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CONSERVAÇÃO DA PRATA 1 - 14

CONSERVAÇÃO DA PRATA
http://nautarch.tamu.edu/class/anth605/File13.htm
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ÍNDICE
Corrosão da Prata
Limpeza Galvânica
CONSERVAÇÃO DA PRATA 3 - 14

Limpeza por Redução Electrolítica

Electrólito
Densidade da Corrente
Material do Ânodo
Contacto do Cátodo
Procedimento
Redução em Ácido Fórmico
Redução em Hidróxido de Sódio
Redução de Consolidação

Ditionite Alcalina
Enxaguamento e Selante
Limpeza Química
Estabilização e Consolidação
Sumário

CORROSÃO DA PRATA
A prata é um metal muito nobre que se encontra frequentemente em estado nativo combinada
com o ouro, com o estanho, com o cobre e com a platina. A prata é completamente estável em soluções
aquosas de qualquer pH, enquanto não estiverem presentes nenhuns agentes oxidantes ou complexantes.
Para além disso, a prata não é apreciavelmente afectada pelo ar, seco ou húmido, que esteja isento de
ozono, de halogéneos, e de compostos de amónia ou de enxofre (Pourbaix 1966:393; Plenderleith e Werner
1971:239). A prata é particularmente susceptível aos efeitos do radical sulfato. Isto fica bem demonstrado
pela formação de material preto sobre os objectos de prata que estão expostos ao enxofre sob qualquer
forma, especialmente ao sulfito de hidrogénio e ao dióxido sulfuroso, que se podem transformar em ácido
sulfúrico.
Num ambiente marítimo, com a sua abundância em sulfatos solúveis e em matéria orgânica em
decomposição, consumidora de oxigénio, as bactérias redutoras de sulfatos, sob condições anaeróbicas,
usam os sulfatos livres para formarem sulfitos de hidrogénio, como produto do seu metabolismo. A
reacção geral desenvolve-se da mesma maneira que para o ferro :
2 Ag + H2S >> Ag2S + H2
Nos ambientes marítimos anaeróbicos, o sulfito de prata (Ag2S) é o mais vulgar composto
mineral de alteração da prata (North e MacLeod 1987:94). Ele é vulgarmente registado nos naufrágios nas
Caraíbas e na Austrália, e constitui o produto de corrosão predominante dos objectos de prata
recuperados em locais marítimos. A maioria dos artefactos de prata recuperados do mar têm uma fina
camada superficial de sulfito, que apaga parte dos pormenores superficiais, tais como inscrições, marcas e
selos. Uma grande percentagem de artefactos, no entanto, estão completamente convertidos em sulfito ;
outros guardam apenas uma quantidade mínima de metal remanescente.
Na água do mar aeróbica, o mais encontrado produto da corrosão da prata, e das ligas de prata, é
o brometo de prata (AgBr). Também podem estar presentes quantidades variáveis de cloreto de prata
(AgCl) e de sulfito de prata (Ag2Cl) (North e MacLeod 1987:94). O cloreto de prata, em geral, não é extenso
na prata recuperada em água salgada. Gettens (1964:563) assinala que as moedas de prata cobertas pela
água do mar estão, por vezes, superficialmente transformadas neste mineral. Em locais onde as
condições alternem entre aeróbicas e anaeróbicas, é provável que estejam presentes combinações de
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todos os principais produtos de corrosão da prata (North e MacLeod 1987:94-95). No caso de objectos em prata
relativamente pura, são predominantes o sulfito de prata (Ag2S) e o cloreto de prata (AgCl). No caso de
ligas à base de prata com quantidades significativas de cobre, o cobre vai ser preferencialmente corroído e
formar óxido cuproso, carbonato cúprico e cloreto cuproso. Em tais casos, o objecto em liga de prata deve
ser tratado como se fosse de cobre.
Independentemente de quais produtos de corrosão da prata se formaram, todos eles são estáveis
e não tomam parte em qualquer posterior reacção com a prata remanescente. De facto, as camadas de
corrosão proporcionam um certo grau de protecção contra a posterior corrosão do metal. Elas também
proporcionam, muitas vezes, uma patina esteticamente agradável, que é frequentemente apreciada e
deliberadamente preservada. A única razão para se tratar a prata é para a remoção das camadas de
corrosão desfigurantes, com o propósito de se revelarem os pormenores, por razões estéticas, para se
reduzirem os produtos minerais de volta ao estado metálico, e para se removerem os cloretos do cobre
que seja parte componente das ligas de prata.
Antes do tratamento de conservação, a incrustação marítima deve ser removida mecanicamente
ou, em certos casos, por imersão numa solução de 10 a 30 % de ácido fórmico. As alternativas de
conservação para a limpeza da prata e das ligas de prata são as seguintes :
1. Limpeza galvânica
2. Redução electrolítica
3. Tratamento por ditionite alcalina
4. Limpeza Química
5. Estabilização e Consolidação.

