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Manual de Curso de licenciatura em Ensino

de Geografia – 1o Ano

Evolução do Pensamento

Geográfico
História da Geografia
G0133

24 Unidades

Universidade Católica de Moçambique


Centro de Ensino a Distância
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Agradecimentos
A Universidade Católica de Moçambique - Centro de Ensino à Distância e o autor do presente manual,
dr.Sérgio Arnaldo Gove,gostariam de agradecer a colaboração dos seguintes indivíduos e instituições
na elaboração deste manual:

Análise conteudista dr. Paulo CristofaCassicai

Pela maquetização e revisão final dr.Heitor Simão Mafanela Simão


Elaborado Por:dr.Sérgio Arnaldo Gove

Licenciado em Ensino de Geografia pela Universidade Pedagógica - Beira


Evolução do Pensamento GeográficoG0133 i

Índice
Visão geral 1
Benvindo a Evolução do Pensamento Geográfico.............................................................1
Objectivos do curso...........................................................................................................1
Quem deveria estudar este módulo....................................................................................1
Como está estruturado este módulo...................................................................................2
Ícones de actividade...........................................................................................................3
Acerca dos ícones...........................................................................................3
Habilidades de estudo........................................................................................................3
Precisa de apoio?...............................................................................................................4
Tarefas (avaliação e auto-avaliação).................................................................................4
Avaliação...........................................................................................................................5

Unidade I 7
NOÇÃO DE CIÊNCIA.....................................................................................................7
Introdução................................................................................................................7
Sumário............................................................................................................................12
Exercícios........................................................................................................................12

Unidade II 13
GEOGRAFIA COMO CIÊNCIA....................................................................................13
Introdução..............................................................................................................13
Sumário............................................................................................................................17
Exercícios........................................................................................................................17

Unidade III 18
OS MÉTODOS GEOGRÁFICOS...................................................................................18
Introdução..............................................................................................................18
Sumário............................................................................................................................19
Exercícios........................................................................................................................19

Unidade IV 20
PRINCÍPIOS GEOGRÁFICOS......................................................................................20
Introdução..............................................................................................................20
Sumário............................................................................................................................22
Exercícios........................................................................................................................22

Unidade V 23
EVOLUÇÃO DAS CIÊNCIAS.......................................................................................23
GEOGRÁFICAS....................................................................................................23
Introdução..............................................................................................................23
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 ii

Sumário............................................................................................................................32
Exercícios........................................................................................................................33

Unidade VI 34
ÉPOCA ROMANA.........................................................................................................34
Introdução..............................................................................................................34
Sumário............................................................................................................................42
Exercícios........................................................................................................................42

Unidade VII 43
A GEOGRAFIA NA IDADE MÉDIA............................................................................43
Introdução..............................................................................................................43
Sumário............................................................................................................................49
Exercícios........................................................................................................................49

Unidade VIII 50
A GEOGRAFIA MEDIEVAL MUÇULMANA.............................................................50
Introdução..............................................................................................................50
Sumário............................................................................................................................53
Exercícios........................................................................................................................53

Unidade IX 54
A GEOGRAFIA NA ÉPOCA DOS DESCOBRIMENTOS...........................................54
Introdução..............................................................................................................54
Sumário............................................................................................................................60
Exercícios........................................................................................................................61

Unidade X 62
AS BASES DO CONHECIMENTO DO GLOBO NOS SÉCULOS XVII E XVIII......62
Introdução..............................................................................................................62
Sumário............................................................................................................................64
Exercícios........................................................................................................................64

Unidade XI 65
GEOGRAFIA CONTEMPORÂNEA.............................................................................65
Introdução..............................................................................................................65
Sumário............................................................................................................................71
Exercícios........................................................................................................................72

Unidade XII 73
O CONHECIMENTO DO MUNDO NO SÉCULO XIX...............................................73
Introdução..............................................................................................................73
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 iii

Sumário............................................................................................................................78
Exercícios........................................................................................................................78

Unidade XIII 79
AS GRANDES CORRENTES DA GEOGRAFIA.........................................................79
Introdução..............................................................................................................79
Sumário............................................................................................................................83
Exercícios........................................................................................................................83

Unidade XIV 84
A GEOGRAFIA REGIONAL.........................................................................................84
Introdução..............................................................................................................84
Sumário............................................................................................................................87
Exercícios........................................................................................................................88

Unidade XV 89
O MÉTODO DO POSSIBILISMO.................................................................................89
Introdução..............................................................................................................89
Sumário............................................................................................................................95
Exercícios........................................................................................................................95

Unidade XVI 97
A Nova Geografia............................................................................................................97
Introdução..............................................................................................................97
Sumário..........................................................................................................................102
Exercícios......................................................................................................................102

Unidade XVII 103


A NOVA GEOGRAFIA: OBJECTIVO E MÉTODO..................................................103
Introdução............................................................................................................103
Sumário..........................................................................................................................107
Exercícios......................................................................................................................107

Unidade XVIII 108


TENDÊNCIAS E PREOCUPAÇÕES ACTUAIS DA GEOGRAFIA.........................108
Introdução............................................................................................................108
Sumário..........................................................................................................................112
Exercícios......................................................................................................................113

Unidade XIX 115


COSMOGRAFIA..........................................................................................................115
Introdução............................................................................................................115
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 iv

Sumário..........................................................................................................................118
Exercícios......................................................................................................................118

Unidade XX 119
O SISTEMA SOLAR....................................................................................................119
Introdução............................................................................................................119
Sumário..........................................................................................................................127
Exercícios......................................................................................................................127

Unidade XXI 128


OS PLANETAS.............................................................................................................128
Introdução............................................................................................................128
Sumário..........................................................................................................................131
Exercícios......................................................................................................................131

Unidade XXII 132


A ESFERA CELESTE..................................................................................................132
Introdução............................................................................................................132
Sumário..........................................................................................................................134
Exercícios......................................................................................................................135

Unidade XXIII 136


GALÁXIAS E A VIA LÁCTEA...................................................................................136
Introdução............................................................................................................136
Sumário..........................................................................................................................144
Exercícios......................................................................................................................144

Unidade XXIV 145


A TERRA E OS SEUS MOVIMENTOS......................................................................145
Introdução............................................................................................................145
Sumário..........................................................................................................................146
Exercícios......................................................................................................................146
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 1

Visão geral
Benvindo a Evolução do
Pensamento Geográfico
A disciplina Evolução do Pensamento Geográfico pretende dotar o
estudante do curso de Geografia da UCM (CED) de conhecimentos
que permitirão compreender as ciências geográficas e da
cosmografia. Esta disciplina será uma ferramenta completa para
perceber e explicar os fenómenos que ocorrem no globo terrestre.

O presente plano temático encontra –se dividido em duas partes,


sendo a primeira relacionada com aspectos teóricos da Geografia e
a segunda sobre o Universo e seus planetas com mais enfoque ao
planeta Terra.

Objectivos do curso
Quando terminar o estudo de Evolução do Pensamento Geográfico será
capaz de:

 Compreender as ciências geográficas e da cosmografia;


 Descrever as diferentes fases da evolução da Geografia;
 Caracterizar as grandes correntes geográficas;
 Perceber e explicar os fenómenos que ocorrem no globo terrestre.
Objectivos

Quem deveria estudar este módulo


Este Módulo foi concebido para todos aqueles estudantes que queiram ser
professores da disciplina de Geografia, que estão a frequentar o curso de
Licenciatura em Ensino de Geografia, do Centro de Ensino a Distância na
UCM. Estendese a todos que queiram consolidar os seus conhecimentos
sobre a Evolução do Pensamento Geográfico e a Cosmografia.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 2

Como está estruturado este módulo


Todos os módulos dos cursos produzidos pela Universidade Católica de
Moçambique - Centro de Ensino a Distância encontram-se estruturados
da seguinte maneira:

Páginas introdutórias

 Um índicecompleto.

 Uma visão geral detalhada do curso / módulo, resumindo os


aspectos-chave que você precisa conhecer para completar o estudo.
Recomendamos vivamente que leia esta secção com atenção antes de
começar o seu estudo.

Conteúdo do curso / módulo

O curso está estruturado em unidades. Cada unidade incluirá uma


introdução, objectivos da unidade, conteúdo da unidade incluindo
actividades de aprendizagem, um summary da unidade e uma ou mais
actividades para auto-avaliação.

Outros recursos

Para quem esteja interessado em aprender mais, apresentamos uma lista


de recursos adicionais para você explorar. Estes recursos podem incluir
livros, artigos ou sites na internet.

Tarefas de avaliação e/ou Auto-avaliação

Tarefas de avaliação para este módulo encontram-se no final de cada


unidade. Sempre que necessário, dão-se folhas individuais para
desenvolver as tarefas, assim como instruções para as completar. Estes
elementos encontram-se no final do módulo.

Comentários e sugestões

Esta é a sua oportunidade para nos dar sugestões e fazer comentários


sobre a estrutura e o conteúdo do curso / módulo. Os seus comentários
serão úteis para nos ajudar a avaliar e melhorar este curso / modulo.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 3

Ícones de actividade
Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas margens das
folhas. Estes ícones servem para identificar diferentes partes do processo
de aprendizagem. Podem indicar uma parcela específica de texto, uma
nova actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc.

Acerca dos ícones


Os ícones usados neste manual são símbolos africanos, conhecidos por
adrinka. Estes símbolos têm origem no povo Ashante de África
Ocidental, datam do século 17 e ainda se usam hoje em dia.

Habilidades de estudo
Durante a formação, para facilitar a aprendizagem e alcançar melhores
resultados, implicará empenho, dedicação e disciplina no estudo. Isto é, os
bons resultados apenas se conseguem com estratégias eficazes e por isso é
importante saber como estudar. Apresento algumas sugestões para que
possa maximizar o tempo dedicado aos estudos:
Antes de organizar os seus momentos de estudo reflicta sobre o ambiente
de estudo que seria ideal para si: Estudo melhor em
casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo melhor à noite/de manhã/de
tarde/fins de semana/ao longo da semana? Estudo melhor com
música/num sítio sossegado/num sítio barulhento? Preciso de um intervalo
de 30 em 30 minutos/de hora a hora/de duas em duas horas/sem
interrupção?
É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido estudado
durante um determinado período de tempo; Deve estudar cada ponto da
matéria em profundidade e passar só ao seguinte quando achar que já
domina bem o anterior. É preferível saber bem algumas partes da matéria
do que saber pouco sobre muitas partes.
Deve evitar-se estudar muitas horas seguidas antes das avaliações, porque,
devido à falta de tempo e consequentes ansiedade e insegurança, começa a
ter-se dificuldades de concentração e de memorização para organizar toda
a informação estudada. Para isso torna-se necessário que: Organize na sua
agenda um horário onde define a que horas e que matérias deve estudar
durante a semana; Face ao tempo livre que resta, deve decidir como o
utilizar produtivamente, decidindo quanto tempo será dedicado ao estudo
e a outras actividades.
É importante identificar as ideias principais de um texto, pois será uma
necessidade para o estudo das diversas matérias que compõem o curso: A
colocação de notas nas margens pode ajudar a estruturar a matéria de
modo que seja mais fácil identificar as partes que está a estudar e Pode
escrever conclusões, exemplos, vantagens, definições, datas, nomes, pode
também utilizar a margem para colocar comentários seus relacionados
com o que está a ler; a melhor altura para sublinhar é imediatamente a
seguir à compreensão do texto e não depois de uma primeira leitura;
Utilizar o dicionário sempre que surja um conceito cujo significado
desconhece;
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 4

Precisa de apoio?
Caro estudante, temos a certeza que por uma ou por outra situação, o
material impresso, lhe pode suscitar alguma duvida (falta de clareza,
alguns erros de natureza frásica, prováveis erros ortográficos, falta de
clareza conteudística, etc). Nestes casos, contacte o tutor, via telefone,
escreva uma carta participando a situação e se estiver próximo do tutor,
contacteo pessoalmente.
Os tutores têm por obrigação, monitorar a sua aprendizagem, dai o
estudante ter a oportunidade de interagir objectivamente com o tutor,
usando para o efeito os mecanismos apresentados acima.
Todos os tutores têm por obrigação facilitar a interacção, em caso de
problemas específicos ele deve ser o primeiro a ser contactado, numa fase
posterior contacte o coordenador do curso e se o problema for de natureza
geral. Contacte a direcção do CED, pelo número 825018440.
Os contactos só se podem efectuar, nos dias úteis e nas horas normais de
expediente.
As sessões presenciais são um momento em que você caro estudante, tem
a oportunidade de interagir com todo o staff do CED, neste período pode
apresentar duvidas, tratar questões administrativas, entre outras.
O estudo em grupo com os colegas é uma forma a ter em conta, busque
apoio com os colegas, discutam juntos, apoiemse mutuamente, reflictam
sobre estratégias de superação, mas produza de forma independente o seu
próprio saber e desenvolva suas competências.

Tarefas (avaliação e auto-avaliação)


O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e
autoavaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é
importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues antes do
período presencial.
Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não
cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do
estudante.
Os trabalhos devem ser entregues ao CED e os mesmos devem ser
dirigidos ao tutor\docentes.
Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa, contudo os
mesmos devem ser devidamente referenciados, respeitando os direitos do
autor.
O plagiarismo deve ser evitado, a transcrição fiel de mais de 8 (oito)
palavras de um autor, sem o citar é considerado plagio. A honestidade,
humildade científica e o respeito pelos direitos autoriais devem marcar a
realização dos trabalhos.

Avaliação
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 5

Você será avaliado durante o estudo independente (80% do curso) e o


período presencial (20%). A avaliação do estudante é regulamentada com
base no chamado regulamento de avaliação.
Os trabalhos de campo por ti desenvolvidos, durante o estudo individual,
concorrem para os 25% do cálculo da média de frequência da cadeira.
Os exames são realizados no final da cadeira e durante as sessões
presenciais, eles representam 60%, o que adicionado aos 40% da média de
frequência, determinam a nota final com a qual o estudante conclui a
cadeira.
A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da cadeira.
Nesta cadeira o estudante deverá realizar 3 (três) trabalhos, 2 (dois) testes
e 1 (exame).
Algumas actividades praticas, relatórios e reflexões serão utilizados como
ferramentas de avaliação formativa.
Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em
consideração a apresentação, a coerência textual, o grau de cientificidade,
a forma de conclusão dos assuntos, as recomendações, a identificação das
referencias utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre outros.
Os objectivos e critérios de avaliação estão indicados no manual.
consulteos.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 7

Unidade I

NOÇÃO DE CIÊNCIA
Introdução
Esta presente unidade aborda noções básicas na introdução ao
conhecimento científico.
Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Dar a noção de ciência.


Objectivos  Definir objecto de estudo

 Caracterizar o método científico

 Descrever sucintamente o método científico.

 Referir o critério que leva a distinção tradicional entre ciências


da terra e ciências humanas.

 Indicar a razão pela qual o objecto não é suficiente para


distinguir entre si as várias ciências humanas.

A ciência é uma conquista da História

O conhecimento científico representa a maturidade do espírito


humano, maturidade dificilmente adquirida ao fim de uma longa
história. Auguste Comte dividiu em três estádios a história do
conhecimento da natureza, cada um deles correspondendo a um
determinado tipo de concepção do mundo: Teológico, Metafísico e
Positivo. Os homens adaptaram primeiro explicações teológicas do
mundo (por exemplo, a tempestade era explicada por um capricho
do deus dos ventos, Éolo). Mais tarde substituiriam os deuses por
forças abstractas e deram uma explicação metafísica (a tempestade
era explicada pela «Força dinâmica» do ar). Por fim, a explicação
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 8

moderna, positiva ou científica, que descreve como os fenómenos


se desenrolam. Trata-se de ligar objectivamente os fenómenos uns
aos outros, de descobrir as conexões com os quais estão
relacionados ( o vento é uma deslocação de ar das altas para as
baixas pressões da atmosfera). A atitude científica não surgiu
espontaneamente, é um produto tardio da história e uma conquista
do homem. As primeiras explicações humanas sobre os fenómenos
naturais são antropomórficas: os sentimentos humanos projectam-
se sobre os fenómenos naturais. Éolo é capaz, tal como nós, de se
enfurecer. O homem projecta espontânea e inconscientemente a sua
própria psicologia sobre a natureza.

Para chegar ao espírito científico é indispensável eliminar do


conhecimento os projectos psicológicos espontâneos e
inconscientes e operar, como diz Bachelard, uma «psicanálise do
conhecimento». Esta «psicanálise» é bem difícil e, talvez, sempre
inacabada.

E uma obra de século e a ciência uma aventura recente. De facto,


existem homens a superfície da terra desde há varias centenas de
milhares de ano e a física científica data do século XVII, a química
do século XVIII e a biologia do último século.

A construção de facto cientifico

A realidade científica não é uma realidade espontânea e


passivamente observada.

E uma realidade construída. O facto não tem significado cientifico


senão quando é transposto de modo a fornecer as suas
características objectivas e mensuráveis.

A construção científica do facto consiste geralmente em imaginar


uma série de artifícios para transpor a observação nos campos
visual e espacial. Por exemplo a temperatura torna-se facto
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 9

cientifico quando é lida no termómetro e não quando é sentida na


pele.

O uso dum instrumento tão elementar como o termómetro


centigrado introduz – nos já no “ mundo cientifico “. A observação
científica pressupõe o uso de instrumentos. O instrumento supõe
uma teoria (o termómetro supõe a teoria da dilatação). Como diz
Bachelard: “ um instrumento é uma teoria materializada “.

Em conclusão: o conhecimento empírico é natural, produto


espontâneo de observações não provocadas.

O conhecimento científico procura a verdadeira causa dos


fenómenos, pondo de lado os sentimentos pessoais, a imaginação e
a tradição. É objectivo, construído a partir da realidade friamente
observada, ordenado e unificado. A observação científica exige o
uso de instrumentos e a existência de teorias. A contradição entre o
facto e a teoria é a condição da evolução dialéctica da ciência. A
ciência desenvolve a técnica.

Quadro 1: esquema da construção do conhecimento científico

Existem relações estreitas entre a actividade científica e a


actividade técnica, porem devem distinguir-se. Enquanto que
ciência se apresenta como a descoberta progressiva das relações
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 10

objectivas que existem no real, a técnica, no sentido lato, “ é um


conjunto de processos bem definidos destinados a produzir certos
resultados considerados úteis”.

A Ciência e as Ciências

O que e ciência? E antes de mais uma classificação, uma forma de


aproximar factos que as aparências separam, se bem que estejam
ligados por um qualquer parentesco natural e escondido. A ciência
é, por outras palavras, um sistema de relações. “A ciência é um
conjunto de conhecimentos sistematizados, hierarquizados que
tendem a unicidade com objecto próprio e objectivos a alcançar,
métodos e princípios específicos.”
A ciência satisfaz duas necessidades do ser humano: o desejo de
compreender e a necessidade de agir eficazmente sobre a natureza.
A obtenção de leis gerais permite prever o comportamento dos
objectos que nos cercam. A ciência foi construída pelo homem e
sobretudo para o homem. Não é um monumento rígido nem tão-
pouco um ponto do passado, mas sim um ser vivo e movente.

É um saber hierarquizado: os filósofos procuram ordenar a


multiplicidade de conhecimento, classificando as ciências. O
princípio da hierarquia organiza as ciências desde as relações mais
simples e gerais, relações matemáticas, ate as relações mais
complexas e especiais, as dos fenómenos humanos.

É um saber sistematizado: sabemos hoje pela história das ciências


que elas se coordenam espontaneamente. Uma verdade está
provisoriamente isolada, mas cada novo conhecimento vem tomar
o seu lugar entre os outros: a sua classificação é relativa a um
momento da evolução.

É um saber que tende para a unicidade: a ciência, considerada


objectivamente, apresenta-se como um todo na sua unidade interna.
E verdade que ela se encontra dividida em especialidades, mas tal
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 11

divisão não se baseia na natureza das coisas, provem apenas do


espírito humano de ser limitado e ver-lhe, por conseguinte,
indispensável uma divisão de trabalho.

Classificação das ciências

Durante muito tempo as ciências confundiram-se com a filosofia,


mas progressivamente tornaram-se independentes e a divisão de
trabalho levou as ciências especiais que ainda se subdividiram.

Ate ao momento distingue cinco grandes grupos de ciências


fundamentais:

- Matemática;

-Ciências Físico- Químicas;


- Ciências Biológicas;
-Ciências Psicológicas;
-Ciências Sociológicas.
Outras ciências podem ser apresentadas em três grandes conjuntos
de ciências:
-Ciências Lógico - Matemáticas
-Ciências das Naturezas e ;
-Sócias Humanas.
Carnap dividiu as ciências em dois (2) grandes grupos:
- Ciências factuais e;
-Ciências formais.

O Método Científico

Cada ciência se ocupa a um objecto próprio. Os caminhos pelos


quais o pensamento procura atingir o objecto, isto é, os processos
utilizados para descobrir a verdade ou prova-la chamam-se
métodos.

De um modo geral, aceita-se que qualquer procedimento científico


percorre os seguintes passos:
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 12

 O sábio parte das observações notáveis;


 Formula uma hipótese, concebe uma ideia antecipada do
fenómeno estudado;
 Submete a sua hipótese á experimentação: a experiência
confirma, modifica ou invalida a concepção que gerou a
hipótese;

Formula teorias e generaliza leis científicas.

Sumário
A presente unidade temática retratou questões relacionadas com o
conceito ciência, objecto de estudo, método científico, também
questões relacionadas com a caracterização das ciências e seus
critérios da sua classificação. Espero que em função dos assuntos
aqui abordados os objectivos foram atingidos.

Exercícios
1. “ O conhecimento cientifico esta sujeito a uma revisão, é
um conhecimento aproximado”.Discuta a afirmação.

2. “ Uma ciência naõ pode caracterizar-se somente pelo


objecto ou pelo método do estudo”. Comente

3. Que lugar ocupa a Geografia no Contexto das Ciências.

4. Explique a importância da Geografia


5. “ A maioria das Ciências especializam-se num determinado
conjunto de fenomenos: plantas, rochas, comportamento
economico e politico…os que trabalham nesses sectores
sentem- se ameaçados com os esforços e prentesões da
Geografia.Parece- lhes que o Geográfo se entromete em todo e
qualquer assunto…”.
Desenvolva o tema supracitado
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 13

Unidade II

GEOGRAFIA COMO
CIÊNCIA
Introdução
Esta presente unidade aborda questões relacionadas com a
Geografia como ciência e que basicamente serão os seguintes
aspectos: geografia no contexto das ciências; geografia e as
ciências da terra; geografia e as ciências do homem.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Definir geografia.
Objectivos  Indicar o objecto do estudo de geografia.

 Mencionar os objectivos de geografia.

 Indicar as questões que dão à geografia a sua originalidade e


coesão.

 Exemplificar os fenómenos que possam interessar a diferentes


ciências, incluindo a geografia.

1.1 Conceito de Geografia

Geografia é o estudo da superfície da Terra. Sua denominação


procede dos vocábulos gregos geo ("Terra") e graphein
("escrever").

Geografia significa, etimologicamente, «descrição da terra», e foi


tal como tal que este ramo de conhecimento humano se apresentou
entre os viajantes gregos, seus primeiros cultores, mas, desde o
início, com duas orientações diferentes. Uns geógrafos, educados
na disciplina rigorosa da medida, preocuparam-se, sobre tudo, com
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 14

a situação exacta dos lugares e a sua e a sua representação nos


mapas e emitiram os primeiros juízes de conjunto sobre o globo
terrestre. Outros, formados na observação pitoresca de países
remotos, registaram, de preferência, as particularidades das regiões,
quer elas derivassem do relevo, do clima ou das águas, quer da
índole dos povos que as habitavam.

Muitos esforços têm sido dispensados na tentativa de definir a


geografia e as suas subdivisões.

A escola geográfica alemã foi a primeira escola organizada.


Directamente inspirada por Ritter, dedicou-se sobretudo a geografia
geral, a investigação sistemática das condições que presidiam a
distribuição dos fenómenos na superfície do globo, tanto em
geografia física (morfologia de penck) como em geografia humana
(Antropogeografia de Ratzel).

Pelo contrário, a preocupação regional era a característica mais


visível, senão a mais profunda, da escola geográfica francesa. O
seu fundador foi Vidal de LaBlache.

A escola geográfica americana especializou-se na revolução do


relevo. Foi W. Davis quem imprimiu a escola o seu cunho próprio,
introduzindo o rigor lógico das deduções matemáticas nas
exposições teóricas sobre a peneplanicie e o ciclo de erosão.

Apesar de deste espírito de escola, os congressos internacionais de


geografia (Cairo 1924, Cambridge 1928, Paris 1931, Varsóvia
1934, Amesterdão 1938) mostraram bem a solidariedade entre os
geógrafos. O campo de investigação foi mantido disposto em dois
grupos: a geografia geral e a geografia regional.

A geografia geral procura apreender o que há de permanente e de


regular nos factos terrestres, de os esclarecer uns pelos outros de
maneira a explicar-lhes as condições. Cada fenómeno, quer se trate
de rios, de habitações, de correntes marítimas, de migrações
humanas, de associações vegetais ou de estabelecimentos
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 15

industriais, deve ser encarado não apenas em si próprio, mas como


parte de um todo. Este sentido de repetição regular dos fenómenos
da superfície da terra e da sua comparação está na base da
explicação geográfica.

A geografia física geral comporta:

— Climatologia, que estuda os tipos de tempo e os climas;

— Geomofologia, que estuda a formação do relevo modelado pela


erosão normal, erosão glaciar, erosão eólica e erosão marinha;

— Biogeografia, que estuda a destribuicao das espécies vegetais e


animais.

