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ETEC Getúlio Vargas

Curso de eletrônica

Conceitos Básicos de Telecom - NTINCBT


(Sistemas de telecomunicações)

Ipiranga – São Paulo

06/06/2011
Sumário
1. Sistemas de Comunicação.....................................................

1.1. Comunicação..............................................................................................
1.2. Sistema de Comunicação............................................................................
1.3. Condições para ocorrer comunicação.........................................................
1.4. Códigos e Sinais..........................................................................................
1.5. Chave..........................................................................................................
1.6. Sinal elétrico...............................................................................................
1.7. Repetidores.................................................................................................
1.8. Comunicação entre pessoas.......................................................................
1.9. Telefone......................................................................................................
1.10. Comunicação entre computadores...........................................................

2. Onda....................................................................................

2.1. Forma de onda senoidal..............................................................................


2.2. Frequência..................................................................................................
2.3. Fase............................................................................................................
2.4. Largura e Banda.........................................................................................
2.5. Comprimento de onda................................................................................

3. Sinais Eletromagnéticos.......................................................

3.1. Campo eletromagnético..............................................................................


3.2. Onda Eletromagnética................................................................................

4. Sinal Digital..........................................................................
4.1.Representação no Domínio da Frequência..................................................
4.2. Largura de Banda Digital............................................................................
4.3. Codificação de canal...................................................................................
4.4. Códigos de linha.........................................................................................
4.5. Códigos para detecção e correção de erro.................................................

5. Modulação............................................................................

5.1. Modulação de Sinais Analógicos.................................................................


5.1.1. Modulação em Frequência: FM (Frequency Modulation)...................................

5.2. Modulação de Sinais Digitais......................................................................


5.2.1. ASK (Amplitude Shift Keying)...........................................................................
5.2.2. FSK (Frequency Shift Keying)...........................................................................
5.2.3. PSK (Phase Shift Keying)..................................................................................

5.3. Banda do Sinal Modulado............................................................................


5.3.1. Quadrature Phase Shift Keying (QPSK).............................................................
5.3.2. Quadrature Amplitude Modulation...................................................................

6. Enlace de Comunicação.........................................................

6.1. Fatores de Degradação...............................................................................


6.1.1. Atenuação........................................................................................................
6.1.2. Distorção..........................................................................................................
6.1.3. Interferência.....................................................................................................
6.1.4. Ruído................................................................................................................

6.2. Enlace Analógico.........................................................................................


6.3. Enlace Digital..............................................................................................
6.4. Dimensionamento.......................................................................................
6.5. dB...............................................................................................................

7. Meios de Transmissão...........................................................

7.1. Par de fios trançados..................................................................................


7.2. Cabo Coaxial...............................................................................................
7.3. Espaço Livre................................................................................................
7.3.1. Antenas............................................................................................................
7.3.2. Perda no espaço livre.......................................................................................

7.4. Fibra Óptica................................................................................................


7.5 Multiplexação...............................................................................................
7.5.1. FDM..................................................................................................................
7.5.2. TDM..................................................................................................................

7.6. Múltiplo Acesso...........................................................................................


7.6.1. FDMA................................................................................................................
7.6.2. TDMA...............................................................................................................
7.6.3. CDMA...............................................................................................................

8. Tecnologias de Telefonia Móvel.............................................

8.1. Introdução...................................................................................................
8.2. Tecnologias de 2G......................................................................................
8.2.1. CDMA...............................................................................................................
8.2.2. GSM..................................................................................................................

8.3. Tecnologias de 2,5G...................................................................................


8.3.1. GPRS................................................................................................................
8.3.2. EDGE................................................................................................................
8.3.3. 1xRTT...............................................................................................................

8.4. Tecnologias 3G...........................................................................................


8.4.1. CDMA 1xEVDO.................................................................................................
8.4.2. WCDMA............................................................................................................

8.5. Tecnologia HSDPA.......................................................................................


8.6. Tecnologia HSPA.........................................................................................

1. Sistemas de Comunicação

1.1. Comunicação
Comunicação é o processo pelo qual informação é transferida de uma
pessoa para outra. Em um sentido mais amplo comunicação pode se dar
entre duas entidades, sejam elas pessoas, animais ou, como vem
ocorrendo mais recentemente, computadores.

A capacidade de se comunicar foi sem dúvida um dos componentes


principais para o desenvolvimento do homem. Esta capacidade evoluiu
através dos tempos de formas simples, como sons e gestos, até formas
complexas que diminuíram as distâncias e transformaram o mundo.

1.2. Sistema de Comunicação


A comunicação pode ser modelada como um sistema que permite que a
informação seja transferida de uma fonte para o seu destino.

A figura a seguir apresenta os componentes básicos de um sistema de


comunicação simples.

Exemplo: Comunicação por voz entre duas pessoas

Transmisso
Mecanismo de Transporte Receptor
r

Voz, ondas sonoras se propagando através


Boca Ouvido
do ar.

1.3. Condições para ocorrer comunicação


Para ocorrer a comunicação não é suficiente a existência dos
componentes de um sistema de comunicação. É necessário que a
atuação conjunta destes garanta que a informação seja compreendida
no destino da mesma forma que na fonte.

Ou seja, as pessoas não podem ser mudas (Transmissor OK), surdas


(Receptor OK), devem falar a mesma língua e estarem a uma distância
que permita a comunicação com o nível de ruído ambiente (barulho).

Este conjunto de regras que possibilita a comunicação é chamado de


protocolo de comunicação.

No passado, a transmissão de informação entre locais distantes era feita


por mensageiros que levavam mensagens escritas de um lugar para
outro.

Transmissor Mecanismo de Receptor


Transporte

Pessoa que escreve a


Pessoa que recebe
mensagem e a entrega ao Mensageiro
e lê a mensagem.
mensageiro.

Neste exemplo a informação teve que ser processada e colocada em


uma forma adequada ao mecanismo de transporte (forma escrita) antes
de ser transmitida. Pode-se dizer que a informação foi codificada. Esta é
uma técnica muito empregada em sistemas de comunicação.

1.4. Códigos e Sinais


A comunicação ocorre pelo transporte de sinais, como por exemplo, a
escrita ou a voz (ondas sonoras).

Código é uma convenção sobre o significado de sinais, ou sobre o


processo de recuperação da forma original de sinais modificados.

Os sistemas de comunicação que utilizam como mecanismo de


transporte de informação sinais elétricos, eletromagnéticos ou ópticos,
são denominados sistemas de telecomunicações.

Os sistemas de Telecomunicações foram desenvolvidos para possibilitar


a comunicação a distância e é esta a origem do termo. A palavra
Telecomunicações vem da combinação do prefixo grego "tele" que
significa distante com a palavra comunicação.

Os sistemas de telecomunicações buscam na maior parte das vezes


estabelecer a comunicação entre duas pessoas ou, como tem
acontecido mais recentemente, entre dois computadores. Este tipo de
comunicação é denominado ponto a ponto. A comunicação pode ser
também ponto-multi ponto como no caso do rádio e da televisão em que
a difusão da informação (broadcasting) ocorre para várias pessoas.

O elemento constitutivo básico de um sistema de telecomunicações é o


que viabiliza o transporte da informação de um ponto a outro através de
sinais elétricos, eletromagnéticos ou ópticos que se propagam em um
meio. Os sistemas e redes de telecomunicações são formados por
enlaces de comunicações como o representado na figura a seguir:
Exemplo: Telégrafo

O Telégrafo foi o primeiro sistema de telecomunicações desenvolvido


pelo homem. Foi inventado no século XIX por Samuel Morse, inventor do
código Morse, que desenvolveu um sistema em 1835.

1.5. Chave
No Telégrafo utiliza-se um circuito elétrico como o da figura acima para
apagar e acender uma lâmpada a quilômetros de distância através de
uma chave. A informação é enviada em código Morse onde as letras são
representadas por pontos e traços conforme a tabela.

____
A ._ H .... N _. U .._ 0 7 __...
_

.___
B _... I .. O ___ V ..._ 1 8 ___..
_

_. .__
C J P .__. W .__ 2 ..___ 9 ____.
_. _

__.._
D _.. K _._ Q __._ X _.._ 3 ...__ ,
_

E . L ._.. R ._. Y _.__ 4 ...._ . ._._.


_

F .._. M __ S ... Z __.. 5 ..... ? ..__..

G __. T _ 6 _.... 6 _....

No telégrafo uma piscada curta significa . (ponto) e uma piscada longa _


(traço). Entre palavras é feita uma pausa.

Assim, a informação em forma escrita pode ser representada


(codificada) por estes novos símbolos passíveis de serem transmitidos
na forma de acender uma lâmpada por um tempo curto ou longo.

Experimente utilizar o interruptor que acende uma lâmpada comum em


uma sala para enviar informações em código Morse.

Modelando o Telégrafo como um sistema de comunicação tem-se:

Recepto
Transmissor Mecanismo de Transporte
r

Lâmpad
Chave Corrente elétrica no par de fios.
a

1.6. Sinal elétrico


Ao utilizar o código Morse para enviar informação estamos produzindo
variações na corrente elétrica do circuito. Podemos representar a
corrente que passa pela lâmpada como variável no tempo conforme o
gráfico apresentado a seguir.

Este gráfico é a representação de um sinal elétrico. Entende-se sinal


como uma quantidade flutuante, tal como o valor de uma corrente ou
tensão, cujas variações representam informação.

Este sinal elétrico se propaga da chave para a lâmpada através dos fios
que são o meio de transmissão destes sinais. Ou seja, o mecanismo de
transporte neste sistema de telecomunicações pode ser descrito como
um sinal elétrico que se propaga em um meio de transmissão (par de
fios).