LIMPEZA GALVÂNICA
O tratamento galvânico da prata pode ser conseguido pela utilização de zinco ou alumínio em
soda cáustica, conforme se descreve para o ferro. As principais diferenças são a utilização de grânulos de
zinco ou de alumínio com ácido fórmico a 30 % aquecido (Plenderleith e Torraca 1968:241-246; Plenderleith e
Werner 1971:197, 221). Após o tratamento, o metal é cuidadosamente enxaguado e depois desidratado com
um solvente miscível em água, e ainda selado com uma laca acrílica transparente. A limpeza galvânica é
eficiente, mas não existem razões para a recomendar em lugar dos tratamentos por redução electrolítica
ou por ditionite alcalina.

LIMPEZA POR REDUÇÃO ELECTROLÍTICA


A limpeza electrolítica da prata aproveita a acção de redução por electrólise para a remoção dos
iões cloreto e sulfito, do cloreto e do sulfito de prata. Quando é aplicada uma corrente contínua, os iões
cloreto e sulfito, negativamente carregados, migram para o ânodo positivamente carregado. Os cloretos
podem-se transformar em cloro em dissolução, e os sulfitos oxidam-se para darem sulfatos. Como os
aniões não reagem com os ânodos inertes, eles acumulam-se no electrólito e são descartados juntamente
com este. Durante este processo, a prata existente nos compostos de corrosão é deixada em estado
metálico.
Estão descritos dois métodos de limpeza por redução electrolítica na literatura sobre conservação;
esses métodos são referidos por Organ (1956) como redução normal e redução de consolidação. A
redução electrolítica normal usa uma fonte de alimentação de corrente contínua rectificada (DC). A
redução de consolidação usa uma fonte de alimentação de corrente alternada (AC) parcialmente
rectificada (assimétrica). Ambas estas técnicas exigem que ainda exista um núcleo metálico dentro do
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objecto. O Conservation Research Laboratory da Texas A&M University utiliza principalmente o processo
de redução normal com 5 % de ácido fórmico, essencialmente como está descrito por Plenderleith e
Werner (1971:222). Ambas estas técnicas são discutidas a seguir.
ELECTRÓLITO
Podem ser usados dois electrólitos para a limpeza da prata, o ácido fórmico (HCOOH) e o
hidróxido de sódio (NaOH). Apesar de terem sido propostas concentrações do electrólito entre 5 a 30 %
de NaOH em água desionizada (Organ 1956:129; Plenderleith e Werner 1971:222; Pearson 1974:299), as soluções
de 5 % de HCOOH ou de 2 % de NaOH são as geralmente mais usadas como electrólito para a
limpeza da prata.
DENSIDADE DA CORRENTE
A prata é facilmente reduzida pela electrólise, independentemente da voltagem ou da montagem.
North (1987:240) observou que eram sempre obtidos bons resultados pela electrólise da prata com uma
grande diversidade de voltagens aplicadas, e que essas voltagens aplicadas durante a electrólise não
pareciam ser críticas. Como o número e o tamanho dos artigos a serem tratados pode ser variável,
Pearson (1974:299) ajusta a corrente para produzir uma célula de voltagem aproximada a 3 volts.
Plenderleith e Werner (1971:198) afirmam que não se deve permitir que a densidade da corrente desça
abaixo dos 0,02 Amp/cm2, por forma a se evitar que se deposite sobre os artefactos uma película de
cobre, rosa salmão, proveniente dos materiais de corrosão, da tela catódica ou dos fios de cobre. Numa
série de experiências, Organ (1956:134) descobriu que uma corrente de baixa densidade de 30 a 50
miliamp/dm2 (0,3 a 0,5 Amp/cm2) reduzia mais prata do que correntes de densidades superiores. Mesmo a
densidade de corrente extremamente baixa de 0,01 Amp/cm2, recomendada por Organ (1956:129)
proporciona resultados satisfatórios. Na maioria dos casos, uma corrente de muito baixa densidade, da
ordem da que Organ propõe, é o ideal para a redução máxima do metal durante a limpeza electrolítica da
prata.
MATERIAL DO ÂNODO
Quando se trata a prata, são preferíveis ânodos inertes, tais como os de titânio expandido
revestidos com platina e os de aço inoxidável N.º 316. Nalguma literatura antiga sobre conservação, são
recomendados ânodos de carbono, mas estes já não são usados, uma vez que se dissolvem
invariavelmente no electrólito. Os ânodos em titânio revestido com platina podem ser usados quer em
electrólitos ácidos, quer em alcalinos; recomendam-se especialmente para utilização em electrólitos
