DIFICULDADES NA ESCOLA A desmotivação de uma criança ou um adolescente na sala de aula pode ter diversos motivos.

Verificar as possibilidades e agir na correção é tarefa de pais e educadores. Uma amiga me disse que sua filha está muito desmotivada na escola e que os professores são muito chatos. Como ajudar nessa situação?As causas da desmotivação podem ser de quatro origens diferentes. A primeira respeito à possibilidade de alguns professores estarem extremamente expositivos, ou seja, focam suas aulas em conteúdo e não deixam espaço para a criação. O aluno permanece muito passivo, copia muita matéria sem possibilidade de criar, de se manifestar, de discutir, debater, de ser autor. Com professores desse tipo, até os mais “caxias”, ou “nerds”, não tem vontade de estudar. Nesse caso, converse com a orientação pedagógica de sua escola para que oriente os professores quanto à metodologia mais adequada. A segunda origem possível é a da superproteção da família (pai ou mãe) que não permite o desenvolvimento da autonomia, da persistência e da independência. A criança fica sempre esperando que as soluções sejam dadas por alguém, como a mãe, o pai, o próprio professor, etc. Se a escola estiver exigindo, cobrando, solicitando trabalho, a criança desiste, pois se sente cobrada acima de suas possibilidades (ou pelo menos, acima do que ela acha ser possível). Nesse caso, procure incentivar a autonomia, as decisões, assumir desejos, etc. A terceira possibilidade é a de origem interna, como alguma dificuldade de atenção, concentração, ou qualquer outro motivo relacionado ao funcionamento de seu corpo, de seu cérebro. Como exemplo, podemos ter casos de Depressão, de Déficit de Atenção ou alguma outra dificuldade fisiológica, ou seja, de funcionamento do corpo ou cérebro. Para essa terceira origem, é necessária a avaliação de um profissional da área, um neuropediatra, psicopedagogo ou psiquiatra. Não deixe para depois. Se a origem da dificuldade for médica, a medicação pode fazer um grande bem para sua filha. Entretanto não vá logo medicando. Busque uma segunda opinião. A quarta possibilidade é o ”bullying”. É uma espécie de assédio moral com foco na coerção, ameaças, chantagens, perseguições, humilhações e desvalorização que a menina

pode estar sofrendo no dia-a-dia da escola por colegas da turma. Muitas vezes um grupo de crianças, ou de adolescentes, escolhe alguém para servir de “saco de pancada” desse grupo. As conseqüências desse tipo de comportamento afetam diretamente a vontade de estudar. Algo precisa ser feito e de forma urgente. Essas crianças, as agressoras e a vítima precisam de ajuda. Precisam de orientação para que possam aprender os valores mais significativos da vida. Entre em contato com a escola e, juntos, criem soluções para que o Bullying não ocorra mais, nem com a menina, nem com outras crianças.

pois. são peças fundamentais na realização de mudanças em nível profissional e comportamental. ao utilizarmos tal critério. e tantos outros cujas atitudes pessoais que jamais passarão despercebidas pelos alunos). tomamos por base de nossas observações a relação professor-aluno. nossos melhores amigos. relações pessoais. “O professor autoritário. o . adotamos por técnica a observação..99) Com o objetivo de realizar uma pesquisa em campo.. que planeja suas aulas e investe na continuidade de sua formação. fazemos parte e formamos grupos com pessoas das mais diversificadas crenças.. p. Palavras-chave: crítica. uma triste realidade. revisão.” (1996. nosso respeito. conseguimos construir a nossa personalidade e interagir com o universo. eliminados. Portanto. p.. controle da indisciplina4 através do medo. são exemplos de companheirismo e demonstram um sincero interesse pelo nosso bem-estar. embora complexas. observamos que. pois conquistaram nossa confiança. autoritarismo5 . Se as relações humanas. de como tais problemas poderiam ser melhor administrados e. Desde muito jovens vivemos em sociedade.Aluno: Uma Revisão Crítica Por Denise de Cássia Trevisan Siqueira 23 de dezembro de 2004 Resumo: Como profissionais críticos e atuantes na área de ensino. como podemos ignorar a importância de tal interação entre professores e alunos? ELIAS destaca: “É por intermédio das modificações comportamentais da área afetiva que a escola pode contribuir para a fixação dos valores e dos ideais que a justificam como instituição social.. vivemos situações que nos constrangem ou enaltecem. aqueles que com suas críticas e conselhos. o “mãezona”. atualmente. se não o maior. Considerando tal abordagem. o crítico-reflexivo2. que vê o ato de lecionar apenas como um complemento de salário. aprendemos com nossos erros e acertos e. o professor licencioso. origens e personalidades. Graças a esse convívio no decorrer de nossas vidas. 55). métodos e técnicas de vários tipos de docentes (o autoritário1 . Nesse referencial. sempre respaldadas por embasamentos teóricos e experiências reais vivenciadas por profissionais renomados. impera um total descaso pelo ato de lecionar e aprender. a indisciplina em sala de aula é uma constante. “é uma excelente técnica de coleta de dados”. o permissivo3 . que embora critiquemos. pudemos perceber comportamentos. através de comparações. parafraseando CUNHA (1994. sério. este artigo têm como objetivo mostrar alguns dos problemas que constatamos no decorrer do processo ensino-aprendizagem e apresentar sugestões. desempenhos. o professor competente.Relação Professor . a dificuldade que os estudantes encontram em usar a linguagem escrita como elemento de reforço ou registro da fala. chantagens emocionais. e atos de violência escolar já fazem parte do nosso dia-a-dia. enfim tudo que promove o não-desenvolvimento cognitivo6 do discente. Portanto. um dos principais fatores que rege a motivação pelo aprender por parte do discente em formação. como uma revisão crítica de desempenho e atitude social. muitas vezes fazem parte de nosso discurso aos alunos: ameaças. melhoram certos aspectos e comportamentos negativos que apresentamos. professor. aluno. O ser humano é social por natureza. conseguem nos sensibilizar. Já não há mais o respeito mútuo entre discentes e docentes. sofremos desilusões. por que não. aliada à metodologia adotada pelo docente. muitas vezes.

