Você está na página 1de 12

Disciplina: História da Filosofia Medieval

Aula 3: A construção do mundo medieval e a obra de Santo Agostinho

Introdução
O mundo antigo vai chegando ao fim e uma nova sociedade começa a se formar. Estudaremos como ocorre o processo de
transformação da Antiguidade greco-romana e a formação do mundo medieval.

Compreenderemos a formação de uma cultura e uma doutrina do pensamento cristão junto com a sociedade medieval que se
constrói. Examinaremos o enraizamento da Igreja e a fundamentação de uma doutrina e uma Filosofia cristã.

No centro desse processo, encontramos a Filosofia de Santo Agostinho, que foi bispo da cidade de Hipona, no norte da África, e
um dos principais pensadores da doutrina cristã na passagem da Antiguidade para a Idade Média.

Objetivos
Identificar o contexto de desagregação do Império Romano no âmbito da crise de Roma e da pressão externa com as
migrações germânicas.
Descrever a formação do mundo medieval a partir da chegada dos povos germânicos e suas primeiras organizações
sociais;
Analisar a vida e a obra de Santo Agostinho no contexto de transição do mundo antigo para o mundo medieval.
Os povos germânicos
Já estudamos que a Idade Média Ocidental teve início com as migrações germânicas e a instalação desses povos dentro
do território imperial. Estas populações desconheciam a cultura urbana – sobre a qual se assentava a organização
romana –, a submissão ao Estado, e a escritura como prática de transmissão de conhecimento e ordem social.

Os povos germânicos se organizavam no aspecto social e político em torno de um líder, cultivando a solidariedade entre
os representantes e não com a instituição Estado. Além disso, possuíam um destacado domínio do trabalho com metais
e com o artesanato.

1
A cultura romana e a cultura germânica se encontraram e conviveram durante longo período no limes romano. Em
virtude disso, não se deve pensar apenas nos conflitos militares, nas incursões violentas e na tomada de cidades que
ocorreram em um segundo momento, mas sim em uma convivência que durou alguns séculos, entre povos que
realizaram trocas comerciais e também culturais.

Os povos germânicos que viviam próximos ao limes deixaram de ser nômades, tornaram-se camponeses e, a partir
desse processo de sedentarização, passaram a conviver mais intensamente com a cultura romana. A partir da entrada
desses povos no decadente império romano, durante os séculos V e VI, formaram-se uma dezena de reinos germânicos
no ocidente europeu.

Desde 429, os vândalos – um dos primeiros povos a se estabelecer no interior do Império – se instalaram no Norte da
África – precisamente na região onde vivia Santo Agostinho – com o estatuto de povos federados 2.

 Povo vândalo (Fonte: BlogSpot


<https://4.bp.blogspot.com/-6a2LaYiZVkY/V8YlsnfQ5rI/AAAAAAABQJE/w7ALMZ5E2BEFO3vgftg4mwU8bTpQJNYPACLcB/s1600/Roma%2BII.jpg>
).

Depois dos vândalos, foram os visigodos que se estabeleceram na Gália e na Aquitânia, seguidos pelos ostrogodos, na
Itália, chefiados pelo rei Teodorico.

Durante muito tempo, a historiografia considerou a data de 476 como sendo o marco final do Império romano, quando
Odoacro, rei do povo Hérulo, depôs o imperador romano Rômulo Augusto, decadente representante do Império romano.

Atualmente, dá-se menos importância a este evento, já que, em 476, Rômulo Augusto exercia poder restrito ou mesmo
insignificante em algumas regiões do Império. A entrada em Roma marcou a desagregação do Império no lado ocidental
e a transferência de seu eixo para o Oriente.
O mundo romano germânico
A chegada dos povos germânicos teve consequências:

A transferência do centro gravitacional do Império em direção ao Oriente – destaque para Constantinopla, nova capital
imperial e para a formação do Império Bizantino.

O desaparecimento do Estado e de todo o aparato de centralização política e cobrança de impostos.


Na fase final, Roma cobrava excessivos impostos de sua população, o que acabou gerando uma grande insatisfação e a
dificuldade de se manter produtiva.


