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A metapsicologia como palco

de diálogo teórico acerca da técnica,


clínica, vida psíquica e cultura 1

Celmy de A. A. Quilelli Corrêa

Revista Brasileira de Psicanálise Celmy de A. A. Quilelli Corrêa  é


volume 49, n. 4, p. 57-69 · 2015 membro efetivo da Sociedade
Brasileira de Psicanálise do Rio
de Janeiro (SBPRJ). Psicanalista de
crianças e adolescentes. Atualmente
diretora do Instituto da SBPRJ.
Resumo
A autora saúda a iniciativa do congresso em iluminar
os textos metapsicológicos como palco de diálogo com
a clínica, a técnica e a cultura. Examinando o contexto
histórico brasileiro, formula hipóteses para avaliar
a predominância de alguns conceitos no ensino da
metapsicologia. Refere pesquisa que vincula a “virada de
1920” à influência do romantismo germânico no pensamento
de Freud, como possibilidade de acesso ao misterioso
e irracional dos últimos textos freudianos. Sugere que
os conceitos de pulsão de morte, identificação primária,
desamparo, masoquismo primário, construções e feminilidade
podem escapar ao impasse da racionalidade iluminista
quando se convoca a “feiticeira metapsicológica”.
Palavras-chave
metapsicologia; campo; palco inconsciente; segunda teoria
pulsional; romantismo germânico.

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Na realidade, minha intenção era a realidade permita a ilusão das identifica-


de seguir um sistema diferente… mas ções. Sem saber.
nem sempre resulta fácil realizar nossos
Alguma semelhança com a cena e fun-
propósitos, por razoáveis que sejam,
pois a própria matéria que se trata de ção da transferência?
desenvolver impõe um determinado curso É intrigante a concomitância com o
e nos desvia de nossas primeiras intenções. tempo em que estava articulando sua
(S. Freud, 1916-17) experiência clínica com Dora, teorizando
sobre e propondo uma técnica para abor-
dar a transferência. Além disso, o detentor
O palco (o campo) do texto publicado postumamente foi Max
Graf, pai de Herbert Graf, nosso pequeno

A proposta contendo metapsicologia


como palco fez-me imediatamente evocar
Hans, que depois foi diretor de cena do
Metropolitan…
Voltando à importância da metapsicolo-
o trabalho de Freud (1942[1905-06]/1976b) gia como palco do diálogo, no caso, com a
“Personajes psicopáticos en el escenario”, clínica e com a técnica, note-se que o texto
só publicado em 1942, mas que coincide póstumo permite-nos enlaçá-lo com o con-
com a época em que estava pensando ceito de campo. Muitos anos se passaram
sobre a transferência. Nele, buscava com- para que o conceito de campo e, posterior-
preender por qual forma o teatro enlaçava mente, o de enactement pudessem tomar o
os espectadores, as identificações com os encontro analítico como pesquisa da cena
personagens e com os atores. Trabalhando fantasmática inconsciente.
os sentimentos de alívio e prazer que um
drama pode produzir, afirma:
O teatro da alma
Ser espectador participante do jogo dramá-
tico [schau-spiel]2 significa para o adulto o Utilizar a imaginação, construir a cena,
que o brinquedo representa para as crianças, atuar os personagens em cena são tarefas
cujas esperanças hesitantes de fazer o que do ator. Muito comumente é citado que A
os adultos fazem são, desta forma, satisfei- ratoeira, peça dentro da peça em Hamlet,
tas. […] O autor-ator do drama possibilita- é a metáfora usada por Shakespeare para
-lhe uma identificação com o herói, mas a pensar a função do teatro. Entretanto, a
condição de plasticidade artística é que o peça inteira trabalha essa temática do ocul-
conflito não se evidencie explicitamente em tamento e do desvelamento, da represen-
sua crueza… não seja chamado pelo nome. tação, da representação e do ato, do que é
(p. 277) o sonho de ser e da ação.