irresponsável. sempre com raiva do mundo e das pessoas. 1996.] A afetividade não se acha excluída da cognoscibilidade. devemos nos lembrar de que a sala de aula não é apenas um lugar para transmitir conteúdos teóricos.2) Se por um lado é importante a existência de afetividade7 . tem sempre uma inelutável repercussão mais ou menos ampla. no comportamento e no pensamento dos alunos. ou melhor. a relação estabelecida entre professores e alunos constitui o cerne do processo pedagógico. por outro.” (1971. deve. e por mais claro. antes. Professores. fora da realidade. que poderá possibilitar ao indivíduo. para que ele não fique de recuperação). interpretar e transformar a sociedade e a natureza em benefício do bem-estar coletivo e pessoal. que desenvolvem com seus alunos um vínculo muito estreito de amizade e respeito mútuo pelo saber. p. idade e desenvolvimento mental. a aprendizagem e a pesquisa autônoma. mais distante e “cinzento” me ponha nas minhas relações com os alunos [. colocar-se na posição humilde de quem sabe que não sabe tudo. situações diferenciadas adotadas com um determinado aluno (como permitir que. p. mas sob um prisma mais direcionado à superproteção. educadores que. A nosso ver.professor incompetente. mais frio. o educador não pode colocar-se na posição ingênua de quem se pretende detentor de todo o saber. Professores que não medem esforços para levar os seus alunos à ação. reconhecendo que o analfabeto não é um homem “perdido”. entregue seu dever em data diferente da estipulada. burocrático. Portanto. . apenas norteadas pelo fator amizade ou empatia. comprometidos com a produção do conhecimento em sala de aula. por vezes. amantes de sua profissão. 1999. nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca. também. os educadores não podem permitir que tais sentimentos interfiram no cumprimento ético de seu dever de professor. Tão bem nos lembra GRISI: “Toda aula. ao respeitar no aluno o desenvolvimento que este adquiriu através de suas experiências de vida (conhecimentos já assimilados). a escrita. “Não é certo. confiança. que serei tão melhor professor quanto mais severo. de aquisição de uma mentalidade científica lógica e participativa. seja qual for o objetivo a que vise.. racionalista." (FREIRE. restrito. mas alguém que tem toda a experiência de vida e por isso também é portador de um saber. “Para por em prática o diálogo. pois ambos (professores e alunos) podem ensinar e aprender através de suas experiências. o professor amoroso da vida e das gentes.73) Como o ensino não pode e não deve ser algo estático e unidirecional. são fundamentais. frio. o professor mal-amado. p.159-60) Outro reflexo desse aspecto (excesso de afetividade). à reflexão crítica. uma vez que essa relação é uma “rua de mão dupla”.” (FREIRE. O que não posso obviamente permitir é que minha afetividade interfira no cumprimento ético de meu dever de professor no exercício de minha autoridade. ou melhorar a nota deste. inquietas. empatia8 e respeito entre docente e discente para que melhor se desenvolva a leitura. ao questionamento e à descoberta são essenciais. que este se apresente. são imprescindíveis. sem justificativa coerente. 1996. à curiosidade.91) Professores. em resumo.. preciso. Não posso condicionar a avaliação do trabalho escolar de um aluno ao maior ou menor bem querer que tenha por ele. sobretudo do ponto de vista democrático. a reflexão. p. bem orientado. É impossível desvincular a realidade escolar da realidade de mundo vivenciada pelos discentes. é. local de aprendizado de valores e comportamentos. não deveriam fazer parte das atitudes de um “Formador de Opiniões”. geralmente pode ser observado em salas de ensino fundamental da quinta série: crianças indisciplinadas.” (GADOTTI.

dando mais atenção à criança que é mais mimada. não são raros dentro de uma sala de aula. Outro fator que incomoda. portanto. ao invés de deixá-los descobrir o erro. atentarmos quanto a nossas atitudes. tornamo-los excessivamente dependentes. sempre podemos presenciar situações em que muitos professores. chegam a humilhá-los. é a disciplina. grande parte dos Amantes do Saber. Esse profissional. o professor precisa aprender a combinar autoridade9 . Página 2 de 3 Devemos. sentados nas primeiras carteiras. para serem entregues no final da aula. pedagogicamente questionáveis: fazem imposições sem fundamento. durante a infância. fazem ameaças dizendo que a prova será em breve e que eles não a conseguirão realizar. Agindo assim não estamos permitindo que os alunos adquiram autonomia em seus atos e. não raras vezes. ameaçam os alunos e. que aquele conteúdo está “dado”. e muito. Outros. geralmente intimida os discentes a prestarem atenção. pois. mas porque temem “perder” a amizade do professor. a ausência dessa. no entanto. tais como: anotar os deveres nas agendas dos alunos.” (ELIAS. ou. mas. É fato que durante esse estágio da vida as crianças estão passando por uma fase de adaptação (transição da quarta para a quinta série) e que tudo que é novo causa certo medo e ansiedade. ainda que o docente necessite atender um aluno em particular. e ministra suas aulas sem se importar que haja alunos que não estão acompanhando o seu raciocínio. claramente. infelizmente. quando eles não conseguem obtê-las. Além disso. não raras vezes. o que nos chama a atenção é a total falta de organização e senso de responsabilidade que muitas vezes tais crianças apresentam. Por inúmeras vezes nos deparamos com docentes que ao ouvirem conversa durante a aula gritam com os estudantes. enquanto educadores. respeito e afetividade. simplesmente ignoram tal fato. não por conscientização de tal necessidade. como um “general”.. o motivo de tal reação é a falta de autoridade e proteção excessivas. deve respeitar a individualidade e a liberdade que esses trazem com eles. ao mesmo tempo que estabelece normas. demonstrando. no mínimo. para neles poder desenvolver o senso de responsabilidade. e nos utilizarmos da chantagem emocional para obter a disciplina na sala de aula – os alunos geralmente obedecem. em nome da autodisciplina10 .] A falta da prática de pensar.32) Para exercer sua real função. ou está doente. como punição. 2000. é normal e até esperado que esse período provoque alguns problemas disciplinares no início. “O ideal consiste em que a criança aprenda por si só. Sua atenção está voltada apenas para alguns poucos alunos que. tomam atitudes. ocultas em atitudes inconscientes.arrogantes e revoltadas.. centralizar a resolução de todos os problemas em nós mesmos. ou melhor. que estão mais preocupados em cumprir o conteúdo curricular planejado para aquela aula. portanto. Quando . deixando bem claro o que espera dos alunos. Casos em que o professor assume uma postura autoritária e acredita que distanciamento hierárquico é sinônimo de respeito. passam exercícios valendo nota. a interação deve estar sempre direcionada para a atividade de todos os alunos em torno dos objetivos e do conteúdo da aula. então. isto é. em lugar de deixar que eles o façam. ou indisciplinada. do que em descobrir o porquê da falta de interesse e da indisciplina da maioria dos seus alunos. retira dela essa faculdade para o resto da vida. fornecer as respostas dos exercícios. que a razão dirija a própria experiência [. p. olham-no atentamente.

