Você está na página 1de 14

Proteção Contra Choque Elétrico e o Módulo Isolador Estabilizado MICROSOL

1) Introdução

A eletricidade é indispensável na vida moderna, é desnecessário ressaltar sua importância,


seja propiciando conforto nos lares, seja atuando como insumo nos diversos segmentos da
economia. Por outro lado o uso da eletricidade exige a aplicação de algumas precauções em virtude
do risco que representa. Muitos não sabem, desconhecem ou desconsideram este risco. Os acidentes
ocorridos com eletricidade, no lar e no trabalho, são os que ocorrem com maior freqüência e
comprovadamente são os que trazem as mais graves conseqüências.
No dia a dia, seja no lar ou na indústria, a maior preocupação sem dúvida é com o choque
elétrico, visto que este é o tipo de acidente que ocorre com maior freqüência. É importante alertar
que os riscos do choque elétrico e os seus efeitos estão diretamente ligados aos valores das tensões
(voltagens) da instalação, e é bom lembrar que apenas altas tensões provocam grandes lesões. Por
um outro lado, existem mais pessoas expostas às baixas tensões do que às altas tensões. Os leigos
normalmente não se expõem às altas tensões, proporcionalmente podemos considerar que as baixas
tensões são as mais perigosas [1].
Um dos documentos mais citados e respeitados, por seu valor científico, é a publicação IEC
60479, que aborda os efeitos da corrente elétrica no corpo humano. Fruto de estudos e pesquisas que
representam o conhecimento mais atual sobre o assunto, o documento foi elaborado por um grupo
de especialistas incluindo médicos, fisiologistas e engenheiros eletricistas.
No que se refere especificamente aos efeitos da corrente alternada de frequência industrial,
as conclusões essenciais do documento são sintetizadas na figura 1, que avalia esses efeitos em
função da intensidade e do tempo de passagem da corrente. Distinguem-se, no gráfico, quatro zonas
de gravidade crescente:
✔ Zona 1 - (<= 0,5 mA) Normalmente, nenhum efeito perceptível.
✔ Zona 2 – Sente-se a passagem da corrente, mas não se manifesta qualquer reação do corpo
humano.
✔ Zona 3 - Zona em que se manifesta o efeito de agarramento: uma pessoa empunhando o
elemento causador do choque elétrico não consegue mais largá-lo. Todavia, não há seqüelas após
interrupção da corrente.
✔ Zona 4- Probabilidade, crescente com a intensidade e duração da corrente, de ocorrência do
efeito mais perigoso do choque elétrico, que é a fibrilação ventricular.

Figura 1 . Gráfico dos efeitos da corrente elétrica no corpo humano


Na proteção contra choque elétrico estabelecida pelas normas de instalação, é levado em
conta apenas os riscos de eletrocussão (morte devido a choque elétrico), devido à fibrilação
ventricular. Como esse risco, a exemplo dos demais efeitos, é função da intensidade (além do tempo
de passagem) da corrente, o documento IEC também traz detalhes desse parâmetro, apurados
indiretamente – vale dizer, com dados experimentais, trabalhados estatisticamente, acerca da
impedância do corpo humano e da tensão de contato associada. De fato, a impedância do corpo
humano varia com o valor de tensão de contato aplicada, e varia também com o trajeto da corrente
no corpo e com as condições de umidade da pele [2].

2) Tipos de proteção contra choques elétricos

A regra fundamental de proteção contra choques elétricos, indistintamente, para produtos e