Com isto quer dizer da importância


de que haja repressão para que o véu da

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Shakespeare, diz que “o ator força sua permanência de sua obra, mergulhou
alma a sofrer com o seu próprio pensa- numa síntese teórica. Curiosa e parado-
mento” (1988a, p. 616), transformando seus xalmente, a meu ver, sua produtividade
sentimentos e toda a sua natureza na pala- foi intensa e férvida. Buscava um extrato
vra que precisa dizer. Quando entra em para todo o seu trabalho, temia a destruição
cena, segundo Mallet, pela guerra e pela própria morte. Paria o
que gestara há alguns anos: “a gravidez de
já traz consigo um hálito de morte: entra a uma grande síntese” (carta a Jung, citada
carcaça, o “ator” […] esquece então os prin- por Jones, 1961/1979, p. 518).
cípios básicos, esquece a materialidade à sua Define-se a metapsicologia como a
volta, esquece os objetos que já se encon- parte mais teórica e abstrata da psicaná-
tram em cena e frequentemente esquece lise, como um conjunto de leis, princípios
aqueles que ele próprio carregou para o e conceitos fundamentais que permitem
palco. (2000) representar e descrever o funcionamento
do aparelho psíquico, contemplando-o à
Quantas destas “representações” (incons- luz de seus atributos dinâmicos, topográ-
cientes) os pacientes trazem em ato para ficos e econômicos. Surgiu na mente de
a cena transferencial, na qual o psicana- Freud muito precocemente (temos regis-
lista também mergulha para depois poder tros dessa aspiração na correspondência
falar, agora como “espectador participante com Fliess) e foi forjada por analogia com
do jogo dramático [schau-spiel]”? o conceito filosófico de metafísica. “A pro-
posta de Freud é realizar a tarefa de con-
verter a metafísica em metapsicologia”
O contexto (Roussillon, 2005, p. 1174). Para isso, cria
um neologismo: metapsicologia (Assoun,
Os textos de 1915, nomeados como estudos 1983, p. 11).
metapsicológicos, surgiram, em sua forma
definitiva, como explosão criativa durante
três semanas e mais onze dias do verão de Cartografias
1915, em que Freud, deprimido pela guerra
e pela proximidade de seus 60 anos, dispõe- Em Freud
-se a reunir uma descrição exaustiva sobre
os processos mentais até então descober- Temos que considerar que a ambição de
tos. Um criador atormentado pela incer- Freud em conquistar o estatuto de cien-
teza da guerra e pela vida de seus filhos, tificidade para a psicanálise, assim como
além de profundamente angustiado pela seu forte enraizamento iluminista, fez com
que a afirmasse como uma ciência da natu-
reza, recorrendo para tal aos fundamentos
e modelos referentes à sua época. Sabemos