ácidos, porque são quase totalmente inertes e não vão reagir com o electrólito. O custo extremamente
elevado do titânio revestido com platina, no entanto, limita a vulgarização da sua utilização. Os ânodos de
aço inoxidável N.º 316 são um bom substituto para o titânio revestido com platina, desde que seja usado
ácido fórmico como electrólito. Os ânodos de aço inoxidável oxidam-se após electrólises prolongadas em
hidróxido de sódio, resultando na destruição do ânodo e na deposição de ferro sobre a prata. Podem ser
usados ânodos de aço macio com electrólitos de hidróxido de sódio; no entanto, nunca devem ser usados
com o ácido fórmico, já que o aço macio se destrui rapidamente e resulta invariavelmente na deposição de
ferro sobre a prata.
CÁTODO DE CONTACTO
A célula electrolítica para a limpeza da prata pode ser instalada por qualquer um dos métodos
descritos na secção sobre o ferro. Tal como para o ferro, é a mais usada pelos conservadores a
montagem em que os artefactos são ligados por clips a uma vara de cátodo e ensanduichados entre dois
ânodos suspensos ( ver Fig. 10B.1D).
Esta montagem electrolítica é muito útil para o tratamento de diversos objectos em conjunto e pode ser
usada para moedas e para outras peças pequenas. No entanto, quando tratam pratas por electrólise, o
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conservador pode querer evitar a ligação de clips a peças de prata pequenas para não lhes arranhar a
superfície. Isto é especialmente verdade para moedas frágeis e para peças delicadas de joalharia. Podem
ser eliminadas as ligações directos e individuais entre o artefacto e o cátodo pelo uso de uma tela
condutora catódica, feita com rede de cobre (ver Fig. 13.1). O espécimen que vai ser limpo faz contacto
eléctrico através da tela catódica, a qual está ligada ao terminal negativo. As áreas da tela que não estão a
ser usadas para o estabelecimento de contacto entre o cátodo e os artefactos devem ser recobertas com
borracha de silicone. A borracha mantém os objectos separados e reduz a quantidade de superfície de
cobre exposta, o que minimiza o problema da deposição de cobre sobre a prata.
PROCEDIMENTO
Os artefactos estão prontos para serem limpos por electrólise depois de lhes ter sido removida
qualquer incrustação, por acção de um pequeno cinzel pneumático, e de terem sido cuidadosamente
enxaguados. Os especímenes pequenos podem ser montados conforme se vê na Fig. 13.1. Esta
montagem foi concebida para a limpeza de moedas, mas é aplicável a qualquer pequeno objecto em prata
ou a outro objecto de um metal não ferroso. A montagem usa uma vasilha em vidro, uma tela condutora
catódica em rede de cobre, uma armação de suporte para o ânodo em madeira, e ânodos em titânio
expandido revestidos com platina ou em aço inoxidável N.º 316, ligados a um varão de aço macio. Depois
de os artefactos terem sido colocados na tela catódica, é aplicada a corrente, e adicionado um electrólito
de ácido fórmico a 5 %. Para se evitar que qualquer dos sais presentes no electrólito se deposite sobre a
superfície do artefacto, a corrente nunca deve ser desligada enquanto os artefactos estiverem dentro do
electrólito. Isto reduz consideravelmente o problema da deposição de cobre sobre a superfície da prata.
Enquanto a corrente estiver ligada, os objectos devem ser periodicamente removidos, escovados debaixo
de água desionizada, e mergulhados numa solução a 0,2 % de nitrato de prata, para que sejam removidos
quaisquer cobre ou sulfatos superficiais. Os objectos são depois devolvidos à tela catódica, com a face
contrária virada para cima. A electrólise continua até que cada lado do objecto tenha uma aparência
uniforme, e que se desenvolva livremente hidrogénio nas superfícies desse objecto. Os objectos
pequenos, tal como as moedas, geralmente necessitam apenas de algumas horas de electrólise. Os
objectos de prata de maior dimensão, ou as peças com formas irregulares, podem ser limpos pela forma
que se descreveu anteriormente, excepto que o objecto é ligado ao terminal negativo por um clip em vez
de através da tela condutora catódica.
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Fig. 10B.1D – Montagem electrolítica para o tratamento de pequenos objectos em conjunto.