O rompimento da estrutura estatal acabou por gerar uma fragmentação política e social, na qual é possível observar
regiões que não mais se reconheciam como parte de um todo.


Os reinos germânicos que se estabeleceram tinham a estrutura regionalizada e o poder centrado na figura do líder,
gerando uma forma de poder personalizada que confundia esfera pública com privada. A estrutura de Estado não se
estabeleceu.


Ao mesmo tempo em que as estruturas de poder dos povos germânicos se difundiam no Ocidente, permaneciam
diversos elementos romanos, de suas populações, sua cultura e a participação de uma elite latina que permanece
importante durante todo o período de transição para o mundo medieval.


O historiador Jacques Le Goff observou como a Alta Idade Média foi o período de fusão dos elementos germânicos e
romanos na formação do mundo medieval. Lentamente, as diferenças entre a antiga elite romana e aquela dos povos
recém-chegados povos desapareceram.

Ao lado da fragmentação política nos novos reinos, houve a regionalização das atividades produtivas. Com a
desagregação da estrutura romana, a organização do comércio e de toda a rede de trocas estabelecidas no interior do
império diminuíram significativamente.

A atividade produtiva passou a estar ligada ao campo enquanto as cidades, que precisavam do comércio para prosperar,
sofreram declínio.

Baschet (2006) afirma sobre o declínio de Roma:


1 milhão
de habitantes no auge.

200 mil
habitantes após 410.

50 mil
habitantes no fim do século VI.

Meados do Século III


Início do declínio da expansão das cidades, cessando completamente em depois de 400.

A dissolução da escravidão foi outra transformação significativa na passagem da Antiguidade para a Idade Média.

Existem distintas teorias defendidas pela historiografia para justificar o fim da escravidão antiga.

1
Causas econômicas.

2
Atuação dos próprios escravos, com suas lutas.

A permanência da escravidão pressupunha a existência de um Estado que pudesse garantir a reprodução do sistema,
com as leis e o aparato repressivo necessário para tal fim. Com a fragmentação do Estado romano, isso não mais era
possível.

Na passagem para a Idade Média, houve uma transformação na estrutura escravista que, sem desaparecer por
completo, como atestam as leis germânicas dos séculos VI e VII, foi perdendo importância até não ser mais encontrada
a partir dos séculos VIII e IX.

O Cristianismo e o enraizamento da Igreja


 Povo vândalo (Fonte: Anjo Azul/HL Júnior <http://www.hljunior.com.br/anjoazul/?p=580> ).
Entre as significativas transformações que marcaram a passagem da Antiguidade para o mundo medieval no Ocidente,
a difusão do Cristianismo foi um dos elementos centrais.

Os povos vândalos, visigodos e os ostrogodos adentraram o Império convertidos à doutrina ariana, que havia se
difundido no Oriente, e não na ortodoxia estabelecida por Constantino, no concílio de Niceia, em 325.

Ao lado de um processo de conversões e expansão do Cristianismo a Igreja também se dedicou a combater o


arianismo, considerado heresia em Niceia. Compreende-se, assim, a luta empreendida por Santo Agostinho contra as
heresias em suas obras.

A Igreja buscou se expandir e consolidar o seu poder no Ocidente e para este fim um acordo com o povo Franco foi
inevitável. A conversão de Clóvis, rei dos francos, selou uma aliança com a Igreja de Roma que seria imprescindível
para sua sobrevivência no Ocidente medieval.

A atuação dos mosteiros seria fundamental no processo de conversão e enraizamento da Igreja medieval. Os mosteiros
foram grandes centros de produção do conhecimento na Idade Média. Neles se guardaram inúmeros manuscritos, que
eram copiados e conservados não só dos cupins e das traças, mas de guerras e destruições.

Por causa dessas cópias medievais, inúmeras obras gregas e romanas chegaram
até os dias atuais. A Igreja ao mesmo tempo que buscava conservar as obras
antigas, também produziu inúmeros textos utilizados para a difusão da doutrina
cristã.

O Cristianismo era uma religião essencialmente urbana até o século VI. A conversão do rei franco não foi suficiente para
converter toda uma população. Sabemos que o processo de expansão e enraizamento durou muitos séculos, e a
atuação dos mosteiros foi fundamental. A Igreja se dedicou a um grande esforço de difusão da doutrina cristã.

