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PROBLEMAS EM “MECANISMOS DA MEDIUNIDADE”

(*)
José Edmar Arantes Ribeiro(**)

INTRODUÇÃO O presente trabalho, neste ano memorável em que o livro “Mecanismos da Mediunidade” [1] completa seu cinquentenário, tem por objetivo apresentar, da forma mais completa possível, os erros da referida obra. Nossas notas referentes aos 4 primeiros capítulos do livro datam de 05/02/05, e as referentes aos capítulos 5-8, de 19/08/05, todas realizadas a lápis no próprio exemplar que possuímos. Somente agora, revisadas e acrescidas de comentários referentes ao restante da obra, estão a se tornar, finalmente, públicas. Do que temos notícia, somente em 2003 houve uma tentativa de levar a cabo um trabalho desse tipo [2], quando foi apresentada uma análise dos livros “Evolução em Dois Mundos” e “Mecanismos da Mediunidade”. Porém, tal empreendimento foi malsucedido. A responsável por ele, ironicamente, incorreu em mais erros do que os por ela apontados nas obras referidas, conforme mostramos em [3], além de não ter evidenciado a absoluta maioria dos reais problemas de “Mecanismos da Mediunidade”. Somente no que tange à análise deste livro, dos 21 comentários realizados, a autora incorreu em 13 erros, tanto interpretativos quanto históricos e epistemológicos. Antes de iniciarmos nossa análise, gostaríamos de ressaltar que, no início de “Mecanismos da Mediunidade”, o próprio André Luiz informa-nos que se utilizou de livros de divulgação científica para a elaboração da obra. Vejamos:
Prevenindo qualquer observação da crítica construtiva, lealmente declaramos haver recorrido a diversos trabalhos de divulgação científica do mundo contemporâneo para tornar a substância espírita deste livro mais seguramente compreendida pela generalidade dos leitores (...) [1, p. 19]

Assim, temos já em mãos uma das razões por que tantos erros foram cometidos pelo autor espiritual: ele não soube escolher livros idôneos para a confecção de sua obra. Infelizmente, é mesmo fato que boa parte dos chamados livros de divulgação científica são recheados de erros.
Este trabalho, com exceção de uma melhor caracterização de uma de suas referências e de certos pontos de sua "Introdução", levemente modificada, pois que originalmente dirigida ao público da revista Reformador, foi submetido em 09/07/10, uma sexta-feira, via e-mail, à Comissão Editorial da FEB, que dele tomou conhecimento. Como até a presente data desta publicação virtual (03/09/10, também uma sexta-feira, exatamente 8 semanas após a submissão do trabalho), o último retorno que obtivemos da referida Comissão Editorial aconteceu em 25/08/10, após solicitação, com uma mensagem na qual éramos informados de que o trabalho estava sob análise de dois avaliadores mas que, ainda assim, a Comissão não poderia estabelecer um prazo para o parecer final (!), achamos por bem não esperar mais para publicá-lo, pelo avançado processo de subinformação que "Mecanismos da Mediunidade" causou e vem causando no meio espírita desde a sua publicação, há 50 anos. ** Bacharel, Mestre e Ex-Doutorando em Física pelo IFUSP - Instituto de Física da Universidade de São Paulo. Responsável por um blog localizado em http://espiritismobrasileiro.blogspot.com.
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Conforme pesquisa de Luciano dos Anjos, constante de sua obra “A AntiHistória das Mensagens Co-Piadas” [4], um dos livros consultados por André Luiz foi “O Átomo”, publicado no Brasil pela Editora Melhoramentos e de autoria do alemão de ascendência judia Fritz Kahn, médico e escritor. Feito este breve preâmbulo, vamos à nossa análise de “Mecanismos da Mediunidade”.

ANÁLISE Conforme consta da obra [1, p. 18], os capítulos ímpares foram psicografados por Waldo Vieira e os pares por Francisco C. Xavier. As seções e subseções que seguem terão, respectivamente, os mesmos títulos dos capítulos e seções de “Mecanismos da Mediunidade” cujos trechos nelas serão comentados. Após o nome de cada seção do livro, apresentamos o número de parágrafos nela contidos, para que o leitor perceba mais nitidamente como os erros de certos capítulos de “Mecanismos da Mediunidade” foram consecutivos. A ordem do(s) parágrafo(s) dada como referência após a transcrição de cada trecho refere-se à posição do parágrafo na seção analisada.

I – Ondas e percepções AGITAÇÃO E ONDAS (8 §’s) (...) a inteligência do século XX compreende que a Terra é um magneto de gigantescas proporções, constituído de forças atômicas condicionadas e cercado por essas mesmas forças em combinações multiformes, compondo o chamado campo eletromagnético em que o Planeta, no ritmo de seus próprios movimentos, se tipifica na Imensidade Cósmica. (No 1º. §) [1, p. 21] Três problemas estão presentes neste trecho de André Luiz: 1- A consideração da Terra como um enorme magneto já havia sido teorizada no século XVI, por William Gilbert; 2- Foi deveras imprecisa a passagem em que André Luiz fala que o magneto terrestre seria “constituído de forças atômicas condicionadas e cercado por essas mesmas forças em combinações multiformes”; 3- Seria mais correto dizer que à Terra, considerada como um magneto, está associado um campo magnético. Nesse reino de energias, em que a matéria concentrada estrutura o Globo de nossa moradia e em que a matéria em expansão lhe forma o clima peculiar, a vida desenvolve agitação (2º. §) [1, p. 21].

4- Passagem destituída de maiores significados. O único recado foi que a vida desenvolve agitação... TIPOS E DEFINIÇÕES (8 §’s) Nesta seção, André Luiz deixa muito a desejar, pois, além de não ter classificado corretamente as várias classes de ondas, fornece uma definição inapropriada para “onda”. Vejamos: As ondas são avaliadas segundo o comprimento em que se expressam, dependendo esse comprimento do emissor em que se verifica a agitação. (1º. §) [1, p. 22] Conforme [4], este trecho é muito similar a uma passagem de “O Átomo”. Podemos apontar dois problemas nele: 5- Para caracterizar plenamente uma onda, antes de analisarmos seu comprimento, devemos avaliar qual a natureza da onda – se mecânica ou eletromagnética –, qual a relação entre as direções de sua propagação e de sua vibração, e qual a forma de sua frente de onda, designação para os pontos atingidos por uma onda em um mesmo instante; 6- O comprimento de uma onda depende não só do emissor, mas também do meio em que ela propaga-se. Que é, no entanto, uma onda? À falta de terminologia mais clara, diremos que uma onda é determinada forma de ressurreição da energia, por intermédio do elemento particular que a veicula ou estabelece (6º. e 7º. §’s) [1, p. 22]. 7- O autor definitivamente não foi claro. Uma definição melhor de “onda” seria a de uma perturbação que se propaga. Partindo de semelhante princípio, entenderemos que a fonte primordial de qualquer irradiação é o átomo ou partes dele em agitação (...) (8º. §) [1, p. 22]. 8- Uma coisa não implica na outra, e nem poderia implicar, pois não é verdade que “a fonte primordial de qualquer irradiação é o átomo ou partes dele em agitação”. Vários tipos de ondas têm por fontes objetos macroscópicos. HOMENS E ONDAS (4 §’s) (...) oscilando de maneira integral, sacudidos simplesmente nos elétrons de suas órbitas ou excitados apenas em seus núcleos, os átomos lançam de si ondas que produzem calor e som, luz e raios gama, através de inumeráveis combinações (No 1º.§) [1, p. 23]. 9- Não faz sentido falar-se em “ondas que produzem calor e som, luz e raios gama”. O autor certamente intentara dizer algo como “ondas na forma de calor e som,

luz e raios gama”. Mas ainda neste caso ele estaria cometendo um equívoco, pois não é razoável supor-se a existência de sons em nível atômico. E o homem, colocado nas faixas desse imenso domínio, em que a matéria quanto mais estudada mais se revela qual feixe de forças em temporária associação, sòmente assinala as ondas que se lhe afinam com o modo de ser (3º. §) [1, p. 23]. 10- É bastante obscuro o trecho “a matéria quanto mais estudada mais se revela qual feixe de forças em temporária associação”. Temo-lo, dessa maneira, por viajante do Cosmo, respirando num vastíssimo império de ondas que se comportam como massa ou vice-versa (...) (Último §) [1, p. 23] 11- É um nonsense a afirmação de que as ondas comportam-se como massa ou vice-versa. Talvez a intenção do autor, visto que ele tratara de ondas eletromagnéticas poucas linhas antes, tenha sido a de enfatizar a dualidade onda-partícula do fóton. CONTINENTE DO “INFRA-SOM” (5 §’s) Nesse domínio das correntes imperceptíveis, identificaremos as ondas eletromagnéticas de Hertz a se exteriorizarem da antena alimentada pela energia elétrica e que, apresentando frequência aumentada, com o emprego do. chamados “circuitos oscilantes”, constituídos com o auxílio de condensadores, produzem as ondas da telegrafia sem fio e do rádio comum, começando pelas ondas longas, até aproximadamente mil metros, na medida equivalente à frequência de 300.000 vibrações por segundo ou 300 quilociclos, e avançando pelas ondas curtas, além das quais se localizam as ondas métricas ou decimétricas, disciplinadas em serviço do radar e da televisão (4º. §) [1, p. 24]. 12- O trecho acima está completamente fora de contexto, pois o autor fala de ondas eletromagnéticas, não de “infra-sons”! Além disso, foi tratado de ondas eletromagnéticas da ordem de 300 kHz, enquanto os “infra-sons” têm frequências abaixo de 40 Hz... Até a última edição de “Mecanismos da Mediunidade”, o trecho em questão continuava onde esteve na primeira edição, ou seja, completamente fora de contexto. É curioso nestes 50 anos de publicação da obra ninguém ter denunciado publicamente isto... E mais interessante ainda é observar que o trecho em questão encaixa-se perfeitamente após o primeiro parágrafo da última seção deste capítulo que estamos a analisar, denominada “Outros Reinos Ondulatórios”... OUTROS REINOS ONDULATÓRIOS (7 §’s) Nesta seção, após tratar das várias classes de ondas eletromagnéticas, o autor arremata dizendo: Semelhantes notas oferecem ligeira ideia da transcendência das ondas nos reinos do Espírito, com base nas forças do pensamento [1, p. 26]. 13- Porém, este fecho não tem relação com o que fora apresentado.