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Figura 13.1 – Montagem electrolítica para a limpeza de moedas de prata ou de outros artefactos pequenos.
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REDUÇÃO EM ÁCIDO FÓRMICO


Organ (1956) conduziu diversos ensaios pormenorizados sobre as técnicas para a redução da
prata e sobre as respectivas alternativas. Ele recomenda que a redução electrolítica normal seja
conduzida numa solução aquosa de ácido fórmico a 30 %, porque este electrólito não tem efeitos
prejudiciais sobre a prata e requer apenas uma lavagem mínima após a electrólise. (Ensaios realizados
pelo Conservation Research Laboratory da Texas A&M University indicaram que um electrólito de 5 % de
ácido fórmico seria adequado). Organ observou que a camada reduzida de iões de prata e os produtos da
corrosão exterior da superfície original delaminavam e revelavam a superfície original, quando se usava
um electrólito de ácido fórmico com uma densidade de corrente de 1 Amp/cm2. Por esta razão, o
tratamento com um electrólito de ácido fórmico é frequentemente usado para a prata que tenha a sua
superfície original preservada pela camada de corrosão. O tratamento é eficiente desde que permaneça
um núcleo metálico substancial. Durante a electrólise, as camadas de corrosão da prata reduzidas,
regeneradas na superfície do metal em ácido fórmico, ficam sob a forma de camadas granulares ou
particuladas, que são fisicamente fracas e que tendem a separar-se do núcleo metálico. Para se
preservarem os pormenores do espécimen, deve ser aplicada uma laca acrílica transparente, com a
finalidade de se selarem as camadas de corrosão sobre a superfície do objecto. Como as camadas de
corrosão são particuladas, a prata que é reduzida no ácido fórmico tende a ser escura, frágil e rígida. No
entanto, a prata escura reduzida é estável, fica rigorosamente limpa dos produtos da corrosão e com uma
aparência “antiga”. Se for pretendida uma superfície mais luminosa, a prata pode ser ligeiramente polida
com uma pasta de bicarbonato de sódio, uma escova de fibra de vidro fina, ou um pano para polimento de
pratas.
REDUÇÃO EM HIDRÓXIDO DE SÓDIO
A redução com uma solução aquosa de hidróxido de sódio, entre 3 a 15 %, a baixa densidade de
corrente (10 a 15 miliamp/dm2), resulta numa prata metálica firme e resistente, capaz de ser polida (Organ
1956:135). A prata regenerada conserva os pormenores e a textura da corrosão superficial laminada
original, mas fica cheia de vazios e não é dúctil. Ensaios mais recentes demonstraram que um electrólito
de NaOH é mais conducente do que o ácido fórmico, para a redução total da prata.

REDUÇÃO DE CONSOLIDAÇÃO
Têm sido usadas correntes contínuas rectificadas na conservação dos metais, no seu
chapeamento e na carga de baterias. No entanto descobriu-se, há alguns anos, que uma pequena
quantidade de corrente alternada (também chamada de parcialmente rectificada ou de corrente alternada
assimétrica) produz acabamentos chapeados suaves, cargas de bateria mais rápidas e que aumenta a
vida dessas baterias. Esta técnica foi descrita pela primeira vez, na literatura de conservação, por Organ
(1956) como redução de consolidação.

