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EQUIPES DE NOSSA SENHORA

“Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo.” (Ef 5, 21) 


DEVER DE SENTAR-SE... NO OUTONO DA VIDA

O dever de sentar-se não é estático. Ele modifica-se, como a


própria vida, e tem suas idades, como o amor. Precisa estar em
constante renovação: recém-casados ou já amadurecidos, com os
filhos pequenos ou já grandes, na ausência momentânea de um
dos cônjuges, ou na sua ausência definitiva, quando tiver
regressado para junto do Pai...

No começo do casamento, cada um dos cônjuges tende a seguir


sua própria psicologia, masculina ou feminina. Assim vão surgindo
divergências no modo de pensar, de ver as coisas, de sentir, de agir
e, imperceptivelmente, marido e mulher podem começar a
distanciar-se um do outro.

Se não se precaverem, existirá um dia, um abismo entre si e não


mais conseguirão entender-se. Poderão acomodar-se à situação,
levando uma vida paralela, resignados ao fracasso, ou explodir em
crise, crise que se não for bem contornada, poderá levar à ruptura.

A intimidade do casal requer sempre um recomeçar. Nunca é


definitivamente alcançada, e o dever de sentar-se é um dos meios
mais eficazes para consegui-la progressivamente. . . .

Já ouvimos muitas vezes a definição do Dever de sentar-se: "Um


longo momento que marido e mulher passam juntos calmamente,
todos os meses, para um balanço de sua vida, sob o olhar de Deus".
No momento, todos nós sabemos que é um dos pontos onde há
mais falhas, maiores dificuldades. . . .

A vida desgasta, separa; cada cônjuge tem seu caráter, seus gostos,
seu temperamento. É preciso harmonizar tudo isso. É preciso,
acima de tudo, planejar sempre a vida em comum e a vida do lar: e
planejar não significa apenas fixar horários, programas, atitudes.
Planejar é pôr as partes em contato, as pessoas em comum acordo,
respeitando cada um as fraquezas do outro e valorizando suas
qualidades. Planejar é, sobretudo, dialogar, comunicar o mais
íntimo de si, conservar o entusiasmo, a grandeza e o ideal do
matrimônio cristão como no primeiro dia de casados.

Se, é importante planejar quando se é jovem, quando se esta na


primavera, também é importante fazer planos quando se está no
outono... e, por quê não, também para o inverno, quando ele se
aproxima... É que o inverno é uma estação dura, difícil, longa...

Há o frio. E como é penosa a falta de calor!... Mais penoso ainda é


o frio no coração, na vontade, na alma, no amor... há a neve: gelo
que mata a colheita, que seca os prados, que apaga as cores e
afugenta as aves... e, que Deus nos livre de uma lareira apagada
durante o inverno!

Então vamos sentar calmamente na presença de Deus para


planejar o outono de nossas vidas, antes que possa nevar em
nossas cabeças, vamos conversar trocar ideias, fazer uma revisão
de nossa caminhada na primavera e no verão que ficaram para
trás...

Que as tristezas, que os erros, que os desacertos, que os pequenos


desamores, que todos os obstáculos do caminho sejam vistos com
olhos novos, com os olhos da experiência, com. os olhos de quem
aprendeu a discernir o dedo de Deus em todos os passos do
caminho. E que as alegrias, as coisas felizes nos sirvam de estímulo
para a entrada do inverno que se anuncia.

Que esta troca de ideias, singela, humilde, franca, seja ao mesmo


tempo acolhimento de um para o outro, compreensão mútua, ação
de graças, fume resolução de olhar sem temor para o futuro que
nos aproxima cada vez mais de Deus.
Que cada um de nós, velhinhos de coração jovem, encare com toda
confiança a nova fase do amor que os espera e que, vivida sob o
olhar de Deus, pode ser a beleza serena do entardecer.

AS QUATRO ESTAÇÕES DO DEVER DE SENTAR-SE.

1. Nosso dever de sentar-se é como o OUTONO que produz frutos


saborosos? Ou produz frutos amargos e azedos?
2. É como o INVERNO que gela o relacionamento do casal? Ou tem
a lareira do amor para aquecê-lo?
3. É como a PRIMAVERA que floresce o jardim do amor? Ou produz
flores sem aroma e espinhosas?
4. É como o VERÃO que queima e seca? Ou derrete o gelo do nosso
coração e aquece o nosso amor conjugal e familiar?

Papa Francisco e o Dever de Sentar-se

Quando se fala em diálogo, muita gente já sente um frio na espinha


e rejeita a proposta rapidamente. Talvez, porque dialogar remeta à
ideia de discutir a relação, as famosas DRs. Mas diálogo não tem
nada a ver com discussão. Ninguém nasce sabendo dialogar, mas é
um aprendizado contínuo e necessário para toda a vida.

Papa Francisco oferece dez ensinamentos para aprender a


dialogar

Neste sentido, queremos descobrir juntos como obter sucesso no


diálogo. Para nos ajudar nessa descoberta, dicas preciosas do Papa
Francisco estão contidas na Exortação Apostólica Amoris Laetitia:
1. Requer aprendizagem
O diálogo “requer uma longa e diligente aprendizagem”. O Santo
Padre explica que “homens e mulheres, adultos e jovens têm
maneiras diversas de se comunicar, usam linguagens diferentes,
regem-se por códigos distintos”. É que a comunicação pode ser
influenciada por muitos fatores como a maneira de perguntar, o
jeito de responder, o tom que se usa, a hora escolhida. O diálogo
autêntico é favorecido por atitudes de amor.