II – Conquistas da Microfísica PRIMÓRDIOS DA ELETRÔNICA (7 §’s) 14- Esta seção, como pode ser notado a partir de sua leitura, passa longe de tratar dos “primórdios da Eletrônica”. Espíritos eminentes, atendendo aos imperativos da investigação científica entre os homens, volvem da Espiritualidade ao Plano Terrestre, incentivando estudos acerca da natureza ondulatória do Universo (1º. §) [1, p. 27]. 15- Natureza ondulatória do Universo? Ficou esquisito isso aí... A Eletrônica balbucia as primeiras notas com Tales de Mileto, 600 anos antes do Cristo (2º. §) [1, p. 27]. 16- Bem, André Luiz deveria ter dito “Eletricidade” em vez de “Eletrônica”, uma vez que este último termo é utilizado para designar-se a ciência que estuda circuitos elétricos e eletrônicos com o objetivo de lidar com informações, ramo do conhecimento que somente surgiria quase 2500 anos depois dos trabalhos de Tales de Mileto... Seus apontamentos sobre as emanações luminosas são retomados, no curso do tempo, por Herão de Alexandria e outras grandes inteligências, culminando nos raciocínios de Descartes, no século 17, que, inspirado na teoria atômica dos gregos, conclui, trezentos anos antes da descoberta do eletrão, que na base do átomo deveria existir uma partícula primitiva, chegando a desenhá-la, com surpreendente rigor de concepção, como sendo um «remoinho» ou imagem aproximada dos recursos energéticos que o constituem. (4º. §) [1, p. 27] Vários erros estão presentes neste trecho, que, a partir de “Descartes (...)”, é extremamente similar a uma passagem da obra “O Átomo”, conforme [4]. Vamos a eles: 17- Não nos consta que Tales de Mileto tenha produzido qualquer trabalho sobre “emanações luminosas”; 18- Os assuntos estudados por Heron de Alexandria no campo da Óptica foram antes perquiridos por Arquimedes, não por Tales de Mileto; 19- Tudo isso não teria coisa alguma que ver com um suposto modelo atômico conjecturado por Descartes; 20- Trezentos anos antes da descoberta do elétron seria fins do séc. XVI. Mas fins do séc. XVI foi quando Descartes nascera, de modo que André Luiz cometeu um erro ao afirmar que Descartes teria proposto o aludido modelo atômico 300 anos antes da descoberta do elétron;

21- À época de Descartes, a ideia de átomo ainda estava ligada ao seu étimo, ou seja, à noção de indivisível, de modo que é inverídica a afirmação de André Luiz que Descartes teria concluído “que na base do átomo deveria existir uma partícula primitiva”. Além disso, vale ressaltar que Descartes não aceitava a ideia de algo indivisível; 22- André Luiz finaliza a passagem com estas palavras: “(...) chegando a desenhá-la, com surpreendente rigor de concepção, como sendo um «remoinho» ou imagem aproximada dos recursos energéticos que o constituem”. Bem, é claramente perceptível que este trecho ficou confuso. Talvez André Luiz tenha querido dizer algo como: “(...) chegando a desenhar, com surpreendente rigor de concepção, como sendo um «remoinho» a imagem aproximada dos recursos energéticos que o constituiriam”. (...) sem excluir a hipótese de ondas vibratórias (...) (No 5º. §) [1, pp. 27-28]. 23- “Ondas vibratórias” é uma expressão bem esquisita... Franklin teoriza sobre o fluido elétrico e propõe a hipótese atômica da eletricidade, tentando classificá-la como sendo formada de grânulos sutis, perfeitamente identificáveis aos remoinhos eletrônicos hoje imaginados. (Último §) [1, p. 28] 24- “Remoinhos eletrônicos”? André Luiz não se expressou bem... CAMPO ELETROMAGNÉTICO (6 §’s) 25- Não há razão para que esta seção tenha aparecido em um capítulo sobre “conquistas da microfísica”. Sucedem-se investigadores e pioneiros, até que, em 1869, Maxwell afirma, sem que as suas asserções lograssem despertar maior interesse nos sábios de seu tempo, que as ondulações de luz nasciam de um campo magnético associado a um campo elétrico, (...) assegurando que as linhas de força extravasam dos circuitos, assaltando o espaço ambiente e expandindo-se como pulsações ondulatórias. (...) (2º. §) [1, p. 28] 26- Maxwell em momento algum afirmara que “as ondulações de luz nasciam de um campo magnético associado a um campo elétrico”, mesmo porque, segundo sua definição de “campo”, isto não faria muito sentido. O que ele disse foi que a luz seria simplesmente um “distúrbio eletromagnético”, e sua teoria fora publicada em um artigo de 1864 [5, p. 499]; 27- Que as “linhas de força” extravasavam dos circuitos já havia sido proposto por Faraday em 1831 [6, p. 190], e isto não tem relação direta com a postulação da natureza eletromagnética da luz; 28- “Pulsações ondulatórias”: mais dentre as tantas terminologias inadequadas utilizadas por André Luiz...

Entretanto, certa indagação se generalizara. Reconhecido o mundo como vasto magneto, composto de átomos, e sabendo-se que as ondas provinham deles, como poderiam os sistemas atômicos gerá-las, criando, por exemplo, o calor e a luz? (Últimos §’s) [1, p. 29] 29- O reconhecimento da Terra como um vasto magneto é um tópico que não tem relação alguma com a pergunta apresentada; 30- André Luiz deveria ter dito explicitamente que as ondas das quais está falando são as eletromagnéticas; 31- As ondas eletromagnéticas que existem no planeta Terra não são todas produzidas pelos átomos que o constituem. Além dos raios cósmicos e da própria luz solar, apreciável parcela dos raios gama, raios X e ondas de rádio detectáveis em nosso planeta são provenientes de fora dele. Ademais, grande parte das ondas eletromagnéticas que circulam a Terra é produzida artificialmente pelo homem; 32- A produção de calor e luz pelos átomos são fenômenos conhecidos com boa precisão desde a primeira quinzena do século XX. ESTRUTURA DO ÁTOMO (4 §’s) Max Planck, distinto físico alemão, repara, em 1900, que o átomo, em lançando energia, não procede em fluxo contínuo, mas sim por arremessos individuais ou, mais propriamente, através de grânulos de energia, estabelecendo a teoria dos “quanta de energia”. (1º. §) [1, p. 29] 33- Não foi bem essa a contribuição de Planck. Em seu artigo de dezembro de 1900, ele postulou que “a energia dos osciladores da parede de um corpo negro seria quantizada nos processos de absorção e de emissão de radiação” [7, pp. 38-45], não que “o átomo, em lançando energia, não procede em fluxo contínuo”, como dito por André Luiz. Uma coisa é bem diferente da outra. Foi então que Niels Bohr deduziu que a descoberta de Planck somente se explicaria pelo fato de gravitarem os elétrons, ao redor do núcleo, no sistema atômico, em órbitas seguramente definidas, a exteriorizarem energia, não girando como os planetas em torno do Sol, mas saltando, de inesperado, de uma camada para outra. (2º. §) [1, p. 29] 34- Na realidade, Bohr não deu contribuição teórica alguma à “descoberta” de Planck. O que ele fez foi estender a proposta de Planck (quantização da energia dos osciladores da parede de um corpo negro) também para a energia dos elétrons nos átomos. ELETRÃO E RADIOATIVIDADE (6 §’s) O jovem pesquisador francês Jean Perrin, utilizando a ampola de Crookes e o eletroscópio, conseguiu positivar a existência do eletrão, como partícula elétrica,