instalações, que rege todas as normas de segurança, resume-se em afirmar: tudo que for perigoso,
não pode ser acessível; assim como tudo que for acessível, não pode ser perigoso, tanto em
condições normais, como em caso de ocorrência de falha.
Antes de serem apresentados os principais tipos de proteção contra choque elétrico, é
importante deixar clara a diferença entre proteção contra choque por contato direto e a proteção
contra choque por contato indireto. Os contatos diretos são os contatos com partes vivas, isto é,
partes sob tensão em serviço normal. Por exemplo, uma pessoa que toca nos pinos de um plugue
enquanto o retira da tomada. Ou uma pessoa que toca, por descuido ou imprudência, nos
barramentos de um quadro de distribuição. A proteção contra choque por contato direto visa
impedir um contato involuntário com uma parte condutora destinada a ser submetida a uma tensão
não havendo defeito. Esta regra se aplica igualmente ao condutor neutro. A maneira de impedir este
acesso constitui as medidas de proteção. Cada uma das medidas tem características específicas. A
proteção contra contatos diretos deve ser assegurada por meio de:
✔ proteção por isolação das partes vivas (isolá-las mediante aplicação de isolação sólida ou de
afastamento),
✔ proteção por meio de barreiras ou invólucros (confinar partes vivas no interior de invólucros ou
atrás de barreiras).
As partes condutoras expostas dos componentes da instalação elétrica, acessíveis sem que
seja necessário desmontar o componente, e que não fazem parte do circuito elétrico deste
componente, são separadas das partes vivas pela "isolação básica". Falhas nesta isolação básica
tornam vivas as partes condutoras expostas do componente. Denomina-se contato indireto o toque
de uma parte metálica normalmente não energizada de um aparelho elétrico que foi tornada viva por
uma falha da isolação. A proteção contra choque por contato indireto é o conjunto de prescrição que
visa impedir que apareça na instalação uma tensão de contato que possa resultar em risco de efeito
fisiológico perigoso para as pessoas. Esta tensão de contato pode aparecer na massa dos
equipamentos, devido a um rompimento de isolação. As principais medidas de proteção contra
choque elétrico por contato indireto, prescritas pela IEC 60364 (Electrical Installations of
Buildings) na qual se baseia a NBR 5410, são [3]:
✗ Equipotencialização e seccionamento automático da alimentação;
✗ Isolação suplementar (Emprego de equipamentos classe II ou que possuam isolação equivalente);
✗ Separação elétrica.

3) Equipotencialização, seccionamento automático e o aterramento convencional

O seccionamento automático da alimentação destina-se a evitar que uma tensão de contato


se mantenha por um tempo que possa resultar em risco de efeito fisiológico perigoso para as
pessoas. Esta medida de proteção requer a coordenação entre o esquema de aterramento adotado e
as características dos condutores de proteção e dos dispositivos de proteção (disjuntores, fusíveis,
Dispositivos Residuais-Diferenciais).
Para que fique claro o conceito de seccionamento da alimentação, pode-se exemplificar com
os esquemas mostrados na figura 2. Quando um equipamento apresentar um defeito de isolação
provocando uma energização da massa do equipamento, uma corrente circulará pelo circuito, uma
parte através do condutor de proteção e outra pela pessoa que estiver em contato com a massa. Este
circuito deve ser seccionado e a corrente interrompida antes que possa ocorrer efeito fisiológico
perigoso para a pessoa.
Para que exista a corrente de falta, é preciso que o aterramento das massas feche o circuito
da corrente de falta. A impedância do caminho da corrente de falta é determinada pelas
características do condutor de proteção e do esquema de aterramento. O esquema de aterramento vai
determinar a magnitude da corrente de falta e conseqüentemente o tipo de dispositivo de proteção a
ser usado. Enquanto os disjuntores e os fusíveis são eficazes quando a corrente de falta é muito
superior à corrente nominal do circuito (da ordem de dez, cem ou até mil vezes), o DR é eficaz para
corrente de falta de valores inferiores a corrente nominal. A escolha do dispositivo deve ser feita
baseado no esquema de aterramento da instalação. O fundamental é seguir a prescrição da NBR
5410 de que a alimentação deve ser seccionada automaticamente sempre que uma falta energizar
uma massa com níveis de tensão superior ao suportado com segurança pelo ser humano, sendo isto
válido para sistemas que utilizam o aterramento convencional como proteção contra choque
elétrico.
É preciso frisar, no entanto, que as normas estabelecem que o seccionamento deve ser feito
mesmo que nenhuma pessoa esteja tomando um choque elétrico, ou seja, basta que uma corrente de
falta circule pelo condutor de proteção.

