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ESACB investiga produção de Bioetanol na Beira Interior (Portugal)

A Escola Superior Agrária de Castelo Branco (ESACB) tem vindo a desenvolver, desde
há meses a esta parte, trabalhos de investigação acerca da viabilidade da produção de
Bioetanol a partir de culturas alternativas para a região da Beira Interior, nomeadamente
de sorgo sacarino [Sorghum bicolor (L.) Moench.] e de cana-de-açúcar (Saccharum
officinarum L.).

(a) (b)

Figura 1 – Exemplo de plantas de (a) sorgo sacarino (no caso, o transplantado, com
detalhe das plântulas em viveiro) e (b) cana-de-açucar, ambas produzidas na região da
Beira Interior.

Na verdade, no âmbito da incessante tentativa de contribuir para a busca de mais e


melhores alternativas económicas para os agricultores da sua zona de influência, a
ESACB tem vindo a participar em ensaios de culturas que até aqui eram consideradas
como menos adequadas às condições edafoclimáticas da região, entre as quais se
contam as atrás referidas.
Um primeiro ensaio de adaptação de uma variedade asiática de sorgo sacarino às
condições naturais do distrito de Castelo Branco foi desenvolvido, no período de
Verão/Outono de 2006, nas instalações da própria Escola, ou seja, na Quinta da Sra. de
Mércules. Foram testados aspectos como a densidade de sementeira e a forma de
propagação da cultura – por sementeira e por transplantação, tendo os resultados sido
bastante animadores. Nestes ensaios, e no que aos produtos obtidos diz respeito, foram
controlados aspectos como a produção de matéria-verde, a doçura das plantas, o teor em
sumo e algumas características físicas, como a altura, o peso e outros detalhes
botânicos.
Por outro lado, e no que concerne à utilização industrial das plantas, foi ainda feita a
extracção do sumo do caule do sorgo, tendo em seguida sido conduzida a respectiva
fermentação em condições controladas e a posterior destilação, com produção de
Bioetanol.
Conduzidos no quadro dos trabalhos de doutoramento de um dos docentes da ESACB,
estes trabalhos têm vindo, nos últimos meses, a versar igualmente a avaliação da
viabilidade e do valor intrínseco de novas variedades de cana-de-açúcar para a região da
Beira Interior. Neste último caso, a Escola tem estado a seguir a produção e a fazer a
avaliação do desenvolvimento de cana produzida na exploração agrícola de um
empresário da região, concretamente do Sr. Dilipcumar Dulobdas, com sede nas
imediações do Ladoeiro, Idanha-a-Nova. Concretamente, a Escola fez o estudo do
potencial de produção de Bioetanol a partir da fermentação e posterior destilação do
sumo de cana-de-açúcar, trabalhos que decorreram nos laboratórios da ESACB sob
supervisão do Prof. José Tomás Monteiro. Dos dados já disponíveis, quer o grau de
doçura (avaliado por meio do chamado “grau Brix”) – que chegou ultrapassar, em
Dezembro, os 20 º Brix, quer o volume de sumo produzido por quilograma de cana
fresca, quer ainda o volume de álcool extraído do sumo de cana parecem indiciar a
viabilidade da exploração da cana-de-açúcar nas condições do Perímetro de Rega da
Barragem de Idanha.
Contudo, a Escola está apostada em ir mais além neste assunto, estando prevista a
continuação destes trabalhos de ensaio de ambas as culturas, se possível já em
condições de exploração em ambiente de empresa agrícola real, no que conta com a
prestimosa colaboração de alguns agricultores da região. Por outro lado, os ensaios
deverão, já na próxima campanha, ir para além da região de Idanha-a-Nova, devendo
estender-se à região da Cova da Beira e do Campo Albicastrense, ou seja, na zona Sul
do distrito.

Finalmente, refira-se que a Escola está igualmente envolvida no estudo de outras fontes
de energia de fontes renováveis, nomeadamente do Biodiesel. Neste quadro, decorreu na
ESACB já um primeiro trabalho de fim-de-curso de uma sua aluna que versou o estudo
da viabilidade de produção de Biodiesel por recurso aos óleos de fritura usados
produzidos pelas infra-estruturas – refeitórios e residências – que servem os alunos do
IPCB. Deste estudo resultou que, a implementar-se um esquema de recolha daquele
sub-produto, seria possível colmatar as necessidades do combustível gasóleo da ESACB
em cerca de 5%.
Mas a Escola está igualmente a estudar o valor de algumas espécies vegetais para a
produção de óleos passíveis de ser utilizados na produção dos chamados
Biocombustíveis, nomeadamente algumas oleaginosas, como o Rícino (Ricinus
communis L.), o Pinhão-Manso (Jatropha curcas L.), e também o Cardo (Cinara
cardunculs L.).