viajando com rapidez vertiginosa. (...) Surge, todavia, José Thomson, distinto físico inglês, que, estudando-a do ponto de vista de um projétil em movimento, consegue determinar-lhe a massa, que é, aproximadamente, 1.850 vezes menor que a do átomo conhecido por mais leve, o hidrogênio, calculando-lhe, ainda, com relativa segurança, a carga e a velocidade. (1º. e 3º. §) [1, p. 31] 35- Da maneira como André luiz redige este trecho, fica-se com a impressão que a obtenção por J. J. Thomson da massa do elétron precedera sua obtenção da carga e da velocidade do mesmo na ampola de Crookes. Isto não é verdade. Primeiro, em um trabalho apresentado em 1895, Thomson propõe um valor para a velocidade dos elétrons [6, p. 400]. Depois, em um trabalho de 1897, ele apresenta um novo valor para a referida velocidade (bem maior) e também a relação massa/carga de cada elétron [6, pp. 405]. A magnitude da carga elétrica em íons de gases rarefeitos, o que possibilitaria o cálculo da massa do elétron, só foi obtida com relativa precisão por Thomson em 1898 [6, pp. 407-408]. A Ciência percebeu, afinal, que a radioatividade era como que a fala dos átomos, asseverando que eles nasciam e morriam ou apareciam e desapareciam no reservatório da Natureza. (Último §) [1, pp. 31-32] 36- Bem, se considerarmos que a Ciência teria percebido que a radioatividade é como que a fala dos átomos, deveríamos concluir que ela percebera, também, que certos átomos seriam mudos, por não serem radioativos... Além disso, não faz o menor sentido falar-se em átomos nascendo e morrendo. Mesmo no caso específico dos átomos radioativos, o que ocorre é que eles transformam-se em átomos de número atômico e, consequentemente, massa menores, não que desaparecem. QUÍMICA NUCLEAR (6 §’s) O contador de Geiger, emergindo no cenário das experimentações da Microfísica, demonstrou que, em cada segundo, de um grama de rádio se desprendem 36 bilhões de fragmentos radioativos da corrente mais fraca de raios emanantes desse elemento, perfazendo um total de 20.000 quilômetros de irradiação por segundo. (1º. §) [1, p. 32] 37- Mesmo levando-se em consideração que os valores numéricos mencionados são dados da época (década de 50), no lugar de “... perfazendo um total de ...” deveríamos ler algo como “... na razão de ...”. Apreendendo-se que a radioatividade exprimia a morte dos sistemas atômicos, (...) (3º. §) [1, p. 32] 38- Vide comentário 36. Nossos apontamentos sintéticos objetivam apenas destacar a analogia do que se passa no mundo íntimo das forças corpusculares que entretecem a matéria física e daquelas que estruturam a matéria mental. (Último §) [1, p. 33]

39- Aqui, André Luiz menciona pela primeira vez a expressão “matéria mental”. Mas se nenhuma definição desta matéria havia sido dada, se nenhum de seus atributos havia sido mencionado, então somos forçados a concluir que não houve qualquer destaque das analogias entre as “forças corpusculares que entretecem a matéria física” (construção por sinal bastante obscura) e as que estruturariam a dita matéria mental.

III – Fotônios e fluido cósmico 40- Conforme pode ser notado da leitura deste capítulo de “Mecanismos da Mediunidade”, além de André Luiz tratar de tópicos não relacionados aos fotônios (fótons) propriamente ditos, como “fórmula de de Broglie” e “mecânica ondulatória”, somente no último parágrafo da última seção é que alguma coisa foi dita sobre “fluido cósmico”. ESTRUTURA DA LUZ (9 §’s) Os físicos eram defrontados pelo problema, quando Einstein, estruturando a sua teoria da relatividade, no princípio do século XX, chegou à conclusão de que a luz, nesse novo aspecto, possuiria peso específico. Isso implicava a existência de massa para a luz. Como conciliar vibração e peso, onda e massa? (3º., 4º. e 5º. §’s) [1, p. 34] 41- Em nenhum momento, na elaboração de sua teoria da relatividade restrita, Einstein falara que a luz teria um peso específico, uma massa! Intrigado, o grande cientista voltou às experiências de Planck e Bohr e deduziu que a luz de uma lâmpada resulta de sucessivos arremessos de grânulos luminosos, em relâmpagos consecutivos, a se desprenderem dela por todos os lados. (6º. §) [1, p. 34] Neste trecho, André Luiz refere-se ao trabalho de Einstein enfeixado em [8]. Porém: 42- O parágrafo transcrito não tem qualquer relação com a pergunta que o antecede; 43- Einstein em momento algum de seu artigo poderia ter se voltado às experiências de Planck e Bohr, uma vez que estes, como ele, eram físicos teóricos; 44- No artigo de Einstein, realmente foram feitas menções a Planck e seus trabalhos, mas vale ressaltar que Bohr, com 20 anos incompletos na data da publicação do artigo, nem mesmo havia publicado qualquer trabalho científico até então, de modo que Einstein, que não se valeu das ideias do físico dinamarquês, nem mesmo poderia ter se valido delas. O aumento de intensidade da luz, por isso, não acrescenta velocidade aos eletrões expulsos, o que apenas acontece ante a incidência de uma luz caracterizada por oscilação mais curta (9º. §)

45- Melhor seria André Luiz ter se referido a “uma luz caracterizada por período de oscilação mais curto”. “SALTOS QUÂNTICOS” (6 §’s) A teoria dos “saltos quânticos” explicou, de certo modo, as oscilações eletromagnéticas que produzem os raios luminosos. (1º. §) [1, p. 35] 46- O que a referida teoria de certo modo explicou foi a produção de ondas eletromagnéticas por átomos, não “as oscilações eletromagnéticas que produzem os raios luminosos”, o que nem mesmo faz sentido dizer. No átomo excitado, aceleram-se os movimentos, e os eletrões que lhe correspondem, em se distanciando dos núcleos, passam a degraus mais altos de energia. Efetuada a alteração, os eletrões se afastam dos núcleos aos saltos, de acordo com o quadrado dos números cardinais, isto é, de 1 para 2 no primeiro salto, de 2 para 4 no segundo, de 3 para 9 no terceiro, de 4 para 16 no quarto, e assim sucessivamente. (2º. §) [1, p. 35] 47- Não há qualquer base científica em dizer-se que, no átomo excitado, “aceleram-se os movimentos”. Além disso, no primeiro período do parágrafo acima, deveria estar grafado “núcleo”, não “núcleos”, pois André Luiz inicia sua explanação falando de um átomo excitado em particular; 48- O segundo período, que é quase uma transcrição de uma passagem da obra “O Átomo” (vide [4]), está despido de significado. Além de novamente falar em “núcleos” em vez de “núcleo”, André Luiz diz apenas que os elétrons afastam-se “de acordo com o quadrado dos números cardinais”. Ora, isto não diz nada! O autor deveria ter explicado: a energia de cada órbita eletrônica, segundo o modelo de Bohr, é proporcional (com constante de proporcionalidade negativa) ao inverso do quadrado do número cardinal associado a ela. Compreenderemos, portanto, que, quanto mais distante do núcleo, mais comprido será o salto (...) (6º. §) [1, p. 36] 49- Esta ideia também está presente, de forma quase idêntica, em “O Átomo”, que diz: Quanto mais distante do núcleo, mais longo será o salto (...) (vide [4]). Fritz Kahn e André Luiz (que o repetiu) equivocaram-se. Quanto mais distante do núcleo, mais curto é o salto, pois, segundo o modelo de Bohr, as órbitas eletrônicas tornam-se mais contíguas quanto mais afastadas do núcleo atômico. “EFEITO COMPTON” (2 §’s) Buscando um exemplo, verificaremos que a estimulação das órbitas eletrônicas externas produzirá a luz vermelha, formada de ondas longas, enquanto que o mesmo processo de atrito nas órbitas que se lhe seguem, na direção do núcleo, originará a irradiação azul, formada de ondas mais curtas (...) (1º. §) [1, p. 36]

50- André Luiz expressou-se muito mal ao utilizar a expressão “processo de atrito” para expor sua ideia. FÓRMULA DE DE BROGLIE (5 §’s) A evidência do fotônio vinha enriquecer a teoria corpuscular da luz. Entretanto, certos fenômenos se mantinham à margem, sòmente explicáveis pela teoria ondulatória que a Ciência não aceitara até então. (1º. §) [1, p. 37] 51- Informação errada. A teoria ondulatória era muito bem aceita pela Ciência na época em questão (primeira vintena do século XX), e isto desde a primeira vintena do século XIX, após trabalhos de Young, Arago e Fresnel. Deve ser notado, também, que o que seguiu nesta seção (a peculiar ideia de de Broglie sobre o caráter ondulatório de todos os corpúsculos) não tem relação com os esforços que foram envidados no sentido de se adaptar a teoria corpuscular da luz aos fenômenos então somente explicáveis pela teoria ondulatória. MECÂNICA ONDULATÓRIA (6 §’s) Mais da metade do Universo foi reconhecido como um reino de oscilações, restando a parte constituída de matéria igualmente suscetível de converter-se em ondas de energia. (4º. §) [1, p. 38] 52- Não há qualquer base científica para essa afirmação, que, aliás, ao utilizar-se da expressão “ondas de energia”, é por si mesma problemática. O mundo material como que desapareceu, dando lugar a tecido vasto de corpúsculos em movimento, arrastando turbilhões de ondas em frequências inumeráveis, cruzando-se em todas as direções, sem se misturarem. (5º. §) [1, p. 38] 53- O mesmo problema do item anterior repete-se aqui. Além de não haver qualquer base científica para a afirmação que “o mundo material como que desapareceu”, a própria consideração de um “tecido vasto de corpúsculos em movimento” já contradiz a afirmação que o mundo material teria como que desaparecido! O homem passou a compreender, enfim, que a matéria é simples vestimenta das forças que o servem nas múltiplas faixas da Natureza (...) (6º. §) [1, p. 38] 54- Essa afirmação, do ponto de vista científico, é nula. Além disso, se André Luiz quis passar a ideia que o homem enfim reconhecera o lado “espiritual”, digamos assim, da Natureza, podemos dizer que esse reconhecimento, cientificamente, na realidade não aconteceu. “CAMPO” DE EINSTEIN 55- O título desta seção deveria ser outro, pois em momento algum foi tratado de algo como um “campo de Einstein”.