2. Reserve tempo
Escutar com paciência e atenção necessita de um tempo de
qualidade. Deixe seu cônjuge manifestar tudo o que precisa
comunicar. “Isso requer a ascese de não começar a falar antes do
momento apropriado”. Não fique dando opiniões ou conselhos,
mas procure estar seguro de escutar tudo o que o outro tem
necessidade de dizer.

3. Silêncio interior
Não tenha pressa, esqueça necessidades e urgências, ofereça
espaço: “isto implica fazer silêncio interior para escutar sem ruídos
no coração e na mente”. Coloque, na sua cabeça, que, na maioria
das vezes, seu cônjuge não precisa de solução para problemas,
apenas quer ser ouvido.

4. Dê importância real à pessoa


É preciso desenvolver o hábito de dar real importância ao outro.
Para isso, busque valorizá-lo, reconhecê-lo no direito de existir, de
pensar de maneira autônoma e feliz. Nunca subestime o que diz ou
reivindica. Isso não impede que você expresse seu ponto de vista.
Todos temos algo a oferecer. “É possível reconhecer a verdade do
outro, a importância das suas preocupações mais profundas e a
motivação de fundo do que diz, inclusive das palavras agressivas”,
ensina o Papa. Crie empatia: coloque-se no lugar da pessoa para
interpretar a profundidade do seu coração. Entenda o que o
apaixona e tome essa paixão como ponto de partida para
aprofundar o diálogo.

5. Abra a cabeça
O Papa Francisco utiliza a expressão “amplitude mental”. Seja
flexível em suas opiniões. A partir do diálogo, ideias diferentes
podem surgir e, com isso, uma nova síntese poderá enriquecer
ambos. União não quer dizer uniformidade, mas uma harmonia na
diversidade ou uma “diversidade reconciliada”. Libertem-se “da
obrigação de serem iguais”.

6. Expresse sem ferir


Não deixe que eventuais interferências destruam um processo de
diálogo. Identifique “maus sentimentos” e não dê a eles tanto peso
para que não prejudiquem a comunicação. É possível expressar o
que sentimos sem ferir. Utilize linguagem e modo de falar mais
adequados, expresse críticas, sem descarregar a ira como uma
forma de vingança e evite linguagem moralizante agressiva, irônica
e condenadora. Muitas discussões são motivadas por pequenas
coisas, mas acabam ficando quentes por causa da nossas atitudes
ou da maneira como as dizemos.

7. Carinho
Gestos de carinho permitem superar as piores barreiras. “Quando
se pode amar alguém ou quando nos sentimos amados por essa
pessoa, conseguimos entender melhor o que ela quer exprimir e
nos fazer compreender”, garante Francisco.

8. O outro não é concorrente


“É preciso superar a fragilidade que nos leva a temer o outro como
se fosse um concorrente”. Cultive sua segurança em opções
profundas, convicções e valores, e não no desejo de ganhar uma
discussão ou de ter razão.

9. Principais reclamações
Fique atento para alguns fatores que atrapalham o diálogo.
Reclamações comuns são:

1. Não me ouve;

2. Quando parece que o faz, na realidade está a pensar noutra


coisa;
3. Falo-lhe e tenho a sensação de que está à espera que acabe de
vez;
4. Quando lhe falo, tenta mudar de assunto ou dá-me respostas
rápidas para encerrar a conversa.

10. Alimente o interior


O diálogo é alimentado com leitura, reflexão pessoal, oração e
abertura à sociedade. “Caso contrário, a conversa torna-se
aborrecida e inconsistente. Quando cada um dos cônjuges não
cultiva o próprio espírito e não há uma variedade de relações com
outras pessoas, a vida familiar torna-se endogâmica e o diálogo fica
empobrecido”, alerta o Santo Padre.

Espero que esses conselhos práticos nos ajudem em nosso


itinerário de crescimento. Lembre-se que sempre é tempo de
recomeçar! Quem sabe hoje seja o dia de promover um momento
especial de diálogo. Certamente, os frutos desse momento vão ser
percebidos por toda a vida de vocês.
ORAÇÃO PARA ORAR EM CASAL

“Senhor, fazei com que compartilhemos a vida como verdadeiro casal,


esposo e esposa; que saibamos dar um ao outro o que temos de melhor
em nós, no corpo e no espírito; que nos aceitemos e nos amemos como
somos com as riquezas e limitações que temos. Que cresçamos juntos,
sendo caminho um para o outro; saibamos carregar o fardo um do outro,
encorajando-nos a crescer sempre no mútuo amor. Sejamos tudo um
para o outro: nossos melhores pensamentos, nossas melhores ações,
nosso melhor tempo e nossas melhores atenções. Encontremos um no
outro a melhor companhia. Senhor, que o amor que vivemos seja a
grande experiência do Vosso amor. Cresça Senhor, em nós, a mútua
admiração e atração, a ponto de nos tornarmos um só: no pensar, no agir
e no conviver. Para que isto aconteça, estejais Vós entre nós. Seremos
então, eternos enamorados. Amém.”

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