detinha o controle, dentro de um espaço constituído por Movimento Democrático Brasileiro-MDB, ou de outras
latifúndios e minifúndios (CHAVES, 2016). lideranças. (PARENTE, 2007).
Desse modo, o projeto de modernização ocorrido na Embora tenha realizado alianças políticas com os refe-
década de 1970 fortaleceu o poder das classes dominan- ridos coronéis, o governo de Cesar Cals trouxe insatisfa-
tes. Em concordância com Oliveira, tal projeto proporcio- ções para a Aliança Renovadora NacionalArena. Isso se
nou a garantia dos grupos políticos “detentores do capi- deve ao fato de sua base de governo ter se constituído
tal” (OLIVEIRA, 1981, p. 120). No intuito de obter acúmulo por pernambucanos, o que provocou sérias críticas a seu
de capital a partir da homogeneização da economia da governo. Mas sua sucessão se deu tranquilamente, isso
região Nordeste através de políticas desenvolvimentistas, devido ao acordo dos coronéis como coloca Parente
alimentando a formação de novos grupos oligárquicos. (2007). Em 1976 assume o governo do Ceará Adauto Be-
zerra-do extinto partido da União Democrática Nacional -
UDN.
De acordo com Lemenhe (1991 apud PARENTE, 2007, Naquele momento o cenário político estava constituí-
p. 345) diz que: do da seguinte maneira: para o senado foi eleito direta-
O governo de Adauto Bezerra se caracterizou por mente José Lins de Albuquerque, representante do grupo
sua ambivalência, sendo modernizador e ao mes- político de Adauto Bezerra, e indiretamente César Cals e
mo tempo tradicional, com bases fortalecedoras no para prefeito de Fortaleza foi indicado o nome de Lúcio
clientelismo. Durante seu governo de característica Alcântara.
desenvolvimentista, diversas obras foram imple- É importante perceber que a abertura democrática
mentadas, entre elas a construção de estradas. proporcionou o enfraquecimento do acordo dos coronéis
que demonstrava sinais de fragilidade. A falta de fidelida-
Bezerra era conhecido como governador biônico devi- de partidária foi outro fator que contribuiu para que essa
do à dualidade entre o empresário e o militar, considerado fragilidade se tornasse mais evidente. Contudo, o rompi-
algo difícil de equilibrar num só pensamento político. A mento desses grupos políticos não aconteceu instanta-
família Bezerra iniciou sua carreira política na década de neamente.
1950 que culminou para a consolidação de seu poder, se
mantendo durante a frente nas disputas eleitorais OS “GOVERNOS DAS MUDANÇAS” NO CEARÁ
Como podemos perceber Adauto Bezerra não concluiu Para compreender esse período da História do Ceará é
seu mandato de governador, renunciando ao cargo para importante refletir o que significou o coronelismo no Cea-
concorrer ao Senado Federal. Não obtendo êxito devido à rá e as práticas do clientelismo marcado pela política da
oposição do grupo da ARENA apoiado por Virgílio Távora, troca de favores, sendo algo comum no período em que o
sua candidatura enveredou na disputa como deputado Ceará foi governado pelos coronéis entre as décadas de
federal onde conseguiu se eleger como o mais votado do 1960 e início de 1980. Vale ressaltar que a política cliente-
Ceará. lista iniciou-se na República Velha (1889 - 1930), no Ceará
O retorno de Távora ao governo em 1980 foi marcado se consolidou no governo de Nogueira Accioli. Linda M. P.
pelo fim do bipartidarismo e a crise dos coronéis. O bipar- Gondim (2007), descreve o que foi o coronelismo e essas
tidarismo implicou na extinção da ARENA, sendo denomi- práticas clientelistas.
nada de Partido Social Democrático-PDS, o MDB ganhou O coronelismo tem como uma de suas principais
mais uma letra, sendo denominado Partido do Movimento características a formação de uma rede de rela-
Democrático BrasileiroPMDB. Relembrando que o biparti- ções pessoais e diretas entre pessoas que ocupam
darismo não era interessante para os coronéis, pois tive- posições assimétricas, em termos políticos e
ram que se adequar à nova realidade, porém o acordo se econômicos. Tais relações são baseadas na troca
encontrava fragilizado. de bens e serviços de natureza distinta: o patrão ou
o chefe político fornece terra, moradia, crédito, em-
Bipartidarismo: Forma política em que dois partidos divi- prego, cuidados médicos e proteção; os clientes,
dem o poder, sendo que um deles mantém o controle do em contrapartida, fornecem mão-de-obra, serviços
governo enquanto o outro funciona como uma oposição e votos. Estes últimos, na verdade, não eram ne-
de fachada. Essa política predominou durante o regime cessariamente a principal contrapartida esperada
civil e militar no Brasil. pelos coronéis, já que suas clientelas incluíam um
largo segmento de não-eleitores (analfabetos) e
No segundo mandato de Távora, o foco desenvolvi-
havia a possibilidade de uso da violência para ven-
mentista continuou sendo a construção de rodovias como
cer a competição política com facções rivais. [...].
as do interior do Baixo Jaguaribe, do Iguatu, Campos Sa-
(GONDIM, 2007, p. 410).
les, Santa Quitéria, Crateús, Ipu ligando a Hidrolândia. A
construção de obras no porto do Mucuripe em Fortaleza,
bem como da Companhia das Docas no Ceará faziam O clientelismo tinha como base uma estrutura socioe-
parte da ideia de tornar o Ceará o terceiro polo industrial conômica caracterizada Como diz Gondim (2007, p.410)
do Nordeste. (PARENTE, 2007). “[...] por relações de dependência mútua entre os envolvi-
Nesse período, o acordo dos coronéis sofreu sua pri- dos [...]”. Isso significava uma subordinação entre o clien-
meira crise, ocorrida entre os governos de Adauto Bezerra te e o chefe político. A igualdade e os direitos de cidadão
e Virgílio Távora. As desconfianças com relação às alian- não se faziam presentes, pois o que reinava era a submis-
ças políticas contribuíram para o surgimento dessa crise são do empregado com o patrão. A obediência, a lealdade
que foi agravada com o processo de abertura democráti- e a gratidão eram características da política dos coronéis
ca. O acordo dos coronéis não possuía uma base firme, que foram alimentadas durante anos, isso inclui o período
tanto é que só se mostrou firme enquanto houve eleições da ditadura civil e militar.
indiretas.
Sobre o fim da política dos coronéis, Gondim (2007) Mas essa modernização se consolidou de maneira autori-
coloca que não se tem precisão de quando foi extinta. tária, construindo um modelo de gestão burocrática.
Afinal, até em que momento o coronelismo e o clientelis- Com relação às diferenças administrativas dos dois
mo existiram no Ceará? Não se pode afirmar que o surgi- governos, é possível evidenciar que Tasso detinha uma
mento de novas lideranças políticas foram as responsá- postura mais autoritária e focada na tradição, diferente do
veis pelo fim de tais práticas. seu primeiro mandato que se caracterizou “[...] pela auto-
A ascensão dessas lideranças no cenário político ocor- ridade que emana pelos estatutos legais [...]”. (GONDIM,
reu num momento em que o coronelismo e o clientelismo 2007, p.420)
já se encontravam agonizantes. Desse modo, 1986 surge A proposta do governo Jereissati em seu primeiro