(...) não ignoramos que o átomo é um remoinho de forças positivas e negativas, cujos potenciais variam com o número de elétrons ou partículas de força em torno do núcleo, informamo-nos de que a energia, ao condensar-se, surge como massa para transformar-se, depois, em energia; entretanto, o meio sutil em que os sistemas atômicos oscilam não pode ser equacionado com os nossos conhecimentos. Até agora, temos nomeado esse «terreno indefinível» como sendo o «éter»; contudo, Einstein, quando buscou imaginar-lhe as propriedades indispensáveis para poder transmitir ondas características de bilhões de oscilações, com a velocidade de 300.000 quilômetros por segundo, não conseguiu acomodar as necessárias grandezas matemáticas numa fórmula, porquanto as qualidades de que essa matéria devia estar revestida não são combináveis, e concluiu que ela não existe, propondo abolir-se o conceito de «éter», substituindo-o pelo conceito de «campo». (1º. §) [1, pp. 38-39] Neste parágrafo temos vários problemas. Devemos ressaltar, também, que, a partir de “Einstein (...)”, todo o trecho é quase cópia de uma passagem de “O Átomo”, que diz: Quando porém Einstein procurou calcular quais devem ser as propriedades desse “éter” para poder transmitir ondas de bilhões de oscilações com a velocidade de 300.000 km por segundo sobre distâncias da luz, as necessárias grandezas matemáticas não puderam ser reduzidas a uma fórmula. As qualidades que tal matéria devia possuir não são combináveis. Ela não pode existir. Foi porque Einstein propôs abandonar-se o conceito do éter e substituí-lo pelo de “campo”. Chama-se de campo o espaço dominado pelas energias de uma partícula de massa (vide [4]). Vamos aos erros do parágrafo de André Luiz: 56- Dizer que “o átomo é um remoinho de forças positivas e negativas” é utilizar terminologias completamente alheias ao discurso científico moderno e contemporâneo; 57- Não é que “a energia, ao condensar-se, surge como massa para transformarse, depois, em energia”, mas que existe uma interdependência entre massa e energia; 58- É historicamente inverídica a afirmação de que Einstein, quando buscou imaginar as propriedades do éter que o possibilitaria transmitir as ondas eletromagnéticas, “não conseguiu acomodar as necessárias grandezas matemáticas numa fórmula”. Em momento algum das reflexões do físico alemão que culminaram em seu artigo de 1905 sobre a eletrodinâmica dos corpos moventes houve algo como uma “dificuldade de acomodação de grandezas matemáticas numa fórmula”. Mas o que se seguiu no trecho de André Luiz foi ainda pior... 59- “(...) porquanto as qualidades de que essa matéria devia estar revestida não são combináveis (...)”: não tem qualquer sentido esta passagem; 60- “(...) e concluiu que ela não existe, propondo abolir-se o conceito de «éter», substituindo-o pelo conceito de «campo»”: Einstein, em 1905, realmente propôs a abolição do conceito de “éter”, mas é um grande erro afirmar que ele teria então substituído este conceito pelo de “campo”.

Campo, desse modo, passou a designar o espaço dominado pela influência de uma partícula de massa. Para guardarmos uma ideia do princípio estabelecido, imaginemos uma chama em atividade. A zona por ela iluminada é-lhe o campo peculiar. (...) (2º. e 3º. §) [1, p. 39] 61- Várias são as definições utilizadas em Física para “campo”, mas aquela associada à ideia de “espaço” não surgiu com Einstein, mas com Faraday, vários anos antes [9, pp. 33-36], e poderia ser descrita como “porção de espaço que, de acordo com a natureza das influências que exerce, recebe nomes como campo gravitacional, campo elétrico, campo magnético, etc.”.

IV – Matéria mental PENSAMENTO DO CRIADOR (3 §’s) (...) E superpondo-se-lhe à grandeza indevassável, encontraremos a matéria mental que nos é própria, em agitação constante, plasmando as criações temporárias, adstritas à nossa necessidade de progresso. (1º. §) [1, p. 40] 62- O trecho sublinhado, como pode ser percebido da leitura da seção seguinte do livro (“Pensamento das Criaturas”), deveria ter aparecido algo como “a matéria mental própria das criaturas, em agitação constante, plasmando as criações temporárias, adstritas à geral necessidade de progresso”. CORPÚSCULOS MENTAIS (5 §’s) 63- Como veremos da discussão desta seção, seu título deveria ter sido outro. Talvez “Corpúsculos Extrafísicos”. (...) Entretanto, ele [o pensamento] ainda é matéria, — a matéria mental, em que as leis de formação das cargas magnéticas ou dos sistemas atômicos prevalecem sob novo sentido, compondo o maravilhoso mar de energia sutil em que todos nos achamos submersos e no qual surpreendemos elementos que transcendem o sistema periódico dos elementos químicos conhecidos no mundo. (1º. §) [1, p. 42] 64- O primeiro trecho grifado é ininteligível, e o segundo deveria ter sido substituído por algo como “tudo o que é conhecido no mundo físico”. Temos, ainda aqui, as formações corpusculares, com bases nos sistemas atômicos em diferentes condições vibratórias, considerando os átomos, tanto no plano físico, quanto no plano mental, como associações de cargas positivas e negativas. (2º. §) [1, p. 42] Isso nos compele naturalmente a denominar tais princípios de «núcleos, protões, neutrões, positrões, eletrões ou fotônios mentais», em vista da ausência de

terminologia analógica para estruturação mais segura de nossos apontamentos. (3º. §) [1, p. 42] 65- É perceptível, uma vez que André Luiz trata nos trechos acima da matéria em seu mundo de ação, que no lugar de plano mental e fótons mentais deveria ter aparecido plano extrafísico e fotônios extrafísicos, terminologias analógicas mais apropriadas. Assim é que o halo vital ou aura de cada criatura permanece tecido de correntes atômicas sutis dos pensamentos que lhe são próprios ou habituais (...) (4º. §) [1, p. 42] 66- A primeira passagem grifada não tem razão de existir, e a segunda deveria ser substituída apenas por “correntes sutis”. Essas forças, em constantes movimentos sincrônicos (...) (5º. §) [1, p. 42] 67- André Luiz falava antes em “correntes”, agora se refere a elas como “essas forças”. Para que acompanhemos certos pontos de suas elucubrações, precisamos ter em mente que o autor espiritual utiliza terminologias próprias da Física de maneira muito plástica, nada rigorosa. MATÉRIA MENTAL E MATÉRIA FÍSICA (2 §’s) Em posição vulgar, acomodados às impressões comuns da criatura humana normal, os átomos mentais inteiros, regularmente excitados, na esfera dos pensamentos, produzirão ondas muito longas ou de simples sustentação da individualidade, correspondendo à manutenção de calor. Se forem os eletrões mentais, nas órbitas dos átomos da mesma natureza, a causa da agitação, (...) (1º. §) [1, pp. 42-43] 68- No lugar de átomos mentais inteiros deveria ter aparecido algo como átomos extrafísicos, no lugar de manutenção de calor, algo como produção de calor, e no lugar de eletrões mentais, algo como eletrões extrafísicos. Assim considerando, a matéria mental, embora em aspectos fundamentalmente diversos, obedece a princípios idênticos àqueles que regem as associações atômicas, na esfera física, demonstrando a divina unidade de plano do Universo. (2º. §) [1, p. 43] 69- Em lugar de matéria mental deveria ter aparecido algo como matéria extrafísica. INDUÇÃO MENTAL (4 §’s) Recorrendo ao “campo” de Einstein, imaginemos a mente humana no lugar da chama em atividade. Assim como a intensidade de influência da chama diminui com a distância do núcleo de energias em combustão, demonstrando fração cada vez menor,

sem nunca atingir a zero, a corrente mental se espraia, segundo o mesmo princípio, não obstante a diferença de condições. (1º. §) [1, p. 43] 70- Como já afirmado anteriormente (comentário 61), a idéia de “campo” utilizada para o exemplo da chama em atividade não foi devida a Einstein; 71- Sobre a expressão corrente mental, durante toda a presente seção e a seguinte (“Formas-Pensamentos”) aparece um ponto aparentemente em desacordo com as três anteriores: enquanto nestas André Luiz trata da propagação do pensamento com base na ideia de onda mental, na presente e na próxima seção ele utiliza a expressão corrente mental (também corrente de partículas mentais e corrente de matéria mental) para descrever o processo. Sendo assim, se não queremos tomar por erro este fato, devemos considerar que, para André Luiz, as expressões onda mental e corrente mental têm significados estritamente próximos. Tanto quanto, no domínio da energia elétrica, a indução significa o processo através do qual um corpo que detenha propriedades eletromagnéticas pode transmiti-las a outro corpo sem contacto visível, no reino dos poderes mentais a indução exprime processo idêntico (...) E tanto na eletricidade quanto no mentalismo, o fenômeno obedece à conjugação de ondas, enquanto perdure a sustentação do fluxo energético. (3º. §) [1, p. 44] 72- Em lugar de “propriedades eletromagnéticas” deveria ter aparecido “propriedades elétricas”; 73- Não é verdade que em Eletricidade o fenômeno da indução esteja relacionado a ondas. FORMAS-PENSAMENTOS (3 §’s) Pelos princípios mentais que influenciam em todas as direções, encontramos a telementação e a reflexão comandando todos os fenômenos de associação (...) (1º. §) [1, p. 44] 74- André Luiz utiliza o neologismo “telementação” sem tê-lo definido antes e, também sem as devidas explicações, fala em “reflexão” comandando os fenômenos de associação. Emitindo uma ideia, passamos a refletir as que se lhe assemelham, ideia essa que para logo se corporifica, com intensidade correspondente à nossa insistência em sustentá-la, mantendo-nos, assim, espontâneamente em comunicação com todos os que nos esposem o modo de sentir. (2º. §) [1, pp. 44-45] 75- Não é difícil observar que este parágrafo fora mal estruturado. Ele deveria ter sido redigido mais ou menos assim: “Emitindo uma ideia, passamos também a assimilar as que se lhe assemelham, e a ideia emitida, que para logo se corporifica, com

intensidade correspondente à nossa insistência em sustentá-la, mantém-nos, assim, espontâneamente em comunicação com todos os que nos esposem o modo de sentir”.

