DIFICULDADES NA ESCOLA A desmotivação de uma criança ou um adolescente na sala de aula pode ter diversos motivos.

Verificar as possibilidades e agir na correção é tarefa de pais e educadores. Uma amiga me disse que sua filha está muito desmotivada na escola e que os professores são muito chatos. Como ajudar nessa situação?As causas da desmotivação podem ser de quatro origens diferentes. A primeira respeito à possibilidade de alguns professores estarem extremamente expositivos, ou seja, focam suas aulas em conteúdo e não deixam espaço para a criação. O aluno permanece muito passivo, copia muita matéria sem possibilidade de criar, de se manifestar, de discutir, debater, de ser autor. Com professores desse tipo, até os mais “caxias”, ou “nerds”, não tem vontade de estudar. Nesse caso, converse com a orientação pedagógica de sua escola para que oriente os professores quanto à metodologia mais adequada. A segunda origem possível é a da superproteção da família (pai ou mãe) que não permite o desenvolvimento da autonomia, da persistência e da independência. A criança fica sempre esperando que as soluções sejam dadas por alguém, como a mãe, o pai, o próprio professor, etc. Se a escola estiver exigindo, cobrando, solicitando trabalho, a criança desiste, pois se sente cobrada acima de suas possibilidades (ou pelo menos, acima do que ela acha ser possível). Nesse caso, procure incentivar a autonomia, as decisões, assumir desejos, etc. A terceira possibilidade é a de origem interna, como alguma dificuldade de atenção, concentração, ou qualquer outro motivo relacionado ao funcionamento de seu corpo, de seu cérebro. Como exemplo, podemos ter casos de Depressão, de Déficit de Atenção ou alguma outra dificuldade fisiológica, ou seja, de funcionamento do corpo ou cérebro. Para essa terceira origem, é necessária a avaliação de um profissional da área, um neuropediatra, psicopedagogo ou psiquiatra. Não deixe para depois. Se a origem da dificuldade for médica, a medicação pode fazer um grande bem para sua filha. Entretanto não vá logo medicando. Busque uma segunda opinião. A quarta possibilidade é o ”bullying”. É uma espécie de assédio moral com foco na coerção, ameaças, chantagens, perseguições, humilhações e desvalorização que a menina

pode estar sofrendo no dia-a-dia da escola por colegas da turma. Muitas vezes um grupo de crianças, ou de adolescentes, escolhe alguém para servir de “saco de pancada” desse grupo. As conseqüências desse tipo de comportamento afetam diretamente a vontade de estudar. Algo precisa ser feito e de forma urgente. Essas crianças, as agressoras e a vítima precisam de ajuda. Precisam de orientação para que possam aprender os valores mais significativos da vida. Entre em contato com a escola e, juntos, criem soluções para que o Bullying não ocorra mais, nem com a menina, nem com outras crianças.

uma triste realidade. impera um total descaso pelo ato de lecionar e aprender. que vê o ato de lecionar apenas como um complemento de salário. se não o maior. observamos que. O ser humano é social por natureza. vivemos situações que nos constrangem ou enaltecem. que planeja suas aulas e investe na continuidade de sua formação. pois. atualmente. este artigo têm como objetivo mostrar alguns dos problemas que constatamos no decorrer do processo ensino-aprendizagem e apresentar sugestões. enfim tudo que promove o não-desenvolvimento cognitivo6 do discente. sofremos desilusões. 55).. o . o “mãezona”. por que não. o professor licencioso. o permissivo3 . embora complexas. Graças a esse convívio no decorrer de nossas vidas. pudemos perceber comportamentos.Aluno: Uma Revisão Crítica Por Denise de Cássia Trevisan Siqueira 23 de dezembro de 2004 Resumo: Como profissionais críticos e atuantes na área de ensino. Desde muito jovens vivemos em sociedade... desempenhos. e tantos outros cujas atitudes pessoais que jamais passarão despercebidas pelos alunos). nossos melhores amigos. autoritarismo5 . sério.. conseguimos construir a nossa personalidade e interagir com o universo. sempre respaldadas por embasamentos teóricos e experiências reais vivenciadas por profissionais renomados. “é uma excelente técnica de coleta de dados”. aprendemos com nossos erros e acertos e. conseguem nos sensibilizar. Portanto. de como tais problemas poderiam ser melhor administrados e. eliminados. “O professor autoritário. a dificuldade que os estudantes encontram em usar a linguagem escrita como elemento de reforço ou registro da fala. o crítico-reflexivo2. p. tomamos por base de nossas observações a relação professor-aluno. origens e personalidades. p. Palavras-chave: crítica.Relação Professor . Considerando tal abordagem. muitas vezes fazem parte de nosso discurso aos alunos: ameaças. métodos e técnicas de vários tipos de docentes (o autoritário1 .. são exemplos de companheirismo e demonstram um sincero interesse pelo nosso bem-estar. aluno. muitas vezes. e atos de violência escolar já fazem parte do nosso dia-a-dia. são peças fundamentais na realização de mudanças em nível profissional e comportamental.99) Com o objetivo de realizar uma pesquisa em campo. adotamos por técnica a observação. relações pessoais. a indisciplina em sala de aula é uma constante. nosso respeito. pois conquistaram nossa confiança. através de comparações. parafraseando CUNHA (1994. professor. um dos principais fatores que rege a motivação pelo aprender por parte do discente em formação. chantagens emocionais. ao utilizarmos tal critério. aqueles que com suas críticas e conselhos. o professor competente. Já não há mais o respeito mútuo entre discentes e docentes. aliada à metodologia adotada pelo docente. Portanto. que embora critiquemos. Nesse referencial. revisão. como uma revisão crítica de desempenho e atitude social. como podemos ignorar a importância de tal interação entre professores e alunos? ELIAS destaca: “É por intermédio das modificações comportamentais da área afetiva que a escola pode contribuir para a fixação dos valores e dos ideais que a justificam como instituição social. fazemos parte e formamos grupos com pessoas das mais diversificadas crenças.” (1996. melhoram certos aspectos e comportamentos negativos que apresentamos. controle da indisciplina4 através do medo. Se as relações humanas.

