Você está na página 1de 19

Raízes

v.33, n.2, jul-dez /2013

TRAJETÓRIAS DE UM CONCEITO: A ECONOMIA MORAL DOS POBRES

Celso Gestermeier do Nascimento

RESUMO
O século XXI trouxe à tona novos movimentos sociais que fazem uma crítica severa ao sistema capitalista e ao pro-
cesso de globalização econômica, amparado pela ideologia neoliberal que floresce desde os anos de 1980. Neste ar-
tigo faremos a trajetória do conceito de Economia Moral dos Pobres, proposto pelo historiador Edward P. Thomp-
son nos anos de 1970 para pensar os motins de fome na Inglaterra no século XVIII, o qual, ao nosso ver, continua
útil para refletirmos acerca dos movimentos sociais recentes, como atestam o cientista político James C. Scott e o
antropólogo Marc Edelmann, mostrando que tal conceito não se restringe a estudos de história, mas também a so-
ciologia do século atual.

Palavras-chave: Economia Moral; Resistência Cotidiana; Movimentos Sociais.

PATHS OF A CONCEPT: THE MORAL ECONOMY OF THE POOR

ABSTRACT
The Twenty-first Century has brought about new social movements that make a severe criticism of the capitalist sys-
tem and the economic globalization process, supported by the neoliberal ideology that blooms from year 1980. In
this article we will focus on the trajectory of the concept of Moral Economy of the Poor proposed by historian Ed-
ward P. Thompson in the 1970s to think the hunger riots in England in the Eighteenth Century, which, in our view,
remains still useful to reflect on the recent social movements, as evidenced by the political scientist James C. Scott
and anthropologist Marc Edelmann, showing that such a concept is not restricted to history studies, but also to the
sociology of the present Century.

Key words: Moral Economy; Everyday Resistance; Social Movements.

Doutor em Sociologia. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Campina Grande (PPGCS
-UFCG). E-mail: celsogn@uol.com.br.

Raízes, v.33, n.2, jul-dez /2013


11
INTRODUÇÃO cem refletir um momento marcante da socieda-
de do século XXI.
O século XXI traz como principal carac- No entanto, muitas estratégias de opo-
terística um modelo de globalização que não se sição ao sistema capitalista, representado pelo
restringe apenas à esfera econômica, mas busca combate a seu mais importante instrumento, o
impor um modelo de sociedade a partir do viés livre mercado, podem ser encontrados em infi-
ocidental. Nesse sentido, diversos movimentos nitas variações há séculos. Neste caso em par-
sociais têm surgido para galvanizar as insatisfa- ticular pretendemos refletir acerca de atitudes
ções mundiais contra tal projeto e nos colocar que geralmente não são registradas pelos livros
questões importantes a serem pensadas na rela- de história, mas que servem de instrumento a
ção entre o local e o global. quem não se encaixa na elite do modelo econô-
mico, as classes subalternas – mas não só elas –
Uma das possibilidades de ação que
e têm legado um arsenal de formas de resistên-
muitos ativistas têm colocado em tela refere-se
cia durante esses anos.
a ações diretas contra instituições, consideradas
símbolos do modelo neoliberal, como recente- Nesse sentido, propomos refletir acerca
mente pode-se ver pelas ações do Movimento do conceito de Economia Moral proposto pe-
Passe Livre, ou mais particularmente dos Black lo historiador Edward Thompson e aprofunda-
Bloc, nas ruas das grandes cidades brasileiras. do pelo cientista político e antropólogo James
Por outro lado, a ação político partidária pare- C. Scott, professor do Centro de Estudos Agrá-
ce está descreditada no mundo todo, com o es- rios de Yale - que influenciou e continua a in-
tado-nação cedendo espaço para grandes cor- fluenciar muitos trabalhos acerca da domina-
porações multinacionais e, dessa forma, verifi- ção e da resistência de grupos dominados. Nes-
camos uma época de crise da democracia repre- se rastro que a utilização do conceito nos legou
sentativa, ao passo que projetos de democracia dialogaremos ainda com outros autores, brasi-
participativa ganham espaço no discurso dos ci- leiros e estrangeiros, notadamente o antropó-
tados movimentos sociais contemporâneos. logo Marc Edelman, da Universidade da Cida-
de de Nova York. Tal trajeto aponta para a im-
Uma opção que tem sido colocada junto
portância dos estudos interdisciplinares, tanto
às ações diretas é a resistência cotidiana, parti-
no campo das teorias, quanto das metodologias
cularmente em movimentos de ecologia e pre-
para que possamos refletir acerca da complexi-
servação ambiental, em que uma nova educa-
dade social que se apresenta no novo século.
ção para o ser humano do futuro passa pelo
respeito para com a natureza e oposição a pro- A defesa da existência de uma Economia
jetos de degradação ambiental. Dessa forma, Moral dos Pobres nos coloca face a face com
ouvimos cada vez mais termos como “desen- muitas ações contemporâneas que buscam en-
volvimento sustentável”, “respeito à biodiversi- frentar no cotidiano as premissas básicas do sis-
dade”, etc. Tais questões parecem se aliar a um tema capitalista e suas contradições, que pare-
combate mais direto, político, de enfrentamen- cem se tornar cada vez mais óbvias ante o pro-
to aos símbolos do sistema capitalista e pare- cesso de globalização econômica¹.
1 Utilizamos o conceito de globalização econômica para nos diferenciarmos de outro, globalização humana, que caracteriza os mo-
vimentos sociais mais recentes.
12
1. E. P. THOMPSON E A ECONOMIA MO- branco na vida da população pobre inglesa e a
RAL NA INGLATERRA DO SÉCULO XVIII recusa em se conformar com um pão grosseiro,
negro, visto até como “venenoso”.
No ano de 1971, Thompson traz à luz Para consolidar sua tese, o autor expli-
um trabalho que vinha executando desde 1963, ca como eram as normas do mercado até 1777,
intitulado Economia Moral da Multidão Ingle- quando primeiro os pobres compravam, de-
sa no século XVIII². Nesse trabalho o autor cha- pois – e somente depois – é que os comercian-
ma a atenção para a temática dos motins de fo- tes abastados tinham acesso ao produto, sendo
me e da ação da multidão na Inglaterra do sé- proibido o açambarcamento, a revenda, a com-
culo XVIII, alertando para o perigo da “visão pra antecipada, a retenção de produto no cam-
espasmódica” que retrata a gente comum co- po etc. Ou seja, havia toda uma legislação para
mo apenas reagindo a estímulos, no que se cha- controlar um mercado “paternalista”, impedin-
mou de “rebeliões do estômago”. Tal consta- do a “livre concorrência”, protegendo os mais
tação serve para o autor contestar uma “visão pobres e prescrevendo punições para os infra-
redutora do homem econômico”, perspectiva tores. O preço do trigo era usado para fixar-
teórica muito poderosa na época: se o preço do pão, segundo os dizeres da épo-
ca, a um “preço justo”, o que se espalhava para
Contra essa visão espasmódica, oponho mi- todos aqueles que lidassem com o produto, co-
nha própria visão. É possível detectar em mo os moleiros e os padeiros, que também de-
quase toda ação popular do século XVIII veriam ser remunerados “justamente”, sem lu-
uma noção legitimadora. Por noção de legi-
cros extorsivos.
timação, entendo que os homens e mulheres
da multidão estavam imbuídos da crença de
Tal situação passa a ser contestada por
que estavam defendendo direitos ou costu-
mes tradicionais; e de que, em geral, tinham fazendeiros, que buscam negociar fora do mer-
o apoio do consenso mais amplo da comu- cado valendo-se do sistema de amostragem –
nidade. De vez em quando, esse consenso quando se negociava sem o produto presente
popular era endossado por alguma autori- – o que começa a colocar em dúvida a transpa-
zação concedida pelas autoridades. O mais rência dos procedimentos do mercado:
comum era o consenso ser tão forte a ponto
de passar por cima das causas do medo ou
da deferência. (Thompson, 1998b, p. 152). Os paternalistas e os pobres continuavam a
se queixar da extensão das práticas do mer-
Thompson afirma que os conflitos por cado que nós, em retrospectiva, tendemos a
pão nos mercados ingleses do século XVIII não admitir como inevitável e “natural”. Mas o
que agora parece inevitável não era neces-
são simplesmente uma resposta óbvia ao pro-
sariamente aceito no século XVIII. Um fo-
blema da fome. Para tal, faz-se necessário per- lheto característico (de 1768) exclamava de
ceber a importância cada vez maior do trigo modo indignado contra a suposta liberdade