Transformador Transformador IF1 + IF2


L1
N
PE

IF1
IF1 + IF2

IF1 IF2

IF2

Figura 2. sistema aterrado sem falha (esquerda) e sistema aterrado com falha na isolação (direita)

O aterramento consiste fundamentalmente de uma estrutura condutora, que é enterrada


propositadamente ou que já se encontra enterrada, e que garante um bom contato elétrico com a
terra, chamada eletrodo de aterramento, e a ligação desta estrutura condutora aos elementos
condutores da instalação elétrica que não são destinados à condução da corrente [4].
A equipotencialização é o procedimento que consiste na interligação de elementos
especificados, visando obter a equipontencialidade necessária para os fins desejados. Por
consequência, toda a rede resultante de elementos interligados [5].

4) A proteção por separação elétrica

Segundo a teoria da eletricidade, são duas as condições necessárias para o aparecimento de


corrente elétrica em um circuito:
1) deve existir uma diferença de potencial elétrico (tensão elétrica) e ainda,
2) deve haver um caminho que permita a passagem da corrente elétrica.
O choque elétrico, como visto anteriormente, caracteriza-se pela passagem de corrente
elétrica através do corpo humano. Teoricamente, sem levar em conta o efeito das capacitâncias
parasitas, em um sistema que utiliza o princípio da separação elétrica como medida de proteção
contra choque elétrico (utilização de transformador de separação), não há nenhuma diferença de
potencial entre os condutores do circuito secundário (fase e neutro que alimentam a carga em
consideração) e a terra propriamente dita, uma vez que os condutores do circuito separado não estão
“referenciados” ao ponto de aterramento convencional. Além disso, devido à separação elétrica
(isolação galvânica) entre os circuitos primário e secundário, não há nenhum caminho elétrico que
permita a passagem de corrente elétrica de fuga (que causa choque elétrico).
Diferentemente da proteção contra choque com aterramento convencional, a proteção contra
choque elétrico por separação elétrica é proporcionada por:
✔ uma separação, entre o circuito separado e outros circuitos, incluindo o circuito primário que
o alimenta, equivalente na prática à dupla isolação;
✔ isolação, entre o circuito separado e a terra; e ainda
✔ a ausência de contato entre a(s) massa(s) do circuito separado, de um lado, e a terra, outras
massas (de outros circuitos) e/ou elementos condutivos, de outro.
Portanto, mais do que isolado, o circuito separado constitui um sistema elétrico “ilhado”. A
segurança contra choques que ele oferece baseia-se na preservação destas condições.
Para tornar mais claro, a figura 3 mostra, esquematicamente, uma carga sendo alimentada
por um circuito separado em situação de operação normal (sem falhas).
Transformador

TRANSFORMADOR ISOLADOR
(EQUIPAMENTO CLASSE II)

CARGA
EQUIPAMENTO CLASSE I

Figura 3. Exemplo de sistema isolado alimentando uma carga (PC)

A figura 4, mostra uma situação de falha, onde um dos condutores do secundário separado
entra em contato com o gabinete do equipamento alimentado.
Transformador

TRANSFORMADOR ISOLADOR
(EQUIPAMENTO CLASSE II)

CARGA
EQUIPAMENTO CLASSE I
Figura 4. Exemplo de sistema isolado alimentando uma carga com falha na isolação

Sendo o circuito separado isolado da terra, uma falha na isolação do equipamento


alimentado, não resulta em choque elétrico pela inexistência do caminho para a circulação da
hipotética corrente de falta.

4.1 O cálculo da corrente de fuga

Na prática, assim como em todo e qualquer circuito elétrico, existem correntes de fuga
devido às capacitâncias parasitas. A sequência a seguir mostra o cálculo da corrente de fuga em um
sistema convencional aterrado e em um sistema isolado.

A. O sistema aterrado

220V 120V
1000 Ohm
120V

0V

Figura 5. Sistema aterrado convencional com uma pessoa cuja


resistência do corpo equivale a 1000 ohm

A figura 5 mostra o esquemático de um sistema convencionalmente aterrado. O neutro do


transformador é unido com o terra, que adequadamente dimensionado, proporcionará uma
equipotencialização entre os condutores neutro e o terra. Coma mostrado na figura, normalmente se
espera 0 volts entre neutro e terra e 120V do fase para o terra ou para o neutro.
Assumindo que uma pessoa possui resistência do corpo de 1000 ohms, e entra em contato
com o condutor vivo, espera-se o seguinte resultado, como mostrado na figura 6.