mas alguém que tem toda a experiência de vida e por isso também é portador de um saber.” (FREIRE. à curiosidade. o educador não pode colocar-se na posição ingênua de quem se pretende detentor de todo o saber. em resumo. ou melhorar a nota deste. a reflexão. A nosso ver. apenas norteadas pelo fator amizade ou empatia.” (1971. preciso. é. que desenvolvem com seus alunos um vínculo muito estreito de amizade e respeito mútuo pelo saber. confiança.73) Como o ensino não pode e não deve ser algo estático e unidirecional. por vezes. “Para por em prática o diálogo. entregue seu dever em data diferente da estipulada. Professores. sem justificativa coerente. devemos nos lembrar de que a sala de aula não é apenas um lugar para transmitir conteúdos teóricos. e por mais claro. “Não é certo. para que ele não fique de recuperação). comprometidos com a produção do conhecimento em sala de aula. por outro. ou melhor. mas sob um prisma mais direcionado à superproteção. p. 1996. Não posso condicionar a avaliação do trabalho escolar de um aluno ao maior ou menor bem querer que tenha por ele. frio.” (GADOTTI. inquietas. interpretar e transformar a sociedade e a natureza em benefício do bem-estar coletivo e pessoal. empatia8 e respeito entre docente e discente para que melhor se desenvolva a leitura. que serei tão melhor professor quanto mais severo. mais distante e “cinzento” me ponha nas minhas relações com os alunos [.91) Professores. deve.. à reflexão crítica. local de aprendizado de valores e comportamentos. são fundamentais.] A afetividade não se acha excluída da cognoscibilidade. idade e desenvolvimento mental. Portanto.159-60) Outro reflexo desse aspecto (excesso de afetividade). seja qual for o objetivo a que vise. reconhecendo que o analfabeto não é um homem “perdido”. restrito. a relação estabelecida entre professores e alunos constitui o cerne do processo pedagógico. a escrita. irresponsável. racionalista. tem sempre uma inelutável repercussão mais ou menos ampla. p. sempre com raiva do mundo e das pessoas. O que não posso obviamente permitir é que minha afetividade interfira no cumprimento ético de meu dever de professor no exercício de minha autoridade. o professor mal-amado. sobretudo do ponto de vista democrático. colocar-se na posição humilde de quem sabe que não sabe tudo. 1999. Tão bem nos lembra GRISI: “Toda aula. não deveriam fazer parte das atitudes de um “Formador de Opiniões”. ao respeitar no aluno o desenvolvimento que este adquiriu através de suas experiências de vida (conhecimentos já assimilados). mais frio. bem orientado. que este se apresente. 1996. os educadores não podem permitir que tais sentimentos interfiram no cumprimento ético de seu dever de professor. fora da realidade. p. educadores que. situações diferenciadas adotadas com um determinado aluno (como permitir que." (FREIRE. a aprendizagem e a pesquisa autônoma. nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca. p. ao questionamento e à descoberta são essenciais. que poderá possibilitar ao indivíduo.professor incompetente. de aquisição de uma mentalidade científica lógica e participativa..2) Se por um lado é importante a existência de afetividade7 . antes. o professor amoroso da vida e das gentes. uma vez que essa relação é uma “rua de mão dupla”. também. no comportamento e no pensamento dos alunos. são imprescindíveis. Professores que não medem esforços para levar os seus alunos à ação. geralmente pode ser observado em salas de ensino fundamental da quinta série: crianças indisciplinadas. pois ambos (professores e alunos) podem ensinar e aprender através de suas experiências. É impossível desvincular a realidade escolar da realidade de mundo vivenciada pelos discentes. . burocrático. amantes de sua profissão.

a interação deve estar sempre direcionada para a atividade de todos os alunos em torno dos objetivos e do conteúdo da aula.32) Para exercer sua real função. ou. não raras vezes. portanto. ainda que o docente necessite atender um aluno em particular. não são raros dentro de uma sala de aula. que aquele conteúdo está “dado”. ameaçam os alunos e.arrogantes e revoltadas. atentarmos quanto a nossas atitudes. no entanto. deve respeitar a individualidade e a liberdade que esses trazem com eles. Outro fator que incomoda. geralmente intimida os discentes a prestarem atenção.] A falta da prática de pensar. Por inúmeras vezes nos deparamos com docentes que ao ouvirem conversa durante a aula gritam com os estudantes. portanto. é a disciplina. Quando . Outros. simplesmente ignoram tal fato. quando eles não conseguem obtê-las. Sua atenção está voltada apenas para alguns poucos alunos que.” (ELIAS. fornecer as respostas dos exercícios. dando mais atenção à criança que é mais mimada. Além disso. respeito e afetividade. Página 2 de 3 Devemos. ao invés de deixá-los descobrir o erro. para serem entregues no final da aula. isto é. para neles poder desenvolver o senso de responsabilidade. mas porque temem “perder” a amizade do professor. e nos utilizarmos da chantagem emocional para obter a disciplina na sala de aula – os alunos geralmente obedecem. em nome da autodisciplina10 . é normal e até esperado que esse período provoque alguns problemas disciplinares no início. claramente. deixando bem claro o que espera dos alunos. infelizmente. tornamo-los excessivamente dependentes. enquanto educadores. Agindo assim não estamos permitindo que os alunos adquiram autonomia em seus atos e. em lugar de deixar que eles o façam. o professor precisa aprender a combinar autoridade9 . pois. o motivo de tal reação é a falta de autoridade e proteção excessivas. retira dela essa faculdade para o resto da vida.. o que nos chama a atenção é a total falta de organização e senso de responsabilidade que muitas vezes tais crianças apresentam. ocultas em atitudes inconscientes.. ao mesmo tempo que estabelece normas. como punição. ou melhor. É fato que durante esse estágio da vida as crianças estão passando por uma fase de adaptação (transição da quarta para a quinta série) e que tudo que é novo causa certo medo e ansiedade. Esse profissional. mas. não raras vezes. fazem ameaças dizendo que a prova será em breve e que eles não a conseguirão realizar. no mínimo. chegam a humilhá-los. tais como: anotar os deveres nas agendas dos alunos. como um “general”. do que em descobrir o porquê da falta de interesse e da indisciplina da maioria dos seus alunos. ou indisciplinada. Casos em que o professor assume uma postura autoritária e acredita que distanciamento hierárquico é sinônimo de respeito. que estão mais preocupados em cumprir o conteúdo curricular planejado para aquela aula. e muito. grande parte dos Amantes do Saber. e ministra suas aulas sem se importar que haja alunos que não estão acompanhando o seu raciocínio. tomam atitudes. durante a infância. olham-no atentamente. pedagogicamente questionáveis: fazem imposições sem fundamento. não por conscientização de tal necessidade. que a razão dirija a própria experiência [. a ausência dessa. demonstrando. passam exercícios valendo nota. p. 2000. então. sempre podemos presenciar situações em que muitos professores. ou está doente. “O ideal consiste em que a criança aprenda por si só. sentados nas primeiras carteiras. centralizar a resolução de todos os problemas em nós mesmos.