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no entanto que, para que se dimensione a Autores que pensaram o Ego autônomo,
importância teórica de um conceito, ainda como esfera livre de conflitos, eram privi-
que dentro da obra de um mesmo autor legiados. Conceito muito mais palatável, e
tal conceito possa diferir radicalmente, é com possibilidade de articulação à teoria
necessário que se procurem as bases epis- das relações de objetos, do que a noção prin-
têmicas que sustentam essas flutuações. ceps na metapsicologia que é a pulsão, na
Investigá-lo em sua inserção geográfica, época lida e caracterizada como acentua-
muitas vezes dispersa, e nos ambientes tem- damente imbricada ao modelo econômico,
poral e culturalmente diversos deve ser o e mesmo biológico.
cinzel com que o destacamos de uma lei- Desconsiderava-se a imagem de o
tura literal da obra (Mezan, 1982). homem não ser senhor em sua própria
casa, base da concepção pulsional, do psi-
No Rio de Janeiro. No Brasil? quismo e do próprio inconsciente. Nada
como lembrar a anedota citada por Freud
Foi isso o que aconteceu com relação ao numa carta a Fliess, ao comentar que a
estudo da metapsicologia, pelo menos no escrita de A interpretação dos sonhos teria
Rio de Janeiro, na SBPRJ. Tendo sempre sido ditada inteiramente pelo inconsciente.
em mente os três fatores da diáspora psica- Itzig, um cavaleiro dominical, encontra
nalítica que nos constituíram (Argentina, um amigo que pergunta: “Para onde estás
Inglaterra e leituras autóctones), de qual indo?”; Itzig responde: “Não sei, não tenho
Freud estaríamos falando, uma vez que os a menor ideia, pergunte a meu cavalo”
grupos que nos formaram eram tão dife- (Fuks, 2014, p. 193). Contrastando com essa
rentes entre si? Pois que o Freud que nos visão, houve um momento na história do
chegou da Argentina era bem diferente do pensamento psicanalítico em que os analis-
Freud que se estudava na Inglaterra. Esca- tas privilegiaram outra imagem, usada pelo
pava-nos a visão mais abrangente (e polí- próprio Freud, em 1923: do cavaleiro Ego
tica) dos enraizamentos transferenciais às que cavalga o cavalo Id. Disso decorreram
escolas hegemônicas atuantes. Exemplifi- posturas técnicas que se distanciaram viva-
cando: “Luto e melancolia” era um texto mente da pesquisa do inconsciente, Unbe-
privilegiado pela possibilidade de eviden- wusste (“aquilo que não pode ser sabido”).
ciar o conceito de objeto interno, ampla-
mente utilizado na obra de Klein.
Toda a política do movimento psicana- Um pouco de história e política
lítico nos distanciava de procurar outras
vertentes já muito preponderantes no Assim, as críticas que se fizeram ao estudo
pensamento europeu da época, como o da metapsicologia freudiana, se não foram
estruturalismo, que permitiu a Lacan um
“retorno a Freud”, do qual ficamos isolados
até o final da década de 70.

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superficiais e levianas, porque datadas entre da publicação da correspondência Freud-


os anos 50 e 70, foram aquelas possíveis e -Fliess, obviamente. Mas já imaginaram
que nos trouxeram até hoje. Daí sempre a como se poderia ensinar e aprender A inter-
necessidade de revisitação. Temos que ser pretação dos sonhos sem a correspondên-
críticos e pensantes. cia? E ela só saiu, em português, em 1985!
Note-se que exponho aqui o pensamento As viagens de autores como Green, em
e a cultura do início dos anos 70, em que 1977, no auge de sua produtividade, nos
o mercado editorial brasileiro era pobre, permitiram contato com o Freud já visitado
tornando-nos dependentes do movimento por Lacan. A chegada do movimento laca-
editorial argentino e também inglês, já fil- niano ao Rio de Janeiro, a volta de colegas
trados política e economicamente. Quando brasileiros que tinham feito formação na
se teve acesso às publicações francesas, à França (com forte influência freudiana),
tradução direta do alemão da própria obra, os estudos e publicações de Mezan, Joel
da correspondência Freud-Fliess, iniciou- Birman e suas teses, Luiz Alfredo Garcia-
-se uma releitura freudiana. Com espanto, -Roza e o mestrado em teoria psicanalítica
pudemos nos interrogar sobre a compreen- foram fatores que durante a década de 80
são da primeira teoria do trauma originário, nos possibilitaram uma grande aprendiza-
marca do recalque primário, do a posteriori, gem conceitual. Talvez ainda para poucos,
que sem a leitura do texto integral da Carta é verdade. Até porque havia certa miopia
52 não se entendia com clareza. Disso advi- que dissociava a teoria da clínica, em detri-
ria enorme repercussão na técnica pela pos- mento da primeira.
sibilidade de se aceitarem feridas, rupturas
psíquicas, originariamente resultantes de
acontecimentos reais. Autorizava-se uma A chamada grande virada
clínica que escutava os abusos e traumas (dos anos 1920)
referidos pelos pacientes como capazes de
desorganização subjetiva real. Compreender o conceito de pulsão de
A chegada do Vocabulário de psicaná- morte não apenas como uma especulação
lise, de Laplanche e Pontalis, facilitou filosófica de Freud, ou como sinônimo da
o estudo dos conceitos freudianos e seu agressividade primária na leitura kleiniana,
inter-relacionamento. Era realmente um era para poucos. Concebê-la como pulsão
prazer estudar, desenovelando-se enig- primeira, com sua tendência dominante
mas conceituais que nos escapavam ante- para a desunião, o desligamento (assim des-
riormente sem a devida noção global da crita no Esboço de psicanálise), inapreen-
metapsicologia. Foi também dessa época a sível e muda, irrepresentável, unicamente
ressurreição do “Projeto” – possível a partir detectada na clínica através da compulsão
à repetição não foi, e não é ainda, tarefa fácil
enquanto circunscrita à obra original de
1920. Freud sempre soube que seu conceito