L N

1000 Ohm

V 120
I≡ ≡ ≡120mA
R 1000 I

Figura 6 . representação esquemática de uma pessoa (1000 ohms) em contato com uma parte viva
Uma corrente de 120 mA irá fluir do condutor fase, através da resistência de 1000 ohms
(corpo humano), e retornará para o neutro através da baixa impedância neutro-terra. Como visto na
figura 1 esses 120 mA é extremamente perigoso para um ser humano.

B. O sistema isolado
L1

220V 120V

L2
1000 Ohm
60V

60V C1 C2

I
0

Figura 7. Sistema isolado com uma pessoa em contato (1000 ohms)


A figura 7 mostra a representação esquemática de um sistema isolado. No sistema isolado a
conexão neutro-terra não existe. Nesse exemplo, será examinado porque uma pessoa com 1000
ohms de resistência está fortemente protegida contra um risco de choque letal.

L1 L2

60V 60V

50µA

Figura 8. Circuito equivalente do sistema isolado


Na figura 8 assume-se que as capacitância são igualmente distribuídas e balanceadas no
sistema e que circula uma pequena corrente de fuga de 50 microamperes, de L1 via C1, através da
terra e retorna para L2 via C2.

Nota: Em um sistema instalado corretamente haverá uma resistência de dispersão muito pequena
em paralelo com a capacitância, mas seu valor é tão pequeno que pode ser desprezada para o
propósito desse exemplo.

Utilizando-se um voltímetro, pode-se medir a queda de tensão através das capacitâncias do


sistema. Em um sistema balanceado como mostrado, espera-se medir 60 Volts de cada linha para a
terra. (Corrente de fuga deve ser medida nesse momento conectando um miliamperímetro ou
microamperímetro de L1, ou L2 para a terra.)

Nota: Não é recomendado fazer isso em um sistema aterrado!

Pode-se, agora, examinar os parâmetros do circuito usando a lei de Ohm e o a figura 9.

L1 L2

50µA

V 60
Z= = = 1.2 x 106 Ohms
I 50 x 10− 6 60V 60V

Figura 9. Circuito equivalente simplificado de um sistema isolado


A impedância de C1 e C2 é 1.2x106 Ohms, dando um valor de capacitância entre fase e terra
de:

1 1
C= =
ω × C 2 × π × 60 × 1.2 × 10 6

C = 2.21 × 10 −9 Farads

Agora, pode-se calcular o que aconteceria se uma pessoa (1000 Ohms) entrasse em contato
com L1 ou L2. Essa situação é representada pelo circuito equivalente mostrado na figura 10.
L1 L2 L1 L2

I V1 V2
C1 C2 C1 C2

2,21nF 2,21nF
1000 Ohm
1000 Ohm

Figura 10. Circuitos equivalentes em caso de contato da pessoa com L1 ou L2

Pode-se calcular a tensão que está presente sobre o corpo humano de 1000 Ohms. Primeiro
calcula-se a corrente de fuga total de L1 para L2.
C1 em paralelo com 1000 Ohms = (1.2x106x1000)/1201000 = 999 Ohms, que pode ser
arredondado para 1000 Ohms, mostrando que a impedância do corpo, na verdade, torna a
capacitância C1 desprezível na contribuição da circulação de corrente.

Pode-se então reduzir o circuito equivalente como mostrado na figura 11:


120V

1000 Ohm 1.2 x 106 Ohm

Figura 11. Circuito simplificado

A corrente de fuga é calculada: 120/1201000 = 100 microamperes. A pessoa (1000 Ohms)


em contato com L1, aproximadamente, dobrou a corrente de fuga para 100 microamperes, que é,
ainda um nível extremamente baixo.

Tensão sobre o corpo: (1000/1201000)x120 = 0.1V

Tensão sobre C2 será: (1.2 x 106/1201000) x120 = 119.9 V

A tabela abaixo, como um sumário, compara o sistema aterrado e o sistema isolado com
uma pessoa (1000 Ohms) em contato com o condutor fase de cada sistema.

Aterrado Sistema isolado


Tensão 120V 0.1V (com 50 microamperes de fuga)
Corrente 120 mA 100 microamperes (com 50 microamperes de fuga inicial)
Tabela 1. Comparação de correntes de fuga em sistema isolado e em sistema aterrado

Claramente, o sistema isolado oferece consideravelmente maior proteção ao operador.