ou “Esqueceu. o sucesso (ou não) da aprendizagem está fundamentado essencialmente na forte relação afetiva existente entre alunos e professores. As respostas e as opiniões dos alunos mostram como eles estão reagindo à atuação do professor. criar e problematizar situações que poderiam auxiliar na construção de seu conhecimento e caráter. ou não o faz. (1994. o bom professor é o que consegue. Assim sendo.. Seus alunos cansam não dormem. segundo opinião unânime dos alunos. às dificuldades que encontram na assimilação dos conhecimentos.. e que. “. repetindo o mesmo currículo de seus antecessores.. torna-se apenas uma projeção do que foram seus professores. resistente a mudanças e um praticante de aulas expositivas monótonas e repetitivas repletas de muita “falação”. mesmo que as respostas dadas sejam incompletas ou incorretas. mas também ouve os alunos. Deve dar-lhes atenção e cuidar para que aprendam a expressar-se. divertidas. Servem também para diagnosticar as causas que dão origem a essas dificuldades. E por falar em indisciplina. Valeu a tentativa!”. os induz à desmotivação. respeito se conquista. e o diálogo11 é o melhor caminho para a solução de problemas. distantes das reais necessidades dos alunos. uma aula motivadora. à falta de interesse. de conhecimento dos alunos. não como modelo inquestionável de docência. a expor opiniões e dar respostas. enquanto fala. trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. ou é ignorado. alguma informação mais importante). alunos e alunos e professores e professores. essa não deveria ser uma constante entre professores e alunos. à indisciplina. à incapacidade de refletir. p. teria entendido”. dessa forma. mas como fonte de inspiração para que continuemos a buscar um melhor caminho para chegarmos ao coração e à mente de nossos alunos. objetiva e de fácil entendimento. não se impõe. Assim sendo. de forma resumida. não é? Vamos ver se amanhã você já conseguiu se recuperar da amnésia”. portanto. ou o entrega ao professor antes do término do período. utilizando mais a explanação verbal do que a lousa (vista como um suporte. Aulas dinâmicas. ou recebe como resposta: “Se você estivesse prestando atenção. podemos dizer que a atitude deste professor. fazemos nossas as palavras de LIBÂNEO: “O professor não apenas transmite uma informação ou faz perguntas. A forma como ele conduz a aula deve despertar a curiosidade pelo ouvir e aprender. Vale a pena continuar ressaltando a atuação de alguns professores. pois um aluno que é retirado da sala de aula por comportamento inadequado e encaminhado à biblioteca para realizar uma pesquisa sobre o tema da aula. Cansam porque acompanham as idas e . assim como a de muitos outros que encontramos no nosso dia-a-dia. apoio para registrar..250) Segundo MASSETO (1996). Sua aula é assim um desafio e não uma ‘cantiga de ninar’.algum dos supostamente desinteressados faz alguma pergunta. o verdadeiro educador sempre deve fazer um comentário crítico construtivo: “Você quase conseguiu. tornam as explicações dadas pelo docente. linguagem clara. Será que essa postura docente contribui de alguma forma para que um professor obtenha o respeito e a disciplina que tanto deseja em sala de aula? Em nosso entender. Convém salientar que essas “disputas” entre mestre e discípulos pouco ou nenhum resultado prático trazem. que não investe suficientemente na sua formação e que. sempre associando o tema em questão a situações atuais. O trabalho docente nunca é unidirecional. Um aluno jamais deve permanecer passivo e. reflete um profissional não comprometido com o seu trabalho.

