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Instituto Superior de Gestão e Negócios de Gaza

Licenciatura em Direito

A pessoa colectiva como elemento da relação Jurídica

Estudante

Jorge Rafael Maramuge

Xai-Xai, Março de 2022

Jorge Rafael Maramuge /ISGN/


Instituto Superior de Gestão e Negócios de Gaza

Licenciatura em Direito

A pessoa colectiva como elemento da relação Jurídica

Trabalho a ser apresentado ao


Instituto Superior de Gestão e
Negócios de Gaza, como
requisito para aprovação na
Cadeira de Teoria Geral do
Direito Civil I, sob orientação do
dr. Domingos Moiane

Xai-Xai, Março de 2022

Jorge Rafael Maramuge /ISGN/


Índice
1.0 Introdução .............................................................................................................................4
1.2. OBJECTIVOS ......................................................................................................................5
1.3. Objectivo Geral.................................................................................................................5
1.4. Objectivos Específicos ......................................................................................................5
2. Metodologia ............................................................................................................................6
3. AS PESSOAS COLECTIVAS ................................................................................................7
3.1. Histórico do seu Conceito Jurídico ....................................................................................7
3.1.1. Noções de Pessoas Colectivas Públicas ..........................................................................8
3.2. Classificação das Pessoas Colectivas ................................................................................9
4. CONSTITUIÇÃO DA PESSOA COLECTIVA ..................................................................... 10
4.1. Classificação doutrinal .................................................................................................... 10
4.2. Pessoas Colectivas de Direito Privado e Pessoas Colectivas do Direito Público .................. 11
4.2.1. Pessoas Colectivas Públicas ......................................................................................... 11
5. ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO CAPACIDADE DE AGIR E EXTINÇÃO DAS
PESSOAS COLECTIVAS ........................................................................................................ 12
5.1. Princípios fundamentais comuns a todas as pessoas colectivas ........................................ 12
5.1.1. Capacidade das pessoas colectivas ............................................................................ 12
5.2. Extinção das Pessoas Colectivas ..................................................................................... 13
6. Conclusão ............................................................................................................................. 16
Referências Bibliográficas......................................................................................................... 17

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1.0 Introdução
O presente trabalho trata da pessoa colectiva como elemento da relação Jurídica, portanto,
auxilia na efectividade das políticas públicas. O estudo da personalidade jurídica, nomeadamente
a das pessoas colectivas, apresenta uma grande importância jurídica actual e foi alvo de debate
ao longo da história do pensamento jurídico nacional e internacional. Contudo, a natureza da
pessoa colectiva sempre dividiu a doutrina, havendo autores que, indevidamente, chegam a negar
a existência de uma personalidade colectiva.

Cumpre ainda dizer que a presente pesquisa utilizou-se o método de pesquisa bibliográfica para
consecução de seus fins. Pois, tem como principal escopo dotar o leitor de conhecimentos que
lhe permitam a apreensão do Direito Civil como Direito privado e publico, bem como, das suas
fontes e princípios sistémicos/fundamentais.

No desenvolvimento da deste trabalho, serão abordadas as noções e espécies de Pessoas


Colectivas Publica; a constituição das pessoas colectivas e a sua classificação doutrinal,
princípios fundamentais comuns a todas as pessoas colectivas, suas capacidades e sua extinção.

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1.2. OBJECTIVOS

1.3. Objectivo Geral:

Identificar a pessoa colectiva como elemento da relação Jurídica.

1.4. Objectivos Específicos:

Descrever as noções e espécies da pessoa colectiva como elemento da relação jurídica;


Classificar as pessoas do direito público e privado quanto à sua constituição; e
Comparar a pessoa colectiva do direito Público com a do direito privado no que
concerne as capacidades de direito.

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2. Metodologia

Este trabalho do campo, quanto à sua metodologia terá por objecto o estudo das técnicas
bibliográficas que foram adoptadas para o alcance dos objectivos pretendidos. Com efeito, o
método é o “caminho e os passos para se atingir um determinado objectivo, enquanto que a
técnica é a parte material (os instrumentos) que fornecem operacionalidade ao método”.