A geografia humana geral tem como problema fundamental


determinar a extensão da espécie humana e, por consequência,
examinar a ecúmena e a anecúmena bem como o povoamento com
as suas variações de densidade. Estuda as paisagens determinadas
pelo habitat (rural e urbano), pelos fenómenos de produção
(agricultura, industria, etc.) e pelos géneros de vida.

Das combinações locais dos factos estudados pela geografia


provem a geografia regional. Cada região tem as suascaracterísticas
próprias: relevo, vegetação, clima e fenómenos devidos á acção do
homem na tentativa de dirigir a sua vida e organizar a sua
actividade.

“ A Geografia estuda o conjunto de fenómenos naturais e humanos


que constituem aspectos da superfície da terra, considerados na sua
distribuição e relações recíprocas.”
[Orlando Ribeiro]

“A Geografia Moderna encara a distribuição a superfície do globo


do fenómeno físico, biológico e humano, as causas dessas
distribuições e as relações locais do fenómeno. Tem carácter
essencialmente científico e filosófico, mas também carácter
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 16

descritivo e realista. Isto e que constitui a sua originalidade.”


[Emmanuel de Martonne. ]

“A geografia tenta compreender como nascem as distribuições


complexas das coisas, seres vivos e homens a superfície da terra.
Para as analisar é preciso, antes de mais, saber descreve-las,
compreender os aspectos de que se revestem, por em evidencia os
laços e as relações que as produzem.”
[ Paul Claval ]

“A geografia tem como tarefa dar uma discrição e uma


interpretação precisa, ordenadas e racionas, do carácter variável da
superfície da terra.” [ Hartshorne ]

1.2 Objecto de Estudo da Geografia

Hoje, portanto, o espaço continua a ser objecto de estudo da


geografia. Um espaço que a análise sistemática pretende que seja
visto como um todo, onde interagem fenómenos diversos que é
preciso identificar e compreender; um espaço que resultou de uma
longa evolução da Humanidade e que, por isso, é um produto social
onde as forças produtivas comanda a sua estruturação.

O espaço entendido como espaço social, vivido, em estreita


correlação com a prática social não deve ser visto como espaço,
absoluto “ vazio e puro lugar por excelência dos números e das
proporções ” [LEFÉBVRE, 1976, p. 29], nem como um produto da
sociedade, “ ponto de reunião dos objectos produzidos, o conjunto
das coisas que ocupam a de seus subconjuntos, efectuados,
objectivados, portanto funcional ” [ LEFÉBVRE, 1976, p. 30 ]. O
espaço não é nem ponto de partida (espaço absoluto), nem o ponto
de chegada (espaço como produto social). O espaço também não é
um instrumento político, um campo de acções de um indivíduo ou
grupo, ligado ao processo de reprodução da forca de trabalho
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 17

através do consumo. Segundo Lefébvre, o espaço é mais do que


isso. Engloba esta concepção e a ultrapassa. O espaço, é o locus da
reprodução das relações sociais de produção.

1.3 Objectivos do estudo de Geografia

Segundo Morril, “ a geografia deve conter pelo menos três


objectivos distintos:

 Compreender as características próprias dum lugar ou


região.
 Descobrir a relação entre o homem e o seu meio:
 Explicar sistematicamente os padrões de localização e
interacção espacial.

Sumário
A presente unidade temática retratou questões relacionadas com o
conceito de geografia, objecto de estudo de geografia, objectivos
do estudo de geografia.

Exercícios
1. Dê exemplos a que possam interessar os seguintes fenómenos:

- Uma desordem urbana.

- a natureza da ocupação do espaço agrícola em redor da


cidade.

- a localização de um complexo industrial.

2. Indique, para os exemplos anteriores, aspectos que possam


interessar ao trabalho do geógrafo.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 18

Unidade III

OS MÉTODOS
GEOGRÁFICOS
Introdução
Esta unidade fará referência somente o estudo dos métodos usados
em geografia.
Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Dar a noção do método


Objectivos  Explicar a essência de cada método.

 Fornecer ao estudantes os conhecimentos básicos em


metodologia

 Caracterizar os métodos usados em geografia

 Mencionar os métodos geográficos

Até ao século XIX, o método seguido em Geografia era o


descritivo. Numa primeira fase, era uma descrição pura e simples
que se tornou selectiva e, portanto, cientifica depois do século
XVII, numa segunda fase.

 O Método Comparativo – em meios semelhantes o Homem


terá características semelhantes, um método, por excelência,
geográfico, vai ser o método explicativo dominante
utilizado pelo paradigma determinista conjuntamente com o
método indutivo.
 Método Histórico;
 Método Hipotético – dedutivo ( popper )
A partir das hipóteses formuladas deduz- se a solução do
problema.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 19

 Método Matemático;
 Método de Observação directa e indirecto;
 Método de Balanço.

Sumário
Ao longo do pensamento geográfico a geografia foi adquirindo os
métodos específicos a partir de Humboldt e Ritter. Não retirando o
método de Heródoto, o pai da geografia que criou o método
descritivo em uso até na actualidade em ciências sociais.

Exercícios
1. As cheias do vale do Pùngué inundaram os campos dentro
da bacia hidrográfica…In notícias

Que método se trata?

2. No Vale do Limpopo na presente época agrícola prevê – se


um rendimento na produção de arroz acima 500 mil
toneladas contrariamente a safra anterior.

Que método utilizaria a geografia?


Evolução do Pensamento GeográficoG0133 20

Unidade IV

PRINCÍPIOS
GEOGRÁFICOS
Introdução
No século XIX, do surgimento da Geografia como ciência, fez-se
necessária a fixação de princípios metodológicos, que conferem-lhe
o devido caráter científico.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Explicar em que consiste cada princípio geográfico.

 Relacionar os princípios geográficos com os vários aspectos


Objectivos
colocados em geografia

 Enumerar os princípios básicos em geografia

 Caracterizar os princípios geográficos

Os princípios formulados são os seguintes:

 O princípio da extensão, concebido por Friedrich Ratzel


(1844-1904). O princípio reza que é preciso delimitar o
facto a ser estudado, localizando-o na superfície terrestre.
 O princípio da analogia, também chamado Geografia
Geral, exposto por Karl Ritter (1779-1859) e Paul Vidal de
LaBlache (1845-1918). Estes autores mostraram que é
preciso comparar o facto ou área estudada com outros
factos ou áreas da superfície terrestre, em busca de
semelhanças e diferenças.
 O princípio da causalidade, formulado por
AlexandervonHumboldt (1769-1859), que diz respeito à
necessidade de explicar o porquê dos factos.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 21

 O princípio da conexidade ou interacção, apresentado por


Jean Brunhes (1869-1930). Segundo ele, os factos não são
isolados, e sim inseridos num sistema de relações, tanto
locais quanto inter locais.
 O princípio da actividade, formulado também por
Brunhes, que afirma ter os factos um carácter dinâmico,
mutável, o que demanda o conhecimento do passado para a
compreensão do presente e previsão do futuro.

O objeto material da Geografia é a Terra, a superfície terrestre, e


seu objeto formal são as relações aí processadas. Com outras
palavras, o objeto formal da Geografia é o estudo das relações
locais (verticais) de fatores que diferenciam um lugar de outro, e
das relações horizontais entre os lugares ou áreas.

Das diferentes interpretações da relação homem x espaço surgiram


duas concepções geográficas:

A Escola Determinista, fundada por Ratzel, em 1822, que, como o


nome indica, sugere que o espaço natural determina as formas de
sua ocupação por parte do homem. Destarte, os povos do litoral
seriam necessariamente pescadores, os de planalto criadores e os de
planície mais naturalmente agricultores. O fascismo italiano do
período entre guerras atacou veementemente essa teoria, negando
que a Itália estaria fadada a ser uma potência de terceira ordem em
função da não disponibilidade de carvão em seu território.

A Escola Possibilista, defendida primeiramente por La Blache e


depois pela escola francesa que ele criara, não negava a influência
que a natureza exercia sobre o homem, mas este pode escolher e
modificar o espaço físico, conforme suas capacidades.

Percebe-se claramente que as duas concepções não exprimem uma


verdade geográfica absoluta, uma vez que se baseam em momentos
históricos diferentes, em que a ocupação do espaço pelo homem foi
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 22

determinada por tal capacidade ou inabilidade. Ambas devem então


ser tomadas como correctas, mas deve-se ter o cuidado de aplicá-
las correctamente ao período ou localização estudada.

Sumário
Os principais principios orientadores da geografia são: principio da
extensão, princípio da analogia, princípio da causalidade, princípio
da interacçãoeprincípio da actividade.

Ao se debater a relação entre o homem e o espaço destacaram-se


duas escolas, à Determinista e a Possibilista, que tiverem como
principais percursores Ratzel e LaBlache respectivamente.

Exercícios
Nos últimos anos temos notado situações incomuns de mortes e
destruições de habitações, como é o caso do Haiti e Chile. Para
ambos casos fala-se de Sismos.

Quais são os princípios geográficos patentes.


Evolução do Pensamento GeográficoG0133 23

Unidade V

EVOLUÇÃO DAS CIÊNCIAS


GEOGRÁFICAS
Introdução
Esta unidade vai retratar assuntos ligados a geografia na
antiguidade, e encontra-se dividida em duas partes: época grega e
época romana.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Conhecer os principais homens que se evidenciaram no estudo


da terra na antiguidade.
Objectivos
 Distinguir a geografia na época grega da época romana.

 Explicar o impulso dado à geografia por Estrabão na


localização absoluta e na descrição dos lugares.

 Descrever a contribuição de Ptolomeu para o processo de


localização dos lugares na superfície terrestre

“ A Terra é o palco onde se desenrola a actividades dos homens. O


seu aspecto actual é apenas uma simples fotografia instantânea em
relação `as constantes modificações que apresentar” ( Suess ).
Móvel e mais variada se revelam ainda a actividade humana.

A Geografia é uma ciência com um longo passado. Bem antes dos


gregos ou dos grandes descobrimentos marítimos do século XV, já
as primeiras comunidades humanas exploravam a superfície do
globo.

Um dos factos mais curiosos que o estudo do pré – história nos


revela é, certamente, o da tendência ao movimento que, ao lado da
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 24

precoce dispersão humana, contribuiu para os primeiros


conhecimentos de regiões diferentes.

Sabemos muito pouco das migrações da etapa anterior ao período


histórico. Podemos admitir, no entanto, que o homem se dispersou
muito cedo na superfície terrestre e que, também muito cedo foi
dotado de mobilidade. A dispersão e a mobilidade não foram
retidas pelos grandes obstáculos geográficos, nem mesmo pelos
mares ou pelas altas cadeias de montanhas. Esqueletos, objectos
trabalhados, utensílios, pinturas rupestres indicam a omnipresença
do homem em todas as zonas da Terra, mesmo nas mais
desprotegidas como o Sahara.

Os povos primitivos que viviam como guerreiros e caçadores,


deslocavam –se continuamente quer em actividades guerreiras quer
a procura dos meios de subsistência.

O conhecimento dos caminhos percorridos, das suas direcções e


distâncias era fundamental. Os povos primitivos procuraram
representar os lugares onde a aventurosa instabilidade da sua
existência os conduziu.

Quaisquer que fossem os motivos das deslocações e das migrações


mais antigas elas levaram ao conhecimento da superfície da terra e
a tendência ao registo e a transmissivo desse conhecimento.

A ideia da elaboração de mapas surgiu espontaneamente em


diversa s culturas: esquimó, asteca, babilónica, egípcia e chinesa.

Os mapas mais primitivos foram elaborados em grandes escalas,


abarcando somente o pequeno território que o autor tinha visto.
Eles procedem da Mesopotâmia e estão pintados em placas de
barro (ex.: a placa de Ga- sur do ano 2500 a. C.), veja a fig.1. É
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 25

uma pequena placa de barro cozido, que representa o vale de um


rio, certamente o Eufrates, com montanhas de cada lado indicadas
em forma de escamas de peixe. O rio desemboca por um delta de
três braços. O norte, o leste e o oeste estão indicados por círculo
com inscrições.

Contudo, passaram-se milénios antes que fossem usado um método


eficiente para representar as regiões percorridas. Este foi a obra dos
gregos, que, além de revelarem a forma da terra (Pitágoras e
Aristóteles), realizaram uma representação racional da superfície da
terra, utilizando dimensões astronómicas e o cálculo de latitudes,
assim como a utilização de coordenadas terrestre com base em
meridianos e paralelos.

A Geografia como unidade distinta do pensamento ocupou-se,


durante um período de 2200 anos, com localização e a descrição
dos diversos lugares da superfície terrestre. Até esta tarefa «onde?»
estar completa, os geógrafos pouco tempo tiveram para se
preocupar com questões mais detalhadas sobre «o que existia?»,
nesses lugares e sobre «o porquê?» dessa existência. A tarefa
prioritária consistiu na produção de uma mapa do mundo. Em
primeiro lugar esteve, portanto, a localização exacta dos elementos
de uma determinada distribuição. O facto da expansão do homem
pela terra se ter prolongado até 1800 e, até mesmo posteriormente
em determinadas áreas originou que muito dos talentos geográficos
tivesse sido utilizado nos simples preenchimento do mapa do
mundo até épocas muito recentes.

A etapa decisiva só foi vencida no século XIX quando a geografia


atingiu o seu pleno significado, transferindo o seu campo de estudo
da discrição para a compreensão dos factos localizados.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 26

Época Grega

O Mundo Conhecido dos Antigos

As causas que levaram os povos mediterrânicos à descoberta de


novas terras resultaram da expansão política, militar ou comercial.
As principais fases desta expansão foram as colonizações fenícia,
cartaginesa, grega, a expedição de Alexandre e a conquista romana.

Os mais antigos documentos geográficos são os périplos


(navegaram ao redor). Pertenceram a Cartago (séc. VI a. C.) os
périplos das mais antigas expedições ao atlântico. O périplo de
Hannon, que descrevia a costa africana até ao Senegal e o périplo
de Himilcão, que explorava a costa ocidental da Europa até à
Bretanha. Procurava-se, então, o tamanho e o ouro. As
necessidades da navegação e do comércio exigia o estabelecimento
de itinerários entre os principais mercados. Os périplos descreviam
pormenorizadamente esses trajectos tal como o fizeram na idade
média os portulanos(mapas que os marinheiros italianos e
portugueses desenhavam dos pedaços de costas e portos que iam
percorrendo).

Raros foram os périplos que chegaram até nós, conhecemo-los,


sobretudo, pelas situações ou extractos feitos com autores como
Píteais, Heródoto, Eratóstenes, Estrabão, etc. A Odisseia de
Homero inspirou-se, manifestamente neles.

Os gregos foram os primeiros a sistematizar os conhecimentos


geográficos. Foram eles que criaram a palavra Geografia (Geo=
terra, Graphein= descrever).

Os outros povos, Egípcios e Caldeus primitivos, apenas nos


forneceram informações acerca de regiões contíguas aos seus
respectivos países. Os gregos, pelo contrário esforçaram-se por
levar as suas investigações tão longe quanto possível. A Grécia
encontrava-se numa situação privilegiada, nos extremos da Europa,
as portas da Ásia, em face da África, entre o mediterrâneo e o mar
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 27

negro, ponte para contactos e confrontos entre o ocidente e o


oriente, fundindo culturas diversas e assimilando-as.

O Mediterrâneo foi o centro de gravidade do mundo antigo e foi


sempre a grande via de comunicação dominando o mediterrâneo, os
gregos conheceram o mar vermelho, mar negro, a mesopotâmia, o
golfo pérsico e as terras que se estendem até a Índia. Percorreram
esses mares e essas terras e em muitos lugares estabeleceram
feitorias. O mundo antigo excedeu deste modo os limites da bacia
mediterrânicos, anexando dependências marítimas e continentais.
Foram percorridas as costas atlânticas da Europa ocidental até a
Noruega ou a Islândia (Tule), o mar vermelho e a costa asiática do
oceano Índico até ao rio indo. Foram exploradas extensas áreas
central e da Ásia até à Índia.

Fig.2O mundo conhecido dos antigos (Greco-Romano).

Nestas distantes origens, os conhecimentos geográficos foram


objectos de atenção, particularmente de navegadores militares,
comerciantes e, em outros planos, a de matemáticos historiadores e
filósofos.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 28

A Evolução dos Conhecimentos Geográficos

Anaximandro de Mileto, 611-547 a. C., considerou a terra como


um corpo celeste isolado no espaço, de forma cilíndrica e habitada
só na parte superior. Introduziu o gnómon, que permitia determinar
os movimentos do sol atribui-se-lhe o primeiro mapa da terra.

Hecateu de Mileto, 560-480 a. C. aperfeiçoou o mapa de


Anaximandro, considerando a terra como um disco ao redor do
qual corria as águas dos oceanos.

O mundo conhecido era constituído por dois continentes (Europa e


a Ásia) separados pelo mar mediterrâneo, pelo mar negro (Euxino)
e pelo mar Cáspio.

Fi
g.3 Concepção do mundo por Hecateu

O mundo conhecido dos Gregos no século V a. C. era constituído


por uma estreita faixa que se estendia do rio Indo ao oceano
atlântico. A Ecúmena era considerada de forma mais ou menos
alongada com o eixo este-oeste do comprimento duplo do eixo
norte-sul.

Heródoto. 444-424 a. C., não foi apenas um historiador, pois as


suas discrições históricas contêm também informações geográficas.
Fundou uma colónia na Itália meridional. Empreendeu viagens até
à mesopotâmia, Egipto, colheu informações sobre oásis no Sara.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 29

Descobriu que o Cáspio era um mar fechado, conhecimento que


outros, mais tardios puseram em causa. O Don, o Deniepre e o
Danúbio foram-lhes familiares.

Foi um bom conhecedor do litoral, tendo apenas cocções


imprecisas e lendárias sobre interior dos continentes.

Foi provavelmente, o primeiro a arriscar a existência de relações


sobre o meio e o Homem, ao escrever: «As terras risonhas
produzem Homens efeminados, não podendo por isso produzir
frutos saborosos e guerreiros valorosos». A linha determinista
nascia assim muito antes do aparecimento da geografia.

Píteas, século IV a. C., astrónomo e matemático, foi também


explorador e bom observador. Embarcou num embarcou fenício e
repetiu a exploração do périplo de Himilcão. Contornou a costa da
Jutlândia e penetrou no mar Báltico, onde teve notícias da região
Jutlândia «onde o sol dorme» e das terras montanhosas de tule
(provavelmente a Noruega ou a Islândia). O relato da sua viagem
foi depois utilizado por Eratóstenes bem como o seu périplo.

Hipócrates, 460-377 a. C., na obra «Dos Ares, das Águas e dos


Lugares», estabeleceu a distinção entre os habitantes das
montanhas e os das planícies: “ aqueles, por influência das terras
altas, húmidas, batidas pelos ventos, seriam de estatura alta, bravos.
Estes, por influência das formas leves, descobertas, desprovidas de
água, com bruscas variações de temperatura seriam secos,
nervosos, arrogantes ”. Retomou a linha determinista, em termos
exagerados.

Desde Homero até Hecateu de Mileto, a terra habitada ou ecúmena


era concebida como um disco plano inteiramente rodeado pelo
oceano.

No século a. C., introduziu – se a ideia de esfericidade da terra.


Esta ideia não foi consequência de observações astronómicas de
considerações filosóficas. A esfera é a forma mais perfeita de todas
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 30

as formas, portanto, a terra, obra- prima dos deuses, deve ser uma
esfera. No ano 250 a. C. Aristóteles provou a esfericidade da terra,
ao observar, durante os eclipses a sombra projectada pela terra
sobre a lua tinha uma forma curva.

Ao mesmo tempo precisou se a teoria das zonas terrestres, segundo


a qual a terra era dividida em 5 (cinco) grandes zonas delimitadas
pelos círculos polares e pelos trópicos: uma zona fria boreal, uma
zona temperada boreal, uma zona tórrida, uma zona temperada
austral, e uma zona fria austral. A zona tórrida era considerada
inabitável.

Alexandre Magno, 356-323 a.C., além de conquistador, tinha


também preocupações científicas. Foi discípulo de Aristóteles.
Mandou fazer, por províncias, um cadastro do seu império e os
caminhos foram levantados por oficiais topógrafos. Enviou
exploradores para verificar as comunicações possíveis com o mar
vermelho e o mar negro. Foi também explorada que vai do rio Indo
ao Golfo Pérsico. A plêiade de sábio que acompanhou Alexandre
revelou, não só aos gregos mas a todo o mundo Ocidental ate ao
século XIX, a geografia e a história do Oriente. Toda a
documentação da expedição de Alexandre (334-323 a.C.) foi
reunida na biblioteca de Alexandria que, cem anos mas tarde foi
dirigida por Eratóstenes.

Dicearco, 326-296 a.C., discípulos de Aristóteles, construiu uma


carta do mundo conhecida com dois eixo perpendicular divididos
em estádios, um dos quais, o diafragma dividida a carta em duas no
sentido de comprimento. Este eixo passava em rodas e
correspondia ao paralelo 36º da latitude norte. O outro, que passava
também pela ilha de Rodes, era perpendicular ao primeiro. A carta
de Dicearco inaugurou assim um sistema de coordenadas que está
na base da cartografia.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 31

Eratóstenes, 276-196 a. C., foi um dos mais originais da


antiguidade. Foi considerado o primeiro geográfica e o primeiro a
inventar um método capaz de responder a pergunta «onde»?

Nascido em Cirena, em 276 a. C., Eratóstenes fez o seu estudo em


Antenas e foi para Alexandria onde elaborou, com os elementos
reunidos na biblioteca uma dupla simples geográfico: uma
construção geométrica do globo uma discrição da terra habitada.

Espírito cientifico e positivo procurou introduzir a apreciação no


estudo da terra, determinando-lhe as dimensões e tentou descrever
mantendo-se nos campos dos factos, coordenando as observações
dos seus antecessores e as suas próprias observações.

Poeta, literato e matemático e tanto como geográfico, Eratóstenes


campos numerosas obras das quais nos resta apenas algumas
citações, alusões e criticas. Foi sobretudo através de Estrabão que
não chegou a pouco que sabemos da sua obra geográfico.
Conservaram-se apenas os títulos das duas das suas obras:
«Memórias Geográficas» e «Mediação da Terra».

No livro «Memórias Geográficas», Eratóstenes procurou dar da


Terra uma imagem geográfica, isto é, traçar a sua carta (Fig. 9).
Utilizou todos dados que pôde reunir: posições astronomicamente
determinadas, direcções de rotas, itinerários cujas distancias foram
medidas, indicações de sábios que acompanharam Alexandre,
périplo de Píteas,
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 32

Fig. 4: Mapa - Mundi de Eratóstenes

Eratóstenes imaginou um sistema de localização através de uma


grelha muito simples.

Desenhou linhas imaginárias que passavam sobre as principais


cidades e sobre os acidentes físicos mais importantes e dividiam o
mundo conhecido em áreas rectangulares, a que deu o nome de
esfrágides. Esta grelha proporcionou o enquadramento necessário à
construção do mapa e à localização exacta dos diferentes lugares.

A carta de Eratóstenes continha dois eixos de coordenadas


perpendiculares que se interceptavam em Rodes, centro geográfico
da carta. Um dos eixos, de direcção norte-sul, era o meridiano de
referência e passava por Rodes, Alexandria e Siena. O outro eixo,
na direcção oeste-leste, era o paralelo de referência e passava pelas
colunas de Hércules (estreito de Gibraltar), Atenas e Rodes.

Eratóstenes traçou uma rede constituída por sete meridianos e sete


paralelos irregularmente espaçados, de acordo com as informações
disponíveis. As latitudes dos pontos característicos são exactas no
seu conjunto, mas as longitudes estão bastante erradas.

No plano metodológico esta grelha de meridianos e de paralelos foi


o primeiro ensaio para tentar racionalizar o traçado de carta. A
teoria era perfeita embora a prática o não fosse.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 33

No livro «A mediação da Terra», Eratóstenes descreveu a mediação


do grande círculo terrestre.

Sumário
A presente unidade temática retratou questões relacionadas com a
geografia no período pré- histórico até a geografia na antiguidade
grega.

Exercícios
1. Observe os mapas patentes na lição:

1.1 Procure interpretá-los.

1.2 Faz o resumo dos conhecimentos geográficos que eles


apresentam.

1.3 Explique a evolução dos conhecimentos geográficos que


eles apresentam.

2. Explique em poucas palavras a contribuição do Ptolomeu no


processo de localização dos lugares na superfície terrestre.

3. “ A Geografia era um instrumento para fazer as guerras”. Yves


Lacoste.

Concordas? Justifique a afirmação


Evolução do Pensamento GeográficoG0133 34

Unidade VI

ÉPOCA ROMANA
Introdução
A presente unidade vai retratar a Geografia na época Romana e a
sua contribuição na evolução da mesma.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Conhecer os principais homens que se evidenciaram no estudo


Objectivos da terra na antiguidade.

 Distinguir a geografia na época grega da época romana.

 Explicar o impulso dado à geografia por Estrabão na localização


absoluta e na descrição dos lugares

 Descrever a contribuição de Ptolomeu para o processo de


localização dos lugares na superfície terrestre

A Evolução dos Conhecimentos Geográficos

As condições da sociedade grega levaram ao seu declínio e à


submissão ao domínio romano, cerca de 146 a. C.