uma chapa de oposição ao governo dos coronéis. Repre- mandato, iniciado em 1987-1990, fundamentou-se na
sentado por jovens empresários da família Jereissati e J. quebra da estrutura de poderes dos grupos clientelistas,
Macedo trazem ideias empreendedoras e contrárias às porém ocorreu o fortalecimento do capitalismo que bene-
práticas clientelistas. ficiou a pequena burguesia. Desse modo, as áreas sociais
Na segunda metade da década de 1970, o Brasil atra- não foram prioridades de seu governo. O que se percebe é
vessava dificuldades que culminaram para a ruína dos o surgimento de um grupo burguês que se fortaleceu com
governos militares. Desse modo, a crise econômica, a a implantação de projetos voltados para o crescimento do
insatisfação da sociedade civil com a ditadura somou a capital.
um conjunto de fatores que abriram espaço para mudan- O governo de Ciro Gomes deu continuidade ao projeto
ças políticas. Havia aqueles que lutavam pelas causas de “mudanças” que visava à modernização do Estado do
sociais e mudanças no campo, na cidade a partir de uma Ceará através de um estilo de governo autoritário, mas,
política que exercesse o diálogo democrático entre gover- carismático. Em seu governo ocorreu investimentos nos
no e os movimentos sociais. setores industriais concentrados no interior do Estado.
No Ceará, os empresários também se mostraram insa- É importante salientar a participação da imprensa ao
tisfeitos com os governos militares, posicionando-se con- construir uma propaganda sobre esses governos, constru-
tra a autonomia desses governos na economia dos Esta- indo a ideia de uma ruptura política com impacto profun-
dos. do e mudanças rápidas. Porém, requer lembrarmos que
embora esse projeto político administrativo tenha objeti-
Afinal, o que representou os “governos das mudanças” vado a inovação, tais mudanças aconteceram lentamente
para o Ceará? e em período anterior a ascensão desses governos.
É importante refletirmos que essa ascensão desses Cruz e Peixoto (2007), afirmam que a imprensa se
empresários restringiuse a um pequeno grupo da elite constrói a partir do lugar social em que está inserida e o
dominante que possuía um projeto de governo pautado tempo em que essas notícias possuem intencionalidades.
na racionalização administrativa, na limitação da partici- Mas por que levantar essas questões em torno da im-
pação do Estado em dispor recursos e produzir alguns prensa? Porque é a partir dela que se constroem uma
bens e serviços. (SOUZA, 2006). memória em torno das temáticas que podem ser legiti-
Esse governo começa em 1987 com a vitória de Tasso madas como verdades absolutas.
Jereissati e se estende até 1994, quando se elegeu nova- Desse modo, a memória oficial construída pela im-
mente governador do Estado. Entre esses dois mandatos, prensa sobre esses governos está voltada para o pro-
em 1990 Jereissati elegeu seu sucessor, Ciro Gomes, gresso e a modernização do Estado do Ceará. É preciso
dando continuidade ao projeto de “mudança” projetado que entendamos que essa modernização beneficiou de
desde a campanha de 1986. fato pequenos grupos detentores do poder e que os inves-
No período do último governo dos coronéis em 1986, timentos em programas sociais não foram à prioridade
Tasso Jereissati se candidatou pelo PMDB, fazendo opo- desses governos.
sição a Adauto Bezerra e Gonzaga Mota coligados ao Durante os “governos das mudanças”, as políticas pú-
Partido da Frente Liberal-PFL e Partido Democrático Soci- blicas praticamente foram extintas. Muitos políticos se
al-PDS. Com a derrota dos coronéis, o Ceará envereda por encontravam insatisfeitos com esse governo. O surgi-
uma nova fase que também seria conflituosa entre Tasso mento de conflitos entre Tasso Jereissati e alguns seto-
e outros grupos políticos que se manifestaram insatisfei- res da sociedade também proporcionou o isolamento do
tos com o governo do jovem empresário. governo que rompeu com algumas de suas alianças polí-
Uma forte característica desses governos foi de im- ticas. Gondim (2007) enfatiza que tais conflitos não foram
plementar no Ceará um projeto de modernização, visando suficientes para fragilizar Jereissati, pois conseguiu
fortalecer setores como o de turismo, construindo uma mesmo com essa crise eleger em 1994, Ciro Gomes para
visão distanciada do atraso e de miséria legitimada pela prefeito de Fortaleza e 1998 como governador do Ceará.
imprensa, principalmente devido as constantes secas. No último mandato do governo Jereissati, em 1998, a
ideia de mudança não tinha mais impacto nas propagan-
das eleitorais. Durante seus anos de governo, fez alianças
com membros do antigo grupo dos coronéis. As mudan-
ças esperadas não foram tão renovadoras e embora te-
nham mudado a característica de um Estado governado
de maneira autoritária e clientelista, sua versão de mu-
dança construiu um estado de perfil burguês. 01.Em 1603 ocorreu a primeira tentativa de ocupação do
Diante disso, é importante retomar reflexões que di- território do Ceará e Maranhão que foi?
zem respeito à consolidação dessas lideranças políticas A) incentivada pelo governador geral Diogo Botelho
no Ceará, ocorridas devido às mudanças econômicas e B) Facilitada por Martim Leitão
sociais que haviam iniciado na década 1950. A necessi- C) Agilizada por Tomé de Souza depois da introdução
dade de um governo que fosse aberto à modernidade se do gado
tornou algo necessário para o cenário político da época D) acompanhada por um grande número de padres je-
no qual se encontrava desgastado com a política cliente- suítas
lista dos coronéis. Então, podemos constatar que a as- E) liderara pelo governador geral D. Diogo Meneses
censão dos jovens empresários se deu devido como diria
Gondim (2007, p.423) “[...] a crise de hegemonia das elites 2) só em 1611 a história teve um final feliz e romântico. O
tradicionais[...]”. capitão (...) manteve um posto avançado na luta con-
tra os franceses que estavam no Maranhão e virou ín-
Sendo assim, os jovens empresários construíram um
timo do cacique Jacaúna, a ponto de andar nu, pintar o
discurso pautado num projeto político de modernidade,
corpo com jenipapo e usar arco e flecha. Os amores
voltado para a sociedade e visando acabar com o atraso e
com uma índia são temas de uma obra imortal...” O
a miséria. Com esse discurso conseguiram desmontar o
texto descreve fatos que, na evolução histórica do Ce-
“ciclo dos coronéis”. Não se pode negar que esse projeto
ará, podem ser relacionados a:
político desmontou o clientelismo dos governos militares,
A) Antônio Cardoso de Barros, Mário de Andrade e a
porém, esse projeto beneficiou apenas um pequeno grupo
obra MACUNAÍMA.
da elite. Temos então, um governo de característica auto-
B) Pero Coelho de Souza. Oswald de Andrade e a obra
ritária e burguesa.
O REI DA VELA.
C) José do Patrocínio, Bernardo Guimarães e o roman-
ce A ESCRAVA ISAURA.
D) Martim Soares Moreno, José de Alencar e o roman-
ce IRACEMA.
E) Bernardo Manoel Vasconcelos, Sérgio Buarque de
Holanda e a obra VISÃO DO PARAISO.