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não tinha sido bem recebido pela comuni- 2014) permitiu-nos acompanhar a restau-
dade psicanalítica. Escrevendo para Eins- ração de uma mulher desfigurada em seu
tein, observa: “A teoria das pulsões é, por corpo e subjetividade, a qual, apaixonada-
assim dizer, a nossa mitologia” (Freud, mente, fusionalmente, se submete a uma
1933[1932]/2010b, p. 430). figura idealizada que a tiraniza. De sua
Uma das maiores consequências de se escuridão emocional, em que tenta pre-
considerar a pulsão de morte como pura servar o objeto sádico, paradoxalmente vai
dispersão é concebê-la como pulsão anar- ganhando força para libertar-se.
quista, aquela que desconstrói o arché, o
arquivo, enquanto primado da frieza imu-
tável; compreendê-la como exigência de Uma chave:
trabalho que insiste no descongelamento Freud e o romantismo germânico
do narcisismo de morte (Birman, 2014).
Abre-se com tal vértice a possibilidade Há, no estilo linguístico de Freud, no uso
de releitura sobre o masoquismo primário, o frequente de metáforas, sinais de seu enrai-
desamparo, o conceito de feminilidade, feti- zamento no romantismo germânico que
chismo e clivagem do eu. Também as novas deveríamos considerar. Questão muitas
formas de subjetivação. Supondo-se o caos vezes velada sob a afirmação (verdadeira,
inicial e a necessidade de ação do Outro por sinal) do enraizamento de Freud à
para contê-lo e incluí-lo no mundo, dan- doutrina iluminista, assim como sua for-
do-lhe um sentido e organização, pôde-se mação científica, há que se enfatizar que
então imaginar com mais facilidade a posi- foi moldado por várias correntes de pen-
ção de dependência absoluta que, quando samento, de suas raízes judaicas à cultura
faltosa e não atendida suficientemente, clássica greco-romana, bem como ao espí-
acarretaria uma sujeição servil ao outro rito do romantismo germânico no qual foi
(Birman, 2006, p. 26-28). Esta compreen- forjado. Considerando-se que “esse [espí-
são permite-nos atender, ainda dentro de rito germânico] é mais inclinado para as
uma visão freudiana, a pacientes muito gra- profundezas obscuras da alma” (Vermorel
ves, nos quais é bastante comum encontrar- & Vermorel, 1986, p. 23), torna-se impor-
mos a repetição monocórdica das queixas tante ressaltar os estudos recentes que
de ataques e sevícias aos quais foram sub- insistentemente têm comentado sobre
metidos, privilegiando inconscientemente alguns conceitos freudianos mergulhados
a força dos personagens sádicos torturado- no romantismo alemão. A palavra Trieb,
res. Torna-se evidente que preferem manter por exemplo, é usada nos textos de poe-
a cena sadomasoquista, que lhes possibi- tas e filósofos do romantismo alemão,
lita o conforto defensivo contra o horror com significado semelhante, várias vezes;
do desamparo. No caso aqui evocado, é
melhor um pai sádico do que não ter pai.
Recentemente, o filme Phoenix (Petzold,