" (NÉRICI. destinatários de sua ação educativa. ter um carinho especial pela profissão que abraçou e saber utilizar sua autoridade com moderação e imparcialidade. correção de . competência e abertura de espírito.” (FREIRE. apesar das verdades. autônomo. pelo menos. e demonstram dedicação profissional. entre todos os observados. surpreendem incertezas. em particular. não houver um planejamento15 das aulas. por que não tentar eliminar rapidamente os poucos casos de conversa paralela durante a aula. possuem tato em lidar com as diferenças individuais em sala de aula. continuar-se a fazer críticas. de modo que cada um deles seja um ser consciente. ou. isto é. competência12 e hábitos pedagógico-didáticos necessários à organização do processo de ensino. estão abertos ao diálogo. pública e abertamente. p.. os professores que melhor conseguem este controle são aqueles que dominam o conteúdo que ensinam.128) De nada adianta falar sobre organização. se. não se reservar algum tempo para o aperfeiçoamento contínuo e utilizar-se dos horários das aulas para realizar tarefas estranhas àquele momento (atualização de diários. na prática. sua postura em aula. à autoridade profissional. mas que a irão pesquisar e depois a trarão (e cumprem a promessa). podemos afirmar que a disciplina em sala de aula está diretamente ligada ao estilo de prática docente. senso de justiça. participativo e agente crítico modificador de sua realidade.190) Relação Professor .96) suas pausas. autonomia. no caso. não têm receio de dizer que não conhecem a resposta. Um professor competente está sempre pronto a refletir sobre sua metodologia. Dessa forma. caráter. Em que se procura explorar o sentimentalismo e também. a motivação13 dos seus alunos. É imprescindível que ele sinta. a replanejar sua prática educativa. Vale a pena ainda mencionar um outro aspecto relevante no que concerne à relação teoria-prática14 . com qualquer estudante que necessite de uma reprimenda maior? Certamente. ativo.] não conseguirá sequer ter comportamentos autênticos diante daqueles que deve educar. suas dúvidas. ética. chamando a atenção dos envolvidos de forma humorada? Por que não conversar. responsabilidade. se necessárias.. Segundo MASCELLANI: “O educador que não se organiza de modo satisfatório para questionar as condições dentro das quais vive [. suas Um professor deve buscar um aperfeiçoamento constante. 1996. a fim de estimular a aprendizagem. chamando-o às suas responsabilidades.Aluno: Uma Revisão Crítica Por Denise de Cássia Trevisan Siqueira 23 de dezembro de 2004 Página 3 de 3 Estabelecendo um paralelo entre todas essas atuações. moral e técnica do professor. manifestando sua curiosidade. quando necessário. Então. p. todos os alunos o cumprimentarão nos corredores e irão lhe pedir conselhos e orientações. que o professor é seu amigo e tudo está fazendo para ajudá-lo.” (1980. falar francamente com o aluno. 1992. diante dos alunos que estão colocados diante de si. representada no exemplo que os professores dão.vindas de seu pensamento. p. "Boa técnica de motivação é ter uma conversa em particular com o aluno. contra colegas de trabalho. adaptam seus métodos e procedimentos de ensino em função da necessidade de sua clientela.

O prazer pelo aprender não é uma atividade que nasce espontaneamente nos alunos. muitas vezes. Aquele que permite que seus alunos pratiquem ou tomem atitudes despropositadas ou desrespeitosas para consigo ou para com seus amigos. 1991. São Paulo: Papirus. simpatia. não admitindo contradições. não permitindo que o aluno problematize e descubra a resposta correta. a conscientização de que em uma sala de aula não há aprendizado homogêneo e imediato. Aquele que está aberto a quaisquer sugestões e críticas que o ajudem a se repensar como profissional a fim de reformular e melhorar sua prática. Tornar-se um professor facilitador não é uma tarefa fácil. Autoridade do professor: meta. conjunto de fenômenos psíquicos que se . imposição de forma dominadora.). acompanhando cada passo do aluno. 1996. Afeição. liberte-se e demonstre seu potencial. e. nº 33. Para que este hábito possa ser melhor cultivado. 5. gradativamente. Ano IX. maio. Falta de controle sobre os próprios atos e desrespeito as limitações e anseios das demais pessoas. que a orientação do professor. Notas Texto orientado pela professora de Prática de Ensino / Estágio Supervisionado Dinéia Hypolitto do curso de Formação de Professores da Universidade São Judas Tadeu. não é uma tarefa que cumprem com prazer. 4. Além disso. 2001. arbitrária e opressora. é fundamental. na maioria dos casos. A formação do Professor o Estágio Supervisionado. acomoda-o e prejudica sua autonomia). Lúcia Maria Teixeira. o aprender a não desistir. Relativo a aquisição de um conhecimento. para que isso aconteça. 1.2003. 7. por julgarem-se cobrados a um desempenho para o qual não foram preparados. 3. pois requer a quebra de paradigmas16 . No entanto. Marisa Del Cioppo. Engenheira Elétrica e Revisora da Editora Universidade São Judas Tadeu. São Paulo: Editora Catálise.provas etc. o fornecer as respostas prontas. Ver FURLANI. aquele que provoca no aluno um estímulo que o faça aprender a aprender. a percepção de que a formação continuada17 é uma necessidade. mito ou nada disso? São Paulo: Editora Cortez. Ver ELIAS. Ver HYPOLITTO. é necessário que o professor consiga despertar a curiosidade dos alunos e acompanhar suas ações na solução das tarefas que ele propuser (o não acompanhamento poderá fazer os alunos se sentirem inseguros na realização da atividade proposta. Aquele que usa com rigor a sua autoridade. Pedagogia Freinet – Teoria e Prática. Dinéia. Publicação: Revista Integração: Ensino=Pesquisa=Extensão da Universidade São Judas Tadeu. O conhecimento ideal é aquele que o transforma em um “cidadão do mundo”. com a intenção de que ele. Denise de Cássia Trevisan Siqueira é bacharel em Letras e licenciada pelo Curso de Formação de Professores pela Universidade São Judas Tadeu. e que uma postura crítica-reflexiva deve fazer parte do seu dia-a-dia. a percepção. nunca vai utilizar. professora de língua inglesa do Colégio da Polícia Militar e de língua portuguesa da Escola Técnica Estadual Camargo Aranha. amizade. Uso impróprio da autoridade. 2. o aluno deve obter conhecimento não apenas para ter na cabeça muitas informações que. o papel do professor deve ser a de um “facilitador de aprendizagem”. 6. pois.