03.Colonos portugueses, apoiados por expedições milita-


res, começam a ocupar o Ceará por volta de 1610. O
objetivo é proteger a capitania, criada em 1534 dos
ataques de:
A) franceses, poloneses e árabes
B) franceses, holandeses e ingleses
C) alemães, belgas e suíços
D) espanhóis, italianos e franceses
E) alemães, russos e noruegueses

04.O texto a seguir foi extraído do documento "Represen-


tação da Câmara de Aquiraz ao Rei de Portugal". "(...)
para a conservação desta capitania será vossa majes-
tade servido destruir estes bárbaros para que fique-
mos livres de tão cruel jugo; em duas aldeias deste
gentio assistem padres da Companhia que foram já
expulsos de outras aldeias do sertão (...) estes religio-
sos são testemunhas das crueldades que este tapuia
tem feito nos vassalos de vossa majestade. (...) só re-
presentamos a vossa majestade que missões com es-
tes bárbaros são escusadas, por que de humano só
tem a forma, e quem disser outra coisa é engano co-
nhecido."
(Citado em PINHEIRO, Francisco José. "Mundos em confronto: povos nativos e 07.Depois do domínio holandês a capitania o Ceará:
europeus na disputa pelo território." In SOUSA, Simone de (org.) "Uma Nova
História do Ceará." Fortaleza. Edições Demócrito Rocha. 2000. p. 39) A) proclamou autonomia de Sergipe em 1824
B) permaneceu sob a tutela de Salvador até 1822
A partir da leitura do documento acima, é correto afir- C) foi controlada pelos franceses até 1817
mar que: D) ficou sob a autoridade de Pernambuco até 1799
A) a acirrada reação indígena constituiu uma forma de E) passou pelas as mãos dos ingleses em 1789
resistência à destruição do seu modo de vida.
B) o projeto português de colonizar, civilizar e catequi- 08.As três vilas mais importantes do Ceará
zar contribuiu para manter a organização tribal. No período da Pecuária (1720-1790) eram:
C) a ocupação do interior cearense, em virtude da rea- A).Aracati, Sobral e Icó.
ção indígena, foi iniciada na segunda metade do sé- B).Sobral, Icó e Fortaleza.
culo XVIII. C).Aquiraz, Fortaleza e Icó.
D) o domínio do interior cearense pelo colonizador e a D).Icó, Aracati e Fortaleza.
catequese jesuítica foram realizados de modo a E).Icó, Aracati e Barbalha.
preservar a cultura indígena.
E) a Câmara de Aquiraz expressava a preocupação 09.“A ocupação da Capitania do Ceará estava consolidada
com a catequese indígena como forma de apazi- na década de 1720 e a violência contra os povos nati-
guar o conflito entre os colonizadores e os índios. vos possibilitou a transformação do território li-
vre para esses povos em área para a pecuária.”
05.Sobre o processo de ocupação da costa cearense du-
(PINHEIRO, Francisco J. Mundo em confronto: povos nativos
rante o século XVII, pode-se afirmar corretamente: e europeus na disputa pelo território. In SOUSA, Simone de (Org.)
A) os portugueses aliaram-se aos indígenas que habi- Uma Nova História do Ceará. Fortaleza, Edições
taram essas terras e construíram fortes apenas pa- Demócrito Rocha, 2000, p.37)

ra defender o centro do comércio do pau-brasil


B) A presença portuguesa no Ceará tem a ver com a Com base no trecho citado, marque a alternativa que
ocupação de Pernambuco pelos franceses e do Ma- indica corretamente as relações entre colonizadores e
ranhão pelos holandeses. nativos no Ceará do século XVIII:
C) O litoral foi intensamente disputado por índios e A) os colonos escravizaram os nativos para o trabalho
forças militares de várias potências europeias, e vá- nas grandes plantações de algodão e na pecuária.
rias fortificações foram construídas por portugue- B) a expulsão dos nativos era necessária para abrir
ses e holandeses. caminho para a ampla introdução de trabalhos afri-
D) A presença Espanhola no Ceará tem a ver com a canos
ocupação de Pernambuco e do Maranhão pelos ho- C) as guerras os nativos eram travadas para reuni-los
landeses. em aldeamentos, onde os jesuítas pretendiam cate-
E) A conquista do litoral cearense foi empenhada por quizá-los.
motivos econômicos, já que o cultivo de cana-de- D) Os colonos precisavam de pouca mão de obra para
açúcar estava bastante desenvolvido e o açúcar ne- o gado e procuraram expulsar ou aldear os nativos.
cessitava ser transportado diretamente para Portu- E) os colonos escravizaram os nativos para o trabalho
gal. nas grandes plantações de café e na mineração.

06.A Capitania do Ceará, depois do domínio holandês, 10.Leia o fragmento abaixo com atenção:
ficou sob a autoridade: “Em cada fazenda destas, não se ocupam mais que
A) Do Maranhão, que depois da seca que durou de dez ou doze escravos e na falta deles os mulatos, mes-
1790 a 1794 viu a devastação de seus rebanhos, tiços e pretos forros, raça que abundam os sertões-
acabando com a carne-seca. da Bahia, Pernambuco e Ceará, principalmente pelasvi
B) De Pernambuco, só recuperando sua autonomia em zinhanças do Rio São Francisco.”
1799.
(FONTE: Documento atribuído a João Caldas. Governador do Piauí, depois do
C) Da Bahia e com a dinamização das atividades cultu- Pará e depois do Rio Negro e Mato Grosso, falecido em1794. In DEL PRIO-
rais, intensificaram- se os desejos de libertar os es- RI, Mary. Revisão do Paraíso: os brasileiros e o estado em 500 anos de Histó-
ria. Rio de Janeiro: Campus, 2000. p 52 a 55.)
cravos e proclamar a República.
D) Do Piauí, só recuperando sua independência em
O documento acima citado refere-se à atividade eco-
1822, quando o Brasil se libertou de Portugal.
nômica, predominante no Ceará e no Piauí no período
E) Do Paraná, quando foi declarada extinta a escravi-
colonial. Tal atividade ligava-se à:
dão nas terras cearenses
A) Produção Algodoeira D) Mineração
B) Pecuária E) café
C) Produção Açucareira
11.Com relação à revolta de Pinto Madeira, no Ceará, em C) As atividades intelectuais eram, em verdade, frutos
1831-1832, pode-se dizer corretamente: tardios da expansão algodoeira do século XVIII,
A) fez parte de um plano geral, articulado na capital do quando os senhores de terras se estabeleceram na
Império, para defender a volta de D. Pedro I ao trono, capital.
nada tendo a ver com conflitos ou desavenças lo- D) Os grêmios, apesar de muitos, mantinham poucos
cais ou regionais. sócios e uma rarefeita programação cultural, resul-
B) significou o aprofundamento das divergências entre tando do acanhado porte intelectual de seus mem-
os coronéis do sertão cearense, no contexto da ab- bros.
dicação de D. Pedro I.
C) constituiu-se em uma revolta tardia de portugueses 15.“Um intervalo de 32 anos entre as secas de 1845 e
e colonos descontentes com o processo de inde- 1877/79 levou Fortaleza a um razoável desenvolvi-
pendência do Brasil. mento econômico. Esse período de certa estabilidade
D) representou o descontentamento de coronéis do econômica, confundiu-se com o desejo da elite local e
Cariri cearense contra a política centralizadora do do poder provincial de estabelecerem um conjunto de
Presidente da Província, José Martiniano de Alen- estratégias que pudessem conter os perigos naturais
car. ou sociais que viessem a comprometer as transforma-
E) representou o descontentamento de coronéis do ções urbanas observadas no período.”
Cariri cearense contra a política centralizadora do
rei de Portugal. (FONTE: CHAVES, José Olivenor. “Metrópole da Fome”: a cidade de Fortaleza
na seca de 1877-79. In SOUZA, Simone e NEVES, Frederico de Castro.
SECA. Fortaleza: Fundação Demócrito Rocha, 2002.)
12.No Reinado de D. Pedro II, o Ceará experimentou gran-
de progresso em decorrência da introdução, dentre ou- Das estratégias elaboradas pelos poderes constituí-
tras melhorias da dos, com o objetivo de “manter a cidade protegida”,
A) navegação a vapor e de estradas de ferro considere as seguintes:
B) indústrias de bens duráveis e da produção açucarei- I. A aceitação e apoio aos milhares de retirantes
ra acampados nas principais artérias da cidade, já que
C) lavra de mineiros e da pecuária de corte a cidade crescera em virtude da migração do ho-
D) criação extensiva de gado e da cultura do algodão mem do campo, expulso da sua terra pela seca.
E) iluminação a gás e da construção de hidroelétricas II. A criação de uma guarda municipal batizada pelos
populares de “Brigada dos Mosquitos” treinada para
13.O farol do Mucuripe, no Ceará de estilo barroco, foi: combater as doenças que assolavam a cidade, tais
A) construído por Mathias Becker, durante a ocupação como peste, varíola e malária.
holandesa III. A implementação de um conjunto de obras indis-
B) erguido pelos escravos e, 1846 em homenagem a pensáveis ao processo de modernização de Forta-
Princesa Isabel leza, no sentido de uma reeducação social e um re-
C) projetado pelo arquiteto George Mournier a pedido ordenamento físico da cidade.
de D, Joao VI
D) levantado especialmente para servir de roteiro espi- Marque a alternativa verdadeira:
ritual e meditação para os benetinos A) I e II são corretas. D) II e III são incorretas.
E) projetado pelo arquiteto George Mournier a pedido B) I e III são corretas. E) N.D.A.
de D, José I C) I e II são incorretas.