No que se refere ao conhecimento do Mundo, as conquistas


romanas tiveram importantes consequências. Com efeito, a
preparação de expedições militares exigiu sempre um
conhecimento ou uma figuração aproximadas das regiões a
atravessar e a conquistar.

Por isso a cartografia romana era utilitária, essencialmente militar e


cadastral.

Foi sobretudo o interior do continente europeu, o mundo céltico e


germânico e as suas migrações que a conquista romana deu a
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 35

conhecer. Não foi, no entanto, em Roma que se registraram os


progressos do conhecimento geográfico, devendo-se ao
pensamento grego as novas aquisições desta ciência com Hiparco,
Posidónio, Estrabão e Ptolomeu.

Hiparco, 190-125 a. C., foi o maior astrónomo da Antiguidade.


Determinou a distância da Terra ao Sol e à Lua e as dimensões
destes dois astros; inventou os primeiros elementos da geometria da
esfera, dividindo pela primeira vez o círculo terrestre em 360º;
concebeu uma rede de paralelos e meridianos, com intervalos
iguais, para determinar a latitude e a longitude; elaborou um mapa
do mundo e dividiu-o em 11 paralelos igualmente espaçados, cuja
localização descreveu detalhadamente. Nos seus mapas utilizou o
sistema de projecção estereográfico que substituiu o sistema
ortográfico.

Às concepções gregas da forma da Terra e das suas grandes


divisões juntaram-se outras hipóteses, respeitantes à repartição das
terras e dos mares.

Ligada à ideia de esfericidade da Terra, os sábios gregos admitiam


que, além da ecúmena, deveriam existir outros continentes para
estabelecer o equilíbrio do planeta.

Surgiu o conceito de antípodas ou continente austral, simétrico da


ecúmena.

Admitida por Aristóteles, Eratóstenes e Hiparco, a teoria das


antípodas foi aperfeiçoada por diversos pensadores como Crates de
Malos, contemporâneo de Hiparco.

Para Crates de Malo, quatro massas de terra, duas no hemisfério


norte e duas no hemisfério sul, são separadas por duas massas
oceânicas perpendiculares, uma envolvendo o globo de este para
oeste ao longo do equador e a outra rodeando-o de Norte a Sul.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 36

Fig. 5 O mundo idelizado pelos gregos

Posidónio, séc. II a. C., geógrafo, historiador e filósofo, estudou o


fenómeno das marés e a influência da Lua; criou uma teoria dos
tremores de terra e do vulcanismo; determinou o perímetro da terra
(180 000 estádios), e os seus cálculos resultaram mais errados que
os do Eratóstenes. Utilizou a distância linear entre Rodes e
Alexandria e para calcular a distância angular partiu da estrela
Canopus. Enquanto que para Eratóstenes um grau equivalia a 700
estádios, para Posidónio um grau equivalia somente a 500 estádios.

Estrabão, 64 a. C., 21 d. C., viajante, historiador e geógrafo contou-


nos, com minúcia, a vida de alguns povos e descreveu
pormenorizadamente algumas religiões. A sua obra foi compilada
numa geografia de 17 volumes. Revelou cuidado ao descrever
religiões e povos, fez afirmações correctamente pensadas como
quando exaltou para região da futura França «a correspondência
que aí se encontra na relação dos rios e dos mar, do mar interior e
do oceano», o que lhe sugeria a ideia de um organismo bem
equilibrado. Em contrapartida Estrabão tomou a sério vários mitos
e considerou impostor um observador em consciencioso como
Píteas. A obra de Estrabão apresenta, pois, qualidades e defeitos.

A geografia de Estrabão, tal como de Heródoto, foi sobretudo


descritiva e regional.

Exemplos de descrições feitas por Estrabão, sobre Portugal:


Evolução do Pensamento GeográficoG0133 37

«a zona do litoral adjacente ao HieronAkrotérion (cabo de S.


Vicente) forma o começo do lado ocidental da Ibérica, e continua
por uma parte desde a foz do rio Tágos (rio Tejo) até ao começo do
lado meridional, até ao rio Ánas (rio Guadiana), e a sua foz. Ambos
nascem na parte do levante; mas o primeiro, muito maior que o
outro, corre directo ao poente, enquanto o Anãs se encaminha para
o sul, formando assim entre ambos uma «mesopotâmia» cuja
população é integrada na sua maior parte por Keltikai (Celtas), e
algumas tribos de Lysitanoi (Lusitanos), transferidos pelos
Romanoi (Romanos), para a margem oposta do Tágos (…).

Estrabão-«Geografia», livro 3.º, Cap.I.

Ao mesmo tempo que se desenvolviam as técnicas capazes de dar


respostas satisfatórias as perguntas «onde?», os geógrafos
começavam a perguntar «o que existe ai?».

São evidentemente perguntas deste género que estão na base dos


trabalhos protociontifios de Homero e Heródoto. Estrabão
formulou-se de modo mais sistemático que os outros geógrafos
seus antecessores. Mais do que nenhum, Estrabão demonstrou a
preocupação dos gregos em dar a forma e o tamanho exacto aos
lugares, a parte da terra que fica dentro do mapa em elaboração.

Estrabão preocupou-se com a diferenciação entre lugares


particularmente pelas variações culturais, tendência só retomada
depois de 1800 d. C.

Cláudio Ptolomeu, 85-160 d. C. Nasceu provavelmente em


Ptolemais, cidade de Tebaia (alto Egipto) habitada por gregos.
Tudo quanto se sabe da sua biografia é que fez as observações em
Alexandria entre os anos 127 á 141 ou 151 d. C.

A sua obra é composta por oito volumes, sendo de salientar três


domínios: o da matemática pura, o da astronomia e o da geografia.

A obra de Ptolomeu conheceu um prodigioso de estímulo. É


essencialmente uma sistematização dos trabalhos anteriores, sobre
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 38

tudo dos de Hiparco e uma interpretação das matérias científicos


acumulados. A sua obra GeographikeSyntaxis, traduzida árabe com
o título de alma gesto foi acatada no mundo interior ate Copérnico.
Os marinheiros portugueses aprenderam nela as noções de
astronomia indispensável á pratica náutica. O uso da latitude e da
longitude, para indicar a localização dos lugares a superfície da
terra, foi uma das contribuições mais importante de Ptolomeu para
a geografia e para a humanidade. Embora com algumas
modificações, ainda hoje usamos o seu sistema básico de
localização dos lugares.

A «Geografia» de Ptolomeu mostra como foi grande a extensão dos


conhecimentos no tempo do império romano. Trata-se duma vasta
compilação destinada estabelecer uma carta do mundo dessa época.
O mundo estendia-se deste as ilhas britânicas ao norte, ate aos
lagos do Nilo ao sul, e deste Canárias ate a china meridional.

A figura 13 representa o mapa-múndi de Ptolomeu os graus de


latitude estão indicados por uma escala num dos lados, e o sistema
de «climas» no outro.

Os «climas» são paralelos que marcam a duração crescente do dia


mas longo a partir do equador (12 horas) para o círculo polar
árctico (24 horas).
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 39

Fig. 6: Mapa – Mundi de Ptolomeu

Ptolomeu aperfeiçoou o sistema de projecção de Hiparco. A rede


cartográfica é constituída por meridianos concorrente e os paralelos
são representados por círculos concêntricos equidistantes, o que
constitui a prefiguração da projecção cónica. Para a contagem das
longitudes, Ptolomeu tomou como meridiano de referência uma
linha tirada através da suposta posição das ilhas afortunadas (ilhas
Canárias). O mundo conhecido por Ptolomeu abrangia 180º de
longitude, desde o meridiano que passavam pelas ilhas afortunadas
até a china. Para a medida do grande circulo terrestre Ptolomeu
adoptou o valor de 180 000 estádios, baseando-se nas indicações de
possidónio.

Como consequência Ptolomeu atribui-o ao globo terrestre


dimensões restritas e dai a ideia em voga no século XV de que
partindo das costas da Europa, fazendo vela para oeste se atingiria
facilmente a Ásia.

O mapa esta orientando para norte e mostra o equador os trópicos.


Apresenta alguns erros na parte oriental e meridional. A península
do Decão esta reduzida, enquanto o Ceilão (Taprobana) é
representada em tamanho maior do que o real. A forma da África
oferece uma particularidade. A norte ao equador é bastante exacta,
mais a partir do equador, aumenta em ambos os lados em vez de se
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 40

reduzir. Para oeste o mapa termina bruscamente, mais para este a


África une-se com a Ásia o oceano Índico aparece como um grande
lago. Possivelmente esta ideia equívoca contribui-o em grande
parte para o atraso no intento de chegar a Ásia, contornando as
costas de África.

O maior erro de Ptolomeu foi o de ter considerado as dimensões da


terra muito menores que a realidade. Admitindo a equivalência de
Posidónio (um grau =500 estádios) e aplicando-a nas medidas das
distâncias de que dispunha concluiu que Europa e a Ásia se
estendiam sobre metade do globo na realidade elas só ocupam 130º
da mesma maneira o comprimento do mediterrâneo foi
representando o mapa com 62º tendo na realidade te apenas 42º.
Este erro perdurou até ao século XVI quando mercator introduziu a
primeira correcção para 53º.

Ptolomeu foi o último dos grandes geógrafos da antiguidade. A sua


obra é composta vinte e seis mapas detalhados e por mapa-múndi,
que constitui o primeiro atlas universal.

Além de geógrafo, Ptolomeu foi também astrónomo. Considerou a


terra como centro do universo, defendendo a teoria geocêntrica.

Graça aos árabes e aos sábios dos renais cimento, a obra de


Ptolomeu alcançou um grandes prestígios. A sua concepção
geocêntrica do universo só foi substituída no século XVI pelo
sistema heliocêntrico de Copérnico.

Com a decadência do império romano a geografia foi sendo


negligenciada. Apenas cerca de 1200 ano depois da morte de
Ptolomeu, a geografia e a cartografia voltaram a atingir os níveis de
correcção e eficiência que tinha atingido no período ptolemaico.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 41

Conclusão

O carácter cientifico da geografia grega, considerada no seu


conjunto (incluindo desenvolvida por sábios gregos durante o
domínio romano), baseia-se em:

-objectivação do fenómeno considerado, desprezando as


condições subjectivas;

-importância da observação direita, com tendência a


descrições realistas e a expressões numéricas;

-ordenação e compilação dos conhecimentos adquiridos;

-aplicação de considerações racionais na análise de relações


e na busca das causas dos fenómenos.

A Cartografia Romana

A profunda diferença entre as mentalidades gregas e romanas ficou


demonstrada nos seus mapas.

Os romanos eram indiferentes a geografia matemática, ao sistema


de longitude e latitudes, as medições astronómicas e aos problemas
das projecções. Eles necessitavam de mapas práticos para fies
militares e administrativos voltando ao antigo mapa de disco. Na
OrbisTerrarum os cartógrafos romanos representaram o mundo
inteiro. Os três continentes aparecem dispostos mais ou menos
simetricamente com a Ásia a leste, na parte superior do mapa. A
Itália esta bastante evidenciada, bem como Roma e as províncias
romanas. Cerca de 4/5 do mapa são dedicados ao império romano.
A índia, a china (seres) e a Rússia (Sarmacia) estão reduzidas a
pequenas régias periféricas (Fig. 14).

A tábua de Peutinger representa horizontalmente todo o mundo


conhecido, da Inglaterra a china, numa tira de papiro de 7,5 metros
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 42

de comprimentos e apenas 30cm de largura. A forma dos mares e


dos continentes é, por isso, muito difícil de reconhecer.

O que os autores da tábua quiseram representar foi a rede das vias


de comunicação terrestre do império romano, com indicações de
cidades e das distancias a tábua contem alem dos incinerarias das
estradas, detalhes como montanhas, rios, lagos ou mares interiores,
monumentos importantes, etc.

Existia, no fim da época romana, uma cartografia não cientifica


simbólica, esquemática e utilitária. Destinava-se a representar o
império romano e tinha uma finalidade prática e de propaganda.

Sumário
Na época romana devendo- se o pensamento grego, as novas
aquisições desta ciência com Hiparco, Estrabão e Ptolomeu.
Desenvolveu-se a ideia de esfericidade da terra os conceitos de
Antipodas simétrico da ecúmena. Deselveram –se as técnicas
capazes de dar respostas exaustivas as perguntas “ onde””.

Exercícios
1. Qual foi a contribuição dos romanos no alargamento do
mundo conhecido?

2. Estrabão afirma “ que a geografia é um estudo filosófico


exige vasta cultura e é útil a estadistas, comandantes e
comerciantes”.

Comente.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 43

Unidade VII

A GEOGRAFIA NA IDADE
MÉDIA
Introdução
A presente unidade debruça- se sobre a Idade Média e a sua
contribuição para a geografia.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Justificar o retrocesso da geografia verificado na Idade Média,


no ocidente cristão.
Objectivos

À derrocada do império romano seguiu-se um longo período de


turbulência que, nos domínios da cultura, se traduziu por uma
grande estagnação. Embora seja arbitrário marcar rigorosamente os
limites das idades históricas, aceita-se como início da idade media
o ano 476, disposição de Rómulo Augusto, e o termo no ano de
1453, queda Constantinopla.

A área das nações mediterrânicas foi comprimida por grandes


migrações humanas:

- Estabelecimento continental e insular dos povos


germânicos, que precedeu e seguiu a queda do império romano do
ocidente.

- Invasão árabe, que, dos séculos VII ao X, se estendeu, o


próximo oriente a África Magrebiana.

- Aparecimento dos nómadas cujo avanço se quedou nas


estepes e euro-asiáticas (Hunos, Mongóis) ou na Ásia menor
(turcos).
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 44

A aventurosa exploração do mundo foi assim orientada do modo


diferentes, mas não se apoio no poder inventivo da ciência, nem
sérvio os progressos da geografia.

Desde modo a idade media foi, para a geografia, um período de


estagnação e mesmo de retrocesso. Caracterizou-se especialmente
por uma completa decadência da geografia geral. Com os árabes a
actividade geográfica ainda se manifestou, mas este voltarem-se
quase exclusivamente para a geografia descritiva. Ptolomeu foi, ate
ao renascimento, a autoridade incontestada em matéria do
conhecimento da terra e do sistema do mundo.

A Geografia no Ocidente Cristão

Com a queda do império romano do ocidente, o espaço europeu


sofreu sucessivas invasões barbaras. A Europa dividiu-se em muito
reinos, política e socialmente diferenciado. O poder central
fragmentou-se e constitui-se a sociedade feudal. A igreja afirmou-
se como o único unificador da Europa. Neste contexto, a economia
europeia fechou-se sobre se mesma, baseando-se na agricultura e
na troca directa de produto. Os excedentes eram escassos e, em
anos de más colheitas, as populações eram vítimas de fomes,
acompanhadas frequentemente por pestes. Os sistemas de
comunicação desorganizaram-se, não haviam mobilidade de bens,
pessoas ou ideias.

A curiosidade acerca dos lugares só existe quando é possível viajar.


Na Europa medieval, dividida em muitos reinos verdadeiro
mosaico de unidade politica e sociais, a diminuição de mobilidade
foi eliminando a necessidade da geografia científica. O fervor
religioso e as explicações teológicas originavam respostas
alternativas as perguntas «onde?», respostas que eram,
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 45

incompatíveis com as que a ciência pode dar. Do ponto de vista


geográfico classificam-se como erradas.

A característica fundamental da Idade Média é o teocentrismo,


visão do mundo á luz de Deus. As ciências são estudadas e
sistematizadas á luz filosofia (Metafísica) e da teologia.

A teoria geográfica não era testada com a experiência devido a


fraca mobilidade e, por isso, a geografia na idade media evoluiu de
forma bizarra. A bíblia continha um certo número de afirmações
cosmologias e geográficas. A substituição da cosmografia científica
pela religiosa foi evidente na cartografia.

Completamente dominado pelo sentido cristão do sobrenatural, o


cartógrafo medieval não se dedico a representar o mondo como ele
é na realidade. Em vez disso, figurou o seu próprio pensamento
concentrado numa expressão simbólica e artística.

A teologia substituiu a ciência como método importante da


organização do mundo.

Fig. 7 Mapa romano de são Beato do ano 776 E.C

Depois de Ptolomeu houve um declínio evidente na exactidão dos


mapas do mundo, declínio que perdurou ate ao século XIV.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 46

O mapa-múndi típico da idade media era um disco conhecido com


o nome de T no O (OrbisTerrarum) ou como mapa de roda.
Utilizou-se de novo o OrbisTerrarum dos romanos, mas com tais
modificações que perdeu a sua exactidão geográfica.

Fig. 8 Mapa T

Neste mapa a Ásia ocupava sempre a metade superior do O, com a


Europa e a África ocupando, cada uma, a metade da parte inferior.
O mediterrânico uma posição meridiano entre os dois continentes.
Jerusalém estava no centro do círculo, segundo o texto bíblico
«esta Jerusalém; no meio das nações eu a coloquei e suas terras ao
redor dela». O paraíso aparecia localizado a leste na parte superior
do mapa. Nestes mapas foram incluídos elementos teológicos,
perdeu-se a noção de localização rigorosa dos lugares e não existia
sistemas de projecção. Considerava-se a terra de forma plana
representada circularmente.

Existiu também na Idade Média outro tipo de mapa baseado na


concepção esférica da terra. Conservaram-se apenas em forma
cartogramas simplificados, os mapas macró- bios. Foram
importantes porque mantiveram vivo o conhecimento da superfície
terrestre e a divisão em zonas idealizados pelos gregos.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 47

O retrocesso geográfico foi, no entanto evidente na cartografia e os


científicos sofreram uma estagnação.

São de salientar, porém, três factos importantes:

1- As expedições ao atlético norte (séculos VIII, IX e X).


2- As viagens a Ásia dos monges franciscanos Carpine e
Rubruck (séc. XIII) e nos fins do mesmo século marca
pólo.
3- Os conhecimentos geográficos dos árabes.

Nos séculos IX e X os normandos realizaram viagens de


exploração no atlético norte a Gronelândia foi descoberta e La se
estalou uma colónia. Talvez no ano 1000, leif tivesse atingido a
América via Gronelândia. Estas explorações foram prematuras e
sofreram a sorte de todas as que o caso conduz antes que comercio
ou a ciências delas possam aproveitar.

Com fins religiosos e comerciais partiram para a Ásia os monges


capine Rubruck nessa época os mongóis não eram nem
muçulmanos nem budistas e por isso, a Europa cristã alimentou
esperança de entabular relações comercias com eles e de obter o
seu auxílio contra os turcos.

Estabeleceu –se então na Ásia uma rota comercial que permitia a


chegada de mercadorias aos entrepostos comerciais do mar negro.
Peles, tecidos, pedras e especiarias chegavam a Europa, vindas da
Ásia e não do Egipto, por ai serem objecto de impostos excessivos.

Rubuck foi encarregado junto do «Khan» mongol de uma proposta


de aliança contra os maometanos, enviada por são luís de França.

Partiu em 1252 e quando atingiu as estepes da Rússia meridional


pareceu-lhe «que entrava no novo século».

Estas estepes revelaram ao monge um mundo insuspeita do: o das


tribos nómadas que se deslocavam ao ritmo das estações com os
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 48

seus rebanho nos seus carros imensos que «transportavam tendas


inteiramente montadas».

Ao fim de dois meses atingiu a Volga, penetrando no coração da


Ásia central. Chegou a karakarun, cidade capital «que não valeu o
burgo de saint-denis». Foi a primeira cidade que encontrou desde
que começou a percorrer as estepes.

Regressou sem conseguir nenhuma vantagem da corte Mongólia,


nem para o seu rei, nem para sua religião. No relato que dirigiu ao
soberano, resumiu uma preciosa documentação a cerca do género
de vida dos nómadas mongólicos. O relato da viagem e um dos
melhores inscritos geográficos da idade media.

Em 1271, a Itália Marcopólo partiu também com os fins comercias,


para Mongólia onde ganhou a simpatia do chefe supremo, que o
encarregou de missões importantes no Tibete, china meridional e
índias. Passados 20 anos regressou a Europa e descreveu a sua
aventura no livro chamado «livro das maravilhas», no qual registou
tudo o que podia servir para o conhecimento do oriente. Desde a
Ásia menor a china, da Mongólia a índia, através do Iraque e do
irão, Turquestão, Gobi, planalto do Tibete, por todo a parte, marco
pólo observou os produtos do solo e da industria, as condições do
tráfego, os centro comercias e as rotas a seguir.

Descreveu sobre tudo a civilização chinesa, os seus formigueiros


humanos, as suas cidades populosas e mercantis: é o caso de
Kinsay (Hang Tcheu), de que foi governador. Era composta por
doze bairros de 12000 casas, cada um, povoada por 3 milhões de
habitantes; Esta cidade, construída sobre as águas como Veneza,
tinha nada menos que 12000 pontes e a província de Manzi, de era
a capital, contava mais de 1200 poderosas cidades.

Descreveu também o tráfego do rio azul, “ que é menos um rio de


que um mar”, sulcado por juncos e barcos de toda a espécie.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 49

A indústria da seda, a riqueza pública, o sistema dos correios, em


suma, tudo o que constituía uma sociedade civilizada e mais
evoluída da a Europa foi descrito por marco pólo.

O livro do marco pólo encontrou muitos incrédulos, mais acabou


por se impor despertando a curiosidade a imaginação e a cobiça dos
europeus do renascimento, que queriam atingir, por uma rota
directa, esse oriente asiático de prodigiosas riquezas.

Sumário
A idade média foi para a geografia um período de estagnação ou de
retrocesso. Caracterizou-se especialmente por uma completa
decadência de geografia geral, destorcimento dos mapas mundi.

Exercícios
1.Quais são as características da geografia durante a idade média?

2. Quais as condições sócio- económicas que levaram a geografia a


entrar em crise?
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 50

Unidade VIII
A GEOGRAFIA MEDIEVAL
MUÇULMANA
Introdução
A presente unidade debruça- se sobre a Idade Média e a sua
contribuição para a geografia, especificamente na Geografia
Medieval Muçulmana.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Justificar o desenvolvimento da geografia descritiva no mundo


muçulmano.

Objectivos

O mundo muçulmano tinha necessidade de conhecer com precisão


a localização de determinados lugares. A extensão do mundo
muçulmano tornava necessária a localização absoluta e relativa de
certos lugares de mundo a solucionar todos os problemas
administrativos e militares que provinham de tão vasto Império. O
império Árabe estendeu-se do Atlântico e da África do Norte até à
Ásia Central. No século X os árabes alargaram os seus
estabelecimentos à costa oriental da África, do mar Vermelho à foz
do Zambeze. Os seus navios não se aventuravam para além deste
limite, mas em compensação faziam correntemente a utilização
comercial da monção para as trocas com a Índia
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 51

Fig. 9: Expansão Árabe

Os árabes encontravam-se assim extraordinariamente bem


colocados para realizarem a exploração do domínio da Antiguidade
clássica. O interesse pelas viagens e pelo conhecimento de outros
lugares era grande.

As peregrinações a Meca, exigência do Corão, significavam


também grandes distâncias a percorrer. Assistiu-se assim a um
período de desenvolvimento do conhecimento de muitos lugares.

Os árabes procuravam também estabelecer relações com outros


povos distantes. No século XII, Edrisi enriqueceu os seus
conhecimentos geográficos com longas viagens e, ao serviço do rei
da Sicília, elaborou e 1154 um mapa-múndi, que é considerado a
obra mais importante da cartografia árabe. No século XIV,
IbnBatutah percorreu o Egipto, a Arábia, a Palestina, a Rússia, o
Iraque, o Irão, o Afeganistão, a Índia e a China. Ultrapassou o
Equador, demonstrando que a zona tórrida era habitada. O relato
das suas viagens, rico de observações e de informações pessoais, é,
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 52

sobretudo, uma descrição da sociedade muçulmana da 1ª metade do


século XIV.

Os árabes mantiveram, deste modo, as tradições da geografia


descritiva. Foram também eles que traduziram no século IX a
geografia de Ptolomeu, com o nome de Almagesto. Desenvolveram
a astronomia, a matemática, a geometria. Aperfeiçoaram o
atrolábio e a bússula.

E enquanto a cartografia ocidental ia pouco além de uma ilustração


decorativa de textos teológicos, o mundo muçulmano recolheu e
desenvolveu a antiguidade clássica.

As suas cartas são no entanto esquemáticas: não há nem projectado,


nem coordenadas, e a configuração real das várias regiões é
inteiramente ignorada (fig. 20). A latitude e a longitude foram
utilizadas pelos astrónomos nas suas observações, mas geógrafos,
ao elaborarem os mapas, não se serviam desses dados. Existia no
mundo árabe uma separação entre os geógrafos e astrónomos, que
não aconteceu na antiguidade.

Fig. 10: Cartogramas árabes usados na Idade Média

As Cartas Portulanas

Nos finais da Idade Média as cruzadas, as peregrinações aos


lugares santos e o renascimento do comércio entre a Europa e o
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 53

Ocidente levaram ao ressurgir da curiosidade pelo mundo


desconhecido.

Com o desenvolvimento da navegação houve necessidade de uma


cartografia realista e útil. Abandonou -se a cartografia religiosa e
imaginária e desenvolveram -se as cartas portulanas. São atribuídas
a Genoveses e Catalães a partir da segunda metade do século XIII.
Representam com grande pormenor os acidentes costeiros. As áreas
continentais aparecem em branco e ornadas com escudos de armas,
bandeiras, etc.