2 Este trabalho foi apresentado originalmente como The Moral Economy of the English crowd in the 18th – century. Past & Pre-
sent, 50, 1971. A edição que usamos foi Thompson (1998b).
13
de cada fazendeiro fazer o que bem quises- e padeiros começam a ter má fama: molestado-
se com o que era seu. Isso seria uma liberda- res de mulheres, ladrões, cúmplices de explora-
de “natural”, mas não “civil”. (Thompson, dores etc. As insurreições populares possuíam
1998b, p. 158).
objetivos bem claros e ações organizadas, por
exemplo, quando o preço do cereal estava mui-
É aqui que começa a se esboçar o centro
to elevado, a “turba” enfurecida podia atacar as
da argumentação de Thompson, pois se verifica
carroças dos comerciantes e tomar os produtos,
o rompimento do modelo paternalista ao mes-
pagando por eles o preço considerado justo e
mo passo em que cresce o ressentimento popu-
devolvendo as sacarias junto com as carroças a
lar que iria originar os motins. O novo modelo
seus donos. Em muitos casos exigia-se o cum-
de mercado é caracterizado pela lei da oferta e
primento do “Book Of Orders”3, destacando-se
da procura, estocagem, associação entre inter-
a moderação o que, segundo o autor, denota a
mediários e importadores, acompanhados pelo
exigência de regulagem de preços em épocas de
processo de cercamento dos campos e expulsão
escassez, como algo fundamental para a socie-
de camponeses. Pouco a pouco, o preço deixa
dade, chamando a atenção do autor para o fa-
de ser “justo” para ser visto como um sinal de
to de que nem sempre a violência está presente
exploração pelo produtor, que tinha como res-
e, quando está, é geralmente acompanhada por
posta os motins:
algum tipo de agravante ou de punição:

Na verdade, cresce a convicção de que o tu- (...) se quisermos questionar a visão espas-
multo popular contra os que faziam com- módica e unilinear dos motins da fome, bas-
pras antecipadas de grãos não era malvis- ta apontar esse motivo contínuo da intimi-
to pelas autoridades. Desviava a atenção dação popular, quando homens e mulheres,
das pessoas dos fazendeiros e dos que vi- quase a ponto de morrer de fome, ainda as-
viam de rendas, enquanto as ameaças vagas sim não atacavam os moinhos e os celeiros
das sessões trimestrais do tribunal contra os para roubar alimentos, mas para punir os
que compravam os cereais de antemão da- proprietários. (Thompson, 1998b, p. 182).
vam aos pobres a noção de que as autori-
dades estavam cuidando de seus interesses.
(Thompson, 1998b, p. 166). Cumpre notar os pormenores de toda a
negociação: avisos ameaçadores colocados nas
igrejas e estalagens, formação de multidões e
As ações dos açambarcadores são con- uso de tambores e trompas o que, para Thomp-
testadas pelos pobres, da mesma forma que son necessita de um baixo grau de organização,
cresce a visão de que as autoridades estão ca- formando um padrão que ele considera herda-
da vez mais “desatentas” e que muitos moleiros do4 e que, por repetir-se há séculos, deve de-