Qual informação o sinal elétrico da figura está


transportando?

Note que no Telégrafo a informação é transportada por um sinal que


pode assumir apenas dois estados. Trata-se de um sinal digital. O
primeiro sistema de telecomunicações desenvolvido pelo homem era
digital.

1.7. Repetidores
A transmissão de informações através de um enlace de comunicações
como o descrito para o telégrafo é possível até uma distância limitada.
Quanto maior a distância maior a atenuação que sofre o sinal até o
ponto em que passa ser difícil distinguir entre o valor zero e um. Para
viabilizar a transmissão a longa distância é preciso utilizar vários enlaces
como apresentado na figura.

O Telégrafo como sistema de telecomunicações pode ser constituído de


vários enlaces.
1.8. Comunicação entre pessoas

A comunicação entre pessoas através de sistemas de telecomunicações


desenvolveu-se principalmente na forma de comunicação de voz e sons
dando origem ao sistema telefônico e ao rádio. A transmissão de
imagens associadas ao áudio deu origem aos sistemas de TV aberta
existentes hoje. Estes sistemas eram na sua origem sistemas analógicos
como exemplificaremos a seguir com o sistema telefônico.

1.9. Telefone
O grande avanço que permitiu o desenvolvimento do telefone,
patenteado por Alexander Graham Bell em 1875, foi a descoberta de um
mecanismo que permitia a transformação da informação contida na Voz
(ondas sonoras) em variações de corrente em um circuito elétrico (sinal
elétrico) e vice-versa.

Esta transformação é representa pelo circuito elétrico apresentado na


figura a seguir, onde a chave do telégrafo foi substituída por um
microfone e a lâmpada pelo autofalante.

A comunicação entre pessoas através de sistemas de telecomunicações


desenvolveu-se principalmente na forma de comunicação de voz e sons
dando origem ao sistema telefônico e ao rádio. A transmissão de
imagens associadas ao áudio deu origem aos sistemas de TV aberta
existentes hoje. Estes sistemas eram na sua origem sistemas analógicos
como exemplificaremos a seguir com o sistema telefônico.

O microfone nada mais é que um dispositivo cuja resistência varia de


acordo com as ondas sonoras que recebe. A corrente no circuito varia de
forma análoga a variação da resistência produzindo um sinal elétrico.

No alto-falante a corrente produz um campo magnético variável no


tempo que faz vibrar uma membrana reproduzindo o som original.

Este processo pode ser representado pela figura a seguir para um


circuito telefônico simples.

Neste circuito telefônico a informação é transportada como variações no


valor da corrente que é análogo a informação que representa. Neste
caso a comunicação se dá através de um sinal elétrico analógico e a
comunicação é dita analógica.

O modelamento deste circuito telefônico como um sistema de


telecomunicações é:

Trans Recep
Mecanismo de Transporte
missor tor

Autof
microf Sinal elétrico analógico utilizando pares de
alant
one fios como meio de transmissão.
e

As distorções em amplitude, ruído e interferência produzem alterações


no sinal elétrico transmitido, sendo que os sinais analógicos são mais
susceptíveis a perda ou distorção da informação transmitida.

A possibilidade de converter voz em sinal elétrico deu origem a


Telefonia, termo utilizado para descrever a área do conhecimento que
trata da transmissão de voz e outros sons através de um sistema de
telecomunicações. O prefixo grego "tele" significa distante e fonia som
ou (timbre de) voz.

A necessidade de comunicação entre computadores, como representado


na figura a seguir, abriu um novo capítulo no desenvolvimento dos
sistemas de telecomunicações.

1.10. Comunicação entre computadores

O termo computador será utilizado aqui em um sentido amplo,


significando qualquer dispositivo eletrônico que processe informações.

As informações codificadas para serem utilizadas por computadores são


chamadas de dados. Os dados são normalmente codificados em um
sistema binário onde um sinal digital pode assumir dois estados: 0 e 1.

O código utilizado pela maioria dos computadores para representar


caracteres (letras, números, sinais de pontuação e símbolos especiais)
em um sistema binário de 0s e 1s é o ASCII - American Standard Code
for Information Exchange.

No ASCII cada caractere é representado por uma sequência de 8 bits


também chamada de byte como apresentado na tabela para alguns
caracteres.

Caract Representação
ere Binária

a 0110 0001

b 0110 0010
c 0110 0011

d 0110 0100

e 0110 0101

A comunicação interna a um computador é intensa. Ela ocorre entre a


CPU (microprocessador), as unidades de armazenamento de dados e as
de entrada e saída. Ocorre também entre os vários módulos de software
em processamento no computador.

Na comunicação entre computadores esta comunicação, principalmente


entre módulos de software, é estendida pelo envio de mensagens
utilizando sistemas de telecomunicações. Para que esta comunicação
seja possível é necessário que seja definido um protocolo de
comunicação entre estes computadores.

2. Onda
Na comunicação não se transportam objetos físicos e sim informação. O
Sinal elétrico é uma quantidade flutuante, tal como o valor de uma
corrente ou tensão, cujas variações representam informação.

Estas flutuações no sinal elétrico podem ser entendidas como


perturbações que se propagam no circuito elétrico. Uma perturbação
que se propaga é chamada de onda.

Exemplo

Ao falarmos em um microfone produzimos uma perturbação na corrente


elétrica que percorre o circuito telefônico. Esta perturbação é
denominada forma de onda do sinal elétrico.
2.1. Forma de onda senoidal
O sinal elétrico pode assumir vários tipos de formas de onda. A principal
forma de onda de um sinal analógico é a forma de onda senoidal
representada na figura a seguir, onde T é o período com que o sinal se
repete e 1/T é a frequência do sinal.

Sinais com forma de onda senoidal são importantes por que:

•São caracterizados por uma frequência (1/T);

•Sinais senoidais com frequências diferentes podem ser separados


através de filtros;

•Qualquer sinal analógico pode ser decomposto na soma de vários


sinais senoidais com amplitudes e frequências diferentes.

2.2. Frequência
A frequência é medida em Hertz, ou ciclos por segundo.

Exemplo: Corrente alternada

A corrente elétrica que chega a sua casa é uma corrente alternada com
a forma de onda da figura acima. É uma corrente (ou tensão) periódica
com frequência no Brasil de 60 Hertz ou 60 ciclos por segundo. Ou seja o
período T em que a forma de onda se repete é de 1/60 seg.
(aproximadamente 16,7 mês).
Qual a frequência das formas de onda Senoidais da figura a seguir?

Resposta

1 Hz e 10 Hz, pois elas tem respectivamente 1 ciclo e 10 ciclos no


intervalo de tempo de 1 segundo.

2.3. Fase
Fase é a posição de um sinal alternado em um determinado tempo. Em
um sinal senoidal a amplitude nula corresponde a 0 grau e a máxima a
90 graus.

2.4. Largura e Banda


Se vários sinais senoidais com frequências diferentes estiverem se
propagando em um meio de transmissão é possível separá-los utilizando
filtros como exemplificado na figura a seguir para formas de onda com
frequências 3F/2, F e F/2 representadas em gráficos no tempo e em
frequência.
Estes filtros permitem a passagem de uma pequena faixa de frequências
(banda) ao redor da frequência principal. É possível então a convivência
de vários sinais em um único meio de transmissão, desde que utilizando
frequências diferentes.

A utilização de filtros em um enlace de telecomunicações define uma


largura de banda que pode ser transmitida caracterizando um canal de
comunicação.

O sinais que utilizam uma faixa de frequências, cuja frequência mais


baixa está próxima de 0 Hz, são chamados de sinais na banda básica.

Exemplo: Canal de Voz

A Voz Humana é um conjunto de sons ou ondas acústicas com forma


senoidal em várias frequências diferentes. Estas frequências variam de
20 HZ a 20 KHz, mas testes demonstraram que se considerarmos
apenas os sons com frequências na faixa de 300 a 3400 Hz consegue-se
uma reprodução aceitável da voz.

Ou seja, o filtro que irá separar os sinais que representam a voz humana
em um sistema de telecomunicações deve ter uma largura de Banda de
300 a 3400 Hz. Para se evitar interferências adotou-se uma banda de 4
KHz (0-4KHz). Esta é a banda de um canal de voz em um sistema
telefônico.

2.5. Comprimento de onda


A figura a seguir representa a forma de onda senoidal em um gráfico em
que o eixo horizontal é a distância e não o tempo como nos gráficos
anteriores.

Comprimento de onda é a distância percorrida por uma onda em um


intervalo de tempo correspondente ao seu período. É medido
geralmente de crista a crista de ondas sucessivas.

3. Sinais Eletromagnéticos
No final do século dezenove, o físico alemão Heinrich Hertz demonstrou
que o campo eletromagnético se propaga no vácuo com a velocidade da
luz, conforme havia previsto Maxwell em 1864. Abriu-se desta forma a
porta para utilização de ondas eletromagnéticas para transmissão de
sinais de telecomunicações.

3.1. Campo eletromagnético


Uma corrente elétrica consiste num fluxo de partículas ou íons
carregados (cargas elétricas) e produz um campo elétrico e um campo
magnético também denominado campo eletromagnético.

Uma carga elétrica em repouso produz uma força sobre outra carga.
Esta força depende da posição de uma carga em relação a outra.
Qualquer região onde uma carga elétrica experimenta uma força é
chamada campo elétrico. A força é devida à presença de outras cargas
naquela região.

Magnetismo é uma manifestação de cargas elétricas em movimento.


Uma carga elétrica em movimento produz, além do campo elétrico, um
campo magnético. O campo total é denominado campo eletromagnético.
3.2. Onda Eletromagnética
Onda eletromagnética é uma perturbação do campo eletromagnético
que se propaga. Assim, se a corrente que produz um campo
eletromagnético é variável ela produz uma onda eletromagnética que se
propaga.