V – Corrente elétrica e corrente mental GERADOR MEDIÚNICO (3 §’s) Estabelecido um fio condutor de um para o outro que, em nosso problema, representa o pensamento de aceitação ou adesão do médium (...) (2º. §) [1, p. 48] 76- Analogia imprópria. Isto pode ser constatado inclusive do próximo parágrafo da seção, onde André Luiz informa-nos que o pensamento de aceitação ou adesão do médium na realidade seria análogo a um gerador de força. ÁTOMOS E ESPÍRITOS (4 §’s) 77- Esta seção é um desastre completo, como poderá ser constatado a seguir. Para entendermos com mais segurança o problema da compensação vibratória na produção da corrente elétrica e (de outro modo) da corrente mental, lembremo-nos de que, conforme a lei de Coulomb, as cargas de sinal contrário ou de força centrípeta atraem-se, contrabalançando-se essa atração com a repulsão por elas experimentada, ante as cargas de sinal igual ou de força centrífuga. (1º. §) [1, p. 48] 78- A passagem grifada não é clara. Nunca se falou em nada parecido em Eletricidade; 79- É incorreta a afirmação que cargas de sinal contrário são de força centrípeta e que cargas de sinal igual são de força centrífuga. A harmonia eletromecânica do sistema atômico se verifica toda vez que se encontre neutro ou, mais propriamente, quando as unidades positivas ou unidades do núcleo são em número idêntico ao das negativas ou aquelas de que se constituem os eletrões, estabilidade essa que decorre dos princípios de gravitação nas linhas do microcosmo. (2º. §) [1, pp. 48-49] 80- “Unidades positivas” não é o mesmo que “unidades do núcleo”, pois neste, além das unidades positivas (prótons), existem unidades neutras (nêutrons); 81- “Unidades negativas” não é o mesmo que “aquelas de que se constituem os eletrões”, pois os elétrons são as próprias unidades negativas; 82- O equilíbrio dos sistemas atômicos não decorre de forças gravitacionais, que são as menos relevantes nestes domínios; 83- Por fim, o parágrafo não tem relação direta nem com o parágrafo anterior nem com o posterior.

Afirma-se, desse modo, que existe uma unidade de diferença de potencial entre dois pontos de um campo elétrico, quando a ação efetuada para transportar uma unidade de carga (ou 1 coulomb), de um ponto a outro, for igual à unidade de trabalho. (3º. §) [1, p. 49] 84- Além de não ter qualquer razão de ser o “desse modo”, o que foi dito acima não é exatamente o que se afirma em Física. Deveria ter aparecido algo como: “existe 1 volt de diferença de potencial entre dois pontos de um campo elétrico quando a ação efetuada para transportar 1 coulomb de carga de um ponto a outro for igual à 1 joule de trabalho”. Entendendo-se que os mesmos princípios predominam para as correntes de matéria mental, embora as modalidades outras de sustentação e manifestação, somos induzidos a asseverar, por analogia, que existe capacidade de afinização entre um Espírito e outro, quando a ação de plasmagem e projeção da matéria mental na entidade comunicante for, mais ou menos, igual à ação de receptividade e expressão na personalidade mediúnica (4º. §) [1, p. 49] 85- O trecho grifado, como pode ser percebido do contexto em que está inserido, não tem qualquer razão de ser, pois o que fora escrito nos parágrafos anteriores não serviu de base analógica à conclusão emitida por André Luiz.

VI – Circuito elétrico e circuito mediúnico RESISTÊNCIA (3 §’s) Igualmente no circuito mediúnico, a resistência significa a dissipação de energia mental, destinada à sustentação de base entre o Espírito comunicante e o médium. (3º. §) [1, p. 53] 86- Aqui, a falta de um artigo definido e a existência de uma vírgula colocada erroneamente modificam completamente o sentido que deveria ter o parágrafo, que, reescrito corretamente, ficaria assim: “Igualmente, no circuito mediúnico, a resistência significa a dissipação da energia mental destinada à sustentação de base entre o Espírito comunicante e o médium”. INDUTÂNCIA (2 §’s) (...) para que se impossibilite a formação de extra-correntes magnéticas, capazes de operar desajustes e perturbações físicas, perispiríticas e emocionais, de resultados imprevisíveis para o médium, quanto para a entidade em processo de comunicação. (2º. §) [1, p. 54] 87- O correto, pelo contexto, seria “correntes mentais extras”.

CAPACITÂNCIA (6 §’s) Os elementos suscetíveis de condensar essas possibilidades, no campo magnético da conjunção mediúnica, expressam-se (...) (5º. §) [1, p. 55] 88- Melhor seria algo como “campo de realização”, para se evitar confusões com a expressão “campo magnético” utilizada em Física.

VII – Analogias de circuitos VELOCIDADE ELÉTRICA (4 §’s) Entretanto, devemos considerar que a velocidade dos eletrões depende dos recursos imanentes da pressão elétrica e da resistência elétrica do elemento condutor (...) (4º. §) [1, p. 56] 89- André Luiz deveria ter sido mais claro. O trecho em destaque deveria ter sido escrito algo como “a velocidade dos eletrões propriamente ditos é bem menor, e depende dos recursos imanentes da pressão elétrica (força eletromotriz) e da resistência elétrica do elemento condutor”. CONTINUIDADE DE CORRENTES (4 §’s) Assim como se faz necessária uma corrente líquida, em circulação e massa constantes, é imperioso se façam cargas de bilhões de eletrões, por segundo, para que se mantenha a produção de correntes elétricas de valores contínuos. (4º. §) [1, p. 57] 90- Faltaram algumas palavras no início deste parágrafo. O correto seria algo como “Assim como se faz necessária uma pressão contínua sobre o montante de água para que haja uma corrente líquida, em circulação e massa constantes, é imperioso (...)”. EXPRESSÕES DE ANALOGIA (1 §) Aplicando os conceitos expendidos atrás, aos nossos estudos da mediunidade, recordemos a analogia existente entre os circuitos hidráulico, elétrico e mediúnico, nas seguintes expressões: a) Curso dágua — fluxo elétrico — corrente mediúnica. b)Pressão hidráulica — diferença de potencial elétrico, determinando harmonia — sintonia psíquica. (...) [1, p. 57] 91- No lugar de fluxo elétrico deveria ter aparecido corrente elétrica, pois fluxo elétrico é outra coisa; 92- É no mínimo esquisita a colocação de André Luiz de que as diferenças de potencial elétrico determinam harmonia.

VIII - Mediunidade e eletromagnetismo CORRENTE ELÉTRICA (9 §’s) 93- Os três últimos parágrafos desta seção fugiram ao seu tema, e, além disso, há problemas no quinto e no último. Vejamos: Nessa mesma condição entendemos a corrente mental, também corrente de natureza elétrica, embora menos ponderável na esfera física. (5º. §) [1, p. 62] 94- Isto, além de ir contra à idéia de correlação entre “ondas mentais” e “corrente mental” (vide comentário 71), contradiz também o que fora dito poucas linhas antes no mesmo livro, a saber: “Cabe considerar que as analogias de circuitos apresentadas aqui são confrontos portadores de justas limitações (...) Recorremos às comparações em foco apenas para lembrar aos nossos companheiros de estudo a imagem de «correntes circulantes» (...)” [1, p. 59]. Além do movimento de translação ou de saltos, em derredor do núcleo, os eletrões caracterizam-se igualmente por determinado movimento de rotação sobre o seu próprio eixo, se podemos referir-nos desse modo às partículas que os exprimem, produzindo os efeitos conhecidos por «spins». (9º. §) [1, p. 62] 95- É claramente perceptível que a passagem “se podemos referir-nos desse modo às partículas que os exprimem” está completamente fora de contexto; 96- O chamado “spin do elétron” não é um efeito, mas apenas uma quantidade física associada àquela partícula. “SPINS” E “DOMÍNIOS” (4 §’s) Geralmente, nas camadas do sistema atômico, os chamados «spins» ou diminutos vórtices magnéticos, revelando natureza positiva ou negativa, se compensam uns aos outros, mas não em determinados elementos, como seja o átomo de ferro, no qual existem quatro «spins» ou efeitos magnéticos desajustados nas camadas periféricas (...) (1º. §) [1, p. 63] 97- Sobre o primeiro grifo, não é lícito considerar os “spins dos elétrons” como “diminutos vórtices magnéticos”. Se quisermos estabelecer alguma correlação desse tipo, diríamos que o “spin” do elétron é uma quantidade característica dele, que, por sua vez, poderia ser descrito, figuradamente, como um diminuto vórtice magnético; 98- Sobre o segundo grifo, vide comentário 96. Além disso, ali, deveria ter aparecido simplesmente “elétrons”. Esses «domínios» se expressam de maneira irregular ou desordenada, guardando, contudo, a tendência de se alinharem, como, por exemplo, no mesmo átomo de ferro a que nos reportamos. (2º. §) [1, p. 63]