mas como fonte de inspiração para que continuemos a buscar um melhor caminho para chegarmos ao coração e à mente de nossos alunos. utilizando mais a explanação verbal do que a lousa (vista como um suporte.. não se impõe. a expor opiniões e dar respostas. Convém salientar que essas “disputas” entre mestre e discípulos pouco ou nenhum resultado prático trazem.. mas também ouve os alunos. reflete um profissional não comprometido com o seu trabalho. Um aluno jamais deve permanecer passivo e. à incapacidade de refletir. (1994. e o diálogo11 é o melhor caminho para a solução de problemas. Deve dar-lhes atenção e cuidar para que aprendam a expressar-se.algum dos supostamente desinteressados faz alguma pergunta. alguma informação mais importante). respeito se conquista. Cansam porque acompanham as idas e . tornam as explicações dadas pelo docente. assim como a de muitos outros que encontramos no nosso dia-a-dia. A forma como ele conduz a aula deve despertar a curiosidade pelo ouvir e aprender. à falta de interesse.. “. Será que essa postura docente contribui de alguma forma para que um professor obtenha o respeito e a disciplina que tanto deseja em sala de aula? Em nosso entender. dessa forma. torna-se apenas uma projeção do que foram seus professores. mesmo que as respostas dadas sejam incompletas ou incorretas. não é? Vamos ver se amanhã você já conseguiu se recuperar da amnésia”. Vale a pena continuar ressaltando a atuação de alguns professores.250) Segundo MASSETO (1996). Assim sendo. à indisciplina. objetiva e de fácil entendimento. Assim sendo. Valeu a tentativa!”. linguagem clara. segundo opinião unânime dos alunos. ou o entrega ao professor antes do término do período. p. enquanto fala. que não investe suficientemente na sua formação e que. ou não o faz. o sucesso (ou não) da aprendizagem está fundamentado essencialmente na forte relação afetiva existente entre alunos e professores. O trabalho docente nunca é unidirecional. uma aula motivadora. o bom professor é o que consegue. ou “Esqueceu.. ou é ignorado. pois um aluno que é retirado da sala de aula por comportamento inadequado e encaminhado à biblioteca para realizar uma pesquisa sobre o tema da aula. de conhecimento dos alunos. criar e problematizar situações que poderiam auxiliar na construção de seu conhecimento e caráter. Servem também para diagnosticar as causas que dão origem a essas dificuldades. os induz à desmotivação. ou recebe como resposta: “Se você estivesse prestando atenção. podemos dizer que a atitude deste professor. sempre associando o tema em questão a situações atuais. essa não deveria ser uma constante entre professores e alunos. divertidas. alunos e alunos e professores e professores. portanto. distantes das reais necessidades dos alunos. às dificuldades que encontram na assimilação dos conhecimentos. Aulas dinâmicas. teria entendido”. de forma resumida. As respostas e as opiniões dos alunos mostram como eles estão reagindo à atuação do professor. E por falar em indisciplina. repetindo o mesmo currículo de seus antecessores. Seus alunos cansam não dormem. trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. Sua aula é assim um desafio e não uma ‘cantiga de ninar’. e que. não como modelo inquestionável de docência. fazemos nossas as palavras de LIBÂNEO: “O professor não apenas transmite uma informação ou faz perguntas. apoio para registrar. resistente a mudanças e um praticante de aulas expositivas monótonas e repetitivas repletas de muita “falação”. o verdadeiro educador sempre deve fazer um comentário crítico construtivo: “Você quase conseguiu.

