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PROVA ORAL - TRIBUNA

CASO PRÁTICO 01

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PROVA ORAL - TRIBUNA

CASO PRÁTICO – LEI DE DROGAS


Analise a seguinte situação:

O MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL, oficiante em Fortaleza/CE, propõe ação penal em face de


CHIQUITITO, PEQUENO, PINGO, MARIA JOAQUINA e CARMEM, dando-os como incursos
nos seguintes delitos:

CHIQUITITO: art. 33 e art. 35, ambos cumulados com art. 40, V e VI, todos da Lei 11.343/06, art.
244-B da Lei 8.069/90, e art. 2º da Lei 12.850/2013, tudo em concurso material;

PINGO: art. 33 e art. 35, ambos cumulados com art. 40, V, todos da Lei 11.343/06, e art. 2º da Lei
12.850/2013, tudo em concurso material;

PEQUENO: art. 33 e art. 35, ambos cumulados com art. 40, V e VI, todos da Lei 11.343/06, art. 244-
B da Lei 8.069/90 e art. 2º da Lei 12.850/2013, art. 14 da Lei 10.826/03, e art. 180 do Código Penal,
tudo em concurso material;

MARIA JOAQUINA: art. 33 e art. 35, ambos cumulados com art. 40, V, todos da Lei 11.343/06, e
art. 2º da Lei 12.850/2013, tudo em concurso material;

CARMEM: art. 33 e art. 35, ambos cumulados com art. 40, V, todos da Lei 11.343/06, e art. 2º da
Lei 12.850/2013, tudo em concurso material.

Narra a denúncia que os corréus se associaram, até 30/07/2020, de forma livre, organizada e
consciente, com unidade de desígnios, e sob o comando de CHIQUITITO, para o fim de praticar,
reiteradamente, a remessa, aquisição, venda, oferta e/ou transporte de drogas, ainda que
gratuitamente, sem autorização.

A inicial indica que CHIQUITITO liderava a Organização Criminosa - ORCRIM e adquiria


entorpecente de um indivíduo não identificado (HNI), a quem chamava de “FONTE”. Os demais
membros, ocupantes de posição hierarquicamente inferior na organização criminosa, tinham suas
funções delimitadas.

Nessa logística, PINGO, atualmente com 18 anos de idade, era responsável por receber, por ordem
de CHIQUITITO, a droga de HNI e acondiciona-la em blocos de um quilograma. Após devidamente
embalada a droga, também por ordem de CHIQUITITO, PINGO a repassava para PEQUENO, que
era responsável pelo transporte da droga de Pernambuco, grande produtor de maconha, para o Ceará,
no qual, em Fortaleza/CE, tinha MARIA JOAQUINA como receptora e distribuidora da droga para
pequenas “bocas de fumo” no município. Além disso, CARMEM, também residente em
Fortaleza/CE, era quem realizava, via conta bancária pessoal, a movimentação financeira da
organização criminosa, sendo responsável por repassar os pagamentos, que eram realizados, a
CHIQUITITO.

Os autos comprovam que apenas CHIQUITITO e PEQUENO tinham conhecimento da atuação de


PINGO na atividade criminosa.

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De acordo com a narrativa do Parquet, em 30/07/2020, PEQUENO foi preso em Fortaleza/CE, Ceará,
transportando 150 quilos de maconha, cannabis sativa, a qual teria sido objeto de negociação entre
CHIQUITITO e HNI.

A droga, comprovadamente oriunda e produzida em Pernambuco, onde domiciliado CHIQUITITO,


era destinada a MARIA JOAQUINA.

A prisão somente foi possível em razão de diversas diligências prévias realizadas pelas autoridades
policiais, associadas a interceptações telefônicas, autorizadas, desde 15/02/2020, pelo magistrado
competente da Comarca de Fortaleza/CE.

Relata a peça inicial que PEQUENO, no ato da prisão em flagrante, portava uma Pistola .40 S&W,
sem registro regular ou mesmo autorização para porte. Além disso, o veículo em que era transportada
a droga havia sido objeto de roubo em outro estado da federação. Foram apreendidos, ainda, um
aparelho celular e R$ 100.000,00 (cem mil reais) em espécie. Tais fatos foram todos comprovados no
decorrer da instrução.

A espécie e a quantidade da droga apreendida foram atestadas por laudo pericial toxicológico, juntado
devidamente aos autos e submetido ao contraditório e à ampla defesa.

O MPE aponta diálogos travados entre MARIA JOAQUINA e CARMEM como característicos da
atividade de comercialização de drogas entorpecentes proibidas, como um encontro marcado, para
03/03/2020, com PEQUENO, para tratar de um carregamento de entorpecentes. Além disso,
conversas entre CHIQUITITO e HNI, em mais de 20 oportunidades no período das escutas
telefônicas, indicam intensa tratativa para a efetivação do tráfico de maconha. Há, ainda, diversos
diálogos de CARMEM com interlocutores não identificados, mas também relativas ao comércio de
entorpecentes, especialmente voltadas para a cobrança de valores da droga repassada por MARIA
JOAQUINA.

Também em 30/07/2020, foi efetivada, a partir de pedido da autoridade policial, prisão preventiva de
todos os demais réus, estando todos reclusos preventivamente até o presente momento.

Denúncia ofertada, acompanhada dos autos do inquérito correspondente, e com pedido de perícia de
dados no aparelho telefônico apreendido com PEQUENO quando de sua prisão. O pedido foi deferido
e os denunciados foram notificados.

Os réus ofereceram defesa preliminar, apontando, salvo quanto a PEQUENO que confessou
exclusivamente o transporte da droga, na função de mula, a absoluta inocência de todos os réus.

A denúncia foi recebida em 10/01/2021.

Os réus apresentaram defesa, na qual reiteram os termos da defesa preliminar.

Em 08/04/2021, realizou-se audiência de instrução, na qual foram colhidos os depoimentos das


testemunhas de defesa, todas elas simplesmente abonatórias, e realizados os interrogatórios dos
corréus, tendo PEQUENO confessado, unicamente, ter transportado a droga de Pernambuco para

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Fortaleza/CE, sem, contudo, indicar de quem seria a droga e para quem seria enviada, negando, ainda,
a prática de todos os demais delitos (destacou que desconhecia a origem da arma; sobre o veículo,
relata que apenas fazia o transporte, mas que não era de sua propriedade e nem sabia que o mesmo
havia sido objeto de delito antecedente).

Juntado aos autos laudo pericial do telefone apreendido com PEQUENO e que retrata inúmeros
diálogos em aplicativo de conversas, no período de 15/02/2020 a 29/07/2020, entre os denunciados,
tratando sempre da compra e venda de drogas, com a descrição de, ao menos, três carregamentos
vindos de Pernambuco para Fortaleza/CE, sempre com entrega a MARIA JOAQUINA. As
mensagens descrevem exatamente a estrutura hierárquica apontada pelo Ministério Público na inicial
acusatória.

Com base na situação acima descrita, apresente, em alegações finais orais, a manifestação do Ministério
Público, respeitado o tempo limite de 20 (vinte) minutos.

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