Quanto aos procedimentos técnicos, é uma pesquisa bibliográfica. Portanto, “entende-se por
pesquisa bibliográfica o acto de fichar, relacionar, referenciar, ler, arquivar, fazer resumos de
assuntos relacionados com a pesquisa em questão. Todavia, o levantamento bibliográfico é mais
amplo do que a pesquisa documental”.

Assim, no presente estudo, a pesquisa foi elaborada a partir de material já publicado, fonte
secundária, constituído fundamentalmente, de livros, artigos de jornais científicos; artigos
publicados em portais científicos da internet; sem descurar de consulta de fontes primárias como
projectos e monografias que abordam assuntos relacionados com o Estado como uma pessoa
jurídica e, outros documentos político-Administrativos concernentes às pessoas colectivas como
elementos da relação jurídica.

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3. AS PESSOAS COLETIVAS

3.1. Histórico do seu Conceito Jurídico


Pessoa Colectiva é pois, como diz Ruggiero, toda a unidade orgânica resultante de uma
colectividade organizada por pessoas ou por complexo de bens, à qual o Estado reconhece
capacidade de direitos patrimoniais para a realização de um fim social duradouro e permanente.
Ou por outra, as pessoas colectivas públicas são aquelas “pessoas colectivas, criadas por
iniciativa pública, para assegurar a prossecução necessária de interesses públicos, e por isso
dotadas em nome próprio de poderes e deveres públicos. Portanto, Assim, tendo em conta a
organização administrativa moçambicana, existem diversas categorias de pessoas colectivas
públicas, desde logo:

O Estado; e
Os institutos públicos; as empresas públicas; os órgãos de governação descentralizada
provincial, distrital e as autarquias locais.

Desde o século XIII, com Dei Frieschi, que a cultura jurídica continental trabalha a
personificação de realidades não humanas. A sua elaboração dogmática revela ser uma
sedimentação de diversos substratos jusculturais, unificados num mesmo conceito, que trouxe até
ao início do século XXI todo um universo problemático e representativo que apenas uma análise
histórico-dogmática é capaz de identificar (Costa Gonçalves, 2015).

A primeira grande época a que se deve fazer referência, em termos de pensamento jurídico sobre
as pessoas colectivas em Portugal, é a época das Ordenações (século XV). Nesta, não havia um
tratamento geral para as pessoas colectivas, já que a previsão destas pessoas era, mesmo em
legislação extravagante (Caetano, 1981),absolutamente escassa e dispersa (Menezes Cordeiro,
2005). Aos juristas liberais coube desenvolver a matéria das pessoas singulares e introduzir um
tratamento sistemático das pessoas colectivas, sob a designação de corporações ou pessoas
morais.

Justificadamente, se indica a segunda metade do século XVIII como a época que viu surgir a
ciência da história do direito português (Almeida Costa, 2010). No século XIX e no início do
século XX, a pessoa colectiva foi um dos temas mais debatidos na história do pensamento
jurídico internacional e a doutrina em Portugal acompanhou esse debate.

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A ideia de pessoa colectiva que permita integrar em si mesma outra realidade que não a pessoa
humana é relativamente recente, tendo surgido com o pós jusracionalismo de Pufendorf. Esta
ideia permitiu a Savigny, no século XIX, avançar com uma noção de personalidade colectiva
assente na teoria da ficção, que, como será abordado adiante, considera que a pessoa colectiva
corresponde a uma ficção artificial da ordem jurídica.

O termo “pessoa colectiva” foi fixado na bibliografia jurídica portuguesa por Guilherme
Moreira, que, no início do século XX, publicou a obra intitulada: ‟Personalidade Colectiva”, na
qual o autor designava as pessoas colectivas como entes jurídicos não humanos (Menezes
Cordeiro, 2010a). Na obra referida, o autor defendeu, de um modo pioneiro, o uso da
denominação pessoa colectiva por contraste a expressões como pessoas jurídicas, pessoas
morais, pessoas sociais, pessoas fictícias ou até mesmo pessoas abstractas, que eram bastante
usuais na época e que serviam para designar os entes jurídicos não humanos.

3.1.1. Noções de Pessoas Colectivas Públicas


Os serviços públicos constituem células que compõem internamente as pessoas colectivas
públicas. Trata-se de uma organização que situada no interior da pessoa colectiva pública e
dirigidos pelos respectivos órgãos, desenvolve actividades de que ela carece para prosseguir os
seus fins. Ou seja, “os serviços públicos são organizações humanas, criadas no seio de cada
pessoa colectiva pública, com o fim de desempenhar, as atribuições desta, sob a direcção dos
respectivos órgãos.