moral e técnica do professor. apesar das verdades. não têm receio de dizer que não conhecem a resposta.vindas de seu pensamento. a fim de estimular a aprendizagem. Um professor competente está sempre pronto a refletir sobre sua metodologia. "Boa técnica de motivação é ter uma conversa em particular com o aluno. que o professor é seu amigo e tudo está fazendo para ajudá-lo. por que não tentar eliminar rapidamente os poucos casos de conversa paralela durante a aula. p. pelo menos. ética. É imprescindível que ele sinta.128) De nada adianta falar sobre organização. isto é. 1992. Em que se procura explorar o sentimentalismo e também. Vale a pena ainda mencionar um outro aspecto relevante no que concerne à relação teoria-prática14 . Segundo MASCELLANI: “O educador que não se organiza de modo satisfatório para questionar as condições dentro das quais vive [. surpreendem incertezas.] não conseguirá sequer ter comportamentos autênticos diante daqueles que deve educar. correção de ..” (FREIRE. responsabilidade. a motivação13 dos seus alunos. chamando-o às suas responsabilidades. falar francamente com o aluno. os professores que melhor conseguem este controle são aqueles que dominam o conteúdo que ensinam. p. Então. de modo que cada um deles seja um ser consciente. pública e abertamente. e demonstram dedicação profissional. sua postura em aula.190) Relação Professor . senso de justiça. estão abertos ao diálogo. mas que a irão pesquisar e depois a trarão (e cumprem a promessa). se. Dessa forma. suas Um professor deve buscar um aperfeiçoamento constante. ter um carinho especial pela profissão que abraçou e saber utilizar sua autoridade com moderação e imparcialidade. diante dos alunos que estão colocados diante de si." (NÉRICI. continuar-se a fazer críticas. autônomo. entre todos os observados. na prática. manifestando sua curiosidade. a replanejar sua prática educativa. destinatários de sua ação educativa. no caso. não se reservar algum tempo para o aperfeiçoamento contínuo e utilizar-se dos horários das aulas para realizar tarefas estranhas àquele momento (atualização de diários. se necessárias.Aluno: Uma Revisão Crítica Por Denise de Cássia Trevisan Siqueira 23 de dezembro de 2004 Página 3 de 3 Estabelecendo um paralelo entre todas essas atuações. quando necessário.. adaptam seus métodos e procedimentos de ensino em função da necessidade de sua clientela. p. podemos afirmar que a disciplina em sala de aula está diretamente ligada ao estilo de prática docente. em particular. todos os alunos o cumprimentarão nos corredores e irão lhe pedir conselhos e orientações. competência12 e hábitos pedagógico-didáticos necessários à organização do processo de ensino. autonomia.” (1980. suas dúvidas. chamando a atenção dos envolvidos de forma humorada? Por que não conversar. caráter. 1996. possuem tato em lidar com as diferenças individuais em sala de aula. representada no exemplo que os professores dão. à autoridade profissional. ativo. não houver um planejamento15 das aulas.96) suas pausas. ou. com qualquer estudante que necessite de uma reprimenda maior? Certamente. competência e abertura de espírito. participativo e agente crítico modificador de sua realidade. contra colegas de trabalho.

Para que este hábito possa ser melhor cultivado. a conscientização de que em uma sala de aula não há aprendizado homogêneo e imediato. liberte-se e demonstre seu potencial. Relativo a aquisição de um conhecimento. 1.). Pedagogia Freinet – Teoria e Prática. 1996. Lúcia Maria Teixeira. pois requer a quebra de paradigmas16 . Ver ELIAS. Publicação: Revista Integração: Ensino=Pesquisa=Extensão da Universidade São Judas Tadeu. Engenheira Elétrica e Revisora da Editora Universidade São Judas Tadeu. 6. 2001. São Paulo: Editora Catálise. maio. imposição de forma dominadora. por julgarem-se cobrados a um desempenho para o qual não foram preparados. Afeição. gradativamente. o papel do professor deve ser a de um “facilitador de aprendizagem”. Dinéia. com a intenção de que ele. Aquele que permite que seus alunos pratiquem ou tomem atitudes despropositadas ou desrespeitosas para consigo ou para com seus amigos. não permitindo que o aluno problematize e descubra a resposta correta. muitas vezes. Marisa Del Cioppo. Ver FURLANI. 3. amizade. São Paulo: Papirus. não é uma tarefa que cumprem com prazer. Ver HYPOLITTO. simpatia. aquele que provoca no aluno um estímulo que o faça aprender a aprender. conjunto de fenômenos psíquicos que se . O conhecimento ideal é aquele que o transforma em um “cidadão do mundo”. e que uma postura crítica-reflexiva deve fazer parte do seu dia-a-dia. não admitindo contradições.2003. Aquele que usa com rigor a sua autoridade. o aluno deve obter conhecimento não apenas para ter na cabeça muitas informações que. A formação do Professor o Estágio Supervisionado. pois. acompanhando cada passo do aluno. na maioria dos casos. a percepção de que a formação continuada17 é uma necessidade. para que isso aconteça. o fornecer as respostas prontas. Aquele que está aberto a quaisquer sugestões e críticas que o ajudem a se repensar como profissional a fim de reformular e melhorar sua prática. 5. e. a percepção. professora de língua inglesa do Colégio da Polícia Militar e de língua portuguesa da Escola Técnica Estadual Camargo Aranha. 7. que a orientação do professor. 2. Tornar-se um professor facilitador não é uma tarefa fácil. Uso impróprio da autoridade. Ano IX. O prazer pelo aprender não é uma atividade que nasce espontaneamente nos alunos. Falta de controle sobre os próprios atos e desrespeito as limitações e anseios das demais pessoas. 1991. No entanto. Além disso. Autoridade do professor: meta.provas etc. é fundamental. Notas Texto orientado pela professora de Prática de Ensino / Estágio Supervisionado Dinéia Hypolitto do curso de Formação de Professores da Universidade São Judas Tadeu. acomoda-o e prejudica sua autonomia). mito ou nada disso? São Paulo: Editora Cortez. nº 33. 4. Denise de Cássia Trevisan Siqueira é bacharel em Letras e licenciada pelo Curso de Formação de Professores pela Universidade São Judas Tadeu. arbitrária e opressora. nunca vai utilizar. o aprender a não desistir. é necessário que o professor consiga despertar a curiosidade dos alunos e acompanhar suas ações na solução das tarefas que ele propuser (o não acompanhamento poderá fazer os alunos se sentirem inseguros na realização da atividade proposta.