O detalhe mais característico dos mapas portulanos é o minucioso


sistema da rosa-dos-ventos e dos rumos (direcções da bússula). Em
geral existe uma rosa-dos-ventos central que ligada em todas as
direcções a outras rosas-dos-ventos dispostas à sua volta segundo
um polígono de pito, dezasseis e trinta e dois lados. Presume -se
que estes rosas-dos-ventos foram desenhados após a elaboração do
mapa com a intenção de ajudar o navegador no estabelecimento da
sua rota.

Sumário
Nos finais da Idade Média as cruzadas, as peregrinações aos
lugares santos e o renascimento do comércio entre a Europa e o
Ocidente levaram ao ressurgir da curiosidade pelo mundo
desconhecido

Exercícios
1. Indique as causas que levaram ao desenvolvimento da geografia
descritiva no mundo muçulmano.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 54

Unidade IX

A GEOGRAFIA NA ÉPOCA
DOS DESCOBRIMENTOS
Introdução
Esta unidade irá retratar questões relacionadas com geografia
europeia no período renascentista e pós – renascentista.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Justificar o desenvolvimento da geografia europeia no período


renascentista e pós – renascentista.
Objectivos
 Explicar os passos dados na geografia na época dos
descobrimentos

A Geografia na Época dos Descobrimentos

Inventos Tecnológicos

A navegação no alto mar tornou-se possível dados os inventos


tecnológicos de que dispunham já, anteriormente ao século XV.

- O leme central.
- A bússula.
- Os portulanos
- A determinação da altura dos astros.
- O quadrante.
- O astrolábio.
- A vela triangular.
- A caravela
- A imprensa.
- As cartas marítimas.

Causas dos Descobrimentos


Evolução do Pensamento GeográficoG0133 55

O notável esforço dos grandes descobrimentos encontra-se ligado a


um conjunto complexo de causas e de condições, tais como:

- Motivos de ordem comercial: a procura de novas rotas


para o comércio com o levante;

- Motivos de ordem técnicas: possibilidades oferecidas


pelos progressos da navegação e da astronomia náuticas;

- Motivos de ordem cientificas: influencias de Ptolomeu e


da ciência grega;

- Motivos de ordem religiosa: a mística crista, a vontade de


atacar os mouros de africa, de chegar ate junto de populações fácies
de converter e de alcançar o lendário reino cristão do preste João.

Os europeus vão tomar contacto com a zona tórrida e com a


regularidade zonal ou estacional dos seus elementos climáticos. No
mar, para alem do trópico de câncer, os navios portugueses eram
ajudados primeiramente pelo alísio que soprava para oeste.
Alcançou-se depressa a zona das calmas equatoriais que levava,
muitas vezes, vinte dias a atravessar. De seguida atingiu-se alísio
de sueste que obrigava a navegar com vento contrário, o que
tornava a viajem longa e enervante.

Expedições quase exclusivamente marítimas os descobrimentos


foram sobretudo obra dos povos que viviam nas costas do atlântico:
portugueses, espanhóis e depois franceses, ingleses e holandeses.
Usavam as caravelas, navios rápidos graças ao seu velame e
seguros graças aos bordos elevados. Praticavam a navegação do
alto mar com a ajuda da bússola, a «agulha de marear»
aperfeiçoada no século XIII e do astrolábio graduado cujo se
difundiu no século XV para a medição das latitudes.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 56

Os grandes descobrimentos marítimos (séculos XV e XVI)

Até ao século XV os europeus conservaram-se, segundo expressão


de Platão, «como rãs acocoradas a beira do mediterrâneo». Depois,
bruscamente abandonam o beiço demasiado rígido deste mar
fechado singrará para o mar alto á descoberta dos oceanos e dos
continentes.

A ampliação do «mundo conhecido» atingiu os seus maiores


limites quando Cristóvão Colombo chegou á América, Vasco da
gama chegou á índia após contornar a africa e Fernão de Magalhães
realizou a primeira viagem á volta do mundo ( Fig 21).

Cristóvão Colombo conhecedor da obra de Ptolomeu e da


esfericidade da terra, propôs-se descobrir o caminho oceânico para
as índias, navegando para oeste. Obteve o apoio financeiro dos reis
espanhóis, Fernando e Isabel, e partiu em 1492. Atingiu apenas as
Antilhas e nas suas quatro viagens posteriores aportou ao
continente Americano. Um novo mundo era revelado aos europeus.

Fig. 10: época dos grandes descobrimentos


Evolução do Pensamento GeográficoG0133 57

Vasco da Gama partiu de Lisboa em 1497 e, após contornar África


pelo sul atingiu a índia por mar. Estava assim resolvida a
configuração do continente africano, que deste a antiguidade se
procurava esclarecer. A descoberta do caminho marítimo para a
índia transformou a geografia comercial da época, aniquilando o
tráfico mediterrânico em proveito do atlântico e dos portugueses.

Fernão de Magalhães era um verdadeiro sábio e acreditava na


continuidade unitária dos oceanos. Propôs por isso a Carlos V de
Espanha uma expedição para atingir «a terra das especiarias»,
contornando a América do sul. Partiu em 1519 e em 1520 atingiu o
oceano pacífico, após dobrar o estremo sul da América do sul. Em
1521 chegou as filipinas onde morreu numa luta de indígenas. A
expedição prosseguiu comandada por Sebastião del cano. O
regresso a Espanha fez pela rota do cabo da boa esperança em
1523.

Todo os descobrimentos que o homem do século XV conseguiu


concretizar, dando realidade a viagens longínquas e delas colhendo
elementos que lhe permitissem prosseguir sempre mais alem,
constituíram a prova evidente da cooperação entre cientista,
mariantes e mercadores, uns contribuindo com o seu conhecimento,
outro com o seu saber de experiências feito e outros, finalmente,
com recursos financeiros necessários para levar a cabo tão
dispendiosa tarefa. Desta aliança entre a teoria e prática, todos,
afinal, beneficiaram.

Evolução dos conhecimentos geográficos

Portugal deu um forte contributo para a ciência no campo da


navegação astronomia, ciências naturais, matemáticas e geografia.

Nos séculos XV e XVI, os portugueses provaram pela experiência


vários factos:
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 58

-era possível navegar sistematicamente longe da costa e


conseguir perfeita orientação pelo sol e outras estrelas;

-a África tinha um ponto meridional, existindo portanto um


caminho marítimo para a índia;

- O mundo equatorial era habitado e habitável;

- do outro lado do atlântico estava um longo bloco


continental – as três Américas;

- a América do sul tinha um ponto meridional, dando


passagem para a Índia por ocidente;

- os três oceanos comunicavam entre si;

- a terra era redonda e, por isso, circum -navegável.

E ainda:

-os contornos dos continentes e oceano puderam ser


traçados, aparecendo pela primeira vez uma geografia ecuménica
da terra;

- desenharam o primeiro mapa dos céus do hemisfério


austral;

— mostraram ao mundo ocidental civilizações e culturas


desconhecidas;

— experimentaram numerosas plantas novas, frutos e


alimentos que trouxeram para a Europa;

— encontraram e descreveram novos animais.

Os descobrimentos, isto é, os contractos dos europeus com


terras e agentes distantes e desconhecidas, prosseguiram no século
XVII. As viagens multiplicaram-se em todos os mares, com o
contributo de diversos povos europeus.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 59

A informação era abundante mas caótica, pois misturava


factos observados com crendices, superstições e fantasias. O
particular assumia proporções inumeráveis, fazendo falta o geral e,
ainda mais, o universal. Daí a distância que separa essa riqueza
informativa da pobreza de sistematização e particularmente da
teorização.

São, no entanto, de assinalar Copérnico, Munster e Galileu.

Copérnico publicou em 1543 a obra «De


RevolutionibusOrbiumCaelestium», liquidando a concepção
ptolemaica do nosso sistema planetário e formulando o
heliocentrismo. No ano seguinte, em 1544, apareceu a
«cosmografia», de Sebastião Munster, que renova a tradição das
grandes descrições do mundo inauguradas por Heródoto e
Estrabão. Galileu, 1564-1642, impôs definitivamente o
heliocêntrico e explicou os movimentos de rotação e translação da
terra.

Progresso da terra

Ate ao século XV, as fontes cartográficas foram os portulanos,


cartas traçadas sem projecções, que se limitavam ao desenho litoral
e reproduziam apenas o Mediterrâneo e os seus acessos. Foram
desenvolvidos por marinheiros Italianos e catalães. No fim da idade
media, os navegadores português retomaram a tradição e
desenharam portulanos dos pedaços de costa que iam percorrendo
(fig.23).

Nos finais do século XV, os portugueses desenvolveram também o


«método dos roteiros», onde estavam cuidadosamente descritas as
linhas da costa. Os retiros incluíam sinais particulares (arvores,
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 60

montanhas, golfos, rios e rochedos) que permitiam conhecer a


costa, assim como porto, bancos de areia, baixos e outros.

Na época dos grandes descobrimentos idealizaram-se novos


métodos para representar a terra, cuja esfericidade foi comprovada.

Behaim, em 1492, seguindo as descrições do Marco pólo e os


cálculos de Ptolomeu, elaborou o primeiro globo terrestre, que não
incluía o continente americano, no qual o círculo máximo atingiu
apenas 2/3 da circunferência real.

Mercator, 1512-1594, é considerado o fundador da cartografia


holandesa. O seu principal mérito foi de libertar a cartografia da
influência de Ptolomeu.

Em 1541, mercator construiu um globo onde já aparecia a América.


Na Europa e Ásia as superfícies estão sem os erros de Ptolomeu.
Reduziu o comprimento do Mediterrâneo para 53º. As régias
desconhecidas, sobretudo a Antártida. Estão representados como
enormes extensões de terra. Mercator é também conhecido como
sistema de projecção cilíndrica que uso no seu mapa-múndi de
1569.

Ortelius, 1527-1598, publicou em 1570 a obra


«TheatrumOrbisTerrarum», que é considerada como o primeiro
atlas moderno do mundo. Contem 53 folhas gravadas e
acompanhadas de um texto.

Sumário
O renascimento significou para a geografia, como para quase todo
os sectores do saber humano, uma época de renovação e de fabril
actividade. Foi o tempo das grandes viagens, que revelaram
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 61

mundos desconhecidos, e das grandes descobertas científicas, que


forneceram novas bases a todos os conhecimentos.

Três factos importantes caracterizaram este momento único:


— Um prodígio alargamento do horizonte geográfico;
— O grande desenvolvimento da cartografia;
— Os progressos das ciências físicas auxiliares da geografia.

Exercícios
1. “ No princípio do século XV (1406), a obra do Ptolomeu foi
traduzida do árabe para o latim e difundida para toda a Europa “.

Este facto e as descobertas marítimas foram decisivos para o


reaparecimento da Geografia no campo científico. Relacione estes
factos com o ressurgir da Geografia e com as características que a
disciplina assumiu nessa época.

2. Estabeleça a diferença entre as concepções do universo do


Ptolomeu e do Copérnico.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 62

Unidade X

AS BASES DO
CONHECIMENTO DO
GLOBO NOS SÉCULOS XVII
E XVIII
Introdução
Esta unidade vai apresentar as bases do conhecimento do globo nos
séculos XVII e XVIII.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Descrever a contribuição decisiva de Humboldt e Ritter para o


desenvolvimento da geografia contemporânea.
Objectivos

As bases do conhecimento do globo nos Séculos XVII e XVIII

Os descobrimentos europeus dos séculos XV e XVI tiveram como


resultado sobretudo a descoberta das novas rotas marítimas. Nessa
época o desejo de desenvolver o comércio era superior a ideia de
colonização, procurando estabelecer feitorias ao longo das costas e
dominar as rotas marítimas. O interior dos continentes continuava
ignorado, misterioso, povoados de lendas. Explicar-se assim o
fraco desenvolvimento os conhecimentos geográficos nesse
período.

Do ponto de vista de história da geografia é de registar o


aparecimento de duas obras gerais: «introdução a geografia
universal», de cleverius, em 1626,e a «Geografia Generalis», de
Varenius, em 1650. Em varenius, a geografia teve um dos seus
maiores pioneiros. Ele considerou que os fenómenos registados na
superfície terrestre se dividiam em três partes: celestes, terrestres e
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 63

humanos. A sua «geografia Generalis» constituiu a primeira síntese


da Ciência da terra, abarcando o essencial do conhecimento
geográfico acumulado durante os dois séculos das grandes
descobertas.

O movimento das descobertas prosseguiu durante os séculos XVII


e XVIII. Verificaram-se notáveis progressos na navegação. No
século XVII, as caravelas deram lugar a navios mais longos e mais
pesados, os galeões. No século XVIII os navios aumentaram de
tonelagem e muniram-se de instrumentos de bordo, que permitiam
uma navegação mais segura e a determinação exacta não só da
latitude, mas também da longitude.

Ate ao século XVIII não se soube determinar as longitudes exactas.


Todavia, o princípio de determinação é simples e conhecido desde
a Antiguidade; e assenta no seguinte: 1.º dois pontos que têm a
mesma hora encontram-se no mesmo meridiano; 2.º sendo o
movimento da terra uniforme, as diferenças de longitudes são
proporcionais as diferenças de hora, na razão de um grau para 4
minutos de tempo. É necessário que o marinheiro seja capaz de
conhecer, em cada instante, a sua posição (latitude e longitude) a
superfície dos mares: é aquilo a que se chama determinar o ponto.
Para isso, é preciso avaliar a velocidade do navio e a sua direcção.
Para a velocidade utilizava-se, desde o século XVI, a barquinha dos
pilotos, graduada em nos; o no é 1/120 da milha marítima.

A velocidade é calculada da seguinte maneira: tantos nos em 30


segundos (1/120 da hora), tantas milhas a hora. Mas, ate ao século
XVII, não somente o no era demasiado pequeno mas ainda as
ampulhetas utilizadas e que, teoricamente, levavam 30 segundos a
esvaziarem-se, eram mal reguladas. Por isso, apenas se podia
determinar uma longitude presumível.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 64

Sumário
O movimento de descoberta prosseguiu durante os séculos XVII E
XVIII. Ate ao XVIII, o princípio de determinação era simples e
conhecido desde a antiguidade. No segundo cartel do século XVIII,
incentivou- se a elaboração do material cartográfico, e também foi
um século de notáveis progressos nas ciências físicas e naturais.

Exercícios
1. Descreva a contribuição decisiva de Humboldt e Ritter para o
desenvolvimento contemporânea.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 65

Unidade XI
GEOGRAFIA CONTEMPORÂNEA
Introdução
Nesta unidade apresentar-se-á o percurso da geografia desde a
elaboração de leis até a metodologia específica em geografia.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Sintetizar a contribuição do Humboldt e Ritter para a Geografia.

 Relacionar as perspectivas de Humboldt e Ritter com os dois


Objectivos ramos principais da geografia contemporânea

Kant, 1724-1804, ensinou geografia física durante cerca de 40 anos


na universidade de Koenigsberg na Alemanha, estabelecendo-lhe as
bases metodológicas.

Para Kant o conhecimento científico era obtido através dos sentidos


ou através da razão. Segundo ela a experiência humana colhida
indirectamente dividia-se em dois tipos:

Narrativo e descritivo. O primeiro era a historia, o segundo a


geografia. A história era o registo dos acontecimentos que se
sucediam no tempo e a geografia era a descrição dos fenómenos
que se sucediam no espaço. Ambas as disciplinas constituíam
conhecimentos empíricos. Kant defendia que a geografia antecedia
a história, uma vez que os factos ocorriam em determinado lugar.
Classificou as ciências em três conjuntos: as ciências sistemáticas,
que estudam as categoria de fenómenos (astros, rochas, etc.), as
ciências históricas, que estudam as relações entre os fenómenos
através do tempo, e as ciências geográficas, que estudam os factos
nas suas relações espaciais.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 66

O final do século XVIII pode ser indicado para a geografia como o


encerramento do período inicial que designamos por «longo
passado».

A geografia é uma ciência com um «longo passado» que remonta


ao século VI a. C. e com uma «breve historia», posterior ao século
XIX. No «longo passado» de vinte e cinco séculos, a geografia
permaneceu ligada a outras ciências como a astronomia, a
matemática e a historia. A «breve história» refere-se ao curto
período de pouco mais de um século em que a geografia aparece
com um conjunto de métodos e de conhecimentos coerentes e
rigorosos, dentro do contexto da ciência contemporânea.

Humboldt e Ritter vão introduzir na geografia um método próprio e


um carácter sistemático. A geografia deixou de ser obra de
erudição ao serviço da história e da matemática, deixou de ser, à
maneira antiga, um conjunto de conhecimentos práticos, uma
enumeração mais ou menos ordenada de montanhas, rios ou de
cidades. Unificada pelo contacto das ciências, animais pelas
relações dos exploradores, a geografia colocou-se ao lado da
investigação científica competindo-lhe não só descrever e
inventariar, mas também relacionar e explicar.

O saber escolástico foi substituído pelo saber experimental. Em


todas as ciências se desenvolvia a preocupação da busca de relação
de causa e efeito. Era o advento do espírito científico, ligado ao
desenvolvimento da sociedade industrial.

Humboldt

O alemão Alexandre vonHumboldt, 1769-1859, foi, por educação e


por gosto, um homem de ciência, sobretudo um naturalista e um
grande viajante. Possuía uma formação diversificada: economia
política, matemática, ciência da natureza e física. Observador
atento de todos os grandes factos físicos e biológicos, percorreu
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 67

uma grande parte da Europa, todo o México, a América central, a


Colômbia e a Venezuela. As suas numerosas publicações foram
todos de natureza científica.

Os méritos de Humboldt foram altíssimos. Fundou os métodos de


observação de quase todos os sectores da geografia física.
Generalizou o emprego do barómetro para determinar as altitudes,
dos cortes topográficos e dos cálculos de altitude media para
caracterizar o relevo. Traçou o primeiro mapa de isotérmicas e
mostrou o contraste entre as costas orientais e ocidentais dos
continentes. Pode considera-se o fundador da geografia botânica,
baseada na fisionomia das plantas e das suas relações com o solo e
o china.

Humboldt não foi apenas um naturalista e um viajante, foi também


um geógrafo de grande visão. Comparou as culturas nativas asiática
e americana e escreveu tratados regionais sobre cuba e México.

A sua obra mais conhecida, «O Cosmos», revelou, por um lado, o


elemento quantitativo colhido directamente nas viagens e, por
outro, o elemento qualitativo, a teorização. O elemento quantitativo
era riquíssimo, pois Humboldt foi um observador rigoroso e um
meticuloso anotador, procedendo sempre com rigor científica.
Abrangia informações relacionadas com a temperatura atmosférica
e do solo, pressão, ventos, latitude e longitude, mares, variações
magnéticas, natureza das rochas, animais, tipos de plantas e suas
relações com o meio. Humboldt preocupou-se também com as
explicações dos fenómenos descritos, estabelecendo as relações
entre eles.

Pertenceu-lhe o mérito de, em primeiro lugar, ter formulado e


aplicados os dois princípios essenciais que fizeram da geografia
uma ciência original, que Emmanuel de Martonne designou por
princípio da causalidade (ou interdependência) e princípio da
geografia geral (ou comparada).
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 68

Qualquer que fosse o fenómeno estudado, Humboldt não se


limitava a considera-lo isoladamente, analisava outros fenómenos
que o meio oferecia à sua observação, remontava as causas e descia
as consequências. Ninguém mostrou de modo mais preciso como o
Homem dependia do solo, do clima, da vegetação, como a
vegetação era função dos fenómenos físico, como estes mesmos
dependiam uns dos outros. Era a unidade do mundo físico com todo
os fenómenos interdependentes (principio da causalidade).

Quando fixava a sua atenção num problema geológico, biológico


ou humano não observava apenas o facto local, voltava o seu
interesse para as outras regiões onde ocorriam factos análogos. Era
sempre a lei geral, válida para todas as circunstâncias semelhantes,
que ele procurava formar. Nenhum ponto lhe parecia independente
do conhecimento do conjunto do globo (princípio da geografia
geral).

Humboldt foi um inovador quanto ao método – que defendia a


ciência – de examinar os fenómenos climáticos, botânicos,
geológicos na sua repartição à superfície da terra, mas também nas
suas relações recíprocas. Como ele mesmo escreveu, «é preferível a
ligação dos factos anteriormente observados, ao conhecimento dos
factos isolados, mesmo que estes sejam novos». Mais uma vez,
pois, o conceito essencial de relação.

A utilização de método comparativo foi um passo decisivo na


evolução dos conhecimentos científicos. O estabelecimento de
comparações universais foi uma das suas contribuições mais
importantes. Humboldt comparou sistematicamente as paisagens da
área em estudo com outras de diferentes locais da terra. Comparou,
por exemplo, os desertos do velho mundo com os do continente
americano, o planalto do México com o da península Ibérica, as
montanhas da Europa e as do Novo Mundo. Não estudou paisagens
únicas, mas verificou que existem relações gerais e causas
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 69

genéticas comuns em áreas semelhantes de diferentes partes do


mundo.

Humboldt defendia o conceito de harmonia universal da natureza


concebida como um todo, com os fenómenos intimamente
relacionados. O objectivo de pesquisa científica era, para ele, a
descoberta da conexão causal dos fenómenos. O seu projecto
científico era a criação de uma nova ciência, a «Física do globo»,
em que se integrassem as disciplinas que estudam a Natureza, e se
explicasse a sua harmonia universal e a interligação das forças
actuantes. Este projecto culminou com a publicação dos cosmos, a
partir de 1845.

Ritter

Karl Ritter, 1779-1859, historiador e filósofo alemão, viajou muito


menos que Humboldt. Foi professor de geografia na Universidade
de Berlim e as suas publicações resultaram da investigação e do
ensino. Nele, as preocupações pedagógicas estavam sempre
presentes.

A sua obra de estreia, «Europa, Quadros Geográficos, Históricos e


Estatísticos», despertou grande atenção entre os geógrafos. A
grande originalidade, em relação a Humboldt, residiu sobre tudo no
lugar importante que deu a geografia humana. Ritter combateu
aquilo que então se denominava «Geografia pura», e recusava um
lugar ao homem. O seu principal objectivo era explicar as relações
existentes entre o meio físico e a actividade humana. São estas
relações mútuas da natureza e do homem, e a terra como o teatro,
da actividade humana que lhe interessavam fundamentalmente.

No seu livro «Europa» afirmou: «Aterra e os seus habitantes


mantêm-se na mais estreita reciprocidade, não podendo um ser
apresentado em todos os seus aspectos sem o outro. A geografia e a
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 70

história devem ser, pois, inseparáveis. A terra tem influência sobre


os habitantes e estes últimos sobre a terra».

Segundo a concepção Ritteriana, a terra era considerada como um


organismo com todas partes solidárias. A combinação das quatro
formas ou elementos fundamentais (ar, água, fogo e terra)
constituem o «Todo» terrestre e Ritter estudou os essencialmente
nas formas existentes na superfície do globo e na sua disposição e
interacção recíprocas.

Tal como Humboldt, Ritter preocupava-se em estabelecer leis


gerais através do método comparativo. «Só com o contributo de
leis gerais da superfície terrestre, inerte e animada, pode apreender
se a harmonia do mundo dos fenómenos» afirmou.

Das formas terrestres e das suas relações extraiu Ritter muitas


consequências a cerca dos destinos dos povos e da humanidade. A
ele se atribuiu a interpretação das características sociais e da
variabilidade histórica a partir da acção do meio físico, tentando
assim explicar as desigualdades entre os povos. Da sua pretensão
de explicar os feitos humanos em função dos factos físicos resultou
a sua atitude determinista. O seu objectivo era contribuir para a
compreensão do papel da natureza no desenvolvimento dos
homens, dos povos e dos estados.

A disposição geral na superfície do globo explicava, segundo


Ritter, o triste destino de determinados povos que não
desenvolviam culturas superiores. Deu como exemplo o caso de
África, «cujas condições naturais e humanas acusam o corpo
inarticulado do continente, todo individualizado, devido a forte
complexidade e ao facto dos climas se disporem simetricamente em
relação ao equador. Todos fenómenos conservam um carácter
uniforme».

As características diferenciadas de outros continentes explicavam o


diverso grau de desenvolvimento da civilização. Era o caso da
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 71

Europa, «cujo núcleo central do continente não constitui nenhum


obstáculo dado o facto de ser fortemente articulado, isto é,
apresentar um perfeito equilíbrio entre as formas sólidas e
líquidas».

Ritter, no íntimo, permaneceu filósofo e idealista. Foi um filósofo


finalista ao observar que «a natureza existe para o homem» e ao
defender um sistema de natureza auto-suficiente na qual se
valorizava quer o princípio da organização quer a acção recíproca
das partes contribuintes para uma totalidade unitária. Para Ritter o
«Todo» era simultaneamente uma imagem divina e a visão global
da natureza. A compreensão deste «Todo» era o seu objectivo. Ele
concretizou-o, estudando intensamente as relações entre o homem e
a natureza. O todo geográfico que estudava inseria-se «Todo» da
natureza estreitamente interdependente e organizado. «Toda a
reflexão sobre o homem e a natureza – escreveu Ritter – conduz à
consideração do particular e suas relações com o «Todo» admitiu
uma finalidade no universo, explicando o presente pelo futuro.

«A terra é o teatro da actividade humana e o homem encarna nela o


mesmo papel que a alma no corpo» a ideia teológica ou finalista
que dominou toda obra de Ritter, foi sempre discutida e muitas
vezes contestada. É realmente o lado vulnerável da sua obra mas
que não pode de modo algum fazer esquecer os outros que lhe
fixaram um lugar de relevo – quase sempre ao lado de Humboldt –
na história da geografia.