No mesmo sentido, a lei de bases gerais da organização e funcionamento da Administração


Pública moçambicana, define os serviços públicos como sendo “unidades orgânicas criadas por
acto de autoridade pública no seio das instituições públicas, sem prejuízo de poderem existir
serviços públicos organizados em unidades orgânicas autónomas”. Os serviços públicos integram

a orgânica dos órgãos centrais, locais e externos do Estado, bem como a orgânica dos órgãos de
governação descentralizada provincial, distrital, das autarquias locais e demais pessoas
colectivas.

 Espécies de Pessoas Colectiva Públicas


 Estado versus entes públicos menores;
 Entes públicos territoriais e entes públicos institucionais;

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 Entes públicos dependentes e entes públicos não dependentes;


 Pessoas colectivas de população e território (Estado, regiões autónomas e autarquias
locais);
 Entes institucionais (institutos e empresas)
 Entes corporativos ou associativos (corporações territoriais, consórcios públicos e
associações públicas); e
 Entes híbridos (corporações para institucionais e institutos para corporativos.

Os serviços públicos podem ser classificados segundo a perspectiva funcional ou a perspectiva


estrutural. Os serviços públicos na perspectiva funcional distinguem-se de acordo com os seus
fins, podendo por exemplo, serem serviços de educação, saúde, transportes colectivos, etc.

Diferentemente, os serviços públicos na perspectiva estrutural distinguem-se segundo o tipo de


actividade que desenvolvem. Portanto, no meu ponto de vista, a lei de bases gerais da
organização e funcionamento da Administração Pública moçambicana, classifica os serviços
públicos segundo o tipo de actividade que desenvolvem, ao estabelecer que, “os serviços
públicos estão estabelecidos e organizados, tendo em atenção as funções para as quais são
criados, nomeadamente:

 Serviços executivos;
 Serviços de controlo, auditoria e fiscalização;
 Serviços de coordenação; e
 Serviços técnicos.

3.2. Classificação das Pessoas Colectivas


Dada a grande variedade pode dizer-se indefinida, de pessoas colectivas, impõe-se a necessidade
de fazer a sua classificação em grupos, espécies ou tipos. Conforme os diversos aspectos ou
pontos de vista a que podem ser referidas. E assim, temos em primeiro lugar a mais antiga
classificação das pessoas colectivas em corporações e fundações, baseada na sua diversa
estrutura e organizações. Portanto, depois temos a classificação moderna, sem dúvida a mais
importante, em pessoas colectivas públicas ou de direito público, e privadas ou de direito
privado, baseada na diversidade do fim, e no regime jurídico da sua organização e
funcionamento.

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As pessoas colectivas de utilidade pública podem ser classificadas de acordo com diferentes
critérios:

Quanto à sua natureza: associações e fundações;


Quanto ao âmbito territorial da sua actuação: pessoas colectivas de utilidade pública
nacional, regional ou local, conforme prossigam fins de interesse nacional ou que digam
respeito apenas a uma região autónoma ou autarquia local;
Quanto aos fins que prosseguem, existem três tipos de pessoas colectivas de utilidade
pública a ter em consideração: as pessoas colectivas de mera utilidade pública (exemplo:
os clubes desportivos e de cultura, assim como as associações científicas); as instituições
particulares de solidariedade social (exemplo: as misericórdias) e as pessoas colectivas
de utilidade pública administrativa (exemplo: as associações de bombeiros voluntários).

4. CONSTITUIÇÃO DA PESSOA COLECTIVA

4.1. Classificação doutrinal


Para complemento da determinação do conceito de personalidade colectiva importa agora fixar e
analisar os elementos essenciais da estrutura jurídica das pessoas colectivas.

