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Morri: e Agora?

O que acontece conosco após a morte física? Esta é uma pergunta que todos nós, mais dia,
menos dia, fazemos. O ser humano cultiva na sua mente uma curiosidade sobre a r
ealidade metafísica, sobre aquilo que vai além do que ele consegue ver, e isto inclu
i, logicamente, se algo nosso, que seja essencial a nós mesmos, resiste mesmo após a
destruição do nosso corpo material.
Não cabe a este texto discorrer sobre a existência ou não desta "essência". Vamos assumi
r que ela existe, conforme as escrituras nos revelam, e entender melhor o que ac
ontece com ela assim que morrermos.
Para começo de conversa...
Uma coisa devemos ter em mente antes de começar. Que o ser humano está destinado a m
orrer uma só vez, e depois disto, segue-se o juízo (Hb 9.27). Outras passagens corro
boram o tema: Jó 14:10-12 e 14; Jó 16:22; Jó 7:9. Então, o que deve ficar claro é que o ho
mem só tem uma chance de escolher livremente sua morada eterna, seja ela com Deus
ou sem Ele. Não existe um "estágio probatório" após a morte: o "estágio" é aqui mesmo, nest
vida.A Bíblia, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo, se refere a um lugar de
tormento eterno onde os ímpios ficarão para sempre. E a promessa do céu, do paraíso, es
tá, também, clara em várias passagens nas escrituras.O ser humano é formado, basicamente
, em 2 partes principais: o corpo físico e o corpo espiritual (alma). Não entrarei n
o mérito da divisão bipartida ou tripartida do homem. Generalizando, para fins deste
estudo, serão consideradas somente estas duas partes: a material e a imaterial.
No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste
tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás. (Gn 3:19)
Na morte, o corpo material é destruído [1], vai para a sepultura ('sepultura' não prec
isa ser entendida no sentido estrito da palavra. Os que morreram sem ser sepulta
dos também estão "na sepultura"). O hebraico tem uma palavra para este "estado de mo
rto": Sheol. Esta palavra significa tanto sepultura, estado de morto, mundo ou m
orada dos mortos, cova. A Bíblia às vezes traduz este termo como inferno, o que não é um
a denominação muito acertada. Exemplos de uso desta palavra estão em Dt 32.22 e Am 9.2
. Outras passagens traduzem o termo "Sheol" como sepultura, o que é uma tradução mais
adequada, até mesmo com o contexto. Leia Gn 37.35, Jn 2.1-2, Jó 14.13; Gn 42.38.
Mas a alma sobrevive, e é ela que tem importância aqui. É o destino da nossa alma que
realmente interessa. Só há dois caminhos para onde a alma pode ir: ou para o Paraíso [
2] ou para o Hades [3]. Hades é uma tradução para o grego da palavra hebraica Sheol. N
o NT, ela adquire um significado um pouco mais amplo, dando a entender que será o
lugar temporário de tormento para as almas dos ímpios. Vê-se tal afirmação em passagens co
mo Lucas 16.23,24 e Mt 11.23 onde a palavra Hades é, incorretamente, traduzida sim
plesmente por inferno.Jesus nos conta, em Lucas 16.19-31, a existência de um lugar
de tormento, e um lugar de consolação. Na língua original, a palavra escrita como "in
ferno" em algumas de nossas traduções, é Hades. É o lugar onde o rico está sendo atormenta
do, depois de morto. O lugar onde Lázaro está sendo consolado chama-se "seio de Abraão
" [2].
Além destes dois lugares, fica tambem claro que: a) Não há como passar de um lugar par
a outro (há um abismo separando os dois); b) A forma da pessoa saber sobre a verda
de da outra vida está na Lei e nos Profetas. Para Abraão (e Jesus, no caso), as escr
ituras davam um testemunho muito mais forte do que alguém que voltasse dos mortos,
sendo, portanto, inútil que alguém voltasse para avisar os vivos, pois não acreditari
am de qualquer forma; e c) Após mortas fisicamente, as pessoas ainda mantém sua cons
ciência em funcionamento.
Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia t
odos os dias regalada e esplendidamente. Havia também um certo mendigo, chamado Láza
ro, que jazia cheio de chagas à porta daquele; E desejava alimentar-se com as miga
lhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas. E acon
teceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morr
eu também o rico, e foi sepultado. E no inferno, ergueu os olhos, estando em torme
ntos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem
misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me ref
resque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, le
mbra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora
este é consolado e tu atormentado. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós
e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco
os de lá passar para cá. E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu
pai Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também
para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. E d
isse ele: Não, pai Abraão; mas, se algum dentre os mortos fosse ter com eles, arrepe
nder-se-iam. Porém, Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acr
editarão, ainda que algum dos mortos ressuscite. (Lc 16:19-31)
Os salvos também estarão num lugar temporário, antes do Dia do Grande Juízo. Chama-se "S
eio de Abraão", ou Paraíso [3], ou ainda, mais simplesmente, Céu. Ali seremos consolad
os, toda lágrima será enxugada. Jesus, quando estava na cruz, falou ao ladrão que esta
va ao seu lado, que "hoje mesmo estarás comigo no paraíso" (Lucas 23.39-43). Então, as
sim que morrermos, estaremos com o Senhor Jesus!
E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és
o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós. Respondendo, porém, o outro, repreendia-o,
dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, co
m justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal f
ez. E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. E d
isse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso. (Lc 23:39-43)
Outro lugar que nos comprova que estaremos com Cristo é Ap 6.9-11. Nesta passagem,
os mortos em Cristo estão no lugar temporário; não ocorreu a ressurreição, nem tampouco o
julgamento. Vê-se que as almas destes estão conscientes também.
E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram
mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamava
m com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vi
ngas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um compr
idas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até q
ue também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser m
ortos como eles foram. (Ap 6:9-11)
Podemos constatar também que, além de conscientes, tanto os que vão ao Hades quanto os
que vão ao Paraíso lembram de sua vida, e do que ficou para trás. Também verifica-se qu
e conhecemos as outras pessoas nestes estágios. Até deve ser por este motivo que nós s
eremos consolados. Ninguém é consolado de algo bom, mas de lembranças ruins. Acredito,
pela Palavra, que neste estado intermediário, mesmo com todas as benesses do paraís
o, sofreremos um pouco com as lembranças ruins da nossa vida terrena, ou até mesmo p
or ser sabedor de que seus parentes e amigos podem estar tomando o outro caminho
, o de perdição. E então seremos confortados.
Mas no Dia do Senhor seremos ressuscitados [4]. Ambos, justos e ímpios, receberão um
novo corpo, "Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida et
erna, e outros para vergonha e horror eterno." (Daniel 12:2). Mas isto não se dará e
xatamente no mesmo tempo. A Bíblia fala que os justos ressuscitarão primeiro:
Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é
a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira res
surreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdote
s de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos. (Apocalipse 20:5,6)
A segunda ressurreição [4], a dos ímpios, está declarada aqui:
Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugir
am a terra e o céu, e não se achou lugar para eles.Vi também os mortos, os grandes e o
s pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livr
o, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obra
s, conforme o que se achava escrito nos livros. Deu o mar os mortos que nele est
avam. A morte e o hades entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados,
um por um, segundo as suas obras. Então, a morte e o inferno foram lançados para den
tro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi acha
do inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo. (Ap 20
.5,6)
Decorrente destas duas passagens, podemos verificar que, embora o paraíso seja bom
, não é o destino final dos justos. E, da mesma forma, o Hades (que não é o inferno) não é
destino final dos ímpios. Um novo céu e uma nova terra vai ser criada para os prime
iros e é ali que habitaremos eternamente com o Pai:
E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra pa
ssaram, e o mar já não existe. E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de D
eus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. E ouvi uma
grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com
eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu De
us. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, ne
m clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. E o que estava assent
ado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve;
porque estas palavras são verdadeiras e fiéis. (Ap 21:1-5)
Nesta cidade [6] receberemos, além do novo corpo, uma nova identidade, e uma memória
"limpinha", nova em folha. Por melhor que seja a Nova Jerusalém, teríamos as dores
herdadas da vida terrena. Faz todo sentido que Deus nos aliviasse deste tipo de
dor, nos dando uma nova memória. A passagem acima diz que não haverá mais morte, nem p
ranto, nem clamor, nem dor. Mas há uma outra passagem que corrobora com esta afirm
ação: "Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas pass
das, jamais haverá memória delas." - Isaías 65.17. E a nova identidade pode ser verifi
cada nesta passagem: "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vence
dor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre
essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o r
ecebe."- Apocalipse 2.17. Saliento que esta dádiva será dada para os justos, não para
os ímpios.