Estabelecer uma doutrina não foi tarefa fácil. No lado oriental, a Igreja de Constantinopla teve que combater doutrinas
consideradas heréticas, buscando formar um cânone do que reconheceria como a doutrina ortodoxa.
Santo Agostinho: vida e obra
Aurelius Augustinus Hipponensis nasceu em Tagaste 3, na província romana da Numídia, no norte da África, em 354.
Iniciou os estudos em sua cidade e na vizinha Madaura. Ele relata que seu pai fez notáveis esforços para enviar o filho
até Cartago, também no norte africano, quando chegou na adolescência, onde teria acesso aos estudos superiores.

Ao finalizar seus estudos superiores, voltou para Tagaste onde abriu uma escola. Em pouco tempo, voltou para Cartago
onde ocupou a cadeira de professor de retórica. Após quase dez anos lecionando na escola municipal decidiu transferir-
se para Roma, possivelmente no ano de 383. No ano seguinte, mudou-se novamente e foi viver em Milão, mais ao
norte da península itálica e uma das sedes do Império. Conforme os próprios relatos deixados por Agostinho, os alunos
em Cartago deixavam-no cansado, eram bastante impertinentes, e, em virtude disso, teria decidido mudar-se para a
península itálica.

 Cidade de Tagaste (Fonte: Cassiciaco.it


<http://www.cassiciaco.it/navigazione/africa/ago_citta/tagaste/numidia.html>
).

A mãe de Agostinho havia se convertido ao Cristianismo. Em princípio ele não abraçou a religião materna, tendo se
aproximado do Maniqueísmo. Esta era uma seita difundida ao final do período Antigo, que professava uma Filosofia da
salvação, que distinguia o bem do mal, luzes e trevas, espírito e matéria. Fundada por Mani 4, acreditavam os
maniqueístas que o mundo havia surgido do conflito entre duas grandes forças. Era um sistema metafisicamente
dualista, no qual o homem poderia transcender sua matéria e salvar seu espírito, sua alma. O Maniqueísmo seduziu
Agostinho porque abordava o tema da origem do Mal, que interessava especialmente o jovem filósofo.

Foi por indicação de influentes amigos maniqueístas, que ele conseguiu assumir o posto de orador público, em Milão.
5
Pouco depois, acabou abandonando a fé Maniqueísta, chegou a estudar sobre o Estoicismo e o Ceticismo, da escola
neoplatônica, mas acabou se aproximando de Ambrósio, importante bispo da cidade de Milão. A partir do contato com a
fé cristã por meio de Santo Ambrósio e, especialmente, dos neoplatônicos da cidade, o filósofo foi seduzido pelo
conhecimento produzido pela Igreja cristã.

Agostinho narra sua conversão ocorrida nos arredores de Roma quando escutou uma voz que lhe disse “toma e lê”.
Assim, ele abriu a Bíblia nas palavras do Apóstolo Paulo e se converteu. Além desse relato pitoresco sobre sua
conversão, observamos que Agostinho passou a estudar e se dedicar a escrever sobre a doutrina cristã.

Voltou para a África, onde pensava viver retirado em uma espécie de comunidade monástica que organizara com os
amigos. Em pouco tempo foi convidado para trabalhar na Igreja de Hipona. Primeiramente foi vigário, depois assistente
do bispo e, finalmente, tornou-se bispo de Hipona, aos quarenta e poucos anos de idade. Viveu na cidade o resto de
sua vida, exercendo as funções de bispo e de intelectual da Igreja. Estava com setenta e poucos anos quando vivenciou
a invasão dos vândalos ao norte da África, depois de passar pela península ibérica, causando grandes devastações. A
cidade de Hipona foi sitiada e queimada pelos vândalos. Agostinho adoeceu pouco depois e faleceu no ano de 430.


Quando Agostinho nasceu, fazia apenas 50 anos que a fé cristã deixara de ser perseguida, após a conversão de
Constantino. Era uma religião que já possuía mais de três séculos e do ponto de vista doutrinal era bastante simples,
contando com algumas regras de doutrina e ensinamentos de Cristo.