VASCONCELLOS. 1996. tanto quanto possível. 10. como você deve imaginar. de agir.. Libertad. P. São Paulo. 8. “Atividades formativas que ocorrem após a certificação profissional inicial. Celso dos Santos. Comunicação. porque não há recursos para que eu possa despertar o interesse deles. competente é aquele que julga. sentimentos e paixões.44). eu erro e continuo jurando até a morte que estou certo. No aprendizado eu uso uma experiência negativa. pondera. que tem influência e age. p. Não adianta nem me mostrarem provas concretas de meu erro. Meus alunos estão desmotivados porque o governo tem uma grade curricular incompatível com a realidade deles.manifestam sob a forma de emoções. Direito ou poder de se fazer obedecer. através do contato com a realidade e da interação com os outros. “É preciso falar.. e pela busca da autonomia através da atividade livre”. 16. Planejamento: Plano de Ensino – Aprendizagem e Projeto Educativo – elementos metodológicos para elaboração e realização. Erramos muito mas podemos posturas diferentes em relação aos nossos erros: Negação Aprendizado Reflexo Na negação.. Ver ZÓBOLI. através de ações. porque eles não têm educação nem interesse em aprender… e por aí vai. 17. avalia. mas a culpa é sempre de outra pessoa. G. 1990. Errar é humano e atribuir o erro a outra pessoa é mais humano ainda. São Paulo: Ática. Se errar de novo em outro ponto faço o mesmo e assim vou.1997.. (HAYDT. p. e apenas dizer o que é impossível fazer.66) 11. (RODRIGUES e ESTEVES. São Paulo: Editora Ática. Competência segundo o Dicionário Aurélio: qualidade de quem é capaz de apreciar e desenvolver certos assuntos. Curso de Didática Geral. Ato de estimular o aluno com a finalidade de tornar a aprendizagem mais produtiva. errando e aprendendo com meus erros. tiro conclusões e tento evitar o que fez meu barquinho naufragar na primeira tentativa.” (ROUSSEAU.. No reflexo eu erro sim. Sempre vou encontrar um motivo para justificar meu erro. as habilidades práticas e as atividades dos professores na busca de maior eficácia na educação dos alunos”. 12. ela nunca está em mim. . Regina Célia Cazaux. 1993. que visa principal ou exclusivamente melhor os conhecimentos. 9. 7ª ed. acha a solução e decide.197). de tomar decisões. 14. analiso-a. 13. “ Conjunto de princípios e regras elaborado livremente pela pessoa. e interiorizados pela aprendizagem. padrões. Práticas de Ensino – Subsídios para a Atividade Docente. de se dar ordens. sendo sempre a culpa exterior. Tendência para sentir o que sentiria caso se estivesse na situação e circunstâncias experimentadas por outra pessoa. 1995. Modelos. eu vou dizer que não errei e pronto. pela tomada de consciência das exigências da vida pessoa e social. exposição de idéias através de perguntas e respostas entre duas ou mais pessoas. que tem por encargo fazer respeitar as leis. 15.

Então voltemos a responsabilidade. Pelo que estão me pagando está até bom demais.” O profissional é quem aprende todas as técnicas e procedimentos para que o “tratamento” seja um sucesso. introduz a temática a partir de considerações tecidas sobre as grandes transformações ocorridas nos diferentes . que por ele estar insatisfeito também não irá conter nada de especial que desperte o interesse dos alunos. Tenho um aluno cuja formação depende de mim. Dividida em quatro capítulos. Se o doente morrer. Dizer que um aluno é o culpado por não aprender é mais ou menos como se um médico fizesse um tratamento e como o doente não sarasse. com a profissão. Então eu sou o profissional. Vou dar o arroz com feijão e olhe lá. falemos em responsabilidades. dissesse: “Não sarou porque não quis. A responsabilidade é minha de criar meios e um ambiente favorável para que ele sinta-se motivado. traz-nos aportações interessantes sobre as causas da desmotivação dos professores. Eu sou o profissional que se especializou para dar essa informação e formá-lo da melhor maneira possível. Um professor insatisfeito com a escola. a culpa nunca será dele e sim do profissional que o tratou. ainda que ideologicamente situada e contextualizada num país que não Portugal.Não falemos em culpa. eu fiz o que tinha que fazer. com o salário ou com o que quer que seja irá passar toda essa carga emocional para os alunos durante sua aula. A Desmotivação dos Professores A presente obra. Eu tenho a faca e o queijo na mão.

propondo instituições educativas flexíveis e abertas. “competitividade” e “excelência”.campos de actividade – política. de tipo burocratizante. As causas da desmotivação dos professores. a diversidade dos alunos. (j) nas dificuldades de relacionamento com as famílias. relações sociais e laborais – às quais subjazem um cenário de globalização. do tempo e dos recursos materiais e humanos”. em que as actividades extracurriculares ocupem o seu lugar em projectos de escola e de turma (capítulo 4). (g) na falta de serviços de apoio e na eficácia da inspecção escolar. que tem a ver com a rapidez das transformações em todos os campos do conhecimento. é criticada a instituição educativa “neoliberal”. com identidades culturais e linguísticas distintas. no âmbito da informação cultural. radicam (a) na incompreensão das finalidades dos sistemas educativos. Detendo-se nas dificuldades de análise da sociedade de hoje. Jurjo Torres Santomé. (n) na falta de incentivos aos professores inovadores. (o) na contínua ampliação das funções cometidas aos professores. submetida às leis da oferta e da procura. passa pelas dificuldades da análise do presente (capítulo 1). com abandono do discurso político. (e) na existência de currículos obrigatórios sobrecarregados de conteúdos. cujo discurso passa por conceitos como “qualidade”. cultura. confrontados com uma cultura escolar que se pretendia uniforme. (b) na formação inicial deficitária. e com as múltiplas reformas educativas promovidas com escassa implicação da classe docente. (i) nos problemas de comunicação com os alunos. “uma sociedade em crise”. no dizer do autor. de superficialidade e de banalização. economia. centra-se nas dezasseis razões da desmotivação docente (capítulo 3) e conclui “rompendo os muros”. que são apontadas. (c) na “pobreza” das políticas de actualização cultural e psicopedagógica dos professores. por parte da administração educativa. (f) no peso de iniciativas. referiremos algumas das razões que aponta para a “crise” da educação: a sua obrigatoriedade e a massificação que não teve em consideração que as instituições educativas tinham sido pensadas para as elites. (d) na concepção tecnocrática do trabalho docente. com a celeridade das inovações na área das tecnologias da informação e da comunicação. o avanço das ideologias e o desmoronar das certezas dogmáticas. no âmbito do qual as instituições educativas carecem de uma “reconceptualização do espaço. modelos curriculares integrados. Professor Catedrático da Universidade da Corunha. (l) num ambiente social de cepticismo. (m) no avanço de políticas mercantilistas e utilitaristas. (k) na existência de um clima político e social que responsabiliza unicamente a classe docente pela qualidade da educação. Em relação às “intenções de destruição do ensino público”. e pelas intenções de destruição do ensino público (capítulo 2). (p) na maior . (h) na ausência de uma verdadeira cultura democrática na vida das escolas.