4.2 O transformador de separação

A grande maioria dos transformadores utilizados em equipamentos e produtos eletrônicos


são transformadores do tipo não isolados, também conhecidos como autotransformadores. Esse tipo
de transformador apresenta algumas vantagens em relação a um transformador do tipo isolado, tais
como menor custo, menor peso, menor volume e menores quedas de tensão. Esse é o tipo de
transformador utilizado, por exemplo, na maioria dos estabilizadores de tensão encontrados no
mercado. Nesses transformadores, somente parte da potência é processada no núcleo magnético
(potência transformada); a outra parte é transferida do primário para o secundário diretamente por
condução. Além disso, a impedância entre primário e secundário é baixíssima, o que torna as
correntes de curto circuito bastante elevadas.
Os transformadores utilizados para separação elétrica de circuitos apresentam características
distintas. Primeiro, o circuito primário é separado do circuito secundário, física (isolação galvânica)
e eletricamente. Toda a potência transferida do primário para o secundário é processada pelo núcleo
magnético, o que o torna mais volumoso, mais pesado, e por utilizar mais material magnético (aço)
e cobre, mais caro, quando comparado com um autotransformador de potência equivalente.
A impedância total entre primário e secundário é elevada reduzindo consideravelmente as
correntes de curto circuito, e reduzindo dessa forma os níveis de geração de arcos ou fagulhas
elétricas.
O grande diferencial é que enquanto um autotransformador mantém uma conexão entre
primário e secundário, um transformador isolado apresenta os circuitos primário e secundário
completamente isolados, e esse é o fato que torna possível sua utilização como ferramenta de
proteção contra choque elétrico.

4.3) O Módulo Isolador Estabilizado MICROSOL (MIE)

O MIE é um estabilizador eletrônico de tensão classificado como classe II, que além de
exercer a função de estabilizador automático de tensão, exerce a função de separador de circuitos.
Essa função é executada por um transformador isolado.
Construtivamente, a separação entre o circuito primário e secundário é incrementada pela
colocação de 2 (duas) camadas de filme de poliester. No caso de falha ou rompimento de uma das
camadas, a segunda camada garante a isolação (princípio da dupla isolação). Cada camada apresenta
espessura de 190 micrômetros, rigidez dielétrica de 18kV e excelentes características de estabilidade
dimensional. O filme de poliester utilizado é homologado UL (Underwrites Laboratories Inc) sob
número E 74359.
Os condutores de cobre utilizados nos enrolamentos (17 AWG e 20AWG) são produzidos
em conformidade com a NBR 13935:1997 (Fio de Cobre Esmaltado de Seção Circular, à Base de
Poliéster Modificado) e possuem rigidez dielétrica mínima de 2850V.
O cordão de alimentação, além da camada de isolação básica, possui uma segunda camada
constituindo juntas a dupla isolação. É fabricado conforme a norma técnica NBR 13249 (Cabos e
Cordões Flexíveis para tensões até 750V) e certificado pelo OCP-0004.
Como proteção contra curto circuitos e sobrecorrentes (sobrecarga) o MIE utiliza, no
circuito primário, um interruptor conhecido como circuit breaker, dimensionado para atuar
rapidamente quando necessário. O circuit breaker utilizado é homologado UL, CSA e VDE.
Como proteção contra surtos de tensão, é utilizado um varistor de 150V 10mm em paralelo
com a tomada de saída, de forma que, independente da tensão da rede (220V ou 115V), a tensão de
saída durante um surto da rede elétrica é limitada tanto pela saturação do transformador isolador
quanto pelo varistor, o qual possui uma resposta bastante rápida.
Externamente, como invólucro, o MIE utiliza um gabinete de proteção de material plástico
anti-chama (V-0) com aberturas para garantir a ventilação do transformador.
Eletricamente, por exigência das principais normas que tratam do assunto (NBR14373, IEC
60950, NBR 5410, IEC 60364), o MIE não apresenta nenhuma conexão com o aterramento
convencional, condição esta exigida para ser classificado como equipamentos classe II. O terceiro
pino da tomada de saída é unido ao neutro isolado do circuito secundário, garantido que não haverá
diferenças de potenciais entre neutro-terra do equipamento a ser alimentado pelo MIE.
Durante o processo produtivo, são realizados em 100% das peças, os ensaios de rotina,
incluindo o ensaio funcional, conforme o ítem 6.23 da norma NBR 14373, e o ensaio de rigidez
dielétrica (aplicação de 2750V durante 1 segundo), conforme exigido pelo INMETRO, o que
garante a aprovação apenas de produtos com isolação eficaz.
4.4)A medição real da corrente de fuga

a) Medição da corrente de fuga intrínseca

A medição da corrente de fuga intrínseca do equipamento é feita conforme a NBR14373


recomenda, ou seja, montando-se o esquema mostrado na figura 12.