Os cristãos haviam sido perseguidos por longo período e, em virtude disso, a busca pela sobrevivência não possibilitara
um ambiente de reflexão filosófica mais aprofundado. Agostinho seria um dos primeiros a realizar uma síntese entre a
Filosofia e a teologia cristã.


O bispo de Hipona dedicou-se a conciliar a fé e a Filosofia, entendendo esta última como via de acesso à verdade
eterna. O tema retornou durante toda a Idade Média, como questão filosófica e teológica fundamental até Santo Tomás
de Aquino quase dez séculos depois.


Segundo Agostinho, embora as verdades da fé não sejam demonstráveis ou passiveis de prova, é possível demonstrar
que são corretas e para isso é preciso utilizar a razão. Ele afirmava que era preciso compreender para crer e crer para
compreender - Intellige ut credas, crede ut intelligas. Para ele, a Filosofia era um meio, um caminho para a mística e a
transcendência.


Agostinho foi um neoplatônico, dedicado ao estudo de Plotino 6. A doutrina platônica entendia o homem como um ser
que não tinha acesso às verdades, que vivia em um mundo de sombras, e desse modo, apenas seria possível chegar
até a verdade pelo conhecimento e pela reflexão filosófica.


O conhecimento não seria a compreensão de objetos exteriores, como os enxergamos. Mas sim o conhecimento de
regras imutáveis, do bem em si e daquilo que não seria transitório nem se degradaria.


Santo Agostinho introduziu a percepção da existência de um ser transcendente que daria fundamento a essa verdade
eterna. Deus é o caminho para a compreensão da verdade, contudo, sua natureza divina escapa ao alcance do homem.
É difícil definir Deus.

Segundo Agostinho, a melhor definição estaria no livro do Êxodo quando Jeová, dirigindo-se a Moisés, afirma: “Eu sou o
que sou”. Deus era a realidade total e plena, a pura essência. Todas as outras coisas são mutáveis, pois contêm o ser e
o não ser.

Agostinho assimilou a Filosofia grega, especialmente Platão, por meio da obra de Plotino. Partia-se da noção de que o
ser é eterno, imóvel, indivisível e imutável. Ele não contém a possibilidade de movimento ou mudança.

Platão apresenta um mundo dos sentidos, que se transforma e se degrada, ao qual os homens têm acesso e um mundo
que ele chama das ideias, das formas puras, que não se modifica, que é constituído pelas verdades essenciais. As
coisas do mundo, que os homens podem ver, são cópias imperfeitas destas ideias puras, segundo a doutrina platônica.

Na releitura feita por Plotino, essas essências ou ideias estariam organizadas hierarquicamente, sendo a noção de
verdade, belo e bem, reunidas na ideia de Uno. A noção de Uno, conceito fundamental da Filosofia de Plotino, foi
identificada por Agostinho como o Deus cristão. Desse modo, o bispo de Hipona associou o pensamento cristão à
Filosofia platônica.
De acordo com Santo Agostinho, Deus é uno e contém todas as coisas em sua
multiplicidade. Deus é constituído por três pessoas iguais e consubstanciais: Pai, Filho e
Espírito Santo. O Pai seria a essência divina, o Filho o verbo ou a verdade revelada e o
Espírito Santo o amor, através do qual a essência divina se manifesta.

 (Fonte: Nyura/Shutterstock).
Agostinho entendia que Deus é a origem de tudo, ele criou e não foi criado. Assim, acabou investigando a noção de
tempo, pois ele se deparou com a perspectiva da criação que introduz um antes e um depois. O tempo foi entendido
por ele como constituído de momentos distintos, isto é, um passado, um presente e um futuro, o que inclui um antes e
um depois, portanto a mudança. O tempo marca a transformação contida naquilo que é deste mundo. Este aparece em
oposição precisamente a Deus, que está fora do tempo, é eterno, o que foi, é, e sempre será. Agostinho realizou uma
distinção absoluta entre um tempo e um mundo dos homens, e um tempo e uma experiência divina, que é imutável e
perfeita.