A geografia é para Ritter «a ciência que estuda a terra em todas as


suas características e inter-relações e mostra a conexão deste
conjunto unificado com o homem e com o criador»
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 72

Sumário
Apesar dos esforços de Humboldt e Ritter, a geografia
contemporânea não estava ainda definitivamente fundada. As novas
ideias semeadas por estes dois pioneiros não encontraram terreno
adequado. Nem Humboldt nem Ritter tiveram discípulos que
completassem e desenvolvessem as suas obras.
No entanto, a formação definitiva como ciência moderna não
tardaria muito. A germinação das sementes lançadas por Humboldt
e Ritter ocorreu logo que surgiram circunstâncias favoráveis nos
finais do século XIX, cerca de 1870.

Exercícios
1. Leia com atenção o texto. Faça uma síntese da evolução da
geografia no período a que se refere.

«Humboldt e Ritter reconhecimento como objecto fundamental da


geografia a forma como os fenómenos naturais, incluindo o
homem, se combinam no espaço. Foram eles que fixaram os
princípios da geografia moderna» René Clozier, 1967 (Exame,
1982— 2.ª época)

2. -Comente, criticamente:

2.1-«Todos os povos estão submetidos a influencia da natureza,


inclusivamente se esta é imaterial» afirmou Ritter.

2.2-«A Ritter interessa fundamentalmente as relações mútuas da


natureza e do homem, considerando a Terra como palco de
actividade humana.»

2.3-Segundo Ritter «só com a ajuda de leis gerais de todos os tipos,


dominante e fundamentais da superfície da Terra inerte e animada,
se pode apreender a harmonia do mundo.»
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 73

Unidade XII
O CONHECIMENTO DO MUNDO
NO SÉCULO XIX
Introdução
Esta unidade vai abordar o conhecimento do mundo no século XIX, os
factores da institucionalização da geografia e o determinismo geográfico.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Indicar os factores que contribuíram para a institucionalização da


geografia no século XIX

Objectivos  Caracterizar a corrente determinista.

 Descrever o método dos deterministas.

 Determinar o objecto do determinismo geográfico.

O conhecimento do mundo no século XIX

No século XIX assistiu-se ao conhecimento e exploração de vastas


áreas do interior dos continentes. Cerca de 1800 a África
permanecia ainda um continente misterioso, a Austrália era mal
conhecida, a Ásia central e o interior dos continentes Americano
tinham sido pouco percorrido e as regiões polares mantinham-se
desconhecidas, a etapa marítima das descobertas precedeu de cerca
de quatro séculos a etapa continental.

Foi sobretudo devido à evolução dos transportes que se


intensificaram as viagens de exploração para as áreas mais hostis
do globo. Os avanços da ciência e da técnica possibilitam também
novos processos de investigação, por exemplo, sondagens
submarinas e prospecção da atmosfera.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 74

A exploração do interior dos continentes e a ocupação colonial que


dai resultou colocara os europeus em presença de novos climas,
novas paisagens vegetais e morfológicos, diferentes hábitos sociais.
A expansão colonial contribui muito para o conhecimento da
superfície terrestres. Esta expansão foi solicitada pela revolução
industrial e pelas necessidades de matéria-prima e mercados. O
século XIX significou para a Europa um período hegemonia
directo, pelos impérios coloniais e hegemonia indirecta pelo
monopólio económico.

Os conhecimentos das áreas mais inacessíveis do globo que ficou a


dever-se quer a viajantes e exploradores isoladas quer a missões
científicas e militares, cuidadosamente preparados e apoiados. Os
relatos das viagens de exploração contribuíram para popularizar a
geografia.
Foram essencialmente factores sociais que motivaram a
institucionalização da geografia e a aparição de uma comunidade
científica da geografia.

1. A geografia encontrou um ambiente político favorável.


O poder político e económico apoio-a. A expansão aplicou-se o
princípio da nacionalidade, cada nação teria correspondência num
estado. Se cada estado abrangesse várias nações (impérios
coloniais) havia de promover a sua autonomia. Se cada nação
tivesse dispersa por vários estados haveriam que promover a sua
unificação. Era a luta pela sobrevivência do nacionalismo.
(idealismo Pangermânico: a Alemanha estava dividida e tentava-se
a sua unificação).

O amor a pátria implicava o seu conhecimento e a geografia


desempenhava um papel fundamental da concretização desse
objectivo. Dai a importância do seu ensino.

2. Sociedade de geografiae grupos comércio colonial.


Evolução do Pensamento GeográficoG0133 75

O século XIX foi o século da expansão do imperialismo europeu,


sociedade de geografia e grupos comerciais estavam relacionados
com o objectivo do imperialismo na sua actividade colonizadora,
possuindo fortes apoios monetários ate poderes públicos.

A participação das Sociedades de geografia na tarefa exploradora


do século XIX foi muito importante. Desde 1821, em que se
fundou a Sociedade de geografia de Paris, fundaram-se 140
sociedades. Os seus objectivos eram muito vastos: organização de
expedições, fomento de comércio, realização de observações
astronómicas, etnográficas e cietifico-naturais, criação de
observatórios meteorológicos, levantamentos cartográficos,
explorações arqueológicas, etc. As suas revistas e publicações
davam nota do avanço a explorações, publicavam relatos de
viagens e incluíam estudos muito diversos sobre os territórios e
seus habitantes procuravam também difundir e impulsionar o
ensino da geografia.

3. Activas casas editoras davam a conhecer, através de


revistas, atlas e cartografia (com domínio de diferentes tipos de
projecções), as explorações feitas e ligadas á actividade geográfica.
Interessava-lhes o ensino obrigatório da geografia. Depois de
leccionada no ensino superior, a geografia passou ser obrigatória
nos ensinos primários e secundários, resultando daí a necessidade
de formar professor para sua docência num momento de rápida
expansão dos efectivos escolares.

Pela primeira vez na história do homem a geografia tornou-se


obrigatória. Foi institucionalizada em 1870.

A geografia institucionalizou-se na Alemanha, na França, na Grã-


Bretanha e nos Estados Unidos, originando o desenvolvimento das
escolas nacionais com características próprias. Segundo Paul
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 76

Claval «só depois de 1870 aparece o verdadeiro ambiente


geográfico»

Na obra «Antropologeografia» publicada em 1882, Ratzel


procurava mostrar a distribuição do homem na superfície terrestre
era determinada por forças naturais. Considerava o homem como
produto final de uma evolução baseada na selecção natural e na
capacidade de adaptação ao meio natural.

A aplicação de métodos de outras ciências a geográficas foi aceite


por Ratzel a partir de pressupostos positivistas. O modelo das
ciências naturais estava sempre presente e era frequentemente
evocado. A única impossibilidade para a geografia era a de efectuar
a experimentação. Para ultrapassar esta limitação a geografia
recorria ao uso de comparações e a utilização da cartografia. O
mapa constituía, para esta ciência um instrumento essencial da
investigação.

Segundo Ratzel a geografia estudava os fenómenos da superfície


terrestre nas suas relações, descrevendo-os e comparando-os. Em
meios semelhantes os grupos humanos tinham característica
semelhantes, a meios diferentes correspondia características
humanas diversas. Por comparação estabelecia-se leis gerais. A
falta da constância nos resultados levou Ratzel a recorrer a ideia de
raças superior e inferior.

As questões de geografia política interessavam muito a Ratzel. No


seu estudo da distribuição dos seres vivos observou que «entre o
movimento da vida, que nunca termina, o espaço terrestre, que não
aumenta de dimensões existem um nítido contraste. Deste contraste
origina-se a luta pelo espaço. Os seres vivos tentem aumentar o seu
território a causa dos seus vizinhos. Para os grupos vencidos a
diminuição dos territórios pode provocar a fome, a miséria ou a
decadência. Um vasto território permite conservar a vida».
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 77

Ratzel estudou também os grupos humanos, os que mandavam, os


povos dirigentes, e os que obedeciam, os povos débeis. Daqui
resultou uma perigosa visão fatalista da humanidade.

Algumas frases retiradas da sua obra permitem apontar o carácter


determinista das suas concepções nas relações homem-meio.
Assim, por exemplo, «os limites climáticos rompem a unidade dos
continentes e contribuem para divisão dos povos» e «as influências
climáticas actuam sobre movimentos dos povos: o clima
continental das estepes produzia vida errantes nómadas». No
entanto, Ratzel admitiu também que «um povo não esta exposto, de
igual modo a influencia do clima em todos os graus de
desenvolvimento». O homem vai-se libertando da sujeição da
natureza na medida do seu desenvolvimento tecnológico. A cada
passo da evolução da sociedade e dos povos correspondem um tipo
diferente de relação homem-meio. Ratzel foi um determinista
moderado, admitindo que as sociedades primitivas são as mais
sujeitas ao meio ambiente

A influência do determinismo

Ratzel influenciou fortemente o pensamento geográfico alemão e a


sua obra teve seguidores, principalmente na Gra- Betanha e nos
Estados Unidos da América.

O determinismo ambientalista, que surgiu nos EUA com Ellen


Semple, mostrou a sua grande influência. «O homem não pode ser
estudado cientificamente desligado da terra que cultiva, das regiões
que percorre, dos mares que navegam como o urso polar ou cacto
não podem ser compreendidos sem ter em conta o seu habitat»
afirmou Ellen Semple. Esta visão generalizou-se da maneira
exagerada os conceitos de Ratzel.

O determinismo geográfico foi apoiado pela comunidade cientifica


dos geógrafos ainda em fase de institucionalização da geografia e
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 78

da classe politica que utilizou em seu proveito alguns dos conceitos


veiculados por Ratzel, nomeadamente a «a visão organicista do
estado» o estado comportava-se como um organismo vivo, sujeito a
evolução e expansão.

O determinismo foi revolucionário pois atribui a geografia um


carácter científico com possibilidades de atingir leis gerais.

Sumário
Determinismo geográfico com o determinismo revolucionou, pois a
atribuição da geografia um carácter científico com possibilidades
de atingir leis gerais

Exercícios
1.«O homem é o produto da terra ela modelou-lhe os ossos, a
carne, a mente e a mente». Comente a expressão, não se
esquecendo onde referir as características do determinismo que a
terra apresenta.

2. Qual foi a contribuição do determinismo geográfico no âmbito


das ciências geográficas?
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 79

Unidade XIII

AS GRANDES CORRENTES DA
GEOGRAFIA
Introdução
Esta unidade irá retratar questões relacionadas com o Possibilismo
geográfico.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Indicar os factores que contribuíram para o aparecimento do


possibilismo geográfico
Objectivos  Definir região

 Reconhecer o possibilismo geográfico na evolução da geografia

 Justificar o desenvolvimento desta corrente

 Indicar o objecto e o método do possibilismo

 Sintetizar o conceito acima citado


A escola de geografia alemã foi um modelo para a Europa. Assim


Philippson ; Penk; Richthofen; em geografia física, Ritter, Riclus,
RatzelRettner, em geografia humana, foram as fontes donde
procede as primeiras ideias sobre as quais se havia de editar a
geografia francesa. Esta afirmou-se no último decénio do século
XIX e nos primeiros dos séculos XX, com Vidal de LaBlache, Jean
Bruches e Max Sorre. Frente a geólogos e historiadores propõem
como ciência integradora de fenómenos diversos ciência de síntese,
de estudos regionais e da paisagem.

No panorama europeu a revolução francesa levou a alterações


importantes. Cientificamente houve uma reacção nítida contra o
positivismo e o naturismo e foram postos em causa princípios
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 80

anteriormente aceite aceites como indiscutíveis. A terceira


republica procurou fortalecer o céu poder, apoiando na força social
e unificadora, a região em geografia isso coincidiu com o
desenvolvimento da escola regional e da paisagem, com formação
do carácter ideográfico da ciência, com exortação do problema do
possibilismo e com uma infecção na metrologia cientifica que
passou a aceitar faculdade como a intuição. De tal forma a intuição
se tornou importante no pensamento geográfico francês que o
período compreendido entre 1903 a 1939 foi denominado o “tempo
da intuição ”.

Este projecto cientifico enfrentou muita dificultante, mas o


ambiente politico foi favorável e introduziu-se na geografia uma
corrente impregnada de espiritualismo e contigetismo.
Espiritualismo, porque a intuição passou a ter um papel importante,
e contigetismo porque deixou de haver relações radicais entre o
homem e o meio. O meio físico não determinava as actividades
humanas, só oferecia possibilidade que o homem podia ou não
aproveitar.

A reacção Antipositivo
O final do século XIX e os primeiros decénios do século XX
conheceram uma crise das concepções positivas que se traduziu
pelo seu desenvolvimento de correntes filosóficas neo-idealistas,
neo-kantianas, espiritualistas e contingências.

A crise do positivismo reflectiu-se, sobretudo, na crítica do modelo


naturalista ciência e na afirmação da especificidade das ciências
Humanas. Isto teve consequência metodológica importante quer no
objectivo do conhecimento científico (respeitante a explicação e a
compreensão) quer na necessidade de justificar teoricamente uma
ciência singular. A oposição entre a explicação geral e positivista,
próprias das ciências da natureza, e a compreensão histórica da
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 81

realidade sócio-cultural constituiu a principal reacção


metodológica.

A divisão entre a natureza e história deu lugar a dois sistemas de


ciências diferenciadas e igualmente validas: as Ciências da
natureza, e a compreensão historicista da realidade sociocultural
constituíram a principal reacção metodológica.

A divisão entre natureza e história deu lugar a dois sistemas de


ciências diferenciadas e igualmente válidas: as Ciências da
Natureza e as ciências humanas. Umas e outras distinguem- se pela
especificidade dos seus objectivos, pelos métodos e instrumentos
utilizados. A originalidade das ciências humanas derivas do facto
do investigador não estudar um objecto exterior a se próprio, mas
uma realidade em que ele esta emerso. Esta realidade pode ser
abordada por uma série de métodos, sem excluir os das ciências da
natureza, mas sem se aceitar uma redução ao naturalismo.

A característica essencial da realidade humana era a sua


«historicidade», a existência de um evoluir histórico em que os
indivíduos e os grupos sociais actuavam movidos por
«historicismo» chegou a designar uma das características correntes
anti-positivistas.

O historicismo do final do século XIX colocou o problema da


validade do saber histórico e elevou a história à categoria de
ciência explicativa da realidade sócia, ao considerar que era
realidade resultou de um desenvolvimento, e, por isso, a descrição
do mesmo, desde a sua origem, era essencial e indispensável para
atender aquela realidade. Toda a acção humana leva em si a
historia, era fruto do passado e estava sujeita à evolução. Por isso a
realidade social era sempre histórica e as ciências humanas davam
conta desta historicidade da realidade.

A introdução da história como elemento essencial de algo dava-lhe


uma dimensão extraordinária complexidade, já que historia é
constituída por uma sucessão de acontecimento singulares. O
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 82

historicismo tem com princípio básico substituir uma consideração


generalizada e abstracta das forças histórico-humanas por uma
consideração de carácter individual. Esta singularidade opõe-se ao
carácter uniforme e respectivo dos fenómenos das ciências que
permite um conhecimento determinista da natureza e aparecem
definidas em função dos correspondentes objectivos de estudo
(rochas, plantas, animais, populações, sociedades, bens
económicos, etc.). O objectivo das ciências humanas consiste em
apreender o singular, o individual da realidade histórica – social.

A história e geografia eram definidas excepcionalmente pelos


aspectos «tempo» e «espaço», respectivamente. Esta visão é
atribuída a Kant (fig. 28).

Uma realidade pode ser considerada numa perspectiva


generalizante, em que se retêm o que é comum a diferentes
objectivos, ou numa perspectiva individualizante, apreendendo de
um objecto o que o distingue de outro. As ciências podem
classificar-se nomotéticas e ideográficas. As primeira preocupam-
se pelo que é permanente as segundas interessam-se pelo único. As
ciências natureza são, em geral ciências nomotéticas e as ciências
humanas são ciências ideográficas.

O carácter Ideográfico e Regional da Geografia

A oposição entre ciências da natureza e ciências humanas (do


espírito ou culturais) colocava à geografia, recém-
institucionalizada, um grave problema, pelo perigo de
desagregação em geografia física e geografia humana. A geografia
humana iniciava um rápido desenvolvimento após o esforço de
sistematização realizado por Ratzel.

O dualismo entre o físico e o humano era uma séria ameaça para a


continuidade da disciplina. Perante esta ameaça, a geografia
regional afigurou-se como uma via segura de continuidade a
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 83

tradição geográfica, por um lado, as achegas teóricas do


historicismo, por outro, facilitara o fundamento para este caminho
integrador. Valorização geográfica nos finais dos séculos XIX
baseava-se, por um lado, no pensamento Kantiano, integrando no
mesmo tempo a ideia da inter-relação de elementos heterogéneos
no espaço ideia desenvolvida pelo ambientalismo naturalista.
Afirmava-se o carácter ideográfico da geografia, pois a combinação
de fenómenos em cada região era única e irrepetível.

Sumário
A escola de geografia alemã foi um modelo para a Europa. Assim
Philippson ; Penk; Richthofen; em geografia física, Ritter, Riclus,
RatzelRettner, em geografia humana, foram as fontes donde
procede as primeiras ideias sobre as quais se havia de editar a
geografia francesa

Exercícios
1. Quais foram alterações importantes levadas a cabo pela
revolução francesa.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 84

Unidade XIV
A GEOGRAFIA REGIONAL
Introdução
Esta unidade irá retratar questões relacionadas com a Geografia
regional.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Definir região

 Reconhecer o possibilismo geográfico na evolução da geografia.


Objectivos
 Justificar a importância da geografia regional

A Geografia Regional

Em França a geografia humana surgiu a partir da assimilação de


métodos e problemas de outras ciências sociais; da incorporação da
herança geográfica alemã, realizada nos finais do século XIX por
geógrafos, tais como Reclus e Vidal de LaBlache; da reacção
crítica contra antropogeografia de Ratzel em intervieram
sociólogos (Durkheim), historiadores (L. Febvre) e geógrafos.

Vidal de LaBlache, 1845-1918, foi o mestre incontestado da escola


geográfica francesa. A concepção antipositivista, espiritualista e
historicista influenciou-o profundamente, ajudando-o a elaborar a
sua própria concepção geográfica.

«Tudo o que se refere ao homem esta afectado de contingência»


afirmou, valorizando deste modo as relações de contingência.
Introduziu também o princípio da «liberdade» humano nas relações
como meio ambiente. A liberdade humana permitia ao homem
livrar-se das influencias da natureza, escolhendo entre as diversas
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 85

possibilidades que esta lhe oferecia. O homem reagia ao meio de


acordo com as suas necessidades e aptidões. Para meios físicos
semelhantes, os grupos humanos não reagiam sempre na mesma
maneira, possuindo várias possibilidades de reposta. Esta era uma
ideia base do possibilismo francês.

Os conceitos de intencionalidade, de liberdade, de histórias e de


especificidade dos fenómenos humanos levaram até geógrafo a
prestar atenção aos aspectos culturais e matérias dos grupos
humanos. As relações entre os elementos físicos e humanos não
eram simples nem directas, passavam por intermédio das
civilizações.

Vidal insistia na diversidade e complexidade dos elementos físicos


e humanos que a geografia devia considerar: «a análise destes
elementos, o estudo das suas relações e combinações constituem o
objecto da investigação geográfica»

Vidal de LaBlache estava consciente do perigo de desagregação


que o dualismo geográfico significava, a divisão em geografia
física e humana. A unidade da ciência geográfica só podia
conseguir-se encontrando um objecto concreto que permitisse
integrar os fenómenos físicos e humanos. A geografia regional
francesa propôs-se concretizar este objectivo.

Deu-se então a passagem da geografia geral à regional. A partir de


análises temáticas singulares de acordo os aspectos e métodos de
cada ramo da geografia geral, passou-se para uma visão plural e
sintética, a de geografia regional. Ao contrário da geral, analisava
uma parte da superfície da terra, de maior ou menor extensão,
tendo em conta dada complexidade dos fenómenos físicos,
biogeográfico e humano que nela se verificavam.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 86

A Passagem como Objectiva de Estudo

Para Vidal de LaBlache era imperativo partir sempre da realidade.


O que era para ele a realidade? Era a terra percebida directamente
pela paisagem e indirectamente através do mapa.

A combinação de fenómenos física e humano na superfície da terra


originava diferentes tipos de paisagens.

As paisagens traduziam as interacções entre os elementos físicas e


os grupos humanos através das civilizações. Vidal reconheceu que
as relações homem-meio são condicionadas pelos sistemas de
valores das sociedades, pelas tecnologias, organizações sociais,
etc., em suma, pelos «géneros de vida».

O aspecto da paisagem pode ocultar um passado, um presente e um


futuro totalmente diversos. A morfologia agrária, por exemplo, que
tantos estados mostram não estar sempre relacionado com o uso
moderno do solo pode ser uma máscara que nos esconde a
dinâmica das interacções entre a natureza transformada e as
sociedades que a transformaram. Dai o grande interesse pelo estudo
das paisagens.

De um modo geral o geográfico estudava a materialização das


relações complexas entre os grupos humanos e o meio geógrafo,
isto é, a paisagem devidamente localizada. Cada paisagem tinha
individualidade própria a extensão definia uma região, sendo esta o
reflexo da diferenciação espacial. Cada paisagem era diferente das
outras e, por isso, cada região era única.

A insistência na paisagem permitia identificar um objecto próprio


para a geografia, diferenciando-a assim da ecologia e de outra
ciências que contribuíam para o estado da superfície da terra e por
outro lado superava o perigo da divisão entre geografia física e
humana.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 87

Da paisagem como análise de tudo quanto é visível á observação, à


paisagem como mecanismo complexo de múltiplas variáveis: é esta
a evolução duma ciência que, tendo começado pela simples
descrição do ambiente que envolve o homem, veio a debruçar-se
com maior atenção sobre relações que ligam e ligaram os homem
ao território desde que, com as primeiras formas de domesticação
animal e vegetal, a sua acção transformou a natureza. Á noção da
função estética da paisagem veio juntar-se de pois a sintetização,
no mesmo termo, d um conjunto de elemento que fizeram sentir o e
feito não apenas no espaço, mas também no tempo. As funções de
adaptação ligadas a agricultura, as modalidade da fixação humana
no tempo no espaço, a natureza especifica do solo, a própria
criação das cidades, nos processos de cultivo e em época mas
recentes a criação das fabricas, os sistemas de utilização dos
recursos duma região, o trabalho e os valores que se lhe atribuem:
estes e ouros factores permitem verificar que a passagens contêm
história que, embora concretizada numa associação de homens e
objectos, é todavia um sistema de signos cujo significado é
descodificado e se reencontra na combinação sempre dinamiza das
suas varias componentes. A complexa relação entre o homem e a
natureza articula-se também ao nível da paisagem nas suas
dimensões do passado, presente e futuro e na dupla actuação de
força que reciprocamente se exercem entre o homem e o ambiente,
tendo em atenção a capacidade da natureza, global e localmente,
suporta ou ajudar certas transformações, e os conhecimentos
técnicos e científicos da sociedade.

Sumário
Vidal de LaBlache estava consciente do perigo de desagregação
que o dualismo geográfico significava, a divisão em geografia
física e humana. A unidade da ciência geográfica só podia
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 88

conseguir-se encontrando um objecto concreto que permitisse


integrar os fenómenos físicos e humanos. A geografia regional
francesa propôs-se concretizar este objectivo.

Exercícios
2. Desenvolva criticamente os textos que se seguem:

2.1 “ O homem, pela sua vontade, pelo poder da sua inteligência e


dos meios de que dispõe, é uma força poderosa. Vidal de laBlache
afirma que a civilização se resume a uma luta contra os obstáculos
da natureza que nunca foram nem serão totalmente vencidos”.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 89

Unidade XV
O MÉTODO DO POSSIBILISMO
Introdução
Esta unidade irá retratar questões relacionadas com o Possibilismo
geográfico e o método do Possibilismo geográfico.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Reconhecer o possibilismo geográfico na evolução da geografia

 Justificar o desenvolvimento desta corrente


Objectivos
 Indicar o objecto e o método do possibilismo

 Sintetizar o conceito acima citado.

O método do possibilismo consistia num raciocínio indutivo que se


baseava na observação directa de um conjunto (a região), na análise
explicativa dos seus elementos físicos, biológicos e humanos, na
busca das relações entre eles de tal modo que constituíssem uma
síntese harmoniosa.

Estes conjuntos deviam apresentar-se:

- Individualizáveis

- Coerentes (se a região fosse de xisto, as casas eram de


xisto; se fosse pluviosa, as casas apresentavam telhados inclinados;
se a aldeia fosse alongada, tinha sido desenvolvida ao longo de
caminhos).

A explicação das paisagens podia ser de dois tipos: morfo-


funcional (explicava-se a forma em termos de função) e histórica
ou genética (recorria-se ao passado para explicar o presente).
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 90

A geografia regional privilegiou o estudo pormenorizado de regiões


únicas de onde resultara as monografias. Não eram possíveis leis
gerais, mas apenas relações de contingências. Por comparação
estabeleciam tipologias de paisagem ideias.

As descrições regionais foram consideradas a mais importante


forma de raciocínio geográfico. A geografia aparecia unificada pelo
método que se baseava na observação directa e pelo objecto que era
constituído pelas paisagens da superfície terrestre.

A região como garantia da unidade da Geografia

Se durante muito tempo foi possível aceitar a geografia como


ciência geral da terra, a partir do século XIX isso já não era
possível, devido ao aparecimento das ciências independentes, tais
como geologia, geofísica, meteorologia, etc.