9. (RODRIGUES e ESTEVES. Ato de estimular o aluno com a finalidade de tornar a aprendizagem mais produtiva. 16. Erramos muito mas podemos posturas diferentes em relação aos nossos erros: Negação Aprendizado Reflexo Na negação. Não adianta nem me mostrarem provas concretas de meu erro. No reflexo eu erro sim.197). Planejamento: Plano de Ensino – Aprendizagem e Projeto Educativo – elementos metodológicos para elaboração e realização. P. Regina Célia Cazaux. que tem por encargo fazer respeitar as leis. tiro conclusões e tento evitar o que fez meu barquinho naufragar na primeira tentativa. pela tomada de consciência das exigências da vida pessoa e social. São Paulo: Ática.. como você deve imaginar. No aprendizado eu uso uma experiência negativa.. de tomar decisões. porque eles não têm educação nem interesse em aprender… e por aí vai. e pela busca da autonomia através da atividade livre”. Libertad. Comunicação. 14. “É preciso falar. Se errar de novo em outro ponto faço o mesmo e assim vou. Práticas de Ensino – Subsídios para a Atividade Docente. tanto quanto possível. São Paulo. pondera. porque não há recursos para que eu possa despertar o interesse deles.manifestam sob a forma de emoções. Tendência para sentir o que sentiria caso se estivesse na situação e circunstâncias experimentadas por outra pessoa. eu vou dizer que não errei e pronto. que tem influência e age. de agir. p. G. e apenas dizer o que é impossível fazer. 17.” (ROUSSEAU. as habilidades práticas e as atividades dos professores na busca de maior eficácia na educação dos alunos”. competente é aquele que julga. 8. através do contato com a realidade e da interação com os outros. 1996. através de ações. sentimentos e paixões. analiso-a.. sendo sempre a culpa exterior. 15. “ Conjunto de princípios e regras elaborado livremente pela pessoa. 1990. “Atividades formativas que ocorrem após a certificação profissional inicial. exposição de idéias através de perguntas e respostas entre duas ou mais pessoas. Competência segundo o Dicionário Aurélio: qualidade de quem é capaz de apreciar e desenvolver certos assuntos. 10. avalia. 12. 7ª ed. Curso de Didática Geral. 1993. p.1997. Celso dos Santos. Ver ZÓBOLI. Meus alunos estão desmotivados porque o governo tem uma grade curricular incompatível com a realidade deles. que visa principal ou exclusivamente melhor os conhecimentos. Sempre vou encontrar um motivo para justificar meu erro. São Paulo: Editora Ática. e interiorizados pela aprendizagem. 1995. VASCONCELLOS. Modelos. padrões. (HAYDT. acha a solução e decide.66) 11.. errando e aprendendo com meus erros. de se dar ordens. Direito ou poder de se fazer obedecer. 13. mas a culpa é sempre de outra pessoa. ela nunca está em mim.44).. . Errar é humano e atribuir o erro a outra pessoa é mais humano ainda. eu erro e continuo jurando até a morte que estou certo.

Dizer que um aluno é o culpado por não aprender é mais ou menos como se um médico fizesse um tratamento e como o doente não sarasse. eu fiz o que tinha que fazer. que por ele estar insatisfeito também não irá conter nada de especial que desperte o interesse dos alunos. Um professor insatisfeito com a escola. Eu tenho a faca e o queijo na mão. falemos em responsabilidades. Então eu sou o profissional. Pelo que estão me pagando está até bom demais. ainda que ideologicamente situada e contextualizada num país que não Portugal. Vou dar o arroz com feijão e olhe lá. Então voltemos a responsabilidade.” O profissional é quem aprende todas as técnicas e procedimentos para que o “tratamento” seja um sucesso. com a profissão. Eu sou o profissional que se especializou para dar essa informação e formá-lo da melhor maneira possível. A responsabilidade é minha de criar meios e um ambiente favorável para que ele sinta-se motivado. introduz a temática a partir de considerações tecidas sobre as grandes transformações ocorridas nos diferentes . a culpa nunca será dele e sim do profissional que o tratou. traz-nos aportações interessantes sobre as causas da desmotivação dos professores. dissesse: “Não sarou porque não quis. com o salário ou com o que quer que seja irá passar toda essa carga emocional para os alunos durante sua aula. Se o doente morrer. Dividida em quatro capítulos.Não falemos em culpa. A Desmotivação dos Professores A presente obra. Tenho um aluno cuja formação depende de mim.

campos de actividade – política. Detendo-se nas dificuldades de análise da sociedade de hoje. (h) na ausência de uma verdadeira cultura democrática na vida das escolas. (f) no peso de iniciativas. (n) na falta de incentivos aos professores inovadores. propondo instituições educativas flexíveis e abertas. centra-se nas dezasseis razões da desmotivação docente (capítulo 3) e conclui “rompendo os muros”. referiremos algumas das razões que aponta para a “crise” da educação: a sua obrigatoriedade e a massificação que não teve em consideração que as instituições educativas tinham sido pensadas para as elites. por parte da administração educativa. (j) nas dificuldades de relacionamento com as famílias. economia. As causas da desmotivação dos professores. (g) na falta de serviços de apoio e na eficácia da inspecção escolar. (l) num ambiente social de cepticismo. confrontados com uma cultura escolar que se pretendia uniforme. (d) na concepção tecnocrática do trabalho docente. que tem a ver com a rapidez das transformações em todos os campos do conhecimento. no dizer do autor. radicam (a) na incompreensão das finalidades dos sistemas educativos. (b) na formação inicial deficitária. no âmbito da informação cultural. é criticada a instituição educativa “neoliberal”. Jurjo Torres Santomé. cujo discurso passa por conceitos como “qualidade”. (p) na maior . (c) na “pobreza” das políticas de actualização cultural e psicopedagógica dos professores. “competitividade” e “excelência”. submetida às leis da oferta e da procura. com a celeridade das inovações na área das tecnologias da informação e da comunicação. modelos curriculares integrados. (m) no avanço de políticas mercantilistas e utilitaristas. relações sociais e laborais – às quais subjazem um cenário de globalização. (k) na existência de um clima político e social que responsabiliza unicamente a classe docente pela qualidade da educação. em que as actividades extracurriculares ocupem o seu lugar em projectos de escola e de turma (capítulo 4). passa pelas dificuldades da análise do presente (capítulo 1). com identidades culturais e linguísticas distintas. de superficialidade e de banalização. o avanço das ideologias e o desmoronar das certezas dogmáticas. cultura. e com as múltiplas reformas educativas promovidas com escassa implicação da classe docente. que são apontadas. a diversidade dos alunos. de tipo burocratizante. Professor Catedrático da Universidade da Corunha. do tempo e dos recursos materiais e humanos”. (i) nos problemas de comunicação com os alunos. e pelas intenções de destruição do ensino público (capítulo 2). (o) na contínua ampliação das funções cometidas aos professores. “uma sociedade em crise”. no âmbito do qual as instituições educativas carecem de uma “reconceptualização do espaço. Em relação às “intenções de destruição do ensino público”. com abandono do discurso político. (e) na existência de currículos obrigatórios sobrecarregados de conteúdos.