A partir daí construiu sua doutrina metafísica do bem e do mal. Deus é a fonte de todo o bem, é o ser pleno e, neste
sentido, o mal seria tudo aquilo destituído do ser, ou seja, o mal vive no não ser. O mal está destituído de toda
substancialidade. É a privação do bem. Neste ponto, Agostinho se afastou definitivamente do Maniqueísmo, em que
existiam duas forças poderosas dividindo o mundo, o bem e o mal. Na doutrina cristã que Agostinho se dedicou a
fundamentar existia apenas o bem, isto é, Deus infinitamente bom e o mal seria a sua privação absoluta.

A doutrina agostiniana entende que Deus é o bem e o homem, que foi condenado após o pecado original, somente pode
ser salvo pela graça divina. Assim, sua danação é de sua responsabilidade, mas sua salvação depende da bondade
divina. Aqui encontramos um dos cernes doutrina de Santo Agostinho: a doutrina da predestinação e da graça. A graça
é o fundamento para a salvação, pois não basta o homem reconhecer sua condição de pecador para buscar livrar-se da
danação, ele precisa da graça divina para alcançar a redenção. Contudo, para Agostinho, a graça não é distribuída a
todos, somente para aqueles predestinados à salvação.

As obras

Confissões
Dividida em 13 livros, trata de seus dilemas e conflitos pessoais. Ele narra suas experiências de vida, desde a
adolescência até a maturidade, e insere suas descobertas de Deus e das verdades da fé. Nos últimos livros, entra
em temas propriamente de Filosofia, como a questão do tempo.

A cidade de Deus

Escrita sob o impacto da tomada de Roma por Alarico, em 410. Ele fala de um mundo em mudança, que começa a
viver as incertezas de uma sociedade em profunda transformação. Nessa obra, ele divide o mundo na cidade de
Deus, “civitas Dei” - dirigida pelo princípio do amor e da graça e uma cidade terrestre -, “civitas terrena” -
seguindo a lei dos homens, que se afastam de Deus.

É possível observar o neoplatonismo de Agostinho, que busca deslocar o mundo das ideias de Platão em direção à
realidade cristã, onde habitam aqueles que buscam a verdade, isto é, Deus, como Platão havia identificado o
mundo dos filósofos.

De Magistro

Apresenta de modo didático algumas conversas com seu filho Deodato, sobre um ponto fundamental de sua teoria
que foi o tema da linguagem. Ele reflete sobre a palavra, suas capacidades e limitações.

De Trinitate

Fundamenta a crença na Santíssima trindade, e aborda aspectos de sua própria vida ao longo da redação desta
obra.

1. Analise a seguinte frase de Santo Agostinho: “Ter fé é acreditar nas coisas que você não vê; a recompensa por
essa fé é ver aquilo em que você acredita."

2. A historiografia atual dá preferência ao termo povos germânicos em substituição aos chamados povos bárbaros.
Explique esta afirmativa.
3. Santo Agostinho de Hipona (cidade africana) foi o mais importante filósofo da Alta Idade Média. Além de filósofo
e teólogo, Agostinho também exercia uma função eclesiástica na cidade citada. Qual função era essa?

a) Cônsul.
b) Cardeal.
c) Bispo.
d) Pároco.
e) Delegado.

4. (Ufu 2011) Segundo o texto de Agostinho de Hipona (354-430 d.C.), Deus cria todas as coisas a partir de
modelos imutáveis e eternos, que são as ideias divinas. Essas ideias ou razões seminais, como também são
chamadas, não existem em um mundo à parte, independentes de Deus, mas residem na própria mente do Criador,

[...] a mesma sabedoria divina, por quem foram criadas todas as coisas, conhecia aquelas primeiras, divinas,
imutáveis e eternas razões de todas as coisas, antes de serem criadas [...]. (Sobre o Gênese, V)

Considerando o texto, é correto afirmar que se pode perceber:

a) Que Agostinho modifica certas ideias do Cristianismo, a fim de que este seja concordante com a Filosofia de
Platão.
b) Uma crítica radical à Filosofia platônica, pois esta é contraditória com a fé cristã.
c) A influência da Filosofia platônica sobre Agostinho, mas esta é modificada a fim de concordar com a doutrina
cristã.
d) Uma crítica violenta de Agostinho contra a Filosofia em geral.
e) Uma visão crítica da Filosofia Maniqueísta, que ele seguiu em sua juventude.