Vidal de LaBlache defendeu a descrição e a interpretação das


diferentes características da superfície terrestre, descrevendo
unidades espaciais e comparando-as. A análise regional adquiria
uma complexidade que não tinha os estudos da concepção
ambientalista, que punham a tónica nas relações homem-meio,
limitando-se geralmente a estudar de forma sucessiva e desconexa
a relação de cada um dos elementos (agua, ar, plantas, animais e
homens) com o meio.

Na análise regional não se podia privilegiar nem os aspectos físicos


nem os aspectos humanos. Cada região devia estudar em si mesmo,
integralmente, sem separar os fenómenos uns dos outros, já que
natureza e homem definiam o carácter próprio de uma região.

Desta forma o carácter unitário da ciência geográfica foi


assegurado, evitando-se o dualismo no estudo dos fenómenos
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 91

físicos e humanos. Esta unidade resultou do estudo integrado dos


fenómenos na região e da elaboração da síntese regional.

O ensino da geografia tinha um papel político importante pois


desenvolvia o sentimento de nacionalidade. Neste aspecto, a
regionalização parecia perigosa. Ao insistir-se na diversidade
regional podiam romper-se as «solidariedade naturais» conduzidos
ao «atomismo geográfico». A vida regional triunfou rapidamente,
porque as vantagens para a comunidade científica eram evidentes e
os inconvenientes políticos podiam eliminar-se com manuais
adequados. O processo culminou, em 1903, com a publicação do
«TableauGeographique» de Vidal de LaBlache e com a elaboração
de teses regionais nos primeiros decénios do século XX.

Criticas a região Vidaliana

A região pode definir-se como uma área homogénea. Esta


homogeneidade pode resultar de vários factores. Assim, podem
existir regiões naturais (climáticas, geológicas, botânicas, etc.) que
resultam da actuação de agentes físicos e regiões humanizadas
(históricas culturais, agrícolas, industriais, demográficas, etc.) que
resultam da actividade do homem.

É difícil existir correspondência entre uma região natural e uma


região humanizada homogénea. Nos estudos regionais chegou-se,
assim, a uma situação difícil na definição dos limites regionais
homogéneos. Os limites regionais são múltiplos e dinâmicos e por
isso os geógrafos limitaram-se, muitas vezes, a utilizar unidades
administrativas dentro das quais se esforçavam por elaborar a
síntese regional.

Vidal de LaBlache analisava, do modo mais profundo possíveis, o


conteúdo, as interacções que se realizaram ao longo da história dos
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 92

fenómenos físicos e dos fenómenos humanos num espaço «dado» e


individualizado, a região.

Ninguém lembrou que as regiões Vidalianas não eram dados, mas


abstracções, uma maneira de ver as coisas, fruto do talento do
mestre.

Na descrição que Vidal fés da franca e das suas regiões, no


«Tableaegeographique de lafrance» , o essencial dos fenómenos
económicos , sócias e políticos , consequências de um passado
recente são deixados na sombra . Por outro lado, e era o mais grave,
esta descrição impunha uma única maneira de decompor o espaço,
que não se encontrava nada de acordo com o exame das
características espaciais de numerosos fenómenos urbanos,
industriais e politicas. Para os apreender eficazmente seria
necessário uma outra decomposição que tivesse em conta a linha de
força económicas e os grandes pólos urbanos que estruturaram o
espaço de um país como a França, a partir da revolução industrial.

As Regiões

No início do século XX a geografia criou a tradição de juntar um


objecto a palavra «regiões» para qualificar deste modo o grupo de
fenómenos que traduzem a unidade territorial. Regiões naturais,
regiões históricas, regiões económicas, regiões administrativas,
regiões urbanas, etc., aparecem referidas conforme os assuntos
estudados.

Mais recentemente geógrafos quantitativos pela dificuldade


coincidência região natural e humana (histórica, cultural, agriculta,
industrial, demográfica, etc.), opuseram regiões homogéneas a
regiões polarizadas ou funcionas. As primeiras apresentam
repetição de certos aspectos: paisagem, produção, composição
social e atitudes culturais. As segundas são definidas pela
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 93

existência de fluxos, de relações de domínio, de organização ou de


complementaridade.

A ideia mais constante e resistente às teorias e a «regiões natural».

O termo e extensível a divisões zonais (zona tórridas) e


continentais (Ásia das monções), reconhecidas, no primeiro
decénio do século, por Herbertson, como grandes regiões naturais.
A outra escala, a divisão em estados é também regional, pois em
relação com cada unidade política aparecem características sociais
e económicas determinadas, as vezes muito distintas em países
contíguos. Dentro de cada estado, se existe uma extensão
diversidade suficiente, as regiões naturais voltam a ser
consideradas com componentes de relevo e clima preponderantes
(depressão do Ebro, maciço central francês).

De acordo com ViláValenti podem sintetizar-se os níveis


reconhecidos assim:

— Divisão terrestre e divisão continental (critério físico).

— Divisão em estado (critério politico e económico).

— Divisões internas, nos estados, com base em critérios


físicos e físicos e humanos.

A região geográfica encontra-se no último nível, apresentando se


como uma área com sertãs singularidades históricas e
administrativas, na qual o geógrafo estabelece complexas relações.
A relação entre factos físicos e comportamentos humanos pode
apresentar-se com notável profundidade.

Nos finais do século XIX e princípios do século XX apareciam


conjuntamente os conceitos de região natural (pura, no sentido
restrito, ou com a visão naturalista do homem no sentido lato) e
região geográfica (com a visão do humanismo historicista) que
constituíam respostas distintas no âmbito regional, a duas
concepções ou filosofias distintas da geografia, tal como se pode
observar no quadro 2.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 94

Conteúdos Relação
Considerados Ciências Natureza— Homem

Natureza Ciências naturais Região natural ou


região fisiográfica
Geografia física

Região natural (senso


Natureza e homem Geografia física, Determinismo ecológico
lato, compreendendo o
(Visão naturalista) Ecologia, geografia homem)
Humana determinista
Região geográfica.
Natureza e homem Geografia humana Contingentismo;
(Visão do homem possibilismo
como agente) Não determinista

Quadro 2: Acepções de Região

Nos estudos regionais o conceito de região geográfica (ou região


humana, geográfico— humana ou antropogeografica) predominou
nos primeiros decénios deste século por influência da escola
regional francesa. Em plena fase de amadurecimento conceptual e
metodológico estes estudos comportaram a análise de quatro
grandes questões:

— O meio ambiente físico


— A evolução histórica
— A população
— As actividades económicas .

No pensamento Vidaliano a região geográfica é a representação


espacial fundamental resultante da síntese harmoniosa das
condições naturais e das heranças históricas. Tem nome próprio,
limites que são dados geográficos (rios, montanhas, lagos, etc.) ou
administrativos. É homogénea, estável, com relevo, clima, flora,
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 95

hidrologia, etc., característicos. É identificada com áreas rurais


onde os centros urbanos são pontuais e estáticos. Os serviços destes
atraem os camponeses das vizinhanças no raio de 10 a30 km. Neste
estádio existia, de facto, uma realidade regional que estes
movimentos ajudavam a detectar.

A unidade dos traços culturais, a ligação a determinadas práticas e


representações são o fundamento da homogeneidade regional, que
resulta dos processos de comunicação, de trocas entre os membros
do grupo e da escolha de soluções comuns

Sumário
Principais características do possibilismo

1— Espiritualista

2- Ideográfico.

3-ecologico

4- Detentor da unidade da geografia.

Exercícios
1. Na perspectiva possibilista, a natureza proporciona uma gama de
possibilidades seleccionáveis pelo homem, sendo todas as
possibilidades igualmente boas.

Explique a frase.

2. Desenvolva criticamente os textos que se seguem:

2.1 “ O homem, pela sua vontade, pelo poder da sua inteligência


e dos meios de que dispõe, é uma força poderosa. Vidal de
laBlache afirma que a civilização se resume a uma luta contra os
obstáculos da natureza que nunca foram nem serão totalmente
vencidos”.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 96

2.2. “ O homem é um agente da fisionomia dos lugares que a sua


presença anima e as suas obras materiais carregam de nova
expressão”.

2.3 “ Vidal reconheceu que a escolha do homem é severamente


limitada pelo sistema de valores da sua sociedade, organização,
tecnologia, em suma, por aquilo a que Vidal chamava género de
vida “.

2.4 “Vidal de laBlache, evitando entrar em território sociológico,


limitou- se a estudar o modo como o homem humanizou o
ambiente, sem examinar a articulação interna dos géneros de vida,
o que constitui um empobrecimento do conceito”.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 97

Unidade XVI
A Nova Geografia
Introdução
A presente unidade vai retratar assuntos relacionados com a nova
geografia (Geografia quantitativa e seus factores ).

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Descrever os novos conceitos de distâncias que caracterizam a


tendência locacional ou locativa da geografia actual
Objectivos  Descrever os novos conceitos de espaço que caracterizam a
tendência locacional ou locativa da geografia actual

 Indicar o método da nova geografia

 Indicar o objecto da nova geografia

 Mencionar os factores da Geografia Quantitativa

 Caracterizar os métodos na nova geografia

 Justificar o aparecimento das tendências e preocupações actuais,


em geografia

A Revolução Quantitativa

Após a segunda grande guerra, a geografia sofreu uma revolução


quantitativa, a qual de origem a nova geografia. Esta designação foi
utilizada pela primeira vez por Peter Gould em 1968. Foram ainda
utilizadas as designações geográficas locativas, geografia teórica e
geografia quantitativa.

Verificou-se então uma divisão no seio da comunidade científica


dos geografos:
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 98

Geógrafos quantitativos e qualitativos (tradicionais).


Confrontaram-se assim teoria, métodos e técnicas de investigação e
duas concepções diferentes de trabalho científicos.

Tendências semelhantes afectaram na generalidade o conjunto das


ciências sociais.

A crise nestas ciências foi devida a diversos factores que


provocaram aparição de novas tendências com base em correntes
filosóficas neopositivistas.

Factores que levaram a geografia quantitativa

1- O Neopositivismo

O Neopositivismo começou a desenvolver – se na Europa central


cerca de 1920, sobretudo em dois núcleos fundamentais: o circulo
de Viena e o circo de Berlim. O desprezo pela metafísica era o
elemento comum destes grupos de filósofos procedentes dos
diversos ramos da ciência, particularmente da física e da
matemática, a qual desenvolveram uma concepção filosófica
denominada por “positivismo lógico”.

O seu objectivo era conseguir uma ciência unificada, onde os


deferentes ramos se articulam para dar uma visão global do mundo.
A reflexão sobre os problemas filosóficos tradicionais permitiu
demonstrar que, ou eram problemas falsos ou podiam ser
transformados em problemas empíricos e convertidos em objecto
de ciência experimental.
Assim os filósofos centram ao seu trabalho na identificação e
classificação destes problemas o que conduziu uma reflexão sobre
os fundamentos das ciências. O método para realizar esta
classificação foi análise lógica, formulando as proposições tal
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 99

como se formulavam nas ciências empíricas. O ponto de partida era


experiência, já que só havia conhecimento a partir dela. Na corrente
neopositivista não se reconhecia nenhum conhecimento valido
derivado a razão pura.
Depois da vitória do nazismo na Alemanha na Áustria, muitos
representantes do círculo de Berlim e do círculo de Viena partiram
para a Grã-bretanha e para os estados unidos. Como consequências
destas migrações desenvolveu-se no mundo anglo-saxónico uma
poderosa corrente neopositivista que se mostrou muito activa nos
decénios 1940 e 1950.
Seguia-se atentamente o desenvolvimento da física, uma vez que o
estudo das partículas elementares e o desenvolvimento da teoria da
relatividade colocavam sérios problemas ao determinismo causal.
Os princípios da indução não serviam já para decidir da verdade,
mais apenas da probabilidade da verdade, “pois não é dado a
ciência chegar a verdade ou falsidade”, mais apenas a graus
intermédios.
Discutia-se o carácter absoluto (Newtoniano) ou relativo
(Einsteiniano) do espaço e sobre as geometrias apropriadas para o
tratamento dos distintos problemas especiais (euclidiana e de
Riemann)
O uso da teoria dos grafos no estudo dos distintos tipos de rede
(redes de transporte, redes fluviais) converteu-se numa fonte de
fecundas inovações.
Os enunciados das observações e os resultados experimentais eram
sempre interpretados a luz de teorias, que serviam para racionalizar
e explicar o mundo. A partir da teoria podiam realizar-se
observações, seleccionar os factos mais significativos, assim como
formular perguntas que indicavam o caminho ao experimentador.
Alguns geógrafos negavam-se a aceitar o dualismo entre a
geografia regional e geral e consideravam que a primeira só tinha
sentido quando se aplicavam os princípios da geografia geral as
áreas regionais. A única geografia científica era, segundo esses
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 100

geógrafos, a geral, pois permitia determinar leis gerais que depois


se aplicavam ao estudo regional.

2 - Neopositivismo e as ciências sociais

Os anos 1930-40 são decisivos para as ciências sociais, pois


entraram em crise ideias desenvolvidas a partir do século XIX. As
ciências sociais foram solicitadas a dar resposta a novos problemas:
- A investigação sobre atitudes e conflitos;
- A exigência de planificação regional e urbana na reconstrução
de regiões devastadas pela guerra;
- A necessidade de superar a crise económica do sistema
capitalista;
- O desenvolvimento suscitado pelo processo de descolonização
encetado depois da 2.ª grande guerra.

As ciências Sociais procuravam dar respostas cada vez mais


rigorosas e técnicas aos problemas.

O aparecimento de computadores e de algumas teorias (da


informação, da comunicação, da decisão, etc.) tornaram inevitável
a substituição dos métodos e teorias nas ciências sociais. Reduziu-
se o valor dos métodos qualitativos (descritivos), da intuição e de
qualquer outras faculdades menos científicas. O interesse pela
aplicação de sistema lógico estendeu-se as ciências sociais.
Aceitou-se, de novo, o modelo de cientificidade das ciências
naturais e deu-se grande relevo a explicação dos fenómenos e a
procura de leis gerais que permitissem a sua previsão.

3 - A investigação cientifica posto ao serviço da técnica.

Tradicionalmente existia uma visão da ciência pela ciência que


produzia desinteressadamente, através de cientistas que
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 101

trabalhavam por amor á ciência. As crises mundiais do século XX


trouxeram uma visão utilitária da ciência.

A produção científica e a sua aplicação deixaram de ser atitudes


distintas, pois a investigação científica passou a ter objectivos
preestabelecidos, passando de um trabalho isolado a um trabalho de
grupo, que podemos comparar a uma pirâmide (na base, pessoas
que fazem inquéritos; depois, técnicos em numero cada vez menor
que executam fases cada vez mais especializadas, orientados pela
pessoa de máxima competência cientifica).

4 - Agravamento da crise económica e social de 1930-40

Na Europa existiam problemas que tinham a sua origem na 1.ª


grande guerra Mundial e dos quais se fazia a recuperação lenta. Os
E. U. A. Atravessavam uma crise de sobre produção, com graves
reflexos na Europa, mostrando a crescente dependência económica
entre países. Numa tentativa de resolução da crise, os E. U. A.
Limitaram o liberalismo económico (mercado livre, não
intervencionado) e optaram pelo planeamento económico numa
perspectiva de conjunto (politica de credito á Europa e
remodelações sociais no interior do pais). O objectivo era aumentar
o poder de compra para escoar o excesso de produtos e assim
equilibrar o binómio económico oferta- procura.

A 2.ª Grande Guerra Mundial alterou este equilíbrio pois foi


necessário fabricar armamento, e em 1945 procedeu-se á
reorganização económica dos países. A nova ordem económica
correspondia a uma reorganização espacial (Europa Ocidental,
Europa Central, U.R.S.S., China, etc.).

A geografia começou a participar na resolução de problemas


práticos, ao contrário do que acontecia tradicionalmente.
Generalizaram-se os métodos quantitativos. Desenvolveram-se
assim a econometria, a sociometria, linguísticas matemática, a
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 102

história quantitativa, etc. Esta revolução quantitativa encontrou o


seu fundamento no positivismo lógico e físico. O homem e a
realidade social eram considerados como pertencentes ao mundo
físico e estudados como tal. Tomou-se uma atitude anti-historicista,
eliminando o elemento histórico no estudo dos factos humanos.

A revolução quantitativa alcançou o seu apogeu na década de 1950


quando todas as Ciências Sociais, incluído a geografia,
introduziram os métodos quantitativos na resolução dos problemas.

Sumário
A Nova Geografia , a região tomou contorno central no estudo
geográfico. Neste domínio a geografia humana tem muito que
oferecer as ciências sociais, aos poderes públicos e ao mundo de
negócios

Exercícios
1. Indique as perspectivas da nova geografia em relação a
concepção Vidaliana.

Indique uma vantagem e um inconveniente da análise quantitativa


da geografia.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 103

Unidade XVII
A NOVA GEOGRAFIA: OBJECTIVO
E MÉTODO
Introdução
Esta unidade apresenta os objectivos e métodos da Nova Geografia.
Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Mencionar os métodos da geografia nova

Objectivos  Reconhecer o objecto da geografia

A nova geografia resultou, portanto, da revolução quantitativa. A


descrição regional tornou-se insuficiente, pois era necessário
alcançar a explicação dos fenómenos que se descreviam, procurado
as leis gerais. A ciência geográfica estava mais interessado em
padrões que em casos individuas. A ideia, ate então dominante, de
que a geografia cada por Schaefer. «A renuncia na busca de leis e a
resignação á simples descrição e compreensão dos fenómenos é o
que dá á geografia o seu carácter não cientifico» afirmou Schaefer
no seu trabalho «Exceptionalismingeography» publicado em 1953.
Schaefer criticou a concepção regional e historicista da geografia,
propondo uma perspectiva geral e neopositivista. A geografia
passou a ser considerado como «uma ciência que se refere á
formulação de leis que regem a distribuição espacial de certas
características na superfície da Terra» (Schaefer). Tinha como
objectivo:

— A procura de regularidades espaciais e de padrões de


distribuição e de localização como fizeram VonThunen, Weber,
Burgess, etc.;
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 104

— A analise dos processos explicativos desses padrões e a


determinação de leis gerais;
— A elaboração de previsões.
Schaefer classificou as leis que interessavam á geografia em três
tipos:
1.º— as leis que interessavam à geografia física e que eram
tomadas de outros ciência;
2.º— as leis humanas que eram, em parte, de interesse comum com
a economia e com a teoria da localização espacial (agrícola, urbana,
industrial, etc.)
3.º— as leis de processos pertencentes ao campo das ciências
sociais.

Em qualquer caso, para que «a geografia tinha um carácter


verdadeiramente cientifico, as leis que descreve e formula hão-de
permitir realizar previsões» afirmou Schaefer.

Em relação aos casos únicos que as regiões representavam,


Schaefer argumentos: «se as regiões são todas diferentes também
são diferentes as pedras e, no entanto, aplica-se a todas elas a lei da
gravidade. O facto de nalguns casos a lei da gravidade não poder
cumprir-se, como sucede com os aviões, não prova a falsidade da
lei. É necessário aplicar a cada caso leis diferentes que expliquem
as variáveis essenciais do caso em questão».

O estudo da região não desapareceu, mas passou a ser abordado em


termos diferentes. Estudava-se a diferenciação regional a partir da
analise da distribuição e da inter- relação dos fenómenos no espaço,
fenómeno que pertencem a varias ciências.

Deu-se, de novo, ênfase á geografia geral. Tratava-se, segundo


Schaefer, «de explicar os fenómenos descritos, o que significa
reconhece-los como exemplo de leis».

Foi grande a preocupação de encontrar métodos adequados á


analise espacial. O principal objectivo do trabalho científico era
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 105

estabelecer previsões. Para explicar os fenómenos e formular leis


gerais eram necessárias teorias, que podiam ser atingidas por duas
vias: a via indutiva e a via dedutiva.

A via indutiva parte das observações, compara-as, classifica-as e


estabelece generalizações que se convertem numa teoria
explicativa. Em geografia a via indutiva foi seguida desde o século
XIX e foi valorizada pelos geógrafos regionalistas. Como já
referimos, o positivismo lógico aceitou-a em termos de
probabilidade. Na geografia quantitativa adoptou-se, por vezes, este
método, pois muitas regularidades espaciais foram descobertas
empiricamente, elaborando-se depois uma teoria explicativa.

A via dedutiva elabora teorias com base na realidade, formulando


hipóteses que podem ser verificadas empiricamente. A observação
aparece no fim do trabalho científico e não no início como acontece
no método indutivo e destina-se a comprovar a validade das
hipóteses formuladas em relação á teoria. Um procedimento deste
tipo foi utilizado por Christaller na sua obra «A Teoria dos lugares
centrais», de1933. Com a finalidade de encontrar as leis que regiam
a distribuição espacial e a hierarquia dos núcleos urbanos,
Christaller formulou uma teoria que confrontou depois com a
realidade.

A possibilidade de atingir leis e elaborar teorias permitiu a criação


de modelos de previsão. Esta alteração radical tinha por base a
necessária racionalidade económica com a maximização do lucro e
a minimização do tempo e do custo. Através de modelos que as
variáveis fundamentais eram a distância e tempo, os geógrafos
analisaram a distribuição espacial de diversos fenómenos. O espaço
é a distâncias passaram a ser considerados, com frequência, em
termos relativos de tempo e de custo.

Em 1962 foi publicada a obra de William Bunge


«theoreticalgeography», que constituiu uma das obras teóricas
fundamentais da nova geografia.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 106

O movimento de nova geografia propagou-se dos estados unidos


para a Grã-Bretanha e Suécia. Nos outros países europeus o
processo de mudança foi mais tardio, sobretudo em França, onde a
concepção regional dominou até da década de 1960. a difusão da
nova geografia pôs em questão muitas ideias a admitidas pela
comunidades científicos dos geógrafos, desencadeado uma
autentica «guerra» no meio desta comunidade. Lentamente esta
concepção de geografia foi ganhando terreno, tendo dado origem a
obras notáveis como a de Bunge, já citada e a de David Harvey
«explanationingeography», publicada em 1969.

O geógrafo necessitou de obter uma preparação matemática sólida


que lhe permitisse manusear, com autoridade, técnicas
quantitativas. A estatística adquiriu um papel importante. A -
utilização da metodologia quantitativa no tratamento dos problemas
geográficos implicou a necessidade de informação precisa,
detalhada e, frequentemente, o tratamento automático dos dados.

O objectivo da geografia científica era compreender a lógicas de


todos os ordenamentos provocados pelas milhares de praticas que
se sucederam à superfície da terra «onde?» e as condições em que
foram realizados «porquê?».

Definiram-se novos temas para a geografia: acessibilidade, lugares


centrais, difusão, distâncias relativas, localização relativa, etc. foi a
primeira fase da nova geografia ligada a grande rigor científico e à
utilização de modelos de optimização. A economia serviu de
modelo. Esta tese perdurou até cerca de 1970.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 107

Sumário
O objectivo da geografia científica era compreender a lógicas de
todos os ordenamentos provocados pelas milhares de práticas que
se sucederam à superfície da terra «onde?» e as condições em que
foram realizados «porquê?».

Exercícios
1. Schaefer classificou as leis que interessavam á Geografia em três
tipos.
Indique- as.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 108

Unidade XVIII
TENDÊNCIAS E PREOCUPAÇÕES
ACTUAIS DA GEOGRAFIA
Introdução
Esta unidade apresenta Tendências e preocupações actuais da
Geografia.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Caracterizar a tendências e preocupações da geografia.

 Analisar os principais movimentos que se preocupam com a


Objectivos geografia.

 Analisar os principais assuntos que interessam os geógrafos da


actualidade.

No decénio de 1960 começaram a desenvolver-se no mundo


ocidental movimentos críticos ou «radicais» a cientificadas
positivas das Ciências Sociais. Ao mesmo tempo, a importância da
dimensão psicológica e da valorização da experiência pessoal
surgiam como alternativa aos conceitos abstractos positivistas,
originando um interesse por outros correntes filosóficas como a
fenomenologia e o existencialismo.

Entre os factores mais importantes desta mudança são de


considerar:

1— O fim da «guerra-fria» e o inicio da política de coexistência


pacifica. A tensão ideológica entre os blocos ocidental e oriental
diminuiu, facilitando a reflexão marxista. Foi o caso dos Estados
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 109

Unidos onde o senador Mac Carthy moveu, durante a «guerra-fria»,


intensa perseguição aos intelectuais de esquerda.

2— As profundas alterações produzidas nas relações internacionais


como consequência da descolonização. Entre 19501 e 1970 muitos
países ascenderam a independência, e continentes inteiros, como a
africa, conheceram profundas mudanças na estrutura jurídica dos
seus territórios.

3— A crise social dos países capitalistas desenvolvidos. A elevada


capacidade produtiva e tecnológica, as condições da realização da
produção e da distribuição da riqueza, o crescimento excessivo das
cidades, a degradação da qualidade de vida urbana, a poluição de
vastas áreas, etc., fizeram aumentar os conflitos sociais nos países
desenvolvidos.

Surgiram movimentos de contestação ao modelo social e a vida


quotidiana (ecologistas, por exemplo). A corrida aos armamentos, o
perigo de catástrofe nuclear, o desenvolvimento da «engenharia»
genética e da microbiologia, a generação do controlo social através
dos computadores começaram a suscitar inquietação.

Foi relacionado com tudo isto que surgiram novas tendências de


pensamento nas Ciências Sociais e também em geografia.