Existem três possíveis espécies de correntes induzidas electromotoras : corrente alternada (AC),
corrente contínua (DC) e corrente alternada assimétrica (Fig. 13.2). Em cada ciclo de AC (Fig. 13.2 A),
existe uma igual quantidade de corrente directa (corrente que se dirige do negativo para o positivo) e de
corrente de retorno (corrente que se dirige do positivo para o negativo); portanto, uma AC tem uma forma
sinusoidal simétrica. Se um artefacto, que está a sofrer electrólise, estiver ligado a AC, são depositados
metal e hidrogénio, e o metal é reduzido no cátodo, a partir dos produtos de corrosão, durante a metade
directa do ciclo de corrente. Na metade seguinte de retorno, o metal e o hidrogénio, depositados ou
reduzidos, são dissolvidos no cátodo. Não se verifica nenhum progresso na redução.
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Como a DC flui apenas para a frente, no cátodo apenas têm lugar reacções de redução e de
deposição (ver Fig. 13.2 B). Na redução normal com DC, o metal e o hidrogénio são reduzidos na
superfície do objecto a ser tratado, mas durante o processo, o cátodo pode vir a ficar polarizado pela
acumulação das bolhas de hidrogénio formadas e depositadas na sua superfície. O hidrogénio gasoso
pode isolar essa superfície nalgumas áreas, enquanto que outras áreas continuam em contacto com o
electrólito. A polarização vai, portanto, ter como consequência uma deposição irregular do metal e a
formação de vazios microscópicos dentro do metal recentemente reduzido.
Na redução de consolidação, é geralmente usada uma AC assimétrica, com 10 a 20 % de corrente
de retorno e 80 a 90 % de corrente directa. Durante a electrólise, o efeito global é uma rápida sucessão de
ciclos de redução e de dissolução (ver Fig. 13.2 C). Durante os 90 % da metade directa do ciclo, dão-se a
redução do metal nos compostos da corrosão e a deposição do metal anteriormente dissolvido durante o
meio ciclo de corrente reversa. Durante os 10 % do meio ciclo reverso, dá-se uma dissolução parcial do
metal anteriormente reduzido ou depositado; no entanto, os 90 % de corrente directa dão maior ênfase à
redução e deposição, relativamente à dissolução, conforme a corrente se inverte a 120 vezes por
segundo. Neste processo, a polarização do cátodo é minimizada.
Organ (1956) usou AC assimétrica num electrólito de hidróxido de sódio para regenerar
completamente a prata mineralizada da lira de Ur, a partir do cloreto de prata das suas camadas de
corrosão, até à formação de prata metálica maciça, ao mesmo tempo que preservou os pormenores
superficiais. A prata reduzida era dúctil e mais homogénea do que a prata reduzida pelas técnicas
electrolíticas normais que usavam DC totalmente rectificada. Organ usou um electrólito de NaOH a 3 %,
um ânodo em varão de carbono, e uma corrente com muito baixa densidade de 10 miliamp/dm2 (0,1
Amp/cm2) para reduzir a prata e para evitar a rápida evolução de hidrogénio, a qual poderia eventualmente
perturbar a prata reduzida.
Para artefactos de prata que estejam profunda ou totalmente corroídos, conseguem-se reduções mais
completas se o condutor do cátodo for aplicado contra uma face do artefacto e o condutor exposto for
recoberto com cera ou com polimetacrilato. Isto assegura que a corrente passa através do metal corroído
enquanto flui do electrólito para o cátodo. O hidrogénio descarrega na superfície do metal mineralizado e
faz a sua redução. Organ (1956) usou esta técnica com o objectivo de proporcionar um contacto eléctrico
com o cloreto, que é não metálico e pobremente condutor, na prata completamente mineralizada. Este
arranjo é benéfico, mesmo quando apenas resta um pequeno núcleo metálico de prata. Durante o
processo, que pode demorar diversas semanas, as camadas de corrosão exteriores à superfície original
são reduzidas in situ, e todos os pormenores dessa superfície são preservados. Como esta técnica
preserva toda a superfície exterior da corrosão, ele não deve ser usado em espécimens que tenham a sua
superfície original bem preservada dentro de uma crosta de corrosão. Após a redução, o artefacto deve
ser enxaguado em água desionizada fria, para serem removidos todos os alcalis, e depois revestido com
um selante apropriado.
Podem ser encontrados mais pormenores respeitantes ao desenvolvimento e aplicação da
redução de consolidação em Organ (1956:137-144). Plenderleith e Werner (1971:223-226) fornecem um útil
sumário das técnicas de redução de consolidação, e uma pesquisa adicional é apresentada por
Charalambous e Oddy (1975); a descrição do circuito para a corrente parcialmente rectificada é feita em
ambas estas fontes. A corrente alternada assimétrica parece ter algumas vantagens sobre a corrente
contínua, e pode-se vir a provar ser-lhe superior no tratamento de todos os artefactos metálicos, inclusive
do ferro. As técnicas de redução electrolíticas que usam correntes alternadas assimétricas ainda não
foram largamente adoptadas pelos laboratórios de conservação, apesar de se conseguir uma eficiente
redução dos produtos de corrosão da prata a prata metálica, com muito baixas densidades de corrente
contínua e um electrólito de hidróxido de sódio.
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Fig. 13.2 – Ciclos da corrente alternada


