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JUIZADO ESPECIAL CÍVEL – JEC

REGRAS DE FUNCIONAMENTO

Os Juizados Especiais Cíveis ou os Juizados de Pequenas Causas, atualmente regulados


pela Lei n.º 9.099, de 26 de setembro de 1995, são órgãos da Justiça criados para processar as
causas de menor complexidade. Os princípios que regem os Juizados e que conferem sua marca
registrada são a informalidade, a simplicidade, a celeridade e a oralidade. Outra característica que
distingue os Juizados Especiais da Justiça Comum é que o juiz atua de forma mais ativa na
tentativa de conciliar as partes litigantes.

Por todos esses motivos, os Juizados Especiais Cíveis constituem um importante órgão
para a solução dos conflitos decorrentes de relações de consumo, permitindo, muitas vezes, ao
próprio consumidor lutar pelos direitos garantidos no Código de Defesa do Consumidor.

· QUAIS AS CAUSAS DA COMPETÊNCIA DOS JEC's?


Os JEC's são competentes para processar as causas cujo valor não exceda 40 salários
mínimos (R$ 12.000,00). Acima deste valor, o consumidor somente poderá se valer do JEC se
abrir mão da quantia excedente. Caso contrário, deverá recorrer à Justiça Comum.

· ONDE DEVE SER PROPOSTA A AÇÃO?


A ação sempre poderá ser proposta perante o Juizado correspondente ao local de
domicílio do réu ou ao local de sua filial, agência, sucursal ou escritório. Tratando-se de ação de
reparação de danos o consumidor poderá ajuizar a ação no Juizado do seu domicílio.
Ressaltamos que no caso de relação de consumo, de acordo com o artigo 101,
inciso I do Código de Defesa do Consumidor, a ação poderá ser proposta no domicílio do
consumidor ou do réu. E para o Estado de São Paulo, o Tribunal de Justiça determinou,
através do Provimento nº 738/2000, que "As causas relativas a direito individual do
consumidor (...) poderão ser distribuídas em qualquer dos Juizados Especiais Cíveis do
Estado de São Paulo." (artigo 3º). Portanto, no Estado de São Paulo, o consumidor poderá
invocar também esta norma para ajuizar a ação no Juizado de seu domicílio.

· QUEM PODE AJUIZAR AÇÃO PERANTE O JEC?


Somente a pessoa física maior de 18 (dezoito) anos pode ser autora da ação proposta
perante o JEC. A pessoa jurídica não pode figurar como autora, apenas como réu. ATENÇÃO! A
Lei 9.841/99 (Estatuto das Microempresas) estabeleceu que as microempresas também podem ser
autoras em ação proposta no JEC (art. 38).

· QUEM NÃO PODE SER RÉU NA AÇÃO AJUIZADA PERANTE O JEC?


As pessoas jurídicas de direito público (ex.: União Federal e Banco Central), as empresas
públicas da União (ex.: Caixa Econômica Federal), dentre outras, não podem participar de ação
perante o JEC. Atenção: As sociedades de economia mista podem participar (ex.: Banco do Brasil
S.A., BANESPA, Caixa Econômica Estadual, CET, SABESP etc.).

· ADVOGADO
A presença de advogado é facultativa nas causas cujo valor não exceda 20 salários
mínimos (R$ 6.000,00). Isto significa que o consumidor poderá ingressar diretamente com sua
demanda perante o JEC. Nas causas cujo valor esteja compreendido entre 20 e 40 salários
mínimos, a representação por advogado é obrigatória. Também é obrigatória a constituição de
advogado havendo recurso por qualquer das partes.

· ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA
Visando garantir o equilíbrio entre as partes, sempre que o autor ajuizar ação sem a
presença de advogado e o réu for pessoa jurídica ou firma individual, ou ainda quando a outra
parte comparecer sob patrocínio de advogado, terá ele direito à assistência judiciária.

· AS DESPESAS COM O PROCESSO


No primeiro grau de jurisdição não são devidas custas judiciais ou honorários de sucumbência.
Somente em segundo grau haverá a necessidade de pagamento dessas despesas. Os honorários
de sucumbência somente serão devidos quando o recurso for julgado improcedente e serão
arbitrados pelo juiz entre 10% e 20% do valor da condenação. A lei procurou, assim, desestimular
o recurso meramente protelatório.

· COMO AJUIZAR A AÇÃO NO JEC SEM ADVOGADO?