Assim, do ponto de vista de um enlace de telecomunicações, um sinal


elétrico produz um campo eletromagnético variável no tempo (onda
eletromagnética) que se propaga com a informação. Esta informação
pode ser, portanto, captada por um receptor que a converte novamente
em um sinal elétrico.

A antena é um dispositivo para irradiar ou captar de forma eficiente


ondas eletromagnéticas no espaço. A antena é caracterizada por um
Ganho (G) sendo utilizada tanto na transmissão quanto na recepção de
sinais.

A possibilidade da utilização de ondas eletromagnéticas para


transmissão de vários sinais em um mesmo ambiente, desde que em
frequências diferentes, levou a utilização gradativa de frequências nas
mais variadas aplicações como apresentado na figura.

As características da propagação das ondas eletromagnéticas em um


meio variam conforme a frequência o que explica a associação de faixas
de frequências com aplicações específicas. O uso do chamado espectro
de frequências eletromagnéticas é controlado por órgãos reguladores
como a UIT e a Anatel no Brasil.

Os sistemas de telecomunicações que utilizam ondas eletromagnéticas


se propagando no espaço livre para o transporte de informação são
conhecidos como Sistemas Wireless.

Como a onda se propaga no espaço livre com a velocidade da luz (c)


têm-se que:

Distância = velocidade x tempo, ou

Comprimento de onda = c x T
(período), ou

Comprimento de onda = c /
Frequência.

Os sistemas Wireless (Sem Fio) utilizam as ondas eletromagnéticas para


transmissão de sinais. São exemplos: o Rádio, Enlaces de Rádio Ponto a
Ponto e a TV.

4. Sinal Digital
Um sinal digital é aquele que assume valores discretos como
apresentado na figura a seguir.

No telégrafo o sinal digital que transportava a informação era gerado


pelo acionamento manual de uma chave. Este envio pode ser
automatizado estabelecendo-se uma periodicidade no envio destas
informações, o que facilita a sua recepção.

Em um sistema que transmite sinais digitais de forma periódica as


transições do sinal elétrico de um estado para outro ocorrem a cada
período de tempo T.

Estas transições de estado do sinal (que podem ocorrer ou não) são


chamadas de símbolos. A taxa de transmissão é medida em símbolos
por segundo ou baud, denominada taxa de sinalização ou taxa do sinal.

Para um sinal digital que só pode assumir dois estados, a taxa de


informação medida em bits/segundo é igual a taxa de sinalização
(baud). Se, no entanto o sinal puder assumir mais de um estado estas
taxas serão diferentes.

Exemplo

O sinal digital da figura transmite 10 símbolos em 1 segundo, ou seja, a


sua taxa de sinalização é de 10 símbolos por segundo, ou 10 Bauds.

Cada símbolo pode assumir 4 estados: 0, 1, 2 e 3.

Cada estado pode ser representado por um conjunto de 2 bits com


valores 0 ou 1 conforme a tabela:

Estado
Conjunto
do
de 2 bits
Símbolo

0 00

1 01

2 10

3 11

Cada símbolo representa dois bits. A taxa de informação é de 20 bits/s.

O número (M) de estados de um símbolo necessário para representar


um padrão de n bits é dado pela expressão:

M = 2n estados de um símbolo
n Padrão de Bits M

1 0 ou 1 2

2 00, 01, 10 ou 11 4

000, 001, 010, 100, 011, 101,


3 8
110 ou 111

Para um símbolo que pode assumir M estados representando um padrão


de n bits, a taxa de informação transportada por este sinal será de n x
taxa de símbolos.

4.1.Representação no Domínio da Frequência


Qualquer sinal analógico, como a voz, pode ser decomposto na soma de
vários sinais senoidais com amplitudes e frequências diferentes. E um
sinal digital? O que acontece quando um sinal digital passa através de
um filtro?

Um sinal digital periódico também pode ser decomposto na soma de


vários sinais senoidais. Seria, no entanto necessário um número infinito
de sinais senoidais para representar com exatidão um sinal digital. Isto
implicaria em ocupar todo o espectro de frequências em um dado meio
de transmissão.

Exemplo: Onda Quadrada

Pode-se demonstrar matematicamente que uma onda quadrada pode


ser representada pela expressão:

sen(2¶ F t) +(1/3) sen(2¶ 3F t) + (1/5) sen(2¶ 5F t) + (1/7) sen(2¶ 7F t)


+ ....

Ou seja, um somatório de ondas senoidais com frequências harmônicas


como representado na figura do espectro apresentada a seguir.
Para transmitir este sinal em um meio é preciso limitar o seu espectro
através de um filtro. Dependendo da largura de banda do filtro o sinal
terá uma forma.

A figura a seguir apresenta a forma de onda de uma onda quadrada,


após passar por um filtro, em função dos componentes de frequência
que estão na banda do filtro.

Como a informação a ser transmitida está representada por níveis


discretos a banda necessária para transmissão deste sinal digital
depende da capacidade do receptor em detectar corretamente este
nível apesar das flutuações no sinal, e regenerar o sinal original.

Na figura acima uma onda quadrada ao passar por um filtro que só deixa
passar as frequências F e 3F se transforma em um sinal que pode ser
depois regenerado recuperando-se a forma de onda quadrada original.

Um sinal digital periódico pode ser decomposto na soma de vários sinais


senoidais. O seu espectro é formado por um conjunto discreto de
valores. Em sistemas de telecomunicações, no entanto os sinais não são
periódicos, pois os pulsos não se repetem e a duração da comunicação é
limitada no tempo.

Estes sinais também podem ser representados no espectro de


frequências só que por um contínuo de frequências ocupando certa
banda.

Um sinal digital tem uma largura de banda infinita. Por razões


econômicas e práticas todo sinal digital para ser transmitido em um
sistema de telecomunicações é aproximado por um sinal de banda
limitada.

Limitar a banda de um sinal digital cria distorções, o que torna a


interpretação do sinal recebido mais difícil. Quanto mais limitada a
banda, maior a distorção, e maior o potencial de erro no receptor.

Critério de Nyquist

Para um sinal digital com uma dada taxa de símbolos (Ts) a questão
que se coloca é:

Qual a banda do filtro (B) de modo a que o sinal possa ser reconstruído
pelo receptor?

Nyquist demonstrou que: B >Ts/2

Ou seja,

A máxima taxa de símbolos que pode ser transmitida em uma banda B


é de 2B pulsos/seg.

A capacidade de um canal de comunicações é portanto:

C = 2 B log2 M bits/s

O que acontece se for transmitido um sinal com taxa de símbolos maior


que duas vezes a banda?

Como o filtro provoca o espalhamento da forma retangular dos pulsos do


sinal, um pulso começa a interferir no outro o que pode provocar erros
na recepção do sinal. Este tipo de interferência é chamada de
interferência Inter símbolo.

Exemplo: Transmissão de dados através de um canal de voz


Um Canal de voz em um sistema de telecomunicações tem uma banda
de 4 KHz. Suponha que se deseje utilizar este canal para transmitir
dados. Pergunta-se:

•Qual a maior taxa de símbolos que pode ser utilizada neste canal?

•É possível utilizar este canal para comunicação com uma taxa de 64


kbit/s?

Resposta:

Como a frequência mais alta da banda é de 4 KHz, pelo critério de


Nyquist a maior taxa de símbolos que pode ser utilizada é de 8 Kbaud.

A taxa de bits depende no número de estados por símbolo assim:

n M (Estados) Taxa de bits

1 2 8 kbit/s

2 4 16 kbit/s

3 8 24kbit/s

4 16 32kbit/s

5 32 40kbit/s

6 64 48 kbit/s
7 128 56 kbit/s

8 256 64 kbit/s

4.2. Largura de Banda Digital


Como, pelo critério de Nyquist, a taxa de transmissão de dados está
relacionada com a largura de banda do sinal, algumas pessoas chamam
a taxa de transmissão de dados medida em bits/s de largura de banda
digital. Está aí a origem da expressão banda larga aplicada a sistemas
com altas taxas de transmissão de dados.

Informações geradas por uma fonte na forma de sinais analógicos


precisam ser digitalizadas para serem transportadas por um sistema
digital.
Esta conversão do analógico para digital é feita na origem e revertida no
destino da informação. É possível desta forma transportar voz e vídeo
por exemplo, em sistemas digitais.

Exemplo: Digitalização da voz

Como um sinal de voz pode ser convertido em formato digital e depois


recuperado como sinal analógico?

O método mais utilizado é o PCM (Pulse Code Modulation).

O sinal de voz analógico é amostrado a intervalos de tempo periódicos


sendo aproximado por valores constantes neste intervalo. O sinal
digitalizado passa a ter o formato de pulsos e é uma aproximação do
sinal analógico original.

A amplitude pode assumir valores dentro de uma faixa pré-determinada.


Este valores numéricos podem ser representados por 0 e 1 sendo o sinal
digitalizado convertido em um trem de bits para transmissão. Na
recepção a onda quadrada que representa o sinal de voz é recuperada.

Quanto maior for a frequência de amostragem e o número de níveis em


amplitude que este sinal pode assumir (quantuns) melhor será esta
aproximação. Isto implicará, no entanto na necessidade de uma maior
taxa de bits para sua transmissão.

Com relação a taxa de amostragem existe um critério, conhecido como


critério de Nyquist, que diz que a frequência de amostragem do sinal
analógico tem que ser no mínimo duas vezes a frequência do sinal
analógico.

O PCM estabeleceu a seguintes condições para amostragem do sinal de


voz de forma a garantir uma boa qualidade na conversação.