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DITIONITE ALCALINA
O tratamento por ditionite alcalina é semelhante ao tratamento por sulfito alcalino para o ferro. É
um método relativamente barato, simples e eficiente para a redução uniforme dos produtos de corrosão da
prata a prata metálica (MacLeod e North 1979). Os passos envolvidos na tratamento por ditionite alcalina são
os seguintes :
1. Imergir o objecto em ácido hidroclorídrico entre 10 a 12 %, para a remoção da incrustação
envolvente, que consiste em areia, conchas, carbonato de cálcio e compostos da corrosão de
cobre ou de ferro. Este passo pode levar entre 12 horas a 1 semana, ou mais, até que toda a
acção de limpeza termine e não evoluam mais bolhas de gás no objecto. Durante este passo, é
também necessário assegurar-se que a solução se mantenha ácida. Se necessário, deve-se
adicionar ácido hidroclorídrico concentrado à solução para a manter com uma acção eficaz.

2. Enxaguar o objecto cuidadosamente em água da torneira, para se removerem todos os resíduos


das incrustações e do ácido. Pode ser usado um cinzel pneumático para a remoção mecânica de
qualquer incrustação resistente.

3. Preparar uma solução de ditionite alcalina : dissolver 40 g de hidróxido de sódio num litro de água,
e adicionar 60 g de hidrossulfito de sódio (a quantidade de hidrossulfito de sódio na solução não é
crítica, e qualquer quantidade entre 55 a 65 g será eficiente). Imergir rapidamente o objecto na
solução de ditionite alcalina por forma a se evitar a oxidação da solução dentro recipiente. Este
recipiente deve estar completamente cheio com a solução e ter uma tampa estanque ao ar.

4. Agitar e virar o recipiente diariamente, para se manter a solução misturada e para se exporem
todas as faces do objecto à solução.

5. Após uma semana, remover o objecto e enxaguá-lo em água até que o pH desta água se
mantenha inalterado.

6. Os produtos da corrosão na superfície do objecto ficam reduzidos a uma prata metálica cinzenta,
que pode ser polida com uma pasta húmida de soda culinária ou com uma escova de fibra de
vidro.
Além de ser muito eficiente na redução dos produtos de corrosão da prata, o tratamento por ditionite
alcalina tem sido usado com sucesso em todos os artefactos de cobre, convertendo os produtos da
corrosão do cobre de volta a cobre metálico.
Para se deitar fora a solução de ditionite alcalina, deixa-se que ela oxide ao ar durante vários dias
para se converterem os sulfitos em sulfatos. Após esta oxidação, a solução deve ser neutralizada com
ácido hidroclorídrico. A solução pode ser então despejada no esgoto com segurança ; no entanto, é
possível extrair-se alguma prata desta solução através de electrólise, a qual irá chapear o metal do cátodo.
A prata recuperada do cátodo chega quase para pagar o tratamento.

ENXAGUAMENTO E SELANTE
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A seguir à electrólise, o artefacto deve ser enxaguado em água desionizada. Se for usado um
electrólito alcalino, o enxaguamento deve ser bastante intenso, para se evitar a formação de um
precipitado bronco sobre o objecto. Após este enxaguamento, a prata pode ser secada ao ar quente ou
desidratada com acetona e depois revestida com uma laca acrílica transparente, tal como o Krylon 1301.