dando lugar a projectos curriculares integrados. Esta obra encerra. uma comunidade educativa englobante de todas as vivências educativas dos educandos e educadores. que. ou princípio ecológico. que coincidem no essencial. . cujo factor estruturante situacional é o projecto. defende-se a necessidade da criação de estruturas educativas mais flexíveis e da existência de maior coordenação entre as actividades curriculares e extracurriculares. que passa pela articulação entre as actividades curriculares e extracurriculares. Em “Derrubando os muros”. e cuja comparação recomendamos a todos os nossos leitores. Apraz-nos registar a sintonia entre estas duas propostas. capazes de romper a rigidez dos actuais espaços e tempos lectivos. uma proposta de flexibilização e de abertura das instituições educativas. presidida pelo princípio da codeterminação educativa. planificada. presidida pelo princípio da sobredeterminação dialéctica educativa. das actividades educativas das dimensões curricular e extracurricular. Torna-se extremamente interessante verificar a sintonia desta proposta. com uma outra. ex-Reitor da Universidade de Évora.visibilidade dos efeitos do trabalho dos professores. por Manuel Ferreira Patrício. geradora de uma nova realidade pedagógica. que vem sido defendida. numa sociedade global. presidida pelo princípio da heterodeterminação educativa. presidida pelo princípio da autodeterminação educativa. em permanente evolução. entre nós. a dimensão interactiva. e a dimensão global. com percursos diferenciados. partindo das ideologias de esquerda. defendidas por personalidades distintas. defende o conceito de educação integral e emancipadora. desde os anos 80 – a pluridimensionalidade estrutural da instituição escolar que comporte a dimensão curricular. a dimensão extracurricular. para além de uma sistematização cuidada das razões da desmotivação dos professores. que pressupõe a articulação horizontal.

Hoje há exigência maior e não basta saber só a disciplina que ensina". salientou o sindicalista. As universidades. Essas são as principais causas. Para o presidente executivo do movimento Todos Pela Educação. Isto além de um currículo obrigatório que sobrecarrega. Para o diretor do Sindicato dos Professores do Município do Rio e Região (Sinpro-Rio). "De modo geral. os baixos salários e as turmas com excesso de alunos são as principais causas que levam à desmotivação dos docentes. A descoberta de que a carreira escolhida não lhe traz satisfação pessoal e realização profissional. Mozart Neves Ramos. Ex-secretária de educação do Rio de Janeiro. "É falso o discuso de que docente tem melhores condições de trabalho nas escolas particulares. instituições formadoras. também existe uma sobrecarga imensa do ponto de vista das tarefas que são atribuídas aos docentes. alem da questão do uso de drogas. as escolas apresentam péssima infra-estrutura. E ela destaca as condições precárias para o exercício da profissão como algo que precisa ser revisto. de um lado. Para o sindicalista. e o pouco apoio e participação das famílias dos alunos também são fatores que contribuem para a desmotivação do profissional". o despreparo para lecionar a alunos ‘reais’. Antonio Rodrigues. o que impede uma prática docente de qualidade. de outro. algo que não lhe foi apresentado nos cursos de formação. . salientou Antonio Rodrigues. por conta do uso da internet e de outras tecnologias. Se há um quadro mais favorável nas grandes escolas. o que acaba por prejudicar os docentes". "A escola de hoje discute desde educação sexual à educação para o transito. três fatores explicam a falta de motivação dos professores. os professores formadores não conhecem a escola pública. e trabalham com turmas cheias e com um ganho financeiro que têm não corresponde a este esforço. Todas as mazelas da sociedade são discutidas na escola.Educadores explicam a desmotivação de professores Recente pesquisa realizada pelo Instituto Ibope e o Movimento Todos pela Educação revelou que o maior problema da Educação no Brasil é a existência de professores desmotivados e mal pagos. Infelizmente. afirmou. "A questão salarial. A baixa auto-estima também contribui para esse quadro. deveriam conhecer mais a realidade da educação básica. na rede privada. E professores têm tarefas múltiplas. as condições de trabalho e de formação. o problema é tão grave quanto nas escolas públicas. Terezinha Saraiva compartilha da mesma opinião. de outro".