Taxa de = 8000 amostras por segundo


= 2 x 4 KHz (frequência máxima em um canal de
amostragem
voz)

Níveis de = 256, que pode ser representado por um sinal de 8


quantização bits.

= 64 kbit/s
Taxa de dados
= 8.000 amostras x 8 bits

Existem outros padrões de digitalização de voz que buscam reduzir a


taxa de transmissão de dados. Na telefonia celular por exemplo utilizam-
se codificadores de voz (Vocoder) que conseguem transmitir a voz com
taxas menores (9 a 14 kbit/s).

4.3. Codificação de canal


A codificação é utilizada em um canal de comunicação de modo a
melhorar a confiabilidade com que a informação é transmitida,
permitindo que erros na transmissão sejam detectados e corrigidos.

Apresenta-se aqui um sumário dos tipos de códigos utilizados.

4.4. Códigos de linha


Códigos de linha são os códigos referentes ao formato do sinal digital.
Eles são utilizados na transmissão de um sinal digital de modo a eliminar
uma longa sequência de 0’s ou 1’s reduzindo a probabilidade de erro na
transmissão.

Os principais são:

1= nível alto
Nonreturn to Zero (NRZ)
0= nível baixo

Nonreturn to Zero 0= nenhuma transição no início do intervalo


Inverted (NRZI) 1= transição no início do intervalo
Manchester 0= transição de alto para baixo no início do
intervalo
1= transição de baixo para alto no meio do
intervalo
0= nenhum sinal
AMI 1= nível positivo ou negativo alternando para
1s sucessivos.
Exemplo:

4.5. Códigos para detecção e correção de erro


Estes códigos adicionam bits aos dados permitindo que erros sejam
detectados e corrigidos no receptor.

Exemplo: Parity Check (Verificação de Paridade)

É um bit único (0 ou 1) adicionado a uma palavra de dados de tal modo


que o número de 1's na nova palavra de dados é par, para paridade par,
ou ímpar, para paridade ímpar.

011010
Palavra de dados com 8 bits
10

011010 Palavra com um bit a mais para paridade


100 par

O Check de paridade permite detectar 1 erro, outros códigos permitem


detectar mais de um erro.

A detecção de erros através de códigos permite que sejam


implementados em um enlace um protocolo de comunicações que em
caso de erro, envie uma solicitação para que a informação seja
transmitida novamente.

Uma outra categoria de códigos são os que detectam e corrigem os


erros também chamados de FEC (Forward Error Correction). Existem
dois tipos principais de FEC's:

•Códigos de Bloco, onde um grupo (ou bloco de bits) é processado


como um todo de modo a criar um novo (maior) bloco codificado
para transmissão. Existe uma família geral de códigos de bloco
conhecida como BCH (Bose-Chaudhuri-Hocquenhem), descoberta
entre 1959 e 1960, e que engloba códigos deste tipo como o
Código de Hamming e o Reed-Solomon;

•Códigos Convolucionais, que operam em um trem de bits gerando


em tempo real um novo trem de bits codificado. O principal
algoritmo utilizado para decodificação de código convolucionais é
o algoritmo de Viterbi.

Como este tipo de códigos acrescenta bits aos dados a serem


transmitidos a taxa de informação útil ou do usuário transmitida passa a
ser menor que a taxa de bits do enlace.

5. Modulação
Em um sistema de telecomunicações as informações são originalmente
representadas por sinais na banda básica. Sinais na banda básica são
aqueles que utilizam uma faixa de frequências, cuja frequência mais
baixa está próxima de 0 Hz.

A principal função da modulação é permitir que estes sinais de banda


básica sejam transmitidos em frequências mais altas possibilitando a
ocupação do espectro eletromagnético.

Para cumprir esta função a modulação faz uso de uma senóide como
portadora (carrier) com a forma de onda representada na figura a
seguir.

Modulação é a sistemática alteração de uma onda portadora de acordo


com o sinal que contém a informação (sinal modulante).

A figura a seguir representa de forma simplificada um sistema em que


um sinal modulante (analógico ou digital) modula uma portadora
gerando um sinal modulado na banda de transmissão. Este sinal ao ser
recebido no receptor é demodulado recuperando-se o sinal original na
banda básica.

O que é possível variar em uma portadora de modo a transportar


informação?

A amplitude, a frequência, a fase ou uma combinação delas.

A banda ocupada por um sinal modulado é maior que a banda de um


sinal na banda básica.

Apresenta-se a seguir as técnicas de modulação utilizadas para sinais


analógicos e digitais.

5.1. Modulação de Sinais Analógicos


Uma portadora pode ser modulada por sinais analógicos como a voz
dando origem às modulações apresentadas a seguir.

Modulação em Amplitude: AM (Amplitude Modulation)


Na modulação AM a envoltória do sinal modulado tem o mesmo formato
do sinal modulante.

5.1.1. Modulação em Frequência: FM (Frequency


Modulation)

Na Modulação FM a frequência da portadora varia com a frequência do


sinal Modulante.

Exemplo: Rádio AM e FM

Nas transmissões de Radiodifusão o sinal em banda básica é modulado e


transmitido em uma frequência mais alta. Na Banda de 1 MHZ para os
rádios AM e na Banda de 100 MHz para os rádios FM.

A melhor qualidade das transmissões em FM se deve ao fato deste tipo


de modulação ser menos sensível a distorções e ruído que a modulação
em Amplitude.

Os sinais podem ser também modulados em fase sendo este tipo de


modulação conhecida como PM (Phase Modulation).
5.2. Modulação de Sinais Digitais

Uma portadora pode também ser modulada por um sinal digital como o
da figura acima dando origem às modulações apresentadas a seguir.

5.2.1. ASK (Amplitude Shift Keying)


Modulação em amplitude, onde o "0" corresponde a nenhuma
transmissão e o "1" a transmissão em uma frequência f (portadora).

5.2.2. FSK (Frequency Shift Keying)


Modulação em frequência onde o "0" corresponde a transmissão da
frequência f1 e o "1" a frequência f2.

5.2.3. PSK (Phase Shift Keying)


Modulação em fase onde a transmissão é feita em uma frequência f1
mas a fase do sinal é diferente para os valores 0 e 1.

Este tipo de modulação PSK é também conhecida como BPSK (Binary


PSK).

5.3. Banda do Sinal Modulado


A banda ocupada pelo sinal modulado é maior que a banda do sinal na
banda básica conforme apresentado na tabela a seguir.

Modula
Banda Ocupada
ção

ASK 2 Banda Básica


Depende da diferença f1 -
FSK
f2
PSK mesma que ASK

Os esquemas de modulação para sinais digitais apresentados aplicam-se


a sinais binários. Para aumentar a taxas de dados transmitida em uma
banda é necessário utilizar esquemas de modulação com mais estados.

Esta é uma área de desenvolvimento constante, onde se procura


desenvolver esquemas de modulação que façam um uso mais eficiente
do canal de comunicação. Os principais esquemas utilizados são:

5.3.1. Quadrature Phase Shift Keying (QPSK)


O QPSK faz uso de uma propriedade de ortogonalidade dos sinais que
faz com que se forem transmitidos simultaneamente em um canal dois
sinais PSK defasados de 90º (seno e cosseno) é possível detectar cada
um independentemente do outro.

Trata-se, portanto, de um esquema de modulação com 4 estados nas


fases 0º, 90º, 180º e 270º. O que significa que na mesma banda de um
sinal PSK é possível transmitir uma taxa de dados duas vezes maior
utilizando modulação QPSK. a modulação QPSK deu origem a uma
família de esquemas que inclui o DQPSK, ¶/4 QPSK e OQPSK entre
outros.

5.3.2. Quadrature Amplitude Modulation


Neste esquema de modulação procura-se combinar variações de
amplitude e fase para gerar os estados. Considere por exemplo um sinal
QPSK com 4 estados. Se a amplitude tiver também 4 estados existirão
16 estados possíveis, o que é conhecido como 16-QAM.

6. Enlace de Comunicação
No módulo 1 de introdução deste curso foi apresentado um diagrama
simplificado de um enlace de comunicação.

Nos módulos seguintes foi apresentado como este sinal é processado de


modo a ser transmitido de uma forma mais adequada em um meio de
transmissão.

A figura a seguir apresenta a representação de um enlace de


comunicação analógico. Neste caso, a fonte de informação gera um sinal
analógico que é modulado e transmitido através do meio de
transmissão. Nesta representação o Transmissor e o Receptor incluem a
antena quando aplicável.
Para um enlace de comunicação digital a informação tem que ser
codificada antes de ser modulada como representado na figura a seguir.

Neste caso, antes de serem modulados, os dados em forma analógica ou


digital são inicialmente codificados em formato digital e codificados
novamente de modo a permitir a detecção e correção de erros na
transmissão.

A representação acima dos enlaces de comunicação analógicos e


digitais pode ser utilizada também para representar canais de
comunicação analógicos e digitais, caso existam vários canais de
comunicação em um enlace ou sistema de telecomunicações, como será
apresentado no módulo sobre multiplexação.
6.1. Fatores de Degradação
Para ocorrer a comunicação é necessário que a informação transmitida
seja compreendida no destino da mesma forma que na fonte.

Os sinais transmitidos em um enlace de comunicação podem ser


distorcidos e sofrer interferência de modo a que o sinal recebido não é
exatamente igual ao transmitido, o que pode prejudicar a comunicação.

Os principais fatores de degradação são:

6.1.1. Atenuação
Uma das degradações que o sinal sofre em um enlace de
comunicação é sua atenuação ou diminuição de potência. Ela
ocorre devido a perdas no meio em que o sinal se propaga.