LIMPEZA QUÍMICA
A maioria dos objectos de prata recuperada de contextos arqueológicos requer apenas um
tratamento limitado. Na maioria dos casos, os diversos produtos da sua corrosão podem ser removidos
com soluções químicas simples (Plenderleith e Werner 1971:227-229). As vulgares manchas escuras,
provocadas pelos compostos de enxofre, podem ser eliminadas facilmente com as soluções comerciais
para limpeza de pratas. Em alternativa, pode ser preparada uma solução suave para se mergulharem as
pratas, que consiste em 5 % de tiureia e 1 % de detergente não iónico, em água destilada. Uma solução
de 15 % de tiossulfato, em água destilada, com 1 % de agente de molhagem não iónico, é mais forte do
que o banho anterior e é eficaz, quer para a remoção das manchas escuras, quer do cloreto de prata. Para
pratas com compostos de corrosão do cobre, a amónia concentrada limpa eficientemente essa prata de
todos os compostos de corrosão do cobre. Deve-se ter cuidado, no entanto, porque a amónia dissolve o
cloreto de prata e pode enfraquecer substancialmente a prata gravemente corroída. Uma solução de 5 a
30 % de ácido fórmico em água desionizada é eficaz para se dissolverem os compostos de cobre sem se
afectarem os cloretos de prata. O ácido fórmico também pode ser usado para dar brilho à prata que já
tenha sido limpa por outro químico ou por outro processo. As películas de cobre metálico podem ser
removidas com uma solução de nitrato de prata. No entanto, em geral, basta uma simples lavagem com
sabão e água ou esfregar-se o objecto de prata com um abrasivo suave de polimento.

ESTABILIZAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO
Uma vez que o sulfito e o cloreto de prata são compostos estáveis, as peças de prata corroídas
não necessitam de ser estabilizadas. No entanto, é muitas vezes necessária a consolidação do próprio
objecto. A maioria das moedas de prata e de outros objectos pequenos em prata, que é provável serem
encontrados dentro de uma incrustação, podem estar completamente convertidos em sulfito de prata. Em
certos casos, tudo o que resta da prata é uma papa molhada e informe. Nalguns casos, permanece uma
estrutura cristalina aumentada, deformada e descontínua, e tudo o que pode ser feito é registarem-se
quaisquer dados contidos, tais como uma impressão da moeda na incrustação circundante.
Quando um artefacto está quase completamente ou completamente convertido em sulfito
compacto e coeso, a forma e todos os pormenores do espécimen original ficam retidos. Algumas “moedas”
podem consistir numa leve “bolacha” de sulfito, que se pode transformar em pó sob a mais ligeira pressão.
Se não for tentada uma redução de consolidação, ou se esta for impossível, qualquer tratamento de
limpeza pode dissolver a moeda ou, pelo menos, destruir todas as marcas e pormenores que estavam
preservados na camada mineralizada de sulfito. Em certas circunstâncias, pode ser possível a
conservação do artefacto com uma solução de ditionite alcalina, conforme se descreveu atrás. Noutros
casos, a única alternativa possível é a consolidação dos sulfitos. A peça deve ser colocada numa solução
diluída de acetato polivinílico (PVA) e acetona. É deixada dentro dessa solução até que deixem de sair
bolhas da sua superfície, sendo então retirada e deixada secar parcialmente. Este processo deve ser
repetido por duas ou três vezes, seguindo-se a secagem do objecto. O processo de imersão e secagem
garante que seja absorvida pelo objecto uma quantidade máxima de acetato. O PVA vai consolidar as
camadas de sulfito, apesar do que o objecto permanece frágil e pode-se quebrar facilmente. Se desejado,
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podem ser usados numerosos outros consolidantes, tais como o acetato butílico, diversos polimetacrilatos
ou mesmo ceras.

SUMÁRIO
Como os produtos da corrosão da prata são estáveis, o tratamento que se vai dar a artefactos de
prata é menos crítico do que noutros metais. Especialmente no ferro. Em certos casos, no entanto, quando
se está a tratar de uma base de prata com uma significativa quantidade de cobre, é este cobre e os seus
produtos de corrosão que pode criar problemas; nestes casos, o artefacto deve ser tratado como o cobre.
Em muitas circunstâncias, a prata pode ser exclusivamente tratada por meios mecânicos ou por diversos
tratamentos químicos. Em consequência da susceptibilidade da prata à corrosão em ambientes
anaeróbicos, que são característicos dos ambientes marítimos, é frequentemente empregue um
tratamento que reduz os produtos de corrosão da prata de volta ao estado metálico. Se o objectivo for
essa redução, apenas serão eficazes os tratamentos por redução electrolítica e por ditionite alcalina. É por
essa razão que estes são os tratamentos mais usados na conservação de artefactos em prata
recuperados de ambientes marítimos. Cada qual é eficiente à sua maneira, e a decisão de se usar cada
um deles deve ser tomada conforme os recursos particulares do laboratório e o número de artefactos que
vão ser tratados.

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