Como vimos acima, nas causas de 20 a 40 salários mínimos a representação por
advogado é obrigatória e nas causas de até 20 salários a representação é facultativa, podendo o
autor ajuizar ele próprio a ação (veja modelo abaixo). Vejamos, então, passo a passo, como deve
proceder o consumidor que deseja ajuizar ação perante o JEC sem recorrer a um advogado:

· COMPETÊNCIA (ONDE AJUIZAR A AÇÃO)


Primeiramente, o consumidor deve verificar se a causa insere-se na competência do JEC.
Lembre-se que se o valor da causa exceder 40 salários mínimos, o ajuizamento da ação perante o
JEC importará em renúncia à quantia excedente.

· PARTES DO PROCESSO
Veja se as partes estão de acordo com as regras do Juizado. O autor deve ser pessoa
física, maior de 18 anos, e o réu não pode ser pessoa jurídica de direito público ou empresa
pública da União.

· O AJUIZAMENTO DA AÇÃO
A ação é ajuizada com a apresentação do pedido, que pode ser oral ou escrito. No primeiro
caso, basta o autor comparecer à Secretaria do Juizado, que reduzirá a escrito o pedido. Sendo
apresentado na forma escrita, deve ser apresentado em 3 vias (a 1ª via será protocolada e
devolvida ao autor, a 2ª via acompanhará a carta de citação do réu, e a 3ª será autuada, formando
os autos do processo) e o pedido deve conter a) o nome, a qualificação e o endereço das partes;
b) os fatos e os fundamentos, de forma sucinta (o autor não precisa nem mesmo indicar o
fundamento legal de sua pretensão) e c) o objeto (o que ser quer obter na Justiça em face do réu)
e seu valor.

· AS PROVAS
O autor deve anexar ao pedido cópia de todos os documentos relativos à questão, tais como
contrato, nota fiscal, orçamento etc. Se houver testemunha(s), o autor também deve informar
seu(s) nome(s) e endereço(s), respeitando o limite máximo de 3 (três). Caso o autor tenha receio
do comparecimento espontâneo da testemunha(s) na audiência, pode requerer à Secretaria sejam
elas intimadas, no prazo de até 5 dias antes da audiência.

· AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO
Uma vez registrado o pedido, é designada a audiência de conciliação. Aberta a sessão, o
condutor da audiência - que pode ser um juiz de direito, um juiz leigo ou um conciliador sob sua
orientação - esclarecerá as partes sobre as vantagens da conciliação. Havendo acordo entre as
partes, este será homologado pelo juiz de direito e constituirá sentença irrecorrível. ATENÇÃO! É
imprescindível a presença do autor à audiência de conciliação. Caso não compareça, o processo
será extinto. A pena para o réu que não comparecer a audiência de conciliação é a revelia (os fatos
narrados serão reputados verdadeiros, salvo se o contrário resultar da convicção do juiz) e a
sentença será proferida imediatamente.

· AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO


Não obtida a conciliação, proceder-se-á a audiência de instrução e julgamento, onde o juiz
ouvirá as partes e analisará as provas apresentadas, julgando ao final o processo. Atenção: O não
comparecimento do autor à audiência de instrução e julgamento também acarretará a extinção do
processo.

· A SENTENÇA
Enquanto a instrução do processo pode ser realizada pelo juiz leigo, a sentença é ato
privativo do juiz de direito, que deverá mencionar o fundamento da decisão. Havendo condenação,
a sentença deverá explicitar seu valor. A sentença põe fim ao primeiro grau de jurisdição e
somente condenará o vencido em custas e honorários de advogado nos casos de litigância de má-
fé.

· O RECURSO
O recurso será interposto no prazo de 10 dias, contados da ciência da sentença. O
recurso, que deve ser apresentado por escrito, será julgado por uma turma composta por três
juízes togados do primeiro grau de jurisdição. ATENÇÃO! Para a interposição de recurso a
representação por advogado é obrigatória.

· RECURSO EXTRAORDINÁRIO
Da decisão proferida pelo Colegiado de Juízes do Tribunal, ainda caberá recurso
extraordinário ao Supremo Tribunal Federal (STF) nos casos de violação à Constituição Federal.

· A EXECUÇÃO
Se a sentença não for cumprida voluntariamente, o interessado poderá solicitar a execução
forçada da decisão. Nas ações de obrigação de entregar (móveis, por exemplo), de fazer (um
serviço qualquer, por exemplo) o juiz determinará o pagamento de multa diária para o caso de
inadimplemento. Se mesmo assim o devedor não cumprir a obrigação, o credor poderá requerer a
elevação da multa ou a transformação da condenação em perdas e danos, em valor a ser arbitrado
pelo juiz, ou ainda requerer seja a obrigação executada por terceiro, às expensas do devedor.