14.No Ceará, a segunda metade do século XIX foi um pe- 16.“...a abdicação (...) deu motivo no Ceará a grandes
ríodo de intensa atividade intelectual e política, multi- júbilos populares. O povo abateu a machado a forca
plicando-se os jornais e os clubes literários. Assinale a levantada pelo Sampaio e na qual haviam perecido os
opção que expressa corretamente alguns aspectos so- mártires de 1817 e 1824...”
ciais dessa efervescência cultural:
A) Os clubes eram formados por intelectuais descen- O texto contém elementos que identificam a participa-
dentes dos velhos senhores da pecuária e do algo- ção do povo cearense na:
dão, de origem rural e posições conservadoras. A) Guerra de Independência e na Cabanagem
B) Os grêmios literários expressavam a emergência B) Insurreição Baiana e na Balaiada
dos setores comerciais em Fortaleza, constituindo C) Revolução Pernambucana e na Confederação do
uma elite intelectual ativa e atualizada. Equador
D) Revolta Federalista e na Revolta de Felipe Santos
E) Inconfidência Mineira e na Guerra os Farrapos
17.Os cearenses tomaram parte ativa em importantes O anúncio anterior, publicado num jornal do Rio de
acontecimentos da história do Brasil, como a Confede- Janeiro, indica que os referidos escravos eram oriun-
ração do equador ocorrida em 1824m que teve, entre dos de uma província do Norte, classificação onde in-
as suas causas. seria o Ceará, que participou do comércio negreiro in-
A) as frustrações liberais diante da dissolução da terprovincial, em virtude:
constituinte, a imposição da constituição de 1824, A) da promulgação da Lei do Ventre Livre, que proibia a
agravada pela nomeação de Paes Barreto à presi- permanência da mão de obra escrava nas ativida-
dência de Pernambuco. des agrárias algodoeiras.
B) a organização do ministério dos marqueses, inte- B) da qualificação dos escravos, garantida através da
grado por amigos pessoais do imperador. educação ministrada pela igreja e apoiada pelos
C) a questão sucessória do trono português, que pro- abolicionistas locais.
vocou violenta reação da população, que temia nos- C) do fracasso da campanha desenvolvida por Fran-
sa recolonização. cisco Nascimento, o Dragão do Mar, contra o co-
D) o incentivo dado pelo imperador ao partido Brasilei- mércio de escravos.
ro, contrariando os interesses da burguesia e milita- D) da proibição do tráfico negreiro internacional e da
res portugueses. ausência de atividade produtiva que dependesse,
E) a proclamação da independência da Cisplatina, sobretudo do trabalho escravo.
descontentando a opinião pública pela perda territo- E) do declínio da Sociedade Cearense Libertadora,
rial. considerada prejudicial aos interesses do intenso
tráfico negreiro existente.
18.A indústria têxtil inglesa demandou, no século X IX,
quantidades crescentes de algodão. Provedores tradi- 20."Para o ano de 1823, a população do Ceará foi calcula-
cionais dessa matéria-prima, como a Índia e o Egito, da em, aproximadamente, 200.000 habitantes, dos
foram substituídos pelos Estados Unidos; mas, na dé- quais 20.000 escravos, ou seja, apenas 10% do total.
cada a de 1860, os conflitos entre o norte e o sul desse Meio século depois o primeiro recenseamento geral do
país interromperam o fornecimento. Nessa década, o país, o de 1872, apontou, na província, 641.850 habi-
algodão se converteu no principal produto das expor- tantes, sendo os escravos 25.727, o que correspondia
tações cearenses. a 4% do total."
(TAKEYA, Denise. Europa, França e Ceará: origens do capital estrangeiro no
Em relação ao cultivo de algodão no Ceará, em 1860, é Brasil. São Paulo/Natal: Hucitec/Ed. UFRN, 1995, p. 101)
correto afirmar que:
A) Realizou-se com a utilização, de forma generalizada, Os dados referentes à utilização da mão-de-obra es-
da mão-de-obra escrava. crava na economia cearense do século XIX, contidos
B) Foram trazidos trabalhadores das áreas de serin- no texto, podem ser explicados pelo(a)
gais decadentes, criando-se o SEMTA, Serviço Es- A) extinção do tráfego negreiro, que estimulou o des-
pecial de Mobilização de Trabalhadores do Amazo- locamento de parte da mão-de-obra escrava da
nas. economia local para as Províncias do Sul;
C) foi realizado com parceiros, escravos e trabalhado- B) migração de grandes proprietários de terras para
res livres. outras Províncias, levando consigo os seus escra-
D) realizou-se a abolição prematura da escravidão, e se vos;
ofereceram salários atraentes para os ex-escravos. C) desenvolvimento da cultura algodoeira, que absor-
E) foi introduzido por imigrantes norte-americanos, via mais trabalhadores escravos do que livres;
provenientes das áreas algodoeiras. D) ocorrência das cheias periódicas, que afetavam
consideravelmente a produção agrária da Província;
19.“Escravos” E) declínio das charqueadas, cuja mão-de-obra predo-
Vende uma pessoa chegada há pouco do Norte bonitos minante era constituída de escravos.
e moços, entre elles notão-se um official de ouvires,
uma bonita crioula, uma parda de 18 a 20 annos com 21.“...Patrocínio deu ao Ceará o nome de “Terra da Luz”. O
habilidades, um preto padeiro e forneiro, um bonito Imperador aplaudiu comovido; e até Victor Hugo man-
pardo de 17 annos, optimo para pagem e mais pretos dou da França sua saudação aos cearenses”.
moleques na rua Alfandega n. 278.
Os fatos a que o texto se refere relacionam-se com a:
Fonte: Jornal do Commercio, 1854 apud NOVAIS, Fernando.
A HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA NO BRASIL, v.2.
A) abolição da escravidão em toda a província do Cea-
São Paulo: Companhia da Letras, 1997, p.251. rá, em 25 de março de 1884.
B) vitória cearense na luta contra as revoltas provinci-
ais no período regencial
C) comemoração da morte do Padre Mororó, herói cea- D) o movimento republicano local, liderado pelo Co-
rense, em 30 de abril de 1826. mendador Accioly, consegue empolgar a população
D) proclamação de Tristão Gonçalves como presidente de Fortaleza a derrubar as autoridades imperiais.
da província cearense, em 26 de agosto de 1824.
E) expulsão dos franceses e flamengos da província 24."O Ceará é uma terra condenada mais pela tirania dos
do Ceará. governos do que pela inclemência da natureza."
(TEÓFlLO, Rodolfo. A SECA DE 1915. Fortaleza: Ed. UFC, 1980. p. 31.)
22.É célebre a frase de Francisco José do Nascimento, o
Dragão do Mar: "Aqui não se embarca mais escravos".
Esta frase, escrita em 1916, expressa uma revolta com
Assinale a alternativa que se relaciona corretamente
aquilo que o autor via acontecer no governo deste pe-
com o contexto político cearense em que esta frase foi
ríodo. Marque a alternativa que indica corretamente
proferida.
algumas características da política cearense na Pri-
A) A proibição do tráfico de escravos havia sido decre-
meira República:
tada recentemente no Ceará, abrindo espaço para
A) a crítica do conservador Rodolfo Teófilo se dirigia
as manifestações dos abolicionistas radicais.
às iniciativas democráticas e socializantes que o
B) As lutas em torno da abolição dos escravos ganha-
governo de Franco Rabelo vinha implementando
ram grande alcance em face do aumento do número
desde a queda de Accioly em 1912
de negros que foram trazidos para a Província do
B) o controle político era assegurado pelo domínio oli-
Ceará após a seca de 1877.
gárquico e coronelista, em que se sobressai a pre-
C) A campanha abolicionista alcançava seu auge no
sença de Nogueira Accioly como o principal oligarca
Ceará, conseguindo a adesão dos jangadeiros que
do estado
faziam o transporte dos escravos dos navios para o
C) apesar do rígido controle oligárquico sobre o gover-
porto.
no, havia um clima de liberdade de expressão, em
D) O tráfico inter-provincial estava levando à falência
que os jornalistas e críticos do governo podiam ma-
comerciantes e fazendeiros cearenses, que decidi-
nifestar-se sem medo de repressão
ram impedir pela força o embarque de escravos pa-
D) as oligarquias que se sucediam no poder tinham
ra os navios.
que enfrentar frequentes revoltas urbanas, como a