Figura 12. Esquema indicado pela NBR14373 para medição da corrente de fuga

O instrumento de medição trata-se de um miliamperímetro ou microamperímetro.


Em laboratório, realizaram-se diversos testes conforme esquema da figura 12 e obtiveram-se
os seguintes resultados:

Corrente de fuga FASE Corrente de fuga NEUTRO Condição do teste


(isolado) e TERRA em (isolado) e TERRA
microampere (uA)
Chave liga-desliga do produto
35 22 acionada
Chave liga-deslida do produto
35 22 desacionada
Chave liga-desliga do produto
acionada e MIE alimentando
36 34 CPU
Chave liga-desliga do produto
desacionada e MIE alimentando
35 22 CPU
Tabela 2. Resultados obtidos em laboratório

Utilizou-se o seguinte instrumento de medição: Multímetro PROTEK 506 escala de


microampere.

b) Medição da corrente de fuga no caso de falha de isolação no equipamento alimentado

Para verificar a corrente de fuga para a terra no caso de ocorrência de falha da isolação no
equipamento alimentado pelo módulo isolador estabilizado, deve-se utilizar o esquema mostrado na
figura 13. O produto deve estar alimentado nas suas condições normais de operação. A condição de
falha refere-se à conexão do fase de alimentação (saída do MIE) à carcaça do produto alimentado
pelo MIE ou do neutro de alimentação (saída do MIE) à mesma carcaça.
Nota: Não é recomendado executar esse teste em estabilizador classe I.
Figura 13. Esquema para medição da corrente de fuga em caso de falha na isolação da carga alimentada

Em laboratório, realizaram-se diversos testes conforme esquema da figura 13 e obtiveram-se


os seguintes resultados:

Corrente de fuga FASE Corrente de fuga NEUTRO Condição do teste


(isolado) e TERRA em (isolado) e TERRA
microampere (uA)
Chave liga-desliga do produto
32 17 acionada alimentando CPU
Chave liga-deslida do produto
0 0 desacionada alimentando CPU
Chave liga-desliga do produto
acionada e MIE alimentando
CPU conectada à rede de dados
165 33 através de cabo UTP
Chave liga-desliga do produto
desacionada e MIE alimentando
CPU conectada à rede de dados
0 0 através de cabo UTP
Tabela 3. Resultados obtidos em laboratório

Utilizou-se o seguinte instrumento de medição: Multímetro PROTEK 506 escala de


microampere.

A norma NBR14373 estabelece que a corrente de fuga não deve ultrapassar o valor de 3,5
mA. Os resultados obtidos com a realização do ensaio do item b mostram que mesmo em caso de
falha na isolação do equipamento alimentado, a corrente de fuga apresenta valores muito abaixos do
estabelecido pela norma, e assim, não existe risco de choque elétrico.

5) Outros benefícios proporcionados pelo módulo isolador

5.1) Redução de ruídos

O crescente uso de equipamentos eletrônicos com fontes chaveadas (fontes para PCs,
reatores eletrônicos para lâmpadas fluorescentes, impressoras laser, etc) tem provocado o aumento
da presença de ruídos na rede elétrica de alimentação. Além disso, tem crescido a utilização de
equipamentos que operam com frequências elevadas e níveis de tensão cada vez mais baixos, o que
os tornam mais sensíveis e mais suceptíveis a receber influência de ruídos da alimentação.
Uma maneira de atenuar esses ruídos é isolando os equipamentos sensíveis das fontes de
ruído através de separação elétrica. Embora essa não seja a função primordial do MIE, tem-se
comprovado experimentalmente que ele proporciona uma considerável redução desses ruídos.
Referências desses fatos podem ser encontradas na referência [6].