3 Uma compilação das regras de comércio foi forjada entre os anos de 1580 a 1630, cujos elementos centrais eram: inspeção de
estoques, especificação de quantidade a serem levadas para o mercado e a imposição de legislação.
4 Esse baixo grau de organização continuará a ser importante nos movimentos sociais que estudamos no século XXI e um dos ele-
mentos centrais do pensamento de James C. Scott.
14
monstrar eficiência5. Além disso, há ainda o fa- ros e negociantes se auto-impunham, ou pe-
to de que a ameaça contava, muitas vezes, com la compra de apoio de parte da multidão
a conivência de uma polícia indefesa e o horror em troca de subsídios e caridades. (Thomp-
son, 1998b, p. 192).
ao uso de força militar – que aumentaria a ira
do povo. Assim o melhor seria evitar o conflito:
Parece que tal padrão de protesto social
seria “genuína corrente subterrânea de moti-
Essas questões, como forma de prevenir os vação política articulada” (Thompson, 1998b,
motins, talvez fossem mais eficazes do que p.194). Entretanto, ele chama a atenção para o
se tem proposto: conseguindo levar os ce- fato de que tais eventos mostram o fim de uma
reais para o mercado, restringindo o au-
tradição e o começo de outra, onde a pressão
mento dos preços e intimidando certos ti-
pos de lucratividade. Além disso, a disposi- por salários, criação de ligas clandestinas, luta
ção para motins certamente funcionava co- pelo salário mínimo etc. seriam marcantes. Sem
mo um sinal para os ricos de que era preciso esquecer, também que as formas de organiza-
colocar em bom estado os mecanismos de ção – “antigas” – “dependiam de um conjunto
assistência e caridade da paróquia – cereais particular de relações sociais, o equilíbrio par-
e pão subsidiados para os pobres. (Thomp- ticular entre a autoridade paternalista e a mul-
son, 1998b, p. 190)
tidão” (Thompson, 1998b, p.196). Portanto, a
Para o autor, isso leva a observação de Economia Moral vista por Thompson refere-se
dois importantes fatores, ao lado do “contexto a um “padrão de comportamento”:
socioeconômico total em que operava o merca-
do”, a própria lógica da pressão que a multidão Era o lugar onde ocorriam centenas de tran-
exercia: sações: as notícias eram dadas, os rumores e
os boatos corriam por toda parte, discutia-
se política (se é que se discutia) nas estala-
É no interior desse contexto que a função gens ou vendas de vinho ao redor da praça
dos motins pode ser esclarecida. No curto do mercado. O mercado era o lugar onde as
prazo, os motins talvez fossem contrapro- pessoas, por serem numerosas, sentiam por
ducentes, embora isso ainda não esteja pro- um momento que tinham grande força.
vado. Porém, uma vez mais, os distúrbios Os confrontos do mercado numa sociedade
eram uma calamidade social, que devia ser “pré-industrial são certamente mais univer-
evitada mesmo a um custo alto. O custo po- sais do que qualquer experiência nacional”
dia ser o de encontrar um meio-termo en- (Thompson, 1998b, p. 201).
tre o preço “econômico” elevado no merca-
do e o preço “moral” tradicional determi- Para o autor trata-se do fim da Econo-
nado pela multidão. Esse meio-termo podia mia Moral das Provisões e a ascensão de outra
ser alcançado pela intervenção dos paterna-
listas, pelos prudente limites que fazendei-
economia, a política que, entretanto, ainda pre-
serva a economia moral das multidões:
5 A presença das mulheres é algo que chama atenção, talvez por serem elas que negociavam face a face no mercado, fossem mais
sensíveis aos significados dos preços e tivessem mais experiência para detectar estratégias tais como peso insuficiente ou qualida-
de inferior.
15
Um sintoma de morte definitiva é termos si- vidualistas de sobrevivência. No caso dos cam-
do capazes de aceitar por tanto tempo um poneses as revoltas nem sempre são prestigia-
ponto de vista “economicista” dos motins das, pois acreditam que elas possam abalar os
da fome, como uma reação direta, espasmó-
deuses, ou a ordem social e fundamentalmente
dica, irracional à fome - um ponto de vis-
ta, em si, produto de uma economia políti- ocorrem “quando os pobres sentem que têm um
ca que fez do salário o nexo das reciproci- pouco de poder”, ou seja, não se faz motim em
dades humanas. Mais generosa, mas tam- cima do nada, na improbabilidade de sucesso.
bém mais autorizada, era a opinião do xe-
rife de Gloucestershire em 1766. As tur-
O que gostaríamos de destacar neste
bas daquele ano (escreveu) tinham cometi- texto de Thompson é a sua simpatia pelo tra-
do muitos atos de violência, “alguns de dis- balho de James Scott, que lhe tomou o concei-
sipação e desregramento; e, em outros ca- to de Economia Moral e o ampliou em seus tra-
sos, de coragem, prudência, justiça, além
balhos, aplicando-o a concepções camponesas,
de demonstrarem perseverança em procu-
rar aquilo que professam querer alcançar”. notadamente em termos de justiça social e re-
(Thompson, 1998b, p. 202) ciprocidades. Embora Scott não faça descrições
de valores e de atitudes morais, Thompson re-
conhece sua necessidade de ampliar o debate
Em Economia Moral Revisitada (1998)6, sobre tal conceito, aplicando-o na análise de
Thompson aproveita para retomar questões costumes de usos da terra, direito de acesso a
que havia discutido em seu texto cerca de 20 produtos etc. e, sobretudo, quando assinala a
anos atrás e afirma que isso não tira a contem- questão da resistência:
poraneidade do trabalho, mas que objetiva res-
ponder a muitos estudiosos que o criticaram.
(...) o professor Scott levou o debate para
Não é nossa questão refazer o caminho dessas
mais adiante (e para os flancos) em sua obra
discussões com os vários autores que ele discu- Weapons of the weak (Armas dos Fracos),
te, mas aproveitar o texto e adicionar algumas entrando num território no qual as compa-
observações a aproveitar a própria analise de rações podem ser examinadas com provei-
Thompson do trabalho de James Scott, em par- to. Esse território não é apenas o das formas
ticular do campesinato. tenazes de resistência ao poder que os fra-
cos e os fortes possuem: “o ridículo, a tru-
Um aspecto interessante a cerca do mo- culência, a ironia, os pequenos atos de não
tim que merece ser ressaltado é que nem sem- submissão, a dissimulação (...), a descren-
ça nas homilias da elite, os esforços contí-
pre a fome significa existência de motim – já
nuos e dolorosos de defender o que é seu
colocada anteriormente – as comunidades po- contra desvantagens esmagadoras” É igual-
bres não estão sempre dispostas a eles, ou se- mente e ao mesmo tempo, os limites que os
ja, não é uma resposta “natural” ou “óbvia”, é fracos podem impor ao poder. (Thompson,
um padrão sofisticado de comportamento cole- 1998c, p. 260)
tivo, uma alternativa coletiva às estratégias indi-

6 Publicado originalmente em 1991: Customs in commom. Penguin Books, Harmondsworth.


16

Quer dizer, Thompson percebe que tro lado, “economia moral” também pode
Scott trabalha Economia Moral como equilíbrio designar a dialética social da reciprocidade
de forças7. Ou seja, Economia Moral em Scott desigual (necessidade e obrigação) que es-
tá no centro de muitas sociedades. (Castro
é uma “série não verbalizada de entendimentos
Neves, 1998, p. 52).
mútuos”. Isto interessa porque na medida em
que o próprio Thompson diz que o conceito já Tal objeto de trabalho é encontrado pe-
ganhou a maioridade, não se julgando mais o lo autor no Brasil, ao contar com o conceito
responsável por ele e percebendo que Scott o de Economia Moral aplicado a uma socieda-
expande para construir um leque de estudos de de paternalista nordestina, verificando-se que
várias partes e de vários campesinatos do mun- o “tradicionalismo” pode vir a ser importante
do e suas formas de resistir à dominação. elemento de mobilização e resistência. O leque

Sabemos que o legado de Thompson aberto por Thompson para novas – e ilimitadas
às ciências humanas é ainda instigante e rico, – pesquisas é tal que permite a Castro Neves
e que autores brasileiros ainda são influencia- (1998) uma nova reflexão acerca da ação das
dos por ele, como acerca de sua análise da for- multidões no estado do Ceará no Brasil, de fins
mação e consciência de classe, por exemplo8. do século XIX ao início do século XX.
Entretanto, no que diz respeito a nossa pesqui- O autor alerta para o fato de que a ação
sa, gostaríamos de destacar o trabalho de Cas- de multidões de pessoas esfomeadas pelas cri-
tro Neves (1998), no qual é nítida a defesa do ses periódicas de seca que assolam o sertão cea-
uso do conceito de Economia Moral, que o au- rense tem como data marcante o ano de 1877
tor percebe como um “concurso de argumen- quando cerca de 100.000 pessoas invadiram
tos”, na medida em que articula moral, polí- Fortaleza, que contava então com 25.000 ha-
tica e mercado. A importância de Thompson bitantes. Veja-se, portanto, a possível imagem
dá-se ao verificar que o que podia ser visto co- do caos, numa cidade que tem sua população
mo “resquício” pela historiografia operária na quintuplicada por esfomeados que, inclusive,
verdade poderia ser resgatado como elementos atacam um trem carregado de alimentos. Cas-
constitutivos de uma cultura plebeia e, conse- tro Neves (1998) verifica que tal evento ain-
quentemente, como uma forma de se relacio- da ocorre num contexto de dominância de um
nar com o mercado: sistema social paternalista marcado pela defe-
rência e pela submissão que, em contraposição,
A defesa de valores comunitários, que a ra- exigia a proteção dos dominantes em períodos
cionalização capitalista transforma em “tra-
dicionalismo” ou “ignorância popular”,
de crise e que deixava aberta a possibilidade
unifica estas lutas ao fornecer uma base mo- de ações violentas de cangaceiros – “banditis-
ral relativamente sólida que tece o fio invi- mo social” – e de costumes como o de “lavar a
sível e não-verbal de solidariedade que une honra com sangue” que, apesar de tudo, manti-
as pessoas que formam a multidão. Por ou- nham o paternalismo em equilíbrio. Dessa for-