5. (Uem 2011- adaptada) Sobre a relação entre Filosofia e Igreja na Idade Média, assinale o correto.

Na Idade Média, os mosteiros representam uma importante fonte do saber. Nesses locais, a cultura greco-latina
manteve-se preservada, graças à atividade dos copistas e à conservação dos manuscritos dos autores clássicos.

a) Na Alta Idade Média, a Igreja começou a libertar-se da dominação política do Império Carolíngio e iniciou-se
um período de supremacia do poder espiritual sobre o poder político.
b) Santo Agostinho propõe a reabertura aos temas clássicos através de uma corrente espiritual e gnóstica
denominada “nova sofística”, apresentada em sua obra máxima, a Suma Teológica.
c) A influência da Filosofia platônica sobre Agostinho, mas esta é modificada a fim de concordar com a doutrina
cristã.
d) Por ser um período de obscuridade, a Filosofia medieval não se dedicou aos grandes temas da Filosofia, como
a questão do conhecimento, o papel da linguagem e a teleologia da práxis humana, que aparecem depois, com a
modernidade.
e) O relacionamento entre a Igreja e o Estado começou no fim da Idade Média, quando o Cristianismo foi
transformado em religião oficial do Estado. Enquanto o paganismo perdia sua posição de religião oficial, o
Cristianismo era protegido pelo Império, o que permitiu sua difusão.
Notas
1
Limes

Zona de fronteira ao norte do Império, onde se estabeleceram os povos germânicos, tendo um destacado papel como lugar de
trocas e interpenetração de culturas.

Federados 2

Uma forma do Império romano absorver esses povos dentro do Império. Roma fazia um acordo por tratado, os foedus, onde
esses povos, apesar de não possuírem a cidadania romana, estavam obrigados a cumprir algumas exigências, como fornecer
um contingente de sodados para o exército romano.

Tagaste 3

Cidade da Roma antiga, no norte da África. Atualmente, ali se localiza a cidade de Souk Aharas, que fica na Argélia. Está
localizada a 100km da antiga cidade de Hipona.

Mani 4

Mani ou Manes (o nome varia com a tradução e a fonte consultada): foi um profeta de origem Persa, que viveu no século III.
Escreveu algumas obras amplamente difundidas na Antiguidade Tardia, que deram origem a Filosofia Maniqueísta.

5
Estoicismo

Filosofia surgida na Grécia antiga, fundada pelo filósofo Zenão, na cidade de Atenas, no início do século III a.C. Sêneca e
Epiteto foram famosos estoicos do mundo antigo.

6
Piotino

Filosofo do século III, dedicou-se à Filosofia platônica e a questão do Um, aquilo que contém o ser e o não ser, identificado com
o conceito de Bom e Belo. Também estudou o conceito de felicidade e da Alma.

Referências

BASCHET, Jerôme. A civilização feudal: Do ano mil à colonização da América, São Paulo: Globo, 2006.

DE LIBERA, A. A Filosofia Medieval. São Paulo: Loyola, 1998.

SANTO AGOSTINHO. Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1996.

Próximos Passos

Formação da Alta Idade Média ocidental;


O pensamento filosófico de Boécio;
Cassiodoro - vida e obra;
O esforço de cristianização de Isidoro de Sevilha.

Explore Mais

Pesquise na internet sites, vídeos e artigos relacionados ao conteúdo visto.

Em caso de dúvidas, converse com seu professor online por meio dos recursos disponíveis no ambiente de aprendizagem.

Revista Aquinate – Santo Agostinho e o mal como privação de bens naturais


<http://www.aquinate.com.br/wp-content/uploads/2016/11/estudo-sidney.pdf> .
Revista Aquinate – Tradução e breve apresentação da primeira parte do opúsculo de Santo Agostinho: a
perfeição da justiça humana <http://www.aquinate.com.br/wp-content/uploads/2016/11/Artigo-6-
Tondinelli.15.6.pp_.116-129.pdf> .

Você também pode gostar