6.1.2. Distorção
Pode ocorrer no transmissor, receptor ou canal pelas variações no
nível do sinal, frequência ou fase. Exemplo: No transmissor e no
receptor são utilizados amplificadores que podem apresentar
variações de ganho com a frequência, ou seja, amplificam a
amplitude do sinal de forma diferente dependendo da frequência.

6.1.3. Interferência
Contaminação do canal de comunicações no enlace por sinais
estranhos gerados por outros sinais de comunicações ou outros
sistemas como sistemas de partida de carros, linhas de transmissão
ou máquinas.

6.1.4. Ruído
Ruído aleatório gerado por sinais elétricos não previsíveis de fontes
naturais. Exemplo: ruído atmosférico e ruído térmico.

Devido a estes fatores o sinal analógico no receptor de um enlace de


comunicações nunca é exatamente igual ao sinal transmitido.
6.2. Enlace Analógico
Em um enlace analógico o nível aceitável de reprodução do sinal na
recepção é caracterizado pela relação entre a potência do sinal e o ruído
na banda deste sinal.

Em um sistema de telecomunicações analógico com vários enlaces, é


preciso considerar a contribuição de cada enlace na degradação do sinal
através do sistema.

6.3. Enlace Digital


Em um sistema digital o que se procura é reconstituir o sinal em termos
de níveis digitais. O parâmetro que mede a performance é a taxa de
erros por bit recebido ou BER, que está também relacionada a relação
entre a potência do sinal e o ruído na banda do sinal recebido.

Como em um sistema digital é possível regenerar o sinal original em


cada enlace digital, a qualidade da comunicação pode ser mantida
através de vários enlaces de um sistema.

6.4. Dimensionamento
Para não haver perda de informação em um enlace de telecomunicações
é necessário garantir que o sinal seja recebido com um nível mínimo de
potência. Este nível é determinado em função da relação entre a
potência do sinal e do ruído necessária para garantir a reprodução do
sinal original no destino.
Conhecido este nível mínimo é possível dimensionar o sistema e
determinar a potência do sinal no transmissor. O sistema é
dimensionado para trabalhar com estes valores considerando margens
devido a ruído que podem prejudicar a comunicação.

6.5. dB
Normalmente a diferença entre a potência transmitida e recebida é
muito grande (> 1000 vezes). Para facilitar o dimensionamento dos
sistemas foi criada uma unidade de medida dB para a relação entre duas
potências definida como 10 log10 (P1/P2), onde P1 é a potência do
transmissor e P2 a do receptor.
P1/P2 dB

1 0

2 3

10 10

100 20

1000 30

Quando P2 é igual a 1 mW o resultado é chamado de dBm.

Quando P2 é igual a 1 W o resultado é chamado de dBW.

Exemplo:

Um sinal é transmitido com 60 dBm e chega ao receptor com 10 dBm.


Qual a perda no canal de comunicação?

Resposta: 60 dBm - 10 dBm = 50 dB.

7. Meios de Transmissão
Os principais meios de transmissão utilizados em sistemas de
telecomunicações:

7.1. Par de fios trançados


O par de fios trançados é um dos meios de transmissão mais utilizados
em sistemas de telecomunicações devido a seu baixo custo e facilidade
de manuseio.

O circuito telefônico entre um assinante e a Central Telefônica, por


exemplo, é implementado utilizando um par de fios trançados.

Um par de fios trançados é formado por 2 fios de cobre, cobertos por


isolantes plásticos e enrolados em espiral. Os fios são trançados de
modo a reduzir a radiação de campos eletromagnéticos evitando a
interferência em outros pares conhecida como linha cruzada (crosstalk).

7.2. Cabo Coaxial


Guias de onda são estruturas desenvolvidas para concentrar a energia
de ondas eletromagnéticas. Quanto maior a frequência, maior o campo
eletromagnético gerado por uma corrente em um fio. Os guias de onda
procuram confinar estes campos evitando interferências. O guia de onda
mais popular é o cabo coaxial representado na figura a seguir.

O cabo coaxial é composto por um condutor interno geralmente de


cobre, um material isolante conhecido com dielétrico, um outro condutor
utilizado como blindagem em volta do isolante, e uma cobertura.

O cabo coaxial apresenta uma imunidade a ruído maior do que a do par


trançado e perdas típicas de 7 dB/Km.

Suas aplicações principais são as redes de TV por cabo (CATV), que


distribuem canais de TV em frequências de até 500 MHz, e redes locais
(LAN) de computadores.

7.3. Espaço Livre


Os sistemas de telecomunicações que utilizam o espaço livre como meio
de transmissão são conhecidos como sistemas "wireless" ou sem fio.
Sistemas Celulares, Enlaces de Rádio, Satélites, Rádio e TV são
exemplos de sistemas wireless.

Os sistemas wireless fazem uso do espectro de frequências


representado na figura a seguir:
A utilização do espectro eletromagnético é controlada pelos vários
países, sob coordenação mundial da UIT, de modo a promover uma
ocupação ordenada, possibilitando o compartilhamento entre vários
sistemas. No Brasil a Anatel dispõe de uma tabela de alocação de
frequências para os vários tipos de serviços e é responsável por
autorizar o uso para uma aplicação particular.

7.3.1. Antenas
Em um enlace "wireless" as ondas eletromagnéticas são irradiadas no
espaço livre por dispositivos denominados antenas, que são também
utilizadas para captar estas ondas como apresentado na figura a seguir.
A capacidade de uma antena em irradiar ou captar ondas
eletromagnéticas é caracterizada pelo seu Ganho.

7.3.2. Perda no espaço livre


Um enlace "wireless" além de estar sujeito a ruído e interferência
apresenta uma atenuação intrínseca denominada de perda no espaço
livre.

As ondas eletromagnéticas se propagam no espaço como ondas


esféricas sendo esta a forma com que a energia se dispersa. Este
fenômeno introduz uma perda que varia com a frequência e o inverso do
quadrado da distância (d), sendo igual a:

Esta perda em dB pode ser calculada pela seguinte expressão com d em


Km e f em MHz:

Perda no espaço livre = 32,5 + 20 log10 (d) + 20 log10 (f)

Exemplo: Perda no espaço livre em sistemas Celulares

Os sistemas Celulares das bandas A e B operam na faixa de 800 MHz e


os da Banda D e E na faixa de 1800 MHz. Qual dos sistemas apresenta
um enlace mais desfavorável? Qual a diferença em dB?

Resposta:

Para distâncias iguais a diferença entre os valores de perda no espaço


livre para estas faixas será:

Perda Banda A e B - Perda Banda D e E = 20 log10 (800) - 20 log10


(1800) = 38,06 - 65,1= - 27,04 dB

Ou seja, um sistema nas Bandas D e E apresenta uma desvantagem de


27 dB no enlace em relação a um sistema na Banda A ou B.

7.4. Fibra Óptica


A fibra óptica é um cilindro de SiO2 (vidro) com núcleo e revestimento
com índices de refração diferentes. Utilizada para transmissão de
informações, apresenta atenuação extremamente baixa possibilitando a
transmissão de alta capacidade.

A fibra óptica é considerada o meio de transmissão ideal. Permite a


transmissão de altas taxas de dados, é imune a interferência, apresenta
baixa atenuação (0,2 a 04 dB/km), tem isolamento elétrico, não emite
radiação eletromagnética e é pequena e leve.
Apresenta, no entanto um custo elevado principalmente pela dificuldade
de manuseio e exigência de cuidados especiais em emendas e
conexões.

A fibra óptica é o meio de transmissão utilizado pelos sistemas de


transmissão de alta capacidade que interligam por terra ou por mar as
várias partes do mundo.

7.5 Multiplexação
No contexto de sistemas de telecomunicações, multiplexação é a
técnica utilizada para permitir a existência de vários canais de
comunicação em um mesmo meio de transmissão. A multiplexação pode
ser por frequência (FDM) ou por tempo (TDM).

7.5.1. FDM
A primeira forma de compartilhar um meio de transmissão entre vários
canais de comunicação é a multiplexação por divisão de frequência que
consiste no estabelecimento de frequências diferentes para cada canal
como mostrado na figura.

O equipamento que faz a multiplexação e demultiplexação,


representado como Mux e De-Mux, é chamado de Multiplex. O multiplex
FDM compartilha o meio de transmissão “somando” as frequências dos
diversos canais de entrada.

7.5.2. TDM
Uma outra forma de compartilhar o meio de transmissão é a
multiplexação por divisão no tempo, em que são alocados intervalos de
tempo periódicos (slots) para cada canal. Os vários canais são
transmitidos através de um sinal de maior taxa, conforme mostra a
figura.
O multiplex TDM faz a multiplexação e a demultiplexação (Mux e De-
Mux). Ele transmite 1 bit de cada canal em um determinado slot de
tempo. No exemplo da figura, a cada 4 slots de tempo é transmitido 1
bit de um determinado canal.

Além da multiplexação por intercalamento bit a bit apresentada, esse


processo pode ser feito por intercalamento byte a byte. Desta forma, a
cada slot de tempo é transmitido um byte (ou caractere) de cada canal.

Em um multiplex TDM, canal é a sequência de slots dedicada a uma


determinada fonte, frame a frame. Os canais de entrada/saída são
denominados tributários, e o canal de transmissão é denominado
agregado.

O frame ou quadro é o intervalo de tempo em que cada sequência é


repetida. De forma geral cada frame contém indicadores de início e fim
de frame, cabeçalho com informações de controle da transmissão, a
informação útil propriamente dita e a informação de verificação de
validade do frame, conforme mostra a figura abaixo.

A informação útil (ou payload) é composta pelos dados obtidos a partir


da multiplexação dos canais de entrada. Os outros campos do frame
contêm as informações de controle e verificação que implementam e
organizam o sistema de comunicação.