Encontramo-nos em presença de três doutrinas abaixo supracitados:

1. Dois elementos (Ferrara): um material, que o substrato do ente colectivo, e é diverso,


conforme o ente é de carácter associativo ou institucional, sendo no primeiro a associado
de homens em vista dum fim, e no segundo a obra a realizar por meio duma organização
de homens e de bens postos ao seu serviço; o outro é o elemento formal, que é a
concessão da personalidade, ou seja o reconhecimento pelo Estado;
2. Três elementos (Ruggiero): uma organização de pessoas ou de bens, um fim, e o
reconhecimento pelo Estado; e
3. Cinco elementos ( Coviello): I )̊ uma pluralidade de pessoas consideradas por abstracção
uma pessoa só, sendo nas corporações os associados e nas fundações os beneficiários; 2.ͦ
) um fim ilícito e determinado; 3.̊ ) um património para a realização do fim, não sendo
essencial a existência actual e efectiva desse património, mas os meios ou a possibilidade
de o constituir; 4.̊ ) a intenção dos sócios ou do instituidor de constituir uma unidade
jurídica como sujeito do património colectivo, isto é, a vontade expressa ou tácita de criar

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uma só pessoa para a disposição do património comum; 5. ̊ ) finalmente, é necessário o


reconhecimento pelo Estado, sem o qual aquele concurso de elementos de facto não é
bastante para dar à associação ou fundação a existência jurídica como pessoa.

4.2. Pessoas Colectivas de Direito Privado e Pessoas Colectivas do Direito Público


Diversas razões históricas, diz Ferrara, a doutrina assimilou durante muito tempo a pessoa
colectiva ao sujeito de direito privado, pois que o poder político do Estado se considerava como
uma grandeza extra-jurídica. Mas com a doutrina do Estado de direito tal teoria tornou-se
insustentável. Com efeito, se existem não só direitos privados, mas também direitos públicos,
tem de se admitir que há sujeitos duns e doutros, e por isso foi necessário alargar a noção da
pessoa colectiva: pessoa colectiva é tanto o ente que goza de capacidade privada como aquele
que exerce poder público, tanto mais que muitas vezes as duas capacidades são conjuntas na
mesma pessoa. Portanto, daí a distinção entre duas pessoas de direito público e pessoas de direito
privado.

4.2.1. Pessoas Colectivas Públicas


 Estado;
 Autarquias locais;
 Regiões autónomas;
 Entidades públicas empresariais;
 Associações públicas e outras corporações públicas;
 Entidades administrativas independentes; e
 Institutos públicos;

Não deve porém, entender-se a distinção no sentido de que as duas categorias de pessoas se
movem em campos absolutamente separados, em dois hemisférios distintos, mas no sentido de
que as pessoas de direito público, além da sua esfera publica, entram também na esfera do direito
privado, enquanto que as outras se movem apenas neste campo.

As pessoas públicas, portanto, têm uma dupla capacidade pública e privada. Mas é inexacto falar
de dupla personalidade. A personalidade é única; só é múltiplo o âmbito em que se move. Assim
como homem que tem duas vestes ou fardas, não tem por isso duas figuras distintas, ou o

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cidadão no gozo dos políticos não é um duplicado do individuo no gozo dos direitos civis, assim
também o Estado que procede jure imperri, não é sósia do Estado que procede jure gestionis.

As pessoas colectivas de direito público, tendo em conta os elementos básicos:

 Órgãos administrativos; e
 Serviços públicos (que existem em cada ente e funcionam na dependência dos respectivos
órgãos): são unidades funcionais meramente internas.

São pessoas colectivas públicas segundo Freitas do Amaral às “reguladas pelo direito
Administrativo. Trata-se portanto de patrimónios que são afectados à prossecução de fins
Públicos especiais”.

5. ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO CAPACIDADE DE AGIR E EXTINÇÃO


DAS PESSOAS COLECTIVAS

5.1. Princípios fundamentais comuns a todas as pessoas colectivas

5.1.1. Capacidade das pessoas colectivas


Um principio geral da capacidade civil das pessoas colectivas é formulado n o art. 34 ̊ do código
civil:

As associações ou corporações, que gozam de individualidade jurídica, podem exercer todos os


direitos civis, relativos aos interesses legítimos do seu instituto.

Mas a regra do art. 34 ̊ é também em certo modo um preceito restritivo da capacidade civil das
pessoas colectivas, enquanto a limita aos direitos civis relativos aos interesses legítimos do seu
instituto.