5.2) Redução de risco de explosões em áreas inflamáveis

Como o transformador isolador apresenta impedância elevada, quando comparado com um


autotransformador, ele reduz os valores das correntes de falta em ocorrências de curto circuito, por
exemplo, e assim, reduz significativamente arcos elétricos ou faíscas que poderiam ser gerados.
Com isso a possibilidade de ocorrências de incêndios é minimizada, mesmo em áreas de risco como
postos de combustíveis, ou laboratórios que trabalham com manipulação de gases ou líquidos
inflamáveis.

5.3) Continuidade de fornecimento de energia

Nos sistemas aterrados convencionais, a ocorrência de uma falha na isolação, seja entre
fase e masa ou entre neutro e massa, pode ocasionar choque elétrico e isso faz com que na
ocorrência de uma única falha o sistema tenha que ser interrompido (seccionado).
Em um sistema isolado, a ocorrência de uma única falha não provoca risco de choque
elétrico e por isso não é necessário interromper o fornecimento de energia. Somente no caso de uma
segunda falha, teríamos a atuação do dispositivo de proteção, não por representar risco de choque
elétrico, mas sim por representar, na prática, aplicação de curto circuito, via massa, no circuito
secundário. Essa característica, permite ao sistema isolado maior continuidade de fornecimento de
energia quando comparado com um sistema aterrado convencional.
O artigo 517-20(a) da NEC 1996 (National Electrical Code) afirma que sistemas
monofásicos, até 20 amperes, 125Volts suprindo energia para áreas molhadas devem ser providos
com interruptores de falta para terra se a interrupção de energia sob condição de falta puder ser
tolerada, ou com sistema isolado se tal interrupção não puder ser tolerada.

6) Resposta a questionamentos

6.1 Por que é aconselhado não aterrar equipamentos conectados ao MIE?

A figura 14 mostra o MIE alimentando uma carga aterrada. Uma vez que a carga conectada
ao MIE é aterrada, o circuito secundário isolado passa a ter como referência o mesmo ponto que o
circuito primário, ou seja, a terra. E nesse caso, o princípio de proteção contra choque elétrico
deixar de ser a separação elétrica e passa a ser o aterramento convencional. Todo o sistema passa a
depender das condições de aterramento da instalação. Assim, para que a proteção contra choque não
dependa das condições de aterramento aconselha-se não aterrar nem o MIE, nem a carga a ele
conectada.
Figura 14. Esquema mostrando o MIE alimentando uma carga aterrada

6.2 Se o MIE alimentar duas cargas e uma delas apresentar uma falha. Qual a
consequência para a outra carga e qual o risco envolvido para o usuário?

Caso ocorra uma falha em qualquer uma das cargas, a corrente de falta ficará confinada no
circuito secundário isolado, não gerando nenhuma diferença de potencial para o usuário e assim
nenhum risco. Caso a falha para a carcaça ocorra entre qualquer uma das fases, como conseqüência,
teremos a atuação imediata do circuit breaker. A outra carga, que está conectada em paralelo,
sofrerá apenas desligamento por atuação do dispositivo de proteção contra sobrecorrente; nenhum
risco de choque será proporcionado ao usuário que entrar em contato com as massas. A figura 15
mostra a condição citada.

Figura 15. Esquema mostrando o MIE alimentando uma carga aterrada

6.3 Por que o manual afirma: “Os equipamentos alimentados pelo Módulo Isolador
Estabilizado não podem estar ligados ao aterramento convencional, seja direto na
malha de aterramento ou indiretamente através de um cabo de rede, pelo motivo de
compremeterem seriamente a sua isolação”. ?