A geografia Radical

O sentimento de descontentamento perante a quantificação


converteu-se num movimento critica radical que surgiu nos E.U.A.
através de «Antípode. A radical JournalofGeography», editado por
Richard Peet. Alguns autores importantes da geografia quantitativa,
como William Bunge e David Harvey, tornaram-se posteriormente
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 110

elementos críticos. Quase ao mesmo tempo iniciavam-se


«expedições geográficas» a áreas urbanas marginalizadas e a
participação de geógrafos em movimentos políticos.

O objectivo da geografia radical, de inspiração marxista, aparecia


bem definido.

Pretendia a substituição das instituições e o ajuste institucional da


sociedade, como resposta as novas necessidade sociais.

Tratava-se, pois, de uma geografia que pretendia ser comprometida


e contribuir para as substituições revolucionárias de que a
sociedade necessitava e em relação as quais se achava que os
geógrafos tinham um papel importante.

A geografia radical foi também uma reacção contra a neutralidade


da geografia quantitativa e a necessidade dos módulos elaborados
por ela. Olsson afirma: «sentimos fortes razões científicas e sociais
para desviar a nossa atenção académica da localização de auto-
estrada, supermercados aeroportos, etc., para os estudos de
intenções e comportamentos dos seres humanos individuais para os
quais estes artefactos eram construídos».

A geografia radical polarizou alguns temas:

— A pobreza e a justiça social;

— Os negros norte-americanos e os grupos sociais marginais como


os índios;

— As condições de vida urbana (habitação, equipamentos,


excessiva densidade, etc.), com particular atenção para os bairros
de lata e para a acessibilidade especial e social aos serviços
públicos essenciais;

— A violência e conflitos sociais.

Apareceram assim, no campo da geografia, estudos inesperados


que, o apesar de tudo, devem considerar-se geográficos. O espaço
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 111

físico ao ser modificado pelo homem, dia após dia, segundo os seus
interesses, transforma-se em espaço social.

A descoberta desta vasta temática exigiu novos marcos teóricos de


análise. O marxismo revelou-se como suporte adequado para a
alternativa. Surgiram trabalho interessante como
«desenvolvimentos e imperialismo» e «subdesenvolvimento e
dependência». Desde 1973-74 que a geografia radical é, cada vez
mais, sinonimo de geografia marxista, penetrando frequentemente
no campo político.

A Geografia Humanística

A reacção antipositivista inspirou também outra tendência, a


chamada geografia humanística, que pode considerar-se como
consequência da descoberta em geografia da dimensão subjectiva e
da experiência pessoal através da geografia da percepção e do
comportamento. Os trabalhos realizados por estes geógrafos
mostraram desvios entre as condições de um meio e a percepção
que os homens têm dele. O mapa metal; as indivíduos possuem não
coincide com a representação cartográfica objectiva. Os recursos
naturais são propriedade avaliados do meio real em função das
necessidades sociais e da informação de que um grupo humano
dispõe. Mostraram também que o espaço esta cheia de significados
e valores, que permitem organizar a visão de uma paisagem ou
tomar decisões sobre a actividade a desenvolver e que são esses
valores que dão lugar a um sentimento de pertença ou de
indiferença por um lugar.

«E através desta visão personalista mesclada pela fantasia e


modelada pela cultura e a estrutura social que os homens
organizam o seu comportamento no espaço. Assim, a terra
incógnita que é a mente do homem, necessita de ser explorada e
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 112

conhecida para se poder entender realmente a conduta espacial ou


geográfica dos homens.»

Os homens não se movem num espaço abstracto, mas num espaço


concreto e pessoal, espaço vivido e mentalmente modelado a partir
da experiência. Os modelos espaciais abstractos da geografia
quantitativa entraram em crise quando se comprovou que a
percepção da distância não coincidia com a distância real. Alem
disso, o homem não é somente um ser económico mas um ser
social, com necessidades de relação e com valores culturais e
sociais. O homem, considerado ser individual, é o centro das
preocupações.

A mudança verificou-se no conceito de espaço racional e abstracto


para lugar, real e vivido. O historicismo da geografia francesa volta
a interessar para a compreensão do lugar cheio de intenções,
valores e significados.

Um pouco por todo o lado, a atenção prende-se também com as


questões de justiça social: as desigualdades que a sociedade sofre
são muitas vezes provocadas ou acentuadas pelo acesso mais ou
menos fácil aos recursos e aos equipamentos. A «nova» geografia é
assim levada a interrogar-se cada vez mais sistematicamente acerca
das relações entre organização social e ordem espacial. Os
geógrafos estão também interessados na previsão dos caminhos
projectados para o futuro e na crítica aos efeitos das decisões
politicas de um vasto leque de situações.

Sumário
Os geógrafos tentam hoje descobrir como é que as pessoas sentem
o ambiente em que vivem e se deslocam. E na profundidade dos
laços íntimos que ligam o homem ao meio que eles procuram
penetrar.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 113

Os geógrafos estão também interessados na previsão dos caminhos


projectados para o futuro e na crítica aos efeitos das decisões
politicas de um vasto leque de situações.

Exercícios
1 —Indique as perspectivas da nova geografia em relação a
concepção vidaliana.

2 — Descreva os novos conceitos de espaço e distância que


caracterizam a tendência locativa da geografia quantitativa.

3— Indique uma vantagem e um inconveniente da análise


quantitativa da geografia.

4— Leia atentamente os textos que se seguem. Faça uma


crítica a ideias neles expressas, apoiando-as ou refutando-as.

4.1— «Nos anos 50 surge a nova geografia como resposta


as necessidades de resolução de problemas surgidos com a I.ª
grande guerra e, sobretudo, com a nova sociedade que emergiu
após a crise dos anos 30.»

4.3 — «Acabaram-se os dias em que se pensava que o


espaço era independente dos fenómenos que nele se desenrolavam.
Para cada problema há um modo apropriado de medir espaço ou
distancia.»

4.3 — «A revolução quantitativa é reconhecida como a


transformação exacta que faltava, convertendo a geografia numa
ciência respeitável.

Indiscutivelmente, os anos 60 testemunharam uma grande


transformação: hoje os geógrafos usam, provavelmente, mais
números do que a maioria dos cientistas sociais.»
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 114

4.4 — «Não foi senão depois dos anos 50 que as ideias sobre
a singularidade dos fenómenos geográficos foram seriamente
postas em causa e que se começou a voltar a atenção para o
reconhecimento de padrões de ordem na localização da actividade
humana.»
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 115

Unidade XIX
COSMOGRAFIA
Introdução
Esta unidade apresenta conceitos básicos em Cosmografia

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Definir Cosmografia

 Reconhecer o objecto de estudo da Cosmografia


Objectivos
 Caracterizar os métodos em estudo da Cosmografia. Esta
unidade apresenta conceitos básicos em Cosmografia.

 Reconhecer o objecto de estudo da Cosmografia

 Definir Cosmografia

Cosmografia
É a parte da astronomia que se preocupa com o estudo e descrição
do universo.
A palavra cosmografia foi utilizada pela primeira vez por Ptolomeu
no séculoIV a.C., para referir-se aos estudos do cosmos e corpos
celestes.

Cosmologia: Estuda a origem dos astros.

Cosmologia Observacional: Estudo do universo como um todo e


sua evolução.

Astronomia, que etimologicamente significa "lei das estrelas" com


origem grego: (άστρο + νόμος) povos que acreditavam existir um
ensinamento vindo das estrelas, é hoje uma ciência que se abre num
leque de categorias complementares aos interesses da física, da
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 116

matemática e da biologia. Envolve diversas observações


procurando respostas aos fenómenos físicos que ocorrem dentro e
fora da Terra bem como em sua atmosfera e estuda as origens,
evolução e propriedades físicas e químicas de todos os objectos que
podem ser observados no céu (e estão além da Terra), bem como
todos os processos que os envolvem. Observações astronómicas
não são relevantes apenas para a astronomia, mas também
fornecem informações essenciais para a verificação de teorias
fundamentais da física, tais como a teoria da relatividade geral.

A origem da astronomia se baseia na antiga (hoje considerada


pseudo ciência) astrologia, praticada desde tempos remotos. Todos
os povos desenvolveram, ao observar o céu, um ou outro tipo de
calendário, para medir as variações do clima no decorrer do ano. A
função primordial destes calendários era prever eventos cíclicos
dos quais dependia a sobrevivência humana, como a chegada das
chuvas ou do frio. Esse conhecimento empírico foi a base de
classificações variadas dos corpos celestes. As primeiras ideias de
constelação surgiram dessa necessidade de acompanhar o
movimento dos planetas contra um quadro de referência fixo.

A Astronomia é uma das poucas ciências onde observadores


independentes possuem um papel activo, especialmente na
descoberta e monitorização de fenómenos temporários. Muito
embora seja a sua origem, a astronomia não deve ser confundida
com Astrologia, o segmento de um estudo teórico que associava os
fenómenos celestes com as coisas na terra (marés), mas que se
apresenta-se falho ao generalizar o comportamento e o destino da
humanidade com as estrelas e planetas. Embora os dois casos
compartilhem uma origem comum, seus segmentos hoje são
bastante diferentes; a astronomia incorpora o método científico e
associa observações científicas extraterrestres para confirmar
algumas teorias terrenas (o hélio foi descoberto assim), enquanto a
única base científica da astrologia foi correlacionar a posição dos
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 117

principais astros da abóbada celeste (como o Sol e a Lua) com


alguns fenómenos terrestres, como o movimento das marés, o clima
ou a alternância de estações.

Objecto de estudo

Por ter um objecto de estudo tão vasto, a astronomia é dividida em


muitas áreas. Uma distinção principal é entre a astronomia teórica e
a observacional. Observadores usam vários meios para obter dados
sobre diversos fenómenos, que são usados pelos teóricos para criar
e testar teorias e modelos, para explicar observações e para prever
novos resultados. O observador e o teórico não são necessariamente
pessoas diferentes e, em vez de dois campos perfeitamente
delimitados, há um contínuo de cientistas que põem maior ou
menor ênfase na observação ou na teoria.

Os campos de estudo podem também ser categorizados quanto:

 Ao assunto: em geral de acordo com a região do espaço (ex.


Astronomia galáctica) ou aos problemas por resolver (tais
como formação das estrelas ou cosmologia).

Enquanto a primeira divisão se aplica tanto a observadores como


também a teóricos, a segunda se aplica a observadores, pois os
teóricos tentam usar toda informação disponível, em todos os
comprimentos de onda, e observadores frequentemente observam
em mais de uma faixa do espectro.

Métodos de estudo

Campos interdisciplinares

A astronomia e astrofísica desenvolveram links significantes de


interdisciplinaridade com outros grandes campos científicos.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 118

Arqueoastronomia é o estudo das antigas e tradicionais astronomias


em seus contextos culturais, utilizando evidências arqueológicas e
antropológicas. Astrobiologia é o estudo do advento e evolução os
sistemas biológicos no universo, com ênfase particular na
possibilidade de vida fora do planeta Terra.

O estudo da química encontrada no espaço, incluindo sua


formação, interacção e destruição, é chamada de Astroquímica.
Essas substâncias são normalmente encontradas em nuvens
moleculares, apesar de também terem aparecido em estrelas de
baixa temperatura, anões marrons, e planetas. Cosmoquímica é o
estudo de compostos químicos encontrados dentro do Sistema
Solar, incluindo a origem dos elementos e as variações na
proporção de isótopos. Esses dois campos representam a união de
disciplinas de astronomia e química.

Recentemente foi instituído, no Estado do Rio de Janeiro, a data de


2 de Dezembro como o Dia do Astrónomo. A data coincide com o
aniversário do imperador Dom Pedro II, que era um conhecido
incentivador da Astronomia.

Sumário
A palavra cosmografia foi utilizada pela primeira vez por Ptolomeu
no séculoIV a.C., para referir-se aos estudos do cosmos e corpos
celestes.

Exercícios
1. Indique a importância da Cosmografia como ciência.

2. Fale da evolução do conceito Cosmografia.


Evolução do Pensamento GeográficoG0133 119

Unidade XX
O SISTEMA SOLAR
Introdução
Esta unidade apresenta o sistema solar, a sua origem, o sol, a
estrutura do sol e outros sistemas planetares.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Explicar a origem do sistema solar

 Caracterizar o sistema solar


Objectivos
 Mencionar os planetas do sistema solar.

 Esquematizar o sistema solar.

A origem do sistema solar

Praticamente todas as diferentes teorias sobre a formação do


sistema solar concordam em relação a dois factos. Um deles é a
idade do sistema - cerca de 4500 milhões de anos. Chegou-se a este
valor a participar das observações de certos tipos de meteoritos; há
elementos (como o urânio e o tório) que se desintegram em
chumbo ao longo do tempo, e os cientistas podem deduzir a idade
das partículas de rocha comparando as quantidades respectivas
desses elementos e o chumbo presente nas amostras recolhidas.

O outro ponto de acordo é que os planetas se tivessem formado a


partir de gás e poeira nas proximidades do sol. As opiniões
divergem quanto à origem desta matéria, indo desde anéis gasosos
expelidos pelo sol até matéria atraída pela gravidade solar de uma
estrela em passagem. O gás e a poeira parecem ter-se condensados
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 120

em corpos minúsculos, ou planetesimais, que vieram a construir o


sistema planetar que actualmente conhecemos. Esta sequência
formativa explicaria a existência de asteróides planetesimais que
nunca se juntaram num planeta, possivelmente, devido a influência
gravitacional do planeta gigante Júpiter.

Nos finais do século XVIII, o matemático francês Pierre Simon de


Laplace propôs a ideia de que os planetas seriam formados a partir
de anéis de gás expelidos pelo jovem sol, mas esta teoria não
explica o momento (cinética) desproporcionadamente lento do sol.
Se o sistema solar fosse formado da maneira que ele surgiu, o sol
teria um momento de valor quase correcto, o que não é o caso.
Segundo o astrónomo australiano, A.j.R. Prentice, contudo, a ideia
de Laplace funcionaria se concluísse que o núcleo solar se tinha
contraído a uma velocidade suficientemente rápida para
impulsionar a maior parte do momento angular para o exterior, para
o gás circundante. A modificação feita por Prentice à ideia original
de Laplace adquiriu certa popularidade.

Outros sistemas planetares


Procurando noutras regiões da galáxias as respostas às suas
perguntas, os astrónomos estudaram grupos de estrelas e, em
particular, as estrelas variáveis T do Touro, protótipo de um tipo de
estrelas particular cuja intensidade de luz varia irregularmente. Esta
estrela, e outras do seu género, são estrelas jovens nos primeiros
estádios da sua evolução. Estão a expulsar a massa que toma a
forma de nebulosidade em torno da estela central. A densidade
desta matéria não é uniforme e vê-se a estrela variar de brilho, à
medida que passa véus de gás e poeira entre a estrela e o
observador. A ejecção de matéria da estrela, deste modo, tenderia a
diminuir o seu momento angular. A hipótese de o nosso sol ter
passado por uma fase semelhante explicaria a distribuição do
momento e a rotação que existem no nosso sistema solar. Os
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 121

próprios planetas poderiam ter-se formado por condensações locais


do gás e poeiras ao redor do jovem sol, passando primeiro pela fase
planetesimal e transformando finalmente nos planetas que nos
observamos.

Se as variáveis T do Touro são uma indicação de possíveis


processos anteriores dentro do nosso sistema solar, poderiam
indicar outros sistemas planetares embrionários semelhantes.

A ideia de um grupo planetar se formar a partir de uma nebulosa


que rodeia uma estrela jovem é mais credível que a de uma criação
acidental com, por exemplo, matéria arraçada de uma estrela em
passagem. A primeira noção indica que o processo de formação
ocorre numa base relativamente regular, que outros sistemas
poderão ser vulgares, e que são um produto normalmente resultante
de uma estrela jovem.

Por outro lado, são muito remotas as possibilidades de determinar


estrela passar suficientemente perto outra de forma a se fazer uma
transferência de matéria em tal escola e isso significaria que o
nosso sistema solar e quase único. Mas as colisões ou quase
colisões estelares não são a única maneira de um sistema planetar
se formar acidentalmente; uma estrela poderia passar através de
uma nebulosa e arrancar a matéria da nebulosa durante a passagem,
matéria que poderia acumular-se e condensar-se em planetas,
embora isso, também, seja improvável.

Poder-se-iam propor teoria infindavelmente, mas sem uma prova


real de observação a ideia dos sistemas planetares extra-solares
continua a ser apenas por uma ideia. Ate mesmo os maiores
telescópios do mundo são incapaz de detectar os planetas que giram
na orbita de outros sois, porque a luz de companheiros não
luminosos seriam obscurecido pelo brilho da estrela- mãe. Esses
corpos podem, no entanto, ser detectados a partir da observação dos
efeitos gravitacionais dentro de outros sistemas.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 122

Estrelas em mutação

Dois corpos ligados gravitacionalmente giram na orbita um do


outro do seu centro de massa – o seu centro de gravidade comum-
cuja posição é determinada por massas relativas dos dois corpos,
por exemplos, porque a Terra tem 81 vezes a massa da lua, o centro
de gravidade do sistema Terra-lua encontra-se 81 vezes mais perto
do centro da Terra que do da lua. Este ponto, o baricentro,
encontra-se abaixo da superificie da terra. Em consequência do
efeito gravitacional da lua sobre a Terra, o nosso planeta gira em
volta do baricecentro, durando cada rotação 271/3 dias – tempo que
a lua leva a descrever uma orbita completa. Este efeito
gravitacional provoca uma ondulação na tranjectoria da terra em
volta do sol, durando cada onda o mesmo tempo de 27 1/3 dias.

Em condições favoráveis devera ser possível detectar deflexão


semelhantes nos movimentos das estrelas – patricularmenteestrlas
próximas e pequenas – com planetas nas suas orbitas.

Alguns astrónomos afirmam ter detectado estas mutações nos


percursos de algumas estrelas próximas. Peter van de Kamp, um
astrónomo americano de origem holandesa, anunciou em 1975 que
tinha provas de mutações em quando estrelas. Observara, em
especial, uma minúscula deflexão de apenas alguns milésimos de
um segundo de arco no percurso da estrela de Barnard, um corpo
celeste situado apenas a seis anos-luz de distância e a terceira
estrela mais próxima (incluindo o sol). Os desvios indicavam,
aparentemente, a existência de dois grandes planetas em orbita em
volta da estrela de Barnard, um dos quais tem uma massa um pouco
maior que a de Júpiter. Van de Kampafiermou também que a
estrela Épsilon de Eridano tem um companheiro planetar, com
massa seis vezes superior à de Júpiter.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 123

Outros investigadores, contudo, não conseguiram repetir


satisfatoriamente as descobertas de Van de Kamp, mesmo
utilizando técnica mas sensíveis que as que ele usou. A maior parte
dos astrónomos começar a acreditar que as «mutações estelares» de
Van de Kamp foram causadas por minúsculas alterações do seu
telescópio – por exemplo, quando a lente principal fio limpa e
substituída. O veredicto sobre a existência de outros sistemas
planetares permanece em aberto, de momento.

Fig. 11 O Sistema Solar

O Sol

No que se refere a vida da terra, o sol é a estrela mais importante do


céu. Durante séculos os astrónomos estudaram o seu aspecto e
comportamento, tentando descobrir como funciona. Mas não
apenas as propriedades físicas do sol foram objecto de estudo: há
muito que a determinação da distância terra – sol tem constituído
um foco de atenção. O valor normalmente aceite de 149 597 870
km para essa distância – é exacto numa margem de 10 km. Essa
exactidão é essencial para que os astrónomos possam determinar a
escala do sistema solar e para que os cientistas do espaço possam
guiar as naves espaciais ate outros planetas.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 124

A unidade astronómica

O astrónomo grego Aristarco de Samos foi o primeiro a calcular a


distância entre a terra e o sol. O valor a que chegou de 4 800 000
km, embora longe de valor real, foi obtido por medição directa. A
teoria em que se baseou o seu método geográfico era segura, mas
os instrumentos de que se dispunha na época não permitiam a
medição de ângulos com suficientes exactidão.

O primeiro cálculo relativamente exacto foi feito pelo astrónomo


italiano Giovanni Cassini, em 1672. O valor que chegou, de 138
570 000 km para a distância terra-sol, tinha apenas a cerca de 11
milhões de quilómetros menos que o valor actualmente aceite.
Desde então, os cálculos da unidade astronómica têm-se
aperfeiçoado grandemente.

A produção da luz solar

O sol pode ser o corpo central e mais importante do sistema solar,


mas junto do resto das estrelas não passa de uma anã amarela.
Praticamente toda a nossa luz e muito do nosso calor provem do sol
e, sem a sua energia, a vida na terra deixaria de existir. O sol esta
associado a diversos fenómenos astronómicos, entre os quais a bela
coroa que rodeia o disco solar em eclipse total, e as auroras
fantasmagóricas que se produzem na atmosfera terrestre em
resultado da interacção partículas solares carregadas de energia
com as camadas atmosféricas exteriores.

O sol tem sido observado de muitas maneiras, ao longo dos


séculos. Os registos de eclipses solares remontam aos tempos
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 125

primitivos, e as manchas solares tem sido estudada desde o advento


do telescópio na primeira parte do século XVII. Mesmo as
civilizações antigas reconheceram a importância do sol e adoraram
-no como um deus. Em épocas mais recentes, o exame das
complexas características do sol, com a coroa e as protuberâncias,
só se verificou durante os últimos 200 anos, tendo as erupções
solares sido observadas apenas desde os meados do século XIX. A
exploração do espaço possibilitou observações mais detalhadas do
sol. As emissões de raios X e do ultravioleta só podiam ser
registadas uma vez que os instrumentos de medição fossem
elevados por foguetão acima da atmosfera terrestre, que absorve a
radiação electromagnética nestes comprimentos de onda (e em
alguns outros).

A fonte da energia solar

Como sucede com qualquer outra estrela, o sol produz a sua


energia através de reacções nucleares no seu núcleo central. A
temperatura e pressão do núcleo são tão intensas que o hidrogénio,
inicialmente o gás mais abundante no sol, é convertido em hélio
por reacção de fusão termonuclear. Esta conversão verifica-se
quando quatro núcleos de quatro núcleos de hidrogénio se fundem
entre si para formar um núcleo de hélio. A reacção inicia uma
libertação de energia que percorre por convenção o corpo principal
do sol, emergindo à superfície como radiação visível. É este
processo nuclear contínuo que faz com que o sol, e todas as outras
estrelas, brilhem tanto.

A estrutura do sol

Quando observamos o sol à luz visível, pode ver-se a sua


superfície, denominada fotosfera. É uma região de turbulência com
profundidade de cerca de 400 km. Uma observação mais completa
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 126

de fotosfera revela uma curiosa estrutura granular, medindo cada


grânulo cerca de 1000 km de diâmetro. Os grânulos têm uma
duração relativamente curta e são produzidos por correntes
turbulentas ascendentes de energia provenientes do interior do sol.

A energia libertada pela fotosfera passa através da cromosfera


quase transparente, com vários milhares de quilómetros de
espessura. A temperatura da matéria nessa região eleva-se de cerca
de 4500ºk no fundo ate cerca de 1 000 000ºk nos extremos
exteriores. Os gases da cromosfera são extremamente ténues. As
observações no ultravioleta revelam, no entanto, que é uma região
muito activa e dinâmica de temperaturas extremamente elevadas,
através das quais a energia libertada pelo sol passa para a coroa e
depois para o espaço interplanetário exterior.

A atmosfera exterior do sol

A coroa é a camada mais exterior da atmosfera do sol. O limite


entre a cromosfera e a coroa é uma fina zona de transição, no
interior da qual as temperaturas se elevam impressionantemente ate
2 000 000ºk. Esta região limítrofe tem apenas alguns quilómetros
de espessura. Desde que os satélites conseguiram transportar
telescópios de raios X acima das camadas da atmosfera terrestre, os
estudos feitos nesses comprimentos de onda revelaram muitas
surpresas.

A coroa é constituída por uma região interior e por outra exterior.


A coroa interior consiste em correntes de partículas atómicas com
tendência para seguir as linhas das regiões magnéticas superfície
solar, formandos arcos ou curvas. Em certos lugares não há arcos,
especialmente nas alturas dos mínimos solares, quando a menos
regiões activas no disco solar, como as manchas solares e campos
magnéticos seus associados.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 127

Uma melhor observação da coroa revela grandes «buracos» através


dos quais se escapam partículas carregadas de energia directamente
para o espaço. Os buracos da coroa são regiões com fracos campos
magnéticos, de linhas de campos abertas e não arqueadas. A
libertação de partículas altera por vezes de maneira notável a
densidade dos campos de partículas solares no ambiente
interplanetário circundante.

A coroa exterior é de natureza mais ténue que a sua correspondente


interior. A temperatura é ainda elevada, cerca de 1 000 000ºk,
embora as partículas componentes estejam muito mais espaçadas
que na coroa inferior. A coroa não tem qualquer limite exterior
efectivo e acaba por se tornar muito ténue, transformando-se em
vento solar. A região exterior da coroa pode ser observada do bordo
solar. Marca a última região da atmosfera solar, através da qual as
correntes de partículas carregadas de energia têm de passar antes de
saírem para o sistema solar sob a forma de vento solar.

A luz e o calor não são as únicas formas de energia, proveniente do


sol, que afectam a Terra.

O vento solar também produz os seus efeitos.

Igualmente as auroras são um dos muitos resultados das interacções


entre as partículas atómicas provenientes do sol e as camadas
exteriores da atmosfera terrestre. Outro resultado é a luminescência
celeste acima da terra, a fraca irradiação que faz com que o céu
nocturno nunca esteja totalmente escuro.