Desta forma, num dado meio de transmissão o envio de uma sequência


de frames ao longo do tempo configura um canal de transporte de um
sistema de comunicação de dados. A informação útil contém os canais
de entrada multiplexados, organizados através de slots de tempo,
conforme mostra a figura a seguir.
Dado um canal de comunicação de dados com banda e relação sinal
ruído fixas, a capacidade do sistema é a taxa máxima na qual a
informação pode ser transmitida por esse sistema.

Os dados dos canais de entrada podem ou não ser gerados de forma


sincronizada, ou seja, embora os sinais tenham a mesma velocidade de
transmissão, eles podem ser gerados em instantes distintos.

Estabelecer o sincronismo entre esses sinais representa uma forma


importante para garantir a sua transmissão sem perder ou causar erros
na leitura de cada sinal.

7.6. Múltiplo Acesso


A necessidade de aumentar a capacidade de comunicação dos sistemas
levou ao compartilhamento crescente de meios de transmissão por
vários canais de comunicação.

Considere o enlace de comunicação representado na figura a seguir:


Existem várias formas de canais compartilharem um mesmo meio de
transmissão, tais como:

•Vários enlaces em um meio ocupando bandas de frequências


diferentes;

•Vários canais multiplexados em um mesmo enlace, como na figura a


seguir:

Outra forma de compartilhamento de meio de transmissão ocorre em


sistemas ponto multiponto em que vários transmissores utilizam um
mesmo meio de transmissão para acessar um receptor como
representado na figura:

Múltiplo acesso é uma forma de compartilhamento de um meio de


transmissão em que vários transmissores se comunicam com um
mesmo receptor. Exemplos clássicos de múltiplo acesso são
encontrados em sistemas celulares e em comunicação via satélite como
apresentado na figura a seguir:
As principais formas de múltiplo acesso empregadas nesses sistemas
são:

•FDMA: Frequency Division Multiple Access ou Múltiplo Acesso por


Divisão de Frequência;

•TDMA: Time Division Multiple Access ou Múltiplo Acesso por Divisão


no Tempo;

•CDMA: Code Division Multiple Access ou Múltiplo Acesso por Divisão


de Código.

Elas serão apresentadas a seguir.

7.6.1. FDMA
A forma mais simples de múltiplo acesso é o Múltiplo Acesso por Divisão
de Frequência (FDMA).

No FDMA a banda de frequências do receptor é dividida em vários canais


que são utilizados pelos vários transmissores.

Exemplo: Sistema AMPS de telefonia Celular.


O AMPS é o sistema de telefonia celular analógico que foi adotado no
Brasil.

Um sistema Celular AMPS utiliza uma faixa de frequências em 800 MHz


(Banda A ou B) alocada a uma operadora.

Esta Banda, utilizada para a comunicação entre o terminal celular e a


Estação Rádio Base (ERB), é dividida em canais de RF, onde cada canal
consiste de um par de frequências (Transmissão e Recepção) com 30
kHz de banda cada. Um destes canais é alocado e permanece dedicado
a uma chamada durante toda a sua duração.

7.6.2. TDMA
No TDMA os vários transmissores utilizam a mesma banda de
frequências em intervalos de tempo diferentes.

A exemplo da multiplexação por divisão no tempo (TDM) são alocados


slots de tempo em um frame para os vários canais de transmissão.

Exemplo: Sistemas Celulares TDMA (IS-136) e GSM.

O GSM e o TDMA (IS-136) são uma combinação de FDMA e TDMA.


Utilizam o múltiplo acesso por divisão no tempo (TDMA) em canais com
bandas de 200 KHz e 30 KHz respectivamente.
O TDMA (IS-136) mantém toda a estrutura de canalização do AMPS mas
permite que um canal seja compartilhado no tempo por vários usuários
através de múltiplo acesso por divisão no tempo (TDMA).

A estrutura de transmissão de dados é implementada através de um


frame de 40 ms com 6 intervalos (slots) de tempo com 6,66 ms cada.

Cada chamada telefônica utiliza dois intervalos de tempo sendo,


portanto, possíveis até 3 conversações utilizando a mesma banda de 30
kHz de um canal de voz do AMPS.

No GSM cada canal tem um frame de 4,625 ms que é dividido em 8


intervalos de tempo (slots) com 576,9 µs cada.

7.6.3. CDMA
No Múltiplo Acesso por Divisão de Código (CDMA) os vários
transmissores utilizam ao mesmo tempo uma mesma banda de
frequências. O múltiplo acesso é feito pela utilização de códigos
diferentes pelos vários canais.

A informação é extraída destes canais conhecendo-se a chave específica


com a qual cada canal é codificado. Estes códigos permitem que seja
possível a recuperação do sinal original no canal na presença de outros
sinais utilizando a mesma banda.

A técnica de codificação mais utilizada em sistemas CDMA é o


espalhamento espectral (spread spectrum), na qual o sinal de
informação é codificado utilizando-se uma chave de código que provoca
o seu espalhamento espectral em uma banda transformando-o
aparentemente em ruído.

Os códigos utilizados podem ser ortogonais (Walsh) ou PN (“Pseudo-


noise”). Um bit deste tipo de código é conhecido como "chip" e a taxa de
bits deste código é chamada de “chip rate”. Este tipo de espalhamento
espectral é denominado espalhamento espectral por sequência direta.

No CDMA cada sinal contribui para aumentar o nível de ruído na banda o


que estabelece um limite de canais como apresentado na figura a
seguir.

Uma analogia utilizada para explicar o CDMA é a seguinte. Considere


uma sala onde várias pessoas conversam, mas cada grupo utiliza uma
língua diferente. Cada pessoa estará sintonizada na língua do seu
interlocutor e desconsiderará o que é falado pelos demais (ruído).

Existirá um ponto em que o nível de ruído é muito alto, muitas pessoas


falando ou algumas falando muito alto, e será impossível a
comunicação. Os códigos do CDMA são como as várias línguas utilizadas
nesta analogia.

Exemplo: Sistema Celular CDMA (IS-95).

O CDMA (IS-95) utiliza canais de 1,25 MHz de banda e códigos de


(Walsh) ou PN (“Pseudo-noise”) para que seja possível a comunicação
simultânea de vários terminais móveis com uma ERB.
8. Tecnologias de Telefonia Móvel

8.1. Introdução
Os sistemas de telefonia móvel surgiram na década de 80. Eram
analógicos em seus diversos formatos e desenvolvidos em um ambiente
onde a única necessidade era a de tráfego de voz e foram chamados de
primeira geração (ou 1G). Em pouco tempo, a popularização
proporcionou a esses sistemas alcançarem sua máxima capacidade.

Os esforços para expansão desta capacidade levaram ao


desenvolvimento dos sistemas de telefonia móvel de segunda geração
(ou sistemas de 2G), que passam a utilizar modulação digital,
possibilitando o aumento da capacidade de usuários no sistema e o da
quantidade de serviços (SMS, MMS etc.). Alguns destes sistemas ainda
estão em uso, tendo como seus principais padrões as tecnologias TDMA
(Time Division Multiple Acess) e CDMA (Code Division Multiple Access).

A crescente demanda por serviços para transmissão de dados em altas


velocidades para dispositivos móveis foi a justificativa para o
desenvolvimento dos sistemas de terceira geração (ou 3G). A migração
das operadoras para um novo sistema de 3G envolve grandes
investimentos, de modo a minimizar custos nesta transição, buscou-se o
desenvolvimento de padrões que facilitassem a evolução a partir dos
padrões de 2G já existentes, dando origem a duas grandes linhas de
evoluções tecnológicas: o UMTS (“Universal Mobile Telecommunications
System” ou Sistema de Telefonia Móvel Universal), adotado como
padrão de 3G desenvolvido para evolução de sistemas de 2G baseados
na tecnologia GSM e o CDMA-2000, padrão de 3G desenvolvido para
evolução de sistemas de 2G baseados na tecnologia CDMA.

Tabela 1: Evolução dos Sistemas de Telefonia Móvel.


8.2. Tecnologias de 2G

8.2.1. CDMA
O CDMA (Code Division Multiple Access) é uma tecnologia que utiliza
técnicas de espalhamento espectral como meio de acesso, permitindo
que diversos usuários compartilhem a mesma portadora ou a mesma
banda de frequência. A separação entre usuários é feita com a utilização
de diferentes códigos que representam os canais do sistema. A
informação é extraída desses canais conhecendo-se a chave especifica
com que cada canal é codificado. O sinal codificado de cada usuário
aparece como ruído para todos os outros usuários do sistema, exceto o
seu correspondente receptor.

O primeiro protocolo CDMA para redes de telefonia móvel é o IS-95, que


é considerado de 2G e usa uma técnica de acesso múltiplo de
espalhamento espectral chamada Sequência Direta (DS). Não há divisão
de tempo, e todos os usuários usam a mesma portadora, todo o tempo.
Figura 1: Espectro CDMA.

Um dos pontos básicos de um sistema celular é o reuso da mesma


frequência em uma mesma região geográfica. Isto aumenta a eficiência
do espectro para a comunicação. No CDMA, os sinais podem ser
recebidos na presença de altos níveis de interferência; a mesma
frequência da portadora é usada em todas as células, e em todos os
setores de uma célula.

Outro parâmetro muito importante que permite o aumento da


capacidade do CDMA é o controle de potência. A meta principal do
projeto de um sistema de CDMA é manter todos os usuários conectados
à estação base com o mesmo nível de potência, que deve ser tão baixo
quanto possível, e ainda assim manter uma chamada de alta qualidade.
Qualquer potência a mais do que a necessária aumenta o nível de ruído
global no canal CDMA. Assim, quanto mais preciso o controle de
potência, maior a capacidade.