99- A passagem grifada fora mal estruturada, pois não tem sentido frente ao que fora reportado antes. (...) mas sofrem obstrução oferecida pelas energias interatômicas, a funcionarem como recursos de atrito contra a mudança provável da condição magnética que lhes é característica. (...) (3º. §) [1, p. 63] 100- André Luiz não se expressou corretamente ao falar em “recursos de atrito” no trecho acima. Uma boa opção seria “recursos de resistência”. CAMPO MAGNÉTICO ESSENCIAL (7 §’s) 101- Somente os 2 primeiros parágrafos desta seção dizem respeito ao seu título. E há também problemas no penúltimo parágrafo: Fácil reconhecer que, em todos os elementos atômicos nos quais os efeitos magnéticos ou «spins» se revelam compensados, os «domínios» ou ímãs microscópicos se equilibram na constituição inter-atômica, com índices de harmonia ou saturação adequados, pelos quais o campo magnético se mostra regular (...) (6º. §) [1, p. 64] 102- No lugar do primeiro grifo deveria ter aparecido somente “efeitos magnéticos” (vide comentário 96); 103- O segundo trecho grifado deveria ser substituído por algo como “não surgem quando da reunião de um conjunto de tais elementos”. FERROMAGNETISMO E MEDIUNIDADE (2 §’s) (...) Perceberemos nas mentes ajustadas aos imperativos da experiência humana, mesmo naquelas de sensibilidade mediúnica normal, criaturas em que os «spins» ou efeitos magnéticos da atividade espiritual se evidenciam necessàriamente harmonizados, presidindo a formação dos «domínios» ou ímãs diminutos do mundo íntimo em processo de integração, através do qual o campo magnético se mostra entrosado às emoções comuns, ao passo que, nas organizações mentais em que os «spins» ou efeitos magnéticos do pensamento apareçam descontrabalançados, as propriedades magnéticas patenteiam teor avançado (...) Vemos, pois, que as mentes integralmente afinadas com a esfera física possuem campo magnético reduzido, ao passo que aquelas situadas em condições anômalas guardam consigo campo magnético mais vasto (...) (1º. e 2º. §’s) [1, pp. 65-66] 104- Sobre o primeiro e o quarto grifos, deveria ter aparecido somente efeitos magnéticos (vide comentário 102), e naturalmente entre aspas, por tratar-se apenas de uma analogia; 105- As outras passagens grifadas deveriam ter aparecido, igualmente, entre aspas, por tratar-se também de meras expressões analógicas.

«DESCOMPENSAÇÃO VIBRATÓRIA» (1 §) Sem obstáculo, reconhecemos que a mediunidade ou capacidade de sintonia está em todas as criaturas, porque todas as criaturas são dotadas de campo magnético particular (...) [1, p. 66] 106- A expressão grifada deveria ter aparecido entre aspas (vide comentário anterior).

IX - Cérebro e energia 107- Durante todo este capítulo, André Luiz utiliza-se de expressões como corrente no campo, resistência do campo, campo «shunt» e circuito do campo. Devemos ter em vista, porém, que “campo” aí não significa o mesmo que fora definido por André Luiz no cap. 3 [1, p. 39], mas que aparece de maneira figurada, sem sentido muito claro, ainda que as expressões referidas tenham significado definido e sejam comumente utilizadas nas subáreas da Engenharia que tratam de geradores e motores. GERADOR DO CÉREBRO (5 §’s) Nessas províncias-fulcros da individualidade, circulam as correntes mentais constituídas à base dos átomos de matéria da mesma grandeza, qual ocorre na matéria física, em que as correntes elétricas resultam dos átomos físicos excitados, formando, em sua passagem, o consequente resíduo magnético, (...) (5º. §) [1, p. 70] 108- O trecho “circulam as correntes mentais constituídas à base dos átomos de matéria da mesma grandeza, qual ocorre na matéria física, em que as correntes elétricas resultam dos átomos físicos excitados” deveria ter sido escrito como “circulam as correntes mentais constituídas de partículas da mesma natureza, qual ocorre na matéria física, em que as correntes elétricas resultam do movimento de partículas elétricas”. (...) pelo que depreendemos, sem dificuldade, a existência do eletromagnetismo tanto nos sistemas interatômicos da matéria física, como naqueles em que se evidencia a matéria mental. (5º. §) [1, p. 70] 109- O que foi dito anteriormente não permite diretamente esta conclusão.

X - Fluxo mental PARTICULA ELÉTRICA (5 §’s) Por anotações ligeiras, em torno da Microfísica, sabemos que toda partícula se desloca, gerando onda característica naturalmente formada pelas vibrações do campo elétrico, relacionadas com o número atômico dos elementos. (1º. §) [1, p. 72]

110- Este parágrafo, além de mal escrito, contém várias informações erradas. Certamente o que André Luiz quis dizer foi o seguinte: “Por anotações ligeiras em torno da Microfísica, sabemos que toda partícula elétrica, quando se desloca aceleradamente, gera ondas eletromagnéticas”. Em conjugando os processos termoelétricos e o campo magnético, a Ciência pode medir com exatidão a carga e a massa dos elétrons, demonstrando que a energia se difunde, através de movimento simultâneo, em partículas infra-atômicas e pulsações eletromagnéticas correspondentes. (2º. §) [1, p. 72] 111- O techo grifado é ininteligível. Informamo-nos, ainda, de que a circulação da corrente elétrica num condutor é invariavelmente seguida do nascimento de calor, formação de um campo magnético ao redor do condutor, produção de luz e ação química. (3º. §) [1, p. 72] 112- Não há invariavelmente produção de luz e ação química quando da passagem de corrente elétrica em um condutor. Deve-se o aparecimento do calor às constantes colisões dos elétrons livres, espontâneamente impelidos a se moverem ao longo do condutor, associando a velocidade de transferência ou deslocamento à velocidade própria, no que tange à translação sobre si mesmos, o que determina a agitação dos átomos e das moléculas, provocando aquecimento. (4º. §) [1, p. 72] 113- Os trechos sublinhados são simplesmente absurdos. A constituição de um campo magnético, ao redor do condutor, é induzida pelo movimento das correntes corpusculares a criarem forças ondulatórias de imanização. A produção de luz decorre da corrente elétrica do condutor. E a ação química resulta de circulação da corrente elétrica, através de determinadas soluções. (5º. §) [1, p. 73] 114- Trecho também muito problemático. Além de apresentar terminologias obscuras ("correntes corpusculares", "forças ondulatórias de imanização"), contém uma informação completamente absurda (a de que a produção de luz decorre de correntes elétricas em condutores) e uma passagem mal escrita (vide grifo). PARTÍCULA MENTAL (1 §) Em identidade de circunstâncias, apesar da diversidade dos processos, toda partícula da corrente mental (...) se desloca, produzindo irradiações eletromagnéticas, cuja frequência varia conforme os estados mentais do emissor (...) [1, p. 73] 115- O parágrafo deveria ter aparecido algo como: “As correntes de partículas mentais deslocam-se quais ondas eletromagnéticas, com uma frequência associada variando conforme os estados mentais do emissor (...)” (vide comentário 94). O título da seção, dessa forma, deveria ter sido algo como “Corrente Mental”.

CORRENTE MENTAL SUB-HUMANA (2 §’s) Em todas as criaturas sub-humanas, os agentes mentais, na forma de impulsos constantes, são, desse modo, empregados na manutenção de calor e magnetismo, radiação e atividade química nos processos vitais dos circuitos orgânicos (...) (2º. §) [1, p. 73] 116- Ora, reduzir completamente a manutenção de calor e a atividade química dos processos vitais das criaturas sub-humanas a nebulosos “agentes mentais” é tremendo exagero. FUNÇÃO DOS AGENTES MENTAIS (3 §’s) Por intermédio dos agentes mentais ou ondas eletromagnéticas incessantes, temos (...) (1º. §) [1, p. 74] 117- Os agentes mentais, segundo a seção anterior, seriam as correntes mentais, não ondas eletromagnéticas! CAMPO DA AURA (3 §’s) (...) a alma encarnada ou desencarnada está envolvida na própria aura ou túnica de forças eletromagnéticas, em cuja tessitura circulam as irradiações que lhe são peculiares. (1º. §) [1, p. 76] 118- A expressão grifada, conforme outros trechos da obra, deveria ter aparecido como “forças mentoeletromagnéticas”. E, desse modo, estende a própria influência que, à feição do campo proposto por Einstein, diminui com a distância do fulcro consciencial emissor, tornando-se cada vez menor, mas a espraiar-se no Universo infinito. (3º. §) [1, p. 76] 119- Como já dissemos (comentário 61), o que André Luiz chama de “campo de Einstein” na realidade não foi proposto pelo físico alemão. Além disso, conforme a própria definição fornecida por André Luiz, “campo” estaria relacionado à noção de “espaço de influência”, de modo que não faz sentido falar-se que o campo diminuiria com a distância do fulcro emissor; o que diminui é a intensidade da influência, não o campo propriamente dito.