Quanto à ligação ao aterramento, foi explicado no item 6.1. A referência ao aterramento via
cabo de rede decorre do fato de que, na época do lançamento do MIE datado de 1998, ainda estarem
em uso conexões de rede utilizando cabos coaxiais, onde a malha era aterrada. Atualmente, os cabos
coaxiais caíram totalmente em desuso e as conexões de rede utilizam fibras óticas ou cabos de pares
trançados (padrão UTP), os quais por exigência da IEEE 802.3 ítem 14.3.1.1 não transportam o terra
e as interfaces (placa de rede, HUB, Switch) são isoladas.
O ïtem da norma IEEE802.3 é referenciado abaixo:

14.3.1.1 Isolation requirement


The MAU shall provide isolation between the DTE Physical Layer circuits including
frame ground and all MDI leads including those not used by 10BASE-T. This electrical
separation shall withstand at least one of the following electrical strength tests.
a) 1500 V rms at 50 Hz to 60 Hz for 60 s, applied as specified in Section 5.3.2 of IEC 60950:
1991.
b) 2250 Vdc for 60 s, applied as specified in Section 5.3.2 of IEC 60950: 1991.
c) A sequence of ten 2400 V impulses of alternating polarity, applied at intervals of not less
than 1s.
The shape of the impulses shall be 1.2/50 µs (1.2 µs virtual front time, 50 µs virtual
time of half value), as defined in IEC 60060. There shall be no insulation breakdown, as
defined in Section 5.3.2 of IEC 60950: 1991, during the test. The resistance after the test shall
be at least 2 MW, measured at 500 Vdc.

7) O que dizem as normas

Em seu texto a IEC 60950 afirma:

0.2.2 Energy related hazards


Injury or fire may result from a short circuit between adjacent poles of high current supplies or
high capacitance circuits, causing:
– burns;
– arcing;
– ejection of molten metal.
Even circuits whose voltages are safe to touch may be hazardous in this respect.
Examples of measures to reduce risks include:
– separation;
– shielding;
– provision of SAFETY INTERLOCKS.

Em seu texto a NBR5410 afirma:

5.1.2.2.3.1Todas as massas de uma instalação devem estar ligadas a condutores de proteção.

NOTA: Partes condutivas acessíveis de componentes que sejam objeto de outra medida de
proteção contra choques elétricos (que não a proteção por equipotencialização e seccionamento
automático) não devem ser ligadas a condutores de proteção, salvo se seu aterramento ou
equipotencialização for previsto por razões funcionais e isso não comprometer a segurança
proporcionada pela medida de proteção de que são objeto. São exemplos de partes condutivas
acessíveis não-aterráveis, como regra geral: invólucros metálicos de componentes classe II (ver
5.1.2.3), massas de equipamentos objeto de separação elétrica individual (ver 5.1.2.4) e massas
de equipamentos classe III(alimentados por fonte SELV, ver 5.1.2.5).

Esse é o caso, por exemplo de um equipamento classe I sendo alimentado por um classe II
com transformador isolador. Neste caso, a medida de proteção contra choque elétrico oferecida não
é a proteção por equipotencialização e seccionamento automático, mas sim a separação elétrica.
Logo o equipamento classe I não deve ter sua massa aterrada.

Em seu texto o artigo 517-20(a) da NEC (National Electrical Code) afirma:

Sistemas monofásicos, até 20 amperes, 125Volts, suprindo energia para áreas molhadas
devem ser providos com interruptores de fuga para terra se a interrupção de energia sob condição de
falta puder ser tolerada, ou com sistema isolado se tal interrupção não puder ser tolerada.
Conclusões
Baseado no acima exposto neste documento, conclui-se que o Módulo Isolador Estabilizado
MICROSOL (Estabilizador classe II com transformador isolado) oferece segurança contra choque
elétrico para o usuário, mesmo que a carga alimentada seja um equipamento classe I conectado a
uma rede de dados.
Neste produto, a proteção contra choque elétrico não é o aterramento, mas a separação
elétrica garantida pelo transformador isolador.

Referências
1- Universidade de Bauru,
http://www.bauru.unesp.br/curso_cipa/3_seguranca_do_trabalho/5_eletricidade.htm
2- Guia Eletricidade Moderna da NBR5410, dezembro de 2001
3- Apostila Siemens, Módulo 4 B Proteção contra os efeitos das correntes elétricas do choque
elétrico e aterramento da instalação de baixa tensão.
4- Proteção contra choques elétricos,sobrecorrentes e sobretensões – Aterramento; Cunha, João.
Disponível em: www.miomega.com.br/miomega.htm
5- ABNT NBR 5410 - Instalações Elétricas de Baixa Tensão
6- Raio X do Módulo Isolador Estabilizado da Microsol, Revista PC e CIA No 37 , pag. 18, agosto
de 2004