E) A abolição dos escravos no Ceará aconteceu pacifi-
Sedição de Juazeiro, em 1914.
camente através de um ato do governo provincial, o
E) N.D.A.
que levou à desmobilização e desmoralização dos
poucos abolicionistas cearenses.
25.Durante a primeira República (1889-1930), a política
cearense foi dominada durante décadas pela família
23.“A notícia da mudança da forma de governo chegou ao
Acioli, sustentada pelo “pacto dos coronéis”. Em parte,
Ceará, como em quase toda parte, inesperadamente.
a continuidade desse domínio dependia:
Na véspera do acontecimento na província inteira tal-
A) da consolidação dos novos grupos dominantes no
vez não se contassem três republicanos. Dois dias de-
poder, através do controle das eleições em nível na-
pois da proclamação da república dava-se justamente
cional
o contrário, era difícil encontrar três monarchistas.”
B) do controle dos principais cargos políticos, que por
(THEOPHILO, Rodolpho. Seccas do Ceará (2ª metade do séc. XIX). isso eram distribuídos a parentes próximos ou dis-
Ceará: Typ. Moderna/Ateliers Louis, 1901. p. 36.) tantes
C) da adoção de sistema eleitoral que garantia aos
O texto indica algumas características das transfor- candidatos situacionais a maioria dos votos nas
mações políticas acontecidas no Ceará em função da eleições gerais
Proclamação da República. Com relação a essas trans- D) do enfraquecimento das oligarquias estaduais, que
formações, pode-se afirmar corretamente que: começavam a apoiar a politica nacional em troca de
A) com a Proclamação da República, os poucos repu- favores.
blicanos conseguem assumir todos os postos do E) do apoio do governo federal aos candidatos oposi-
governo, afastando definitivamente as antigas elites cionistas locais nas eleições para o executivo mu-
imperiais do poder. nicipal.
B) o movimento republicano cearense foi dominado,
após Proclamação, pelo grupo oligárquico liderado 26.“Fortaleza era pura agitação. As acusações, os mani-
pelo Comendador Nogueira Accioly. festos, as passeatas, os comícios e as provocações de
C) a população cearense aderiu em massa a República parte a parte tornavam o ambiente explosivo. O povo
revoltando-se contra os antigos líderes imperiais estava entusiasmado com a possibilidade real de de-
depondo força o Comendador Accioly. por Accioly.
De fato esse sonho estava na iminência de concreti- 28.O Padre Cícero Romão Baptista, “atuando como arbitro
zar-se, não pelo voto, mas pelas armas em uma revolta nas disputas entre os coronéis” do Vale do Cariri, to-
popular, cujo estopim foi a passeata das crianças”. mando partido de modo direto ou indiretamente, atra-
vés de homens de sua confiança, impôs-se como um
(Farias, Airton de. História do Ceará: dos índios a político, cuja presença marcou a história da República
geração Cambeba.Fortaleza: Tropical, 1997, p. 130
Velha (1889-1930) no Ceará e, secundariamente, em
todo o Nordeste.
Sobre a deposição do Comendador Nogueira Accioly
da Presidência do Estado do Ceará, em 1912, comen- (Boris Fausto (org). História geral de civilização brasileira:
tada no texto acima citado é correto afirmar que: O Brasil republicano. Rio de Janeiro: Difel, 1978, tomo 3, v. 2, p. 48)
A) A expectativa popular foi frustrada pelos acordos
políticos entre Accioly e o candidato da oposição, O governo do presidente Hermes da Fonseca (1910-
Franco Rabelo, garantindo uma transição pacifica. 1914) foi marcado por sucessivas crises, muitas das
B) A queda de Accioly está ligada à “Política das sal- quais estavam ligadas à execução da “política das sal-
vações” do Presidente Hermes da Fonseca e a re- vações” Identifique a afirmação que relaciona corre-
volta popular dos desmandos do oligarca. tamente essa política ao contexto histórico cearense.
C) A revolta popular não só garantiu a deposição de A) O estado do Ceará foi o único dos estados brasilei-
Accioly como instalou um governo revolucionário de ros que não sofreu intervenção federal, graças ao
caráter socialista que durou apenas duas semanas. Padre Cícero cuja influência religiosa e política per-
D) A derrota eleitoral de Accioly foi comemorada com mitiu a união dos coronéis a favor do presidente.
entusiasmo pela população que, apesar de tudo, B) O presidente da República colocou-se ao lado dos
manteve a ordem na cidade. participantes da Revolta de Juazeiro por influência
E) N.D.A. de Padre Cícero, que tinha grande poder de articula-
ção política inclusive na esfera nacional.
27.“Nem a construção do Teatro, nem as tentativas de C) O Padre Cícero conseguiu eliminar a influência dos
instalar o abastecimento de água e esgoto, ou mesmo coronéis sobre o eleitorado cearense, tornando-se o
o embelezamento da cidade promovido pela Intendên- único político capaz de mobilizar os sertanejos con-
cia Municipal impediram o crescente descontentamen- tra os desmandos dos grandes proprietários de ter-
to da população contra o governo de Nogueira accioly” ra.
D) O governo federal adotou medidas intervencionistas
(PONTE, Sebastião R. Fortaleza belle evoque.
Fortaleza: FDR/Multigraf, 1993, p. 48). no governo cearense, originando reações violentas
dos coronéis principalmente dos que tinham o
Com relação ao governo de Nogueira Accioly, presi- apoio explícito do Padre Cícero.
dente do Estado do Ceará até 1912 podemos assinalar E) O presidente da República excomungou o Padre Cí-
corretamente que: cero pela sua participação no movimento popular
A) apesar de impopular, Accioly consegue manter-se que depôs o governo interventor do Ceará e seu se-
estável no poder estadual até a descoberta de frau- cretariado “hermista”.
des e outras irregularidades administrativas, o que
provocou a intervenção do governo federal. 29.“De 1908 até o ano de sua morte, em 1926, Floro (Bar-
B) durante a campanha eleitoral de 1912, passeatas tolomeu) assume a condição de grande aliado do pa-
de oposição duramente reprimidas pela polícia são dre Cicero. Com o apoio do sacerdote, Floro é eleito
o estopim para uma grande insurreição popular deputado estadual e posteriormente federal. Além dis-
que cerca o palácio e obriga Accioly a renunciar. so, assume o papel de principal comandante da “sedi-
C) após uma intensa campanha de desgaste político, ção de Juazeiro”, que derruba o governo de Franco Ra-
o movimento oposicionista consegue eleger paci- belo e, 1914”.
fica mente seu candidato ao governo do Estado,
Franco Rabelo, empossado respeitosamente por Assinale a opção que indica corretamente a atuação de
Accioly. Padre Cícero na politica cearense:
D) diante das manifestações populares exigindo a sua A) Floro Bartolomeu apenas aproveita-se da populari-
renúncia, Accioly se retira do governo para retor- dade do Padre Cícero para eleger-se, já que o sacer-
nar mais forte do que nunca em 1914, com a Sedi- dote não aceita participar da vida politica
ção de Juazeiro. B) Padre Cícero participa ativamente da campanha
E) N.D.A. contra a oligarquia accioly, enviando tropas para
derrubá-lo do poder
C) A atuação religiosa não o impede de atuar politica-
mente ao lado do grupo de Acioly, chegando a ser
Vice-prefeito do Ceará.
D) Como prefeito de Juazeiro e Vice presidente do Es- As proposições corretas são:
tado, Padre Cicero abandona a vida religiosa e dedi- A) I e II
ca-se a politica. B) I e III
C) I e IV
30.Quem for para Juazeiro, vá com dor no coração, visitar D) II e III
nossa senhora e o Padre Cícero Romão. Que o meu E) II e IV
padim é um santo. Isso tá mais que provado, basta
atentar os milagres que ele em realizado. O 1º foi ter 33.O conflito entre sertanejos e tropas do governo do
feito em certa manhã pacata, não me lembro bem a da- Ceará, em fins de 1913 e início de 1914, que teve como
ta a hóstia virar sangue, na boca de uma beata. (Dias uma das causas a ascensão política do Padre Cícero
Gomes). Romão Batista, ficou conhecida como:
A) Revolta de Juazeiro
A beata a que os versos se referem é: B) Guerra do Contestado
A) Maria Rosa D) Virgem Teodora C) Revolução federalista
B) Angelical Romão E) Violeta Matos Peixoto D) Revolta da Chibata
C) Maria de Araújo E) Guerra de Canudos