E neste sentido já tem sido exageradamente interpretado até ao ponto de se sustentar que as
pessoas colectivas de fim meramente especulativo, isto é, as sociedades industriais, civis ou
comerciais, não podem adquirir por título gratuito.

Mas tal doutrina é manifestamente inexacta, não só porque nenhum preceito de lei declara as
sociedades civis ou comerciais incapazes de receber uma doação ou uma liberalidade
testamentária, nem este facto se pode dizer contrário ao preceito do art. 34 ̊ , pois certamente

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reverterá em benefício da colectividade contemplada, sendo por isso legítimo interesse do seu
instituto.

Nem tão pouco deve entender-se o preceito limitativo no sentido de restringir a capacidade das
pessoas colectivas aos direitos patrimoniais, pois, como vamos ver, também são susceptíveis de
direitos de personalidade, e nem mesmo aos direitos civis ou privados, pois também gozam de
direitos subjectivos públicos. Mas, também se não pode equiparar completamente a capacidade
das pessoas colectivas à das pessoas individuais, visto que por sua própria natureza elas são
excluídas de certas relações, que pressupõem o substrato dum organismo corpóreo físico: é por
isso que elas não podem contrair matrimónio ou: fazer testamento, ser interditas ou ter relações
derivadas de parentesco, idade ou sexo.

O princípio geral da capacidade das pessoas colectivas é, por consequência, o de uma capacidade
correspondente e semelhante à capacidade das pessoas individuais. Portanto, É assim que as
pessoas colectivas têm o seu estado pessoal, determinado quer em relação ao estado a que
pertencem nacionalidade, quer em relação ao lugar onde tem o centro da sua actividade

(domicilio), quer pela atribuição de certas qualidades jurídicas que servem para as individualizar
(direitos da personalidade).

Todas as pessoas colectivas têm direito ao seu nome, gozando da protecção judicial contra a
violação ou usurpação por terceiros; e do mesmo modo se lhes deve garantir os próprios títulos,
insígnias, bandeiras ou estandartes. Pois, e não só tem direito ao nome, mas até ao bom nome.

5.2. Extinção das Pessoas Colectivas


É sabido que no direito moderno a causa única de extinção da capacidade jurídica dos indivíduos
é a morte natural. Mas a morte natural de pessoa colectiva é facto inconcebível, e irreal, e por
isso não pode ser cama da sua extinção.

A pessoa colectiva sendo um organismo social mais ou menos complexo só pode desaparecer
pelo desaparecimento de algum dos seus elementos ou requisitos essenciais, a saber:

 Pela falta do substrato material do elemento pessoal ou do património; e


 Pela cessação ou impossibilidade do fim, ou pela revogação do reconhecimento do
Estado.

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Falta do elemento pessoal: este modo de extinção é exclusivo das corporações. Nas fundações,
desaparecendo toda a série dos beneficiários do património, deve antes entender-se que cessou o
fim ou a possibilidade de o realizar, por não existirem mais as pessoas a quem o benefício era
destinado.

Extinguem-se portanto as corporações:

I ͦ pela morte ou saída de todos os membros; e não é bastante ficarem reduzidos a um só,
porque em volta deste pode reconstituir-se a associação, salvo se o estatuto exige um
número mínimo de sócios;
II ͦ pela dissolução do vínculo corporativo, deliberada pela forma estabelecida nos
estatutos ou na lei, umas vezes pela simples maioria absoluta, outras vezes só com uma
maioria mais numerosa, e determinada só pelo número de sócios, ou exigindo-se também
uma maior representação do capital ou património colectivo; e
III ͦ ainda excepcionalmente pela morte, interdição ou saída de um ou mais membros,
quando a união tem por base um vinculo tão estreitamente pessoal, que não consente a
substituição de um membro por um outro. Em regra estas normas só valem para as
corporações de carácter privado; para as de direito, público, ou não é possível a hipótese
da extinção de todos os membros, porque em virtude do fim permanente e das funções
públicas de tais entes a renovação dos seus membros faz-se ininterruptamente, ou a
vontade dos membros não é eficaz para a dissolução do vínculo corporativo, sendo a
vida do organismo subtraída à disposição dos associados, e dependendo apenas da
autoridade do Estado.