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algo similar podemos dizer do conceito de Por que precisamos


inconsciente (destacando-se, é claro, a ori- do romantismo alemão?
ginalidade de concebê-lo em sua dinâmica
funcional); acrescente-se o estilo de lingua- Diz-nos Inês Loureiro:
gem com que descreve a fantasmagoria de
“O estranho” e de Além do princípio do é a partir da influência, do desvio, da inflexão
prazer. O apelo à feiticeira metapsicológica e da transformação em relação à herança
(também sua “criança ideal”, nos termos romântica (e da cultura germânica como
de uma carta a Fliess), quando ao final de um todo) que vamos entender a obra freu-
sua obra se encontra diante do impasse de diana e situar aqueles pontos em que seu
como amansar a pulsão e integrá-la diante pensamento parece mais próximo e, sem
das exigências do Ego: “É preciso que a dúvida, tributário do romantismo alemão.
feiticeira nos ajude!” (Freud, 1937/1975a, (2002, p. 27)
p. 257) – sabendo-se que a feiticeira invo-
cada é aquela com quem Fausto trabalha Poucas vezes valorizado na corrente de
e que tem a seguinte tabuada: pensamento mais divulgada, o romantismo
freudiano permite-nos compreender mais
E nove são um! profundamente os paradoxos e a poética de
E dez são nenhum. certos conceitos construídos a partir de 1920.
Tal é das bruxas Quando Freud (1921/2011), por exemplo,
A tabuada. (Goethe, 1808/1964, p. 94) enunciou a identificação primária, des-
creveu-a como o primeiro laço humano
Tal bruxaria permite-nos maior aproxi- emocional e apontou sua relação primeira
mação ao caldeirão do inconsciente e do com o pai. Esta enunciação, tomada lite-
Id, num espaço conveniente de intimi- ralmente, de imediato nos parece um
dade e confiança, no qual se torna possível, contrassenso diante de outras teorizações
através do imponderável que dali se exala, freudianas, só podendo ser pensada se a
construirmos uma linguagem comum, considerarmos como referente a um pai
ainda que mítica ou mágica. Esta, a recon- simbólico, cultural, ambiental. O poema
sideração da proposta psicanalítica atual: “Ao Éter” (Hölderlin, 1991), “An den
não mais a pretensão solar, iluminada, do Aether… mein Vater”,3 em que os elemen-
saber sobre o outro, mas o conhecimento tos naturais que envolvem o ser, ao qual
de que “somos feitos de sonhos” (Shakes- ele aspira e no qual imerge para se nutrir,
peare, 1988c, p.  952), sendo esta nossa permitem, no entanto, uma compreensão
matéria-prima, matéria misteriosa que só que parecia escapar racionalmente. Há que
podemos tocar com nossa própria fantasia. se considerar as importantes vinculações
entre os conceitos freudianos que tendem
a propor um primário (Urvater, Urphanta-
sien, Urverdrängung) com os fenômenos