31.“O cearense é lembrando pela devoção ao líder político 34.Em 1914, exércitos de sertanejos armados chegaram
e religioso, cultuado desde o final do século passado, até as portas de Fortaleza, exigindo a renúncia do go-
que leva todos os anos mais de 1 milhão de fieis em verno estadual: era a chamada Sedição de Juazeiro.
romaria até a cidade de Juazeiro do Norte”. Como elementos deste conflito que abalou a socieda-
de cearense, podemos assinalar corretamente:
O texto está se referindo ao: A) significou o retorno de Nogueira Accioly ao po der,
A) Coronel Accioli com o apoio do Padre Cícero e do governo federal.
B) Padre Manoel da Nobrega B) a formação de exércitos de sertanejos representou
C) Oligarca Marcos Franco Rabelo um dado de instabilidade que levou o governo fede-
D) Padre Cicero Romão Batista ral a reprimir violentamente a Sedição, recolocando
E) Cangaceiro Antônio Silvino Franco Rabelo no poder.
C) foi provocada pelas dissidências oligárquicas entre
32.A primeira República(1989-1930) registrou vários mo- rabelistas e aciolistas, que disputavam o apoio do
vimentos messiânicos, como o de Juazeiro, em torno governo federal.
do Padre Cícero. Identifique as proposições relaciona- D) representou uma manifestação do poder do Padre
das a esse movimento na conjuntura politica nacional. Cícero., que se sentiu ameaço pelo governo liberal e
I. Seguindo orientação do Padre Cícero, os sertane- democrático de Franco Rabelo.
jos envolveram-se numa luta contra o afasta- E) N.D.A.
mento da oligarquia dos Acioly, tendo como desfe-
cho o fortalecimento do poder político do referido 35.No conflito armado conhecido como Revolta do Jua-
Padre e a derrota do governo federal que cedeu às zeiro, no Ceará, durante o governo de Hermes da Fon-
pressões políticas e devolveu o poder a essa oligar- seca,
quia. A) alguns jovens militares e grupos de oposição aos
II. Padre Cícero foi excomungado pela Igreja Católica governos estaduais acabaram com a influência de
pela sua participação política na Guerra de Canu- Pinheiro Machado na orientação do governo Her-
dos, defendendo, juntamente com Antônio Con- mes
selheiro, melhores condições de vida e de traba- B) a concentração de sertanejos para ouvir os sermões
lho aos camponeses do sertão nordestino. do padre Cícero foi tachada pelos políticos locais de
III. O movimento do Padre Cícero tinha o reconheci- subversiva e monarquista.
mento das autoridades religiosas, mas sofria repre- C) a criação da Política de Salvação acabou com o
sálias dos coronéis, já que ele defendia reformas domínio das velhas oligarquias e com a desmorali-
sociais e políticas que colocavam em xeque os inte- zação política que dominavam o Estado.
resses desses coronéis. D) o pinheirismo declinou de indicar um candidato à
IV. A religiosidade popular esteve presente no movi- Presidência da República em face do desgaste polí-
mento do Padre Cícero, mas ele foi também consi- tico.
derado um chefe de grande influência política entre E) A vitória dos coronéis e dos sertanejos do padre Cí-
os coronéis e políticos da região que buscavam ali- cero significou a vitória do pinheirismo e do accio-
anças para seu próprio fortalecimento. lismo e o fracasso da Política das Salvações.
36.“Fortaleza é uma cidade enorme, uma das maiores do A) Academia Cearense.
Brasil. Até pouco tempo não aparecia em muitos ma- B) Padaria Espiritual.
pas; agora...está em todos. Esta cidade exerce excep- C) Clube Literário.
cional papel polarizador com expressiva preponderân- D) Academia Francesa.
cia sobre as demais cidades integrantes de sua rede E) N.D.A.
urbana.”
(Fonte: SILVA, José Borzachiello da. Fortaleza, mar e sertão. 39.Em 07de maio de 1933, o jornal O LEGIONÁRIO, porta-
In Ceará de Corpo e Alma: um olhar contemporâneo sobre a terra da luz.
Rio de Janeiro: Relume Dumará. Fortaleza: Instituto do Ceará, 2002.) voz da Legião Cearense do Trabalho, defendia a ins-
tauração de "uma nova ordem social, repelindo a oli-
No que se refere à evolução social e urbana de Fortale- garquia burguesa e a oligarquia proletária, repudiando
za, marque a alternativa FALSA: o liberalismo grotesco e o socialismo anárquico".
A) Nas primeiras décadas do século XIX, Fortaleza não (Citado por Raimundo Barroso Cordeiro Júnior. "A Legião Cearense do Traba-
passava de uma província acanhada, cuja popula- lho" in Simone de Souza (org.) UMA NOVA HISTÓRIA DO CEARÁ. Fortaleza:
ção não alcançava cinquenta mil habitantes. Edições Demócrito Rocha, 2000, p. 329).