Falta do elemento patrimonial: com o desaparecimento do património extinguem-se as


fundações, e podem extinguir-se também as corporações, se o seu fim se torna irrealizável por
essa causa. Mas esta regra não é aplicável a todas as pessoas colectivas, pois se para algumas
basta a perda de metade do património (como acontece para as sociedades anónimas, nos termos
do § 4." do art. 120 do cód. com.), para outras até a perda completa pode não ser motivo de
extinção, s e houver meios de reconstituir o património, por meio de novas contribuições dos
associados, doações, legados, etc; de resto, para os entes públicos fundados e subsidiados pelo
Estado, nem mesmo é concebível a perda total do património, dada a fonte inesgotável da perda
total.

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Secessão ou Possibilidade do fim: pois que sem um determinado fim, nas condições pré-
estabelecidas, não pode ter existência jurídica uma pessoa colectiva, segue-se que esta se
extingue logo que aquele deixe de existir ou se torne impossível a sua realização. Estes factos
podem ser expressamente previstos no acto de constituição ou de fundação, assinando-se um
termo a vida do ente, ou implicitamente atribuindo-lhe um fim por sua natureza temporário,
limitado ou transitório; ou pode o desaparecimento do fim resultar de causa superveniente, por se
tornar fisicamente impossível (inexequibilidade prática), ou por vir a ser proibido pela lei
(impossibilidade legal).

Revogação do reconhecimento: as mesmas razões que atribuem ao Estado o poder do


reconhecimento das pessoas colectivas devem legalmente conferir-lhe o poder de o retirar ou
revogar, sempre que motivos de ordem pública ou de interesse geral assim o aconselhem.

Portanto, embora seja muito discutida a necessidade da intervenção preventiva do Estado na


constituição das pessoas colectivas, mediante o prévio reconhecimento expresso, por meio da
autorização ou da aprovação dos estatutos, e tanto que algumas legislações, como a nossa (lei de
1907.

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6. Conclusão
A existência de pessoas colectivas resulta do facto de existirem interesses humanos duradouros
comuns e colectivos, em que a obtenção destes interesses impõe a afluência dos meios e
atividades de várias pessoas. Portanto, as pessoas colectivas, que são dotadas de personalidade
jurídica, tal como acontece com as pessoas singulares, também devem, embora em diferentes
patamares, ser consideradas como sujeitos de Direito.

Do que foi dito neste trabalho do campo podemos admitir, que existem semelhanças das pessoas
colectivas e físicas, mas sim, a personalidade colectiva é muito bem mais pobre que a
personalidade das pessoas humanas. Todavia, sendo elas da criação do Direito e,
consequentemente, do homem, as pessoas colectivas servem de instrumentos para as pessoas
singulares.

Assim, conclui-se que quando se fala em Administração numa acepção extensa ou vasta, além da
consideração do Estado e das pessoas colectivas que, existindo nos termos da lei para a
prossecução necessária de interesses públicos, exercem em nome próprio poderes de autoridade
(pessoas colectivas de direito público), estão também em causa as associações, fundações e
sociedades nascidas da iniciativa dos particulares e cuja personalidade seja reconhecida nos
termos do direito privado, sempre que incumbidas, pela lei ou por acto ou contrato
administrativo, de realizar alguma função de interesse público cujo desempenho exerçam
poderes de autoridade ou colaborem no seu exercício (são as pessoas colectivas de direito
privado e regime administrativo. Finalmente, importa, antes de mais, referenciar a dimensão
Institucional da Administração, portanto, esta reveste uma multiplicidade de formas, não
somente o domínio do direito público, mas também, igualmente no do direito privado.

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Referências Bibliográficas
Costa Gonçalves, D., Caetano, M., Menezes Cordeiro, A., Almeida Costa, M. J. (2010). A
personalidade jurídica das pessoas colectivas: evolução dogmática. Universidade Fernando
Pessoa, Porto, Portugal. Vol.15 N.3 2019;

FERNANDES, Luís e A. Carvalho. (2001). Teoria Geral do Direito Civil. (1) 3ª edição revista e
actualizada Lisboa: Universidade Católica editora;

PINTO, Carlos Alberto da Mota. (2004). Teoria Geral do Direito Civil. 4ª edição, Coimbra
editora;

TELLES, Galvão. Teoria Geral do Direito Civil, Coimbra: Coimbra editora.

Legião: Código Civil Moçambicano.

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