7 Que não deixa de ser semelhante a ideia do campo de forças de Thompson.


8 Para tal discussão veja-se o trabalho de Fortes (2006), por exemplo.
17
ma, até 1877 em épocas de seca, os camponeses to das formas de produção da riqueza so-
podiam ocupar as terras férteis dos fazendeiros, cial e de seu mecanismo de distribuição – o
sua água ou mesmo refugiar-se nos currais, era mercado – está sempre aberto para aqueles
que não se conformam aos modelos estabe-
a forma através do qual o fazendeiro “cuidava
lecidos de (in)justiça social. (Castro Neves,
da sua gente”. 1998, p. 57).
A partir de meados do século XIX dois
acontecimentos começam a abalar essa lógica Nesse sentido é que a Economia Moral
paternalista, em primeiro lugar a Lei de terras proposta por Thompson está diretamente liga-
de 1850, tornando as propriedades legítimas da à resistência cotidiana, o que nos permite
dos grandes fazendeiros – à custa de terras in- discutir as duas questões quase ao mesmo tem-
dígenas, por exemplo – com escrituras lavradas po. A quebra dos laços de Economia Moral pe-
em cartórios e a expansão da economia agrária los dominantes em busca do estabelecimento
mercantil, em particular do algodão, que se tor- de uma Economia de Mercado, que significa
nava um bom negócio devido à falência da pro- uma verdadeira traição a visão moral dos do-
dução algodoeira dos Estados Unidos em vir- minados, colocando em xeque uma tradição de
tude da Guerra de Secessão (1861-1865). Des- valores compartilhados pela comunidade, valo-
sa forma, com a valorização das terras, o cam- res esses que lhe davam a sensação de seguran-
ponês passa da condição de um migrante even- ça e conforto. É o rompimento de um pacto
tual para um retirante, pois os laços de reci- que dá sensação de proteção a pessoas que con-
procidade se afrouxam e as “turbas” dirigem- vivem periódica e perigosamente próximas de
se agora para as cidades em busca da proteção um limite a partir do qual suas necessidades bá-
das autoridades. Portanto, após 1877, cada vez sicas podem não ser mais satisfeitas. E isso gera
mais as secas tornam-se um problema social, respostas imediatas – resistência cotidiana – das
pois a multidão exige proteção agora do poder mais variadas formas, como nos aponta o autor.
público, contestando a racionalidade capitalis-
Outro trabalho recente que recupera a
ta que se instala numa sociedade ainda paterna-
importância de Thompson é Fortes (2006), um
lista. A proximidade do trabalho de Castro Ne-
autor brasileiro que nos chamou a atenção pelo
ves (1998) com os trabalhos de Thompson sal-
destaque feito a duas questões:
ta aos olhos, de forma que a conclusão do au-
tor nos interessa sobremaneira: Em primeiro lugar, ao defender a con-
temporaneidade da obra de Thompson, em par-
A “economia moral”, portanto, como ex- ticular em “A Formação da Classe Operária In-
pressão de uma resistência geral e plebéia glesa”, pois nos mostra como ele se diferencia
aos avanços dos princípios da “economia de muitos historiadores – por exemplo Hobs-
de mercado”, permanece como categoria de bawn – no tocante ao “fazer-se da classe operá-
análise cuja validade ultrapassa os limites da ria”. Tal discussão foge do nosso objeto de es-
obra de Edward P. THOMPSON e é per-
tudo, entretanto, é importante lembramos que
manentemente atualizada pelas transforma-
ções históricas. Significa dizer que o espa- nessa trajetória de “construir-se”, a classe ope-
ço para uma interpretação “moral” a respei- rária inglesa beneficia-se de uma “cultura polí-
18
tica de oposição”. Ao chamar a atenção para a 2. JAMES C. SCOTT: A ECONOMIA MORAL
importância da formação de clubes jacobinos NA MALÁSIA DO SÉCULO XX
na Inglaterra de fins do século XVIII, da expan-
são do metodismo e suas noções de autodisci-
Para James C. Scott o conceito de “eco-
plina e de convivência em comunidade, de au-
nomia moral” não serve apenas para pensar
todidatismo e autoaperfeiçoamento de artesãos
sociedades que antecederam ao capitalismo, é
radicais, ele destacou os “elementos de conti-
também um instrumento para estudar os mo-
nuidade subterrânea” de uma cultura popular
vimentos sociais nos séculos posteriores ao que
de oposição que muito legou à classe trabalha-
Thompson estudou, até mesmo na atualidade,
dora inglesa e que pode ser pensada em termos
em grupos sociais que lutam por liberdade e
de uma cultura de resistência ligada às tradições
mesmo por atuar politicamente e chegar ao po-
populares, desenvolvendo-se passo a passo com
der, como ocorre nos séculos XX e XXI, não
o capitalismo. Eis uma das riquezas do trabalho
sendo apenas uma luta de caráter “econômico”.
de Thompson: conforme o capitalismo avança
pela Inglaterra, as classes trabalhadoras são di- Acreditamos que o trabalho de Scott
retamente prejudicadas por ele ao mesmo tem- (1976) – “The Moral Economy of the Peasant:
po que resistem, criando e recriando uma nova rebellion and subsistence in southest Asia”
cultura de resistência. - lançado cinco anos após o de Thompson –
“The Moral Economy of the English Crowd in
Nesse sentido é que Fortes (2006) po-
the Eighteenth Century”, de 1971 - apresenta
de apresentar Thompson como um precoce ini-
três elementos fundamentais para a valorização
migo do neoliberalismo, pois ele recupera sé-
do enfoque da resistência cotidiana. O primei-
culos de uma tradição de enfrentamento entre
ro deles é o conceito de “safety first”:
dominantes e dominados. Quando da emergên-
cia do neoliberalismo – perfeitamente coeren-
Segundo Scott (1976, p. 5), o princípio da
te com esse processo histórico – as formas de “segurança em primeiro lugar” é o que fun-
reação popular já estão à disposição após sécu- damenta uma grande variedade de arran-
los de desenvolvimento. Dessa forma, não seria jos técnicos, sociais e morais de uma or-
de se espantar que elementos como uma “tradi- dem agrária pré-capitalista. Os campone-
ção clandestina cooperativa”, calcada na valo- ses preferem culturas tradicionais e técni-
rização de um senso de comunidade – herdado cas de produção que são conhecidas por ga-
rantirem a produção requerida pela famí-
do metodismo – possa ser encontrado em ma-
lia (Haggis ET a. 1986: 1436; Scott, 1976,
nifestações populares no século XXI. Ou seja, a p. 7). A unidade doméstica familiar é chave
Economia Moral talvez tenha perdido batalhas no comportamento econômico, social e po-
importantes contra o Mercado Livre na Ingla- lítico de todos os camponeses e não apenas
terra, mas continua atualmente a travá-las em aqueles no sudeste asiático. (Menezes, s/d).
vários outros lugares do planeta e o estudo da
história inglesa da classe trabalhadora, feito por O conceito de “safety first” é um bom
Thompson, retoma o que chamamos de heran- instrumento para pensar grupos sociais que vi-
ça de resistência popular. vem ameaçados pela miséria absoluta, não de-
19
vendo ser aplicado a qualquer sociedade cam- ção das populações com governantes em países
ponesa sem uma análise prévia. Ao mesmo tem- com numerosa presença campesina. Entretan-
po, ele pode ser válido para comunidades não to, essa noção de justiça - assim como os pró-
camponesas, como pescadores, onde as necessi- prios princípios de reciprocidade – não é está-
dades básicas nem sempre são supridas. O me- tica, ela muda conforme os panoramas históri-
do da penúria e da fome tende a fazer com que cos e das subjetividades em jogo, ou seja, o que
camponeses muitas vezes recusem métodos no- é considerado justo para um grupo não neces-
vos de produção, ficando enclausurados no que sariamente o será para outro, fazendo com que
Scott chama de “perímetro defensivo”, consti- a história específica de cada povo e lugar não
tuído por métodos tradicionais e seguros. En- possa ser descartada, o que reafirma o uso da
tretanto, isso não significa rejeição total a qual- experiência que Thompson apontava, centran-
quer inovação, principalmente quando a sub- do análise nos homens reais:
sistência básica não está em risco.
A segunda questão refere-se às normas If the analytical goal of a theory of exploi-
tation is to reveal something about the per-
de justiça, afirmamos anteriormente a preocu-
ceptions of the exploited – about their sense
pação da “turba inglesa” do séc. XVIII aponta- of exploitation, their notion of justice, their
da por Thompson, em estabelecer o preço jus- anger – it must begin not with an abstract
to e, além disso, chamamos a atenção para o fa- normative standard but with the values of
to de ele notar a organização da ação da mul- the real actors. (Scott, 1976, p. 160).
tidão, não no sentido de roubar, mas de con-
fiscar os alimentos vendidos a preços extorsi- Além da reciprocidade, o princípio da
vos e pagar por eles um “preço justo”. A justi- subsistência também influencia naquilo que
ça tem como base uma intrincada rede de reci- uma comunidade considera justo ou injusto,
procidades, tanto interna à comunidade quan- pois os grupos dominados têm percepção do
to externamente: atitudes são tomadas com re- “direito à vida” e, para tal, não incluem ape-
lação a amigos e parentes em caso de crise e/ nas direitos à alimentação, mas auxílio à saúde,
ou necessidade e, consequentemente, atitudes educação, funerais dignos, festas, etc.9:
são esperadas da parte de quem prestou algum
favor ou ajuda. O mesmo se aplica a elemen- The operating assumption of the “right of
tos exteriores à comunidade, como na relação subsistence” is that all members of a com-
com os patrões, por exemplo, como Scott dis- munity have a presumptive right to a living
cute em seus trabalhos dando grande atenção so far as local resources will allow. This sub-
sistence claim is morally based on the com-
à quebra de tradições por parte de fazendeiros mon notion of a hierarchy of human needs,
da Malásia, o que gera revolta, e que até mes- with the means for physical survival natu-
mo em relação ao Estado Nacional isso se apli- rally taking priority over all other claims to
ca e, provavelmente, ajuda a explicar a decep- village disparities in wealth and resources