No CDMA, a célula mede continuamente o sinal recebido do móvel,


compara com o nível de potência desejado, e então toma a decisão de
aumentar ou diminuir o nível de potência do terminal móvel uma vez a
cada 1,25 milissegundos.

O controle de potência do CDMA não somente aumenta a capacidade


mais também aumenta a qualidade de áudio através da minimização e
superação da interferência. Os algoritmos de controle de potência dos
CDMA são todos projetados para reduzir o nível forte do sinal global para
descobrir o mínimo requerido para manter uma qualidade de chamada.

O termo Handoff se refere à mudança de canal ou de ERB feita por um


telefone celular durante uma chamada. Nos handoffs tradicionais, os
quais são usados em todos os outros tipos de sistemas celulares, o
terminal móvel perde um canal antes de pegar outro canal. Quando uma
chamada está na condição de soft handoff, um telefone é monitorado
por duas ou mais células locais e o circuito compara a qualidade do sinal
das duas células. O sistema pode tirar vantagem desse momento
usando o canal da célula que possui o melhor sinal.
No CDMA, uma chamada pode ter uma condição de soft handoff com até
três células ao mesmo tempo, diminuindo-se significativamente as
chances de uma perda de conexão de RF.

O CDMA no final de 2007 atingiu a marca de aproximadamente 320


milhões de assinantes (2G e/ou 2,5G) representando cerca de 10 % do
total de assinantes de telefonia móvel em todo o mundo.

8.2.2. GSM
O padrão GSM (Global System for Mobile) é fundamentado no acesso
múltiplo por divisão de frequência e tempo (similar ao sistema TDMA). O
GSM900 é o sistema original, utilizando frequências na faixa de 900
MHz, atuando em terminais móveis com potências de saída de 1 a 8 W.
O GSM850, DCS1800 e o PCS1900 são variações do GSM900,
desenvolvidos para ampliar a concorrência no mercado de telefonia
móvel, utilizando-se do mesmo conceito e operam nas faixas de 850
MHz, 1800 MHz e 1900 MHz, respectivamente.

A arquitetura de hardware do circuito de Radiofrequência (RF) nos


terminais móveis pode suportar uma ou mais faixas de frequência do
GSM, sendo que, quando o modelo suporta todas as faixas disponíveis,
ele tem capacidade para ser usado em qualquer rede GSM disponível no
mundo, dependendo apenas do acordo de roaming de sua operadora
padrão. Alguns exemplos de telefones Nokia podem demonstrar essa
diferença de hardware de RF: Nokia 1110 (“Dual Band”: 900 MHz e 1800
MHz), Nokia 6111 (“Tri Band”: 900 MHz, 1800 MHz e 1900 MHz) e Nokia
E61 (“Quadri Band”: 850 MHz, 900 MHz, 1800 MHz, 1900 MHz e também
com circuito para WCDMA em 2100 MHz).

As Bandas do GSM são divididas em canais de RF, onde cada canal


consiste num par de frequências (Transmissão e Recepção) com 200 kHz
de banda cada. No GSM, a numeração de ordenação dos canais de RF é
conhecida como ARFCN (Absoluted Radio Frequency Channel Number).

O GSM utiliza um formato de modulação digital chamado de 0,3GMSK


(Gaussian Minimum Shift Keying). O MSK (Minimum Shift Keying) é um
tipo especial da modulação FSK (Frequency Shift Keying) onde 1’s e 0’s
são representados por deslocamentos na frequência da portadora de RF.
Quando a taxa de bits do sinal modulante é exatamente quatro vezes o
deslocamento da frequência da portadora, consegue-se minimizar o
espectro e a modulação é chamada de MSK.

As portadoras dos canais de RF são moduladas em 0,3GMSK por um


sinal digital com taxa de 270,833 kbps. A taxa de dados de 270,833
kbps foi escolhida para ser exatamente quatro vezes o deslocamento da
frequência da portadora de RF (67,708 kHz). O 0.3 indica a relação da
largura de banda do filtro gaussiano com a taxa de bit.

Este sinal digital de 270,833 kbps é dividido no domínio do tempo em 8


intervalos (time slots) possibilitando o múltiplo acesso por divisão no
tempo (TDMA) dos terminais Móveis. O GSM, portanto, assim como o
TDMA (IS-136), é uma combinação de FDMA e TDMA.

Figura 2: O canal GSM.

Cada canal físico utiliza uma banda de largura de 200 KHz. Como cada
usuário utiliza um “time slot” do canal, o transmissor de cada usuário
deve estar ativo apenas no momento necessário, não interferindo assim
em outros usuários. Devido a esta necessidade, foi criada uma máscara
de amplitude na qual os limites para início e fim da transmissão do time
slot estão definidos.

Figura 3: Máscara de Amplitude.

A eficiência de utilização do espectro ou capacidade de um sistema GSM


é maior que a do AMPS e menor que a do sistema TDMA (IS-136). Em
compensação, por apresentar menos interferência entre canais, os
sistemas GSM utilizam um maior reuso de frequências causando um
melhor aproveitamento do espectro.
Uma vez contratado o serviço junto a uma operadora, o usuário passa a
dispor de um SIM card que ao ser inserido em qualquer terminal GSM
fornece as informações relacionadas ao assinante (IMSI “Identificação
Internacional de Assinante Móvel”, números de discagem rápida e
agenda).

Há também SIM cards especiais para testes que permitem que as


unidades móveis entrem em um modo especial de loopback para o teste
de BER do receptor.

8.3. Tecnologias de 2,5G


Desenvolvidos para possibilitar o tráfego de dados através das redes de
2G já estabelecidas, os sistemas de 2,5G são soluções com custos de
implantação relativamente baixos e performances consideráveis, tendo
em vista operarem dentro de padrões desenvolvidos para tráfego de
voz.

Fazem parte deste sistema as tecnologias GPRS e EDGE (introduzidos no


sistema GSM) e 1xRTT (introduzido no CDMA).

8.3.1. GPRS
O GPRS (General Packet Radio System) é derivado do sistema GSM,
mantendo a portadora de 200 kHz, a mesma modulação GMSK e
fornecendo taxas de transmissão de dados de até aproximadamente
170 kbps (valor teórico).

8.3.2. EDGE
O EDGE (Enhanced Data Rates for GSM Evolution) também é derivado do
GSM, mantendo a portadora de 200 kHz e introduzindo a modulação
8PSK para fornecer taxas de transmissão de dados de até 470 kbps
(valor teórico).

8.3.3. 1xRTT
O 1x RTT (1x Radio Transmission Technology) é implementado no CDMA
IS-95. Nesse caso o termo “1x” significa a utilização de 1 única
portadora de 1,25 MHz que juntamente com aperfeiçoamentos em seu
processo de codificação e com a modulação BPSK (Binary Phase Shift
Key), proporciona taxas de transmissão de dados de até
aproximadamente 150 kbps (valor teórico).
8.4. Tecnologias 3G

8.4.1. CDMA 1xEVDO


O CDMA 1xEVDO (1x Evolution Data Optmized) Corresponde ao padrão
de interface de radiofrequência (RF) entre o terminal móvel e a
infraestrutura da tecnologia CDMA-2000, estabelecida como evolução
para o sistema CDMA de 2G (IS-95). O padrão da interface de RF entre o
terminal móvel e a infraestrutura do sistema é baseado na tecnologia
CDMA.

O EVDO mantém a mesma portadora de 1,25MHz utilizada no CDMA,


diminuindo os impactos com a escassez no espectro de frequência. O
resultado é um canal com a mesma largura de banda que o canal da
tecnologia CDMA, porém mais eficiente devido a aperfeiçoamentos
introduzidos no processo de codificação.

O EVDO está preparado para operar nas faixas de frequência de


450MHz, 850MHz e 1,9GHz facilitando a implementação por operadoras
que já tenham licenças nessas bandas. Ele usa o Protocolo da Internet
(IP) como transporte, suportando assim todas as aplicações e protocolos
que sejam compatíveis com IP.

A modulação utilizada no sentido de downlink (da ERB para o móvel) é a


do tipo 16-QAM (16 States Quadrature Amplitude Modulation ou
Modulação em Amplitude de Quadratura de 16 estados) que introduz a
possibilidade do envio de até 15 códigos simultaneamente.

O H-ARQ (Hybrid – Automatic Repeat reQuest ou Mecanismo Híbrido de


Requisição e Repetição Automática) é o mecanismo utilizado para
diminuir o tempo de atraso na comunicação da retransmissão de
informações corrompidas.

Especificamente, o sistema procura oferecer a maior velocidade de


transmissão de dados. Como a informação pode se deteriorar entre o
momento do envio e o da entrega do pacote, a redundância dos dados
também é transmitida. Essa redundância assegura a entrega dos dados,
mas também gera ineficiências na rede, especialmente em situações
onde essa redundância não é necessária.

O H-ARQ permite que a central de base pare de transmitir informações


redundantes quando o terminal móvel tiver decodificado o pacote (e não
mais precisa dos dados). Na ausência do H-ARQ, o pacote inteiro seria
retransmitido, mesmo se já tivesse sido decodificado. O HSDPA também
usa H-ARQ no sentido de downlink.

Normalmente, numa rede CDMA de 2G, um móvel se comunica


simultaneamente com múltiplas ERB´s na medida em que se movimenta
de célula em célula. Esse processo, conhecido como soft handoff
assegura uma comutação tranquila e contínua, mas também cria
ineficiências na rede, uma vez que múltiplos recursos são usados para
apoiar o mesmo tráfego.