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primários tão caros aos românticos, entre Note-se que tal debate entre os dois tinha
eles Goethe, como pesquisaram os Vermo- sido gestado através de quatro anos de
rel (1986, pp. 23-24). correspondência.
Também na passagem do Ego e o Id, No entanto, uma coisa é inegável: “Há
em que Freud diz que o Superego mer- que separar a ideia de que Freud é român-
gulha suas raízes no Id, reforçando assim tico, a psicanálise não!” (Loureiro, 2002,
a imagem do Id como um magma infer- p. 39). Sendo assim, qual a importância
nal, irrepresentável, inapreensível em sua desse resgate?
totalidade, arquivo milenar das experiências Certos conceitos freudianos devem
humanas, permitindo perceber essa afirma- ser compreendidos dentro de uma magia
ção como um problema incontestável para quase irracional, recurso utilizado desde
enunciar a transmissão transgeracional, sempre por seu estilo e, após 1920, muito
note-se uma maior aproximação ao roman- benéfico para dar conta das formulações
tismo germânico do que comumente se faz, teóricas que foram construídas sobre a clí-
ligando-o preferentemente ao lamarquia- nica que se apresentava a ele.
nismo. Através dessas pesquisas, criam-se Plena de contrastes, sua obra transita do
novas dimensões para os textos “da virada”. claro-escuro, muitas vezes expressionista,
Curiosamente, mais tarde, nas Novas para a luz da razão. Seu pensamento aberto
conferências introdutórias à psicanálise, critica o fechamento religioso, ideológico e
encontramos novamente o balancea- mesmo científico, quando este for dogmá-
mento racional de Freud, “corrigindo” tico. Na Conferência XXXV, diz que “uma
o resvalamento no romantismo abissal, concepção do universo fundada na ciên-
retornando ao tema: “a mesma pessoa a cia tem, além da acentuação do mundo
quem a criança deve sua existência, o pai exterior real, traços essencialmente nega-
(ou melhor, a instância parental composta tivos, como o submetimento à verdade e
de pai e mãe)”, e logo adiante, na mesma a repulsa das ilusões” (Freud, 1933[1932],
página, “o mesmo pai (ou instância paren- citado por Loureiro, 2002, p. 304).
tal)” (Freud, 1933[1932]/2010a, p. 329). Ao mesmo tempo que afirma a psicanálise
Também em O mal-estar na civilização, como essencialmente materialista, advoga
tantas vezes citado como seu testamento para ela que, “sem tal psicologia, a ciência
pessimista, incluindo o conceito de mal seria, certamente, muito incompleta” (Freud,
radical como constitutivo humano – texto 1933[1932], citado por Loureiro, 2002).
em que adianta lucidamente uma visão crí- Como diz Roussillon, “desqualificar
tica sobre as ideologias políticas –, pode- o status da metapsicologia na psicaná-
mos perceber, no diálogo com Romain lise equivale sem dúvida a suprimir nesta
Rolland, uma grande familiaridade com última a parte mais fundamental de sua
a noção do sentimento oceânico, princí-
pio do romantismo germânico para afir-
mar a união com a natureza ou o Uno.

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contribuição para a psicologia das profun- e interminável”, “Construções em análise”


didades” (2005, p. 1174). e “A divisão do Ego no processo de defesa”,
teremos até uma terceira metapsicologia.
O cavalo de Itzig volta Tanto na poesia como na literatura encon-
um pouco atrás… tramos a utilização da metáfora do porco-
-espinho, formulada por Schopenhauer
A metapsicologia freudiana estendeu-se e citada por Freud, para indicar a neces-
por toda a sua obra, terminando somente sidade do Outro com a distância ótima,
com a morte do autor. Sua leitura parcial utilizada defensiva e narcisicamente para
talvez tenha sido o viés enganoso pelo proteger-se dos embates humanos. Como
qual foi descentralizada de sua importân- diz Paloma, personagem de M. Barbery:
cia, apresentada de forma sumária como
“uma plataforma extraordinariamente A Sra. Michel tem a elegância do ouriço:
explícita e excessivamente concisa”, nas por fora, é crivada de espinhos, uma ver-
palavras de Paul Assoun (1983). Mais um dadeira fortaleza, mas tenho a intuição de
exemplo disso é o conceito de narcisismo: que dentro é tão simplesmente requintada
não articulá-lo ao texto Psicologia das mas- quanto os ouriços, que são uns bichinhos fal-
sas e análise do eu, para a compreensão das samente indolentes, ferozmente solitários e
questões sociais, políticas e até jurídicas daí terrivelmente elegantes. (2008, p. 152)
decorrentes, vai encerrá-lo na visão de uma
psicanálise intrapsíquica, de curto alcance. Definição precisa e delicada para esses
Utilizá-lo como motor das idealiza- seres que tanto nos ocupam…
ções, formação de líderes, radical entra-
nhamento de preconceitos é deslocá-lo da
época de sua formulação, em que a guerra O irrepresentável e a cultura
acentuava os nacionalismos e sentimen-
tos ufanistas, obrigando assim a uma refle- Outro exemplo de conceito muitas vezes
xão sobre as dores que a alteridade impõe. abreviado numa formatação para ensino da
Incluí-lo como texto metapsicológico, constituição edípica e definição de sexua-
assim como “O tabu da virgindade”, Totem lidades é o de castração. Ampliá-lo como
e tabu, “O estranho”, O mal-estar na civili- noção de limite do inapreensível impôs-nos
zação, Moisés e o monoteísmo, chamados um dispositivo conceitual que possibilita
textos da cultura, resgata a metapsicolo- compreender vivências subjetivas que se
gia de uma leitura míope, restrita à lite- organizam como identidades sexuais, ou
ralidade. Se avançarmos na mencionada até “para além” nas neossexualidades. A
lista até “Fetichismo”, “Análise terminável castração, o limite, a morte, pode ser aquilo
que aponta para a questão do homem trá-
gico, do paradoxo. O desejo que nunca se
esgota, enquanto vida.