B) No final do século XIX, Fortaleza equipou-se e de-


senvolveu-se em função da produção e escoamento A partir desse trecho e de seus conhecimentos, assi-
do algodão, fator decisivo no seu processo de ex- nale a alternativa correta sobre a Legião Cearense do
pansão urbana. Trabalho e suas ideias políticas.
C) Nas primeiras décadas do século XX, grandes obras A) Abraçou plenamente os princípios do liberalismo,
foram realizadas em Fortaleza: foram instalados propondo uma sociedade com a mínima interven-
serviços de telefonia e de telégrafo, que possibilita- ção do Estado.
ram à cidade uma excelente estrutura urbana. B) Surgiu no contexto da implantação do Estado Novo
D) Até 1940 os dois bairros elegantes eram Jacare- e foi uma cópia fiel da Ação Integralista Brasileira,
canga e Benfica, sendo o primeiro considerado o fundada por Plínio Salgado.
mais aristocrático da cidade. C) Tinha lideranças provenientes dos círculos operá-
E) No inicio do século XIX, Fortaleza não passava de rios e de outras organizações católicas e estava li-
uma província cuja população não se estruturava gada ao projeto de recristianização da sociedade
em uma mão de obra qualificada. moderna.
D) Baseando-se em temas como a família e a tradição,
37.“O epiteto Ceará moleque, estaria ligado a compulsão ela trouxe para as suas fileiras a elite e a classe
popular pelo deboche e pela sátira, referência a uma média, mas não conseguiu atingir seu alvo principal,
incorrigível molecagem pública, presente em Fortaleza os trabalhadores.
a partir do final do século XIX.”: E) Reuniu os vários setores profissionais organizados
A) o lugar urbano onde ocorria a propensão ao riso e do Ceará, encontrando por isso a simpatia tanto do
ao deboche situava-se na Praça do Ferreira, a sede trabalhismo varguista quanto de grupos ligados ao
social do Ceará moleque, onde desfilavam modas e Partido Comunista
novidades.
B) A citada expressão é lembrada como algo folclórico, 40.“O Ceará é um grande produtor, tendo sido estabeleci-
porém, sem nenhuma conotação popular. do em Fortaleza, em 1932, a primeira fabrica para ex-
C) A disposição popular ao riso e ao escárnio no perío- tração do seu óleo (...) desenvolvendo-se essa indús-
do em questão era privilegio da zonar rural e ocorria tria, ai e no Piauí, quando a partir de 1838, se produziu
distante dos núcleos mais urbanizados. o embarque de sementes”.
D) O epiteto Ceará moleque é negado pelos historiado-
res e memorialistas cearenses. O texto acima está se referindo:
E) Nas primeiras décadas do século XIX, Fortaleza não A) do babaçu
passava de uma província acanhada, cuja popula- B) da carnaúba
ção já alcançava pleno desenvolvimento. C) do caroá
D) da oiticica
38.“Em Fortaleza, por volta de 1892, um grupo de poetas E) do algodão
liderados por Antônio Sales, fundou uma agremiação
literária e artística, de caráter irreverente”. 41.“O rápido crescimento da população de Fortaleza, que
passa de 100 mil a 180 mil entre os princípios dos
Fonte: AZEVEDO, Sânzio. Literatura Cearense. Publicação anos de 1930 e meados de 1940 criou uma demanda
da Academia Cearense de Letras, 1976, p 42. sem precedentes por espaços destinados a locomo-
ção”.
Estamos nos referindo à (ao):
Nesse sentido, considere as seguintes afirmativas B) A base norte-americana em Fortaleza ficou isolada
sobre as reformas do espaço público no período cita- da sociedade local, contribuindo apenas para forne-
do. cer produtos importados aos setores mais ricos;
I. Em termos gerais, o perímetro central não acompa- C) Novos costumes, novos comportamentos e novos
nhou o crescimento populacional. Ruas e calçadas hábitos foram adquiridos por alguns setores da ci-
continuavam estreitas e insuficientes para o fluxo dade, diminuindo a influência francesa que ainda
de pedestres. predominava.
II. As praças foram amplamente reformadas, avenidas D) A base foi instalada com o objetivo político de lutar
foram alargadas para levar em conta o aumento da contra a influência nazi-fascista no Brasil, estimu-
circulação de pedestres lando a ação de grupos de esquerda;
III. O descompasso entre a larga progressão de tran- E) A presença dos americanos provocou um aumento
seuntes e as tímidas reformulações urbanas redun- da repressão aos sindicatos e associações operá-
daram num processo de aglomeração nas princi- rias em Fortaleza
pais ruas da cidade.
44.“...Deus, que favorece as causas nobres nos auxiliará
A) I e III são corretas nessa arrojada jornada para que mostremos ao grande
B) II e III são corretas imortal brasileiro que é Getúlio Vargas, o quanto pode
C) I e II são incorretas o destemor, o arrojo e o patriotismo do jangadeiro cea-
D) II e III são incorretas rense, que deseja ver o Brasil forte e unido, livre e alta-
E) N.D.A. neiro como o seu digno presidente.”