A tecnologia EVDO não usa o soft handoff no sentido de downlink,


embora ainda os use no sentido de uplink. Ao invés disso, há um
mecanismo que mede a C/I (Carrier/Interference ou
Portadora/Interferência) em cada setor, definindo qual o setor que
oferece o melhor serviço a cada momento. No instante em que o
dispositivo detecta um setor com um C/I mais alto, ele informa a rede
que quer receber o serviço daquele setor. Esse processo é denominado
“Soft Handoff Virtual”.

O EVDO teve inicio com a revisão “0” e atualmente encontra-se na


revisão “B”. Essas revisões significam implementações de hardware e
software para oferecer continuamente otimização de espectro,
proporcionando taxas de tráfego de dados cada vez mais elevadas em
ambos os sentidos (downlink e uplink) e com isso, a possibilidade de
agregar cada vez mais aplicações na rede (por ex: otimizações no
sentido de downlink proporcionam uma melhor navegação na internet e
otimizações no sentido de uplink proporcionam melhor desempenho em
envio de e-mails; VoIP; Push to Talk etc.).

8.4.2. WCDMA
O WCDMA (Wideband Code Division Multiple Access) é o padrão da
interface de RF entre o Terminal Móvel e a infraestrutura do padrão
UMTS e foi desenvolvido para a evolução de sistemas de 2G baseados
em GSM. Utiliza como método de acesso os princípios da tecnologia
CDMA, ou seja, com vários usuários compartilhando a mesma portadora
(ou o mesmo canal físico), o domínio de tempo e separados por códigos,
onde cada código equivale a um determinado usuário e é considerado
ruído aos outros, com exceção de seu receptor correspondente. Nesse
sistema, o termo canal significa uma combinação da frequência da
portadora e de um determinado código.

O WCDMA original opera em frequências na faixa de 2100 MHz


(denominado WCDMA I). Atualmente há disponibilidade de redes
operando com o WCDMA em algumas outras faixas de frequência, que
vão de encontro com o interesse de operadoras que já possuem
espectro disponível para faixas de frequência já em operação com
sistemas de 2G (sobretudo o GSM, que é seu alvo evolutivo). Essas
opções são descritas a seguir (ver Tabela 2):

Tabela 2: Faixas de Operação disponíveis no WCDMA.

Faixa de
Categoria Frequência
(MHz)

WCDMA I 2.100

WCDMA II 1.900

WCDMA V 850

WCDMA VIII 900

O modelo Nokia E51, por exemplo, possui hardware de RF para WCDMA I


e V (2100 e 850 MHz respectivamente), além de ser “Quadri Band” em
GSM (opera em 850, 900, 1800 e 1900 MHz).

O WCDMA possui dois modos básicos de operação, o TDD (Time Division


Duplex) e o FDD (Frequency Division Duplex). No modo TDD, o uplink
(comunicação no sentido do terminal móvel para a BS) e o downlink
(comunicação no sentido da BS para o terminal móvel) compartilham a
mesma portadora em intervalos de tempo diferentes. No FDD, o uplink e
o downlink utilizam portadoras diferentes separadas por uma banda de
190 MHz.

O canal no WCDMA é formado pela combinação da frequência da


portadora e um determinado código, esse código é formado por uma
combinação de duas sequências de códigos denominados: Scrambling
Code (ou Código Embaralhado) e OVSF (Orthogonal Variable Spreading
Factor ou Fator de Espalhamento Variável Ortogonal).

No WCDMA, tanto em uplink, quanto em downlink, os dados são


transportados pelos canais em forma de “timeslots” e “frames”. Cada
timeslot tem a duração de 666.667 µs, que é equivalente a 2650 chips.
Conforme observado na figura 4, quinze timeslots são agrupados para a
formação de um frame de 10ms, que é a unidade de tempo fundamental
do WCDMA associado com a codificação e o entrelaçamento do canal.
Figura 4: Estrutura do Frame no WCDMA.

O controle de potência é um aspecto de grande importância no WCDMA,


principalmente no sentido de uplink. Sem ela, a potência excedente de
um único terminal móvel poderia ocupar toda a banda do canal físico,
reduzindo de forma drástica a capacidade do sistema.

Para que isso não ocorra, a ERB envia na frequência de 1500 vezes por
segundo, comandos periódicos de controle da potência transmitida pelos
telefones (uplink) de modo que garanta o mesmo nível de sinal recebido
na ERB de todos os terminais, independente da distância entre o
terminal móvel e a ERB na célula. Esse sistema de controle é
denominado “controle de potência em malha fechada”.

Há também o “controle de potência em malha aberta”, que procura


fazer uma estimativa da perda de potência no sentido de uplink através
da perda de potência medidas pelo terminal móvel no sentido de
downlink. O controle de potência em malha aberta não possui a mesma
precisão do controle em malha fechada e é usado no WCDMA apenas
para fornecer um ajuste inicial da potência dos terminais móveis no
momento em que estão se conectando ao sistema.
8.5. Tecnologia HSDPA
O Conceito chave da tecnologia HSDPA (High Speed Downlink Packet
Access) são alterações dentro da arquitetura do sistema WCDMA de
modo a obter um aumento na velocidade do envio de pacotes de dados
no sentido de downlink.

No HSDPA, duas das principais características da tecnologia WCDMA são


desabilitadas, o FPC (Fast Power Control ou Controle Rápido de Potência)
e o VSF (Variable Spreading Factor ou Fator de Espalhamento Variável).
A otimização do link é feita pela mudança do tipo da modulação (de
QPSK para 16-QAM).

O HSDPA utiliza a modulação QPSK (Quadrature Phase Shift Key ou


Modulação por Deslocamento de Fase e Quadratura), proveniente do
WCDMA e incorpora a modulação do tipo 16-QAM (16 States Quadrature
Amplitude Modulation ou Modulação em Amplitude de Quadratura de 16
estados) que introduz a possibilidade do envio de até 15 códigos
simultaneamente, aumentando assim amplamente a taxa de
transmissão de dados (no QPSK se transmite até 5 códigos
simultaneamente).

Figura 5: Constelação das Modulações QPSK e 16 QAM.

O HSDPA utiliza o mesmo timeslot do WCDMA (666,667 ms), porém, a


unidade de tempo é formada pela associação de 3 timeslots que se
caracterizam como o frame do HSDPA (com duração de cerca de 2ms),
conhecido como TTI (Trasmission Time Interval ou Intervalo de Tempo
de Transmissão). A diminuição do TTI em relação ao WCDMA minimiza
os efeitos da variação da qualidade do canal (o frame do WCDMA tem
duração de 10 ms).

A totalidade das características presentes no HSDPA é opcional aos


terminais móveis, que são divididos em 12 diferentes categorias, que de
acordo com seu hardware empregado, podem oferecer taxas máximas
de transmissão que variam de 0.9 Mbps a 14.4 Mbps.
Tabela 3: Categoria de telefones HSDPA x Taxa de Transmissão de
dados.

Número de
Taxa de
Códigos Intervalo
Categorias Modulação Dados
Paralelos de TTI
(Mbps)
Empregados

1 5 3 QPSK/16QAM 1,2

2 5 3 QPSK/16QAM 1,2
3 5 2 QPSK/16QAM 1,8

4 5 2 QPSK/16QAM 1,8

5 5 1 QPSK/16QAM 3,6

6 5 1 QPSK/16QAM 3,6

7 10 1 QPSK/16QAM 7,2

8 10 1 QPSK/16QAM 7,2

9 15 1 QPSK/16QAM 10,2

10 15 1 QPSK/16QAM 14,4

11 5 2 QPSK 0,9

12 5 1 QPSK 1,8

O H-ARQ (Hybrid – Automatic Repeat reQuest ou Mecanismo Híbrido de


Requisição e Repetição Automática) é o mecanismo utilizado no HSDPA
para diminuir o tempo de atraso na comunicação na retransmissão de
informações corrompidas.

O seu diferencial para os mecanismos de outras tecnologias se dá ao


fato de sua funcionalidade estar localizada na ERB, não envolvendo o
restante da infraestrutura da tecnologia e consequentemente, evitando
atrasos provenientes de seus outros componentes.

As retransmissões também incluem informações adicionais que são


incrementadas no caso de falha na primeira tentativa de decodificação.
São as chamadas informações de IR (Incremental Redundancy ou
Redundância Incremental), que utilizam os recursos de armazenagem de
dados dos telefones para reduzirem o numero de retransmissões.
8.6. Tecnologia HSPA
Como vimos anteriormente, a tecnologia HSDPA acrescenta no WCDMA,
entre outras novidades, um novo canal de transporte de downlink, entre
a ERB e o terminal móvel, que melhora o desempenho em aplicações de
alto trafego de dados. Há uma diminuição de custos, já que o canal de
downlink melhorado permite um aumento considerável da capacidade
de transporte, quando comparado com o downlink do WCDMA
possibilitando taxas de transmissão de dados de até 14 Mbps.

Essa implementação, que tem como sigla o HSDPA, é o primeiro passo


na evolução do desempenho do WCDMA. Embora a maioria do tráfego
de dados ocorra no sentido downlink, ainda há um número considerável
de aplicações que também necessitam da existência de um canal de
uplink de alto desempenho, como por exemplo, o envio de e-mail com
arquivos em anexo, Voip, Push to Talk etc.

O padrão HSUPA (High Speed Uplink Packet Access) acrescenta no


WCDMA um canal de transporte de uplink aperfeiçoado nos mesmos
moldes do HSDPA disponibilizando taxas de transmissão de dados
maiores e maior capacidade de transporte de dados possibilitando
trafego de dados de até 5,8 Mbps.

O HSPA (High Speed Packet Access) nada mais é do que a combinação


das duas tecnologias HSDPA e HSUPA.

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