uma comunidade educativa englobante de todas as vivências educativas dos educandos e educadores. capazes de romper a rigidez dos actuais espaços e tempos lectivos. e cuja comparação recomendamos a todos os nossos leitores. cujo factor estruturante situacional é o projecto. defendidas por personalidades distintas. presidida pelo princípio da sobredeterminação dialéctica educativa. que. entre nós. dando lugar a projectos curriculares integrados. e a dimensão global. que passa pela articulação entre as actividades curriculares e extracurriculares. numa sociedade global. a dimensão interactiva. partindo das ideologias de esquerda. das actividades educativas das dimensões curricular e extracurricular.visibilidade dos efeitos do trabalho dos professores. uma proposta de flexibilização e de abertura das instituições educativas. defende o conceito de educação integral e emancipadora. . para além de uma sistematização cuidada das razões da desmotivação dos professores. Apraz-nos registar a sintonia entre estas duas propostas. defende-se a necessidade da criação de estruturas educativas mais flexíveis e da existência de maior coordenação entre as actividades curriculares e extracurriculares. que coincidem no essencial. planificada. a dimensão extracurricular. com percursos diferenciados. que vem sido defendida. geradora de uma nova realidade pedagógica. Em “Derrubando os muros”. Torna-se extremamente interessante verificar a sintonia desta proposta. que pressupõe a articulação horizontal. desde os anos 80 – a pluridimensionalidade estrutural da instituição escolar que comporte a dimensão curricular. Esta obra encerra. por Manuel Ferreira Patrício. em permanente evolução. presidida pelo princípio da heterodeterminação educativa. com uma outra. ex-Reitor da Universidade de Évora. ou princípio ecológico. presidida pelo princípio da autodeterminação educativa. presidida pelo princípio da codeterminação educativa.

E ela destaca as condições precárias para o exercício da profissão como algo que precisa ser revisto. Hoje há exigência maior e não basta saber só a disciplina que ensina". alem da questão do uso de drogas. . e trabalham com turmas cheias e com um ganho financeiro que têm não corresponde a este esforço. e o pouco apoio e participação das famílias dos alunos também são fatores que contribuem para a desmotivação do profissional". o problema é tão grave quanto nas escolas públicas. Antonio Rodrigues. os professores formadores não conhecem a escola pública. Para o sindicalista. três fatores explicam a falta de motivação dos professores. o que acaba por prejudicar os docentes". algo que não lhe foi apresentado nos cursos de formação. "De modo geral. Mozart Neves Ramos. o que impede uma prática docente de qualidade. Terezinha Saraiva compartilha da mesma opinião. Essas são as principais causas. por conta do uso da internet e de outras tecnologias. Todas as mazelas da sociedade são discutidas na escola. também existe uma sobrecarga imensa do ponto de vista das tarefas que são atribuídas aos docentes. As universidades. Se há um quadro mais favorável nas grandes escolas. afirmou. E professores têm tarefas múltiplas. Para o diretor do Sindicato dos Professores do Município do Rio e Região (Sinpro-Rio). "A questão salarial. as condições de trabalho e de formação. de um lado. deveriam conhecer mais a realidade da educação básica. "É falso o discuso de que docente tem melhores condições de trabalho nas escolas particulares. Ex-secretária de educação do Rio de Janeiro. Para o presidente executivo do movimento Todos Pela Educação. instituições formadoras. A baixa auto-estima também contribui para esse quadro. o despreparo para lecionar a alunos ‘reais’.Educadores explicam a desmotivação de professores Recente pesquisa realizada pelo Instituto Ibope e o Movimento Todos pela Educação revelou que o maior problema da Educação no Brasil é a existência de professores desmotivados e mal pagos. os baixos salários e as turmas com excesso de alunos são as principais causas que levam à desmotivação dos docentes. de outro. salientou Antonio Rodrigues. de outro". salientou o sindicalista. as escolas apresentam péssima infra-estrutura. A descoberta de que a carreira escolhida não lhe traz satisfação pessoal e realização profissional. Infelizmente. "A escola de hoje discute desde educação sexual à educação para o transito. na rede privada. Isto além de um currículo obrigatório que sobrecarrega.