XI - Onda mental ONDA HERTZIANA (2 §’s) Examinando sumàriamente as forças corpusculares de que se constituem todas as correntes atômicas do Plano Físico, podemos compreender, sem dificuldade, no pensamento ou radiação mental, a substância de todos os fenômenos do espírito, a expressar-se por ondas de múltiplas frequências. [1, p. 77]

120- Passagem mal estruturada. O trecho grifado não diz nada com nada, de modo que nem mesmo poderia ajudar a compreender o “pensamento ou radiação mental”. PENSAMENTO E TELEVISÃO (12 §’s) Nos transmissores dessa espécie, é imperioso conjugar a aparelhagem necessária à captação, transformação, irradiação e recepção dos sons e das imagens de modo simultâneo. (2º. §) [1, p. 77] 121- Como pode ser notado, em lugar do trecho grifado deveria ter aparecido somente “e irradiação”.

XII - Reflexo condicionado USO DO DISCERNIMENTO (2 §’s) (...) de vez que se a vida física está cercada de correntes eletrônicas por todos os lados, a vida espiritual, da mesma sorte, jaz imersa em largo oceano de correntes mentais (...) (2º. §) [1, p. 87] 122- No lugar de “correntes eletrônicas”, é facilmente perceptível que o autor intentou dizer “ondas eletromagnéticas”.

XIII - Fenômeno hipnótico indiscriminado Neste capítulo da obra não encontramos problemas.

XIV - Reflexo condicionado específico MECANISMO DO FENÔMENO HIPNÓTICO (9 §’s) (...) por favorecer a passividade dos núcleos receptivos do cérebro, provocando, ao mesmo tempo, a atenção ou o circuito fechado no campo magnético do paciente (...) (3º. §) [1, pp. 95-96] 123- Em lugar de campo magnético, para que não haja confusão com a expressão utilizada em Física, deveria ter aparecido algo como campo de integração magnética, conforme início da seção “Conceito de Circuito Mediúnico” do capítulo VI da obra [1, p. 51].

XV - Cargas elétricas e cargas mentais EXPERIÊNCIA VULGAR (4 §’s) Contudo, para gravar as linhas básicas de nosso estudo, recordemos a propagação indeterminada dos eletrões nas faixas da Natureza. (2º. §) De semelhante propagação, qualquer pessoa pode retirar a prova evidente com vários objetos como, por exemplo com a experiência clássica da caneta-tinteiro que, friccionada com um pano de lã, nos deixa perceber que as bolhas de ar existentes entre as fibras do pano fornecem os eletrões livres a elas agregados, eletrões que se acumulam na caneta mencionada, por suas qualidades dielétricas ou isolantes. (3º. §) [1, p. 100] Esta passagem é também quase uma cópia de um trecho de “O Átomo”, que diz: Da propagação geral dos elétrons qualquer um de nós poderá convencer-se executando a pequena experiência pela qual o grego Tales, da cidade de Mileto, na Ásia Menor, descobriu a eletricidade, cerca de 600 anos A. C. Friccionando-se uma caneta-tinteiro com um pano de lã, as bolhas de ar existentes entre as fibras do tecido cedem os elétrons livres a elas aderentes, e estes últimos acumulam-se na canetatinteiro, por ser esta um dielétrico (vide [4]). Os problemas do parágrafo de Fritz Kahn e, consequentemente, daquele de André Luiz são os seguintes: 124- Propagação de elétrons definitivamente não é uma boa expressão para caracterizarmos fenômenos como o referido, de eletrização por atrito; 125- Em lugar de eletrões livres a elas agregados, deveria ter aparecido eletrões agregados às suas moléculas; 126- Os elétrons não se acumulam na caneta-tinteiro pelas “qualidades dielétricas” dela, mas simplesmente porque, no caso particular do atrito de um pano de lã com a caneta, o pano tem maior facilidade em doar elétrons do que em receber. Efetuada a operação, elementos leves, portadores de cargas elétricas positivas ou, mais exatamente, muito pobres de eletrões, como sejam pequeninos fragmentos de papel, serão atraidos pela caneta, então negativamente carregada. (4º. §) [1, p. 100] Em “O Átomo” lemos: Corpos leves e eletricamente com “carga positiva”, isto é, pobres em elétrons, tais como cabelos, pequenas aparas de papel, etc., serão agora atraídos pela caneta-tinteiro “negativamente carregada” (vide [4]). Fritz Kahn e André Luiz cometem o seguinte erro: 127- Pequeninos fragmentos de papel não são naturalmente “muito pobres de eletrões”. O que acontece é que os papeizinhos ficam polarizados eletricamente quando da aproximação de um objeto negativamente carregado, com a região positivamente carregada mais próxima do objeto, naturalmente. Daí, por serem leves, os pequeninos fragmentos de papel são atraídos como um todo pelo objeto, que, no caso, é uma

caneta-tinteiro. MÁQUINA ELETROSTÁTICA (3 §’s) Na máquina eletrostática ou indutora, utilizada nas experiências primárias de eletricidade, a ação se verifica semelhante à experiência da caneta-tinteiro. (1º. §) [1, p. 101] 128- André Luiz fala em “máquina eletrostática ou indutora” como se toda máquina eletrostática fosse indutora e, pior, como se houvesse apenas um tipo de máquina indutora, o que é um erro. Veremos, a seguir, que a máquina eletrostática descrita é uma máquina de influência denominada, em homenagem a seu inventor, “máquina de Wimshurst”. O título desta seção, inclusive, deveria ter sido este; 129- André Luiz deveria ter acrescentado que, nas máquinas eletrostáticas indutoras, a ação se verifica semelhante à experiência da caneta-tinteiro com os pequeninos fragmentos de papel, relacionada ao processo de eletrização por indução, pois ele havia relatado também uma experiência da referida caneta com um pano de lã, em que a eletrização ocorria por atrito. Os discos de ebonite em atividade rotatória como que esfarelam as bolhas de ar, guardadas entre eles, comprimindo os eletrões que a elas se encontram frouxamente aderidos. (2º. §) [1, p. 101] Esta passagem é, também, quase uma cópia de um trecho de “O Átomo”, que diz: Os seus discos de ebonite em rotação “esmagam” como mós as bolhas de ar existentes entre eles, espremendo assim os elétrons frouxamente a elas aderentes (vide [4]). E o erro de Fritz Kahn e de André Luiz é este: 130- A máquina eletrostática que se utiliza de discos de ebonite em atividade rotatória é a “máquina de Wimshurst” [10], e seu processo de funcionamento não tem nada parecido com um “esfarelamento” de bolhas de ar acarretando “compressões” de elétrons, o que nem mesmo faz sentido dizer, mas está baseado no fenômeno da indução elétrica [11]. Com o auxílio de escovas, esses eletrões se encaminham às esferas metálicas, onde se aglomeram até que a carga se faça suficientemente elevada para que seja extraída em forma de centelha. (3º. §) [1, p. 101] Mais uma passagem similar a “O Átomo”, que diz, em continuidade ao trecho que transcrevemos antes do comentário anterior, o seguinte: Por intermédio de escovas, esses elétrons são conduzidos a esferas metálicas onde se acumulam até que a “carga” seja suficientemente grande para poder-se extrair em forma de centelha (vide [4]). E o erro de Fritz Kahn e de André Luiz são estes: 131- As escovas da “máquina de Wimshurst” não têm função coletora, mas neutralizadora. Os coletores de carga utilizados na máquina nem mesmo tocam nos

discos. Aliás, o toque acidental das pontas dos coletores nos discos é a principal causa de destruição deste tipo de máquina de influência [11]; 132- Se os elétrons encaminhassem-se igualmente para ambas as esferas metálicas do faiscador, não haveria qualquer centelha entre elas! As centelhas, que caracterizam o processo de obtenção do equilíbrio elétrico, e não uma aludida “extração de carga”, como dito por André Luiz, ocorrem justamente pela diferença de polaridade elétrica entre as esferas. NAS CAMADAS ATMOSFÉRICAS (6 §’s) Todavia, as gotas que vertem de cima, sem chegarem ao chão, por se evaporarem na viagem de retorno, são surpreendidas em caminho pelas correntes de ar aquecido em ascensão e, atritando os elementos nesse encontro, o ar quente, na subida, extrai das moléculas dágua os eletrões livres que a elas se encontram fracamente aderidos (...) (4º. §) [1, p. 101] Em “O Átomo” aparece: (...) A gota que cai sem atingir a terra, por evaporar-se no meio do caminho, encontra-se com correntes ascendentes de ar quente. Pelo atrito que aí ocorre, são extraídos das moléculas de água os eletrões livres a elas aderentes (vide [4]). 133- Em ambos os livros deveria ter aparecido apenas eletrões. Seria mais correto. Quando as correntes eletrônicas aí agregadas tiverem atingido certo valor, assemelham-se as nuvens a máquinas indutoras, em que a tensão se eleva a milhões de volts, das quais os elétrons em massa, na forma de relâmpagos, saltam para outras nuvens ou para a terra (...) (5º. §) [1, p. 101] 134- Em lugar de correntes eletrônicas, é claramente perceptível, pelo contexto, que deveria ter aparecido algo como cargas eletrônicas. Em “O Átomo”, o equívo foi outro. Fritz Kahn diz o seguinte: Quando a carga, ou seja, o número de elétrons, tiver atingido determinado valor, os elétrons saltam em forma de centelhas (relâmpagos) para outras nuvens ou para a terra (vide [4]). O problema aí é que, em lugar de a carga, ou seja, o número de elétrons, deveria ter aparecido algo como a carga total, ou seja, o número de elétrons multiplicado por 1,6 x 10-19 C. Em identidade de circunstâncias, quando o planeta terrestre se encontra na direção de explosões eletrônicas partidas do Sol, cargas imensas de elétrons perturbam o campo terrestre (...) (6º. §) [1, p. 102] 135- A primeira passagem grifada não teve qualquer razão de ser; 136- O segundo trecho grifado deveria ter sido modificado para algo como direção de propagação de explosões partidas do Sol. É interessante que, se André Luiz tivesse seguido Fritz Kahn, não teria incorrido