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Hoje em dia, há que se repensar a pró- de sujeitos em que a escolha de satisfação


pria bissexualidade, e ainda por cima pri- erótica com parceiros do mesmo sexo é
mária, como formulada inicialmente por abordada através do modelo da inveja do
Freud. Diante dos avanços da ciência e pênis, ainda dentro do modelo essencia-
das propostas filosóficas desconstrutivas lista. As leituras atuais do texto de 1937,
para sistemas fechados, somos obrigados a “Análise terminável e interminável”, per-
pensar se ele ainda postularia para a sexua- mitem nova posição: o temido, por homens
lidade uma questão binária de gênero! e mulheres, é a quebra da organização
fálica, a vivência de um caos pulsional. O
que ele afirma é que a angústia maior é da
O feminino, não a feminilidade ordem do repúdio ao feminino.
Seria possível pensá-lo equivalente ao
No palco da metapsicologia, outro concei- Eterno Feminino, como apresentado por
to-personagem a ganhar nova roupagem ao Goethe (no Fausto), tão citado e amado por
final da obra de Freud foi o de feminili- Freud? Equivalente ao Mistério? Ao Caos?
dade. A solução edípica para as mulheres, Mais feiticeiras? Daquelas que surpreen-
sustentada até 1933, alvo de questionamen- deram Macbeth, que das brumas as entreviu?
tos do movimento feminista e mesmo das
mulheres psicanalistas. A subjetividade da “Quem são essas criaturas tão mirradas e de
mulher considerada como um devir, um vestes selvagens, que habitantes não pare-
ser em processo, um ser na impossibilidade cem da terra e, no entanto, nela se movem?
de completude final, como pensam entre […] Quase vos tomara por mulheres; no
nós Beth Fucks, Joel Birman e outros auto- entanto vossas barbas não me permitem”
res contemporâneos, foi resgatada a partir (Shakespeare, 1988b, p. 482).
de uma releitura segundo o espírito teó-
rico da construção metapsicológica freu-
diana, apesar das ambiguidades de Freud Reconstruindo, com sonhos e delírios
sobre o assunto. O impacto do conceito do (construções)
feminino não mais identificado com o ser
da mulher nem com a própria sexualidade Em “Construções em análise” (1937/1975b),
feminina até hoje não foi suficientemente não mais tão preocupado em dar provas de
absorvido entre os psicanalistas, assim pre- sua teoria, mas livre para arriscar, delirar,
judicando a clínica e a abordagem técnica Freud se utiliza do texto de Shakespeare,

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na fala de Polônio: “com a isca da mentira, um pacto diabólico é contratado para