caracterizada por um estado de atenção intenso e prolongado com pessoas em situação de necessidade e dependência. no caso do professor. do professor da UnisantïAnna. Tudo isso contribui ao longo do tempo . porém. é um dos maiores agentes para a ocorrência do Burnout". à falta de reconhecimento. especialmente aquelas que se interrelacionam com outras pessoas para o desempenho de sua função. a indisciplina é a grande responsável por uma eventual sensação de frustração e até a desmotivação do profissional. entre elas a de professor. ambos resultados do esgotamento físico e psicológico do ser humano.podem ser em meses para uma situação de estresse e desmotivação. A Síndrome de Burnout é causada por circunstâncias relativas às atividades profissionais. a razão para a incidência da síndrome está ligada. que tem sido apontado como uma das maiores vítimas do estresse profissional. Muito além deste tradicional ciclo. Em muitos casos. Com o passar do tempo. De acordo com a pesquisadora do Laboratório de Psicologia do Trabalho da UnB (Universidade de Brasília). Fernando Pachi. "A desvalorização do professor. dos alunos e da própria sociedade. não são raros os professores que se queixam da falta de interesse dos alunos e assumem a culpa por este fato acreditando que deveriam dominar as mais diferentes técnicas para estimular o aprendizado. abaixo. Mediar a relação com os alunos fica dez vezes mais desgastante em situações em que você tem de chamar a atenção. pensar sempre como motivar os alunos. Um exemplo disso é o depoimento. interromper a aula. cada vez mais pessoas têm sofrido com o estresse profissional. afetivos e cognitivos. sobretudo. Inicialmente foi observada em trabalhadores da área da saúde que desempenham uma função assistencial. seja ela por parte do sistema. e vem uma certa sensação de fracasso quando os resultados esperados não são atingidos. Nestes casos. pôde ser identificada em outras profissões. "Acredito que a situação de maior estresse para o professor continua sendo a indisciplina em sala de aula. comportamentais. Para a pesquisadora. quando o curso não corre bem. Iône Vasques-Menezes. revela. ocasionando sintomas físicos. ou seja. principalmente onde há uma situação de degradação do sistema. Isso porque o foco é sempre motivar os alunos! Aí a cobrança interna fica também bem maior. O Burnout em professores pode ser caracterizado por um estresse crônico produzido pelo contato com as demandas do ambiente acadêmico e suas problemáticas. "Existem problemas que estão muito além da ação direta dos professores. Além disso. Um bom exemplo disso é o professor. o posicionamento dos alunos em sala de aula também contribui para um maior desgaste. . a sensação de impotência é mais acentuada". de São Paulo. erguer o tom de voz.Estresse do professor 29/05/2006 Síndrome de Burnout é uma das causas do esgotamento profissional de docentes Mais| Com a aproximação das férias é comum o sentimento de cansaço e fadiga. especialmente aquelas que não dependem apenas da ação dos docentes para serem resolvidas. explica. mais conhecido como Síndrome de Burnout. Segundo Iône.

sejam estes de ensino fundamental. controle do estresse. além de trabalhar a informação sobre os aspectos de sua carência como profissional. fase de progressivo estancamento e queda a respeito das expectativas iniciais. um dos pesquisadores do Burnout discute como tema central deste sofrimento a discrepância entre o que o trabalhador investe no trabalho e aquilo que ele recebe. O modelo de progressão do Burnout é composto pelas seguintes etapas: a fase de idealismo e entusiasmo. lembra Iône. tem sido freqüente a incidência de casos do Burnout . Por isso. ou seja. atitudes negativas frente ao trabalho. despersonalização dos profissionais e disfunções no desempenho profissional. "Farber. Segundo Iône. é importante estar atento a esta síndrome. por fim. O peso do Burnout O fato mais curioso na síndrome de Burnout é que ela atinge trabalhadores motivados.por conta de uma "interação em sala de aula mal resolvida". porque além do esgotamento psicológico. embora ainda em menor escala do que no ambiente escolar. os resultados obtidos. Neste último caso. (Leia mais no link "Orientador e não detentor único do conhecimento"). encerra. que reagem a este desequilíbrio trabalhando ainda mais. a fase de apatia. utilização de apoio social com a equipe. "Estas seriam algumas das alternativas para combater o estresse profissional na busca pelo bem-estar e melhor qualidade de vida". a pesquisadora destaca a importância de treinar habilidades de auto-controle. médio ou superior. Com isso.ainda que os professores não possam ser considerados os únicos responsáveis pelo desempenho de uma turma ou de determinados alunos. ? importante destacar que os alunos também desempenham um papel de extrema importância no aprendizado. . o Burnout pode causar ainda complicações de saúde decorrentes do stress crônico e deterioração da qualidade de vida. identificação de pensamentos negativos. voltamos à questão do não reconhecimento e desvalorização do professor". decepção e frustração e. seja ele bom ou ruim. ou seja. com expectativas excessivas a respeito do trabalho.

Relações pessoais. INTRODUÇÃO Vários especialistas têm alertado para a importância dos aspectos afetivos e emocionais na prática pedagógica. PALAVRAS-CHAVE: Professor. Disciplina. conquistar a disciplina. 249). sempre respaldadas por embasamento teóricos e experiências reais vivenciadas por profissionais renomados. Os aspectos sócio-emocionais. ao lado de outras que estudamos” (Libâneo. Mostra sugestões. podendo assim. no que diz respeito às relações de amizade e afetividade entre professor e aluno. através da relação que se estabelece. Traz exemplificações de atitudes utilizadas pelos professores que induz os alunos para um quadro intimidante de desmotivação. Tem por objetivo proporcionar uma reflexão sobre a relação professor e aluno na conquista da motivação e da disciplina na escola. a . são indispensáveis no trabalho docente. Aluno. Motivação.Desmotivação e indisciplina na relação professor e aluno por José Ginvaldo Abreu de Araújo RESUMO: este artigo apresenta uma revisão crítica sobre a atitude do professor em sala de aula. alunos e alunos e professores e professores. uma vez que “fazem parte das condições organizativas do trabalho docente. Ensino-aprendizagem. Aspectos sócio-emocionais. 1. Segundo Masseto (1996) O sucesso (ou não) da aprendizagem está essencialmente na forte relação afetiva existente entre alunos e professores.