a razão para a incidência da síndrome está ligada. Isso porque o foco é sempre motivar os alunos! Aí a cobrança interna fica também bem maior. O Burnout em professores pode ser caracterizado por um estresse crônico produzido pelo contato com as demandas do ambiente acadêmico e suas problemáticas. "Existem problemas que estão muito além da ação direta dos professores. dos alunos e da própria sociedade. "Acredito que a situação de maior estresse para o professor continua sendo a indisciplina em sala de aula. abaixo. a sensação de impotência é mais acentuada". o posicionamento dos alunos em sala de aula também contribui para um maior desgaste. pensar sempre como motivar os alunos. é um dos maiores agentes para a ocorrência do Burnout".podem ser em meses para uma situação de estresse e desmotivação. pôde ser identificada em outras profissões. do professor da UnisantïAnna. Com o passar do tempo. Além disso. Um exemplo disso é o depoimento. Muito além deste tradicional ciclo. Para a pesquisadora. porém. ocasionando sintomas físicos. "A desvalorização do professor. a indisciplina é a grande responsável por uma eventual sensação de frustração e até a desmotivação do profissional. explica. De acordo com a pesquisadora do Laboratório de Psicologia do Trabalho da UnB (Universidade de Brasília). afetivos e cognitivos. especialmente aquelas que se interrelacionam com outras pessoas para o desempenho de sua função. de São Paulo. seja ela por parte do sistema. no caso do professor. Iône Vasques-Menezes. caracterizada por um estado de atenção intenso e prolongado com pessoas em situação de necessidade e dependência. e vem uma certa sensação de fracasso quando os resultados esperados não são atingidos. Fernando Pachi.Estresse do professor 29/05/2006 Síndrome de Burnout é uma das causas do esgotamento profissional de docentes Mais| Com a aproximação das férias é comum o sentimento de cansaço e fadiga. sobretudo. interromper a aula. entre elas a de professor. que tem sido apontado como uma das maiores vítimas do estresse profissional. não são raros os professores que se queixam da falta de interesse dos alunos e assumem a culpa por este fato acreditando que deveriam dominar as mais diferentes técnicas para estimular o aprendizado. Mediar a relação com os alunos fica dez vezes mais desgastante em situações em que você tem de chamar a atenção. quando o curso não corre bem. ou seja. Tudo isso contribui ao longo do tempo . Nestes casos. Em muitos casos. comportamentais. especialmente aquelas que não dependem apenas da ação dos docentes para serem resolvidas. ambos resultados do esgotamento físico e psicológico do ser humano. revela. A Síndrome de Burnout é causada por circunstâncias relativas às atividades profissionais. Inicialmente foi observada em trabalhadores da área da saúde que desempenham uma função assistencial. principalmente onde há uma situação de degradação do sistema. mais conhecido como Síndrome de Burnout. erguer o tom de voz. cada vez mais pessoas têm sofrido com o estresse profissional. Um bom exemplo disso é o professor. à falta de reconhecimento. . Segundo Iône.

lembra Iône. "Farber. é importante estar atento a esta síndrome. a fase de apatia. Neste último caso. além de trabalhar a informação sobre os aspectos de sua carência como profissional. que reagem a este desequilíbrio trabalhando ainda mais. com expectativas excessivas a respeito do trabalho. identificação de pensamentos negativos. por fim. a pesquisadora destaca a importância de treinar habilidades de auto-controle. seja ele bom ou ruim. ou seja. atitudes negativas frente ao trabalho. . o Burnout pode causar ainda complicações de saúde decorrentes do stress crônico e deterioração da qualidade de vida. um dos pesquisadores do Burnout discute como tema central deste sofrimento a discrepância entre o que o trabalhador investe no trabalho e aquilo que ele recebe. utilização de apoio social com a equipe. voltamos à questão do não reconhecimento e desvalorização do professor". "Estas seriam algumas das alternativas para combater o estresse profissional na busca pelo bem-estar e melhor qualidade de vida". médio ou superior. O peso do Burnout O fato mais curioso na síndrome de Burnout é que ela atinge trabalhadores motivados.por conta de uma "interação em sala de aula mal resolvida". porque além do esgotamento psicológico. Por isso. Segundo Iône. tem sido freqüente a incidência de casos do Burnout . embora ainda em menor escala do que no ambiente escolar. fase de progressivo estancamento e queda a respeito das expectativas iniciais. O modelo de progressão do Burnout é composto pelas seguintes etapas: a fase de idealismo e entusiasmo. encerra.ainda que os professores não possam ser considerados os únicos responsáveis pelo desempenho de uma turma ou de determinados alunos. ? importante destacar que os alunos também desempenham um papel de extrema importância no aprendizado. controle do estresse. decepção e frustração e. sejam estes de ensino fundamental. (Leia mais no link "Orientador e não detentor único do conhecimento"). Com isso. ou seja. despersonalização dos profissionais e disfunções no desempenho profissional. os resultados obtidos.

são indispensáveis no trabalho docente. Traz exemplificações de atitudes utilizadas pelos professores que induz os alunos para um quadro intimidante de desmotivação. 249). a . INTRODUÇÃO Vários especialistas têm alertado para a importância dos aspectos afetivos e emocionais na prática pedagógica. conquistar a disciplina. Segundo Masseto (1996) O sucesso (ou não) da aprendizagem está essencialmente na forte relação afetiva existente entre alunos e professores. Relações pessoais. através da relação que se estabelece. Os aspectos sócio-emocionais. Aspectos sócio-emocionais. no que diz respeito às relações de amizade e afetividade entre professor e aluno. 1. ao lado de outras que estudamos” (Libâneo. sempre respaldadas por embasamento teóricos e experiências reais vivenciadas por profissionais renomados. Disciplina.Desmotivação e indisciplina na relação professor e aluno por José Ginvaldo Abreu de Araújo RESUMO: este artigo apresenta uma revisão crítica sobre a atitude do professor em sala de aula. alunos e alunos e professores e professores. podendo assim. Mostra sugestões. uma vez que “fazem parte das condições organizativas do trabalho docente. Tem por objetivo proporcionar uma reflexão sobre a relação professor e aluno na conquista da motivação e da disciplina na escola. Aluno. Ensino-aprendizagem. PALAVRAS-CHAVE: Professor. Motivação.