9 Isso pode ser verificado nas reivindicações do Exército Zapatista de Libertação Nacional que, desde 1994, luta nas selvas do es-
tado mexicano de Chiapas, e tem a ver com o que se considera decência, a possibilidade de recepcionar parentes decentemente,
cumprir atividades religiosas, organizar festas, casamentos, etc. Tudo isso compõe a “subsistência”.
20
can be legitimated unless the right to sub- ments that envisions the creation of new
sistence is given priority. This right is surely rights and liberties are unlikely to inspire.
the minimal claim that an individual makes (Scott, 1976, p. 192).
on his society and it is perhaps for this rea-
son that it has such moral force. (Scott, É nesse momento em que Scott defen-
1976, p. 176). de o estudo das ações cotidianas de resistências
que, se não são capazes de derrubar sistemas
O direito à sobrevivência dos domina- políticos ou governos, estabelecem uma base de
dos é praticamente um dever dos dominantes, procedimentos que serão herdados por futuros
desde que o principio da reciprocidade assimé- rebeldes. Atitudes como a sabotagem, o traba-
trica – entre patrões e empregados – não tenha lho lento, o roubo de mercadoria, ameaças anô-
sido rompida pelos dominados. Entretanto, é nimas etc, compõem esse arsenal que os domi-
necessário reafirmar que a quebra do direito de nados passam de geração a geração. É o que
sobrevivência não significa, para Scott, uma li- Scott chama de “as armas dos fracos”, título de
gação automática com as rebeliões campone- seu trabalho de 1985, ainda inédito o Brasil.
sas10. Contrariamente, esse é um ponto de real-
ce em seu trabalho, pois tal rompimento – com E são essas reflexões que ele deixa de he-
as normas da Economia Moral – que significam rança para outros pensadores que se debruçam
um ataque aos valores e costumes compartilha- sobre essa temática. Vejamos agora um pouco
dos e pode gerar infinitas formas de resistên- do trabalho de outro autor:
cias, cotidianas, que não necessariamente as ar-
madas e que requerem diferentes graus de orga-
nização, geralmente pouca. E aqui novamente a 3. MARC EDELMAN: RESISTÊNCIAS
experiência é possibilitará ao pesquisador dis- TRANSNACIONAIS NO SÉCULO XXI
cernir o tipo de resistência pelo qual cada gru-
po opta e entender o porquê dessa escolha:
Em um número especial da Revis-
ta American Anthropologist11, dedicado à re-
Regardless of the particular form it takes, flexão acerca do trabalho de James C. Scott,
collective peasant violence is structured in Marc Edelman faz uma interessante ponte en-
part by a moral vision, derived from expe- tre os trabalhos de Thompson, Scott e os movi-
rience and tradition, of the mutual obliga- mentos transnacionais de camponeses no sécu-
tions of classes in society. The struggle for lo XXI que, devido à sua relevância em nosso
rights that have a basis in custom and tradi-
estudo, vale a pena a reflexão, pois ele defen-
tion and that involve, in a literal sense, the
most vital interests of its participants is like- de a pertinência do conceito de Economia Mo-
ly to take on a moral tenacity which move- ral de Scott para o século XXI por três razões:

10 Ele também rechaça a visão da falta de energia/vigor físico causado pela fome como explicação para a não ocorrência das re-
beliões.
11 Focus: Moral Economies, State Spaces, and Categorical Violence: Anthropological Engagements with the Work of James
Scott”. American Anthropologist, v. 107, n. 3, 2005.
21
em primeiro lugar, pela sua importância em es- This means, in essence, the right to contin-
tudos agrários e a outros objetos; em segundo ue living from the land as well as the pro-
lugar, ao estudar na Ásia, Scott também mos- tection of a patrimony both of public-sector
institutions, which made being an agricul-
trou como os movimentos agrários, políticos e
turalist possible and which are now target
econômicos mudaram nas últimas décadas, ga- by neoliberal privatizers, and of plant germ-
nhando maior importância devido à dimensão plasm and cheese cultures, which peasants´
transnacional que ocupam e, por fim, em seu antagonists now sometimes euphemize and
livro de 1976 discutiu com correntes teóricas covet as “intellectual property”. (Edelman,
que impactaram os debates de estudos agrários. 2006, p. 332)
Da mesma forma, ele destaca a importância dos
Tanto Thompson quanto Scott enten-
estudos de Thompson, embora lembre que sua
dem o mercado enquanto construção política
discussão acerca de Economia Moral está res-
e, portanto, local de uma luta social. Entretan-
trita a tempos de carência em que ocorrem con-
to, Thompson preocupa-se mais com a condi-
flitos no mercado:
ção de consumidores do mercado, em sua lu-
ta por acesso a produtos e direitos, em épocas
(...) Thompson reminds us that his own
conception of “moral economy” was “in de crise, incrementando os debates sobre a his-
general... confined to confrontations in the tória do mercado, natureza humana e institui-
market-place over access (or entitlement) to ções, ao passo que Scott, ao enfocar uma “teo-
´necessities´ - essential food,” particularly ria fenomenológica da exploração”, alarga a
profiteering and the beliefs, usages, for- aplicabilidade do conceito de Economia Moral,
ms, and deep emotions that surround “the ampliando seu uso no tempo e no espaço13.
marketing of food in time of dearth (1991)
(Edelman, 2005, p. 331) É esse conceito que permite que se per-
ceba uma lógica histórica de resistência con-
Edelman (2005) argumenta que os dois tra o estabelecimento de um mercado livre, em
autores possuem visões muito parecidas, mas diversos locais e nos ajuda a pensar o contex-
que pequenas diferenças podem ser notadas en- to contemporâneo, no qual o desenvolvimen-
tre eles, com Scott preocupando-se mais com as to capitalista tem provocado muitas mudanças
seguintes questões: os valores sociais dos domi- nos camponeses, que não podemos deixar de
nados12, preço justo, acesso a terra, a produtos e observar. Assim, para o autor é necessário con-
mecanismos de reciprocidade, apontando para siderar uma “economia moral rural contempo-
a subsistência segura e a aversão ao risco como rânea”, relacionando-a ao imaginário e consu-
chave para se entender momentos pacíficos e de mo urbanos, precipitado por uma crise demo-
transição à rebelião aberta, além do fato de que gráfica nas famílias camponesas, o que limita
a noção de “justiça” é construída por campone- em muito a participação no sistema de ajuda
ses na Ásia que se baseia, principalmente, na lu- coletiva, modificando antigos preceitos de reci-
ta pelo direito a continuar sendo agricultor: procidade:

12 Diferentemente de Thompson, que centra sua atenção nos consumidores do mercado inglês.
13 No decorrer do texto, o autor discute as influências que Scott recebeu de outros autores, o que se afasta de nosso objetivo.
22
Today’s campesinos, when they remain ganisation Agreement on Agriculture - criticada
on the land, have frequently had to learn em seus quatro pontos básicos, vejamos:
not only about fertilizing with chemicals
of grafting fruit trees, as Warman suggest,
but also the language of bankers and law- 1. Produto agrícola não é mercadoria, mas
yers, market intelligence and computers, meio de vida.
business administration and phytosanitary 2. Regras deveriam ser só para alimentos
measures, biotechonology and intellectual comercializados internacionalmente.
property, and at least the rudiments of trade 3. Não há “mercado mundial” de produtos
policy and macroeconomics. They have had agrícolas.
to become sophisticated and wordly. (Edel- 4. WTO não é democrática, é irresponsá-
man, 2005, p. 337). vel, pois aumenta desigualdade e insegu-
rança, promove consumo padrão, erode di-
versidade, despreza prioridades sociais e de
Desde a crise mundial da década de 70 meio ambiente.
do século passado, verificamos um processo de
ascensão de Instituições Supranacionais – tais
Edelman (2005) lembra que a Via Cam-
como FMI, Banco Mundial – que tornou possí-
pesina não tem como objetivo criticar os subsí-
vel a emergência de novos movimentos campo-
dios, mas estabelecer normas de “preço justo”
neses e organizações em redes globais, além de
para os produtos, o que implica numa regra de
outros acontecimentos importantes nos últimos
economia moral, só que agora como uma “nor-
anos, tais como o Fórum Social Mundial e pro-
ma transnacional universal”, pois ela não so-
blemas políticos internos em países de acentua-
mente embasa princípios de movimentos sociais
da população campesina, como Equador e Bo-
como também de ações coletivas e difusas. Ou
lívia, o que leva a pensar na globalização tam-
seja, os movimentos antiglobalização econômi-
bém de princípios da economia moral, como
ca se utilizam de princípios da economia moral.
orientadores de comportamentos sociais anti-
neoliberais. Outro elemento aglutinador nessa luta
é o conceito de “food sovereignty” – “alimen-
Talvez o maior exemplo de atuação
to soberano” - como o direito de todos, o que
transnacional de camponeses no mundo venha
pode ser exemplificado por diversas lutas trava-
a ser a Via Campesina, organizada em 1993 na
das recentemente, nas ações de Bové contra o
Bélgica e atualmente congregando mais de 50
MacDonalds, a luta contra os transgênicos, ou
países, focando suas “demandas e campanhas
na defesa das oliveiras da Palestina. Tal orga-
políticas em direitos humanos, reforma agrária,
nização levou, inclusive à formação da “Cara-
meio ambiente e agricultura sustentável, biodi-
vana das Pessoas pelo Alimento Soberano”, em
versidade e recursos genéticos, reforma do esta-
30/9/2004:
do e comércio, entre outras” (Edelman, 2005,
p. 338). Tal diversidade de ações para os movi-
mentos mundiais campesinos podem ser con- The caravan’s final declaration highlights
the moral economic aspirations behind this
centrados, em primeiro lugar, na luta contra a
multifaceted transnational demonstration:
supervisão agrícola da WTO – World Trade Or-
23
Food Sovereignty is the inalienable RIGHT olhos os trabalhos de Edelman (2005), ao re-
of peoples, communities, and countries to conhecer a influência que recebeu de Thomp-
define, decide and implement their own ag- son – além de Chayanov e Polanyi – e destaca
ricultural, labour, fishing, food and land
a oportuna observação do autor acerca do au-
policies which are ecologically, socially,
aconomically and culturally appropriate mento da insegurança nas sociedades campone-
to their unique circumstances. It includes ses após a globalização econômica:
the true right to food and to produce food,
which means that all people have the right What has happened, as I understand Edel-
to safe, nutritious and culturally appropriate man’s argument, is that the scale of “mar-
food and to food producing resources and ket failure” has been vastly amplified and
technologies and the ability to sustain them- that, as a consequence, the scale of Polany-
selves, their societies. The People’s Caravan ian reflexes of self-protection must corre-
is calling for an International law and insti- spondingly be amplified. Typically, in the
tute food sovereingnty as the principal pol- world that Polanyi, Thompson, and I were
icy framework for addressing food and ag- describing, the remedy for the collapse of
riculture. (People Caravan for Food Sover- local-insurance arrangements designed to
eignty 2004) (Edelman, 2005, p. 340). avoid subsistence crises lay in new rational
schemes of social insurance. (Scott, 2005,
A luta pelo direito ao “alimento sobera- p. 397).14
no”, ao mesmo tempo em que precisa recupe-
rar a ideia de normas morais, preço justo, aces-
Scott (2005) concorda com Edelman
so à terra, injustiça das leis de mercado etc., (2005) no sentido de que, se o capital interna-
também representa uma luta mais radical, pois cional está “embebido” em instituições e agri-
busca colocar nas mãos dos produtores diretos, business multinacional, também os esquemas
camponeses e cidadãos em geral, a liberdade de seguro social precisam ser internacionaliza-
de escolha acerca dos alimentos, sua qualidade, dos, embora Scott pareça cético com relação à
sua própria noção de “mercadoria” e analisar formação de uma “Internacional Camponesa”.
criticamente as leis do mercado internacional. Em outros trabalhos publicados anteriormente,
Isso leva a novas especificidades que os movi- Edelman já vinha desenvolvendo interessantes
mentos sociais transnacionais têm gerado, fruto argumentos acerca dos novos movimentos so-
de uma continuidade organizacional e históri- ciais camponeses, em 1998 ele reflete acerca de
ca, que vai do local ao nacional, daí ao regional políticas camponesas transnacionais, tomando
e, por fim, ao transnacional, o que requer no- camponeses na América Central como alvo de
vos graus de sofisticação política, novas alian- estudo e ressaltando a rápida internacionaliza-
ças e movimentos em diferentes espaços geo- ção das políticas camponesas em contraposição
gráficos e institucionais: à lentidão de trabalhos acadêmicos em acompa-
nhá-los. Em seu artigo ele acompanha a forma-
Num artigo que fecha o dossiê sobre Ja-
ção, em 1991, da Asociación Centroamericana
mes Scott, ele próprio comenta ver com bons