em erro no trecho que acima transcrevemos, pois em “O Átomo” consta: Explosões semelhantes àquelas das bombas atômicas rompem o invólucro do Sol e são por nós percebidas como manchas solares. Devido à sua carga elétrica, os elétrons perturbam o campo magnético da Terra (...) (vide [4]). CORRENTES DE ELETRÕES MENTAIS (8 §’s) 137- Eletrões Mentais deveria ter aparecido entre aspas neste título, pois trata-se de uma analogia muito distante com a ideia de elétrons físicos. Dentro de certa analogia, temos também as correntes de eletrões mentais, por toda a parte, formando cargas que aderem ao campo magnético dos indivíduos, ou que vagueiam, entre eles, à maneira de campos elétricos que acabam atraídos por aqueles que, excessivamente carregados, se lhes afeiçoem à natureza. (1º. §) [1, p. 102] 138- As duas primeiras expressões grifadas deveriam ter aparecido entre aspas, por tratar-se de meras analogias; 139- Não faz qualquer sentido falar-se em “campos elétricos sendo atraídos”. E para estampar, com mais segurança, a nossa necessidade de equilíbrio, perante a vida, recordemos que à maneira das correntes incessantes de força, que sustentam a Natureza terrestre, também o pensamento circula ininterrupto, no campo magnético de cada Espírito (...) (6º. §) [1, p. 103] 140- A primeira expressão grifada não é de uso corrente na ciência terrestre, e a segunda deveria ter aparecido entre aspas. Correntes vivas fluem do íntimo de cada Inteligência, a se lhe projetarem no «halo energético», estruturando-lhe a aura ou fotosfera psíquica, à base de cargas magnéticas constantes, conforme a natureza que lhes é peculiar, de certa forma semelhantes às correntes de força que partem da massa planetária, compondo a atmosfera que a envolve. (8º. §) [1, p. 103] 141- A primeira expressão grifada deveria ter aparecido entre aspas, e o segundo grifo destaca uma passagem onde André Luiz não foi claro. CORRENTES MENTAIS CONSTRUTIVAS (3 §’s) Quanto mais enobrecida a consciência, mais se lhe configurará a riqueza de imaginação e poder mental, surgindo portanto mais complexo o cabedal de suas cargas magnéticas ou correntes mentais (...) (2º. §) [1, p. 104] 142- Vide primeira observação do comentário anterior. CORRENTES MENTAIS DESTRUTIVAS (5 §’s) Os referidos estados de tensão, devidos a «núcleos de força na psicosfera pessoal», procedem, quase sempre, à feição das nuvens pacíficas repentinamente

transformadas pelas cargas anormais de elétrons livres em máquinas indutoras, atraindo os campos elétricos com que se fazem instrumentos da tempestade. (1º. §) [1, p. 104] 143- A primeira expressão grifada (em máquinas indutoras) está fora de contexto e deveria ter sido substituída por algo como levados até elas, e a segunda, como já dissemos no comentário 139, não tem qualquer sentido. (...) se as criaturas conscientes não se dispõem à distribuição natural das próprias cargas magnéticas (...) (3º. §) [1, p. 105] 144- Vide primeira observação do comentário 141.

XVI- Fenômeno magnético da vida humana, XVII- Efeitos físicos, XVIII- Efeitos intelectuais, XIX- Ideoplastia, XX- Psicometria, XXI- Desdobramento Não encontramos problemas dignos de nota nestes capítulos da obra.

XXII – Mediunidade curativa MENTE E PSICOSSOMA (6 §’s) Compreendendo-se o envoltório psicossomático por templo da alma, estruturado em bilhões de células a se caracterizarem por atividade incessante, é natural imaginemos cada centro de força e cada órgão por departamentos de trabalho, interdependentes entre si, não obstante o caráter autônomo atribuível a cada um. (1º. §) [1, p. 144] 145- Pode ser percebido pelo próprio contexto que em lugar da expressão grifada deveria ter aparecido algo como envoltório fisiopsicossomático.

XXIII – Animismo MEDIUNIDADE E ANIMISMO (4 §’s) Alinhando apontamentos sobre a mediunidade, não será licito esquecer algumas considerações em torno do animismo ou conjunto dos fenômenos psíquicos produzidos com a cooperação consciente ou inconsciente dos médiuns em ação. (1º. §) [1, p. 150] 146- A definição que André Luiz fornecera de “animismo” não condiz com seu emprego no contexto espírita. Tal conceito seria melhor definido por estado em que a própria Inteligência encarnada, consciente ou inconscientemente, é a principal responsável pelos fenômenos psíquicos produzidos.

ANIMISMO E HIPNOSE (2 §’s) Nas ocorrências várias da alienação mental, encontramos fenômenos assim tipificados, reclamando larga dose de paciência e carinho, porquanto as vítimas desses processos de fixação não podem ser categorizadas à conta de mistificadores inconscientes, pois representam, de fato, os agentes desencarnados a elas jungidos por teias fluídicas de significativa expressão, tal qual acontece ao sensitivo comum, mentalmente modificado, na hipnose de longo curso, em que demonstra a influência do magnetizador. (2º. §) [1, p. 153] 147- Em lugar do trecho grifado, é perceptível, pelo contexto, que deveria ter aparecido algo como: foram, de fato, quem dizem ser, permanecendo estacionadas neste quadro mental devido a.

XXIV- Obsessão, XXV- Oração, XXVI- Jesus e mediunidade Não encontramos problemas nestes capítulos da obra.

CONCLUSÃO Emmanuel, guia espiritual de Francisco C. Xavier, no fim de sua apresentação de “Mecanismos da Mediunidade” diz o seguinte:
Em nosso campo de ação, temos livros que consolam e restauram, medicam e alimentam, tanto quanto aqueles que propõem e concluem, argumentam e esclarecem. Nesse critério, surpreendemos aqui um livro que estuda. (...) [1, p. 16]

Infelizmente, não foi isso o que pudemos constatar. Malgrado os elucidativos capítulos XII-XIV e XVI-XXVI da obra, “Mecanismos da Mediunidade”, notadamente em seus capítulos I-V, VIII, X e XV, é um livro que deturpa e desinforma.

REFERÊNCIAS [1] “Mecanismos da Mediunidade”, pelo Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira. Rio de Janeiro: FEB, 1960. [2] A Física no Espiritismo, trabalho apresentado por Érika de Carvalho Bastone no VIII Simpósio Brasileiro de Pensamento Espírita, ocorrido de 17 a 19.10.2003 em Santos-SP. Os simpósios brasileiros do pensamento espírita, eventos bienais, são organizados pelo Instituto Cultural Kardecista de Santos (ICKS).

[3] Sobre “A Física no Espiritismo”, artigo de nossa autoria enviado por e-mail em 31.05.2010 a alguns colegas e ao ICKS. Os interessados podem contatar-nos que disponibilizamos. [4] “A Anti-História das Mensagens Co-Piadas”, Luciano dos Anjos. Rio de Janeiro: Leymarie, 2a. ed., 2007. Pp. 169-175. [5] “The Scientific Papers of James Clerk Maxwell”, W. D. Niven (ed.). New York: Dover, 1965 (unabridged and unaltered republication of the work first published by Cambridge University Press in 1890). [6] “A History of the Theories of Aether and Electricity – vol. I”, Edmund T. Whittaker. Dublin: Hodges, Figgis, & Co., 1910. [7] “Planck’s Original Papers in Quantum Physics”, Hans Kangro (ed.). London: Taylor & Francis, 1972. [8] Concerning an Heuristic Point of View Toward the Emission and Transformation of Light (English version), Albert Einstein. A versão original deste artigo, em alemão, foi recebida pela revista “Annalen der Physik” em março de 1905. [9] The Field Concepts of Faraday and Maxwell, A. K. T. Assis, J. E. A. Ribeiro, and A. Vannucci, pp. 31-38 de “Trends in Physics – Festschrift in homage to Prof. José Maria Filardo Bassalo”, S. Paulo: Editora Livraria da Física, 2009. [10] Máquinas Eletrostáticas - http://www.coe.ufrj.br/~acmq/eletrostatica.html, Antonio Carlos M. de Queiroz. Acesso em 05/07/10. [11] A Máquina de Wimshurst - http://www.coe.ufrj.br/~acmq/wimport.html, Antonio Carlos M. de Queiroz. Acesso em 05/07/10.