irresponsável. Há muito tempo a escola utilizou a palmatória ou de chicote para castigar os indisciplinados ou os desmotivados. A autoridade do professor não pode deixar verter-se para o autoritarismo. 1994. Casos em que professores fizeram uso de métodos agressivos para conseguir a autoridade profissional aparecem com bastante intensidade. chegando a ponto tirar a . RELAÇÕES SÓCIO-EMOCIONAIS Quando o assunto é disciplina escolar. o professor mal-amado. através de expressões agressivas: “cala a boca”. burocrático. os professores sempre se queixam: “meus alunos não querem nada”. na capacidade de controlar e avaliar o trabalho dos alunos e o trabalho docente”. (P. “quero ver como você vai se sair na prova”. As queixas são muitas. (Libâneo. ou quase que nenhuma. mas poucas são. p. o professor incompetente. sempre com raiva do mundo e das pessoas. Para conquistar a disciplina dos alunos os professores têm usado de imposições. o professor licencioso. as preocupações em descobrir as causas da indisciplina de seus alunos. frio. racionalista. A relação entre professor e aluno não está livre de conflitos. 73). sério. como se a conquista da autoridade viesse de imposições inadmissível e de humilhações dos alunos. mas a autoridade do professor não pode transformar-se em autoritária. no tato em lidar com a classe e com as diferenças individuais. “os alunos estão cada vez mais indisciplinados”. “fulano só quer brincar”. A escola sempre tem utilizado de agressões físicas e ou morais na conquista da motivação ou da disciplina de seus alunos. indisciplinado. “Se você estivesse prestado atenção. Segundo Paulo Freire (1996): “O professor autoritário. o professor competente.motivação e a obtenção dos resultados delineados no planejamento. Esses aspectos quase que não são levados tão a sério pelos professores. considerado pelo professor. teria passado na prova”. Os professores sempre responsabilizam os alunos pelos fracassos.252). 2. nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca”. justificando: “tirou nota baixa porque brincou”. “A autoridade profissional se manifesta no domínio da matéria que ensina e dos métodos e procedimentos de ensino. o professor amoroso da vida e das gentes. e até atribuir uma nota ao aluno por ter apresentado um comportamento. “no dia da prova você me paga”.

cobrados a um desempenho para o qual não foram suficientemente preparados. “respeito se conquista. que serei tão melhor professor quanto mais severo. Muitos são os casos em que os professores utilizam das benditas provas para ameaçar seus alunos de reprovação. Procura sempre um jeito de punir aqueles que consideram antipáticos.autonomia dos alunos. então como punição. Fazem intimidação dizendo que a prova será em breve e que eles não conseguirão realizar. é imprescindível no processo de ensino e aprendizagem. “autoridade e autonomia são dois pólos do processo pedagógico. . foi (ou é) um instrumento de preponderância dos professores. agravando os casos de indisciplina na escola. A prova. mais frio. Paulo Freire afirma: “Não é certo. o autoritarismo do professor. amantes de sua profissão. p. Segundo Libâneo. Não posso condicionar a avaliação do trabalho escolar de um aluno ao menor bem querer que tenha por ele”. O que não posso obviamente permitir é que minha afetividade interfira no cumprimento ético do meu dever de professor no exercício de minha autoridade. que aqueles conteúdos estão dados. mas de fato complementares”. que desenvolve com seus alunos um vínculo muito estreito de amizade e respeito mútuo pelo saber. ou. não se impõe”. divertidas.. quase que sempre. mais distante e “cinzento” me ponha nas minhas relações com os alunos [. no diálogo entre os sujeitos do processo. passam exercícios valendo nota. que por sua vez. 1996. Será que esta postura dos professores contribui de alguma forma para que obtenham o respeito e a disciplina que tanto desejam em sala de aula? Acredita-se que não exista aluno que resista a aulas dinâmicas. O professor comprometido com a produção do conhecimento em sala de aula.. da relação de amizade e para a solução dos problemas esteja no planejamento das aulas. sobretudo do ponto de vista democrático. Pois. objetiva e fácil de entendimento. com uma linguagem clara. se sentem castigados. A autoridade do professor e a autonomia do aluno são realidades aparentemente contraditórias. Penso que o melhor caminho para a conquista do respeito. para serem entregues no final da aula. (251). que “brincaram” ou “não faziam nada na sala” nas aulas. Muitas vezes. provoca a insegurança dos alunos. 159-60). injustiçados. como alguém já tem dito. (Paulo Freire.] A afetividade não se acha excluída da cognoscibilidade.

“A motivação dos alunos para a aprendizagem através de conteúdos significativos e compreensíveis para eles. deve dar-lhes atenção e cuidar para que aprendam a expressarse. a expor opiniões e dar respostas. O trabalho docente nunca é unidirecional. Refletir a prática em sala de aula. às dificuldades que encontram na assimilação dos conhecimentos. As respostas e as opiniões dos alunos mostram como eles estão reagindo à atuação do professor. que não investe na sua formação e que. Pois. desmotivação e desinteresse na classe. mas também ouve os alunos. replanejando suas aulas é intrinsecamente indispensável na conquista da motivação dos alunos. assim como de métodos adequados. (1994. Se estes estiverem envolvidos nas tarefas diminuirão as oportunidades de distração e de indisciplina”. p. a relação com os alunos. 1996.250). a metodologia empregada. distantes das reais necessidades dos alunos.Nas palavras de Libâneo: “O professor não apenas transmite informação ou faz perguntas. tem mais é que produzir um quadro de indisciplina. é fator preponderante na atitude de concentração e atenção dos alunos. (Zabala. um profissional não comprometido com o seu trabalho. que resistem às mudanças. reproduz o que fizeram seus professores. repetindo os mesmo conteúdos. p. Assim sendo. com suas aulas monótonas e repetitivas. 253) . Servem também para diagnosticar as causas que dão origem a essas dificuldades.

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