Sumário
São várias correntes que explica a origem do sistema solar e outros
corpos sistema planetares.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 128

Exercícios
1. Defina sistema solar.

2. Faça o esboço da constituição do sol.

Unidade XXI
OS PLANETAS
Introdução
Durante milhões de ano os observadores das estrelas aperceberam-
se de que os planetas do sistema solar são diferentes das estrelas
porque verificam-se que cada um dos cinco planetas visíveis tinha
o seu movimento próprio através do céu, enquanto as estrelas
pareciam imóveis.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Diferenciar estrelas de planetas

 Definir planetas
Objectivos
 Caracterizar os planetas

 Mencionar todos planetas já conhecidos.

Durante milhões de ano os observadores das estrelas aperceberam-se de


que os planetas do sistema solar são diferentes das estrelas porque
verificam-se que cada um dos cinco planetas visíveis tinha o seu
movimento próprio através do céu, enquanto as estrelas pareciam
imóveis. A palavra «planeta» que significa estrela errante, deriva dos
movimentos aparentes dos planetas contra o fundo das estrelas
aparentemente fixas. A razão desta aparência prove simplesmente do
facto de os planetas estarem relativamente perto de nos e girarem na
orbita do sol; por isso os vemos mudar de posição no céu. Mas as estrelas
não descrevem órbitas em turno do sol e estão tão longe que o seu
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 129

movimento, embora rápido, só pode ser detectado durante muitos anos de


observação. O mesmo fenómeno se verificaria se observássemos uma ave
que passa voar e depois olhássemos para um avião no céu. O avião seria
indubitavelmente o mais rápido, embora lavasse muito mais tempo a
atravessar o nosso campo de visão devido a sua distância.

A outra diferença visível entre os planetas e as estrelas, que os


homens conhecem há séculos, e que as estrelas cintilam e os
planetas não. Isto sucede porque os planetas diferem grandemente
das estrelas na sua composição. As estrelas são enormes esferas de
gás incandescente, criando a sua própria luz através da produção de
energia nuclear, enquanto os planetas são corpos mais pequenos e
mais escuros que reflectem a luz das estrelas. Se o sol se
extinguisse subitamente, os planetas do nosso sistema solar
deixariam de brilhar.

Os planetas do sistema solar também diferem uns dos outros: o


minúsculo e nu Mercúrio, com a sua superfície fortemente cobertas
de crateras, por exemplo, contrasta grandemente com o nosso
planeta Terra, coberto de água. Por sua vez, nenhum destes
planetas tem qualquer semelhança com os gigantescos mundos
gasosos de Júpiter e Saturno. Cada membro da família solar tem as
suas próprias características peculiares que os distinguem de todos
os outros corpos planetares na nossa vizinhança cósmica.

As órbitas dos planetas

As ideias de Ptolomeu, no século II, implicando um sistema


geocêntrico, segundo o qual os planetas se moviam em volta de
Terra, descrevendo orbitas circulares, foram gradualmente
ultrapassado pela teoria heliocêntrica de Copérnico no século XVI.
Esta teoria afirmava que os planetas giravam numa orbita circular
em volta do sol. Foi posteriormente aperfeiçoada, no início do
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 130

século XVII, por Johannes Kepler que concluiu que as orbitas


planetares são elípticas e não circulares. Sabe-se hoje que todas
essas órbitas se situam aproximadamente no mesmo plano.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 131

Os planetas rochosos

Os quatro membros interiores do sistema solar— Mercúrio, Vénus,


Terra e Marte—são todos corpos sólidos e rochosos, uma
característica comum que os definiu como vulcanismo ou
bombardeamento meteoritico, que desempenharam um papel
significativo na formação das superfícies que hoje vemos.

Os gigantes gasosos

Para além de Marte situam-se os quatro planetas gasosos —


Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno. Em comparação com estes
quatro mundos, os membros interiores do tipo terrestre da família
solar parecem anões.

Visto através do telescópio, Júpiter surge-nos como um globo


achatado, estriado por faixas paralelas de nuvens que marcam os
limites externos da profunda atmosfera do planeta. O aspecto de
Saturno e essencialmente o mesmo com as suas camadas de nuvens
menos pronunciada que as de Júpiter, mas o que falta a Saturno em
matéria de acidentes de superfície e compensado pela seu
magnifico sistema de anéis. A atmosfera de Saturno consiste
principalmente em hidrogénio e hélio, com pequenas quantidades
de metano, amoníaco e fosfina e, como Júpiter, o seu corpo
principal compõe-se de hidrogénio e hélio líquidos.

Propriedades dos planetas

Os elementos-chave de um planeta são a sua massa, o raio e o


período de rotação. Utilizando a terceira lei de Kepler pode-se
calcular a massa de um planeta a partir das suas distancias
observadas e dos períodos orbitais dos satélites desse planeta. Em
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 132

alternativa, pode-se determinar a massa a partir do efeito


gravitacional do planeta sobre as trajectórias das sondas não
tripuladas.

O raio de um planeta pode ser calculado pela trigonometria,


utilizado os valores da sua grandeza angular aparente e da distância
da Terra. O raio permite calcular o volume e a densidade do
planeta, o que nos da uma indicação da sua composição interna.
Uma vez obtidos a massa e o raio, pode-se calcular uma infinidade
de outro dado. Equacional a segunda lei do movimento de Newton
com a lei da gravitação universal, pode-se determinar a aceleração
devida a gravidade em qualquer ponto do planeta.

A partir do conhecimento da gravidade do planeta, pode calcular-se


a sua velocidade de escape (isto e, a velocidade de que um corpo
necessita para escapar eficazmente ao campo gravitacional do
planeta). A velocidade de escape, aliada a dados sobre a
temperatura dos gases dentro da atmosfera do planeta, térmite
calcular qual e a composição desse planeta. A velocidade de
rotações e outros das características importantes do planeta. A forca
centrifuga da atmosfera e a sua massa, fazem com que o planeta
seja mais protuberante no equador, em ângulo recto com o eixo de
rotação. A extensão dessa protuberância pode ser utilizada para
calcular as proporções relativas de materiais de densidades
diferentes.

Sumário
Os estudos de planetas remontam desde da antiguidade. Os planetas
podem ser gasosos ou rochosos de acordo com a sua constituição.

Exercícios
1. Dê o conceito de planetas.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 133

2. Diferencie os planetas gasosos de rochosos.

Unidade XXII
A ESFERA CELESTE
Introdução
Esta unidade irá falar da esfera celeste ou abobada celeste.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Caracterizar os elementos de orientação da esfera celeste

Objectivos  Definir a esfera celeste.

Em astronomia e navegação, a esfera celeste incluindo a meia


esfera do dia e da noite é a propria aboboda celeste que vemos o
céu. Visto de qualquer posição forma uma esfera de raio indefinido
e concêntrico com as coordenadas da Terra. Todos os objectos
visíveis no céu podem ser então representados como projeções na
aboboda celeste. Do mesmo modo, são projectados na esfera
celeste o Pólo Norte, o Pólo Sul e o Equador terrestres, formando
respectivamente os pólos celestiais e o equador celeste .

Em astronomia temos a "esfera celeste" que pode ser considerada


como um globo fictício de raio indefinido, cujo centro radial é o
olho do observador. Na esfera celeste os pontos das posições
aparentes dos astros, independente de suas distâncias marcam esta
superfície hipotética. Esta superfície onde aparentemente estão as
estrelas fixadas, gira em torno de uma linha chamada de PP',
denominada de linha do eixo do mundo, ou linha dos pólos.
Perpendicular a este eixo existe uma superfície circular plana
denominada EE', que é definida como o "Equador Celeste".
Observando-se a superfície circular do ponto de vista do hemisfério
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 134

norte do plano equatorial e imprimindo-se um movimento


nosentido horário no círculo equatorial temos um eixo ZZ', que é
vertical ao lugar onde se encontra o observador, esta é chamada de
Zênite (Z, ao norte) e Nadir (Z', ao sul). Esta linha vertical tem
atravessando-a um plano perpendicular que é chamado de horizonte
celeste. As retas PP' e ZZ' formam um plano chamado de "plano
meridiano do lugar". A direção OS é o sul, e a direção ON é o
norte. Perpendicularmente, ou na horizontal temos uma linha
chamada de "linha leste-oeste". Portanto, quando o observador olha
para o norte tem o Leste à sua direita e o oeste à esquerda.

Muitas das civilizações antigas acreditavam que as estrelas estavam


equidistantes da Terra e que a esfera celeste existia na realidade
como o "local" onde elas estavam posicionadas. O firmamento, o
suposto firme dos antigos, não tem existência real, é portanto uma
ilusão de optica. No entanto, apesar de incorreto, este modelo é
uma útil abstração. Na verdade tudo o que vemos no céu está de tal
modo tão distante que as posições relativas e inclusive os
movimentos são impossíveis de determinar apenas por observação
visual o que tornava correto a abstração. E visto que as distâncias
são também indeterminadas, apenas necessitamos de saber a
inclinação de um ponto relativo à superfície da terra para o
conseguirmos projetar no céu. Desta forma, o modelo da esfera
celestial com as estrelas fixas, é uma ferramenta muito útil no
campo da orientação espacial Navegação astronômica. É de certa
maneira o telescópio que põe termo à ilusão do firmamento.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 135

Fig. 12 Esfera Celeste

À medida que a terra roda em torno do seu eixo, os objeto na esfera


celestial parecem rodar em torno dos polos celestiais. Por exemplo,
o Sol parece surgir todos os dias a este e desaparecer a oeste, da
mesma forma que as estrelas, os planetas e a Lua. Como a terra gira
de oeste para leste, a esfera celestial aparenta girar de leste para
oeste. Algumas estrelas localizadas suficientemente perto dos polos
celestiais parecem não se deslocar e apenas flutuar sobre o
horizonte, são as chamadas estrelas circumpolares.

Através da projeção do equador, a esfera celestial está dividida em


hemisfério celestial norte e hemisfério celestial sul. Da mesma
forma, podem ser projetados os trópicos de Cancer e Capricórnio e
os pólos Norte e Sul.

Sumário
Movimento da esfera celeste - se observarmos o céu de qualquer
lugar da terra, vê-lo-emos com o aspecto de uma calote esférica,
que praticamente pode confundir-se com uma semiesfera, e cujo
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 136

centro de curvatura parece ser o local onde estamos situados. Se


dermos a volta á terra; em qualquer sentido, sempre essa impressão
se manterá. Parece, assim, que a terra esta envolvida por uma
esfera, em cuja superfície interna se afiguram colocados os astros,
todos, por isso, à mesma distancia de nós. A essa esfera aparente
dá-se o nome de esfera celeste, que é uma esfera ideal, oca, com o
centro no lugar de observação e em cuja superfície interna
imaginemos fixos os outros.

Exercícios
1. Dê o conceito de esfera celeste.

2. Esquematize-o.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 137

Unidade XXIII

GALÁXIAS E A VIA LÁCTEA


Introdução
Esta unidade apresenta o conceito das galáxias, da via láctea, a sua
constituição.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Caracterizar a Via Láctea.

 Localizar a Via Láctea no sistema solar


Objectivos

Via Láctea

Dados observacionais (J2000)

Idade 13.800.000.000 anos

Tipo SBbespiral barrada

N° de estrelas 200.000.000.000

Ascensão reta -

Declinação -

Distância (parsec)

Constelação Sagitário

A Via Láctea é a galáxia onde está localizado o Sistema Solar. É


uma estrutura constituída por cerca de duzentos bilhões[1] de
estrelas (algumas estimativas colocam esse número no dobro, em
torno de quatrocentos bilhões[2]) e tem uma massa de cerca de um
trilhão e 750 bilhões de massas solares. Sua idade está calculada
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 138

entre 13 e 13,8 bilhões de anos, embora alguns autores afirmem


estar na faixa de quatorze bilhões de anos.

Estrutura da Via Láctea

São seis partes que constituem a Via Láctea: núcleo, bulbo central,
disco, os braços espirais, o componente esférico e o halo.

Núcleo

O núcleo está localizado no centro do sistema, tem a forma de uma


esfera achatada e é igualmente constituído por estrelas, mas de
idade mais avançada (chamada de população 2), apresentando por
isso uma cor mais avermelhada do que o disco. Tem um diâmetro
calculado em cerca de cem mil anos-luz e uma altura de trinta mil
anos-luz, sendo uma fonte de intensa radiação eletromagnética,
provavelmente devido à existência de um buraco-negro no seu
centro. Este é envolto por um disco de gás a alta temperatura e por
partículas de poeira interestelar que o ocultam, absorvendo a luz
visível e a radiação ultravioleta. Porém, na faixa de radiofreqüência
é detectável com certa facilidade.

O buraco negro central recebeu o nome de Sagittarius A, sua massa


foi estimada em aproximadamente quatro milhões de vezes a massa
do Sol. Ao seu redor parece haver indicação da presença de nuvens
de gás em rápido movimento e ionizadas. Esta é devida a fortes
emissões de raios X e radiação infravermelha provenientes do
núcleo galáctico.

Bulbo Central
O bulbo central galáctico é em torno do núcleo galáctico, sua forma
é esférica e constituído principalmente por estrelas do tipo
população 2 (estrelas velhas). Esta região da galáxia é rica em
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 139

elementos pesados. Também estão presentes aglomerados


globulares de estrelas semelhantes (de mesma composição), e suas
órbitas são aproximadamente radiais ao redor do núcleo.

Disco
O disco é a parte mais visível da galáxia, e é nesta estrutura sobre a
qual repousam os braços da Via Láctea; sua espessura equivale a
um quinto de seu diâmetro. Constituído pela população mais jovem
de estrelas (chamada de população 1) de cor azulada, por nuvens de
poeira, gás e por aglomerados estelares. As estrelas do disco, têm
um movimento de translação em volta do núcleo. Todas as estrelas
que observamos no céu nocturno, estão localizadas no disco
galáctico.

Braços Espirais

Os 4 maiores braços espirais da galáxia junto com o braço menor


de Órion estão nomeados como se segue, de acordo com a imagem
à direita

Estrutura observada junto as extensões extrapoladas dos braços


espirais da Via-Láctea.

Os 4 maiores braços espirais da galáxia junto com o braço menor


de Órion estão nomeados como se segue, de acordo com a imagem
à direita:

Fora dos braços principais está o anel externo ou anel de


Monoceros, um anel de estrelas ao redor da Via-Láctea que foi
proposto pelos astrónomos Brian Yanny e Heidi Jo Newberg. Esse
anel consiste de estrelas, poeira e gás capturados de outras galáxias
há bilhões de anos atrás.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 140

Concepção artística da estrutura espiral da Via-Láctea com seus


dois braços principais e uma barra.

Até 1953 não se conhecia a existência de braços espirais na Via


Láctea. A visualização da estrutura espiral era ocultada pela poeira
interestelar e dificultada por ser efectuada do interior da própria
galáxia. Até 2008 acreditava-se que possuía 4 braços mas imagens
reveladas pelo telescópio Spitzer vieram refazer uma teoria de
décadas como acreditavam todos os astrónomos. Robert Benjamin
da Universidade de Wisconsin-Whitewater sugeriu que a Via-
Láctea possui apenas dois braços estelares principais: o
braçoPerseus e o braço Scutum-Centaurus. Os demais braços foram
reclassificados como braços menores ou ramificações.

Esses dois braços principais, Centaurus e Perseus, contêm ambos


uma enorme concentração de estrelas jovens e brilhantes. Desta
forma, a Via-Láctea é classificada como sendo uma galáxia espiral
e seus braços estão em movimento rotatório em torno do núcleo à
semelhança de um grande cata-vento. É no braço menor de Órion
que está localizado o nosso sistema solar. O Sol efetua uma rotação
completa a cada duzentos milhões de anos e está localizado a cerca
de 27 mil anos-luz do centro galáctico.

Componente Esférico

A forma de disco da Via Láctea não é compacta, o centro e o bulbo


central configuram uma região chamada de componente esférico.
As estrelas compreendidas nesta são do tipo 1 e tipo 2, estando
distribuídas de forma mais ou menos uniforme. Esta região é
envolta pelo Halo e somente identificável de forma indireta.
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 141

Halo

O halo tem uma forma esférica e é constituída por partículas ultra


excitadas a alta temperatura, anãs vermelhas, anãs brancas e por
aglomerados globulares, que estão em órbita em torno do centro de
massa galáctica. O halo, como tal, não é observável opticamente.
As estrelas que formam os aglomerados globulares (de forma
esférica) são as mais antigas da galáxia. Por ser o componente
menos conhecido da Via Láctea, supõe-se que sua estrutura seja
gigantesca. O Halo envolve toda a estrutura visível da galáxia. Sua
existência é demonstrada pelos efeitos provocados na curva de
rotação externa da galáxia. É sabido, porém, que o halo se estende
para além de cem mil anos-luz do centro galáctico. A sua massa
gira entre cinco ou dez vezes maior do que a massa restante da
galáxia. Sua forma, seus componentes e seus limites no espaço
intergaláctico são desconhecidos até o início do século XXI, e
muitas das afirmações acerca do halo são especulações científicas.

Dificuldades da Sua Observação

A observação e o estudo da Via Láctea é dificultado pelo facto de o


plano galáctico estar obscurecido por nuvens de poeira e gás
(atómico - H e molecular - HII) que absorvem a luz visível. Assim,
muito do que sabemos da estrutura geral da nossa galáxia é inferido
a partir da observação de outras galáxias e por observação através
de observatórios capazes de medições em comprimentos de onda
não bloqueados pelas poeiras (nomeadamente infravermelho, Raios
X e SHF, principalmente).
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 142

Rotação Galáctica

A Via Láctea descreve como um todo um movimento de rotação.


Seus componentes não se deslocam à mesma velocidade. As
estrelas que estão a uma distância maior do centro, movem-se a
velocidades mais baixas do que as mais próximas.

O Sol descreve uma órbita que pode ser considerada circular. Sua
velocidade relativa ao Universo, gira em torno de 225 km/s, seu
período de revolução é de aproximadamente de duzentos milhões
de anos.

Envolvente

A Via Láctea está inserida no chamado Grupo Local de galáxias,


que é constituído por cerca de trinta outras galáxias. As principais
são a Via Láctea (a mais maciça) e a galáxia de Andrômeda (a de
maior dimensão) separadas entre si em cerca de 2,6 milhões de
anos-luz. Estas duas galáxias espirais gigantes estão em órbita de
um centro de massa comum. As restantes galáxias do Grupo Local
são de pequenas dimensões e forma irregular, sendo que algumas
são satélites quer da nossa galáxia (como as famosas nuvens de
Magalhães) quer da de Andrômeda e a sua cor azul e umas
manchas pretas arrozadas.

Fotografia panorâmica de 360° de toda a galáxia, vista do Sistema


Solar.

Antes do Século XX
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 143

O filósofo grego Demócrito (450 a.C. – 370 a.C.) foi o primeiro a


propor que a Via Láctea era composta por estrelas distantes. A
prova disso veio em 1610 quando Galileu Galilei usou um
telescópio para a estudar e descobriu que era composta por um
número incalculável de estrelas. Uma obra de Kant publicada em
1755 sugere (correctamente) que a Via Láctea era uma massa de
muitíssimas estrelas em rotação, seguradas pela força da gravidade
tal como o sistema solar mas numa escala gigantesca. Kant
conjecturou também que algumas das nebulosas visíveis durante a
noite deviam ser galáxias tal como a nossa.

A primeira tentativa de descrever forma da Via Láctea e o


posicionamento do sol foi feita por William Herschel em 1785 pela
cuidadosa contagem do número de estrelas nas diferentes regiões
do céu. Herschel construiu um diagrama com a forma da galáxia
com o sistema solar próximo do centro.

Em 1845, Lord Rosse construiu um novo telescópio e conseguiu


distinguir as diferenças entre uma nebulosa elíptica e uma em
forma de espiral.

Depois do Século XX

Fragmento da Via Láctea (Foto: Observatório de Paranal).

HarlowShapley

Até o início do século XX, acreditava-se que a Via Láctea fosse um


sistema relativamente pequeno, com o Sol próximo de seu centro.
Mediante a análise da distribuição espacial dos aglomerados
globulares (esféricos ou elipsóides) na galáxia, Harlow Shapley
realizou em 1917 o primeiro cálculo seguro das reais dimensões da
Via Láctea. Shapley descobriu por exemplo, que o Sol se situava a
trinta mil anos-luz do centro galáctico e que estava mais próximo
das bordas. Calculou um diâmetro de cem mil anos-luz para a Via
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 144

Láctea, e que havia corpos aparentemente em órbita desta, que em


futuro próximo Edwin Hubble provou serem outras galáxias.

Edwin Hubble

Foi a partir do trabalho realizado pelo astrónomo norte-


americadoEdwin Hubble em 1924 que houve a determinação
aproximada da extensão de nosso universo. Hubble provou pela
teoria conhecida atualmente como a constante de Hubble que
existem outras galáxias, e que estas se afastam de nós. Ao medir a
razão (velocidade) a que as galáxias se afastavam (indicando assim
que se encontravam a uma grande distância), permitiu demonstrar
que afinal essas estruturas se encontravam fora da Via Láctea e
eram, elas mesmo, "ilhas" constituídas por estrelas.

Walter Baade

O astrônomo Walter Baade observou pela primeira vez na década


de 1940, durante suas pesquisas sobre a galáxia de Andrômeda, a
teoria da nucleossíntese, que estabelece que a abundância de
elementos pesados em gerações sucessivas de estrelas deve
aumentar com o tempo, e que o processo de formação de estrelas
terminou no halo há muito tempo, mas continua até os dias atuais
no disco de Andrômeda. Através deste estudo, descobriu haver um
paralelo também com a formação e evolução da Via Láctea pela
análise da correlação existente entre a localização espacial de uma
estrela no sistema galáctico e sua abundância em elementos
pesados.

Baade e outros astrônomos concluíram então que as estrelas


encontradas no disco da Via Láctea são tipo população I (estrelas
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 145

jovens e pouco abundantes em elementos pesados), e que as do


halo classificam-se principalmente como população II (estrelas
velhas e abundantes em elementos pesados), enquanto as do núcleo
são uma mistura homogênea dos dois tipos.

Sumário
A Via Láctea é a galáxia onde está localizado o Sistema Solar. É
uma estrutura constituída por cerca de duzentos bilhões[1] de
estrelas (algumas estimativas colocam esse número no dobro, em
torno de quatrocentos bilhões[2]) e tem uma massa de cerca de um
trilhão e 750 bilhões de massas solares. Sua idade está calculada
entre 13 e 13,8 bilhões de anos, embora alguns autores afirmem
estar na faixa de quatorze bilhões de anos.

Exercícios
1. Localiza-se a via láctea no universo.

2. Porque é difícil estudar a vai láctea?

3. Indique os braços que fazem parte da Via- láctea.


Evolução do Pensamento GeográficoG0133 146

Unidade XXIV
A TERRA E OS SEUS
MOVIMENTOS
Introdução
Esta unidade aborda conteúdos relacionados com a terra e os seus
movimentos.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Menciona
Durante
Objectivos r ostempo julgou-se que a terra estava imóvel e que o
muito
sol girava emmoviment
volta dela. Só no século XVI se demonstrou que esse
os da terra
movimento era aparente: não é o sol que gira em volta da terra, é a
Explicar
terra que os
gira em torno do seu eixo imaginário, realizando cada
movimentos
rotação nodeperíodo
rotação ede 24 horas (um dia) - é o movimento de
rotação. translação
A medida que roda, os diferentes lugares ficam
alternadamente iluminados e obscuros.

O movimento de rotação da terra faz-se no sentido contrário ao dos


ponteiros do relógio- sentido directo. Aparentemente é o sol e a
esfera celeste que giram em volta da terra em sentido oposto. É
algo de semelhante à ilusão que temos quando viajamos e nos
parece ver deslocar em sentido oposto os elementos da paisagem
( casas, árvores, ect ).

A principal consequência do movimento de Rotação é o


aparecimento do dia e noite
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Movimento de Translação

Além do movimento de rotação, a terra desloca-se também, durante


o ano, em volta do sol- é o movimento de translação. Neste
percurso, a terra descreve uma órbita elíptica.

As principais consequências do movimento de translação são:

 A sucessão das estações;


 A alternância de estações no hemisfério norte e sul (quando
é Verão no hemisfério norte, é Inverno no hemisfério sul);
 A desigualdade dos dias e das noites;
 A variação do ponto de nascimento e de ocaso do sol;
 A variação da altura do sol;

Sumário
Deve-se a Copérnico a teoria Heliocêntrica (a terra e os outros
planetas giram em volta do sol)

Anteriormente aceitava-se a teoria geocêntrica (a terra era o centro


do universo)

Exercícios
1. Porque se sucede o dia e a noite?

2. Como se explica que quando é hemisfério norte, é Inverno no


hemisfério sul?
Evolução do Pensamento GeográficoG0133 148

Bibliografia

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Macamo, Evolução do Pensamento Geográfico; Livraria
Universitária, UEM,Maputo, 2002
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 PIMENTEL, Maria Amália etall, Geografia 12º ano Tema
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 SANTOS. Milton, Por uma Geografia nova,Hucitec
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 SEEDS, Michael.A. etal. The Solar System, Third
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 TAVARES, Farinha dos Santos,Enciclopédia do
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 www.igeograf.unim.mx/ugi/comisioneshttp://
pt.wikipedia.org/wiki/historiado pensamento geográfico
 WEB: http://www.thomoson rights.com

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