fisgarás a carpa da verdade”, indicando livrar-se de um desvalimento total, de
que, quaisquer que sejam as hipóteses, ideias de suicídio, buscando irreprimivel-
não tenhamos a pretensão de acertar ou mente a conquista de uma vida jovem e
medo de errar. O conceito de construção fulgurante, ensejada pela magia da “pele
emerge num momento em que, diante do de asno” , aquela que permitiria a reali-
inapreensível, ocorre a constatação de que zação de todos os desejos.
o Id, o Ego e o Superego, em suas rela- Freud despede-se ativamente da vida,
ções, não se dobrariam ao deciframento lendo na Comédia humana o paradoxo: o
simplório de um código; um momento em desejo faustiano de vencer a morte.
que toda a interpretação hermenêutica de Para alguém que morre de chagrin (dor,
significado nos escapa é um momento em sofrimento)…
que só nos resta ousar, aventurar-nos. Como ele amava: “o resto é silêncio”…
A isca da mentira de Polônio é a pró-
pria ficção, algo que se sustenta também na
questão da verdade histórica. Nem verdade
nem história real.
Expor a obra de alguém é tarefa disci-
plinária. Alcançar o que um homem como
Notas
Freud produziu ao longo de sua vida é
1 Texto apresentado em sessão plenária realizada
encargo para muitas outras vidas. durante o XXV Congresso Brasileiro de Psicanálise,
Alguém tomado pela dor de um câncer realizado em São Paulo/SP, de 28 a 31 de outubro de
mandibular, já praticamente impedido de 2015.
2 Note-se também que Freud utiliza o termo schau­-
se alimentar, evitando opiáceos para não spiel para destacar seus dois componentes: espetáculo
perder a consciência, determinado a encer- teatral e jogo (brincar). A palavra para representação
teatral seria shauspiel. Há uma clara intenção, aí
rar sua vida com aquiescência da família, declarada, pela escansão.
como testemunha seu médico M. Schur, 1 As imagens que o poeta evoca para ilustrar sua relação
esse alguém ainda busca ler. com a natureza condensam apropriadamente o con-
ceito pensado por Freud: “Ninguém, entre os homens
O que ainda nos ensina Freud? e os deuses, foi-me tão fiel e bom como o foste, Pai
O que lê Freud? La peau du chagrin, Éter; antes já que minha mãe me tomasse em seus
braços para aleitar-me em seu seio, tu me enlaçaste
novela de Balzac cujo tema central é o com meiguice e me verteste no peito infante a poção
conflito entre o desejo e a longevidade, do céu e no ouvido o sacro sopro teu” (Hölderlin,
narrativa de temática faustiana em que 1991, p. 63).

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68 Revista Brasileira de Psicanálise
volume 49, n. 4 · 2015

Metapsicología como palco de diálogo teórico sobre Metapsychology as a place for theoretical dialogue
la técnica, la clínica, la vida psíquica y la cultura about technique, practice, psychic life and culture

La autora acoge con beneplácito la iniciativa del The author praises the congress initiative of
congreso de iluminar los textos metapsicológicos highlighting the metapsychological writings as a
como palco de diálogo con la clínica, la técnica y la place for dialogues with practice, technique and
cultura. Examinando el contexto histórico brasileño, culture. By examining the Brazilian historical
formula hipótesis para evaluar el predominio context, the author proposes hypotheses in order to
de algunos conceptos en la enseñanza de la evaluate the predominance of some concepts in the
metapsicología. Hace referencia a una investigación metapsychological teaching. The author refers to a
que vincula el “cambio de 1920” con la influencia research that relates the “turning point of 1920” to the
del romanticismo alemán en el pensamiento de influence of the German Romanticism in Freud’s
Freud, como posibilidad de acceso a lo misterioso thinking, as a possible access to the mysterious
e irracional de los últimos textos freudianos. and irrational ideas in the last Freudian writings.
Sugiere que los conceptos de pulsión de muerte, The author also suggests that the concepts of death
identificación primaria, desamparo, masoquismo drive, primary identification, abandonment, primary
primario, construcciones y feminidad pueden escapar masochism, constructions and femininity may escape
del estancamiento de la racionalidad iluminista from the impasse of Enlightenment Rationality,
cuando se convoca la “hechicera metapsicológica”. when the “metapsychological witch” is called.
Palabras clave: metapsicología; campo: palco Keywords: metapsychology; field: unconscious
inconsciente; segunda teoría pulsional; place; second theory of instinctual drive; German
romanticismo alemán. Romanticism.

Referências
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A metapsicologia como palco de diálogo teórico acerca da técnica, clínica, vida psíquica e cultura 69
Celmy de A. A. Quilelli Corrêa

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[Recebido em 7.12.15, aceito em 21.12.2015] Celmy de A. A. Quilelli Corrêa


Rua Jardim Botânico, 635/301, Jardim Botânico
22470-050 Rio de Janeiro, RJ
Tel: 21 2274-1348
celmy.araripe@gmail.com

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