14 Essa insegurança crescente caminha lado-a-lado com o desmantelamento do Estado de Bem-Estar-Social, conforme discutire-
mos adiante com Castells (1999a), (1999b) e (1999c).
24
de Organizaciones Campesinas para la Coope- apresenta questões importantes para nosso tra-
ración y el Desarrollo (ASOCODE), e suas es- balho que vale comentar. Uma primeira obser-
tratégias de ação, ao enviar delegações para Eu- vação está relacionada à participação nos mo-
ropa, ao mesmo tempo em que abria um escri- vimentos sociais, segundo o autor, é preciso le-
tório em Manágua para facilitar intercâmbios, var em consideração que em suas ações normal-
e fazer uso de contribuições de entidades eu- mente a participação é de uma minoria e que
ropeias para organizar seminários com líderes trabalhos de teoria da ação coletiva, como as-
camponeses. sinala Mancur Olson, por exemplo, não expli-
Em termos de atuação política, a ASO- cam a contento, pois encaram o indivíduo co-
CODE buscou assediar ministros e presidentes mo um ser isolado, sem laços sociais, sem pai-
na tentativa de organizar lobby, entre as várias xões ou ideologias e portador de uma racionali-
consequências da atuação da entidade, destaca- dade exagerada que quase nunca corresponde à
se sua presença como “para-choques” contra a realidade. De tal forma, para Edelman (2003),
repressão camponesa nos vários países centro um tema a ser pensado acerca dos movimentos
-americanos, o fato de servir como fonte de in- sociais é o distanciamento que muitas pessoas
formação para barrar mudanças políticas e de sentem a respeito deles, o que pode levar-nos
fornecer alternativas aos problemas campone- pensar e analisar o não-militante e suas razões
ses sem que gere confrontos, o que contribui para tal distanciamento.
para a democratização, gerando debates sobre Outra questão interessante é o fato de
temas relacionados à questão agrária, auxilian- que os cientistas sociais possuem uma tendên-
do a atuação política conjunta entre bancos, mi- cia a tomar a fala de organizações formais co-
nistros de Estado e camponeses, além da óbvia mo as mais importantes, cristalizando a sua
consequência de valorizar a presença de movi- concepção a cerca de determinado processo
mentos populares em corpos supranacionais. quando, em muitos casos elas já se tornaram
A existência da ASOCODE, na opinião “organizações fictícias” e, dessa forma, o pes-
de Edelman (1998), trouxe colaborações su- quisador tende a não enxergar outros processos
gestivas para as organizações camponesas, num organizados informalmente, outras ações cole-
processo de “globalização de baixo”, que cria tivas e espontâneas, que “escapam” às organi-
redes internacionais de alianças inclusive com zações formais. Ele aponta ainda para os “ci-
grupos não ligados diretamente à agricultura, clos de protesto” – como também havia chama-
propondo novas formas de desenvolvimento e do a atenção James Scott – que tende a atrair
marcando um novo estágio na organização de a atenção dos pesquisadores nos seus momen-
movimentos sociais que, todavia, não se esque- tos de auge, tais como confrontações diretas,
cem das tradições. greves, manifestações etc, mas que deixam pa-
Ao continuar suas reflexões sobre a ra um segundo plano de análise o momento em
América Central, ele analisa movimentos sociais que o movimento perde força, quando não há
surgidos na Costa Rica e, em um artigo curto, “tumulto”15.