As queixas são muitas. irresponsável. nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca”. (P. burocrático. mas a autoridade do professor não pode transformar-se em autoritária. A escola sempre tem utilizado de agressões físicas e ou morais na conquista da motivação ou da disciplina de seus alunos.252). 1994. como se a conquista da autoridade viesse de imposições inadmissível e de humilhações dos alunos. o professor mal-amado. “os alunos estão cada vez mais indisciplinados”. “quero ver como você vai se sair na prova”. “fulano só quer brincar”. e até atribuir uma nota ao aluno por ter apresentado um comportamento. sempre com raiva do mundo e das pessoas. frio. “A autoridade profissional se manifesta no domínio da matéria que ensina e dos métodos e procedimentos de ensino. Casos em que professores fizeram uso de métodos agressivos para conseguir a autoridade profissional aparecem com bastante intensidade. justificando: “tirou nota baixa porque brincou”.motivação e a obtenção dos resultados delineados no planejamento. A relação entre professor e aluno não está livre de conflitos. através de expressões agressivas: “cala a boca”. “no dia da prova você me paga”. os professores sempre se queixam: “meus alunos não querem nada”. chegando a ponto tirar a . Segundo Paulo Freire (1996): “O professor autoritário. o professor amoroso da vida e das gentes. 73). teria passado na prova”. A autoridade do professor não pode deixar verter-se para o autoritarismo. mas poucas são. o professor licencioso. racionalista. considerado pelo professor. no tato em lidar com a classe e com as diferenças individuais. ou quase que nenhuma. (Libâneo. Os professores sempre responsabilizam os alunos pelos fracassos. o professor incompetente. Há muito tempo a escola utilizou a palmatória ou de chicote para castigar os indisciplinados ou os desmotivados. p. as preocupações em descobrir as causas da indisciplina de seus alunos. Esses aspectos quase que não são levados tão a sério pelos professores. Para conquistar a disciplina dos alunos os professores têm usado de imposições. RELAÇÕES SÓCIO-EMOCIONAIS Quando o assunto é disciplina escolar. 2. na capacidade de controlar e avaliar o trabalho dos alunos e o trabalho docente”. indisciplinado. sério. “Se você estivesse prestado atenção. o professor competente.

que aqueles conteúdos estão dados. Muitos são os casos em que os professores utilizam das benditas provas para ameaçar seus alunos de reprovação. como alguém já tem dito. injustiçados. Segundo Libâneo. (251). amantes de sua profissão. A prova. agravando os casos de indisciplina na escola. “autoridade e autonomia são dois pólos do processo pedagógico. que “brincaram” ou “não faziam nada na sala” nas aulas. Muitas vezes. o autoritarismo do professor. Fazem intimidação dizendo que a prova será em breve e que eles não conseguirão realizar. para serem entregues no final da aula. cobrados a um desempenho para o qual não foram suficientemente preparados. p. passam exercícios valendo nota. Procura sempre um jeito de punir aqueles que consideram antipáticos. (Paulo Freire.autonomia dos alunos. que desenvolve com seus alunos um vínculo muito estreito de amizade e respeito mútuo pelo saber. “respeito se conquista. que serei tão melhor professor quanto mais severo. mais frio. foi (ou é) um instrumento de preponderância dos professores. O que não posso obviamente permitir é que minha afetividade interfira no cumprimento ético do meu dever de professor no exercício de minha autoridade. divertidas. quase que sempre. mais distante e “cinzento” me ponha nas minhas relações com os alunos [.] A afetividade não se acha excluída da cognoscibilidade. Pois. ou.. que por sua vez.. Penso que o melhor caminho para a conquista do respeito. Será que esta postura dos professores contribui de alguma forma para que obtenham o respeito e a disciplina que tanto desejam em sala de aula? Acredita-se que não exista aluno que resista a aulas dinâmicas. se sentem castigados. da relação de amizade e para a solução dos problemas esteja no planejamento das aulas. Paulo Freire afirma: “Não é certo. no diálogo entre os sujeitos do processo. . mas de fato complementares”. sobretudo do ponto de vista democrático. é imprescindível no processo de ensino e aprendizagem. 1996. então como punição. Não posso condicionar a avaliação do trabalho escolar de um aluno ao menor bem querer que tenha por ele”. provoca a insegurança dos alunos. objetiva e fácil de entendimento. com uma linguagem clara. O professor comprometido com a produção do conhecimento em sala de aula. 159-60). não se impõe”. A autoridade do professor e a autonomia do aluno são realidades aparentemente contraditórias.

p. repetindo os mesmo conteúdos. com suas aulas monótonas e repetitivas. reproduz o que fizeram seus professores. a metodologia empregada. é fator preponderante na atitude de concentração e atenção dos alunos. mas também ouve os alunos. (Zabala. p.250). Assim sendo. Servem também para diagnosticar as causas que dão origem a essas dificuldades.Nas palavras de Libâneo: “O professor não apenas transmite informação ou faz perguntas. Se estes estiverem envolvidos nas tarefas diminuirão as oportunidades de distração e de indisciplina”. um profissional não comprometido com o seu trabalho. (1994. O trabalho docente nunca é unidirecional. a expor opiniões e dar respostas. replanejando suas aulas é intrinsecamente indispensável na conquista da motivação dos alunos. Refletir a prática em sala de aula. a relação com os alunos. Pois. que não investe na sua formação e que. deve dar-lhes atenção e cuidar para que aprendam a expressarse. tem mais é que produzir um quadro de indisciplina. distantes das reais necessidades dos alunos. As respostas e as opiniões dos alunos mostram como eles estão reagindo à atuação do professor. 253) . às dificuldades que encontram na assimilação dos conhecimentos. 1996. “A motivação dos alunos para a aprendizagem através de conteúdos significativos e compreensíveis para eles. desmotivação e desinteresse na classe. assim como de métodos adequados. que resistem às mudanças.

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