O destino eterno dos ímpios é o lago de fogo, este sim, o inferno. Jesus deu as cara
cterísticas deste lugar:
E, se a tua mão te escandalizar, corta-a; melhor é para ti entrares na vida alei
jado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga,
Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. (Mc 9:43-44)
Inferno, aqui, trata-se da transliteração para o português do termo grego "géenna", que,
por sua vez, origina-se do hebraico Geh Hinnóm cujo significado literal é "Vale de
Hinom". Ela aparece doze vezes no Novo Testamento (Mateus 5:22, 29, 30; 10:28; 1
8:9; 23:15, 33; Marcos 9:43, 45, 47; Lucas 12:5, Tiago 3:6), sendo sempre traduz
ida por inferno, e/ou a um lugar de tormento.
Vale de Hinom, originalmente, era o lugar onde Acaz, rei de Judá, é mencionado prati
cando rituais de adoração ao deus Moloque. A cerimônia, de acordo com 2 Crônicas 28:1-3,
incluía o sacrifício de crianças. Com o passar dos anos, o vale de Hinom tornou-se o
depósito e incinerador do lixo de Jerusalém. Lançavam-se ali cadáveres de animais para s
erem consumidos pelo fogo, ao qual se acrescentava enxofre para ajudar na queima
, e mantê-lo sempre acesso a fim de evitar a proliferação de doenças. Também eram recolhid
os ao local cadáveres de criminosos executados, não considerados dignos de um sepult
amento decente. Quando esses caíam em lugar onde não havia fogo, sua carne em putref
ação ficava infestada de vermes.
De fato, foi uma comparação muito forte do que o inferno é. Mas, perceba, esta é a descr
ição do verdadeiro inferno, o lago de fogo [7] citado em Apocalipse, onde o Hades e
a morte serão lançados. Ali também será a morada de Satanás e dos anjos rebeldes. A verdad
eira natureza do inferno não será tratada neste artigo, mas numa postagem posterior.
Quanto ao julgamento [5], sabe-se que haverão dois, um para os justos e outro para
os ímpios. Mas este julgamento nada tem a ver com o fato de serem averiguadas as
culpas, as provas contra e a favor das almas. A inocência (ou a condenação) já é definida
no ato da morte de cada um [2] e [3]. O que será feito neste julgamento é puramente
a declaração disto, bem como a atribuição de recompensas ou punições proporcionais. Proporc
onais sim, porque nós daremos conta de todo bem e mal que fizermos no nosso corpo,
seja qual for o nosso destino eterno.Os justos terão um julgamento de obras. Cada
um de nós, que for salvo, receberá uma recompensa diferente (ou um galardão, na lingu
agem bíblica) conforme o bem que fez enquanto vivo. Nenhum justo, repito, será conde
nado aqui. Todos estes já estão salvos eternamente.
Os ímpios terão um julgamento de condenação [5]. Os que optaram por se afastar de Deus,
terão exatamente isto, e quanto piores as coisas que fez durante a vida, pior será a
"punição" recebida. O que é completamente justo. Imagine a situação: alguém que foi um bom
pai de família, um bom empregado, um bom patrão, enfim, uma "boa pessoa", porém rejeit
ou livre e conscientemente a salvação providenciada por Cristo, não terá o mesmo "castig
o" de alguém como um Stálin ou um Hitler. Neste julgamento, não há, também, qualquer possi
bilidade de alguém ser salvo.
Concluindo
Várias coisas ficam claras. Primeiramente, só temos a possibilidade de uma escolha l
ivre para seguir ou não a Deus aqui nesta vida. Não há uma segunda chance. Segundo, o
seu destino está selado com a morte. Terceiro, as bençãos [6] que receberemos são melhor
es dos que as tradicionalmente conhecidas. Quarto, a "perdição eterna" [7] é bem pior
do que o tradicionalmente descrito pela sabedoria popular. E por último, sabemos q
ue os justos estarão com Jesus assim que deixarem esta vida [2], estaremos com Ele
no paraíso. E o melhor ainda está por vir [6]!

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