15 Isso é o que procuramos fazer, ao analisar tanto os momentos de enfrentamento quanto os de “calmaria” através dos comuni-
cados nos sites dos movimentos bolivianos.
25
Por fim, aponta ainda para os novos mo- mún en internet, donde los jóvenes pueden
vimentos sociais, mais ligados a questões de gê- intercambiar música entre sí, en lugar de
nero, raça, etnia, meio ambiente e mostra a ne- comprársela a las compañías multinaciona-
les.(Klein, 2001, p. 155)
cessidade de pensar essa “novidade”, afinal des-
de o século XIX questões como cultura e iden-
Para a autora, não se trata mais de espe-
tidade já estavam presentes nos estudos, embo-
rar a Revolução, mas atuar no cotidiano, on-
ra os aspectos econômicos, ao serem prepon-
de se mora, estuda, trabalha etc. Foi à ambição
derantes, eclipsavam-nos. E, além disso, a par-
desmedida das empresas que criou um inimi-
tir dos anos 90 do século passado a união dos
go global comum e um elo unificador, ao per-
movimentos sociais contra a globalização eco-
ceber que nas privatizações o “comum” é per-
nômica, produz um novo nível de unidade con-
dido. Daí que o movimento antiglobalização
tra o crescimento de corporações transnacio-
atual lembra os antigos movimentos antimerca-
nais e organismos internacionais, o que torna
do estudados por Thompson, pois fazem par-
esses movimentos também transnacionais: “son
te do mesmo processo histórico, crescendo e se
movimientos que exigen respeto por los dere-
desenvolvendo juntamente com o capitalismo
chos y las identidades diversas de los seres hu-
e, inclusive, lidando com uma nova visão acer-
manos y a la vez reivindican câmbios profundos
ca de hierarquia:
en el sistema economico mundial” (Edelman,
2003, p. 2003). É dessa forma que devemos en-
tender a discussão que ele aponta em seu tex- En lugar de formar una pirâmide, tal y co-
mo hacen la mayoría de los movimientos,
to de 2005 acerca da soberania alimentar como con los líderes en la cumbre y los seguidores
um novo elemento mobilizador das lutas contra por debajo, el movimiento se asemeja más a
a globalização econômica. uma conpleja red. Em parte, esta estrutura
Nessa linha destacamos ainda para as de tipo redes es el resultado de uma orga-
reflexões de Naomi Klein, jornalista e ativista nización basada em internet. (Klein, 2001,
p. 159)
canadense, que aponta para modificações nas
ações e formas de pensar das pessoas na con-
temporaneidade: Nessa batalha de séculos, novas armas
entram em cena, como o uso da internet, le-
vando a contendas em outro local, o ciberespa-
Los estudiantes estadounidenses están
echando a puntapiés los anuncios de las au-
ço. É nítido como os atuais movimentos sociais
las. Los ecologistas y los ravers europeos es- valem-se desse local para confrontar o capita-
tán organizando fiestas en lugares de abun- lismo e, nesse sentido, convém lembrar rapida-
dante tránsito. Los campesinos tailandeses mente as ações do Exército Zapatista de Liber-
sin tierra están plantando vegetales orgáni- tação Nacional que, desde 1994 vem confron-
cos en campos de golf profusamente rega- tando os governos mexicanos e escolhido o ci-
dos. Los trabajadores bolivianos están ha-
berespaço como um local para expor suas rei-
ciendo retroceder la privatización de sus re-
servas de agua. Herramientas como Napts- vindicações, não apenas de caráter local, mas
ter han estado generando una especie de co- contra o processo de globalização econômica e,
26
é nesse momento que o subcomandante Mar- ilustrações bem significativas dos confrontos.
cos recolhe simpatias pelo mundo todo ao seu Assim também outros autores mais atuais cor-
projeto. roboram a importância de ler Thompson ainda
Sem querer aprofundar muito esse tema, hoje, como Castro Neves mostra ao falar que as
satisfazemo-nos em lembrar que o movimento multidões emergem perigosamente no cenário
zapatista foi chamado de “primeiro movimento cearense quando o paternalismo que regia a so-
informacional”, de “netwar” ou “guerra de tin- ciedade começa a ruir, juntamente com a Eco-
ta”. Dessa forma, os zapatistas não apenas va- nomia Moral ou quando Fortes (2006) lembra
lem-se da ferramenta da internet – como atual- da atualidade do autor inglês nos discursos dos
mente dezenas de organizações indígenas – co- movimentos antiglobalização, organizados em
mo também recorre ao passado, à tradição, co- redes, voltados para o Bem-Estar das comuni-
locando no cenário dos movimentos sociais a dades e da recusa de expor os bens coletivos à
retomada não apenas de estratégias de ação co- vontade da Economia de Mercado, sugerindo-
mo também de simbologias e crenças que, sim- nos que se Thompson estudou os operários in-
plesmente por sua existência, já são extrema- gleses, talvez nós devamos estudar esses “novos
mente subversivas ao capitalismo. sujeitos” que também estão se formando.
James Scott trouxe Thompson para os
dias de hoje, mostrando que a Economia Mo-
CONCLUSÕES
ral é um conceito que ainda está longe de ser
esgotado, fortemente ancorado em três pilares:
Acreditamos que o conceito de Econo- a dos “safety first”, da justiça/reciprocidade e
mia Moral mais do que nunca pode nos ajudar do “direito à vida”. Ao estudar à Malásia ele
a pensar o mundo do século XXI e, em espe- mostra as variedades da resistência camponesa,
cial os movimentos sociais que têm se rebela- adaptáveis a cada contexto histórico, e sua rela-
do contra as políticas neoliberais. Cada vez que ção com o Teatro da Dominação, onde são tra-
normas de conduta se chocam, serão muitos sé- vados constantemente debates entre dois dis-
culos de embates pela frente e esses autores nos cursos, o oculto e o público. Conclui pela pou-
fornecem elementos importantes para reflexão. ca importância da liderança camponesa e da re-
Os trabalhos de E. P. Thompson nos volução vitoriosa ou fracassada, que tende a ce-
mostraram que a Economia de Livre Mercado gar os analistas para aquela outra ação, cotidia-
passou por uma longa luta para se impor na In- na e sempre presente.
glaterra, contrastando com princípios da Eco- Já Marc Edelman traz os conceitos de
nomia Moral, da mesma forma pode-se pen- Economia Moral para o século XXI e destaca a
sar para o que Thompson chama de “campo de revalorização de seus princípios enquanto ele-
força societal” (Thompson, 1974, p. 11) apare- mentos mobilizadores em torno de uma “Eco-
ce nas entrelinhas dos discursos e das ações dos nomia Moral Rural Contemporânea”, contrá-
movimentos sociais. A própria tese thompsia- ria à globalização econômica e a tendência da
na de que na legislação também ocorre luta de disseminação de uma insegurança generalizada,
classes, de que o “direito importa” acaba tendo mas que afeta principalmente as camadas mais
27
pobres das sociedades, onde se encontram os Disponível em http://www.qeh.ox.ac.uk/dis-
campesinos e os índios. Daí que a valorização semination/conference-papers/edelman.pdf.
da “soberania alimentar” torna-se um elemen- Acesso 10 abr 2007.
to importante que pode unificar essas camadas,
produzindo movimentos sociais transnaciona- _________ Movimientos sociales y campesina-
lizados, como de camponeses e indígenas, por do. Algunas reflexiones, invited lecture, Insti-
exemplo. tuto de Investigaciones Sociales, Universidad

Provavelmente estamos apenas no li- de Costa Rica, San José, July 1, 2003. Dispo-
miar do surgimento de novas formas de atua- nível em: <http://iis.ucr.ac.cr/publicaciones/li-
ção e participação política, que poderão nascer bros/textos/5/medelman.pdf>. Acesso em: 10
dos eventos que estão sacudindo o mundo do abr. 2007.
século XXI, mostrado que “um novo mundo é
_________Transnational Peasant Politics in
possível” e que, se ele vier, será edificado por
Central America. In Latin American Research
cima dos alicerces de lutas de séculos.
Review, vol. 33, number 3, 1998.

Trabalho recebido em 02/05/2013 FORTES, Alexandre. “Miríades por toda a eter-


Aprovado para publicação em 10/08/2013 nidade”: a atualidade de E.P. THOMPSON.
In Tempo Social, revista de sociologia da USP,
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS v.18, n.1, junho 2006. Disponível em http://
www.scielo.br/pdf/v18n1/30014.pdf . Acesso
em 21 jan 2008.
CASTRO NEVES, Frederico de. Economia
Moral versus Moral Econômica (ou: o que é KLEIN, Naomi. Reclamemos los Bienes Comu-
economicamente correto para os pobres?). Pro- nales. In New Left Review 9, May-June 2001, PP.
jeto História, São Paulo, (16), fev. 1998. 81-89. Disponível em http://www;newleftre-
view.org/?view=2323. Acesso em 12 fev 2008.
EDELMAN, Marc. Bringing the Moral Eco-
nomy back in… to the Study of 21 st-Century MENEZES, Marilda Aparecida de. Economia
Transnational Peasant Movements. American Moral: um conceito para o campesinato? (mi-
Anthropologist, v. 107, n. 3, September 2005. meo.).

___________Global Trade Rules and Smallhol- _______. O cotidiano camponês e sua impor-
ding Agriculture: problems for Sustainability. tância enquanto resistência à dominação: a
Global Trade Rules and Smallholding Agricul- contribuição de James C. Scott. In Raízes, Cam-
ture: Problems for Sustainability,” invited pa- pina Grande, vol.21, nº 01 – janeiro a junho de
per, Queen Elizabeth House 50th Anniversary 2002.
Conference on New Development Threats and
Promises, Oxford University, July 3-4, 2005. SCOTT, James C. Afterword to “Moral Eco-
nomies, State Spaces and Categorical Violen-
28
ce”. In American Anthropologist – vol. 107, is-
sue 3, September 2005. University of Califor-
nia Press.

______. Formas cotidianas da resistência cam-


ponesa. In Raízes, Campina Grande, vol.21,
n°01, p. 10-31, jan/jun 2002.

______. Los dominados y el arte de la resistên-


cia. México: Ediciones Era, 2000.

______. The Moral Economy of the Peasant:


rebellion and subsistence in southeast Asia.
New Haven and London, Yale University Press,
1975.

______. Weapons ot the weak: everyday forms


of peasant resistance. New Haven: Yale Univer-
sity Press, 1985.

THOMPSON, Edward P. A economia moral da


multidão inglesa no século XVIII in Costumes
em Comum. São Paulo: Companhia das Letras,
1998b, p. 150-202.

______. Economia Moral Revisitada in Costu-


mes em Comum. São Paulo: Companhia das
Letras,1998c, p.203 – 266.

______. Prefácio in Formação da Classe Operá-


ria Inglesa. Vol. 1. Rio de Janeiro: Paz e Terra,
1987a. p. 9-14.

Você também pode gostar