42.(UECE) Os movimentos sociais emergiram no final dos Fonte: NEVES, Berenice Abreu de Castro. Do Mar ao Museu:
a saga da jangada de São Pedro. Fortaleza: Museu do Ceará/
anos cinquenta, marcados por duas secas e pelo ace- Secretaria de Cultura e Desporto do Ceará, 2001, p 26.
leramento da corrente migratória do interior, que im-
pulsionaram a ocupação dos nossos espaços urbanos, O fragmento acima remonta à saga de quatro pescado-
como Pirambu, lagamar e Verdes Mares” res cearenses que decidiram, em 1941, ir até o Presi-
dente da República relatar as dificuldades a que estava
A partir do texto, identifique a opção que expressa submetida toda a sua categoria profissional. A respei-
corretamente o processo de expansão urbana em For- to desse evento – que não foi o único neste sentido –
taleza em medos do século XX. considere os seguintes objetivos:
A) as muitas oportunidades de emprego atraíram os I. Mostrar ao Presidente a força dos pescadores cea-
camponeses que passaram a habitar as áreas peri- renses, apostando que, esse seria um elemento
féricas da cidade. compreendido pelas autoridades nacionais, que em
B) os bairros periféricos foram ocupados especialmen- troca lhe escutariam e fariam algo em seu favor.
te por operários do parque industrial criado na peri- II. Além de solicitar auxílio legal, pretendiam, denunci-
feria da cidade. ar algumas práticas verificadas no mundo da pesca
C) a formação de favelas e bairros periféricos a partir que prejudicavam e tornavam mais penoso o sus-
dos anos 30 possibilitou a constituição de novos tento dos trabalhadores do mar.
grupos de poder na cidade III. Arregimentar o pequeno número desses profissio-
D) as correntes migratórias foram absorvidas em uma nais existentes na capital cearense, que, em virtude
série de programas habitacionais e de criação de de serem minoria, não constituíam uma categoria
empregos evitando conflitos. minimamente organizada e por essa razão, viviam à
mercê dos atravessadores.
43.O filme For All (“Para Todos”), lançado em 1998, trouxe
aos cinemas alguns aspectos da presença de militares Marque a opção verdadeira.
norte-americanos em algumas cidades brasileiras A) I e II são corretos.
(Fortaleza e Natal), durante a Segunda Guerra Mundial B) I e II são incorretos.
(1939-1945). C) II e III são corretos.
D) I, II e III são incorretos.
Assinale a alternativa que expressa corretamente al- E) N.D.A.
gumas mudanças sociais desencadeadas pela presen-
ça de militares norte-americanos em Fortaleza. 45.O “Governo dos Coronéis”, que dominou a política cea-
A) Os militares trouxeram costumes degradados, fa- rense na década de 1970 e nos primeiros anos da dé-
zendo aumentar a prostituição, a criminalidade e o cada de 1980, caracteriza-se:
vício do jogo.
A) Por ser um governo que representou a continuidade 48.“A 15 de março de 1987 o estreante na política e em-
das práticas efetivadas pelas velhas oligarquias ce- presário Tasso Jereissati tomava posse no comando
arenses no poder; do executivo (...) conseguira derrotar os famosos co-
B) pelas práticas populares que marcaram a adminis- ronéis do Ceará e inaugurar uma nova etapa na história
tração dos coronéis que estiveram no poder durante política do Estado”
o regime militar;
C) por ser uma administração entregue a governantes Fonte: BRUNO, Artur FARIAS, Airton de. ANDRADE, Demétrio. Os Pecados
Capitais do Cambeba. Fortaleza: Expressão Gráfica Editora, 2002, p. 17/18.
de formação militar, afirmando a força do governo
central, marcada pela tecnocracia
No que concerne à ascensão de Tasso Jereissati e seu
D) pelo controle da política local por um segmento
grupo de sustentação política é à citada nova etapa da
empresarial ligado à indústria e ao capital financei-
história política do Ceará, é correto afirmar que:
ro;
A) a vitória de Tasso constituiu um duro golpe nas tra-
E) pela expansão do clientelismo, mas com a introdu-
dicionais oligarquias locais, significando o fim da
ção de uma nova forma de fazer política, estimulan-
dominação das elites sobre o povo cearense.
do o pluripartidarismo
B) O grupo político liderado por Tasso formou -se prin-
cipalmente a partir de um grupo de jovens empresá-
46.A capital do Ceará, Fortaleza, é famosa por suas praias
rios comprometidos com os interesses da embrio-
como a do Mucuripe e a do Futuro, mas, apresentou
nária juventude operária cearense.
grande crescimento populacional em 1991, principal-
C) A ascensão de Tasso e seu grupo no com ando dos
mente.
quadros políticos do Estado foi o coroamento de um
A) no litoral, por causa da culinária baseada em peixe,
projeto cujas origens estão no CIC (Centro Industrial
lagosta, camarão, e caranguejo.
do Ceará)
B) no Centro-oeste, em função da inauguração da
D) Uma das características fundamentais de Tasso e
Companhia Siderúrgica do Ceará.
do grupo de empresários que representa é a con-
C) no lado sudeste, devido à construção de açudes,
sistência ideológica e principalmente partidária,
como o Óros e Araras.
presentes na condução do estado do Ceará.
D) na região metropolitana, que atrai imigrantes de to-
E) N.D.A.
do o estado.
E) na região noroeste da cidade, que em função dos
49.Quando Ciro Gomes governava o Ceará, o Estado rece-
incentivos fiscais fizeram crescer os setores têxtil e
beu, do Fundo das Nações Unidas para a Infância e
alimentício.
Adolescente, um prêmio pela:
A) solução definitiva da evasão escolar
47.(UECE) “Os movimentos sociais emergiram no final
B) diminuição dos índices de analfabetismo
dos Anos cinquenta, marcados por duas secas e pelo
C) redução significativa da mortalidade infantil
aceleramento da corrente migratória do interior, que
D) distribuição mais equitativa da renda entre a popu-
impulsionaram a ocupação dos novos espaçosurba-
lação pobre
nos, como Pirambu, Lagamar e Verdes Mares”.
E) criação de inúmeras frentes de trabalho para as cri-
(JUCÁ, Gisafran N. Mota. Verso e reverso do perfilurbano
anças abandonadas
de Fortaleza. São Paulo: Anabulante. 2000, p.76).
50.Devido a fatores históricos e condicionamento de or-
A partir do texto, identifique a opção que expressa dem climática, a região Sudeste do Estado do Ceará é
corretamente o processo de expansão urbana em For- uma área de:
taleza em meados do século XX. A) intenso desenvolvimento industrial
A) As muitas oportunidades de emprego atraíam os B) produção agrícola para exportação
camponeses, que passaram a habitar as áreas peri- C) prática da pecuária intensiva
féricas da cidade; D) grande adensamento populacional
B) Os bairros periféricos foram ocupados especialmen- E) concentração de minifúndios
te por operários do parque industrial criado na peri-
feria da cidade 51.Para evitar novos atentados aos direitos humanos,
C) A formação de favelas e bairros periféricos a partir especialmente nas dependências policiais em 1993, o
dos anos 30 possibilitou a constituição de novos governo do Estado do Ceará instalou
grupos de poder na cidade; A) a Delegacia da Mulher
D) As correntes migratórias foram absorvidas em uma B) O Tribunal de Pequenas Causas
série de programas habitacionais e de criação de C) a Comissão de Direitos Humanos
empregos, evitando conflitos. D) O Departamento de ordem Política e Social
E) O Conselho Estadual de Segurança
52.O Ceará é marcado por contrastes. Recentemente re-
cebeu um prêmio da UNESCO pela redução da Mortali-
dade infantil em 54% ao mesmo tempo o estado: 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10
A) diminuiu e, 50% o seu PIB entre os anos de 1986 e
1994. A D B A C B A D B
B) apresenta 83% dos casos de dengue no país e a 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
maioria dos registros de cólera.
C) não tem nenhum centro turístico expressivo, quan- B A B B C C A C D A
do comparado a outros Estados. 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
D) mantem uma tradição de vida política tranquila
E) desenvolveu cidades como Acarape, que é conside- B B B B D C C
rado o município de maior desenvolvimento em to- 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40
do o país.
D C C E C A B C D
53.No mundo sem limites da tecnologia, o Ceará virou 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50
notícia. No final do ano passado dezessete jovens
A C C C C C C
formados em universidades cearenses foram selecio-
nados para trabalhar na Flórida. O Ceará começa a 51 52 53 54 55 56 ― ― ― ―
atrair empresas, num sinal de que Fortaleza caminha
E B E B E C ― ― ― ―
para tornar-se um polo na área.
A) da indústria farmacêutica
B) dos esportes náuticos
C) de eletrodomésticos
D) do setor fruticultor
E) da informática

54.Atraídos pela política de incentivos fiscais e baixos


salários, nos anos 90 foram instaladas diversas indús-
trias no Estado do Ceará, especialmente no setor.
A) fiação D) construção
B) calçados E) alimentação
C) tecelagem

55.A pesca, uma das principais atividades econômicas do


Ceará
A) sobrepujou a criação do gado bovino acarretando a
desestabilização das indústrias de couro, pele e
calçados.
B) inibiu o desenvolvimento do artesanato popular, re-
legando ao esquecimento a figura da mulher rendei-
ra.
C) colocou em segundo plano a produção do algodão,
caju e carnaúba
D) reprimiu a produção de sal extraído do litoral
E) transformou a jangada em um dos símbolos do Es-
tado

56.Por ocasião das feiras populares em Juazeiro do Norte


é indispensável a presença daqueles que em longos
versos improvisados contam histórias venerando per-
sonagens santificados em todo o Nordeste.
A) trovadores
B) cancioneiros
C) repentistas
D) solistas
E) interpretes

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